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Detox Literário.

Vivos e Mortos (Waldo Gomes)

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Era quase meia-noite. A lua trazia suas pálpebras de nuvem fechadas.  Escuridão plena. Pelo ar, a névoa amarela do pântano caminhava em silêncio e silenciando.

Num casebre esquecido do mundo, a velha cozia seu guisado, resmungando:

– Dois dias que não fala, não toma banho. Se não comesse, apostava que tinha morrido.

Ela depositou a refeição ao lado do marido, na cama dura.

– Vai comer agora  ?

Como não houve resposta, a velha cega se retirou para seu mundo, infeliz.

Pela janela aberta, um lobo entrou e jantou tranquilo.

O corpo inchava.

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91 comentários em “Vivos e Mortos (Waldo Gomes)

  1. Waldo Gomes
    28 de janeiro de 2017

    Obrigado a todos pelos comentários. Ri bastante com a questão do “cheiro” levantada.

    Vocês poderiam ter imaginado que não havia cadáver algum, o que só aumentaria a solidão da velha senhora, em fase de negação da morte do companheiro.

    ‘O corpo inchava” pode se referir ao lobo que se alimentava ou ao marido inchando sob a terra.

    Até a próxima.

  2. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Boa premissa, mas faltou o baque final. Apesar da tentativa, não me fisgou, infelizmente.

  3. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Apesar dos pontos falhos, gostei muito do conto. Muito bem escrito mesmo. Parabéns!

  4. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Conto macabro, bem perturbador, gostei. Boa sorte!

  5. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Olá, Krisky
    Adorei. “A lua trazia suas pálpebras de nuvem fechadas” – que linda imagem…. Você conseguiu desenvolver uma escrita mesclada, brincando com o poético, ao mesmo tempo que discorre um texto simples, de fácil compreensão, que não exige releituras.
    Só uma ressalva: a “velha” não sentia o cheiro podre do morto?
    De resto, me arrancou o riso ao final. Lobo esperto, de vez de comer a vovozinha, preferia tê-la como cozinheira, rs.
    Apreciado.
    Boa sorte!

  6. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Não dá pra negar a originalidade, embora seja uma fato impossível de acontecer. Certamente o lobo devoraria o cadáver. Mas não ficou ruim não, boa sorte!

  7. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Observando a imagem, pensei que havia algo de macabro com a velha… mas não há, então achei um pouco incoerente com a história do micro.
    Pergunto-me como um lobo seria capaz de entrar sorrateiramente pela janela e se alimentar somente da comida do velho (porque não o devorou?)
    Mas não nego que gostei da sua originalidade.
    Boa sorte!

  8. Poly
    27 de janeiro de 2017

    Um conto interessante, apesar do ponto que algumas pessoas levantaram do cheiro que uma pessoa morta exalaria. Gostei do ambiente criado e das imagens, mesmo a do lobo – se encaixa na intenção e gênero da história. 😉

  9. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Krisky,

    Tudo bem?

    Parece que o gênero terror impera no desafio como os que mais captam o leitor.

    Gostei muito da condução da narrativa. As imagens criadas são fortes, dá até para sentir o cheiro da velha, do morto, da solidão.

    Seu trabalho é maduro e preciso. Na medida.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Pô a velha era cega e seu olfato já não prestava para nada, hein? Não dá para confundir cheiro de sujo com cheiro de decomposição. São cheiros diferentes, além do mais uma pessoa cega apura os outros sentidos, o olfato, o tato, não tinha como ela não saber que o marido estava morto. A escrita é boa, a ideia foi mal pensada, na minha opinião, claro.Boa sorte.

  11. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Muito bom. Adoro esse tipo de literatura que mexe com o horror, a desolação, aquelas noites que nunca acabam e o mórbido; também sou fã de humor negro. Só não me interesso por “gore”.

    O conto tá muito bem escrito, coeso e coerente. Aquela “piadinha” no final ficou perfeita. Só na terceira leitura pude sacar a ambiguidade da última frase, pois quem era o “corpo” que inchava: o do defunto, cheio de gases provenientes da decomposição de suas células, tecidos e órgãos ou a barriga do lobo faminto, conforme ele devorava a refeição deixada ao lado da cama?

    Este conto me lembra algo de Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, autores que gosto de ler sempre à noite, enquanto espero o sono chegar. Continue escrevendo textos do gênero, você leva jeito. Boa sorte.

  12. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Achei a história bem interessante, com vários elementos bem explorados.
    Nesse tipo de conto é necessário suspender a verossimilhança (ainda que pense que ele é verossímil dentro do tipo de história) e embarcar na fantasia.
    Não é a primeira vez que um lobo engana uma velha numa espécie de fábula, porém, aqui, ainda assim, é absolutamente original.
    Realmente muito bom, um belo sopro de personalidade nesse desafio.
    Parabéns

    • rsollberg
      26 de janeiro de 2017

      Uma pequena ressalva, se me permite…
      Teria colocado em posição ainda melhor se o pequeno monologo fosse ainda menos telegráfico, Um pouco mais personalidade da personagem em sua voz. Ou seja, um pouco menos para o leitor e um pouco mais para o próprio texto.

  13. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    “Se não comesse, apostava que tinha morrido.”

    Haha, muito bom o humor negro. Era preciso ele não comer para ela achar que estava morto. Parece minha avó, que só fala em comida..kk

    Gostei bastante, só me pareceu excessivo uma pegada poética no primeiro parágrafo, que me pareceu desconexa do restante do conto.

  14. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    humor negro e final surpreendente, só não gostei de mais uma cega, mas não tens responsabilidade nenhuma. Gostei da leitura mas é mais um texto que irá ficar perdido no meio desta centena do desafio e que podia ter algum interesse de ler sem limites de palavras.

  15. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Um conto muito bom, bastante surpreendente. A imagem cria a atmosfera exata para ser desfeita ao final em uma grande sacada. Foi muito bom. A narração, voltada para um clima de terror, me agradou bastante. Imaginei o casebre úmido no meio do mato, com as paredes de madeira velha e os dois personagens ali, em condições não recomendáveis de vida. É um ótimo conto, parabéns.

  16. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Eu achei bacana! A velha poderia ser meio gagá além de cega. Porque um homem que não fala, não se mexe e nem toma banho é bem tenso! Haahahah Gostei do final também, com o lobo jantando o guisado (cheguei a pensar que ele ia comer o homem, mas nem sei se lobos comem defuntos, eita!). Conto interessante, meio macabro, bem criativo!
    Em tempo: também não entendi exatamente quem estava inchando e por quê.

    • Renato Silva
      26 de janeiro de 2017

      O marido já estava morto. O corpo incha quando começa a se decompor.

  17. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    O texto é bom, de leitura fluída, e me deixou com dúvidas. Ela é cega, ok, mas não sentiu o cheiro do marido morto? O lobo entrou e jantou… mas jantou a comida que o marido não comeu, o marido falecido ou a velha que teria se “retirado”. E o corpo que inchou poderia ser de um dos mortos ou até do lobo, que acabara de jantar.
    Essas dúvidas não são um ponto ruim, eu até gostei, mas um final diferente talvez ficasse melhor. Boa sorte.

  18. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Uma fábula de horror, mas que enseja uma leitura complementar paralela. Quem seria o lobo? O que estaria morto entre eles dois? A velha cega, é a bruxa? Enfim, um texto bastante complexo, ainda que não necessariamente envolvente.

  19. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá! Os detalhes mais sórdidos são facilmente ignorados em prol dessa bela tirada. Se o lobo prefere o guisado ao corpo do homem, por que não? É muito legal como uma frase quebra toda a atmosfera criada até ali, do sinistro ao sarcástico em segundos (se não foi a intenção, me desculpe). Aliás, a imagem contribuiu muito para a atmosfera também.
    Parabéns pela criatividade. Boa sorte.

  20. Victória
    24 de janeiro de 2017

    Gostei bastante da atmosfera do conto, das ideias e das frases empregadas. É um conto bem macabro de final surpreendente. Quanto à inverossimilhança, prefiro me ater ao fato de que é um conto sobrenatural.

  21. Simoni Dário
    24 de janeiro de 2017

    A senhora além de cega não sentia cheiros também. Fiquei pensando se lobos nào comem pessoas mortas, mas acho que sim. Enfim, foi esse tipo de curiosidade que o conto me despertou, foi divertido e sem muitas pretensões.
    Bom desafio!

  22. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Eu gostei do seu conto, gosto do que me arranca alguma reação, e o seu me fez rir, não sei se essa foi a intenção da autora. Quanto a coisa de ter perdido a verossimilhança, perdeu, algumas detalhes escorregaram do real para o Trash, mas eu entendo como a sua forma de contar. E me lembrarei de ser uma velha resmungona e não apenas comilona. rs

  23. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    No começo eu fiquei ressabiado com a primeira frase, quase como se ela fosse excessiva, mas no fim fiquei satisfeitíssimo. Ótimo.

  24. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Um conto muito bom que prima pela simplicidade. Confesso que não tenho essa facilidade, sou muito exagerado, e você apresenta uma ótima história sem muitas firulas e que foca no que é essencial: a velha, a comida, o marido e o lobo. Tudo se encaixa perfeitamente e temos aquela surpresa gostosa ao final. A imagem ajuda a criar a personagem na mente e não entrega o que vai vir (assim como o título), o que também é ótimo. Apesar de surgirem questões mais “realistas”, como ser difícil conviver com um corpo morto há dias; não acaba atrapalhando a narrativa, que caminha pela estrada das fábulas de terror.

  25. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO inocente no terror. O IMPACTO reside na bizarrice do cotidiano hilário. Ri muito com este conto. Me lembrou os inofensivos filmes de susto.

  26. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Me lembrou as versões originais dos contos de fadas, antes de serem suavizados por ai… Mas diferente dos contos, não tem uma lição a ser aprendida.

    A forma está muito boa, a ambientação foi ótima, um belo trabalho com esse limite de palavras. Mas achei um final meio vazio. Ela não vê que o homem morreu porque o lobo entra toda noite pra comer. Um tanto sem sentido, sem graça. Mas está muito bonito.

    Parabéns.

    Abraços.

  27. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Gostei do conto, achei muito bem ambientado para a quantidade de palavras do desafio. Gostei também do desenvolvimento até a cena final, aí acho que ficou um pouco confuso e não no bom sentido. Se o Lobo entrou e o jantou o que seria para o homem morto e depois saiu e o corpo do homem continuou inchando, o título vivos e mortos se refere apenas a situação do casal, mas, não seria mais interessante, se vc brincasse com a cabeça do leitor e desse a entender que o corpo do marido inchou porque ele comeu o lobo¿ Afinal, ele vinha comendo no últimos dias, disse a velha. Ai o velho seria um morto-vivo, não¿ Enfim, eu posso estar viajando demais e se envolvendo demais na sua criação, desculpe. Enfim, gostei, mas poderia ter gostado mais se o final fosse um pouco melhor construído.

  28. Marco Aurélio Saraiva
    23 de janeiro de 2017

    Gostei! Muito bom! Melhor micro conto de horror que li no certame até agora.

    Muito bem elaborado, com uma atmosfera suja e nojenta, ao mesmo tempo tenebrosa; que dá calafrios no leitor. Gostei muito do clima criado e, então, da conclusão.

    Gosto ainda mais do conto por sugerir horror sem implicar o sobrenatural. O horror plausível é muito mais impactante do que o fantástico. A velha é um personagem e tanto, mesmo que descrita em poucas palavras.

    Um conto digno de Alan Poe!!

  29. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Uou… Perturbador! Melhor que muito filme de terror por aí, não respirei até o final da narrativa. Parabéns

  30. Gustavo Aquino Dos Reis
    23 de janeiro de 2017

    Krisky,

    tua obra é tétrica.
    Muito bom.
    Ele aparenta ser simples, mas possui detalhes bem pontuais que amarram a trama. Há fatores a serem levados em consideração à verossimilhança da narrativa, por exemplo: a velha cega cozinhado um guisado e o lobo que entra pela janela, come o repasto e não devora o corpo do velho.

    No mais, é uma obra muito boa e que prima pelo horror inteligente.

    Parabéns

  31. Evandro Furtado
    23 de janeiro de 2017

    O conto tem uma atmosfera sinistra, cinzenta, de tons mortos. A ambientação é obsecura e tenebrosa. Os personagens carregam consigo uma carga de negatividade. Tem elementos que lembram os contos de fada em suas formas arcaicas. A trama é inteligente, e traz uma reviravolta interessantes.

    Resultado – Good

  32. Anorkinda Neide
    22 de janeiro de 2017

    Olha, pra mim este é um continho de terror
    névoa amarela? que caminhava em silencio e silenciando…. acho q o autor criou o ambiente. a imagem tb ajuda, eu imaginei a velha como esta imagem, sem olhos, e sem qualquer orgao de sentido.. uma criatura morta,uma zumbi.
    Imaginei o cozimento do guisado tb como algo bem sinistro, sabe-se lá q tipo de guisado é esse né?
    Entao era uma criatura louca do mundo das trevas, a cama em q o marido está é dura..nao é estranho? rsrs
    acho q ela capturou alguem e deixou ali para morrer e fica fantasiando em cima ou eu q to fantasiando demais? 🙂
    bem, gostei do que criaste aqui, mas precisaria ficar mais claro sim, vc tinha condições pra isso.
    boa sorte, abraço

  33. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Imagem macabra, narrativa macabra, enredo macabro, tudo macabro! kkkkkkkk

    Tem um ar de conto de fadas, daquelas versões originais do tipo que a Chapéuzinho comia a carne e tomava o sangue da vó e tal.

    Gostei!

    Abraço!

  34. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Um conto tenebroso, que traz uma atmosfera ao mesmo tempo aterrorizante e gostosa de se ler. Gostei do que foi feito.

    -Construção(8,0): Talvez necessite uma melhorada na interpretação do que está vivo e o que está morto neste conto, mas eu acho que o autor fez isso de propósito. Adoro quando os protagonistas são cegos e o narrador esconde os fatos perceptíveis pela visão. Pelo que eu entendi, a velha pode ser louca sim, e o marido estar apenas na mente dela. Todavia, se ele estivesse morto, eu acredito que ela de alguma forma teria percebido. Geralmente, os cegos desenvolvem uma percepção mais aguçada dos outros sentidos. Se a velha for louca, esta última teoria cai por água abaixo.

    -Apego(8,0): A velhinha é carismática, e a imagem foi muito bem escolhida. Lembrarei do seu conto…

    Boa sorte!

  35. Bia Machado
    22 de janeiro de 2017

    Não sei o que pensar desse conto. O narrador me perturbou com sua narração, a imagem também, a imagem do lobo entrando e o mais perturbador, o cara que já está morto há dois dias e a senhora não percebeu? Como, com o cheiro da carne podre, inchada? Não vi erros na narração, a perturbadora narração segura a gente até o final na expectativa e aí vem esse final que deixa a gente meio “hã?”. Mesmo que a inverossimilhança tenha me atrapalhado, achei interessante.

  36. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Um conto direto, objetivo, diferente, apesar de um tema batido e rebatido, a morte e as consequências de quem tem que lidar com ela. Cega, não pode saber quem está agindo. O lobo, esperto, o marido inchando a cada dia. Não podia mesmo falar e tomar banho. Parabéns! Boa sorte!

  37. Fheluany Nogueira
    21 de janeiro de 2017

    Fora a inverossimilhança e os pequenos equívocos linguísticos, gostei muito – humor negro, tragicomédia ou simplesmente uma anedota de mau gosto. Gostei do tom de fábula, de absurdo conferido ao texto, do jeitinho ficcional. Por que não era um gato que entrava pela janela e comia tudo? O lobo é mais incrível e retoma os contos infantis. Acho que vai para minha lista, justamente pelos elementos criticados aqui. Bom trabalho. Abraços.

  38. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Pelos comentários, vi que o conto “pegou”. E pegou a mim também. O tema, a forma de contar, os achados e sacadas, o próprio título, tudo resistindo a qualquer observação que não fosse meramente especulativa… Nem a questão do cheiro me incomodou, logo eu, tão fã da verossimilhança,,,

  39. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    Ha, que cacetada. E eu achando que não podia mais ser surpreendido.

    Achei a linguagem do conto simples e estava considerando a cena inicial um pouco batida. Parece-me agora que isso foi intencional, bem como o uso da imagem sinistra, que cria uma expectativa contrariada no fim.

    É possível que entre na minha lista. Parabens pelo conto.

  40. Sidney Muniz
    20 de janeiro de 2017

    Vi algumas impossibilidades dentro do conto, afinal a velha era cega, mas a respiração dele ela podia sentir, não? Ainda assim digo que o conto tem algumas coisas muito legais e para mim funciona mais como uma piada do que um microconto, e nesse sentido me causou risos ao final.

    Isto de ele estar inchado até prejudicou, pois demonstra mais uma carecterística que a cega poderia perceber, ainda assim fica para mim a chance dela ser meio maluquinha! Isso já ameniza a situação.

    V ou tentando entender o mundo “infeliz” dela, mas não consigo. Ele era ruim? Isso ficou tão vago e nem acho que seja algo que o conto consiga nos passar, mas sim uma palavra sobrando, a não ser que queira retratar a solidão dela, já que a única companhia que tinha não tem mais.

    O lobo é outro fator estranho, ver ele entrar dentro de casa sem fazer barulho, jantar, e sair, mesmo que fosse um pequeno ruído ela certamente ouviria e ele sairia dali, ele sem jantar tranquilo e ela mesmo louca ouviria algo. mas quem sabe pensava que o homem estava comendo. Que confusão na minha mente!

    S sim, a tendência quando comecei a ler era de não ser possível, mas cacetada, indo contra meu comentário e o evoluir dele, quem sabe você tenha construído algo possível… kkkk. É, eu sou mesmo meio maluco, e as impossibilidades caíram por terra deixando meu comentário mais doido que seu texto e fazendo com que minha fé em você tenha aumentado bastante. Te desejo sorte e parabenizo pelo conto. Ah, não gostei do título e nem da imagem. Mas não está tão ruim assim. o conto, por fim caiu no meu gosto, mesmo não estando na lista, e eu ainda não sei se estará ou não! Valeu!

  41. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de janeiro de 2017

    Boa, Krisky! É mais ou menos o q acho q realmente acontece com os “Ebós” deixados nas esquinas da cidade… Sempre tem um “lobo” bem vivo q aparece pra se aproveitar da tolice alheia. Muito bom seu conto, uma certa ironia, coisa q eu adoro! Parabéns!

  42. Iolandinha Pinheiro
    20 de janeiro de 2017

    Não sei se dou risada, lamento ou sinto nojo. Pobre velha cega, deve não ter olfato bom também, já que confunde cheiro de decomposição com cheiro de falta de higiene. O lobo já tinha feito da situação um self-service, lobo esperto. Enfim, somando todas as impressões, eu gostei do conjunto. Sorte no desafio.

  43. Miquéias Dell'Orti
    19 de janeiro de 2017

    Olá cara,

    Minhas impressões:

    Para mim, você simplesmente conseguiu deixar uma história com final previsível carregada de tensão. Quando a velha resmunga vc já sabe o que vai acontecer e relaxa, esperando um desfecho que realmente acontece. O ponto em que você teve sucesso foi bem aí, a forma como você apresentou o desfecho fez toda a diferença. As imagens que eu criei em minha mente ao ler o final deram tiveram o mesmo impacto de um desfecho imprevisível, mesmo eu sabendo o que aconteceria. Há ainda a abertura para diversas perguntas e associações, o que destaca mais ainda o conto.

    Existem algumas falhas de digitação que numa revisão simples podem ser corrigidas (alguns espaços a mais depois de algumas pontuações), mas nada que estragasse minha leitura.
    Parabéns.

  44. Amanda Gomez
    19 de janeiro de 2017

    Olá,

    Poxa que situação… Gostei bastante da forma como o autor nos contou essa história, as pistas do que está acontecendo foram bem elaboradas, sem a necessidade de se tornarem obvias.

    O autor conseguiu também nos dar uma boa ambientação que ajudou demais a compor as cenas descritas. Um casal de idosos vivendo em uma velha cabana, remete a algo como fábulas, o gizado. Imaginei uma casinha longe de todo o resto onde eles viviam ali como podiam. O homem morreu, a senhora não percebeu ainda. Talvez sejam aquele tipo de casal que se suporta, que vivem de resmungos e que falar um com o outro tornou-se apenas um detalhe. Talvez por isso ela ainda tenha percebido o que ocorreu.

    Não vi nada de sobrenatural, prefiro essa versão, do que uma em que ela é um fantasma, e que já morreu bem antes dele…se bem que não perde a qualidade também, caso seja algo como isso.

    Não gostei do título, não achei que combinou. De resto, achei um trabalho muito bem executado, parabéns e sorte no desafio.

  45. Givago Domingues Thimoti
    18 de janeiro de 2017

    Dois comentários…
    Primeiro, essa imagem me deu calafrios kkkkkkk Mexeu com meu medo infantil daquela lenda urbana, a Loira do Banheiro.
    Agora, vamos ao conto, propriamente dito.
    Estranhei o fato da senhora não conseguir sentir que o marido morreu. Para alguns pode estragar totalmente o conto.
    Fora isso, o conto é bem escrito.
    Boa Sorte!

  46. Claudia Roberta Angst
    18 de janeiro de 2017

    Não vou me ater ao quesito lógica, coerência. Entrei no clima do conto e fiquei satisfeita com o resultado. Um amor feito de companheirismo, de anos vividos um ao lado do outro, com seus obstáculos e mazelas também.
    A velha talvez já estivesse mais do que acostumada com os períodos silenciosos do marido. Por isso, não estranhou tanto o seu silêncio, ainda mais que a comida desaparecia. O lobo, o elemento selvagem que adentra a realidade doméstica, contribui para a ignorância sobre a morte do homem. E só vemos o que queremos ver, e no caso da senhora, ela talvez não tenha tomado consciência da morte do marido por um mecanismo de defesa. Vai saber?
    Bem escrito, com um ótimo ritmo narrativo e ainda com o direito a uma bela metáfora no início.
    Boa sorte!

  47. Anderson Henrique
    18 de janeiro de 2017

    Gostei da premissa e da construção. A frase “o corpo inchava” indica que o defunto ainda estaria ali. Cadáver, ainda mais depois de alguns dia, tem cheiro forte. Mas isso talvez se resolva tirando o olfato da mulher (alguns idosos vão perdendo força nos sentidos). A atmosfera de suspense acrescenta ao conto.

  48. Priscila Pereira
    18 de janeiro de 2017

    Oi krisky, gostei do seu conto, tem uma ótima atmosfera de suspense e é bem visual. Gostoso de ler. Fiquei imaginando se além de cega também não tinha olfato, mas tudo né… Parabéns e boa sorte!!

  49. Vitor De Lerbo
    18 de janeiro de 2017

    Em poucas palavras, há humor, tristeza e ternura.
    A ambientação é muito boa e o enredo é original. Muitos simbolismos estão presentes, assim como nos contos infantis, ricos em analogias e metáforas.
    Parabéns e boa sorte!

  50. Thiago de Melo
    17 de janeiro de 2017

    Amigo Autor,

    Minha política é entender tudo como licença poética até não poder mais. No caso do seu conto, gostei da atmosfera que você conseguiu criar com tão poucas palavras. Gostei da relação “amorosa” entre a velha cega e o marido. A vida é assim mesmo. Achei que o lobo jantando foi um “Deus Ex Machina” legal para terminar a história com uma reviravolta inesperada.

    O cara já estaria fedendo demais e a velha teria percebido? O lobo comeria o cara também e não o jantar? Ah, sei lá, vai saber, né? Se era inverno, o corpo ia demorar mais para feder. Lobo não come carne podre. Todas essas explicações são tão suficientes quanto qualquer outra.

    Bom trabalho! Parabéns!

  51. Gustavo Castro Araujo
    17 de janeiro de 2017

    Bacana a atmosfera criada, de um suspense palpável. Feliz a escolha das palavras e a construção do cenário. Pude ver a velha em seus aspectos mais horrendos, cozinhando, sem saber, para um lobo gaiato. Imagino que numa situação dessas, com o corpo do marido inchando, o odor não deixaria dúvidas sobre a condição dele, mas, vá lá, talvez o lobo o tivesse devorado também… Enfim, não é do meu feitio procurar chifre em cabeça de cavalo. O conto entretém e ponto. Bom trabalho.

  52. Luis Guilherme
    17 de janeiro de 2017

    Hahaha legal!

    Imprevisível.
    Pela capa, imaginava um terrorzão.

    Mas fui agradavelmente surpreendido.

    A princípio, achei que o lobo ia comer o marido.
    Daí percebi e soltei um “Ah!”

    HAhaha

    Legal, bem bolado, de certa forma divertido.

    Gostei.

    Parabéns!

  53. Brian Oliveira Lancaster
    17 de janeiro de 2017

    GOD (Gosto, Originalidade, Desenvolvimento)
    G: Interessante. Tem um contexto de história de terror, mas tem certo humor não intencional na conclusão. A velinha achava que seu marido comia, mas já havia deixado o mundo há muito tempo. O lobo é que se dava bem. É isso? Essa quebra foi bem colocada. – 9,0
    O: A reviravolta salvou o texto. Parte de uma premissa medonha para um cotidiano simples, brincando com a mente do leitor. Tem seu mérito por isso. – 9,0
    D: Não notei grandes construções, mas também nada que atrapalhasse a leitura. Simples, mas eficiente. – 8,0
    Fator “Oh my”: me ganhou pela forma como foi contada. O descaso da protagonista é bem evidente.

  54. Juliano Gadêlha
    17 de janeiro de 2017

    Muito interessante. Uma história bem concebida, bem estruturada e bem realizada. Gostei da atmosfera do conto, e não me incomodei com os problemas de verossimilhança, pois para mim tudo pareceu estar dentro de uma suspensão de descrença básica que devemos aplicar às histórias de ficção. Bom trabalho, parabéns!

  55. Thata Pereira
    17 de janeiro de 2017

    Eu estava com medo da imagem, não esperava um conto tão singelo. Também questionei a questão do cheiro, pois o cheiro de uma pessoa morta é diferente do cheiro de alguém que não toma banho, mas como saber os hábitos dessa família?

    História triste. O cenário, que concordo plenamente com o Selga, parece fabuloso, dá abertura para a questão do cheiro não ser questionada em uma segunda leitura e, apesar da tristeza, também traz beleza para o conto.

    Boa sorte!!

  56. Laís Helena Serra Ramalho
    17 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto, e também de como você descreveu a névoa e a lua encoberta. O final traz uma pequena surpresa por ser diferente do esperado. Mas algumas frases sobraram, como “escuridão plena” (isso já tinha ficado subentendido por você ter mencionado a lua encoberta) e “O corpo inchava” (já estava claro que ele estava morto quando o lobo chegou para jantar, e talvez o conto tivesse até mais impacto se terminasse ali). E há um espaço antes do ponto de interrogação.

    Só estranhei um pouco ela não ter percebido que ele está morto, apesar da cegueira e da comida que desaparece. Será que não teria percebido o corpo inchado, ou o cheiro, ou a falta de movimento e respiração? Será que não teria tocado nele tentando exigir atenção e sentido a pele fria?

    Apesar dessa incoerência, o conto fugiu do esperado e me agradou bastante sim.

  57. Victor F. Miranda
    16 de janeiro de 2017

    A última frase me pareceu sobrar no conto, mas, de resto, gostei. Foi bem construído.

  58. Davenir Viganon
    16 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto, muito bem montado, revelando a cena aos poucos. O conto tem a surpresa no final mas não é apenas isso, a idosa é bem instigante pois mesmo cega ela já poderia ter notado que o marido estava morto, afinal devem usar a mesma cama… quem sabe ela não quer ver.

  59. Rubem Cabral
    16 de janeiro de 2017

    Olá, Krisky.

    Gostei do conto: você formou um cenário típico de clássico de horror. A “sacada” do lobo, que ilude a velha cega, foi muito boa. Talvez no fundo a idosa sabia da morte do marido, que por pior que fossem seus hábitos higiênicos, não cheiraria à carne podre. Talvez a senhora estivesse em negação e se aferrou à rotina para se manter sã.

    Nota: 8.

  60. Tatiane Mara
    15 de janeiro de 2017

    Olá…

    Senhora cega morando só com o marido não percebe que ele morreu.

    Muito bem escrito, sem falhas nas construções, inclusive com uma imagem maravilhosa: ” A lua trazia suas pálpebras de nuvem fechadas. ” lindo isso.

    O clima inicial remete a algo tétrico, então somos jogados num casebre com um defunto no quarto, uma velha cega que cozinha à meia-noite, um lobo que ronda a casa. Sensacional.

    Metaforicamente também traz muito o que se pensar: alegoria dos relacionamentos putrefatos e mantidos pela rotina ( no caso, o jantar).

    Foi levantado a questão do mal cheiro do corpo, sério ? quem vai se preocupar com isso ? Então não pode ler obras onde os bichos falam … rsrsrs

    Boa sorte.

  61. Matheus Pacheco
    15 de janeiro de 2017

    Há uma alusão gigantesca sobre bruxas, e quando eu vi a imagem pensei ser algo relacionada a lenda russa de Baba Yaga, mas eu vi que é algo ainda mais cruel e maligno que vive nos pântanos.
    ótimo conto e um abração.

  62. Ceres Marcon
    15 de janeiro de 2017

    Você usa bem o cenário. O início me remeteu a terror, morte, o que se comprova ao final da leitura.
    Apesar de ter gostado da metáfora da lua e da névoa, eu cortaria totalmente isso do texto e iniciaria na casa, porque é isso o que importa, até porque a velha é cega e não teria como ver todas essas nuances do ambiente.
    O que destoa é a mulher cega, a maneira como você a inseriu no texto. Uma pessoa cega tem olfato, tato e audição muito mais aguçados do que os outros. Ela teria até como perceber a entrada do lobo.
    Acho que é isso.
    Parabéns!

  63. Glória W. de Oliveira Souza
    15 de janeiro de 2017

    Descrição um pouco tétrico. Creio ter visto o sofrimento de um humano cuidando de outro humano. Ambos doentes. Ambos idosos. Ambos abandonados e sós. Vi pouca dramaticidade na descrição do desenrolar do conto. Final fugidio.

  64. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    15 de janeiro de 2017

    O lobo entrou e jantou… enquanto o corpo inchava. Muito bom.

  65. Tiago Volpato
    15 de janeiro de 2017

    Muito bom o conto. Você criou uma ótima história com poucas palavras gostei demais. Não tenho nada de negativo para, só elogios. Abraços!

  66. Antonio Stegues Batista
    14 de janeiro de 2017

    O marido morreu, sem que a velha se desse conta, porque é cega e todo dia prepara comida para ele, que o lobo come. O lobo ajuda a velha ter a ilusão de que o marido ainda está vivo. Por outro lado, se a velha não fizesse o guisado para o marido, o lobo teria comido ela. O guisado como oferenda à morte que não a leve tão cedo. Interpretações há, e é um bom drama.

  67. Luiz Eduardo
    14 de janeiro de 2017

    Gstei. Acheio o conto criativo e conciso, cumpriu bem o seu papel de microconto. Parabens e boa sorte 🙂

  68. José Leonardo
    14 de janeiro de 2017

    Olá, Krisky.

    Talvez pela decrepitude, pela idade avançada e pelas condições mesmas de abandono do casal, é possível que a idosa confundisse os odores (o de não-asseio e o de putrefação), de forma que talvez o corpo estivesse assim há mais de dois dias. O lobo, talvez, devore as refeições que ela depositava ao lado da cama.

    Um micro conto triste, de uma situação já terminal que não é percebida pela idosa cega ou, no íntimo dela, tentando espantar a pior possibilidade imergindo-se na rotina. Me deixa surpreso com a ilustração. Pensei se tratar de uma história de horror.

    Boa sorte neste desafio.

  69. Zé Ronaldo
    14 de janeiro de 2017

    Micro de verdade, apesar da sentença final, não considerei como entrega do que ocorre no texto. O leitor tem que saber que o corpo em decomposição incha, caso contrário não entenderá o texto. Bem elaborado, bem engendrado, bem escrito. Parabéns!

  70. Edson Carvalho dos Santos Filho
    14 de janeiro de 2017

    Bem humorado e bem escrito. E o lobo foi bem esperto em manter o corpo lá para esperar as refeições chegarem.

  71. Patricia Marguê Cana Verde Silva
    14 de janeiro de 2017

    Solidão em dobro mesmo acompanhado. Vivo ou morto… já não importa, assim o odor não chama a atenção. Estamos atentos ao que nos interessa… Metáfora da vida urbana em muitas relações…

  72. Vanessa Oliveira
    14 de janeiro de 2017

    Fiquei com pena da senhora. Apesar da foto aterrorizante, não achei nem um pouco assustador; achei triste. A solidão desse texto é palpável, e me deixou triste saber que a velhinha ficaria sozinha de vez, no meio do nada. Pela personagem principal ser uma idosa, a história cria muitas possibilidades. Talvez ela soubesse que o marido tinha morrido, mas se esqueceu. Ou simplesmente não percebeu, mesmo com o mal cheiro e tudo mais – explicado no fato de ele não tomar banho. Gostei do desfecho, achei bem surpreendente. Parabéns e boa sorte!

  73. Fernando Cyrino
    14 de janeiro de 2017

    Gostei bastante do conto. Achei bem rica a construção da narrativa. O cuidado com as palavras é patente. Fiquei pensando na questão do odor do morto, mas me recordei que havia um pântano próximo e seus miasmas, aqui relatados até como névoa amarela, poderia confundi-los, o que não quebra a verossimilhança, mas a reforça até.Parabéns pelo belo conto. Abraços de sucesso.

  74. Bruna Francielle
    14 de janeiro de 2017

    Bem, eu já ia comentar que, como ela não descobriu que ele tava morto pelo cheiro? Mas aí notei que realmente, ela cita que ele nem toma banho (obviamente) e isso pode tê-la enganado.
    E aí, o lobo aproveita-se dessa situação, aproveita-se assim por dizer, já que é um animal ”irracional”.
    Talvez apenas um causo curioso, sem maiores paradigmas e reflexões.
    Uma história simples, talvez com intuito de ser engraçada ou inteligente, porém, o fator “cômico” acabou por não ser forte, não levando a ser engraçado.
    Acabou por ficar um pouco sem emoção, quero dizer ,é possível compreender o texto, mas ele não é tão cativante.

  75. andré souto
    14 de janeiro de 2017

    O homem é o lobo do homem…nem sempre.Ás vezes o lobo é o próprio.Bela narrativa,com um desfecho inusitado.

  76. mariasantino1
    14 de janeiro de 2017

    Olá, autor (a)!

    Primeiramente o seu texto traz uma tristeza e solidão que não é brincadeira. Envelhecer é sempre punição, mas se torna ainda mais duro se estando só (por Deus e cego? — Perdão, ando refletindo muito acerca da minha própria velhice).
    Segundamente a narrativa onde empresta poesia para descrever a noite e ambientar não me desceu muito bem, porque me pareceu um pouco enfeitado e repetitivo.
    Sobre o desfecho eu achei legal, mas o fato de alguém estar morto a ponto de já ter o corpo inchado não pode passar impunemente, uma vez que o odor é forte (vai por mim, quatro anos de biologia).
    Então, gostei de grande parte, mas como um todo não me foi bem palatável.

    Boa sorte no desafio.

  77. Olisomar Pires
    13 de janeiro de 2017

    Bom conto. Gostei especialmente da frase: “A lua trazia suas pálpebras de nuvem fechadas. ”

    Foi criado um clima sombrio – pântano, meia-noite, escuridão, névoa, velha cega, lobo, casebre – que ficou muito bom.

    A trama dá conta de uma senhora que pensa estar alimentando o marido, sendo que na verdade quem lhe come a refeição é um animal.

    Li comentários afirmando que a velha sentiria o cheiro da putrefação, entretanto, como não há nada gratuito na literatura, ainda mais em microcontos, pensei que talvez não houvesse marido algum, ela não o toca para chamá-lo, o que seria normal, ela simplesmente deixa o prato na cama e sai.

    A última frase ” o corpo inchava” pode se referir ao lobo por tanto comer.

    Interpretações somente.

    Enfim, bom conto.

  78. Guilherme de Oliveira Paes
    13 de janeiro de 2017

    Bem estruturado, efetivo na construção do clima sombrio. Talvez falte apelo.

  79. Leonardo Jardim
    13 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): interessante a velha e o marido morto. Talvez se deixasse menos explícito funcionasse melhor.

    📝 Técnica (⭐⭐▫): boa, gostei bastante da metáfora da lua no início.

    💡 Criatividade (⭐⭐): não é um tema novo, mas achei criativo.

    ✂ Concisão (⭐⭐): toda a história cabe no conto.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): a parte do lobo sobrou um pouco. Acho também que não precisava ter dito que o corpo inchava, podia deixar subentendido. Fora isso, ficou bem legal.

  80. elicio santos
    13 de janeiro de 2017

    O caráter dúbio da velha cega é interessante, mas alguém com olfato apurado saberia a diferença entre o cheiro de alguém sujo e o de um morto. Faltou plausibilidade nessa parte da trama.

  81. Evelyn Postali
    13 de janeiro de 2017

    Eu apostaria nas outras percepções de uma mulher cega que sabe cozinhar. Porque seria impossível ela não distinguir o o cheiro de não tomar banho com o cheiro de carne em decomposição depois de tanto tempo junto com o sujeito. Sem considerar isso, tudo está bastante claro e flui. O lobo, no final, a comer a comida não foi surpresa, mas foi diferente.

  82. Sabrina Dalbelo
    13 de janeiro de 2017

    Eu achei bem legal, bem legal mesmo.
    Eu li como se estivesse assistindo a um episódio de “the haunting hour”, ou seja, um filme curto de terror, leve, a que as crianças podem assistir para começar a entender a origem do medo.
    Parabéns!

  83. Virgílio Gabriel
    13 de janeiro de 2017

    Interessante. Não achei a ideia inovadora, mas foi muito bem executada. A escolha dos personagens, já idosos, foi uma ótima sacada. Seria a velha uma doida assassina, ou simplesmente uma velhinha com problemas mentais oriundos da idade? Gostei. Parabéns!

  84. Nina Novaes
    13 de janeiro de 2017

    Ótimo texto. Me faz pensar nas relações afetivas.

    Por vezes, zangados, ignoramos por completo o outro, nos fazemos de mortos. Quem nunca, pelas redes sociais, por exemplo, deu aqueeeela ignorada naquela mensagem do crush por tá com raiva? Eu sempre, hehe. E se eu morresse e apenas esquecesse o facebook logado? Se não estivesse online apostaria que estava morta. :~

    Ótimo conto, e triste também pq eu fico pensando na velhinha. 😦

    Parabéns.

  85. Eduardo Selga
    13 de janeiro de 2017

    Há uma atmosfera que remontas às fábulas na descrição do ambiente, na personagem feminina e no lobo. No início houve um bom uso da linguagem figurada que, infelizmente, foi deixada de lado com o decorrer da narrativa em detrimento de uma linguagem mais denotativa. Não vi motivo para essa guinada.

    O problema maior, no entanto, está na verossimilhança externa, ou seja, a similaridade com o chamado mundo real. É que o homem já estava morto há dois dias,mas ela não percebe. Ocorre que o corpo humano começa a exalar o forte e característico cheiro de carne apodrecida em aproximadamente um dia após a morte. Assim, ela deveria ter percebido, mesmo sendo cega.

    • Nina Novaes
      13 de janeiro de 2017

      Discordo da análise final. Ela comenta que ele não toma banho, talvez pense que o cheiro venha daí. Tanto que solta a frase “se não comesse, apostava que tinha morrido”. A única certeza dela de vida vem do prato que é esvaziado. ❤

      • Eduardo Selga
        13 de janeiro de 2017

        O problema, Nina, é que o cheiro de alguém sujo é muitíssimo diferente do odor nauseabundo de carne podre. Seria como, diante de uma alcatra apodrecida, alguém supor que tudo o que falta àquela peça de carne é só uma boa lavagem.

      • Olisomar Pires
        13 de janeiro de 2017

        Talvez não houvesse marido nenhum, por isso ela não sentia nenhum cheiro. Talvez a velha seja somente louca. coloquei isso no meu comentário.

      • Eduardo Selga
        14 de janeiro de 2017

        Bom, Olisomar, não considero essa possibilidade factível, porque “o corpo inchava”. Logo, há alguém na cama, concretamente falando. E quem diz isso não é a personagem (se fosse poderíamos supor alucinação), mas um narrador em terceira pessoa, distante dos fatos.

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .