EntreContos

Detox Literário.

O Pelotão (Marcelo Nunes)

pelotao

Sábado, 23 de julho de 1904. Dia da última etapa do Tour de France, após mais de 2200 km percorridos por estradas e montanhas onde em raros momentos os olhos se perdiam entre a paisagem mais bela, o ar mais puro e o assustador Col de la Mort, a montanha da morte.

Havia uma lenda contada por alguns atletas que conseguiram atravessar a receosa montanha, que dizia que um homem perguntava para cada ciclista que passava por lá se seu filho estava vindo.

Os competidores vinham agrupados em uma velocidade que cortava o ar de forma que suas faces perdiam a sensibilidade de seus traços e seus dedos escondiam a umidade com o calor do sol. A poeira misturada com o suor mostrava o contraste entre um rosto jovem assustado e homens que até este dia não tinham experimentado o gosto do medo.

Entre curvas e retas, o pelotão tentava se manter calmo e confiante. O ritmo era constante e forte. Os mais experientes procuravam passar segurança aos novatos, não mostrando os mistérios em volta da mais respeitada e temida região de Nantes.

Já fazia alguns anos que Gustave Colas, pai de Henri Colas e marido de Julia Cornet Colas, havia permanecido com os cinco integrantes da sua equipe na parte mais turva, cruel e fria da região. As condições da montanha e o clima eram desumanos e assustadores. As voltas em torno dos paredões de rochas eram tão estreitas, que ali não passavam dois ciclistas lado a lado. As curvas em cotovelos quebravam bruscamente a paisagem dando a impressão de um ziguezague para quem olhava para o topo.

Nunca se teve certeza do motivo do desaparecimento. Alguns falavam que foi o frio, outros uma emboscada. Certo é que haviam ficado para trás famílias vazias, mulheres abandonadas e filhos jogados a sorte.

Uma dessas mulheres em especial estava grávida de quatro meses na época. A criança não teve o privilégio de conhecer o pai. Julia tinha orgulho do marido que a deixara na linha de partida. As últimas palavras de Gustave Colas permaneceram com ela por muitos anos.

– Gustave, não precisas ir hoje! Já és um homem realizado. Meus sonhos não foram bons.

O homem estava nervoso ajustando sua bicicleta, olhou com olhos esperançosos e num gesto, tocou o rosto da esposa com carinho.

– Meu amor, precisamos do dinheiro do prêmio, ainda vou ver meu filho andando de bicicleta por essas estradas – respondeu, apreensivo.

O destino foi traçado com um adeus aflito, pensamentos amargos e a esperança e sorte lançadas para o universo. Em suas orações, em silêncio, vendo o marido desaparecer em meio a neblina e a poeira, Julia suplicou:

“Deus, permita que ele conheça seu filho. Que possa vê-lo com os mesmos olhos e orgulho que o vejo”

-Vá em paz, meu amor! – pensou em voz alta, a mulher desamparada.

Após a despedida, Julia viveu em luto uma angústia que nem o tempo apagou. Não teve velório, pois nunca encontraram sequer o corpo dele. O choro ficou guardado, como sinal de esperança.

Aos onze anos, Henri ganhou de seu tio a primeira bicicleta. O menino, de tão alegre, logo aprendeu a pedalar. Pela pouca idade, não fez associação do velocípede com o seu pai. Ele queria mesmo era pedalar por toda a cidade, não cansava.

A aptidão física era diferenciada, herdou a força de seu benfeitor. A respiração era calma, mas suas pernas inquietas. Tudo que ele fazia era pedalar, pedalar e pedalar. Com quinze anos participou de uma corrida entre os amigos e chegou em primeiro lugar, com uma boa vantagem sobre os demais. Henri foi convidado aos dezoito anos por uma equipe profissional de ciclismo a participar de grandes voltas ciclísticas.

Dona Julia não aprovava a decisão do filho. Para Henri, era a maneira de se aproximar do pai. Queria sentir o vento no peito, a liberdade, o sol esquentando sua nuca em um dia de frio.

Passado algum tempo, o jovem tinha um desejo, cruzar a montanha que levou seu pai. Ao saber, sua mãe recolheu-se em silêncio. O filme diante de seus olhos, era inevitável. Um aperto no peito e consigo um pensamento, “meu filho não”.

Aos vinte e três anos, Henri já casado com Eléonore Colas, preparava-se para o último dia da competição. Nada tirava a concentração do rapaz inserido no meio do pelotão. Seu pensamento estava fixo, o medo o assombrava. Levava em sua mente cada curva do temido Col de la Mort.

Passados vinte dias, faltando poucos quilômetros para o final, o pelotão começou a acelerar. Os cem ciclistas dividiram-se em pequenos grupos. Aos poucos, alguns foram ficando para trás por cansaço, outros pelo medo.

Quando chegaram ao início da montanha, o frio, o vento e a neblina deram o tom da maldade. Agora, apenas quinze ciclistas iniciavam a escalada. Não se escutava nada além da respiração ofegante e bocas tremendo. Todos sabiam que o filho de Gustave estava entre eles. O mais experiente entre o grupo falou:

– Todos devem saber disso. O que se fala aqui, permanece na montanha. Ok?

Sem entender o motivo, o pequeno grupo continuava a escalar. E algum tempo depois, vem a notícia.

– Quase no topo, existe um cemitério. Teremos que cruzá-lo antes da linha da vida. Vamos permanecer juntos!

O grupo estremeceu diante do fato. Com isso somente seis ainda estavam na disputa. Henri vinha determinado a não desistir. Puxando o ar e com os olhos fechados, pensou na amada. Deitado na cama, entre seus braços o rosto de sua esposa. Entre suas pernas, os pés entrelaçados. Afagos lentos, cuidadosos e delicados. O calor do corpo passava entre suas mãos, admirando e contemplado a beleza. A mulher entregue, sentindo-se protegida. Para Henri, o melhor lugar do mundo. Lágrimas tímidas embaralhavam sua visão. O pensamento na esposa era o que o mantinha pedalando.

