EntreContos

Detox Literário.

Distante Encontro (Tatiane Mara)

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Levantei-me às 04 horas da manhã. Nem preciso do relógio-parente me cutucando os ouvidos com suas melodias terríveis. Deve estar em algum canto nesse canto onde moro, cheio de quinquilharias e velhices. Tudo aqui é antigo ou parece ser, ainda que externamente apenas. Um manto de passado que tenta camuflar esse presente absurdo, como o sofá rasgado com uma capa bonita por cima, só que ao contrário: Aqui, deseja-se esconder o novo.

Minha caneca de café com a estátua da liberdade dos anos 1950 é perfeita. Uma raridade. Quem dera se o líquido ali dentro também fosse. Ele existe, está lá preenchendo aquele espaço, mas não tem sabor ou cheiro. Nunca é bebido, é só enfeite mesmo. Tudo mudou.

No caminho para o banheiro chutei a maldita quina da mesa na sala, meu dedo mínimo se deslocou. É a terceira vez esse semestre. Dói um pouco, não me importo mais, é um simulacro de dor, apenas para que eu saiba que errei algum movimento físico e topei com algo. Às vezes sinto até saudade de uma dor corporal verdadeira. Também penso muito em whisky. Outra bobagem minha.

Completei minha higiene em pouco minutos, nunca tem nada muito sujo, é mais um hábito forçado que uma necessidade. Gosto de observar meus traços molhados no espelho. Estou mais novo, no entanto, sou velho.

Eu queria uma cobertura carnal mais de acordo com meu espírito, mas disseram que não seria boa idéia, que traria problemas psicológicos (como se eu não os tivesse) e aceitei isso: um corpo jovem e bonito, totalmente integrado ao meu cérebro feio e enrugado ou vice-versa.

A chuva continua desabando pra todo lado, como sempre há tantos anos.

Saí da minha residência pequena às 04 e 25 da manhã. O trem de passageiros para a Fábrica invariavelmente está cheio. Não é ruim. As pessoas fingem que me conhecem, eu retribuo o fingimento e aceno com a cabeça. Eu não as conheço, apesar de encontrar com essas mesmas criaturas há décadas todos os dias nesse horário. Não existe interesse ou estímulo.

Não sei seus nomes, onde moram, o que fazem, quem são por baixo do disfarce humano saudável, vigoroso e feliz. Nunca me perguntaram nada também. A única coisa que sabemos é que somos todos iguais, os “revivificados”.

Com o tempo aprendi que alguns de nós, se não todos, gostamos de nos vestir como se estivéssemos em nossas épocas originais. Uma confusão de estilos, moda e acessórios.

Sou discreto e me visto com ternos ingleses. Os clássicos. Tons escuros, sóbrios ou neutros. Geralmente não ouço reclamações ou gracejos. Algumas mulheres mais conservadoras demoram seus olhares em mim. Um arremedo de flerte. Elas – e eu – sabemos que isso não existe para nós.

Depois de 15 minutos no trem, todos em baixo silêncio com pouquíssimas interações, observei que as luzes da cidade estavam menores hoje. Após alguns anos deixei de reparar na paisagem, mas hoje notei essa diferença pequena. Como se houvesse uma queda parcial de energia.

“Impossível”, penso, “aqui não há falhas”.

Durante o resto do trajeto me concentro nas pessoas a minha volta, um bom jogo que me auxilia todos os dias nessa jornada. Tento vê-las como eram em suas vidas anteriores. Coleto pistas na maneira como se trajam, claro, e no modo como piscam, mexem as cabeças ou se sentam. São detalhes mudos. Crio mundos inteiros com meus companheiros de viagem.

Aprecio especialmente o sr. Calça Xadrez. Em minha mente ele seria um bom pai de família, com três ou cinco filhos, uma esposa gordinha e uma bela casa no campo. Trabalharia num escritório de contabilidade e seria feliz, meio simplório, mas satisfeito. Gosto dele. Eu o vejo duas vezes por mês, todos os meses. Não sei onde vai e o que ele faz nos outros dias.

A Brincos Dourados é prostituta. Isso é óbvio pra mim. Ninguém pediria aquele corpo se não tivesse sido ou o desejasse muito. Um dia seu olhar meloso me confirmou a intuição. Ela avaliou-me e teve a desfaçatez de sorrir ao mirar minha braguilha. Quando passou a língua devagar pelo lábio superior, dei-lhe as costas. Desde então, tenho evitado procurá-la ou deixar-me ser visto por ela.

E assim me distraio durante a hora e meia que dura a travessia.

Ao chegar em nosso destino, descemos ordenadamente, não há pressa, porém não há procrastinação. Em poucos minutos a Fábrica nos engole a todos.

É uma construção gigantesca. Acres e acres repletos com edifícios dos mais diversos tamanhos. Pequenos automóveis individuais e totalmente automatizados nos recebem na estação onde o trem nos deixa e nos conduzem, cada qual ou em grupos, para suas unidades de produção.

Eu trabalhei em vários setores: engenharia, mecânica, genética, eletromecânica, física quântica, biomecânica, química e outros, muitos outros. Adquiri conhecimentos valiosos.

Hoje, para espanto íntimo, veio buscar-me um auto na cor azul, meu nome escrito em amarelo no vidro que lhe faz as vezes de para-brisa. Achei especialmente simpático esse transporte. Já me cansei das cores preto, cinza e branco.

Ao entrar no veículo, sentei-me muito tranquilo ao lado da janela, esperando ver o caminho que faço rotineiramente para contar as vidraças que passam, entretanto, para minha estupefação, tomamos outra direção. Como não havia condutor, nada perguntei. Não gosto de passar por ridículo.

Todavia, depois de 30 minutos percorrendo lugares que não sabia existir, comecei a me sentir incomodado. Não poderia ser normal essa viagem. Ela me fez lembrar da primeira vez e onde tudo se iniciou.

Eu me chamava Samuel Collins e tinha 67 anos de idade, era viúvo, havia lutado na Segunda Grande Guerra e estava bem resolvido comigo e minha vida, quando bateu em minha porta um casal bastante simpático, numa tarde de domingo.

– Boa tarde, senhor – disse sorridente a jovem muito bonita em seu traje de verão.

– Boa tarde – respondi sorrindo – Em que posso ajudá-los ? – perguntei solícito, fazia calor, talvez precisassem de um copo de água ou de limonada, pensei.

– Gostaríamos de conversar com o senhor – foi a vez do jovem dizer. Ele usava um bigodinho fino e seu paletó branco estava sobre o braço.

Alguns vizinhos estavam à porta de suas casas e nos olharam amistosamente, havia crianças brincando nas calçadas, algumas pessoas as molhavam com água que corria das mangueiras. Um típico domingo interiorano em minha cidade.

Convidei o casal a entrarem para fugirmos do calor. Não senti receio e nem curiosidade. O que poderiam dizer a um velho que eu já não soubesse ou que me assustasse ? No máximo desejavam vender alguma coisa.

E venderam mesmo !

Assim que todos estávamos sentados, a conversa se principiou:

– Meu nome é Clara e este é Irwin, dr. Samuel.

– Muito prazer – disse eu – vejo que sabem meu nome, o que não me surpreende, somos uma comunidade pequena.

– Sim, sabemos muito sobre sua pessoa e trabalho, mais coisas que o senhor próprio, talvez, saiba nesse momento – respondeu o jovem Irwin.

– Duvido muito – eu gostei desse início, já estava me divertindo – geralmente a juventude se julga conhecedora de muitas coisas – provoquei meus convidados.

Os dois se olharam rapidamente, como se também satisfeitos com nossa empatia e sorriram ambos para mim.

– Dr Samuel – disse Clara – precisamos que o senhor nos ouça atentamente e só faça perguntas depois de terminarmos, concorda ?

– Adoro regras vindas de moça tão graciosa – continuei no espírito feliz – sou todo ouvidos, meus jovens, falem sem medo.

Instantaneamente eles ficaram muito sérios, algo me disse que o rumo da conversa seria diferente, eu só não imaginei o quanto. Irwin tomou a dianteira e falou:

– O senhor, dr. Samuel, morrerá em quarenta e oito horas, causas naturais. Seu coração interromperá seu fluxo sanguíneo abruptamente. Isso não é especulação. É um fato.

Clara continuou daí:

– Viemos dizer que a morte do seu corpo não significa a extinção de sua vida.

Entendi tudo quando disseram isso.

“Religião”, pensei. É disso que se trata. Usaram uma técnica agressiva ao dizer que eu partiria em breve. Ousada até, mas não me ofendi. Ao contrário, gostei da abordagem, possivelmente, eles dirão que esse prazo é uma metáfora, um “modo de dizer”.

Balancei a cabeça afirmativamente, até porque concordava com a sentença e aguardei que viesse mais.

– O senhor está sorrindo – notou Claro e sorria também – Eu lhe asseguro que não se trata de religião.

– Estamos falando de ciência, dr. Samuel, embora, uma coisa não exclua a outra, até mesmo se completam, mesmo que alguns ignorantes insistam em negar o óbvio – Irwin declarou enfaticamente.

– Dr. Samuel, nós preservaremos sua mente, ela será transferida para um corpo artificial, ainda que muito parecido com o corpo humano.

Como não disse nada, Clara não se deteve:

– É simples como parece, apesar de não o ser, apesar de transcorrido milênios antes que pudéssemos fazer isso e quase não sobrar ninguém para começar o processo. Nós somos do futuro, dr. Samuel – notei que ela fez uma pausa dramática, o que ficou muito bom, pois estava sentada de costas para uma grande janela e a luz vinha por suas costas, de modo que seu corpo parecia rodeado por uma aura brilhante.

– Se o senhor tiver perguntas, pode fazê-las agora – falou Irwin e percebi que eles já haviam feito esse jogo antes: as deixas, as falas, o tom calmo.

Como seria normal, eu fiquei mudo por muitos minutos, pensando, calculando, avaliando. Sempre fui muito prático. Quando dei por mim, estava dizendo:

– Entendo e só tenho duas perguntas: Por que eu ? e Por que me avisar ? Explico: Se sou necessário ou importante a ponto de me buscarem, por que não simplesmente tomar minha consciência depois da morte, por que arriscar que eu me recuse ?

Como se combinado o casal meneou a cabeça positivamente.

-Ótimas perguntas, dr. Samuel. Geralmente as pessoas querem saber do processo de transferência ou como é o futuro, querem provas e todas essas coisas cansativas, só depois de muitas horas é que se perguntam isso que o senhor fez imediatamente – parabenizou-me Clara.

– Dr. Samuel, o futuro precisa de pessoas como o senhor, caso contrário não haverá futuro. A humanidade caminha para um desastre, precisamos de mais tempo, de uma arca de Noé, se gosta de eventos bíblicos. Do mesmo modo, essa é uma decisão que deve ser tomada conscientemente enquanto vivo, depois da passagem existe uma confusão da psique que dificilmente seria sanada a contento, o que geraria grande prejuízo para a pessoa e a inabilitaria para a função que precisamos, além de haver impossibilidades técnicas posteriores – concluiu Irwin.

– O senhor, ou melhor, sua consciência, será levada ao futuro, implantada num corpo preparado especialmente para suas características e então iniciará um curso intensivo de aprendizagem – aduziu a jovem Clara – Não queremos iludi-lo, será uma vida de muito trabalho e cansaço, diria mesmo, desespero.

Tomei a declaração como se de experiência própria sua, o que me entristeceu um pouco.

– É necessário lutar para que salvemos a nós mesmos, não será uma vida de paraíso – encerrou.

Depois de algum tempo em silêncio, meio entediado com aquilo, pois não sabia o que dizer sem parecer um bruto, respondi o que esperavam para poder aproveitar meu dia em paz:

– É claro que aceito, tomara que não seja uma brincadeira, aprecio aventuras – e mostrei meu melhor sorriso.

Levantando-se ambos, com sua missão cumprida, apertaram minha mão, muito radiantes, e se despediram prometendo me rever em breve.

– Antes ou depois das quarenta e oito horas? Perguntei irônico.

– Depois – responderam de forma simultânea – muito firmes.

É óbvio que não dei a menor atenção a essa conversa. Observei-os ainda caminhando pela rua, tranquilamente, até virarem a esquina, estavam de mãos dadas como dois namorados.

À noite, eu nem me lembrava deles. É da minha natureza não me preocupar.

Dois dias após essa visita, senti uma dor imensa no peito e desmaiei enquanto assistia a TV.

Acordei em um cômodo muito branco, asséptico e perfumado, julguei que fosse um hospital, pois não era meu quarto, estava me sentindo bastante fortalecido.

Quando pensei em chamar alguém, a porta do recinto se abriu e Clara, acompanhada de Irwin, me saudaram afetuosamente.

– Que bom que o senhor está bem, dr. Samuel – disse Clara com sua simpatia.

– Também estou feliz, parece que vocês erraram o diagnóstico – eu disse sorrindo.

Eles ficaram meio constrangidos e Irwin me ofereceu um espelho quadrado para que eu me olhasse.

De pronto custei a perceber o fato, mas eu não era eu. Meus olhos viam um estranho olhando para mim. Abaixei o objeto, sabendo que tudo estava consumado. Era verdade. Havia morrido e sido levado pelo tempo.

Quase de imediato, sem se preocupar com maiores detalhes de adaptação, o bonito casal me levou para minha residência nova. Espartana. Disseram que eu poderia decorar a meu gosto e que meu trabalho começaria na manhã seguinte, deram-me um horário de trem com um mapa para chegar na estação e se despediram. Antes de saírem perguntei ansioso se era só isso. Eles disseram que outras pessoas me explicariam tudo no decorrer do tempo e se foram. Não mais os vi por um longo período.

Desde esse dia não sinto fome, não como, não bebo água, não faço nada que um corpo orgânico faz ou precisa, sou biônico.

Cheguei aqui em 4057 D.C. e agora, 72 anos depois, continuo trabalhando e aprendendo. Nunca me explicaram tudo. É uma rotina imensa. Meus estudos são

enviados para outros departamentos que nunca respondem. Não vejo objetivos. Sou parte de uma engrenagem. Talvez eu mesmo seja “a” engrenagem.

Deduzi que não há nenhum humano original aqui. Somos todos apenas mentes do passado. É um mundo triste. Trabalhamos e voltamos pra casa. Dormimos ou algo que o valha e retornamos ao trabalho na manhã seguinte.

Até que chegamos no dia de hoje comigo dentro de um veículo azul e viajando para outras paragens que nunca tinha visto ou ouvido falar, quase não conseguia ver o que se passava na área externa, estávamos numa velocidade muito grande, meus membros pareciam se esticar indefinidamente para algum ponto no espaço.

Por fim, após me perder em contagem de minutos, horas ou dias, paramos diante de um prédio muito alto, bastante iluminado e totalmente isolado. Ao seu redor apenas árvores e campos bem cuidados. Ele estava no alto de um platô e podia se ver um imenso vale abaixo. Eu nunca tinha presenciado essa paisagem desde que cheguei. Senti saudades da minha terra.

Assim que entrei no edifício, o sistema de som me orientou a ir para o 15º andar, não havia ninguém, tudo estava, aparentemente, vazio.

Durante alguns segundos, dentro do cubículo que me levava, senti uma solidão pesada ao olhar os espelhos que me refletiam e não me identificavam ainda depois de tantos anos.

Quando a porta se abriu, quebrando o encanto hipnótico, Clara e Irwin me aguardavam à saída do compartimento elevatório. Outra surpresa nessa vida sem surpresas, todas num dia só.

– Dr. Samuel, que bom revê-lo, precisamos conversar com o senhor.

Depois de tanto tempo, tanta coisa e muita mágoa, só consegui dizer:

– É mesmo ? Vão me dar mais quarenta e oito horas ? – fui agressivo.

– Nós dissemos que não seria fácil, mas o senhor conseguiu, nós vencemos.

– O quê eu consegui ? Deprimir-me a um ponto inimaginável ? Consegui frustar o significado da palavra “suicídio”? Sim, eu tentei, mas vocês me consertaram, de novo e de novo e de novo.

– O senhor conseguiu transformar nosso mundo – disse Clara.

– Com seu trabalho, aliado a tantos outros que também sofreram muito, podemos alcançar um novo patamar – ajuntou Irwin.

– O que vocês querem dizer ? – eu quase gritei.

– A consciência de todos nós poderá renascer em corpos humanos novamente.

O impacto dessa revelação me fez procurar uma cadeira, não que eu precisasse fisicamente, se desmaiasse, meu corpo andróide continuaria de pé.

– Nós renasceremos, seremos mortais, cresceremos, amaremos e morreremos, teremos uma chance de futuro – Clara estava radiante, eu diria.

De posse da minha praticidade, perguntei:

– Mas como renascer, se não há humanos se reproduzindo, somos apenas máquinas que pensam como humanos que um dia foram ou pensam ter sido?

Aturdidos com minha dúvida, disseram:

– Não é óbvio? – Voltaremos no tempo e nasceremos como nós mesmos, com a diferença de que teremos nossas memórias intactas com todo nosso conhecimento tecnológico, com nossa visão dos fatos à luz do futuro.

– Mas qual o propósito disso ? Pra quê tanto desperdício e sofrimento se vamos voltar para o mesmo lugar ? Quando eu estiver velho, vocês irão me visitar, mas eu não vou aceitar e …

Por um átimo tudo se revelou diante dos meus olhos e as palavras ditas me penetraram o coração – “Todos nós, que aqui estamos, saberemos”.

Percebendo que eu havia entendido, o simpático casal me deu um cartão cristalino com senha marcada para a hora seguinte. “Eu voltaria a nascer”.

– Mas e o paradoxo do tempo ? Nossa volta vai anular o esforço – ainda insisti, assustado, com meu pessimismo.

– Meu caro Samuel, lembre-se de que buscamos somente aqueles que faleceram por causas naturais, extinção genética pré-determinada e normal do corpo, de uma forma ou outra você morreria com 67 anos, mas o que você fará diferente nesses anos, em função das suas lembranças, o que todos farão antes do paradoxo se abrir, é o que conta – explicou Sara.

Para finalizar, Irwin fechou a explicação:

– Note também que todos voltarão juntos, não há uma linha do tempo retilínea. Passado, presente e futuro acontecem simultaneamente. No instante em que renascermos, independente de quando, se inicia o prazo de vida de cada um para mudar o mundo e evitar nossa extinção.

– Quantos somos ? – perguntei baixinho, ainda sentado.

– Bilhões – eles responderam – de todas as épocas, de todas as áreas, trouxemos todos que valiam o esforço e quiseram vir, trabalhamos imensamente!

Nossos olhos artificiais desejaram chorar, eu imaginei. Lá fora não chovia.

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42 comentários em “Distante Encontro (Tatiane Mara)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): boa introdução do flashback, mas trama um pouco rasa e não gostei muito da resolução. Realmente não faz muito sentido se pensarmos com mais calma (pra que fazer isso tudo?!?). A forma como ele aceita também ficou estranha. As viagens no tempo também não foram bem explicadas. Se podiam voltar para selecionar pessoas, por que não fizeram diferente?

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): alguns problemas de pontuação nos diálogos e palavras mal grafadas. Possui, porém, uma boa forma de conduzir a história e boas descrições de cenas.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): não achei muito criativo, pois esse tipo de história é comum na literatura de FC.

    🎯 Tema (⭐▫): é sci-fi, mas não é punk nem cyber. Na minha avaliação, cyberpunk envolve o submundo de uma época em que a tecnologia só piorou o bem estar das pessoas. Esse conto tem um pouco disso, mas não tem o submundo (traficantes, prostitutas, etc.)

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não gostei muito do final, mas a trama me prendeu até lá.

    ⚠️ Nota 6,5

    OBS.: sobre pontuação no diálogo, sugiro essa leitura: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  2. Jowilton Amaral da Costa
    16 de dezembro de 2016

    Bom conto. A narrativa é segura e gostei dos diálogos. Existe uma mistura de religião e ciência. Imaginar que nossa consciência continue viva depois que nosso corpo esteja morto é uma boa forma de amenizar o medo da morte e do desconhecido que vem depois. Boa sorte no desafio.

  3. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Gostei do texto, achei criativo. O enredo, da forma como está, achei meio confuso. Li esse conto logo que foi postado e da primeira vez não entendi. Agora a coisa clareou um pouquinho mais. Isso pode ter acontecido por conta do vai e vem no tempo? Talvez. É um recurso interessante, mas não sei se funcionou dentro desse limite. Sobre ter dado meio ponto apenas no quesito de tentativa de adequação ao tema e para a gramática, deve-se ao fato de ter postado quando ainda faltavam vários dias para o fim do prazo, poderia ter adequado melhor, penso eu. Poderia ser um biopunk, creio. O “bio” foi bem explorado, mas ficou devendo o “punk”. Havia um tempinho bom para a revisão também. Mas parabéns pela coragem de postar assim, antes de todos.

  4. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    1. Distante Encontro (Robot Berta): Nota 8

    Ola, Amigo(a) EntreContista,
    Parabéns pelo seu texto. Gostei bastante. Acho que o seu foi o primeiro texto a ser publicado, então, também foi o primeiro que li e o primeiro que recebeu comentários no facebook.
    Acho que concordo em parte com os comentários de que o seu texto não é muito “punk”. Se bem que existem tantas infinitas possibilidades de “punk”, que o seu texto com certeza se encaixa em alguma delas. Eu é que não conheço todas e tenho uma “imagem” de X-Punk na minha cabeça.
    De qualquer forma, falando sobre a história que você criou, devo dizer que gostei. Achei que você conseguiu criar uma linha narrativa na qual eu embarquei e me diverti. Achei que em parte lembrou “Ghost In The Shell” porque o mote daquele clássico é exatamente uma mente humana em um corpo cibernético, uma ideia que acho muito intrigante.
    Também gostei muito do final da sua história, da ideia de que eles voltariam a nascer e que teriam uma “única segunda chance”. Quando paramos para pensar, temos mesmo só uma vida nesse videogame da existência. E precisamos enfrentar as fases difíceis e também os chefões.
    Parabéns pelo seu texto.
    Boa sorte no desafio.
    Abraço

  5. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    O texto tá bem escrito, bem linear, mas faltou certa profundidade. Achei algumas situações estranhas e essa coisa de viagem no tempo não me convenceu. O roteiro daria uma boa estória, se contada com mais detalhes e com um limite de palavras mais generoso. Um dos pontos alto do texto foram as observações do narrador sobre os demais passageiros do coletivo em que viajava. Deu um toque de humor naquele clima sombrio e frio do mundo para onde ele foi.

    Boa sorte.

  6. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):
    Estrutura: nota-se a preocupação com a estética, que talvez seja mais F.C. que alguma variante do Punk propriamente dita. Há poucos erros de revisão, como em um momento em que chama Clara de Claro, o que não atrapalhou a leitura. Por outro lado, algo que incomodou um pouco no início foi a variação de tempos (no momento em que ele entra no trem, a narrativa passa do passado para o presente; antes de sair do trem, a narrativa volta ao passado, de novo ao presente etc.). Sobre os diálogos, uma dica que deixaria é o famoso “Show, don’t tell”. Por exemplo, quando Samuel está recebendo a dupla em casa e explica que a pausa dramática de Clara ficou boa porque a janela atrás dela fazia parecer que estava cercada de uma aura… parece estranho um personagem explicando esse tipo de coisa.
    Criatividade: perdão por me ater tanto na parte estrutural, mas é justamente porque achei a premissa do conto muito boa. Desde a ideia da transferência de consciência dos mortos escolhidos para os androides, até o loop que os levaria a renascer criando o paradoxo temporal, tudo me parece muito bem estudado e entrelaçado.
    Carisma: para a primeira leitura, fui surpreendido, não esperava algo tão instigante. À parte os detalhes estruturais, é um ótimo conto.
    Parabéns e boa sorte.

  7. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço. Fiquei me perguntando se seria o conto de algum de nossos amigos lusitanos, pela forma de escrever.
    Bom, ao que interessa:
    Primeiro, achei que tem alguns pontos de escrita meio truncada e/ou confusa, como “É simples como parece, apesar de não o ser, apesar de transcorrido milênios antes que pudéssemos fazer isso e quase não sobrar ninguém para começar o processo.”
    Apesar da qualidade no todo, tem momentos que a escrita tá pouco fluente.
    Por outro lado, tem ótimas questões conceituais e simbólicas, como no trecho “Estamos falando de ciência, dr. Samuel, embora, uma coisa não exclua a outra, até mesmo se completam, mesmo que alguns ignorantes insistam em negar o óbvio”. Esse talvez tenha sido o ponto alto do conto, pra mim,.
    Também senti uma certa caracterização metafórica da mecanização da vida. Seria uma referência ao processo que a humanidade tá vivendo, ou viajei demais?
    Enfim, no geral achei interessante, mas não me ganhou totalmente, faltou um pouco de clímax e emoção, acho. De qualquer forma, parabéns!

  8. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Contração informal, no coloquial, seria o adequado: 1) desabando pra todo lado (desabando para todo lado). 2) Isso é óbvio pra mim. (Isso é óbvio para mim. 3) Trabalhamos e voltamos pra casa. Trabalhamos e voltamos para casa.). 4) Pra quê tanto desperdício e sofrimento se vamos voltar para o mesmo lugar? – Na mesma frase você utilizou, mesmo sendo uma fala, o pra e o para. Faço esse adendo detalhado da contração informal justificado por uso de palavras como “procrastinação” e “estupefação”, entre outras, onde o autor é cuidadoso com a forma clássica semântica da argumentação.
    Vários espaçamentos incorretos antes da pontuação: ? e !.
    Uso de maiúscula: Por que eu? e Por que me avisar? (Por que eu? e por que me avisar?)
    Pronome átono: Dr. Samuel, que bom revê-lo, (Dr. Samuel, que bom o rever).
    Palavras: 1) frustar (frustrar) – 2) andróide (androide).

    Excelente conto, estruturado, consumado pela interpretação da sempre considerada imortalidade, a alma em crescimento moral e intelectual e, nesse caso específico, antecipando o progresso da humanidade. Parabéns! Nota: 8,0.

  9. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado autor Robot Berta, seguem meus comentários:
    PREMISSA: a conservação da vida para cumprimento de uma missão, com a volta no tempo. Bastante criativa em mixar as duas coisas.
    DESENVOLVIMENTO: o texto, o primeiro a ser postado no desafio, tem uma linguagem ágil, sem rebuscamento e um enredo bizarro o suficiente para manter a atenção e lembrança da leitura.
    RESULTADO: apesar de pouco afeito ao universo punk, o resultado é bastante interessante e memorável, como ficção científica.

  10. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Mais uma história sem nenhum vestígio punk, mas tudo bem, estou ficando acostumado. Um homem chamado Samuel tem sua mente transferida para corpo robótico para ajudar a salvar a humanidade juntamente com várias outras pessoas na mesma condição. Ele então começa uma nova vida de trabalho incessante. Foi meio tediosa essa parte, ser salvo da morte e transformado em um cyborg só para trabalhar como louco? E o final é bem absurdo, não porque seja absurdo em si, mas por não se encaixar no resto da história. Viagem no tempo? Reencarnação? Voltar a ser humano e – uma irritante obsessão para alguns autores – perda da imortalidade? Isso é que é um samba do cyborg doido. Muito caótico, acho que o autor inventou esse final no último instante, de improviso. Uma história regular, sem brilho, que padece de um final horrível, acho que o próprio autor sabe que não ficou bom, logo, não vai se ofender. Apesar de tudo, ou justamente por causa de tudo, desejo para você Boa Sorte no Desafio.

  11. Rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    Distante Encontro (Robot Berta)

    Caro (a), Robot Berta. (06)

    O conto é bem escrito. É perceptível o tato nas construções da sentença. Dr. Samuel é um personagem interessante, é possível sentir sua tristeza diante de seu marasmo existencial. Penso que os diálogos ficaram muito didáticos, muita coisa contada em atropelo. Nesse sentido, creio que muito do impacto ficou prejudicado. A chuva como pano de fundo, desenvolvida de forma bem lacônica, na minha opinião foi um grande acerto.

    Como disse anteriormente, o texto está bem escrito, apenas o espaço em algumas pontuações não me pareceu correto. Tem um “Claro”, ao invés de “Clara”, obviamente um erro de digitação que em nada interfere na leitura. Por fim, acredito que há um erro no plural quando se refere ao “casal”, que também é absolutamente ordinário tendo em vista todo o resto.
    Parabéns e boas sorte no desafio.

  12. Davenir Viganon
    12 de dezembro de 2016

    Olá Robot.
    Gostei bastante do seu conto. Ficção Científica das boas, que iria muito bem no desafio de FC que teve ano passado. Gostei da escrita, passou a passividade do robô que está existindo no automático, sem expressar muito sentimentos pois o personagem, na forma de robô não os tem, apenas os emula. Foi um bom começo de desafio e um bom conto. Remete aos clássicos do Asimov e suas estórias de robôs e ainda misturou Viagem no Tempo, infelizmente o conto não tem a pegada cyberpunk que poderia ter.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Como você parece gostar de historias de robôs, recomendo “A Formiga Elétrica” do Philip K. Dick., uns dos pais do Cyberpunk.

  13. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Parece-me um texto bem conseguido, proporcionando um leitura interessante. Gostei muito da descrição da viagem no trem. Só não percebi muito bem a vontade de falar de um futuro, mas onde quase tudo continua agarrado ao presente, se conseguires dar a volta a esta questão penso que o teu texto ficará muito mais interessante. Uma dúvida que pode resultar da diferença do nosso português, mas quando dizes “Convidei o casal a entrarem para…” não deveria ser “Convidei o casal a entrar para…”

  14. mariasantino1
    8 de dezembro de 2016

    OI, autor!

    Então, o seu texto tem um ar de espiritualidade e brinca com o tempo fazendo essa grandeza ser bem flexível, porque, uma vez que o cidadão passou 72 anos nesse plano e depois disso retorna para o momento antes do infarto, então tudo é relativo como em um sonho. Eu gostei do conto, do ar de desesperança e vida sensabor e achei diferente o sfi-ci espiritual. Uma versão de purgatório para alma (ou espírito).

    Sua narrativa é clara e de fácil acesso, não tem mistura de palavras rebuscadas com coloquiais, mas não tem também metáforas e construções frasais de impacto para condensar as ideias. Achei o personagem principal um tanto anêmico, mas acredito que foi sua intenção mesmo para casar com a melancolia do lugar e trama.

    Queria ter curtido mais.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 7,5

  15. Amanda Gomez
    7 de dezembro de 2016

    Olá,

    Seu conto é bastante agradável, a escrita é ótima e os acontecimentos transcorrem de forma simples e eficaz. O protagonista é muito carismático e todas as suas aflições no decorrer da histórias são nítidas e causam empatia.

    O universo criado para contar essa história tem elementos bem interessantes, como a visão prévia da morte das pessoa através de visitantes do futuro. Resumindo é um bom conto sobre de Sci-fi, mas é apenas isso. Eu li o conto tem um dias já, e consigo escrever o comentário sem uma segunda leitura, mostra que a história ficou na minha cabeça, com detalhes bem nítidos, as vezes acabo de ler e nem lembro o que foi lido. rs

    Não há mais muito o que dizer, apenas parabenizo pela coragem de ter sido o primeiro, e por nos apresentar uma história que foge do tema sim, mas que é agradável e interessante.

    Boa sorte no desafio.

  16. Anorkinda Neide
    3 de dezembro de 2016

    Olá! Eu costumo me perder no raciocínio de viagens no tempo.. e nao foi diferente, mas quase cheguei lá!
    O texto é bom, mas talvez tenha ficado um tanto longo, pois cansou. Acho que a narrativa em primeira pessoa tem esta tendência, de pedir pra ser menor.. rsrs
    Bem, nao captei bem o significado de tudo, da salvação da humanidade e tal, deve ser falha minha mesmo.
    Boa sorte ae e abraço

  17. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Robot Berta,

    Tudo bem?

    Você iniciou o desafio com um conto exemplar. Muito bonito, instigante e humano. Triângulo perfeito para uma boa história. A trama é muito bem amarrada e os sumários narrativos descrevem locais e personagens mesclando-os à história criando imagens vívidas que não cansam o leitor em momento algum.

    O tema tempo/vida eterna, também foi muito bem escolhido.

    Gostei muito.

    Parabéns por sua verve e, como usual, imagino e desconfio muito de quem é a
    autoria.

    Pesquisei Robot Berta e encontrei personagens de animação ou vídeo game, é isso?

    Boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  18. Waldo Gomes
    28 de novembro de 2016

    Primeiro conto que comento aqui no site. Gostei demais. A narrativa é tranquila e leve, flui naturalmente. A angústia do personagem preso no futuro e imortal superada pela expectativa de renascimento é fantástico.

    A parte onde o protagonista brinca com a vida dos seus colegas autômatos, imaginando como seriam é de uma dor terrível.

    Parabéns ao autor (a).

  19. Eduardo Selga
    28 de novembro de 2016

    A ideia central da trama não é má, embora pouco original, mas me parece claro faltar elaboração ao texto, em dois aspectos: o narrativo, e o textual (sintaxe e semântica), de modo que o conto resulta insatisfatório enquanto peça literária.

    O leitor sabe do que se passa na estória a partir, quase unicamente, por intermédio do personagem-narrador e seu discurso em primeira pessoa. Essa exclusividade, em boa medida, colabora de modo decisivo para tornar a narrativa muito arrastada. A presença do casal, que se dá sobretudo por meio de diálogos, não consegue mover essa dinâmica narrativa, de modo que a exaustão é uma tônica. O que é lamentável, porque é possível a construção de diálogos de modo a alterar o ritmo da narrativa ou criar alguma modulação nele. Ao contrário disso, o que temos é uma linearidade rítmica não perturbada pela inserção de diálogos.

    Um dos motivos pelos quais talvez isso tenha se dado seja a falta de personalidade dos personagens, do narrador inclusive. Eles se comportam enquanto meras peças do ato de narrar, não parecem ter vida. Há casos, como no texto metaficcional, em que a construção de personagens assim pode ser interessante, mas não é o caso aqui.

    Um aspecto positivo presente no conto é que ele pode ser entendido como uma metáfora do homem alienado de seu tempo e da sociedade em que vive, mas esse aspecto passa a ter pouco valor num texto literário quando ele é esteticamente mal construído. Afinal, literatura é, fundamentalmente, uma construção estética.

    Assim como a palavra escrita tem um significado preciso, mas não imutável, motivo por que é de grande importância seu uso adequado ao que se pretende dizer, o modo como ela está posicionada na frase também exerce importância na construção do sentido. Digo isso porque é numerosa a quantidade de erros nesse item, dos quais vou enumerar apenas alguns. Volto a dizer que erros assim alteram a precisão da mensagem, não é um evento qualquer no corpo textual, com ares de acidente. Não é, portanto, implicância gratuita de minha parte. Vamos aos erros e inconsistências que encontrei.

    “É a terceira vez esse semestre”. O correto seria NESSE.

    “Depois de 15 minutos no trem, todos em baixo silêncio com pouquíssimas interações […]”. A expressão BAIXO SILÊNCIO é um pleonasmo não literário. Não é nem questão de ser desnecessária a redundância, e sim de que é esteticamente inoperante.

    “Todavia, depois de 30 minutos percorrendo lugares que não sabia existir, comecei a me sentir incomodado”. O pronome relativo QUE está usado de modo inconsistente, pois numa primeira leitura tem-se a sensação de que ele se refere a LUGARES, quando na verdade a referência na frase é COMECEI. A sensação é desfeita porque LUGARES é plural e EXISTIR é singular, e porque LUGARES não têm consciência, não sabe EXISTIR. De todo o modo, a frase deveria ser mais bem construída, impedindo esse tipo de estranheza na leitura.

    “Estamos falando de ciência, dr. Samuel, embora, uma coisa não exclua a outra, até mesmo se completam […]”. Não existe a vírgula depois do EMBORA, do modo como está posto. Além disso, DR exige inicial maiúscula, por ser pronome de tratamento.

    “– É claro que aceito, tomara que não seja uma brincadeira, aprecio aventuras – e mostrei meu melhor sorriso”. A pontuação está inconveniente. Para efeito de sentido melhor seria um PONTO depois de ACEITO e manter as outras VÍRGULAS.

    “Até que chegamos no dia de hoje comigo dentro […]”. Quem chega, CHEGA AO, não NO.

    “Assim que entrei no edifício, o sistema de som me orientou a ir para o 15º andar, não havia ninguém, tudo estava, aparentemente, vazio”. Após a palavra ANDAR, o ideal seria um PONTO.

    Coesão textual: profundamente prejudicada em função dos eventos acima citados.

    Coerência narrativa: não encontrei nada relevante quanto a esse item.

    Personagens: construção muito mecanicista, conforme já disse, prejudicando a literariedade.

    Enredo: razoável, pouco original e conduzido de modo insuficiente.

    Linguagem: adéqua-se ao propósito, em função de os personagens não exigirem grandes construções em nível de linguagem, mas a quantidade de erros prejudica a eficiência dessa linguagem.

  20. Pedro Luna
    26 de novembro de 2016

    O conto é interessante, apesar de se tornar confuso demais no final. Li várias vezes mas não entendi direito como a experiência com Samuel conseguiu salvar a humanidade. Bom, o autor é criativo e utilizou uma grande salada mistas de ideias, com direito a viagem no tempo e projeção de consciência, mas não conseguiu salvar o texto de ficar confuso. Fora isso, vi só alguns problemas na estrutura do diálogo, como aqui:

    “– Não é óbvio? – Voltaremos no tempo e nasceremos como nós mesmos, com a diferença de que teremos nossas memórias intactas com todo nosso conhecimento tecnológico, com nossa visão dos fatos à luz do futuro”

    Bom, é isso. Achei interessante e por isso a leitura fluiu, mas os diálogos no fim não conseguiram me explicar muito. O ponto alto é a descrição opressora da rotina futurista, o que angustia. Abraço.

  21. Zé Ronaldo
    26 de novembro de 2016

    A descrição desse novo mundo está sublime, o tom “cinza” como parece ter sido descrito me fez lembrar “Metrópolis”.
    A personagem é bem construída e forte e fácil de atrair a simpatia do leitor (bem, ao menos o foi para mim).
    Os diálogos simples e concisos facilitam a leitura, mas não a empobrece por serem simples.
    Achei o final de uma singeleza maravilhosa, o momento da revelação, a secura dos olhos e a falta de chuva indicam um novo momento possivelmente melhor. Gostei muito disso.

  22. Priscila Pereira
    26 de novembro de 2016

    Oi Robot Berta, eu gostei muito do seu conto… Não notei problemas com a gramática, achei bem criativo, a personalidade do protagonista é bem rica,os pequenos detalhes de sua nova vida, tanto como o episódio de suas lembranças do passado são muito bem contados e muito gostoso de ler, a história está muito bem contada. Parabéns!

  23. Pedro Teixeira
    26 de novembro de 2016

    Olá, autor! Devo dizer que não apreciei o conto. Apesar de ter bons momentos na escrita, o desenvolvimento foi um tanto arrastado, e não consegui enxergar nenhuma vertente “punk” no enredo, soa mais como uma combinação de distopia e espiritismo. A trama não envolve: não consegui me interessar o suficiente pelos personagens e seu destino, eles me pareceram muito unidimensionais.
    Algumas repetições poderiam ser cortadas(hoje – nos – canto). Em “a conversa se principiou” acho que “a conversa começou” ficaria melhor, mais harmônico com o restante do texto. “Notou Clara, e sorria também” – sugiro trocar por “sorrindo também”; o uso de travessões em alguns momentos deixou as sentenças truncadas, como em “– Duvido muito – eu gostei desse início, já estava me divertindo – geralmente a juventude se julga conhecedora de muitas coisas – provoquei meus convidados.”

  24. Bruna Francielle
    25 de novembro de 2016

    Tema: De acordo com o que pesquisei e os contos que li de exemplo sobre o gênero punk, devem haver certos elementos no texto para que o caracterizem como sendo punk. Aqui, você abordou a tecnologia, porém, não há nenhuma revolta com o sistema, o personagem não é caçado pelas autoridades, não há nenhum embate. Por isso, de acordo com meu entendimento, classifico este conto como Ficção Científica, mas não Punk!

    Apesar de não ter achado ‘punk’, eu gostei da história. Está bem escrita.
    Apresenta algumas partes clichês e já vistas em outras histórias – tais como ele observar as pessoas no trem e tentar imaginar o que elas fazem da vida, ou no caso aqui, fizeram. O enredo, de ele ir para o futuro e depois retornar ao passado para tentar mudar a história. Geralmente, vemos pessoas que já são do futuro retornando ao passado, por isso, um pequeno diferencial, apesar dessa ida e vinda no tempo para evitar o futuro desastroso da humanidade também ser extremamente clichê.
    O conto está bem fluído, não sendo enfadonho lê-lo.
    Os detalhes sobre a vida de um robô foram bem colocados, tais como ele não precisar beber água, mesmo assim haver um copo ali. Talvez tenha sido a parte que mais achei criativa no conto.
    Enfim, o enredo é clichê, o que mudou, foram os detalhes que o autor embutiu na história.

  25. Zé Ronaldo
    24 de novembro de 2016

    Perfeito! Achei que, no início, seria meio clichê, mas foi totalmente surpreendente no final! Muito bom!

  26. Marco Aurélio Saraiva
    23 de novembro de 2016

    Uma ideia bem interessante. O famoso paradoxo da humanidade – onde desejamos viver para sempre e não sabemos viver para sempre – é bem explorado aqui, apesar do texto parecer pedir um limite maior de palavras para abordar o tema de forma mais adequada.

    Ficou faltando uma explicação de “como chegamos a este ponto”, ou seja, o que aconteceu com a humanidade para que todos virassem máquinas. Ao mesmo tempo, porém, entendo que pode ter sido a intenção do autor: nem tudo precisa ser explicado. Eu, pessoalmente, preenchi essa lacuna imaginando que a humanidade destruiu o próprio planeta, ou gerou qualquer outra catástrofe que extinguisse a nossa raça. Para tentar nos salvar, passamos a viver nestes simulacros robóticos, onde realizaríamos pesquisas para ganhar uma nova chance.

    Bem legal!

    Como uma nota, acho que as emoções de Samuel foram pouco exploradas. Senti que o tempo todo ele foi pouco emotivo, como um robô realmente. Não senti a raiva que ele sentiu ao encontrar novamente Clara e Irwin. Não senti o seu deboche ao dispensar o casal aparentemente louco que o visitou no passado.

    Sobre a técnica: simples e sucinta. O autor passa bem as ideias e as imagens, apesar de ficar devendo construções um pouco mais elaboradas. Muitas vírgulas poderiam ser pontos finais. Tive que ler alguns parágrafos inteiros, por exemplo, em um fôlego só.

    Algumas sugestões do que encontrei durante a leitura:

    => “Pequenos automóveis ‘individuais’…” – Logo após estra fase, você fala que os automóveis carregavam pessoas sozinhas ou em grupo. Imaginei que um automóvel individual carregaria apenas uma pessoa.

    => “…eu fiquei mudo por muitos ‘minutos’…” – Um minuto calado é tempo demais. Ficar mudo por muitos minutos é uma situação que não existe. Imagine três pessoas sentadas na sala, caladas, um olhando para o outro, por cinco minutos. Chega a ser engraçado.

    => “…responderam de forma simultânea – muito firmes.” – Este travessão não deveria estar aí, já que não faz parte da fala anterior. Ele poderia ser substituído por uma vírgula ou um ponto e vírgula.

    => Na frase “Meus estudos são enviados para outros”, existe uma quebra de linha que provavelmente foi digitada por engano.

    => Durante o trajeto de Samuel para rever Clara e Irwin, ele está sozinho no carro. Porém, você usa verbos no plural em frases como “…’estávamos’ numa velocidade muito grande…” e “…’paramos’ diante de um prédio muito alto…”.

    => “Não é óbvio? – Voltaremos no tempo e nasceremos como nós mesmos…” – Este travessão não deveria estar aí. Apenas o ponto de interrogação já bastava.

    Por fim, destaquei uma frase muito boa, abaixo:

    “Durante alguns segundos, dentro do cubículo que me levava, senti uma solidão pesada ao olhar os espelhos que me refletiam e não me identificavam ainda depois de tantos anos.”

    Boa sorte!

  27. angst447
    20 de novembro de 2016

    Olá, autor.
    Não vou discutir sobre a adequação ao tema proposto, pois não me sinto segura quanto ao meu conhecimento sobre X-punk.
    Encontrei quase nada de falho na revisão do conto:
    – em pouco minutos > em poucos minutos
    – Achei que ficou confuso este trecho – É simples como parece, apesar de não o ser – afinal é simples ou não é?
    Usaria algumas vírgulas a mais, mas esta é uma questão mais pessoal do que de erro e acerto.
    O enredo pareceu-me bem cativante, com os detalhes de caracterização bem trabalhados sem chegar ao enfado.
    A linguagem empregada é fluida e os diálogos agilizam a leitura, tornando-a mais agradável.
    A aparição do casal vindo do futuro instigou minha curiosidade, mas confesso que o final frustrou-me um pouco. Não consegui entender qual afinal tinha sido a contribuição do senhor para que todos retornassem aos corpos não biônicos.
    Enfim, o conto lembrou-me do filme De volta ao Futuro, devido à temática da troca temporal.
    Bom trabalho!

  28. Fheluany Nogueira
    17 de novembro de 2016

    Texto bem escrito, bom vocabulário, construções frasais ricas. A TRAMA é bastante criativa: um mundo futurista habitado por consciências antigas, buscadas em épocas diversas e plantadas em corpos perfeitos, artificiais com o objetivo de impedir a extinção do Homem. Como isso ocorreria não ficou bem claro para mim. A LEITURA foi fluente e agradável, o PERSONAGEM central ficou coerente com a situação explorada e com o TEMA punk. O contraste entre o ambiente original deste personagem e aquele em que, no futuro, está inserido também ficou evidente. Enfim, a narrativa agrada. Parabéns, abraços.

  29. Sick Mind
    16 de novembro de 2016

    Não consegui classificar esse conto em nenhum dos subgêneros X-punk…

  30. Rubem Cabral
    15 de novembro de 2016

    Olá, Robot Berta.

    Gostei do conto. O mote geral é criativo, beirando o surreal. O narrador-personagem foi bem construído. A qualidade da escrita é fluente, muito embora simples, sem muitos floreios ou metáforas.

    Há alguns pequenos acertos a fazer, feito em “Convidei o casal a entrar (e não entrarem)”. Tenho dúvidas tbm quanto à adequação ao tema, embora exista o high tech/low life típico dos textos x-punk.

    Resumindo: bom conto! Nota 7.5.

  31. Cilas Medi
    15 de novembro de 2016

    Interessante, eficiente, com a narrativa fluente e inspiradora. Consegue manter a atenção para a finalização do conto, apesar de que, a partir da segunda parte do texto não apresentar nenhuma surpresa para o final. Gostei. Nota 8,0.

  32. catarinacunha2015
    15 de novembro de 2016

    Achei maravilhosa a ambientação, os personagens e a trama deste primeiro capítulo de um romance cibernético. O estilo é marcante e não vejo a hora de ler os próximos capítulos. Quando encontro um texto tão bom como este mas sem a síntese de um conto, fico imaginando se o autor tem alma de romancista ou eu que preciso rever meus conceitos quanto ao que seria um conto. Então sigo meus instintos. Isto não é um conto só porque têm 2.952 palavras, é um belo início de um promissor romance. Se for um conto, não é um bom conto.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    14 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: O texto percorre muito a veia sci-fi, e quase entra em Steampunk, mas escapa, para quase entrar em Cyberpunk, mas também escapa, devido à trama. Como aponto a seguir, o enredo é muito bom, mas a estética e o “punk” não apareceram (algum conceito marginal da sociedade). Talvez se tivesse desenvolvido mais a questão da fábrica ou dos eventos da periferia, seria encontrado o elemento que falta. – 5,0
    R: É uma história bastante singela, tocante, com ar futurista e melancólico se mesclando em várias partes. Algumas vezes me lembrou o filme Gattaca, que trata de conceitos genéticos, e também do horrível Transcendência, mas que contém uma ideia legal. O texto cativa por ser leve e trazer um novo fôlego às tramas de vida pós-morte. Aqui há uma vida pós-vida, uma jogada excelente. Mas, infelizmente, sem o contexto requerido. – 8,0
    E: Gostei da estrutura apresentada, com a viagem no tempo embutida. O autor consegue brincar um pouco com as causas e efeitos, mesmo sem ter uma resolução propriamente dita. O enredo se atém ao cotidiano e trouxe um ar diferente, mais de interior, que cativou. – 9,0
    M: A escrita flui bem, simples, sem grandes entraves ou muitos floreios. Bastante eficiente em transmitir as emoções mais “cinzas”. – 8,5
    [7,6]

  34. Fil Felix
    13 de novembro de 2016

    GERAL

    Fiquei um pouco dividido com a conclusão do conto! Voltar no tempo bilhões de pessoas/ consciências com novas ideias simultaneamente e em épocas distintas é interessante. Mas viagem no tempo geralmente causa vários problemas de continuidade e entram em alguns paradoxos que cansamos de tentar entender, ao mesmo tempo em que achei um pouco “simples”. Principalmente porque não comprei a ideia do porque deles precisarem voltar e “corrigir”. O futuro em que estão todos possuem corpos robóticos porque, de alguma maneira, a humanidade deixou de existir e só sobrou as bilhões de consciências trabalhando 7 dias por semana pra tentarem encontrar um meio de voltar a ter um corpo. Isso meio que resume a ideia de que a questão principal é a “carne”, são os sentidos. Todo um esforço gasto que poderia ser convertido em construir uma boa sociedade humano-sintética. De qualquer maneira, já leva pontos por levar o leitor a pensar e ir adiante, que sempre é bom! A escrita também está ótima, não percebi nada muito grosseiro (fora o nome da mulher no masculino).

    O X DA QUESTÃO

    Um conto que parte da ficção científica para nos mostrar um futuro não muito agradável. Mexe com o passado, presente e futuro, ainda entrega uns pontos de steampunk no início, quando narra os objetos antiquados. Não é tão “punk” quanto imaginava, mas está dentro do tema. Só acho que poderia ter expandido este universo, explicado melhor quem são os dois que fazem as entrevistas, como conseguiram voltar no tempo (e se já conseguiam pra convidar a pessoa, não foi uma descoberta tão fantástica assim ao final), ter comentado mais sobre o background. O transporte de “consciência” é um tema sempre pertinente e que desperta nossa curiosidade. Será possível um dia morrer e renascer em outro corpo? O velho imaginário de corpos congelados esperando que a tecnologia possa reanimá-los. Me pergunto como seria possível “transportar” uma consciência, será que tudo que somos está focalizado numa coisa só? No cérebro? Acabou me lembrando de um estudo muito interessante que quebra essa divisão corpo/mente, que trata o conjunto como um todo interligado, que é a teoria Corpomídia da Helena Katz e Christine Greiner, acho que vale a pesquisa e expande o conto.

  35. Fabio Baptista
    12 de novembro de 2016

    Não queria dizer isso porque essa parece ser a nova ‘frasezinha’ hipster pseudo intelectual do momento, mas, não vou resistir: “me lembrou um episódio de Black Mirror” kkkk. Aquele em que é feita uma “pessoa virtual” à partir das memórias da pessoal real, mas não o do casal… o do cara que dá conselhos amorosos no começo. E depois essa “pessoa virtual” pode ser usada para vários propósitos, entre eles o de um tipo de escravo.

    Esse episódio, por sua vez, lembra um pouco Matrix que também é inspirado em N outras coisas. Enfim, não estou reclamando de clichês ou falta de originalidade. São assuntos já vistos (e quais não são?), mas com uma roupagem que gostei, no geral. Essa reunião de pessoas mortas por causas naturais foi interessante, guardou um bom mistério sobre o porquê de tudo isso. Mas daí quando revelou, num tipo de loop, não me agradou em cheio.

    A técnica está boa, em geral, com exceção à mistura de tempos verbais que me incomodou em alguns momentos. Na revisão, só achei um “pouco minutos” e “baixo silêncio” (ou é silêncio ou não é, certo?), nada que comprometesse.

    Algumas frases inspiradas, como “Um manto de passado que tenta camuflar esse presente absurdo” logo no começo, trouxeram beleza ao texto.

    Bom conto.

    NOTA: 7,5

  36. Fabio D'Oliveira
    12 de novembro de 2016

    Olá, Robot Berta! Espero que seu novembro esteja sendo maravilhoso!

    Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo(a) pelo esforço, pela vontade de escrever e nos oferecer esse conto. Mas nem tudo são flores. Somos todos humanos, recheados de falhas, e, talvez pela falta de experiência, ou apenas um momento ruim na vida, você não conseguiu escrever um texto bom. Falta qualidade técnica e criativa.

    Vamos lá!

    A narrativa segue um fluxo ininterrupto, onde o protagonista joga informações e mais informações, sem parar, nos leitores, causando um verdadeiro afogamento! É possível que muitos cheguem na metade do conto desejando o seu final. Faltou organização e técnica para construir frases mais agradáveis. Fico me perguntando se uma narrativa em terceira pessoa surtiria outro efeito…

    Agora, devo destacar o potencial que você tem. Não desanime com minha avaliação, sou apenas um leitor, entre tantos. E minha opinião é valiosa, como de qualquer outro. Cabe ao(à) senhor(a) o julgamento se minha opinião condiz com a verdade. Percebi que em muitos momentos é possível notar um tom meio poético na narrativa, apesar do foco ser uma narrativa mais comum. E isso me agradou muito. Você poderia explorar mais esse seu lado, tentar mesclar estilos, experimentar. Muitos escritores morrem de medo de experimentar. Aqui, no EC, tem alguns assim. Mas é a experimentação e a prática que dividem o escritor bom do escritor excelente.

    Tente, ouse!

    Agora, em relação à história, posso destacar que há um grande poder criativo em você. Porém, criatividade não se trata unicamente em ter boas ideias e incomuns, trata-se, principalmente, na forma como você constrói as histórias com essas ideias. Faltou organização na parte criativa, também. Você joga um monte de informações, sem explicá-los de forma devida, no leitor, deixando-o confuso. Muitos não entenderão certas partes da história, como o fato de Clara e Irwin saberem o exato momento da morte do protagonista. E mesmo assim, o argumento para isso é fraquíssimo. Não há aprofundamento, logo, acaba ficando vago. E um conto desse tipo, que tem um pouco de ficção científica, exige uma base de informações sólidas. Sem isso, é quase impossível o leitor ver esse mundo como real. Você fez uma realidade fraca, infelizmente.

    Há muitas pontas soltas, os personagens não cativam, o enredo é cercado por um véu de fragilidade. Entende o que digo?

    Potencial você tem, Robot Berta! Não desista nunca! Não desejarei sorte para ninguém, pois aqui vence quem consegue criar o melhor conto (detalhe: melhor conto, não que seja melhor escritor), mas irei dar mais parabéns, pois todo escritor aqui já é um vencedor!

  37. Gustavo Castro Araujo
    12 de novembro de 2016

    Achei muito bem montada a história. Veem-se as referências – Matrix, principalmente – o que aproxima a narrativa do estilo Cyberpunk e até mesmo do Biopunk, com a transmutação da consciência do narrador para um androide futurista. Estrutural e gramaticalmente, o texto está impecável. Mesmo não se tratando de algo perfeitamente linear – ou até mesmo por causa disso – o leitor sente-se levado de modo tranquilo pelos labirintos da mente do autor. No mérito, vê-se que o conto se refere a segundas chances com reflexos numa questão de eternidade amaldiçoada, um tema bem interessante. O ponto a ser melhorado refere-se à maneira como o narrador “salvou” o mundo no futuro. Sabemos que foi graças a ele que a Terra sobreviveu, uma noticia que nos é dada pelo casal Clara e Irwin, mas não há maiores informações sobre isso. Talvez por isso o arremate tenha ficado um tantinho “torto” também, já que essa volta ao passado careceu de uma explicação melhor. De todo modo, no cômputo geral, é um bom texto. Parabéns!

  38. olisomar pires
    11 de novembro de 2016

    Belo conto, esperançoso e suave. Poderia ter aproveitado mais a estada do personagem no futuro e mostrá-lo mais com sua tristeza e rotina sem sentido. Bem escrito, parece-me que faltou algo mais “sujo” para que adaptasse ao tema. Daria um bom roteiro pra um filme jovem.

  39. Leandro B.
    10 de novembro de 2016

    Oi, Berta.
    Gostei bastante do trabalho. Unir espiritualidade e cientificismo em uma história é ousado e, feito com qualquer desequilíbrio, pode acabar estragando um texto.

    Creio que você foi bem feliz na empreitada. Particularmente, não sou um fã hardcore de FC. As histórias que gosto do gênero não se preocupam tanto com as explicações científicas e pseudo-científicas para justificar seu conteúdo. Sua maior preocupação é expor uma história interessante.

    Pareceu-me a abordagem escolhida aqui. Temos um conto hermético, passado num futuro que queria ser passado, com um personagem simples e bem relacionável.

    Achei muito interessante a ida no transporte até o trabalho. Os rostos conhecidos que não se cumprimentam parece algo de um futuro incompreensível para esse homem do pós II guerra, mas já é uma realidade nos dias de hoje. O trecho serve como um reforço de que avançamos para uma realidade similar à apresentada.

    O final ficou um pouco estranho, porque o paradoxo da viagem no tempo de modo algum é superado com as proposições de Irwin e Sara. Mas, convenhamos, se você superasse o paradoxo mereceria um Nobel.

    Notei um pequeno erro de revisão (estrutura) na leitura aqui:

    “Cheguei aqui em 4057 D.C. e agora, 72 anos depois, continuo trabalhando e aprendendo. Nunca me explicaram tudo. É uma rotina imensa. Meus estudos são

    enviados para outros departamentos que nunca respondem. Não vejo objetivos. Sou parte de uma engrenagem. Talvez eu mesmo seja “a” engrenagem.”

    No mais, uma história bem divertida.

    Parabens!

  40. Jauch
    10 de novembro de 2016

    O que eu achei? Bom, para começar não tem muito de “punk” na história.

    X-Punk, onde o “X” é o “cenário”, precisa ter elementos de “punk”, como discriminação de classes, revolta das classes prejudicadas, etc.
    O “punk” indica um ambiente em “ebulição”, caótico, em que as regras estão sendo impostas ao mesmo tempo que são ignoradas, pervertidas, etc. Não consigo ver nada disso no conto, que está muito mais para FC tradicional (viagem no tempo, basicamente).

    Apesar de ser interessante, o foco escolhido fez o conto perder muita força. Ambientar o conto no “pós-retorno”, criando uma aura de mistério e desvendando apenas no fim as razões traria um interesse bastante maior ao texto.

    Senti ali no meio uma tentativa de panfletagem descarada com a questão religião x ciência. O problema nem é a panfletagem em si. Acho totalmente válida. Mas não tem função na história. Nenhuma.

    Também não é feliz a introdução, que não consegue criar um clima efectivo, porque não consegue passar de descrição desprovida da capacidade de gerar empatia. Está ali. Tanto fez, tanto faz.

    Gosto dos devaneios do protagonista sobre os outros. Tinha muito potencial, mas foi mal aproveitada a oportunidade que surge daí.

    Enfim, foi um exercício interessante, mas não me cativou 🙂

    Abraços!

  41. Evelyn Postali
    10 de novembro de 2016

    Oi, Robot Berta…
    Contos em primeira pessoa são especiais porque limitam o narrador e fazem com que o autor se desdobre na criatividade. Gosto muito de primeira pessoa. Nada contra as outras.
    À medida que lia me lembrava de The Bicentennial Man, do Isaac Asimov. “A humanidade pode tolerar um robô imortal, porque pouco importa quanto tempo a máquina dure, mas não pode tolerar um homem imortal, uma vez que a própria mortalidade só é sustentável na medida em que for geral.” O homem talvez se acostumasse à imortalidade se a evolução do meio fosse acontecendo paralelamente à uma evolução intelectual, espiritual. São questões muito delicadas. Eu mergulhei na história. Ela me prendeu o tempo todo. Não entendo muito de X-PUNK, mas o texto levanta algumas questões bastante intrigantes, especialmente a proximidade entre Religião e Ciência e de como o homem gosta de brincar de ser Deus. Prepotente e presunçoso, não percebe o egocentrismo, a ganância, o amor exagerado pelo poder, seja ele em qual instância for.
    Pude imaginar o cenário do começo ao fim. E também me lembrei de um curta de animação The Invention of Love, de Andrey Shushkov, lançado em 2010. Extremamente sensível e tenso e que relacionei a essa coisa de um novo lugar – no caso, no futuro – onde tudo é artificial e cinzento, tendo sobrado apenas a consciência da humanidade do personagem.
    Alguns erros de escrita (androide, frustrar, ideia, Dr.). Coisa normal. Não interferiram na leitura para mim.
    Parabéns ao autor.

  42. Evandro Furtado
    10 de novembro de 2016

    Gênero – Good

    O texto se encaixa em uma atmorfera sci-fi com relances de cyberpunk. O que falta é uma atmosfera mais sombria, menos esperançosa, não desenvolvida bem o suficiente pelo autor.

    Narrativa – Average

    As descrições e os diálogos são coisas em que o autor poderia ter trabalhado mais. Em alguns momentos faltou aquele desenvolvimento para que que tudo ficasse redondinho. A escolha pela primeira pessoa não é ruim, mas poderia aproveitar para dar um tom mais intimista à trama. Outra questão pontual que aponto é a má combinação de tempos verbais no passados com advérbios de tempo que sugerem o presente, particularmente no trecho “observei que as luzes da cidade estavam menores hoje”. Se no caso a intenção era denotar algo que aconteceu em um período anterior do dia atual – por exemplo de manhã, quando o texto é narrado de noite – faltou uma conexão. Creio que tal estratégia só funcione, de fato, se for algo mais próximo de um diário de viagem, caso contrário evite esse tipo de combinação. Mas há, particularmente, alguns jogos de palavras no texto que eu gostei, principalmente no início.

    Personagens – Average

    Samuel não me convenceu de sua dor. Creio que faltou a ele algo que demonstrasse esse sofrimento com mais força. De repente alguma passagem mais poética.

    Trama – Average

    Nesse caso em particular, a quebra da linearidade não ajudou na construção da trama. Se tivesse narrado os fatos na ordem cronológica, creio eu que o efeito causado seria maior. Faltou aquela consistência de amarrar tudo, considerando que no fim, de fato se volta para o começo que, nesse caso, não é bem o começo.

    Balanceamento – Average

    Um conto com uma premissa interessante, mas que falha ao desenvolver a atmosfera e os personagens para causar o impacto necessário no leitor.

    Resultado Final – Average

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Informação

Publicado às 9 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .