EntreContos

Literatura que desafia.

O Discurso (Wilson Barros Júnior)

– Queridos alunos – a professora começou -, encerramos o ano. Agradeço e perdoem-me os erros. Quem quiser pode reclamar de alguma injustiça.

Transcorridos alguns segundos, a professora ia continuar. Inesperadamente, Jacaré lançou:

– Uma vez a senhora arrancou minha prova e tirou ponto porque rasgou. Mas se foi a senhora…

Acenamos, concordando. Jacaré fora injustiçado. A professora perturbou-se:

– Er… Sinto muito… Continuando…

– Também tenho uma!– disse Cabelo-de-Pau. – Presunto me beliscou, eu gritei e a senhora disse “galiiiiiinha”!

– Mentirosa! – contestou Presunto.

– Olhem… – tentou a professora.

Ivaldo interrompeu:

– A tinhora dite que falo errado, mas eu tenho língua preta!

Gargalhada geral.  Gritei:

– Língua presa, imbecil!

Eu ria, descontrolado. Repentinamente, Ivaldo derrubou-me, esmurrando-me sem parar.

– Não tou imbetil!

As crianças torciam. Finalmente, soou a campainha e saímos, alegremente.

Ivaldo demonstrava os golpes que me aplicara. Sua mochila estava semi-aberta. Chutei-a violentamente, espalhando o conteúdo no pátio.

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58 comentários em “O Discurso (Wilson Barros Júnior)

  1. Fabio D'Oliveira
    29 de janeiro de 2016

    ௫ O Discurso (Pisa na Ponta)

    ஒ Estrutura: Estilo simples e direto, sem medo de inserir elementos dinâmicos; que ficaram bons. É mais pessoal do que qualquer outra coisa.

    ஜ Essência: Um breve episódio na sala de aula, talvez uma lembrança, talvez um lapso no tempo e espaço. Não saberemos. Sabemos apenas que o narrador apanhou, haha.

    ஆ Egocentrismo: Não posso falar que não gostei da leitura, mas estaria mentindo falando que não gostei. Fiquei dividido. O autor poderia melhora a estética do texto. E a construção de algumas frases.

    ண Nota: 7.

  2. Matheus Pacheco
    29 de janeiro de 2016

    Nada pior para o professor ouvir do que os erros que nem ele percebe.
    Muito bom o texto meu amigo.

  3. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Acho que não me atraiu… É um conto de humor, obviamente, mas não curto tanto o gênero. Achei a escrita um tanto fria, sem emoção. O enredo é interessante.

  4. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    O Discurso (Pisa na Ponta) – Que pseudônimo louco! Rs
    1. Temática: Travessuras, recordações, vida estudantil.
    2. Desenvolvimento: Interessantíssimo e alegre.
    3. Texto: Um primor!
    4. Desfecho: Essa desforra pagou o ingresso! Alma lavada não tem preço!
    Pisa no acelerador e vamos pra cima!
    Show, top 15!

  5. mkalves
    29 de janeiro de 2016

    É uma ótima cena e certamente funcionaria bem numa narrativa maior, mas não se resolve, ao menos para mim, como um conto. Entretanto, fiquei com vontade de continuar acompanhando a história.

  6. Harllon
    28 de janeiro de 2016

    Nenhuma grande reviravolta, nenhum elemento que venha prender o leitor para uma leitura um pouco mais laboriosa, muito pelo contrário, o texto é bastante simplista, com um final esmaecido pela ideia que poderia ter sido mais interessante.

  7. Swylmar Ferreira
    28 de janeiro de 2016

    Enredo interessante, mas sem conclusão. Achei criativo – final de aula de grupo de crianças. E bem escrito também.
    Esse texto merece um espaço maior para desenvolvimento, aí fica legal.
    Boa sorte.

  8. Nijair
    27 de janeiro de 2016

    Enredo com temática muito batida, mas valeu a tentativa. Ainda buscando textos que me façam odiar ou amar – o morno tem cara de doença. Gostei. Boa sorte!

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Informação

Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .