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Literatura que desafia.

O Engodo dos Caniços (Fátima Heluany)

engodo

Os meninos descobriram os peixes, depois do verde, na água contida do açude. Estavam à espera: por isso bastava o roçar dos anzóis nas águas clamantes e o peso dos peixes era o peso da vida.

Bocas escancaradas buscavam a isca; a linha zumbia recortando a água em múltiplas figuras. Eles vinham famintos de morte, em doida corrida; compunham a imensa flor de carne da fieira repuxante. Os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes.

A água ia ficando cada vez mais triste, mais funda, embora despojada do mistério.

Jantar garantido…

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86 comentários em “O Engodo dos Caniços (Fátima Heluany)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Gostei bastante da escrita, conseguiu descrever muito bem. Boa sorte e parabéns!

  2. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá!
    Um conto bonito, muito bem escrito. Gostei muito de algumas construções frasais. Ao meu ver a pescaria tem um aspecto meio de novidade para os meninos, a emoção é de como se fosse até a primeira vez. Interessante como você mescla os sentimentos em dualidade no fim, a alegria dos meninos, a tristeza da água. Gostei do texto, achei que o autor é seguro nas palavras. Parabéns pelo trabalho.

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Conto bem descrito, com uma escrita limpa e clara, retratando muito bem uma cena cotidiana. Boa sorte

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Poxa, adorei seu conto, de verdade! Muito bonito e bem escrito. Eu nunca pesquei e nunca foi algo que realmente me atraísse, mas adorei a maneira como você descreveu isso. Ainda mais somado a essa frase: “o peso dos peixes era o peso da vida”. Incrível, parabéns!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Gostei, se bem que é muito simples para competir com tantos ouitros textos que estão concorrendo. Mas a escrita é bem feita, sem atropelos e sem forçar a barra, o que lhe dá certo valor. Abraço.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    O conto ganha pelo estilo empregado pelo autor. Passagens bem construídas,”fome de morte”, e descrições que transportam o leito para a história. Tem a verossimilhança de um relato, de alguém que acabou de voltar da tal pescaria. Infelizmente, não é nada além disso. Mas quem disse que precisa ter?
    Parabéns e boa sorte!

  7. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Apreciei muito o requinte com que você foi compondo o seu conto. Mesmo no título,cujo sentido acho não ter “pescado” perfeitamente, ou em frases de efeito do tipo “roçar dos anzóis … da vida”, que normalmente me fazem empacar, dá pra perceber que você está sempre atento, burilando, experimentando. E aí surgem pérolas como “vinham famintos de morte” ou “os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes”…Sem falar no desfecho, que reuniu com perfeição a melancolia da penúltima frase com o pragmatismo seco da última… Na minha opinião, um dos contos mais bem escritos do concurso.

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    Chega a ser bonito, mas tem algumas construções frasais no mínimo diferentes.
    O que não é ruim, pois é com o diferente que aprendemos.
    É um recorte muito pontual de um momento. Início, meio e fim. Infelizmente, não inova. Mas a obra ganha muito mais alento com o penúltimo parágrafo.

  9. Thiago de Melo
    27 de janeiro de 2017

    Amigo autor,

    Seu texto tem uma carga poética invejável e inegável. Gostei muito da expressão: “o peso dos peixes era o peso da vida”. Ficou muito legal.

    Infelizmente o restante do conto não bateu muito comigo como leitor, o que não quer dizer que esteja ruim, só não simpatizei muito. Um abraço.

  10. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Bem, não sei se entendi ou não. Para ser sincera, não me animou muito. É bem escrito, mas a história não surpreende. Ficou meio perdido, não sei. Boa sorte!

  11. Davenir Viganon
    26 de janeiro de 2017

    A sobrevivência isolada de julgamentos. O conto tem umas construções interessantes mas não me fisgou. Não consegui mergulhar no texto.

  12. Cilas Medi
    26 de janeiro de 2017

    O que esclarece, no contexto, a frase: os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes? Não entendi, lendo mais duas vezes, portanto, não gostei.

  13. Thata Pereira
    26 de janeiro de 2017

    Lendo o conto essa hora, adorando pescar e apaixonada por peixe frito, o que tem de belo esse conto tem de maldoso.

    Muito interessante essa questão do peixe estar com fome, buscar pela comida, mas o menino está com fome e se alimentará do peixe. Uma ideia que ainda não tinha visto e, por isso, muito criativa.

    Apenas não entendi essa frase: Os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes.

    Boa sorte!

  14. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    LINDO, perfeito. Todas as suas descrições são precisas e ótimas e o final é maravilhoso. O roçar dos anzóis nas águas clamantes e o peso dos peixes era o peso da vida. Parabéns, está agora entre os melhores. Valeu, pescador.

  15. Glória W. de Oliveira Souza
    26 de janeiro de 2017

    Cadeia alimentar com participação animal e humana. A narrativa faz uma introdução com pitadas românticas, mas o desenrolar apresentada o universo animal (peixes) de forma triste. Nem o final – nada impactante – da necessidade de alimentação para sobrevivência contamina a curiosidade por carência de dramaticidade cênica. Para mim, salvo melhor juízo, é apenas uma história.

  16. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Ansiada Tensão.

    Muito bom o conto. Interessantes as imagens evocadas e a ideia de meninos famintos e peixes igualmente famintos.

    Nota: 8.5

  17. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    O tema “fome” ronda todo o conto: os meninos famintos pescam peixes famintos. Todos só querem saciar seu instinto mais básico. Não há luxo ou maldade, apenas sobrevivência. E o estilo da escrita combina perfeitamente com essa temática.
    Boa sorte!

  18. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    A composição do texto tá um primor. Boa escolha de palavras, boas imangens, sem problemas ou entraves. A beleza do texto tá justamente na descrição poética da pescaria e depois um tapa que joga tudo fora diante de uma das necessidades mais básicas: comer é preciso. Bom trabalho.

  19. Matheus Pacheco
    25 de janeiro de 2017

    Simplicidade da pesca na visões do pescador e da pesca, fazendo o cotidiano de uma forma muito bonita e poética, pena dos peixes mas bom para os garotos que garantiram seu jantar.
    Um abração ao escritor.

  20. Leandro B.
    25 de janeiro de 2017

    Não encontrei a referência ao pesque-pague no texto. Pareceu-me, antes de tudo, tratar da fome.

    A fome, aqui, é a da caça e do caçador. Ao mesmo tempo, tenho a impressão de que a maneira como essa fome é satisfeita leva, gradativa ou abruptamente, à morte daquele que come. Hoje os peixes pescados, amanhã os meninos no açude sem peixes.

    Achei o trabalho competente, mas não me causou um grande impacto.

  21. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    Muito interessante a disputa da simultaniedade dos personagens em estarem famintos. Um conto leve com bom enredo em poucas palavras.
    Bom desafio!

  22. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Ansiada,

    Tudo bem?

    Segundo Adélia Prado é no cotidiano que reside a grande pérola para o escritor. É aqui, no dia a dia, que encontramos material humano o suficiente para a criação de uma boa história.

    Você transformou o pesque-pague em uma aventura aos olhos de seu personagem. E um deleite aos olhos de quem lê seu conto.

    Um belo trabalho. Simples, bem escrito, na medida.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  23. Miquéias Dell'Orti
    25 de janeiro de 2017

    Oi,

    Percebi que você teve todo o esmero em colocar cada palavra no conto para que um fato comum, como pescar, se enchesse de cor e sentimento.

    Adorei a comparação dos peixes com um jardim de flores (“Os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes.”).

    Gostei, particularmente, de algumas frases de efeito, como “…o peso dos peixes era o peso da vida.”

    Parabéns.

  24. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    Um conto que aborda algo que gosto muito: pesca. Acabou ficando no meio termo entre uma descrição interessante da batalha que ocorre entre as duas partes, com trechos que sinceramente não entendi, como: “Os botões das flores eram os olhos apagados dos peixes.”.

  25. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um dia no pesque-e-pague. Um grande talento é transformar um fato corriqueiro em exemplo emblemático. Acho que foi essa a busca do autor, que, como peixe, resvalou na superfície do lago, mas não despontou. Na parte técnica, não consegui ver a água triste, e fiquei na dúvida se o jantar garantido era o dos meninos com o peixe à farta ou do peixe com a isca dos meninos facilmente capturável.

  26. Gustavo Castro Araujo
    25 de janeiro de 2017

    Uma bonita descrição de pescaria, sob o ponto de vista dos peixes. Confesso que algumas descrições me causaram estranheza, sobretudo devido à pontuação, mas ao observar o todo, qual quadro impressionista, me foi possível ter uma ideia melhor da obra. É, de fato, fruto de um estilo próprio. Parabéns!

  27. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Se eu entendi bem, tanto os peixes quanto os meninos estavam desesperados de fome, e foi um embate sobre quem sobreviveria.

    Não é o tipo de texto de que costumo gostar, mas você tem mérito por transformar em uma história dessas o simples ato de pescar. Está bem escrito, e gostei da imagem que você construiu dos peixes se alvoroçando ao redor da isca.

  28. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    gostei do som das tuas palavras e de toda a poesia que carrega este texto. Muitos parabéns, só lamento poder escolher vinte textos…

  29. elicio santos
    24 de janeiro de 2017

    “Os meninos descobriram os peixes, depois do verde, na água contida do açude. ” Essa frase poderia ter sido escrita de uma forma mais coesa:

    Na água do açude, depois do verde, os meninos descobriram os peixes.

    O texto é singelo, por isso não exige grandes interpretações. Penso que o autor poderia ter deixado algo subentendido para que a narrativa se tornasse mais interessante. O fim é o fim e acabou, apenas o relato de uma pescaria. Senti um vácuo textual no desfecho.

  30. Bruna Francielle
    24 de janeiro de 2017

    Gostei bastante ! O conto foca mais na pescaria, mas dá algumas informações adjacentes que o leitor pode imaginar mais do que é dito explicitamente
    Imaginei 2 meninos com fome, muita fome, provavelmente pobrezinhos passando por dificuldades, “o peso do peixe era o peso da vida”, eles realmente precisavam do alimento !
    Aí toda a construção do peixe indo pra isca, comparado a uma flor e tal.. bastante bonito e bem feito !
    A proposta do conto é diferente das outras que vi por aqui, mas por incrível q pareça é a mais simples.. apenas uma amostra de uma cena, sem reviravoltas, sem tentativa de ser engraçado ou filosófico.
    Muito bom, parabéns

  31. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Muito bem descrita a cena, mas ela se esgota aí. Faltou um desenvolvimento, talvez pelo limite de palavras.

  32. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Que bela descrição do momento da fisgada dos peixes.
    Fiquei muito encantada em pensar nos peixes se revirando perto dos anzóis sob o formato de flor.
    Bela metáfora, bela descrição.
    Achei a leitura apenas um pouquinho truncada, mas depois deslancha.

  33. Juliano Gadêlha
    24 de janeiro de 2017

    Conto interessante, muito pela maneira como foi construído. Um pouco confuso às vezes, mas talvez essa seja a intenção, que algumas construções se apliquem tanto aos peixes quanto aos meninos. Bom texto, parabéns!

  34. Lohan Lage
    23 de janeiro de 2017

    Presas e predadores…
    Ansiada Tensão trouxe um microconto repleto de figuras de linguagem que impactam positivamente. Transformou um assunto corriqueiro, bucólico, numa prosa poética. Parabéns.

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Informação

Publicado às 12 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .