EntreContos

Literatura que desafia.

Santo Sertão que Arde (Matheus Pacheco e Marco Piscies)

VAQUE

Breve amigo ribeirinho

Santo Sertanejo, descalço e queimado, ardente pelo Sol, por que para na frente de meu casebre?

“Vejo esse rio que corre para o leste e oeste ao mesmo tempo, amigo Ribeirinho, sabe se é muito fundo? Poderia eu abri-lo a nado de novo ao oeste?”

A nado não te digo meu velho Santo, até mesmo a barco temo ir muito longe, mas por que para de frente para meu casebre agora?

“Impressiona-me a carranca que mostra em sua porta e o seu rosário que prende atrás dela, poderia me conceder somente um deles?”

* * *

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Quarta Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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44 comentários em “Santo Sertão que Arde (Matheus Pacheco e Marco Piscies)

  1. Gustavo Castro Araujo
    19 de agosto de 2016

    Excelente narrativa. A primeira parte é doída (no melhor sentido da palavra). Dá para perceber o sofrimento, o preço de uma vida de sacrifícios, tudo permeado pela atmosfera agreste, custosa. Arrisco a dizer que dá para entrever o chão rachado, a falta d’água, a desesperança compondo um cenário em que, paradoxalmente, se enxerga um mundo mais colorido. A segunda parte, já focada na cidade, perde um pouco dessa magia interiorana, mas foi escrita de forma competente, com mão firme e com a mesma pegada poética. Talvez este tenha sido um dos contos mais difíceis de complementar, já que o estilo empregado na primeira parte é muito peculiar, difícil de reproduzir. No entanto, digo que do ponto de vista deste leitor, o conjunto ficou muito bom. Acima da média, certamente. Parabéns a ambos os autores pelo magnífico trabalho.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    19 de agosto de 2016

    Aprendi muito complementando este conto. Entre tudo o que aprendi, acho que a lição mais importante foi encontrar beleza onde inicialmente tenho a tendência de só ver falhas.

    Deixe-me explicar: não gosto deste tipo de leitura. Esta linguagem um tanto metafórica e confusa me cansa. Sempre cansou. Quando li o conto pela primeira vez, revirei os olhos. “Ah não, é ISSO que eu tenho que complementar?”

    Daí reli. E reli. E reli. E vi o que não conseguia ver. Senti o que o autor queria passar. Senti o que o “santo” sentia, olhei por seus olhos e… repentinamente, meus dedos queriam escrever essa continuação.

    Peço desculpas se não escrevi a altura. Meu estilo passa longe deste tipo de texto. Mas obrigado por me fazer aprender a apreciar um tipo de texto que antes eu nem me esforçava em compreender.

    Abraço!! E boa sorte para nós!

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      Você é meu heroi cara, para mim, você salvou minha primeira parte e eu estou muito feliz por você achar isso da minha parte.
      Um abração gigante

  3. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    esse conto apresenta uma estrutura bem diferente, sempre em diálogos com personagens diferentes e usando uma linguagem propiá do sertão nordestino, faz muita poesia em formato de texto. excelente

  4. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Não aprecio muito histórias que se desenvolvem por cima de diálogos. Também, na minha opinião, histórias que recorrem a questões religiosas são um pouco desinteressantes e não me animam muito. Apesar disso tudo, a primeira parte desta narração ficou bem escrita.

    O segundo autor manteve o estilo de diálogos estabelecido pelo primeiro. Também incrementou uma significado filosófico para fechar a história, que se encaixou bem e ficou aceitável. A fusão das duas partes ficou interessante, apesar de não ter me impressionado muito como um todo.

  5. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    Um conto originalíssimo, que começa tipo uma paródia de alguma novena. As frases são sempre bem construídas, em uma linguagem em que a força está na secura. A influência da “Morte e Vida Severina” é evidente (diga-se de passagem que ainda vai levar muito tempo até surgir um poeta como João Cabral). A segunda parte é quase igual a primeira, apenas muda o ambiente para São Paulo. Um conto excelente e bem entrosado.
    Um detalhe: esse conto dá pra saber onde começa um autor e onde termina o outro matematicamente. Como tem aproximadamente duas mil palavras, e o mínimo era mil, cada um deve ter um pouquinho só mais que mil, daí fica fácil… Taí o Thales que não me deixa mentir.

  6. Pedro Luna
    19 de agosto de 2016

    Achei interessante a saga da construção da igreja, com todo aquele toque de misticismo sertanejo. De imediato pensei que não ia gostar, mas achei um bom conto. As conversas não trazem muito dos personagens (nem nomes), mas incrivelmente eles não soam como estranhos completos, e acho que isso é mérito da escrita. A peregrinação, com muita fé e dúvida, me fez lembrar de clássicos da leitura sertaneja. No fim, o pastor é o filho do andarilho? creio que sim,

  7. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Que delícia o conto de vocês. Foi leve, foi profundo, foi poético.
    Quero destacar principalmente o fato de que o conto é praticamente todo construído com diálogos. Isso é extremamente difícil de ser bem feito e, meus parabéns, vocês conseguiram essa façanha.
    Acho importante também ressaltar que o colega que continuou o texto não se intimidou e seguiu na mesma batida da primeira parte do conto. Isso foi fundamental para o resultado final do texto.
    Vocês estão de parabéns, não tenho pontos negativos a apontar. Gostei muito!

  8. mariasantino1
    19 de agosto de 2016

    Oi, autores!

    Ah! Sou suspeitíssima para falar de contos que ressaltam o sertão (se tiver regionalismos então, daí mata a mulher aqui). Achei o cerne do conto lindo e ele tem aquela beleza das coisas simples e também ressalta os valores e a força do ser humano. Claro que vem a mente de imediato o “Vida e Morte Severina”.
    Bem, gostei demais, das rimas e não rimas, das conversas e do personagem Santo.
    Só achei que quando o segundo autor insere um outro narrador o conto final me pareceu confuso, tive que ler mais de uma vez, mas isso não fez decrescer a nota.

    Boa sorte no desafio.

    Nota: 9

    • mariasantino1
      19 de agosto de 2016

      Ah! O uso dos porques está equivocado.

      • Matheus Pacheco
        21 de agosto de 2016

        Um pouquinho só, (hahaaahahah).

  9. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a ambientação regionalista, e a linguagem experimental são pontos a destacar no trabalho do primeiro autor.
    INTEGRAÇÃO: o segundo autor soube respeitar o mote proposto, ainda que a linguagem escolhida não tivesse tantos experimentalismos.
    CONCLUSÃO: apesar da inovação, o texto me pareceu cansativo pelo excesso de novas informações. Se me perguntassem sobre o que ele versa, eu diria: um encontro com um sertanejo. Mas só isso.

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      Cara, muito obrigado pela critica, e devo te dizer que era essa a premissa, ser a conversa com qualquer sertanejo que um qualquer um pode encontrar.

  10. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    percebi muitas mensagens no texto mas para mim o resultado não foi muito interessante, faltando algo que prenda a atenção do leitor. O diálogo não conduz a nada em especial, apesar do final apresentado, a trama não me agarrou a atenção. Peço desculpa à dupla mas o texto não me envolveu

  11. Amanda Gomez
    18 de agosto de 2016

    Uau… Temos aqui outro nível de conto, felizmente do começo ao fim.

    Santo, vidente, impostor e louco.

    Ah, não sei por onde começar, pela escrita talvez? que é incrível, poética de uma forma que não exagera, ou força. É natural. Gostei muito de toda a construção do texto, que vai das conversas as reflexões. Só tenho elogios.

    Curiosamente, a ‘’conversa’’ que mais gostei, foi com o homem importante, e isso só demonstra como o coautor foi competente na sequência, seguindo as correntezas do rio que o autor deixou, parabéns. E isso tudo sem se alongar demais, fez uma ótima conclusão sem barrar os limites de palavras. Não conseguiria tal feito.

    Se este conto fosse impresso, provavelmente ele estaria cheio de post it, tamanha a quantidade de citações ótimas, que nos faz pensar, e suspirar. Estou encantada.

    Por certos momentos eu achei que chegaria na segunda parte e texto ia cair ladeira a baixo, pois é realmente difícil, ainda bem que não fui eu, a sorteada, não queria ter o desprazer de estragar algo tão bacana. rsrs.

    O desfecho apenas, sai um pouco daquela narrativa mais singela, e parte pra algo mais ‘’normal’’, dando alguns explicações e arrematando todo o inicio do conto. A forte apreciação a religião, assim como a descrença foi abordado de uma forma eficaz.

    Muito bom mesmo, estão de parabéns dupla!! E obrigada por me dar esse refresco depois de leituras tão difíceis. hehe;

  12. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    Um texto claramente regional, muito bem! Gostei demais dos diálogos, das reflexões e questões presentes nos versos, a busca de respostas diante do desconhecido, presente mais uma vez, neste desafio.
    Brilhante.
    Nota 9,4

  13. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Esse é um exemplo de conto que, mesmo com alguns problemas gramaticais e ortográficos, encanta e prende até o fim! Parabéns aos autores, gostei muito.
    Achei a técnica de escrita e a fluência incríveis, as conversas são convincentes e se encaixam perfeitamente no contexto social da ambientação do conto.
    Todos os acontecimentos vão acontecendo de uma forma muito interessante, e me prendeu até o fim. Gostei da ambientação, do modo como a história é conduzida, das quebras de sequência e dos encontros que o protagonista teve. Tudo se completou e criou um ótimo enredo.
    O fim também ficou ótimo!
    Como disse anteriormente, identifiquei vários erros gramaticais. Não sei se foi intencional, para valorizar a ambientação dos personagens, mas caso for, acho que seria legal deixar isso mais explícito, senão fica a impressão de erro. Caso não seja intencional, acho que vale a pena se atentar a essa questão, pois valorizaria ainda mais um bom conto como esse.

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      Cara, teve erro ortográfico, eu sei que teve bastante erro nos “Porques” e talvez por falta de certos acentos, mas vou usar uma desculpa que tirei a minha manga, e culpar meu teclado que está travando um pouco

  14. Jowilton Amaral da Costa
    18 de agosto de 2016

    Um conto com uma estrutura estranha, mas, achei original. É bem difícil escrever um conto baseado em diálogos. A estrutura lembrou-me um pouco uma epopeia, as vezes, um repente. Vi inspiração nas histórias de Ariano Suassuna, alguma coisa de O Pagador de Promessas do dias Gomes. Acho que este foi um dos contos mais difíceis de se continuar. O que aumenta o mérito do segundo autor. No entanto, no conjunto, eu achei um conto médio. Não me impactou o suficiente para me emocionar com a história. Boa sorte.

  15. Simoni Dário
    17 de agosto de 2016

    Olá
    Um texto diferente e difícil na minha opinião. A parte inicial é bem trabalhada, apresenta boas reflexões e deixa várias portas para o autor complementar utilizar, porém, em minha opinião, a história decai um pouquinho na segunda parte, deixando as reflexões menos atrativas e o texto mais travado. É bonito no todo, mas gostei mais a parte inicial está melhor elaborada. No mais, os autores estão de parabéns.
    Abraço

  16. Andreza Araujo
    17 de agosto de 2016

    Fiquei feliz ao ver que a continuação seguiu nos mesmos moldes do texto inicial, pois a forma do texto é a sua principal marca. É difícil escrever um texto todo em falas, mais difícil ainda criar tantas simbologias e tantas frases com musicalidade, foi quase como ler uma poesia.

    Pareceu-me que o segundo autor entrou na cabeça do primeiro e terminou o texto exatamente como ele merecia ser concluído. O final é particularmente inspirador, quando o filho perdido (aquele que nasceu e sumiu, se eu entendi certo) volta para o sertão e funda a igreja de seu santo pai.

    Não é exatamente o tipo de conto que eu gosto de ler, por causa de sua forma singular, mas ele conquista pela mensagem passada.

  17. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): simples e um tanto confusa, mas no final eu acho que funcionou. A forma de contar (somente por meio de diálogos um pouco teatrais, principalmente na primera parte) aumentou a confusão. A segunda parte seguiu, mas trouxe um bom encarramento. Seria legal se o filho dele fosse o homem importante, ou será que é? (Se for, queria ter visto mais indícios para que minha cabeça explodisse).

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): achei um pouco falha na primeira parte, mesmo ignorando os diálogos muito teatrais. Na segunda, não vi tanto esses erros, mesmo que autor tenha tentado manter a mesma forma adotada pelo primeiro. Esses foram alguns dos erros que anotei enquanto lia:

    ▪ Come (como) pode saber de coisas que até de meu pai escondi?
    ▪ minha família há alguns anos já estão (está) ao lado de Deus
    ▪ Não queria ofende-lo (ofendê-lo)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a história é criativa, mas utiliza alguns motes comuns de histórias de sertão que acabam sendo batidos.

    👥 Dupla (⭐⭐): o segundo conseguiu manter o estilo do primeiro e encerrou bem a história sem repetir os problemas. Um bom continuador, na minha opinião.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): eu não estava gostando muito do texto por causa dos diálogos, mas em algum momento em comprei a história (acho que na parte do homem importante) e gostei bastante do final. Conseguiu um pouco de emoção nesse coração calejado 🙂

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      HAHAHAH MANO, “COME” me desculpe por desgastar tanto cara, esses são os erros que eu vejo imediatamente depois de enviar, (além do O ficar bem próximo do E no teclado hahaahhahah)
      um abração amigo valeu pela crítica

  18. Bia Machado
    17 de agosto de 2016

    Gostei, em boa parte. Me lembrou um pouco “Morte e Vida Severina” pela estruturação, pela estética, pela poesia em cada trecho, um pouco decepcionada pela falta de revisão, há muita coisa a se rever. Foi uma leitura agradável, talvez pela linguagem empregada, mas confesso que não entendi muito o enredo. E dizendo com franqueza, a essa altura, isso não me incomoda tanto quanto parece. E achei muito bacana que houve uma boa sintonia entre os autores.

  19. Ricardo de Lohem
    15 de agosto de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Conto bicéfalo, uma cabeça com cérebro portentoso, transbordante, a outra, microcéfala, atrofiada. Pelo menos é a impressão que senti. O primeiro conto foi um dos melhores que li neste Desafio; um Santo Sertanejo busca uma igreja que viu em um sonho, num clima de absoluta poesia. A continuação foi curta e mal feita: o protagonista mudou de tom, não
    parece o mesmo personagem o que foi um defeito, já que se optou por uma continuação literal, e não uma releitura, paródia ou outro tipo de recurso, deve manter o mesmo tom. A ênfase no onírico e filosófico foi trocada por uma mensagem social besta; a busca pela igreja vista no sonho não se conclui de forma satisfatória, ou melhor, se conclui de forma absolutamente cretina. Concluindo, um dos melhores contos desse desafio foi destruído pelo segundo autor, que meteu a pata, como se diz em espanhol. Minha intenção era dar para esse conto minha maior nota, agora com essa continuação e final, será que dou uma nota média? Não pode ser, o final é mais importante que o começo, vou ter que dar uma nota ruim… Não! Sabem de uma coisa? Vou ignorar a segunda parte, pronto, ela nunca existiu, vou contar até três e deletar a parte dois do meu cérebro: 3, 2 1, zero! Ah? Um conto sem a parte dois, mas a gente deve votar assim mesmo? Estranho.. mas tudo bem. Que bom, o semiconto é excelente, vou dar uma ótima nota. O que será que aconteceu com a parte 2? Sei lá, não consigo lembrar. Parabéns, genial primeiro autor, seu conto foi um dos melhores, pena que não o continuaram, desejo para você muito Boa Sorte!

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      Qué isso cara, o segundo autor fez muito bem, mas eu eu fiquei muito lisonjeado por você ter gostado de minha parte… sem brincadeiras.
      Um abração amigo

    • Marco Aurélio Saraiva
      26 de agosto de 2016

      Ué, eu não existo? Quem sou eu? Um sonho? Oh, minha vida não faz sentido!

      **saio correndo pelas ruas desesperado** Ahhhhh!!!!

  20. catarinacunha2015
    15 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: A vida do sertanejo é dramática, e o texto demonstra toda essa agonia latente. Senti falta de uma boa revisão e maior domínio na diferenciação das personalidades nos diálogos.

    PIOR MOMENTO: “mas se alegre ao saber que seu enterro estará garantido por alguns dos breves que passaram mas não ficarão.” – Alguns já passaram, mas não ficaram? Ou passarão e não ficarão? Ou nenhum das alternativas?

    MELHOR MOMENTO: “Por ser sertanejo imagino que arar a terra seca e quebradiça o tenha deixado forte, então poderia me ajudar a carregar minha consciência que desde de nascida sofro tanto?” – Há um profundo apelo dramático. Gostei.

    PASSAGEM DO BASTÃO: A trama é simples. A dificuldade de pegar o bastão reside em manter a mesma cadência regional na hora da passagem.

    2ªPARTE: Houve aprofundamento da trama com a saga do sertanejo virando odisseia, sem perder a cadência regional.

    PIOR MOMENTO: “…sonhei á anos atrás.” – Erros gramaticais só me incomodam quando muda o sentido da frase ou fica uma construção bizarra, como é o caso aqui. Esse “á” não poderia existir mesmo que ganhasse um “h” de brinde por trás.

    MELHOR MOMENTO: “Temo que o labirinto cinza me faça perder a direção.” – Perfeito. É assim que me sinto em São Paulo.

    EFEITO DA DUPLA: O respeito do coautor ao conto e ao estilo altamente personalizado fez desta dupla uma grata surpresa.

    • Matheus Pacheco
      21 de agosto de 2016

      Opa, vim me justificar e dizer que na parte que você citou, e que ficou um pouco estranha mesmo, nem eu sei o que eu quis dizer(HAHAHAHAAHH, mas realmente eu não sei.
      Um abração Catarina

  21. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    Conto muito bom, segue o drama do regionalismo, a linguagem carregada de poesia e sutileza para tratar de vários assuntos. A luta diária de um homem contra a terra que todo o dia ele pisa. O sofrimento do sertanejo pela falta de chuva, suas andanças para encontrar a sua felicidade… Costumes aqui bem retratados. Esse conto segue uma divisão muito rica em suas descrições. Lembra muito o jeito do grande Guimarães Rosa de escrever. Sempre com um ensinamento nas entrelinhas. A continuação seguiu a mesma linha. Só questiono o final do conto, em que o narrador descreve que o sertanejo ajudou a construir um templo. Meu questionamento se dá pela maneira como o sertanejo vivia… não seria o próprio o verdadeiro templo?? O Lugar onde sempre se podia encontrar um ensinamento, uma palavra?? Mesmo porque o Sertanejo procurava algo além do que um templo feito de concreto e madeiras… NOTA;9

  22. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da escrita: gostei bastante do estilo deste conto, não havia lido nenhum parecido neste desafio até então. A temática me lembrou um pouco Guimarães, ao menos no início. Imagino a dificuldade que seja manter este nível de poesia e regionalismo do início ao fim, por isso a brevidade do conto.
    Criatividade: a criatividade está concentrada no nível estético do conto. Se formos verificar o enredo, temos um “santo viajante” visitando as nuances do sertão (posteriormente da capital paulista), mas o ponto alto é o modo como seu trajeto é narrado.
    Unidade: achei que o complemento conseguiu manter razoavelmente bem a propriedade apresentada no começo. Tenho apenas uma ressalva a fazer sobre a troca de ambientes (do sertão para a metrópole): foi interessante para imaginarmos o comportamento do protagonista em um ambiente diferente, mas há de se perceber que o sertão não era apenas um cenário, mas uma parte do estilo. A aridez saía da imagem e contaminava a escrita. Uma vez alterado o ambiente, perde-se a combinação citada.
    Parabéns e boa sorte!

  23. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    Adorei! Conto ótimo, do ínicio ao fim. A estrutura dele é inusual e bem bolada, e tanto a estrutura quanto a narrativa, fizeram este um dos melhores que já li até o momento no desafio. Inovador. Quando comecei a ler, logo pensei, não sou fluente em sertanejo mesmo, algumas palavras,frases estranhas para mim. O segundo autor foi muito bom também, e também parecia não ser fluente em ‘sertanejo’. Porém, não deixou a peteca cair.. continuou em algo parecido com a narrativa anterior e com boas construções também. Não tenho mt o que reclamar.. O velho ir encontrando as pessoas pelo caminho, conversando com elas , cada uma dizia algo, e ainda algumas frases com rimas e poéticas, foram de bom gosto. O homem importante de SP foi um dos mais bem descritos. Parabéns aos 2 autores pelo conto.. realmente, ótimo.

  24. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    Excelente estilo e atmosfera no conto! A primeira metade está quase perfeita, com diálogos muito bons. Só existem alguns errinhos para atrapalhar no meio, infelizmente.

    A segunda metade acompanha bem a história, felizmente continuando o estilo até o fim. Só achei estranho o ateu narrar as próprias ações, isso poderia ter sido inserido no diálogo de forma mais sutil, bem como a conversa filosófica que tiveram.

    Mas, em geral, um dos melhores que li por enquanto.

  25. A homenagem à figura do sertanejo já é, por si só, um grande mérito desta narrativa. A primeira parte do conto procura, de alguma forma, uma linguagem que se assemelhe à “Morte e Vida Severina” e tantas outras grandes obras brasileiras.

    O segundo autor, não se furtou ao desafio e enveredou-se pelos caminhos indicados por aquele que iniciou a trama, e, o fez com grande beleza.

    Parabéns para ambos!

  26. Wesley Nunes
    8 de agosto de 2016

    O clima de sertão construído pelo autor é envolvente e nele existe um excelente uso da linguagem. Ainda falando sobre a nossa língua portuguesa, nas mãos deste autor, ela proporciona para o leitor um jeito de falar típico, que gera um texto com identidade. Continuo mencionando as palavras, as usadas nessa obra possui muito de Brasil e da nossa cultura, e é fácil para o leitor se identificar com esse texto.

    Por diversas vezes tive que interromper a minha leitura para abrir o bloco de notas e anotar um elogio. Esse que agora escrevo, é a respeito dessa boa mistura do fantástico com a realidade e a religião do povo nordestino.

    Tão logo retomo a minha leitura, já volto correndo para esse meu amontoado de elogios, pois incentivado pelo seu texto, surge em mim uma vontade de escrever. Mas como não elogiar os diálogos? Através deles são construídos os cenários e as crenças e nele há muito sabedoria. A sabedoria ensinada pelo sofrer e a sabedoria gerada pela fé.

    Depois de tantos elogios, eu serei injusto. Não sei se estou sendo invejoso ou se motivado por aquela sensação:

    ” Ela está tão próximo do ideal, por que não ajuda-lo a atingir algo tão próximo”.

    Como minhas justificativas já foram feitas, tranquilizo o autor e já informa que ele receberá a nota máxima. Terminadas as minhas delongas, eu menciono um momento em que o texto cita uma personagem, entretanto, não senti uma voz feminina na fala da personagem. Tive que recorrer a uma releitura atenta para identifica-la como uma mulher.

    Confesso que esse aspecto de fazer surgir uma voz feminina no texto, para mim é uma grande dificuldade.

    Injusta também deve ter sido a tarefa de complementar este conto. Brincadeiras a parte, gostei da forma como o autor inverteu o cenário do conto, saindo do sertão para a metrópole. Isso demonstra criatividade e lhe dá a chance de criar a sua própria história. O autor tem personalidade e muda os elementos. Ele muda da fé para a descrença e esse texto está mais focado nas reflexões do personagem. Os diálogos são mais longos, perdendo um pouco do dinamismo, mas que combinam perfeitamente com o refletir. As mudanças fazem surgir um novo despertar do leitor para o conto.

    O autor manteve o tom da obra e elaborou um bom final. O autor que deu continuidade a obra também é digno de uma boa parcela dos elogios.
    Adorei o conto e parabéns aos dois escritores.

  27. Evandro Furtado
    8 de agosto de 2016

    Complemento: downgrade

    Que o segundo autor não me leve a mal, mas creio que qualquer coisa que viesse depois da primeira parte sofreria da mesma crítica. O primeiro autor impôs um estilo tão ímpar, tão único, que chega a ser uma pena que alguém venha e tenha que continuar o texto. Ainda assim, o mérito daquele que teve tal missão foi conseguir desenvolver uma trama fantástica. Gostei, sobretudo, da resolução que deu, ao final, muito interessante. A linguagem buscou, ao máximo, honrar àquela empregada na primeira parte, mas, como disse, algo muito difícil de se fazer.

  28. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: Santo Sertão que Arde

    TÉCNICA: * * * *

    Estilo diferente e ousado, já merece pontos só por isso.
    Alguns erros eu relevei por se tratar do jeito de falar dos personagens. Outros, porém, impediram uma melhor fluidez da história:

    – morrer em meu canto Senhor
    >>> morrer em meu canto, Senhor
    >>> essa vírgula faltou em vários lugares

    – Come pode saber de coisas
    >>> como

    – minha família há alguns anos já estão
    >>> já está

    Notei que em determinado momento o díalogo do primeiro personagem começou a ser marcado com travessão, alterando o que havia sido feito até então.

    – sonhei á anos atrás
    >>> há
    >>> quando se coloca o “há” o “atrás” fica redundante, pois o “há” por si só já denota passado.

    – peso da nossa vida ao perceber que nossas crianças nasciam sem vida no parto
    >>> vida / vida – é melhor evitar essas repetições com proximidade

    – em algum momento o homem precisa voltar para casa, mesmo que seja para morrer
    >>> gostei bastante dessa frase

    – Eu não quero morrer nessa estrada, tão pouco no sul
    >>> tampouco

    – Mas porquê? Por quê meu Senhor?
    >>> Mas por quê? Por que, meu Senhor?

    ATENÇÃO: * * * *
    Prendeu bem minha atenção.
    Caminhou no limite de dispersar, alongando-se um pouco além da conta e fazendo o estilo diferente começar a ficar comum.

    TRAMA: * * * *
    Não há uma trama necessariamente, mas também ganha pontos pela inovação.
    Ficou com uma cara de lenda de folclore, muito gostosa.

    E essa frase final foi pra lacrar! Muito bom.

    UNIDADE: * * * * *
    Continuidade perfeita.

    NOTA FINAL: 8,5

  29. Anorkinda Neide
    5 de agosto de 2016

    Comentário primeira fase:
    Um texto interessante, com alguns errinhos ortográficos. Gostei do personagem um tanto misterioso mesmo sem muita profundidade. A linguagem não é nem regional demais nem deixa de sê-lo.
    .
    Comentário segunda fase:
    O autor conseguiu seguir no ritmo do anterior, salvo óbvias diferenças, afinal são pessoas diferentes. Mas consegui visualizar bem o que o autor trouxe nesta continuação. Parabéns.
    .
    União dos textos:
    Achei boa a fusão, quase não identifiquei onde começa um e termina o primeiro. Deu sequência à viagem do protagonista e uma solução para o sonho dele com a igreja.
    Parabéns aos autores.
    Abraço

  30. Brian Oliveira Lancaster
    4 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – Santo Sertão que Arde (Santo de alguma causa)
    CA: Então… Estilo bem criativo, uma mistura fácil de acompanhar, apesar dos tons poéticos, com camadas emocionais bem acima da média. Mas difícil de ser continuado. Baita desafio. – 9,0
    MAR: Nada me incomodou depois que entendi a marcação dos diálogos. São bem escritos, carregados de regionalismo, porém simples. – 8,5
    GO: É um cotidiano nordestino que nem todos estão acostumados. Apesar da simplicidade aplicada, me perdi algumas vezes nas reflexões. No entanto, continua sendo um belo texto “comum” com uma pegada religiosa na superfície e várias camadas internas. – 8,0
    [8,5]

    JUN: Deu uma leve mudança de ares e estilo, mas as reflexões foram mantidas. A escrita flui, mas senti falta do travessão em alguns diálogos não pontuados por aspas. Continua um texto denso. Começou no estilo prosa poética e encerrou em cotidiano. É uma troca suave, mas não caiu tão bem. – 7,5
    I: Um texto bem complexo em sua estrutura. Ainda não compreendi muito bem a história. O início dá a entender que se trata de um folhetim, mas na parte final deu-se preferência ao deslocamento dos eventos para o eixo central. Mas o segundo autor se esforçou em reproduzir os trejeitos e isso conta muito. – 8,0
    OR: Começou original, diferente, musical. Mas terminou cotidiano. – 7,5
    [7,6]

    Final: 8,0

  31. Thomás Bertozzi
    4 de agosto de 2016

    Uma bela narrativa que mistura bem sentidos denotativo e conotativo. O enredo – alguém que anda por um caminho aprendendo com as personagens que encontra ao longo da jornada – já foi muito utilizado e explorado por aí. Mesmo assim, na minha opinião, a trama convence.

    Há alguns erros de ortografia e concordância, especialmente no início, que tiram um pouco do brilho da história, infelizmente.

  32. Gilson Raimundo
    4 de agosto de 2016

    As histórias parecem não se comunicar, não se integram, viajei na primeira parte, me perdi varias vezes, não consegui compreender a mensagem mesmo relendo com um pouco mais de calma, o segundo autor tentou dar uma guinada no conto, urbanizou um pouco, identifiquei mais com esta parte apesar de desviara do tema inicial proposto….

  33. Olisomar Pires
    3 de agosto de 2016

    Uma pérola. Confesso que gostei mais da primeira parte, embora a segunda tenha muita consistência, perdoem se me engano. É difícil comentar algo tão profundo com meu raso conhecimento, então escrevo o vem de sentimento. Esse é outro exemplo que gostaria de ver concluido pelo autor original.

  34. Davenir Viganon
    2 de agosto de 2016

    Olá. Demorei pra entrar na prosa, parecida como uma coisa feita para teatro, mas depois que entrei (antes da metade do texto) a coisa fluiu e melhorou quando o continuador começou. O jeito de escrever a primeira parte é difícil de emular mesmo querendo (aqui é um caso que fica estranho mudar tudo) contudo, a segunda parte deu conta do recado e além de ficar mais fluido deu um bom final. Bom trabalho dos dois.

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Publicado às 6 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .