EntreContos

Detox Literário.

O Livro do Conhecimento (Antonio Stegues Batista)

conhecimento

O colégio São Bernardo dirigido pelos jesuítas, na cidade de São Paulo, ficava na Rua do Carmo. Era uma construção de dois pisos com janelas amplas e uma sacada sustentada por arcadas. Na frente havia um jardim arborizado, com caminhos lajeados entre canteiros floridos. Além dos preceitos religiosos, os professores lecionavam Gramática, Retórica, Poesia, História e Matemática.

Corria o ano de 1812.

Certa manhã no pátio do colégio, dois alunos conversavam, enquanto esperavam a sineta bater. O mais alto chamava-se Benício, tinha 17 anos e o companheiro de nome Adelmo, era um ano mais novo.

– Como de hábito, Estácio está atrasado. – disse Adelmo, sentando-se no banco de pedra.

– Deve ter parado no caminho para conversar com Elvira. – respondeu Benício com ar absorto, observando as flores que brotavam nos galhos do pessegueiro, sob o qual estavam.

Adelmo comentou: – Esse romance não vai dar certo!

Benício voltou-se para ele. – Isso é uma premonição, ou um forte desejo de teu coração?

– Porque falas tais coisas? Sejas mais claro! – pediu Adelmo franzindo a testa.

– Penso que sentes ciúme de tua prima…

Adelmo colocou a mão no peito, piscando nervosamente.

– Eu? Com ciúmes? Não digas asneiras!

Benício riu.

– Calma, estou brincando. Mas, cuida que a paixão é um sentimento incontrolável, nasce quando menos se espera e confunde a razão.

Olhando para a rua, o companheiro avisou:

– Aí vem Estácio. Pare com isso e nunca mais toques nesse assunto.

Estácio surgiu na esquina da rua caminhando apressado, carregando os cadernos sob o braço. Benício e Adelmo foram ao encontro do amigo.

– Sabem quem chegou a São Paulo esta semana? – perguntou Estácio, alegremente, e ele mesmo respondeu: – Malaquias de Alarcon.

– Malaquias? Como sabes? Viu-o? – perguntou Adelmo, surpreso e curioso.

– Meu primo Jorge me falou ontem, disse que Malaquias está hospedado na casa do doutor Menezes.

– Ele bem que poderia ter se hospedado em minha casa. – protestou Adelmo.

– Naturalmente o médico já sabia da chegada dele. – argumentou Estácio. – O doutor Menezes deseja um cargo no governo, e como sabes, Malaquias é um homem influente…

– Porque todo esse interesse por esse homem? – perguntou Benício. Adelmo olhou para ele com surpresa.

– Me custa crer que não sabes quem é Malaquias de Alarcon!

– Já ouvi falar. Mas, tenho em conta que é um visionário.

– Então, nada sabes. -retrucou Estácio. – Malaquias é um sábio, filósofo, matemático, astrônomo, historiador.

-… e alquimista. -ajuntou Adelmo.

– Jorge ainda disse que ele visitará o colégio para ministrar uma palestra.

– Alquimista? -perguntou Benício, espantado. – Não foram todos eles queimados pelo fogo da Inquisição?  São considerados hereges. Como os padres permitam que ele venha ao colégio?

– Não sejam tontos! -protestou Estácio. – Malaquias é um sábio e um cristão. Existe mais lenda do que verdade em torno dos alquimistas.

– Ouvi dizer que buscam a fórmula de fazer ouro.

– Malaquias conhece tanto a utilidade dos minerais quanto dos vegetais. -informou Adelmo.

A sineta do colégio bateu a primeira chamada. Os três amigos deixaram o jardim e entraram no prédio, dirigindo-se para suas respectivas salas de aula.

——————————————————————————————

Os estudantes se reuniram no auditório do colégio para assistir a palestra de Malaquias de Alarcon. No fundo do salão havia um tablado de madeira sob uma inscrição na parede que dizia: Ad Majorem Dei Gloriam.  Adelmo, Benício e Estácio sentaram-se na primeira fila de bancos, junto ao palco. O ruído das vozes cessou quando o reitor surgiu e falou:

– Senhores, hoje temos a grata satisfação de receber a visita de um ilustre mestre. Ele nasceu no Brasil, completou o ensino superior em Portugal, andou por terras distantes sempre estudando e aprendendo a cultura e a história dos povos. Na Espanha teve o privilégio de estudar textos raros e aprofundar-se no conhecimento geral. Visitou e permaneceu algum tempo no mosteiro de São Francisco, onde se encontram verdadeiros tesouros, livros antigos escritos por sábios do Oriente Próximo e da Europa. Tratados, editos, bulas, comentários e ensinamentos escritos por reis, príncipes, comerciantes, matemáticos, astrônomos, botânicos, filósofos e religiosos do mundo todo. Estou falando do nosso irmão e companheiro, Malaquias de Alarcon!

Uma explosão de palmas soou no salão e um homem aparentando 60 anos surgiu por de trás de uma cortina que ocultava a entrada do aposento contíguo. Usava os cabelos grisalhos, compridos e uma barba rala. Vestia calça e camisa de linho branco e calçava sandálias. No rosto comprido se estampava um sorriso cativante, nos olhos um brilho arguto sugerindo uma mente lúcida e sentidos alertas. Ele parou na beira do tablado e esperou que o entusiasmo dos jovens cessasse, que fosse substituído pela atenção e interesse acadêmico. O reitor retirou-se e num tom suave, o sábio começou a falar.

– É uma satisfação e uma honra estar aqui com vocês. São Paulo é uma bela cidade e um dia será uma grande metrópole. O futuro desta terra também está nas mãos de jovens como vocês. É necessário que vocês estudem bastante, que tenham uma profissão, boa disposição e grandes virtudes.

Malaquias fez uma pausa, pegou uma cadeira e sentou-se.

– O Brasil assinou dois tratados com a Inglaterra, um de Comércio e Navegação, e outro de Aliança e Amizade. Um dos pontos negociados é a abolição gradual do comércio de escravos, o que acho ótimo. Seria melhor se fosse abolida a escravidão de vez, mas esse é um processo complicado e demorado. O escravo é a principal força de trabalho do país. Mas, eles, os escravos, são seres humanos e a escravidão é um sistema cruel e absurdo! Precisamos de uma nação de gente livre, onde todos sejam iguais com os mesmos direitos e privilégios.

Malaquias fez nova pausa, ajeitou-se na cadeira, observou a plateia atenta e continuou:

– Partindo da Espanha, passei por Portugal e tomei conhecimento das dificuldades que por lá existem. Como a Família Real se transferiu para o Brasil, junto com a Corte, o centro de comercio também se deslocou para cá, e isso causou prejuízo aos comerciantes portugueses que se acham insatisfeito. Há um sentimento de revolta no país e muito provavelmente a Corte brasileira terá que voltar a Portugal. Sou favorável à continuidade de união com Portugal, desde que fique mantida a autonomia administrativa. Seria melhor se o Brasil se desligasse de Portugal. Podemos ser uma nação independente. O que vocês acham?

Os estudantes permaneceram em silencio, surpresos diante daquela pergunta inesperada. Por fim alguém bateu palmas concordando e os outros o imitaram.  As palmas diminuíram e seguiu-se um som de murmúrios. Malaquias esperou que o silêncio retornasse.

– Esta é uma questão que muitos brasileiros não se preocupam em analisar, mas é uma ideia que deve ser amadurecida. Agora, passamos a outro assunto. Alguém tem alguma pergunta a fazer?

Um dos rapazes ergueu o braço, dizendo:

– Mestre, meu nome é Rodrigo Cavilha e gostaria de saber se o senhor vai voltar a morar no Brasil.

– Sim, mas ainda não decidi onde. Pretendo visitar alguns amigos no Rio de Janeiro antes de comprar uma propriedade.

– E o senhor vai lecionar?

– Sim, claro.

– Gostaria que o senhor falasse sobre Pitágoras, sobre a sociedade secreta que ele fundou. Essa sociedade ainda existe?

– Pitágoras tinha outra linha de ensino, o ensino dos números que ele julgava terem propriedades mágicas. A descoberta de tais números era transmitida somente aos membros da sociedade e oculta dos leigos. Ignoro se essa sociedade ainda exista. Alguém mais quer fazer uma pergunta?

Benício não se conteve, ergueu a mão, pedindo a palavra.

– Senhor, me chamo Benício Pontes. Ouvi dizer que o senhor é também um alquimista, é verdade?

Malaquias esboçou um sorriso.

– Para os leigos, os alquimistas parecem serem homens extraordinários! Na realidade a alquimia foi uma ideia absurda que surgiu há muitos anos. Mas, ela não é nenhum segredo e não tem nada de mágico, ou místico. São experimentos para comprovar uma teoria. Os alquimistas tinham o propósito de conseguir três coisas; a transmutação de metais, preparo da pedra filosofal, e o preparo do elixir da longa vida. Quem teve primeiro essa ideia foi um grego chamado Demócrito. Ele acreditava que toda matéria se constituía de quatro elementos, o ar, a água, a terra e o fogo. Ele julgava que todas as substancias da natureza podiam ser obtidas por meio da combinação destes elementos básicos. Os alquimistas criaram um sonho baseado nessa ideia, substituíram os quatro elementos por quatro substancias supostamente elementares. Mas, os alquimistas nunca tiveram êxito. Acredito que é impossível um elemento se transformar em outro. Acho que isso responde à sua pergunta, senhor Benício.

Malaquias ergueu-se e caminhou até a beira do tablado.

– Ninguém consegue permanecer jovem a vida toda. O corpo envelhece, mas o espírito permanece sempre jovem. Para se ter uma vida sadia, um corpo forte, deve-se fazer exercícios, cuidar da saúde, evitar os vícios, ter bons sentimentos e viver em harmonia com seu semelhante e a natureza. Dessa forma você será feliz. Como disse Zenão de Cintium; ”O Bem Supremo se Encontra na Virtude”. Bem, eu vou ficar alguns dias na cidade e poderemos conversar em outra ocasião.  Eu adquiri alguns livros durante as minhas viagens e os doei à biblioteca do colégio. Vocês poderão ler quando quiserem.

Malaquias calou-se e inclinou o tronco, despedindo-se. Os estudantes ergueram-se e bateram palmas.

——————————————————————————————

Quatro dias depois da palestra de Malaquias, Adelmo, Estácio e Benício foram visitar a biblioteca do colégio e ler os novos livros que o sábio havia doado. Um dos volumes, escrito em italiano, compunha-se de versos poéticos e se intitulava; A Comédia, escrito por um florentino chamado Dante Alighieri e o segundo volume, com o texto em grego; Elementos de Geometria, composto por Euclides. A terceira obra tinha capa dura em couro, e foi impressa em latim com o nome de Bíblia Mazarina, impressa por João Gutenberg. Estácio se pôs a ler alguns trechos da bíblia, e Adelmo sentou-se ao lado dele para ler um manuscrito que tinha por título; Plantas e Vegetais obra de Aristóteles, traduzida do original por Malaquias de Alarcon. Por sua vez, Benício examinava um livro pequeno, manuscrito com letras miúdas tendo uma parte escrito num idioma que ele não conhecia. Pegando o livro, o rapaz dirigiu-se para o balcão onde estava o noviço que administrava a biblioteca e procurou saber que idioma era aquele e do que se tratava. O rapaz consultou o catálogo e informou que o manuscrito foi obra de um monge português chamado Afonso Dias Borba e que o idioma era sânscrito.

– O título é, Metamorfose dos Elementos. -disse o jovem. Benício agradeceu e voltou para junto de Adelmo e Estácio. Em voz baixa, exclamou:

– Vejam isso! Este livro tem uma parte escrita em sânscrito e o título é, Metamorfose dos Elementos!

– Alquimia? -indagou Adelmo, curioso.

– Talvez!

– Não fiquem imaginando coisas. -avisou Estácio. Benício perguntou-lhe:

– Você sabe ler esse idioma?

– Não, e não conheço ninguém que o saiba.

– O padre Petrônio fala várias línguas. -disse Adelmo. – Talvez ele conheça esse idioma…

– Vamos falar com ele. Propôs Benício.

Eles devolveram os livros às estantes, e saíram. Estácio seguiu os dois amigos, mais curioso pelo resultado da investigação do que pelo conteúdo daquele texto estranho.

O gabinete de frei Petrônio era um aposento pequeno, com uma janela estreita e alta. Encostado a uma das paredes havia um armário com livros, folhas de papel, tinteiros e penas. O frei deixou de lado os cadernos que estava examinando, para atender os visitantes.

– Com sua licença, padre. Gostaríamos de falar com o senhor sobre os livros que mestre Malaquias doou ao colégio

– Ah! Sim, os seis livros novos! Entrem!

Os três rapazes sentaram-se num banco comprido em frente à escrivaninha. Adelmo explicou:

– Mestre, um deles está escrito em grego, outro em italiano e um terceiro em latim. Há também, uma obra que tem um texto escrito em sânscrito. Conhecemos o latim, alguns dos estudantes entende o francês, mas não sabemos o grego e o sânscrito. Como poderemos lê-los?

O padre sorriu.

– Não se preocupem. O irmão Jorge, fará a tradução do grego.

– Padre, e o sânscrito?  Não sabemos nada sobre esse idioma!

Frei Petrônio sacudiu a cabeça e inclinou-se para frente, apoiando-se na mesa.

– Eu já lhes contei sobre a origem de nosso idioma? Não? Pois, o italiano, espanhol e o francês, além do português, tem uma origem comum, o latim. E o latim vem de um grupo de línguas mais antigas, o indo-europeu. Desse grupo originou-se outros idiomas, inclusive o indo-iraniano, do qual faz parte o sânscrito.

– Mas, segundo consta no catálogo, Afonso Dias Borba era português. – afirmou Benício e indagou: – Porque ele escreveu um texto numa língua estrangeira?

– Falei com Malaquias a esse respeito e ele me informou que Afonso usava plantas medicinais para curar algumas enfermidades. Ele viveu alguns anos numa pequena cidade da Índia, auxiliando o povo local com sua medicina e foi lá que ele resolveu escrever um livro, narrando suas experiências com plantas medicinais. O livro contém as características e uso medicinal de cada planta, e também, fórmulas de pós e unguentos. Ainda não examinei o texto, mas o farei assim que tiver uma oportunidade e também o livro de Paracelso. Mais alguma questão?

– Não, obrigado. -respondeu Benício e os rapazes se retiraram.

Segundo as afirmações do sacerdote, não havia nenhum mistério naquele texto em sânscrito. A questão parecia ter terminado, mas, se Malaquias doou seis livros e eles só viram cinco, onde estava o outro? Será que esconderam por se tratar de assunto perigoso, que leigos não possam ter acesso?

Adelmo desejava descobrir a fórmula de alguma poção que pudesse dar a Elvira e fazer com que a garota se apaixonasse por ele. Benício calculou que o livro continha a fórmula de transformar metal ordinário em ouro e por isso, fora escondido.

 

No dia seguinte, quando se dirigia para a casa de ensino, Estácio avistou uma nuvem de fumaça negra no céu.  Ao chegar na rua do colégio descobriu que o prédio estava em chamas. Pessoas corriam de um lado para outro, tentando salvar os objetos da parte que ainda não estava pegando fogo. Mas, as chamas se alastraram rapidamente, o teto de madeira começou a arder e logo o telhado despencou com um estrondo, erguendo uma nuvem de fagulhas.

Estácio encontrou frei Petrônio desolado, observando o desastre.

– Como aconteceu isso, padre?

Suando, com a roupa em desalinho, o sacerdote sacudiu a cabeça, triste.

– É lamentável!  Acordei sentindo o cheiro da fumaça e quando cheguei na rua, vi a fumaça saindo pela janela da biblioteca. Ao chegar à porta, me deparei com Benício Pontes e Adelmo Ribeiro tentando apagar as chamas que consumiam as cortinas da janela. A biblioteca estava toda revirada.

– Benício e Adelmo? O que eles faziam ali, tão cedo?

– Não sei. Me pareceu que estavam procurando alguma coisa. Gritaram para que eu trouxesse água. Fiz isso imediatamente e acordei os outros.

– E Benício e Adelmo, padre? Onde estão?

– Não sei. Quando voltei com a água o fogo já consumia alguns livros. O incêndio ficou sem controle. Havia muita fumaça, não sabemos se os dois conseguiram sair.

Petrônio calou-se, abatido. O rapaz afastou-se e procurou pelos amigos entre as pessoas que assistiam ao sinistro. Adelmo e Benício haviam sumido. Somente no dia seguinte, Estácio voltou a ter notícias dos dois. Adelmo foi encontrado morto no rio Manduatehy e nas ruínas do colégio sinistrado, encontrou-se um corpo carbonizado, provavelmente de Benício. Estácio concluiu que os dois amigos entraram na biblioteca quando ainda estava escuro. Provavelmente procuravam algum livro. Eles acenderam uma lamparina e por descuido colocaram fogo nas cortinas.

Estácio lamentou o triste fim dos seus dois amigos. Procurando esquecer aquela dor, empenhou-se em arrecadar donativos para a reconstrução do colégio. Dois anos depois, casou-se com Elvira. Completando os estudos, elegeu-se vereador, dando início a uma esplendida carreira como funcionário da Coroa.

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38 comentários em “O Livro do Conhecimento (Antonio Stegues Batista)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ O Livro do Conhecimento (Marcus Aurelius)

    ஒ Físico: Marcus demonstrou ter afinidade com a escrita, mas ainda precisa desenvolver suas habilidade nessa área. O texto precisa ser refinado. O que encontramos é uma joia bruta, por enquanto. Sua narrativa é levemente equilibrada, mas às vezes acaba oscilando. Além disso, os diálogos estão bem artificiais, sendo necessário que o autor preste atenção nisso. É através do diálogo que o leitor identifica parte da personalidade dos personagens. Se as falas são superficiais, o que mais podemos entender de quem fala? Que ele é superficial, oras! Ele tem muito potencial, mas quanto tempo será que demorará para desenvolver esse talento? Somente ele pode ditar seu ritmo. O melhor conselho que posso dar é: escreva sem parar.

    ண Intelecto: O que o autor queria mostrar nesse conto? Nada. Ele parece estar mais perdido do que cego em tiroteio. Ele vai levando o leitor para um caminho e, do nada, muda a direção. Isso acontece diversas vezes. Exagerei. E fiz isso para mostrar como a estória não está em harmonia com o início, meio e fim. O início prometia algo grandioso. O meio ficou reservado para uma conversa sem sentido com o sábio. E o fim é brusco e violento com o leitor. No final das contas, o leitor se pergunta: “O que diabos aconteceu aqui?”. Foi uma leitura um tanto decepcionante. O autor precisa prestar muita nisso tudo. Determinar o início, meio e fim; deixando para desenvolver a estória depois. Não deixe tudo sair de seu controle!

    ஜ Alma: A falta de foco de Marcus refletiu no tema. A biblioteca está presente em apenas duas cenas, sendo que ele serve apenas como plano de fundo. Não tem nenhuma importância para o prosseguimento da estória. Mera inspiração não basta, pois eu poderia escrever sobre qualquer coisa olhando para uma simples imagem, sem a necessidade de mencioná-la. Mas o autor tem muito potencial. Sua afinidade com a escrita é muito grande!

    ஆ Egocentrismo: O início me deixou muito curioso. A metade cansou e comecei a questionar qual era o sentido de tudo aquilo. O final foi o golpe de misericórdia das minhas esperanças em relação ao texto. Ficou apenas a decepção. Prometeu, mas não cumpriu. Admiro, porém, a capacidade do autor. Digitei tanto porque vi potencial nele. E nada melhor do que uma boa balançada, às vezes violenta, para despertar as pessoas para a realidade. Finalizo com uma frase: “O mundo é daqueles que ousam correr atrás de seus sonhos”.

  2. rsollberg
    4 de janeiro de 2016

    O livro do conhecimento (Marcos Aurellius)

    O legal deste conto é que você começa a ler e tem a sensação de estar diante de um grande clássico. A ambientação, os diálogos formais, a cautela na feitura das frases, lançando informações sem parecer muito didático. (talvez um pouquinho só, rs)

    Contudo, apesar de todos esses acertos, senti falta de um maior desenvolvimento, uma história mais instigante, com personagens mais envolventes. O mote é até bem interessante, mas penso que algo falhou. Falou criar empatia para que existisse um impacto maior no final.

    De qualquer modo, é um bom conto.
    Parabéns e boa sorte!

  3. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Oi, Marcus.
    Talvez seja chatice minha, mas o conto foi empalidecendo para mim justamente nos diálogos que, se por um lado possuem bastante referência para a época da Côrte no Brasil, por outro torna essas informações um pouco deslocadas por um linguajar muito contemporâneo. De certa forma, essas referências ficaram bastante gratuitas.

    Isso ocorre especialmente a partir da palestra de Malaquias.

    Sabe que uma prática muito comum da idade média para forjar documentos era justamente escrever histórias no passado como se alguém fosse acertar o futuro, ou como se vivessem eventos que, na época, já se conhecia?

    Uma maneira de reconhecer se tais relatos eram verdadeiros ou não era justamente avaliando a linguagem utilizada (o que fazemos até hoje). Aqui, acho que faltou esse cuidado no texto.

    A ideia geral do texto parece bem divertida, mas acho que faltou paciência para que se lapidasse mais.

  4. Phillip Klem
    2 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Seu conto tem um início promissor, mas começa a encher linguiça no meio e o final é um total nonense.
    Começou muito bem, com uma escrita dinâmica, que por sinal manteve-se por todo o texto. Você pecou foi no enredo.
    A palestra do sábio, e, pensando bem, toda a informação oferecida durante o conto, em nada contribuíram ou acrescentaram para o desfecho da história, desfecho esse que destoou completamente do resto do conto.
    Em suma, o autor perdeu-se do meio pro fim, em um conto que tinha muito potencial.
    Boa sorte.

  5. Evie Dutra
    2 de janeiro de 2016

    Em parte, gostei de seu conto, principalmente do início. Imaginei que se tratava de um mistério e que tudo se encaixaria no final, mas, infelizmente, isso não aconteceu. O final deixou muito a desejar. O conto finalizou de forma vaga e deixou o leitor sem uma explicação do que realmente aconteceu.
    Enfim.. sua escrita não é má, no entanto, creio que necessita ser um pouco mais lapidada.
    Boa sorte.

  6. Piscies
    2 de janeiro de 2016

    É um bom conto. Excelente, eu diria. O suspense; a euforia dos alunos, tipica dos adolescentes mediante algo potencialmente mágico e secreto; o cenário do Brasil pré-independência, muito bem descrito e trabalhado. Tudo contribui para que este seja um conto sublime, que atraiu minha atenção e segurou-a durante toda a leitura.

    O problema foi que eu queria um livro e recebi um conto pela metade. As respostas não chegaram, os mistérios não foram solucionados e senti um grande vazio ao perder Benício e Adelmo. Tudo ficou no ar! Qual foi a causa do incêndio? Estácio casou com sua amada por ter conseguido adquirir o livro com a poção? O incêndio foi criminoso, e causado pelo próprio estácio? Muitas perguntas, nenhuma resposta. Um thriller magnífico, que me deixou querendo MUITO mais.

    De qualquer forma, eu gostei MUITO de ler este conto. Ele me deixou empolgado e o cenário que ele conjurou na minha mente foi muito interessante! Os personagens são bem trabalhados, a escrita é impecável. Só ficou esse gostinho no final de que eu queria comprar um livro pra saber o resto da história.

    Parabéns autor!!!

  7. Rubem Cabral
    2 de janeiro de 2016

    Olá, Marcus.

    Então, achei o conto irregular. Gostei da premissa de desenvolver um enredo no Brasil pré-independência, mas o enredo não me cativou e tampouco as personagens. Achei que também faltou um pouquinho de pesquisa para melhorar a ambientação da história: palavras e expressões que caíram em desuso, por exemplo, ou o correto uso do “tu” (“Sejas mais claro” vs “Sê mais claro”), também não tenho certeza se “você” já era usado à época.

    O conto tem, contudo, seus méritos, e conseguiu emular certa atmosfera de colégio antigo e tudo mais.

    Abraços.

  8. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Desculpe, mas não gostei. Achei o começo interessante, mas a partir da palestra foi muito difícil sentir suspensão de descrença para embarcar na trama de cabeça. E o final foi corrido demais, como se no limite do concurso não coubessem todas as coisas que você planejava colocar. E tirando os diálogos iniciais, o restante me pareceu meio forçado e faltando trabalho a ser feito, principalmente para dar uma característica mais sólida para cada personagem. Um conto que poderia render mais, na minha opinião. E não estou falando de tamanho.

  9. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    Foi o primeiro conto que li neste desafio no estilo clássico, que valoriza o enredo instigante, “Maupassantiano”. Os amores escondidos parecem os narrados pelo meu conterrâneo Artur Azevedo. Os diálogos são extremamente bem concebidos, o que torna o conto um entretenimento e tanto. O conto, apesar da extensão, é de fácil leitura. A história é muito, muito interessante. Ótimo.

  10. G. S. Willy
    29 de dezembro de 2015

    O conto começa muito bem, descritivo sem ser enfadonho, apresentando personagens, diálogos reais e minha leitura estava avançando muito bem, ficando curioso com o alquimista que chegava e suas consequências.

    Na segunda parte o texto definitivamente desandou. Não sei se foi a pressa, com o prazo se aproximando, ou se foi desleixo do(a) autor(a).

    Muitos erros começam a aparecer, em acentos, em concordâncias. E por todo o texto há muitos erros nas falas, como ponto final com início da próxima palavra depois do travessão em minúscula, ‘-disse’ sem espaço em vários lugares, e para ser mais chato, o uso do sinal de menos ao invés do travessão.

    Quando o alquimista abriu a boca, me perguntei se ele era realmente um sábio. O modo de falar não condiz com a personalidade que se esperava dele, parecendo uma criança de 8 anos repetindo o que ouviu da conversa dos pais pros colegas.

    Algo a ser notado é o tempo de cena. Acredito que o(a) autor(a), em vez de apresentar toda a palestra, do início ao fim, poderia ter utilizado de recursos que mostrassem que mais havia sido dito, e que apenas o essencial fora passado ao texto, pois da forma que ficou me pareceu que o alquimista ficou no palco por 5 minutos ou menos, e essas, para quem tem o que falar, demoram horas até.

    Um ponto positivo para ressaltar aqui é a pesquisa feita, sobre as obras, o colégio, nomes da época, com destaque para uso de ‘Comédia’ e não de ‘Divina Comédia’, nome dado posteriormente.

    E sobre o final, bom, fiquei bem frustrado. Deu a entender que eles encontraram algum livro de alquimia e estavam testando suas fórmulas, mas na biblioteca mesmo? e ela fica aberta assim de madrugada? e os dois simplesmente morrem e nada do que foi levantado na história fica resolvido. Enfim, frustrante.

  11. Jowilton Amaral da Costa
    27 de dezembro de 2015

    Olha só, o início do conto me lembrou contos do Machado de Assis, estudantes conversando sobre amores, a visita de um doutor, coisas cotidianas e tais, a linguagem usada também contribuiu com essa minha impressão inicial, que me agradou. No entanto, o desenrolar da história foi muito superficial, criando um suspense que culmina num epílogo sem nenhum impacto, frustração daquelas, ao menos para mim. Não gostei muito. Boa sorte.

  12. Thiago Lee
    26 de dezembro de 2015

    Gostei do conto, apesar de alguns pontos que me chamaram a atenção.
    A história é boa e chama a atenção no início, mas não é desenvolvida de forma fluida. As falas são longas e expositivas, desviando a atenção do leitor da trama. Há pouco envolvimento emocional com os personagens. O final também foi anti-climático.

    Não me cativou da forma que eu gostaria, pois percebi que o autor tem um bom conhecimento do assunto e uma boa escrita.

    Boa sorte no desafio!

  13. Anorkinda Neide
    26 de dezembro de 2015

    Eu gostei daquele começo, a primeira parte, me lembrou livros antigos ambientados nesta época que retrataste.
    Mas depois, o discurso do cientista, filosofo e etc… achei tão vago, fraco e descontextualizado, embora se perceba uma pesquisa do autor, acho que pecou na hora de vestir o personagem, saca?
    Depois com as curiosidades pelos livros, tb eu fiquei curiosa, mas nada deu em nada, a entrevista com o padre foi supérflua. Não gostei de ver dois dos protagonistas morrerem daquela forma 😦
    Enfim, o conto prometia, vc fez um trabalho esmerado, mas acho que faltou uma ‘liga’ pra colar com perfeição os fatos que vc pesquisou e o que queria desenvolver como enredo.
    Abraço e boa sorte!

  14. Fil Felix
    20 de dezembro de 2015

    Achei a história um pouco simples, sem muito impacto. Os fatos ocorrem e terminam, sem um clímax que emocione o leitor de alguma maneira. Senti, também, uma diferença na narrativa. O começo está mais elaborado, com uma linguagem bastante formal e que vai se perdendo no decorrer. Tudo é bastante “mostrado”, não há nada que deixe o leitor refletir ou indagar. Por exemplo, há todas as explicações quanto à escravidão e alquimistas, tudo muito “mastigado”, se me entende.

    Mesmo assim, fica visível o esmero em pesquisar o pano de fundo, em trazer um realismo palpável, tornar o ambiente algo crível e em nos dar detalhes. Gosto da ideia de nos informar sobre tudo que está rolando, em dar vida aos livros, mostrando como são, como foram escritos e seus propósitos. Mas acho que poderia ter expandido isso aos personagens, que acabam sendo apagados, justamente pela falta desses detalhes.

    Obs: seria o 6º livro esse do Conhecimento? E que, assim como a Árvore do Conhecimento bíblico, amaldiçoa aqueles que o leem/ comem?

  15. Gustavo Castro Araujo
    20 de dezembro de 2015

    Gosto muito de contos que têm forte contexto histórico. Quando o autor conhece da matéria, o texto se torna um deleite, face os detalhes que são passados. Essa sensação de enlevo aumenta na medida em que as informações são inseridas de modo não forçado, mas natural. Porém, penso que a reconstrução do contexto histórico deve servir como justificativa para que a história se passe naquela ocasião exatamente. Vale dizer, se é algo que poderia ocorrer hoje, a contextualização pretérita, ou mesmo futura, pode se mostrar exagerada e dispensável, uma desculpa para o autor exibir conhecimentos.

    Este conto não padece desse pecado. O fato de Malaquias ser um possível “alquimista” justifica a contextualização na São Paulo de 1812.

    O problema é que as informações históricas são interessantes demais, desviando o foco daquela que deveria ser ação principal. Talvez funcionassem melhor num romance ou numa novela, mas num conto de limite exíguo, parecem dominar a narrativa.

    O que me frustra de certa forma é ver que a história dos garotos poderia ter sido melhor desenvolvida. Na verdade, deveria ter sido melhor desenvolvida, pois, afinal, era isso que importava de verdade.

    O autor escreve bem, expõe suas ideias de forma competente e verossímil. Só acho que poderia ter caprichado mais no desenvolvimento dos personagens ao invés da ambientação.

    De todo modo, trata-se de um bom trabalho, superior, em técnica, à média dos demais.

  16. Rogério Germani
    19 de dezembro de 2015

    Olá, Marcus!

    A atmosfera histórica foi muito bem trabalhada. A conjugação dos verbos também foi bem aplicada, trazendo verossimilhança para a descrição total do ano de 1812.
    Apenas achei que os alunos ficaram todos iguais, sem uma característica específica que os distinguissem no modo de agir. O final também ficou abaixo da média do restante do texto.

    Boa sorte!

  17. Neusa Maria Fontolan
    19 de dezembro de 2015

    Fiquei com aquela sensação de que o conto não acabou. O que estava escrito de verdade no pequeno livro? E o sexto livro?
    Porém a história não é ruim. Parabéns e boa sorte.

  18. JULIANA CALAFANGE
    18 de dezembro de 2015

    Você escreve bem, sem dúvida. Mas pra mim em vários momentos pareceu um texto acadêmico da cadeira de História. Por esse motivo tive dificuldade para me envolver com a trama, o q só foi acontecer no meio do conto. Acho que muitas vezes ficam sobrando informações, que são completamente desnecessárias para o entendimento e envolvimento na trama. Com isso, vários elementos ficam suspensos no ar, como o ciúme da prima, a própria relação dos amigos, a discussão política provocada pelo Alarcon, o texto em sânscrito etc. Também achei que vc iniciou a narrativa num tom mais formal, remetendo à época, mas depois parece q relaxou um pouco e o tom ficou mais atual, coloquial. Enfim, uma boa história que precisaria ser mais enxugada e lapidada, na minha opinião. Parabéns!

  19. Claudia Roberta Angst
    18 de dezembro de 2015

    Fiquei com a impressão de que o autor é alguém preocupado com detalhes e com a localização do conto no tempo e no espaço. Isso é bom para que o leitor consiga encaixar a leitura no contexto.
    O título não revela muito do que virá a seguir, o que é sempre bom.
    Gostei do começo da narrativa que me lembrou dos contos de Eça de Queirós. Os diálogos ajudaram a manter o ritmo agradável da leitura.
    Já na parte da palestra do sábio/alquimista a narração começa a se arrastar como em uma aula enfadonha de História. Explicações demais, detalhes demais, que poderiam ser resumidos para não cansar o leitor. Poderia ter se concentrado mais nos tais livros proibidos, criando a atmosfera de mistério que conduziria ao final.
    Os lapsos de revisão já foram apontados. Não serei a chata da repetição.
    A biblioteca aparece mais para o final, mas está aí.
    O incêndio e a morte dos rapazes completaram a trama com um final trágico, deixando uma aura de maldição.
    Boa sorte!

  20. Daniel Reis
    17 de dezembro de 2015

    A narrativa é fluida, acredito, principalmente pelo uso do diálogo, que deixa a maior parte da descrição por conta do que dizem os personagens. Mas em alguns momentos, como na palestra de Malaquias, a dinâmica pergunta/resposta ficou um pouco entrecortada, e as opiniões emitidas pelo sábio soam deslocadas no tempo, como alguém de hoje falando ao passado, e de uma maneira lacônica.
    As motivações dos personagens são delineadas, mas não aprofundadas, acho que poderiam ser bem mais desenvolvidas – Adelmo quer conquistar a amada de um amigo, Benício quer a riqueza (para quê?). E o Estácio? Afinal, ele sobrevive – seria porque sempre está atrasado? Outra dúvida: teriam sido os rapazes silenciados pelo frei Petrônio, e Estácio só escapou por acaso? Outra coisa que me chamou a atenção foi a ausência na história do sábio Malaquias a partir da palestra, e ao ver a biblioteca devastada. Outro ponto que estranhei foi a tal influência dele, que teria levado o Doutor Menezes a cortejá-lo e hospedá-lo em busca de uma posição… ele me pareceu construído como um erudito simples e sem luxos, mais do que um poderoso e influente mandatário.
    Quanto ao final, fiquei um pouco decepcionado que a tragédia teve pouco ou nenhum impacto na vida do sobrevivente. Ou se teve, isso me escapou…
    Finalmente, cumprimento o autor por encarar uma narrativa histórica, que o obriga uma pesquisa sobre o período e hábitos – confesso, não tenho muito conhecimento sobre o período relatado, mas que no geral tudo me pareceu coerente, exceto dizer que não tinham estudo do grego, pois acredito que isso era básico na formação clássica, assim como o latim.

  21. Lucas Rezende de Paula
    17 de dezembro de 2015

    O conto não me empolgou. A história não é ruim, é fraca. Ou foi contada da forma errada.
    Caso fosse mostrado, não contado, as especulações sobre o que os personagens achavam ter no livro. Mostrasse eles entrando na biblioteca de noite e algum acidente acontecendo, o desespero para fugir ou apagar o fogo. Menos de acontecimentos ordinários, o conto seria mais interessante.
    Destaco como ponto positivo a ambientação, que na minha opinião foi original e foge do comum.
    Boa sorte.

  22. Brian Oliveira Lancaster
    17 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: É um texto muito bom em sua premissa de atmosfera histórica. O clima ao redor do livro e da possibilidade de descoberta prende a atenção. As explicações gerais se encaixaram na trama.
    U: Os primeiros diálogos sugerem uma erudição completa e rebuscada. No entanto, ao longo da história, assumem formas mais coloquiais, comuns, perdendo o efeito. Tirando essa marca no estilo, o restante flui muito bem, acrescentando peso aos diálogos dos professores e do sábio.
    L: O clima de “passado” me agradou, bem como a temática de livros proibidos. O suspense é ótimo e vai crescendo até que… levo um balde de água fria. Sei que o desejo era manter os pés no chão, mas ficou muito subentendido se eles realmente tinham descoberto alguma coisa ou foi apenas “burrice” mesmo. O ponto de vista do final troca de repente e quebra ao meio a tensão, estragando, de leve, toda a ótima construção anterior.
    A: Bem, o contexto é competente em aplicar toda a carga dramática necessária. Captou muito da essência.

  23. Leonardo Jardim
    16 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐▫▫▫▫): o texto possui alguns problemas, na minha opinião, que vou tentar elencar:

    1) o autor conta fatos desnecessários para o desenrolar da trama, como a própria palestra, o interesse amoroso do início, a descrição detalhada de cinco livros que o sábio doou, etc. No geral, o ideal num conto (texto curto) é não colocar nenhuma informação que não será usada para compor a trama.

    2) muitos nomes são citados logo de início sem deixar bem claro a diferença e importância de cada um. O ideal é reduzir o número de personagens e só nomear ou entrar em detalhes dos mais importantes. Além disso, tentar apresentá-los de forma mais cadenciada, aos poucos, marcando mais a diferença entre eles.

    3) o final acabou não gerando a comoção que deveria dado a morte de dois personagens importantes. Primeiro porque foi contada e não mostrada (ao contrário do resto do texto) e segundo porque não cheguei a me apegar aos personagens e nem vi real motivação para o que eles fizeram. Morreram queimados porque estavam curiosos com o livro do cara, poxa, mais por quê matar eles? A trama não me convenceu da necessidade da morte deles.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): o português arcaico utilizado é bom, mas o autor não trabalhou alguns elementos nesse texto que são importantes, como exagerar no mostrar em trechos que poderia contar e contar trechos que deveriam ser mostrados (se esses termos forem estranhos a vc, procura por tell/show no google). Além disso, os diálogos não foram muito conviventes, adicionaram informações gratuitas que não fazem sentido serem ditas por amigos, por exemplo. Essas informações podem ser ditas pelo narrador ao invés de colocadas forçosamente na boca dos personagens. Além disso, o autor deve usar discurso direto (diálogos) apenas qdo eles forem importantes para a trama ou para desenvolver os personagens. Muitos diálogos usados foram muito ordinários, coisas que dizemos no dia a dia, mas não são necessários colocar no texto.

    🎯 Tema (⭐▫): a biblioteca demorou a aparecer e não estava no centro da trama.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): tem uma dose de criatividade na criação do personagem sábio (o melhor dos apresentados), mas apenas raspou na superficialidade dele.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): como já disse e pelos motivos já apresentados, o texto não me causou a emoção que deveria.

    💬 Trecho de destaque: “Os alquimistas criaram um sonho baseado nessa ideia, substituíram os quatro elementos por quatro substancias supostamente elementares. Mas, os alquimistas nunca tiveram êxito. Acredito que é impossível um elemento se transformar em outro. ”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ três coisas*;* (dois pontos) a transmutação de metais, preparo da pedra filosofal, e o preparo do elixir da longa vida
    ◾ e se intitulava*; A Comédia* (sem ponto e vírgula e entre aspas), escrito por um florentino chamado Dante Alighieri (o mesmo problema em outros pontos do parágrafo)

  24. Simoni Dário
    15 de dezembro de 2015

    O início do conto não empolgou muito. Gostei da segunda parte, mais educativa, já o final teve um desenvolvimento muito rápido dando a impressão de que a intenção do autor era somente causar impacto no leitor, o que não acontece de fato. O texto até que prende, mas careceu, em minha opinião de um conto, ficou meio trabalho de escola com uma tentativa de, nas entrelinhas forjar um romance e um mistério que acabam passando superficialmente e frustrando as expectativas de quem leu.
    Considero o talento do autor, já que o texto me prendeu do início ao fim, ainda que não tenha apreciado de todo.
    Bom desafio!

  25. Fabio Baptista
    15 de dezembro de 2015

    Fiquei com aquela estranha sensação de: gostei e não gostei.

    No começo incomodou um pouco, mas depois achei legal a linguagem utilizada, ajudou a compor a ambientação e a imersão do usuário na época em que o conto se passa.

    Também o clima, que não chega a ser de mistério, mas sim de curiosidade, que vai sendo construído, é muito bom, instiga a leitura, aliado ao tema “alquimia”, que desperta um interesse quase imediato.

    Mas daí começa a parte do “não gostei”, que tirou o brilho. O discurso do alquimista é meio panfletário, teatral. Até aí, ok, mas ele não mostra a que veio. É falado de um livro secreto, mas fica só na ameaça. Entendo… essa foi a desculpa pros moleques invadirem a biblioteca, tacarem fogo em tudo e se ferrarem, mas não colou.

    Gosto de anticlimax e costumo usá-los com certa frequência, mas aqui ficou um gosto de decepção. Não uma decepção “boa” pelo destino dos personagens, mas uma frustração pelas pontas que foram abertas ao longo do texto e não se fecharam.

    Alguns apontamentos:

    – O colégio São Bernardo dirigido pelos jesuítas, na cidade de São Paulo, ficava na Rua do Carmo
    >>> Trocaria por: O colégio São Bernardo, dirigido pelos jesuítas, ficava na Rua do Carmo, na cidade de São Paulo.

    – Como os padres permitam que ele venha
    >>> permitem

    – surgiu por de trás
    >>> detrás

    – comercio / substancias
    >>> comércio / substâncias

    – aos comerciantes portugueses que se acham insatisfeito
    >>> concordância

    – Agora, passamos a outro assunto
    >>> passemos

    – alguns dos estudantes entende o francês
    >>> concordância
    >>> não havia texto em francês, mas italiano

    Abraço!

  26. Davenir Viganon
    14 de dezembro de 2015

    Eu achei a palestra o ponto fraco, pareceu ser um cara “a frente do seu tempo”, mas não acrescentou nada pois não o vemos novamente. Mas o que mais me incomodou foi que não consegui diferenciar os alunos, pareciam todos iguais e não consegui sentir o destino trágico. O final talvez tenha ficado muito em aberto e a palestra poderia ter fornecido mais elementos. Finalmente um segundo encontro entre os guris e o Malaquias ficou na vontade kkk. Mas o conto tem muitas qualidades pois despertou todas essas vontades em relação a história. O balanço é positivo.

  27. Evandro Furtado
    14 de dezembro de 2015

    Olá, seguem as considerações

    Fluídez – 8/10 – no comecinho houve uma parte bem monótona, depois o texto foi ganhando força. As vezes os diálogos também travaram um pouquinho, talvez por falta de frases de efeito;
    Estilo – 8/10 – a narrativa está muito boa e as descrições são excelentes. Senti que os diálogos foram o ponto fraco. Normalmente gosto de coisas que se remetem a história, que desenvolvem os personagens e não encontrei isso no texto;
    Verossimilhança – 10/10 – nesse aspecto você foi muito bem. É tudo bem plausível e identificável. Faltou desenvolver um pouquinho o final, mas não afetou esse aspecto do texto;
    Efeito Catártico – 6/10 – faltou aquela virada na trama. Apesar do texto ser relativamente longo, não deu pra sentir a morte dos personagens, talvez por não ter sido tão bem desenvolvidos individualmente. O final também deixou a desejar em criar aquele impacto.

  28. Andre Luiz
    13 de dezembro de 2015

    Não consegui me inserir na trama como os outros comentaristas, acredito que pela superficial descrição dos personagens. Parece-me que o foco foi no cenário em que a história se passava, bem como na própria questão dos alquimistas que persistia na época em que tudo era narrado. Isto acabou gerando uma expectativa com relação a Malaquias e a seu livro misterioso que acabou se desfazendo no final e me desagradando enquanto leitor. Enfim, não me adaptei ao enredo e aos personagens. Boa sorte!

  29. Eduardo Selga
    12 de dezembro de 2015

    Não enquanto leitor e sim na condição de comentarista, o que me atraiu no conto não foi o enredo, sem muita complexidade, tampouco os personagens, sem profundidade e apenas instrumentos para desenvolvimento do enredo. Particularmente esse elemento da prosa literária, o personagem, recebe um tratamento a meu ver insuficiente, na medida em que, por exemplo, não é possível fazer uma distinção de característica psicológica entre os quatro amigos. E no caso do enredo, falta um melhor trabalho com os elementos de amarração, de modo que por exemplo, o destino de um dos personagens com Elvira tenha mais força.

    Existe no tratamento narrativo dos contos duas tendências, não antagônicas mas que às vezes são tratadas, na construção narrativa, como tal. Não é porque o personagem é bem construído que o enredo precisa ficar em segundo plano, e vice-versa..

    O que me chamou vivamente a atenção foi a construção da linguagem. O(a) autor (a) consegue aproximar-se do Português do século XIX, quando a língua falada era mais próxima da língua escrita do que hoje e com algumas construções muito pouco utilizadas na atualidade, a exemplo de “– […] cuida que a paixão é um sentimento incontrolável, nasce quando menos se espera e confunde a razão”, em que, apesar do tom de lição de moral, ocorre algo interessante a respeito do aspecto que ora comento: o verbo cuidar é usado no sentido de considerar, muito pouco usado hoje.

    Esse “mimetismo da linguagem” (mimetismo porque o autor não pertence ao séc. XIX) é fundamental para a produção do efeito de real, básico para um texto que, como este, se pretende realístico.

    Devo confessar, inclusive, a linguagem usada causou em mim outra associação: o romance “A Moreninha”, do século XIX. Tanto em um quanto em outro os protagonistas são quatro estudantes e o modo pelo qual eles comunicam entre si passa pela extroversão.

  30. Cleber Duarte de Lara
    12 de dezembro de 2015

    Olá, autor! Estou comentando sempre com um viés crítico e depois com uma avaliação do pontos fortes. Apesar de, como no seu caso, nem sempre haver uma separação exata entre ambas as partes. Mas sejamos justos e nos atenhamos ao esquema.
    CRITICA:

    Endosso os pontos abordados pelos demais comentários, tocam no ponto ao falarem do anti-clímax no final, da palestra que soa artificial, da subtilização de uma boa pesquisa.
    Pra não chover no molhado apenas aproprio-me de um tipo de consideração que aprendi com os integrantes do EC mesmo nos últimos dias.
    O SHOW don’t TELL.
    A estratégia de mostrar ao invés de contar soa como um imperativo, mas é perigoso acabar caindo no vício oposto por medo do vício usual. Caso esqueçamos os objetivos de cada abordagem podemos usar errado tal ferramenta. Acredito que isto possa ter ocorrido com seu texto.
    Há vantagem ao mostrar quando o objetivo é de envolver o leitor, aproximá-lo do personagem, imergir, focar nos pontos de tensão, nas cenas e experiencias mais cruciais. A desvantagem de mostrar demais é a de que você perder-se na subtrama e gastar um tempo precioso que vai acabar fazendo falta ao desenrolar da narrativa.
    Pra ser mais específico, tomo o exemplo da palestra. Ao colocar diretamente as falas dos palestrantes você mostrou que se tratava de uma pessoa experimentada, viajada, etc. Por medo de contar e acelerar essa parte, a ideia que eu tive foi que se tratou de uma palestra de quinze, dez minutos ou menos. Não seria necessário sequer retirar o que está lá. Era só aproveitar pra entremear o narrador, contando coisas que deram mais extensão à palestra, e isto resumiria as coisas, deixaria uma impressão de que o falado de fato ali era o supra-sumo da palestra mais longa. Outros momentos poderiam ter sido mais contados e assim você ganharia tempo na estória pra atingir um ponto de impacto que ligasse os elementos de mistério dados ao longo do texto.
    A consequência do medo de utilizar o contar antes, obrigou você a “interromper o coito” e contar o final de qualquer maneira pra caber no limite de palavras.
    Se eu estiver falando algo que faz sentido, já valeu a pena a intervenção, se foi essa a reação esperada, a decepção com as fantasias, ligações e significados possíveis até ali, desconsidere.

    PONTOS POSITIVOS:

    Se fosse um capítulo de uma estória maior, com possíveis revelações e desdobramentos posteriores, seria um livro muito bem feito. O trabalho feito na construção até antes do final abrupto é muito boa mesmo. Tem potencial pra uma novela, um romance, ou mesmo um bom conto mais longo. Creio que seu ponto forte, a qualidade do texto, atrapalhou em vista do limite de palavras. O leitor se envolve, espera o resultado do que será revelado e… Acabou o tempo!
    Um ponto positivo é que você sabe mostrar, só precisa dosar e retroceder um pouco em alguns momentos, tornar-se mais flexível na velocidade e extensão do que narra.
    Apesar da frustração com o final, você é um bom escritor, na minha opinião. Parabéns!
    Boa sorte!

    • Cleber Duarte de Lara
      12 de dezembro de 2015

      Comi umas palavras ao digitar, ex.:”você pode perder-se na subtrama”
      Espero que não atrapalhe a ideia geral do comentário.

  31. Antonio Stegues Batista
    12 de dezembro de 2015

    Escrita simples, sem muitos floreios e adornos metafísicos. Enredo com algumas informações dispensáveis em alguns pontos, em outros, faltando detalhes para melhor compreensão dos fatos. O sexto livro, por exemplo, era um mistério e continuou sendo até o fim. Além disso, faltou explicar melhor o que Adelmo e Benício procuravam no tal livro.

  32. Daniel I. Dutra
    12 de dezembro de 2015

    Bom, eu diria que a intenção foi justamente frustrar no final do conto. Criar um anti-clímax.

    Quanto ao resto é um conto bom.

    Uma atenção especial merece o “belo trabalho de pesquisa artesanal”, usando a frase de outro comentarista.

    No seu livro “Sobre a Escrita”, onde Stephen King discute os meandros do processo criativo, ele fala que uma armadilha que muitos escritores caem quando fazem pesquisa é se esquecer de contar uma história e começar a dissertar sobre o assunto pesquisado. No final a história fica parecendo mais um trabalho acadêmico do que uma obra de ficção.

    King aconselha que autores contem sobre o assunto apenas o suficiente para o leitor compreender a história. Por exemplo, você não precisa explicar tudo sobre física quântica, apenas o necessário para 1- dar maior verossimilhança e 2 – ajudar o leitor a compreender o que está acontecendo na história. Ou seja, mesmo que você tenha lido toda a obra do Stephen Hawking, resista a tentação de contar tudo o que você aprendeu.

    Estou contando isso para dizer que o autor desse conto soube usar o trabalho de pesquisa na medida certa. Sem dissertar demais, mas também sem deixar o letiro perdido no texto.

  33. Pedro Luna
    11 de dezembro de 2015

    De certo, um frustrante final. O conto é bacana, bem escrito e dá muito curiosidade. Apesar de que, eu acho que o autor deve aprimorar melhor a palestra de Malaquias. Para o status que ele tinha, achei que não falou nada com nada na palestra. Ela era sobre o que mesmo? Apenas uma apresentação? Tem uma hora que ele pede a platéia para fazer perguntas, mas acho que ele não tinha abordado os assuntos da escravidão e da corte real com muita propriedade para criar uma discussão. Ficou raso. Enfim, só uma ideia.

    Agora, o final cortou o mistério e ficou apressado. Não gostei. No entanto, algumas vezes escrevi contos que outros tomaram por final frustrante e não pegaram a ideia que eu queria passar. Acontece. Se houver algo aqui sobre o final, peço que o autor responda ao fim do certame. Se não, fica a minha crítica de que não foi um fim bacana.

  34. catarinacunha2015
    11 de dezembro de 2015

    O TÍTULO desperta curiosidade e induz acreditar ser o 6º livro nunca encontrado o do conhecimento. FLUXO difícil de ser executado por ser de época diversa da linguagem contemporânea e o autor tem domínio e estilo clássico. A TRAMA estava indo bem até o desfecho sem desvendar o 6º livro. Quase um coito interrompido. Os PERSONAGENS são bons e com personalidade bem datadas com nomes antigos. O FINAL enfraqueceu um belo trabalho de pesquisa artesanal.

  35. André Lima dos Santos
    10 de dezembro de 2015

    Olá autor! Tudo bem?

    Vamos lá…

    O início do conto é muito bom. Muito bom mesmo. Me envolvi na dinâmica dos diálogos e logo me vi ansioso para descobrir o final. Certamente foi um conto que deu trabalho, visto que é recheado de informações, que foram lançadas no texto de uma forma bem legal.

    Sobre a linguagem, tenho três anotações:
    1 – Falta de espaço depois de alguns sinais.
    2 – “os alquimistas parecem serem homens extraordinários!” – conjugação errada.
    3 – Pareceu-me que o estilo de narrativa e de linguagem que você adotou foi para a literatura infanto-juvenil. Não sei se foi seu intuito.

    Sobre o final do conto, me frustrou. O conto começou vendendo uma ideia de fantasia, de alquimia, de descobertas na figura de Malaquias, mas… O final foi um pouco frustrante pra mim.

    Enfim, por fim, quero dizer que foi um conto bom. Parabéns!

    • André Lima dos Santos
      10 de dezembro de 2015

      Por fim, quero dizer que foi um conto bom. Parabéns!***

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .