EntreContos

Literatura que desafia.

A Teoria das Cordas (Daniel Reis)

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1.

Luísa levantou-se muito cedo. Não era seu hábito, mas naquela manhã dispensou a empregada e fez questão de verificar, sozinha, se tudo estava em perfeita ordem para quando ele chegasse. Há tanto, tanto tempo não o via que, na véspera, quase não conseguiu dormir de ansiedade, antecipando o reencontro com aquele que havia sido o seu primeiro amor.

Assim que soube de vagas notícias, depois de anos de ausência delas, elaborou um plano para revê-lo. Conseguiu deixar recado na loja onde ele trabalhava, fazendo questão de contratar seus serviços particulares em domicílio, e frisou que isso deveria acontecer inadiavelmente em determinado dia e hora, nos quais já sabia que nem o marido e nem os filhos estariam em casa.

Pois aquele dia chegou. Enquanto cuidava dos últimos lustros nos móveis da sala, experimentava vertigens de um sentimento adormecido em brasas, agora incendiando seu ventre. Luísa lembrava-se de como ele era atencioso e de como, desde o início, o amou por isso. Foi difícil esconder sua admiração durante o tempo que passavam juntos, pois temia que ele a evitasse, já que a diferença de idade entre os dois era enorme. Caiu na tentação de contar à sua melhor amiga que estava apaixonada pelo professor. A outra, invejosa, a traiu, contando o segredo para os pais de Luísa. A família a obrigou a desistir imediatamente, abafando o escândalo. A seguir, foi estudar no estrangeiro. Casou, teve filhos, voltou a viver na cidade. Mas, desde então, sequer teve certeza se ele ainda estava vivo.

Depois de tantos anos na rotina de um casamento sem sobressaltos nem emoções marcantes, ela viu-se ansiosa por resgatar aquela parte adormecida do seu passado afetivo. Queria fazer surpresa e saber o que ele sentiria por ela, uma jovem mulher, segura e adulta, não mais a menininha que ele conheceu paralisada pela timidez e pela paixão. Para isso, preparou não só a sala de visitas e seu vestido mais bonito, mas uma festa dentro de si, para recebê-lo novamente em sua vida, revelando tudo o que ficara escondido pelos anos de distância e resignação.

 

2.

Com as pernas trêmulas, finalmente ele conseguiu alcançar o último lance da escada, no quinto andar do pequeno prédio de apartamentos, no centro da cidade. O endereço tinha que ser esse, pensou, pois não se perdoaria se, por engano, fosse necessário descer tudo de novo e subir outra escadaria típica dos edifícios nas redondezas. Bastante tonto, não somente pela subida, ficou parado ali por alguns instantes. Depositou a pequena maleta de metal com suas ferramentas sobre o piso de madeira e serviu-se discretamente de uma pequena garrafa escondida no bolso interno do sobretudo. Em seguida, apoiando as costas na parede, tentou recobrar o fôlego e um mínimo de equilíbrio, antes de seguir em frente.

Procurou nos bolsos do sobretudo o pedaço de papel onde anotara o número do apartamento, mas só encontrou um lenço de pano, bastante usado e com manchas mais ou menos recentes. Utilizou-o mesmo assim para limpar o rosto e o pescoço, por onde escorriam, grudados ao suor, longos fios da sua cabeleira revolta e há muito tempo grisalha. Ao guardar o lenço, percebeu que o endereço que procurava estava na verdade anotado bem na palma da sua mão: a caligrafia torta e borrada confirmava que o número do apartamento era aquele, à sua frente. Fez-se anunciar golpeando a porta com os nós dos dedos, em quatro toques rápidos, padrão repetido duas vezes, como um mote obsessivo e urgente.

 

3.

Ao ouvir as batidas na porta, Luísa ajeitou mais uma vez o vestido e verificou no espelho, apressadamente, se estava tudo certo com sua maquiagem e adereços. Conferiu mais uma vez o decote e vacilou por um instante. Mas, pela insistência do chamado, tomou a decisão de levar o plano adiante e foi até lá, respirando fundo para tomar coragem. Ao abrir a porta, encontrou no corredor um homem que, aparentemente, não poderia ser o mesmo que um dia havia conhecido.

 

4.

Quando a porta se abriu, surgiu diante dele uma mulher miúda que ele julgou ainda jovem, mesmo que inexpressiva. Impaciente, apresentou-se como o técnico da loja indicado para prestar os serviços requisitados naquele endereço. Sem saber como reagir, a mulher baixou os olhos e o conduziu pelo interior do apartamento, em silêncio, até chegar à sala de visitas.

No centro do aposento estava o pianoforte, que provavelmente já havia sido um bom instrumento. Apesar do seu estado deplorável, o Erard, construído entre 1803 e 1804, era uma marca muito

superior em construção e qualidade ao Broadwood, que durante certo tempo ele teve em sua própria casa. Só havia visto outro daquela marca numa mansão da alta sociedade; instrumento esse que, infelizmente, havia sido destinado a crianças mimadas, para que pudessem praticar as primeiras notas.

Ao olhar de perto, sentiu ainda mais pena do instrumento. Dos seus quatro pedais, somente o primeiro, o sustentador, e o último, o una corda, ainda estavam em condições de funcionamento. As teclas de madeira, carcomidas por unhas e pelo tempo, respondiam relutantemente ao toque dos dedos. Por fim, as várias cordas enferrujadas, abafadores soltos e martelos desregulados deveriam passar por um ajuste, a parte mais rápida do trabalho. Ordenou secamente à mulher que o deixasse e começou a trabalhar nisso.

 

5.

– “Meu Deus” – pensou Luísa, – “é esse o homem que eu mais amei na vida?”

Decepção. Nada do que ela um dia nele admirou, no caráter ou na fisionomia, e que trouxara por tantos anos na memória, resistiu à passagem do tempo. Parecia ter se tornado exatamente como aquele instrumento na sala, que agora talvez não tivesse mais conserto. Mesmo o sorriso dele, preso numa máscara agônica de arrogância e desprezo, parecia imperfeito como o teclado em branco e preto. Ele não a havia reconhecido, mas isso poderia ser compreensível; ambos haviam passado por muitos anos e tantas coisas, sem se encontrar. Mas ele, especialmente, havia mudado demais, desintegrando-se com o passar do tempo; de tal forma que ela provavelmente também não o teria identificado se ele não houvesse se apresentado, pelo nome e sobrenome, ao chegar em seu apartamento.

Continuou observando-o de fora da sala, de longe, agora com um estranho medo de ser descoberta. Enquanto seu ídolo de outros tempos trabalhava absorto, Luísa tentava compreender ou imaginar o que poderia ter acontecido com ele durante esse tempo, transformando o jovem entusiasmado e gentil em um velho e rancoroso homem arruinado.

– Espero que, pelo menos, o dinheiro para pagar meus serviços já esteja separado, pois preciso dele ainda hoje… – resmungou o homem, sem interromper a sua atividade.

Ela foi até o interior da residência e voltou com uma pequena bolsa de couro.

– Aqui está seu pagamento. É o suficiente?

Ele não se dignou a responder. Ela se aproximou de onde ele estava e perguntou novamente. Ao perceber isso, ele parou o o trabalho, tomou a bolsa da mão dela e a abriu, para conferir as moedas.

– Aqui tem bem mais do que o que eu cobro …

– Não, por favor, aceite. Eu sei o que vale o seu serviço.

O homem engoliu o orgulho e aceitou o pagamento antecipado sem demonstrar qualquer gratidão.

 

6.

Com uma ferramenta especial, o homem apertava as chaves que regulavam a tensão em cada uma das cordas do instrumento, até atingir aquilo que sua memória dizia ser a altura perfeita para determinado tom. Ao se dar por satisfeito, passava então à próxima corda, analisando o equilíbrio no resultado em cada uma das oitavas.

– Venha cá.

Luísa sobressaltou-se com o timbre da voz dele, que imaginava ouvir há tanto tempo, mas que parecia agora tão cansada. Aproximou-se pelo outro lado do tampo aberto do instrumento e eles ficaram frente a frente.

– Veja só: quando você aperta esse pedal aqui, as cordas que têm proporções múltiplas ou iguais à  nota original também vibram, exatamente na mesma frequência dela.

Por um momento, voltou a ser menina de novo. Luísa lembrou-se da gentileza com que ele posicionava sua mão corretamente sobre as teclas, explicando, em teoria e prática, como a harmonia dos sons do universo poderia movimentar o espírito humano.

–  É muito raro, mas uma corda pode até arrebentar sozinha, sem motivo algum, se ela vibrar demais em outra frequência.

Luísa foi chamada subitamente à realidade:

– Agora me dê licença que eu preciso de concentração para fazer este serviço.

 

7.

Depois de algumas horas, com as devidas interrupções para esvaziar aos poucos a pequena garrafa de bebida, ele julgou satisfatório o resultado. Assim, guardou as suas ferramentas na mala e preparou-se para ir embora.

Já havia vestido o casaco quando, num impulso, decidiu dar uma última olhada naquele instrumento. Era, realmente, magnífico, ainda que nunca mais fosse ficar perfeito. Sentou-se mais uma vez no banco e, inclinando-se, posicionou os dedos curtos e ágeis sobre as teclas certas. Luísa recordou-se imediatamente das aulas e da canção que ele começou a tocar.

A música percorreu todos os cômodos do apartamento. Escapou pelas janelas, assomou ao terraço e espraiou-se pelo pátio interno e ao redor do prédio, onde  pedestres, mercadores, policiais e todos os que passavam por ali estancaram, atônitos, tentando descobrir de onde vinha o som daquele instrumento.

Completa e absolutamente desafinado.

Prisioneiro da revolta e da surdez progressiva, Ludwig van Beethoven não aceitava ser incapaz de distinguir o resultado de um fenômeno físico sobre o qual não tinha mais nenhum controle; ao mesmo tempo em que precisava muito daquele emprego, nem que fosse para continuar em contato com o instrumento. Ao perceber isso, Luísa entendeu que as cordas do passado também podem se romper dentro de uma caixa toráxica de ressonância, restando delas apenas uma reverberação infinita.

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67 comentários em “A Teoria das Cordas (Daniel Reis)

  1. Thomás
    3 de junho de 2016

    Muito bom Melissa!
    Gostei.
    Boa alternância entre dois personagens muito bem construídos
    Você domina o ritmo e o dita da maneira como deseja.

    A RHA entra no final e se encaixa perfeitamente, fechando tudo com maestria.

    Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Obg, Thomás, eu agradeço muitíssimo suas impressões. Abraço da M.R.

  2. Melissa Rubatto
    3 de junho de 2016

    Gente, muito obrigada mesmo pelos comentários, críticas e sugestões! Estou feliz e satisfeita com essa chance de aprender e praticar a escrita, e também me divertindo muito… mas disso eu só vou poder falar depois que for revelada a autoria dos contos, tá bom? Beijinhos!

  3. Wilson Barros
    3 de junho de 2016

    O texto é muito claro e rico em detalhes, por isso dá gosto de ler…. A história é romântica sem ser sabrinesca; o sabrinesco é o amor padronizado. A RHA é algo arrepiante e sinistro, por isso mesmo válida. Além do mais, tem a virtude da simplicidade. Fora o fato de ser, digamos assim, de um valor literário, e até mesmo cinematográfico. Bem bolado.

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Obrigada mesmo, WIlson, eu adoro filmes e séries, talvez um pouquinho dessa linguagem tenha ficado impregnada na minha narrativa. Um abraço!

  4. Leonardo Jardim
    3 de junho de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): é simples e gira em torno da figura de Beethoven, que não se tornou um grande músico nessa realidade. Esquecendo da figura ilustre, é uma história (sabrinesca?) de uma mulher casada e com filhos que reencontra seu grande amor da adolescência e descobre-o um velho decadente que, por sua surdez, perdeu tudo o que era. Simples, mas bem estruturada, contando com eficiência o passado e o presente, alternando pontos de vista. O fim não me agradou, mas até ele, estava bastante interessado na vida daqueles personagens fortes.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): após muito analisar (li o texto há uns dias e fiquei tentando abstrair os aspectos), percebi que o grande mérito desse conto é a técnica externamente profissional (no bom sentido). O autor “brinca” com o texto, mudando o tempo e o ponto de vista da narrativa com uma naturalidade de causar inveja. Dá gosto de ler.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a parte clichê é a mãe de família “safadinha”, mas os personagens ricos e a situação inusitada trazem um agradável gosto de novidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): Beethoven não se tornou o Beethoven. Focado na parte mais pessoal dessa alternativa, mas adequado ao tema.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): apesar dos grandes méritos já citado, achei o final bem abaixo do restante. A fato de descobrir quem era o técnico e que ele era apenas uma sombra do que poderia ter sido não chegou a causar grande impacto e acabou sendo anticlimático. Dada a excelente preparação que estava sendo feita, esperei algo mais do fim.

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Sabe, Leo, a percepção que você teve do final também me rondou, mas não consegui pensar em algo mais espetacular sem cair na sabrinice. Daí, preferi deixar o final mais amargo e em aberto, mas realmente eu poderia ter sido mais dramática. Numa versão anterior, existia a criada que atendia o afinador do piano, enquanto a senhora dona da casa ficava no quarto, sem coragem de encarar o antigo ídolo platônico. Eu gostava desse não-encontro entre os dois, mas a criada acabou sobrando na história, ficava meio comic relief, e daí eu mudei para o jeito que ficou aqui. Obrigada pelas observações!

  5. Virginia Cunha Barros
    3 de junho de 2016

    Oii! Poxa, eu adoro romances e a tua escrita é tão perfeita! O conto é ótimo do início ao fim, a revelação de que era o pianista famoso me fez dar um “clique” sabe… mas achei que ficou meio curto o conto. Eu senti falta, sabe, fiquei magoada mesmo de não ler mais cenas da infância da Luísa tendo aulas com ele, sei que não era necessário, mais questão de gosto mesmo, acho até que vou escrever uma fanfic aqui rsrs entendi que você quis deixar mais aberto para o leitor imaginar… parabéns pelo trabalho!

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Virginia, obrigada pelas observações. Realmente, poderia ter falado mais da história entre eles de antes, mas não quis aborrecer o leitor com muitos detalhes. No fim, acho que poderia ter feito isso sem comprometer o interesse e nem dispersar a leitura. Um grande abraço, da M.R.

  6. Pedro Luna
    2 de junho de 2016

    Excelente conto. Esse texto fez o que eu queria que muitos outros contos do desafio fizessem, trazer a mudança histórica na trama, sem precisar de longos parágrafos dando aula de história.

    É muito bem escrito e adorei o intercalamento dos pontos de vista. Luísa é uma personagem mt simpática, e o personagem embrutecido causa estranheza, mas só até o fim do conto, quando entendemos tudo. Tava tão bom que quando o fim chegou, fiquei meio assim. Foi curto demais. Mas tudo tem um fim, né? rs

    Sem dúvidas o ponto alto é quando você fala que o piano estava desafinado. Essa cena em um filme seria de levar as lágrimas.

    Gostei. Abraço.

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Ai, Pedro, você nem sabe como eu sofri pra não ficar explicando a época histórica… queria manter o suspense, mas alguns leitores sentiram falta justamente disso, caracterizar mais a época em que história se passa. Ainda estou indecisa, mas agradeço todas as observações, são sempre importantes para a gente melhorar. Beijos, da Mel.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    2 de junho de 2016

    Melissa,

    Que conto belíssimo você trouxe. As diferentes perspectivas – embora com as claras divisões nos parágrafos – me fizeram lembrar do conto de Cortázar “La Señorita Cora”.

    A escrita está impecavelmente perfeita, tudo muito bem colocado. Um trabalho digno de um profissional na escrita.

    Porém – e como eu odeio dizer isso – o teu conto poderia ter ousado mais. Digo isso em termos de tamanho. Havia, claramente, espaço para muito mais. Os perfis psicológicos dos personagens pediam isso.

    E acho que isso foi a única infelicidade do conto.

    No mais, é um trabalho muito bem orquestrado.

    Parabéns, de verdade.

    E obrigado pela aula.

    Boa sorte no desafio.

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Ai, fiquei até emocionada com os elogios rsrs… e realmente, o pessoal aqui queria mais palavras, mas eu realmente não consegui… depois explico, não posso contar agora. Um abraço, amigo!

  8. Pedro Teixeira
    2 de junho de 2016

    Olá, Melissa! Um conto muito bom. Os perfis psicológicos foram muito bem trabalhados e o enredo é plenamente adequado ao formato. Excelentes descrições de estado de espírito e sentimentos. Só acho que você poderia ter usado mais do limite de palavras para desenvolver outros pensamentos e lembranças, dos personagens, para reforçar a carga emocional. No mais, uma narrativa muito boa. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Obrigada, Pedro, fico contente que você tenha gostado. Realmente, várias pessoas se queixaram que o conto poderia ser um pouquinho mais extenso. Um abraço, M.

  9. Catarina
    2 de junho de 2016

    O COMEÇO é perfeito. Situa ação, premissa e expectativa. Sem dúvida o melhor FLUXO apresentado neste desafio. A TRAMA é refinada e sensível. Quanto a ALTERNATIVA, parem as máquinas: Beethoven realmente era um “troglodita”, morreu completamente surdo, mas bem sucedido e aclamado por sua obra, inclusive compondo a Nona surdo. Onde está a alternativa? O que fez com que ele fracassasse? Seu conto é belíssimo, mas, em FIM, senti falta de nexo causal.

    • Melissa Rubatto
      3 de junho de 2016

      Catarina, grata pelas impressões. Penso eu que deixar para a imaginação do leitor construir o por quê dele ter ficado tão down faz do leitor um coautor. Eu, pelo menos, gosto disso. Mas nem todo mundo concorda, e isso é ótimo. Beijos, da sua admiradora Melissa.

      • Catarina
        15 de junho de 2016

        Você me pegou. Adoro ser surpreendida.

  10. vitormcleite
    1 de junho de 2016

    Gostei bastante da história, mas senti falta de uma melhor caracterização do tempo em que decorre a ação. Penso que este pequeno apontamento poderia enriquecer muito a trama, criando uma maior identificação com o leitor. Parabéns, gostei do teu “romance”, uma trama muito interessante e foi muito bom de ler.

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Gratíssima, Vitor, realmente não quis descrever muito a época e a cidade (cheguei a falar em Viena em outra versão, mas depois tirei) para não entregar no começo a surpresa do final. Que bom que você gostou de ler. Um abração. M.R.

  11. Andreza Araujo
    1 de junho de 2016

    Muito engraçadinha você! Pensei que leria um conto sobre FC hahaha O título me enganou completamente, ficou mesmo muito bacana.

    Você me ganhou aqui, ó: “experimentava vertigens de um sentimento adormecido em brasas, agora incendiando seu ventre.” Ai, gente… tô suspirando…

    O desenvolvimento com toques de emoção é muito belo, me flagrei torcendo pela mocinha, mesmo diante de seu ídolo derrotado.

    Bem, ficou claro pra mim desde o começo que aquele homem seria alguém famoso na nossa realidade, então não achei o final assim tão surpreendente. O que é surpreendente, Melissa, é todo o texto em si, para falar a verdade.

    As explicações sobre o funcionamento do instrumento foram bem convincentes, até mesmo para uma leiga no assunto como eu.

    Pra mim, a grande jogada do texto é a parte em que o som chama a atenção das pessoas por ser desafinado. Fiquei surpresa, para não dizer “chocada”.

    No mais, quando penso em RHA, imagino algo de efeito maior, mais abrangente, então não achei o conto em si tão “impactante”. Mas este pensamento não diminui a beleza do seu conto. Beijinhos.

    ps: You have my heart ❤

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Obrigada amiga Andreza, também fiquei assim, pensando se não era melhor algo que mudasse a história de um país… mas no final do prazo, voltei na ideia mais antiga, por achei que todo mundo ia pra guerra… e no final nem foram tantos nessa linha. Agradeço muito a gentileza e o coração, não sei colocar figurinhas aqui,mas considere aqui um beijinho da sua amiga M.

  12. Thiago de Melo
    1 de junho de 2016

    Olá, Melissa,

    O que mais eu posso falar? Eu deveria ter lido seu conto ainda no início do desafio, para poder elogiar à vontade e não sentir que estou repetindo o que todo mundo já disse antes de mim.
    Meus parabéns pelo seu trabalho.
    No início da leitura eu estava com “olhos de examinador”, tentando identificar logo qual era a Realidade Histórica do seu conto para poder avaliar de acordo com as regras do desafio. Depois dos dois primeiros parágrafos eu já estava “raptado” pela sua narrativa e estava me deixando levar pelas frases. Confesso que pensei que você tinha se enganado quanto à premissa do desafio. Quando, bem no finalzinho, vem a genialidade e PAH! na minha cara.
    Meus parabéns. Não vi erros de português, a construção da narrativa foi primorosa e a transmissão dos sentimentos dos personagens me deu “invejinha”. (Separei seu conto para estudar mais sobre essa parte hehehehe.)
    Parabéns

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Obrigada, Thiago, fiquei lisonjeada com os elogios… eu também estou procurando nos contos aprender sobre elementos que funcionam e que não funcionam… Abraço!

  13. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Melissa. Esta é minha vigésima primeira avaliação no atual desafio.

    Observações: embora eu não tenha um apreço especial pelo estilo mais romântico/dramático, seu conto é muito bem conduzido. Não consegui achar questões ortográficas a corrigir, nem falhas na coerência do texto. Os personagens são bem explorados e a trama está fechada.

    Destaques: foi interessante ver Beethoven por seu lado decadente. Embora o plot twist final seja um dos únicos do texto, devo confessar que me ganhou nele.

    Sugestões de melhoria: a ambientação me deu a impressão de que se tratasse de um período mais recente que o período de vida do próprio Beethoven. Compreendo que seja mais uma questão minha que uma falha do conto, mas tive a impressão de um prédio realmente muito alto, cujo endereço teria sido anotado à mão com uma caneta esferográfica, coisas que não batem com a época da figura explorada. Também fiquei me perguntando a razão da protagonista estranhar a degradação do homem ao vê-lo, uma vez que a diferença de idade entre eles já era gritante quando ela era uma criança.

    Boa sorte no desafio, parabéns.

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Muito grata, Wender, pela percepção da localização temporal, algo que o Selga já tinha apontado também. Ele usando uma caneta esferográfica foi uma ideia sua mesmo, eu só disse que ele tinha anotado na palma da mão… na época, a notação musical manuscrita era feita com caneta de pena, e a tinta manchava bastante as mãos, principalmente para quem era canhoto (caso do Beethoven), já que se escreve da esquerda para a direita. Outra curiosidade que eu descobri é que a letra dele era horrível tmb, por isso também a dificuldade em decifrar o que havia anotado. Um grande abraço, M.

  14. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    Premissa: focado no indivíduo/gênio mais do que na História da humanidade. Fiquei em dúvida se poderia ser RHA, mas acredito que, como se trata de personalidade de impacto cultural, isso alteraria a realidade da arte.

    Técnica: escrita limpa, com um ou outro problema de digitação. O autor conduz adequadamente a história, mantendo suspense até o desfecho.

    Efeito: uma história possível e plausível, que poderia ser um pouco mais detalhada em flashbacks. Boa sorte!

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Oi Daniel, obrigada pela atenção na leitura. Como eu disse no outro comentário, fiquei na dúvida se seria realidade alternativa, mas depois mudei de ideia e mandei assim mesmo. Vou anotar as sugestões do flashback também. Um abraço, da sua amiga Melissa.

  15. Evandro Furtado
    31 de maio de 2016

    Ups: Texto muito bem escrito com personagens psicologicamente bem construídos. O parágrafo final dá aquele impacto ante a evocação do nome de Beethoven, mas alguns probleminhas que vou apontar a seguir.
    Downs: A tentativa de plot twist é muito interessante e, de fato, causou um impacto como disse anteriormente. Acho que isso se dá, sobretudo à grande qualidade da narrativa. No entanto, o trecho vem meio solto, não me parece uma sequência lógica ao restante da trama. Há, de fato, uma quebra na narrativa que, se por um lado, causa o impacto supracitado, por outro afeta diretamente a verossimilhança literária.
    Off-topic: Que música ele tava tocando?

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Oi Evandro, muito grata pelas observações. O trecho final ficou explicativo mesmo, mas é que eu acredito que uma segunda leitura, sabendo o final, faz tudo ter mais sentido. Gosto de histórias assim. Já a música que ele estava tocando eu não pensei qual seria, não… talvez a Pour Elise, mas acho mais provável a Sonata ao Luar… beijitos, Mel Rubatto.

  16. Swylmar Ferreira
    28 de maio de 2016

    Conto gostoso de ler, simples, fácil e comedido. Confesso não perceber erros gramaticais e é claro que o conto é adequado ao tema proposto. O conto é criativo e o tema escolhido, apesar de difícil visualizar é de uma qualidade ímpar.
    Parabéns à autora.

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Obrigada Swylmar, a intenção era essa mesmo, esconder a realidade alternativa até o finalzinho. Abraços!

  17. JULIANA CALAFANGE
    28 de maio de 2016

    Melissa, não sei o que dizer. O seu conto quase não tem falhas, na minha opinião. Cumpre com o tema da RHA, respeita a gramática, não vi erros de revisão. A forma como vc estruturou o conto é muito bem feita, vai nos revelando aos poucos sobre os personagens e no final, que o velho músico é Beethoven, que não se tornou famoso. Eu adoro Beethoven e todas as histórias ligadas a ele. Mas confesso que eu não me emocionei com o seu conto. Não sei dizer porque, como eu como falei, gostei de tudo, mas não consegui sentir o q a Luisa sente, também não consegui ver o rancor no Beethoven… Mas o conto é bom. Acho q vai pras “cabeças”! Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Obrigada, Juliana, sinto muito que a emoção tenha sido muito contida, não quis ser muito sabrinesca kkkk Beijos! Melissa R.

  18. José Leonardo
    28 de maio de 2016

    Olá, Melissa Rubatto.

    Não temos como nos situar, quanto à RHA, logo de início. Fui me deixando levar pela [ressonância autoral das cordas] mão da autora e, à altura da parte 5, a névoa ante os olhos foi lentamente se dissipando até chegar na parte seguinte, [onde dou vontade de soltar um palavrão tipo caral…] quando eu me disse, será? será?. Sim, era.

    Que conto extraordinário. Eu achava que iria desaguar em algo [levemente sabrines.] demasiado romântico, mas a construção do texto, a suavidade, a narração sempre segura e fluente me fizeram [esquecer que sou um ogro um tanto não-romântico quanto a gostos literários] gostar com força desse texto. E quando um texto me atrai, [gosto de dar pitacos como um papagaio velho] gosto de dar umas dicas acessórias, na verdade, sem mudar coisa alguma e sim tentar imaginar levemente de outro jeito. Explico. Será que sua Luísa é referência à Elisa? [WTF, que Elisa?, você dirá.] Elisa de “Für Elise”, uma das mais belas e conhecidas composições de Beethoven [ta-na-nam-na-nam-na-nam-na-nã] [e que um desalmado sem-vergonha escroto canceroso filho de um chacal com uma ratazana, alguém que não sabemos ao certo, teve a ideia de botar nas chamadas de espera de estabelecimentos comerciais quase duzentos anos depois do Beethovinho compor a canção]. Essa “Elisa”, na verdade, era Therese Malfatti, que devia ter uns 18-19 anos quando “Fur Elise” aparentemente foi composta. Beethoven pretendia se casar com ela, embora não possa afirmar que ela tenha tido aulas com ele nesses idos de 1810.

    [“Teoria das cordas” foi uma sugestão de leitura de uma colega — que já me perdoou por uma falsa avaliação do passado —, e realmente vejo que é um belíssimo texto.]

    É patente a desilusão da protagonista ao ver seu ídolo [acabadão] daquela maneira, distante, ranzinza e, principalmente, não reconhecido por sua genialidade. O desfecho é triste [como a vida teima em ser.]

    [Ficou a dúvida pós-texto: como seria a falta que Beethoven nos faria? Imensa, imensíssima, mediana? Não responderei; acho que fica a cargo de quem analisar.]

    Parabéns pela escrita e boa sorte neste desafio.

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Oi José Leonardo, eu que agradeço a gentileza nos comentários. E à sua amiga, que indicou a leitura, também. Quanto à desilusão de Beethoven, um trecho que achei durante a pesquisa para a RHA foi este :

      “Beethoven teve 19 anos para tentar o suicídio após escrever que seu testamento. Contudo, sua missão e a força de sua música foram maiores, para glória e júbilo de toda a humanidade. (“Abracem-se, milhões de seres, e transmitam este beijo para o mundo inteiro”, diz o poema de Schiller, musicado por Beethoven em sua “9ª Sinfonia”). Na verdade, Beethoven já se sentia morto, tamanha era sua tristeza em não poder ouvir. Ele mesmo aclamava: “Senhor, porque me tirastes o meu maior dom? Nada ouço! Nada posso! Como posso me matar se já morri?”

      Já quanto à musa, o nome foi escolhido considerando Luise Lichtenberg como uma das possíveis candidatas ao “cargo” de Amada Imortal, mas essa parte da pesquisa não foi muito aprofundada, não.

      Obrigada!

  19. Pedro Arthur Crivello
    26 de maio de 2016

    o titulo do conto me fez viajar , imaginei uma coisa totalmente diferente, porem não tira o quanto o conto foi fantástico. no começo meio lento fiquei procurando a RHA, pareceu tudo em ordem , a linguagem era boa, o texto coeso , e a alternância de focos narrativos fez o conto ficar dinâmico, e quando no final cita o nome de Bethoveen tudo vem a tona , e esse foi o ponto máximo do conto. ficou uma história muito interessante ,focada nos sentimentos das duas figuras luisa e ludwig, parabéns

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Pedro, fico contente que você achou interessante, o objetivo do título era esse mesmo, confundir mais do que explicar. Um abração!

  20. adilson
    20 de maio de 2016

    Lindo! Amei o conto! Parabéns Melissa Rubatto! Abs

    • Melissa Rubatto
      2 de junho de 2016

      Obrigada, Adilson!

  21. Gustavo Castro Araujo
    18 de maio de 2016

    Muito bom o conto. Destaco inicialmente a ambientação, tanto os aspectos geográficos como principalmente os psicológicos. A tensão opressora de um amor distante e, quem sabe, não correspondido, domina o texto. Dá para sentir a angústia do velho Ludwig e da mulher perfeitamente. Evidente, não se trata de um contexto que agrade a todos, mas para mim pareceu ótimo — em alguns pontos me lembrou o clássico Casablanca com um Bogart padecendo de um amor inconfessável que o consome por dentro.

    Merece destaque também o conhecimento técnico-musical de quem escreveu o texto. Não sou estudioso em música — aliás, muito ao contrário — mas a mim pareceram bastante sólidas e seguras as alusões ao mecanismo do piano e à própria “engenharia” da música enquanto ciência.

    O único defeito deste conto é ser demasiado curto. Havia espaço para mais, certamente. Digressões sobre o passado dos personagens poderiam ter vindo à tona de modo mais efetivo – a própria surdez do Beethoven poderia ter sido melhor explorada num comparativo entre o passado e o presente, levantando questões sobre, por exemplo, o direito de se apaixonar, ou mesmo de amar, depois que a velhice bate à porta.

    De todo modo, é um conto que merece figurar entre os melhores do desafio pelo fato de ter tomado uma ideia simples e a desenvolvido. Isso é RHA pura: E se Beethoven não fosse um gênio?

    Excelente! Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      20 de maio de 2016

      Ain, chefe, assim eu fico sem graça… quantos elogios! Que bom que você gostou do contexto, realmente eu resolvi me arriscar numa história menos Heroica e mais Ao Luar… hehehe. Um abraço!

  22. Anorkinda Neide
    18 de maio de 2016

    Muito bonito! Muito bem escrito e envolvente!
    Parabéns.
    Achei bem criativo colocar a revelação da personagem histórica bem no finalzinho.
    Eu fui interrompida na leitura muitas vezes e achei bom, pois assim, fiquei bastante tempo em contato com esta obra, vivendo a expectativa da protagonista e a desilusão do músico.
    a frase que diz q o piano estava desafinado ficou no tom certo, quebrou o clima de forma magistral.
    Não sei se sai do tema por se tratar de um fato isolado, mas sem Beethoven o mundo da música bem seria outro não é? sem sua influência.
    Eu achei sensacional, parabens, novamente!
    Abração

    • Melissa Rubatto
      18 de maio de 2016

      Oi Anorkinda, que legal que você gostou! Fiquei em dúvida no começo, mas para mim pareceu aceitável que a realidade história tenha sido alterada pela decisão de um indivíduo gênio. O que seria da música, e de nós, sem aquelas Sinfonias, Quartetos e Sonatas? Um beijo, carinhoso. MR

  23. Davenir Viganon
    18 de maio de 2016

    RHA: Ludwig van Beethoven não se tornou um reconhecido compositor musical.
    Gostei da abordagem do tema. Deixou em aberto tudo sobre como Beethoven acabou não-se tornando um gênio reconhecido, ainda que não tão ouvido, até hoje. É um efeito ótimo, pois o mesmo tempo que a estória se fecha, ficamos imaginando o que teria acontecido com ele. Nesse ponto foi parecido com o conto do Pelé.
    A estória tem um romantismo inocente de uma mulher que coloca um plano para viabilizar seu amor platônico e, uma vez deparado-se com a realidade, se decepcionou. (Afinal não era o Beethoven famoso com várias carruagens na garagem kkkk). Brincadeiras a parte, o conto tinha altas chances de ficar chato, mas as construções das frases ficaram muito bonitas, como num belo filme de época. Gostei bastante. Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      18 de maio de 2016

      Obrigadita, Davenir, vou ler o conto do Pelé, que eu ainda não li. Fiz o possível para que não ficasse chato, nem para mim, nem para quem quiser ler. Que bom que achou que ele fugiu da chatisse. Um abraço, MR

  24. Fabio Baptista
    17 de maio de 2016

    Desculpe, Melissa, mas terei que ser meio boca suja para comentar o seu texto:
    Puta que pariu, que conto foda do caralho!

    Escrita praticamente perfeita, ambientação, sentimentos dos personagens muito bem transmitidos, toda uma reflexão sobre passagem do tempo e a influência disso no amor (nesse ponto, me lembrou um pouco “Amor nos Tempos do Cólera” de Gabriel Garcia). O músico surdo amargurado que não consegue viver longe do piano. Ótimo.

    Só o tema que me deixou um pouco em dúvida a princípio, porque RHA na minha concepção é algo mais abrangente, um cenário, não uma pessoa em específico. Mas talvez seja chatice minha e não costumo descontar muito da adequação, de qualquer forma.

    Excelente!

    Abraço.

    • Melissa Rubatto
      18 de maio de 2016

      Fabinho, eu é que agradeço! Sua opinião tem muito peso aqui, mas eu sei que as pessoas tem sempre impressões diferentes e nem todas vão concordar com o seu entusiasmo. De qualquer forma, já ganhei um desafio: estou supercontente de ter conseguido o teu elogio “boca suja”. Um abraço da sua admiradora, Mel.

  25. Simoni Dário
    17 de maio de 2016

    Olá Melissa.
    Gosto de romances e aqui a história fluiu muito bem. Destaco a frase muito inspirada do autor em minha opinião: “preparou não só a sala de visitas e seu vestido mais bonito, mas uma festa dentro de si, para recebê-lo novamente em sua vida, revelando tudo o que ficara escondido pelos anos de distância e resignação.” Um caminho triste você deu ao gênio da música clássica, ainda mais triste do que conta a verdadeira história do astro. Ainda bem que não foi assim. Seu texto prendeu minha atenção, tem beleza e poesia. Fiquei preocupada com a RHA que não se revelava, mas você guardou em suspense até o final, que ficou muito bom. Gostei. Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      18 de maio de 2016

      Simoni, obrigada! Qua bom que você gostou e que o texto conseguiu prender sua atenção. Afinal, a gente escreve pra isso, não é? Um beijo. MR

  26. Brian Oliveira Lancaster
    16 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Um contexto dramático e mais sensível aplicado ao contexto rústico do texto. Gosto dessas sobreposições de camadas, com tons de romantismo passageiro e muito do cotidiano.
    E: Fiquei aguardando para ver de quem era a história e o final me surpreendeu positivamente. O texto constrói uma atmosfera leve, até monótona, mas que cai bem ao ser lido sem pressa. Um cotidiano bem expressivo para o famoso protagonista. Os detalhes, como os ajustes das teclas, criam uma sensação bem próxima da realidade.
    A: Quase escapou, de leve, do rumo pretendido. O final deixa claro de quem se trata, mas não sei se entendi muito bem a parte “alternativa”, ou seja, o desvio de rota. Talvez seja o fato dele ter virado o “cara da manutenção”, mas o texto não especifica muito bem o motivo, o que o levou a isso. No entanto, o trocadilho com o título é excelente.
    O: Bem escrito, fluente e emotivo na medida certa. Palavras simples, mas bem colocadas.

    • Melissa Rubatto
      17 de maio de 2016

      Obrigada, Brian. Interessante você apontar que sentiu que o motivo dele não ficou claro… foi proposital, um experimento que tentei fazer para deixar a cargo do leitor imaginar o que teria acontecido antes, que fez ele desistir… Um beijo, Melissa.

  27. Eduardo Selga
    16 de maio de 2016

    O conto trabalha com duas alterações importantes em relação a Beethoven: sua profissão e o tempo histórico em que viveu. Segundo a narrativa ele é um modesto afinador de pianos e, por algumas indicações no corpo textual, a época não é o período entre ´fins do século XVIII e início do XIX, período em que o compositor existiu.

    Apesar dessas alternativas em relação ao compositor, elas não são o cerne do conto, que gira em torno do universo emocional da protagonista; Toda a ambientação narrativa se dá em função dela e de sua expectativa. Haverá quem condene a opção, insistindo no protagonismo da alternativa histórica, mas isso me parece pouco razoável. Ainda mais que o texto, como narrativa, está muito bom.

    Contribui para essa qualidade dois fatores: a construção dos personagens e o estabelecimento da ambientação. No primeiro caso, os temperamentos opostos ajudam a criar um clima de tensão, por causa da expectativa da personagem não levada a efeito. Enquanto ela assume uma postura passiva, de quem aguarda, ele chega a ser arrogante, dando-lhe ordens. No segundo caso, a atmosfera tem duas etapas: quando ela sozinha e depois que os personagens interagem. E é nesse ponto em que acontece algo bem interessante, narrativamente falando: há certa ambiguidade decorrente de ele tomar as mãos da personagem e tocar o piano. Em “Luísa recordou-se imediatamente das aulas e da canção que ele começou a tocar” a recordação pode ser em função de que ambos já tocaram a música juntos ou porque o ato a remete ao passado, sem nenhuma relação com ele. Uma ambiguidade positiva, pois não atua no sentido de confundir, e sim de criar múltiplas interpretações.

    Outro dado relevante é o fato de, apesar de o instrumento estar “completa e absolutamente desafinado”, a reação que o som causa no ambiente externo à narrativa sugere que o som é melodioso. Estranho, não? Não se considerarmos que o som emitido não é exatamente a vibração das cordas do piano, e sim da emoção.

    Há um cacófato em “a outra, invejosa, a traiu […]”, pois A TRAIU soa ATRAIU.

    No segundo parágrafo da quarta parte há uma falha de formatação, de modo que a continuação da linha é quebrada.

    Na frase “[…] e que trouxara por tantos anos na memória […]” há um erro de revisão (TROUXERA).

    • Melissa Rubatto
      17 de maio de 2016

      Selga, agradeço muito sua atenção, em todos os detalhes apontados. Mas fiquei curiosa… que detalhes não estão combinando com o período e deslocam o tempo da história da época real? Com base na minha pesquisa, procurei ambientei a ação por volta de 1810, o que daria tempo para ele envelhecer e ela casar, desde que se conheceram… Me ajude a ver onde errei, por favor. Obrigadinha! Melissa.

      • Eduardo Selga
        17 de maio de 2016

        Olá, Melissa.

        É bom saber que os apontamentos que a gente faz tem alguma valia, principalmente porque a tarefa exige cuidado com as palavras para que não ofenda a pessoa, pois em verdade o objeto de análise não é o autor e sim o texto construído por ele. É coisa difícil, como de resto o ato de comunicar-se adequadamente.

        Afirmei que há indícios de que no conto “[…] a época não é o período entre fins do século XVIII e início do XIX, período em que o compositor existiu” por causa do seguinte trecho abaixo:.

        “Com as pernas trêmulas, finalmente ele conseguiu alcançar o último lance da escada, no quinto andar do pequeno prédio de apartamentos, no centro da cidade. O endereço tinha que ser esse, pensou, pois não se perdoaria se, por engano, fosse necessário descer tudo de novo e subir outra escadaria típica dos edifícios nas redondezas”.

        É que, se estou certo, no período de vida do compositor não haviam prédios altos, de cinco andares, acho que no máximo sobrados. E se existia devia ser coisa rara, motivo pelo qual “outra escadaria típica dos edifícios nas redondezas” me pareceu estranho.

      • Melissa Rubatto
        18 de maio de 2016

        Obrigadinha, Selga, pela gentileza de novamente me dar uma reposta. Sabe o que é interessante? Nas primeiras versões, a história começava justamente com a subida dele num prédio de três andares (que eu achei que não era o suficiente para cansar tanto assim). Daí fiz uma pesquisa sobre Viena (http://www.imagensviagens.com/viena.htm) e descobri que a rua Graben (a quinta foto naquela página) tem prédios antiquíssimos, de quatro ou cinco andares. Então, resolvi castigá-lo com mais dois andarzinhos… de qualquer forma, agradeço a percepção… um beijo! Lili

  28. Ricardo de Lohem
    15 de maio de 2016

    Adendo: Se a RHA era Beethoven não se tornou gênio musical, isso não ficou claro pra mim, já que o final podia ser uma referência à decadência pela qual ele passou devido à surdez. Boa Sorte e até a próxima.

  29. Ricardo de Lohem
    15 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto! “A Teoria das Cordas”, não entendi o que sua história tema ver com essa teoria da física, a metáfora me escapou, espero que não tenha sido uma referência puramente aleatória; referências gratuitas sem nenhum sentido não ajudam em nada a melhorar o texto. Tudo gira em torno de uma antecipação romântica que termina em decepção. Esse é o tipo da história que pode agradar bastante os fanáticos por narrativas românticas, mas deixa os outros com um sentimento de “e daí?”. Pessoalmente, achei a história fraca, deprimente e tendo muito pouco a ver com RHA. Boa Sorte no Desafio.

    • Melissa Rubatto
      17 de maio de 2016

      Olá, amigo Ricardo… na verdade, o título não tem nada a ver com a teoria, que só seria criada muito tempo depois. Ele tem a ver com a vibração das cordas do piano (na época, do pianoforte), e da ressonância que existe entre pessoas. Essa é a teoria em questão. Sinto muito que no geral a história não lhe tenha agradado, mas faz parte do ofício e da arte nem sempre agradar. Quanto ao final, pensei que estava suficientemente claro, sem ter que explicar muito, que a RHA era ele desistindo de ser um compositor para tornar-se um afinador de pianos. Só não queria entrar muito na história de fundo, de como ele tomou essa decisão, para deixar o leitor à vontade para construir essa parte da narrativa. Mas, talvez, para alguns deles, isso não seja tão importante. De qualquer forma, agradeço o tempo dispensado na leitura e na crítica. Ass. Melissa.

  30. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA: Beethoven não se tornou gênio musical.

    Idioma: Domínio seguro.

    Ritmo e desenvolvimento: Excelentes.

    Conclusão: Um conto maravilhoso, para ser lido e relido várias vezes, a sensibilidade, a angustia do destino, a decepção com a realidade, as personagens bem desenvolvidas, sem exageros, sem os clichês, de fácil entendimento – fortíssimo candidato ao prêmio – Parabéns !

    • Melissa Rubatto
      17 de maio de 2016

      Muito agradecida, Olisomar. Que bom que você gostou! Se tiver algo a criticar, por favor, não deixe de fazer também, só elogio deixa a gente convencida hahaha… Um beijo da sua amiga Mel.

      • Olisomar Pires
        17 de maio de 2016

        Sinceramente, gostei muito mesmo do seu conto, ter deixado ao leitor imaginar o que aconteceu com Beethoven é demais, embora não seja uma idéia original, aqui mesmo no desafio tem um conto com estratégia parecida, essa idéia coube perfeitamente na estória. É isso. Um abraço.

  31. angst447
    15 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    Título – Remete à teoria física que afirma que todas as partículas do universo são formadas por cordas. Duplo sentido. Fico muito interessante.

    Enredo – O que falar dessa história? A ansiedade da mulher prestes ao encontrar o homem dos seus sonhos, idealizado pelas suas memórias de menina. O professor que lhe abriu o mundo de sons. Narrativa conduzida com muita sensibilidade e domínio quase inacreditável das palavras.

    Tema – Até pouco antes do parágrafo final, eu me perguntava onde estava a tal da realidade histórica alternativa. Eis que nas últimas palavras, a história se revela. Forte, impactante, alterada. Considero que o tema foi respeitado.

    Revisão – Não encontrei nada para ser revisto, só se houve alguma falha de digitação.

    Aderência – Fui completamente seduzida pelo conto, desde o seu início. O clima de suspense, a ansiedade da personagem, seus conflitos românticos, ao constatar que a realidade não era nada parecida com os seus sonhos, tudo prendeu minha atenção. Acho que esqueci até de respirar por alguns segundos. Claro que adorei. O clima, o universo musical, tudo em perfeita harmonia. Parabéns!

    • Melissa Rubatto
      17 de maio de 2016

      Claudinha, muito obrigada pela sua análise. Tem, sim, alguns probleminhas de digitação (o Selga apontou o trouxera e a quebra de linha, mas tem mais um “o” duplicado em algum lugar…). Mas agradeço pela sua leitura, sempre generosa e gentil com a autora iniciante… um abraço, da Melissa.

  32. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Excelente conto, realmente gostei bastante, parabéns ! Surpreendeu-me pela qualidade da escrita, a narrativa, o desfecho.

    • Olisomar Pires
      14 de maio de 2016

      Detalhe: Um conto que eu sentiria orgulho de ter escrito.

      • Melissa Rubatto
        17 de maio de 2016

        😉

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .