EntreContos

Detox Literário.

Amor concreto (Ricardo Falco)

Confesso que foi uma surpresa descobrir a profissão dela.

Martina havia desviado o olhar de mim. Não sei se por vergonha, ou se ela já estava com tudo planejado mesmo, desde o início. Mas, o fato é que foi realmente espantoso vê-la pela primeira vez misturando — com tamanha maestria — o cimento com a areia e a água, vestindo um singular macacão cor-de-rosa.

De mesma cor eram o capacete, os óculos e os demais materiais de proteção que, por lei, estava obrigada a utilizar no trabalho. Ela e todos os outros empregados daquela pequena firma do ramo da construção civil.

Sim, Martina era pedreira. Isso mesmo: pe-drei-ra; com “a” no final. Carregava sacos de cimento, massa corrida, pedras, areia, tijolos… Tudo em seu carrinho de mão personalizado — repleto de corações pintados sobre o ferro da carcaça — e sem deixar nada a dever a qualquer homem.

Claro que ela não conseguia carregar, de uma vez só, o mesmo peso que seus colegas de trabalho, todos do sexo masculino. Mas, guardadas as devidas proporções corporais, poder-se-ia dizer que Martina, toda miudinha e delicada, era até mais eficiente do que seus companheiros profissionais; pois era rápida e, no quesito “acabamento” não havia nenhum outro que a superasse.

Ninguém levantava uma parede como Martina. Desde a fundação e reboco, até a finalização com a pintura e os rejuntes. E olha que eu nem quero me prender muito agora falando sobre as inovações que ela trouxe para a profissão, pois assim não corro o risco de estragar o final desta história…

Mas, vamos ao básico. Martina desenvolvia combinações e criava acabamentos que apenas a sensibilidade feminina poderia ser capaz de produzir. Diluía perfume na água de preparo do cimento, misturava purpurina na massa corrida, preenchia com papel couché colorido os espaços ocos dos tijolos de vidro… Fazia a festa!

Isso lhe rendera certa fama na área e o apelido, entre os colegas e até mesmo seus chefes, de “Mãos de Anjo”. E, quando lhe perguntavam — inclusive em algumas matérias de revistas e jornais, que já tinham lhe entrevistado — sobre qual seria seu ‘segredo’ para tanto sucesso, ela sempre respondia, de pronto, que era só trabalhar com o coração.

O mais intrigante é que Martina não era lá muito chegada a demonstrações de afeto e sentimentalismos que, normalmente, são vinculados à imagem das mulheres. Quando a conheci, por exemplo, ela estava me contando — o que só depois fui descobrir ser mentira — a situação em que estava o corpo de um colega, chamado Paulo, que fora vítima de um violento, e fatal, acidente de trabalho.

Eu havia acabado de ser contratado pela empresa e, já em meu primeiro dia na obra, ao chegar no pátio, dei de cara com a multidão que cercava uma enorme poça de sangue, onde um cobertor descansava esticado por cima de um monte que nem de longe lembrava uma silhueta humana.

Martina estava lá em cima do prédio em construção, inabalável, misturando o cimento com tamanha perfeição que até hoje não sei se reparei primeiro nisso ou nos contornos, igualmente perfeitos, que preenchiam aquele macacão cor-de-rosa.

Me apresentei, gaguejando de certo, e nossa primeira conversa girou em torno do que sobrara do corpo do coitado do Paulo, flagrado por ela ao chegar no serviço; que ficou estendido — ou melhor descrevendo: amontoado — ainda por horas lá embaixo, até ser por fim removido após uma longa perícia.

Eu nunca havia ouvido falar da Martina, nem nunca tinha trabalhado como ajudante de pedreir‘a’ até aquela data. Na verdade, eu nem imaginava que isso pudesse existir. Que ela pudesse existir…

Martina não era apenas uma pedreira mulher. Ela era, para meu martírio, a mulher mais perfeita que eu já tinha visto. Visto, revisto, entrevisto… E eu, por mais que tentasse, não era capaz de parar de olhar para ela! Uma mulher maravilhosa, estonteante.

Eu não conseguia acreditar naquilo!

E, depois de conhecê-la, foi exatamente “naquilo” que eu não consegui mais deixar de pensar. Olhava para Martina e pensava… Falava com ela, e pensava… Ela falava comigo, eu ouvia aquela voz rouca, via aqueles lábios carnudos mexendo… E pensava. Pensava e pensava…

Não conseguia evitar! Cada gesto, cada frase, cada virada de rosto, de corpo; a forma com que ela segurava a pazinha, no cabo daquela pazinha, enquanto alisava a parede recém-levantada… “Mãos de Anjo”! Martina era a encarnação da luxúria que eu sequer supunha possuir dentro de mim!

Hmm, possuir…

Possuí-la! Sim, era o que eu mais desejava. E, com o passar do tempo, esse delirante impulso tomou conta de todo o meu ser, respaldando um comportamento que a cada oportunidade, natural ou produzida, me fazia avançar rumo à insensatez.

Foram semanas de tentativas, de vãs investidas. Martina não me dava brecha. Nenhuma… Seu profissionalismo era contumaz e, quanto mais difícil se mostrava aquela desafiadora situação, mais tentadora e audaz tornava-se minha próxima ação.

De início, foram apenas palavras. Palavras repletas de paixão, sobrepujando o enojado repúdio recebido em troca. Uma troca unilateral de desejo, de avanço descarado, de sofreguidão…

Baixo calão.

Então, veio a grande chance. Uma oportunidade imperdível e irresistível… Finalmente, o destino havia decidido me ajudar naquela já inverossímil conquista. Meu coração batia disparado, retumbante, com uma crescente certeza oriunda de um presságio arrebatador e que, irrefragável, conclamaria a sorte como parceira.

Martina, enfim, cedera aos tão destemidos esforços empreendidos por mim. Após tamanha persistência, chegava o momento de colher os suculentos frutos de uma libidinosa árvore, plantada com extremo cuidado. Regada dia após dia em seus ouvidos, com os mais sujos e germináveis sussurros.

O solo fértil onde toda essa paixão iria afinal desabrochar seria, como em uma antologia poética, o mesmo no qual a vira pela primeira vez. O local em que pousara meu olhar sobre um atrativo roseiral, onde sentira o desejo incontrolável de colhê-la, de sorvê-la; onde fora inebriado por seu mel.

O andar interditado da obra.

E foi ali, diante daquela ainda inacabada parede de tijolos, que meu espírito saltou de meu peito rumo às mãos de anjo de Martina. O Anjo da Morte, da minha morte.

Vítima indefesa de um amor inusitadamente concretizado, meu coração por fim foi — e pelo tempo que durar aquele prédio assim permanecerá — eternizado dentro de uma colorida e perfumada parede.

Bem ao lado do coração do Paulo.

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29 comentários em “Amor concreto (Ricardo Falco)

  1. Ana Maria Monteiro
    5 de setembro de 2017

    Olá Ricardo. Que bom isto de comentar depois, sabendo a quem, que o deseja e tendo até a oportunidade de contextualizar com os demais comentários que vieram antes – o meu incluído. Repare na consensualidade de todos os comentários que recebeu: bom conto, bem escrito, bem desenvolvido, final surpreendente e altamente eficaz, mas… e a comédia? Você esqueceu o tema do desafio? Ninguém conseguiu encontrá-la e esse foi, sem dúvida, o motivo por que o seu conto ficou “emparedado em concreto” na primeira fase.
    Alguns comentaram a simplicidade da sua escrita acrescentando um mas; disseram, por palavras deles: é simples, mas tão bem conduzida e simples, que isso nem chega a ser problema. Neste quesito, posiciono-me do lado oposto ao desses e afirmo em aplauso: “Viva! É simples! Tal como um leitor merece que seja, respeita-o.” Na realidade, tenho dificuldade em “engolir” os exibidores de sapiência própria, fujo deles e, se for para dar nota, baixo-a por esse motivo, independentemente da qualidade e adequação. Simplicidade na linguagem usada e condução da história são as duas ferramentas sagradas de qualquer autor que se queira digno desse nome, duas ferramentas que você tem, usa e sabe manejar muitíssimo bem. Parabéns! Este seu conto afirma-o como autor. Se tivesse que definir numa única frase o que correu mal com ele, diria: O conto certo no desafio errado.
    E mais: você tem m excelente sentido humor. Isso está muito bem refletido em toda uma séria de falas. Mas é um humor tão subtil, tão suave, que pode até passar despercebido. E se só humor não chega a fazer comédia, o demonstrado (inteligente e bem disposto) é claramente insuficiente para esse efeito.
    Também recebeu críticas negativas pelo lado do vocabulário do ajudante de pedreiro se exprimir de forma tão clara e coerente. Também aí discordo dessas críticas. Por duas razões: primeira, porque fariam sentido se existissem diálogos e ele se manifestasse dessa forma, não existindo, não encontro essa necessidade, até pela segunda razão que me leva a não concordar com as referidas críticas; não sei como é no Brasil, mas em Portugal e com o mercado de trabalho como está, nada mais natural que encontrar jovens (e o seu protagonista era jovem) ajudantes de pedreiro com curso superior completo, ou seja, pessoas com muita cultura e educação, escolar, cívica e da que é fornecida por um bom entorno familiar. Ou seja, não se estranha nem por momento, ao ler, a forma que o narrador encontrou para se exprimir.
    Mas talvez seja boa ideia, num próximo conto em que você queira colocar um narrador deste tipo, acrescentar-lhe uma bagagem intelectual pré-adquirida. Parece que o público irá apreciar mais com essa forma (às vezes quase seria necessário fazer bonequinhos para as pessoas compreenderem, porque pelos vistos, a muitos, pelas palavras ditas, nunca chegam ao que foi escrito).
    A história, não vou comentar. Já o fiz, eu e outros, está mais que comentada e avaliada – e como boa. E nem é tanto o nosso intuito aqui, onde o que mais desejamos são críticas construtivas e dispensamos resumos do que escrevemos.
    Notei uma única coisa que não resultou bem, esta frase: “Quando a conheci, por exemplo, ela estava me contando” porquê? Porque quando a conheceu ela não podia estar a fazer-lhe nada visto que não havia um antes vosso. Creio que teria ficado melhor assim: “Quando a conheci, por exemplo, ela começou me contando…”
    E depois aqui, nesta frase, houve várias coisas: “Me apresentei, gaguejando de certo, e nossa primeira conversa girou em torno do que sobrara do corpo do coitado do Paulo, flagrado por ela ao chegar no serviço; que ficou estendido — ou melhor descrevendo: amontoado — ainda por horas lá embaixo, até ser por fim removido após uma longa perícia.”. Quis dizer decerto ou de certo? E se foi de certo, foi de certo o quê? Não entendi se foi erro ortográfico ou falta de explicação; e a pontuação usada na frase também me soou estranha ao ler, talvez fosse mais adequado “do coitado do Paulo, flagrado por ela ao chegar no [(aqui seria ao, mas isso é aqui)] serviço, que fico estendido… ser removido após uma longa perícia” retiraria o por fim, apenas porque funciona como um sublinhar desnecessário, e como tal configura uma redundância, da ideia dada logo em seguida por “longa”, para dizer tão somente que o processo durou mais que o desejável para o espetador. Expliquei-me? Está-me a parecer que aqui eu própria fui um pouco confusa, mas acredito que compreendeu a minha ideia.
    Fiz-lhe estes dois apontamentos menores porque não encontro absolutamente mais nada a apontar ao seu conto. Ele está bom, completo, imaginativo, bem escrito e conduzido. Não lhe falta nada. Pode, se entender, agora liberto do limite de palavras, acrescentar densidade a Martina, diálogos entre eles, explicar como e o que levou a que Martina, aparentemente, cedesse aos esforços do narrador. Pode isso e muito mais, claro. Mas não sinto que seja necessário.
    Um abraço.

  2. Amanda Gomez
    1 de setembro de 2017

    Oi, Sabrina!

    Terminei de ler com dois pensamento: O texto é muito bom, e o texto não é uma comédia, absolutamente.

    Já me deparei com alguns textos assim, que se fosse em qualquer outro desafio iria merecer um bom destaque e até mais. Mas como não é o caso, eu entendo pq o texto não passou de fase. Não sei se o autor tem uma ideia diferente do que seja a comédia em si, ou quis tanto participar que foi esse mesmo, e tô nem ai… rsrs

    Mas falando dele como um todo, eu achei muito bom, está tudo nas entrelinhas, o autor conseguiu segurar o mistério de uma forma que eu fui surpreendida no final, eu desconfiei do cara morto no chão, e ela lá em cima trabalhando de boas, como se nada tivesse acontecido, mas acabei deixando esse detalhe de lado.

    A junção da história com o título ficou perfeita também, a escrita…enfim, o texto é realmente ótimo, só está do desafio errado. =/

    Parabéns!

  3. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    9,7

  4. Catarina Cunha
    29 de agosto de 2017

    Gosto muito de contos do cotidiano e este, em especial, está divino. A personagem é complexa e a narrativa descompromissada nos engana até a última linha. Desfecho inteligente. Acho que se fosse desafio “cotidiano” minha nota seria 10, mas trata-se de “comédia” e, fora umas leves pitadas de purpurina, é um conto triste.

    Auge: “Diluía perfume na água de preparo do cimento, misturava purpurina na massa corrida, preenchia com papel couché colorido os espaços ocos dos tijolos de vidro…” – passagem de puro glamour. Kkk

    Sugestão:

    Não mudar nem uma linha e não chamar mais de comédia. Ou partir para o escracho. Por exemplo: não sabemos como ela fala e o que pensa; como realmente é. Só temos a visão do ajudante de pedreira. Por que? Porque falta embate, diálogo para gerar a comédia.

  5. iolandinhapinheiro
    27 de agosto de 2017

    Seu conto foi muito diferente, gostoso, dramático e fácil de ler. Gostei muito dos personagens, você soube criar uma surpresa no final e tem um clima de suspense o tempo inteiro. Outro conto que eu lamentei não ter passado para a segunda fase. Talvez a dose de humor tenha ficado suave demais. O conto, todavia, não perde o brilho pela sutileza da graça, mas ganha elegância. Parabéns por tudo e mais ainda pelo brilhante arremate.

  6. Luis Guilherme
    23 de agosto de 2017

    Boa noiteee.. td bão por ai?

    Hmmm, comédia com um tom sabrinesco. Acho que o primeiro com que me deparou aqui nesse desafio.

    Fiquei um pouco confuso sobre o desfecho. A Martina é um anjo da morte? É isso? Pelo que entendi, ela atrai os caras, faz eles se apaixonarem, faz de difícil, até dar uma brecha, atraí-los para o andar fechado e fazê-los despencar, arrebanhando a alma (representado pelo coração). Acertei?

    A história é bem escrita, você possui um bom domínio gramatical e estrutura, mas não em cativou totalmente. Achei um pouco arrastada a situação, muito tempo transmitindo as divagações apaixonadas do homem, acabou ficando meio cansativo, pra mim.

    Como o texto tá bem escrito e a leitura flui bem, não se torna maçante. Mas de qualquer forma acabou se tornando uma situação que não desenrola muito rápido, e tem um desfecho súbito.

    A conclusão, independente de eu ter compreendido corretamente ou não, é o ponto alto da história.

    Acredito que um enredo mais rápido e dinâmico, focando na cena final, valorizaria mais o conto, pois toda a graça e o charme do conto se encontram no desfecho.

    Enfim, opinião particular, e claro que não vou te dizer como escrever sua história, só procurei transmitir minhas impressões. O conto tem potencial e tem uma pegada divertida.

    Parabéns e boa sorte!

  7. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Uau, Sabrina, que história você me traz!? Excelente o enredo, a narrativa muito bacana, a criatividade do tema. A pedreira que responde aos assédios, a arrancar corações e com empurrões fatais. Irrepreensível a sua história. Pudesse eu lhe dar um palpite, Sabrina, diria para rever o vocabulário do narrador. Puxa vida, servente de pedreiro com mesóclises e com o uso de palavras que não são usuais nem em ambientes mais refinados… Isto, no meu modo de ver, gerou no seu conto (excelente, repito), um ar “fake”. Mas, Sabrina, vamos pensar de outra maneira. Releve, por favor esses comentários de um cara chato e estranho. Fiquemos apenas no seu excelente conto. Brava! Bravíssima! Grande abraço.

  8. Cilas Medi
    19 de agosto de 2017

    Ola Sabrina,
    Um conto de amor de luxúria finalizado por morte. Tem texto mais comum e totalmente fora do combinado!?. Não seria escrever sobre comédia? Não encontrei nesse conto nada sobre o tema.

  9. André Felipe
    18 de agosto de 2017

    A estória é bem interessante e criativa. Realmente tem uma quebra de expectativa inusitada no final, mas pra mim não funcionou como um recurso cômico. Senti falta de diálogos e que o conteúdo fosse “mostrado” em vez de apenas “contado” pelo protagonista. Seria mais interessante perceber “a voz” da Martina e quem sabe deixar pistas de sua intenção macabra para o leitor perceber numa segunda leitura. Ponto positivo por não ter se alongado.

  10. Victor Finkler Lachowski
    18 de agosto de 2017

    Um conto que pareceu não prometer muito, apenas um caso simples de apaixonite, que acabou se transformando e um algo macabro e surpreendente. Um conto curto e bacana, sem muita comédia, porém que prende o leitor.

  11. Rafael Luiz
    18 de agosto de 2017

    O conto é até interessante, as descrições são bem feitas e os parágrafos separados de forma a tornar fácil a leitura. A história prende o leitor. Algumas construções de frases me incomodaram um pouco como “ flagrado por ela ao chegar no serviço; que ficou estendido” que me pareceu um pouco desconexo e difícil de compreender. Mas o ponto negativo do conto é a adequação. Não me parece em momento algum um conto enviado para um desafio de comédia. Creio que foi o maior pecado.

  12. Daniel Reis
    17 de agosto de 2017

    Prezado (a) Sabrina, sombrinha:
    Segue a avaliação do seu conto, em escala 5 estrelas:

    TEOR DE HUMOR: *
    É uma história meio macabra, meio romântica. Pouco humor, a meu ver, espalhado aqui e ali. Salpicado, apenas.
    PREMISSA: ***
    A mulher em papel pouco usual, como companheira de trabalho supereficiente, é uma boa premissa para uma história. Agora, o que poderia ser encontros e desencontros se torna uma “mulher aranha ataca outra vez”
    TÉCNICA: *
    O principal ponto, a meu ver, é a inconsistência entre o tom da narrativa e o papel do narrador: nenhum pedreiro fala desse jeito, tão poético e apaixonado… chegou a atrapalhar a leitura, até.
    EFEITO GERAL: *1/2
    A história começou promissora, mas a questão técnica e o encerramento acabam causando uma estranheza. Tipo Edgar Alan Poe escrevendo roteiro de Zorra Total…

  13. Rsollberg
    17 de agosto de 2017

    haha

    Fala Sabrina.

    Então, fiquei meio perdido diante deste conto.
    Ele começa com uma pegada de comédia, pois apresenta uma situação inusitada, subvertendo uma profissão dominada pelos homens. Depois assume uma pegada quase erótica, para em seguida fechar tudo com um também quase humor negro.
    Na minha cabeça, pensei em fazer umas conexões com o “Sorvete de pistache”do Gabe, ou “oitavo andar” da Clarice Falcão.Todavia, mesmo assim, não consegui criar maior empatia.

    Na parte técnica não tenho qualquer apontamento.
    De qualquer modo, boa sorte!

  14. Fil Felix
    17 de agosto de 2017

    Um pouco difícil de comentar este conto, porque não achei que tenha um tom de comédia. Percebo que talvez tenha mirado no humor negro, com dilemas mais inusitados e até que construindo um todo engraçado e exagerado (uma mulher pedreira que empareda seus pretendentes), mas o resultado ficou mais para o mórbido. A escrita está boa, com várias frases e parágrafos bonitos e bem pensados, como perto do final, a cena da parede, mas acho que careceu de momentos mais cômicos ou situações descontraídas, pra deixar o texto leve.

  15. M. A. Thompson
    17 de agosto de 2017

    Olá Sabrina e o conto Amor concreto.

    Um homem narrando a relação com uma mulher masculinizada por ter escolhido uma profissão tipicamente masculina: ela é “pedreiro”.

    Até a metade do texto a autora (ou autor, aposto na autoria masculina) só descreve a personagem, a Martina.

    Do meio do conto surge uma revelação de que Martina fez um relato que depois descobriram ser mentira. Isso estraga um pouco o suspense, porque qualquer coisa que ela relatar nós já sabemos que é mentira a partir daí.

    O relato fala em um corpo – do Paulo – estendido no chão enquanto Martina continuava trabalhando.

    Sem pé nem cabeça esse corpo some da narrativa cujo foco passa para a vontade do narrador em traçar a Martina. Curiosamente a tal mentira ainda não foi contada, apesar de eu ter ficado com a impressão de que seria o tema do parágrafo.

    O final é meio confuso pois dá a entender que Martina havia matado o Paulo, o tal que foi encontrado morto no chão, e agora fazia o mesmo com o narrador, emparedando o coração de ambos no prédio.

    A suposta mentira seria então que o Paulo não caiu, foi jogado.

    Infelizmente isso não é comédia, está mais para um conto de terror daquelas coletâneas sem muitos critérios. Digo isso não o desmerecendo como escritor, mas porque o conto tem vários furos.

    Começa pela exageradamente longa descrição da Martina que, pelo visto, é um tipo de mulher fatal acostumada a emparedar o coração dos pretendentes. Só faltou explicar por qual motivo e informar quando era para rir no conto.

    Boa sorte no desafio.

  16. Vitor De Lerbo
    17 de agosto de 2017

    A simples imagem de uma mulher voluptuosa trabalhando de macacão cor de rosa em uma obra já é intrigante. Transformar, então, essa mulher em uma serial killer que literalmente trabalha com o coração (de suas vítimas) é inusitado ao extremo.

    O texto foi bem escrito e construído. A leitura flui tranquilamente e ficamos imersos na história. Essas memórias póstumas têm boas doses de humor.

    Boa sorte!

    • Vitor De Lerbo
      17 de agosto de 2017

      Ah, sim; em tempo, o título tem tudo a ver com a história e a escolha da imagem do conto foi muito feliz.

  17. Paulo Luís
    15 de agosto de 2017

    È um texto com altos e baixos, embora interessante como ideia. Peca por seus exageros em enaltecer sua personagem; passa das contas perfumar a massa de cimento, uso de purpurina na massa corrida, enfeitar frestas com papeis coloridos; (pelo jeito ela pagava para trabalhar) o desprezo pelo colega morto tragicamente. Sensibilidade aflorada quanto ao cimento e falta de apreço ao humano. Um tanto inverossímil as tantas contradições da personalidade. Além do mais prolixo no afã de expor situações. Um final surpreendente, mas sem sentido lógico com o enredo e precário quanto à construção do tema proposto, Nota 4

  18. Rubem Cabral
    15 de agosto de 2017

    Olá, Sabrina.

    Um conto engraçado e meio surreal. Divertido pensar em colunas de concreto com glitter e perfume, assim como uma assassina de pretendentes.

    Aliás, precisa-se do surreal para aceitar a ideia da retirada dos corações. Será que ninguém faria autópsia nas vítimas atiradas do prédio? Mesmo bem danificados, seria possível notar o peito aberto e a falta do órgão.

    Quanto à escrita, embora simples, ela funciona bem. Não houve, contudo, boa construção de personagens, fosse de Martina ou do narrador.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  19. Juliana Calafange
    12 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Cara Sabrina (e me arrisco a achar que o autor é mulher), onde está a comicidade da sua história? Não é nem engraçado nem novo uma mulher em profissões masculinizadas. O filme Flash Dance já usou esse personagem há muitos anos – a operária sexy. A diferença é que a sua operária é também uma serial killer… Mas isso, por si só, não contém comicidade alguma. Para isso você precisaria criar uma situação cômica ou utilizar uma linguagem cômica. Mas vc Tb não fez nada disso. Então, infelizmente, não acho que o conto cumpre com o tema do desafio.
    Independente disso, o conto é bom e, se melhor desenvolvido – oitenta por cento do texto é um “preâmbulo” para o desfecho -, pode virar uma boa crônica moderna. Parabéns e boa sorte!

  20. Marco Aurélio Saraiva
    12 de agosto de 2017

    Contaço! O final me pegou de surpresa! Há alguns defeitos, como a pressa com que foi feito o cortejo à Martina, o que acredito que tenha sido feito assim graças ao limite de palavras. Mas a ideia é muito interessante, e não tem como não comparar ao Barril de Amontillado, do velho mestre Poe.

    Sua técnica é boa: leve, desenvolvendo bem a história, não perdendo muito tempo e destacando o que é mais importante. Não vi erros que causassem quebra na leitura, que por sinal é muito boa. Aliás, não lembro de ter lido erro algum.

    Infelizmente, não há muita comédia aqui. Notei uma tímida tentativa para o lado cômico materializada nos pensamentos “sujos” do narrador… mas não sei se chega a caracterizar o conto inteiro como comédia.

    Tirando este lado, se eu tivesse que analisar o seu conto como um tema livre, ganharia nota altíssima! Só pediria para desenvolver um pouco mais o relacionamento narrador / Martina, se você pudesse adicionar algumas centenas de palavras a mais, heheheh.

    Abraço!

  21. Lucas Maziero
    11 de agosto de 2017

    É um conto de comédia ou não? Eis a questão! Pode até se enquadrar em um conto erótico fatalista, de terror, sei lá, mas comédia?

    Opinião geral: Gostei da história, mas torci o nariz por considerar não se enquadrar na comédia.
    Gramática: Sem dúvida, bem escrito, sem erros notados.
    Narrativa: Um estilo corrente, pendendo mais para o poético (poderia ser um poético burlesco, mas não foi o caso).
    Criatividade: Uma boa ideia, mas no lugar errado.
    Comédia: Não há!

    Parabéns!

  22. Bar Mitzvá
    9 de agosto de 2017

    O título caiu como uma luva de pedreiro sobre a obra!

    A estrutura do conto está bem desenvolvida dentro uma fórmula clássica de se escrever contos. A gramática me pareceu ok, não notei nada fora do lugar. Já quanto ao enredo e a comédia… achei que o uso de esteriótipos (e mesmo a quebra deles) ficou massante. O fato de Martina ser uma pedreira não é engraçado por si só. Transformar isso em algo cômico era o maior desafio aqui, mas em todo o desenvolvimento da personagem, ela apenas se configura como uma profissional séria e feminina. O humor acaba sendo quase todo depositado na quebra de expectativa do narrador-personagem, que resulta em algo mais trágico do que cômico.

  23. Paula Giannini
    8 de agosto de 2017

    Olá, Sabrina,

    Tudo bem?

    “Te juro
    Por Tijolo”
    Um Haikai concreto.

    Assim estava escrito em um muro de Curitba há alguns (muitos) anos. Sua imagem me fez recordar disso. Nunca esqueci. Gosto de concretismo e gosto de impingir isso aos meus textos. Com imagens e outros recursos que, de certo modo, deem forma ao texto no papel. Em seu caso, foi uma brincadeira com a profissão da protagonista e o “emparedamento” do personagem.

    Seu conto narra a história de um homem “apaixonado”, que, bem ao estilo de Edgar Allan Poe, acaba sendo morto e emparedado por sua amada. Poderia ficar meio dúbio, não fosse o fato de você dizer que ela o matou. Bem, morte aqui poderia ser algo metafórico e todos os corações que enfeitam os objetos que cercam a moça, seriam suas vítimas de amor. Vítimas concretas, seu título faz supor. Então, seu amor é de fato mortal.

    A premissa é boa para uma comédia romântica e você constrói o texto com momentos que fazem realmente lembrar o subgênero. Com o momento em que ambos se conhecem e o momento ápice, quando parece que tudo pode dar certo.
    Em minha avaliação, não entrei em questões de gênero, se é ou não comédia, deixei isso por conta do autor que diz que é.

    O texto é bem escrito, principalmente no que toda a questão imagética. As cenas criadas são bem construídas, assim como o aspecto externo dos personagens.
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  24. Priscila Pereira
    8 de agosto de 2017

    Olá Sabrina. Vamos avaliar o seu conto?
    Participação: Parabéns! – 02
    Revisão: O texto está muito bem revisado. – 02
    Coerência: Tem começo, meio e fim interligados. Leitura fácil e fluida, entendimento completo do texto. – 02
    Adequação ao tema: Não consegui notar elementos de humor no texto, infelizmente. Notei elementos de mistério e suspense. – 0,5
    Gosto pessoal:Gostei muito. A estória logo me conquistou e queria saber onde tudo levaria… nunca imaginei que ela pudesse ser uma serial killer… achei ótimo! O texto está muito bem escrito, gostei do uso de palavras mais sofisticadas. É um ótimo texto, pena que não notei o humor. – 02
    Total: 8,5
    Boa sorte!!

  25. angst447
    8 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto está muito bem escrito, mantendo um bom ritmo do começo ao fim. Boa caracterização dos personagens e do ambiente.
    A leitura flui fácil, sem entraves, pois não encontrei erros fugitivos da sua revisão. Tudo muito bem amarrado. Sem pontas soltas, sem falhas aparentes. Uma construção bem acabada, eu diria (e com dois corações incrustados).
    No entanto, o texto não me fez rir. Sorri pela ternura apresentada pelo narrador e apesar de já antever o final, gostei muito do desfecho dado à trama.
    Boa sorte!

  26. Roselaine Hahn
    7 de agosto de 2017

    Cara autora Sabrina, que não escreve contos sabrinescos, o seu texto é muito bacana, engraçadinho, porém enxerguei nele algo mais próximo do romance do que da comédia. O final fiquei na dúvida, se o rapaz foi emparedado pela Martina ou jogado do prédio. Escreves bem, com certeza, percebe-se que vc. manja do riscado. Falando em construção, vc. construiu bem o enredo, enxutinho. A questão de fazer comédia é complicado mesmo, depende do ponto de vista do leitor. As quebras no texto em frases curtas deram um toque de humor, como “baixo calão, hummm possuir, o andar interditado da obra”. No mais, desejo sorte no desafio, abçs.

  27. Ana Maria Monteiro
    6 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: O seu conto está muito bem escrito e conduzido; não apresenta erros ortográficos nem de qualquer tipo de que me tenha apercebido; é bastante criativo e sustenta-se num enredo que tem a medida certa; a adequação é que… pois, não encontrei. O frustrar de expectativas pode ser comédia em certas circunstâncias, mas não sempre e aqui não vi espelhado o tema do desafio; A leitura foi um prazer, até pela qualidade da escrita e, tal como muitos outros até agora, preferiria não ter que avaliá-lo dentro deste género.

  28. Evandro Furtado
    5 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    WTF? Porquefazisso, Romarinho? Como é, caro autor, que você tem a audácia de colocar esse baita conto nesse desafio? Um baita conto de terror. Terror! TERROR! Por que, por quê? (Estou chorando aqui agora, viu, só pra você saber). O conto é brilhantemente construído, passando de um romancete barato para uma baita história de medo. Eu fiquei, realmente, cagado aqui. Não foi engraçado, foi assustador. Eu queria dar uma nota muito maior, mas, em razão do tema, não posso. Ao menos você tem a consciência de que o conto é bom, né?

E Então? O que achou?

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 3 e marcado .