EntreContos

Detox Literário.

O Homem da Federação (Jowilton Amaral)

federacao

Poção dos Anjos parecia abandonada quando um homem montado num cavalo tordilho trotou sobre a terra mortiça da avenida da cidade. As casas de madeiras amareladas pela poeira, misturadas ao chão pardacento e a luminosidade vigorosa sobre as telhas carcomidas deram ao cavaleiro a sensação de estar vivenciando uma miragem. As residências pareciam distorcidas, como se derretessem submissas ao calor. A imagem algumas vezes desaparecia encoberta por uma capa de claridade intensa, impalpável, mas, pulsante. A luz engolia o lugar, deixando, paradoxalmente, tudo indistinguível; irreal.

A jornada até ali havia levado catorze dias. Quase mil quilômetros de Meio do Mundo, sede da Federação, até Poção dos Anjos — cidade fincada na maior área desértica da região nordeste. Gerson James não era afeito a viagens de aeróstato, uma excentricidade para ele. Nunca que colocaria os pés dentro de um cilindro de duralumínio voador. Ele era de uma época antiga, assim diziam, apesar de seu semblante não traduzir a quantidade de anos supostamente vividos. Aparentava ter quarenta anos, não mais que isso. Alto, corpo rijo, pele clara, cabelos pretos e olhos tempestuosamente castanhos. Usava um sobretudo negro por cima do terno azul escuro de cambraia de linho. Chapéu também negro. Na cintura trazia duas Big Daddy calibre quarenta e cinco e uma faca de caça. Presa a cela do tordilho havia dois rifles Springfield. Sem dúvida era um homem precavido e cheio de mistérios. Para muitos, um feiticeiro. Rezava a lenda que ele parara de envelhecer há muitos e muitos anos, que nasceu antes do primeiro Fim do Mundo. Naquele momento, estavam no ano de 1888 Depois do Segundo Fim do Mundo. Se as especulações fossem verídicas, Gerson James teria mais de cinco mil anos.  Uma idade impossível; talvez.

G.J desmontou em frente à delegacia. Olhou para trás e viu seu companheiro chegando esbaforido.

— Chegamos, Jim —  Jim não respondeu. Estava muito cansado, contudo, abanou o rabo mecânico freneticamente.  Estava exausto, mas, feliz. Jim Morrison era um enorme fila brasileiro de pelos tigrados e espírito de caçador. Já havia caçado todo tipo de criatura estranha pelos quatro cantos de Sulamerica. Mesmo usando, há quatro anos, próteses metálicas das pernas traseiras, fixadas no dorso por uma espécie de espartilho de couro, movimentadas por engenhosas miniengrenagens, Jim não perdera sua habilidade espantosa de perseguição à presa.  Seus membros e cauda foram dilacerados pela mordida de um licantropo.

Gerson James subia as escadas da entrada da delegacia, acompanhado de perto por Jim, quando uma bela mulher surgiu de dentro do estabelecimento, parando sob o alpendre do casarão.

— O senhor é Gerson James, o homem da federação?

— Sim, sou eu mesmo, senhora.

— Senhorita — respondeu a mulher.

— Estou à procura do delegado A. Duloren, senhorita. Ele me levará em diligência para capturar um rebelde, um cientista que está dando problemas para a Federação.

— Sim, estou a par da missão.

— Onde está o delegado?

— Eu sou o delegado, meu nome é Ágata Duloren.

— Mas, você é …

— Isso mesmo, eu sou uma mulher e sou a delegada de Poção dos Anjos. Algum problema?

— Éeee… não, não é isso, nenhum problema, é que… a senhorita é muito jovem

— Muito bem, se não há nenhum problema, por favor, vamos entrar.

A delegada girou nos calcanhares com elegância, revelando duas pistolas Tesla LR-4500V, armas de última geração, cruzadas nas costas, enfiadas em duas patronas de couro havana. Ela usava calças verdes musgo de couro, coladas ao corpo, acentuando suas curvas. Na cintura carregava um revólver 38. Blusa de seda por dentro, com mangas compridas, na mesma cor da calça e um chapéu branco. James não gostava nada de ver moças vestidas daquele jeito. O Policial federal olhou para Jim e fez uma careta num misto de curiosidade e desaprovação. Jim bufou indiferente e correu para o lado da mulher.

Pequenos arcos de fumaça, que saiam de um aparelho acoplado a parede da delegacia, somados ao chiado de vapor, mostravam que o climatizador funcionava a contento. Dentro da delegacia a temperatura estava agradabilíssima.

Gerson James fez seu asseio pessoal e uma frugal refeição preparada por ele mesmo. A policial afagava carinhosamente o pelo de Jim, que descansava aos pés dela, depois de se refestelar com um guisado de teiú, o que deixou o policial federal com uma pontada de ciúme de seu cão.

Depois de uma hora de descanso e conversas triviais, partiram. Gerson James montado no tordilho, Ágata Duloren acomodada na sua carruagem-automóvel vaporizada e Jim farejando o chão.

Mergulharam na imensidão amarelada por volta das duas da tarde.

***

— Sabia que aqui corria um grande rio? — G. J. perguntou. O sol havia amansado e soprava uma brisa morna quase refrescante. Eles ultrapassavam um vale. Estavam ladeados por duas enormes paredes de arenito repletas de grutas. Algumas pinturas rupestres podiam ser vistas na entrada de algumas cavernas.

— Sim, eu sabia, o rio São Francisco. Este local era conhecido como Os Grandes Cânions do Velho Chico. Uma catástrofe, uma enorme rocha vinda do espaço, fez com que tudo acabasse — a mulher afirmou com convicção. O Homem sorriu.

— Não houve catástrofe alguma! O que exterminou o rio foi o descaso, a incompetência e a corrupção dos governantes daqueles tempos idos. Quase sempre, os mitos que envolvem as histórias são mais interessantes que a história verdadeira. Foi o homem que assassinou o São Francisco e não uma pedra vinda do céu — o cavaleiro disse severamente e continuou — Aqueles foram tempos de impunidade, onde homens poderosos sugavam a riqueza do mundo para benefícios próprios. Para que isso não aconteça nesta época atual, criamos a Federação. Em pouco tempo teremos todos os habitantes de Sulamerica sobre nossa assistência. Viveremos decentemente e em paz.

O silêncio tomou-os por uns instantes. Um carcará planou elegantemente sobre eles a procura de uma presa. Jim parecia agitado.

***

Quando chegavam ao fim dos cânions, Ágata percebeu vultos saindo de dentro de algumas cavernas, tanto de um lado como do outro. Ela chamou a atenção de G. J. com um estalo de dedo e apontou para o alto.

— O que são estas criaturas? — Gerson James perguntou.

— Bodes carnívoros da caatinga. Há indícios que Mendel trabalhe com modificações genéticas em animais.

— A Federação sabe bem disso — o homem respondeu. A delegada sorriu

Os animais se aproximaram descendo aos pulos os morros de pedras. Seis grandes machos com longas barbas chegaram ao plano ao mesmo tempo. Três vindos da direita e três da esquerda, como num movimento coreografado. Em seguida machos menores tomaram a retaguarda do grupo. O bloco tomava quase toda largura do vale, deixando dois estreitos corredores em volta do rebanho.

Os bichos diminuíram a marcha, baliram assustadoramente e investiram velozmente contra os invasores.

Gerson James contou dezesseis animais antes de cavalgar para frente do veículo da delegada, com Jim Morrison ao seu lado, e parar levantando a mão direita, fazendo com que o cão ficasse absolutamente imóvel. A delegada desceu do carro vaporizado, posicionou-se entre James e Jim, apontando suas duas armas para a manada enraivecida. O policial federal tentou detê-la.

— Volte para o carro, senhorita.

— Eu sou uma policial, meu bem. Sei me cuidar — falou e piscou para o homem.

— Ok, então aguarde o meu comando — ordenou Gerson James. A mulher assentiu com a cabeça.

Faltando poucos metros para o rebanho chegar até eles, Gerson James abaixou sua mão. Jim Morrison acelerou em arco pelo lado direito, o tordilho fez o mesmo movimento pelo lado esquerdo, enquanto o cavaleiro gritava para que Ágata atirasse. A delegada apertou os gatilhos de suas Tesla LR-4500V. Duas rajadas de eletricidade estática partiram dos canos das pistolas como se um relâmpago houvesse caído do céu. Uma claridade azul iluminou o ocaso. As correntes eletrificadas atingiram dois machos do centro da manada, dividindo seus corpos ao meio. Simultaneamente Gerson James e Jim atacaram. Jim escolheu os machos menores, logo atrás dos seis maiores que comandavam o ataque. Com um pulo certeiro, usando suas patas metálicas traseiras, feriu dois deles, como se usasse facas nos pés e num golpe rápido estraçalhou a garganta de um terceiro com uma poderosa mordida. G. J. disparou as Big Daddy estraçalhando as cabeças de mais dois líderes e alguns da retaguarda. Sobraram dois machos grandes na fileira da frente, que deram uma leve guinada na direção da delegada. Ágata Duloren recuou, o lança raios tinham um grande defeito, demoravam a recarregar. A mulher correu para a carruagem vaporizada, contudo, não houve tempo suficiente, ainda assim, conseguiu desviar parcialmente, com um salto, da chifrada do maior deles. A pancada acertou-a de raspão na altura da cintura, quando ela ainda estava no ar, fazendo-a rodopiar e cair com um baque surdo na terra quente. Ao tentar se levantar, se viu encurralada, os predadores estavam quase em cima dela, com olhos em chamas, bocarras escancaradas, mostrando dentes enormes e afiados. Ela não era de se entregar facilmente, rolou para o lado, desengatilhou o trinta e oito e acertou em cheio um tiro entre os olhos de uma das feras. Outro tiro foi ouvido. Ainda deitada, viu Gerson James se aproximando com a espingarda soltando fumaça pelo cano.

— É por isso que eu ainda prefiro as armas convencionais — disse o homem num tom irônico e completou — Está tudo bem?

— Sim, tudo bem — respondeu Ágata levantando-se e manquitolando em direção ao veículo.

O resto do rebanho perdeu o ímpeto e recuou para as grutas.

***

A escuridão abocanhou o trio. Ágata Duloren acendeu os faróis da carruagem. Jim Morrison parecia preocupado com sua nova amiga e caminhava bem ao lado do curioso carro. Seguiram viajem em absoluto silêncio, absortos em seus próprios pensamentos. Pararam por meia-hora para realizarem uma rápida refeição. Andaram por toda a noite.

***

Duas horas antes do nascer do sol, os três ultrapassaram os arcos que adornavam a entrada da cidade de Mandacaru. Apesar do horário, a cidade fervia. Ao contrário de Poção dos Anjos, Mandacaru era movimentada, barulhenta e enfumaçada. Pessoas de todas as regiões de Sulamerica e de todo os continentes passavam por ali. Carruagens vaporizadas, animais biônicos, artistas de rua, drogas, comidas, roupas, bugigangas tecnológicas, sons e cheiros se misturavam, tornando o lugar uma imensa feira livre. “Uma Babel”, resmungou G.J. A federação ainda não havia colocado suas mãos reguladoras na cidade.

— Vamos falar com meu tio, ele perambula por todo o deserto há anos. Ele pode nos dizer onde e como encontrar Carlos Mendel — Disse a delegada.

— Onde o encontraremos?

— Na Adega Angico.

***

A Adega Angico era um pardieiro. Pensou o policial. Chão de barro, teto de palha, com uma porta estreita de entrada. No interior do muquifo, um mundo de vozes e gentes se abalroavam. Um alvoroço de idiomas, culturas, raças… Em cima de um pequeno palco de madeira, músicos animavam o ambiente. Um acordeom, um tambor e um triângulo metálico eram os responsáveis pelo ritmo frenético. Casais dançavam no meio do salão de forma libidinosa, com os corpos colados, mexendo os quadris feito serpentes se arrastando. Gerson James já vira de tudo em sua vida, no entanto, nunca havia se acostumado com atitudes mundanas como aquelas. Havia homens, mulheres, jovens e velhos, vestidos de forma bizarra ou elegantemente trajados, todos bêbados e armados. A delegada Ágata Duloren parecia conhecer bem o lugar. Cumprimentava a todos que via e seu corpo balançava, arrastando os pés, acompanhando o compasso do trio. O Federado a olhava com olhos de censura, quando um ganido chamou sua a atenção. Ao olhar para trás viu Jim se debater com uma trela de correntes estrangulando o seu pescoço. Do outro lado da guia, um homem vestido num terno de couro, óculos redondos e um olho cego, sorria para o policial.

— Solte-o já — Ordenou o federado. O homem não obedeceu. Gerson James fez menção de partir para cima do estranho, entretanto, sentiu o cano de uma pistola encostar na parte de trás de seu crânio e se conteve.

— Bem-vindo a Mandacaru, capital da liberdade. Conheça o capitão Virgulino, meu tio — a mulher anunciou.

— Seja bem-vindo, cabra — Virgulino falou sarcasticamente.

***

Levaram os prisioneiros para os fundos da taberna, passando por um extenso corredor escondido por trás de um dos armários de bebida da cozinha da adega. Um homem segurava o policial pelo braço e outros dois a corrente que laçava Jim Morrison. O local era amplo, uma parte coberta e um terreiro comprido a céu a aberto. Via-se ao longe um fogão a lenha fumegando e inúmeros tubos transparentes de vidro preenchidos com líquidos das mais variadas cores em cima de uma mesa de chumbo. Um jovem vestido num esdrúxulo terno vermelho, com cabelos ruivos espetados para cima, como a chama de uma vela, manipulava a vidraria.

— Finalmente, o rebelde Carlos Mendel — disse G.J. O rapaz levantou os olhos e observou curiosamente o homem através de seu monóculo com lentes de aumento.

— Na verdade, macho, este é o “Chiquim”, meu ajudante — Disse o capitão gargalhando e emendou. —  Vá descansar, “Chiquin”, e lembre-se, bico fechado.

O rapaz retirou-se e Ágata falou com seriedade:

— Não existe nenhum Carlos Mendel, muito menos alguém que manipule geneticamente animais, as pesquisas que fazemos aqui são sobre o nosso solo e sobre captação de água para irrigação, para que a terra volte a ser fértil e que a vida cresça neste lugar esquecido. Aqueles bodes que nos atacaram, não passam de uma espécie que teve que mudar seus hábitos de alimentação para sobreviver neste inferno. Inventamos o cientista para que pudéssemos agir, com a ajuda do bando de meu tio, sem sermos perseguidos pela Federação. E desta forma, conseguirmos cativar aliados de todos os recantos deste deserto miserável. Não imaginávamos que ele faria tanto sucesso a ponto de a Federação enviar o famoso Gerson James. Você esteve do lado da verdadeira líder rebelde por todas estas horas e nem sequer desconfiou. Você não é tão esperto quanto eu imaginava, James. Quando recebi a mensagem avisando da sua chegada planejamos a captura. E agora negociaremos. A sua vida pela nossa liberdade. Sua liberdade pela nossa soberania. Não seremos cordeirinhos pastando sob o cajado de vocês. Nunca entregaremos nossa vida, nossa cultura, nossa felicidade nas mãos dos sujeitos de pele fina e alva de Meio do Mundo.  Somos muitos e temos infiltrados em todos os setores da Federação. Vocês irão cair antes mesmo de chegarem ao topo. — Disse Ágata.

— Ah, “Dulinha”, minha sobrinha, assim cê mata esse cabra “véio” aqui de tanto orgulho. — O capitão falou emocionado.

— Você não sabe o que está dizendo. Vocês não têm a mínima ideia do que somos. Eu já vivi muito e sei muito bem onde isto vai parar. Vai parar em mais um fim do mundo. Vocês humanos já tiveram todas as chances. São milhares de anos usando a inteligência como arma de destruição. Tudo começa com uma boa intenção. Aí vem o poder, a ganância, o ódio, a inveja e tudo descamba para corrupção, guerras e a extinção do planeta. Um planeta tão perfeito que conseguiu se regenerar depois de duas hecatombes. Mas, não haverá a terceira. Nós da Federação resolvemos dar uma basta nisto. E daremos. Terei que me revelar e por isso vocês irão morrer.

Gerson James levantou-se do tamborete onde ele havia sido colocado. A delegada teve a impressão dele ter ficado alguns centímetros mais alto. Seus olhos ficaram brancos como nata, as unhas cresceram pontudas e cortantes. A boca arregaçou-se, mostrando presas aguçadas no lugar de dentes.

— Meu padim padim Ciço, que diabos é isso, meu Deus — Choramingou um dos capangas do capitão.

A criatura arrebentou as cordas que prendiam suas mãos e num movimento rápido dos braços cortou a garganta do homem que o vigiava e de um que segurava seu amigo. Jim deu um coice cravando suas patas metálicas no outro homem que o prendia na corrente. O laço desapertou e o cão investiu contra a delegada furiosamente, sentindo-se traído. Virgulino disparou sua garruncha em direção a Gerson James. Os projéteis acertaram a barriga do homem formando grandes feridas. G.J. deu dois passos para trás com o impacto e sorriu, apontou para seu próprio coração e disse:

— Tem que acertar aqui.

Voou na direção do capitão como se fosse uma ave de rapina e o abocanhou. Dilacerava-o a dentadas quando ouviu um disparo e um uivo. A delegada havia atirado com o trinta e oito no cão, depois de ter conseguido se desvencilhar do ataque inicial. Jim fora atingido no dorso, danificando suas próteses e abrindo um corte profundo. Jim grunhia baixinho estirado no chão. Gerson James soltou o corpo sem vida do capitão e investiu contra a mulher, que disparou novamente, desta vez a LR-4500V. Com um salto para o alto e para frente, dando uma cambalhota no ar, G.J. desviou dos raios azulados, caindo em pé atrás de Ágata, segurou-a pelo cabelo e arrancou sua cabeça com um golpe poderoso de suas garras.

Foi até seu amigo, examinou a ferida e a cauterizou com a lamina de uma faca aquecida no forno a lenha. Jim respirava fracamente.

— Não se preocupe companheiro, você ficará bem, você ficará bem… — disse, já destransformado, enquanto saia dos fundos da casa carregando Jim nos braços e as cabeças do capitão e da delegada em seu alforje. Dentro do salão a algazarra continuava e ninguém percebera sua saída.

Montou em seu Tordilho e cavalgou acelerado. As cabeças dos dois rebeldes seriam expostas em praça pública como exemplo aos traidores. A Federação retornaria muito breve à cidade.

***

Vinte dias depois, já próximos à cidade de Meio do Mundo, Gerson James olhou para Jim, que quase totalmente recuperado, andava ao seu lado ainda incomodado com as novas próteses que lhe foram adaptadas na cidade de Sotero.

— Espero que você tenha aprendido que não se deve confiar em fêmeas humanas, sobretudo as mais bonitas — O homem da federação sorriu, assobiou uma melodia antiga e começou a cantarolar em uma língua extinta:

“This is the end

Beautiful friend

This is the end

My only friend, the end…”. Jim Morrison uivou melancólico, mas, sabia que ainda não era o fim.

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40 comentários em “O Homem da Federação (Jowilton Amaral)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a ambientação inicial é perfeita, criou uma grande imersão em poucas linhas. O mundo criado é muito bom, tecnologia steam/teslapunk num velho oeste brasileiro. O final, porém, não continuou no mesmo tom. A resolução fantástica (ou o que quer que tenha sido aquilo) quebrou o ritmo do texto e acabou afetando o ótimo trabalho que estava sendo feito.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): boa, com ótimas descrições como já falei e bom desenvolvimento de personagens. A pontuação, principalmente nos diálogos, poderia ser melhor trabalhadas e o diálogo em que Ágata se mostra a líder do grupo ficou muito grande. Poderia colocar interrupções ou inserções do narrador.

    E, favor, não esqueça de corrigir essa passagem:
    ▪ Seguiram *viajem* (viagem) em absoluto silêncio

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): a ambientação não é totalmente nova, mas achei bastante criativa. Vale à pena investir nesse mundo e, talvez, explicar melhor esse final.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado, uma mistura de pós-apocalíptico com steampunk e uma arma elétrica a lá teslapunk.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o final realmente me deixou decepcionado, pois era um dos textos que eu estava mais preso. Mesmo que a resolução fosse aquele monstro, acho que o autor poderia ter tratado melhor para que a revelação não ficasse tão fora de contexto. Boas reviravoltas são aquelas que não esperávamos, mas quando ocorrem, fazem todo o sentido. Infelizmente não é o caso dessa…

    ⚠️ Nota 7,5

  2. Fil Felix
    16 de dezembro de 2016

    GERAL

    A imagem dá uma dica ao leitor, pra já esperar algo a lá Torre Negra. O vocabulário do conto é muito bom, gosto do tom mais nordestino, só faltou um prato de cuscuz com leite. A ambientação também é boa, com as novas divisões do… continente? Percorrer esse Brazel sertão adentro, de ter colocado bastante regionalismo e mostrado um faroeste (farnordeste?) sem apelar tanto pros clichês hollywoodianos. A relação entre as personagens, o clima, as descrições e desenrolar também merecem destaque.

    O X DA QUESTÃO

    Gostei da mistureba entre steampunk e cyberpunk, de trazer o outro lado da moeda. Geralmente mostra o lado dos rebeldes atacando o governo, quase sempre fascista. Aqui vemos o lado do Governo e um de seus agentes, que precisa manter a “ordem”. Por um momento pensei que a Ágata sairia ganhando.

  3. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Outro do qual gostei bastante, talvez por me refrescar a mente. Mas gosto dessa mistura, dessa coisa regional, do Brasil, me cativou mesmo e li de uma vez só. E ainda por cima steampunk com faroeste (faroeste está no meu coração, rs)! Confesso que steampunk é o meu punk do coração. Sei lá por que pensei no “A Torre Negra” do King, já que não li ainda a série (estou para ler). Me deixou até curiosa para adiantar a leitura de “A Torre…”, pra ver o porquê dessa analogia. Será por causa da imagem que ilustra o texto? Uma coisa que acho que poderia ser melhor é a construção das personagens. Talvez um pouco mais trabalhadas?

  4. Leandro B.
    16 de dezembro de 2016

    Olá, Carlos.

    O texto misturou elementos clássicos com uma visão original do autor. É um excelente exemplo de que as vezes não eh necessário reinventar a roda para produzir algo de destaque.

    Gostei da representação de todos os personagens. Fiquei na dúvida se GJ foi o licantropo que um dia feriu James.

    Outro aspecto bastante positivo foi a construção clara de um universo complexo do qual apenas conhecemos uma ponta do iceberg.

    Enfim, está entre os meus favoritos. Contudo, é preciso passar um pente fino de revisão, pois algumas besteiras de digitação acabaram escapando.

    Parabens pelo trabalho.

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    10. O Homem da Federação (Carlos Mendel): Nota 6,5
    Amigo Carlos,
    Infelizmente não gostei muito do seu conto. Achei que ficou muito panfletário.
    Concordo que é um texto “X-Punk” e que vcs tentou dar as nuances de um western misturado com armas futurísticas. Contudo, achei que vc forçou um pouco demais a mão na metáfora que criou para criticar algo que certamente te incomoda. Esse certo exagero acabou atrapalhando na leitura. Como ficou forçado, eu não sabia se lia o texto ou se pensava na minha cabeça “sei, sei, os bodes foram FORÇADOS a se adaptar ao ambiente e se tornaram carnívoros; e as pessoas em volta estavam apenas pesquisando água e solo em prol do bem comum… claro!”
    Talvez o problema real tenha sido a quantidade de palavras. Às vezes, com um espaço maior de palavras vc teria conseguido diluir mais a crítica que queria fazer e teria um efeito mais homeopático no leitor.
    O livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, também tem uma crítica social e uma parte bastante panfletária (os últimos 25% do livro, mais ou menos), mas como essa parte panfletária ficou restrita ao final, e por ser um livro grande e excelente, o “manifesto” Jorgista passa mais fácil, desce raspando menos. Como estamos em um desafio de contos, achei que o seu conto inteiro ficou focado nessa metáfora da realidade e acabou atrapalhando a leitura, pelo menos para o meu gosto.
    Boa sorte no desafio.
    Abraço

  6. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    O conto é um belo dum faroeste ambientado num mundo distópico, na região nordeste brasileira, onde o “cowboy” tem como parceiro um cão cyborg que fala. Você já ganhou uns bons pontos pela originalidade. Só não gostei mesmo do final. Eu já tinha achado o seu cowboy fodão o suficiente para que ele precisasse virar um lobisomem. Foi desnecessária toda a violência no final. A trilha sonora caiu bem.

    Boa sorte.

  7. Pedro Luna
    16 de dezembro de 2016

    Haha, esse desafio está cheio de contos bem loucos. Esse aqui também mistura bastante coisa: cangaço, cidades fantasmas, pistoleiros nem tão solitários assim, um bar devasso estilo Um Drink no Inferno e um tipo de lobisomem.

    GJ me lembrou Roland da saga A Torre Negra, pelo menos no início. A história é meio batida, mas ela não é o fator mais importante nesse conto. Aqui valeu mais as cenas de ação e reviravoltas. Confesso que quando ele vira um monstro, eu ri, mas acho que ficou legal. O único ponto fraco é o diálogo antes de GJ virar o bicho. Um diálogo meio forçado, longo e panfletário demais para um momento de perigo.

    No geral, bem bom.

  8. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: bom conto, quase impecável gramaticalmente – fora algumas faltas de crase aqui e ali. Em questão de narrativa, temos a história fluindo muito naturalmente pelo viés do federal. Os elementos punks (aliás, uma salda deles) são mais acessórios que foco, mas são bem empregados.

    Criatividade: a premissa do conto não é tão criativa, ainda que bem trabalhada, se assemelha muito com A Torre Negra, do Stephen King. Foi como rever a jornada do Pistoleiro Roland Deschain – o que me conquistou pelo saudosismo. Aqui, como na obra do King, o protagonista se apresenta impregnado de certo “machismo”, o que não deixa de ser um estereótipo também dos westerns e, ao meu ver, não condena a história por isso – saber usar os estereótipos é também algo digno de nota. Outra semelhança com o mestre King foi a inserção de referências musicais, especificamente do Doors.

    Carisma: como disse, o conto me ganhou pelo saudosismo, mas não foi apenas por ele. Nota-se a técnica apurada do autor e a capacidade de criar personagens cativantes. Ambientar o western no cangaço foi uma boa escolha à parte.

    Parabéns e boa sorte.

  9. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Bom, vamos ao conto, né?
    Gostei bastante! É bem instigante a história, tem um enredo legal, gostei das duas reviravoltas (em especial a segunda, quando o Federado ganha, adoro quando o “malvado” ganha, heheh)
    Aliás, tem uma dualidade a historia, e é difícil escolher lados, pois ambos têm ideias interessantes.
    Acho que isso é o que valoriza mais a historia, sabe? A dificuldade de escolher um lado.
    Adorei a ambientação também! E a escrita tá impecável.
    Parabéns!

  10. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Um Westernpunk quimérico com Cangaçopunk. Ou vice-versa, dá na mesma. A América do Sul transformada em um imenso velho
    oeste. Tem até um cyberlampião, uma ideia que eu tive, mas não cheguei pôr no papel. Um mundo interessante e rico. Uma coisa menor, mas que me incomodou um pouco: “A delegada apertou os gatilhos de suas Tesla LR-4500V. Duas rajadas de eletricidade estática partiram dos canos das pistolas como se um relâmpago houvesse caído do céu. Uma claridade azul iluminou o ocaso. As correntes eletrificadas atingiram dois machos do centro da manada, dividindo seus corpos ao meio.” Tudo bem que é uma fantasia, mas eu prefiro autores que só violem leis da física e da lógica com plena consciência do que estão fazendo, não na base do chute ou pura ignorância. Raios elétricos que partem criaturas ao meio? A eletricidade não tem propriedades que a permitam fazer isso, teria sido melhor que fossem raios laser, ou então deixar a natureza desses raios indeterminada. Todo esse parágrafo com a cena da luta com os bodes foi bem esquisito. Acho que teve excesso de pontos finais, deve-se evitar isso numa luta, corta a ação; recomendo que use mais vírgulas, ponto e vírgula e dois pontos. Esse problema aparece no resto do texto também, não apenas na luta. Um exemplo: “A Adega Angico era um pardieiro. Pensou o policial.” Seria melhor vírgula em vez de ponto: “A Adega Angico era um pardieiro, pensou o policial.” A reviravolta final deu um
    toque de fantasia e ficou boa. Faltou algo surpreendente, mas é difícil criar coisas surpreendentes num gênero com o qual não se está acostumado. Devo concluir dizendo que, apesar de todos os problemas que apontei, foi um conto muito bom, talvez um dos melhores deste desafio. Um excelente WesternCangaçopunk, parabéns, desejo Boa Sorte no Desafio!

  11. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado autor Carlos Mendel, aí estão meus critérios:
    PREMISSA: interessante mix de faroeste com distopia e “Coração das Trevas”. Acho que faltou um pouco de “punkidade”, sujeira e podridão.
    DESENVOLVIMENTO: a história segue um fluxo bem estabelecido, em que o autor conduz a narrativa de forma bastante segura. Acho que foi o ponto principal da história a condução, mais do que a chegada.
    RESULTADO: a história marca pela ambientação, não pelo enredo ou pelos personagens. E as referências à cultura pop são boas, principalmente o cão Morrison.

  12. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Garruncha pode ser garrucha ou, como sempre em contos, a denominação de uma arma estranha. Sem deméritos.
    Uma descrição corretíssima e detalhada, dos personagens, da localização, dos ambientes, fazendo com que o leitor prossiga, com atenção, para o final do conto, que surpreende, como todo o conteúdo. Parabéns! Nota 9,5.

  13. rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    O Homem da Federação (Carlos Mendel)
    Caro (a), Mendel

    O primeiro parágrafo do texto já dá o tom do conto, ambientando perfeitamente o leitor. Particularmente, tenho certa reserva aos textos que começam dessa maneira, clima, paisagem, etc, contudo, creio que aqui funcionou bem.

    Também acredito que o autor acertou em cheio ao criar o universo usando o nosso próprio como raiz. As referências bem presentes; Tesla, Mendel, São Francisco., Virgulino. Há de ressaltar igualmente o bom uso do vernáculo.

    A história cativa. As descrições são ótimas. Bons personagens e uma reviravolta interessante. O final é bom porque não é óbvio. O clássico “this is the end” como epílogo (prólogo?) fechou bem o texto.

    Obs: “Gerson James” é ótimo.

  14. mariasantino1
    11 de dezembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Não estou em condições de falar qualquer coisa, porque sinto inveja de você. Inveja profunda e grossa como piche que inunda todo o meu peito 😛
    Então. Tá na cara que gostei da sua criação, né? Mas vou dizer umas coisas aqui só pra não passar batida as minhas chatices, mas adianto que a nota é dez (10) porque cativa, porque não entrega de cara o que irá acontecer e porque você criou um personagem fodão diante dos nossos olhos.
    A ambientação chamou bastante a minha atenção, porque é passado em um Brasil alternativo, tem um ar retrógrado (devido à data) mas futurista devido ao veículo (aeróstato ) e o dirigível, as armas e o lance com o cão (as próteses). Os nomes foram sensacionais (para mim) — Poção dos Anjos, Sulamérica, a cidade de Mandacaru… Deu um ar regionalista e fez a sua Sfi-ci, ou melhor, o seu Steampunk ser tupiniquim, da terra. A mensagem aí pelo meio dá aquela puxadinha de orelha para nossos modos no tratar do planeta, mas não incomoda e, ao menos comigo, as piadinhas funcionaram bem.
    Acho que poderia ter se estendido mais, porque não cansa, então a primeira parte, quando os bodes aparecem e tem a luta (Ah! Por que mencionar se eles eram machos ou fêmeas? Achei dispensável essa informação), poderia ter demorado um pouco mais para que houvesse mais tempo de conhecer ambos. O lance do GJ ser aprisionado e depois de ele se mostrar um lincantropo é foda, mas ao mesmo tempo você cuida de inserir um cachorrinho do qual ele se preocupa e isso minimiza (ou retira) o sadismo nas atitudes dele (do GJ), porque acaba que o leitor torce mesmo para que ele se vingue também pelo que houve ao cão (é como se ele não pudesse clicar no foda-se, porque tem algo com que se preocupar).
    Em resumo: Bem escrito, bem narrado, um universo crível e bem demarcado. Um personagem com humanidade. Parabéns e boa sorte.

    Nota: 10

  15. Amanda Gomez
    10 de dezembro de 2016

    Bodes sinistros.

    Seu conto é ótimo, poucos conseguiram me empolgar no sentido de ter ação, coisa rara neste desafio. Aponto como um ponto muito positivo as suas descrições das cenas, elas sucedem com bastante eficiência, detalhes bem trabalhados. A escrita no geral está caprichada.

    Estamos no Brasil, em um futuro… distópico(?) Onde o mundo está controlado pela federação. Mais pro fim conseguimos entender que essa federação é meio polêmica, não sei se entendi como é composta essa civilização nesse Meio mundo, se são humanos ou só esses oficiais são modificados geneticamente. Fica no ar.

    Eu imaginei outro desdobramento, não desconfiei da delegada, acreditei nos bodes modificados… pq é realmente estranho pensar em seres se tornando carnívoros. Mas esse detalhe abrange bem como está esse mundo.

    É uma história dúbia, de um lado aqueles que querem reviver os antigos preceitos do que é ser humano, querem mais uma chance. Do outro, aqueles que já tiveram provas mais que suficiente de que a humanidade não sabe fazer outra coisa além de se autodestruir, sempre pelos mesmos meios. Fiquei na dúvida na hora da revelação Pra quem eu deveria torcer. Os dois lados tem pontos interessantes.

    Gostei do Gerson James, ele se mostra apático de certa forma, achei que ele se renderia aos encantos da delegada, mas parece que literalmente ele não foi FEITO pra isso. Seu cão, porém, ficou animado. Até pensei que dentro do animal pudesse existir um humano.

    A conclusão da história foi satisfatória, nos mostrando apenas um dia de rotina na vida do Homem da Federação. E que “causos” como este, tem em todo lugar e, que ele tem uma longa vida pela frente pra continuar servindo aos seus ideais.
    Gostei da ambientação e referências.

    Eu particularmente, ( não sei se é uma regra definida) penso que Vapor engrenagens são elementos do SteamPunk, e este é sempre ambientando no passado. Aqui é futuro, já vi o mesmo acontecer em outros contos. Fica estranho, se for pensar nessa minha concepção. Tem Cyberpunk no seu conto, mas acho que os elementos steam foram usados com equívoco.

    Enfim, seu conto está entre os destaque de minhas leituras até agora.

    Parabéns, e sorte no desafio.

  16. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Gostei muito do inicio mas depois o texto perdeu força, lamento pois escreves muito bem. Não me parece que respeites o tema do desafio, mas isso para mim não teve qualquer importância.

  17. Davenir Viganon
    6 de dezembro de 2016

    Olá Carlos Mendel
    A parte mais importante eu gostei, foi a estória, simples e bem contada principalmente no início e no fim. As cenas de luta forma bem narradas mas o diálogos, depois que prendem G.J. ficaram fracos, longos demais e não passou emoção alguma na revelação. O mundo construído ficou bacana, uma mistura dos dirigíveis do steampunk, a arma tesla, western/cangaço. O que vou levar desse conto é que tem traição e morte: Tudo o que estava esperando.

    p.s. tava torcendo pelo Virgulino e a delegada 😦 mas entendi a escolha de repetir a história, na estória.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Acho que você ia gostar do conto, “O Impostor” do PKD, pois é uma estória bem louca e cheia de ação, como você fez aqui.

  18. Sick Mind
    2 de dezembro de 2016

    Parece uma fanfic de A Torre Negra. O texto aborda tecnologias de maneira conflitante, citando máquinas movidas a vapor num universo onde já é possível descarregar um relâmpago de uma arma. É o tipo de erro que leitores de ficção científica não gostam de ler. O ambiente cria uma interessante clima pós apocalíptico e chama a atenção pela localização, detalhando eventos que explicam tudo em poucas palavras, mas que não convencem como steampunk. Os erros gramaticais e as frases longas também prejudicam a leitura.

  19. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Carlos Mendel,

    Tudo bem?

    Seu texto é muito interessante, cheio de referências e brasilidade, ele se constrói em camadas.

    As cenas, sobretudo das lutas, são muito bem desenvolvidas, dando ao leitor uma
    sensação de “expectador”.

    Sobre a história, a princípio achei um pouco dúbio o rapaz da Federação ser tão violento, sendo que queria um mundo sem guerras e tudo o mais, depois, no entanto, lembrando das milícias e movimentos afins, a atitude de GJ fez todo sentido.

    Adorei o cachorro e o nome.

    Parabéns pelo trabalho.

    Beijos e boa sorte no desafio.

  20. Catarina
    1 de dezembro de 2016

    O teu primeiro parágrafo foi o melhor até agora. Puta estratégica de palavras. O meião se perdeu um pouco no citoplasma do “menininho cowboy herói poderoso” e na gordura da ação descritiva (tive que tirar pontos, odeio burocracia na literatura). Mas os personagens, como os bodes carnívoros e Jim Morrison, figura inversamente proporcional ao instinto punk, vestiu como camisinha: apertada e poderosa; me conquistaram pelos cabelos. Tirando a gordura nerd fica um contaço.

  21. Eduardo Selga
    30 de novembro de 2016

    A chamada cultura pop gera certo rebaixamento do ato de produzir arte, na medida em que a lógica é a industrial, de produção em série, e sempre trabalhando com elementos facilmente impregnáveis na memória do receptor cultural, como a ação violenta e as cores excessivas, perpassados por uma matriz ideológica que reforce o Estado capitalista, ainda que esta não seja perceptível numa leitura despretensiosa. Tudo, ou quase, é em demasia, o que lembra o objetivo das peças publicitárias: ganhar o consumidor pela exposição insistente de determinados símbolos, imagens e conteúdos. Assim sendo, a originalidade autoral é cada vez menos valorizada. Ou, por outra, muito valorizada se determinados parâmetros permanecerem intocados. Por isso, é “original” roteirizar várias HQ’s pondo em luta dois super-heróis. Funcionou bem uma vez, o mercado deglutiu, entra a produção em série.

    Esse texto está consoante a cultura pop. Assim como no conto “Traição das máquinas”, a alusão ao caubói norte-americano, ícone da cultura pop, é evidente. Se lá temos um personagem usando “[…] um casaco velho, marrom e grande, excelente para camuflar seu pequeno arsenal e lhe dava um ar de pistoleiro renegado […]”, aqui temos um que “usava um sobretudo negro por cima do terno azul escuro de cambraia de linho. Chapéu também negro. Na cintura trazia duas Big Daddy calibre quarenta e cinco e uma faca de caça”.

    E tome produção em série.

    Se lá temos uma matança com tiros de garrucha e espada árabe, aqui temos matança ao melhor estilo videogame (“com um salto para o alto e para frente, dando uma cambalhota no ar, G.J. desviou dos raios azulados, caindo em pé atrás de Ágata, segurou-a pelo cabelo e arrancou sua cabeça com um golpe poderoso de suas garras”). O videogame, aliás, faz parte da cultura pop.

    E tome produção em série.

    Seria muito positivo se os autores mais deslumbrados com a estética norte-americana, com a arte entendida apenas como peça de consumo, produzissem narrativas que subvertessem o pop. Por que não um anticaubói? Um antivilão? Mas se o intuito for copiar esquemas roteirizados, na esperança de sucesso (ou aceitação?) melhor continuar repetindo e repetindo e repetindo…

    “Traição das máquinas”, conforme disse no comentário pertinente a esse conto, é uma alusão parcial ao faroeste. “O homem da federação” vai além: é todo ele faroeste, porém atualizado e adaptado à temática do desafio.

    É atualizado porque ele toca em questões contemporâneas. Há uma mulher ocupando a posição de delegada, manipulação genética, um ligeiro discurso ecológico, um discurso fortemente político até por meio de sua negação (sobre o que falarei adiante).

    É adaptado porque temos elementos suficientemente relacionados ao punk para incluirmos o conto nessa categoria, como, por exemplo, o cachorro mecatrônico, a composição visual do personagem secundário Chiquim (“um jovem vestido num esdrúxulo terno vermelho, com cabelos ruivos espetados para cima, como a chama de uma vela […]”), a menção ao aeróstato e uma “carruagem-automóvel vaporizada”.

    Sendo uma releitura do western, não poderia, é claro, faltar menção à cultura e ao imaginário norte-americano. Pela insistência com que isso aparece nos desafios é como se nós pertencêssemos a essa cultura, ou se essa cultura fosse mundial (é dominante, mas não é mundial). Daí não surpreende termos uma a alusão a um famoso “fora da lei”, Jesse James, no personagem Gerson James; ao cantor de rock Jim Morrison (inclusive com citação direta de parte de uma de suas músicas), no cachorro de mesmo nome; a Springfield, nome muito comum de cidades dos EUA e da animação “Os Simpsons”.

    É uma narrativa profundamente política. A propósito, seria muito interessante ler aqui críticas ácidas ao conto, tendo por “fundamento” a tese, de um modo geral baseada em senso comum, de que conto não pode ter viés político, pois se assim for ele necessariamente desaba para o panfletário.

    Sei, sei… Então tá.

    O que é a Federação?

    A região geográfica ou geopolítica denominada Sulamerica, no conto, pode perfeitamente ser uma alusão direta à “Sul-América”, expressão por meio da qual os norte-americanos denominam a América do Sul. Seguindo nessa linha, observemos o que diz o protagonista acerca da destruição do rio São Francisco e da corrupção governamental: “Para que isso não aconteça nesta época atual, criamos a Federação. Em pouco tempo teremos todos os habitantes de Sulamerica sobre nossa assistência. Viveremos decentemente e em paz”.

    Ora, uma das matrizes ideológicas do império norte-americano, desde a sua fundação, é a ideia assistencialista, pretensiosa, de que os povos do hemisfério sul não sabem se governar, é preciso haver um Grande Pai para tanger esses povos (“em pouco tempo teremos todos os habitantes de Sulamerica sobre nossa assistência”).

    Insisto na pergunta: o que é a Federação? Ou melhor, quem é? Poderíamos associá-la à ONU, uma vez que a entidade fictícia possui um caráter mundial. A ONU, no entanto, não é intervencionista, não decide modos de vida. Ademais, é ilustrativa a fala de Ágata Duloren quando diz “Nunca entregaremos nossa vida, nossa cultura, nossa felicidade nas mãos dos sujeitos de pele fina e alva de Meio do Mundo”. Ela denuncia uma tentativa de domínio político-cultural de um povo branco sobre eles de Sulamerica. Quem intervém política e culturalmente na vida doutros povos?

    Por outro lado, mas nem tanto, o protagonista nega a legitimidade do ato político, ou seja, ele o nega, atitude que só aparentemente não é política e que hoje, no Ocidente, está na ordem do dia. Fazemos uma associação simplória entre ação política e corrupção, como se a segunda fosse consequência necessária e inevitável da primeira. Diz o protagonista: “tudo começa com uma boa intenção. Aí vem o poder, a ganância, o ódio, a inveja e tudo descamba para corrupção, guerras e a extinção do planeta”. Há nessa fala, inclusive, a referencia à política como algo anticristão.

    Outro detalhe que também reforça a simbologia existente em Federação e em Sulamerica: aos olhos do protagonista, a cidade de Mandacaru, um caldeirão de etnias e povos (e isso por ele chamado de “alvoroço”), é um lugar menor. Por isso ele diz tratar-se de “uma Babel”, que ainda não foi higienizada porque “a Federação ainda não havia colocado suas mãos reguladoras na cidade”. Não é estranho, pois, o federado (não seria melhor confederado?) considerar a Adega Angico “um pardieiro”, um ‘muquifo”.

    Observar os nomes e personagens que surgem na cidade pode ser últil para entendermos a desvalorização da cultura sul-americana e brasileira, em detrimento da cultura representada pelo caubói punk, na medida em que aparecem com conotação pejorativa. Alguns casos: Mandacaru (cacto do nordeste brasileiro); Angico (Angicos é uma cidade do Rio Grande do Norte); a dança que se dá sob o som de acordeom, tambor e triângulo (forró?) é vista como libidinosa, os corpos são comparados a serpentes.

    O conto corrobora o pensamento machista, dominante no Ocidente e em boa parte do mundo. E o faz de maneira bem eficiente, porquanto dá a entender que essa posição é inevitável ou correta. Isso acontece da seguinte maneira: a princípio, ele se assusta com o posto de delegado ser ocupado por uma mulher, mas se justifica, todo politicamente correto, dizendo que “[…] não é isso, nenhum problema, é que… a senhorita é muito jovem”. Ao fim e ao cabo da narrativa, contudo, ele diz o seguinte ao cachorro, “ferido” por ação direta de Ágata: “Espero que você tenha aprendido que não se deve confiar em fêmeas humanas, sobretudo as mais bonitas”. Como esse gesto foi posterior, fechando o conto, ele, no imaginário do leitor, pode com facilidade sobrepor-se ao primeiro, o qual denotava pequena tolerância. Outro detalhe que depõe contra a “fêmea humana”, portanto autentica na ficção o machismo da chamada vida real, é o fato de a personagem ser uma falsa delegada. A mulher não é delegada. A mulher é falsa. Ou seja, o estigma de Eva.

    Gramaticalmente, o(a) autor(a) é praticamente perfeito. Erro de revisão ao digitar uma ou outra vez a palavra Federação com F minúsculo e esquecer ponto final. O que de mais grave por mim encontrado está nessa frase: “Nunca que colocaria os pés dentro de um cilindro de duralumínio voador”. A rigor, não há o QUE. Seria plenamente aceitável se a linguagem usada fosse a coloquial, o que não é o caso no trecho no qual a partícula aparece. O coloquialismo até existe no conto, mas surge mais adiante, com alguns personagens de Mandacaru.

    Coesão textual: praticamente perfeito.

    Coerência narrativa: não há pontas soltas nem construção frasal que prejudique a coerência.

    Personagens: bem construídos, porém previsíveis dentro da estética de videogame que preside os dois principais, e a transformação do federado em animal não lhe tira a previsibilidade e a condição de transmissor da ideologia dominante.

    Enredo: é o faroeste atualizado, espetacularizado, com o herói de um lado e foras da lei do outro. Profundamente conservador do ponto de vista político e social, na medida em que propugna pela existência de povos que não sabem se governar.

    Linguagem: Coloquialismo bem usado, o preconceito do personagem contra mulheres e povos que não o dele bem demonstrado.

  22. Bruna Francielle
    30 de novembro de 2016

    Tema: Considero estar dentro do tema.

    Pontos fortes: Gostei da mistura de faroeste com nordeste.
    Teve várias descrições muito competentes
    Boas Reviravoltas
    Narração de acordo com a ambientação (clima faroeste)
    Enredo criativo, verossímil e interessante. Possui partes que parecem ser críticas relacionadas a corrupção, a ganância de governantes, e tals. Gostei.
    Ausência de erros de português
    Possui surpresas e revelações ao longo da história, aumentando a emoção do leitor
    O protagonista possui personalidade forte e delineada, dando a ele mais ‘vida’

    Pontos fracos: o primeiro paragrafo, não consegui visualizar muito bem, levando em conta que era um paragrafo dedicado a ambientação. Foi o paragrafo mais truncado do conto, depois, a narração vai melhorando gradualmente e as descrições passam a ser mais visualizáveis e compreensíveis.

  23. Rubem Cabral
    29 de novembro de 2016

    Olá, Carlos Mendel.

    Gostei do conto. É uma mistura formidável de steampunk, western, personagens históricos, cangaço, referências pop e Deus sabe mais o quê. Poderia ter dado muito errado, mas o resultado foi bem divertido e positivo.

    Os personagens tiveram bom desenvolvimento, a escrita é bastante boa, com boa dose de gauchês.

    Nota: 9

  24. Waldo Gomes
    29 de novembro de 2016

    Interessante, um lobisomem louco e pau-mandado…. pelo menos matou os chatinhos que querem um mundo melhor e essa bobajaiada toda.

    Gostei, é bem escrito e traz um climão de velho oeste muito bom…

  25. Pedro Teixeira
    29 de novembro de 2016

    Um conto cheio de ação com uma narrativa fluente, de boa qualidade. No início tem um pouco o ar dos faroestes com John Wayne. As cenas de batalhas são muito bem escritas. Senti falta do elemento punk, a coisa soou mais como uma estória pós-apocalíptica com ares de “Mad Max”, apesar de algumas referências a carruagens que não fizeram muito sentido naquele contexto remeterem ao steampunk. Uma revisão seria interessante, mas vi poucos erros ou repetições.
    Seguiram viajem – viagem.

  26. Gustavo Castro Araujo
    28 de novembro de 2016

    O conto se assenta num enredo de ação, com as cenas se sucedendo rapidamente, mal dando tempo para o leitor recobrar o fôlego. Não há nada de errado nisso – aliás, o público para esse estilo parece ser significativamente maior, de modo que é válido enveredar por ele – mas confesso que não é isso que busco numa leitura. Já gostei, admito, mas hoje procuro algo mais filosófico, existencialista, algo que jogue com a psicologia dos personagens. Ou seja, desejo saber antes o que se passa na cabeça de quem protagoniza o texto do que aquilo que se passa ao redor. Por esse aspecto, o conto não me cativou, mas devo dizer que há muitos pontos positivos a destacar. Inicio com a ambientação bem sacada, bem descrita e com frases inspiradas, criando um cenário pós-pós-apocalíptico, onde máquinas a vapor dividem espaço com criaturas robóticas num tempo que parece ser o fim do século XIX. Nesse cenário, temos uma espécie de Chuck Norris do sertão brasileiro – uma ótima ideia – dividindo o espaço com uma garota misteriosa e com um cão mecânico cujo nome é de uma inspiração sem par. As alusões a Lampião, à volante, ao Angico também ficaram muito boas. O suspense criado funciona até o momento em que nosso herói, prestes a ser eliminado, se transforma num tipo de lobisomem e acaba facilmente com tudo e todos os seus inimigos, à lá “O Incrível Hulk” dos anos 1970. Sinceramente, achei essa solução um tanto acelerada, como se o autor precisasse finalizar o conto e, não havendo espaço para isso, sacasse sua carta mais rápida e, pronto. Feito. O final “this is the end” me fez rir, porém, deixando uma boa sensação no ar. Enfim, um trabalho (muito) positivo no desenvolvimento da trama, mas que falha ao trazer personagens esquemáticos. Ouse mais, caro autor. Você tem ferramentas para ir muito além do Angico.

  27. Marco Aurélio Saraiva
    28 de novembro de 2016

    Gostei bastante do cenário “duplamente” pós-apocalíptico (rs rs). O clima de faroeste foi uma surpresa agradável. Gerson James é um bom personagem, e sua ligação com Jim Morrison (bela homenagem à banda, rs) é paupável e interessante. O próprio Jim Morrison parece ter certa personalidade, deixando tudo mais interessante. A reviravolta na trama emprestou mais profundidade a Ágata, que durante todo o conto andou às sombras de Gerson, para depois descobrirmos que foi tudo de propósito.

    O mistério que jamais será solucionado sobre a origem de Gerson foi interessante, mas a leitura pedia algum tipo de explicação. Gerson tem uma certa aura divina no conto, como se fosse o próprio deus encarnado para proteger a terra. Ou seria um alienígena? Jamais saberemos, e isso me deixa um pouco triste.

    Gostei da referência ao Rio São Grancisco e em geral à America do Sul. A fala de Gerson explicando o que havia acontecido soou meio artificial, mas nada que atrapalhasse muito. A ideia de que a história contada com o tempo transformou a corrupção e má administração em um meteoro que caiu do espaço é um tanto verdadeira. Imagino que aconteça isso mesmo, se pararmos para pensar.

    Uma nota: será que a sigla G.J. não poderia ser substituída por “Gerson” não? Ler uma singla não remete o leitor a muita coisa.

    Algumas outras anotações que fiz durante a leitura:

    => “…impalpável, mas, pulsante.” – acho que tem vírgula demais aqui.

    => “A Adega Angico era um pardieiro. Pensou o policial.” – Esta frase está um pouco mal trabalhada. De início, o ponto final depois de “pardieiro” poderia ser uma vírgula. Mas o mais certo é que você passasse a ideiad e que Gerson pensava isso de outra forma.

    => “Um alvoroço de idiomas, culturas, raças… Em cima de um…” – Essas reticências depois de “raças” ficariam melhor como um simples ponto final.

    Enfim, o saldo foi, é claro, positivo. Uma boa leitura, e uma aventura e tanto. Parabéns!

  28. angst447
    27 de novembro de 2016

    Olá, autor! Antes de mais nada, esclareço que não levarei em conta a adequação do conto ao tema proposto pelo desafio. Não me sinto habilitada para tal.

    Não encontrei erros de digitação ou lapsos de revisão. O conto pareceu-me muito bem escrito, embora eu considere um pouco exagerado o uso de tantos adjetivos.

    Carlos Mendel foi uma referência a Gregor Mendel, pai da genética?

    O rebanho de bodes carnívoros da caatinga. foi uma viagem à parte. A partir do aparecimento dos bichinhos meigos, perdi o foco e tive de retomar a leitura para compreender suas implicações.

    Há muitas referências misturadas à trama: Padre Cícero, Virgulino (Lampião), Mendel, Jim Morrison, Agatha (Christie?) DuLoren (marca de lingerie…rs). Houve cuidado e atenção ao tecer as camadas do texto.

    No entanto, confesso que não consegui me manter ligada à narrativa. Acho que por uma questão de gosto pessoal mesmo.

    Bom trabalho!

  29. Priscila Pereira
    27 de novembro de 2016

    Oi Carlos Mendel, eu gostei do seu conto. A ideia é muito original. Ambientar o conto no Brasil foi muito legal, mas triste ao mesmo tempo, ver que tudo se tornou um deserto é inquietante… Muito bem pensado, e muito bem escrito!! Matou a mocinha no final… quem imaginaria?? kkk Parabéns!!

  30. Dävïd Msf
    27 de novembro de 2016

    Interessante!!! Preciso confessar que a história me prendeu até a metade dela! 🙂 Mas depois, ela começou a fugir da proposta original! quem a está seguindo?

  31. Zé Ronaldo
    26 de novembro de 2016

    Conto bem estruturado, na medida certa. Leitura que se faz sem nem se perceber.
    Personagens fortes, bem talhados.
    Gostei da inserção das características nordestinas, traz uma cor nacional ao conto.
    Gostei do uso do Lampião versão 3000, foi muito bem bolado.
    Os turning points ficaram bem legais. Foi inusitado e não deixou o leitor antever o que vinha.
    Ótimo desfecho, inusitado mesmo.
    Muito bom texto!

  32. Anorkinda Neide
    26 de novembro de 2016

    Começando os comentarios, embora eu ja tenha lido os contos publicados até aqui… Gostei da narrativa, não fosse este um ‘capítulo’ diria assim, de uma novela de aventuras, acho que se aproxima bastante do conceito ‘conto’, em sua essência. pois é uma narrativa até certo ponto curta, onde os acontecimentos se passam num lapso curto de tempo e possuindo poucos personagens.
    Mas há toda a ambientação e uma trama maior que dá o cenário de fundo para a história. E ela é boa. Dá pra se entender todo o enredo e as partes nao explicadas sao perfeitamente adivinhadas.
    O autor fez um bom trabalho aqui. Parabéns.

  33. Fheluany Nogueira
    25 de novembro de 2016

    Gostei deste mundo faroestepunk distópico ambientado no nordeste brasileiro depois de dois fins do mundo, com uma pitada de sobrenatural. Ambientação está bem construída, assim como o personagem central e o seu cão. A reviravolta com a delegada ficou interessante. Achei que a solução dos problemas foi rápida e facilitada demais pela transformação milagrosa, mas mesmo com um demônio, o Bem venceu. A linguagem está bem trabalhada, a leitura fluente e o texto acabou ficando divertido pelos exageros. Parabéns pela criatividade. Abraços.

  34. Zé Ronaldo
    24 de novembro de 2016

    Cara, perfeito! Muito do bão!

  35. Tatiane Mara
    23 de novembro de 2016

    Conto bem legal, uma mistura de muita coisa com uma ambientação muito boa. O personagem central é forte, embora seja o vilão da coisa, pelo menos por enquanto. Preferia que tivesse um fim sem si mesmo, fosse mais definitivo. Contos com possibilidade tão aberta de continuação não me agradam. O tema foi respeitado de uma forma melhor que o meu. rsrsrsrs

    É isso.

  36. Fabio Baptista
    23 de novembro de 2016

    A primeira frase, cartão de visita do conto, me deixou com uma má impressão – muitos adjetivos e poucas vírgulas. Pensei que viria um daqueles textos que o jeito de escrever faz parecer que tem o dobro de palavras. Felizmente, estava enganado.

    A escrita acaba fluindo com naturalidade, sendo ágil nos momentos de ação e dosando bem as descrições do cenário com o andamento da trama.

    Porém, da história em si, eu não gostei. A “misturéba” de elementos e personalidades acabou não funcionando para mim e os nomes (principalmente Jim Morrison) quebraram um pouco o clima. Também não gostei de alguns diálogos que acabaram soando didáticos e panfletários.

    Divertido, no geral, mas não me fisgou.

    NOTA: 7,5

  37. olisomar pires
    22 de novembro de 2016

    Muito divertido o conto. E bem escrito. Talvez um senão sejam os diálogos iniciais, me pareceram forçados. A reviravolta no final ficou bastante boa, além do que as referências ao nordeste dão um ar alegre à trama, alegre no sentido de comédia. A coisa meio faroeste futurístico coube bem na estória.

  38. Brian Oliveira Lancaster
    22 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Uma bela atmosfera “meio” Steampunk, lembrando muito o desafio Faroeste. Curti bastante as ferramentas utilizadas, como a pistola Tesla, e os meios de transporte. Só acho que um ar-condicionado à vapor não seja um item ideal para o cenário escolhido (como funciona?). – 8,5
    R: Lembrei imediatamente da nova série Westworld, e vejo que o autor deve ter se inspirado em algumas coisas. A criatividade flui que é uma beleza, mas acho que a mistura de lenda com máquina não se encaixou tão bem quanto o restante. Demorou para cair a ficha e entender que o protagonista era uma espécie de robô-lobisomen. Suas siglas, G.J., soaram difíceis – li o tempo todo G.I. Joe. Mas o clima arenoso compensa, apesar da resolução um tanto apressada na cena do bar. – 8,5
    E: A história começa muito bem, apresentando um mundo original e passando para as preocupações do cavaleiro solitário. O desenvolvimento também transcorre sem problemas. Mas a parte final pedia mais tempo (espaço). A resolução adotada no saloon poderia ter se alongado mais, com os infames discursos e cenas paradas, típicas de faroeste antigo. Talvez pudesse ter sido deixado algumas resoluções em aberto, sem apresentar o “depois”, a fim de deixar o leitor pensativo ao terminar a leitura. – 8,5
    M: Notei apenas o esquecimento de certos pontos finais, mas nada que atrapalhe o restante. A escrita é simples, mas eficiente. Como mencionado acima, só achei difícil internalizar as siglas do protagonista, sempre travava a leitura nessas partes. Mas é uma boa história, que pedia mais linhas. – 8,5
    [8,5]

  39. Evandro Furtado
    22 de novembro de 2016

    Gênero – Good

    Belo Cangaçopunk. Gostei bastante de como misturou os elementos seguindo esse viés futurista, mixando muito bem tradição e modernidade.

    Narrativa – Average

    No geral, a narrativa é decente, apesar de não se arriscar. Um trecho, em particular, incomodou: a forma como você contou o que aconteceu nesse mundo. Não há nem um problema em apresentar essa ideia de uma civilzação destruída pelo homem que não cuida da natureza, mas o modo como você apresentou, com um diálogo meio clichê e moralista, soou meio piegas.

    Personagens – Good

    Essa entrada do Lampião explodiu minha cabeça, aumentando muito meu interesse em relação à histório. Os outros personagens não tem tanto apelo.

    Trama – Good

    A história vai a passos lentos até a metade quando Virgulino aparece. Se torna bastante interessante então, amarrando muito bem e dando força ao que veio anteriormente. O final, infelizmente não corresponde à expectativa criada.

    Balanceamento – Good

    Um conto que se constrói de forma interessante até o clímax, mas que no final cai de nível, deixando, no entanto, a idea de que poderia ter sido pior.

    Resultado Final – Average

  40. Evelyn Postali
    22 de novembro de 2016

    Oi, Carlos Mendel,
    Mas tchê, que barbaridade! Será que é um tordilho negro, que era redomão e que ele venceu na doma depois de muito pelear? Gerson James me parece durão, mas o nome… Tem coisas que não devemos dizer.
    Kkkkkkkk eu ri muito… Bodes carnívoros da caatinga.
    Mas é um machista esse Gerson James. Levaria uns tapas meus se falasse comigo daquele jeito mandão. Sério. Perdeu pontos nessa parte. Mas ganhou pontos pela construção de todos os personagens dessa história. Adorei cada um deles, especialmente Gerson James que se transforma e se ‘destransforma’. Mas perdeu pontos pela descrição demasiada em determinados pontos. Cheguei ao fim do conto torcendo pelos rebeldes. Como chamam por aqui os gaúchos de fibra, eita mulher de pelo duro e faca na bota, essa Ágata. Espero que a Federação se dê mal e que o deserto ‘desvire’ sertão para ser verde e livre da opressão da Federação e dos sujeitos de pele fina. Por fim, o Jim Morrison uivando no final… Bem. Deixa pra lá.
    Parabéns ao autor.

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Informação

Publicado às 21 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .