EntreContos

Literatura que desafia.

Flutuando na Poeira (Fátima Heluany)

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Eu sei que estou morto. Uma existência fria e metálica. Cada passo, uma encruzilhada, num susto perdido tentando estabelecer o contato entre o que eu fora e o que eu era, querendo saber em angústia se para mim haveria capacidade de luta. Cheguei à plena consciência de mim. Sei que tenho de ir.

 

A minha primeira morte foi meu avô. Eu não compreendia que a morte fosse tão importante que me impedisse o contato com as flores.

— Não ponha a mão aí, menino! — e havia tantas flores!

Mas essa foi uma morte de dez anos, ainda sem cheiro, quase insípida, iam saindo as lágrimas muito desbotadas dos parentes e da minha boca saía o espanto, às vezes com o grito de uma tia ou o desmaio da outra.

O caixão preto na entrada do cemitério exigia que todos seguissem pelos lados. Comovidos iam passando a mirar o defunto como um tesouro. Ah! As flores … vovô todo rodeado de rosas amarelas,com o terço de pedras roxas entre os dedos cruzados.Vozes roucas entoavam cânticos, rezavam. Passavam fazendo o sinal da cruz, tocando o defunto. Eu, não poria a mão nele. Assustava-me o corpo ali teso. Nojo.

Os homens retomaram as alças e seguiram em procissão, primeiro por um corredor central de paralelepípedo, em seguida por outro mais estreito. Ninguém me preparara para aquela visão. Faltavam cores ali, até o verde do ciprestes era fantasmagórico, mal sombreavam aquelas caixas  desgastadas, empilhadas. O conjunto era arrematado por cruzes, por estátuas, por anjos. Fotos, datas, versos e flores… poucas, murchas ou secas; de plástico, de pano.  O lugar era… era… sobrenatural.

As tias e mamãe abraçaram-se quando o pesado ataúde desceu e a terra foi batendo em cima. Soluçavam humildemente. Eu ia me divertindo com a estupidez nos semblantes, com a surpresa dos gestos, com o ambiente que descobrira. Cresci naquele momento.

 

A segunda morte  não virou mágica em minha boca, as pessoas em torno de mim tinham amadurecido no morrer. Dessa vez, no entanto, veio precedida do cheiro. Um vento frio e pálido agitava as folhas e trazia o cheiro da morte em pequenas partículas cadáveres, apanhadas pelos esgotos mal lavados do mesmo cemitério. Era um cheiro quente e quase causava vômito; o efeito era desencanto imediato de tudo, um desalento enorme; e, os buracos di­ziam vem que somos os túmulos entreabertos, com promessas de escuridão e medo. O mesmo cheiro que sinto agora… A infância se fora com o seus longos dedos e olhos brilhantes que acendiam a curiosidade.

Depois da segunda morte não houve a tercei­ra, misturaram-se todas  e nesse turbi­lhão não sei ainda se estou vivo. Sinto que a morte está apertando seu cerco, vem em círculos amplos, de longe, sempre se aproximando. Vem do fundo do vazio como um corpo opaco patético em minha perseguição. Cansei. É um cansaço doido esparramado por todo o meu corpo, de muito tempo. Meu medo é que não consiga prosseguir.

 

Na outra quadra, o coveiro ia revolvendo a terra. Olhou-me, disse um “boa tarde” distraído e voltou ao trabalho suado, lento, debruçado, ensimesmado; entre larvas ia arrancando pedaços de unhas, cabelos e ossos torturados. Uma voz o tirou da tarefa escusa. Ele se afastou-se pelos ciprestes em labirintos.

Um velho quis conversar comigo, puxou conversa; não o olhei, respondi monossilábico. Ele se esquivou, sem jeito. Ficamos  o sol mortiço e eu.

 

Esta saudade doce de Mariana… Nenhum tremor no peito, o amor apenas acontecia, e não havia complicações. Se ela chegasse agora confessaria o meu amor. Haveria de encontrar as palavras e a algemaria para que não fugisse de mim. Nunca disse a ela que a amava e se me perguntava, não respondia; ficava irritado. Os carinhos dela, o cafuné, os beijos me acalentavam, me iludiam… Mas, comecei a descobrir situações. As flores começaram a escassear quase devagarinho, imperceptivelmente; a princípio nem notamos. Os olhos ficando tristes, o silêncio das coisas sem sustos, contrações e a desconfiança que se instala. As fotos sairam das paredes, esconderam-se debaixo da cama.

Selene chegou atrevida, transparente. Um perfume fugaz. Sua sensualidade me arrebatava, sentia-me salvo com ânsia, com força… com desespero… Quebrar esquinas, refazer de longas caminhadas, correr da chuva, na chuva, conversar quase sem traumas; noites prazerosas. Mergulhava-me em seu corpo. Eu, atitude descompromissada, o álcool exagerado. Vozes alteradas, rumos diferentes.

Não pude segurar  minhas mulheres. Fiquei no escuro, em tormento e tensão, sem nenhuma possibilidade. Sozinho, comendo no bar, sorvo das garrafas curtos prazeres. Percalços e voltas.

Queimei caixas de papel, planos, cartas, notas, documentos, recibos — as fotos que estavam sob a cama — um monte de coisas mortas, inutilidades, o passado que não fora enterrado. O fogo pegou a custo, depois foi só ir mexendo, tudo se consumiu e o coração sentiu mais leve, amaciado. Foi o começo. Lembrei-me de uma porção de coisas, todas passando atropeladamente pela cabeça. Imagens-relâmpago, fugas por terras mal sonhadas. Cada coisa somada distrai um pouco, mas no total é nada. Fez-se um vazio. Sou um homem sem amigos e isso não me dói, confundo em uma só mornidão a ternura e a afronta.

Faz tempo que ando em círculos. Não posso viver sem mentiras; não há mais espaço para elas. Encontrei a verdade e ela é pior do que isso tudo. Não quero ideia de preparo, tenho que ir espontâneamente, sem alarde. As garrafas de vodka me chamaram; carnaval, as fantasias, os pandeiros. Bar, madrugada. Chegara aquela hora da noite que mais nada poderia acontecer, exceto o imprevisível. Era um risco cortante, as pernas em desacordo no ponto-equilíbrio do álcool. Fui partindo, passando por cima das coisas, esparramando sangue e pó para todos os lados. O barulho do carro e tudo doendo por dentro. Apontares de dedos, gestos bruscos. É um bolo do estômago à garganta.  Duas moças mortas. Estão adiante nesta mesma alameda.  Eu as enviei… destroçadas… Em vão as lágrima tentaram escorrer pelos escombros da catástrofe. O ar me entrando pelos pulmões denso e duro. E o silêncio pesado a doer inquietante. O mundo desorganizado, a solidão maior.

 

O vento finíssimo arrepia as folhas secas, toca os cabelos. Este vento pálido cheira a morte, ressuscita o mistério. Perder-me agora entre túmulos… As coisas amontoadas em mim, o que ajuntei e o que ajuntaram. Muitas coisas foram tiradas, mesmo arrancadas com dor; outras foram se desprendendo devagarinho, de manso, foram ficando para trás para sempre perdidas.

Revolvo o ouvido com o cano do revólver, arestoso, perturbante. Até onde irá a bala? Como será a angústia agônica, os últimos instantes da semivida?  Até o pó. Dentro da cova imóvel para sempre cercado do nada. Inerte e amortecido como deixei as moças. Dentro do escuro, nós três, impossibilitados. Encurralo o desejo com cordas de ansiedade e chuto tudo com violência até que a dor percorra o corpo em crispação. Levo a arma para a boca. Engulo a bala e me rebento em estilhaços…

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44 comentários em “Flutuando na Poeira (Fátima Heluany)

  1. Pedro Luna
    15 de outubro de 2016

    Infelizmente um conto que me dividiu. De um lado a trama ficou meio confusa no final. A princípio, achei que ia ficar somente na lembrança das mortes, mas depois a voz narrativa entra numa espiral suicida e de degradação, e a partir desse parágrafo:

    “Depois da segunda morte não houve a tercei­ra, misturaram-se todas e nesse turbi­lhão não sei ainda se estou vivo. Sinto que a morte está apertando seu cerco, vem em círculos amplos, de longe, sempre se aproximando. Vem do fundo do vazio como um corpo opaco patético em minha perseguição. Cansei. É um cansaço doido esparramado por todo o meu corpo, de muito tempo. Meu medo é que não consiga prosseguir.”

    Eu senti a trama escapar por minhas mãos. Não consegui linkar o início, as memórias do personagem, ao seu fim pelas próprias mãos.

    No entanto, apesar de não ter compreendido a trama, é impossível achar mal escrito um texto que começa com essa construção:

    ” A minha primeira morte foi meu avô. Eu não compreendia que a morte fosse tão importante que me impedisse o contato com as flores.

    — Não ponha a mão aí, menino! — e havia tantas flores!”

    Muito bem escrito. Trama confusa e que não soa interessante.
    Abraços.

  2. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Muito bom, muito bom mesmo.

    Parabéns para o autor, tem muito talento com as palavras. É um texto cheio de emoção, com construções muito bonitas e uma apresentação psicológica fantástica, provavelmente a melhor do desafio (pelo menos na minha opinião). Mesmo a trama sendo simples, a voz do personagem aqui ganha o maior destaque e é possível sentir toda sua angústia. Não sei quem escreveu, mas saiba que vou procurar ler mais textos seus.

    Já entrou para a lista.

    Minha dica é apenas que mesmo que escolha abordar suas ideias por esse viés psicológico, dê um pouco mais de atenção para a história, o desenrolar dos fatos, aqui as ações e memórias ficaram fragmentadas demais.

    Ah, essa frase final é maravilhosa, vai ficar na minha cabeça por muito tempo.

    “Engulo a bala e me rebento em estilhaços…”

  3. Phillip Klem
    14 de outubro de 2016

    Boa noite, Sabor de Humano.
    Não sei bem se compreendi seu conto…
    São os relatos de um suicida que matou suas amadas?
    Na verdade, fiquei dividido… não sei se gostei ou se não gostei.
    Enquanto lia, me senti meio perdido, sem saber onde a história queria chegar… mas, quando cheguei ao final e percebi do que se tratava (acho que percebi, não sei bem), vi seu conto com outros olhos.
    Creio que seu conto não se enquadre no grupo dos “contos simples”. Para ser sincero, precisei ler duas vezes para compreender melhor, pois com uma leitura rápida muita coisa passa despercebida.
    Apesar de tudo, é um bom conto, com relatos profundos e, de certa forma, marcantes.
    Parabéns e boa sorte.

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    10. Flutuando na Poeira (Sabor de Humano)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: um desabafo, quase solilóquio, em alguns momentos pode se desviar da narrativa e passar a um aspecto puramente reflexivo. A imprecisão sobre os acontecimentos faz com que o próprio narrador acabe escondido em sua narrativa – e, portanto, a história fica submersa pela opinião expressa por ele. Tive dificuldades em entender tudo o que se passou por isso.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Enegrecido

  5. Pedro Teixeira
    13 de outubro de 2016

    Olá, Sabor de Humano! Gostei do que vi aqui. É um estilo no qual a imersão proporcionada pelo fluxo de consciência torna a trama um ponto menos importante, e eu viajei com sua narrativa. O uso da linguagem poética gera um estranhamento e impressiona. Só senti falta de revisão:
    ele se afastou-se – deve ter passado desapercebido ao alterar a frase, já aconteceu comigo
    as lágrima – faltou o “s”
    Tirando isso, um conto muito bom que provavelmente vai estar na minha lista. Parabéns e boa sorte no desafio!

  6. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Conto controverso. Com certeza terá opiniões divergentes entre os leitores. Eu gostei da construção, acho que o personagem tem muita vida. Mas as cenas de ação (como o atropelamento) precisariam ser um tanto mais concretas. Ficou um pouco abstrato. Precisei ler algumas vezes para entender (se é que entendi). Gostei, mas com ressalvas.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    12 de outubro de 2016

    É inegável o esmero e a qualidade desse conto em termos de escrita. Tudo é muito bem empregado e realça os olhos de leitores que pendem para um bom vocabulário.

    Porém, autor(a), onde sobrou qualidade gramatical faltou história. É um trabalho cheio de sentimentalismo que, infelizmente, não aguça o leitor pela falta de um enredo encorpado.

    No entanto, é uma obra de peso.

  8. Luis Guilherme
    12 de outubro de 2016

    Boa tarde, Sabor de humano, tudo bão?

    Que pseudônimo pesado, acho que você tá andando muito com o autor (a) de Faminta ahahaha.

    Vamos ao texto!

    Infelizmente o conto nao me ganhou. Eu gostei de alguns construções e percebe-se que você tem talento, mas achei o conto muito confuso e truncado. As frases nao parecem fluir bem, acho que pelo excesso de pontuação em alguns momentos, nao sei.

    Nao que seja de todo ruim, mas eu alguns momentos eu só queria terminar de ler. Também norei alguns erros de revisão.

    Enfim, apesar da veia poética e do bom desfecho, nao me conquistou.

    Mesmo assim, boa sorte!

  9. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: De acordo com a temática, sem questionamento.

    Enredo: Um enredo muito simples, onde a narrativa, a técnica empregada pelo autor/autora se destaca.

    Muito bem escrito!

    Personagens: O narrador personagem foi muito bem pensado e me levou do início ao fim.

    Emoção: Gostei muito. Gostei porque, principalmente, consegui notar a técnica do autor para a construção do texto, a preocupação com cada trecho e isso me aproximou do trabalho realizado. É uma sensação diferente, essa de gostar do texto mais pela técnica. Acho que foi a primeira vez que isso me aconteceu.

    Alguns toques: Algumas coisas passaram na revisão, nada de mais. Mas parabéns.

  10. Thiago Amaral
    12 de outubro de 2016

    Wow, muito bom, gostei!

    Angustiante, poético, lúgubre, depressivo, tudo no bom sentido! Palavras fortes em frases bonitas!

    O estilo fez com que eu entrasse no sombrio mundo do protagonista, e experimentasse um pouco do vazio e frieza.

    A frase final foi pesadíssima, e adequada.

    Um conto para ser relido e re-saboreado

    Muito provavelmente estará no meu Ranking! Obrigado!

  11. catarinacunha2015
    12 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    O título é bonito, mas sinto que vem texto de defunto deprimido por aqui. Bora lá.

    TRAMA lenta, molhada e repetitiva. Textos curtos pedem mais agilidade, embora a técnica seja boa. Não há surpresa, já que o suicídio é eminente.

    AMBIENTE apenas protocolar.

    EFEITO traz um café com conhaque para eu poder avaliar.

  12. Maria Flora
    12 de outubro de 2016

    Olá! Seu conto se destaca pela beleza das frases. Construções bem feitas, serenas. Poéticas. Interligam-se uma à outra deixando-nos enlevados. Gostei das recordações da infância. Confesso que me identifiquei com esta parte. É um texto complexo, de leitura difícil. O que demonstra competência do autor(a). Depois o texto segue por um fluir constante, quase sem nexo, de pensamentos desconexos. A escrita é prodígio. Soube expressar o redemoinho da mente do personagem. Meus parabéns!

  13. Gilson Raimundo
    11 de outubro de 2016

    O monólogo de um suicída com frases curtas dando fim ao pensamento como na vida. Esta quebra de raciocínio durante o texto nao acrescenta muito, poderia ser intercalada com pensamentos lineares. A morte em si não possui atrativos, ela tem sabores as vezes doce outras amargos, não encontrei um diferencial apesar de um bom texto….

  14. mariasantino1
    10 de outubro de 2016

    Olá!

    Sei comentar não. Me vi lendo e relendo seu texto e ficando pasma com as construções e a beleza delas, bem como as sensações que provoca >>>> “Eu não compreendia que a morte fosse tão importante que me impedisse o contato com as flores.” Bom pra caraio! Essa gravidade das coisas frente à nossa percepção ainda verde me fez lembrar da morte da minha mãe (dura lembrança), que combina com “a mirar o defunto como um tesouro”. São construções tão bonitas quanto tétricas que evocam sensações, porém a forma que tudo foi organizado não me foi possível de ser absorvido num todo, e assim acabou que senti quadros bonitos em separados, mas que juntos trazem um sentido que não fui capaz de entender. Um homem frustrado matou duas moças em um acidente e se deitou em uma cova, empunhando um revólver, daí fez a narrativa de lá? Observando a vida de dentro do buraco, deixando tudo confuso para casar com o estado alterado dele frente ao suicido iminente? (Passei ao menos perto?).
    Bem, gostei das construções em separado. A melancolia e desesperança são sólidas aí, e essa força faz que se perceba a presença de um sentido maior, porém, não deu pra mim.

    Boa sorte no desafio.

  15. Fheluany Nogueira
    10 de outubro de 2016

    Narrativa diferente das demais do Desafio, quer pelo assunto, quer pela técnica. Entendi que o personagem entra no cemitério, vai caminhando até o local planejado enquanto avalia seus motivos para se matar. Divaga sobre a morte, a solidão e a bebedeira que o levou a atropelar e matar duas moças; parece frio, mas diria que está entorpecido.

    Conto interessante e bem escrito. Linguagem poética. Parabéns pela participação. Abraços.

  16. Evandro Furtado
    10 de outubro de 2016

    Fluídez – Average

    A primeira metade do texto é maravilhosa, a leitura flui como as águas do São Francisco. A segunda parte cai de ritmo de uma forma sem precedentes, fica travada demais.

    Personagens – Average

    O eu-narrador é o principal personagem da história e é sobre ele que o enredo se desenrola. Os primeiros parágrafos e a última sentença dão uma profundidade inexprimível a ele. Mas isso fica perdido no restante do texto.

    Trama – Average

    O autor começa de forma magistral, construindo a trama a partir das mortes que o personagem principal vivencia. Se fosse assim até o final, teríamos um sério candidato ao título do desafio. Mas, por alguma razão, o autor desiste. Ele deixa a morte de lado pra falar de uma vida morta, e o texto perde sua constituição maior, segue por um caminho que não funciona e só vai voltar a fazer sentido, quando amarrado aos parágrafos iniciais, na última sentença.

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Average

    Estilo – Good

    O texto tem algumas das descrições mais belas que já li. A primeira parte é carregada por uma poeticidade única que faz a gente navegar por um universo de reflexões trancendentais. Então vem a sentença “Cresci nesse momento”. O texto morre aí para mim. A narrativa em primeira pessoa que criava uma intimidade muito singular entre o narrador e o leitor, metamorfoseia-se em um relato meio boêmio que não me convence nem um pouco. Mas aquela primeira parte é tão boa que me faz avaliar alto essa categoria.

    Efeito Catártico – Very Weak

    O autor começa no alto de uma montanha da qual ele nos empurra. Descemos a encosta rolando, machucando nossas costas em pedras e galhos secos. No fundo do vale, desejamos que ainda estívessemos no topo.

    Resultado Final – Average

  17. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Um conto extremamente bem escrito. Dá gosto perceber o esmero do autor em elaborar a narrativa, a escolha das palavras, a construção das ideias. Trata-se evidentemente de um escritor calejado, que sabe muito bem o que faz e que, com maestria conduz o leitor por um labirinto de ideias e conceitos. E, o que é mais curioso, em tempo presente, uma técnica que poucos sabem empregar sem parecer amadores. Quanto à história em si, percebo tratar-se de momentos-chave da vida do protagonista, momentos em que ele próprio se depara com a morte, revivendo as impressões que teve, desde a surpresa e a ojeriza inicial até acostumar-se a ela, a seu cheiro, culminando com o instante fatal em que experimenta seu próprio sabor. É um texto para ler e reler, que exige certa entrega do leitor, não se constituindo em uma narrativa linear, fluida, fácil ou que provoca enlevo. Mas talvez seja esse seu maior mérito, pois só com as digressões soltas nos parágrafos iniciais explicam satisfatoriamente o final arrebatador. Gostei do conto também porque não recorre ao sobrenatural, ao clichê de fantasmas e personagens do gênero. Antes, joga luzes sobre aspectos psicológicos, que é o que me atrai verdadeiramente. Enfim, um ótimo trabalho. Parabéns!

  18. Olá, Sabor Humano,

    Tive a impressão de estar lendo dois contos distintos.

    O primeiro, com a morte do avô é muito bom. “A primeira vez que eu morri” é excelente. Morremos um pouco a cada despedida, a cada perda, a cada desilusão. A inocência da criança se esvaindo na primeira das mortes é o ponto alto de seu conto.

    Na segunda parte, no entanto, senti que algo não se encaixava na narrativa. O final é impactante, mas não encerra o conto concluindo sua trajetória.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

  19. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Gostei da escrita mas não gostei da trama. O conto é bom mas tem momentos que não gostei, por exemplo, o final não me prendeu nada. Pareceu-me um texto realizado em dias diferentes, com vivências muito diferentes inseridas no texto. Essas diferenças, na minha opinião, prejudicaram muitíssimo o teu texto. Mas parabéns e no próximo desafio cá estaremos

  20. Pétrya Bischoff
    7 de outubro de 2016

    Olá, Humano! De certa maneira, esse texto contém fragmentos de algo que eu poderia ter escrito. A narrativa é confusa, mas de uma maneira interessante, pois é possível sentir a confusão do próprio personagem; perdido no tempo e e no espaço entre os caminhos que trilha.
    As duas moças mortas… não consegui compreender se são suas ex-namoradas (assassinadas por ele de uma maneira não descrita no texto), ou se são duas mulheres que ele atropelou à esmo, como que tentando expurgar as figuras das ex de si.
    O estilo adotado, que parece dialogar com o leitor, é facilmente confundido com um monólogo de desabafo sincero do próprio autor, e eu realmente creio que haja muitos elementos dele no texto. Talvez todo esse desespero e emergência por algo que acalente os sofrimentos.
    De maneira geral, um bom texto, apesar de confuso. Parabéns e boa sorte.

  21. Davenir Viganon
    6 de outubro de 2016

    Olá Sabor de Humano
    Para mim, é um conto muito difícil de ler, tem muita aproximação a linguagem poética e eu tenho dificuldade com ela. Mas entendi que a proposta era ter pouca estória mesmo e ser um punhado de telas pintadas da lembrança do personagem. Isso deixa o personagem bom, pois ele é muito bem construído, mas eu simplesmente não se o que fazer com esse personagem. Eu sei como ele é, mas e dai? Talvez eu seja muito bruto e insensível, ou seja sensível de outro jeito, mas não consegui me deixar levar pelo conto.
    Um abraço!

  22. Marcia Saito
    6 de outubro de 2016

    Olá
    Apesar da fluidez de leitura ser um tanto pesarosa, confesso que fui influenciada pelo detalhe já na primeira frase, um clichê mais que batido em tipos de narrativas nesse estilo “confessionário pessoal”.
    Particularmente não é o tipo de história que me apetece, mas ao menos a temática estava dentro do proposto.
    Boa sorte no Desafio

  23. Fabio Baptista
    6 de outubro de 2016

    Esse conto é pesado e me deixou com uma sensação ruim. (Só pra deixar claro: isso foi um elogio… rsrs). Está bem escrito, com uma cadência poética que combinou com a história (um tanto envolta em sombras, na minha opinião) contada.

    Na parte técnica, acho que alguns pretéritos mais que perfeitos geraram frases truncadas, tipo “entre o que eu fora e o que eu era” (não está errado, mas não soa legal). Poderiam ser limados.

    Notei apenas duas gralhas:
    – Ele se afastou-se
    – as lágrima tentaram

    Bom conto.

    Abraço!

  24. Iolandinha Pinheiro
    5 de outubro de 2016

    Vamos começar pelo que achei legal. Você escreve bem. Você tem recursos literários e constrói frases interessantes, e proporcionou um mergulho do leitor no mundo do seu único personagem. Digo único, porque os demais eram apenas um suporte para que seu personagem brilhasse, como parte de cenário, ou daquilo que lhe despertasse emoções. O que não gostei. Acho legal quando um autor dá um tom poético ao texto, mas neste caso, o teu conto ficou parecendo um clip, tipo: cena de uma criança acompanhando o enterro do avô, cena do coveiro revirando a terra e a pá revirando unhas e larvas (!!!!?), cena do rapaz beijando a moça Mariana, Cena da outra moça rindo para demonstrar sua frivolidade (…) Cena do atropelamento e posterior suicídio . Consigo até imaginar tudo isso em escala de cinza com toques de vermelho e um música do George Michael como pano de fundo. Não pareceu um conto, mas uma sequência de cenas. Acho que embora houvesse emoção (as emoções do rapaz) estes sentimentos padeceram de falta de autenticidade. Enfim. A escrita é nota dez, o envolvimento desta leitora com o teu texto é nota 2. Um abraço para vc, espero ainda ler muitas coisas tuas e me emocionar quando ler.

  25. Jowilton Amaral da Costa
    3 de outubro de 2016

    Achei a primeira parte muito boa. As descrições do enterro do avô, as descrições do cemitério, a parte da infância. Quando a infância “morre” e os amores nascem, o conto começa a ficar cansativo, muito intimista, muito melancólico e culmina com um dos piores fins, na minha opinião, perdendo somente para os que terminam dizendo que tudo não passou de um sonho, que o suicídio. Sou meio cismado com contos que terminam desta forma, mas, isso é gosto pessoal. A escrita é muito boa, o conto é médio. Boa sorte.

  26. Jowilton Amaral da Costa
    3 de outubro de 2016

    Achei a “primeira parte” muito boa, as descrições da morte do avô e do cemitério, a parte da infância. Quando a infância “morre”, o conto começa a ficar cansativo, intimista demais, melancólico demais, até culminar num dos piores finais, – depois do final em que tudo é um sonho -, em minha opinião, que é o suicídio. Sou meio cismado com contos que terminam assim, mas, isso é gosto pessoal. A escrita é boa, o conto é médio. Boa sorte.,

  27. Wender Lemes
    2 de outubro de 2016

    Olá! Acho que esse foi o conto que me causou maior estranhamento no certame até agora. Penso que era a intenção de quem escreveu, então está de parabéns. A princípio, com a explicação dos primeiros contatos do narrador com a morte, pensei que a trama seguiria por um lado mais melancólico. O que vi, no entanto, foi algo seguindo mais para o abstrato, para a sugestão de que o protagonista seria responsável pelos assassinatos das mulheres que amou, mas não sei se poderia afirmar que elas estariam realmente mortas; talvez, estejam mortas para ele. Há deslizes na escrita, mas não atrapalham a fluidez. O que pode ter atrapalhado, na verdade, é a própria opção por poetizar a realidade através do subjetivo. Há momentos em que é necessário escolher entre o mastigado e o profundo. Parece-me que foi escolhido o segundo nesse conto. Boa sorte e parabéns.

  28. Anorkinda Neide
    30 de setembro de 2016

    Olá!
    Li pela terceira vez e ainda não sei bem o que dizer…
    Gostei, nao muito, mas gostei da primeira parte, até o final do enterro do avô.. já li alguma coisa com a expressao ‘da primeira vez q morri’, ‘da segunda vez q morri’, acho q é uma musica? mas assim, a primeira ‘morte’, entendi e como disse, até gostei.. do avô, o contato da criança com o enterro e tal, entendo o amadurecimento dela naquele instante.
    mas depois vieram dois trechos estranhos, a tal ‘segunda morte’ nao entendi o q era.. e depois um tal coveiro remexendo larvas e unhas .. como assim?coveiros nao remexem larvas e unhas.. hahaha
    depois a descrição dos dois amores, tb nao tá muito ruim.. mas depois descambou e ficou uma leitura chata mesmo.
    .
    Entendi a cena do atropelamento e depois ele entra em uma cova e se mata, acho q é isso. Vc quis contar isso de forma indireta e poética, mas realmente, carregou demais e ficou pesado, como muitos aqui o disseram.
    Infelizmente o seu conto, pra mim, ficou flutuando na poeira, aliás, nao entendi o titulo.
    Abraço ae e boa sorte.

  29. Ricardo de Lohem
    30 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Ser o mais negativo possível é uma receita que alguns autores seguem para que a história pareça mais profunda do que é. Essa história de um chorão amargurado que no final se mata não me convenceu. O texto é duro de ler, chato mesmo, tive que lutar bravamente em cada linha para chegar ao final. Quando estava na metade, fui pro Facebook jogar Candy Crush Saga, só assim recuperei forças o suficiente para terminar de percorrer esse mar de tédio e aborrecimento. Negatividade NÃO é Profundidade, aprenda isso. Só gostei do final, quando o chato protagonista morreu e o conto terminou, me poupando desse festival de patética autopiedade. Sabe como melhorar esse conto? Fazendo o personagem se matar na segunda linha. Assim teríamos tido um microconto, muito mais palatável que essas 1.144 palavras, que mais pareceram 1.144.000. Desejo para Você muito Boa Sorte no Desafio!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    30 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Atmosfera bem opressiva e constante. Seguiu pelo caminho das reflexões e divagações, ponderamentos e outros “ões”. Escrever em primeira pessoa sempre nos aproxima mais do personagem. Nesse caso foi uma boa escolha.
    ME: A estrutura em flashbacks, contados sob o ponto de vista do protagonista, não é linear e também não cansa. Isso, em parte, devido à escrita segura (notei apenas uma vírgula deslocada e falta de aspas numa citação). É um texto melancólico e triste, e faz o leitor se “sentir mal” ao seu término inevitável. Atingiu o objetivo na questão de repassar sensações. Quanto a história em si, é possível notar a amargura contida, apesar de ter um mote bastante simples e “mundano”.

  31. Simoni Dário
    29 de setembro de 2016

    Olá Sabor de Humano

    O texto é denso e carregado de emoções que tocam de forma pesada. Apesar de poético, as descrições fortes enjoam e enojam. Não conectei com esse formato, tem um conto no desafio que utiliza essa técnica, mas obtém um resultado mais delicado (nada de comparações, apenas curto mais a delicadeza poética).

    Inegável que está bem escrito e tem narrativa muito bem estruturada. Só não conectei com as passagens.

    Bom desafio.
    Abraços

  32. Claudia Roberta Angst
    29 de setembro de 2016

    Ola, autor! Identifiquei-me com a prosa poética, com a linguagem que percorre o texto, escorrendo em um poço de areia movediça. Conto denso, sem possibilidade de alegrias.

    A trama é bastante pesada, mas prende a atenção do começo ao fim. Entendi que o narrador perdeu duas mulheres para a vida, elas se foram por si mesmas, terminando os relacionamentos. Mariana e Selene. Mar e Lua. Não foram essas duas as moças atropeladas no final. Pelo o que entendi, eram desconhecidas, duas mulheres que ele perdeu para a morte. O remorso e a sensação de vazio existencial tornaram tudo muito difícil para o narrador que, enfim, decide dar fim ao seu tormento. Sem flores.

    Gostei muito de algumas construções frasais, mais versos do que simples agrupamento de significados. O autor possui inegável talento para lidar com as palavras, tornando a leitura algo muito prazeroso para mim. No entanto, tudo é uma questão subjetiva, de gosto pessoal e, assim, nem todos apreciaram o conto.

    Alguns lapsos na hora da revisão:
    Ele se afastou-se > Ele afastou-se
    As fotos sairam > As fotos saíram
    espontâneamente > espontaneamente
    as lágrima > as lágrimas
    cheira a morte > cheira à morte (aqui, não chega a ser um erro, mas a crase deveria ser empregada para diferenciar “cheirar algo” de “cheirar a algo”)
    Também empregaria algumas vírgulas a mais no conto.

    Vou ali dar uma olhadinha nas minhas flores e ver se não há nenhum defunto sobrevoando suas pétalas. Preciso de ar, depois desta narrativa. E isso é sim um elogio.

    Boa sorte!

  33. Ricardo Gnecco Falco
    29 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> Leitura pesada. Densa. História triste. Dramática, depressiva. Final “acabe com tudo” e que, por si só, resume bem a sensação deixada no leitor. De 1 a 10, daria nota 7 ao conto, pela coragem de apresentar um trabalho que ao contrário de conquistar leitores, deprecia-os. Porém, dando um novo significado à expressão. Parabéns pelo trabalho!

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Texto direto e bem escrito. Sem rodeios, o/a autor/a acerta a mão com a narrativa na primeira pessoa e com a (ótima) utilização do tempo presente.

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Forte!

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  34. Marcelo Nunes
    28 de setembro de 2016

    Olá autor.
    Não é estilo de texto que aprecio em ler. Bem escrito, a estrutura me agrada.

    Rico em detalhes humanos (alguns detalhes, me fez sumir o apetite! Caramba), um vocabulário muito bom. Nisso estas de parabéns.

    Fiquei confuso com a história ou poesia?

    Meus parabéns.

    Boa Sorte no desafio.
    Abraço.

  35. jggouvea
    28 de setembro de 2016

    Um texto desses precisa de várias leituras. Precisa amadurecer com o leitor. Não digo que gostei, mas a firmeza narrativa me impressionou. A narrativa em tempo presente é muito eficaz para manter o suspense em um conto que se baseia exatamente na ideia de que o personagem vai agindo à medida que vai pensando. Só que o autor, diferente do personagem, precisa planejar. Até a desordem precisa de planejamento, para que o texto flua agradável. Para mim, única obscuridade comprometedora é a dúvida se o “modus necandi” (gracejo latino para quem quiser um enigma a essa hora) envolveu o uso de um automóvel ou não. Minha impressão foi que sim, ele atropelou as duas. Se sim, e se ambas estavam simultaneamente juntas, o conto poderia ter sido temperado com uma dose adicional de polêmica, fazendo-as amantes e explorando o embrulho que isso causaria na cabeça já confusa de um narrador que teve uma infância traumatizada e certamente cheia de preconceitos. Pense nisso, futuramente.

    ,,˙ʇsǝ snpuɐɔǝu snuᴉʌɹoƆ,, :ʇɟɐɹɔǝʌo˥ ɯǝɹqɯǝ˥

    ˙,,ɹɐʇɐɯ ǝp opoɯ,, ɐᴉɹɐɔᴉɟᴉuƃᴉs ǝlǝnbɐ ‘,,ɹᴉƃɐ ǝp opoɯ,, ɐɔᴉɟᴉuƃᴉs ǝʇsǝ ǝS ˙,,ᴉpuɐɹǝdo snpoɯ,, ɯoɔ ɐᴉƃolɐuɐ ɐɯn ɥǝ ,,ᴉpuɐɔǝu snpoɯ,, oɐssǝɹdxǝ ∀

  36. Rodrigues
    28 de setembro de 2016

    Mais um conto kinder-ovo, com surpresa no final, não me agrada, pois estas surpresas não tem sido bem elaboradas e não dão o impacto a um conto que pede pela ajuda da própria surpresa. Porém, o conto não é ruim, é imagético e apresenta uma profusão de memórias bastante vivas e – a partir do momento da citação das mulheres – o conto ganha novo ânimo, a leitura fica interessante, mas esse final, ah, esse final eu não compro.

  37. Priscila Pereira
    27 de setembro de 2016

    Olá Autor(a) ainda não sei se gostei do seu conto… não é do estilo que eu gosto, mas consegui entender a história, acho que está tudo confuso por conta do psicológico do personagem mesmo, um futuro suicida com certeza não pensa com clareza. O texto é bom. Boa sorte!!

  38. Fil Felix
    26 de setembro de 2016

    Os remorsos valem nossa vida?

    O conto me levou por um redemoinho de imagens, com um início e fim bastante claros, mas um meio recheado de informações e divagações.

    GERAL

    Diversas mortes e a visão ou como cada uma nos arrebata, de maneiras diferentes. A do avô, a das duas mulheres. O que fazemos com esses arrebatamentos, como digerimos tudo isso. Essa foi a ideia que o conto me trouxe, culminando no suicídio. A narrativa é boa e fluente, mas pouco direta e isso me afastou um pouco. Diversos recortes de momentos, situações e diálogos num liquidificador.

    Gostei desse final: “Levo a arma para a boca. Engulo a bala e me rebento em estilhaços…”. Fiquei na dúvida sobre o “rebento”, mas a imagem gerada é muito boa.

    ERRORr

    A linguagem é culta, em meio a prosa e poesia, mas não chega a ser pedante. O que é um bônus nesse mundão de escritores. Não encontrei grandes erros, acho que já citaram algumas construções que ficaram estranhas. Apenas o estilo, como disse, é que me afastou, pois não há muito uma história propriamente dita, deixando o leitor perdido nos devaneios. Mas o estilo tem seus fãs, então não é bem uma crítica.

  39. Amanda Gomez
    26 de setembro de 2016

    Olá,

    Um conto denso, não digo que a leitura fluiu, precisei voltar em vários momentos pra entender as metáforas e coisas ditas pelo personagem… Sua confissão, sua busca de..quem sabe uma redenção?

    Entendi que é um homem, tem alguma psicopatia, matou as duas mulheres que ” amou” e, agora sente-se vazio e talvez arrependido. É complicado ficar dentro da mente de um personagem que não causa simpátia, (apesar do autor querer forçar isso pelo tom poético, que é impregnado na voz do protagonista). A verdade era que eu queria que essas divagações nada convincentes dele parassem, e que a história pulasse para o ” próxima capítulo” um em que ele ficasse calado. ( Tenho alguns problemas de ‘claustrofobia literária’ ) quando ficamos presos à mente de um personagem, que não agrada. Não no sentido ruim, digo, ele despertou esse sentimento em mim, isos já é algo a se comentar.

    As descrições estão boas e, a estrutura narrativa também. O final, já estava desenhado, não foi uma surpresa ,mas, me agradou no geral. O Tom melancólico também tem seu êxito.

    Um bom conto, boa sorte no desafio.

  40. Taty
    25 de setembro de 2016

    Demorei mais pra ler o comentário de um colega abaixo que o conto inteiro rsrsrs

    Sinal que a leitura do conto foi agradável e corrente, apesar de extremamente denso o assunto, de caráter intimo, uma confissão.

    Bem escrito e poético. Amargura, rancor e desilusão em doses certas.

    É isso.

  41. Eduardo Selga
    25 de setembro de 2016

    Neste conto é muito mais importante a linguagem do que o enredo ou o personagem-narrador. Este, na verdade, é menos o condutor de uma trama do que instrumento enunciador de um discurso estético. O conto apresenta uma proposta artística, nem tanto uma estória, por isso não se prende em minúcias descritivas ou narrativas de cenas cheias de surpresas e impactos por reversão de expectativa, e não se deixa seduzir pelo canto de sereia que sustenta que a palavra tem de ser objetiva, útil e sem mais delongas: é como se este conto pretendesse ser ele próprio uma palavra. Esta é a grande protagonista.

    Semelhante opção estética, tão válida quanto a sua oposta (primeiro, uma boa trama; depois, a palavra) guarda em si um risco, como arriscado é escrever esteticamente qualquer texto. É que, a depender de como a é manipulada (palavra é argila, não nos esqueçamos), pode-se cair numa estetização excessiva, frequentemente entendida como pedantismo, categorização por vezes injusta, pois implica supor uma atitude deliberada do autor, quando muitas vezes esse efeito surge no texto sem que o autor se dê conta, talvez por entusiasmo em demasia em relação ao seu texto. Acho mais apropriado considerar essa estetização excessiva o fato de ir além do que a palavra estética comporta, mas sem cálculo prévio do autor. Seria algo como tencionar a corda a ponto de ela arrebentar, supondo que ela fosse aguentar. Ou seja, um acidente por imperícia.

    Porém, o transbordamento não ocorre nesta narrativa. Ou melhor, acontece, mas não causa a sensação de ocupar o conto inteiro. Se observarmos a frequência com que surge a palavra esteticamente elaborada dos pontos de vista sintático, semântico e quanto às figuras de linguagem, e com isso provocando efeito poético, mas não necessariamente lírico, damo-nos conta da existência de uma unidade rítmica, uma cadência calculada: após um longo trecho de palavras em sua dimensão denotativa, temos passagens surpreendentes, como “[…] as pessoas em torno de mim tinham amadurecido NO MORRER”.

    Mas não apenas a palavra estritamente poética surge de tempos em tempos: também a utilização semântica inusitada, surpreendendo e, muitas vezes, encantando, como no caso de “dentro do escuro, nós três, impossibilitados”, em que “impossibilitados”, no sentido de inertes, não é esperado pelo leitor.

    No conto, a linguagem poética de que falo, além de ser discurso estético nas mãos do narrador-personagem, é também instrumento útil para que não seja tão severamente julgado pelo leitor, pois a linguagem consegue em certa medida atenuar o desequilíbrio emocional de que, em minha opinião, é vítima. Nesse sentido, é interessante notar que o suicídio não é decorrência de qualquer arrependimento por ter atropelado as moças — ele as menciona com a mesma naturalidade e ausência de emoção com que dispara o revólver contra si. Ele me parece alguém apodrecido emocionalmente — e o atropelamento deliberado é fruto dessa putrefação interior —, motivo pelo qual a vontade de suicidar-se não o surpreende, nem o faz sentir-se doente ou coisa assim. Aliás, ele próprio afirma, no parágrafo inicial, ter plena consciência de sua real situação: “Eu sei que estou morto. Uma existência fria e metálica”.

    É muito visível o extremo cuidado com a construção frasal, mas captei algumas falhas de coesão. Em “ele se afastou-se pelos ciprestes em labirintos” há uma duplicidade do oblíquo SE (o correto seria ELE SE AFASTOU); no trecho “tenho que ir espontâneamente” o advérbio está acentuado, quando deveria ser ESPONTANEAMENTE.

    Ainda sob esse aspecto, há um caso bem curioso, pois a depender da interpretação do leitor pode ou não ser um erro. Falo de “este vento pálido cheira a morte, ressuscita o mistério”. Do jeito que está, o sentido é de que a morte é cheirada pelo vento pálido (poeticamente belo, diga-se), mas a intenção pode ter sido denotar que o vento assemelha-se à morte. Se foi essa a intenção, deveria haver crase.

    Coesão textual: boa, mas as falhas citadas atrapalharam.

    Coerência narrativa: muito boa.

    Personagens: o personagem-narrador está muito bem construído.

    Enredo: muito bom.

    Linguagem: é o grande destaque, ao lado do personagem-narrador.

  42. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2016

    O texto fala de arrependimentos por ações ou decisões e a saída pelo suicídio dentro de um cemitério.

    É bem escrito, com leitura leve e tranquila. O final não chega a ser surpreendente, mas é muito satisfatório.

    Ainda não defini se avalio pelo gosto pessoal ou pela técnica empregada. Engraçado que há textos menos notáveis e dos quais gostei mais.

    “Revolvo o ouvido …” , ” o coveiro ia revolvendo a terra…” é muito bom, bem como a citação com as flores.

    Boa sorte.

  43. Evelyn
    24 de setembro de 2016

    Oi, Sabor de Humano.
    Seu conto tem muita poesia na prosa. Eu gosto.
    Com relação à história, propriamente… Não consegui identificar claramente os conflitos e tampouco visualizar com nitidez os personagens. Culpa minha. Me perdi nas passagens de muita subjetividade e fui assim até o fim. A linguagem me prendeu. Pintei quadros impressionistas à medida que seguia.
    Parabéns.
    Abraço!

  44. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2016

    Olá, o texto fala do eterno arrependimento de vidas vazias, ações ou más decisões tomadas e a saída pelo suicídio.

    Muito bem escrito, possui belas imagens, como é o caso das flores citadas.

    E chega o ponto em que fico sempre na dúvida: o conto é bom, a leitura flui agradavelmente, mas eu não gostei da estória e agora ? Devo avaliar pela técnica ou pelo sentimento ?

    Dúvida cruel.

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Publicado às 24 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .