EntreContos

Literatura que desafia.

O Fenômeno de Gramado (Sus scrofa trucidator)

Por quase dois anos, a turística cidade de Gramado vivia sob o domínio total do medo. Os trinta e quatro mil habitantes da pequena cidade gaúcha jamais haviam presenciado algo como aquilo. Para ser sincero, acho que ninguém viu nada semelhante com aquele psicopata.

Eu cheguei um ano antes do início dos assassinatos. Resolvi sair de São Paulo, querendo novos ares e novas experiências. Com o dinheiro que eu ganhei dos meus pais, abri um restaurante/cafeteria e rapidamente consegui fazer sucesso. Não foi tão fácil quanto parece. A culinária tradicional é forte, principalmente para os descendentes de alemães e italianos que vivem aqui. Entretanto, eu logrei na missão de misturar a tradição e a modernidade. Graças a essa combinação, em alguns meses, meu estabelecimento era um dos mais comentados da cidade.

Claro que eu sentia falta dos amigos da cidade grande. Eu lembro que muitos gargalharam quando eu anunciei que sairia de “Sampa” para o interior do Rio Grande do Sul. Acho que foi o Felipe, colega meu da faculdade de gastronomia, que falou, misturando o sotaque paulista com uma péssima tentativa de imitar um gaúcho:

– Bah, meu! O nosso Leozinho quer conhecer a carne gaúcha, tchê! Direto da fonte. Quem pode culpá-lo?

Eu forcei um sorriso. Dos meus amigos, eu era o que menos gostava de namorar. Nunca fui muito de perder meu tempo com mulheres. Eu havia namorado uma vez e não pensava em compromisso sério.

Só que tudo mudou quando Carolina entrou no meu restaurante pela primeira vez.

Acompanhada de umas amigas, por volta das 21h, ela pisou no meu estabelecimento. Calça jeans, bota e sobretudo. A pele do rosto branco estava levemente maquiada e contrastava, de forma hipnotizante, com seus olhos castanhos. O cabelo preto lembrava a escuridão revelada de um penhasco.

Assim que Carolina e seus amigos sentaram a mesa, eu apareci, com um sorriso no rosto e os cardápios nas mãos. Esperei, pacientemente, pelos pedidos delas. Carol foi a última a escolher. Eu notei que ela se demorava numa picanha argentina mal passada. Inocentemente, eu disse:

– A sugestão do chef é a picanha argentina mal passada. – Ela ergueu os olhos e sorriu para mim.

– Bah, quem sou eu para discutir com o chef de um dos melhores restaurantes da cidade?

Voltei para a cozinha e preparei os pedidos com uma vontade bem maior do que a costumeira.  Dosei os temperos com o cuidado digno de um alquimista. Arrumei o prato de Carolina como se fosse servisse à Rainha da Inglaterra.

Chamei o Lucas, um dos garçons, para me ajudar a levar a comida mais a cerveja. Passados vinte minutos, voltei à mesa, perguntando se precisavam de mais alguma coisa:

– Sim. Precisamos que você elogie o chef. Essa é uma das melhores carnes que eu já comi. – Carolina disse, sorrindo, enquanto olhava fundo nos meus olhos.

– Bom, eu agradeço o elogio. – Respondi, sorrindo de volta.

Desde então, Carolina passou a marcar presença constante no meu restaurante. Até que na véspera do Natal, nós nos beijamos. Foi mágico. Eu diria quase perfeito. Teria sido se a policia não tivesse irrompido no restaurante, anunciando que haviam encontrado o corpo desfigurado do Lucas, meu funcionário.

Os policiais estranharam as marcas encontradas no corpo dele. No pescoço, marcas de corrente e de mordidas de um animal. Na altura do tronco, hematomas sugeriam que ele tivesse sido espancado.

A polícia não conseguiu concluir muito. E o mesmo aconteceu com as três seguintes. A pequena cidade começou a criar inúmeras historias e explicações para o ocorrido. A avó da minha namorada jurava que era a volta de uma lenda urbana alemã.

As autoridades encontraram mais pistas quando encontraram um amigo da Carolina nas mesmas situações dos últimos assassinados, mas dois fatos chamaram a atenção dos investigadores. O primeiro foram as fezes encontradas do animal. Os exames de DNA apontaram que o cocô pertencia a um javali. Sim, um javali! Como se não fosse o suficiente, nas costas da vítima, a polícia encontrou um bilhete do assassino se identificando: “Le Sanglier Assassin”, ou “o Javali Assassino”.

O fato é que o nome não inspirou o medo que um serial killer impõe normalmente. Um exemplo é aquele tal de BTK, o estrangulador. É um nome prático que resumia o que ele fazia: “Blind, Torture and Kill” (traduzindo: amarrar, torturar e matar).

Um mês depois que seu codinome foi revelado, o Javali Assassino provou (como se isso fosse necessário) que merecia ser temido. Alguns cidadãos desavisados fizeram piadinhas, tudo pelo humor negro. Gramado nunca mais seria a mesma.

Num belo dia, a irmã de Carolina, Cátia, convidou algumas pessoas para uma trilha, incluindo eu. Ela queria tirar fotos dos amigos em um lugar diferente. Minha namorada estava super animada para ir, mas, no ultimo instante, eu comecei a sofrer uma crise de enxaqueca forte.

Eu tomei tanto remédio que eu apaguei por um bom tempo. Quando eu acordei, Cátia estava desaparecida.

A cidade se mobilizou e iniciaram as buscas pela garota. Foram quinze horas de pura tensão e angustia. A cada segundo que se passava, mas claro ficava que a minha cunhada tinha sido vitima do Javali. Infelizmente, acharam o corpo mutilado de Cátia Bergen ao lado de sua amada câmera.

Como todo bom psicopata, ele precisa aparecer. Por isso, o Javali Assassino deixou uma gravação na câmera da garota. Os boatos diziam que ele segurava a maquina, mostrando pela primeira vez sua aparência. Parecia uma criatura que havia saído dos quadrinhos. Uma espécie de detetive particular que usava uma mascara de gás.

O vídeo tinha apenas trinta segundos de duração. Ao fundo, o corpo desfigurado da garota era saboreado pelo javali. Acho que nem Deus sabe como aquele homem conseguiu adestrar um javali daquele jeito.

O serial killer, com um dispositivo que alterava a voz dele, disse poucas palavras:

– Vocês riram de mim. A cidade não me levou a sério. Vocês acharam que eu estava brincando? Não se brinca com uma força incontrolável da natureza.

O assassino deixou a câmera cair, de forma que ela gravasse a saída dele. Com um estalar de dedos, o javali obediente se juntou ao seu dono.

É incrível como apenas um homem conseguiu amedrontar toda uma cidade. Se bem que uma pessoa não ficou com medo dele. Não. Carolina sentiu pela primeira vez o gosto do ódio.

Eu não podia culpar a minha namorada. Era compreensível o surgimento daquele ódio. Por isso, eu não me opus ao fato da minha namorada comprar uma arma. Nem mesmo que, em um período de oito meses, ela virou basicamente uma psiquiatra especialista em psicopatas. Para mim, era apenas um meio que Carol estava usando para superar a dor.

Nesse ínterim, mais três pessoas foram encontradas mortas. A policia descobriu o dito modus operandi. Ele escolhia as vitimas ao acaso. Primeiro, ele atraia a pessoa. Depois, quando a presa abaixasse a guarda, o Javali Assassino usava uma planta alucinógena, a ayahuasca. Desorientadas, as vitimas eram atacadas pelo javali. Ao serial killer restava aproveitar os últimos momentos das vitimas.

Desde o último assassinato cometido por ele, a minha enxaqueca voltou com força. Para mim, totalmente compreensível, já que os negócios não iam tão bem e eu vivia preocupado com a possibilidade de ser atacado, ou pior, a Carolina sofrer um ataque.

Ao contrário de mim, Carol não demonstrava nenhuma preocupação. Ela estava tentando chamar a atenção do psicopata. Botava nas redes sociais coisas provocando o serial killer, dizendo que ele não passava de um lunático sem ter o que fazer e que daria um fim nele.

Carolina fez isso até o mês passado. Foi quando ela recebeu um bilhete do assassino. No papel escrito à sangue, o psicopata convidava ela para ver quem ganharia um confronto entre os dois. Obviamente, o local seria onde Cátia foi morta. Ele a deixou escolher um parceiro. Eu, prontamente, me voluntariei. Não sei o que se passava na minha cabeça. Vamos dizer que foi o amor.

O dia do encontro chegou num piscar de olhos. Por volta das 20h, eu e Carolina entramos no carro e nos dirigimos ao local. Minha namorada checava a arma a cada cinco minutos. A cada dez via se tinha trago munição suficiente.

Eu encostei o carro no acostamento. Uma cruz com o nome e um tufo de cabelo da Cátia estava fincada no chão.

– Filho de uma puta! – Carolina esbravejou.

Antes de entramos na floresta, ela pegou uma arma e uma lanterna, então me entregou. Depois, tomou um gole da sua água. Olhei para ela e perguntei se estava pronta. Ela se limitou a assentir com a cabeça.

O plano era “simples”. Entraríamos, não ficaríamos mais de dez metros separados e mataríamos o javali e seu dono.

Assim que entramos na floresta, uma névoa forte desceu. Eu me perdi de Carolina. Eu sabia que não adiantava procurá-la. Mesmo com a lanterna, eu não enxergava nada mais do que dez passos à minha frente.  Minha cabeça doía tanto que eu mal conseguia manter os olhos abertos.

Comecei a sentir que eu estava sendo perseguido. Respirei fundo e tentei enxergar algo no breu. A forma de algum animal se aproximava de mim. Por via das duvidas, atirei duas vezes. O que quer que fosse, saiu correndo, provavelmente ferido.

A sensação de medo despertou algo diferente em mim. Eu estava mais atento ao que acontecia. Era a tal da adrenalina, correndo nas minhas veias avisando que o perigo estava se aproximando.

Por duas vezes, eu pensei ter visto o assassino. A sombra de um homem (ou seria um demônio brincando com os meus sentidos?). Eu corria atrás do individuo, batendo em galhos, atirava, praguejava e ouvia a risada dele.

Eu me senti cansado. A cabeça latejava ritmicamente. Eu sentia que ele estava por perto, entretanto, por que ele parecia tão longe? Enquanto eu refletia nisso, ouvi um grito. O grito de Carolina e uma risada fria e seca.

Mais uma vez, eu corri. Desta vez, com uma direção certa. A minha arma estava em punho. O assassino parecia gostar do jogo. Ele estava me seguindo. Eu podia ouvir ele, como se sussurrasse no meu ouvido: “Você está perto da verdade! Venha!” Mas como era possível?

Carolina continuava a gritar, provavelmente em dor. Eu sentia que estava mais próximo dela. Foi quando eu quase cai num desfiladeiro. Parei diante daquele penhasco, com a certeza que algo estava errado.

Eis que surgiu a voz de Carol e a do serial killer, logo em seguida.

– Não acredito! É você! Mas, como? Você que matou a Cátia?!

– Quer saber a verdade, Leonardo? Pule. Vai dar tudo certo.

Pulei, mesmo sabendo que seria a coisa mais estúpida. Quando eu comecei a me arrepender, uma bola branca de luz surgiu, tirando-me dali.

Minha visão não era mais a mesma. Era como se eu estivesse um óculos de sol. Eu usava luvas grossas feitas de couro. E um sobre-tudo. Mas como? Por quê?

Eu desequilibrei e caí diante do corpo inerte e desfigurado de Carolina. A dor de cabeça lancinante abrandava devagar, enquanto eu encarava o cadáver da minha namorada. Eu não sentia nojo, nem raiva e muito menos medo. Controlei o meu fôlego, sentindo a animação de mais um assassinato correr pelas minhas veias.

Ares nos rodeava, procurando algo no chão. Notei que o sangue de Carolina escorria dos caninos do javali.

Finalmente, me ergui. Ao lado da cabeça de Carol, eu vi a enorme poça de sangue que começara a se formar, misturando-se com uma poça de chuva. Enquanto o líquido vermelho se diluía, eu vi o meu verdadeiro eu.

Os olhos cobertos por uns óculos de lentes escuras, que lembrava vagamente as lentes daqueles cientistas malucos de filmes trashs. O sobretudo tinha algumas marcas da caçada. Pedaçinhos de galho presos nas mangas e lamas sujavam o meu manto.  

Diante do meu reflexo, eu ri e disse:

– Amor, eu odeio quando você está certa.

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14 comentários em “O Fenômeno de Gramado (Sus scrofa trucidator)

  1. Elisa Ribeiro
    25 de maio de 2017

    Olá autor! Uma história de terror trash. Faltou espirrar um pouco mais de sangue para o meu gosto, mas eu me diverti. Valeu por isso! Sobre a estrutura do seu conto, gostei das pistas exageradas, erradas e certas, A gente percebe todas as manipulações e é isso que dá o charme do gênero. A escolha por narrar em primeira pessoa, embora entregue o desfecho, também foi adequada para o gênero. O texto precisa de revisão gramatical. Destaco a falta de coerência no uso dos tempos verbais como o mais grave problema. É isso, autor. Abração pra você. Boa sorte!

  2. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Uma boa ideia, porém mal executada. O romance me pareceu forçado, as atitudes do narrador e da namorada também. A falta de uma revisão gramatical me fez notar mais nos erros do que na história a ser contada. Algumas palavras se repetem em parágrafos próximos, pronomes o tempo. Também há elementos que parecem perdidos no ar, como o tal do BTK. O plot twist no final não teve tanta força para surpreender, pois a cena da dor de cabeça entrega os pontos. Mas pelo menos encontrou uma maneira de encerrar o conto.

  3. Gustavo Castro Araujo
    22 de maio de 2017

    O conto é leve – apesar do contexto abordado – e despretensioso, uma narrativa que se preocupa unicamente em entreter. Vê-se que o autor optou por não correr riscos, apostando num enredo que privilegia a ação em detrimento de mergulhos psicológicos. A ambientação também ficou legal, especialmente porque se desenrola em uma cidade conhecida, se não pessoalmente, ao menos de ouvir falar. O suspense criado também ficou bacana, mostrando que o autor possui bom potencial nessa vertente policial.

    No geral, a trama tende a agradar quem procura diversão mais imediata, mas por outro lado frustra quem prefere digressões mais profundas. Por não se tratar de um texto denso, que abordasse antes a confusão causada pela dupla personalidade, acabou me cansando um pouco. O fim, com a revelação de que o assassino era quem era, só confirmou o que já se desconfiava, mas deixando a sensação, por outro lado, de uma saída Deus-ex machina.

    No geral, portanto, um bom trabalho, mas que pode melhorar significativamente fora do limite de palavras do desafio.

  4. Marco Aurélio Saraiva
    22 de maio de 2017

    Um conto de suspense e terror. A narrativa lembra muito um filme, com suas cenas rápidas e sucintas, sempre tocando para frente a história, nunca se perdendo em detalhes desnecessários.

    ===TRAMA===
    Gostei. No início achei as ações de Leonardo muito inocentes: ele deixou a sua namorada comprar uma arma, virar uma espécie de vigilante, pondo a sua vida em risco, e depois aceitou de bom grado entrar mata adentro correndo risco de vida, com uma enxaqueca gritante, ao invés de tentar dissuadir a namorada daquela loucura. No final, porém, quando é revelado que ele é o assassino, tudo fez sentido: sua outra personalidade orquestrava as suas ações, mesmo inconscientemente.

    Gostei da revelação discreta do nome do javali: Ares, deus grego da guerra. Quando fui escrever o meu conto para este desafio, também pesquisei sobre a simbologia do javali e encontrei, na verdade, uma relação do animal com Afrodite, representando o aspecto violento e animal da mãe. Não vi nada sobre Ares, mas vá lá, a simbologia existe para ser usada de forma criativa, rs.

    Eu não vi a dupla personalidade do homem se aproximando. Sua ambientação inicial, de um dono de restaurante, inocente e apaixonado, me distanciou bastante disso, armando o circo para o final surpreendente. Foi um bom roteiro!

    ===TÉCNICA===

    Sua técnica é boa, mas pode melhorar um bocado. Foi uma leitura boa mas sem brilho, e que cansa em alguns pontos. A leitura não é fluida: tem pausas desnecessárias e muitas repetições. Conte, por exemplo, quantos “eu” podem ser lidos na frase a seguir:

    “Eu tomei tanto remédio que eu apaguei por um bom tempo. Quando eu acordei, Cátia estava desaparecida.”

    Ou então, tente contar quantos “ela” estão escritos na frase a seguir:

    “Antes de entramos na floresta, ela pegou uma arma e uma lanterna, então me entregou. Depois, tomou um gole da sua água. Olhei para ela e perguntei se estava pronta. Ela se limitou a assentir com a cabeça.”

    Repetições assim acabam “travando” um pouco a leitura, cansando o leitor. Acho que um pouco mais de variação tornará o conto muito mais fluido.

    O conto também precisa de um pouco de revisão. Segue alguns erros de digitação / gramática:

    “…fosse servisse à Rainha da Inglaterra” – Acho que aqui você quis dizer “fosse SERVIDO…”

    “Era como se eu estivesse um óculos de sol” – Acho que aqui você quis dizer “Era como se eu vestisse…”

    “Pedaçinhos de galho…” – Pedacinhos.

    ===SALDO===

    Positivo, mas não muito. A trama é boa e bem trabalhada, mas senti um pouco de falta no desenvolvimento de Carol. A técnica é competente, mas pode melhorar. No final, porém, foi uma leitura divertida, que me surpreendeu com o final sobrenatural e manteve meus olhos atentos do início ao fim.

  5. Felipe Moreira
    22 de maio de 2017

    Olá. O primeiro conto que leio e justamente um policial. Admito que gostei de alguns aspectos e técnicas de narrativa que você usou para não repetir palavras. O texto começa com uma apresentação padronizada, sem muita pretensão e também sem qualquer emoção, ao meu ver, por se tratar de um conto narrado em primeira pessoa.
    Nós temos aqui um conto policial que se sustentaria melhor se sua estrutura virasse um romance, um pequeno romance. Digo isso porque não houve a menor possibilidade de criar vínculos afetivos com as personagens, tampouco compreender as motivações do serial killer, sempre citado com uma certa distância.
    Uma narrativa em primeira pessoa deve fluir, entendo eu, de maneira diferente, com mais profundidade, mais intimidade, no entanto, seu conto permanece na superfície do que está acontecendo, como se o narrador estivesse longe do acontecido. O que contribuiu para o que eu mencionei antes sobre vínculo com as personagens. Não sofri por nenhum deles, não senti nada. Não fui capaz de compartilhar a dor de Leonardo, seu medo, sua entrega nesta aventura.
    Penso que se houvesse tempo e um limite maior, esse texto tivesse mais chances de me conquistar.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte.

  6. Mariana
    21 de maio de 2017

    Meus parabéns, a sua escrita é fluída e clara. Também entendi a informalidade da linguagem como um meio para sustentar o depoimento, é um homem com problemas dando a sua versão dos fatos. Ressalto que apenas a sequência na floresta ficou truncada, acredito que pelo frenético da situação relatada. Li “O fenômeno de Gramado” com interesse mas, admito, já sabia quem era o assassino na metade do conto. A ideia é um pouco batida, o clichê é algo que acontece com todos nós mais cedo ou mais tarde. Parabéns e boa sorte no desafio.

  7. Olá, Sus,
    Tudo bem?
    Você criou uma história com clima “Noir”. Um policial, escrito em primeira pessoa, bem adequado ao gênero policial. Um conto com pitadas de humor, suspense e romance. Tudo bem equilibradinho, com final previsível, mas isso não me incomoda. O importante aqui é o desenvolvimento da história e você fez isso com competência.
    Como se trata de um desafio (e obviamente todos queremos ganhar), especialmente por ser um certame entre escritores, é sempre bom tomar cuidados óbvios, como a revisão. Um texto bem revisado, pode fazer toda a diferença por aqui.
    Quanto à trama em si, achei que o Javali poderia ser cortado da história sem que nela fizesse falta. O animal dá um toque a mais no enredo e a cena do sangue escorrendo de suas presas é muito bem criada, mas, ainda assim, o bicho seria dispensável ao assassino. Pensando nisso, no entanto, cheguei à conclusão que esse fato não prejudica a adequação ao tema proposto. A imagem do desafio é mais que Javali, ela é o homem com a mala. E este homem está lá. Presente e forte.
    Parabéns por sua escrita e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  8. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Sus scrofa trucidator,
    Gramática – Precisa de uma revisão, mas também acredito que precise da assimilação de alguns pontos: uso da crase, aplicação dos pronomes…Cuidado com a repetição de palavras.
    Criatividade – Gostei de como usou a imagem para compor a história policial. Gosto de histórias policiais. Leio muitas. Por isso, confesso que, ao ler serial killer, apontei meu dedo logo para o dono do restaurante. Depois, vieram os indícios clássicos de que ele era realmente o assassino.
    Adequação ao tema proposto – Creio que ficou adequado ao tema.
    Emoção – Por eu ter sacado desde logo o assassino, essa coisa de se emocionar com a leitura, ficou enfraquecida. Mas gostei do tom da história. A construção está dentro do que se espera de um thriller policial.
    Enredo – Bem construído. Tive algumas dúvidas no final, sobre qual era a relação do javali com o assassino. Porque, a princípio, pensei que o assassino era somente ele não havia um javali, propriamente. Então, você escreve “Ares nos rodeava, procurando algo no chão. Notei que o sangue de Carolina escorria dos caninos do javali.” Logo, percebi que sim, havia um javali. Desse modo, creio que esteja faltando uma explicação, ou indicação, de como a relação de Leonardo com o javali acontece. O javali veio de São Paulo? O javali é realmente imaginário? Ficou essa dúvida em mim.
    Espero ter ajudado com a avaliação do texto.
    Um abraço!

  9. Anorkinda Neide
    20 de maio de 2017

    Olá!
    Bem, é um conto bom, me manteve interessada até o final.
    Mas é um enredo batido, batido… Vale enquanto prática, ele se sustentaria melhor se o texto fosse tao bom e/ou os personagens tão cativantes que a obviedade do final não incomodaria o leitor.
    Entendo que talvez, pra vc, a ideia é original, já escrevi coisas q eu nunca tinha lido antes mas o povo já tava saturado…rsrs acontece.
    Mas vc está de parabens por ter desenvolvido bem a historia e o suspense fazendo um final bem legal.
    Abração

    • Anorkinda Neide
      20 de maio de 2017

      ahh eu me lembrei que me esqueci que eu tinha separado um trecho: ‘ Depois, quando a presa abaixasse a guarda, o Javali Assassino usava uma planta alucinógena, a ayahuasca. Desorientadas, as vitimas eram atacadas pelo javali. Ao serial killer restava aproveitar os últimos momentos das vitimas.’
      Não entendi duas coisas: como o assassino usava a planta? esta planta citada é usada para fazer um chá alucinógeno.. o assassino faia a vitima tomar o chá? como ele fazia isso? e o q seria ‘ aproveitar os ultimos momentos das vitimas’? estupro? ou o prazer de matar por matar? naõ ficou claro.

  10. Evandro Furtado
    20 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O conto mescla horror e thriller. Isso não é novo, Poe meio que inventou isso. A atmosfera no início do conto é bacana, meio coleção Vagalume inclusive. O problema é que, em que ambos os gêneros, espera-se algo que o autor não alcança. No caso do horror, o monstro/vilão precisa ser alguém que, de fato, imponha medo ou desperte ódio. Não foi o caso aqui. Talvez isso acontece pelo fato de suas vítimas serem desconhecidas ao leitor. O trajeto mais seguro seria: crie um personagem, faça o público gostar dele, mate-o. Pronto, você tem a vítima perfeita, e aí é só construir o vilão em cima disso. Em relação ao thriller, espera-se um plot twist. Ele vem, mas é previsível e mal executado. Isso é curioso porque o autor não deixa pistas claras, mas o rapaz é o primeiro nome a vir à cabeça. Talvez uma lista de suspeitos ampla com alguns acontecimentos curiosos relacionando-os ao crime possa ser demais para um desafio desse tamanho, mas dá pra construir um bom conto dando dicas sem entregar a reviravolta. Bem, Poe conseguia isso.

    C: A história em si é interessante, mas dá saltos gigantescos em algumas partes. O romance, por exemplo, vem de uma hora para a outra. Eles se conhecem em um restaurante e logo dão o primeiro beijo. Certo, isso acontece na vida real, mas na arte a gente precisa estetizar as coisas. Frank Capra dizia que o bom romance é aquele que mantém o casal afastado o maior tempo possível. Tanto que em It Happened One Night os personagens não se beijam até o final do filme. A solução nesse caso? Que eles já fossem namorados desde o início. Isso não prejudicaria a trama. Também tem o já mencionado vilão, que nesse caso também é o herói. Isso seria maravilhoso, se bem executado. Creio que já tenha apontado as razões no tópico anterior.

    F: A narrativa em primeira pessoa é a escolha perfeita para esse tipo de texto. Ela, em si, não apresenta problemas. Eles estão, especificamente, em algumas escolhas de linguagem. A questão é: a forma de contar a história não se solidifica. As vezes a linguagem é formal, às vezes informal. Tem ainda os diálogos que podem passar por uma boa revisão. Pareceram truncados e nada naturais.

    Lembrando que essa é uma crítica construtiva, visando ajudar o autor na composição de seus próximos textos.

  11. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1.Tema: adequação muito boa.

    2.Criatividade: Normal. Serial Killer inconsciente que se vê desnudo repentinamente.

    3. Enredo: Interessante, embora não seja novidade: mudança, novo amor, assassinato e desenlace.

    O texto é bem conduzido no geral, as partes da história se conectam, apesar de que não havia muitas opções, ou seria a moça ou seria o moço.

    Talvez (e digo talvez porque essa é uma escolha do autor e não me intrometo nisso, apenas cito aqui como leitor para obra futura do próprio) tivesse sido bom mostrar como o javali surgiu na vida do chef, visto que que ele vinha de outra cidade, como o treinou, enfim… explorar esse lado, as causas do transtorno etc.

    Foi muito rápida essa explosão de sangue.

    4. Escrita: Vários pequenos erros gramaticais e de estilo já anotados pelo colega Ricardo Falco. Uma revisão criteriosa poderia ter amenizado esse desgaste.

    5. Impacto: Médio.

    A dificuldade no aspecto e estilo linguístico neutralizou a emoção da leitura para mim. Um autor com suas qualidades óbvias e com o tempo sanará essa dificuldade. Boa sorte.

  12. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    O conto já começa com emoção.

    Só que a história em si é um pouco ingênua. Ganhou pontos pela narrativa clara.

    Fiquei me perguntando o porquê das mortes rondarem Leonardo, mas lá pelas tantas pesquei a resposta. Não ficou claro se Leonardo foi fazer a trilha junto aos demais, e faltou (acho) uma explicação de como Cátia pôde ter sido pega sem chamar a atenção da irmã. Talvez uma outra névoa tenha surgido na ocasião e separado o grupo?

    Parabéns!

    Obs.: Eu não sou o garçom do restaurante, e ainda estou vivo, espero. 😛

  13. Ricardo Gnecco Falco
    20 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação, permitindo-me ampliar meus horizontes literários e, assim, favorecendo meu próprio crescimento enquanto criativa criatura criadora! Gratidão eterna! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador/administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e todos os demais — conforme o mesmo padrão, que segue abaixo, ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e próspero caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *******************************************************************************************
    Avaliação da Obra:

    – Gramática –> Alguns deslizes, que parecem ir além da simples revisão. Destaco alguns: “…sentarem A mesa” ; “…como se fosse serviSSE…” ; “A cada segundo que se passava, MAS claro ficava…” ; “Primeiro, ele ATRAIA a pessoa…” ; “…convidava ela…” ; “…ouvir ele…” ; “…com a certeza (*de*) que algo estava errado.” ; “ARES nos rodeava…” — Nada que fizesse o leitor empacar na leitura, com exceção desta aqui: “…via se tinha TRAGO munição…” (o correto é trazido). Mas, não desanime! Eu também custei para aprender o que hoje lhe indico aqui e, pela leitura, pareceu-me tratar-se de um autor (bem) mais jovem do que eu. 😉

    – Criatividade –> Muito boa criatividade. Criou uma história policial e toda uma realidade ao redor da foto que serviu de base para o tema do Desafio, além de uma diversidade de personagens; todas críveis. Parabéns!

    – Adequação ao tema proposto –> 100% de adequação.

    – Emoção –> Um bom tom de mistério e uma escrita com um bom nível de vocabulário, com pouquíssimas repetições de palavras. Boa utilização de sinônimos (policiais, polícia, autoridades…), deixando o texto mais rico e visual. alguns poucos deslizes descritivos, como na repetição, em um mesmo parágrafo, do pronome EU, que pôde ser visto (por NÓS, rs!) em: “EU tomei tanto remédio… EU apaguei… EU acordei…” e também em algumas imagens descritivas que poderiam/deveriam ser evitadas, como: “Num belo dia…”. Mas, a mais séria identifiquei aqui: “…ENCONTRARAM mais pistas quando ENCONTRARAM…”. Basicamente, só isso na parte gráfica (texto). O que acabou me tirando um pouco da graça da história não foi nada disso acima, mas sim um PRENÚNCIO, ou pista, que você autor/a já quis deixar logo ali no meio, do que viria a ser o final da história. Confesso (e talvez isto ocorra mais por aqui, devido aos leitores serem, exatamente, criadores de textos também) que eu JÁ MATEI A HÍSTÓRIA na primeira aparição (não, na primeira vez eu apenas SUSPEITEI, mas na segunda eu já deduzi o final) da “clássica” dor de cabeça/enxaqueca/apagão do narrador da história. Bingo! O serial Killer é ele. Simples assim… Ou seja, autor/a, deixo a dica aqui para você não liberar de forma tão, digamos… Óbvia… Essa “pista” que, uma vez solta, não precisa (e não pode!) ser ressaltada novamente e novamente e novamente… Caso contrário, acontece isso. O leitor (e aqui todo mundo é um Sherlock Homes, pode ter certeza!), já vai antecipar o final que, por obrigação do Gênero (Conto), DEVE surpreender ao final. #Ficadica! 😉

    – Enredo –> Ótimo enredo, excetuando-se apenas as repetições das pistas dadas ao leitor em demasia, com relação à clássica “ausência” do personagem-narrador, em seus momentos de enxaquecas/apagões. Gostei bastante da cena do parágrafo que começa com “Por duas vezes, eu pensei ter visto o assassino…”. Aqui, as imagens acontecem de forma rápida e ocorre um tipo de sinestesia, onde o leitor praticamente consegue não apenas visualizar o que está acontecendo na cena, mas também ouvir (barulho dos galhos quebrando) e sentir a confusão de sentidos na qual o narrador-personagem parece mergulhar. É a melhor cena do conto. Nela, acontece a tão importante “imersão” do leitor na trama, que é encaminhado para o clímax da história e que, mesmo com a antecipação recebida (pistas de que o próprio narrador-personagem seria o psicopata), fez com que eu me “sentisse lá”, em meio aos arbustos e a névoa. Curti o desfecho do conto também, com a escolha do tom mais de comédia para encerrar uma história de assassinatos em séries, dando uma quebrada na tensão e soando, na primeira voz do narrador já oficialmente um serial killer, como uma “despedida-apresentação”. Boa sacada! 🙂

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Publicado em 18 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.