EntreContos

Literatura que desafia.

Cruz de Ferro (Gustavo Araujo)

Certo dia, percebeu que era seguido por um animal. Os rastros eram evidentes. Não se tratava de um cão, naturalmente. Mas era um animal grande, por certo. Talvez fosse outro sobrevivente, afortunado pelo trágico destino de se encontrar só. Como ele próprio. Dele aproximou-se aos poucos, atraído por raízes ou tubérculos, qualquer alimento colhido pelo caminho. Também lhe construía abrigos contra intempéries, coberturas feitas de folhas entrelaçadas. Queria companhia, permitindo-se pensar que o animal desejava o mesmo.

Há tempos perdera a noção dos dias, dos meses… Às vezes tinha a impressão de encontrar-se prisioneiro de um sonho sem fim, assaltado por recordações que talvez fossem reais, mas que poderiam ser apenas desvarios. Um avião pousando no deserto, o motor avariado, ou falta de combustível. Era um biplano, sim, disso tinha certeza. Vermelho, possivelmente? Não, isso não, era uma cor chamativa demais. Provavelmente era verde. Isso, verde escuro, com uma cruz pintada na fuselagem. A Cruz de Ferro. Igual à que trazia pendurada no pescoço. Sim, verde, agora não havia dúvidas. Isso porque lembrou-se do contraste com o tom amarelado do horizonte, o mesmo de sua jaqueta comprida. Ah, o deserto… Não sentia falta daquela imensidão opressora, o vazio onde um grito se evaporava, morto desde a garganta. Nenhuma pessoa ou animal, nem mesmo escorpiões ou escaravelhos. Há quanto tempo isso se dera? O pouso, o trem de aterragem se partindo, a aeronave rodopiando. Tempo… O tempo é o maior dos covardes. Jamais conduz à certeza. Ao contrário, embota os sentidos, faz do passado algo imaginário, ainda que real.

Tinha a impressão de estar na floresta há anos quando, enfim, o porco-do-mato surgiu diante de si. Era menor do que havia suposto. Arfando, o animal aproximou-se a passos lentos, atraído por um punhado de frutas silvestres. Comeram juntos pela primeira vez, o homem sorrindo, satisfeito.

***

Entre as árvores, a brisa fornecia alento. Mantinha-se uniformizado, com o animal preso a uma corrente. Não que receasse sua fuga, mas porque era isso que previam os manuais. Ou assim se recordava. Em todo caso, sabia que a disciplina se revelava nos detalhes, na maneira cuidadosa de proceder. E disciplina, era certo, significava liberdade, ou pelo menos a chave para não sucumbir de vez aos transtornos.

Havia uma missão a cumprir. Quando isso acontecesse, poderia voltar à aeronave. Certamente levaria o animal consigo. Então, bastaria consertar o motor, ou o trem de pouso, e retornar aos seus, embora estivesse incerto quanto ao rumo a tomar quando decolasse. Os mapas o ajudariam. Exatamente, os mapas. Estavam guardados no compartimento abaixo dos instrumentos. Não, não… Era no espaço vazado, do lado direito da carlinga, roçando os cabos do leme de profundidade. Sim, os mapas indicariam para onde regressar. Uma pena não tê-los trazido agora.

Com dificuldade puxava uma mala retangular, que lembrava uma grande caixa. O manifesto de carga no bolso indicava que nela havia livros. Talvez por isso fosse tão pesada. Por vezes sentia ganas de abri-la, de absorver aquele conhecimento. Com sorte, teria explicadas as dúvidas que o assombravam. Sim, os livros… Com eles, poderia discernir realidade de devaneios, poderia reencontrar-se.

No entanto via-se impedido de violar o cadeado. Porque era um mensageiro, não só um piloto. Os livros deveriam ser entregues ao destinatário, incólumes. Era essa a missão que lhe fora atribuída. Lembrou-se das coordenadas, dos números guardados em sua memória que revelavam a localização exata de seu destino, o ponto em que latitude e longitude se encontravam enfim, para libertá-lo. Quando se sentia provocado a errar, voltava-se para a bússola e conferia o azimute. Em frente, marche, resignava-se.

***

Certa noite sentou-se sobre a mala e fez uma fogueira. A madeira estalava lançando faíscas a esmo, como pequenas estrelas cadentes. Deixou-se hipnotizar por um momento, o brilho fantasmagórico das chamas beijando-lhe o semblante. Percebeu quando o porco deitou-se próximo do fogo, observando-o, a expressão pesada refletindo seu próprio torpor.

“É todo o conhecimento que resta no mundo”, disse ao animal, repetindo o que ouvira há muito tempo. Lembrou-se do homem alto e magro, que ostentava uma barba rala, cujos fiapos soltos conferiam-lhe o aspecto de um cavaleiro medieval. “’Tudo foi destruído, queimado… Resta pouco. Precisamos escondê-los, entregá-los a quem puder proteger esse tesouro… Você entende a importância disso? Entende? Ah, ótimo, imaginei que compreenderia. Tome aqui as coordenadas. Siga nesse rumo. Cuidado, sim? Ótimo, ótimo…

Em meio às labaredas, discerniu a mala. Sim, ele a entregaria. Era um piloto. Afagou o animal, o pelo denso da cabeça envolvendo-lhe os dedos. Era uma boa companhia, isso era. Uma companhia de verdade, real.

***

Chegaram a um caminho de ferro, certamente inutilizado em algum ponto. Por ali. Esse era o sentido. Deitou a mala sobre os trilhos enegrecidos e com uma corda amarrou-a às costas, como um arado. Fazia calor e em certo ponto despiu-se do casaco, embrulhando-o sobre a carga.

“Não vai demorar”, disse ao porco-do-mato. Diante do olhar enfadonho do animal, reforçou que desta vez isso era certo. A bússola era precisa.

“Não sente calor, velho amigo?”, perguntou-lhe, arrependendo-se em seguida pela obviedade da indagação.

Achou melhor trocar de assunto.

“Já voou alguma vez? Numa aeronave, num balão? Não? Bem, eu tenho um biplano nos esperando. Conhece? É um avião muito bonito, ágil, fácil de manobrar, a coisa mais linda deste mundo…”

O porco grunhiu, sacudindo a cabeça.

“Sabe por que fui o escolhido? O cavaleiro… Ele me disse que habilidade não me faltava e que de todo modo não havia muitos pilotos remanescentes… Também disse que eu não tinha nada a perder… Mas no fim ele falou que confiava em mim, que eu era especial, único, alguém que levaria o conhecimento a um local seguro, não importando o quão difícil fosse.”

“’Você não tem nada a perder’, foi o que ele me disse. Foi o que me convenceu. Eu respondi a ele: sim, senhor, não tenho nada a perder. Já perdi tudo.”

***

Colunas enegrecidas se projetavam na direção dos céus, borrando o horizonte com as matizes do ódio. O fogo antiaéreo explodia próximo das asas, criando violentas ondas de choque. E a metralha? O rugido dos projéteis era terrível. Maldita artilharia. Certamente o inferno é habitado por artilheiros, por seus canhões e obuses ensurdecedores, por sua empáfia que nos humilha e nos reduz à condição de ratos medrosos. Como controlar o avião em um teatro de horrores, com o céu se precipitando, com o firmamento em colapso, se desfazendo sobre nossas cabeças?

“Já foi à guerra, meu amigo?”, perguntou ao porco-do-mato, enquanto se alimentavam de frutas. “Creio que já estive lá… Não sei ao certo.” Olhou para as próprias mãos, repletas de calos e ferimentos, com bolhas nas palmas. “Uma coisa é certa. Chegaremos ao nosso destino em breve e então daremos risadas disso tudo.

O porco aninhou-se a seus pés e cerrou os olhos. Tinha a expressão serena.

“’Você não deve violar a mala, entendeu?’, foi o que o cavaleiro me disse”, prosseguiu o homem. “Eu fiz que sim, sério como quem assiste a um funeral e ele completou ‘Arrisco a dizer que não há mais livros no mundo, a não ser estes. Todas as bibliotecas foram dizimadas. O conhecimento permanece na mente de alguns, mas para as gerações futuras… Bem, elas precisarão de livros, de algo que as inspire.’ Eu entendi que era importante. Que deveria entregá-los. Até porque, como eu disse, não tinha nada mais a perder.”

A essa altura, o porco-do-mato dormia. Ao menos tinha os olhos cerrados.

“Tive vontade de perguntar ao cavaleiro se de fato haveria gerações futuras… Como ele podia ter certeza? Haveria, afinal, alguém que pudesse absorver o conhecimento, alguém que pudesse aprender? Mas, ele, o cavaleiro – ah, ele era esperto –, como se adivinhasse o que eu estava pensando, esclareceu: ‘Não permita que as dúvidas comprometam sua missão, piloto. Apenas faça a entrega. Precisamos disso, desesperadamente.’ Então eu vim.”

***

Examinou a bússola e conferiu as coordenadas. Era ali. Sorriu na direção do animal, quase satisfeito. Sim, era ali. Em breve alguém apareceria e eles estariam livres para voltar. “Meu amigo, você não perde por esperar. Tenho um espaço reservado para você na minha casa. Tenho um filho… Eu… Acho que tenho…”

Notou as flores, o horto florido que se dispersava ao acaso, em todas as direções. Viu-se cativo, em transe, capturado pelas cores e pelo céu azul. Veio à mente um jardim, um menino correndo, os braços abertos de alegria, o rosto pequeno em seguida se contorcendo em tristeza por uma partida inevitável. Volta logo, papai? Um homem montava a cavalo e respondia sim, eu volto.

Observou a mala. Por um instante imaginou-se rompendo o cadeado, revirando os livros. Sim, os livros poderiam esclarecer tudo. Dissipariam a névoa de suas memórias, lembraria de si, de quem era, do que havia deixado. Havia sido um covarde? Tinha se refugiado num mundo que ao fim se revelara atroz e insuportável? Ou era ele mesmo a criança, alguém que fora abandonado?

Algum tempo mais tarde, sem que soubesse precisar quanto, ouviu o farfalhar dos arbustos e das árvores próximas. Um grupo de três homens surgiu aos poucos. Vestiam-se como ele: pesados casacos de cor ocre e gorros sobre a cabeça. Aviadores.

“Estávamos esperando”, disse o mais alto, que exibia um bigode retorcido nas pontas, a imagem de um barão dos tempos imperiais.

“Vim o mais rápido que pude. O avião…”

“Estamos contentes com a sua chegada”, disse outro, interrompendo-o com uma voz profunda como o mar. Estava sorrindo.

“A mala está intacta?”, perguntou o terceiro, com uma nota de preocupação na voz. Era consideravelmente mais baixo que os demais.

“Sim, eu trouxe. Aqui está”, respondeu o homem, o porco sentado ao lado.

“A mala é sua”, disse o homem de bigode, cofiando as extremidades. “Você a merece”.

Sentiu as mãos frias, o coração acelerado. O conhecimento… Tudo prestes a ser revelado, a expiação dos pecados concluída. Afortunado, dormiria em paz. Conhecedor da vida, regressaria aos seus, fulminando qualquer dúvida ou insegurança sobre o passado, presente ou futuro.

“Seja bem-vindo. Agora é um de nós. Um guardião.”

Levantou a mala do solo, enrolando a corrente na mão, trazendo o porco para perto de si.

“O animal o acompanha?”, perguntou o sujeito mais baixo.

“Sim, é meu amigo”, respondeu de plano. “É tudo o que me resta.”

“Não é possível levá-lo para onde vamos.”

Assaltado pela incerteza, descobriu-se mudo.

“É preciso libertá-lo”, asseverou o barão.

Por uma eternidade permaneceu calado, até que murmúrios lhe escaparam da boca: “Ele é real. É meu amigo… Converso com ele…”

“A escolha é sua. A mala ou o animal.”

Por um momento viu-se feliz, tornando a casa, reencontrando os seus. Mas, se pensasse bem, talvez não houvesse para quem regressar. Oh, Deus, como era difícil discernir. O mundo em chamas… O fogo da metralha, a névoa, a escuridão angustiante das colunas de fumaça, a garganta selada pelos gases, a respiração rascante, a expressão condescendente do cavaleiro, o avião arrasando-se no chão, as asas tombadas… O que era real? A mala… A mala traria a realidade à vista. Teria enfim as certezas que tanto buscava. Seria um guardião.

Abaixou-se e mirou os olhos do porco-do-mato. A imagem refletida revelava seu estado. Um homem demolido era o que via. A boca aberta em espanto, a barba cerrada, o rosto seco. Haveria, enfim, utilidade para todo o conhecimento que restava no mundo? Ou era muito mais valiosa a amizade real de seu amigo, de seu único amigo?

Com os olhos ardendo, divisou a mala, ali próxima e depois voltou-se novamente para o porco. Envolveu a Cruz de Ferro que pendia em seu pescoço, como se buscasse forças.

Por fim, sufocou um soluço e soltou a corrente com um baque surdo, liberando o animal. Engoliu em seco e pôs-se de pé. Virou de costas e marchou na direção dos homens, suspendendo a mala com a mão direita.

Não viu quando o porco-do-mato riscou o solo com uma das patas e, depois de um breve grunhido, tomou o rumo oposto.

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51 comentários em “Cruz de Ferro (Gustavo Araujo)

  1. Bia Machado
    23 de junho de 2017

    Achei complicado o começo, parecendo dar mais voltas do que devia. Aos poucos, a leitura começa a fluir. Totalmente adequado ao tema do desafio, pois os elementos todos estão lá e é composto por descrições seguras, até mesmo não vi mesmo qualquer erro com relação a gramática. Só que tenho que confessar que não senti amores pela trama, por mais que envolva questões de fidelidade, confiança e tenha um cenário que eu curto muito. Como disse, uma narração bem segura desde o começo, ainda que pra mim este tenha sido arrastado. O final poderia ser mais intenso, ou fui eu quem não conseguiu sentir isso com a minha leitura?

  2. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    Cruz de Ferro (Antonio Peres)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: perfeita, praticamente literal. Os personagens estão ali, na época.

    ASPECTOS TÉCNICOS: o texto conta com bastante desenvoltura, ainda que vez por outra a gente tenha que reler uma frase ou outra, pelo insólito da história. Gostei muito da ideia de colocar um piloto alemão na posição de um Saint-Exupéry.

    EFEITO: O clima de sonho/delírio me agradou bastante. Acho que o autor tem segurança na pena e maturidade nas ideias. Parabéns.

  3. Wilson Barros
    23 de junho de 2017

    O começo lembrou-me os versos de Mike de la Fresne:
    “Uma coisa me persegue há muito tempo,
    E eu não sei o que é…”
    Grato pela lembrança. Agradeço também pelas belas frases, concebidas com esmero:
    “Arfando, o animal aproximou-se a passos lentos…”
    Aliás, o texto inteiro é formado por lindas frases.
    Sobre o tema, achei interessante ser um conto que tomou o tema em essência, ou seja, aqui a imagem é a base do conto, e não inserida, como na maioria. A história também é muito bem tramada, um enredo bem construído. Nota dez.

  4. Raian Moreira
    22 de junho de 2017

    A ortografia está excelente, sem erros. A criatividade foi mediana, como um Sci-Fi B, lembou muito o livro de Eli. A missão que o personagem recebeu demorou pra aparecer, achei meio forçado e enrolado, mas tudo saiu bem. A tentação foi bem colocada na historia, lembrou a caixa de Pandora.
    O conto foi bem contado , gostei da interpretação do conhecimento como tesouro. Estrutura textual excelente.

  5. Andreza Araujo
    22 de junho de 2017

    Acho que a narração deste conto tem uma sutiliza complexa que me encantou. O ritmo é um pouco lento, mas de um modo envolvente e não monótono. As frases trazem nuances belíssimas, quase uma poesia, mesmo no trecho da guerra.

    Entretanto, não entendi a questão deserto x floresta. Ele pousa num deserto e então magicamente é transportado (no conto) para uma floresta. Entendo que a gente pode imaginar que ele andou o suficiente para fugir do deserto e encontrar tal lugar menos árido, mas do modo como foi exposto, ficou com cara de furo de roteiro, entende? (só pra ser bem chata que digo isto hahah).

    Não senti que a amizade entre eles era algo imprescindível no sentido de “agora vamos ser amigos para sempre”, eu entendi que o javali era aquilo que o homem precisava naquele momento, foi a companhia necessária para que ele não surtasse. Por outro lado, talvez ele tenha de fato surtado um pouco, pois a brilhante narrativa deixa dúvidas (mesmo sendo um narrador onisciente) sobre a história do homem; o protagonista não sabe se ele tem um filho ou se ele era a criança das suas lembranças, por exemplo.

    No final, senti que qualquer fosse a escolha do homem, ela seria plausível. Entretanto, caso ele escolhesse o javali, imagino que isto seria uma certeza quanto ao estado de loucura do homem. Enfim, o conto é simples mas muito bem narrado, e o impacto total o colocou entre um de meus favoritos.

  6. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: a organização em forma de jornada pelo psicológico do protagonista funciona bem aqui – a história se revela conforme ele vai tomando consciência de si mesmo, ainda que essa consciência seja mínima. O conto me parece impecável em termos de revisão.

    Aspectos subjetivos: gostei da interpretação do conhecimento como tesouro. A criação de uma espécie de ordem que tenta protegê-lo, em paralelo com a guerra que tenta destruí-lo. A escolha final entre a razão e a amizade traz uma carga emocional interessante, dado o elo que se construía entre protagonista e javali. No final, a ânsia pelo saber supera tudo, como era de se esperar.

    Compreensão geral: é meu conto favorito até o momento, acredito que foi o mais coerente em termos de organização, escrita, abordagem do tema e criatividade. Percebi nosso protagonista como um novo templário – carregando conhecimento no lugar do santo Graal. Em um mundo se afogando em ignorância, imagino que livros seriam realmente sagrados.

    Parabéns e boa sorte.

  7. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Antônio Peres,
    Um belo trabalho o que você apresentou nesse desafio. Gostei do mundo em chamas com colunas de fumaça subindo ao longe e o som da metralhadora. Ficou legal a ambientação da sua história. Em alguns contos desse desafio a presença do porco do mato ficou forçada – “então, tinha um porco do mato e eles saíram andando juntos”. No seu caso, você teve o trabalho de construir uma amizade entre o personagem e o animal e isso não ficou forçado demais. Gostei. Achei também que vc deu nuances da história que estava acontecendo por trás da sua história principal. Era uma guerra que estava acontecendo? Ou a guerra já tinha acabado? Era o fim do mundo? Pra mim, você poderia ter dado um pouco mais de detalhes sobre esse mundo que você criou. Tipo, quem eram esses caras? Eram livros mesmo que estavam dentro da mala? Várias perguntas ficaram sem resposta. Você não precisava ter respondido todas, mas poderia ter dado mais detalhes. Acho que agregaria mais ao seu conto.
    De todo modo, foi um bom trabalho, bem executado e dentro da imagem-tema do nosso desafio. Parabéns.

  8. Sabrina Dalbelo
    21 de junho de 2017

    Olá autor(a).

    O grande esquema do conto está no próprio texto: “O que era real?”
    Vejo esse conto como um devaneio, um pesadelo, mas é possível que seja uma narrativa pós-apocalíptica em que um sobrevivente de uma guerra que dizima tudo ou quase tudo tem a tarefa de reflorestar o mundo de sapiência, com os tais livros da mala. E a grande trama está se ele escolhe isso ou ficar com o seu grande amigo e acompanhante de sobrevivência, o javali.
    Bem, é uma incógnita – não muito grande, na minha opinião – mas é uma incógnita que o personagem responde.
    E daí não temos interrogações sobre a trama. Temos talvez, sobre o ambiente, o tempo e os personagens que estão ali.
    É isso aí!
    Um abraço

  9. Rubem Cabral
    21 de junho de 2017

    Olá, Antônio.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Estão no conto todos os elementos da imagem-tema: homem, mala, javali.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O conto está bem escrito. Não observei erros por apontar, salvo um pronome oblíquo que deveria vir em próclise por causa de um “não”.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O conto tem boas descrições (a cena da batalha aérea, muito boa) e os diálogos foram naturais.
    O desenvolvimento de personagens, contudo, foi mediano: não é mau, mas não chega a envolver quem lê. Deixar o amigo ao final deveria causar alguma comoção, mas não o fez.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O enredo é interessante. Pela estranha missão, pelo encontro com outros guardiões, passou-me a impressão de ser uma jornada no além, ou em alguma realidade alternativa. O ponto de partida, um aviador ferido, um amigo javali, foi um tanto comum, mas logrou-se gestar uma história com certa riqueza e densidade.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  10. Catarina
    19 de junho de 2017

    INÍCIO com bom impacto, título forte. Essa vírgula no meio da 1ª frase sujou o cartão de visita. Tudo bem, você não é o único. Já é o nono conto, que encontro neste desafio, com erro na 1ª frase. A TRADUÇÃO DA IMAGEM ficou marcante e fiel. Alguns detalhes na trama merecem atenção: O avião caiu no deserto e, como por encanto, o homem estava na floresta. O cara disse que perdera tudo, mas não sabia se o filho estava vivo ou não. Por que manter o animal na corrente se ele era um seguidor do homem?
    A escolha final do personagem causou um EFEITO surpresa. O que é ótimo.

    • Antonio Peres
      19 de junho de 2017

      Tia… Meu cartão tá limpinho… O adjunto adverbial de tempo, no início da frase, demanda vírgula. Dá uma olhada aqui, ó:

      “3. USE A VÍRGULA PARA SEPARAR O LUGAR, O TEMPO OU O MODO QUE VIER NO INÍCIO DA FRASE.
      Quando um tipo específico de expressão — aquela que indica tempo, lugar, modo e outros — iniciar a frase, usa-se vírgula. Em outras palavras, separa-se o adjunto adverbial antecipado. Exemplos:

      Lá fora, o sol está de rachar!

      “Lá fora” é uma expressão que indica “lugar”. Um adjunto adverbial de lugar.

      Semana passada, todos vieram jantar aqui em casa.

      “Semana passada” indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

      De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.”

      (https://www.educacaoavancada.com.br/blog/aprenda-definitivamente-a-usar-a-virgula-com-4-regras-simples/)

      Então, tá certo dizer também: “Certo dia, percebeu que era seguido por um animal”. Se eu não colocasse a vírgula, ia parecer que “certo dia” é o sujeito da oração, né?

      Mas valeu pelo comentário. Abração procê.

  11. Victor Finkler Lachowski
    18 de junho de 2017

    Um conto bem narrado com uma reviravolta psicológica, não sabemos o que é real, e isso torna o enredo atrativo. Infelizmente, não consegui ter empatia pelos personagens, diálogos muito esparsos e inconclusivos.
    A gramática é excelente e, como já disse, o conto é bem narrado, não muito criativo, mas bem contado.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  12. M. A. Thompson
    18 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: adequado.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): nada que tenha comprometido a leitura.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): é alguém com domínio da arte narrativa. acredito que já tenha textos em coletâneas ou obra solo.

    * Enredo (coerência, criatividade): não chegou a me arrebatar, mas foi um dos bons contos do Desafio, revela um autor (ou autora) criativo(a) que sabe conduzir uma boa história.

    De um modo geral foi um bom conto e valeu muito a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  13. Antonio Stegues Batista
    16 de junho de 2017

    O texto tem uma ótima escrita, frases bem construídas, com descrições impecáveis, uma boa harmonia na linguagem. Gostei do enredo, o protagonista, após a guerra e o fim da civilização, precisa escolher entre o amigo e a missão de ser o guardião do Conhecimento.Leitura bem agradável, uma boa história. No início me lembrei do filme, O Livro de Eli, com Denzel Washington, onde o protagonista é o guardião de um livro raro, quando a civilização sucumbe a uma guerra nuclear, também uma ótima história…

  14. Cilas Medi
    13 de junho de 2017

    Olá Antonio
    Pronome átono:
    1. Uma pena não tê-los trazido agora (os ter)
    2. Percebeu quando o porco deitou-se próximo do fogo, … (se deitou)
    Concordância com o substantivo: … o horizonte com as matizes do ódio. (os matizes).
    Não sei bem o que esse conto gostaria de me informar, como leitor. Eu confundi tudo ou tudo está, realmente, confuso. Afinal, para onde ele vai levar a mala, porque tanta abstração a respeito da mesma e o porco do mato.

  15. Brian Oliveira Lancaster
    13 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Uma excelente atmosfera de “aviação pré-guerra”. Tem um clima de aventura, com um toque sutil de fábula. Lembra em alguns momentos a famosa história do Pequeno Príncipe. De leitura suave e emoções na medida certa. Entre o conhecimento e o javali, uma difícil escolha até por parte do leitor.
    G: É um texto de guerra, melancólico, mas consegue trazer uma leveza bastante diferente e mais intimista. O cenário meio que se forma automaticamente, contudo, a caça à literatura remete à uma distopia mais pé no chão, construída em cima de uma realidade alternativa.
    O: A escrita flui muito bem, com pensamentos diferenciados e diálogos internos. Tenho uma leve impressão de que esse autor é, na verdade, autora – pelo estilo.

  16. Fabio Baptista
    13 de junho de 2017

    O conto está muito bem escrito, mas fiquei com impressão de ter faltado um pouco de alma.

    O alicerce da trama é a amizade entre o homem e o javali, afinal, o clímax é a decisão de ficar com o animal ou com os humanos e os livros. Isso funcionaria muito bem se o vínculo entre os dois estivesse melhor desenvolvido. Mas eu não senti isso ao ler, apesar dos diálogos e das refeições compartilhadas, não senti essa amizade toda entre os dois e acabou que a decisão tomada não me trouxe expectativa ou emoção.

    Outra coisa para a qual costumo torcer o nariz (e aqui não foi diferente) é a ideia de que os livros possuem uma aura “sagrada”, são os detentores dos sonhos e do conhecimento e tal. Sei lá, sou (ou tento ser) escritor, mas não vejo muito dessa forma.

    A frase final com o javali indo embora, indiferente, encerra bem o texto.

    – E disciplina, era certo, significava liberdade
    >>> compaixão é fortaleza… 😀

    – Colunas enegrecidas (…)
    >>> na minha opinião esse parágrafo foi o melhor do texto. A descrição do combate aéreo feita aqui é sensacional.

    Abraço!

  17. Felipe Moreira
    12 de junho de 2017

    Conto gostoso de ler. haha

    Bem escrito, íntimo com quem lê. Achei legal a forma que você explora os simbolismos. Disse tanto em pouco espaço. O animal é de fato um guia espiritual? Pelo menos foi dessa maneira que eu interpretei. A trajetória ficou limpa, mais coerente pensando dessa forma.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  18. Luis Guilherme
    12 de junho de 2017

    Olá, Tonho, tudo bem?

    Fiquei dividido quanto a seu conto. Por um lado, tá muito bom. Super bem escrito, a linguagem é bonita e um pouco poética, o conto flui bem e tem um enredo interessante, que se abre aos poucos. A princípio, não revela muita coisa, mas aos poucos vai se expandindo e se apresentando. Pontos por isso!

    Por outro lado, achi alguns momentos meio desnecessários, não sei. Tem algo que me parece em excesso, em alguns momentos. Não sei explicar.

    Mas sem dúvida o saldo é bem positivo.

    Achei o conto um tanto metafórico também. Por algum motivo, fiquei tenso com o fim. Acho que a escolha a que o protagonista foi exposto me deixou um pouco tesno hahaha.. O que decidir? Eu, particularmente, preferiria que ele escolhesse a amizade. Mas é algo pessoal, obviamente. Só o fato de eu ter me colocado na história, fazendo escolhas junto ao protagonista, mostra a qualidade do texto.

    Enfim, belo trabalho, parabéns e boa sorte!

  19. juliana calafange da costa ribeiro
    11 de junho de 2017

    Muito bom o conto. Bem escrito, o ritmo é bom até chegar na conversa entre o aviador e o javali. Em alguns momentos, cheguei a achar que parte dos diálogos fora extraída de algum conto do desafio de imagem Biblioteca, de 2015. Mesmo assim, me comove o tesouro do mundo serem os livros, como que um Santo Graal. Mas a partir daí a história ‘ralentou’ um pouco, ficou meio “lugar comum”, vieram esses outros 3 aviadores, que na minha opinião não eram necessários para o desfecho,e eles acabaram tirando o foco da bela relação entre o aviador e o javali. Boa sorte, Antonio Peres!

  20. Ana Monteiro
    10 de junho de 2017

    Olá António. Gostei muito do seu conto. Comecemos pelos parâmetros. Gramática: praticamente perfeito. Tanto, que vale a pena perguntar duas coisas. 1ª de certeza que não quer mudar a frase “Talvez fosse outro sobrevivente, afortunado pelo trágico destino de se encontrar só”?; 2ª “Diante do olhar enfadonho do animal” pergunto se não quis antes dizer o olhar enfadado. Criatividade: boa quase até ao final, onde decaiu um pouco; Adequação ao tema: total, não apenas não falta nada como se consegue visualizar mentalmente a foto durante a leitura; Emoção e enredo: a emoção ganha sobre o enredo, apesar deste existir e ser bom, mas a emoção é rainha nesta história. Enquanto leitora apreciei muito a leitura que me proporcionou e teria preferido que ele optasse pelo amigo e possibilidade de regressar à própria vida, além de que me desiludiu que parte do que sacrificou ficasse a dever-se à promoção patente na frase “Seria um guardião.” Finalmente constato que se um leitor, relativamente a uma história que lê, fica inconformado com algum dos rumos que ela toma, isso significa que interiorizou a leitura e que o autor atingiu plenamente o seu intuito: levar o leitor a viver o que escreveu. E eu vivi. Parabéns e boa sorte.

  21. Afonso Elva
    9 de junho de 2017

    Boa narrativa, na medida. Boas descrições, conto bem ambientado etc. Livros são poderosos, lembrei do Livro de Eli. Uma boa viajem, que passou rapidinho.
    Forte abraço

  22. Givago Domingues Thimoti
    9 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Adequado
    Criatividade: Acho que eu já vi um texto parecido com esse no Desafio… Médio
    Emoção: Gostei da ligação do homem com o javali. Acredito que foi muito bem escrito.
    Enredo: Senti uma pegada de Pequeno Príncipe, mas sem o príncipe. O conto é muito bem conduzido. A história prendeu minha atenção a partir do meio. O início foi um pouco parado, mas, por mim, tudo bem. O que me desagradou foi o final. Acho que poderia ter sido um pouco menos aberto. O questionamento fica: O que esses guardiões protegem? O conhecimento, presumo. Entretanto, nada que acabe com a beleza do texto.
    Gramática: Não percebi nenhum erro.

  23. Iolandinha Pinheiro
    8 de junho de 2017

    Olá, amigo. O seu conto está bem escrito, é intimista, e fala de escolhas. Achei bonito, bem descritivo, e a gente acompanha os pensamentos do piloto, que sofre de uma espécie de amnésia, lembra de pedaços que vai reconstruindo em sua cabeça, fazendo o leitor participar deste esforço. O final tem um pouco de tensão e isso é sempre positivo. O “senão” do seu texto fica por conta do ritmo. Como se as coisas acontecessem lentamente, causando um certo cansaço em mim. Ainda assim um conto bom. Parabéns e boa sorte.

  24. Jowilton Amaral da Costa
    8 de junho de 2017

    Um bom conto. A escrita está muito boa, de primeira mesmo. Achei a narrativa um tantinho lenta. O enredo me lembrou um pouco o conto O Javali e Eu, deste mesmo desafio. Aviador acidentado

    • Jowilton Amaral da Costa
      8 de junho de 2017

      Continuando. (Apertei sem querer um botão aqui e o comentário foi postado antes de terminar) Aviador acidentado que encontra um javali e ficam amigos. Achei este conto melhor que aquele. Aqui se tem uma missão a se cumprir, mas, como lá no outro, nem narrador nem leitor sabem exatamente onde estão, se é um sonho, a morte, um mundo apocalíptico… A conversa do narrador com com o javali não me agradaram muito e em certo momento acabei me desligando do conto, dando uma desanimada, mas, ainda assim achei um bom conto, sobretudo pela escrita. Boa sorte.

  25. Claudia Roberta Angst
    7 de junho de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título do conto é bonito e forte. Nada revela sobre o que virá a seguir.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sensibilidade. Um pouco de guerra, de apocalipse, de amizade entre o homem e o bicho, livros, etc. Muita coisa para se carregar sozinho.
    Não encontrei erros na sua narrativa ou entraves que comprometem-se a leitura. O ritmo é bom, apesar das paradas introspectivas. Tudo muito bem alinhado.
    O final provoca emoção e encerra lindamente com uma decisão difícil: o lado animal ou o lado racional? Instinto ou razão? Como esperado, o homem segue a razão e parte com os seus livros (sua carga intelectual) e distancia-se do seu lado mais chão, sua essência primitiva que o acompanhou por toda jornada. São opostos e assim seguem caminhos contrários.
    Boa sorte.

  26. Fheluany Nogueira
    7 de junho de 2017

    Leitura fluente e agradável de uma narrativa simpática, de espaço e época indefinidos: aviões e cavalos como meios de transporte, guerra, últimos livros a serem preservados e os guardiães.

    O enredo é simples: o mundo pós-apocalíptico e a necessidade de preservar o conhecimento (Imagino que serão usados chips, no futuro, mas então como seria para encher e pesar na mala da imagem-tema?).

    O texto está muito bem escrito, traduz, praticamente, um monólogo, já que o javali é o interlocutor do homem até o encontro com os outros aviadores. As cenas são bem construídas, o desfecho ficou bem interessante exigindo a opção mala X javali.

    É um trabalho muito bom que merece destaque. Parabéns pela participação. Abraços.

  27. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Uma história bonita e muito bem narrada. Um conto bacana e bastante bem redigido. A história flui legal numa estrada bem pavimentada sem sobressaltos e “quebra-molas”. Mostra um cuidado grande com o idioma e as maneiras mais adequadas para a sua utilização com sucesso. Um homem herói e que vai salvar o conhecimento da sanha insana da guerra. Bacana o pretexto que você arrumou. Abraços.

  28. Roselaine Hahn
    4 de junho de 2017

    Olá Antonio, gostei muito do seu conto, finalmente alguém colocou a mala e o javali contra à parede, estava na torcida para o javali; o enredo, em algum momento, me lembrou o filme O livro de Eli. Você escreve bem, não vi problemas gramaticais, segurou o rojão direitinho, apesar de não ter havido grandes impactos ou dramas na trama. Elogio tb. o bom trabalho de pesquisa em relação aos aviões. Enfim, um belo texto. Parabéns.

  29. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    4 de junho de 2017

    É um bom conto, bem escrito e até certo ponto, cativante. Passou-me a impressão de o protagonista habitar algum mundo que não o nosso, ou em algum período alternativo. Em dado momento cheguei a confundir com um steampunk, mas acho que nada a ver. Explico: o fato de haver um cavaleiro em época em que há aviões; e a partida do protagonista montado num cavalo, aliado a esse conceito de guardião, impossibilitou precisar a época em que se passa a história.

    Em todo caso, gostei. De toda a ideia, há um ponto que eu considerei fraco, que é justamente a ideia central: parece-me pouco provável que uma futura geração haveria de precisar dos livros contidos nas maletas dos guardiões, pois, apesar de toda a destruição, é pouco provável que não reste nenhum livro que não os preservados pelos guardiões. A não ser que nesse mundo ou nesse período tenha havido algo como no livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e, nesse caso, esses livros são como pedras preciosas.

    Gostei da firmeza do protagonista em levar até o fim a sua missão, mesmo que para isso teve que abandonar o porco-do-mato, pois, assim é a vida, feita de escolhas.

    Parabéns!

  30. Olá, Antônio Peres,
    Tudo bem?
    Pensar em uma mala cheia de livros só podia ser coisa de um escritor mesmo. Examinando a imagem, em um primeiro olhar se vê homem, javali, corrente, mala. Mas, o que mais há ali, imperceptível aos olhos? Escondido de um olhar desavisado? Fácil. Ali há a pergunta que não quer calar. O que há dentro da mala? Para você, livros. Bingo!
    Agora vamos ao conto. A história criada é relativamente simples. Partindo da premissa de um mundo destruído, onde os livros estariam em extinção, guardiões protegem este tesouro, levando-o consigo. Algumas questões se abrem aí, mas não creio que todas as lacunas precisem realmente ser preenchidas, até por ser tratar de um conto.
    O texto, certamente teria fôlego para uma narrativa bem mais longa. Contando história pregressa desse homem que, devido à solidão e a dor, confunde realidade e devaneios, sem saber ao certo nem mesmo alguns dados sobre a própria vida. Falando mais sobre o javali do desafio e seu afeto com o tal homem, bem como sobre os aviadores e suas malas, seus livros, enfim.
    Sem sombra de dúvida, o autor escreve muito bem. Tem uma verve gostosa, agradável, que, pelo que li nos comentários, remeteu cada leitor para um lugar diferente, mas todos bons. “O Pequeno Príncipe”, “O Náufrago” e por aí vai. Em meu caso (ao menos no momento em que o viajante está caminhando ao encontro do avião com seu Javali), a narrativa remeteu à peça Esperando Godot. Assim como no espetáculo, o personagem “espera” pelo tal encontro, que custa a acontecer, ao lado de seu amigo com que mantém um diálogo de pausas, quase que consigo mesmo. Na verdade, consigo mesmo, já que o personagem Javali não pode responder e é o próprio protagonista a questionar e replicar.
    No momento do encontro com os aviadores, o conto muda um pouco essa característica mais psicológica e parte para o desfecho da história propriamente dita. E é justamente nessa parte de seu trabalho que, para mim, se abriram as tais lacunas.
    O final é muito bom. A imagem do Javali passando a pata no chão e partindo em direção contrária é muito boa.
    É engraçado ver como essa imagem suscitou vários contos girando em torno de “uma escolha”. Em seu caso, o homem optou por seguir a própria vida. Mais que isso, pelo livros. Fosse como fosse, ele precisaria descobrir.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  31. Priscila Pereira
    2 de junho de 2017

    Oi Antonio, fiquei com a impressão de que ele já estava morto desde o começo do conto… que ele estava em uma jornada espiritual, que a mala com os livros era tudo o que ele havia feito em vida e queria entregar, mas teve que levar consigo, sofrer as consequencias, boas ou más. O javali era o que o mantinha preso ainda as coisas dessa vida e no fim, se quisesse prosseguir teria que deixá-lo. Com certeza viagei demais. O texto é muito bom. Parabéns!!

  32. Neusa Maria Fontolan
    2 de junho de 2017

    E o que aconteceu com ele? Para onde ele foi em companhia dos outros três? Será que vagariam pelo mundo com ele distribuindo conhecimento? Um fardo pesado esse, já que a mala era dele e teria que carregá-la.
    Não deixa de ser um bom conto.
    Meus parabéns.

  33. Vitor De Lerbo
    2 de junho de 2017

    Gostei da ambientação, o clima do conto me remeteu bastante a Fahrenheit 451. O aviador é detentor de todo o conhecimento que resta e, ainda assim, nada possui além da amizade com o javali.

    Costumo não gostar muito de histórias com personagens tomados pela amnésia, pois é fácil se criar suspense com essa ferramenta. Aqui, porém, a técnica é utilizada com parcimônia, e o mais importante é o que o protagonista vem a encontrar, e não o que ficou pra trás.

    A história vem num crescente, mas o clímax parece que dá uma brecada. Entendo que o conflito do protagonista é todo emocional, mas creio que a própria história merecia algo mais impactante no final.

    A gramática está perfeita e a leitura flui facilmente.

    Boa sorte!

  34. Elisa Ribeiro
    1 de junho de 2017

    Olá autor. A história está bem narrada, mas nada acontece nela e quando chega o final, nada acontece também. Algumas cenas me lembraram “O Naufrago”: a obsessão com a encomenda, a necessidade de um amigo. O ponto alto do conto é a qualidade impecável da escrita. Boa sorte!

  35. Leo Jardim
    31 de maio de 2017

    Cruz de Ferro (Antonio Peres)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o interessante na nesse aviador é que ele não tem mais tanta certeza de sua história. A amizade dele com o javali ficou bem desenvolvida, mas o fim nem tanto. Essa ordem de aviadores ávidos por conhecimento ficou muito nebulosa e fez com que a despedida do animal, que deveria ser o ponto emocional do conto, não funcionar muito bem.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): a narração em primeira pessoa de um personagem atordoado ficou muito boa, gostei bastante. Não vi, também, nenhum erro ortográfico durante a leitura.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): faltou algo a mais para ser um conto mais criativo, acabou caindo, infelizmente, no genérico aviador + javali.

    🎯 Tema (⭐⭐): 100% adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): me apeguei ao personagem e torci por ele e sua quest. No fim, porém, com a chegada dos outros aviadores, acabei me desconectando e não sentindo tanto a separação dele e o javali.

  36. Gilson Raimundo
    30 de maio de 2017


    https://polldaddy.com/js/rating/rating.jsUm conto bem escrito, porém com um confronto subentendido, o ápice foi moderado. Este cenário de segunda guerra mundial com a destruição dos livros não me despertou tantas emoções, talvez por esperar mais dificuldades para o protagonista. Notei algumas semelhanças com o filme “Naufrago” onde após a queda do avião somente um sobrevivente passa seu tempo protegendo um pacote que deveria ser entregue a todo custo se que seu lacre fosse rompido. A solidão o faz criar um laço com Wilson, aqui o porco que foi seu confidente, bem mais superficial que a bola de volei.

  37. Evandro Furtado
    30 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: Pós-apocalíptico. O autor não se detém em explorar o mundo no qual a trama acontece e isso prejudica um pouco. Por outro lado, explora a atmosfera de um jeito diferente, por meio dos personagens e suas relações, concendendo certo tom dramático.

    C: A história gira muito mais em torno dos personagens do que do mundo ao redor. Aliás, o mundo é um reflexo dos personagens que parecem estar caindo aos pedaços. A questão dos livros parece funcionar apenas como uma missão, mas não é algo fundamental à trama. Esse objetivo poderia ser trocado por qualquer outro e não haveria mudança. Talvez até melhorasse, considerando que essa ideia de livros sendo destruído já é um pouco saturada.

    F: A escrita é bastante descente e demonstra um domínio por parte do autor. O uso de figuras de linguagem é feito com competência. A narrativa em primeira pessoa, no entanto, poderia ser uma alternativa mais interessante, considerando o foco do conto, já que poderia conceder um caráter mais intimista.

  38. Pedro Luna
    30 de maio de 2017

    Acredito que o conto bebe de alguns simbolismos e também de uma aura confusa, que mistura sonhos, memórias e expectativa. Não sei se foi proposital ou não, mas ele deixa pontas soltas, o que certamente reduziu a sua qualidade, pelo menos a meu ver.

    Digo isso porque o interpretei como um conto de jornada (ainda que esse tipo de história caiba melhor em formatos mais longos), onde o personagem está em uma missão e o acompanhamos. Porém, retirando pequenos detalhes, e a introdução do javali, todo o restante da história vive em um passado duvidoso e em um futuro que não somos apresentados. O que tinha na mala realmente? Que lance é esse de guardião? Afinal, quem era o cidadão e qual o seu passado. O conto em si é bacana, bem escrito, e por si só foi uma boa leitura, mas, no geral, ele me desagradou justamente por dar muita ênfase (parágrafos e mais parágrafos falando sobre um passado, e a criação da expectativa de como seria o futuro) ao que não foi mostrado e ao que ainda iria acontecer.

    Preciso dizer também que apesar de ter achado o javali silencioso simpático, não consegui estabelecer uma amizade tão forte entre ele e o personagem para me emocionar no fim.

    Enfim, é como falei, um bom conto que desperta curiosidade mas não atinge o seu máximo por deixar pontas soltas que na minha opinião não deveriam estar tão soltas.

    ps; agora, se o autor ou autora quis realmente escrever um conto que retrata perfeitamente a confusão na cabeça do protagonista, deixando assim o texto um pouco confuso também, está de parabéns, pois conseguiu. No entanto, é um desafio de contos, então não sei se foi a melhor opção.

    Abraço

  39. Milton Meier Junior
    30 de maio de 2017

    um conto muito bom, dos melhores que li até agora. uma escrita impecável que proporciona uma leitura fácil e fluida ao leitor. a história é repleta de significados e metáforas, mas não se perde em devaneios, mesmo ao deixar o final em aberto. o autor também elabora frases muito bem construídas e bastante líricas. está de parabéns!

  40. Lee Rodrigues
    30 de maio de 2017

    O enredo não se preocupa em explicar com todas as letras o que aconteceu por ali, deixando para o leitor a tarefa de completar os pontos, e isso é bom, porque o seu objetivo não é falar do passado, mas sim do futuro. Tudo o que descobrimos é que o piloto já está há muito tempo na floresta (que já havia atravessado um deserto), seguindo ordens de furtivas lembranças. Isso me trouxe à memória “O livro de Eli”, o guardião do (conhecimento) livro do bem e do mal, que não comeu do fruto da sabedoria por curiosidade. A diferença é que em um há o propósito da resignação, e aqui ficou nublada as motivações.

    Um bom conto, entretanto, por uma necessidade minha em saber qual o propósito de tudo isso, ficou parecendo um recorte de algo maior, talvez a limitação de palavras tenha desfavorecido, ou se suprimisse algumas informações, além de dar mais dinamismo ao conto, poderia inserir outras mais importantes que ficaram ocultas.

    Olha, esse é o seu conto, o seu jeito, e o meu comentário é só a forma que absorvi, e isso não quer dizer que é a verdade absoluta ou o caminho que deva percorrer, é que quando a gente lê acaba meio que se sentindo dono do texto e já pensa em mil situações que poderia trabalhar em cima.

  41. Marco Aurélio Saraiva
    30 de maio de 2017

    Este conto é muito bonito. Me lembrou da leitura do “O velho e o Mar”, de toda a narrativa que permeia as reflexões de um homem solitário em meio ao deserto – que seja de areia ou de água.

    ===TRAMA===

    Interessante. Diferente de alguns contos que ando lendo no certame, que são puramente simbólicos e difíceis de entender (como se o autor quisesse impor dificuldade proposital na leitura), este conto tem camadas de fácil distinção.

    Em uma primeira leitura vemos o dilema do piloto, que acaba de fazer uma amizade com um animal e tem que escolher entre esta nova amizade ou se tornar o guardião do conhecimento humano.

    Em uma segunda leitura, podemos notar que existe uma metáfora entre o esclarecimento secular e a crença religiosa. A jornada do homem é a sua jornada da cegueira da fé (da qual ele agora mal se lembrava, como se toda a sua vida passada fosse uma mentira) até o esclarecimento, que anda sempre ao seu lado mas preso dentro de uma mala. O javali é a religião. Ele deve abandoná-la a fim de abraçar o conhecimento científico – todo o conhecimento da humanidade. É uma decisão difícil. No final, fica claro, ao vermos o javali tomar o sentido oposto, que ambas as áreas – religião e ciência – não podem andar juntas. Dá para extrapolar esta visão para entender também o que significa a queda do avião ou o homem que envia o aviador na missão, mas acho melhor parar por aqui, rs.

    Gostei do fato do personagem ser aviador. Muitos autores neste desafio – eu incluso – tiveram dificuldades de justificar as roupas antigas de aviador do personagem. Você fez a solução mais simples e bonita: ele era, de fato, um aviador, ora bolas!

    Duas notas sobre a trama:

    1) Parece que há um erro de continuidade quando o aviador acende a fogueira. No início do trecho você diz que ele senta sobre a mala e acende a fogueira, mas depois ele olha através do fogo e vê a mala… como, se ele estava sentado sobre ela?

    2) Como alguém consegue seguir as coordenadas de latitude e longitude apenas com uma bússola? Sou meio leigo nisso mas… acho difícil alguém falar “latitude 21.8486475 e longitude 18.1001484. Toma essa bússola… vai!”

    ===TÉCNICA===

    MUITO boa, Uma das melhores do certame. Você escreve tão bem, que nem tenho muito a falar aqui: leitura fluida, bela, e que conjura imagens belíssimas à mente, assim como traz várias reflexões.

    Destaque para a frase a seguir:

    “Tempo… O tempo é o maior dos covardes. Jamais conduz à certeza. Ao contrário, embota os sentidos, faz do passado algo imaginário, ainda que real.”

    ===SALDO===

    Muito positivo. Um dos melhores contos que li por aqui!

  42. Anorkinda Neide
    27 de maio de 2017

    Olá!
    Não sei porque mas eu achei cansativo, ainda bem q tinha as separações por partes.. hehe
    Também pensei em Terra dos Homens na primeira parte, o aviao caído no deserto e tals… depois virou o filme Náufrago, só faltou o javali ser chamado de Wilson.
    mas depois fugiu deste estereótipo com a explicação sobre os livros,que me remeteu ao desafio da biblioteca e qd eles esperavam os outros aviadores, pareceu q estava lendo O Pequeno Príncipe.. rsrs
    quanta coisa veio a minha cabeça!
    Até ae, tudo bem, o q poderia ter me desagradado foi avançando e melhorando e tava curtindo.
    Mas chegaram os aviadores e…
    Pq o cara caminhou tanto para entregar a mala se a bendita ia ficar com ele? Ele planejava entregá-la e voltar com o javali para o avião e viajar de volta para casa, ok q isso não fosse possível, o veículo deveria estar avariado e ele nao tinha mais pra onde voltar, pq ele poderia nao se lembrar mas quando ele aceitou pilotar aquele avião foi dito que ele não tinha nada a perder, ou seja não havia mais nada lá ‘atrás’, mas… os aviadores o nomearam guardião.. guardião do q? do conhecimento? para onde eles iriam? como seriam suas vidas a partir dali?
    Sei que não é pra ter estas respostas mas elas me fazem falta.
    Embora eu tenha entendido que era necessário deixar o javali ir, como desapegar de um período de transição que deve ser passageiro para que uma nova vida comece. A cena do javali correndo em direção contrária a dele foi forte, foi fulminante. hehe
    Ainda não sei muito o que pensar sobre este texto.. vou pensar ali no cantinho e acredito que quando eu der as notas, tudo já estará esclarecido na minha mente.
    Boa sorte ae e abraços

  43. Fil Felix
    27 de maio de 2017

    Acima da trama em si, acho que o mais importante neste conto é a imagem que ele evoca. É uma grande metáfora. Uma bem bonita! O mensageiro responsável por guardar e transferir o conhecimento, todo o conhecimento que restou no mundo. Sinto até uma pitada bíblica, pois ele fica tentado em abrir e descobrir o que há dentro. Podemos relacionar com a caixa de Pandora ou com o Fruto Proibido, em todo caso é um item que, enquanto fechado, pode ser a salvação ou a danação. É uma imagem muito boa. O javali como animal de estimação, como o melhor amigo, substituindo o velho papel interpretado por cachorros e lobos nas histórias, também caiu como uma luva. O final consegue criar uma tensão enorme, entre continuar com o animal ou abandoná-lo, sendo a corrente largada no chão o sinal de toda a jornada. Uma decisão talvez questionável (não no mau sentido, de ter sido boa ou não dentro do texto), mas em poder levantar um debate e diversas interpretações em quem lê. O que vale mais a pena? Assim, não vejo o final em aberto como um grande problema.

  44. Jorge Santos
    27 de maio de 2017

    Conto muito emotivo, bem escrito. Nota-se aqui e ali algumas incongruências, como por exemplo na frase “ Talvez fosse outro sobrevivente, afortunado pelo trágico destino de se encontrar só. “, onde a ambiguidade entre o “ser-se afortunado” e o “trágico destino” apenas confunde o leitor. De resto, nada a assinalar. A escrita tem ritmo e sentimento. São diversas as frases memoráveis. No final, a personagem é colocada perante um dilema, tal como todos nós na vida somos postos à prova e temos de decidir. O conto fica em aberto, porque nunca chegamos a saber ao certo o que contém a mala (talvez uma referência ao filme Pulp Fiction, onde Samuel L. Jackson e John Travolta têm de transportar uma mala que contém algo brilhante que o espectador nunca chega a saber o que é). Isso não importa – a personagem fez a sua escolha e tem de viver toda a vida com essa decisão na consciência, tal como todos nós. Muito bom. Parabéns.

  45. Gustavo Castro Araujo
    27 de maio de 2017

    O conto me trouxe à mente as obras de Exupèry, “Terra dos Homens” e “Piloto de Guerra”. Pode haver outras, claro, mas nessas (ao menos foram as que li desse autor, além de “O Pequeno Príncipe”), exploram-se com profundidade os danos causados pela guerra naqueles que são obrigados a lutar por algo com que não necessariamente concordam. Não é difícil imaginar que muitos pilotos levataram voos para bombardeios acuados por crises de consciência e sem entender direito os rumos dos conflitos em que lutavam. Exupèry é mestre nesse jogo filosófico. Aqui, a confusão mental do protagonista parece beber da mesma fonte, já que não é possível discernir o que é real e o que é ilusão, o que é lembrança e o que é premonição. A escolha que é obrigado a fazer ao final da narrativa – o javali (por que porco-do-mato?), verdadeiro, ou a mala, que talvez revele alguma coisa de seu passado, representam dois lados da mesma moeda. Imaginei que ele escolheria o bicho, pelo apego a ele e tals, mas dá para entender os motivos que o levaram a optar pelo incerto, afinal, tinha gente da família na jogada (ou não). Sinceramente, eu não sei o que faria. O final aberto pode confundir os leitores, de modo que talvez não tenha sido uma boa opção.

  46. Sick Mind
    25 de maio de 2017

    Dá para perceber que o autor(a) teve bastante esmero ao escolher suas palavras, isso deixou o texto bem conciso, uma qualidade que vi poucas vezes até agora. Entretanto, ter repetido a cena de reflexão sobre a missão, foi na contramão do que falei anteriormente. O final ficou um tanto vazio…
    Não encontrei nenhum erro, nem de digitação.

  47. Ricardo Gnecco Falco
    23 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    A escrita é ótima, não deixando nada como entrave à leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Boa, embora cenários apocalípticos estejam se repetindo com bastante frequência por aqui; talvez devido aos cenários geopolíticos mundiais da atualidade.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100% adequado. Temos mala, porco do mato e trajes da foto-tema.

    – EMOÇÃO
    A emoção flui aos poucos, aprofundando-se nas informações liberadas da mesma forma pelo/a autor/a. A leitura toda possui um tom amornado, em momento algum elevando a temperatura, o que não contribuiu muito para tornar a leitura memorável ao final de um Desafio Literário com mais de 60 trabalhos. Mas o texto deixa a certeza de ser obra de alguém que domina bem a arte de contar uma história. Ao final, fica aquela sensação de que lemos apenas parte de um todo que, este sim, responderia a todas as questões deixadas aqui com reticências… O mais emocionante foi o convite feito pelo/a autor/a, que levou os leitores para dentro da mente cada vez mais confusa do protagonista, causando questionamentos por parte daqueles sobre o que seria real na narrativa apresentada sob a visão do solitário personagem.

    – ENREDO
    Um piloto de guerra cai com seu avião no deserto, porém prossegue com a missão recebida, mesmo após anos, em um cenário apocalíptico. O leitor adentra na mente cada vez mais confusa deste solitário sobrevivente de uma grande guerra, até chegar junto com o mesmo ao destino de sua missão, onde o personagem protagonista deve tomar uma decisão que, ao fazê-lo, encerra a história.
    *************************************************

  48. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Antonio Peres,
    Gramática – Sem erros. Texto agradável de ler. Não há tropeços.
    Criatividade – Uma mala cheia de livros – os últimos! Sim. Isso é bem diferente, mas desandou no final. Achei o final meio vago. Por que ele receberia a mala? Certo. Ele se tornou um Guardião. Mas deveria ter sido dito o propósito da coisa toda.
    Adequação ao tema proposto – Está dentro do desafio. Não vejo motivos para não estar, apesar de considerar meio forçado essa coisa de passar a corrente no javali, uma vez que ele o considerava amigo.
    Emoção – A escolha final me pareceu inadequada. Não vi motivo de escolha. Assim como ele fica com a mala, poderia ficar com o javali. E a pergunta que não quer calar: para onde ele foi?
    Enredo – Coerente. Começo, meio e fim, embora o fim tenha ficado muito aberto. Não tenho problemas com finais abertos, mas ficaram dúvidas e essas dúvidas me incomodaram.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  49. Olisomar Pires
    21 de maio de 2017

    1. Tema: Boa adequação.

    2. Criatividade: Normal. Sujeito em missão num mundo pós-apocalíptico, supõe carregar o último conhecimento impresso do mundo.

    3. Enredo: Bem conduzido, a tensão é bem criada, talvez tenha se demorado um tantinho a mais na colocação da missão recebida, os leitores entenderam rápido que a mala não poderia ser violada e que deveria ser entregue.

    O desenlace é meio vago: nada acontece. O protagonista entrega sua carga e a recebe como prêmio e parte junto a outros para algum lugar desconhecido, todos nominados guardiões.

    Muito aberto.

    4. Escrita: Muito boa, sem erros aparentes, para mim. Um estilo fluido. Como já disse, apenas a repetição da importância de missão ultrapassou um ponto e deixou o texto meio enfadonho durante a ratificação do que já havia sido apresentado.

    5. Impacto: Médio.

    Um bom capítulo de algo maior. Até entendo que o conto pode ser inserido em um texto futuro de grande abrangência, entretanto, o conto deve mostrar um episódio finito em si ou que induza a um fim para o que foi levantado.

    No caso presente temos um mundo em destruição, não se sabe o motivo, temos o mensageiro com sua mala que, apesar da queda do avião, não sofre nenhum transtorno, além de sua confusão própria. E no final temos que se inicia a verdadeira caminhada, porém sem nenhum elemento que a suporte.

    Boa sorte.

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .