EntreContos

Literatura que desafia.

Crack! (Pedro Luna)

espelho-quebrado

Panelas amassadas. Lixo no chão. Goteiras. Baratas atrás do armário. Geladeira vazia. Roupas furadas. Sem ventilador. Sem televisão. Privada entupida. Espelhos rachados. Uma parede. Um retrato. Duas pessoas. Duas promessas. Duas mentiras. Eu vou parar de usar. Até que a morte nos separe. Uma mesa. Um aquário. Água preta. Peixe dourado. Um quarto. Um colchão. Mofo. Um corpo humano. Quarenta e seis quilos. Dentes podres. Olhos vermelhos. Unhas amarelas. Cachimbo na mão. Baba escorrendo pela boca. Aliança no dedo. Um buraco na alma. Solitário. Esquecido. Invisível. Viciado.

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83 comentários em “Crack! (Pedro Luna)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Caraca, esse ficou muito bom, gostei muito da escrita. Parabéns e boa sorte no desafio!

  2. Victoria
    27 de janeiro de 2017

    Conto pesado, porém muito bom. Gostei do jeito que estruturou a narrativa e criou um cenário angustiante ao leitor. Parabéns

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Esse conto foi um soco no estomago, um soco dos bons. Muito bom, gostei muito! Parabéns!

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom. Um relato de como vive quem passar por este inferno das drogas. Parece ter sido escrito por quem não apenas viu, mas viveu a situação. O vício é tudo isto e muito, muito, muito mais Muito bem escrito, bem dosado. Abraço.

  5. Rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Chute ponto, soco ponto, porrada ponto.
    Estou tão atordoado que não sei se esse conto conseguiu fazer a minha cabeça.
    Inegável que o autor conseguiu imprimir um estilo próprio para descrever parte do cotidiano de um viciado. Mesmo diante das pausas forçadas o conto tem fluidez.
    Algumas partes surtiram mais efeito, outras me pareceram protocolares.
    Certamente um conto acima da média.
    Parabéns e boa sorte.

  6. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Excelente conto.

    Adorei o trabalho, excelente mesmo. A narrativa fragmentada, como representação do viciado, o estilhaço em sua consciência, com as lembranças atormentado, poxa, muito bom mesmo. Achei as descrições bem feitas e certeiras. Parabéns de verdade!

  7. Estela Menezes
    26 de janeiro de 2017

    Nossa! Maravilha! Essa técnica da enumeração geralmente funciona, mas é menos frequente que seja utilizada do começo ao fim, principalmente em um conto assim curto. Sem falar que você conseguiu um crescendo de dramaticidade que desemboca num final redondinho. Está tudo ali! A história, do começo ao fim. E as frases sobre as promessas, entrecortando as descritivas, são de mestre! Reparo que sempre me atenho mais à forma que ao tema, mas, no caso aqui, tudo forma um unidade perfeita. Já está na minha lista e vai complicar bastante a classificação…

  8. Leandro B.
    26 de janeiro de 2017

    Oi, Roberto.

    Pra mim o texto é um dos destaques do desafio, até o momento. A forma narrativa extremamente condensada e quebrada, casada com o jogo de palavras com o título (a droga, o estilhaço, a mente afetada E o texto) está incrível.

  9. Fil Felix
    26 de janeiro de 2017

    Gostei do conto como um todo. O nome e a imagem combinaram muito bem com o estilo quebrado do texto, um complementando o outro (e não entregando). A história é interessante e se apoia bastante em seu formato, que é mais peculiar, utilizando de sentenças super curtas como cacos de narrativa, além de uma temática bastante atual.

  10. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    As palavras concatenadas com o ponto final, para mim, não fizeram muita minha cabeça.

    Quanto ao tema, achei bem contemporâneo. Senti falta mesma de uma narrativa mais elaborada. Não que o trabalho não tenha genialidade – isso ele tem de sobra -, mas não me atingiu tanto.

    Infelizmente.

    Perdi.

  11. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Bom demais seu conto, Roberto. Legal essa coisa quebrada das palavras, como o espelho quebrado, a vida do cara quebrada, o casamento quebrado, tudo muito bem pensado e alinhavado pra construir a sua história. Desde o título, até o final, onde o narrador já não consegue uma tentativa de frase sequer: “Solitário. Esquecido. Invisível. Viciado.” Excelente trabalho, parabéns!

  12. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Uma construção textual diferente. Compreendi a mensagem que o autor quis passar, tem competência. A história não me conquistou, mas muito bem escrito.
    Bom desafio!

  13. Sra Datti
    26 de janeiro de 2017

    Angústia aos blocos. Frases curtas. A dor, a ojeriza de um mundo imundo. Frases curtas, fortes, entre um tique, e um taque. O fim do poço, o tempo que vai e o que fica. Onde se encontra o personagem? Na morte, em vida… Pancada.
    Toca fundo: pro..fundo.
    Boa sorte!.

  14. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Apesar de sempre ser bacana usar um recurso estilístico, a pontuação interrompe tanto que se não for vir junta com uma grande sacada pra se contar com ótimas palavras redondas, perde em efeito final. Foi o caso.

  15. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Roberto.

    Gostei bastante. O texto consegue passar bem a angústia e a percepção alterada do narrador. O conto, formado por frases curtas e observação aguda resulta em algo diferente.

    Nota: 9

  16. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    O ritmo do conto gera perturbação. Ao perceber a temática, podemos deduzir que isso foi feito de caso pensado pelo autor. As quebras no texto representam, talvez, as quebras de promessas na vida das personagens.
    Um tema pesado e bem trabalhado.
    Boa sorte!

  17. Anderson Henrique
    25 de janeiro de 2017

    Estrutura, ritmo e uma condução apuradíssima que parte de objetos até chegar no homem. É mais poético e reflexivo do que narrativo. Esse texto arrumado em forma de poesia ficaria um primor. Sugiro que faça ao menos uma tentativa. Até me ofereço a ler depois e validar o resultado (quem sou eu para?) se achar que vale a proposta. Há quem não goste da pontuação assim gotejada. Eu acho ótimo. Um texto primoroso. Minha única dúvida é quanto à proposta de ser um conto. Mas que tá fodão, tá!

  18. Cilas Medi
    25 de janeiro de 2017

    Espero que não haja punição pelo fato de não querer comentar um texto desses. Vá ser tétrico e terrivelmente depressivo longe, porque perto vou ficar impregnado de tanto ponto e mais ponto interrompendo a leitura e a tornando desgastante e angustiante. Comentei, afinal.

  19. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Roberto,

    Tudo bem?

    Nossa, você abordou um tema muito difícil. Não por ser pesado e triste (mas por isso também claro). Mas por ser o tipo de premissa que quase sempre escorrega para o piegas. Para minha felicidade como leitora, esse não foi o seu caso.

    Você optou por um narrador câmera, muito bem composto, com palavras escolhidas a dedo, criando imagens vívidas e muito intensas.

    Gostei do título. Não só representa a droga em sim, mas a ruptura, a fissura, a quebra representada na estrutura do texto, na vida do personagem e até na imagem escolhida.

    Gostei muito.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no certame.

    Beijos

    Paula Giannini

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Usando a técnica enumerativa, o autor vai construindo de estilhaços a história que quer contar. Até chegar no corpo do viciado, e suas características. Parte do macro, ou do plano detalhe, para mostrar depois o microcosmo. Um bom conto, com um travo de amargura e certo distanciamento, muitas vezes necessário, para não enlouquecer.

  21. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Oi, Roberto.

    Gostei muito do que vi aqui, a estrutura do texto, o ritmo transporta o leitor para dentro da cena, é muito interessante observar que palavras entrecortadas podem dar luz a uma ambientação tão precisa…ficou tudo muito nítido, cada ”cômodo” ficou detalhado.

    Através dessas palavras,também conhecemos sobre o passado do personagem.. quando eram ” duas” e agora é só um.. fala do retrato, das promessas de parar, do vazio…enfim a solidão.

    Particularmente não senti empatia pelo personagem ( tenho muio preconceito com viciados) mas, o passado dele e, o que ele trocou pelo vicio me comoveu, pois quem semfre sofre mais é a família, desejei que o final do conto fosse o final dele também, mas tudo bem haha.

    Bem, gostei, parabéns e boa sorte no desafio!

  22. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    estrutura interessante, resultando um texto com muito ritmo, mesmo não tendo frases construídas tradicionalmente, muitos parabéns. O problema neste desafio é só podermos escolher vinte textos

  23. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    A narrativa de início me instigou, mas depois se tornou um pouco cansativa. Achei interessante mostrar a decadência do personagem dessa forma, citando a bagunça na casa, mas me pareceu mais uma constatação do personagem, como se ele estivesse tendo um fluxo de pensamentos, do que uma história com começo, meio e fim.

  24. Thiago de Melo
    24 de janeiro de 2017

    Amigo Roberto,

    Gostei muito do seu conto. Achei que você conseguiu passar a imagem que queria sem precisar de mais palavras para isso. Achei que a descrição que você fez do ambiente e da situação do personagem ficaram muito nítidas para quem lê.

    A única coisa que achei que ficou sobrando foi a repetição constante do pronome “um quadro” “uma mesa” “um aquário” “um… um… um…”. O seu conto é direto ao ponto, quase não utiliza verbos (o que me lembrou muito de um conto que li muito tempo atrás, que não utiliza verbo nenhum). Acho que se você cortasse todos os pronomes “um…” e deixasse apenas os que são realmente necessários o seu conto ganharia ainda mais em objetividade.

    Um ótimo trabalho. É muito difícil escrever sem verbos e você conseguiu. Os dois verbos que encontrei foram extremamente precisos e necessários. Sem eles o conto cairia. Também gostei da nuance de que o personagem estava naquela situação, com a casa (e a vida) completamente em frangalhos, mas continuava com a aliança. Foi um toque muito bonito. Parabéns novamente.

    Vou deixar aqui uma parte do conto que mencionei acima apenas para ilustrar.

    Abraço

    Circuito Fechado – Ricardo Ramos

    Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina,sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

  25. Davenir Viganon
    24 de janeiro de 2017

    O ritmo do conto é entrecortado. Afobado. Constante. Ajuda a contar a estória. Tem motivo e eu gostei muito mais do que o conteúdo. Acho que poderia ser mais cru na escolha das palavras, pois o tem pede. Pela forma vale muito. Ótimo conto!

  26. Glória W. de Oliveira Souza
    24 de janeiro de 2017

    Temática atual calcada no vício do crack. Forma de escrita essencialmente fílmica. Isto ajuda o leitor a ver, em cada frase, as cenas descritas nas frases curtas. Algumas com somente uma palavra. Todo o desenrolar da história poderia ser filmada pela técnica de fusão de cenas bem como em forma de clipe de imagens fixas sequenciais. Gostei demais. Há forte dramaticidade, principalmente pela correta escolha das frases curtas e/ou únicas, e isso é levado até o fim. Só um pecadilho: a última palavra toma do leitor o prazer da descoberta. Mas isso não impediu a boa elaboração do conto.

  27. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Oi,

    A forma como você construiu seu conto muito me agradou. Dá para perder o fôlego no decorrer da história e as cenas se formando parecem flashes de memória (loucura minha, talvez, mas achei legal).

    Um tema real, atual e bem pesado.

    Parabéns.

  28. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Achei interessante a forma escolhida para a narrrativa. O problema a meu ver, é que o ocnto acaba sem levar a lugar algum. Há uma espécie de caos, mas o que ele significa afinal?

  29. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    A narrativa partida (que normalmente desgosto) deu cadência ao conto, aqui funcionou bem, trouxe apreensão no que vinha a seguir, saiu da linha de conforto e ousou.

    “Um buraco na alma. Solitário. Esquecido. Invisível. Viciado.” Isso ficou perfeito!

  30. Gustavo Castro Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A impressão que o conto me passou foi de alguém arfando, a respiração curta, o peito subindo e descendo pela pressão do medo, da falta de esperança e dos sonhos demolidos. A maneira de narrar beira a perfeição no que tange a essa proposta. É possível enxergar o protagonista existindo, os olhos esbugalhados em descrença, como se um quadro soturno de El Greco ganhasse vida diante de si, esfacelando sua vontade de viver. Enfim, uma narrativa que funciona como um soco na boca do estômago, que deixa entrelinhas cujo preenchimento não se mostra difícil – antes, é incrivelmente banal – e que felizmente não resvala para qualquer espécie de maniqueísmo ideológico. Um contaço. Parabéns!

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .