EntreContos

Detox Literário.

a m o r t e (Douglas Moreira)

maos-dadas

Crendo no amor, desbravou seus medos e estilhaçou as barreiras que o seguravam. Num momento insano de valentia, abriu a porta do quarto dos pais, parou ali e proferiu as palavras que encheram o mundo com tamanha estranheza que quase o fizeram engasgar.

-Mãe, pai: amo outro homem. Sou gay.

Horas depois Outro Homem sorria ao rosto a sua frente.

-Você conseguiu, amor.

Logo, nos dois rostos brotaram uma idêntica lágrima solitária.

Outro Homem então levou a mão à superfície do espelho, sentindo o peso e a dor das palavras que jamais poderia dizer ao amante agora sem vida.

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89 comentários em “a m o r t e (Douglas Moreira)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Vixe, pera que embaralhou os miolos aqui…
    E só por ter rolado isso, já digo que gostei, rs.
    O cara se apaixonou por ele mesmo? Digo, o cara morto?
    Ainda to processando… mas desde já, parabéns pela construção.

  2. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Achei legal o início, mas no fim fiquei a me perguntar: WTF?

    O excesso de Outro Homem tornou as coisas um pouco confusas. Na releitura entendi que o namorado do personagem o parabeniza por ele ter tomado coragem. No fim, esse namorado provavelmente está morto, mas por que mesmo? Tem algo que não peguei.

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Tive algumas duvidas, fiquei meio confuso. Boa sorte!

  4. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Fiquei com algumas dúvidas, mas boa sorte!

  5. Poly
    27 de janeiro de 2017

    Fiquei na dúvida se realmente havia outro homem ou se o outro homem é ele próprio. No entnato, não considero isso algo ruim. Acho que é interessante deixar aberto para interpretações. Que graça teria explicar tudo explicadinho? 😉

  6. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Querido (a) Mardih,

    Tudo bem?

    Gostei do tema de seu conto. Algo doído e que conheço de perto, pela história de vários amigos meus. Contar aos pais que se é gay é um divisor de águas.

    Sobre a morte do namorado, fiquei um pouco no ar, devo confessar. Não sei se um matou o outro, se o outro já estava morto há tempos, ou se os pais é que o mataram.

    Ainda assim é um bom conto, com belas palavras. E com a morte como alegoria do fim do amor e das ilusões.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  7. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Não gostei muito não. Fiquei meio que boiando no final. Quem morreu? O amante do que se declarou, o que se declarou gay? A morte foi metafórica? Dizem que um micro conto deve ter um final aberto e tal, mas, neste, o que pairou foi o não entendimento do que o autor quis dizer, ficou nebuloso demais, o que, para mim, fez com que o conto perdesse força. Boa sorte no desafio.

  8. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Achei meio sem sentido. O primeiro personagem chega aos pais, diz que ama outro homem, assumindo-se gay. Num outro parágrafo, o seu “amado” aparece lamentando a morte do primeiro. Como assim? O rapaz contou pro pai que era gay e tomou um tiro de espingarda do papai homofóbico? Eu li muitas vezes, mas não consegui entender. Desculpe minha ignorância, mas eu li muitas vezes e não consigo ver uma parte se ligar à outra. Sei o quanto é difícil escrever um minoconto, pois eu também não sou expert no assunto.

    Sua escrita é boa e você conseguiu transmitir um pouco dessa angústia dos personagens, mas faltou alguma peça ali pra dar o bom funcionamento. Te desejo boa sorte.

  9. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Mardíh, gostei do seu “loop”, se é q posso chamar assim. O rapaz cria coragem, entra no quarto dos pais, assume q é gay, então se torna outro homem, e olha-se no espelho, emocionado com o q teve coragem de fazer. E então diz adeus ao homem q ele era antes, sua imagem no espelho, que agora não existe mais. O uso do verbo “estilhaçar” no início do texto já dá a idéia do espelho quebrado, os dois lados do reflexo separados para sempre. Só um detalhe de revisão: “sorria ao rosto A sua frente”. Esse A tem crase. Sem a crase, atrapalha o entendimento. Mas creio ter sido só erro de digitação, ou culpa da maravilhosa “auto-correção” do Word… Muito bom texto, parabéns!

  10. Tiago Menezes
    26 de janeiro de 2017

    O texto me pareceu um pouco confuso, por ser aberto a muitas interpretações. Não consegui me sentir impactado por ele, infelizmente. Boa sorte no desafio.

  11. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Bem, é um daqueles que contos que traz uma boa ideia, mas peca pela execução.
    Penso que aqui o autor não criou lacunas, mas simplesmente confusão, que no meu entendimento não era necessária para história.
    De qualquer modo, tem algo de singelo e bonito nestas poucas linhas.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    pode resultar um texto muito interessante, mas precisa de muito trabalho e de eliminação do limite de palavras. De momento não está um texto estimulante, mas podes chegar lá.

  13. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Gente, deu um nó na minha cabeça, mas de um modo bom, hahaha. Deixa eu explicar. Entendi que o homem que “morreu” foi uma das personalidades do protagonista, no caso, a homossexual. Ao se confessar para os pais, ele se libertou. Mas não tenho certeza se o Outro Homem, o sobrevivente, também era gay, mas não aponto isto como um defeito de forma alguma! Gosto dessa sensação de final aberto que há aqui, embora o texto se encerre. É o tipo de história que a gente vibra depois de ler por causa da sagacidade implícita. Excelente!

  14. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Na parte conceitual e narrativa, o texto é bastante enxuto e objetivo, levando o leitor à conclusão sem rodeiros. Mas o final ainda ficou em aberto, não sei se o Homem que Cria no Amor estava morto e no caixão (daí não tem lágrima), ou se ele saiu do armário porque o Outro é que estava morto. Não sei. Na parte técnica: – “que quase o fizeram engastar” – o mundo ou ele? – “amo outro homem” – como dali pra frente, o autor grifa é Outro Homem, não seria o caso de manter o padrão? Boa sorte no desafio!

  15. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá! Parece-me que o autor tinha uma ideia bem definida da história quando a compôs e, para o bem ou para o mal, ela acabou se diluindo em várias interpretações possíveis. Particularmente, me agrada essa pluralidade de conclusões, mas nem sempre é a melhor escolha. Interpretei que o amante do protagonista, após sua morte, diria a si mesmo em frente a um espelho o que não pôde dizer ao protagonista em vida, mas é só uma das possibilidades. Enfim, uma situação brutal que foi explorada pelo viés mais sensível (a perspectiva de quem sofreu com a perda).
    Parabéns e boa sorte.

  16. Victória
    24 de janeiro de 2017

    O final foi um pouco confuso, mas no geral, gostei do conto. A ideia é ótima, só poderia ser um pouco melhor executada.

  17. Simoni Dário
    24 de janeiro de 2017

    O texto é instigante, porém confuso. Entendi um pouco lendo os comentários, pois não assimilei a história. Essa ideia de narcisismo é bem interessante, tomara que seja por aí. Não deixa de ser um texto que desperta a curiosidade.
    Bom desafio!

  18. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Prêmio Repetição Desnecessária de Palavras vai pra tu. De mais, só mesmo. Fraco.

  19. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Caro autor, seu conto abre algumas possibilidades, o que não é ruim, deixou aberto para que cada leitor bebesse a sua porção.

    Numa olhada superficial, usando o jargão da Catarina, num “mergulho raso”, parece mesmo o remorso de uma revelação tardia, sem que jamais tenha a oportunidade de colher com o ser amado, os frutos de sua coragem.

    Mas sabe, “saindo da banheira”, observando o universo do seu persona como um todo, a ênfase que você dá ao “Outro Homem”, repetido e escrito com inicias maiúsculas, me fez remoer o que estaria querendo evidenciar, você nos deixou uma pista sutil que estava falando do próprio protagonista, não de uma outra pessoa, mas da nova identidade, ou melhor, da real identidade. Que dali em diante, ele seria outro homem, seria ele mesmo. Ele ama a família, mas também se ama, e ama o suficiente para não ser aquilo que esperam que ele seja, para ser ele mesmo.

    Ele só, frente ao espelho, cara a cara com o velho e o novo, se despede de quem foi, uma lágrima de alivio (talvez), e o sentimento da provável solidão (ou não) que virá adiante.

    Vi que o Sidney também enxergou esse lado, o que me deu a satisfação de não ser acusada de andar me drogando sozinha. rs

  20. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Na primeira leitura deixei passar algumas coisas e achei um conto muito doce que se deita na coisa do amor mitológico. A revelação brutal ficou um tanto simples. Na segunda leitura, as coisas fluíram melhor e acho que peguei a ideia. O protagonista fala que é gay aos pais. Que ama “outro homem”. Em seguida o Outro Homem (que entendo ser o segundo cara, que o protagonista ama) se olha no espelho e percebe que seu amor morreu (o protagonista). Li alguns comentários e a maioria interpretaram de outra forma. Espero que o autor fale a intenção dele no final do desafio. Há essa pequena confusão, mas é um conto que tenta abordar questões bastante atuais (e ganha créditos por isso) mas que faltou um trabalho melhor pra não render tantos espaços abertos (o que chega a ser irônico, pelo título).

  21. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO de cego tem que ser com muito cuidado para não meter a testa na beirada. Faltou aqui atenção aos detalhes da construção do texto. Não sei quantos homens se cruzaram na trama, então o IMPACTO foi pulverizado pelas mil possibilidades.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    O conto foi confuso demais. Só entendi lendo os comentários da galera mas, mesmo assim, tenho que discordar de algumas coisas.

    Parece que o consenso é que o corajoso jovem que declara sua homossexualidade aos pais amava alguém já falecido. No final, ele se olha no espelho, orgulhoso de si mesmo e feliz por ter finalmente se livrado daquele peso, com saudades do amante falecido.

    Mas se for mesmo isso, o conto que já era confuso ficou ainda mais confuso. Os signos não foram usados corretamente. O garoto, ao entrar no quarto dos pais, fala que ama outro homem. Então, o autor passa a narrar tudo na perspectiva de Outro Homem, agora com iniciais maiúsculas, denotando que agora está narrando o conto do ponto de vista de outra pessoa. Se o primeiro personagem e Outro Homem são a mesma pessoa, ou o autor quis nos confundir ou o personagem é um narcisista em nível épico, por declarar ser gay por amar a si mesmo. Ou então sofre de múltiplas personalidades.

    O que o texto me faz entender mesmo, levando em consideração o signo chamativo de “outro homem” e “Outro Homem” inserido no conto, é que, quando a narração passa para Outro Homem, estamos mesmo vendo a história pelos olhos de outra pessoa. O amante do garoto que se declarou gay aos pais está chorando em frente ao espelho pela morte do garoto. O problema é que, como isso aconteceu apenas “horas depois”, dá a entender que os próprios pais mataram o filho gay de desgosto, o que achei um tanto exagerado (pode ser verídico em alguns casos extremos, mas mesmo assim um tanto exagerado em um conto que tenta provar um ponto).

    Enfim, um conto bastante confuso.

    • Marco Aurélio Saraiva
      24 de janeiro de 2017

      Um adendo: gostei do jogo de palavras no título, separando todas as letras. Assim podemos formar as palavras “Amor” ou “A morte”, o que faz uma alusão interessante ao amor gay, especialmente em tempos antigos (ou em alguns países atualmente), onde o amor gay declarado poderia mesmo ser punido com a morte.

  23. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Poxa, eu gostei da ideia, mas o espelho me confundiu demais. Fiquei mesmo sem entender. Parece, novamente, uma ideia grande demais para o limite de palavras. Talvez assim se desfizesse a confusão.

    Boa sorte.

    Abraços.

  24. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    A beleza e a profundidade apagam algumas falhas técnicas. Muito sensível e corajoso, parabéns

  25. Gustavo Aquino Dos Reis
    23 de janeiro de 2017

    Gostei do conto. Notei que algumas pessoas argumentaram que faltava um certo domínio do autor quanto a escrita. Em absoluto. Achei muito competente, embora contenha alguns pequenos deslizes.
    É um trabalho que lida com um tabu que, de uma maneira bizarra, ainda é um tabu em nossa sociedade. A história triste, com um final trágico e verossímil diante das tragédias que acontecem contra os homossexuais.

  26. Evandro Furtado
    23 de janeiro de 2017

    Há certos aspectos interessantes na trama como, por exemplo, a reviravolta final. Senti, no entanto, que a linguagem poderia ter sido melhor empregada pra criar um efeito mais avassalador

    Resultado – Average

  27. Anorkinda Neide
    23 de janeiro de 2017

    é, infelizmente vc deixou as coisa confusas, autor. Talvez por ter q cortar palavras até fechar em 99 ou pq o enredo está bem claro na sua mente, mas não foi possível demonstrá-lo em tao poucas palavras.
    Este texto merece uma lapidação pra ajustar as pontas, digamos assim.
    Eu entendi que logo após contar aos pais, o rapaz morreu. nao sabemos como.
    E a cena de seu amor/amante em frente ao espelho é bastante bonita e dolorosa.
    Acho que a primeira parte é que merece ser ajustada.
    O titulo era para ser amor/morte.. eu escreveria assim: Amor(te) ou A(mor)te, nao sei, algo assim, do jeito q ficou me remete somente a morte, alias entrei aqui pensando q encontraria um texto de terror..hehe
    boa sorte, abraços

  28. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Entendi que o cara que o protagonista gostava morreu. Daí ele foi lá e contou para os pais que era gay e, no final, chorou na frente do espelho.

    Bom, sendo essa a intenção ou não, na minha opinião o(a) autor(a) não conseguiu transmitir muito bem a história. A ideia do espelho, da lágrima solitária refletida, foi criativa e bonita, mas faltou um pouco de técnica para ser transmitida com mais emoção e clareza.

    Abraço!

  29. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Um conto interessante e chocante, que brinca com as palavras e a própria percepção do leitor.

    -Construção(9,0): Demorei a entender, porém quando eu percebi que o amante já estava morto desde o início, eu vi o quão brilhante foi o trabalho de escrita. Era o homem falando consigo mesmo no espelho. É o amor que está refletido na alma.

    -Apego(8,5): Triste e profundo.

    Parabéns!

  30. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    Complicado. Desde o início não me convenceu a forma como a revelação se deu. O desenvolvimento deixou a desejar para mim, algumas partes truncadas, dificultam compreender o que houve. Tem a tal surpresa de ser um quando dá a entender que são dois. Muito, muito confuso. Pede uma reelaboração.

  31. Thayná Afonso
    21 de janeiro de 2017

    Comecei feliz pela representatividade e coragem do protagonista, afinal, esse costuma ser um dos momentos mais complicados na vida de muita gente. Consegui compreender o uso de “Outro Homem’’, embora num primeiro momento tenha causado certa confusão. Outro homem no reflexo do espelho, um novo homem após a revelação. O final é doloroso, mas também é gratificante. Parabéns!

  32. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Entendi tudo perfeitamente, apesar de meio desconexo com a situação e, com certeza, não gostar nada do que li. Boa sorte!

  33. Eduardo Selga
    21 de janeiro de 2017

    Falta domínio da linguagem literária. Entendo que quando a revelação tardia foi feita aos pais, o parceiro já estava morto, e que Outro Homem é o mesmo personagem, porém no reflexo do espelho. É uma ideia interessante, mas insuficientemente executada, na medida em que a construção textual conduz o leitor a outro caminho, induzindo-a a entender que há dois personagens. O parágrafo final quebra um pouco a certeza, mas para se reconciliar com o texto o leitor precisa voltar a ele. Mais de uma vez. Não se trata de ambiguidade literária, e sim de confusão.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .