EntreContos

Detox Literário.

Culpa Infinita (Thiago de Melo)

Quando criança, vi um cachorro atacar meu amigo. Mordeu com todas as forças o pescoço dele, sacudia violentamente para todos os lados. O sangue manchou o focinho, dando-lhe um ar demoníaco. Outros meninos que estavam conosco começaram a gritar, a jogar paus e pedras, pedir ajuda. Não me movi. Covarde. O cachorro parou um instante, bufando, e me olhou fundo nos olhos, o corpo inerte do meu amigo pendia de sua mandíbula assassina. Quase todas as noites sonho com aquela cena. Às vezes, ainda tenho nos olhos a imagem do cão ensanguentado me encarando quando acordo com gosto de sangue na boca, para descobrir que mordi os lábios novamente durante meu pesadelo. Covarde.

Anos mais tarde, homem feito, descobri minha paixão por voar. Fui um dos primeiros pilotos do Correio Aéreo Nacional. Levava mensagens e cargas a todos os cantos do país. Na eterna solidão dos voos, sentia-me transformado em um deus alado, fazia minhas as asas do meu avião e corria pelos céus só meus. Voar pelo azul infinito era o mais próximo que eu jamais chegaria do paraíso.

Eu levava a carga mais preciosa da minha carreira quando uma tempestade decidiu que não havia espaço no céu para falsos deuses. A floresta que cobria aquelas montanhas assistiu impassível à luta que se travava logo acima. Entre rajadas de vento, relâmpagos e trovões, lutei com todas as forças. Esquivei, subi, mergulhei. Levei minhas asas ao limite, mas eu jamais seria páreo para deuses verdadeiros. Tempestades são punhos que golpeiam os aviadores, mostrando que não passam de homens tentando imitar os deuses. Tolos.

Lembro-me de acordar na manhã seguinte. Sobreviver tinha sido o prêmio por meu desempenho contra a tempestade. Um sol pálido encontrava frestas por entre as folhas e riscava o ar da floresta com mil pontos de luz. O suor da luta da noite anterior ainda gotejava nas árvores ao meu redor. Não havia sinal da tempestade. O deus do trovão seguira adiante em busca de outro desafiante à altura. Ao meu redor, eu ouvia uma orquestra de pássaros, insetos e macacos; todos comentavam sobre o falso deus que caíra dos céus. Não muito distante, havia uma cachoeira, emprestando um ruído constante àquela multiplicidade de sons. A algazarra da floresta lembrava uma avenida de cidade grande, todos os sons engarrafados no mesmo lugar.

Meu avião jamais voaria novamente, o motor estava destruído, óleo e combustível se espalhavam em volta dos destroços, mas minha carga estava intacta, outra bênção dos deuses. Eu ainda analisava meu equipamento, buscando uma forma de sair daquele deserto verde e fazer minha entrega, quando ouvi uma voz de criança: “Anauê” – e a floresta se petrificou em total silêncio.

Olhei ao redor, tentando identificar de onde teria surgido aquela voz. Ninguém. “Quem está aí?” – perguntei, rasurando aquele silêncio unânime. O vazio de sons era palpável, como mergulhar a cabeça num lago tranquilo, sentindo a linha d’água envolvendo o rosto, calando o mundo. Virei-me mais uma vez, olhei para os lados. Ninguém, apenas o eco do nada. Quando me virava pela terceira vez, a poucos metros do meu avião, eu o vi.

Era apenas um menino, um menino ruivo. A pele parecia suja, meio fuligem, meio esverdeada, como se o musgo das árvores tivesse decidido recobrir também aquela criança. “Como não pude vê-lo antes? Ele estava bem na minha frente”, pensei. Olhei em volta novamente para saber se havia mais alguém com ele. Ninguém. Com certeza não era índio. “O que um menino estaria fazendo sozinho no coração da floresta? Por que os animais, o vento e as águas haviam se calado?”. As dúvidas se multiplicavam na minha mente quando ele falou de novo: “ndê zanikó nikarê aicó?”. Pela entonação, pareceu uma pergunta.

Ele tinha os olhos vermelhos e brilhantes, como as brasas de uma fogueira à noite, e me estudava intrigado. Inclinou a cabeça para o lado e ouvi novamente a pergunta: “ndê zanikó nikarê aicó, anhan’guera?”, mas os lábios do menino não se moveram. De algum modo, eu o ouvia na minha mente, mas o que mais me espantou foi que comecei a compreendê-lo.

“Caçador? Não, não sou caçador” – disse em voz alta, sem saber se ele entenderia.

“Verdade?” – respondeu devagar e seus olhos flamejaram diabólicos. Um imenso porco do mato surgiu não sei de onde, bufando e babando, vindo em minha direção, presas compridas como baionetas.

“Sim! Sim! É verdade. Sou apenas um mensageiro. Preciso ir para a junção dos rios Urucu e Coari” – respondi, apontando para minha carga, uma grande mala de couro, e dando alguns passos atrás.

“Eu não acreditaaaarrrrr” – abriu a boca pela primeira vez, e a voz de trovão do menino demônio rasgou a floresta silenciosa como um raio. Naquele instante, o imenso porco do mato avançou sobre mim. Diante dos meus olhos ele cresceu, e cresceu. Transformou-se na figura fantasmagórica do cachorro assassino que me assombrava desde criança. A fileira de dentes me sorria ainda manchada de sangue, como se tivesse acabado de destroçar o corpo do meu amigo, e agora quisesse também o meu pescoço.

Corri. Minhas pernas vacilavam enquanto tentava chegar ao avião. O cachorro avançava feroz. Pulei para detrás dos destroços. Em meu desespero, num relance, vi que o menino de cabelos de fogo sorria; e o reconheci; era meu amigo de infância, morto por aquele mesmo cachorro. Fixei o olhar por uma fração de segundo – “Pedro?” – pensei.

Pulei para dentro da fuselagem, buscando algo com o que me defender. A grande cabeça do animal se enfiou pela janela do avião e abocanhou minha perna esquerda. Arrancou um grande naco de carne. Gritei de dor, e o menino do lado de fora soltou uma gargalhada metálica.

Arrastei-me para o fundo do avião. Enquanto me afastava de costas, ia jogando no cachorro tudo que achava pelo caminho. Encontrei um sinalizador de emergência e mirei. Se errasse, poderia incendiar o óleo e o combustível em volta do avião e transformar aquela fuselagem retorcida em minha própria pira funerária. A dor na perna reverberava pelo meu corpo, fazendo minhas mãos tremerem erráticas. Em minha dor, emoldurada de medo e sangue, senti a visão falhar.

De repente, estava de volta à rua em que cresci. Calças curtas. Ao meu redor, as crianças desesperadas jogavam coisas no cachorro louco que matava nosso amigo, num show macabro de força e morte apenas para os nossos olhos. Olhos. Os olhos do cachorro me encaravam, uma breve pausa naquele assassinato. “Agora ele vai vir me matar” – a frase se repetia na minha mente. “Covarde” – dizia a voz. Naquele breve momento em que o cachorro parou me olhando, meu amigo moveu de leve os braços. “Ele tá vivo!” – pensei, arregalando os olhos. O movimento chamou a atenção do cachorro, que recomeçaria a sacudir-se para terminar seu trabalho. “Ele vai acabar de matar o Pedro!!”.

– NÃÃÃO!!!!! – gritei com toda a força da alma e corri para aquela cena funesta. Rompi a linha das crianças que, a distância, tentava expulsar o animal assassino. Elas pararam de gritar, assustadas com a loucura que eu fazia. Ao ver que eu me aproximava enfurecido, o cachorro soltou meu amigo para se defender do meu ataque. O corpo caiu no chão ensanguentado. A besta retesou os músculos e abriu a boca tingida de morte. Ele viu o ódio nos meus olhos. Agora, quem o encarava diabólico era eu. Minha fúria me fazia grande diante daquele covarde. Medo. Por um breve momento, ele teve medo de mim. Hesitou. Atropelei-o com todo o meu corpo num estrondo, meu joelho bateu com força em seu lado e ele ganiu alto. Rolamos rua abaixo e, quando paramos, o cachorro fugiu assustado. Covarde. Permaneci imóvel, desacordado.

 

Abri os olhos dentro do avião, ainda com o cinto de segurança, no meu assento de piloto. Senti um forte gosto de sangue na boca. Uma dor navalhar pulsava na minha perna, o corte era muito profundo . “Cachorro? Porco? Aquilo foi real? Pedro… eu salvei mesmo ele?”. Minhas memórias se embaralhavam. A imaginação pode moldar a realidade. Não havia sinal de cachorro ou de porco ou mesmo de meninos verdes da floresta. Fiz um torniquete na perna e manquei para fora do avião.

A floresta tinha vida novamente – “ou era a primeira vez que ouvia aquela floresta?”. A algazarra de insetos, pássaros e macacos preenchia todos os espaços. Olhei a minha volta. Um pouco afastado do local da queda vi um porco do mato. “Seria o mesmo?”. Ao menos agora parecia tranquilo. Esfreguei os olhos e, montado sobre o porco, vi o menino dos cabelos de fogo sorrindo. Já não tinha mais o rosto de Pedro.

“Você não caçador” – ele disse.

“Por que seu porco me atacou? Aquilo aconteceu mesmo? Eu salvei o Pedro? Quem é você?” – vomitei minhas dúvidas de uma vez sobre ele, perdido.

“Você bravo guerreiro!” – limitou-se a responder em tom sério.

Olhei de volta para o avião. A grande mala de couro estava intacta. Precisei de um momento para organizar os pensamentos. A dor me atrapalhava a entender o que acontecia. “As vacinas” – lembrei.

“Suma daqui!” – rosnei para o menino – “Preciso entregar minha carga. É muito importante. Não tenho tempo para seus folguedos”.

“Pássaro seu morto” – falou, apontando com o queixo para o meu avião – “Eu levar você”, e bateu no peito, puxando para si a responsabilidade. Olhei de novo para o avião destruído e para minha perna ensanguentada.

Sopesei minhas alternativas, mas, dadas as circunstâncias, não havia mesmo muitas opções a considerar. Peguei a grande mala e comecei a seguir um menino verde, montado num porco do mato. Até aquele momento, eu ainda não havia me dado conta do quão insólita era aquela situação. Foi quando percebi quem era meu guia.

Aquela criança de cabelos rubros tinha os pés ao contrário, os calcanhares virados para a frente. “Curupira” – pensei. Instantaneamente ele me olhou sério, o dedo enriste em frente aos lábios verdes: “Ssshhhhh!” – fez, e sorriu matreiro, como se nunca tivesse tentado me matar com seu porco.

 

Estava em todos os jornais do país. Uma grande epidemia dizimava o alto amazonas: mulheres, crianças, brancos, índios, centenas de famílias morrendo, os corpos tomados por erupções cutâneas se amontoavam, a marca da morte.

Quando parti de Porto Velho, levava no meu avião um lote de vacinas recém-chegadas do Rio de Janeiro, a última esperança da vida contra a morte, a entrega mais importante da minha carreira.  Quando meu avião estava caindo, pensei que comigo caíam as vidas de todas as pessoas que dependiam daquelas vacinas. Seria o maior desastre aéreo da curta história da aviação brasileira: apenas um pequeno monomotor, centenas de mortos.

 

Depois de três dias mancando pela floresta, finalmente cheguei ao meu destino. Enquanto me aproximava do vilarejo, um jornalista que cobria a história da epidemia tirou uma fotografia daquela estranha aparição: um aviador, surgindo no meio da mata, carregando uma mala cheia de vacinas e sendo guiado por um enorme porco do mato. Aparecemos em todos os jornais. Infelizmente, a lente da máquina não foi capaz de captar também a imagem do meu novo amigo Curupira.

Nunca mais sonhei com o cachorro que tentou matar meu amigo. “Tentou?” – ainda me pergunto. Jamais retornei à cidade em que cresci. A vontade de rever meu amigo era menor que meu medo de encontrar uma lápide com seu nome. Nas minhas memórias, embaralhadas pelo Curupira, Pedro se recuperou e cresceu, forte e feliz. Mesmo as centenas de pessoas que salvei naquela ocasião não apagam a sombra de culpa que ainda carrego comigo. Uma vida não vale por centenas, e as centenas de vidas que salvei jamais valerão pela única que deixei de salvar. “Deixei?”. Não voltar foi a maneira que encontrei de manter meu amigo vivo, ao menos em memórias.

Hoje, muitos anos depois, ainda guardo os recortes de jornal daquela e de outras aventuras que vivi nos céus e na terra. Enquanto revia aquela antiga foto, por um breve momento, vi o Curupira sobre seu porco peludo, só para vê-lo sumir em seguida.

“Anauê, velho amigo!”.

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64 comentários em “Culpa Infinita (Thiago de Melo)

  1. Bia Machado
    23 de junho de 2017

    Ah, me esqueci: sobre a imagem, que linda! Dá vontade de pegar o primeiro avião com destino à felicidade! 😉 E também faltou dizer: meus parabéns!

  2. Bia Machado
    23 de junho de 2017

    Que título lindo. O seu texto eu li de forma tão fluente, que achei que fosse curto, depois percebi que não (inclusive quando o imprimi pra ler no trabalho, rs). Achei o início meio destoante do restante do conto, a princípio pensei que fosse algo que ficaria no terror psicológico, mas é um conto dramático, que vai além do suspense e esse início já se relaciona muito bem com o título, mas me deu a sensação de que podia ser algo totalmente contrário, foi o que me prendeu mais durante a leitura. Engraçado, senti algo remoendo cá por dentro, algo como um nó na garganta. Essas sensações não têm preço. Não vi nada de incoerente e o seu conto foi um que trouxe elementos do desafio anterior que se casaram bem com o tema desse.

  3. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    Culpa Infinita (Autopsicografador)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: está lá. Mas também não tem tanta importância assim…

    ASPECTOS TÉCNICOS: o texto é bem escrito, seu principal mérito é resgatar a memória de um arrependimento – quem não o teve? No entanto, o papel do Curupira parece que sobrou do desafio passado, e seu papel de “guia” foi um tanto quanto forçado dentro da estrutura.

    EFEITO: memorável o retorno para fazer o passado diferente. Pouco justificável a lenda insertada no meio da história.

  4. Wilson Barros
    22 de junho de 2017

    Começo violento, sangrento, como os contos de Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues. Os poderes do curupira estão fantásticos nesse conto. É a quinta vez que ele aparece, já deve estar rico e famoso. O conto aqui é ágil, cheio de nuances, digamos assim, em curto espaço. As ideias são ótimas, originais, e de alto valor literário. Suas construções linguísticas são esmeradas e agradáveis de ler. Parabéns.

  5. Fil Felix
    22 de junho de 2017

    Um conto bonito e bem narrado, trazendo uma leitura tranquila. A cena de abertura é bem impactante e o texto levanta questões interessantes, em destaque a culpa. A culpa por ter sido “covarde”, principalmente. Isso me lembra uma citação do Dante, em que o pior inferno está destinado àqueles que ficam em cima do muro, não tomam lados. Nesse caso, o inferno do progonista é esse, pois, ao ver o amigo sendo atacado, sequer fugiu ou partiu pra cima. Algo reescrito pelo Curupira. Outras questões como “quanto vale um vida?” também foram boas. Só senti uma desconexão entre a primeira parte e a segunda. A parte da vacina e da explicação “é um Curupira!” ficaram um tanto didáticas e acho que poderia ter acabado com a nova lembrança, deixando no ar o conteúdo da maleta ou dando a entender que estava relacionado a salvar vidas. Ah, confesso que me senti culpado ao dar uma gargalhada quando li “Anhanguera”. Me lembrei do episódios dos astecas do Chapolin haha

  6. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: a organização das ideias está vinculada ao trauma por que passa nosso protagonista. Assim, quando sua mente se confunde com o acidente e o suposto encontro com a entidade, a organização também muda, torna-se volátil. A imagem do tema é plenamente explorada ao final.

    Aspectos subjetivos: o conto evoca o sobrenatural, elemento quase implícito quando se trabalha com o folclore nacional. Uma vez que a narrativa ocorre na primeira pessoa, é difícil estabelecer limites entre o que é delírio, o que é trauma e o que é resultado do stress pela queda do avião. Não podemos nem ter certeza de que o ataque do cachorro na infância realmente ocorreu.

    Compreensão geral: o resultado, para mim, foi um belo fluxo de pensamentos. O terror psicológico extrapola a perspectiva do protagonista, em determinados pontos, e nos faz questionar nossa própria concepção de realidade.

    Parabéns e boa sorte.

  7. Raian Moreira
    22 de junho de 2017

    Um bom conto que apresenta um drama pessoal ,as recordações,o passado está presente definitivamente na trama, bem legal.
    A narrativa ficou bem fluida e agradável, o texto foi revisado minunciosamente. A leitura ficou fluida e simples. No geral merece um parabéns.

  8. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Autopsicografador,

    Parabéns pelo seu conto, achei bastante tenso em algumas partes.
    A redenção do personagem principal ficou bem interessante.
    A ideia de usar o curupira para trazer o javali para dentro da história casou direitinho e não fez nenhum dos aspectos da foto tema do desafio ficar forçado.

    Gostei particularmente de algumas frases:

    “Um sol pálido encontrava frestas por entre as folhas e riscava o ar da floresta com mil pontos de luz.” e ““Quem está aí?” – perguntei, rasurando aquele silêncio unânime.”
    Um abraço!

  9. Antonio Stegues Batista
    21 de junho de 2017

    No inicio da leitura não gostei muito do conto, as repetições da palavra deuses me incomodaram, mas do meio para o final, a coisa mudou, ficou interessante. Achei que foi a melhor adequação à imagem-tema, muito boa mesmo! O enredo e a ideia foram ótimas, menos a repetição de palavras em três parágrafos seguidos.

  10. Sabrina Dalbelo
    21 de junho de 2017

    Olá autor(a),

    Vamos lá… bem, há informação, muita informação!
    Há o amigo morto pelo cachorro, o personagem principal aviador traumatizado com a morte do amigo, a queda de avião, os sonhos, o caipora, as vacinas… salvar vidas e perder vidas.
    Há muita coisa.
    O texto poderia ter acabado várias vezes antes do final eleito pelo autor.
    Nem por isso o texto é ruim. Pelo contrário, o vocabulário é muito rico, não vi erros na escrita e a criatividade é audaciosa.
    Eu voto por enxutar o texto, é que talvez se não precisasse seguir a imagem do desafio e inserir os elementos de lá, ficaria com menos altos e baixos.
    Um abraço

  11. Marcelo Milani
    20 de junho de 2017

    Um ótimo conto que e faz pensar nos parágrafos seguintes. me encheu de suspense mas confesso que me decepcionei com curupira. Você poderia ter feito o aviador voltar no tempo e salvado o amigo tipo um efeito borboleta. Mas fica tranquilo que é sua história e seu conto. Ainda bem que ele voltou para casa.

  12. catarinacunha2015
    18 de junho de 2017

    Título e pseudônimo muito bom. INÍCIO com uma boa frase curta. Antes eu costumava separar o sujeito do verbo com uma charmosa vírgula; como se fosse um leve respiro. Depois levei tanta cacetada dos professores que hoje a danada até me incomoda. O conto me impressionou pela velocidade e intensidade. Difícil escrever assim. Se não fosse isso eu seria chata e pediria para enxugar; só um pouquinho. ATRADUÇÃO DA IMAGEM foi certeira com uma apaixonante lenda brasileira.
    EFEITO montanha russa. Cheio de altos e baixos vertiginosos.

  13. M. A. Thompson
    18 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: total, todos os elementos estão no conto. Um pequenho incomodo pela repetição da palavra mala, mas é coisa pessoal. Não sei se incomodou mais alguém.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): nada que eu tenha percebido ou que comprometesse a leitura. Houve um cuidado com a revisão e a preocupação com a entrega de um conto minimamente polido.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): bastante satisfatório, apesar de – eu – não curtir diálogos em contos, muito menos misturando as linguagens. Mas isto é um particular meu, mais acostumado com livros técnicos do que com literatura.

    * Enredo (coerência, criatividade): como já esclareci em outros comentários com tanta oferta de textos em todos os lugares é cada vez mais difícil encontrar um conto que nos surpreenda por ser criativo.

    De um modo geral foi um bom conto e valeu a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  14. Felipe Moreira
    17 de junho de 2017

    Ler o seu conto foi como assistir um desses monólogos do TED, sabe? Está bem escrito, o narrador parece possuir já uma lucidez capaz de julgar cada etapa vivenciada pelas experiências. E concordo com um dos comentários aqui, o primeiro parágrafo, a culpa, a covardia em observar um amigo ser atacado e a impotência de não poder fazer nada lembrou muito o “Caçador de Pipas”, do Hosseine. Um pequeno episódio como esse reflete por toda uma vida.

    Alguns versos estão muito bons, ricos.

    Parabéns pelo seu trabalho e boa sorte no desafio.

  15. Lee Rodrigues
    17 de junho de 2017

    Caro Autopsicografador, eu gostei do seu conto e recorrer ao recuo dos acontecimentos passados tornou a história mais “natural”, abarcou, do persona, as suas vivências, os seus pensamentos e sentimentos.

    Um texto amadurado no cuidado da pesquisa, onde o autor, habilidosamente, construiu a fotografia/tema de forma convincente.

    A narrativa é fluida, dessas que você vai lendo, se envolvendo e quando se dá por conta, já tá desejando descobrir os próximos acontecimentos.

    Olha, apenas por questão de gosto, já que você deixou tudo tão deliciosamente mastigadinho, falar que ele era um curupira ficou “sobrando”, a não ser que, talvez, se terminasse o conto nesse mesmo paragrafo (“Ssshhhhh!” – fez, e sorriu matreiro, como se nunca tivesse tentado me matar com seu porco), teria valorizado mais a relação entre eles, e de quebra, ficaria um pouquinho solto para quem quisesse imaginar. Mas, isso é só questão de gosto.

  16. Elisa Ribeiro
    16 de junho de 2017

    Olá Autor! Gostei do seu conto. Bom aproveitamento da imagem do desafio, narrativa fluida e agradável, texto bem revisado. Leitura muito boa. O enredo ficou bem estruturado, ambientação convincente, personagens cativantes. Confesso que gostei mais do Curupira do que do aviador e acho que ele poderia ter tido mais destaque na trama. Achei a narrativa em certa medida ingênua e a culpa do personagem principal, embora seja o assunto principal do seu conto, me pareceu um pouquinho forçada para criar simpatia com a trama por parte dos leitores. Para o meu gosto, o conto ficaria melhor sem isso. Uma bom trabalho, todavia. Boa sorte no desafio! Abraço.

  17. Pedro Luna
    16 de junho de 2017

    Infelizmente não gostei muito. Acho que no fim das contas o conto ficou um samba cheio de elementos, e isso me desagradou. Inicia explicando o passado do sujeito, depois ele vira aviador e cai na floresta, surge o menino e o porco, depois rola um flashback realidade ou não? E ainda tem espaço para se enfiar uma situação de saúde pública, e a revelação da missão do protagonista, e depois ainda se revela que o menino é o curupira. Enfim, eu acho que essa junção de ideias tirou a força do principal ponto do conto, que é o trauma do cidadão com a situação do cachorro e do amigo (ainda que exista em abundância no conto, depois que surge o menino e o porco, tudo fica irreal demais, tirando força dessa carga humana do personagem), pois a situação das vacinas me soou menor e meio forçada para encaixar a imagem do desafio.

    Não gostei da história, mas a escrita é boa e faz o leitor deslizar os olhos pelas palavras sem problemas.

  18. Victor Finkler Lachowski
    14 de junho de 2017

    Olá autor/a.
    Seu conto possui uma estória simples, simplicidade bem feita, por sinal, é narrada de maneira excelente e muito tocante. O uso de tupi-guarani indica muita pesquisa e dedicação ao conto, enriquecendo esse ainda mais.
    O conto narra muito bem o trauma do protagonista e sua redenção, mesmo que não total, é muito crível tudo isso, graças ao desenvolvimento do personagem.
    Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  19. Priscila Pereira
    14 de junho de 2017

    Oi Autopsicografador, seu texto foi muito gostoso de ler, muito poético, sentimental, profundo e simples. Dá pra sentir toda a culpa, a dor, o remorso do protagonista. Posso dizer com certeza que, pra mim, o seu curupira foi o melhor personagem folclórico que apareceu, tanto nesse, como no desafio passado. Parabéns!!

  20. Cilas Medi
    13 de junho de 2017

    O máximo, uma leitura simples, linear, segura, coerente e inteligente, mesclando um passado ruim (ou bom) e um presente aflitivo e cheio de suspense. A narrativa nos prende do começo ao fim, sendo esse totalmente coerente com o medo constante do protagonista. Nenhum erro de ortografia, uma acurada revisão, melhora ainda mais o conceito do autor, respeitando totalmente o desafio. Vale também para o desafio do Folclore Brasileiro. Parabéns e boa sorte.

  21. Gustavo Araujo
    13 de junho de 2017

    Melhor primeiro parágrafo entre todos os contos. A cena do cachorro atacando o amigo enquanto o narrador se acovarda é fenomenal, retratando todo o medo e covardia que nos atacam na idade mais tenra. Essa premissa me lembrou bastante de “O Caçador Pipas”, quando algo terrível ocorre ao amigo do protagonista e ele sucumbe ao medo e à vergonha. Mas, voltando ao texto, essa ideia inicial elevou minhas expectativas. Em seguida vê-se o aviador – pioneiro do CAN – aterrissar na mata (confesso que quase escrevi um conto com essa premissa) e encontrar um menino misterioso. Impossível não lembrar de O Pequeno Príncipe. Na obra de Exupéry, porém, a abordagem que se segue trata do tempo, ou melhor daquilo que em termos filosóficos realmente importa na vida, já que tudo é tão breve. Aqui neste conto, a vertente é outra, puxando mais para o lado da redenção pessoal, do exorcismo dos fantasmas pessoais, da necessidade que temos em chegar a bons termos conosco mesmos. Nesse aspecto, foi bem engenhoso trazer à vida o Curupira, num contexto que, ao contrário do que se poderia imaginar, não pareceu algo requentado do desafio anterior. Exatamente por isso, a entrada em cena do javali pareceu natural, perfeita até, culminando na entrega das vacinas às comunidades ribeirinhas da nossa Amazônia. Uma ideia invejável. O senão – sempre os há – fica por conta da relação do moleque com o homem, justamente a parte mais emblemática de O Pequeno Príncipe. Talvez por conta do limite exíguo do desafio, a amizade entre eles foi retratada de um modo um tanto superficial. A fala do curupira também não me cativou como eu gostaria. Vi nos comentários que você, caro autor, pretendia escrevê-la toda em tupi, mas que o tempo para tanto era insuficiente. Bem, fica a dica para que você retrabalhe o texto e invista nesse aspecto, tornando o texto ainda melhor. Enfim, um ótimo trabalho que merece mais investimento para se tornar excelente. Selva!

    • Autopsicografador
      13 de junho de 2017

      Obrigado pelo seu comentário, amigo Gustavo.
      Quando acabar o desafio, já decidi contratar seus serviços de editoração para melhorarmos esse texto juntos!

      Nesse meio tempo, já estou buscando novas fontes de pesquisa:

  22. Rubem Cabral
    13 de junho de 2017

    Olá, Autopsicografador.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Estão no conto todos os elementos da imagem-tema: homem, mala, javali, mata.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    Não observei erros para apontar. O conto está muito bem escrito.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    O personagem-narrador foi bem construído: ele tem algumas camadas. Talvez pq a história não se passa nos dias de hoje (o surto de varíola dá uma pista), o uso da palavra “folguedo” não me soou anacrônico. Ficou bom, na verdade.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O enredo, com um aviador nobre e heróico, com infância e menino no mix, dá-me uma pista sobre o possível autor, hehe.
    A história é boa e conseguiu encaixar os elementos do tema de forma criativa, sem forçar a mão. Minha única crítica seria para as falas do Curupira. Ora, se de início este falava tupi, pq quando o homem passa a compreendê-lo em sua mente o português da criatura passa a ser precário, tipo indígena de filmes?
    É um detalhe pequeno, mas penso que ficaria melhor não ceder ao estereótipo.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Autopsicografador
      13 de junho de 2017

      Meu amigo Rubem, obrigado pelo seu comentário.

      Apresento abaixo algumas considerações sobre as falas do curupira, para tentar tirar as suas dúvidas.

      Na pesquisa que fiz para escrever essa história, descobri que em Tupi-Guarani não existe o verbo de ligação “ser”. O verbo “ser” é subentendido a partir da justaposição de substantivos, adjetivos, pronomes, etc.

      “Porém, em tupi não existe o verbo ser.”; “Subentendemos o verbo ser, que em tupi não tem correspondente.” (Fonte: http://tupi.fflch.usp.br/node/16).

      Eu queria ter colocado o curupira falando somente em tupi na história toda, mas o prazo para envio do conto não me permitiria tamanha audácia. E eu também não queria colocar palavras quaisquer, apenas para “fingir” que o curupira estava falando tupi. É por isso que todas as frases em tupi no texto, estão em tupi meeesmo.

      Então, na história, quando o curupira começa a falar em português, eu não poderia colocá-lo falando em português, digamos, “normal”. Parte importante da construção de um personagem é sua forma de falar, que deve ser um reflexo de quem ele é. Assim, quando o curupira fala em português, ele fala um português que segue as regras do Tupi, ele fala em português tal qual falaria em Tupi, no caso: o verbo “ser” subentendido a partir da justaposição de substantivos, adjetivos, pronomes, etc. Daí as falas: “você bravo guerreiro”; “você não caçador”; “pássaro seu morto”.

      Quanto à fala dele parecer a de indígenas de filmes, também tentei me afastar desse estereótipo. Foi por isso que dei preferência ao pronome “eu”, em vez de “mim”, na frase: “Eu levar você”. Fiz essa escolha justamente porque achei que escrever “mim levar você” seria esteriotipar demais o personagem, o que fugiria totalmente da essência quase “real” que o curupira tem nessa história.

      Obrigado mais uma vez pelo comentário. Fiquei curioso para saber se você descobriu mesmo a autoria.
      Até mais.

  23. Luis Guilherme
    12 de junho de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Gostei! Sendo sincero, a impressão que fiquei é de que a história é um tanto quanto simples, sem grandes acontecimentos. Normalmente, quando comento isso, é num tom mais crítico, porém, nesse caso, é um elogio. A simplicidade do conto é o ponto forte. Tem um sabor singelo e puro, não sei. è uma bela história, o folclore foi bem utilizado, a imagem tema apareceu bem, é criativo e a linguagem é agradável.

    O texto possui diversas belas construções.

    Não notei grandes erros gramaticais ou estruturais.

    Parabéns e boa sorte!

  24. Brian Oliveira Lancaster
    12 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Segundo propensos especialistas, textos com sonhos são odiados por nove à cada dez pessoas, pois engana o leitor. Aqui o autor se saiu bem nesse sentido, pois faz parte do contexto e se encaixou bem no que vinha sendo apresentado. Foi uma forma criativa e diferente de apresentar a foto (correio e jornalismo), mas que se encaixaria melhor no desafio passado. No entanto, a essência está bem presente, um tanto folclórica, mas não deixa de ser uma abordagem diferenciada.
    G: Em certas passagens em lembrou do filme Náufrago, e a ânsia do protagonista em salvar a mercadoria. Gostei da metáfora dos medicamentos; equivalente às vidas humanas. Suas ações ganham um peso maior. O texto dá uma leve acelerada no início, mas depois volta a ficar cadenciado.
    O: Notei certa indecisão de presente/passado em certas passagens, mas que não chega a atrapalhar o contexto.

  25. Andreza Araujo
    11 de junho de 2017

    Certamente um texto envolvente, criativo e bem narrado. A história é deliciosamente confusa, mas de um modo que o leitor não se perde (até a minha frase ficou confusa hausehaus).

    Em alguns momentos no início da narração, achei a leitura um pouco travada pelo excesso de pontos finais. E a passagem do cachorro no primeiro parágrafo parece deslocada, quando então mais para o final entendemos com perfeição a sua importância.

    Interpretei que aviador não voltou no tempo para salvar o amigo, pois se tratava de um desafio do Curupira. Mas o fato do homem ficar em dúvida e o texto deixar isto aberto é fascinante.

    Ponto alto para o modo como você criou a figura do desafio, mergulhando lentamente naquela realidade, e ainda acrescentando um ser “invisível” na foto. Também gostei da criatividade ao colocar na mala algo realmente importante, trouxe mais veracidade e emoção ao texto, fazendo com que o leitor torça pelo sucesso do personagem. Excelente texto, um dos meus preferidos até o momento.

  26. Olisomar Pires
    10 de junho de 2017

    1. Tema: Adequação presente com variação.

    2. Criatividade: Muito boa. Sujeito sofre acidente aéreo, se encontra com ente folclórico ou assim imagina, e cumpre sua missão.

    3. Enredo: Muito bem desenvolvido. Parte de um trauma pessoal de infância e avança para evidenciá-lo novamente em momento de tensão máxima.

    Belas imagens construídas durante o texto. Gostei especialmente dessa:

    – “…como mergulhar a cabeça num lago tranquilo, sentindo a linha d’água envolvendo o rosto, calando o mundo.”

    Há outras.

    Concordo com uma colega quanto a parte final ser um pouco prolixa, mas é direito do autor se estender.

    4. Escrita: Muito boa. Firme, tranquila, fluida.

    5. Impacto: alto.

    Talvez um único “senão” seria a adoção de um tom meio sentimental demais em relação a salvar vidas e coisa e tal. No mais, um conto muito bom.

    Parabéns.

  27. Givago Domingues Thimoti
    8 de junho de 2017

    Adequação ao tema proposto: Alto
    Criatividade: Alta.
    Emoção: É possível sentir a culpa do narrador e como o incidente afetou a vida dele.
    Enredo: Para mim, . As digressões no tempo não ficaram confusas, fato que considero o grande ponto do conto. A trama não é chata e o estilo de escrita prende a atenção do leitor. A única coisa que eu não achei positivo, mas muito mais pelo gosto pessoal e estilo, foi o uso de algumas palavras mais rebuscadas, como por exemplo, “sopesei”. Reitero que essa observação é mais gosto meu do que erro do autor.
    Gramática: Impecável!

  28. Afonso Elva
    8 de junho de 2017

    Gostei da visão que teve do curupira, me pareceu bem crível. Só atento para o momento em que o protagonista sonha no avião destruído, afinal, quanto tempo o cidadão ficou ali sangrando??Talvez uma frase que relacionasse o tempo real e o sonho de um jeito mais atemporal resolvesse. Outro mérito do trabalho, que é especialmente oportuno, é o fato do conto ter apresentado o personagem brasileiro de um jeito bem natural. é assim que se faz! Sem aquele incômodo “bom mocismo” de banca de jornal.
    Forte abraço

  29. juliana calafange da costa ribeiro
    8 de junho de 2017

    Acho q o conto estaria melhor em 3ª pessoa. “Ao meu redor, eu ouvia uma orquestra de pássaros, insetos e macacos; todos comentavam sobre o falso deus que caíra dos céus.”; “Não muito distante, havia uma cachoeira, emprestando um ruído constante àquela multiplicidade de sons.”, são construções que cabem mais a um narrador externo do que ao próprio protagonista. Da mesma forma, me pareceu estranho que o piloto, sendo o próprio narrador, descreva de forma tão superficial o encontro, no meio de uma floresta cerrada, com uma criança de pele esverdeada e olhos vermelhos, acompanhada de um feroz javali. Se fosse ele mesmo que tivesse vivido essa situação, imagino que descreveria de forma mais emocional e menos descritiva.
    A utilização da imagem-tema foi bem criativa, sendo a mala uma mala para transporte de vacinas e o javali sendo o parceiro do Curupira. A criatura “testa” o piloto para saber se é um homem bom e sincero e, constatando isso, o ajuda a salvar a vida de muitas pessoas com as vacinas. E, ao mesmo tempo, ajudá-lo a curar um trauma de infância. Quase hollywoodiano. Uma singela premissa, uma bela fábula, talvez para um público juvenil. A mensagem é bem construída.
    Mas, em minha opinião, o conto podia terminar no momento em que todos saem juntos, o Curupira guiando o piloto em sua missão, com a frase “Instantaneamente ele me olhou sério, o dedo enriste em frente aos lábios verdes: “Ssshhhhh!” – fez, e sorriu matreiro, como se nunca tivesse tentado me matar com seu porco.”. FIM. Todo o resto é desnecessário.
    Boa sorte!

  30. Iolandinha Pinheiro
    6 de junho de 2017

    Bem legal o seu conto. A culpa e os eventos que se seguiram ao acidente se sobrepuseram numa mistura homogênea que resultou num conto muito legal. A utilização do curupira para trazer o javali para dentro da história foi uma ideia muito criativa, parabéns por isso. A introdução foi longa com o uso de construções líricas em excesso, mas isso não fez a narrativa ficar tediosa. Gostei da sua escrita, amigo. Percebi um “enriste” quando deveria ser “em riste”, mas é apenas um detalhe que será eliminado após a revisão. Sua leitura é envolvente e a culpa do menino permeou todo o texto de maneira a justificar o título, especialmente porque ele nunca conferiu se Pedro havia escapado depois da alucinação que teve em que defendia o amigo. Um ótimo conto. Abraços e sorte no desafio.

  31. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Um conto fluido, criativo e que mistura a nossa riqueza folclórica com o novo desafio javalino. Ficou bacana esse quase retorno ao desafio anterior. Um conto bem redigido e com uma estrutura legal, linear caminhando do seu princípio até o final sem sobressaltos. Ficou interessante esta mistura de sonho e realidade que você foi pincelando ao longo da história. Uma redenção heroica e bacana que acabo de ler. Abraços de parabéns.

  32. Evandro Furtado
    4 de junho de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O autor se apropria da imagem com propriedade para construir seu conto. A inserção do folclore é muito bem feita, e ele é capaz de gerar uma explicação interessantíssima para uma imagem que, a priori, é quase inexplicável.

    C: O autor trabalha com dois momentos da história e balanceia ambos tanto na questão do enredo como na construção do personagem. A motivação do personagem vem da infância. O fato de ter falhado com o amigo faz com que ele não mais desista de qualquer missão que tome como sua.

    F: O conto é construído como um quebra cabeça, de forma não-linear, e isso faz com que o leitor abserva, pouco a pouco, informações sobre a história. Essa estrutura é muito interessante e faz com que a leitura se torne prazerosa.

  33. Gilson Raimundo
    3 de junho de 2017

    Um bom conto que traz um drama pessoal, faz a gente delirar junto ao piloto. Tem um confronto direto dele com suas recordações, ele tem que provar seu valor a si mesmo e a seu novo amigo. A doença e o proposito da viagem é um brilhante pano de fundo. O uso dos mitos brasileiros engrandece nossa literatura.

  34. Roselaine Hahn
    3 de junho de 2017

    Olá, muito bom o conto, gostei do drama psicológico do personagem, de medos e culpas; o ataque na floresta, terá sido o ataque da fera ou da mente dele? Muito interessante esse contraponto. As palavras, quando devidamente escolhidas e colocadas, ressoam nos ouvidos como música, foi o que escutei quando li :”perguntei, rasurando aquele silêncio unânime”, um primor. Tens talento para a coisa, a história está bem contada, bem estruturada do início ao fim, me envolvi no drama do aviador, e gostei do revival do folclore. Parabéns.

  35. Jowilton Amaral da Costa
    2 de junho de 2017

    Conto muito bom! Até a metade do conto, eu diria que está excelente. Ótimas cenas e uma narrativa veloz e com muito fôlego para ação. Do meio para o fim, o conto dá uma amornada, deu uma puxada para o sentimentalismo. Acho que é o terceiro conto que leio com personagens do folclore brasileiro, e para minha surpresa, gostei de dois dos que li, este e um outro sobre um colecionador. Boa sorte.

  36. Marco Aurélio Saraiva
    1 de junho de 2017

    ===TRAMA===

    Gostei pra caramba! Você encaixou tudo direitinho: o homem, o javali, a mala… tudo tem seu valor no conto, nada deixou a sensação de ter sido “jogado” no texto de qualquer forma. Até mesmo a forma de se vestir é justificada: afinal, o homem era um aviador!

    O conto é fechadinho: início, meio e fim. Uma boa leitura, rápida e empolgante. Parabéns!

    A única coisa que me incomodou foi você ter deixado CLARO que era o curupira. Não era necessário explicar isso: estava óbvio para o leitor que se tratava de uma figura folclórica. Talvez fosse o suficiente apenas descrever as pernas ao avesso. No conto, quando você diz que era o curupira, o leitor já sabe da informação há muito tempo, então a frase soa como uma afronta, do tipo “olha, se você foi lerdinho e não entendeu, vou explicar: esse aqui é o curupira, tá?”

    ===TÉCNICA===

    Demais! Você escreve MUITO bem, com facilidade e harmonia, e construções maravilhosas. Não vi erros de português. Foi uma leitura fluida e excelente!

    Alguns trechos eu até separei para destacar:

    “A algazarra da floresta lembrava uma avenida de cidade grande, todos os sons engarrafados no mesmo lugar.”

    “Ninguém, apenas o eco do nada.”

    “A besta retesou os músculos e abriu a boca tingida de morte.”

    A única coisa que incomodou na sua escrita foi a repetição constante do conceito de deus. “Falso deus” pra cá, “Falso deus” pra lá… teve uma hora que cansou, mas nada que atrapalhasse muito o conto.

    ===SALDO===

    Muito positivo! Um dos melhores que li por aqui!

  37. Neusa Maria Fontolan
    1 de junho de 2017

    Caapora ou curupira não me importa qual seja. O conto é ótimo de uma história bonita, bem escrita e um enredo ótimo. E eu adorei a introdução do folclore nele.
    meus parabéns
    sucesso no desafio

  38. Anorkinda Neide
    31 de maio de 2017

    Olá!
    Nossa, que texto bonito, todo trabalhado na poesia 🙂
    Novamente Terra dos homens de Exupery me vem à cabeça por causa do aviador. Muito boa a cena do cachorro e a culpa do protagonista carregada a vida toda, pq foi um trauma tremendo!
    Gostei do teste do Caapora, foi muito criativo isso. Mas, vc trocou Caapora por Curupira, foi não?
    Mas… depois do teste, quando eles começam a caminhar em direção à cidade, o texto ficou um tantinho corrido, teve q vir a explicação das vacinas, da epidemia e isso veio num outro ritmo diferente do que vinha antes. Isso tirou bastante o brilho que eu vinha percebendo no conto.
    Achei bastante terno saber q a nossa foto proposta pelo desafio na verdade contem um Caapora invisível 🙂
    .
    Anauê, amiguinho! \o/
    Abração

    • Autopsicografador
      1 de junho de 2017

      Oi Anorkinda,

      Você foi a segunda pessoa que comentou que eu teria trocado caapora por curupira. Fiquei muito em dúvida depois desses dois comentários a respeito desse lapso e achei que deveria me justificar e também me desculpar.

      Quando comecei a escrever a história, minha primeira inspiração foi a história de O Pequeno Príncipe. Pensei num aviador que, em vez de cair no deserto, cairia numa floresta, e lá encontraria um menino misterioso. Ok. Mas de onde viria esse menino misterioso? Minha primeira ideia foi o Curupira (floresta+menino+ aparece do nada no meio do mato = curupira). Nesse momento eu ainda nem imaginava de onde tiraria o javali da nossa foto-tema.

      Então, comecei a pesquisar na internet sobre a lenda do curupira. Eu apenas escrevi no google: “curupira” e apareceram inúmeras imagens do menino de cabelos de fogo e pés ao contrário montado num porco do mato. (colei o endereço de diversas dessas fotos abaixo). Quando vi essas imagens já me animei! (O javali vinha de brinde com a ideia do Curupira! EUREKA!)

      Pesquisei um pouco mais e achei alguns sites que julguei confiáveis e que falavam exatamente que o Curupira montava um porco-do-mato. Achei inclusive um curta metragem no youtube que mostra a mesma coisa:

      https://www.youtube.com/watch?v=2-W2LmqjHSI (Curta metragem “O Curupira”);

      http://noamazonaseassim.com.br/a-lenda-do-curupira/ ;
      http://roraimadefato.com/main/2016/02/17/conheca-a-lenda-do-curupira-protetor-dos-animais-e-da-floresta/ ;
      http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/curupira/.

      Então, pode ser que de fato eu tenha feito essa troca que vocês comentaram. Não peguei os detalhes da lenda do curupira em nenhuma fonte oficial, toda a minha pesquisa foi feita apenas na internet e as chances de os sites estarem errados são sempre grandes.

      Peço desculpas pelo meu lapso. Eu só estou respondendo aqui pra dizer de onde tirei as informações e também pra compartilhar com você e com a Evelyn as fotos que vi na internet e que me serviram de base para montar a minha história.
      Obrigado pelo seu comentário.

      Imagens do curupira (com pé ao contrário e tudo), junto com seu porco do mato:















      https://vignette1.wikia.nocookie.net/fantasia/images/d/d9/Curupira3.jpg/revision/latest?cb=20080131152231&path-prefix=pt

      • Autopsicografador
        1 de junho de 2017

        Vish!!! Achei que iam aparecer na resposta só os links para as imagens… (e não as imagens em si…)
        Sorry! 😦

      • Anorkinda Neide
        5 de junho de 2017

        Eu ia fazer uma pesquisa grande sobre os personagens, mas nao tive muito tempo, fiz uma pesquisa pequena.. foi bom pq to com vontade de escrever folclore agora haha achei esta que é uma das mil definiçoes de caapora: ‘O caapora apresenta-se como um moleque pretinho, que cavalga porcos selvagens; mas também pode ser descrito como uma caboclinha de longos cabelos, duros feito espinhos.
        ele é um duende protetor da floresta e da caça. Daí alguns autores o identificarem com o curupira.’
        Já, segundo pesquisas, somente o curupira tem os pés virados pra trás… pelo visto, do tanto de imagens q conseguiste, o povo moderno tem misturado estes dois personagens, transformando-os num só… um Caarupira.. hehehe
        portanto vc nao errou, apenas propiciou maior conhecimento de um conhecimento popular q por ser orgânico está sempre se transformando e modifica tb conforme a região deste vasto Brasilzão.
        Abraço, autor

  39. Evelyn Postali
    31 de maio de 2017

    Oi, Autopsicografador,
    Gramática – Não percebi erros na escrita. Ela é agradável demais!
    Criatividade – Eu gosto muito dos personagens da nossa mitologia e folclore inseridos em tramas nada comuns. Foi algo muito bom de ler. Gostei demais.
    Adequação ao tema proposto – Está adequado, muito embora o porco do mato, ou javali, pertença ao Caapora, que não tem os pés voltados para trás, nem tem os cabelos vermelhos, segundo todos os registros. Tanto o Curupira quanto o Caapora, no entanto, gostam de pinga e de fumo. Por isso, confundem os dois. O Caapora é um habitante da mata. Ele é considerado um índio pequeno.
    Emoção – É um torcida ferrenha até o fim para que o aviador chegue ao seu destino e saia da floresta, porque, fiquei apreensiva pela presença do Curupira, que engana caçadores e viajantes, e os faz se perderem dentro da floresta com sinais e assovios falsos.
    Enredo – Começo, meio e final feliz do jeito que gostamos porque as coisas estão complicadas.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

    • Autopsicografador
      1 de junho de 2017

      Oi Evelyn,

      Obrigado pelo seu comentário.

      Como você e a Anorkinda fizeram comentários parecidos quanto à mistura entre as lendas, escrevi uma resposta (grande até demais) no comentário dela a respeito.

      Peço desculpas novamente se confundi as lendas, mas coloquei na resposta acima o que me levou a usar a imagem do curupira.

      Obrigado novamente pelo seu comentário!

      • Evelyn Postali
        1 de junho de 2017

        Acabei de ler, Autopsicografador…
        Segundo o Dicionário do Folclore Brasileiro que tenho aqui, em mãos, e que é uma das bases da minha pesquisa, o Caapora é o Caipora, que é o Curupira tendo os pés normais. Copiarei aqui:
        De caá, mato, e pora, habitante, morador. (…) Em qualquer direção, pelo interior do Brasil, o Caapora-Caipora é um pequeno indígena escuro, ágil, nu ou usando tanga, fumando cachimbo, doido pela cachaça e pelo fumo, reinando sobre todos os animais e fazendo pactos com os caçadores, matando-os quando descobrem o segredo ou batem número maior das peças combinadas. O Caipora pequenino e popular é o velho Curupira sem a influência platina que Couto da Magalhães aceitou, e possivelmente representa o Caapora inicial, o selvagem apenas, agigantado pelo medo que espalhava no mistério da floresta. (…)
        Tem muita informação valiosa nesse Dicionário, Autopsicografador. Ele é um baú de surpreendentes criaturas ainda inexploradas.
        Obrigada por replicar.
        Abraços!

  40. Milton Meier Junior
    30 de maio de 2017

    um bom conto, bastante original na utilização da imagem, de leitura fácil e ao mesmo tempo instigante, com ótimas frases. o autor sabe sem dúvida escrever e soube contar a história de forma cativante, prendendo a atenção deste leitor até o final. parabéns!

  41. Jorge Santos
    30 de maio de 2017

    Conto bem escrito, com ritmo. Obrigou-me ao recurso à wikipédia para perceber alguns termos – esta pesquisa tem sido uma constante neste desafio e a aprendizagem recompensadora. A questão da culpa é bem retratada. Muitas vezes somos vítimas da nossa culpa, ao longo da vida. O pensar que poderia ter agido de outra forma em algum momento da nossa existência pode provocar um estado de ansiedade bastante grande, em especial quando estão em causa vidas humanas. Gostei do confronto com o sobrenatural e a forma como a personagem cresce e amadurece. A ideia do sacrifício pessoal para salvar outras vidas e assim expiar a sua culpa é o lema do conto e está bem exposto no texto. Mais uma vez o javali tem a oportunidade de provar carne humana (sempre a perna), o que é quase uma constante nos contos mais fortes.
    Anauê, Autopsicografador.

  42. Vitor De Lerbo
    30 de maio de 2017

    O texto é ótimo, flui muito bem e o(a) autor(a) soube trabalhar com maestria a intercalação de passado, presente e “realidade paralela”.

    A estrutura segue quase à risca a jornada do herói. Conscientemente ou não, isso foi feito com competência.

    Destaco também o trabalho de pesquisa necessário para a realização desse conto, mesmo que ele não esteja tão explícito no texto. Claramente a história se passa no passado, tratando de alguma doença que teve uma epidemia ferrenha no Norte do país. Gosto quando casos reais influenciam a ficção.

    Boa sorte!

  43. angst447
    29 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    O título já nos revela que há culpa, remorso, na trama. E como é infinita, a causa deve ter sido algo grave. No entanto, a expressão “culpa infinita” soa tragicamente bela.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado de forma bem original, mesclando os elementos da imagem com outros que não nos seriam perceptíveis a princípio. Ponto para você.
    Não encontrei falhas na estrutura do conto ou lapsos ortográficos notáveis. Salvo o dedo enriste – no caso, seria dedo em riste. Até existe o verbo “enristar”, mas não é o apropriado aqui.
    O ritmo da narrativa é bom, somos conduzidos pelo Curupira e seu porco selvagem, finalmente o final chega, sem o extermínio da culpa, mas com algum alívio conquistado pelo bem realizado.
    Boa sorte!

  44. Sick Mind
    29 de maio de 2017

    O cara cai de avião numa floresta e as vacinas não se quebram? Após 3 dias sem refrigeração elas ainda estão boas?

    O conto é bem estruturado, bem pensado, bem desenvolvido. A narrativa vai e volta de forma tranquila, tudo se liga, o curupira se integra bem a trama, não notei erros… só essa questão das vacinas que não me caíram bem

    • Autopsicografador
      29 de maio de 2017

      Olá Sick Mind,

      Para tirar a sua dúvida quanto à parte das vacinas, acho que cabem alguns esclarecimentos.

      A história se passa nos anos 30/40. A indicação para essa informação acontece quando o personagem principal diz: “Fui um dos primeiros pilotos do Correio Aéreo Nacional”. O CAN foi criado em 1931. Outras indicações para a “datação” da história são a comparação das presas do porco do mato com “baionetas”, bem como a expressão “folguedos”, que tirei de uma coleção de histórias para crianças gravada nos anos 50.

      A doença em questão é a varíola. A sugestão para isso está em “os corpos tomados por erupções cutâneas se amontoavam, a marca da morte”.

      Quanto às vacinas especificamente, a vacina contra a varíola foi desenvolvida inicialmente em 1776. (ou seja, nem que quisessem haveria refrigeração). Em minha pesquisa, encontrei informações a respeito do uso das vacinas contra a varíola no Brasil ainda na época do início do Império. O governo imperial chegou a pedir oficialmente à Faculdade de Medicina da Bahia um parecer a respeito da vacinação contra a varíola ainda no ano de 1839. (Fonte:http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v10s2/a02v10s2.pdf) Então, a falta de refrigeração, ao menos para o contexto específico dessa história, não era um problema.

      Achei que entrar demais nesses detalhes no conto seria desnecessário para a essência da história e acabaria atrapalhando a narrativa, mais do que ajudando, por isso os omiti.

      Por fim, as vacinas não se quebraram na queda do avião porque estavam muito bem acomodadas dentro de uma enorme mala de couro super resistente hehehehehe. (e também porque o autor não quis).

      Obrigado pelo seu comentário. Espero ter tirado as suas dúvidas.

      • Sick Mind
        29 de maio de 2017

        Heauheuae esclareceu sim, obrigado. Sobre ter sido um dos primeiros pilotos, não havia prestado atenção nessa indicação como forma de datação do conto. Mas se já existia vacina nessa época e não precisavam ser mantidas refrigeradas, então OK. Sobre a maleta, o que dizer né… não se fazem mais maletas de couro resistente como antigamente!

    • Autopsicografador
      29 de maio de 2017

      Olá Sick Mind,

      Para tirar a sua dúvida quanto à parte das vacinas, acho que cabem alguns esclarecimentos.

      A história se passa nos anos 30/40. A indicação para essa informação acontece quando o personagem principal diz: “Fui um dos primeiros pilotos do Correio Aéreo Nacional”. O CAN foi criado em 1931. Outras indicações para a “datação” da história são a comparação das presas do porco do mato com “baionetas”, bem como a expressão “folguedos”, que tirei de uma coleção de histórias para crianças gravada nos anos 50.

      A doença em questão é a varíola. A sugestão para isso está em “os corpos tomados por erupções cutâneas se amontoavam, a marca da morte”.

      Quanto às vacinas especificamente, a vacina contra a varíola foi desenvolvida inicialmente em 1776. (ou seja, nem que quisessem haveria refrigeração). Em minha pesquisa, encontrei informações a respeito do uso das vacinas contra a varíola no Brasil ainda na época do início do Império. O governo imperial chegou a pedir oficialmente à Faculdade de Medicina da Bahia um parecer a respeito da vacinação contra a varíola ainda no ano de 1839. (Fonte:http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v10s2/a02v10s2.pdf) Então, a falta de refrigeração, ao menos para o contexto específico dessa história, não era um problema.

      Achei que entrar demais nesses detalhes no conto seria desnecessário para a essência da história e acabaria atrapalhando a narrativa, mais do que ajudando, por isso os omiti.

      Por fim, as vacinas não se quebraram na queda do avião porque estavam muito bem acomodadas dentro de uma enorme mala de couro super resistente hehehehehe. (e também porque o autor não quis).

      Obrigado pelo seu comentário. Espero ter tirado as suas dúvidas.

  45. Eduardo Selga
    27 de maio de 2017

    A imagem proposta para esse desafio conduz fortemente ao insólito, embora, é claro, outras leituras possam ser feitas. Mas não a um insólito qualquer, pois não me parece fácil criar verossimilhança interna com os elementos aviador (ou simplesmente homem)-javali-mala-floresta. As soluções podem tender para o absurdo puro e simples e para o forçado.

    “Culpa infinita”, no entanto, foge a esses dois pecados, encontrando uma organização inteligente desses elementos no enredo. Entendo haver certa tendência em considerar a mala apenas complemento ou, por outro lado, repositório de coisas macabras ou insólitas (o corpo esquartejado do conto “Caninos”, por exemplo).

    Em “Culpa infinita” o uso do objeto é até prosaico (vacinas), mas é o que sustenta o fato de o personagem ser piloto. Esse elemento, por sua vez, é a razão da viagem na qual o piloto se acidenta, caindo, “por acaso” numa floresta. E ela contém o porco do mato e seu inusitado amigo, o Curupira, outra opção inteligente, que fez o animal não parecer um elemento gratuito na narrativa. Sim, em matas fechadas existem porcos do mato, mas não com a atitude desse, do conto, o que se explica pelo fato de ser “funcionário” do Curupira, entidade do folclore amazônico e brasileiro. Os elementos, portanto, estão bem amarrados, sem haver nenhuma solução tirada da cartola.

    Em narrativas não é nenhum exemplo de originalidade o remorso advindo da infância, mas isso importa pouco quando a forma, a condução do enredo, apontam para algo inusitado em alguma medida. E isso ocorre na construção de alguns períodos frasais, em que temos ambiguidades exemplificadoras da culpa que o personagem sente, desde a infância. Separemos três casos, em que o narrador-personagem parece estar em dois tempos ficcionais quando adentra os restos do avião. Ele é homem e menino.

    1) “Os olhos do cachorro me encaravam, uma breve pausa naquele assassinato”. O narrador-personagem está se referindo simultaneamente ao cachorro que atacara seu amigo e ao porco do mato que o atacava na fuselagem, no qual ele via os olhos do cachorro.

    2) “‘Agora ele vai vir me matar’ – a frase se repetia na minha mente”. Não apenas é a reverberação do que pensara diante do ataque ao seu amigo: é também a certeza do protagonista diante do porco do mato.

    3) ‘”Covarde’ – dizia a voz”. Essa voz são duas, ao mesmo tempo: do Curupira, com sua “gargalhada metálica” e a voz do protagonista quando menino, diante da tragédia.

    Um detalhe importante: a escolha do Curupira por parte do(a) autor(a) foi providencial por ser também ele um fator de ambiguidade: não nos esqueçamos que segundo a mitologia brasileira (a que chamamos de folclore para alimentar nosso complexo de vira-latas) o Curupira causa confusão em suas vítimas. Assim, temos que as ambiguidades citadas nos três exemplos podem ser resultado do trauma ou da ação do Curupira.

  46. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    27 de maio de 2017

    Olha aí mais uma vez um folclórico!

    É um bom conto, nada grandioso, mas também nada medíocre. É o que chamo de um conto redondinho, as ideias bateram, está bem escrito e bem adequado ao tema. Só não vi motivos para a cena do amigo sendo atacado pelo cachorro atormentar tanto assim o protagonista, a ponto de ele se sentir culpado por não ter ajudado, afinal havia outros garotos. Ficou um tanto forçado essa perseguição pelo pensamento, e as cenas da lembrança alternada com o presente acho que desnecessário e não cativantes. Ficaria mais convincente se o menino atacado fosse o irmão dele, sei lá. E finalmente ao final ele se livra desse sonho recorrente com o cachorro, mas deixou uma dúvida: o cachorro matou ou não o amigo dele?

    Enfim.

    Parabéns!

  47. Leo Jardim
    25 de maio de 2017

    Culpa Infinita (Autopsicografador)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): bem amarrada, conta no início a cena traumática da infância e depois retorna à ela com ajuda do Curupira. Deixar em aberto se ele salvou o menino ou não, principalmente com o próprio aviador preferindo deixar assim (foi uma ótima justificativa).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei a narrativa muito boa, com idas e vindas no tempo, sonhos, devaneios e realidade e isso não ficou confuso. Não peguei nenhum erro que me incomodasse durante a leitura.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): uma forma criativa de unir os temas do desafio anterior com esse.

    🎯 Tema (⭐⭐): um making off muito legal da foto. No caso deste conto, o referência ao desafio anterior não atrapalhou na execução.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um final agradável, bem amarrado. Não é daqueles de explodir cabeças nem de causar grandes emoções, mas é bem executado.

  48. Ana Monteiro
    25 de maio de 2017

    Olá autopsicografador. O seu conto lê-se bem e retrata uma história que prende a atenção. Sequencia-se em bom ritmo e tem lógica narrativa. Passando aos parâmetros de apreciação: Gramática e ortografia, muito bem; Criatividade, rica e presente; Adequação ao tema proposto, sem dúvida; Enredo e emoção, estão lá. No entanto houve qualquer coisa, um não sei quê. A alucinação, ao fugir para o avião, em que vê o amigo morto e comum riso vingativo no lugar do do menino de cabelos de fogo. Não, esta parte não me agradou. Transferir a culpa que se sente, com ou sem razão, para o suscitar dum desejo de vingança por parte daquele em relação a quem o herói se sente culpado, retira-lhe todo o mérito e retrata-o como, ele sim, alguém vingativo. Foi isso o que me desagradou. não altera a pontuação a atribuir, mas não quis deixar de relevar. Boa sorte.

    • Autopsicografador
      25 de maio de 2017

      Querida Ana Monteiro,

      Primeiramente, muito obrigado pelo seu comentário.

      Sempre acho melhor não responder aos comentários dos colegas, mas como você ficou com um sentimento de “não sei o quê” com relação a uma cena específica da minha história, achei importante esclarecer esse ponto.

      Não, de maneira nenhuma. O curupira da história NÃO está se “vingando” do protagonista.

      Nessa história, o herói é colocado diante de dois desafios. O primeiro deles diz respeito a sua habilidade como piloto. E ele passa! Como “prêmio”, ele sobrevive ao acidente aéreo. “Sobreviver tinha sido o prêmio por meu desempenho contra a tempestade.”

      O segundo desafio é apresentado ao herói pela figura do curupira, qual seja: “enfrentar o seu maior medo”.

      O pequeno curupira não teria sequer como saber da história do amigo morto, muito menos querer se vingar do aviador por causa disso. MAS, como figura fantástica presente na história, ele poderia suscitar no personagem principal o teste de enfrentar o seu maior medo. Fosse outra pessoa em seu lugar, o porco do mato poderia ter se transformado em uma aranha gigante, uma barata gigante, um pai violento, um monstro, etc.

      Assim, a gargalhada ouvida não é do amigo em si (que não passava de uma visão do aviador, a personificação de seu maior medo), mas do pequeno demônio da floresta que, naquele momento, imaginava que o herói sucumbiria ao seu teste.

      PORÉM, nosso amigo aviador é colocado novamente diante da cena que o perseguiu a vida inteira, que o consumiu a vida inteira. O medo dele é evidente. A vida toda ele se julgou um covarde por causa daquele momento da vida. Mas, diante de uma segunda chance em relação à mesma situação da infância, ele toma uma nova atitude e enfrenta o seu medo. Com isso, ele PASSA no teste do curupira, que reconhece o feito: “Você bravo guerreiro!”, ele diz.

      Então, não se trata de uma vingança. Jamais!

      “Emprestei” a ideia para esse teste do curupira da antiga história da Esfinge de Édipo. Conforme lembra o Wikipedia:

      “Havia uma única esfinge na mitologia grega, um demônio exclusivo de destruição e de má-sorte” (…) em Édipo Rei, de Sófocles, [a esfinge] pergunta a todos que passam o quebra-cabeça mais famoso da história, conhecido como o enigma da esfinge, decifra-me ou devoro-te: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?” Ela estrangulava qualquer inábil a responder, daí a origem do nome esfinge, que deriva do grego sphingo, querendo dizer estrangular. Édipo resolveu o quebra-cabeça: O homem — engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta, e usa um arrimo (bengala) quando é ancião. Furiosa com tal resposta, a esfinge teria cometido suicídio, atirando-se de um precipício.”

      Na minha história, o pobre curupira não se atirou de um precipício quando o protagonista conseguiu vencer o seu teste, mas, como “prêmio” ao nosso aviador, o pequeno menino verde se propôs a guiá-lo até o seu destino.

      Espero que esse ponto tenha ficado mais claro. Desculpe o tamanho da resposta!
      Mais uma vez, obrigado pelo seu comentário. Espero que, com esse esclarecimento, quem sabe, você possa aumentar um pouquinho a minha nota! 🙂

      • Ana Monteiro
        25 de maio de 2017

        O não sei quê de que falei não iria alterar a minha nota,pois tento dá-la em função dos parâmetros que o Gustavo propôs e que decidi aceitar. Daí a observação vir no final, após a apreciação. Porque existe uma diferença muito grande entre a apreciação formal do conto enquanto “obra” e a opinião pessoal, algo que, a meu ver e no meu caso, deve ficar de fora. A sua nota ficará pois igual e se ler com atenção antes do tal “não sei quê” pode verificar que será bastante boa. Em todo o caso, muito obrigada pela sua resposta. E uma vez mais boa sorte. 🙂

  49. Ricardo Gnecco Falco
    24 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação,
    permitindo-me ampliar meus horizontes literários e,
    assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto
    criativa criatura criadora! Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e
    todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue
    abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e
    próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte
    da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Muito boa. “…o dedo enriste em frente aos lábios…” foi a única passagem que me incomodou, no quesito gramática. Não curti muito a utilização da palavra “folguedos” (em: “…Não tenho tempo para seus folguedos”.”), achei que destoou bastante do discurso escolhido pelo autor para seu texto. Contudo, as descrições que dão abertura ao trabalho e, principalmente as que encontramos nas cenas pré, in, e pós acidente aéreo dão um brilho todo especial à narrativa. Gostoso de ler. Parabéns ao/a autor/a!

    – CRIATIVIDADE
    Muito boa. O primeiro candidato a integrar a lista dos possíveis trabalhos constantes em meu pódio (venho lendo/analisando as obras na ordem de postagem, do primeiro — lá embaixo — até o último, ou seja, ainda estou no meio dos trabalhos). Se o texto foi um ‘aproveitamento’ ou não de algum trabalho feito pelo/a autor/a para algum Desafio passado (cuja temática tratava sobre folclore, se não me engano), não tem importância. E não importa porque justamente este trabalho, ‘ajustado’ ou não para o tema da imagem, ficou muito bem feito. Gostei da forma com que ‘encaixou’ a imagem da foto temática na história e do resultado final. Parabéns.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100%. Temos mala, javali e trajes da foto. E curupiras, vacinas, acidente aéreo, floresta… Uma riqueza só. Nem sei como conseguiu abordar satisfatoriamente tantas imagens e situações em tão pouco espaço. Muito bom.

    – EMOÇÃO
    Ótima. Somos levados pelo narrador-personagem a uma viagem além ainda dos céus. O/a autor/a costura os anos e acontecimentos de forma eficiente e torna todas as passagens críveis, além projetar com facilidade as imagens em nossa mente. Começo, meio e fim repletos de emoções. E emoções diferentes, o que é o melhor.

    – ENREDO
    Aviador pioneiro do país cruza os céus com uma nobre missão humanitária, tendo a mesma interrompida por uma forte intempérie que, fazendo-o enfrentar e superar traumas passados, possibilita ao protagonista leva-lo ao cabo. Boa construção da jornada do herói. Começo, meio e fim bem delineados e final impactante com a cena da fotografia que, até o finalzinho da leitura, nos questionávamos sobre onde/quando/como ela apareceria na história. Parabéns!

    *************************************************

  50. Olá, Autopsicogratador,
    Tudo bem?
    Fico feliz que alguns por aqui tenham escolhido falar de folclore nacional (novamente – rsrs). O Curupira, Caipora, de fato tem um javali. Ótima premissa.
    Seu texto flui bem e a história, bem jovem, se desenrola de maneira agradável e leve.
    Impliquei um pouco com o trecho “o corpo inerte do meu amigo pendia de sua mandíbula assassina”. Puro preciosismo de avaliação dentro do desafio. Bobagem. Só achei estranha a imagem do corpo “pendendo” da boca do cão. Imaginei um cão gigantesco, com um ratinho na boca. Isso não diminui em nada a qualidade do conto. Só citei por achar que a escolha de palavras influi muito naquilo que criamos, e como estamos todos aqui para aprender, resolvi lhe contar a minha sensação ao ler.
    Quanto à história, gostei. O conflito principal é a culpa imensa que o amigo sente por ter visto seu companheiro de infância morrer frente a seus olhos, sem que pudesse fazer algo para ajudar. Esse mote, em si, já é bom o suficiente. A culpa é algo que nos persegue durante toda a vida. Por isso, acho (mas é só a minha opinião), que talvez você pudesse ter suprimido alguns subtemas inseridos à trama. A conexão entre cachorro, Curupira que protege as matas, vacina, aviação, a culpa, o acidente, fica um pouco vaga devido, creio, ao limite de palavras imposto pelo desafio. A gente vota em poucas palavras lá no grupo, mas depois acha o limite insuficiente para tanta criatividade.
    Parabéns pelo trabalho.
    Beijos
    Paula Giannini

  51. Fabio Baptista
    22 de maio de 2017

    Olha, devo admitir que essa foi uma das maneiras mais criativas de se chegar à cena da foto. Mesmo com a recente saturação do tema folclore, nem me lembrava que o Cururipra/ Caipora tinha um porco do mato rsrs.

    No começo, pensei que a narração seguiria o mesmo caminho de outro conto que acabei de ler, apenas descritiva sem diálogos e tal. No meio, estava com a impressão que a cena do cachorro mordendo o amigo ficaria meio deslocada, sem dizer a que veio. Mas depois foi interessante como as coisas se juntaram e a narrativa melhorou com os diálogos e também conseguiu passar a dúvida de “será que aconteceu ou não”.

    Não posso dizer que agradou em cheio meu gosto pessoal, mas foi bem executado dentro da proposta do desafio.

    – uma tempestade decidiu que não havia espaço no céu para falsos deuses
    >>> essa frase ficou bacana

    – riscava o ar da floresta com mil pontos de luz
    >>> outra que gostei

    – falso deus
    >>> essa expressão acabou ficando repetitiva

    Abraço!

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Publicado às 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .