EntreContos

Literatura que desafia.

Culpa Infinita (Autopsicografador)

Quando criança, vi um cachorro atacar meu amigo. Mordeu com todas as forças o pescoço dele, sacudia violentamente para todos os lados. O sangue manchou o focinho, dando-lhe um ar demoníaco. Outros meninos que estavam conosco começaram a gritar, a jogar paus e pedras, pedir ajuda. Não me movi. Covarde. O cachorro parou um instante, bufando, e me olhou fundo nos olhos, o corpo inerte do meu amigo pendia de sua mandíbula assassina. Quase todas as noites sonho com aquela cena. Às vezes, ainda tenho nos olhos a imagem do cão ensanguentado me encarando quando acordo com gosto de sangue na boca, para descobrir que mordi os lábios novamente durante meu pesadelo. Covarde.

Anos mais tarde, homem feito, descobri minha paixão por voar. Fui um dos primeiros pilotos do Correio Aéreo Nacional. Levava mensagens e cargas a todos os cantos do país. Na eterna solidão dos voos, sentia-me transformado em um deus alado, fazia minhas as asas do meu avião e corria pelos céus só meus. Voar pelo azul infinito era o mais próximo que eu jamais chegaria do paraíso.

Eu levava a carga mais preciosa da minha carreira quando uma tempestade decidiu que não havia espaço no céu para falsos deuses. A floresta que cobria aquelas montanhas assistiu impassível à luta que se travava logo acima. Entre rajadas de vento, relâmpagos e trovões, lutei com todas as forças. Esquivei, subi, mergulhei. Levei minhas asas ao limite, mas eu jamais seria páreo para deuses verdadeiros. Tempestades são punhos que golpeiam os aviadores, mostrando que não passam de homens tentando imitar os deuses. Tolos.

Lembro-me de acordar na manhã seguinte. Sobreviver tinha sido o prêmio por meu desempenho contra a tempestade. Um sol pálido encontrava frestas por entre as folhas e riscava o ar da floresta com mil pontos de luz. O suor da luta da noite anterior ainda gotejava nas árvores ao meu redor. Não havia sinal da tempestade. O deus do trovão seguira adiante em busca de outro desafiante à altura. Ao meu redor, eu ouvia uma orquestra de pássaros, insetos e macacos; todos comentavam sobre o falso deus que caíra dos céus. Não muito distante, havia uma cachoeira, emprestando um ruído constante àquela multiplicidade de sons. A algazarra da floresta lembrava uma avenida de cidade grande, todos os sons engarrafados no mesmo lugar.

Meu avião jamais voaria novamente, o motor estava destruído, óleo e combustível se espalhavam em volta dos destroços, mas minha carga estava intacta, outra bênção dos deuses. Eu ainda analisava meu equipamento, buscando uma forma de sair daquele deserto verde e fazer minha entrega, quando ouvi uma voz de criança: “Anauê” – e a floresta se petrificou em total silêncio.

Olhei ao redor, tentando identificar de onde teria surgido aquela voz. Ninguém. “Quem está aí?” – perguntei, rasurando aquele silêncio unânime. O vazio de sons era palpável, como mergulhar a cabeça num lago tranquilo, sentindo a linha d’água envolvendo o rosto, calando o mundo. Virei-me mais uma vez, olhei para os lados. Ninguém, apenas o eco do nada. Quando me virava pela terceira vez, a poucos metros do meu avião, eu o vi.

Era apenas um menino, um menino ruivo. A pele parecia suja, meio fuligem, meio esverdeada, como se o musgo das árvores tivesse decidido recobrir também aquela criança. “Como não pude vê-lo antes? Ele estava bem na minha frente”, pensei. Olhei em volta novamente para saber se havia mais alguém com ele. Ninguém. Com certeza não era índio. “O que um menino estaria fazendo sozinho no coração da floresta? Por que os animais, o vento e as águas haviam se calado?”. As dúvidas se multiplicavam na minha mente quando ele falou de novo: “ndê zanikó nikarê aicó?”. Pela entonação, pareceu uma pergunta.

Ele tinha os olhos vermelhos e brilhantes, como as brasas de uma fogueira à noite, e me estudava intrigado. Inclinou a cabeça para o lado e ouvi novamente a pergunta: “ndê zanikó nikarê aicó, anhan’guera?”, mas os lábios do menino não se moveram. De algum modo, eu o ouvia na minha mente, mas o que mais me espantou foi que comecei a compreendê-lo.

“Caçador? Não, não sou caçador” – disse em voz alta, sem saber se ele entenderia.

“Verdade?” – respondeu devagar e seus olhos flamejaram diabólicos. Um imenso porco do mato surgiu não sei de onde, bufando e babando, vindo em minha direção, presas compridas como baionetas.

“Sim! Sim! É verdade. Sou apenas um mensageiro. Preciso ir para a junção dos rios Urucu e Coari” – respondi, apontando para minha carga, uma grande mala de couro, e dando alguns passos atrás.

“Eu não acreditaaaarrrrr” – abriu a boca pela primeira vez, e a voz de trovão do menino demônio rasgou a floresta silenciosa como um raio. Naquele instante, o imenso porco do mato avançou sobre mim. Diante dos meus olhos ele cresceu, e cresceu. Transformou-se na figura fantasmagórica do cachorro assassino que me assombrava desde criança. A fileira de dentes me sorria ainda manchada de sangue, como se tivesse acabado de destroçar o corpo do meu amigo, e agora quisesse também o meu pescoço.

Corri. Minhas pernas vacilavam enquanto tentava chegar ao avião. O cachorro avançava feroz. Pulei para detrás dos destroços. Em meu desespero, num relance, vi que o menino de cabelos de fogo sorria; e o reconheci; era meu amigo de infância, morto por aquele mesmo cachorro. Fixei o olhar por uma fração de segundo – “Pedro?” – pensei.

Pulei para dentro da fuselagem, buscando algo com o que me defender. A grande cabeça do animal se enfiou pela janela do avião e abocanhou minha perna esquerda. Arrancou um grande naco de carne. Gritei de dor, e o menino do lado de fora soltou uma gargalhada metálica.

Arrastei-me para o fundo do avião. Enquanto me afastava de costas, ia jogando no cachorro tudo que achava pelo caminho. Encontrei um sinalizador de emergência e mirei. Se errasse, poderia incendiar o óleo e o combustível em volta do avião e transformar aquela fuselagem retorcida em minha própria pira funerária. A dor na perna reverberava pelo meu corpo, fazendo minhas mãos tremerem erráticas. Em minha dor, emoldurada de medo e sangue, senti a visão falhar.

De repente, estava de volta à rua em que cresci. Calças curtas. Ao meu redor, as crianças desesperadas jogavam coisas no cachorro louco que matava nosso amigo, num show macabro de força e morte apenas para os nossos olhos. Olhos. Os olhos do cachorro me encaravam, uma breve pausa naquele assassinato. “Agora ele vai vir me matar” – a frase se repetia na minha mente. “Covarde” – dizia a voz. Naquele breve momento em que o cachorro parou me olhando, meu amigo moveu de leve os braços. “Ele tá vivo!” – pensei, arregalando os olhos. O movimento chamou a atenção do cachorro, que recomeçaria a sacudir-se para terminar seu trabalho. “Ele vai acabar de matar o Pedro!!”.

– NÃÃÃO!!!!! – gritei com toda a força da alma e corri para aquela cena funesta. Rompi a linha das crianças que, a distância, tentava expulsar o animal assassino. Elas pararam de gritar, assustadas com a loucura que eu fazia. Ao ver que eu me aproximava enfurecido, o cachorro soltou meu amigo para se defender do meu ataque. O corpo caiu no chão ensanguentado. A besta retesou os músculos e abriu a boca tingida de morte. Ele viu o ódio nos meus olhos. Agora, quem o encarava diabólico era eu. Minha fúria me fazia grande diante daquele covarde. Medo. Por um breve momento, ele teve medo de mim. Hesitou. Atropelei-o com todo o meu corpo num estrondo, meu joelho bateu com força em seu lado e ele ganiu alto. Rolamos rua abaixo e, quando paramos, o cachorro fugiu assustado. Covarde. Permaneci imóvel, desacordado.

 

Abri os olhos dentro do avião, ainda com o cinto de segurança, no meu assento de piloto. Senti um forte gosto de sangue na boca. Uma dor navalhar pulsava na minha perna, o corte era muito profundo . “Cachorro? Porco? Aquilo foi real? Pedro… eu salvei mesmo ele?”. Minhas memórias se embaralhavam. A imaginação pode moldar a realidade. Não havia sinal de cachorro ou de porco ou mesmo de meninos verdes da floresta. Fiz um torniquete na perna e manquei para fora do avião.

A floresta tinha vida novamente – “ou era a primeira vez que ouvia aquela floresta?”. A algazarra de insetos, pássaros e macacos preenchia todos os espaços. Olhei a minha volta. Um pouco afastado do local da queda vi um porco do mato. “Seria o mesmo?”. Ao menos agora parecia tranquilo. Esfreguei os olhos e, montado sobre o porco, vi o menino dos cabelos de fogo sorrindo. Já não tinha mais o rosto de Pedro.

“Você não caçador” – ele disse.

“Por que seu porco me atacou? Aquilo aconteceu mesmo? Eu salvei o Pedro? Quem é você?” – vomitei minhas dúvidas de uma vez sobre ele, perdido.

“Você bravo guerreiro!” – limitou-se a responder em tom sério.

Olhei de volta para o avião. A grande mala de couro estava intacta. Precisei de um momento para organizar os pensamentos. A dor me atrapalhava a entender o que acontecia. “As vacinas” – lembrei.

“Suma daqui!” – rosnei para o menino – “Preciso entregar minha carga. É muito importante. Não tenho tempo para seus folguedos”.

“Pássaro seu morto” – falou, apontando com o queixo para o meu avião – “Eu levar você”, e bateu no peito, puxando para si a responsabilidade. Olhei de novo para o avião destruído e para minha perna ensanguentada.

Sopesei minhas alternativas, mas, dadas as circunstâncias, não havia mesmo muitas opções a considerar. Peguei a grande mala e comecei a seguir um menino verde, montado num porco do mato. Até aquele momento, eu ainda não havia me dado conta do quão insólita era aquela situação. Foi quando percebi quem era meu guia.

Aquela criança de cabelos rubros tinha os pés ao contrário, os calcanhares virados para a frente. “Curupira” – pensei. Instantaneamente ele me olhou sério, o dedo enriste em frente aos lábios verdes: “Ssshhhhh!” – fez, e sorriu matreiro, como se nunca tivesse tentado me matar com seu porco.

 

Estava em todos os jornais do país. Uma grande epidemia dizimava o alto amazonas: mulheres, crianças, brancos, índios, centenas de famílias morrendo, os corpos tomados por erupções cutâneas se amontoavam, a marca da morte.

Quando parti de Porto Velho, levava no meu avião um lote de vacinas recém-chegadas do Rio de Janeiro, a última esperança da vida contra a morte, a entrega mais importante da minha carreira.  Quando meu avião estava caindo, pensei que comigo caíam as vidas de todas as pessoas que dependiam daquelas vacinas. Seria o maior desastre aéreo da curta história da aviação brasileira: apenas um pequeno monomotor, centenas de mortos.

 

Depois de três dias mancando pela floresta, finalmente cheguei ao meu destino. Enquanto me aproximava do vilarejo, um jornalista que cobria a história da epidemia tirou uma fotografia daquela estranha aparição: um aviador, surgindo no meio da mata, carregando uma mala cheia de vacinas e sendo guiado por um enorme porco do mato. Aparecemos em todos os jornais. Infelizmente, a lente da máquina não foi capaz de captar também a imagem do meu novo amigo Curupira.

Nunca mais sonhei com o cachorro que tentou matar meu amigo. “Tentou?” – ainda me pergunto. Jamais retornei à cidade em que cresci. A vontade de rever meu amigo era menor que meu medo de encontrar uma lápide com seu nome. Nas minhas memórias, embaralhadas pelo Curupira, Pedro se recuperou e cresceu, forte e feliz. Mesmo as centenas de pessoas que salvei naquela ocasião não apagam a sombra de culpa que ainda carrego comigo. Uma vida não vale por centenas, e as centenas de vidas que salvei jamais valerão pela única que deixei de salvar. “Deixei?”. Não voltar foi a maneira que encontrei de manter meu amigo vivo, ao menos em memórias.

Hoje, muitos anos depois, ainda guardo os recortes de jornal daquela e de outras aventuras que vivi nos céus e na terra. Enquanto revia aquela antiga foto, por um breve momento, vi o Curupira sobre seu porco peludo, só para vê-lo sumir em seguida.

“Anauê, velho amigo!”.

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7 comentários em “Culpa Infinita (Autopsicografador)

  1. Leo Jardim
    25 de maio de 2017

    Culpa Infinita (Autopsicografador)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): bem amarrada, conta no início a cena traumática da infância e depois retorna à ela com ajuda do Curupira. Deixar em aberto se ele salvou o menino ou não, principalmente com o próprio aviador preferindo deixar assim (foi uma ótima justificativa).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei a narrativa muito boa, com idas e vindas no tempo, sonhos, devaneios e realidade e isso não ficou confuso. Não peguei nenhum erro que me incomodasse durante a leitura.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): uma forma criativa de unir os temas do desafio anterior com esse.

    🎯 Tema (⭐⭐): um making off muito legal da foto. No caso deste conto, o referência ao desafio anterior não atrapalhou na execução.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um final agradável, bem amarrado. Não é daqueles de explodir cabeças nem de causar grandes emoções, mas é bem executado.

  2. Ana Monteiro
    25 de maio de 2017

    Olá autopsicografador. O seu conto lê-se bem e retrata uma história que prende a atenção. Sequencia-se em bom ritmo e tem lógica narrativa. Passando aos parâmetros de apreciação: Gramática e ortografia, muito bem; Criatividade, rica e presente; Adequação ao tema proposto, sem dúvida; Enredo e emoção, estão lá. No entanto houve qualquer coisa, um não sei quê. A alucinação, ao fugir para o avião, em que vê o amigo morto e comum riso vingativo no lugar do do menino de cabelos de fogo. Não, esta parte não me agradou. Transferir a culpa que se sente, com ou sem razão, para o suscitar dum desejo de vingança por parte daquele em relação a quem o herói se sente culpado, retira-lhe todo o mérito e retrata-o como, ele sim, alguém vingativo. Foi isso o que me desagradou. não altera a pontuação a atribuir, mas não quis deixar de relevar. Boa sorte.

    • Autopsicografador
      25 de maio de 2017

      Querida Ana Monteiro,

      Primeiramente, muito obrigado pelo seu comentário.

      Sempre acho melhor não responder aos comentários dos colegas, mas como você ficou com um sentimento de “não sei o quê” com relação a uma cena específica da minha história, achei importante esclarecer esse ponto.

      Não, de maneira nenhuma. O curupira da história NÃO está se “vingando” do protagonista.

      Nessa história, o herói é colocado diante de dois desafios. O primeiro deles diz respeito a sua habilidade como piloto. E ele passa! Como “prêmio”, ele sobrevive ao acidente aéreo. “Sobreviver tinha sido o prêmio por meu desempenho contra a tempestade.”

      O segundo desafio é apresentado ao herói pela figura do curupira, qual seja: “enfrentar o seu maior medo”.

      O pequeno curupira não teria sequer como saber da história do amigo morto, muito menos querer se vingar do aviador por causa disso. MAS, como figura fantástica presente na história, ele poderia suscitar no personagem principal o teste de enfrentar o seu maior medo. Fosse outra pessoa em seu lugar, o porco do mato poderia ter se transformado em uma aranha gigante, uma barata gigante, um pai violento, um monstro, etc.

      Assim, a gargalhada ouvida não é do amigo em si (que não passava de uma visão do aviador, a personificação de seu maior medo), mas do pequeno demônio da floresta que, naquele momento, imaginava que o herói sucumbiria ao seu teste.

      PORÉM, nosso amigo aviador é colocado novamente diante da cena que o perseguiu a vida inteira, que o consumiu a vida inteira. O medo dele é evidente. A vida toda ele se julgou um covarde por causa daquele momento da vida. Mas, diante de uma segunda chance em relação à mesma situação da infância, ele toma uma nova atitude e enfrenta o seu medo. Com isso, ele PASSA no teste do curupira, que reconhece o feito: “Você bravo guerreiro!”, ele diz.

      Então, não se trata de uma vingança. Jamais!

      “Emprestei” a ideia para esse teste do curupira da antiga história da Esfinge de Édipo. Conforme lembra o Wikipedia:

      “Havia uma única esfinge na mitologia grega, um demônio exclusivo de destruição e de má-sorte” (…) em Édipo Rei, de Sófocles, [a esfinge] pergunta a todos que passam o quebra-cabeça mais famoso da história, conhecido como o enigma da esfinge, decifra-me ou devoro-te: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?” Ela estrangulava qualquer inábil a responder, daí a origem do nome esfinge, que deriva do grego sphingo, querendo dizer estrangular. Édipo resolveu o quebra-cabeça: O homem — engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta, e usa um arrimo (bengala) quando é ancião. Furiosa com tal resposta, a esfinge teria cometido suicídio, atirando-se de um precipício.”

      Na minha história, o pobre curupira não se atirou de um precipício quando o protagonista conseguiu vencer o seu teste, mas, como “prêmio” ao nosso aviador, o pequeno menino verde se propôs a guiá-lo até o seu destino.

      Espero que esse ponto tenha ficado mais claro. Desculpe o tamanho da resposta!
      Mais uma vez, obrigado pelo seu comentário. Espero que, com esse esclarecimento, quem sabe, você possa aumentar um pouquinho a minha nota! 🙂

      • Ana Monteiro
        25 de maio de 2017

        O não sei quê de que falei não iria alterar a minha nota,pois tento dá-la em função dos parâmetros que o Gustavo propôs e que decidi aceitar. Daí a observação vir no final, após a apreciação. Porque existe uma diferença muito grande entre a apreciação formal do conto enquanto “obra” e a opinião pessoal, algo que, a meu ver e no meu caso, deve ficar de fora. A sua nota ficará pois igual e se ler com atenção antes do tal “não sei quê” pode verificar que será bastante boa. Em todo o caso, muito obrigada pela sua resposta. E uma vez mais boa sorte. 🙂

  3. Ricardo Gnecco Falco
    24 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Muito boa. “…o dedo enriste em frente aos lábios…” foi a única passagem que me incomodou, no quesito gramática. Não curti muito a utilização da palavra “folguedos” (em: “…Não tenho tempo para seus folguedos”.”), achei que destoou bastante do discurso escolhido pelo autor para seu texto. Contudo, as descrições que dão abertura ao trabalho e, principalmente as que encontramos nas cenas pré, in, e pós acidente aéreo dão um brilho todo especial à narrativa. Gostoso de ler. Parabéns ao/a autor/a!

    – CRIATIVIDADE
    Muito boa. O primeiro candidato a integrar a lista dos possíveis trabalhos constantes em meu pódio (venho lendo/analisando as obras na ordem de postagem, do primeiro — lá embaixo — até o último, ou seja, ainda estou no meio dos trabalhos). Se o texto foi um ‘aproveitamento’ ou não de algum trabalho feito pelo/a autor/a para algum Desafio passado (cuja temática tratava sobre folclore, se não me engano), não tem importância. E não importa porque justamente este trabalho, ‘ajustado’ ou não para o tema da imagem, ficou muito bem feito. Gostei da forma com que ‘encaixou’ a imagem da foto temática na história e do resultado final. Parabéns.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. Temos mala, javali e trajes da foto. E curupiras, vacinas, acidente aéreo, floresta… Uma riqueza só. Nem sei como conseguiu abordar satisfatoriamente tantas imagens e situações em tão pouco espaço. Muito bom.

    – EMOÇÃO
    Ótima. Somos levados pelo narrador-personagem a uma viagem além ainda dos céus. O/a autor/a costura os anos e acontecimentos de forma eficiente e torna todas as passagens críveis, além projetar com facilidade as imagens em nossa mente. Começo, meio e fim repletos de emoções. E emoções diferentes, o que é o melhor.

    – ENREDO
    Aviador pioneiro do país cruza os céus com uma nobre missão humanitária, tendo a mesma interrompida por uma forte intempérie que, fazendo-o enfrentar e superar traumas passados, possibilita ao protagonista leva-lo ao cabo. Boa construção da jornada do herói. Começo, meio e fim bem delineados e final impactante com a cena da fotografia que, até o finalzinho da leitura, nos questionávamos sobre onde/quando/como ela apareceria na história. Parabéns!

    *************************************************

  4. Olá, Autopsicogratador,
    Tudo bem?
    Fico feliz que alguns por aqui tenham escolhido falar de folclore nacional (novamente – rsrs). O Curupira, Caipora, de fato tem um javali. Ótima premissa.
    Seu texto flui bem e a história, bem jovem, se desenrola de maneira agradável e leve.
    Impliquei um pouco com o trecho “o corpo inerte do meu amigo pendia de sua mandíbula assassina”. Puro preciosismo de avaliação dentro do desafio. Bobagem. Só achei estranha a imagem do corpo “pendendo” da boca do cão. Imaginei um cão gigantesco, com um ratinho na boca. Isso não diminui em nada a qualidade do conto. Só citei por achar que a escolha de palavras influi muito naquilo que criamos, e como estamos todos aqui para aprender, resolvi lhe contar a minha sensação ao ler.
    Quanto à história, gostei. O conflito principal é a culpa imensa que o amigo sente por ter visto seu companheiro de infância morrer frente a seus olhos, sem que pudesse fazer algo para ajudar. Esse mote, em si, já é bom o suficiente. A culpa é algo que nos persegue durante toda a vida. Por isso, acho (mas é só a minha opinião), que talvez você pudesse ter suprimido alguns subtemas inseridos à trama. A conexão entre cachorro, Curupira que protege as matas, vacina, aviação, a culpa, o acidente, fica um pouco vaga devido, creio, ao limite de palavras imposto pelo desafio. A gente vota em poucas palavras lá no grupo, mas depois acha o limite insuficiente para tanta criatividade.
    Parabéns pelo trabalho.
    Beijos
    Paula Giannini

  5. Fabio Baptista
    22 de maio de 2017

    Olha, devo admitir que essa foi uma das maneiras mais criativas de se chegar à cena da foto. Mesmo com a recente saturação do tema folclore, nem me lembrava que o Cururipra/ Caipora tinha um porco do mato rsrs.

    No começo, pensei que a narração seguiria o mesmo caminho de outro conto que acabei de ler, apenas descritiva sem diálogos e tal. No meio, estava com a impressão que a cena do cachorro mordendo o amigo ficaria meio deslocada, sem dizer a que veio. Mas depois foi interessante como as coisas se juntaram e a narrativa melhorou com os diálogos e também conseguiu passar a dúvida de “será que aconteceu ou não”.

    Não posso dizer que agradou em cheio meu gosto pessoal, mas foi bem executado dentro da proposta do desafio.

    – uma tempestade decidiu que não havia espaço no céu para falsos deuses
    >>> essa frase ficou bacana

    – riscava o ar da floresta com mil pontos de luz
    >>> outra que gostei

    – falso deus
    >>> essa expressão acabou ficando repetitiva

    Abraço!

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.