EntreContos

Literatura que desafia.

Movido pelo Selvagem (Fátima Heluany)

As aves tornavam-se raras nas biqueiras e os telhados se despovoavam. A fome trouxe a transformação. Qualquer coisa servia de alimento. O homem, no ermo, conversava com o animal. Ele ia cortando a casca de laranja, fazendo desenhos, dependurando-as nos galhos. O mundo seguia assim, a terra estéril, vazia de aspirações. Humano e bicho com destino selado… Saíram andando, foram acostumando, e uma hora foram e não voltaram mais.

Longes trovões riscavam a mata despertando imagens soterradas.

Desde quase menino ainda, Silas perambulava, bebia e apostava, cínico e debochado, armado, curtindo a ilusão da imortalidade. Drogas nunca quis. Indispunha com a cara de alguém e acabava arrumando briga, no soco. Batesse ou apanhasse, não levava desaforo para casa. Mesmo quando apanhava com o Taurus na cintura, nunca o puxou. Nunca disparara contra gente. De vez em quando, bêbado, dava uns tiros para cima. Usava a arma porque quase todos os homens dali usavam e queria ser como eles.

Para não dizer que nunca tinha dado tiro em vivente, já havia atirado em animais. Certa vez matou uma capivara, que comeu com outros. Paladar travoso. Teve que dar três tiros nela.

— Nunca dê mais de um tiro, em bicho ou gente! É judiaria… — zombaram dele.

Silas seguia adiante, cercado de nada, nada entre os nadas, fazia coisas impossivelmente inúteis; cultivava o perigo, procurava situar-se e encontrava um tempo áspero, de cores agressivas. Trabalhava pouco, constante nos jogos e simuladores de tiro e voo. Voar era sua outra paixão.  Frequentes eram as saídas com a turma para beber, jogar… e brigar.

“A balada hoje é na minha rua, ao ar livre. Mulherada. Agitação. Espero você, cara, sem falta.” — foi a mensagem que havia recebido de Bartô, na noite anterior.

Silas dançou a noite inteira, a música eletrônica o animava ao mesmo tempo em que o acalmava. Sorvia das garrafas o curto prazer. Lyara apareceu assim como senão aparecesse e os olhos tomavam fulgores quase belos. O peso dela sobre seu corpo era um convite. A noite encantou.

Gritos e choro tiraram Silas do sofá estreito no quarto da moça. Já era manhã alta. Uma mulher aparecera no cortiço correndo, desesperada. Era vizinha, a casa dela ficava no andar de baixo. O marido estava fora e apareceram uns nômades lá. Eram três, só homens. Mas o pior é que depois que foram embora, ela sentiu falta de um dos filhos, uma menina de quatro anos. Tinha certeza de que roubaram a garota. Os andantes tinham fama de fazer isso, e criar no bando deles, como se fossem filhos.

Nessa hora, estava chegando um rapaz que tinha fama de valente, também viera para a festa e dormira próximo.

— Vou atrás. Não tenho medo. Quem vem junto? — insultou com voz de pedregulho. Sem imaginar as consequências, Silas se sentiu desafiado. Mesmo a boca formando um “não”, a voz não chegou a atravessar a rua. Os dois montaram nas motos e partiram na direção apontada.

Os andarilhos iam sem muita pressa, não imaginaram que seriam seguidos. E, pouco depois, o grupo foi alcançado, bem adentrado na mata. As barracas do acampamento já eram avistadas na clareira. De longe, Silas gritou para eles pararem, ameaçaram ir mais depressa, já chegavam; o outro perseguidor gritou que se não parassem, atirariam. Ambos com as armas nas mãos. Os nômades sabiam que não poderiam competir com a velocidade das motos, pararam as bicicletas roubadas, viraram-se para os perseguidores:

— Que foi? — os andantes mostraram pistolas na cinta.

— Devolvam tudo! Onde está a menina? — gritamos sincronizados.

Responderam que não tinha menina nenhuma e que as bicicletas eram deles, tinham comprado. Ficou uma discussão, devolve, não devolve, eles puxaram as armas e foi o inferno. Quando Silas deu por si, somente ele estava de pé. Todos caídos ensanguentados, inertes.  Ileso! Vontade de sair voando com grossas asas, o viver doía denso, impossível, sofrido, milagroso.

 O moço avaliou as possibilidades que a situação lhe infligira. Antes da escuridão deveria regressar, descansar um pouco. A angústia iluminada em seu rosto pelos últimos raios de sol, os outros rostos mal delineados. E a menina? O que os ciganos tinham feito com ela? Arrumaria reforço e voltaria até o acampamento, fosse como fosse. Sairia com um bando maior na procura. Será que haviam vendido ou matado a pequena? Não, não houve tempo…

Silas ia revolvendo no que falar para a mãe, que não encontrara a filha dela, mas… surpresa de incauto. A mulher saiu risonha, puxando a menina pela mão. Estava brincando atrás do tapume, ali perto, sem ninguém ver, por isso pensara que havia sido levada.

Desajeitado, o rapaz mostrou o corpo do destemido-fracassado e as bicicletas recuperadas. Foi difícil arrastar tudo, não podia deixar o companheiro entregue à mata.

Vieram gabar que o herói matara os ciganos e recuperara os objetos. Acreditavam que fizera um bem. Não havia de temer a lei, ali era o império do mais forte… Tanto que a guarda, se tomou conhecimento, não arriscou nenhuma providência.

Silas procurou pouso no local. Ficou de atalaia com receio de que outros, do grupo nômade, viessem vingar aquelas mortes. Não conseguia dormir ou ficar de todo desperto: temia o encontro com a verdade e ela era pior que tudo: “Matei gente. Por nada. Certo que eram ladrões… Já não posso mais afirmar que nunca atirei em gente”. Procurava pedaços de si mesmo, ensimesmado. Inútil a cama, ilusório o descanso. Ele desistiu e saiu.  Enterraria os mortos antes da fome das feras.  Morreram por nada, um massacre.

Calado, pensando consigo mesmo, Silas varou a noite escusa. Os faróis o devolveram facilmente ao campo marcado, pesadeloso. Ele estava só, tão desacompanhado e foi cumprindo o que julgava ser a sua tarefa.  Naqueles olhos, que sob os reflexos da lua foram se acostumando à escuridão, não mais havia  o esgar da truculência, da maldade ou do escárnio.

A dor funda trazia gestos maquinais. O cheiro da podridão enjoava Silas. Enterrou os três corpos, proferiu algumas palavras. Sentia-se entorpecido, deslocado, mas foi juntando os molambos espalhados. A mala grande, de couro, chamou-lhe atenção. Abriu-a: calças infladas, capa negra, cachecol, boné, óculos de aviador.Transformou a tristeza e a raiva em ação, despiu a sujeira e aparamentou-se com os achados. Parecia que a vestimenta estava à espera dele, confeccionada na medida. Esqueceu-se um pouco do tormento, compenetrado.

De repente percebeu… olhos de fogo brilhavam, ofuscantes, no profundo da fenda. Susto! O primeiro instinto foi atirar.  Ficou adiando, só para ter uma presença. Nada se movia. Foi se abeirando com cautela e “desengatilho só mesmo se não tiver outro jeito, pode atacar. É bom ter companhia, ainda que se lute com ela”. Foi impacto enorme, a escura mancha cingida por grossa corrente… o cuinchar lamentoso…

O porco-do-mato parado, olhando. Era desafio ou contemplação? Por que mantido ali, amarrado? Seria caça dos ciganos? “Meu, então. Mala, roupas, presa, despojos da batalha”.

Silas pegou o javali por causa da fome. Mostrava o pedaço de pão e o bicho abocanhava. Migalha por migalha foi (re)criando o animal acossado. E, graças a cada migalha e a cada gota da água foi garantindo percalços e voltas. Levou a mão de mansinho, vibrava um tremor invisível. Alisou os pelos longos, espaçados, sem cheiros de rios e lamas. O Javali se retraiu, mas a natureza agressiva estava esvaída. O âmago vinha sendo alterado… Acontecia um equilíbrio no poder, nascia um vínculo significativo.

Seria possível transformar uma existência? O homem jogou o Taurus no rio. Retornou à cidade, entregou a moto, deu explicações e desconversou. Naquele momento deixava de existir o moleque. Pulmões e cérebro totalmente desanuviados. Os nômades eram gente, e ele seria livre como eles.  Não mais oferecer uma imagem de si mesmo, nem contornos ou coordenadas. Os outros espantavam-se daquele novo ser.

“O que um homem faz quando tudo vira de cabeça para baixo?” — a questão era prosseguir… Sempre haveria uma condução, um cumprimento, um abrir de portas, um alerta.  Existir como excrescência, garantir a noite, prover o dia-a-dia.

Silas pegou a mala, puxou o javali pela mesma corrente que o aprisionara no matagal e mergulharam na extensão.  Pervagar…

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50 comentários em “Movido pelo Selvagem (Fátima Heluany)

  1. Victor Finkler Lachowski
    23 de junho de 2017

    Olá autor/a.
    Seu conto foi bem… diferente, não sei ao certo o quanto gostei dele, ele é criativo, se adequando ao tema, porém, é muito aleatório, gera estranheza, tanto positiva quanto negativamente, no leitor.
    O desenvolvimento do protagonista é mediano, e sua transformação é muito rápida, sendo isso muito confuso no conto.
    Vale a pena reescreve-lo, tem um ótimo potencial, Boa sorte no desafio e nos presenteie com mais obras,
    Abraços.

  2. Wilson Barros
    23 de junho de 2017

    A vida livre e louca sempre me lembra a Cannery Row, Rua das ilusões perdidas, caravana de destinos, de Steinbeck, aventuras de Mack e seus amigos no auge da Garnde Depressão de 1929:
    “Cannery Row é acumulação e desperdício; lata, ferro, ferrugem e ripas de madeira; arruamento esburacado e terrenos de urtigas e montes de lixo, fábricas de conservas de sardinha de chapa ondulada, dancings, restaurantes e bordéis, e pequenas mercearias atravancadas e laboratórios e albergues. Os seus habitantes são, como alguém disse, ‘prostitutas, chulos, batoteiros e filhos da puta,’ com o que queria dizer toda a gente. Tivesse espreitado por outra frincha e talvez dissesse, ‘Santos e anjos e mártires e homens santos,’ e significaria a mesma coisa.”
    A história é original e interessante, um ótimo suspense. A concisão do estilo também tornou o conto muito agradável. O conflito do personagem principal matar/não matar, as mortes inúteis foram criações de mestre. Ótimo conto.

  3. Daniel Reis
    23 de junho de 2017

    (Prezado Autor: antes dos comentários, alerto que minha análise deve se restringir aos pontos que, na minha percepção, podem ser mais trabalhados, sem intenção de passar uma crítica literária, mas uma impressão de leitor. Espero que essas observações possam ajudá-lo a se aprimorar, assim com a leitura de seu conto também me ajudou. Um grande abraço).

    Movido pelo Selvagem (Gironda)

    ADEQUAÇÃO AO TEMA: sim, a imagem está lá, no final.

    ASPECTOS TÉCNICOS: o texto, em si, tem momentos truncados, construções confusas para o leitor. Cito um exemplo: “Longes trovões riscavam a mata despertando imagens soterradas.” Apesar da intenção poética, os elementos não se misturam, parecem aleatórios. Na parte de enredo, me pareceu bastante improvável uma mudança tão radical do protagonista, deixando tudo para trás. Já no aspecto positivo, a matança por engano foi um bom ponto de clímax.

    EFEITO: uma história promissora, que acabou “presa” pela proposta do desafio. Se o autor quiser, pode transformar em um conto mais adequado, sem se sentir obrigado a “vesti-lo” com a imagem.

  4. Sabrina Dalbelo
    23 de junho de 2017

    Olá autor (a),
    O conto narra o nascimento de um homem. De truculento e odioso ele tornou-se resignado. Acontece que a história não me convenceu muito, principalmente porque a mala, as roupas de viador, o javali, tudo é fortuito em demasia.
    O enredo foi sendo construindo como em partes, me pareceu, e algumas não combinaram.
    Faça o exercício de reler o texto pensando se não fosse obrigatória a introdução desses elementos. Será que tu escreveria difrente? Com outros elementos nos mesmo lugares das imagens?
    É só uma sugestão para um bom texto.
    Um abraço

  5. Rubem Cabral
    23 de junho de 2017

    Olá, Gironda.

    Resolvi adotar um padrão de avaliação. Como sugerido pelo EntreContos. Vamos lá:

    Adequação ao tema:
    Boa adequação: porco-do-mato, homem encasacado, mala.

    Qualidade da escrita (gramática, pontuação):
    O texto está bem escrito, fora um “senão” que deveria ser “se não”, não observei erros por apontar.

    Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos):
    Silas ficou razoavelmente bem desenvolvido. Algumas descrições foram muito boas, os diálogos estão bons.

    Enredo (coerência, criatividade):
    O world building com ciganos, fome, motos, capivaras e porcos-do-mato ficou um tanto estranho para mim. A evolução do personagem, de um apostador inconsequente a um matador nômade, pareceu-me meio rápida demais.

    Obrigado pela leitura e boa sorte no desafio!

  6. Raian Moreira
    23 de junho de 2017

    A trama é muito boa,com belos questionamentos e anseios. Um conto bem existencialista que acabou agradando .
    Achei sua história bem original, vários cenários que realmente eu não esperava ver aqui.
    Apenas acho que o final ficou bem questionável, não causou muito impacto, ficou artificial.
    Mas acima de tudo, um ótimo conto.

  7. Pedro Luna
    22 de junho de 2017

    Foi uma boa leitura, mas a transformação psicológica de Silas em tão pouco espaço de tempo não me convenceu. Desenhei ele como um legítimo bicho do mato no sentido da porra louquice, da indiferença ao social, e fui surpreendido com o peso na sua consciência após o massacre por engano. Mas não foi uma surpresa pro lado bom. Ainda sem comprar a mudança do personagem, o conto se sobressaiu diante de outros que li.

  8. Andreza Araujo
    22 de junho de 2017

    É o tipo de texto que a gente mergulha aos poucos, e por fim acompanhamos a narrativa mesmo que algumas cenas (ou aspectos) não tenham ficado claros por completo. O conto tem alguns cortes abruptos e somos jogados de um parágrafo pro outro, para somente depois entender onde a cena está, o que torna o texto um pouco lento.

    Silas temia vingança por parte dos nômades, mas ao retornar ao local do massacre, só restara um javali. Já haviam ido embora? Ou no local onde estava não tinha ninguém além dos nômades mortos? Bem, é um texto correto, sem grandes pretensões ou impactos, mas valeu a leitura.

  9. Wender Lemes
    22 de junho de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto. Tentarei comentar sem conferir antes a opinião dos colegas, mantendo meu feedback o mais natural possível. Peço desculpas prévias se acabar “chovendo no molhado” em algum ponto.

    ****

    Aspectos técnicos: a escrita tem uma levada solta – sem rédeas, por assim dizer -, um parágrafo não parte exatamente de onde o outro terminou. Se, por um lado, isso torna a leitura mais ágil, por outro sente-se a falta do rejunte no vão dos azulejos.

    Aspectos subjetivos: o apelo emocional criado pelo suposto sequestro da menina é desfeito no momento em que descobrimos o mal-entendido. A construção de Silas é mais coerente, nesse sentido, uma vez que sua personalidade vai crescendo conforme as situações exigem. Ele começa como um jovem inconsequente e termina adquirindo muita maturidade, como se aquele único dia tivesse funcionado como um catalisador emocional.

    Compreensão geral: admiro a iniciativa de buscar o novo, mas receio que me perdi um pouco em alguns momentos da leitura, como se aquele rejunte que citei no começo contivesse algum significado quase indispensável. Essas partes ficaram na suposição, pelo contexto, mas acabaram provocando o efeito oposto do que deveriam, quebrando o fluxo natural da leitura.

    Parabéns e boa sorte.

  10. Jowilton Amaral da Costa
    22 de junho de 2017

    Conto muito bom. A narrativa peculiar é o ponto alto. Ela parece que trava no início, mas, deslancha, convence e envolve durante a leitura. O enredo simples foi bem conduzido. Um ponto negativo foi que desde que a suspeita de que a menina havia sido raptada foi anunciada no conto, imaginei justamente o que aconteceu, a menina estaria em casa, brincando e a mãe não a tinha visto e culpado os nômades. Não percebi erros de gramática ou de digitação. Boa sorte.

  11. Thiago de Melo
    22 de junho de 2017

    Amigo Gironda,
    Seu texto é intrigante. Eu percebo que você tem um enorme potencial, conhece a ortografia e a gramática muito bem, e tem boas ideias porque a imagem desse desafio é muito desafiadora de se conseguir encaixar em uma narrativa. Mas tenho que confessar que não gostei muito do seu texto. Não que esteja ruim, quero deixar isso bem claro, é que para o meu gosto pessoal ficou faltando uma linha narrativa mais clara. Achei que ficou tudo meio embolado com os ciganos, a menina raptada, os caras de bicicleta sendo seguidos pelos caras de moto. Foi uma mistura muito criativa, mas que me deixou completamente perdido no texto. A adequação ao tema do desafio é bem clara, mas como texto narrativo, infelizmente não curti muito. Um abraço.

  12. Catarina
    21 de junho de 2017

    Embora o título seja sem graça, o INÍCIO já diz a que veio: começo, meio e fim mantendo a densidade e controle inquestionável. A trama é muito simples. Gostaria que mais autores e comentaristas entendessem que não era obrigatória a descrição completa da foto e sim a TRADUÇÃO livre DA IMAGEM. Controle total do vocabulário; gosto disso, almejo até. Aqui autor (a) é condutor (a) de si mesmo e de seus personagens. As entrelinhas se bastam e quanto ao EFEITO, nada tenho a declarar; ainda estou me recuperando.

  13. Luis Guilherme
    21 de junho de 2017

    Olá, amigop, tudo bem?

    Conto curto, bem trabalhado, com enredo bem definido com começo, meio e fim. Bom trabalho!

    A linguagem foi escolhida com muito cuidado, e isso gerou uma riqueza de vocabulário que valoriza bastante o trabalho.

    A história transmite uma mensagem legal, também, sobre arrependimento e reinício.

    O autor de Laranja Mecânica, Anthony Burgess, fala sobre isso no prólogo da versão européia do livro. Essa versão, que é a original, contava com um capítulo a mais, em que o protagonista, Alex, se arrependia de seus atos de violência e começava uma nova vida. Esse capítulo final foi cortado da edição americana, que serviu de base para o filme. Ou seja, para muitos (inclusive para mim, até recentemente), a história termina de forma pessimista, com o protagonista perpetuando seus atos de maldade. Porém, no enredo original, é o contrário. Burguess conta que a intenção dele era mostrar que todas as pessoas podem mudar e iniciar uma nova dia. Ele afirma que sem isso, qualquer história perde seu valor.

    Divaguei um monte para dizer que gostei da mensagem final do seu conto! hehehe.

    Gramaticalmente está ok, não notei problemas. A única coisa que me causou estranheza foi a frase:

    “— Devolvam tudo! Onde está a menina? — gritamos sincronizados.”

    Note que nessa frase, você utilizou narração em primeira pessoa, quando todo o restante estava em terceira. É só uma observação, não afetará a nota, obviamente.

    Enfim, belo trabalho. Parabéns e boa sorte!

  14. Leo Jardim
    19 de junho de 2017

    Movido pelo Selvagem (Gironda)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): achei um pouco despretensiosa. Um cara que era porra-louca, num ambiente que não consegui identificar totalmente, resolve entrar num embate com uns ciganos, mata todos (essa cena ficou bem estranha e mal contada), se arrepende e acaba virando um deles, com javali e tudo. A ideia é interessante, mas o desenvolvimento ficou esquisito, faltou mais profundidade no personagem e nas suas ações.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): não é ruim (é boa, na verdade), sem erros, mas achei a narração estranha, talvez pelo estilo da narrativa. Algumas construções ficaram estranhas e tive que reler algumas vezes para entender. O primeiro parágrafo, por exemplo, li umas três vezes sem entender. Quando terminei o texto, voltei para ver se entendia e melhorou um pouco, mas não muito. Mas acredito que isso seja uma questão de estilo e, por isso, não descontei muitos pontos por isso.

    ▪ *gritamos* sincronizados (o narrador estava nas terceira pessoa)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): apesar de não entender muito bem em que ambientação esse conto está, não há de se negar que ele tem personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a cena final é a construção da imagem, logo já imaginava o que ia acontecer. Acabou que o texto terminou um pouco morno, sem impacto.

  15. Brian Oliveira Lancaster
    19 de junho de 2017

    EGO (Essência, Gosto, Organização)
    E: Termos bastante diferentes, escolhidos a dedo. O clima florestal traz um ar de novidade, apesar de achar estranho existir festas “a lá periferia” num local assim. Tem uma carga dramática embutida que lembra contos de cidades pequenas ou favelas – talvez fosse essa a real intenção. Apesar do paradoxo, o texto consegue prender até o fim. Há mais história que a essência da foto, retomada somente na parte final.
    G: A densidade do enredo agrada. Mas a essência meio que se perdeu no meio do caminho. A conclusão é interessante, com certeza, e dá mais dramaticidade às ações anteriores do protagonista, mas ainda assim, faltou uma maior conexão com o objetivo. Contudo, cativa na maior parte do tempo, e isso é bastante positivo. O título fez mais sentido após ler a conclusão.
    O: Tem certas construções que soaram estranhas aos ouvidos. Suspeito que seja alguém de “fora”. A gramática flui bem, no entanto.

  16. Iris Franco
    18 de junho de 2017

    Oi Gironda, tudo bem?

    Sabe o que é mais engraçado (no sentido irônico da palavra) no seu texto? Lembra muito a situação do país.

    Se imaginarmos como cenário o Brasil atual, tudo encaixa perfeitamente.

    Não sei se foi sua intenção, mas vejo o cenário do nosso país, principalmente na parte das pessoas serem julgadas pela “classe” que são (ciganos), não por quem são.

    É um conto com múltiplas morais, gostei.

    Parabéns e boa sorte!

  17. M. A. Thompson
    18 de junho de 2017

    Olá!

    Usarei o padrão de avaliação sugerido pelo EntreContos, assim garanto o mesmo critério para todos:

    * Adequação ao tema: fraca mais existente.

    * Qualidade da escrita (gramática, pontuação): derrapou um pouco mais a narrativa é tão envolvente que tornou a revisão fraca ou precária menos relevante.

    * Desenvolvimento de personagens, qualidade literária (figuras de linguagem, descrições, diálogos): narrativa que prende até o final e que nos deixa com vontade de conhecer outras obras do(a) autor(a), de preferência com uma revisão a altura do(a) autor(a).

    * Enredo (coerência, criatividade): atende perfeitamente a estes requisitos.

    De um modo geral foi um bom conto e valeu a leitura.

    Parabéns e boa sorte no Desafio!

  18. Priscila Pereira
    17 de junho de 2017

    Oi Gironda, seu texto soou estranho pra mim, mas de uma estranheza boa. Silas é um ótimo personagem, bem profundo na sua simplicidade. Quem diria que matar pessoas pudesse regenerar alguém desse jeito… Uma coisa que achei muito interessante foi o fato de você contar uma estória mais na mente do leitor do que com as palavras… na cena da matança, por exemplo, você não descreveu nada, mas eu consegui imaginar tudo. Parabéns e boa sorte!!

  19. juliana calafange da costa ribeiro
    17 de junho de 2017

    Gironda, apesar dos muuuuitos erros de revisão, q chegam a irritar um pouco o leitor, gostei do seu conto. Uma história simples, mas direta na mensagem. Gosto do seu estilo de escrita, com frases curtas, palavras secas, que vão construindo o personagem aos poucos, através de impressões, pensamentos, sensações. Mas, realmente, vc precisa dar mais atenção à revisão. Tem palavras que não existem, erros de pontuação, gramática e ortografia. Isso acaba empobrecendo seu conto, que é tão bonito. Parabéns e boa sorte!

  20. Rose Hahn
    16 de junho de 2017

    Olá Gironda, curti a jornada do seu herói, a desconstrução e a reconstrução do personagem. Novas palavras, novos saberes, no caótico mundo de Silas, só mesmo um javali para por ordem nesse caos. Não vi maiores incidentes quanto à
    gramática, apenas a contação em 1a. pessoa na frase: — Devolvam tudo! Onde está a menina? — gritamos sincronizados; já que o texto é contado na 3a. pessoa. Boa sorte no desafio!

  21. Cilas Medi
    16 de junho de 2017

    Olá Gironda,
    Neologismo = pesadeloso, coerente com o que procurou exprimir.
    O que é pervagar?
    Um conto correto, assimétrico (não configura corretamente os personagens), bem estruturado, mas um pouco distante de representar corretamente o desafio. Pareceu ser colocado dentro de um outro conto e poder conter o javali e desse ponto do encontro, uma nova história parece prevalecer. Enfim, sem erros gramaticais que pudesse enfatizar, logrei gostar dos dois, porque no final conseguiu unir essas duas narrativas.

  22. Bia Machado
    16 de junho de 2017

    Desenvolvimento: Gostei muito do seu texto e a leitura que fiz dele foi em uma crescente. A cada parágrafo a sensação era melhor. O cenário se apresentou pós-apocalíptico pra mim, foi a impressão que tive e que me ajudou a compor o gosto que tive ao ler seu texto. É regionalista, mas não exagera, não nos desespera, com uma sensação de não conseguir traduzir o que o autor/autora tentou passar.

    Personagens: Gostei de Silas. Foi bem tratado e humanizado. Imaginei-o como um jovem ainda, mas com uma carga grande de gente mais velha, como se tivesse sido obrigado a isso. O javali não é personagem, é um elemento necessário ao texto para cumprir o desafio, digamos. Dá pra dizer que a mala teve mais serventia que ele, pelo menos foi a impressão que tive em uma leitura apenas. Talvez, se relesse pensasse de outra forma…

    Emoção: Gostei muito. E gostar me ajudou a relevar algo no desenvolvimento que eu talvez não tenha visto. Mas a emoção está aí para isso mesmo. 😉

    Tema: Adequado, embora o javali tenha sido beeem coadjuvante, como disse, ao menos não foi uma coisa forçada (demais, rs).

    Gramática: Não peguei nada que merecesse um aviso aqui. Outros colegas já devem ter feito isso, posso dizer que essa parte não me atrapalhou.

    Bom trabalho! Parabéns pelo texto! 😉

  23. Ana Monteiro
    15 de junho de 2017

    Olá Gironda. Fui gostando mais do seu conto à medida que o lia. Vamos à avaliação para efeito de voto. Gramática. Revela um bom domínio da língua e da escrita, no entanto notei algumas discordâncias na conjugação verbal (duas ou três); Criatividade: bastante presente e gostei que não tivesse entrado em descrições, acho mais criativo criar um espaço que o leitor possa decorar como queira do que oferecer diretamente o andar-modelo pronto a habitar; Adequação ao tema: você fez e bem, eu é que achei o Silas muito jovem para vestir aquela pele e a imagem ficou meio desfocada, mas você não tem culpa; Emoção e enredo: o enredo serve de suporte à emoção, é sobre ele que o autor constrói a verdadeira história, pois essa é a odisseia emocional que leva Silas a fazer a transição de menino para homem, um processo sempre doloroso. Enquanto leitora também me deixei levar, apesar de no início estar reticente, depois o conto foi enriquecendo e ganhando espaço no meu interesse até que me prendeu. Você escreve bem e tem assunto. Por fim, encaixou muito bem toda a questão dos preconceitos, colocou o dedo na ferida sem chegar a falar dela. Muito bem. Parabéns e boa sorte.

  24. Iolandinha Pinheiro
    12 de junho de 2017

    Um conto com uma linguagem interessante e inovadora, e, de certa forma, arriscada.

    Em alguns momentos as aventuras do autor na utilização do idioma dispersaram a minha atenção, mas, admito, que a maior parte da leitura mais me encantou que incomodou.

    A escrita empregada pelo autor conta a vida do protagonista englobando infância, adolescência e a entrada na vida adulta fazendo parecer ao leitor que todo o tempo da história se deu em um dia apenas, não sei se foi proposital mas eu gostei.

    A adequação ao tema foi tranquila, se houve erros gramaticais não se destacaram no texto ou atrapalharam a sua fluidez. O mais elogiável no conto foi uma pegada intimista, onde as coisas que acontecem são percebidas pelo leitor através das emoções de Silas, seus pensamentos, objetivos e a culpa que o autor deixou bem evidenciada, no final. É isso. Parabéns.

  25. Afonso Elva
    11 de junho de 2017

    Existe um mérito na criação de empatia com o Silas. Como diria Pondé, vivemos na era do ressentimento. Bom trabalho, frases e parágrafos bem construídos. Fica a dúvida também sobre que mundo é esse, onde guardas não dão a miníma.
    Forte abraço

  26. Fátima Heluany AntunesNogueira
    11 de junho de 2017

    Conto interessante, título e imagem-tema bem contextualizados, já que foi a vestimenta (encontrada na mala) e o javali que fizeram o personagem se encontrar, decidir qual seria o destino a ser construído.

    A linguagem é diferenciada e gostei particularmente do uso estilístico da palavra “longe”, como um adjetivo, não como advérbio, e de alguns neologismos. Alguns deslizes não entravaram a leitura que foi agradável.

    É um trabalho que merece destaque. Parabéns pela participação. Abraços.

  27. Lee Rodrigues
    11 de junho de 2017

    E essa tal liberdade, hein?

    Sabe quando você gosta muito de um conto e as palavras fogem? Isso, às vezes, acontece comigo. Deve ser pelo nevoeiro das construções, onde cada palavrinha, disfarçada, vai somando seu peso como adição de saquinhos de chumbo. E vamos afundando, se misturando… até não restar mais atenção para ser dividida com adequação, ortografia… E a gente fica ali, sem fôlego para outras coisas. É claro, que a engenhosidade se atribui também ao domínio de tais normas, do contrário não alcançaria tamanha fluidez.

    Essa identidade marcante muito me apetece, geralmente encontro em textos mais rebuscados, floridos, com mais voltas, e esse, sem a preocupação de impressionar com “palavras ditas garbosas”, consegue ser elegante sem pesar a mão além de onde merece. Coisa de gente grande, e eu menina nessa arte, rendo minha admiração e o desejo de escrever assim quando crescer.

  28. Jorge Santos
    8 de junho de 2017

    Conto muito bem escrito, perfeitamente real. Vivemos numa época de culpas pré-concebidas. A personagem principal cometeu um crime, mas ninguém tinha interesse em que fosse punido. Mas ele próprio estava de consciência pesada.
    Gostei. Bastante inteligente e sóbrio, dos melhores que li neste desafio.

  29. Antonio Stegues Batista
    8 de junho de 2017

    O enredo é simples, mas carregado de emoções, embora alguns entraves como por exemplo. excesso de adjetivos em algumas frases. O personagem Silas foi bem construído, mostrando sua personalidade, seus pensamentos e aspirações, isso é importante e a partir daí a história segue. Não deu para saber em que época ele vive, moderna é claro, mas parece pós-apocalíptica. A escrita é boa a historia também, ideia idem, fora pequenos deslises; “Devolvam tudo! Onde está a menina? – gritamos sincronizados.”

  30. Fabio Baptista
    7 de junho de 2017

    Mais uma história escrita de um jeito que um dia ainda vou arriscar escrever, mas tenho impressão que não conseguirei um bom resultado como o autor conseguiu aqui – regionalista/poético, com ótimas construções.

    Não é meu estilo favorito, mas é um estilo e isso conta pontos.

    A trama é simples, mas consegue manter a atenção. Na verdade, acho que os eventos acabaram ficando em segundo plano em relação ao desenvolvimento do protagonista, meio que numa jornada do anti-herói. A cena com os ciganos é muito boa, criou a tensão necessária. O javali caiu meio de para-quedas na história, mas tá valendo 😀

    – Longes trovões
    >>> Longe, trovões

    — Devolvam tudo! Onde está a menina? — gritamos sincronizados.
    >>> aqui deu uma escorregada para a primeira pessoa

    Bom conto.

    Abraço!

  31. Vitor De Lerbo
    7 de junho de 2017

    A história é boa, mas a leitura não fluiu com facilidade. Talvez pelo tema denso, talvez pelo vocabulário.

    O leitor cria uma empatia com o Silas, pois, apesar de seu passado briguento, suas intenções eram boas quando as coisas ruins aconteceram.

    O javali é um ótimo signo da nova vida selvagem e nômade de Silas.

    Boa sorte!

  32. Fernando Cyrino
    5 de junho de 2017

    Gostei da sua história. Ficou bacana a maneira como você a foi contando, ao mesmo tempo em que ia me envolvendo dentro dela. Parabéns. Achei legais também essas espécies de fluxos psicológicos, de digressões, que foi realizando no interior da narrativa. E até senti dó dos ciganos mortos por causa de uma menininha que nem estava com eles. Reparei que fez falta uma última revisão no texto, mas de maneira geral está tudo bem bacana. Parabéns pelo seu conto.

  33. Milton Meier Junior
    4 de junho de 2017

    um conto bastante interessante, com uma linguagem poética e atemporal. tem uma forte carga emocional e psicológica e a narrativa mantém o interesse até o final. parabéns!

  34. Gilson Raimundo
    3 de junho de 2017

    Mas um conto bem escrito que escapa das concepções propostas. O autor conseguiu contar uma história de um erro e crime para que no fim , como um estuprador enfiar seu javali e aviador no pobre leitor desavisado. A dificuldade maior do desafio seria representar a figura de uma forma lógica e participativa dos itens visualizados.

  35. Neusa Maria Fontolan
    3 de junho de 2017

    Fiquei com dó do Silas. Por conta de um mal entendido, toda sua vida foi mudada. Mas, quem garante se para o bem ou para o mal? Que foi um grande salto em seu crescimento, isso não resta dúvidas.
    Bom conto
    Meus parabéns.

  36. Elisa Ribeiro
    2 de junho de 2017

    Olá autor! Gostei do conto. Conseguiu inventar um enredo sem aviadores e guerras, ponto pra você. Seu personagem cheio de conflitos me agradou em cheio. Há bastante ação, descrições na medida, narrativa ágil, uso elegante da língua, final preciso. Sem detalhes. Adorei! Parabéns!

  37. Givago Domingues Thimoti
    24 de maio de 2017

    Gramática: O texto está bem escrito. Não pude observar nenhum erro gramatical
    Adequação ao tema proposto: Bem adequado a Imagem proposta
    Emoção: Por mais que eu seja um grande fã de filosofia, eu não curti muito o dilema existencial. Entretanto, acredito que isso ocorreu mais pela forma na qual o texto foi escrito do que pelo enredo.
    Enredo/Criatividade: O conteúdo existencialista aliado a um espaço alternativo foram muito bem utilizados.
    Parabéns!

    PS: Perdoe-me se a crítica não foi muito construtiva

  38. Sick Mind
    23 de maio de 2017

    Não me sinto confortável para analisar esse conto, pois o estilo de escrita não me agrada muito. Sou mais chegado ao enredo do que a linguagem. Mas dentro da minha visão limitada, posso dizer que gostei de como o personagem foi desenvolvido e suas características emocionais levadas com coerência até o final. A situação com os nômades, que depois se revelam ciganos, marca uma mudança na história, mas a partir daí, o meu interesse pelo enredo foi só diminuindo. Compreendi a reflexão ao final e achei uma boa maneira de finalizar o conto, mas o caminho até ela não me atingiu com o impacto que deveria. Algumas construções não me agradaram muito, como “viver doía denso”, mas como já disse, acho que isso é reflexo de meu gosto pessoal. Alguns tempos verbais me confundiram mais do que encantaram. Eu sou um tanto avesso a obras regionalistas, mas o texto consegue fugir em parte dessa característica, o que achei fantástico!

  39. Gustavo Castro Araujo
    22 de maio de 2017

    O texto tem uma pegada intimista muito interessante: o javali (ou a fera) que habita em nós e vagarosamente nos domina. A prosa não é exatamente linear, o que favorece a imersão psicológica – algo que me agrada. Também apreciei bastante as digressões filosóficas e a pegada poética que permeia a primeira parte do conto. Há, é verdade, alguns lapsos de revisão, mas no fim fiquei com uma impressão favorável do texto. Bom trabalho.

  40. Anorkinda Neide
    22 de maio de 2017

    Eita, que esta última palavra ae conquistou meu coração poeta 🙂
    Olá, autor(a).
    Um texto muito bem escrito e conduzido,embora eu possa ter achado um tantinho sem graça, tanto o personagem quanto a ação com os ciganos, a aura dos fatos, a perspectiva psicológica, filosófica e poética do texto são bastante interessantes.
    Tem frases maravilhosas ae, com vocábulos muito bem empregados, coisa de quem sabe lidar com a língua. Parabéns.
    Gostei da forma como vc introduziu a imagem do desafio e realmente, ficou bem pertinente que ao tirar tantas vidas o rapaz tenha se transformado num homem da noite para o dia.. Realmente uma abordagem que nos faz refletir.
    Abração

  41. Marco Aurélio Saraiva
    22 de maio de 2017

    Um texto excelente, que inspira reflexão e preza pela harmonia das suas linhas e o uso perfeito das palavras. A leitura foi tão boa que não vi o tempo passar.

    ===TRAMA===

    Muito boa, daquelas histórias que “dão o que pensar”. Fala sobre a transformação de um homem; do valor da vida; da liberdade de escolha; do afastamento do coletivo para viver a individualidade. Silas confronta diversas encruzilhadas, e ele seguiu cada caminho por sua própria escolha, enfrentou as consequências, ponderou sobre elas e evoluiu.

    É um conto que narra a simplicidade da vida e, ao mesmo tempo, explora toda a sua complexidade.

    ===TÉCNICA===

    Não tenho muito o que dizer senão isto: sua escrita é um deleite. Palavras usadas de forma sublime, frases fluidas, bem escritas e cheias de significado. A arte da escrita parece fluir pelas suas mãos como água. Parabéns!

    Notei algumas nuances nos tempos verbais, e algumas liberdades exageradas nas construções de algumas frases (Como, por exemplo, na frase “Longes trovões riscavam a mata…”, quando o mais correto seria “Longínquos trovões” ou “Trovões distantes”). Mas acabou que estas liberdades adicionara um tom autoral ao seu texto, mesmo que algumas façam a frase soar errada gramaticalmente. Não foram problemas para a leitura, já que não frearam o ritmo do texto em nenhum momento.

    ===SALDO===

    Muito positivo. Se eu não der nota 10, será muito próximo disso. Silas foi um excelente personagem. E você, um excelente escritor.

  42. Felipe Moreira
    22 de maio de 2017

    Olá, Gironda.

    Primeira impressão do texto nos primeiros parágrafos é a que se tem um destino determinado. É bem escrito, passa segurança e mesmo que as flutuações da consciência do protagonista, o narrador onisciente tem total controle do que tá acontecendo. O seu enredo é um tanto difuso, talvez para atingir mais leitores com demandas distintas, porém bem aplicado. Achei a reta final, a situação com o animal, levemente abrupto. Mas as questões levantadas, pessoal ou sociais, foram muito relevantes, com um título bem coerente, “movido pelo selvagem”. Caiu muito bem. Está de parabéns pelo trabalho.

    Boa sorte no desafio.

  43. Olá, Gironda,
    Tudo bem?
    Seu conto, atemporal e sem indicação do local onde ocorre, dá ao leitor a liberdade de situá-lo onde quer que sua imaginação permita. Tenho certeza de que cada leitor por aqui, imaginou o seu próprio Silas, em seu próprio cenário. Seu texto, no entanto, não se trata de elementos externos, mas psicológicos. “Movido pelo Selvagem” fala do bicho que habita em todos nós e os conflitos e dilemas a que somos lançados ao nos defrontarmos com este. Ou melhor com nossa própria natureza.
    Como já convivi de perto com uma família de ciganos, temi que o texto caísse no preconceito ou no estereótipo. Mas isso não aconteceu. Ao contrário, a figura dos nômades ancestrais acende ainda mais a discussão a que a narrativa se propõe. Ao levantar a própria questão do preconceito com muita sutileza. O selvagem é sempre o outro, o desconhecido.
    Gostei da maneira como você inseriu as falas em meio à narrativa. Dessa forma, o narrador em terceira pessoa confunde-se um pouco com o próprio personagem em uma construção de narrador onisciente. Quase como se ele estivesse dentro da cabeça de Silas.
    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  44. Evelyn Postali
    21 de maio de 2017

    Oi, Gironda…
    Gramática – Nenhum erro muito visível. Escrita sem contratempos. Limpa. Clara.
    Criatividade – Confesso que me vi em um cenário do tipo Mad Max, em tons marrons e cinzas e aridez. Gostei de como construiu o surgimento da imagem do desafio, de como fez acontecer a relação entre a mala, o homem e o javali.
    Adequação ao tema proposto – Totalmente adequada ao tema.
    Emoção – Uma atrás da outras, minhas emoções foram fluindo com a leitura. Porque esse conto trata de vida humana, da construção do que é humano e especial, do bastar-se, da solidão e de solidões. Está muito bem feito e é uma história densa, tensa, mas sensível ao extremo.
    Enredo – Os questionamentos dissiparam as construções lógicas. O enredo aparece tímido diante de tanta indagação, mas cresce com elas. O personagem erra, sofre, questiona-se, e se recompõe e se refaz em um mundo caótico, controverso, distante da perfeição. Começo, meio e fim bem estruturados.
    Espero ter ajudado na avaliação de seu conto.
    Boa sorte no desafio!
    Abraços!

  45. Fil Felix
    20 de maio de 2017

    Bom dia! É sempre complicado ser o primeiro conto lido, porque ainda não temos uma noção de como ele está em relação aos outros, se foi melhor ou não, essas coisas. Por outro lado, é bom porque ainda não temos o enjoo que fica ao final. Gostei de alguns pontos de Movido Pelo Selvagem, da relação civilizado/ selvagem que dá pra levantar, seja na noção mais apocalíptica e caótica da cidade (como fala no início), contrastando com os habitantes tentando ter o convívio social possível (pelas festas), que volta a contrastar com os nômades (ou ciganos), que quebra mais essa ideia de “sociedade”. A busca pela criança, a perseguição, me remeteu ao Mad Max. Uma parte, em específico, que não peguei direito: quando o narrador se mistura ao personagem e diz “juntos”, porque não percebi ele (o narrador) como parte da situação. Ou lerdei, mesmo!

    Em relação ao tema, ele está aí de maneira bastante literal. Nesse ponto acho que não ficou tão “orgânico” com o resto da história, já que surge uma maleta com a roupa de repente.

  46. angst447
    20 de maio de 2017

    Olá, autor, tudo bem?
    Pois então, identifiquei-me com o seu texto. Essa coisa de prosa poética sempre me pega como areia movediça. Quando vejo, já estou lá apavorada, tentando não me debater para não afogar de vez. Alta habilidade com as palavras, se houve falhas em alguma construção, não dei conta.
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sucesso, talvez de forma mais sutil, mas os elementos estão todos contidos na narração.
    O título pareceu-me que decifrou boa parte do enredo. Silas, afinal, mostrou seu lado selvagem ao acabar com os ciganos. Por outro lado, encontrar o javali, deu-se conta de que o seu caminho era mesmo esse: seguir os seus instintos primitivos, entregando-se à liberdade na natureza.
    Tenho certeza de que alcançará uma boa posição no ranking. Gostaria de ter escrito este conto.
    Boa sorte!

  47. Evandro Furtado
    20 de maio de 2017

    Olá, autor. Sigamos com a avaliação. Trarei três aspectos que considero essenciais para o conto: Elementos de gênero (em que gênero literário o conto de encaixa e como ele trabalha/transgride/satiriza ele), Conteúdo (a história em si e como ela é construída) e Forma (a narrativa, a linguagem utilizada).

    EG: O conto é um drama regionalista. Apesar disso, não estabelece local exato. Tira-se os nomes e ambientação passa a independer de lugar e tempo. A brilhantia está nos detalhes. Há palavras e sentenças construídas de forma perfeita que compõem a ambientação necessária para se criar o drama. Assoma-se a isso o personagem bem construído.

    C: O conto se volta, especificamente, para o desenvolvimento do protagonista. Há uma jornada existencial em Silas e tudo o que acontece no conto gira em torno dele. Tudo tem um motivo. Cada coisa afeta Silas de certa forma e isso resulta no seu desenvolvimento enquanto ser.

    F: A narrativa em terceira pessoa faz do leitor o mero contemplador de uma história magnífica. O protagonista, desta forma, ganha aspectos de caráter épico, quase lendário. Apesar desse afastamento promovido, a conexão leitor-personagem é vívida. Mesmo que os dramas não sejam similares ao cotidiano, é possível compreender as motivações e contradições do personagem, brilhantemente construídas por meio de inúmeras figuras de linguagem muito bem aplicadas pelo autor.

    Lembrando que essa é uma crítica construtiva, visando ajudar o autor na composição de seus próximos textos.

  48. Olisomar Pires
    20 de maio de 2017

    1. Tema: boa adequação, meio arrumada no último momento, mas boa.

    2. Criatividade: Muito boa. Sujeito em busca de algo quando é jogado num evento acidentalmente, evento que o modifica ou o cristaliza.

    3. Enredo: Interessante. Mostra o menino, o jovem e o adulto, Existe algo de filosófico, bem leve. Há boas imagens e construções significativas que aumentam o valor do texto.

    4. Escrita: Sem erros notáveis, exceto um “senão” escrito junto (Lyara apareceu assim, .como se não aparecesse ), no mais o texto é fluido. Não diria contagiante, é um conto de imersão.

    5. Impacto: Médio.

    A reviravolta no final, com a menina surgindo e demonstrando que tudo não passou de um equívoco, o encontro das roupas estranhas na mala e o javali na corrente, me pareceram meio deslocados.

    Boa sorte.

  49. Lucas F. Maziero (@lfmlucas)
    20 de maio de 2017

    A leitura não foi tão clara, embora a linguagem empregada mostrou distinção e um certo charme, como nas frases:

    “Longes trovões…”
    “… o viver doía denso…”

    Além do neologismo pesadeloso.

    Parece-me que a história se passa em um mundo desordenado, onde andar com uma arma é coisa natural ou necessária. E o final me passou a mensagem de que enfim Silas encontrou o que procurava, e cabe a nós, leitores, imaginarmos o que ele fará com o javali,

    Parabéns!

  50. Ricardo Gnecco Falco
    20 de maio de 2017

    Olá autor/autora! 🙂
    Obrigado por me presentear com a sua criação, permitindo-me
    ampliar meus horizontes literários e, assim, favorecendo meu
    próprio crescimento enquanto criativa criatura criadora!
    Gratidão! 😉
    Seguindo a sugestão de nosso Anfitrião, moderador e
    administrador deste Certame, avaliarei seu trabalho — e todos
    os demais — conforme o mesmo padrão, que segue abaixo,
    ao final.
    Desde já, desejo-lhe boa sorte no Desafio e um longo e próspero
    caminhar nesta prazerosa ‘labuta’ que é a arte da escrita!

    Grande abraço,

    Paz e Bem!

    *************************************************
    Avaliação da Obra:

    – GRAMÁTICA
    Nada que atrapalhasse a fluidez da leitura.

    – CRIATIVIDADE
    Bem criativo. Cortiços, acampamentos, povoados ciganos e
    uma história mais filosófica/existencial do que normalmente
    um conto costuma tratar.

    – ADEQUAÇÃO AO TEMA PROPOSTO
    100% adequado ao tema, embora um pouco forçado o apa-
    recimento dos trajes e demais apetrechos da ilustração-tema.
    Mas estão todos os elementos da foto estão presentes na narrativa.

    – EMOÇÃO
    A história me passou um existencialismo perene por toda a
    leitura, menos importando os acontecimentos (pseudo-sequestro,
    embates e brigas) físicos e destacando-se a condição psicológica
    das personagens.

    – ENREDO
    Mais do que o exterior, a história trouxe os questionamentos internos,
    as dúvidas, anseios e resolução final do protagonista de desapegar-se
    de tudo o que já nem era assim tão apegado, talvez por não possuir
    muitas coisas materiais. A mensagem que me passou foi a de fome.
    Não de comida, mas de existência.

    *************************************************

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Publicado às 18 de maio de 2017 por em Imagem - 2017 e marcado .