EntreContos

Literatura que desafia.

Tempos Modernos (Pedro Teixeira)

Tempos Modernos Imagem

Às 20:35, na redação do Diário Paulista, Rubens preparava-se para sair e aproveitar sua folga. Quando já havia terminado de organizar a mesa e inclinava-se para pegar o paletó na cadeira, o trinado súbito e histérico do telefone o sobressaltou. Muito a contragosto atendeu, e então ouviu uma voz grave, uma voz de barítono, lhe dizer que nas próximas horas as placas tectônicas voltariam a se mexer, e que se ele quisesse saber do que se tratava, devia dar uma espiada na interestadual, mais especificamente num outdoor no trecho do KM 390. Antes que o jornalista pudesse esboçar qualquer pergunta, seu interlocutor desligou.

Após recolocar o fone no gancho, Rubens permaneceu ali parado algum tempo, pensando naquele telefonema. Depois voltou-se ao colega que tamborilava no teclado do computador da mesa vizinha, e perguntou:

– Marcelo, sabe se tem algo especial acontecendo por aí, além das Comemorações do 1º de Maio?

Marcelo interrompeu a digitação e respondeu, com a testa Caioida:

– Não sei. Talvez haja algum encontro de experts de informática, a inauguração de um teatro, um festival punk ou algo que o valha, vai saber, essa cidade é gigante. Por quê?

– Recebi uma ligação esquisita – e relatou o que a voz de barítono lhe dissera.

– KM 390…. Espera um pouquinho – respondeu Marcelo, depois comprimiu os lábios e jogou-se para trás na cadeira, até a cabeça quase pender no encosto. Parecia esforçar-se para relembrar algo – Lembrei.. tem um posto de gasolina, um hotel e uma bolicheria nesse quilômetro aí, já fui com uns amigos.

– Fiquei meio cabreiro com a ideia de ir até lá no meio da noite. Vou falar com meu contato na Polícia Rodoviária Estadual – disse Rubens, e o colega assentiu, voltando em seguida ao trabalho. Então Rubens ligou para sua fonte, um policial chamado Alberto, e relatou o acontecido. Alberto disse que ia verificar, trabalhava num posto próximo àquele local, de modo que logo teria uma resposta para ele.

Rubens agradeceu, desligou o telefone, levantou-se da cadeira e caminhou com passos preguiçosos até a cafeteira. A redação do Diário Paulista estava às moscas, um ou outro colega por ali digitando e fumando nas ilhas, como casebres em meio ao deserto expelindo fumaça por suas chaminés, ao contrário dos dias de maior movimentação, em que o lugar era tomado por um nuvem espessa de nicotina.

O jornalista voltou bebericando um café morno, e entre uma careta e outra conferiu algumas notas em seu caderno, até que o telefone tocou novamente. Era Alberto, dizendo que, em um outdoor do governo federal próximo a um hotel encontrara uma pichação que dizia “os Doze Pares estão voltando”. Essa informação, que remetia a recordações obscuras das ações de um grupo terrorista extinto, deixou Rubens ainda mais intrigado. O policial disse ainda que já havia se reportado ao seu chefe, e que polícia civil, militar e rodoviária federal tinham sido alertados.

Quando terminou a conversa, Marcelo não estava mais ali. “Deve ter saído pra lanchar”, pensou Rubens. Conferiu o relógio de pulso: eram 21: 15. Pegou as chaves do carro em uma gaveta da escrivaninha e desceu até a garagem, sem se despedir de ninguém.

Dirigindo pela marginal Tietê, resolveu dar meia volta e ir até a Boca do Lixo. Pensava na ligação, e farejava algo grande no ar. Podia ser a matéria-prima que faltava para conceber uma reportagem de primeira magnitude, algo que o tirasse de uma seção medíocre(policial) de um jornal medíocre(o Diário Paulista), e o projetasse, fazendo-o alçar voos mais altos.

Próximo à Boca, o neon filtrado na neblina dava àquelas ruas um aspecto onírico, em meio a antigos prédios que, se durante o dia pareciam escuros e desoladores, à noite ganhavam certo porte e dignidade, emoldurados pelo luar.

Ao chegar a seu destino, um edifício baixo que ficava ao lado de uma distribuidora de filmes, seguiu um pouco adiante, até um estacionamento, e deixou o carro lá. Depois caminhou de volta até o portão de zinco que dava acesso ao prédio e interfonou.

– Quem é? – uma voz elétrica perguntou, em meio ao zumbido da transmissão.

– Aqui é o Rubens, Caio, tenho um trabalho pra você – respondeu o repórter. Meio minuto depois a porta se abriu, e surgiu um rapaz cabeludo e loiro, cuja coluna curvada dava a impressão de que estava numa constante luta contra a gravidade para não envergar de vez, tornado o jovem uma espécie de arco humano.

Cumprimentaram-se batendo de leve os punhos cerrados, e Rubens então seguiu o rapaz para dentro do prédio. Subiram o primeiro lance de escadas, entraram numa sala ampla, que ocupava todo aquele lado do andar, e o jornalista viu-se em um cenário de ficção científica. Alinhada à parede direita havia uma fileira de gabinetes de computador, monitores e copiadoras, dos quais partia um emaranhado de cabos e fios.

– A coisa está ficando cada vez mais interessante, Rubão, disse Caio. E começou, pela enésima vez, com um entusiasmo que crescia exponencialmente, a contar a história das redes de computadores. A pioneira havia sido a Arpanet, criada pelos militares americanos para interligar bases e centros de pesquisa, em 1969. Poucos anos depois, no Chile de Allende, iniciou-se a implantação de uma rede que conectava as universidades. Com o golpe de Pinochet, em 1973, o programa continuou, mas esse propósito foi trocado por outro: o de coordenar a repressão aos opositores dos regimes ditatoriais instalados na região do Conesul, no que foi muito bem-sucedido.

Mas agora, continuava Caio, a criatura começava a voltar-se contra o criador. Depois de gigantescos investimentos na infraestrutura de telecomunicações, foi permitido às universidades formar também suas redes, e já havia cerca de 500 páginas dedicadas à difusão da informação. Além disso, empreendimentos clandestinos como o que ele mantinha naquele prédio invadiam arquivos militares e expunham as entranhas do poder em jornais clandestinos. O resultado se via nas ruas, com a campanha pelas Diretas Já e os próprios militares admitindo a reabertura.

Rubens aproveitou o momento em que o amigo parou para respirar e, depois de narrar a estranha ligação e a pichação no outdoor, perguntou se, em algum desses arquivos invadidos, eles por acaso não haviam encontrado nenhuma menção aos “Doze Pares”. Caio pareceu sobressaltar-se com a pergunta, em seguida coçou o queixo e disse que tinha visto algo sim, algo que o preocupara, mas precisava fazer uma análise mais cuidadosa antes de publicar qualquer coisa em “O Anarquista”, o jornal editado por ele. Caminhou até uma pilha de papéis ao lado da impressora, inclinou-se e folheou os documentos, até encontrar o que procurava.

Então estendeu a folha a Rubens, e explicou que se tratava de um arquivo do SNI sobre os 12 Pares, que estariam se rearticulando no Paraguai. – Ficamos muito surpresos, porque faz um uns dez anos que esse grupo foi exterminado pelos militares  –  disse.

O jornalista perguntou a ele em que tipo de ocasião os 12 Pares cometiam atentados. Caio disse que em grandes eventos: shows em datas comemorativas e festas populares. Grandes eventos, pensou Rubens. E então lembrou em que dia estava. Um primeiro de maio. Dia de shows no Anhangabaú. Dia do Trabalhador.

***

Depois de deixar seu carro em um estacionamento no Vale, Rubens caminhou até a praça do Anhangabaú, descendo pela rua Libero Badaró. Saíra às pressas do QG de “O Anarquista”, prometendo manter Caio inteirado dos acontecimentos.

Havia nas ruas um clima de euforia, de confiança, de renovação das esperanças, depois de três anos de recessão econômica e quase 20 de ditadura. Rubens percebia isso nos semblantes, nas atitudes, no tom verde e amarelo das roupas. A campanha pelas diretas fortalecia-se a cada dia, e com ela uma convicção de que o Brasil finalmente se redimiria de seus pecados. Mas, ao mesmo tempo, o repórter sentia que havia algo a mais no ar, um elemento insidioso e oposto a todo aquele entusiasmo, como se do céu mais uma vez começassem a despontar nuvens cinzentas e ameaçadoras, após uma breve calmaria.

Quando estava a uma quadra da praça, e já chegavam aos seus ouvidos os primeiros acordes de “Moleque”, música de Gonzaguinha, Rubens assustou-se com um ruído abafado, semelhante a um estouro, que parecia ter ocorrido ali perto. Deu meia volta e correu em direção ao estacionamento, olhando com atenção para as ruas paralelas.

Escutava-se o eco de gritos e passos vindos das redondezas, e o jornalista logo percebeu que muitas pessoas corriam em direção a uma ruela. Então ele sacou sua câmera fotográfica e seguiu o fluxo. Ao entrar na ruazinha, notou que logo adiante havia uma aglomeração em torno de algo que brilhava.

Correu até lá, e quando conseguiu abrir caminho entre a multidão, já sem fôlego, deparou-se, incrédulo, com um cenário de guerra; em meio ao metal retorcido, ao vidro estilhaçado e às chamas que dançavam indiferentes à confusão que as cercava, jazia um corpo chamuscado. Perto dali, mas fora da área de perigo, homens prestavam os primeiros socorros a um rapaz inconsciente e gravemente ferido.

Rubens então, entorpecido com aquela soma caótica de imagens e sons, fotografou os destroços do que havia sido um homem em seu carro, enquanto ouvia vozes que lhe pareciam muito distantes soltarem palavras como “terroristas”, “ataque a bomba”,  “não vão deixar barato”. E, ao pensar sobre o que o futuro parecia reservar para ele e seus compatriotas, balbuciou: “estamos ferrados.”

***

Quando alguém viu o coronel Marcos Ruffato chegar ao hospital, não demorou para que um compacto grupo de jornalistas o alcançasse, alvejando-o com perguntas. Ruffato, o chefe do DOI paulista, disse apenas que um comunicado oficial logo explicaria o ocorrido, e entrou no hospital, enquanto alguns homens grandes e mal-encarados barraram o avanço dos repórteres. Foi nesse momento que Rubens saiu dali para comer algo e tentar entender o que estava acontecendo.

Após encontrar um boteco próximo ao hospital e engolir um pastel, pôs-se a organizar mentalmente as informações obtidas até então, enquanto bebia cerveja.

O sobrevivente da explosão fora identificado como o capitão Ricardo Alves. Ele estava acompanhado do sargento Felipe Pereira, que morrera na explosão. Ambos integravam o Destacamento de Operações do II Exército, de São Paulo. O que se dizia até agora é que uma bomba havia sido plantada no carro por terroristas.

Quem era o “barítono” que o avisara? Essa era a pergunta que martelava em sua cabeça. Os 12 Pares queriam demonstrar a fragilidade da segurança de São Paulo, por isso se sentiam tão à vontade a ponto de mencionar uma ação futura a um jornalista?

Enquanto divagava, uma chamada atraiu sua atenção para o televisor que encimava a entrada do boteco, aprisionado em uma grade. Imagens de cadáveres, prédios destruídos e homens taciturnos de olhos vazios carregando armamento pesado ilustravam uma narração em off, que contava a história dos 12 Pares.

“A organização foi criada por remanescentes das comunidades messiânicas de Canudos e Contestado que começaram a formar células urbanas e adotar táticas terroristas, ensinadas por ex-soldados que passaram a integrar suas fileiras. ”

Um carro tinha sido visto fugindo do local da explosão pouco antes de Rubens chegar. Como não houve troca de tiros, a possibilidade mais forte era de que a bomba tivesse sido acionada por um de seus passageiros.

“As ações visavam especialmente agentes estatais e grandes eventos….”

Mas algo ali não se encaixava. Integrantes do DOI, SNI ou da polícia poderiam ser emboscados em outras ocasiões; o principal alvo deveria ser o publico dos shows no Anhangabaú.

“Fontes do governo dizem que o grupo voltou a se articular no Paraguai….”

Quando os dados começaram a se embaralhar em sua mente sem que conseguisse concluir nada, esforçou-se para pensar em outra coisa. E constatou que estava exausto. As vozes na televisão começaram a soar cada vez mais distantes, como se estivessem a quilômetros dali. Espreguiçou-se na cadeira dobrável e piscou repetidas vezes para afastar o sono.

E agora, temos novas notícias.”

Quase saltou da cadeira ao ver a repórter na TV anunciar o comunicado oficial. À imagem dela sucedeu-se a de um militar lendo um boletim que segurava entre as mão, com um tom de voz pesaroso. “O terror volta a assolar este país de gente pacífica e ordeira. Recebemos nesta noite a notícia de que dois de nossos agentes foram atacados covardemente. Enquanto o capitão Ricardo Alves ia ao banheiro e o sargento Felipe Pereira saia para esticar as pernas, durante uma missão de coleta de dados sobre uma possível ação terrorista, os bandidos instalaram uma bomba entre os dois bancos dianteiros do carro utilizado no serviço. Os resultados dessa ação perversa todos nós conhecemos.”

Em seguida o homem ergueu lentamente a cabeça e, olhando direto para a câmera disse, triunfal, o punho erguido cerrando-se lentamente:

“Mas tal crime não saíra impune. O braço forte do exército esmagará a cabeça da serpente, mais uma vez. Custe o que custar.”

Rubens estreitou os olhos e balançou a cabeça repetidas vezes. Havia algo de muito errado naquela história. O descuido dos agentes e a ousadia dos terroristas não se encaixavam no padrão. Parecia que os militares escondiam alguma coisa.

Levantou-se e foi ao balcão pagar a conta. Sentia a cabeça pesada. O torpor não havia amenizado a sensação de que havia algo sinistro no ar, uma nuvem negra a pairar sobre a extraviada alma brasileira.

Saiu para a rua e deu uma boa olhada ao redor. A neblina derramava-se pelas ruas, fantasmagórica. Mais ao longe, no hospital, a multidão de jornalistas parecia ter se dissipado.

Então ouviu uma sussurrante voz de barítono chamar seu nome. Estremeceu antes de se dar conta de que o chamado vinha da esquina. Foi até lá, em passos cautelosos, como se a calçada estivesse prestes a desmoronar.

– Não precisa ter medo, Rubens – disse a voz.

– Quem é você?

– Um homem cansado – disse o barítono, enquanto acendia um cigarro.

– Foi você quem me ligou, não foi?

– Sim, fui eu. Você deve estar cheio de dúvidas agora, não é?

O homem, depois de soltar uma baforada que misturou-se à névoa, disse:

– Trabalho no Centro de Informações do Exército. Sou especialista em explosivos. Desarmei muitas bombas plantadas pelos 12 Pares, nos anos 70. Salvei muitos inocentes.

“Sempre acreditei no Exército e nas razões que levaram ao golpe. Era necessário pulso firme para lidar com os 12 Pares e com os comunistas, disso não tive dúvidas. Mas depois percebi o tipo de atrocidade que estava sendo cometida nos quarteis, e ficou claro o quanto o poder havia nos corrompido. De modo que quando as guerrilhas e os Doze Pares foram eliminados, respirei aliviado. Poderíamos voltar a exercer nossa função em qualquer país civilizado, a da defesa do país, e deixar para trás a politicagem.”

“Só que em nosso meio, especialmente nas comunidades de informação, muita gente estava com medo da transição. Temiam que um eventual governo de esquerda se elegesse e buscasse uma revanche, responsabilizando os torturadores.”

“Esse temor fermentou a ideia de que era necessário impedir a redemocratização, a qualquer preço. E algumas pessoas especialmente culpadas elaboraram um plano. A intenção era simular um atentado e jogar a culpa nos 12 Pares. Com isso, a linha dura voltaria a ganhar força e barraria a reabertura.”

“Fui convidado a participar, por meu conhecimento em explosivos. Tentaram me convencer de que era uma ação necessária para manter a ordem no país. Enquanto ouvia os argumentos deles, pensava em imediatamente recusar, mas depois percebi que, fingindo fazer seu jogo, podia resolver tudo de uma vez por todas.”

“Confeccionei a bomba, e a dotei de um sensor de distância, ligado a outro sensor que eu levaria no bolso. Bastava me distanciar 10 metros dela para acioná-la. Eles não faziam ideia, é claro. Havia um timer ali só para dar a impressão de que a explosão estava marcada para as 23 horas.”

“Tanto Felipe quanto Ricardo  são dois bandidos imundos. Não fariam falta a ninguém, o que facilitou  minha decisão.”

“Quando chegamos lá, e Felipe preparava-se para plantar a bomba em um local que atingisse o maior número de pessoas, disse que ia sair para esticar as pernas. Andei 10 metros e, bem, o resto você sabe.”

***

Rubens levou as mãos ao rosto, e depois de um longo suspiro, perguntou:

– Deus… E agora, o que vai ser, barítono?

– Fico feliz por ter salvado vidas novamente, mas sei que sou um homem-morto. Corra para longe daqui e faça sua reportagem, para que esses fatos não se tornem mais grãos de areia soprados pelo vento no deserto. Escreva, se o editor o censurar leve àqueles subversivos do Anarquista, vão fazer algo de útil pela primeira vez na vida. São tempos modernos, com computadores interligados em todo o planeta, e isso precisa ganhar o país, o mundo. Agora vá. Vá!

O Barítono então saiu para a escuridão e Rubens seguiu na direção oposta, ambos a passos acelerados. De repente chegou aos ouvidos do jornalista o ronco nervoso de um motor, e o grito de pneus riscando o asfalto. Olhou para trás e viu que das janelas de um carro negro dois homens apontavam fuzis ao militar, que começara a correr. Tudo então aconteceu muito rápido: as armas cuspiram suas balas sobre o barítono, que, atingido, rodopiou e caiu. Rubens jogou-se para o chão atrás de algumas latas de lixo enquanto o carro descia a rua cantando pneus, e em seguida fazia uma curva acentuada na esquina com o boteco, desaparecendo na noite.

Levantou, trêmulo, e correu até onde o informante estava. O sangue brotava em profusão dos ferimentos e serpenteava em direção à sarjeta, formando minúsculos rios e afluentes escarlates que brilhavam no asfalto sob os postes de iluminação. Rubens clamou por ajuda e pediu a ele que não dormisse, ao que o militar replicou numa fala engasgada:

– A linha acabou…. Pra mim. Escreva a reportagem.

E expirou.

Uma multidão começava a se formar ao redor deles, e alguns enfermeiros aproximavam-se carregando uma maca. Rubens levantou-se a custo, ainda tremia. Olhou ao redor, e murmurou consigo:

– Pode deixar, Barítono. Não vai ser mais um grão.

E saiu dali apressado, a ouvir as sirenes e o burburinho, sem olhar para trás.

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41 comentários em “Tempos Modernos (Pedro Teixeira)

  1. Thomás
    3 de junho de 2016

    Olá Carlos.
    Gostei do seu conto.É fluido e prende a atenção.
    A RHA existe, mas parece estar em segundo plano. Ficou interessante

    Embora o atentado descrito não seja novidade, você criou uma narrativa muito bem feita.

    Boa sorte!

  2. Wilson Barros
    3 de junho de 2016

    Que grata surpresa, fazia tmpo que eu não lia um conto de redação de jornal. Principalmente tão envolvente e com tanto mistério rolando. Colocar Canudos no meio foi um golpe de mestre. A RHA envolvendo o Rio Centro, ou outro episódio da época militar foi algo que eu tinha pensado em escrever. Foi muito bem desenvolvido aqui, parabéns.

  3. Swylmar Ferreira
    3 de junho de 2016

    O conto é legal, relata o episódio ocorrido no Rio Centro, mas não vi realidade alternativa nele, sim uma boa romantização do ocorrido.
    O conto é bem escrito, tem bom enredo aproveitando o episódio citado. Gramaticalmente muito bom ajudando a obra, os diálogos são muito bons dentro do contexto exposto pelo autor.
    Parabéns meu caro e boa sorte.

  4. Thiago de Melo
    3 de junho de 2016

    Amigo escritor,

    Achei que seu conto policial foi muito bem escrito. Vc conseguiu fazer as 3 mil palavras passarem voando. Gosto muito de história e, assim, gostei de “mergulhar” naquele episódio da explosão no rio de janeiro.

    Contudo, também tenho que concordar com as avaliações anteriores sobre não haver no conto um desenvolvimento maior da parte “alternativa”. Achei que o seu talento para escritor é inegável, a questão foi mesmo apresentar uma realidade alternativa e seus desdobramentos. Foi essa parte dos desdobramentos que eu senti mais falta. O episódio dos militares com a bomba no carro servir de mote para a permanencia dos militares por mais tempo no poder é bastante factível… mas e aih? Qual foi o desdobramento dessa mudança histórica que você fez? Mesmo achando que você poderia ter explorado mais a parte “Alternativa” da história que você criou, achei o seu conto muito bom!

    Um abraço!

  5. Virginia Cunha Barros
    3 de junho de 2016

    Oii! Um bom conto, com muita ação, terroristas e atentados. E bem escrito também, a história prendeu a atenção e o autor soube manter o suspense. No começo do conto fiquei imaginando a voz do Darth Vader no telefone, não sei por quê. As explicações de política me fizeram boiar um pouco, mas é mais questão de gosto pessoal mesmo Desejo boa sorte!

  6. Pedro Luna
    2 de junho de 2016

    Olá, o conto começa bem, numa pegada clássica de filmes de investigação, com a redação vazia e o jornalista incansável recebendo uma ligação anônima. A parte em que você discorre sobre internet, arpanet, levando em conta o ano do atentado, me deixou boiando um pouco e enxerguei aí a realidade histórica. Mas eu não tenho menor dúvida de que a pegada investigativa, unida ao atentado e até a um grupo terrorista, seria uma trama para um romance ou texto maior. Aqui ficou meio espremido, sem trazer emoção.

    Mas de qualquer forma, está bem escrito.

  7. Gustavo Aquino Dos Reis
    2 de junho de 2016

    Gostei do conto. E achei muito bom alguém ter retratado – mesmo que com um viés de realidade histórica alternativa – os atentados que percutiram a época dos Anos de Chumbo.

    A escrita tem propriedade, os diálogos estão muito bem feitos; apenas alguns deslizes de menor importância que, pelo menos para mim, não chegam a causar nenhum entrave na leitura.

    Barítono! Correlacionei essa referência aos livros do Elio Gaspari. Segundo ele, Costa e Silva foi mencionado como o “barítono” por Castello Branco.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  8. Pedro Teixeira
    2 de junho de 2016

    Olá, Carlos! Gostei do clima noir e da realidade histórica alternativa, apesar desta ter ficado mais tênue, como uma antecipação de fatos históricos. As descrições estão bacanas e a narrativa ficou legal, apesar de alguns problemas de revisão. Acho que o maior problema aqui foi a falta de espaço para desenvolver a estória, narrativas policiais pedem mais espaço para construir o suspense e a investigação, e aqui isso faltou um pouco. No geral, um bom conto. Parabéns e boa sorte no desafio!

  9. vitor leite
    1 de junho de 2016

    Este conto começou muito bem, gostei muito da atmosfera negra, um ambiente que me cativou como leitor, mas depois o texto dá uma guinada para o lado muito politico e para mim perdeu a força, havendo alguns trechos de leitura pesada, mas é só a minha opinião. Parece-me ficar demonstrada toda a tua capacidade de domínio das letras, pois me parece muito bem escrito este conto. Parabéns

  10. Catarina
    1 de junho de 2016

    O COMEÇO é interessante e o clima da narrativa me agrada. O FLUXO é lento e a riqueza de detalhes me entediou (“ cadeira dobrável”?). Eu enxugaria essa TRAMA com um secador industrial. Tiraria passagens desnecessárias (exemplo: invenção computadores, Chile, etc). Mas como não é meu, fica valendo o estilo do autor. A ALTERNATIVA é muito boa, mas o espaço foi mal dimensionado. Posso estar errada, mas fiquei com a impressão que o FIM foi apressado por já estar no limite de 3.000.

  11. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Carlos. Seu conto é o vigésimo que leio e avalio neste certame.

    Observações: não consegui associar bem o título à história, mas não é algo que conte como ponto negativo, ao meu ver. A narrativa é bem trabalhada, sem dar muito tempo para o leitor perder o foco, além de estrategicamente manter o suspense sobre os “doze pares”.

    Destaques: o tom poético, aplicado ao cenário “underground” da noite na capital paulista me lembrou um pouco o velho Buck – isto é um ótimo ponto.

    Sugestões de melhoria: foi um pouco coincidência demais o Barítono ser assassinado minutos após seu encontro com Rubens. É o tipo de “forçada de barra” digno de filmes policiais, que percebemos mas deixamos passar porque a história compensa, como acontece com seu texto.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: O atentado do Riocentro, parte da história recente do Brasil, transformado em um thriller noir. Uma RHA que se concentra em como poderia ter sido, ao invés de falar de como poderia ter ficado se acontecesse… achei original.

    TÉCNICA: com um quê de Pulp ( a última novela do Bukowski), o autor cria uma conspiração misteriosa para explicar o atentado, juntando na mesma panela Canudos, Contestado e militares, mas não enfatiza o messianismo da missão. Achei estranho isso.

    EFEITO: Para mim, o final anticlimático não funcionou muito bem. Achei previsível, não me surpreendeu. Desculpe.

  13. Simoni Dário
    31 de maio de 2016

    Olá Carlos.
    O volume de informações do seu conto fez a leitura cansativa para mim. O tema já não é dos meus preferidos, mistura de política, investigação jornalística e afins, então não sou a melhor pessoa a comentar. Desconheço a realidade dos fatos deste atentado. Quanto a sua narrativa, é limpa, mas muito detalhada, parecia que eu estava lendo uma matéria bem completa da revista Veja ou de algum jornal cuja matéria fosse a principal, com excesso de detalhes dos acontecimentos e como falei antes, cansou um pouco. Curioso que quando chegou a última parte, a do Barítono, comecei a me interessar e gostei do restante, inclusive do final. Fiquei com a impressão de que o rumo que a história tomaria a partir da divulgação da reportagem que seria feita por Rubens é que poderia mudar o curso da história, talvez. Enfim, o seu texto é bem narrado apenas acho excessivamente explicado, mas com escrita clara e limpa. Arriscaria dizer que você é jornalista, ao menos parece. Parabéns pelo texto.

  14. Gustavo Castro Araujo
    30 de maio de 2016

    O conto funciona bem enquanto texto policial. As investigações, o clima que permeia a explosão da bomba, tudo isso colabora para que o leitor veja a si mesmo mergulhado num caldeirão de desconfianças de parte a parte. O mote do atentado do Rio Centro foi bem aproveitado, mas receio que o autor tenha se rendido à realidade dos fatos e deixado de inovar a esse respeito. Ou seja, não há uma RHA por excelência, já que o fio condutor da narrativa é, exatamente, o acionamento acidental do artefato.

    Lendo as respostas aos comentários do pessoal, pode-se perceber que, para o autor, a RHA estaria inserida na criação de um grupo terrorista pelos sobreviventes de Canudos e do Contestado, bem como no advento de uma “internet” cujo tráfego de dados acabou precipitando as Diretas Já — de 1984 para 1981.

    Não vejo, com toda sinceridade, esses dois fatos influenciando no argumento principal do conto. O atentado no Rio Centro aconteceria mesmo que o grupo terrorista não existisse e mesmo que não houvesse internet — como realmente ocorreu. Ou seja, a RHA, se existe, me parece irrelevante. Seria o mesmo que mencionar, num parágrafo solto que o campeão brasileiro de futebol, em 1980, foi o Santa Cruz – PE e não o Flamengo. Ou seja, para o enredo principal, não faz diferença.

    Penso que o conto teria sido mais interessante se o atentado em si tivesse passado por uma releitura, como p.ex, provocado a morte de um tal Tancredo Neves, impedindo a redemocratização e prolongando a permanência dos militares no poder.

    De todo modo, não quero dar a impressão de que não gostei do conto. Na verdade, está bem escrito, é envolvente e desperta o interesse, ainda que alguns diálogos e cenas pareçam teatrais.

    Ainda assim, percebe-se que o autor buscou se informar e pesquisou o assunto, algo que, por si, o faz merecedor de elogios. O atentado do Rio Centro é um dos maiores mistérios não solucionados da ditadura, havendo um sem-número de versões, todavia sem que jamais alguma tenha sido confirmada. Abordar um tema tão interessante e vasto é tarefa para poucos. Por isso parabenizo o autor.

  15. JULIANA CALAFANGE
    30 de maio de 2016

    Gostei do clima noir do seu conto policial. A linguagem bem ao estilo de uma narrativa dos anos 40, mas com trama do início dos anos 80 (pelo menos foi assim q eu vi, vc fazendo referência à bomba do Riocentro, só q no Anhangabaú). Vc escreve bem, não vi erros na revisão. Algumas coisas ficaram meio estranhas. O tal barítono ficou meio falso, muito “explicadinho” e pouco convincente. Não vi motivo pra vc antecipar o clima das Diretas já, pelo menos não ficou claro no texto. Tb a história de Canudos… Me pareceu um pouco forçada, parece q foi colocada ali só pra justificar uma RHA, que eu na verdade não vi.

    • Carlos Chaplin
      30 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Juliana! Na verdade, a RHA está presente em uma versão da internet que foi usada pelos países do Cone Sul para combater as guerrilhas, que surgiu no Chile na década de 70. Como depois foi autorizada a formação de redes por universidades, isso acabou resultando na difusão de informação e num clima político favorável às Diretas-Já, como é dito no diálogo entre Rubens e Caio. Os 12 Pares também constituem realidade histórica alternativa, pois na nossa realidade não houve remanescentes de Canudos formando um grupo terrorista.

  16. Pedro Arthur Crivello
    28 de maio de 2016

    gostei da trama policial. seu enredo foi bem amarrado e a linguagem bem como as normas gramaticais estavam bem colocadas, uma hora achei que a linguagem não se adequou, quando descreveram o atentado pelo jornal , achei uma linguagem muito informal, principalmente se tratando do tempo da ditadura. outro ponto , a RHA não se apresentou muito bem no conto , a criação do grupo terrorista podia aparecer com temática de muitos contos de ficção mas não é necessariamente uma RHA

    • Carlos Chaplin
      28 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Pedro! A RHA fica por conta tanto do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul quanto do grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar, o que não aconteceu na nossa realidade e na trama traz consequências, como o fato de a campanha pelas Diretas-Já acontecer já em 1981, e não em 1984.

    • Carlos Chaplin
      28 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Pedro! A realidade histórica alternativa fica por conta do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul, e do surgimento de um grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar, dois fatos que não aconteceram em nossa realidade e na trama mudaram a história, antecipando, por exemplo, a campanha pelas eleições diretas.

  17. Evandro Furtado
    24 de maio de 2016

    Ups: Revisão impecável. Descrições muito bem feitas. Trama densa com personagens muito bem desenvolvidos. Senso de direção por parte do autor aonde quer chegar com o texto.
    Downs: Senti que a RHA ficou em segundo plano, há sim elementos específicos, mas nada memorável pensando em um panorama maior.
    Off-topic: esse cara aí virou uma peneira, hein?

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Evandro! A realidade histórica alternativa fica por conta do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul, e também pelo surgimento de um grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar .

  18. Andreza Araujo
    24 de maio de 2016

    Título: achei bem genial. Não entrega o texto, mas tem tudo a ver.

    Narrativa: gostei bastante do seu modo de contar uma história. Possui muitas descrições ao longo das cenas, coisa que eu adoro. Ficaram na medida certa pra mim, pois consigo enxergar bem as cenas sem perder o interesse nelas.

    Trama: não sou muito fã de ler textos sobre política, mas o seu conto despertou o meu interesse do início ao fim. A parte jornalística e a questão das redes de computadores também prendeu a minha atenção.

    Dows: fiquei me perguntando por que Rubens foi o escolhido para receber a informação privilegiada. Mas tudo bem… hehehe
    A explicação do barítono ficou tão longa que parecia um monólogo. Penso que o Rubens, sendo jornalista, encheria o cara de perguntas. No máximo o informante responderia que “não tinha tempo para responder, que o deixasse falar”. Acho que assim ficaria mais crível. Mas é só uma observação pessoal minha.
    O comunicado oficial na TV também ficou inverossímil. Um “foi ao banheiro” e o outro foi “esticar as pernas”? Não precisava citar estes detalhes! Bastava dizer que estavam de serviço.
    Ainda nesta cena: “os bandidos instalaram uma…” Que bandidos? O militar não cita quem são os suspeitos, ou quem são os bandidos, nem de onde são, ou quantos são, nem se são terroristas… Ficou algo muito específico para uma informação que não foi dada naquele momento.
    E o final… que final? Tipo, cadê o final? 😦
    Fiquei realmente com a impressão de que você esqueceu de escrever esta parte, pois até rolei a página para baixo para ver se não tinha algo depois do “anúncio” na página do EC. Poxa… estava adorando o ritmo do texto, aí você deixa o final completamente aberto? rsrs

    Bobeirinhas de revisão ainda não citadas:
    Faltou uniformidade ao escrever Doze Pares x 12 Pares.
    O mesmo acontece em: “depois de três anos de recessão econômica e quase 20 de ditadura” -> três por extenso, 20 em algarismos… Sei que existe uma regra (sei lá se é regra oficial, rsrs) que sugere escrever por extenso números inferiores a dez. Mas esta mesma “regra” diz que não se deve misturar as duas formas numa mesma frase.
    Num dos paráfrafos iniciais, existe uma reticências com quatro pontos. E um ponto final feito com dois pontos finais (ou uma reticências com dois pontos, não sei, rsrs).
    Faltou também dar um espaço antes de abrir parênteses. Ocorreu duas vezes no mesmo parágrafo.

    Concluindo: o que citei em “dows” é apenas para você refletir, não atrapalhou a minha leitura ou o meu entendimento.
    Gostei muito do desenvolvimento, mas vou tirar uns pontinhos da sua nota por causa do final aberto. Foi a única coisa no texto que eu realmente não gostei. Abraços!

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário e pelas dicas, Andreza! Minha intenção com o final foi dar a ideia de que ele iria em frente e denunciaria a conspiração, de que isso estava traçado na atitude firme dele, não olhando pra trás. Mas que bom que você gostou do resto, hehe. Abraços!

  19. Anorkinda Neide
    19 de maio de 2016

    Olá!
    Eu gostei deste ar noir, achei o texto muito perfeitinho, bom de ler.
    Como conto policial está eficiente, me interessou e se fez entender.
    Como RHA acho que pecou em nao mostrar o que acontece depois, mas nao retira o brilho do envolvimento que eu, particularmente, tive com o enredo.
    Boa sorte
    Abração

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Anorkinda!A realidade histórica alternativa fica por conta do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul, e também pelo surgimento de um grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar .

  20. Eduardo Selga
    19 de maio de 2016

    O conto trabalha primordialmente com o Atentado do Riocentro, episódio ocorrido durante o governo de João Baptista Figueiredo, o último militar do período inciado em 1964. Os fatos históricos mostram que ao menos um militar morreu por detonação acidental de uma bomba que ele mesmo deveria fazer explodir durante as comemorações do Dia do Trabalho, no Riocentro. Posteriormente ficou claro que se tratava de uma tentativa de radicalizar mais uma vez a atmosfera política do Brasil, de modo que a “abertura lenta, gradual e segura” do ex-presidente Geisel e levada a efeito por Figueiredo fosse suspensa pelos motivos que estão postos no conto.

    O cenário e as circunstâncias não mudam muito do real para o conto. Também há um dia do Trabalho, o corpo do militar dentro do carro (no Riocentro foi um Puma, se não me engano), o discurso de endurecimento das autoridades. Muda, basicamente, o local (no conto é o Vale do Anhangabaú) e a inserção de um grupo guerrilheiro fictício. Houve guerrilha no início da Ditadura, mas à época do atentado, 1981, os grupos importantes como o MR-8 e a VPR estavam totalmente desarticulados, mesmo porque o Partido Comunista e suas correntes internas já haviam desistido da luta armada.

    Outro elemento histórico é abordado no conto, o Diretas Já. No plano da realidade ele teve início em 1983, o que significa que o(a) autor(a) mesclou eventos distanciados historicamente. O recurso, enquanto narrativa ficcional, ficou muito interessante, “anarquizando” a História. Talvez surja algum questionamento no sentido de que o narrado não é uma alternativa à História, apenas a junção de dois fatos distanciados entre si e sem relação de causa e consequência na História.Será uma objeção possível, mas não se sustenta muito, pois no conto o Diretas Já é causa do atentado. Aí está a alternativa histórica, ao invés do receio dos militares com a abertura política que estava a caminho muito lentamente. Ou seja, o(a) autor(a) como que ficcionalizou a realidade.

    O conto cita um jornal do movimento político anarquista, uma das três importantes vertentes da esquerda, junto com o comunismo e o socialismo. A palavra “anarquismo” e suas variantes sofreram forte mutação semântica por causa da propaganda conservadora, de modo que passou a significar “bagunça”, “desordem” no imaginário popular, perdendo o conteúdo político. No período pós-64 o movimento anarquista nunca teve expressividade, e suas posturas eram e ainda são muitas vezes interpretadas pelo comunismo e socialismo como um serviço prestado ao conservadorismo. No conto o movimento anarquista é chamado a mostrar-se contrário o status quo, quando o voz de barítono sugere que a matéria seja publicada no jornal do movimento. Isso também pode ser considerada uma alternativa histórica.

    Alguns manuais que pretendem ensinar como fabricar um conto de excelência insistem na ideia de que mais que um cenário na narrativa curta é errado, porque o espaço curto exige concentração no essencial. Muitas vezes discordo disso, não acredito que isso valha para todos os casos. Muito mais importante do que esse aspecto formal é a unidade de tom, ou seja, mesmo que em cenários diferentes, o todo textual precisa falar numa mesma linguagem. E isso acontece no conto. Mesmo na segunda parte, com a explosão da bomba aumentando o nível de tensão, o protagonista mantém a mesma atitude mental relativamente tranquila. E é isso que une as duas partes.

    Há algumas questões relativas à coerência textual. Vamos a elas.

    O comunicado oficial diz que um dos militares vítima do atentado “saía para esticar as pernas”. O problema é que um termo gírio nunca entraria num documento oficial, ainda mais expedido por militares.

    No trecho “então ouviu uma sussurrante voz de barítono chamar seu nome. Estremeceu antes de se dar conta de que o chamado vinha da esquina” parece-me haver um problema: “da esquina” sugere alguma distância, logo não seria possível uma voz sussurrante se fazer ouvir.

    O personagem que tem voz de barítono diz ao protagonista que ao fazer explodir a bomba nos militares ele “podia resolver tudo de uma vez por todas”. No entanto, a atitude teria o mesmo efeito se a explosão fosse na comemoração do Dia do Trabalho e não no carro, ou seja, alimentar o medo da população quanto à esquerda revolucionária. Como o ato haveria de “resolver tudo de uma vez por todas”? O voz de barítono acaba fazendo o que os militares queriam, com a diferença que as vítimas são outras.

    Próximo do fim temos “Rubens clamou por ajuda e pediu a ele que não dormisse, ao que o militar replicou numa fala engasgada […]”: Ocorre que se trata do protagonista tentando ajudar o voz de barítono, que fora alvejado por tiros de fuzil. Nessas circunstâncias, a palavra “dormir” me parece muito inadequada, pois esse ato demanda ação voluntária, no mais das vezes.

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelas dicas, Selga! A ideia de ele pensar que estaria resolvendo tem a ver com o fato de que seria difícil sustentar a tese de um atentado dos 12 Pares, com o depoimento dele ao jornalista, divulgado por meio da rede,e também as circunstâncias da explosão, o que viria a desmascarar o grupo que havia planejado a ação, acelerando a abertura.

  21. Ricardo de Lohem
    17 de maio de 2016

    Olá como vai? Tema curioso: o atentado ao Riocentro tem um desenvolvimento diferente. Não pude acompanhar o aspecto RHA, já que pra isso teria que pesquisar esse episódio histórico pelo qual não tenho nem o mais remoto interesse. Só me resta aqui avaliar a história enquanto estória, e verdade seja dita: é chatíssima.Desculpe, mas minha paciência tem limites: simplesmente não dá .Boa Sorte no Desafio

  22. Brian Oliveira Lancaster
    17 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Um clima mais denso e realista, diferente do que já vi por aqui. Bem conduzido, com pequenas falhas (abaixo), mas que não tiram o valor e peso da história. Gostei como um todo, pois lembra vagamente a temática “noir”.
    E: Abordar um contexto jornalístico foi bem criativo, fugiu do lugar comum e trouxe uma história intrigante. Não conheço muito a história real por trás dos fatos, mas consegue prender a atenção com todo o suspense ao redor dos telefonemas e dos contatos do protagonista.
    A: Bem, uma célula terrorista consegue alterar a história, vide o que ocorre atualmente no oriente médio. Está dentro do proposto, abordando uma camada mais pessoal e intimista, o que foi muito bom, pois o cenário total é muito amplo para ser explicado.
    O: Notei algumas inconsistências. A palavra barítono às vezes está como substantivo, e às vezes como nome perto do fim. Algumas palavras não acompanharam o plural da frase. Tirando isso, a escrita limpa é eficaz em transmitir as sensações e criar imersão imediata.

  23. Leonardo Jardim
    17 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): a trama é interessante, mas termina sem um fim. Depois desse acontecimento marcante, o texto precisava contar as consequências: o que aconteceu com Rubens? E com os militares? Houve ou não a redemocratização? Muitas pontas ficaram abertas. Além disso, o início demorou muito a ambientar o conto: poderia dar uma dica nos primeiros parágrafos dizendo que o conto acontecia no período da ditadura militar. Afora esses problemas, gostei do clima noir de investigação e conspiração. Acho que deve terminar a história.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): simples e direta, sem nenhum erro grave, mas sem grandes trabalhos linguísticos focando na ação e descrição de cenas. Anotei algumas observações enquanto lia:

    ▪ A coisa está ficando cada vez mais interessante, Rubão *travessão* disse Caio.

    ▪ E começou, pela enésima vez (essa frase deveria vir num novo paragrafo)

    ▪ …o resto você sabe (os “***” depois dessa frase não são necessários, pois não há passagem temporal longa nem mudança de cena)

    💡 Criatividade (⭐▫▫): usou vários elementos comuns de histórias policiais (telefonema anônimo, informante misterioso, etc.) e pouca coisa nova.

    🎯 Tema (⭐▫): nesse texto tem bastante História, nas faltou mostrar mais o que ocorreria depois do atentado para ter mais Alternativa.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): já falei isso em outros textos e repito aqui: o final em um conto é muito importante, pois é onde reside do impacto, elemento importante desse formato. O fim inconclusivo desde texto diminuiu bastante o impacto.

  24. Davenir Viganon
    16 de maio de 2016

    RHA: A existência de um grupo chamado “Os 12 Pares”
    Não consegui entrar nesse mundo alternativo, o atentado a bomba do Rio-Centro aconteceu de forma parecida com as versões que conhecemos. Pareceu uma versão ficcional de um acontecimento do que um acontecimento que ocorrido em outra linha alternativa. Brasil. Ditadura militar. Atentado. Está tudo lá. A unica coisa diferente é o tal dos 12 pares. É algo criado e inserido no mundo ficcional muito similar ao nosso.
    Quanto ao conto em si, ele começa bem e depois ficou um pouco travado. A investigação do repórter é legal, mas as informações ficaram jogadas e foi cansativo processar tudo. Quando não consegui vislumbrar esse mundo diferente, ficou decepcionante. Talvez alguém explique alguma coisa e mostre algo que eu não vi.
    Boa sorte.

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Davenir! A realidade histórica alternativa fica por conta do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul, e também pelo surgimento de um grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar .

  25. Olisomar Pires
    15 de maio de 2016

    RHA: Sinceramente não consegui localizar.

    Idioma: Bem escrito, poucas falhas.

    Ritmo e desenvolvimento: Ritmo lento, desenvolvimento fraco, parágrafos enormes, as personagens se misturam, há um excesso de informações ou melhor dizendo, várias linhas de ação são propostas sem entretanto existir uma convergência.

    Conclusão: O conto é bem escrito, mas cansativo, fiquei com a pergunta: o que ele está contando ? não senti empatia com o texto, por ora fica assim, lerei novamente em outra ocasião, talvez outros comentários ajudem.

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Olisomar! A realidade histórica alternativa fica por conta do surgimento de uma versão da internet no Chile quase ao mesmo tempo que nos EUA, com implicações para as comunicações e aceleração de transformações políticas, econômicas e sociais nos países do Cone Sul, e também pelo surgimento de um grupo terrorista formado por remanescentes de Canudos, que entrou em confronto com o regime militar .

  26. Claudia Roberta Angst
    14 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    Título – Claro, objetivo, alusão ao filme Tempos Modernos de Chaplin.

    Enredo – O clima de suspense, investigação, no início do conto, ficou bem interessante. No entanto, acho que algumas passagens ficaram cansativas, com o volume de informações a serem processadas. O conto me fez lembrar do Atentado do Riocentro, frustrado ataque a bomba que seria feito no Pavilhão Rio centro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, quando ali se realizava um show comemorativo do Dia do Trabalho.
    Os Doze Pares seria algo a ver com os Doze Pares da França? A tropa de elite pessoal do rei Carlos Magno?

    Tema – Uma nova abordagem do Atentado do Riocentro, durantes as comemorações do Dia do Trabalho. O tema proposto está aí, desenvolvido em vários parágrafos.

    Revisão – Fiquei me perguntando o que seria “testa Caioida”, se seria uma referência ao personagem Caio, ou um erro de digitação. De resto, só uns pequenos deslizes, mas originados pela pressa.

    Aderência – O conto prendeu minha atenção no início, mas depois confesso que fui ficando com preguiça de seguir em frente. Está muito bem escrito e creio que baseado em muita pesquisa, mas essa pegada jornalística-política não me agrada muito, mas é uma questão de gosto. Um bom conto, sem dúvida. Boa sorte.

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário e pelas dicas, Claudia! Os Doze Pares realmente tem relação com a tropa de elite de Carlos Magno e são uma referência ao fato de que as aventuras deles eram uma das leituras preferidas de Antonio Conselheiro.

  27. Fabio Baptista
    14 de maio de 2016

    O conto começou bem, com uma pegada meio noir que me agradou.

    No entanto, acabou seguindo por um lado político, abordando ditadura, revolução, terrorismo, etc. e perdeu a aura investigativa do início para desaguar numa simples sequência de fatos que não trouxeram muito envolvimento com os personagens (nem mesmo com o repórter, desperdiçando um ótimo potencial) e, consequentemente, pecou ao se aproximar mais de uma matéria jornalística do que um conto, ou seja, faltou transmitir emoção.

    Sendo bem sincero, não consegui identificar muitos elementos aí que não poderiam ocorrer nesse “nosso mundo”… faltou um pouco do clima da tal RHA, na minha opinião.

    Acredito que a história traria mais impacto se narrada em primeira pessoa.

    A escrita está muito boa, tanto fluidez narrativa quanto gramática.

    – um nuvem
    >>> uma

    – tornado
    >>> acho que deveria ser “tornando”

    – testa Caioida
    >>> ???

    • Carlos Chaplin
      26 de maio de 2016

      Obrigado pelo comentário, Fabio! A realidade histórica alternativa aqui fica por conta de uma versão da internet surgida no Chile, que mudou o rumo das comunicações e acelerou transformações na América do Su, e do grupo terrorista formado pelos remanescentes de Canudos.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .