EntreContos

Literatura que desafia.

Meu homem, não! (Neusa Fontolan)

Cresceu em meio a mitos e lendas, e acreditava em tudo: Boitatá, Boto encantador de moças, Curupira, Lobisomem, Saci-Pererê, Mula sem cabeça… De todos os seres, o que mais chamava a atenção dela era a dita “sereia da água doce”, Iara, a pedra no seu sapato. Virava e mexia alguém vinha falar sobre o ser dotado de irresistível beleza que hipnotizava e levava os homens que ouviam o seu canto. Terezinha torcia o nariz sempre que escutava uma história sobre a Iara, uma vez que estava lutando, fazendo todo tipo de mandinga para conseguir um companheiro e aquela gulosa queria todos os homens só para ela.

Tá na mão de Deus, né?— Repetia, já sem ânimo, todas as vezes que as vizinhas e amigas de missa a encontravam.

Foram tantas promessas e simpatias… E com a idade avançando, ela pensou que seria melhor desistir, precisava se conformar com seu destino, já que iria ficar pra titia. Enquanto caminhava, para a casa de uma amiga que a convidara para uma caldeirada de tambaqui, Terezinha matutava…

Certa vez, amarrou uma fita vermelha na imagem de Santo Antonio e colocou-o de cabeça para baixo. Ele continuava lá, “plantando bananeira”, já que não lhe deu um namorado. Arrancou três fios do seu cabelo e colocou sob o véu de noiva da sua amiga, isso sem que ela percebesse, e só ganhou dor na cabeça.

Tinha seguido a risca todos os rituais que conhecia e os que as amigas haviam lhe contado: sufocando o medo que sentia de andar sozinha no escuro, enfiou uma faca, sem uso, em uma bananeira, à zero-hora de 13 de junho. E o medo de assombração? Foi com o coração aos pulos que se trancou em um quarto e pingou a cera de uma vela virgem em uma bacia com água, isso também à meia-noite, em um ano posterior, na noite de Santo Antônio. Os dois rituais tinham a finalidade de lhe revelar a primeira letra do nome de seu amado: a bananeira com seu leite derramado e a vela com sua cera na água. Só viu borrões.

— Se num tem amor nenhum, num pode formá letra nenhuma mermo! – Aborrecida, constatou em voz alta.

Terezinha só não contava que sua amiga daria uma de cupido! Ela, a amiga, havia convidado também para comer a caldeirada, Juvenal, o primo seringueiro de seu marido, solteiro e já quarentão. Não deu outra! Namoraram, noivaram e, em pouco tempo o casório foi realizado.

“É… Tudo que Deus dá, dá cuzido…”

Agora Terezinha sorria. Nunca pensou em um seringueiro para marido. Era uma vida dura, dois dias na semana andando à noite na imponente floresta amazônica, à procura de uma seringueira boa para extrair seu látex. E durante a estação chuvosa eles tinham que colher suas castanhas, de onde era extraída a matéria prima para a fabricação de tintas e vernizes e assim, poderem sobreviver com a venda das mesmas. Munida de paneiro às costas, ela entrava no mato com o marido e o ajudava. Carregava baldes, cordas e ferramentas próprias para aquele meio de sobrevivência. Nada disso cansava muito, pois estava ao lado de seu homem, tinha conseguido!

Juvenal andava um pouco mais à frente. Empunhando um facão, desbravava o mato cerrado sob a luz da poronga. Ouvia músicas em um aparelho discman pendurado no pescoço, presente de casamento do seu irmão que vivia em São Paulo. Sua mulher também havia recebido um presente desse mesmo irmão: um par de óculos escuros. Terezinha gostou tanto que não adiantava nada Juvenal dizer que eram próprios para o sol, pois ela os usava sempre, mesmo agora, em plena noite. Falava que se sentia importante.

A madrugada avançava quando eles passaram próximos a um rio. Terezinha escutou primeiro, talvez por causa da música alta Juvenal não ouviu o belo canto que fazia todos os outros seres da floresta se calar. Naquele momento, a mulher sentiu como se houvesse sido atingida por um raio e todos os medos e raivas se misturaram. Pensou rápido, a ira tomando conta de si. Jogou tudo que carregava no chão, pegou um balde e uma corda e correu. Enfiou o balde na cabeça de Juvenal, este ficou sem ação com a surpresa e derrubou o facão. Ela aproveitou para empurrá-lo contra uma árvore, passou os braços dele em volta e o amarrou, tudo numa ligeireza trazida pela adrenalina. Juvenal ficou imobilizado, cego e surdo, já que o balde não desceu até os ombros por causa da poronga, que se apagou, mas cobria seus olhos e fazia eco para as músicas que continuavam a tocar. Não adiantava nada ele gritar para saber o que acontecia, ela não dava a menor atenção.

Terezinha rasgou duas tiras do tecido da sua saia e enfiou nos ouvidos. Munindo-se do facão, foi para beira do rio enfrentar a bela Iara.

— Tu é leza, quenga? Vá catá homi soltero! Tive um trabaião danado pra conseguir esse daqui.Esse é meu! Má num tô dizendo!

Sem parar de cantar, a Iara olhava para ela com estranheza, pois o seu canto não surtia efeito nenhum naquela humana, e nem seus olhos a hipnotizavam, isso por conta dos benditos óculos.

— Era só o que mi fartava mermo!  Depois de tudo, essa abestada qué robá meu homi. — E Terezinha bateu com o facão em uma pedra e faíscas brilharam. — Aqui pra ti, bicha!

A mulher andava de um lado para outro, sem tirar os olhos da Iara, que continuava na água, cantando e passando as mãos pelos longos cabelos negros.

— Tu vai ficá aí esfregando tua formosura na minha cara? Num vô dexá levá meu homi mermo! Nem se atreva a sair d’água, senão eu te passo o facão! Daí vamu vê se tu morre duas vez!

A Iara nem se abalou, agia como se estivesse sozinha e o que aquela doida falava não despertava em nada o seu interesse. Ciente do ser supremo que era, nadou até uma pedra e se sentou expondo sua bela cauda de peixe. Com um pente de ouro, passou a alisar os cabelos, enquanto cantava e ignorava a desvairada.

— Tu tá querendo me aporrinhá mermo. Vai dançá bunito viu! Eu tô atenta.

Terezinha bufou e tomou para si o desafio de ficar ali pelo tempo que fosse defendendo o seu homem. Se aquela diaba pensava que ia ganhar pelo cansaço, estava muito enganada. Continuou andando, de um lado para outro, como uma onça enjaulada. De vez em quando ela soltava um palavrão. Nem viu que o amanhecer não tardaria quando provocou a Iara novamente.

— Já deu o que tinha de dá. Chega! Tô até o tucupi com tu!

Para sua surpresa, a Iara mergulhou e sumiu de uma hora para outra, sem nem mesmo olhar para ela. Os raios de sol despontando ao longe e Terezinha, faceira, achando que quem tinha afugentado a bicha tinha sido ela. Ainda ficou parada por alguns segundos, depois, bem devagar, tirou os panos que tampavam seus ouvidos. Nada, nenhum canto mavioso se ouvia, só um som distorcido vindo lá detrás.

— Juvenal!

Correu para soltar o marido que tinha desistido de gritar e lutar. Ele até pensou que tinha sido abandonado por ela, ali, indefeso, à mercê de alguma fera faminta. Assim que se viu livre das cordas, Juvenal arrancou o balde da cabeça, o discman foi parar longe. Ele estava tonto e balançava a cabeça como se quisesse se livrar de marimbondos. Aos poucos, foi voltando ao normal, tomando consciência de onde estava, e foi tomar satisfação.

— Tá doida mulé? Que brincadera foi essa?

— Ora, brincadera… Capaz mermo.— E o mediu com os olhos de alto a baixo. — Tinha uma Iara querendo te levar.

— Uma Iara? – Ele perguntou com um misto de surpresa e enternecimento. – Vixi…Tu foi logo afrontá uma Iara? É maluca mermo!

— Isso mermo! Mas onde que eu ia dexá uma mulé pexe levá marido meu? Botei pra correr!

Juvenal sorriu, foi mais para perto, acariciou o rosto redondo de Terezinha e falou:

— Leva não… Olha! — E segurou os ombros de Terezinha. — Eu fiz foi promessa, mandinga e simpatia. Fiz mermo! Rezei pra tanto santo que até deu medo… E taí tu, minha esposa. Dez vez melhor que qualquer Iara. Tenha cuidado não, minha flor, aqui é teu.

Terezinha quase explodiu de tanto que seu ego inchou. O amor ficou registrado com toda sua simplicidade. Porém, ela tratou de se acalmar com o pensamento, “é muito bom di ouvi, mas é melhor ficá prevenida”. Sorrindo recolheu o balde e as cordas, e foi buscar o discman. Juvenal fez cara feia ao ver novamente o aparelho, mas notando a expressão no rosto de sua amada o aceitou, colocou-o pendurado no pescoço. Depois ele a abraçou e falou ao seu ouvido.

— Má num tô dizendo, faço tudo pra ti vê feliz! Se tu quisé eu ando nesse matão di Deus com o barde na cabeça.


Texto atualizado em 06/04/2017

 

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43 comentários em “Meu homem, não! (Neusa Fontolan)

  1. Neusa Maria Fontolan
    5 de abril de 2017

    Chegando bem atrasada aqui, um imprevisto me afastou por uma semana e onde eu estava não tinha computador (Celular eu só sei ligar e atender as ligações, mais nada) apesar de estar bem no meio de uma selva de pedra, me senti pelada no meio do mato e roendo as unhas, aff… Dei pulos de alegria quando soube da minha colocação, mas não conseguia agradecer, celebrar ou seguir todos os comentários.
    Agradeço de coração a Maria Santino, que me ajudou (muito) com palavras tiradas do “Dicionário popular Amazonense” para que eu pudesse montar os diálogos. Este conto não é só meu, é nosso, sem você eu nunca teria conseguido. Obrigada mesmo minha amiga, principalmente por toda sua paciência comigo. Tu é porreta di boa!
    Agradeço todo carinho que recebi nos comentários e a todos os puxões de orelha (merecidos por sinal) vou procurar seguir os conselhos e consertar os erros. A Bianca Machado, Catarina Cunha e Fernando Cyrino, obrigada pelo 10 redondo, sinceramente eu não esperava tanto. Uau, Uau, Uau e uhuuuuuu

  2. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: na parte técnica, creio que o que mais se destaca é o desenvolvimento de personagens, principalmente de Terezinha. O crescimento dela baseia-se bastante em suas próprias ações, e isso funciona muito melhor do que dizer que Terezinha é isso ou aquilo (é o famoso “show, don’t tell” aplicado com maestria). Além disso, a narrativa é rápida, sem entraves e gostosa de ler.

    Apelo: achei muito legal aquele arremate com Juvenal assumindo que também estava procurando sua Terezinha há tempos. As aparente simplicidade das emoções, refletida nas falas, provoca um apego muito forte com o casal. Supomos, do início ao fim, que o conto não será um emaranhado de reviravoltas, que não terá um final chocante ou trágico, pois o próprio estilo já nos permite a prévia do desenvolvimento. Vamos até o fim, no entanto, apenas pelo prazer da leitura, que é inquestionável.

    Conjunto: um dos contos “lineares” mais cativantes que li até aqui.

    Parabéns e boa sorte.

  3. juliana calafange da costa ribeiro
    31 de março de 2017

    Hahaha! O conto mais criativo q li até agora! Leve, divertido e leva a lenda da Iara pra outro “patamar”, digamos assim. O final é muito fofo! Viva o amor! Parabéns!

  4. Vitor De Lerbo
    30 de março de 2017

    História hilária, muito boa! Divertida e leve.
    Boa sorte!

  5. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sem duvida
    b) Enredo: bem simples e leve, diria ate mesmo cômico. Teresinha e seu marido parecem saídos de uma novela das seis. Achei que o autor (a) gastou um pouco de tempo demais nos preparativos e na expectativa da Terezinha para arrumar um marido, e aparte mais interessante, que e’ o encontro dos dois com a Iara, poderia ter sido mais longa. O autor nos conduz como a esperar uma grande revelação no final, e de certa forma há uma revelação, mas não tao grande como a que o conto nos faz antecipar.
    c) Estilo: bem escrito O contraste entre a narrativa e as falas e’ bem claro. Não sei se precisara ter colocado as falas em itálico, os travessões já deixam bem claro que se trata de alguém falando.
    d) Impressão geral: Um conto bonitinho e bem leve. Muito tranquilo para se ler. Gostei. Boa sorte no desafio!

  6. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um conto delicioso (caso pudesse ser mastigado e engolido), criativo, reluzente, amoroso, carinhoso e divertidíssimo. Não costumo trabalhar com muitos adjetivos, mas quem merece, recebe. O autor(a) e os dois, todos matreiros, cheios de mandinga e conseguindo o intento, cumprindo fielmente o desafio. Parabéns!

  7. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Achei o conto muito simpático, descompromissado (no melhor sentido da expressão) e também despretensioso. Parte da velha premissa da mulher que quer se casar desesperadamente que, ao encontrar seu homem, não pretende largá-lo nem mesmo diante de uma assombração ou, como ocorre neste caso, quando a Iara em pessoa aparece. A narrativa divertida, recheada de clichês (mas nem por isso desinteressante), mantém o interesse e o fim mostra-se adequado à proposta. É, portanto, um texto de humor que cumpre bem seu papel de entreter. Bom trabalho!

  8. Rsollberg
    29 de março de 2017

    Fala ai, Engajado!
    Conto bem divertido.
    Tem aquele jeitão de causo, com bastante humor e uma escrita bem correta.
    O título entrega o embate, assim como a revelação inicial de que Terezinha não curte muito Iara. A dificuldade da protagonista foi bem representada e, assim, foi bem divertido acompanhar sua jornada.
    O final é previsível, afinal o conto todo caminha nessa direção. Talvez a unica surpresa seja a declaração de Juvenal, o verso perfeito da mesma moeda.
    Parabéns e boa sorte!

  9. mitou
    29 de março de 2017

    o final do conto se revelou uma história fofa de amor, bem simples mas acho que a frase final fechou o conto como deveria. embora o climax com o aparecimento da Iara não tenha sido muito bem construído , talvez precisasse de uma descrição maior da mulher exaltando mais sua beleza.

  10. Iolandinha Pinheiro
    28 de março de 2017

    Errata: Onde se lê “quaisquer formato”, leia-se “quaisquer formatos”

  11. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Engraçado e curioso, esse texto indica um autor com muito domínio da narrativa e da construção de personagens – apesar de levemente caricatos. Como ponto a analisar, acho que o detalhe do Discman ficou fora de proporção – primeiro, porque é um aparelho pouco prático, se fosse um radinho de pilha seria mais convincente. Sei, porque tive um… De qualquer forma, parabéns!

  12. Fabio Baptista
    28 de março de 2017

    Aqui está um bom exemplo de que um arroz e feijão bem feito pode ficar mais saboroso do que muito prato “gourmet”. A narrativa é simples e direta, sem muitos floreios e rodeios, mas consegue prender a atenção e apresentar uma versão bem humorada da lenda.

    Terezinha é um carisma só. E na última frase, Juvenal matou a pau! rsrs

    – Ela, a amiga, havia convidado também, Juvenal
    >>> essa última vírgula ficou a mais

    Muito bom.

    Abraço!

    NOTA: 9

  13. rodrigues
    28 de março de 2017

    Muito bom! A partir do momento em que eles entram pelo mato de Discman e oculos escuros; o conto fica hilario e torna a leitura divertida até a última linha, essa simplicidade do amor entre os dois, a discussao com a Iara e a revelacao final do marido foram as parte que mais me agradaram. Eu so suprimiria um pouco mais o comeco, para que o conto ja engrene logo no terceiro paragrafo ou ate antes.

  14. Matheus Pacheco
    27 de março de 2017

    Cara, que conto bonito, sem brincadeira, mostra a fé que quase todos nutrem por mandingas, e o mais legal o amor de Juvenal pela protagonista.
    E com um final que me surpreendeu ao ver que o homem deixou o encanto da Sereia para ficar com sua amada.
    Abração ao autor.

  15. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    História simples e interessante. A gramatica é direta e os personagens são gostosos de se acompanhar. O final é bastante curioso, mas a meu ver merecia um fechamento mais aberto.

  16. Bruna Francielle
    27 de março de 2017

    tema: adequado

    pontos fortes: bem, eu comecei gostando da história da Terezinha. Aquele esteriótipo de mulher “encalhada” desesperada que faz simpatia, e etc. Esse esteriótipo anda bastante sumido, mas é um tema no mínimo engraçado de ler.

    pontos fracos: porém qnd foi pra cena com a Iara descambou para o lado cômico-pastelão, meio exagerado e non-sense demais, perdendo um pouco a graça. O final também não me cativou, não consegui ver muita graça no fato de que o Juvenal tinha feito simpatias que nem Terezinha, acho que podia ter inventado outro final que não repetisse a história dela.

  17. Priscila Pereira
    27 de março de 2017

    Oi Engajado, que gracinha o seu conto… muito fofo!! Gostei bastante, está bem escrito, bem pensado e bem executado. Gostei dos protagonistas, são simples, mas fortes. A Terezinha tá certa, não pode deixar nada roubar nosso homem não!! Kkk Boa sorte!!

  18. Anderson Henrique
    27 de março de 2017

    Gostei do causo. Divertido e leve. A opção que o autor fez foi simples e funcionou. Boa execução e ritmo. Não desgostei da conclusão, mas não me causou grande impacto, talvez por conta da trama ter sido um pouco linear. Mas um bom conto, sem dúvida.

  19. jggouvea
    26 de março de 2017

    Esse foi o texto que mais me deu prazer de ler até agora.

    Pegou um personagem crivel (a Terezinha) e o colocou em um dilema que faz sentido na lógica da história. Tudo muito bem amarrado. A única coisa que eu não faria é o linguajar dos personagens. Isso é meio desnecessário. Mas não tira o prazer da leitura.

    Média 9,63
    Introdução 8,00 – parte mais fraca da narrativa
    Enredo 10,00 – criativo e surpreendente
    Personagens 10,00 – até a Iara está bem construída
    Cenário 10,00 – na medida certa
    Linguajar 9,00 – único ponto do conjunto que destoa
    Coerência 10,00 – texto muito bem planejado e bem escrito.

  20. Bia Machado
    26 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (4/4)
    Construção das personagens: (3/3)
    Adequação ao Tema: (1/1)
    Emoção: (1/1)
    Estética/revisão: (1/1)

    Outro conto que não quero fragmentar o comentário. Narrativa fluida, que até engana com certo ar despretensioso, como se fosse apenas narrar. Talvez isso tenha se dado pela habilidade em dar vida às personagens, elas tomaram conta da narrativa, cada uma com sua característica bem delineada. Terezinha é nota 10, CAPAZ que não seria! Parabéns!

  21. Olisomar Pires
    26 de março de 2017

    Belo conto, divertido e bem escrito. Afora alguns exageros como a dor de cabeça por causa de 03 fios de cabelo arrancados e os óculos de sol noturnos, tudo muito bem.

    Parabéns.

  22. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um conto começa mal quando tem um erro já no título. “Meu homem, não!” Essa vírgula parece estar separando um vocativo, ou seja, que ela está se dirigindo ao homem, dizendo não para ele, o que não parece ser o caso quando se lê a história. É bom sempre prestar atenção ao uso das vírgulas, elas têm o poder de mudar totalmente o sentido de um texto. Voltando ao conto: história cômica e leve, abordando de forma cômica o sentimento o ciúme, um tema clássico tanto de histórias séria quanto de comédias como essa. Os personagens são divertidos, tudo gira em torno da obsessão de Terezinha de conseguir um marido e depois de conservá-lo, poderia ficar tedioso e repetitivo facilmente, mas o conto é curto e termina bem antes disso. Um conto fútil e descartável, mas doce enquanto dura, coisa que não aconteceu com muitos neste desafio, então merece algum crédito. Parabéns! Desejo para você muito Boa Sorte!

  23. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Os “caipiras” aqui ganharam uma interessante versão de seringueiros. A forma como foram apresentados e trabalhados os afastou do lugar-comum, deixando que a história tratasse o fantástico como parte do próprio universo. O recurso trouxe a empatia que a história precisava. Ainda que se conte o arco da protagonista na luta pelo “seu homem”, o segredo da narrativa está na imersão que temos sem qualquer esforço.

  24. Pedro Luna
    25 de março de 2017

    Conto divertido. Gostei do resultado. Só achei um pouco fraco o argumento de Teresinha acompanhar o marido seringueiro no mato, como pretexto para o encontro com a Iara. Mas enfim, é só um detalhe. Além disso, o confronto entre Teresinha e Iara ficou um pouco longo demais. Na minha opinião, foram vários parágrafos onde praticamente nada acontece. Acredito que eles poderiam ser resumidos em uma eventual revisão, enxugando o texto. Mas enfim, no geral, gostei do conto. A frase final, do balde, foi perfeita. Teresinha achou um marido mandingueiro igual a ela. rs

  25. Marco Aurélio Saraiva
    24 de março de 2017

    Gostei! Um conto divertido, com ares de comédia. Esse desafio está cheio de Iaras e Botos. O pessoal está com a libido nas alturas! Hahahahah!

    Começou resumido, contando a vida de Terezinha, mas da metade até o final foi um momento na sua vida de casada. Gostei de como o conto pode ser muito bem uma metáfora, já que a situação com a Iara pode ser emulada no nosso mundo real de diversas maneiras.

    Sua escrita é boa e muito descontraída. Foi uma história agradável de ler! Só achei surreal a parte onde Therezinha agarra e amarra o marido. Ou ele era muito fraco, ou ela era forte demais, para conseguir sobrepujar o homem e amarrá-lo na árvore sem nocauteá-lo.

    Gostei de como todos os elementos da história tinham uma razão para estar lá: de como o marido não ouviu a cantoria da Iara por estar ouvindo o discman ganho do irmão, de como ela não sofria com os olhos encantados da criatura por usar óculos escuros, etc. Muito legal!

    Parabéns!

  26. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Engajado,
    Eu ri. Gostei da Terezinha enfrentando a Iara. Se eu fosse a Terezinha faria do mesmo jeito. Gostei muito. Leitura agradável, gramática certinha, adequação ao tema, e uma forma criativa de contar sobre a Iara.

  27. Elisa Ribeiro
    23 de março de 2017

    Uma história divertida. Gostei dos diálogos, da forma como você apresentou o modo de falar dos personagens. Sua história é despretensiosa, o enredo ficou bem consistente, os personagens são simpáticos, a narrativa me prendeu. Parabéns pelo conto!

  28. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Olá.

    Legal a “batalha” entre Terezinha e Iara. Dá para sentir a raiva e o medo dela em perder o homem que tanto ralou para fisgar.

    No final, a revelação do amor incondicional de Juvenal deixou-me um sentimento de prazer por ler um (raro) final feliz. Parabéns.

  29. Olá, Engajado,

    Tudo bem?

    Que conto delicioso de se ler. O trabalho tem um senso de humor aguçado, tem doçura, tem força e ainda trabalha com o folclore em algumas camadas diferenciadas, brincando com as simpatias e crendices para o amor, mescladas ao mito da Sereia.

    Gostei da narrativa, da fluidez e da maneira com que “Engajado” fisga sua mulher, reviravolta inesperada e que só aparece o final.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  30. G. S. Willy
    22 de março de 2017

    O folclore está presente, embora a história seja mais sobre o amor e casamento, ou a falta de, do que sobre a Iara em si. A escrita está boa, com algumas escorregadelas aqui e ali apenas, mas dou destaque para as vozes dos personagens, que ficaram realmente boas e bem realistas. Porém achei o texto bem corrido em algumas partes, como no momento que ela encontra seu marido e casa e já vai trabalhar com ele, talvez isso pudesse ter sido melhor desenvolvido. Sobre a personagem usar óculos escuros na mata a noite achei muito forçado, e quando percebi o motivo, entendi que era apenas uma muleta preguiçosa por parte do(a) autor(a)…

  31. Antonio Stegues Batista
    20 de março de 2017

    A lenda está dentro da história, mas o enredo não chegou a me impressionar, está bem escrito porém é muito simples, sem grandes mistérios, com um toque de humor e é só. Uma narrativa sem grandes pretensões e nada para surpreender, fazer pensar, provocar reflexões.

  32. Iolandinha Pinheiro
    20 de março de 2017

    Adorei algumas expressões matutas usadas no seu conto, e simpatizei muito com o casal protagonista. Um conto, simples, direto, gostoso de ler, um verdadeiro “causo”. A Terezinha foi uma personagem muito bem delineada, a ambientação foi sutil mas eficiente, o conflito me rendeu boas risadas, o linguajar estava quase totalmente adequado ao que o conto se propunha. Faltou, talvez, um perigo real, mas esse nao é o objetivo de desafio, que pode ter contos em quaisquer formato, inclusive no formato comédia, entao mesmo sem nenhuma profundidade emocional, foi um conto muito eficiente. Parabéns e boa sorte.

  33. catarinacunha2015
    18 de março de 2017

    Muito bom! A simplicidade do estilo me encanta. Como melhor convém a um conto curto, todas as palavras e detalhes da trama precisam ter motivo para existir. Quando encontrei a imagem do homem de discman e ela de óculos escuros de noite pensei com meu espírito de porco: “Isso não vai dar certo, estava indo tão bem, vai estragar o conto, deixar um monte de ponta solta…”. Surpresa! Toda a bizarrice tinha um motivo sério para existir. Adoro ser surpreendida.

  34. Roselaine Hahn
    17 de março de 2017

    Engajado, ri litros das falas da Terezinha, ó muié abestada. Bastante criativo o enredo do seu conto, algumas vírgulas faltando, mas que não comprometeu o entendimento. Fiz uma analogia com a Rainha má da Branca de Neve, Terezinha perguntando ao espelho quem era mais bela, ela ou a Iara. Viajei! Teve uma parte que quebrou o estilo da narrativa, e causou certo estranhamento, do tipo, acho que já vi isso no tio Google: “…andando a noite na imponente floresta amazônica, a procura de uma seringueira boa para extrair seu látex, e durante a estação chuvosa eles tinham que colher suas castanhas, de onde era extraída a matéria prima para a fabricação de tintas e vernizes, e assim poderem sobreviver com a venda das mesmas.” No mais, um bom texto, leve e divertido. Parabéns.

  35. Evandro Furtado
    17 de março de 2017

    Resultado – Average

    Gostei da construção dos personagens e dos diálogos. Acho que o que pegou pra mim foi o desenvolvimento do conto de forma geral. A transição que o autor faz da primeira pra segunda parte é demasiadamente acelerada. Terezinha casa de repente, sem preparação nem nada. Perceba que, considerando o caráter da personagem, e a dificuldade dela em arrumar parceiro, seria legal se o texto transmitisse essa dificuldade também, alongando o período dela só. Quando o conto traz que “Namoraram, noivaram e em pouco tempo o casório foi realizado”, quebra-se a lógica da dificuldade que vinha seguindo.

  36. Rubem Cabral
    17 de março de 2017

    Olá, Engajado.

    Um conto divertido, com jeitão de “causo”. Há várias coisinhas por arrumar no texto, feito o itálico com travessão, algumas vírgulas fora do lugar, etc.

    No conto se fala de castanhas de seringueira. Estaria isso certo?

    Nota: 7.

  37. Fheluany Nogueira
    17 de março de 2017

    Conto interessante, um recorte do modo de ser provinciano, cheio de bom humor e superstições.

    A forma como foi expressa a ambientação, os costumes da região e as sensações da personagem ficou bastante intensa; há uma riqueza descritiva, com precisão e encaixe das palavras que conduz o leitor para dentro da cena. Ri muito com o modo que Teresinha protegeu o marido e confrontou o encantamento da Iara.

    Gostei da “caldeirada de tambaqui”, das simpatias para arrumar casamento (Por sinal, são as mesmas da região sudeste.), da linguagem dos diálogos, mas, sobretudo, da declaração de amor no final romântico e feliz.

    Parabéns, abraços.

  38. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    Mulher de fibra essa Terezinha! Acho que a gente tem que defender o que quer e acredita, independente do credo, do sexo, da profissão, e principalmente se isso for o amor que é tão difícil encontrar ( ela que o diga!).Se houvessem mais pessoas como ela no mundo o amor teria mais chances fluir. Texto cômico, o ente folclórico ficou evidente e teve uma participação condizente com o tema.

  39. M. A. Thompson
    17 de março de 2017

    Olá “Engajado”. Parabéns pelo seu conto. Não sou crítico literário então preciso usar como critério o gosto pessoal e infelizmente seu conto não me agradou como eu gostaria. Também não foi tão ruim, está mais para mais ou menos. Desculpe-me por isso. Abçs.

  40. angst447
    15 de março de 2017

    Reli esse conto,pois ainda não havia feito o comentário. Aborda a lenda da Iara, mas de uma forma original e bem criativa. Como não rir de Terezinha defendendo o seu homem?
    Portanto, o autor obedeceu a regra/tema do desafio.
    A linguagem do conto é simples, com toques regionais e bem humorados. O ritmo da narrativa é bastante ágil, devido aos diálogos e descrições ligeiras.
    Há alguma confusão quanto ao emprego de vírgulas e pequenas falhas de revisão:
    Ta na mão de Deus > Tá na mão de Deus
    Tinha seguido a risca com todos os rituais > (…) a risca todos os rituais
    a meia-noite > à meia-noite
    andando a noite> à noite
    mais a frente> à frente
    por conta do bendito óculos. > dos benditos óculos
    Gostei da narrativa e principalmente do final. Terezinha conseguiu ficar com o seu Juvenal, sentindo-se a poderosa e ele todo fofinho declarando o seu amor.
    Bom trabalho!

  41. Eduardo Selga
    13 de março de 2017

    É uma narrativa singela, em que fica demonstrada por parte de ambos os personagens a intensidade do amor que os une.

    Apesar de ser uma ideia original uma mulher enfrentar a Iara para defender o “seu homem”, e essa personagem, assim como ele, ser construída de modo um tanto humorístico, o que pode facilitar a empatia com o leitor, há certa inconsistência no fato de Juvenal ter “[…] desistido de gritar e lutar […]” por achar “[…] que tinha sido abandonado por ela […]”.

    Sim, o objeto da narração concentra-se em Terezinha e na Iara, não estou reivindicando protagonismo para Juvenal. Mas, resolvido o impasse entre as duas, é pouco razoável a reação passiva do seringueiro quando a esposa volta para libertá-lo. Entendo que melhor seria se ele estivesse tentando libertar-se, até por estar “[…] indefeso, à mercê de alguma fera faminta”.

    Em “este tinha” há um CACÓFATO (tetinha, diminutivo de teta).

    Em “a mercê de alguma fera faminta” há CRASE.

    Em “porém, ela tratou de se acalmar com o pensamento […]” o verbo no infinitivo exige ênclise, de modo que o correto seria ACALMAR-SE.

  42. Anorkinda Neide
    12 de março de 2017

    Coisa amada! Apesar do sotaque ser outro, pensei no Chico Bento e na ternura q os personagens caipiras do Mauricio tem.
    Achei bem-humorado, sem ser irônico, o texto é leve e leva a gente como a correnteza de um belo rio, com Iara dentro e tudo. hehe
    Parabens mesmo pela criatividade.
    Abração, minha amiga! ❤

  43. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    Uau! Eita que esta mulher é das boas. Um conto muito bom. Muito bom mesmo. Apreciei demais a sua história. Gostosa de se ler, o fluxo corre tranquilo, sem sobressaltos, quem sabe seja tal o canto da Iara. E olhe que tenho dificuldades em gostar quando encontro um texto escrito no modo que se escuta o povo mais simples falar. Parabéns pela história. Conto pra lá de bacana.

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .