EntreContos

Literatura que desafia.

A História de Pablo Valdivia (Ricardo de Lohem e Sasha Cardoso)

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Meu nome é Alejandro. Só Alejandro, Ou, se preferirem, simplesmente Alejo. Sobrenome? Se me querem sobrenome, que seja Nadie. Chamem-me Alejandro de Nadie. Sou só, caminho pelas estradas, indo de cidade em cidade, e minha única companhia é minha moto, que chamo de Hermes. Eu falo com ele, o que nada tem demais; muitos são os homens que falam com objetos inanimados, o estranho na coisa é que ele me responde. Sou louco? Não creio, conheci homens loucos nesta vida, sei que não sou um deles. Mas loucos, dizem, às vezes não sabem que o são. Ao menos tenho a certeza que, se pertenço à categoria dos lunáticos, o sou em baixo grau, coisa que posso manejar tão bem quanto dirijo minha moto.

O que faço para viver, essa é uma das primeiras coisas que se pergunta quando se conhece alguém, como se o fazer determinasse o ser. Tenho duas profissões, uma delas eu sou, eu sou um escritor. A segunda eu faço, mas não tenho como parte de meu ser. Esta vocês logo conhecerão. O que quero contar agora é uma das histórias que vivi por essas estradas. Apenas mais uma cicatriz que guardo no coração, formada pelas lágrimas ácidas que meus olhos rebeldes insistem em chorar para dentro de meu peito.

Estava um dia eu trocando palavras com Hermes quando vi um menino andando na estrada. Não caminhava, nem corria; se arrastava, como um maratonista prestes a morrer de cansaço. O olhar era como o de alguém exausto de fugir de um inimigo implacável. Mal sabia eu o quanto estava certo.

O menino assim ia, quando caiu. Tive certeza que estava morto, pelo que havia visto em seus olhos um momento antes. Parei a moto, fui até ele, segurei seu frágil corpo em meus braços.

– Menino? Que se passa?

Ele abiu os olhos e falou, com voz lenta e cansada.

– Moço, por favor, não deixa o homem mau me pegar!

Ouvi um ruído, e quando ergui a cabeça, vi um carro estacionar na estrada. Dele saiu um homem moreno e atarracado. Muito aflito, gritava:

– Miguel! Miguel!

Se aproximou correndo. Não deixei que minha mente tentasse adivinhar quem era. Há muito aprendi a não confiar no primeiro quadro que me entra na vista, nem na primeira ideia a brotar-me da cabeça.

– Quem tu és? – perguntei ao homem.

Ele desacelerou o passo, veio até mim e disse:

– Sou Pablo, o pai desse menino que tu tens nos braços, seu nome é Miguel.

Olhei para o garoto e perguntei.

– Ele é teu pai?

O garoto olhou para o homem.

– Papai! – disse o menino, e fechou os olhos.

Levamos a criança até o carro. Pablo me pediu para acompanha-los até em casa, ele teria algo a me dizer. O filho foi posto para dormir, fomos então conversar na frente da casa.

– Meu filho tem problemas.

– Ele falou de um homem mau – disse eu.

O pai arregalou os olhos.

– Sim, sim! Há um homem que o persegue, um bandido. Já o roubou, bateu nele várias vezes, o ameaçou, o chiquilho vive com medo desse criminoso.

– E tu, como pai, não fazes nada? É teu dever proteger teu filho. Se não o sabia, fique agora sabendo!

– Sim, o senhor tem toda a razão, mas esse bandido, não posso com ele, é por demais perigoso, e muito mais forte que eu.

– Para isso se criou a polícia: para que os mais fortes não façam como queiram com os mais fracos.

– Não onde moro. Senhor, se eu chamar a polícia onde moro, ela não virá, e se vier, eu que terei que partir no dia seguinte, se quiser conservar minha vida e a de meu filho.

Conheço muitos lugares assim; ele nada mais precisou me explicar.

– Senhor, creio que ainda não nos apresentamos devidamente. Sou Pablo Valdivia. No momento minha ocupação é incerta. Vivo de bicos por aí, com isso sustento a mim e a meu filho.

– Pode me chamar de Alejo, Alejo de Nadie. Sou escritor.

Pablo se aproximou de mim como quem vai fazer uma confissão.

– Senhor Alejo, posso lhe perguntar uma coisa?

– Vá em frente.

– O senhor já esteve em Santa Inês?

As lembranças que me vieram ao ouvir esse nome se reuniram todas para me dizerem: “tens cuidado com esse homem, sejas só frente, pois se deres as costas, perigo corres”.

– Sim, já estive, a que vem tal pergunta?

– Se o senhor lá esteve deve ter ouvido falar de um bandido chamado Fidel O Cobra?

Olhei nos olhos do homem; não senti o desejo de sangue. Mas não se pode confiar no sentir. Só me restava a franca e pura honestidade dos que não mais dispõe de outras opções de agir.

– Fidel O Cobra? Sim, conheci esse homem. Eu o matei.

A expressão de Valdivia assumiu um ar de gravidade extrema.

– Posso perguntar por quê?

– Por dinheiro. Essa é minha segunda profissão: mato pessoas por dinheiro. Permita que eu me apresente de novo: Eu sou Alejo, Alejo de Nadie, escritor e assassino. Na vida real, mato pessoas: na minha imaginação, eu as crio, na esperança de assim pagar por meus pecados.

Pablo explodiu numa alegria inusitada.

– Eu sabia! Eu morava em Santa Inês, vi o senhor de relance. Quando avistei meu menino nos seus braços, tive quase certeza que era o mesmo homem que mandou Fidel para a terra do esquecimento. Poderia, por favor, aguardar um momento?

E se foi para dentro de casa. Deveria aproveitar para fugir, mas era tarde demais. Se ele sair com uma arma, serei alvo fácil correndo de costas. Melhor aguardar que o destino me revele que papel reservou para esse homem na minha vida.

Ou na minha morte.

Ele retornou logo, uma sacola de couro na mão. Abriu e me mostrou que estava cheia de dinheiro.

– É tudo que pude arranjar. Senhor Alejo, o senhor não sabe o quanto me custou conseguir esse dinheiro; nas condições que vivo, não gastá-lo para comprar pão foi um sacrifico que me dói com a lembrança das dores da fome que passei.

– Quer que eu mate o homem que persegue seu filho?

– Sim! Mande o desgraçado pro inferno!

O dinheiro na bolsa era muito para o pobre homem, mas nem um quarto do que costumo cobrar. Que seja, não sou dos que se movem só pelo dinheiro, ele me serve, não eu a ele.

– Se eu aceitar tua proposta. Tu terás que me dizer o nome completo do homem, e me dar ao menos uma foto dele; além disso, preciso saber quais os locais nos quais posso encontra-lo.

– Não há necessidade de nada disso, senhor. Posso lhe mostrar onde esse homem está agora mesmo.

– Que queres dizer? – perguntei-lhe. – Queres vir comigo?

Ele fez que sim com a cabeça.

– O senhor poderá terminar o serviço ainda esta noite.

Eu fiz que não.

– Não trabalho dessa maneira, Pablo. Preciso de um dia, talvez dois ou três, para checar se o homem merece ter sua vereda cortada. Não enviou qualquer um para o desconhecido.

Aflito, respondeu-me Valdivia.

– Senhor, acho que não entende: esse homem tem que morrer esta noite. Esta noite tenho o dinheiro ainda; esta noite encontrei o senhor, um anjo da morte que veio para salvar meu filho; esta noite tenho coragem para mandar matar esse bandido. Sou um covarde, bem o sei, mas esta noite estou um pouco menos covarde. Amanhã não sei como será, senhor. Quanto ao senhor se assegurar que é um homem mau que irá morrer, lhe garanto que, assim que o vir, não mais duvidará da justeza do serviço. O bandido é um homem de maldade evidente em seu rosto, voz e gestos; sua natureza desprezível e asquerosa de tal modo transborda, que até o mais pacífico dos seres, após observá-lo por três ou quatro minutos, cogita tornar-se assassino, nem que seja uma vez na vida.

Calei-me. Pedidos suspeitos como aquele exigiam pensar. O homem não parecia ter trampa.

– Irei contigo; se o homem for como tu o descreves, aceito o serviço.

Pablo sorriu como se eu lhe tivesse prometido um saco cheio de ouro e diamantes. Nem parecia que ele é que me daria dinheiro e, em troca, eu lhe daria um cadáver. Valeria a pena dar para esse pobre miserável essa felicidade vazia? Não creio. Então, por que aceitei?

Pelo garoto.

Deixei a moto estacionada no quintal e fomos no carro dele, um agregado disforme de partes díspares que só se movia por milagre. Depois de, talvez uns quarenta minutos, chegamos a um bar chamado El Mulo.

Estou acostumado a todo tipo de lugares, o que não quer dizer que todos me caiam no gosto. El Mulo era um antro onde homens iam esquecer-se de si mesmos com bebida e drogas, regadas com o prazer de dançarinas nuas. Ouvi murmúrios de negociatas ilegais serem acordadas nas mesas, incluso aí meu segundo ofício. Um lugar como esse, pensei eu, seria o lugar que um homem como o descrito por Valdivia frequentaria.

Sentamo-nos numa mesa, o pai de Miguel olhou em volta, atento, parecia gravar tudo que via, cada rosto dos que lá estavam.

– Ele está aqui? – perguntei.

– Não. Mas ele virá: só temos que esperar, tenho certeza que ele virá.

Pedimos bebida, fui de duas pingas. Pablo me acompanhou, e seguiu adiante. Foi de pinga, vodca, cerveja, vinho. Seu rosto se volveu numa cara de idiota, começou a falar besteiras. Não me pediu conselho, resolvi dar de graça.

– Pablo, só se deve beber até o ponto que ainda somos nós que bebemos a bebida, não ela que nos bebe.

Ele sorriu com cara de deboche.

– Senhor Alejo, dê atenção apenas ao seu trabalho, que de minha vida, do quanto bebo ou sou bebido, disso cuido eu, pois sou senhor de minha vontade.

Pensei comigo: “Tu não me pareces senhor de nada, antes servo de tudo,” mas fiquei no pensar. Preferi ir atender ao chamado da natureza. Pacificadas as vísceras, ao voltar me deparei com uma cena: Pablo de pé, faca na mão, tentando lutar com um enorme homem moreno, de cabelos curtos e fúria nos olhos. Seria o homem que persegue Miguel?

– Me solta! Deixe-me tirar sangue desse resto de basura!

Não o soltei, perguntei em baixa voz em seu ouvido:

– É ele?

Valdivia parou de debater-se.

– Não.

Saímos do local, eu irritado pelo tempo perdido. Fui o motorista, o homem estava por demais borracho. Devolvi a bolsa de dinheiro para Pablo. Era pegar Hermes e esquecer do ocorrido, pensei, quando o pai de Miguel gritou:

– Lá! Vamos pra lá!

Apontava para um mato próximo, onde devia ter avistado o bandido. Estacionei, Pablo saiu, excitado, fazendo sinais para que o seguisse. Parou perto de umas árvores e jogou para mim a bolsa de dinheiro.

– Senhor Alejo, saques tua arma, Chegou a hora.

Saquei minha pistola, observando atentamente as árvores, tentando perceber o menor movimento de alguém escondido. Nada percebi e perguntei:

– Onde está o homem, Pablo?

Ele se virou para mim e respondeu.

– Senhor Alejo, o lixo humano, a escória que bate em meu filho e rouba seu dinheiro, que o faz tentar fugir de casa, esse criminoso inútil está diante do senhor. Veja! O bêbado que rouba meu filho para comprar bebida e drogas está aqui, diante dos seus olhos.

Seus olhos se umedeceram até transbordarem.

– Salve Miguel, senhor Alejo. Eu lhe imploro, mate o homem que transformou a vida de meu filho num inferno.

Querem saber o que aconteceu? Pois não lhes contarei. O que quer que dissesse, seria meu ponto de vista, e há neste mundo pelo menos tantos deles quanto há olhos, o que dá a cada um de nós o direito de ter pelo menos dois, que muitas vezes discordam entre si. Apenas uma coisa lhes direi. Depois desse dia escrevi uma história sobre um homem comum, um pai, que se tornou um herói ao matar o bandido que perseguia seu amado filho. Como a chamei?

A História de Pablo Valdivia.

W.I.P.

Venha cá, eu quero te contar a minha história mais importante, uma que eu nunca consegui colocar em papel. Eu sei que já devo ter te contado ela antes, mas agora você já está velho o suficiente para eu te contar todos os detalhes. Eu sei que no final você não vai mais ver a gente como antes, mas você também vai ter aprendido uma lição muito importante.

Eu cheguei naquela cidade nos últimos vapores da minha leal Hermes, a agulha já estava no vermelho a pelo menos meia hora e aquele pequeno oásis de civilização era tudo que eu precisava. A cidade era pouco mais que uma rua principal e uma meia dúzias de lojas, típico do interior do Brasil. Até alguns anos atrás eles estariam praticamente parados no tempo, com alguma sorte talvez tivessem um ou dois computadores em toda a cidade e as chances seria que um deles estaria sendo usado como um peso de papel, mas nos dias de hoje para todo lugar que eu olhava haviam garotos e garotas com seus olhos vidrados em seus celulares.

Eu empurro minha querida Hermes os últimos metros até o que se passa de posto de gasolina no lugar, eu consigo ouvir os lamurio da minha fiel máquina ao tentar imaginar que tipos de aditivos haviam sido misturados nesse combustível, mas eu a acalmo com a promessa de uma bela encerada depois e de gasolina aditivada assim que estivéssemos em uma cidade de verdade.

Depois que eu terminei de cuidar da minha querida Hermes fui procurar combustível para mim mesmo em um dos restaurantes locais.

A comida não era das melhores, eu nunca fui um fã de comida caseira e essa era especialmente sem sal, mas mesmo assim eu deixei uma bela gorjeta para o casal. Nem todo mundo aprende que as pessoas não ganham dinheiro trabalhando duro.

Eu estava pronto para voltar a estrada quando um carro de polícia parou bem atrás de mim e os dois policiais fizeram sinal para eu sair da moto. Eu sempre ando com todos os meus documentos em dia, diversos grandes criminosos foram pegos muitas vezes por besteiras como multas de transito ou mesmo fraude do imposto de renda, por isso eu mantenho meus papéis em dia e não me envolvo com nada ilegal. Exceto é claro pelo fato que eu mato pessoas por dinheiro, obviamente.

-A gente precisa que você venha com a gente até a delegacia. –Um dos policiais fala sem perder tempo.

-Algo errado, policial? –Eu conheço muito bem meus direitos, isso é uma dica para todos vocês ai a fora que estão pensando em cometer algum crime: Estude as malditas leis.

-Nada não, a gente só quer bater um papinho. –O segundo policial fala, a espingarda que ele carregava não me inspirava nenhuma confiança, suas pupilas dilatadas denunciavam que ele era o escravo de alguma droga e o dedo no gatilho era incrivelmente irresponsável.

-Vocês pretendem fazer alguma acusação? Por que eu tenho um compromisso importante e precisava seguir viagem. –Eu respondi prontamente.

-A gente não vai demorar não, o delegado só queria trocar uma palavra com você. –O primeiro falou de novo, ele parecia bem mais contido que o primeiro e a sua postura falava de alguém muito experiente.

-Quer que eu siga vocês? –Eu pergunto tentando parecer o mais inocente e gentil possível.

-Precisa não, você vem no carro com a gente. –O policial mais velho falou, sua mão repousando ameaçadoramente em seu coldre, se eu tentasse qualquer movimento suspeito ele teria a arma em mãos e dois tiros no meu peito antes que eu pudesse sequer chegar perto dele.

Nessas horas eu me arrependo de não ter uma arma comigo, pode parecer estranho para você, mas eu nunca carrego uma arma comigo. A maior parte dos trabalhos eu consigo resolver simplesmente com um pedaço de corda, uma faca ou mesmo um pedaço de vidro. Você ficaria surpreso com a quantidade de coisas do dia a dia que podem ser usadas de maneira letal se você estiver realmente determinado, armas de fogo servem apenas para te tornar um escravo da morte.

Sem escolha eu acabo obedecendo, entro no carro deles e em questão de minutos eles me levam não para a delegacia, mas para a casa do delegado. Agora eu tinha certeza de que estava me metendo em algo bem estranho. Eles me guiaram para fora do carro e para dentro da casa, me lembrando de limpar as minhas botas na entrada (Que tipo de animal eles acham que eu sou?) e então para uma grande sala de visitas onde o delegado provavelmente devia estar acostumado a receber convidados muito mais distintos que um humilde escritor viajante.

Sem perder tempo o delegado colocou uma pequena caixa de metal na minha frente, dentro dela estava pelo menos o dobro do que eu normalmente cobro em notas velhas. Meu primeiro instinto é que isso era alguma espécie de flagra encenado.

-Normalmente eu não cobro tanto pelas minhas histórias, mas…

-Não me trate como um idiota. –O delegado falou nervoso. –Eu sei quem é você, eu sei o que você faz e a única razão de você não estar apodrecendo em uma cova rasa agora mesmo é que eu preciso que você cuide de uma pessoa para mim.

-Por que você não pede para um dos seus capangas? –Eu aponto com o dedão para os dois policiais que estão esperando na porta.

-Eu prefiro que meus oficiais não tenham o costume de matar pessoas. Ainda mais sendo que o pobre coitado é um dos nossos.

–Eu vou precisar de um dia, talvez dois ou três, para checar se o homem merece ter sua vereda cortada. Não envio qualquer um para o desconhecido.

-Fique à vontade, mas não demore muito, esse homem é uma vergonha para a nossa corporação e um perigo para a nossa cidade pacífica.

-Qual o nome desse temível vilão?

-Henrique Vieira, ele era um bom policial, mas agora é um viciado e um traficante.

-Onde eu posso encontrar ele?

-Atualmente ele mora em uma casa abandonada na beira da cidade, mas tome cuidado.

-Eu sei como fazer meu trabalho. –Eu respondo enquanto guardo o dinheiro em um dos bolsos da minha jaqueta.

Os dois policiais me escoltam de volta a minha moto e apesar de não dizerem nada eu sei que eles vão estar me vigiando e se eu tentar escapar da cidade eu tenho certeza que meu corpo vai ser encontrado boiando no rio alguns dias depois.

Eu pego as ferramentas mais importantes para o meu trabalho, tanto o de assassino quanto o de escritor: Meu celular, um binóculo e um bloco de anotações.

Com o celular eu começo a pesquisar sobre o meu futuro alvo, uma vez que eu tenho um nome é simples encontrar ele nas redes sociais e em questão de minutos eu consigo ter um perfil bem detalhado dele. Henrique Vieira é um jovem policial, condecorado em serviço por bravura, esteve envolvido recentemente em uma operação contra traficante de drogas e é alguém estranhamente solitário: Sem amantes, sem esposa ou mesmo amizades com benefícios. Toda a sua presença online desaparece cerca de dois meses atrás, no entanto, antes disso ele parecia perturbado com alguma coisa, o tempo das suas postagens indicava que ele passava noites em claro e então do dia para a noite ele simplesmente desapareceu da internet.

Eu encontro ele com facilidade em uma das casas abandonadas na periferia da cidade, os últimos meses haviam transformado ele de um rapaz confiante e feliz em um completo escravo das drogas, eu consigo ver o vazio em seus olhos de alguém que está simplesmente esperando pela morte, mas ao mesmo tempo parece ter medo de ar o último passo em direção a ela. Pelo meu binóculo eu observo ele por um dia e uma noite antes que eu decido que cortar seu fio da vida será quase uma obra de caridade.

Escolho uma faca como a minha arma, em consideração a minha vítima eu afio ela até que tenho certeza que sua lâmina vai ser capaz de cortar através da carne sem problemas. Ele já foi uma pessoa boa e merece uma morte rápida e indolor. Eu espero o anoitecer para agir.

Entrar na casa é como mergulhar em decadência humana, existe dejetos humanos por toda parte, restos de comida e o cheiro inconfundível de podridão humana. A forma decrépita de Henrique está simplesmente jogada em um canto tendo sonhos agitados, uma seringa ainda em sua mão. Eu me aproximo cuidadosamente, seus resmungos noturnos são os de alguém torturado pelo passado. Eu espero que na morte ele encontre a paz que tanto procura na ponta de uma agulha.

Eu seguro firme a minha faca e aproximo sua lâmina afiada do seu pescoço, com apenas um movimento de pulso vou cortar sua carótida e em questão de segundos ele irá morrer. Antes que eu pudesse fazer isso, porém eu me deparo com uma caderneta de anotações cuidadosamente guardada em meio a toda sujeira, como uma relíquia sagrada preservada em meio a um templo dedicado a podridão humana. Minha curiosidade toma o melhor de mim e eu abro a caderneta com cuidado, tomando cuidado para não sujar as suas páginas tão pristinas e brancas.

O que encontro ali é a alma de um artista. Dezenas de desenhos de pessoas e paisagens em diversos estilos, entre elas estão ilustrações de mundos de fantasia, de nobres cavaleiros e sábios magos. É quase impossível de imaginar o ser imundo e decrépito diante de mim capaz de criar tal beleza. Antes dele ser um escravo das drogas ele havia sido um escravo da arte tal qual eu.

Folheio os livros acompanhando as histórias de um valente cavaleiro e seu corcel lutando contra monstros, mas as últimas páginas são diferentes. O cavaleiro avança contra um temível monstro, mas a cada golpe de sua espada os monstros se transformam em humanos, ilustrações dignas de Goia em que o cavaleiro é arrastado para o inferno pelas pessoas que ele matou.

Eu o acordo com um chacoalho brusco, ele pula assustado, seus olhos obviamente percebendo a faca em minha mão e cintilam com a esperança de que tudo irá acabar em breve.

-Me conte uma história. –Eu falo. –Me conte uma história e eu te darei paz.

-Era uma vez um cavaleiro. –Ele fala com uma voz cansada. –Um jovem cavaleiro que sonhava em ajudar pessoas, em salvar donzelas e proteger os aldeões. Ele sentia que seu dever era lutar contra o mal e todo dia a noite ele desenhava sobre as pessoas que ele havia salvado e especialmente sobre aquelas que ele não conseguia salvar.

-O que aconteceu com esse cavaleiro?

-Ele foi enviado para matar um grupo de monstros terríveis que estava espalhando veneno entre os aldeões. O cavaleiro e seus companheiros de armas conseguiram encurralar os monstros em uma velha fabrica, o rei deu a ordem para incendiar o lugar, aqueles eram monstros malvados que não mereciam ser capturados vivos…

-O que aconteceu? –Eu o encorajei.

-O fogo destruiu todos os monstros, mas eles não eram monstros…. Eles eram crianças, pessoas desesperadas. O cavaleiro estava sujo de sangue, ele estava para sempre condenado a ver os rostos daquele que ele matou em seus sonhos.

Eu o agarrei pelo braço e o forcei de pé.

-Não! –Ele gritou. –Você me prometeu! Você me prometeu!

-Você vem comigo, cavaleiro. –Eu o puxei para fora daquela casa.

Eu o forcei para longe da casa, coloquei ele na garupa da minha motocicleta e fomos para longe daquela cidade, eu o levei para longe das drogas, lhe dei a chance de ser um cavaleiro de novo e quando ele estava limpo e feliz de novo eu escrevi a história de como um bandido resgatou um nobre cavaleiro e mais tarde eu acabei escrevendo a história de como um cavaleiro se apaixonou pelo bandido, mas essa eu não terminei ainda, por que essa é a história que nós estamos escrevendo todo dia, filho.

 

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37 comentários em “A História de Pablo Valdivia (Ricardo de Lohem e Sasha Cardoso)

  1. apolorockstar
    19 de agosto de 2016

    é um conto bastante interessante. o texto tem bastantes diálogos e é fluido, a linguagem é bem aplicada e o melhor é que ele está sempre cheia de surpresas, logo no titulo ,que nos faz pensar que pablo é o narrador e logo vemos que é Alejandro, depois como se desencadeia o encontro dos dois personagens. porem o final ficou muito rápido, poderia explicitar melhor a história de como se sucederia o menino e seu novo pai

  2. Thales Soares
    19 de agosto de 2016

    Estou com opiniões divididas em relação a esse conto…

    A ideia inicial é muito muito boa!!! Um motoqueiro escritor assassino que, arrependido de suas façanhas, sempre escreve uma história sobre suas vítimas. Achei extremamente criativo e divertido. Fiquei bastante empolgado com a primeira metade. O primeiro autor, inclusive, deixou tudo pronto para o segundo. Estava tudo nos esquemas, era só seguir o script e continuar com a ótima direção que a história estava tendo. No entanto…

    O segundo autor acabou… err…

    Me senti igual quando estou assistindo a continuação de um filme grandioso, que ganha uma segunda parte só para vender, como caça níquel, e acaba ficando com uma qualidade extremamente duvidosa, devido à falta de capricho e à twists estranhos e forçados, colocado só para chocar o telespectador. Igual Efeito Borboleta 2, ou Donnie Darko 2.

    Isso para mim foi algo extremamente broxante. O final do casal homossexual foi como um tapa na cara do leitor. Não por ser polêmico, mas por jogar no lixo tudo o que foi escrito na primeira parte, e ter criado algo totalmente paralelo e sem nenhum encaixe com o primeiro autor.

  3. Wilson Barros Júnior
    19 de agosto de 2016

    “Lágrimas ácidas que meus olhos abertos insistem em chorar para dentro de meu peito” é uma grande frase. O início é clássico, com o autor prometendo contar uma história, é um bom recurso, que mantém o leitor aceso. Muito interessante os diálogos, interessante o Alejo apresentar-se pela segunda vez. O conto todo é bem escrito e interessante. Um detalhe: a primeira parte já estava completa, deve ter dado um trabalhão imaginar como continuá-la, além do mais com a linguagem peculiar do autor. Ficou outra história, mais boa com a primeira, gostei também, parabéns.

  4. Thiago de Melo
    19 de agosto de 2016

    Amigos autores,
    Confesso que, de início, não gostei muito do conto. Foi só na última palavra de toda a história que eu fui gostar do conto que vocês construíram juntos. A princípio achei que as duas partes não se conectavam praticamente em nada e que algumas coisas ficaram meio soltas. Foi só quando li “filho” que tudo se juntou, se conectou e eu pude fazer uma linha narrativa imaginária conectando tudo. Achei muito legal. Parabéns.
    Devo dizer que achei o assassino/escritor de vocês muito bonzinho. Ele aceita um quarto do pagamento para ajudar o pai do menino, e depois dá uma bela gorjeta: “A comida não era das melhores, eu nunca fui um fã de comida caseira e essa era especialmente sem sal, mas mesmo assim eu deixei uma bela gorjeta para o casal.”. Mas isso é o de menos.
    Gostei muito da parte em que ele vai matar o policial decadente. Quando ele acorda o cara e diz “Me conte uma história”, eu arregalei os olhos. Não é o tipo de coisa que eu esperaria, mas faz sentido se o cara é um escritor. Achei surpreendente e verossímil ao mesmo tempo. Gostei.
    Como eu disse no início, a última palavra do texto foi a cereja no bolo e o resultado ficou muito interessante.
    Parabéns aos autores.
    Abraço

  5. Simoni Dário
    19 de agosto de 2016

    Olá
    Alguns erros de digitação logo no início do texto, leitura travada, não consegui ler a primeira parte até o fim sem me distrair.
    Não gostei do desenvolvimento do resto do conto, travado também, acho que faltou criatividade de ambas as partes.
    Não teve impacto. Boa sorte!
    Abraço

  6. Daniel Reis
    19 de agosto de 2016

    Prezados Autores, segue aqui a minha avaliação:
    PREMISSA: a história do Cavaleiro Solitário, numa narrativa com pegada HQ, prometia. Mas com a linguagem misturando um portunhol inoportuno, e depois, com a virada do segundo autor, a narrativa perdeu o foco e a coerência.
    INTEGRAÇÃO: apesar da disparidade de estilo, é possível entender a história como única, e isso é mérito principalmente do segundo autor.
    CONCLUSÃO: apesar dos reparos, é uma história que, pelo universo, me atraiu bastante. Parabéns!

  7. vitormcleite
    19 de agosto de 2016

    uma história que desde o inicio não me agarrou, penso que devia ter um ponto de interesse muito forte para manter o leitor envolvido. O dialogo inserido na trama não é suficiente para funcionar como elemento unificador no texto. Lamento, será uma falha minha.

  8. Renata Rothstein
    18 de agosto de 2016

    A historia de Pablo Valdivia, conto que li e reli, e ainda releio, para não errar…excelente,
    Nota 10

  9. Luis Guilherme
    18 de agosto de 2016

    Engraçado que já li uma história que tem um personagem Hermes que não deveria, mas fala. No outro caso, era uma pomba, agora, uma moto. Coincidência hahaha.
    Mas vamos ao que interessa. Na primeira metade, eu tava meio em dúvida se tava gostando ou não. A história tava interessante, tinha um bom ritmo, e tal, mas achei que tava dependendo muito da segunda metade, principalmente por ter deixado em aberto o acontecimento final da história: será que o Alejo matou ou não o bendito Pablo Valdívia?
    Mas aí, na segunda metade, o coautor decidiu simplesmente abandonar tudo e começar do zero. Não consegui entender bem isso, mas achei que no final fizesse sentido. Mas não. Se tratando de um desafio em dupla, achei que ficou bem fraca a continuação, que preferiu tomar um caminho novo em vez de dar um sentido pra primeira metade.
    Além disso, parece que tudo se passa em um local e época diferente.
    Também existem alguns erros gramaticais.
    Por tudo isso, não gostei muito do trabalho no todo.

  10. Jowilton Amaral da Costa
    18 de agosto de 2016

    O conto começa muito bem, com suspense e uma narrativa clássica, que instiga a leitura. o primeiro autor deixou um bom gancho, que me parece, o segundo autor ignorou. A segunda parte perde a linha da narrativa anterior e falha com isso. A segunda parte precisava de uma revisão mais apurada. A escrita me pareceu apressada.O desfecho não me agradou. Boa sorte no desafio.

  11. mariasantino1
    18 de agosto de 2016

    Olá, olá!

    Então, lamento mais a complementação fez o conto decrescer (acontece). Então, como são dois autores em estágios diferentes de escrita (não que eu entenda de algo, mas sou curiosa), vamos falar por partes.

    I — O conto é bom, o personagem é cativante e a trama, por mais que me tenha sido previsível (o lance do pai ser o algoz do filho), a condução me foi um deleite, visto que a narrativa tem seu brilho próprio, o personagem tem sua fala, demarca bem sua presença e o autor segue sem pressa desvendando paulatino (o que faz apreciar mais as falas com sotaque espanhol). Por esse motivo a minha nota máxima: 5 de 5.

    II — O autor me pareceu ser alguém que não escreve há muito tempo, ou que está levando a sério a escrita agora, pois há diversas repetições do pronome “EU”, há mistura de tempos verbais — ações que se iniciam no presente e rapidamente vão para o passado numa mesma oração. Houve claramente a descaracterização do personagem, pela perda da fala (o sotaque é só um dos elementos que se perdeu) e houve rasura, falta de profundidade e descrições de sentimentos. A trama na segunda cai numa brusquidão de ação não oferecida na primeira parte e por esse motivo o conto perdeu pontos. 2 de 5

    Boa sorte no desafio

    Nota final: 7

  12. Bia Machado
    17 de agosto de 2016

    O autor da primeira parte colocou a mesma personagem no conto que completou? Legal, rs. O texto começa apresentando a personagem e já com alguns lapsos de revisão. E não é um dos textos que foi postado quase para acabar o prazo, foi?

    Acho que algumas coisas poderiam ser revistas, agora com mais tranquilidade.
    Com relação ao enredo, não me interessei, talvez pela execução? A leitura foi arrastada e não senti empatia pelas personagens. E o segundo autor parece que teve que correr um pouco no final, principalmente no parágrafo final. Alejo de Nadie, ao menos nesse texto, não me cativou.

  13. Pedro Luna
    17 de agosto de 2016

    Humm… esse conto foi postado antes. Logo é o outro que subverte. Deus, que bug mental.

  14. Pedro Luna
    17 de agosto de 2016

    Hum, interessante crossover. Pelo que entendi a segunda parte conta a verdadeira trama, e no fim o Vieira e Alejo acabaram ficando juntos, e criando o filho de Vieira, e Alejo conta a história pro menino. Ou foi o contrário? Ou viajei? Haha. Fiquei um pouquinho confuso, mas acho que pesquei certo. A escrita foi boa, e achei ousado botar uma trama dentro de outra. Não gostei tanto por questão de gosto, mas não foi uma leitura desagradável. Engraçado aqui a subversão do personagem do outro conto, pois naquele ele parecia algo muito diferente.

  15. angst447
    17 de agosto de 2016

    Para este desafio, adotei o critério T.R.E.T.A (Título – Revisão – Erros de Continuação – Trama –Aderência)
    T – Título que desperta a curiosidade sobre o tal Pablo.
    R – Algumas falhas de revisão:
    para acompanha-los > para acompanhá-los
    encontra-lo. > encontrá-lo
    voltar a estrada > voltar à estrada
    eu observo ele > eu observo o homem
    eu afio ela > eu afio a lâmina até ter certeza de que será capaz de…
    Há uma repetição enorme de EU. Basta omitir o pronome pessoal em algumas frases.
    Na primeira parte, o tratamento pessoal está muito forçado com o uso de TU e sua desinência verbal. Ficou muito estranho.
    E – Não percebi grande conflito entre as duas partes, embora o primeiro autor tenha marcado o fim da sua redação. O segundo autor tratou de pegar o gancho do lendário escritor/matador e seguiu em frente. Assim sendo, considero cumprido de forma satisfatória o objetivo do certame.
    T – Uma trama interessante, envolvendo um misterioso personagem que se revela escritor, mas também um matador. Algumas passagens poderiam ter sido melhor desenvolvidas, passando verossimilhança. Algumas pontas ficaram soltas, o que impediu que o conto tivesse o impacto esperado. Vou reler a parte final para tentar entender o lance do “filho”.
    A – A presença de diálogos favoreceu a narrativa, tornando a leitura mais ágil e agradável. O ritmo acertado diminuiu o risco do texto se tornar maçante em alguns pontos. No entanto, minha curiosidade frustrou-se com a ausência de uma revelação estrondosa. Expectativas demais? Achei divertido, mas faltou algo.

    🙂

  16. Leonardo Jardim
    17 de agosto de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (li inteiro, sem ter lido a primeira parte antes):

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): são duas histórias bem diferentes usando o mesmo personagem. As duas são boas, mas de final um tanto previsível. Na primeira, eu já imaginava que o homem mau era o pai desde o início e fiquei torcendo para ser surpreendido, mas não fui. Na segunda, não sabia exatamente o que ia impedir o protagonista de matar o policial, mas eu imaginava que algo aconteceria. O estranho é que na primeira parte o personagem parecia frequentar mais a América hispânica e no segundo estava no Brasil.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): as técnicas de ambos os autores estão no mesmo nível. Sem grandes erros (apenas alguns de digitação) e narrando com bastante eficiência. Não chegam a se destacar demais, mas também não comprometem em nada. Considero isso uma boa técnica. Os problemas que encontrei foram esses aqui:

    ▪ Não enviou (envio) qualquer um para o desconhecido
    ▪ Toda a sua presença online desaparece (desapareceu) cerca de dois meses atrás
    ▪ medo de ar (dar) o último passo em direção a ela

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o protagonista é uma mistura de clichês com carisma e a própria forma

    👥 Dupla (⭐▫): o primeiro não deixou muita chance para o segundo e, por isso, tivemos duas histórias contadas cujo único elo é o bom protagonista. O corte entre as duas partes acabou sendo muito brusca também.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o fato de presumir a solução final de ambas as histórias e o corte brusco entre elas acabou por reduzir bastante o impacto.

  17. Marco Aurélio Saraiva
    17 de agosto de 2016

    São dois contos bem distintos, com um personagem principal em comum. Alejandro é um personagem e tanto, e ambos os autores o exploram muito bem, fazendo-o crescer e ganhar força a cada parágrafo. O escritor / assassino é independente, seguindo uma linha de justiça diferente da justiça imposta pela sociedade ao seu redor.

    O primeiro autor demonstrou muito esmero na escrita. Ele tem um estilo único, inicialmente me parecendo tosco mas, então, me conquistando por ser diferente e muito fácil de ler; ao mesmo tempo conseguindo uma profundidade assustadora nas suas construções. O final da primeira parte (que teve o ponto fraco de ser bastante óbvio, ao menos para mim, que já tinha visto quem era o “vilão” há muito tempo) era um gancho bem óbvio para que o segundo autor escrevesse a história de Pablo Valdívia. Fiquei curioso para ler algo sobre ele: como ele chegou no ponto onde chegou e o que aconteceu com ele no final da história.

    Infelizmente, o segundo autor resolveu tomar um rumo completamente diferente e escreveu outro conto por inteiro; com personagens novos e trama nova. Sua atenção com a escrita também não pareceu tão minuciosa quando a do primeiro autor: falta uma boa revisão. Vi muitos problemas com tempo verbal da narrativa, pontuação e erros de digitação. Seu estilo é mais direto, mas ele conseguiu captar bem a personalidade de Alejandro, mantendo o personagem tal qual foi concebido pelo primeiro autor.

    A segunda história, porém, me pareceu corrida. Ela é profunda, contendo uma lição interessante, mas é contada de forma muito direta e apressada, fazendo com que o leitor veja as cenas mas não as sinta. Especialmente o clímax, que é quando Alejandro encontra Henrique, foi narrado de tal forma que eu entendi o enredo mas não senti a emoção que deveria sentir com a história.

    De qualquer forma, foi uma boa leitura. Parabéns!

  18. Ricardo de Lohem
    16 de agosto de 2016

    Oi, como vão? Vamos ao conto! Eu sou Ricardo de Lohem, como vocês já devem agora saber, sou Sam Van Leon, o escritor da primeira parte de “A História de Pablo Validivia”, e, como vocês já devem ter desconfiado, antes mesmo de saberem de fato, sou também o autor da segunda parte de “A chama e o chamado”. Vou falar agora o que achei da continuação de meu conto. Bom, achei estranha. Existe, é claro, um número infinito de maneiras de se continuar uma história, muitos bons, e muitos mais ruins. Deixei uma boa dica no final: “O que quer que dissesse, seria meu ponto de vista, e há neste mundo pelo menos tantos deles quanto há olhos, o que dá a cada um de nós o direito de ter pelo menos dois, que muitas vezes discordam entre si”. Quis sugerir que o continuador poderia retomar a a mesma história e contá-la de outro ponto de vista, como o de Pablo, ou do menino, Miguel. Outra opção seria continuar a história mostrando o que aconteceu com Miguel, talvez do ponto de vista dele mesmo. Em vez desses caminhos, e outros possíveis, o continuador optou por ir em frente, mostrando outra aventura do personagem. Um dos problemas foi que não se emulou o tom do protagonista com perfeição, ficou parecendo outra pessoas, ou um tipo de farsante. O tom poético que dei ao personagem se perdeu, ele passou do que lembrava algum personagem do Realismo Fantástico latino-americano, talvez com um toque de Gabriel Garcia Márquez, para um assassino de Rubem Fonseca. Teria sido melhor, eu acredito, não usar Alexandro, mas outro personagem na
    continuação, talvez um que o observasse. Também teria sido excelente partir para algo totalmente diferente, como eu fiz na minha continuação. Algumas outras coisas que me incomodaram. Por que tanto uso do pronome “Eu”? Na primeira metade da continuação, foi praticamente uma overdose; parecia até texto em inglês traduzido para o português com tradutor automático. E que história é essa de dizer que nunca usa armas de fogo, se ele usou uma na primeira parte? Contradições assim enfraquecem o conjunto da história. Achei que ele foi apanhado muito facilmente, sem nenhuma explicação convincente de como. Afinal, se ele era tão tolo a ponto de qualquer delegado poder capturá-lo e chantageá-lo, não teria durado muito tempo numa vida como a dele. E não entendi o final: ele estava se dirigindo realmente a um filho, ou estava chamando o leitor de filho? Enfim, foi uma continuação fraca. Preferia que tivesse sido feita uma releitura, uma paródia, algo que não fosse uma fraca emulação do personagem. Apesar disso, espero que as pessoas tenham gostado da história como um todo, e deem boas notas para nós. Obrigado por nos lerem, e até a próxima!

  19. Gustavo Castro Araujo
    16 de agosto de 2016

    A primeira parte me lembrou os faroeste-espaguete do Clint Eastwood, o Django do Franco Nero e o Mariachi do Rodriguez. Esse clima de suspense latino, a morte à espreita permeada por um cenário mexicano — o que reforçado pelos diálogos e pelos nomes dos personagens. É uma construção pasteurizada mas que me atrai. Gostei bastante do que li no início. O problema foi que o primeiro autor não deu tantas possibilidades para aquele que se seguiria. Sim, deixou em aberto o assassinato do pai que explorava o filho, mas creio que poderia ter deixado mais pontas soltas. De todo modo, nem isso o segundo autor aproveitou. Achei a saída usada um tanto “Deus-ex”, fácil demais, especialmente quando se recusou a dar o desfecho ao ápice criado pelo primeiro autor. Tirando isso, dá para dizer que a segunda parte é bem escrita e revela um autor que, se ainda não está maduro, parece próximo disso. A história contada — que nada tem a ver com a primeira — não partilha do cenário ou do clima “El Paso”, tornando um personagem cativante, Alejo, num matador de aluguel mais próximo de Jason Bourne. É uma mudança válida, mas isso, devo dizer, me deixou um tanto decepcionado. O final é até bonito, mas eu teria apreciado muito mais este conto se a mesma premissa tivesse sido mantida. Enfim, como conjunto o conto não funcionou muito bem, eis que se trata de narrativas distintas, tendo apenas Alejo a ligá-las. Como textos independentes, servem para entreter, em especial a primeira metade, mas o objetivo do desafio era, a meu ver, encontrar identidades entre os autores na criação de um texto único. Isso, infelizmente não ocorreu aqui. Uma pena, porque o conto merecia uma continuação no mesmo estilo, apesar da pouca margem de manobra.

  20. Andreza Araujo
    15 de agosto de 2016

    Bem, não vi uma história complementar a outra, vi duas histórias diferentes com o mesmo personagem, ou não entendi direito? Confesso que li o último parágrafo umas três ou quatro vezes, para me certificar que havia entendido o desfecho. Ainda não tenho certeza.

    No começo, não vi sentido algum num bandido perseguir uma criança, mas depois isso é explicado. O mesmo aconteceu com o lance do dinheiro que o pai guardava, na verdade o pai roubava do filho (e o filho arrumava dinheiro onde?).
    Os diálogos são ruins, não soam verossímeis, parecem diálogos de uma paródia.

    A primeira metade possui enredo melhor, com o final surpreendente, mesmo pra quem percebeu antes que era o próprio pai o malfeitor da história. Eu pensei nisso logo no início, mas quando o menino o chama de pai eu desisti da ideia. No segundo conto, por outro lado, eu apreciei bem mais a narrativa, mas o enredo não tem muita graça, além de se parecer demais com o primeiro, com algumas modificações.

    Não quero falar do que eu acho que o segundo autor deveria ou não ter feito, afinal, é o texto de vocês dois, e não meu, mas acho que a ideia poderia ter sido melhor aproveitada ao invés de apenas reescrever a primeira metade.

  21. catarinacunha2015
    14 de agosto de 2016

    Todos os contos foram avaliados antes e depois da postagem da 2ª parte; daí a separação:

    1ª PARTE: Tem estilo próprio e soube criar um suspense inédito. Tive a sensação de estar lendo uma fábula urbana bem engendrada. Esse último parágrafo quebrou um pouco o encanto.

    PIOR MOMENTO: “…minha moto, que chamo de Hermes. Eu falo com ele,…” – Ele ou ela? Independente da opção sexual do veículo, a amizade não fez a menor diferença na trama.

    MELHOR MOMENTO: “Na vida real, mato pessoas: na minha imaginação, eu as crio, na esperança de assim pagar por meus pecados.” – Genial! Como não pensei nisso antes?

    PASSAGEM DO BASTÃO: Dificultou a passagem com um parágrafo explicativo no fim, mas taí o gancho: Matou ou não matou?

    2ªPARTE: A nova vítima desapareceu das redes sociais há dois meses, mas não foi lá que o matador o encontrou? E o que foi feito do pai do menino? Matou ou não matou? O viciado era um policial e virou um desenhista salvo pelo matador? Por que cargas d’água o delegado iria gastar dinheiro para matar um merda? Esse final politicamente correto envolvendo história de cavaleiros não me desceu bem.

    PIOR MOMENTO: “… mas eu nunca carrego uma arma comigo. “ – O autor da primeira parte discorda.

    MELHOR MOMENTO: “Nem todo mundo aprende que as pessoas não ganham dinheiro trabalhando duro.” – Ficou legal na boca de um matador.

    EFEITO DA DUPLA: O estilo tudo bem, mas a trama não deu liga.

  22. Danilo Pereira
    14 de agosto de 2016

    O conto aqui é totalmente dividido em sua narração, diferente dos outros, que a linguagem fluía com tamanha singularidade, infelizmente nesse conto podemos perceber uma quebra enorme da escrita. A primeira parte o conto tem uma narração, um ambiente, personagens, drama. Já na continuidade o personagem central “Alejandro” é totalmente engolido por apenas descrições. Mesmo porque ao ler até o final, o que ficou gravado em minha mente foi apenas a primeira parte do conto, que é digno de 10…entretanto tenho que analisar o conto como um todo, por isso minha NOTA é 8

  23. Amanda Gomez
    13 de agosto de 2016

    Eu li este conto, tem uns dias já. Tanto a primeira parte somente, quanto o conto completo. Mas não estava conseguindo fazer um comentário sobre. Precisava reler e entender realmente o que aconteceu. Feito isto, cá estou.

    É um conto fechado, a primeira parte tem começo, meio e fim. É assim e ponto, como se o que foi mostrado, é apenas um capítulo do ‘’ Livro’’ de Alejandro de Nadie.. Tanto que o autor seguinte precisou criar um novo capítulo.
    Só tenho elogios a parte inicial. Muito bem escrito, com cenas ótimas diálogos perfeitos e um personagem muito marcante, embora ele seja um tanto clichê. É um emaranhado de características que vemos em tantos outros no mundo da literatura. Todo esse ‘’ primeiro capítulo” foi… não diria empolgante, mas sim instigante. O Leitor quer saber o que vai acontecer, mesmo que não tenha sido algo realmente impressionante. Foi quase poético.

    Chegamos ao segundo capítulo, onde o continuador deve ter tido muito trabalho nas escolhas que tinha pra fazer, um protagonista em aberto, uma história fechada. Cometeu uma gafe, trazendo para um tempo e espaço bem diferente do que foi sugerido no começo… Não se passa no Brasil, e não é algo totalmente contemporâneo. Acho que a mudança brusca foi uma gafe tremenda. Mas ok.

    Depois temos Alejo em mais uma missão, sendo tirado de seu cotidiano. Continua, tão ou mais bem escrito que o começo…diálogos ótimos também, uma premissa bem consistente. Mas tudo isso leva a um final que não me agradou de forma alguma…Eu tenho criticado a forma como alguns autores mudaram completamente a personalidade dos personagens, subverter a história original já é algo questionável, embora não seja proibido, mas mudar tanto o personagem, não me agradou em outros contos, e em especial neste.

    Criou-se um conto de fadas, onde Alejo e um cavalheiro, que salva seu futuro amadO das garras do crime, e do vícios e etc. Trocou a moto pelo cavalo branco, e criou um conto de amor, com um filho, para selar. Terminei de ler e fiquei um tempão tentando entender se era isso mesmo. Eu estou certa? É dessa forma, como estou falando?

    Fechou o segundo capítulo, terminando a trajetória do personagem. Que não tem nada ver com o que nos foi apresentada. Não sei o que o criador da história achou, mas não gostei (eu já disse isso) Pra mim, esse final não valeu. E eu vou permanecer com o primeiro capítulo somente.

    Desculpem. E eu não faço ideia, de qual nota dar a este conto, que tem como único defeito realmente, o parágrafo final.

    No mais, parabéns a ambos por terem completado o desafio.

  24. Wender Lemes
    13 de agosto de 2016

    Domínio da técnica: fiquei muito empolgado com o início do conto, narrado com esse espírito latino, em um cenário e um tempo em que o protagonista faria sentido – é uma pena que este manejo não tenha se perpetuado. Não consegui encontrar problemas graves no decorrer do conto, mas uma ligeira falta de sintonia entre os dois autores.
    Criatividade: as duas histórias de que o conto trata são interessantes e criativas a seu modo, mas há que se perceber a diferença gritante entre o Alejo de cada uma. Percebi na primeira um vigilante, um assassino de aluguel psicótico que fala com sua moto, um ambiente árido de 50/60 anos atrás. Na segunda parte, Alejo não é mais um pistoleiro e pesquisa a vida de suas vítimas nas redes sociais.
    Unidade: apesar do que possa parecer, não culpo o segundo autor pelas mudanças que tenha efetuado. A primeira etapa do conto é fechada em si e imagino que esta reinvenção do protagonista tenha sido a única maneira de prosseguir. Chamo de primeira etapa mais por força da situação que por crença, pois, para mim, são realmente dois contos distintos.
    Parabéns e boa sorte.

  25. Bruna Francielle
    12 de agosto de 2016

    Me pareceu que o autor que iniciou o conto, estava muito inspirado mesmo. Ótimas construções de frase, de personagem e enredo. Se bem que o Pablo ser o homem que ele msm queria matar, não chegou a ser uma surpresa. Na verdade, eu logo desconfiei que era, bem antes da cena. O segundo autor começou mal, dizendo que a história passava-se no interior do Brasil. Esta frase chegou a ser chocante, visto que Pablo, Alejandro, não são nomes tipicos de brasileiros. Era óbvio que a historia passava-se num localidade hispânica, e ainda, parecia ser algum tipo de faroeste, e então o segundo autor inclui computadores, celular e internet. Errou, errou totalmente ! Porém, também vi, o primeiro autor criou um conto fechado, não havia necessidade alguma de continuação, visto que ficou nas entrelinhas o fim de Pablo Valdivia. Não estava aberta novas possibilidades para a História de Pablo Valdivia, ela havia sido encerrada ! Ai realmente constituiu-se de um problema pra quem continuaria a história. A segunda narrativa, teve seus momentos que achei simpáticos. uM Desses momentos> “Eu conheço muito bem meus direitos, isso é uma dica para todos vocês ai a fora que estão pensando em cometer algum crime: Estude as malditas leis.” Também vi que realmente, era dificil continuar a narrativa do primeiro autor, muito dificil. Tanto que ficou completamente destoante mesmo as 2 partes. Eu diria que realmente , o segundo texto, não compleementa o primeiro. Os 2 nada tem a ver.. É tipo um outro conto, usando alguma coisinha do primeiro conto, mas que não combina.

  26. Júnior Lima
    12 de agosto de 2016

    O que aconteceu aqui, pague um e leve dois? Uma sessão Grindhouse, com dois filmes seguidos?

    Parece que a proposta inicial era de que a história de Pablo deveria ser recontada pelo escritor assassino, e de alguma forma exploraria seu lado humano e amoroso para com o filho.

    Mas o que foi feito, no fim, é uma continuação completamente diferente do que havíamos visto anteriormente, mantendo-se apenas o protagonista. Eu perdi alguma coisa?

    A segunda parte, além de não ter conexão aparente com o título, é um tanto arrastada sem nada muito interessante acontecendo até o fim, que tenta dar uma moral e um twist na imagem de macho do protagonista. Infelizmente, tudo aconteceu muito rápido no final para que eu pudesse sentir alguma coisa. Mas a escrita não está ruim.

    Uma cena que funcionou como ponto alto do conto, para mim, foi Pablo puxando briga com alguém aleatório no bar. A quebra de expectativa quanto à identidade do sujeito me fez soltar uma risada.

  27. O texto, que tenta claramente apontar para uma mensagem do bem contra o mal, parece ter sido realmente escrito pela mesma pessoa.

    A figura do matador que “recupera almas” (principalmente a sua própria) está presente em ambas as narrativas com a mesma força.

    Parabéns aos dois escritores.

  28. Anorkinda Neide
    10 de agosto de 2016

    Comentario primeira fase:
    Mesmo já adivinhando que o bandido era o proprio pai, curti essa trama. Mesmo achando que o matador fosse ingênuo demais de não ter descoberto logo, como eu.. haha Achei a cena do bar superflua, mas o homem precisava se embriagar… entao nao sei, mas ficou longa, talvez.
    .
    Comentario segunda fase:
    Bem, o continuista tentou seguir a ‘linha’ do conto q seria de Pablo acabar ajudando as pessoas mesmo q de forma um tanto assassina… rsrs Mas, creio que ficou banal e com um raciocínio muito esquisito, vamos dizer assim… de o cara precisar ser morto pq era viciado em drogas. :/ De qualquer forma foi bom ele ter sido poupado, e a ironia no final, falando do amor homossexual ali, sobrou.
    .
    Uniao dos textos:
    O conto vinha longo mas tudo ali descrito foi necessário para o desenvolvimento da trama. Depois foi acrescentado muito texto arrastado, muitas reflexões desnecessárias, a meu ver. Infelizmente não deu liga. Boa sorte aos autores, abraços

  29. Evandro Furtado
    8 de agosto de 2016

    Complemento: downgrade

    O segundo autor teve um desafio em tanto ao tentar complementar o texto fechado do primeiro autor. Foi uma boa estratégia escrever um segundo conto, com outra história, seguindo a etiqueta dos contos policiais. Creio que a maior falha, no entanto, tenha girado em torno da escrita. Houve uma salada de frutas de tempos verbais e uma séries de trocas de conectores ao longo do texto que prejudicaram significativamente a leitura.

  30. Wesley Nunes
    8 de agosto de 2016

    A linguagem no conto é forte e marcante, ela faz tanto crescer o cenário na mente no leitor como dá vida aos personagens. Em minha leitura, imaginei a história se passando em algum lugar no México. O autor sabe desenvolver e trabalhar o mistério e é fácil se manter intrigado com a obra. Gosto da maneira como o conto é narrado, e o tom empregado me passa uma sensação de estar lendo uma lenda Mexicana.

    Devo elogiar a postura doo autor da primeira parte, sendo que, ele pensou e deixou uma ótima deixa para a continuação do conto.
    Em relação a segunda parte, a função de escritor foi bem desenvolvida.Porém, achei o personagem muito mudado e distante do matador imponente da primeira parte. Ele está mais comportado, sem o seu olhar desconfiado e sem a sua fala acostumada a impor e não a aconselhar. Ele tenta convencer o leitor de que é durão e o ideal seria ele demonstrar.

    Senti que o autor desejava humanizar o personagem. O seu objetivo foi alcançado, porém, como eu me apeguei ao matador escritor da primeira parte, acabei não admirando o escritor matador da segunda.
    Mudanças a parte, a história é bem conduzida e possui os seus méritos.

  31. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2016

    Imitando descaradamente nosso amigo Brian, utilizarei a avaliação TATU, onde:

    TÉCNICA: bom uso da gramática, figuras de linguagem, fluidez narrativa, etc;
    ATENÇÃO: quanto o texto conseguiu prender minha atenção;
    TRAMA: enredo, personagens, viradas, ganchos, etc.;
    UNIDADE: quanto o texto pareceu escrito por um único autor;

    ****************************

    Conto: A História de Pablo Valdivia

    TÉCNICA: * * *

    Foi melhor na primeira parte, conseguindo imprimir um ritmo mais cadenciado e desenvolvendo bem o suspense sobre o “homem mau”.
    A segunda parte foi “ok”, mas não trouxe maiores atrativos.

    – Alejo
    >>> Já me veio “International Super Star Soccer” na cabeça 😀

    – Ele abiu os olhos
    >>> abriu

    – Não enviou qualquer
    >>> envio

    – haviam garotos
    >>> havia

    – ouvir os lamurio
    >>> concordância

    – para voltar a estrada
    >>> à

    – para todos vocês ai a fora que estão pensando
    >>> afora

    – Nessas horas eu me arrependo de não ter uma arma comigo
    >>> ué… na primeira parte ele não tinha?

    – parece ter medo de ar o último passo
    >>> dar

    – eu abro a caderneta com cuidado, tomando cuidado
    >>> muito cuidado…

    ATENÇÃO: * * * *
    Conseguiu prender minha atenção, principalmente na primeira parte.

    TRAMA: * * *
    Eu gostei da trama, sobretudo na primeira etapa, na história que dá nome ao conto. A mudança do pai do garoto depois de beber e a consequente revelação do homem mau, são boas sacadas, muito bem executadas.
    Mas senti que o primeiro autor foi longe demais na história e acabou obrigando o complemento a seguir numa linha diferente (contar outra história com o mesmo personagem, como acabou fazendo).

    A segunda história, do policial, é boa também. Quando ele começa a contar a história, pensei que acabaria com os dois queimados dentro da casa, numa armadilha do delegado. Teria ficado melhor, na minha opinião.
    Esse fim dos dois ficando juntos acabou meio como choque gratuito. Não curti.

    UNIDADE: * * *
    Infelizmente a primeira parte da história avançou demais e prejudicou a unidade.

    NOTA FINAL: 7

  32. Matheus Pacheco
    4 de agosto de 2016

    Amigos, eu achei uma boa “sacada” fazer uma historia paralela mas eu fiquei com uma duvida: O antigo policial que se tornou o traficante e o drogado seria o mesmo personagem da primeira parte da historia?
    Abraços amigos.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    4 de agosto de 2016

    CAMARGO (Cadência, Marcação, Gosto) – 1ª leitura
    JUNIOR (Junção, Interpretação, Originalidade) – 2ª leitura

    – A História de Pablo Valdivia (Sam Van Leon)
    CA: Interessante escolha de palavras, com ritmo mais lento e estilo estrangeiro. O desenvolvimento é tranquilo e o cenário é criado de forma adequada ao objetivo. Excelente. – 9,0
    MAR: Apesar de certa estranheza com a linguagem, o texto flui bem. Uma ou outra frase meio deslocada, mas nada que atrapalhasse a experiência. Os diálogos são o ponto alto. – 8,0
    GO: Gostei do clima de faroeste e da história em si. O que não gostei foi o texto ter sido praticamente fechado, restando apenas a opção de um flashback. – 7,0
    [8,0]

    JUN: A história tomou outro rumo. Apesar de fazer sentido dentro do contexto, o deslocamento foi brusco demais. O tom mudou muito até o fim, incluindo o comportamento do protagonista. Compreendo a dificuldade, mesmo assim, ficou muito diferente. – 6,0
    I: O texto conta a história de um “vigilante” em busca de redenção, mesmo na segunda parte (apesar do final sem nexo, pois nada demonstrava que ele teria aquele comportamento). Pelo menos a atmosfera foi mantida. – 8,0
    OR: É diferente pelo clima meio mexicano, meio gangues de rua dos anos 80 e outras passagens que dão o tom oitentista. O clima do conto é a melhor parte. – 8,0
    [7,3]

    Final: 7,6

  34. Thomás Bertozzi
    4 de agosto de 2016

    Gostei especialmente da primeira parte, apesar da história do pai pedindo para matar a si próprio ter sido bem previsível.

    Depois, porém, achei que a trama perdeu fôlego e ficou mais lenta. A segunda etapa também apresenta alguns errinhos que poderiam ser evitados numa revisão mais atenta.

  35. Olisomar Pires
    3 de agosto de 2016

    Bom conto. Não encontrei problemas de revisão. A trama é muito boa, infelizmente foi conclusiva demais na primeira parte, o que dificultou bastante o complemento, mas o autor posterior se saiu bem, embora tenha adotado uma abordagem diferente, outro estilo. Separados as partes são completas, uma vez unidas, não soam tão bem. Boa sorte a todos.

  36. Davenir Viganon
    1 de agosto de 2016

    Olá. Adorei a metalinguagem, a estória dentro da estória. Me lembra algo que encontraria no livro do Rubem Cabral, que li no mês passado e não me surpreenderia que um de vocês seja ele (se é que ele está participando?). A ideia do escritor/matador com “código de honra” me lembrou do filme “O Mariachi” eu curti bastante. Achei tudo muito bonito. Parabéns aos dois!

  37. Gilson Raimundo
    31 de julho de 2016

    Alejo é um paladino da justiça torto que viaja com sua moto (Hermes) pelas estradas poeirentas e desertas do México ou da Espanha, ele acredita mais no fio do bigode do que em qualquer outra coisa, certamente ia querer uma tequila ao invés da pinga.( Foi isto que captei na primeira metade). Dito isto, é possível ver dois protagonistas na história que não se interagem, a segunda parte foi transportada para um Brasil quase urbano, quebrou um pouco do clima do aventureiro. Acho que o autor deveria ter mantido a mesma pegada inicial ou ter tirado um coelho da cartola…

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Publicado às 5 de julho de 2016 por em Duplas e marcado , .