Prosseguiu na competição, fazendo muita força na escalada. Percebeu que estava sozinho. A visibilidade era pouca, o gosto de sangue na garganta era real, as pernas já não respondiam. O ar estava escasso, não saberia quanto tempo aguentaria nessas condições. A esperança de encontrar o pai se perdeu. A pulsão de vida do jovem estava entregue a sorte. Parecia que a bicicleta o conduzia para a morte. A exaustão era plena. Sua mente parou de responder ao aproximar-se do último trecho, passar pelo cemitério da montanha.

Num instante de lucidez ele fala:

– Pai, estou aqui para ficar com o senhor.

Henri desaba no chão molhado e frio com a bicicleta entre as pernas. A lama cobre seu rosto. Olha ao redor e vê a entrada do cemitério cercado de rochas pontudas e lápides congeladas. O cenário era de lama e rochedos para todo o lado.

Cansado, ouve um barulho familiar. Desorientado, sem noção, percebe uma nuvem branca de vapor, formada por seis ciclistas que subiam a montanha com facilidade. Um homem se aproxima estendendo a mão, ajudando o ciclista a se levantar.

– O que faz aqui rapaz?

Com medo, tentando ver o rosto dos desconhecidos, ele fala.

– Sou Henri Colas! Vim conhecer meu pai. Quem são vocês?

Após um momento de silêncio, uma voz rouca e calejada, responde:

– Somos o “pelotão da morte”, moramos aqui.

O homem chegou ao seu lado e lhe deu um abraço fraterno, quente. O choro era iminente. O encontro emocionado. Henri não tinha mais forças, olhou para o velho e disse:

– Não vou conseguir atravessar.

– Filho, seu lugar não é aqui. Deves voltar para sua família.

– Pai, é o senhor? É tão real, está vivo? Porque não voltou para casa?

– Meu lugar é aqui filho, vim para cuidar da montanha e morrer nela!

Sem conseguir se explicar, Gustave levanta a bicicleta do filho, coberta de lama. Pede que o rapaz suba e o empurra dizendo:

– Vamos ajudá-lo a atravessar o cemitério.

A passagem silenciosa pelo local demonstrava o respeito pelos que ali ficaram. Naquele momento Henri não segurou mais a emoção. Os nomes dos jovens ciclistas esculpidos nas pedras quase o fez desistir. O choro, contido por anos, derrubou o moço mais uma vez. Amparado pelo pai, reúne forças e oxigênio e segue na roda do pelotão da morte.

Próximo à linha da vida, o “pelote” era apenas Gustave e Henri. O pai vinha puxando o filho montanha acima, quase sem fala.

– Estive aqui durante estes anos, aguardando você!

Sem reação, Henri sente o pai a lhe impulsionar, usando toda a sua força. Faltando alguns metros para a linha da vida, Gustave dá o ultimo empurrão.

O ciclista some na escuridão, em meio à neblina. Agora, em paz.

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77 comentários em “O Pelotão (Marcelo Nunes)

  1. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Eu gostei da história. Achei diferente, a ambientação e principalmente as descrições sobre o pelotão são muito boas. Quando a gente escreve sobre o que gosta, dá nisso. Mas em relação a escrita, acredito que ela deixou um pouco a desejar. Algumas construções destoam do tom do texto, há um excesso de adjetivos e probleminhas de pontuação que comprometem o ritmo. Sinto também que faltou deixar um pouco mais delineado o perfil dos personagens. Aqui o espaço complica, mas esse momento final, o “delírio” do filho, merece uma abordagem psicológica mais forte. Enfim, essa é apenas minha humilde opinião.

    De qualquer forma vc tem muito potencial. Espero ler mais histórias suas. Abraço!

    • Cris Horner
      15 de outubro de 2016

      Olá Felipe. Obrigado pelo seu comentário e análise. Boa sorte no desafio. Abraço

  2. Phillip Klem
    14 de outubro de 2016

    Boa noite, Cris.
    Acho que você criou um bom conto… mas a execução foi um pouco rápida demais. Senti os eventos levemente embolados e corridos.
    Apesar disso, a criação do ambiente está ótima! Foi o que mais me chamou a atenção. Creio que seria uma boa história mais reescrever, futuramente, sem se prender a um limite de palavras.
    Parabéns e boa sorte.

    • Cris Horner
      14 de outubro de 2016

      Boa noite Phillip. Obrigado pelo comentário e a dica. Vou reescrever sim. O limite do desafio complicou um pouco.

      Grato!
      Boa sorte para você também.
      Abraço

  3. Marcelo Nunes
    14 de outubro de 2016

    Olá Cris.
    Fiz a leitura desse conto semana passada, criei um rascunho do comentário e acabei não postando. Hoje fazendo uma nova leitura, percebi mais algumas emoções e sensações. Acho que poderias ter investido mais um pouco nos diálogos.

    O início do texto foi muito bem elaborado, ponto forte no conto. O desenvolver da trama em alguns trechos, chega a emocionar. Faltou um pouco de ênfase nos personagens, pai e filho. As descrições e ambientação estão boas, consegui sentir a emoção e sensação do ciclista, o suor, poeira no rosto, exaustão do filho na montanha, esse foi mais um ponto forte na minha humilde opinião. Pude ver o ziguezague, estrada estreita e as rochas.

    Escrita está boa, e a leitura fluiu sem nenhuma dificuldade. A estrutura do texto se torna agradável. O tema aparece no final do conto. Acabei gostando!

    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Abraço!

    • Cris Horner
      14 de outubro de 2016

      Boa noite Marcelo.
      Obrigado pelo seu comentário e a leitura do conto. Que bom que o texto mexeu com você. Grato pela sugestão.

      Boa sorte para você também.

      Abraço.

  4. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    9. O Pelotão (Cris Horner)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: alguns detalhes telegrafam o caminho da narrativa (p.ex., quando ele diz “ainda vou ver ainda vou ver meu filho andando de bicicleta por essas estradas” – respondeu, APREENSIVO. Quanto ao enredo, rarefeito, tudo se encaminhou para o reencontro previsto – e o cemitério, se não é protagonista, serviu de cenário. Válido, portanto.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Enevoado.

    • Cris Horner
      14 de outubro de 2016

      Bom dia Daniel. Obrigado pela analise e seu comentário.

      Abraço

  5. Pedro Teixeira
    13 de outubro de 2016

    Olá, Cris! Infelizmente não gostei tanto do seu conto quanto gostaria. A ideia é boa e traz criatividade na abordagem do tema, mas o ritmo me pareceu acelerado demais, sem espaço para explorar melhor os personagens. Há muitas frases com dois adjetivos: calmo e confiante, costante e forte, várias estruturas parecidas que deixaram a leitura um pouquinho cansativa. Os diálogos resvalaram no piegas e não me convenceram.
    Apesar disso, há passagens muito bonitas, como a final. Acho que uma reescrita que enxugasse um pouco a quantidade de fatos narrados e se concentrasse mais em mostrar e menos em contar teria um resultado muito superior. E, de qualquer maneira, foi uma leitura que fluiu com facilidade, e divertiu.Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Cris Horner
      14 de outubro de 2016

      Bom dia Pedro. Obrigado pelo seu comentário. Anotado seus apontamentos.

      Grato e boa sorte para você também.

      Abraço.

  6. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    A escrita é simplória, de uma linearidade um tanto entediante. Encontrei alguns problemas de pontuação também. Quando o texto vai ao passado buscar a história de Henri, temos problemas similares. Construções como “Tudo que ele fazia era pedalar, pedalar e pedalar” mostram um narrador pouco interessante. Da infância à fase adulta, o texto dá um salto sem qualquer construção dos personagens (textos como “A terceira margem do rio” são exemplos dessas passagens de tempo executadas com maestria). Ponto positivo por ter amparado o conto em um fundo histórico.

    Pequenas observações:
    – “olhou com olhos esperançosos”. Não! Dá pra fazer uma construção melhor.
    – “o frio, o vento e a neblina deram o tom da maldade.” Não fez sentido pra mim. A relação entre maldade, vendo e neblina me pareceu forçada.

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Grato pelo seu comentário Anderson.

      Abraço.

  7. Luis Guilherme
    13 de outubro de 2016

    Bom dia, Cris, tudo bem?

    O texto é bem fluente e prende o leitor, pelo ritmo rápido e o enredo agradável.

    Existem alguns problemas na escrita, especialmente na pontuação, mas não comprometem o todo, de forma alguma.

    O desfecho também agradou, bem como a revelação de que o pai está vivo. Esperava algo sobrenatural, e fiquei positivamente surpreso. Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Obrigado Luis. Bom que foi positivo para você.

      Abraço.

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    12 de outubro de 2016

    Autor(a),

    Seu conto é um trabalho presunçoso.

    Não entro nos méritos da maneira como você conduziu a narrativa – ela é vertiginosa, rápida e jornalística demais -, mas sim na forma como você ambientou o conto. Foi inteligente, sim, porém faltou rigor historiográfico e um levantamento mais criterioso. Você nos passa informações pressupondo que são reais (ótima maneira para criar verossimilhança) e peca na veracidade delas.

    Isso quebrou o encanto do conto e o fez perder força.

    No mais, é um bom trabalho onde faltou comprometimento com a pesquisa histórica.

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário Gustavo.

      Abraço.

  9. Thiago Amaral
    12 de outubro de 2016

    Gostei do início, a narrativa do Tour, as descrições das adversidades, está tudo bastante interessante e envolvente.

    Aliás, o conto todo está levemente bem escrito, mas perde força em sua segunda metade, que não me envolveu. Achei a conclusão previsível, do momento no qual o pai diz que verá o filho andando de bicibleta já vi onde ia dar. E a já citada leveza tornou o resultado sem impacto.

    O que realmente irá ficar na minha memória são as curvas perigosas do começo, e o suspense obtido (Apesar de, aparentemente, sem conexão com a realidade).

    Obrigado!

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário Thiago.

      Abraço.

  10. catarinacunha2015
    12 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Esporte, história, aventura, uau! Cadê o cemitério? Veremos adiante?

    TRAMA bem densa e cativante. Domínio total da narrativa. Tenho uma queda por histórias de desafios físicos e esportivos. O estilo é genérico, sem maiores marcações diferenciadas.

    AMBIENTE perfeitamente ilustrado e sensorial.

    EFEITO catarse exaustiva. Depois dessa vou vender minha bicicleta para um coveiro.

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário Catarina. Se vender sua bicicleta, não vai conseguir passar a linha da vida! 😉

  11. Maria Flora
    12 de outubro de 2016

    Olá, Cris! Que história linda! Adorei! A narrativa traz um ambiente e propósito diferentes. O fluxo da história é rápida, sem muito aprofundamento. isto se deve ao limite de palavras. Os personagens não conseguem crescer muito. Mesmo assim, a cena do reencontro entre pai e filho é interessante. E o próprio cenário – um cemitério na montanha – bem diferente. Valeu a leitura. Parabéns! Boa sorte no desafio.

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Maria. Obrigado pelo seu comentário. Quem bom que gostou.

      Boa sorte para você também.

      Grato

  12. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Adequado ao tema, de uma forma diferente, que foge ao lugar comum, que bom.

    Enredo: Comecei a leitura desse conto com todas as expectativas, já prevendo que o tema seria abordado fora do comum. No início, a narrativa estava interessante, mas conforme as coisas iam se sucedendo, a questão do filho etc. já previ o que viria pela frente e meio que desanimei. Uma coisa a respeito do título é que pra mim ele não é adequado. O pelotão não é o principal elemento do conto, ao menos não da forma como está. Não tanto para merecer esse destaque no título, ou seja, ou o pelotão ganha um destaque maior, ou melhor mudar o título. O enredo vai perdendo força e, quando chega ao final, já estou lendo meio que só para terminar a leitura mesmo. Achei o diálogo entre pai e filho lá no fim meio explicativo. Talvez funcionasse mais ações, gestos, o narrador contando do que as explicações nas falas das próprias personagens.

    Personagens: São interessantes, mas devido ao ritmo mais acelerado do que o que pede a narrativa, não me conquistaram o suficiente.

    Emoção: Gostei, mas não tanto quanto poderia.

    Alguns toques: Trabalhar mais a narrativa, desenvolver mais o plot twist e as personagens. Algumas coisas na gramática devem ser revistas também. Enfim, é um material interessante a ser trabalhado.

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Olá Bia. Grato pelo seu comentário e sua analise. Boa sorte.

  13. mariasantino1
    12 de outubro de 2016

    Oi, tudo bem?

    Eu gostei de algumas passagens do seu conto, mas achei outras estranhas e um pouco descritivas demais. Acredito que a inserção de asteriscos para sinalizar a quebra da cronologia em que os fatos acontecem trariam mais clareza para a trama. A competição aí é importante e merecia mais explicações iniciais, como o tempo de competição e o preço do prêmio para justificar a saída do pai do Henri, e acho que isso levaria mais algumas páginas ( o que não caberia no formato atual do desafio — 1500 palavras). O conto da forma que está traz mudanças bruscas onde me vi dizendo várias vezes >>> mas de onde surgiu isso? Como isso aconteceu?
    Eu não entendi bem a denominação “pelotão”, porque sempre achei que essa palavra se referia a grupos de soldados, e se essas pessoas eram soldados merecia uma menção, porque só vi atletas e ciclistas. Há passagens onde os adjetivos vem aos pares >>> calmo e confiante, constante e forte, desumanos e assustadores… e isso faz o conto perder a objetividade. Além disso o espaço dos acontecimentos são extensos — o pai sai — nasce o filho—11 anos—18 anos –- 23 anos, e nesse intervalo de tempo as descrições não trouxeram muito para o personagem, sendo que tudo poderia ser resumido no momento em que ele já sai para a corrida (opinião).

    As imagens, a aflição e devaneio trazido pelo cansaço trouxe um clima diferente para o conto, um ar gélido palpável e um “Q” onírico fantasmagórico. Fiquei na dúvida se seu texto é previsível ou se o dito encontro com o pai não foi apenas devido ao esgotamento físico.

    Boa sorte no desafio.

  14. Evandro Furtado
    11 de outubro de 2016

    Fluídez – Average

    O texto vai muito bem até o final quando uma mudança no tempo verbal bagunça com a cabeça de quem está lendo.

    Personagens – Average

    Temos Gustave e Henri, pai e filho, partilhando um interessante gosto pela arte de pedalar bicicletas. A relação entre os dois, no entanto, não é bem explorada. Em um minuto, o autor fala que o garoto desenvolveu o gosto pela bicicleta a despeito do pai, em seguida, afirma que ele está em busca de seu genitor. Pequenas inconsistências que prejudicam o texto.

    Trama – Average

    De início, a história detem-se sobre a corrida em si. Tivesse seguido por esse caminho, o texto seria melhor. O autor quis apresentar muitas ideias em um curto espaço de tempo e não conseguiu aprofundá-las. Há certos furos na trama que fazem o leitor se perder, teria o autor cortado pedaços do texto para caber?

    Verossimilhança (Personagens + Trama) – Average

    Estilo – Good

    O conto começa como uma história de terror e é bastante decente como uma. A figura do pai na montanha, esperando pelo filho que nunca vem, é assustadora. Depois o conto se transforma em um drama familiar espiritual e perde um pouco o brilho. A narrativa em terceira pessoa é boa, mas volto a destacar a mudança no tempo verbal, que prejudica o nível dos últimos parágrafos.

    Efeito Catártico – Average

    Uma história com potencial, mas que nunca chega lá, de fato.

    Resultado Final – Average

    • Cris Horner
      13 de outubro de 2016

      Olá Evandro. Obrigado pelo seu comentário e analise. Não cortei nada do texto.

      Grato.

  15. Gilson Raimundo
    11 de outubro de 2016

    Escrita dinâmica e eletrizante, os diálogos são bem posicionados aumentando a angústia do leitor, foi o único que me provocou arrepios. … eu não gosto de ambientações estrangeiras desnecessárias mas este foi bem a propósito não foi gratuito. … foi show. Parabéns.

    • Cris Horner
      11 de outubro de 2016

      Olá Gilson. Muito obrigado pela sua leitura e comentário. Bom saber que o conto mexeu com você. Fiquei contente demais!

      Grato pelo seu feedback.
      Compre uma bicicleta, com ela, vai poder sentir o que tentei passar no texto.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço!

  16. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    O conto ganha pontos pela criatividade, especialmente quanto à ambientação. Particularmente, gosto muito de ciclismo e histórias relacionadas ao Tour de France. Situar um conto nesse ambiente foi realmente uma surpresa agradável. No geral, temos uma narrativa simpática, do pai que morre e se torna uma espécie de guardião da montanha. Refazendo os passos do genitor, o filho, Henri, se depara com as mesmas dificuldades e, voilá, é salvo de maneira sobrenatural. O problema é que tudo ocorreu rápido demais, sem dar ao leitor a chance de se identificar com os personagens. Apesar de interessante em alguns pontos, principalmente no início, o conto perde fôlego e resvala na pieguice no instante em que pai e filho se encontram. Notei também alguns erros de concordância e falta de paralelismo em tempos verbais. No geral, contudo, o saldo foi positivo. Não se tratou de um conto brilhante, mas cumpriu a missão de entreter. Um abraço!

    • Cris Horner
      10 de outubro de 2016

      Olá Gustavo. Obrigado pelo seu comentário e as observações feitas.

      Acompanho o Tour e outras grandes voltas ciclísticas já algum tempo. Para quem conhece e pratica o ciclismo sabe de suas emoções e sensações. É Top 😉

      Quando você vier para o sul, trás a bike junto. Tem lugares aqui excelentes para pedalar. Treino na serra gaucha é muito bom.

      Abraço.

  17. Olá, Cris Horner,

    Gostei da premissa e do clima da história em si.

    O conto merece uma revisão mais apurada, trabalhando os tempos verbais e todos os demais erros gramaticais já apontados pelos colegas.

    Porém, estou analisando os contos baseados nas histórias que eles contam e essa aqui foi criativa, e, claramente pesquisada para não ficar no lugar comum.

    O ponto forte, para mim, é o pai esperando o filho por toda uma vida na passagem pelo cemitério. O amor pai e filho não tem fronteiras e vai além da morte. A descrição dos ciclistas e as sensações dos personagens ao pedalar, também são muito boas.

    Parabéns e sucesso no desafio.

    • Cris Horner
      9 de outubro de 2016

      Grato pelo seu comentário Paula.
      Obrigado pelas suas observações e apontamentos.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço

  18. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    hum!… Gostei do conto, mas houve momentos que se arrastaram, que me fizeram fugir do conto e lamento, pois fazendo uma revisão podes ter um texto de pódio.

    • Cris Horner
      9 de outubro de 2016

      Obrigado pela leitura e seu comentário Vitormcleite.

      Abraço, e boa sorte no desafio.

  19. Pétrya Bischoff
    7 de outubro de 2016

    Olá, Cris!
    Percebe-se o cuidado em ambientar o leitor com informações detalhadas acerca do evento e, até mesmo, do personagem. Entretanto, creio que a ideia não tenha sido executada com tano esmero.
    Há toda essa narrativa da vida de Henri, que sequer conheceu o pai, e acompanhamos até o cara começar a trilhas os mesmo caminhos do progenitor. O cerne é interessante e há material para uma baita história, mas creio que não tenha sido devidamente lapidado.
    Mesmo o final, o guri ficar sozinho no cemitério e o Pelotão vir auxiliar, não me pareceu verossímil, tampouco passou-me a emoção que uma cena dessas se propõe.
    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

    • Cris Horner
      7 de outubro de 2016

      Obrigado pela leitura e o comentário Pétrya.

      Abraço

  20. Davenir Viganon
    6 de outubro de 2016

    Olá Cris
    Fiquei o desafio todo esperando ler este conto de guerra sobre um pelotão. Achei que o pelotão era relativo a assuntos bélicos e não esportivos.
    Não vou negar que as informações históricas imprecisas (conforme o José Geraldo Gouvêa apontou) acabaram tirando um pouco a graça do conto, mas se a história e ruim, a estória é muito boa. O conto tá com um ritmo bom, pois essas corridas me empolgam. Contudo, acho que o conto merece um enxugamento no inicio, pois a parte que importa é a competição que o filho disputa.
    Um abraço.

    • Cris Horner
      6 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário e as observações Davenir.

      Abraço.

  21. Marcia Saito
    6 de outubro de 2016

    Olá
    Li o conto e posso dizer que está dentre os meus favoritos nesse Desafio.
    Além de bem construído e uma narrativa que possui uma fluidez muito boa, esse estilo de história é do tipo que gosto muito, aventurosa e com um quê de histórico. Foi bem estruturada até o fim.
    Parabéns e boa sorte no Desafio.

    • Cris Horner
      6 de outubro de 2016

      Boa tarde Marcia. Me sinto lisonjeado com seu comentário.

      Fico feliz de saber que gostou do texto e está entre seus favoritos.
      Acredite, bom demais saber disso.

      Muito obrigado, boa sorte para você no desafio.

      Grato.

  22. Fabio Baptista
    6 de outubro de 2016

    Engraçado… eu li esse conto há dois e tinha ficado com uma péssima impressão sobre a escrita na oportunidade. Comecei a ler de novo para refrescar a memória para o comentário e acabei lendo inteiro e não achando tão ruim assim dessa vez.

    Há problemas com crases e tempos verbais, mas nada muito grave como havia ficado na memória. É um conto leve, bonito até, contado com simplicidade. O maior mérito aqui foi a ambientação e essa ideia diferente sobre a corrida de bicicletas. Poderia ter omitido alguns detalhes, como o nome da esposa, por exemplo, para ir mais direto ao ponto.

    O final é bacana, mas confesso que me decepcionei um pouco por ver mais uma vez um encontro com fantasmas aqui no desafio.

    Bom conto, no geral.

    Abraço!

    • Cris Horner
      6 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário e observações.

      Fabio, o pai até então não era um fantasma. Quem sabe depois da escuridão e a neblina…

      Boa sorte no desafio. Grato

      Abraço

  23. Claudia Roberta Angst
    5 de outubro de 2016

    O tema proposto pelo desafio foi abordado – um cemitério diferente, mas ainda assim um cemitério. Não é o tema principal, mas funciona como pano de fundo. Pra mim, valeu.

    Os lapsos quanto à revisão já foram apontados. Nada que uma última “faxina”não resolva.

    A trama desenvolvida é envolvente e emociona. No entanto, acho que o autor carregou um pouco as cores na hora do encontro pai e filho. Por que? O filho não havia conhecido o pai, então seria mais uma ideia, uma idealização da figura paterna. Deveria ficar mais surpreso do que emocionado com o encontro. Menos drama e mais descoberta.

    No geral, a leitura correu sem problemas ou entraves. Bom ritmo e boa ambientação.

    Boa sorte!

    • Cris Horner
      6 de outubro de 2016

      Obrigado pelo seu comentário construtivo Claudia.

      Carreguei nesse ponto do encontro mesmo. Não teve surpresa porque suas condições físicas e mentais exigidas na montanha, não o deixaram saber qual seria sua real sensação. Assim tentei direcionar mais para o lado da emoção.
      🙂

      Grato pelas suas observações e detalhes.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço.

  24. Fheluany Nogueira
    5 de outubro de 2016

    Um conto bonito, emocionante, trama original, personagens construídos com esmero, ambientação perfeita, leitura fluente.

    Os problemas já foram apontados: mais para reportagem que conto, pesquisa com falhas, deslizes gramaticais, tema pouco explorado, previsibilidade do desfecho.

    Colocando tudo na balança, as qualidades superam e a narrativa agrada bastante. Parabéns pelas ideias. Abraços.

    • Cris Horner
      6 de outubro de 2016

      Olá Fheluany. Obrigado pelo seu comentário e observações.

      Abraço e boa sorte no desafio.

  25. Anorkinda Neide
    3 de outubro de 2016

    Olá!
    Buenas, tô parada neste conto há dias…
    Meu ou minha jovem, o texto apresenta tantos problemas, que fica difícile antipático apontá-los. Mas quem tá na chuva é pra se molhar, nao é? Já levei muita lambada até fazer algo parecido com contos hj em dia.
    Os tempos verbais do texto estão embaralhadíssimos o que dificulta o entendimento até e palavras usadas de forma errada como os exemplos do José Geraldo e outros q darei em seguida. Frases que precisariam de vírgulas e nao serem separadas em várias orações, tb travou bastante a leitura.
    Quanto ao enredo ser histórico já foi dito o necessário, mas o que me incomodou foram situações que mereciam ser trabalhadas como a apreensao da mae em ver o filho seguir os passos do marido, foi apenas mencionado numa frase, ficou superficial. A chegada do rapaz à categoria de participar deste tour foi uma ascensão artificial demais, como muitos disseram, contou os fatos mas nao inseriu emoção neles.
    Dae qd do encontro com o pai, já carregou no dramalhão mexicano. Entendi que os ciclistas q moravam na montanha eram vivos, sim e lá estavam para cuidar do cemitério e sepultar os jovens q morriam na subida.
    Por todos estes problemas nao pude me afeiçoar pelo conto. Um abraço e boa sorte!
    Vou colar o que anotei enquanto lia (eu só fazia isso no DTRL, mas como tem muitos amigos de lá, aqui, vou exercer a minha antipatia desta vez 🙂 )
    .

    ‘Já fazia alguns anos que Gustave Colas, pai de Henri Colas e marido de Julia Cornet Colas, havia permanecido com os cinco integrantes …’havia permanecido’, fiquei muito tempo parada aqui pensando o que isso queria dizer, acho q nao é uma boa maneira de dizer que o homem ‘sumiu na montanha’
    .
    filhos jogados a sorte / faltou crase
    .
    ‘As últimas palavras de Gustave Colas permaneceram com ela por muitos anos.’/ a gente pensa q vai vir em seguida as palavras q Gustave disse à esposa mas começou com a fala da mulher
    ;
    ‘Meus sonhos não foram bons.’ tb travei aqui, demorei pra linkar q a mulher sonhara algo com a corrida, tivera um pressentimento
    .
    em meio a neblina e a poeira/ faltaram as crases
    ;
    velocipede é bicicleta?
    benfeitor é pai?
    aqui achei q estes termos não se adequam ao que querias dizer
    .
    ‘Passado algum tempo, o jovem tinha um desejo’ o verbo aqui deveria ser ‘o jovem teve um desejo’
    .
    ‘O mais experiente entre o grupo falou:’ / ‘o mais experiente do grupo falou:’, seria correto.
    .
    ‘Entre suas pernas, os pés entrelaçados.’, nao consegui imaginar isso, poderia desenhar? rsrs

  26. Jowilton Amaral da Costa
    3 de outubro de 2016

    Eu gostei do conto. Gostei da narrativa, das descrições e do fato de ser um conto original. A ocorrência de que a pesquisa histórica foi falha, como sugeriu um comentarista, vai fazer com que o conto perca um pouco de força. Não vi sua resposta no comentário dele e supus que ele está certo. Um conto com viés histórico não poderia deixar passar tantas brechas. Boa sorte.

  27. Wender Lemes
    2 de outubro de 2016

    Olá! Um bom conto, com imagens que se materializam lentamente, é quase possível sentir o frio e o torpor do protagonista. É esteticamente bem feito, por mais que não tenha conseguido, comigo, o que imagino que seria a intenção principal: emocionar. Ainda assim, gostei do modo como justificou a jornada do rapaz. Devido à situação extrema a que ele estava submetido, abre-se para interpretação o acontecimento descrito com o pai. Poderia ter sido algo sobrenatural, como poderia também ser uma ilusão da mente fatigada do protagonista (mesmo a narrativa sendo em terceira pessoa, ela parece flutuar na perspectiva do filho, por isso minha proposição). Enfim, o conto tem suas falhas, mas compensa com uma narrativa bem elaborada. Parabéns e boa sorte.

    P.S.: não fique bravo comigo, mas a neblina com o antepassado guiando o ciclista me lembrou um episódio similar do Pica-Pau (com corrida de carros). Não consegui achar nenhuma imagem do episódio em questão, então pode desconsiderar esse adendo haha.

    • Cris Horner
      3 de outubro de 2016

      Bom dia Wender. Grato pelo seu comentário e tuas observações. Vou anotar.

      Acho que vou desconsiderar mesmo seu adendo… Hahahahah.
      😉

      Obrigado e boa sorte para você no desafio.

      Abraço

  28. Iolandinha Pinheiro
    2 de outubro de 2016

    Estou me decidindo se gostei ou não do seu conto. Ele tem elementos que me atraem muito, mas houve coisas na execução que não me conquistaram. O primeiro problema foi o linguajar, o uso do pronome tu, para mim que não o utilizo nunca (pelo menos, nunca da maneira correta) deixou o texto afetado e artificial. O texto também fala muito mais da prova de ciclismo em si do que de cemitério ou da vida das pessoas. Outra coisa, para que dizer o sobrenome de todos os personagens? Parecia uma reportagem e não um conto. De positivo o conto tem poucos erros, foi feito uma pesquisa para dar veracidade à trama, tem a emoção do encontro do pai com o filho, o mistério em torno do sumiço do pai, que terminou sem explicação, e eu gosto destas coisas que não vem mastigadinhas para o leitor, pois isso dá margem à ricas discussões. Um abraço para ti e sorte no desafio.

    • Cris Horner
      3 de outubro de 2016

      Olá Iolandinha. Obrigado pelo seu comentário e suas observações.
      Coloquei o sobrenome nos personagens para sair um pouco do convencional.

      Boa sorte no desafio.

      Abraço.

  29. Ricardo de Lohem
    2 de outubro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma história que explora um tema bastante original. Uma pena que seja de forma tão previsível: logo no início se sabe que o final será um encontro do pai como o filho. Também notei que o texto padece de um problema crônico dos brasileiros: a falta de vírgula do vocativo. Já ouvi gente dizer que acha difícil se lembrar de separar o vocativo com a vírgula, mas a verdade é que não é uma questão de memória, é uma questão de lógica. É preciso saber a quem se dirige o texto, para distinguir o interlocutor do resto do texto. “João, Silva chegou”, é diferente de: “João Silva chegou”. No primeiro caso, estamos nos dirigindo a João para informar que Silva chegou; no segundo, estamos dizendo que alguém chamado João Silva chegou. Exemplos desse erro tirados do próprio conto: “– O que faz aqui rapaz?” o correto seria: “– O que faz aqui, rapaz?”; “– Meu lugar é aqui filho, vim para cuidar da montanha e morrer nela!” Nesse caso, faltou uma vírgula para isolar o vocativo: “– Meu lugar é aqui, filho, vim para cuidar da montanha e morrer nela!”. O final tenta ser emocionante, mas a qualidade dos diálogos se degrada muito: ‘– Somos o “pelotão da morte”, moramos aqui.’. Esses fantasmas falando explicitamente que são fantasmas ficou meio ridículo, ainda mais com essas aspas desnecessárias. Somando à má qualidade dos diálogos a emoção forçada, caindo na pieguice, temos um final bastante medíocre. E ainda é preciso levar em conta o que foi observado pelo comentarista José Geraldo Gouvêa: você cometeu erros históricos ao tratar de um tema com inspiração histórica, não um ou outro pequeno detalhe, mas vários erros grandes, um problema imperdoável para uma história do tipo que você se propôs a escrever. Resumindo, seu conto engana: parece bom à primeira vista, mas o acúmulo de problemas, muitos deles graves, não me deixa com nenhuma vontade de dar uma nota maior que zero para o conto. Da próxima vez, faça uma pesquisa histórica mais aprofundada, estude mais gramática, e tente transmitir emoções verdadeiras no texto, sem forçar as coisas de modo artificial. Desejo para você Boa Sorte no Desafio.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    30 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Pontos pela originalidade e criatividade. A abordagem de “herança repassada” funcionou muito bem aqui.
    ME: Teve uma troca de tempo verbal brusca, após subirem a montanha. Entendi o que ocorreu, mas poderia ser mais suave. As emoções são bem repassadas, apesar de notar certa pressa na parte final, onde haveria um objetivo sublime. Perdeu um pouco a força por causa disso. No entanto, toda a construção tem um “q” de poesia e lamento bem explorados, cativante. O “clima” suave e emotivo aumentou a nota.

    • Cris Horner
      30 de setembro de 2016

      Boa tarde Brian. Obrigado pelo comentário e pelas suas observações.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço.

  31. Simoni Dário
    29 de setembro de 2016

    Olá Cris

    Belíssimo conto. A foto é inspiradora e o primeiro parágrafo começa com chave de ouro. A leitura fluiu fácil e sedutora. Pude sentir o clima na montanha, a respiração dos atletas e o sofrimento pelo esforço na escalada.

    Até o velório que não acontece faz lembrar o tema do desafio. As imagens são muito bem descritas e a emoção dos personagens, tocantes.

    Você coloca as expectativas do personagem ciclista de forma que vamos desvendando os mistérios junto com ele, escalando a montanha. Isso torna a leitura bastante agradável, como o capítulo de um livro que não queremos que termine.

    O final foi muito bem executado e emociona.

    Parabéns autor, conto excelente.
    Abraço

    • Cris Horner
      29 de setembro de 2016

      Boa noite Simoni.
      Obrigado pelo seu comentário.
      Legal que você notou as expectativas e as emoções dos personagens.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço

  32. Ricardo Gnecco Falco
    29 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> É uma história fictícia com ar de histórica. A leitura acontece como se o leitor estivesse a ler uma reportagem em algum jornal. A pouca emoção sentida se faz mais próximo ao final; porém, trata-se de um final já imaginado pelo leitor e até mesmo sugerido no início da leitura. Está bem escrito, mas em minha opinião o conto padece de emoção. De 1 a 10, daria nota 7 ao trabalho.

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Bem escrito e com aparente pesquisa prévia, o/a autor/a resolveu entregar a surpresa da sobremesa já no início do jantar. O texto soa como uma reportagem e carece de conflitos e emoções. Mas, a escrita é muito boa.

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> A obra não agradou ao Lado Negro da Força.

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

    • Cris Horner
      29 de setembro de 2016

      Boa noite Ricardo. Grato pelo seu comentário, obrigado pelas observações.

      Boa sorte para você no desafio.

      Abraço.

  33. José Geraldo Gouvêa
    29 de setembro de 2016

    Quando você resolve ambientar uma história em um cenário exótico, o mínimo que deve fazer é uma pesquisa que lhe permita ser convincente. Seu texto peca, e muito, por não realizar essa pesquisa, de que resulta uma série de inconsistências.

    1. O tour de france só foi criado em 1903. Se a história se passa em 1904, é pouco tempo para se ter criado qualquer “lenda” a respeito da competição e nem se pode falar que já havia “alguns anos” que certa equipe estava formada.

    2. O estágio de Nantes a Paris no tour de 1904 foi todo disputado em planícies, evitando aproximar-se das regiões do Maciço Francês. Mas… houve uma etapa anterior através de montanhas, onde você poderia ter ambientado a história…

    3. O conceito de corrida por equipes ainda não existia naquela época porque o esporte era incipiente, as velocidades baixas e não se conhecia o benefício de andar em pelotão.

    4. Não faz sentido falar em atletas “mais experientes” e “novatos” sendo somente o segundo ano da competição, e levando em conta que competições de ciclismo de estrada eram algo praticamente inaudito em 1904 (mesmo as bicicletas eram invenções relativamente recentes).

    5. A ideia de um ciclista “homem realizado” remete ao conceito de profissionalismo, que ainda não existia naquela época. Os participantes que chegavam entre os 50 primeiros ganhavam 10 francos por dia, o que não era nenhuma fortuna.

    6. Mesmo que fosse a parte onde há montanhas, o Tour de France, por razões meio óbvias, não leva seus participantes a subir os Alpes… então não há nenhum lugar onde o ar chegue a ficar rarefeito.

    Alguns dirão que minha crítica é irrelevante, afinal, é “apenas ficção”. Não concordo com essa visão. Se o autor não deseja receber esse tipo de crítica, então não reivindique a ambientação de sua história em um contexto real. A maioria dos participantes deste desafio, inclusive eu, evitou dar esse recorte temporal e geográfico exato, porque sabemos muito bem que o prazo curto para preparar os textos concorrentes não permitirá uma pesquisa densa.

    Além destes problemas, há no texto uma série de palavras empregadas com sentido incompatível, como, por exemplo:

    * “receosa montanha” deveria ser “receada montanha”.
    * “velocidade que cortava o ar” deveria ser “velocidade em que cortavam o ar” (a velocidade em si nada corta).
    * “até este dia” deveria ser “até aquele dia”.

    Um texto que falha ao apresentar o cenário que escolheu e que apresenta problemas semânticos e sintáticos por toda sua extensão não conseguiu me segurar.

    Lamento dizer, mas este texto não está na melhor metade dos participantes do desafio. Lamento também que você talvez fique desapontado, mas ninguém nunca se desenvolveu na arte ouvindo elogios. Alguns dos elogios que lhe foram feitos aqui foram superficiais, foram educados demais, evitaram enxergar os defeitos de seu texto.

  34. Amanda Gomez
    28 de setembro de 2016

    Olá, Cris Horner.

    Gostei da experiência de ler seu conto, foi fluido, as descrições estão ótimas, da pra ver e sentir o personagem.

    Quanto ao enrendo, não trás surpresas, o leitor sabe pra onde está sendo levado, sabe o que o espera. Achei que essa previsibilidade iria me incomodar, mas não aconteceu. Gostei da história e da forma como foi contada. O cemitério aqui ficou como um leve plano de fundo, mas querendo ou não está.

    Captei a emoção, e o encontro foi bonito. O começo foi melhor que o desfecho. Mas foi bem fechado.

    Parabéns e sorte no desafio.

  35. Pedro Luna
    27 de setembro de 2016

    Olá. Eu gostei do conto, mas alguns pontos não me fizeram adorar. Acredito que ele seja muito previsível, e talvez isso não seja um problema para muitos leitores, mas para mim foi. Quando você conta que o pai sumiu, que o filho seguiu os seus passos, já deu pra sacar o reencontro na montanha. O que ocorre lá, acredito que pela velocidade que o conto corre, também não me emocionou. Talvez culpa do limite.

    O resto está muito bacana. Bem escrito e com boas descrições. Acho que a ideia também fugiu do comum. Só levantei a questão da previsibilidade pois estamos em um desafio, então preciso me justificar para o autor.

    Abraço

    • Cris Horner
      28 de setembro de 2016

      Olá Pedro Luna. Obrigado pelo seu comentário e as observações.

      Boa sorte no desafio.
      Abraço

  36. Priscila Pereira
    27 de setembro de 2016

    Oi Cris, gostei do conto!! A ambientação está ótima, dá para visualizar a montanha com suas estradas estreitas em ziguezague. Está muito bem escrito, ainda mais que você quis fazer um conto de época… Muito bom!! Parabéns e boa sorte!!

    • Cris Horner
      27 de setembro de 2016

      Ola Priscila, obrigado pelo comentário.
      Que bom que gostou.

      Boa sorte para você também.

  37. Cris Horner
    27 de setembro de 2016

    Obrigado pelo comentário Olisomar. Vou levar tuas palavras em consideração, como um aprendizado.

    Um abraço

    • Olisomar Pires
      27 de setembro de 2016

      Sinto-me lisonjeado, mas não o aconselho a aprender alguma coisa comigo, porque do pouco que sei, quase tudo é inventado. 🙂

      Eu é que tenho aprendido muito aqui, muito mesmo, inclusive com seu conto e suas belas descrições.

      • Cris Horner
        27 de setembro de 2016

        Grato.
        Boa sorte para você 🙂

  38. Fil Felix
    26 de setembro de 2016

    Une décision difficile…

    Um conto difícil de avaliar dentro do desafio proposto!

    GERAL

    A linguagem e a fluidez da leitura estão impecáveis, tudo dentro dos conformes narrativos. O início, nos apresentando o pai e seu sonho, sua família e a tragédia. O meio, com o nascimento do filho, a vontade de também ser ciclista, de se sobressair. E o fim, com o clímax, passando pela corrida que levou a vida do pai. É até um esquema clássico. O cemitério e a aparição do pai podem ser lidos subjetivamente, como ajuda psicológica/ espiritual/ física dependendo do nível de conexão com o leitor. É ótimo poder dar estas possibilidades. Além dos personagens, a ambientação e nível de detalhes também estão excelente. Um ótimo conto.

    ERRORr

    O cemitério. Ele está presente, claro, mas me pareceu muito mais um adorno do que parte do texto. No trecho da pista, na montanha, onde está o cemitério, poderia receber o nome de qualquer outra coisa que a ideia do conto iria funcionar do mesmo jeito. É o famoso trecho da morte.

    • Cris Horner
      27 de setembro de 2016

      Fil Felix. Grato pelo comentário.
      Copiando o Olisomar, sinto-me lisonjeado pela tua analise. Boa sorte para você também.

      Abraço.

  39. Taty
    25 de setembro de 2016

    Que conto bonito, no sentido de estar bem amarradinho. Escrita e leitura fáceis, ótima descrição do ambiente, quase pude ver a rota.

    Gostei muito do ciclo encerrado na estória, pai e filho.

    Não chega a dar medo, nem acho que essa fosse a intenção, mas é muito intrigante e nos faz pensar no destino dessa vida.

    • Cris Horner
      27 de setembro de 2016

      Obrigado pelo comentário Taty. A intenção era fazer o leitor ver a montanha e se sentir em cima da bicicleta.

      Boa sorte para você.

  40. Evelyn
    24 de setembro de 2016

    Oi, Cris.
    Seu conto é muito bom e narra uma história bastante intrigante. Eu fui pesquisar sobre a montanha e sobre o tour. Achei bacana a ambientação. E o roteiro fugiu do convencional. Gostei demais dessa questão de o pai esperar pelo filho na montanha; meio melancólico, meio nostálgico, não sei precisar as impressões que tive ao ler.
    Parabéns.
    Abraço!

    • Cris Horner
      27 de setembro de 2016

      Evelyn, que bom que o conto serviu como incentivo a pesquisa.
      Fico feliz por ter despertado a sua curiosidade.
      Obrigado pelo comentário e boa sorte para você no desafio.

      Abraço.

  41. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2016

    Belo texto. Construído certinho, preparando o caminho, colocando as pistas nos lugares certos. Uma escrita clara e confiante, melhor dizer, firme. Com um objetivo.

    Entretanto, apesar de bonito, me soou insosso. Espero que o autor não me entenda mal, as personagens são boas, mas ficaram meio em segundo plano para o enredo. Desde que este seja poderoso ou surpreendente não tem problema, o caso é que o enredo pai-fantasma-guardião-filho não surpreendeu, já era até esperado.

    Ponto positivo para as descrições e ambientação.

    Boa sorte.

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Publicado às 24 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .