EntreContos

Literatura que desafia.

O Silêncio das Deusas Desnudas (Evandro Furtado)

Heath sempre foi um sujeito centrado, daqueles que se detém sobre algum aspecto particular da vida e nele se prende por um longo tempo.

A primeira vez que nos encontramos, em uma aula de Química ainda na escola regular, ele se debruçava sobre aqueles tubos de ensaio, creio eu, ponderando sobre a natureza dos elementos ali contidos. E assim dobrava-se sobre sua paixão até que ela própria se esvaísse. Era bem verdade que, uma vez passada a curiosidade, mudava suas atenções para outra coisa, mas com o mesmo ardor, apesar das diferenças, às vezes, grotescas. Ele era capaz de ficar horas fazendo cálculos matemáticos em uma semana e estar estudando a era de Aquarius na outra. Mas fazia com tamanho entusiasmo, que tudo parecia conectado de uma forma particular.

Eu e Heath nos tornamos amigos rapidamente. Acho que em mim sempre faltou o que era, para ele, comum. Nunca fui capaz de me interessar por mais de uma coisa. Heath era um oceano de possibilidades, eu um ribeirão preso eternamente às minhas margens.

A obsessão de Heath pelas coisas se tornou mais perceptível quando em uma aula de história na escola, um professor nos levou para assistir Metropolis. Por mais estúpido que possa parecer, creio que Heath tenha se apaixonado por Brigitte Helm, a garota do filme. Ele parecia se mover conforme ela própria se movia no filme, como laços invisíveis os conectassem em uma estranha dança movida a silêncio. Eu já naquela época pensava que absurdo poderia ser gostar de alguém que estava morta há três mil anos.

 

—–

 

A paixão de Heath por biologia começou na escola preparatória. Começamos a nos afastar um pouco já nessa época, sobretudo porque ele finalmente havia achado algo para se debruçar permanentemente, assim como eu. Mas a mim isso era de se esperar, de Heath não.

Ele começou a se afastar das pessoas, vivendo em seu próprio mundo. E não havia mais aquelas pausas entre suas paixões. Não havia os namoricos que flutuavam entre as humanas e as exatas. Heath havia se casado com a biologia.

Entramos na faculdade no mesmo ano, eu em engenharia, ele em biogenética. Nossos professores costumavam dizer que eu era o tipo que construía as coisas enquanto Heath gostava de observá-las prontas. Ledo engano, ao menos em relação a ele.

Dois anos foram necessários para que ele concluísse sua formação com honras acadêmicas. Logo tinha seu próprio laboratório. Toda aquela concentração havia, enfim, gerado frutos. E continuaria gerando outros um tanto estranhos.

 

—–

 

Era uma tarde de verão quando visitei o laboratório dele pela primeira vez. Surpreendentemente, não o encontrei em sua sala, mas sentado no jardim, observando as plantas que cresciam. Quando ele me viu, abriu um sorriso no rosto, seus olhos se encheram de ternura, algo que não havia visto desde que éramos garotos na escola regular.

Ele se levantou e me abraçou. Em seguida me convidou a entrar.

– Você deve ter um monte de gente trabalhando com você. – disse eu, notando o tamanho da instalação.

– Na verdade não. Só uma porção de estagiários.

– Estagiários? Nenhum empregado?

– Não. Não vou trazer gente para o meu laboratório que trabalha unicamente pelo dinheiro. Esse tipo de pessoa trabalha e trabalha mecanicamente, obedece todas as ordens sem questionar, faz exatamente o que é mandado.

– Não é exatamente o tipo de profissional que se procura?

– Talvez em outros lugares, não aqui. Esses estagiários que trabalham comigo estão em uma constante busca por conhecimento, Payton. Eles são ousados, mexem em coisas que não deveriam.

– E não há possibilidade de eles estragarem alguma coisa?

– Sim. E essa é exatamente a mesma possibilidade de eles descobrirem coisas novas.

Prosseguimos em silêncio até o seu laboratório, ele tagarelando sobre as vantagens de não se ter muitas pessoas por perto, eu ouvindo, calado.

Quando enfim chegamos ao seu laboratório, pude observar as prateleiras repletas de partes humanas. Potes contendo olhos e orelhas e mãos conservadas em líquidos estranhos. Um robô doméstico, dos primeiros modelos, fazia a limpeza do laboratório.

– Não se veem muitos desses por aí. – comentei.

– Ser um Combs tem lá suas vantagens. – ele respondeu enquanto vasculhava uma das prateleiras. De fato, Heath vinha de uma família tradicional. Seu tataravô, Sidney, havia sido um dos pioneiros da robótica, tendo trabalhado ao lado de Li Huei por um longo tempo. Mas não era esse o seu interesse, como se pode verificar pelos fatos que ocorreram a seguir.

Heath veio em minha direção. Trazia consigo um dos potes, repleto de pequenas coisas redondas. Quando abriu o recipiente, um cheiro estranhamente adocicado lhe escapou. Em seguida, tirou algo de lá e colocou na palma de minha mão.

– Não pensei que gostasse de camarão. – disse a ele, mas estava enganado. O pequeno corpo espiralado em minha posse de fato continha certa natureza artrópode, mas não por inteira. Era possível ver um pequeno par de braços despontando do corpo diminuto que acabava em uma cabeça desproporcionalmente grande. – O que é isso, Heath?

– Uma semente. – ele respondeu, os olhos brilhando com orgulho.

– Semente de quê?

– De gente.

Olhei para ele, incrédulo, mas ele não tirou o olhar da palma da minha mão. Mantinha-o lá, fixamente, sem nada dizer.

– Está me dizendo que isso é um feto?

– Não. – disse ele dando-me as costas. – Fetos precisam de um útero para nascer. Essa semente crescerá em um vaso, com terra e água.

Fiquei sem saber o que dizer. Deveras, estava mesmerizado. Passamos o resto da tarde em silêncio. Heath trabalhando em sua obra prima, eu o observando calado.

No final do dia, ele, enfim, plantou a semente.

 

—–

 

Passei a visitar seu laboratório todas as tardes para observar o experimento. Era algo assustador demais para encantar, mas encantador demais para assustar.

Com cerca de três dias, o primeiro broto surgiu. Era nada mais que alguns centímetros de pele solta, sem ossos, pendendo em direção ao mesmo solo do qual nascia. Inúmeras vezes me vi tocando naquele estranho ato da natureza sem dar conta da natureza de meus atos.

Por volta de uma semana era possível divisar as primeiras feições humanas. Pequenas protuberâncias que se tornariam braços e pernas. A essa altura Heath teve que passar o experimento para um vaso maior, já aquele não mais o comportava.

Três semanas e a coisa já estava praticamente pronta, ainda que horrenda de contemplar. O rosto estava desfigurado como o de uma pintura de Picasso, o corpo ainda não completamente formado, apresentava buracos aqui e ali que permitiam ver os órgãos internos. Tímidos tufos de cabelo surgiam da cabeça.

No final do mês estava pronto. Lá estava ela. A face infantil, os olhos vívidos, o cabelo que lhe caía aos ombros em tranças, os pequenos seios firmes, a cintura perfeitamente delineada, as partes devidamente desenhadas.

– Ela é virgem? – perguntei inconscientemente.

– Naturalmente.

– Pode pensar?

– Ainda não tenho certeza. Seu cérebro está plenamente formado como o de um adulto. Ela, no entanto, nada experienciou para que pudesse conhecer algo. Precisarei ensinar-lhe tudo.

E havia certa beleza naquilo tudo. Heath havia quebrado a barreira final ao gerar uma vida. A inocência de sua obra denunciou que ele trouxera com ela algo de suas velhas obsessões.

– Qual é o nome dela?

– Mary Pickford. – ele respondeu.

 

—–

 

Heath cuidou de seu monstro como Victor Frankenstein deveria ter cuidado do seu. Ensinou-lhe tudo o que pôde e com cerca de três meses a criatura era capaz de cuidar de si própria. Mas Heath nunca conseguiu ensinar-lhe a falar. E não creio que ele quisesse fazê-lo de qualquer forma. Aquele silêncio reforçava-lhe a inocência.

O problema maior dele foi, no entanto, esquecer que ela era, apesar de tudo, uma criança. Quantas vezes Heath a repreendeu por andar nua pelo laboratório, na frente dos estagiários e tudo o que ela fez foi verter um pranto silencioso. Mary não entendia o que havia feito de errado. Ela não havia comido o fruto da vergonha. Mas Heath nunca compreendeu isso, e sua obsessão foi se tornando maior que ele próprio. Até que um dia, em uma tarde de outono, enquanto Mary dançava no jardim entre as plantas, ele me disse.

– Falta-lhe algo.

Eu nada respondi. Não havia respostas que pudesse dar. E me arrependo todos os dias por meu silêncio. No final daquela tarde, quando eu parti, Mary fez algo que nunca havia feito antes. Veio até mim e beijou-me a bochecha. Em seguida sorriu e me disse adeus com o olhar.

Quando voltei no dia seguinte ela não estava mais lá.

 

—–

 

O segundo projeto de Heath visava criar um monstro mais maduro. Ainda que o que tenha feito pudesse ser chamado de engenharia, eu nada entendia sobre o assunto.

Heath trabalhava com suas sementes o dia inteiro. Creio que em algumas ocasiões o fazia mesmo depois do expediente, quando eu já havia ido embora. Sua constante busca pela perfeição de seu trabalho custou-lhe caro. Criar o ser humano perfeito arrancou-lhe o resto de sua própria humanidade.

Seu segundo projeto demorou mais tempo para se desenvolver. Quando pronto, mostrou-se tão belo como o primeiro. Mas as feições inocentes agora eram substituídas por outras mais severas. O rosto de menina agora era de mulher. O sorriso tão característico à primeira criatura era quase uma aberração no rosto dessa.

– É outra de suas atrizes? – perguntei no dia da colheita.

– Sim. Greta Garbo. Ela não é linda?

 

—–

 

Ao contrário de Mary, Greta não vagava pelo laboratório. Não brincava no jardim. Permanecia junto de seu criador, aprendendo sobre o mundo. Como sua antecessora, ela também não falava. Apenas fitava com aqueles olhos diminutos em períodos de tempo que se estendiam pela eternidade.

Com ela Heath parecia ter maior afinidade. Aprovava-lhe a curiosidade em seus experimentos.

– Talvez possa ensiná-la, Payton. – ele me disse uma vez. – Assim ela pode cultivar, para si própria, uma lavoura inteira de irmãs e irmãos.

Mais de uma vez me peguei tendo pesadelos com mundos inteiros habitados por esses homunculus estranhos. Sociedades formadas por astros do cinema mudo. Mundos repletos de Gishs, de Gaynors e de Brooks. Todas vivendo em seu eterno silêncio, com seus rostos sempre transfigurados em expressões exageradas. E suas plantações de gente. Gente nascendo em hortas, gente brotando de árvores, gente sendo arrancada do fundo da terra para viver. Essa incrível aberração contrária ao que deveria acontecer.

Mais e mais Heath se perdeu em seus experimentos. Na última vez que o encontrei ele me mostrou uma semente. Não me disse nada, apenas ficou lá, em silêncio, esperando que eu entendesse o que queria dizer. Decidi que naquele momento não mais voltaria a vê-lo.

Heath desapareceu há alguns meses. Ele e seus monstros. Todos eles se foram do dia para a noite. Gostaria de saber para onde. Sei que Heath encontrou o que sempre procurou. Algo pelo qual viver. Mas não posso deixar de pensar como deve ser solitário não ter ninguém com quem conversar. Ter por única companhia seus monstros silenciosos. Talvez fosse isso o que ele procurava, afinal de contas.

O que mais sinto falta de Heath é o som de sua voz. Curioso que não consigo me lembrar dela. Toda vez que penso nisso é o rosto de Mary que me vem à mente.

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40 comentários em “O Silêncio das Deusas Desnudas (Evandro Furtado)

  1. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a premissa é boa, mas não se desenvolveu bem. Ficou parecendo uma história sem conclusão. O arco de Heath e suas crias, que era o mais importante na trama, ficou sem conclusão. Acho que se tivesse focado mais a história dele, com narrador externo mesmo, contada no início ao fim, teria funcionado melhor.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): alguns problemas não muito graves, nada que incomodasse muito. Com um pouco mais de esmero, tende a ser uma ótima técnica. Precisa, porém, trabalhar melhor os personagens, dar-lhes mais vida e motivações. O Heath, por exemplo, o mais bem trabalhado, ainda assim tem em sua motivação algo superficial, eu precisava ver mais os motivos das suas obsessões.

    Anotei esses probleminhas aqui:
    ▪ em silêncio até o seu laboratório, ele tagarelando (contradição)
    ▪ Deveras, estava mesmerizado (construção estranha)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não chega a ser novidade, mas é criativa a ideia de criar pessoas como se fossem plantas.

    🎯 Tema (⭐▫): parece um biopunk, mas sem o clima punk. Esse clima, pra quem não entendeu, envolve o submundo (drogas, traficantes, prostitutas, etc.)

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a falta de um fim prejudicou muito o impacto do texto. Um exemplo de como poderia ter ficado melhor, é o criador ser morto ou consumido pelas próprias crias… >:)

    ⚠️ Nota 6,5

  2. Bia Machado
    16 de dezembro de 2016

    Não gostei tanto quanto queria. Foi um enredo interessante no início, mas que não se sustentou. Talvez ele precisasse de um espaço maior. Foi criativo na construção do eixo, da ideia central, mas como disse, o desenvolvimento não foi a contento, em minha opinião. Descontei da pontuação de adequação ao tema porque, tendo tempo para postar, faltou um pouco de pesquisa nesse sentido. Para mim, o x-punk dá uma leve resvalada no biopunk, não muito mais que isso. E sobre os parágrafos finais, faltou desenvolvimento, o que foi uma pena, porque foi um cenário bem aterrador de se imaginar, aquela “plantação”, “criação”, sei lá como chamar. Acho que poderia ter investido mais no suspense.

  3. Pedro Luna
    16 de dezembro de 2016

    Um conto que me soou incompleto. Ele começa instigante, contado sobre a amizade dos jovens. Já se sabe que Heath vai fazer alguma coisa, provavelmente tensa. E ele faz. O lance de plantar seres humanos foi bem bizarro. Ele procurava a sua Brigitte. Só que a partir daí vem alguns clichês que precisaria ser explorados de forma mais contundente para funcionar. Como o do cientista que abandona a humanidade para criar sua obra perfeita. Isso não tem o efeito desejado aqui porque o conto é curto, então é apenas dito, e o leitor não sente. Se houve drama, não consegui captar. O fim também pareceu muito abrupto. Heath sumiu. E aí?

    O parágrafo final me soou como uma pegadinha, o lance da voz dele com o rosto de Mary, mas se for, não me toquei do que poderia ser. rs

  4. Jowilton Amaral da Costa
    16 de dezembro de 2016

    Um conto médio, bem surreal, na minha opinião. Achei a premissa muito boa, porém, pouco desenvolvida, ao meu ver. Gente nascendo em árvores, doideira! A narrativa é simples, boa, mas, não empolga muito, talvez, se tivesse se aprofundado na história, poderia ter me impressionado mais, acho que ficou um tanto superficial. Boa sorte no desafio.

  5. Thiago de Melo
    16 de dezembro de 2016

    2. O Silêncio das Deusas Desnudas (Payton Weaver): Nota 8,5

    Amigo Payton,
    Que bela história você escreveu! Meus parabéns!
    Gostei bastante, a começar pelo título, muito sonoro.
    Também gostei muito de como você construiu a história do cientista solitário apaixonado por mulheres que não existem mais… Acho que isso deve acontecer com todos os românticos.
    Outro ponto que eu achei muito bem construído foi a ideia de que as criações do cientista não falavam, ou apenas que “falta-lhe algo”. Sempre falta… Infelizmente, Platão estava certo. Só amamos verdadeiramente o que não temos, o que idealizamos… quando eventualmente conseguimos, raríssimas vezes a realidade faz jus à idealização.
    Meus parabéns.
    Contudo, infelizmente, não posso te dar um 10. Apesar de ter gostado da sua história, eu também achei que ficou faltando alguma coisa no seu final. Achei que o cientista simplesmente sumir deixou uma lacuna muito grande na história. Claro, é o tipo de lacuna que deixa espaço para várias interpretações, mas achei que faltou pelo menos um relance de que algo diferente aconteceu para que ele sumisse. Pq ele sumiu naquela hora? Se não havia nada de muito diferente acontecendo? Acho que, se ele tivesse produzido uma deusa desnuda melhor do que todas as outras, ou se elas tivessem dado a entender que estavam “virando o jogo” teríamos algo de diferente acontecendo que levaria a uma reação diferente dele: sumir.
    Bem, de todo modo, gostei bastante. Você está de parabéns!

  6. Renato Silva
    16 de dezembro de 2016

    Olá.

    Eu gostei do enredo, os elementos biopunks parecem presentes (apesar da falta de qualquer descrição do mundo em que a estória se passa). Lembrei dos “saibamen” que apareceram em Dragon Ball Z, quando Nappa e Vegeta chegaram na Terra; “hominhos cultiváveis”.
    Apesar do bom enredo, achei o desenvolvimento simples. Senti falta de uma narrativa mais elaborada e maiores detalhes sobre cenário onde transcorre o conto.

    Boa sorte.

  7. Wender Lemes
    15 de dezembro de 2016

    Olá! Dividi meus comentários em três tópicos principais: estrutura (ortografia, enredo), criatividade (tanto técnica, quanto temática) e carisma (identificação com o texto):

    Estrutura: um conto embasado no Biopunk, com alguns traços muito interessantes e uma revisão minuciosa da ortografia. Parece-me ter suprido perfeitamente o tema. A narrativa começa mais substancial, poética, e perde um pouco desse peso no decorrer da trama. Por outro lado, repondo o vácuo, as visões propostas vão alimentando certa agonia no leitor, uma consciência inexplicável/indizível de que algo muito estranho está para acontecer – e acontece.

    Criatividade: gostaria realmente de saber de onde veio essa ideia doida de plantar gente. Achei-a muito boa, além de causar esse efeito acre tão próprio. Também achei genial a analogia do oceano e do ribeirão (mais o modo como foi descrita que a associação em si).

    Carisma: não sei se pode ser chamado de carisma, mas esse conto tem uma amargura marcante que fica reverberando por um bom tempo – só por conseguir prolongar esse sentimento, já merece destaque.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Luis Guilherme
    15 de dezembro de 2016

    Boa tarde, querido(a) amigo(a) escritor(a)!
    Primeiramente, parabéns pela participação no desafio e pelo esforço.
    Olha, desculpar ser tão duro, mas fiquei decepcionado com o fim do conto.
    Tava excelente! Quando apareceu a semente de gente eu quase dei um pulo de alegria! Hahahah
    Mas achei que encerrou muito abrupto e sem emoção. Sei la, faltou algo. A história tava tão interessante e original, que eu esperava algo mais, talvez.
    Isso não muda de todo o fato de ser muito interessante e criativo. Mas acabou sendo desvalorizado pelo final.
    De qualquer forma, parabéns!

  9. cilasmedi
    13 de dezembro de 2016

    Não se pode ler quando se está cansado ou preocupado. Portanto, com desculpas, essa segunda análise é que prevalece. Grato.
    Preposição após verbo transitivo indireto: obedece todas as (obedece a todas as)
    Palavra: homunculus (homúnculos).
    Com essa frase: “Era algo assustador demais para encantar, mas encantador demais para assustar” faz prevalecer o sentimento com esse conto, surreal, e, para mim, inédito em termos de criatividade. Simples, direto, objetivo, até sensual, ao formar, dentro de uma mente diferente e até doentia, uma forma da genética substituir a natureza no sentido nascer. Parabéns! Nota: 9,0.

  10. Daniel Reis
    13 de dezembro de 2016

    Prezado autor Payton Weaver, seguem meus critérios de análise:
    PREMISSA: a ciência recriando a vida, a partir dos gostos pessoais de um cientista pelas musas do cinema. Pouco punk, bastante ficção científica.
    DESENVOLVIMENTO: o texto é fluente, e o narrador/amigo está contando um caso do qual não sabe o desfecho. Isso é um pouco frustrante, pois não temos certeza do por quê e o como Heath desapareceu.
    RESULTADO: a história marca principalmente pelo método de fazer novas pessoas, mais do que pela motivação vaga das personagens. Acho que o autor poderia trabalhar um pouco mais o protagonista, colocando mais claramente sua motivação.

  11. Ricardo de Lohem
    13 de dezembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! “Heath e as Mulheres Plantas”: assim poderia se chamar o conto. Parece uma daquelas deliciosas Sci-Fi B dos anos 50 e 60. O conto tem 0% de elementos X-Punk, isso é certo. Toda história X-Punk é Sci-Fi, mas, não é toda Sci-Fi que é X-Punk. Bem, só me resta julgar a história como uma ficção científica pura. Heat fez faculdade Biogenética? Não existe tal faculdade, provavelmente ele fez biologia e depois se especializou em genética. A história é claramente inspirada em Frankenstein, mas carece de qualidades presentes não apenas na citada, como na maioria das histórias: um conlito central, que leva a um clímax com resoluções e/ou revelações. Nada acontece, o conto praticamente não tem objetivo, a não ser desfilar frases banais, como: “Criar o ser humano perfeito arrancou-lhe o resto de sua própria humanidade”. Enfim, a história poderia ter sido muito boa, tinha potencial, mas acabou não havendo história, é uma pena. Bom, de qualquer maneira, desejo Boa Sorte.

  12. rsollberg
    12 de dezembro de 2016

    O Silêncio das Deusas Desnudas (Payton Weaver)

    Caro (a), Peyton Weaver.

    Acho que o autor acertou ao narrar a história através de um personagem secundário. Nesse sentido, a perspectiva de Peyton evitou que tudo fosse explicado de forma didática, deixando muito pouco para o leitor imaginar ou desvendar. O conto é criativo e flerta com as famigeradas estórias de “médico e monstros”, sem necessariamente tratar-se de uma releitura engessada.

    O título foi muito bem aproveitado e casou perfeitamente com a narrativa. Bem como a escolha das atrizes e suas características.
    Na minha opinião, esse devaneio de Peyton foi o ponto alto do texto, criando uma imagem fantástica na cabeça do leitor: “Mais de uma vez me peguei tendo pesadelos com mundos inteiros habitados por esses homunculus estranhos.
    Sociedades formadas por astros do cinema mudo. Mundos repletos de Gishs, de Gaynors e de Brooks. Todas vivendo em seu eterno silêncio, com seus rostos sempre transfigurados em expressões exageradas. E suas plantações de gente. Gente nascendo em hortas, gente brotando de árvores, gente sendo arrancada do fundo da terra para viver. Essa incrível aberração contrária ao que deveria acontecer.”.

    Parabéns e boa sorte!

  13. Amanda Gomez
    8 de dezembro de 2016

    Oi!

    Que conto…exótico, pra dizer o mínimo. “Pé de gente”, pessoas nascendo em um vaso, realmente é muita coisa pra absorver. O autor vende a história, mas o leitor olha para o produto desconfiado.

    Se a intenção era instigar o leitor, conseguiu comigo. Fiquei interessada na história e queria ver até onde ela iria me levar. A narrativa flui com facilidade, o conto é relativamente curto, e as descrições ajudam na composição do enredo.

    Ainda assim, a experiência foi no mínimo estranha. A descrição da primeira criatura ficou sinistra, não sabia se era criança ou mulher, e mais… não consegui visualizar a cena em si. A criatura em um vaso… os pés ficam na areia? Fica pronto em meses? Acho que a parte científica aqui ficou bem inverossímil, por mais que seja Sci-fi, e nesse tema, se pode criar qualquer coisa. E você criou!

    Estou desistindo de comentar adequação ao tema, o conto em questão não apresenta as características que eu, pelo menos, estava procurando.

    A conclusão do conto ficou no ar, o impacto da criação do cientista não foi abordado abertamente, e sim abafado, simplesmente sumiu…Como o outro personagem destacou: quem sabe esteja fazendo uma fazenda de humanos rs.

    Gostei do título, tem tudo a ver.

    Boa sorte no desafio!

  14. vitormcleite
    8 de dezembro de 2016

    Gostei muito desta história até ao desaparecimento da Mary. Muito interessante de ler, penso que faltou algo que fizesse o leitor estremecer, estava à espera disso, mas depois com o segundo projeto o texto perdeu força, mas é só a minha opinião.

  15. mariasantino1
    8 de dezembro de 2016

    Oi, autor!

    Muito bom o seu texto. Tem um ar de mistério do início ao fim, uma narrativa bonita e se mantém na mesma vibe até a última linha. As resoluções não são sentenças, são apenas pareceres do narrador, e da forma que você conduziu, ficou um narrador observador onde as falas e conclusões são sugestivas. Esse ponto instiga o leitor e cria expectativas. Achei muito bom como você bebeu da fonte de Frankenstein, mas inseriu a mudez do cinema mudo bem como as feições dos seres (que são também dos atores e atrizes). De certa forma o seu conto ressalta a vida e a banalização dela, porque o criador acaba buscando algo a mais e, com isso, se desfaz da primeira criatura sem levar em conta que era um ser, um igual (por assim dizer) e esse fato me fez refletir e me lembrar da ciência como vilã da vida, bem como os experimentos passados que resultaram na máxima de que todo ser surge a partir de um outro ser.
    Enfim, autor, o seu texto causa reflexão, está fluido, pausado, cria e mantém o universo. Não vou falar acerca do tema, uma vez que tentei classificá-lo, mas não consegui (talvez se os seres mudos tivessem se revoltado, hã?), mas apreciei muito a leitura e o cerne.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 8,5

  16. Davenir Viganon
    6 de dezembro de 2016

    Olá Payton.
    Ficção Científica clássica abordando o sonho do homem de superar a natureza/Deus criando vida. A ideia dos artrópodes de origem vegetal foi bem abordada mas parece que o conto parou de repente. O final aberto demais. Ficaram coisas demais a cargo da minha imaginação. É um conto bom e pode ficar melhor com uma ou duas partes adicionais. Seria legal ver como essa estória continua.

    “Você teria um minuto para falar de Philip K. Dick?”
    [Eu estou indicando contos do mestre Philip K. Dick em todos os comentários.]
    Acho que iria gostar de “A Formiga Elétrica” do Philip K. Dick., uns dos pais do Cyberpunk.
    Um abraço!

  17. Anorkinda Neide
    3 de dezembro de 2016

    Olá! Que historia inusitada! hehe
    Acredito ser um conto freak, digamos assim, mas nao steampunk.
    Uma ideia realmente estranha! Fico assim, com o pensamento suspenso pela loucura das pessoas brotando da terra!
    O texto é fácil de ler, a historia é boa, deixa uma forte impressao, nao será esquecida facilmente! Mas está fora do tema.
    Parabens pela criatividade e fluencia. Abração

  18. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    1 de dezembro de 2016

    Olá, Payton,

    Tudo bem?

    O desafio iniciou com contos de alto nível. Adorei ler sua história. No início, fiquei imaginando onde queria chegar, com toda aquela introdução sobre o Doutor e sua amizade, mas logo o enredo com as sementes humanas me envolveu instigando a leitura.

    No final, me senti um pouco órfã dos personagens, esperando mais do que seu simples desaparecimento. Talvez tenha ficado aberto demais para mim, principalmente, pelo óbvio motivo de a história ter me cativado tanto.

    Parabéns por seu trabalho e muito boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  19. Eduardo Selga
    28 de novembro de 2016

    A um só tempo o conto é e não é original. Vejamos se consigo me fazer entender.

    A originalidade dele está na ideia de criar seres humanos a partir do solo, como fossem plantas, com todo o processo de germinação. Ainda que já tenha sido utilizada antes por algum outro autor, e até mesmo por mais de uma vez, permanece original, pois não caiu, ainda, no moinho das ideias exauridas. Assim sendo, orações como “fetos precisam de um útero para nascer. Essa semente crescerá em um vaso, com terra e água” e “assim ela pode cultivar, para si própria, uma lavoura inteira de irmãs e irmãos” têm a capacidade de criar em certo tipo de leitor uma suspensão, pelo inusitado da palavra.

    Não é original, no entanto, se observarmos que a criação do ser humano pelo homem é argumento bem batido, presente no famoso livro “Frankenstein”, citado no conto. Não apenas esse aspecto é comum aos dois: também temos o gosto pela química por parte dos protagonistas e a feiura do ser criado. A diferença é que no livro da Mary Shelley a fealdade está na aparência do “produto” final, ao passo que no conto, é apenas numa etapa da “infância”, redundando em mulheres belas, todas atrizes de cinema.

    Pesando um e outro elemento, a originalidade está somente em um detalhe (poético detalhe, por sinal), mas perde um pouco sua força por causa do que eu disse no parágrafo anterior.

    Ainda assim, acho que merece atenção um detalhe quanto à criação, conforme está no conto. São as múltiplas Evas. Ao criar a vida, o personagem se aproxima de Deus. No entanto, a divindade é entendida no Ocidente como criadora de um casal de humanos, com predileção pelo masculino, pois Adão foi criado em primeiro lugar e Eva é seu apêndice, criada de uma parte do corpo dele, ao passo que no conto apenas mulheres são criadas. Um mundo de Evas desnudas, feminino e glamorizado, se considerarmos que todas as criações são atrizes do cinema mundial. É, nesse sentido, o inverso de “Frankenstein”, em que há o masculino feio e discriminado.

    Um bom conto precisa ter, em minha opinião, camada(s) simbólica(s), ou seja, precisa ir além do que aparenta. Caso contrário, até pode ser literatura, mas não o será com “l” maiúsculo.

    O conto em questão possui o trato simbólico, como já mencionei, mas há alguma coisa mal amarrada nele, e acredito que seja o vínculo entre o protagonista e as suas criações. Não me refiro à relação evidente de pai e filhas, de criador e criaturas, e sim ao que, nessa relação, tem de mais profundo. O parágrafo final nos induz a crer que essa profundidade talvez exista, mas é algo um tanto obscuro. Vejamos: “O que mais sinto falta de Heath é o som de sua voz. Curioso que não consigo me lembrar dela. Toda vez que penso nisso é o rosto de Mary que me vem à mente”. Por que a voz de Heath (em inglês, algo próximo a pântano) desaparece da lembrança do narrador e o que surge é a imagem de Mary? Talvez porque a criatura tenha superado o criador, o velho clichê, mas se o for, a superação se dá a partir do ponto de vista do narrador. É ele quem talvez esteja dizendo que Mary superou Hearth, e aí entra o simbólico, com alguma tibieza.

    A chave para aclarar esse aspecto pode estar no fato de as criações desaparecerem sem maiores explicações. É o protagonista quem, evidentemente, some com elas, e no final também ele desaparece, mas isso se dá na memória do narrador, simbolicamente. Uma espécie de vingança deste, que se mostra atraído pela inocência infantil de Mary, mesmo que não seja uma paixão arrebatadora , como é possível inferir pela narrativa e em “[…] Mary fez algo que nunca havia feito antes. Veio até mim e beijou-me a bochecha. Em seguida sorriu e me disse adeus com o olhar”.

    Falando de símbolos, a Mary do conto, referência a uma atriz real, é possivelmente uma homenagem à autora de “Frankenstein”, de mesmo prenome. A inocência e pureza d’alma que temos na personagem, por sua vez, pode ser referência à mesma característica do personagem de Mary Shelley.

    Há pouco trabalho com a linguagem, e o coloquialismo impera. Isto não é nenhum defeito em si mesmo, mas acredito ser necessário elaborar a palavra de modo a construir significados. Não é inventar a roda, e sim extrair da palavra sentidos inusuais possíveis. Uma das raras vezes em que isso ocorre é no trecho “Heath era um oceano de possibilidades, eu um ribeirão preso eternamente às minhas margens”, uma boa metáfora.

    Vamos ao que encontrei de pecados diretamente relacionados ao uso da palavra.

    No excerto “por mais estúpido que possa parecer, creio que Heath tenha se apaixonado por Brigitte Helm, a garota do filme” o termo GAROTA, certamente extraído das dublagens dos filmes norte-americanos, pode causar alguma confusão. A atriz em questão não interpreta uma CRIANÇA no filme “Metrópolis”, e sim uma líder operária, se não me engano. Portanto, não é GAROTA. O termo foi usado no conto para remeter a uma função que certas personagens femininas cumprem no cinema norte-americano, mas quem não conhece o filme pode supor tratar-se mesmo de uma criança.

    Em “mas a mim isso era de se esperar, de Heath não”, o correto é DE MIM.

    Em “entramos na faculdade no mesmo ano, eu em engenharia, ele em biogenética”, ENGENHARIA e BIOGENÉTICA devem ser escritas com inicial MAIÚSCULA.

    Em “na verdade não” faltou VÍRGULA após VERDADE.

    Há um erro sutil em “o rosto estava desfigurado como o de uma pintura de Picasso […]”. É que DESFIGURADO é uma palavra inadequada ao contexto no qual está inserida, pois ela designa aquele que, uma vez possuindo suas feições normais, as teve alteradas por alguma força. Não é o caso, aqui. O rosto da personagem já brotou horrendo, e depois foi se amoldando ao considerado normal. Não é, portanto, uma desfiguração.

    Em “a inocência de sua obra denunciou que ele trouxera com ela algo de suas velhas obsessões”, a proximidade de ELE e ELA causa uma repetição desagradável.

    Coesão textual: sofreu prejuízos, pelo que já disse.

    Coerência narrativa: o simbólico um tanto vago de que falei é um ponto negativo.

    Personagens: as duas personagens femininas possuem características bem marcantes, e acredito que se a narrativa tivesse se ocupado mais delas e menos do bioquímico e do engenheiro o conto teria rendido mais.

    Enredo: bom, com alguma originalidade. Um “Frankenstein” revisitado.

    Linguagem: Boa, com o laconismo do bioquímico e a palavra mais detalhada do engenheiro. As personagens não travam diálogos, o que é coerente com o plano secundário e ilustrativo a que o(a) autor(a) as colocou, mas, insistindo num protagonismo que no conto não há, se ao menos uma das “Evas” falasse a estória poderia ter ganho em qualidade.

  20. Waldo Gomes
    28 de novembro de 2016

    A idéia é boa, o desenvolvimento não me contagiou, meio confuso.

    Acho que faltou um objetivo a ser conquistado/perseguido.

  21. Leandro B.
    27 de novembro de 2016

    la, weaver.
    Achei a narrativa bem construída e a história interessante.

    Há um tempo atrás algum camarada comentou que por aqui sempre surgem contos de pessoas se transformando em árvores. Bem, agora temos o oposto rs.

    Achei a atmosfera da história bastante instigante. A narrativa em primeira pessoa girando sobre um “amigo” misterioso me lembrou um pouco algumas histórias do Lovecraft.

    Creio que algumas coisas passaram por mim. Por exemplo, não captei a essencialidade do silêncio das criações, reforçada no título.

    Apesar de ter gostado bastante da história, de todos os contos que li até agora foi o que mais me pareceu deslocado do tema. Tanto no conteúdo quanto na estética. Pareceu-me, talvez, a origem de um universo “punk”, não o universo em si.

    Claro, entendo muito pouco sobre o gênero.

    Enfim, parabens pelo trabalho. Apreciei bastante.

  22. Zé Ronaldo
    26 de novembro de 2016

    Cara, primeiro de tudo: como o teu conto me lembrou Lovecraft. Os experimentos, como ele comentava cada parte das experiências e os sumiços inesperados. Não que esteja dizendo que foi plágio, não é isso, conseguiste te igualar a um baluarte dos contos de ficção.
    A estrutura do texto ficou ótima de se ler e o deixou mais fluido também, é um texto que lemos e chegamos ao final sem perceber.
    A ideia, para mim, nova, de uma forma de concepção humana via sementes também é um atrativo a mais nesse texto.

  23. Priscila Pereira
    26 de novembro de 2016

    OI Payton, achei muito criativo o seu conto. Você tem uma imaginação e tanto…
    Procurei a imagem das duas “deusas” e consegui ter uma imagem muito boa das criações de Heath. Achei o texto com um leve tom de suspense muito interessante. Muito bom. Parabéns!!

  24. Pedro Teixeira
    26 de novembro de 2016

    Um conto intrigante, que na dúvida vou considerar biopunk. Tem um quê de Dr Moreau e de Victor Frankenstein em Heath, personagem rico e cheio de nuances. As descrições são ótimas, bastante visuais, e os personagens bem construídos. Senti falta de uma maior exploração do ambiente de tecnologia avançada – e nesse ponto talvez o autor tenha ousado demais ao jogar o enredo tão para a frente. Na conclusão também senti falta de algo, e acredito que com um espaço maior o conto renderia bem mais. Um bom conto.

  25. Bruna Francielle
    25 de novembro de 2016

    Tema: De acordo com o que pesquisei e os contos que li de exemplo sobre o gênero punk, devem haver certos elementos no texto para que o caracterizem como sendo punk. Aqui, você abordou a tecnologia, porém, não há nenhuma revolta com o sistema, o personagem não é caçado pelas autoridades, não há nenhum embate. Por isso, de acordo com meu entendimento, classifico este conto como Ficção Científica, mas não Punk!

    Pontos Fortes: A história é fluída e até mesmo criativa. Nunca havia visto isso de humanos nascerem como beterrabas! Achei bastante interessante de se imaginar. Cenas bem descritas, o narrador não cansa, é objetivo. Mescla alguns pensamentos próprios acerca de Heath, com narrações das ações do homem. É o Heath visto pelos olhos de outra pessoa, tornando-o um personagem talvez até mesmo um pouco misterioso. Ele gostar de atrizes de cinema antigas foi um detalhe bacana, também. O título também agradou-me

    Pontos Fracos: Eu gostei bastante da história e de como foi contada, porém, não é punk. Talvez tenha faltado alguma explicação científica sobre os experimentos (obviamente, mesmo que seja algo inventado). No meu conto tbm não botei, até pq nao caberia, sou suspeita pra falar, mas acho que talvez fosse um bom componente a se colocar na história.

  26. Zé Ronaldo
    24 de novembro de 2016

    Perfeito! Perfeito! Lembrou-me pacas Lovecraft….muito bom mesmo!

  27. Marco Aurélio Saraiva
    23 de novembro de 2016

    Gostei. Um relato sóbrio e direto, ambientado no futuro mas não fazendo da época um tema. O autor focou mais na relação dos personagens e na obsessão de Heath, além de trabalhar bem a atmosfera sombria do enredo. Visto de certo ângulo, esse conto bem me parece uma história de horror.

    Tive dificuldades de identificar o “Punk” dessa história, mas eu não sou nenhum especialista e existem muitos “punks” por aí. O que eu entendo, porém, é que toda ambientação “punk” tem como como pano de fundo uma distopia ou utopia. O máximo que eu identifiquei sobre o assunto foram os pesadelos de Payton sobre uma distopia assustadora onde todos no mundo eram os homúnculos de Heath. Acho que dá pra encaixar o conto no tema.

    A escrita é interessante, mas os trocadilhos não funcionaram muito bem. Tirando estes, o escritor é seguro e objetivo na escrita, descrevendo sempre somente o necessário, e construindo bem uma atmosfera cada vez mais intensa.

    Algumas anotações e sugestões que identifiquei durante a leitura:

    => “Talvez em outros lugares, não aqui.” – Essa vírgula me parece errada. Ficaria melhor se um “mas” fosse adicionado antes do “não”, ou se a vírgula virasse um ponto final.

    => Coisa boba, mas uma a repetição fonética atrapalha um pouco a leitura nas frases: “…silêncio até o seu laboratório…” e logo em seguida “…chegamos ao seu laboratório…”. O probleminha se repete nas frases “…ensinar-lhe tudo…” seguida de “…beleza naquilo tudo…”

    Algo que gostei bastante foi a ideia de Heath sempre recriar uma atriz do cinema mudo. Ajudou a criar uma imagem mental dos homúnculos, assim como criou uma imersão interessante na história.

    Parabéns e boa sorte!

  28. Catarina
    23 de novembro de 2016

    A narrativa, através da inteligência lógica, hipnotiza. Esse torpor foi tão bem trabalhado que encarei com muita naturalidade um pé de gente. Decorado com um título belíssimo e cheio de referências ao cinema mudo, soube colocar poesia no absurdo. Se não fosse esse final brochante, cheio de explicações politicamente corretas nada punk, seria um conto perfeito para mim.

  29. angst447
    20 de novembro de 2016

    Olá, autor.
    Não vou discutir sobre a adequação ao tema proposto, pois não me sinto segura quanto ao meu conhecimento sobre X-punk.
    O título traz um tom poético e ao mesmo tempo dissimula. Não entrega nada sobre o conto.
    Os nomes são estrangeiros Payton (pay / ton – pague o tom) e Heath (charneca), o que não me desagrada.
    A temática proposta foi calcada nas experiências realizadas por Heath- as tais sementes de humanos. Só estranhei o narrador chamar os frutos de monstros. Eram aberrações de certa forma, mas acho que não chegavam a ser monstruosos. Ficou com aquele gosto de – criei um monstro.
    Não encontrei falhas de revisão.
    As criaturas geradas pelas sementes receberam nomes de atrizes famosas, também estrangeiras – uma canadense e outra sueca.
    A história até me interessou, queria saber mais sobre o misterioso Heath e suas criações, mas o enredo esgotou-se de repente. Toda a trama passa-se em quase silêncio – cinema mudo – o ritmo é lento, sem grande impacto, conduzindo o leitor ao fim, sem solavancos ou qualquer surpresa.
    Boa sorte!

  30. Fheluany Nogueira
    17 de novembro de 2016

    É uma história bem enquadrada no TEMA proposto: estranha, absurda, curiosa e interessante. Os PERSONAGENS foram bem construídos; Heath é o típico cientista “nerd”, que consegue um feito fabuloso e se volta totalmente para ele; o foco de primeira pessoa, um amigo observador, deu maior veracidade aos fatos narrados, aos elementos futuristas e permitiu que a TRAMA fosse arrematada com o afastamento do narrador. A LINGUAGEM está correta e agradável, oferece leitura fluida, com um tom de melancolia. O TÍTULO é sugestivo, assim como as referências e o saudosismo do cinema-mudo. Parabéns pela criatividade, semente de atrizes foi demais! Abraços.

  31. Sick Mind
    16 de novembro de 2016

    Isso foi um Biopunk? Faltou o elemento “punk” a narrativa.

  32. Tatiane Mara
    15 de novembro de 2016

    Interessante e triste estória. Bem contada, embora não tenha me conquistado, possui um sentido de “futuro”. Os personagens não são exatamente deslocados ou não adaptados como pede o tema, mas tá valendo como ficção científica.

    É isso.

  33. Rubem Cabral
    15 de novembro de 2016

    Olá, Payton.

    Achei a premissa do conto muito interessante, mas, seja como FC, seja como x-punk, creio que tenha faltado um mergulho maior.

    Vejamos, 3000 anos é muito, muito tempo quando falamos de civilização. A não ser que houvesse algum cataclismo ou evento que o explicasse, o mundo de Payton e Heath parece próximo demais do nosso.

    Geralmente alguma explicação científica ou mesmo pseudo-científica (quando benfeita), ajuda a quebrar a suspensão de descrença, o que, creio, tenha faltado aqui.

    A escrita foi simples, porém correta, sem floreios. O conto resultou bom, mas tinha potencial para mais. Gostei, em especial, das criaturas-atrizes.

    Nota: 6.

  34. cilasmedi
    15 de novembro de 2016

    Intrigante. Boa redação, sem delongas e justificativas para os atos do personagem principal (ou um deles). Sem um conteúdo mais sólido sobre a biologia e o preparo das sementes. Ficou um pouco inválida as seguintes descrições dos encontros por não constituir uma novidade, somente alusões a dificuldade em entender o processo de obsessão. Um final que não chama a atenção sequer sobre o que aconteceu com o sumiço e muito menos com o improvável sentimento de saudades da semente. Nota: 6,0.

  35. Fil Felix
    14 de novembro de 2016

    GERAL

    Um conto que mexe com a questão Criador Vs Criatura. Gostei de ter citado o filme Metrópolis (adoro a versão do Giorgio Moroder) e sua relação com a trama, que pode ir além das mulheres-planta inspiradas nas musas do cinema mudo. A robô do filme é chamada de Maria, em seu conto a primeira experiência é chamada de Mary. A escrita é boa, tranquila de ler, mas senti uma falta de rebuscamento, sem grandes construções.

    O X DA QUESTÃO

    Não conheço todas as inúmeras vertentes do “X-Punk”, mas esperando pelo “punk” da questão, admito que senti uma falta. Talvez o conto entre no subgênero biopunk, talvez? Não sei. Engraçado que apesar das peripécias genéticas e de ocorrer num futuro tecnológico, o conto pouco passa até mesmo um ar de ficção científica. Gostei das analogias, da imagem criada e da lembrança de que “viemos da terra, do barro”. As meninas-plantas me lembraram da Orquídea Negra, em especial a graphic novel do Neil Gaiman. Nela, um cientista cria híbridos entre mulher e vegetal.

  36. Brian Oliveira Lancaster
    14 de novembro de 2016

    TREM (Temática, Reação, Estrutura, Maneirismos)
    T: Apesar de ainda ser um mistério para mim, consegui vislumbrar um pouco de Biopunk no contexto que, analisado friamente, é bastante bizarro. O que não é ruim, pois se encaixa ao tema. – 8,5
    R: Um texto bastante denso, com ares de época, mas um tanto indefinido. As sensações são interessantes. Começa com uma história simples e passa ao insólito de forma bastante suave. Apenas senti falta de um impacto maior na sociedade e também no final escolhido. – 8,0
    E: O início traz uma história bem cotidiana, mas do meio para o final muda completamente. Gostei de como o autor fez essa transposição quase sem querer. Não houve cortes bruscos e isso ajudou muito na construção do cenário. Pena que faltou alguns detalhes para ser possível captar em que tempo se passa. – 8,0
    M: Me senti perdido em algumas passagens, pois elas aceleraram demais. O ritmo começa cadenciado, mas perto do fim se torna muito rápido e as trocas de ponto de vista confundiram um pouco. Mas ainda continua um bom texto. Diferente. – 8,0
    [8,1]

  37. Gustavo Castro Araujo
    12 de novembro de 2016

    O melhor do conto é a relação entre o narrador, Payton, e Heath. Há uma espécie de atração entre os dois, quase uma paixão latente que vai muito além da admiração. Payton não é apenas arrebatado pela inteligência privilegiada do amigo, mas é, a meu ver, apaixonado por ele. Talvez o conto ganhasse mais se esse amor platônico, ou melhor, não declarado, tenso e doloroso, fosse mais explorado.

    De qualquer forma, o texto é bom. As experiências levadas a efeito por Heath – o “pé de seres humanos” é bizarra o suficiente para prender a atenção. Lembrei-me de um quadro muito antigo dos Trapalhões na Globo, quando o Didi se gabava de ter plantado um “pé de mulher” – uma piada inconcebível nos dias politicamente corretos de hoje. Todavia, ao contrário do caráter cômico lá existente, o que se vê aqui é algo mais próximo do suspense, mas à la “Mosca da Cabeça Branca”, clássico do horror estrelado por Vincent Price no fim dos anos 1950. Reforça essa impressão o uso de nomes dos atores da era de ouro de Hollywood – Mary Pickford e Greta Garbo.

    Enfim, tudo é muito bem construído e eu fiquei com uma boa impressão da história, Acho, contudo, que o sumiço de Heath poderia ter sido melhor explorado no final. Não sabemos o que aconteceu com ele e com suas criaturas. Eles simplesmente desaparecem. Talvez tenha me escapado algo, mas achei o final aberto demais.

  38. olisomar pires
    11 de novembro de 2016

    Idéia muito boa para um conto. Embriões humanos. Bem escrito, uma leitura fácil e divertida, não entendi muito bem o sumiço da primeira cobaia.

    Mas assim como o conto Distante Encontro a coisa “punk” ficou meio subjetiva demais, muito limpa e suave.

  39. Evelyn Postali
    11 de novembro de 2016

    Oi, Payton Weaver,
    Confesso: perturbador. Essa foi a palavra que pronunciei ao finalizar seu conto. Perturbador pela possibilidade de algum dia havermos mesmo criado seres em laboratório com a configuração de astros ou personagens da história. Um mar de rostos iguais. Apesar de tenebroso, é possível vislumbrar alguma utilidade para isso, esse desenvolvimento da ciência na questão da criação de seres humanos – talvez para solucionar doenças e questões de deformidade física. Não seria nada mal se a ciência evoluísse nesse sentido. Não sei, contudo, se poderíamos chamá-los de humanos. O que eles seriam? Clones? Não sei se isso seria possível, enfim… O conto foi crescendo e isso foi o que me fez continuar até o enlace final. Como disse: perturbador. Para não dizer assustador. A questão do silêncio me pegou por completo. Seres criados em laboratório – sementes crescendo na terra – mas completamente mudas. Essa questão, talvez seja a mais intrigante. Provocou em mim uma aflição exagerada e desconfortável, essa questão de seres em total e eterno silêncio. O parágrafo mais significativo para mim foi esse: Mais de uma vez me peguei tendo pesadelos com mundos inteiros habitados por esses homunculus estranhos. Sociedades formadas por astros do cinema mudo. Mundos repletos de Gishs, de Gaynors e de Brooks. Todas vivendo em seu eterno silêncio, com seus rostos sempre transfigurados em expressões exageradas. E suas plantações de gente. Gente nascendo em hortas, gente brotando de árvores, gente sendo arrancada do fundo da terra para viver. Essa incrível aberração contrária ao que deveria acontecer.
    Parabéns ao autor.

  40. Fabio Baptista
    11 de novembro de 2016

    Conseguiu transmitir bem a estranheza dessa ideia de sementes humanas sem enrolar e mantendo a atenção do leitor durante todo o tempo. A concisão foi o maior trunfo aqui, acredito que um texto pouco mais longo acabaria se tornando cansativo.

    A escrita está boa, passando tudo com clareza. Os personagens acabaram sem demonstrar muitas particularidades, só foi falado como cada um era no começo, mas acabou caindo naquela de “contou e não mostrou”.

    Entendo esse recurso meio anticlímax utilizado no final, mas fiquei com aquele gosto de “faltou algo”. Talvez a lembrança do beijo no rosto pudesse dar um efeito melhor.

    – como laços invisíveis os conectassem
    >>> faltou um “se”

    – trabalhando com você. – disse eu,
    >>> ou tira o ponto final, ou o “disse” precisa começar com maiúscula.
    >>> (eu uso tirando o ponto final)

    – Mary Pickford. – ele respondeu.
    >>> Não captei a referência do nome. Um “Brigitte” ficaria melhor no contexto, não? Ou será que perdi algum detalhe? rsrs

    – Greta Garbo
    >>> ok, agora o primeiro nome começa a fazer mais sentido… a paixão se estendia a todas as atrizes antigas, não à Brigitte especificamente 😀

    Bom, só agora no final da leitura me dei conta de que os nomes têm tudo a ver com o título.

    Bom conto no geral.

    NOTA: 7,5

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Publicado às 10 de novembro de 2016 por em X-Punk e marcado .