EntreContos

Detox Literário.

Alexandria (Eduardo Selga)

alexandria

Defronte, o calendário digital paralisado no momento preciso, lembrando-me…

Nos dias em que o calor, de ordinário insuportável, quase chega a ensandecer, ainda volta a brotar sangue das feridas. Completamente fétido, decerto. Até as lesões internas hemorragem. É possível sentir o percurso do líquido regando, umedecendo pulmões, fígado, estômago. Se eu fosse a terra na qual estou há tempos deitado certamente nasceria alguma flor pelos interiores de mim. E cresceria. E, após percorrer longo caminho por minhas veias e carnes, teria fugido nariz e orelhas afora, escalado as paredes arruinadas desta biblioteca. Talvez contornasse alguns livros, mas em muitos deles a flor nascida de meus ferimentos faria ninho, como os pássaros fictícios que meu bisavô, visionário, jurava ter existido uma vez na Terra. Tiziu, ele dizia; canários, salvo engano.

Ou absolutamente nada disso: nasceria qualquer erva-andorinha. Do tipo que se alastra pelo terreno e se aproveita das páginas abertas porque rasgadas pela explosão, das letras em estado de caos, meio mortas, meio feridas, um esparramo só. Cravam suas raízes e descendentes em qualquer nesga. Logo ali, por exemplo, debaixo de tantos livros que morreram explodidos e por falta de leitor, há partituras de canto e piano originais de belas músicas virgens, ainda não experimentadas por nenhum ouvido. Há alguns poucos personagens com as vísceras à mostra, urgindo falar, e nenhuma vivalma para ouvi-los. Sobre tudo isso cresceria o mato oriundo de minhas narinas, se eu fosse terra.

Nos dias ainda mais quentes, dias ordinários como hoje, também sinto as feridas doerem, não apenas o sangue germinando. Não todas, porém: com as da alma a gente aprende a conviver, mesmo estando morto. Refiro-me aos locais em meu corpo onde os projéteis se instalaram, escarrados pelas metralhadoras. Minha cabeça, por exemplo, dói uma barbaridade. Certo escritor, cujo nome não merece seja dito, está sempre aqui junto a mim, mais morto do que vivo (como em vida, aliás), e costuma dizer-me é apenas enxaqueca; isso passa; é assim mesmo, a vida. Assim mesmo?! Por acaso a vida são dores, é cova jamais fechada, aberta à bala?

Estou pendurado na parede. Após tantos disparos e explosões aqui dentro, fiquei torto, quase caindo da moldura. Alguém talvez dissesse, se alguém houvesse, olha só que absurda a posição do patrono da biblioteca mundial, mas o incômodo do corpo inclinado e da força muscular que preciso fazer para sustentar o equilíbrio e não cair no chão cheio de cacos me atrapalham muito mais do que um possível desrespeito evidenciado pela postura em que deixaram meu corpo. Além do mais, me parece apenas uma questão de palavras, e muita delas, hoje, depois do Segundo Apocalipse, perderam os sentidos. Como que desmaiadas. Algumas, inclusive, sem identidade, zanzam por aqui e por lá, no espaço externo também destruído. Parecem fantasmas, ou como se fossem um dos seis personagens de Pirandello à procura de seu autor. E gritam, e sussurram, tentam se expressar, e nada… Nada: eis a grande palavra que sobrou intacta dos escombros. Sílabas, consoantes e vogais incólumes.

Fui desenhado a bico de pena, o que me empresta certa melancolia. Esse estado emocional e a posição inclinada (eu ainda vou ter um torcicolo…) me impedem de enxergar claramente o que existe para além dos janelões da Biblioteca, todos em cacos. Mas é fácil saber, pelo cheiro: cadáveres. A antiga metrópole, capital do mundo, os prédios esfarelaram-se de imediato, mas as pessoas demoraram. Eu ouvia daqui os gritos cruciantes de dor, dos feridos à bala, dos enlouquecidos pelas explosões e pelas fumaças coloridas lançadas no ar, vetores de microrganismos que se alimentam de neurônios enfraquecidos pelo esgotamento emocional. A vozearia dos inteiramente vivos, porém mortos na alma e condenados ao despenhadeiro da morte pela sede. Pela fome até que não — sempre havia corpos a serem mastigados — mas água potável que debelasse o inferno garganta abaixo, regasse o deserto do corpo, água não havia. Pessoas secas, ossadas vivas, murchavam. Como a serpente que fez perder o Paraíso,

arrastavam-se

Os últimos sujeitos metropolitanos, os mais resistentes, por fim morreram há vários dias atrás, anos depois do início do Segundo Apocalipse e após o dia da nova destruição da Biblioteca de Alexandria, onde um prego mal me sustenta. As areias resultantes dos antigos arranha-céus – os maiores atravessavam as nuvens e nem mesmo as construtoras sabiam o número exato de andares – já começavam a formar monturos na entrada da Biblioteca, e o velho Sóter, inofensivo faxineiro despedaçado na invasão ao prédio, ainda hoje tenta inutilmente varrê-las para fora. Tarefa difícil, tanto mais quanto as muitas paredes desabadas fazem confundir os espaços. E em tal medida que nos dias de excessiva ventania, para desespero de Sóter, as areias se esvoaçam, invadem, e alguns livros, dentre os ainda não feridos pela morte, batem asas, supostos passarinhos de meu bisavô. Aproveitam a carona do vento, voam para longe na ingênua hipótese de encontrar em algum canto pessoas que os leiam. Ainda não perceberam que não existe mais lugar nenhum, tampouco pessoas. No máximo, errando no vazio, os ex-combatentes bestializados que se apoderaram da Biblioteca. A inexistência é tudo o que há.

Pelo silêncio, pela fedentina, eu sei: os últimos já morreram. Mas é uma desmedida a quantidade de almas que perderam o endereço do Céu e do Inferno, e continuam vagas, vagando pelos descaminhos que sobraram do aniquilamento. Muitas delas vêm para cá, para as ruínas da Biblioteca de Alexandria, fazer o que em vida não fizeram: ler por delícia, não por utilidade. Reviram os livros no chão, desconjuntados livros, como quem à cata de algum alimento. Parecem mesmo vira-latas. Chegam a cheirar Tostói, a devorar com os olhos Camões. No entanto, leem famélicos, e por isso assimilam o texto de modo equivocado, às pressas, muito apreensivos em absorver quantidades. É que pretendem recuperar o perdido do tempo, reaver o mundo. Dois erros, porém: o não aproveitado será para sempre um desperdício, não há contorno possível; um mundo melhor com base em personagens de ficção só seria talvez factível se houvesse um mundo recuperável e se a leitura fosse paulatina, sem esganação.

Defronte, o calendário digital preciso no momento paralisado, lembrando-me: a História, tragédia e farsa e clichê, se repete.

120759

No último dia do Segundo Apocalipse, data que determinou o fim dele próprio ao extinguir o mundo supostamente farto em civilização (ou seria farto dela?), homens blindados e carros de assalto estacionaram aqui, diante da portaria. Alucinados. Sem comando. Anacrônicos. Todos aos berros, desesperadamente, idiomas os mais diversos. Na verdade, como se não pertencentes a uma mesma época. Houve quem invocasse o rei português Dom Sebastião, quem clamasse por Abraham Lincoln, o Rei Arthur, Helena de Tróia. Não obstante a babel, aqui na Biblioteca de Alexandria acreditavam haver (e a arte eles entendiam ser um mal) um conluio reunindo todos os escritores falecidos do Planeta, de todos os tempos. De modo que ordenaram saíssem todos, se rendessem. É claro: ninguém havia, ninguém se rendeu. É bem verdade, aquele escritor que não merece ser identificado lá estava, mortinho da silva, fantasma perdido entre palavras talentosas e alheias. Supondo-se para lá de importante, gritou não atirassem pelo amor de Deus. Se o caso era render-se, assim fosse. Ninguém ouviu. É lógico.

Meia dúzia invadiu, não sem antes destroçar o corpo do velho Sóter, a fragilidade em pessoa. Adentraram o salão principal, atiraram para todos os lados possíveis. Um deles, o mais fora de órbita, era absolutamente idêntico aos trinta anos de idade de meu bisavô: o encaracolado nos cabelos brancos, a sobrancelha medonha. Igual a ele, o homem carregava no olhar pássaros feridos de tentar romper as grades da gaiola. A ponto de eu conseguir ouvir asas ruflando no interior da íris azulada, e no buraco negro da pupila gritos de carcará, um pássaro que meu bisavô dizia.

Apontou a arma para mim, cheio de bisavô, e gritou eu deveria porque deveria entregar os comparsas. O gesto me pegou de surpresa, pelo desatino. Ri muito e desbragadamente, preso à moldura folheada a ouro. Lembrei-me das mentirosas histórias que meu bisavô contava, pássaros na alma. Se no riso havia algum traço de nervosismo — reencontrar um parente morto é sempre assustador —, ele conseguiu ouvi-lo: disparou a pistola aos berros, furos em meu corpo.

Abriram diversos livros como quem busca objeto camuflado, a mesma selvageria do estuprador ao arreganhar as pernas de uma mulher-presa. Nessa operação militar, acabaram conseguindo seu objetivo: vários escritores foram desenraizados de suas obras à força. Carpidos. Por isso, enquanto tentavam se segurar às páginas, gritavam o grito de quem de repente perde braço, perna.

Os escritores imploraram nos deixem em paz já não podemos interferir no mundo que vocês roubaram de nós todos com este monte de lixo impresso que divulga um saber não abençoado podem sim quanta bobagem combatente a ficção não muda uma realidade de imediato é claro que nós sabemos disso o problema está depois do instante está em disseminar a existência da possibilidade de um hipotético mundo melhor sem a presença do divino mas isso é inseparável do ser humano combatente não será o ficcional ou a falta dele que o fará sonhar mais ou menos

— Ora bolas! Tu hablas… e hablas… falas palabras… Sábias falsas falas. Hablas hábil, palavrório canoro, word — aquele palavrão chique — e mais word… Silencie tudo! Palavras… O que sabem fazer é inventar mundos sem consistência tentando esconder o evidente: a única palavra autorizada é a d’Ele!

Os escritores procuraram fugir ao cerco diante da evidência de que qualquer argumentação seria completa perda de tempo, porém foi inútil: foram todos executados diante de mim, e isso me doeu bem mais do que os tiros disparados à queima roupa contra minha cabeça e corpo. Dolorido ver Garcìa Lorca outra vez fuzilado e outros tanto que, falecidos em vida com relativa paz, viraram quase pó em virtude da bestialidade a poucos metros de mim. Gritei parassem com aquilo, mas minha voz surda não se fez ouvir. Amarraram insatisfeitos os explosivos aos pés dos escritores e das estantes. E foram pedaços deles voando pelos ares, espectros que sangraram ao lado de livros igualmente mortos, atravessados pelos projéteis, amputados pelas explosões, vertendo e espumando sangue.

Há personagens que se unem veementemente ao seu artífice; outros, filhos ingratos ou vingativos por terem sido mal criados, de acordo com seu próprio e suspeito juízo. Pois tão logo as metralhadoras silenciaram e os homens fugiram gargalhando, muitos personagens saíram dos livros, assombrados pelos disparos. Mas nem todos: também a morte feriu e rasgou a essência de uma pequena quantidade deles, o motivo pelo qual foram um dia gerados. Esses agonizaram uma dor muito parecida com a humana. Outros, não: bocejos como quem acabasse de acordar de longa hibernação, olhar afetado para o ambiente, para o extermínio, com irrestrita indiferença.

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Defronte, o calendário digital paralisando o momento. Preciso me lembrar da necessidade de seguir, de algum modo sugestionar um possível sobrevivente a reconstruir se não a História ao menos a Biblioteca de Alexandria. Ou, no mínimo, narrar sua história para alguém, se houver sobrevivente.

Os sem colorido na alma diante de tanta morte dão de ombros, ultrapassam a portaria e ganham o mundo deserto, talvez não absolutamente vazio de vida se em algum canto os soldados estiverem, perseguindo a própria alucinação. Um ou outro personagem exulta ou apenas sorri diante do nada. Não creio estejam dispostos a darem alguma coerência ao caos: antes, como quem sonâmbulo, me parecem apenas caminhar sem objetivo na metrópole extinta. Tanto que se dividem em grupos dispersos, e logo adiante nem isso: indivíduos soltos, personagens sem coesão, sem a resistência que o convívio com outros poderia causar, e na bandeja para satisfazer a gana da morte.

Os que adquiriram humanidade, ou pelo menos não a perderam, recolhem os pedaços dos autores, seus pais ou não, tentam em conjunto modelar algo semelhante ao Homem. O resultado é bem fosco, alguém adverte é impossível construirmos uma pessoa se nós mesmos não somos uma, apenas pálida silhueta. Arremedo. A interrogação fica no ar, quer fazer ninho, e entre parar e prosseguir maioria se sente desorientada, se deixa escorregar pelas paredes esburacadas até atingir o chão; os mais insatisfeitos com os fatos (mais próximos do humano?) persistem, misturando partes de todos os autores cujos fragmentos estão espalhados no piso, nas capas dos livros, nas páginas soltas; há quem olhe em torno, se perguntado sobre as causas de tudo. Também de mim querem saber. Não consigo articular nenhuma resposta razoável. Fico perdido em meu escasso equilíbrio emocional. Desconfio que o prego não me sustentará por muito mais tempo à parede. Repostas? Nem sei o que fazer comigo mesmo!… Certamente conversar pelo resto da eternidade com Sóter depois que eu cair e fizer companhia aos destroços e escritores, ocasião em que não passarei de um desenho emoldurado e cheio de buracos, caído sobre minha própria lápide.

Explico: quando de minha morte, em um tempo já perdido no tempo, acharam por bem enterrar-me aqui, entronar-me patrono da Biblioteca de Alexandria por causa de uns rabiscos sobre os quais uns e outros quiseram encontrar valor estético. De modo que no vértice de duas paredes, no chão, palavras de lamento em alto relevo e debaixo delas meu corpo, alguma terra por sobre.

Eu e Sóter, tão logo eu caia, contaremos e recontaremos eternamente um para o outro sempre esta mesma história, porém com alterações frequentes a cada narração, para espantar a fumaça espessa da nossa sozinhez. Enquanto isso, o escritor sobre quem me recuso a entrar em detalhes nos dará a sua versão, completamente oposta. É claro: saiu ileso do Segundo Apocalipse, corpo inteiro, e mesmo a solidão de viver sem os pares (que nunca lhe emprestaram verdadeiramente ouvidos, diga-se), a solidão ele amenizará com a nossa presença. Parasita.

110759

Defronte, o relógio digital volta a funcionar. Retroativamente. Não é falha de equipamento antigo: o tempo está aos pulos, sinto pela náusea. Está palpitando aqui dentro, e de repente passo a acreditar nas bobagens de meu bisavô, coloridas e que batiam asas. Um sinal de esperança. Ou de que tudo haverá de se repetir.

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36 comentários em “Alexandria (Eduardo Selga)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ Alexandria (Snohetta)

    ஒ Físico: Snohetta cria uma boa prosa poética, revelando uma alma sensível e refinada. Às vezes, percebe-se que faltam algumas palavras, dificultando a leitura. O autor teve tanto cuidado em manter o ritmo da narrativa, que se esqueceu essas coisas fundamentais. Ele precisa ter mais calma e paciência para lapidar o texto. Fazendo isso, poderão surgir contos maravilhosos pelas suas mãos.

    ண Intelecto: A estória é bem definida quando chegamos no final. Entendemos tudo. O narrador se preocupa mais em falar de si e suas impressões do que transmitir ideias gerais. Isso torna o texto bem introspectivo. Snohetta conseguiu fazer isso com propriedade e personalidade. Muitos leitores exigem linearidade e objetividade na estória, é até plausível que seja cobrado quando necessário — existem casos onde não podemos fugir dessa regra —, mas não é sempre que o autor precisa acatar isso. O maior problema disso é que pode limitar a quantidade de leitores assíduos. Aí entra a questão que Snohetta deve fazer para si mesmo: “Eu desejo abraçar o mundo?”.

    ஜ Alma: A biblioteca parece ter vida própria. Muitas vezes, parece que ela é uma entidade própria, ciente de si. E essa sensação é ótima. O autor manteve o foco, coisa que admiro bastante. Posso falar que Snohetta é um poeta. Agora precisa se tornar num contista. Essa fusão, admito, parece-me agradável.

    ஆ Egocentrismo: Gostei da leitura, mas achei ela longa demais. O texto tem grandes elementos poéticos, mas não há a harmonia necessária para me conquistar por completo. Eu gosto de textos equilibrados. A estória também não me agradou por completo. Muitas subtramas que precisariam de mais desenvolvimento para cativar. Admiro o poder poético do autor, porém. E ele merece os parabéns por isso.

  2. rsollberg
    4 de janeiro de 2016

    Alexandria (Snohetta)

    Esse conto é como um bom uísque ou uma deliciosa sobremesa, você tem que ir consumindo bem devagarinho, aproveitando todo o sabor. Aqui a pressa é inimiga mortal do paladar.

    O autor demonstra que possui uma competência impar, jogando migalhas açucaradas para os leitores. O devaneio de um personagem símbolo, observando a bestialidade dos homens. O texto traz uma história forte, mas é a voz do autor que sustenta o conto do início ao fim. É possível transpor as cenas para diversas hipóteses, representações de fases da nosso sociedade e do próprio comportamento humano.

    Esse trecho é muito bom “Além do mais, me parece apenas uma questão de palavras, e muita delas, hoje, depois do Segundo Apocalipse, perderam os sentidos. Como que desmaiadas. Algumas, inclusive, sem identidade, zanzam por aqui e por lá, no espaço externo também destruído. Parecem fantasmas, ou como se fossem um dos seis personagens de Pirandello à procura de seu autor. E gritam, e sussurram, tentam se expressar, e nada… Nada: eis a grande palavra que sobrou intacta dos escombros. Sílabas, consoantes e vogais incólumes.”

    Muito bom!
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  3. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    O narrador era um quadro?

    Infelizmente um conto que não vai entrar em minha cabeça por completo, nem hoje e nem daqui a um bom tempo, tendo a vista a confusão que minha mente anda. Não preciso falar da escrita, pois o autor pode escrever o que quiser, mas a trama, que não consegui identificar, não me comprou. Achei que foi uma passagem por memórias antes de um tal segundo apocalipse, talvez algo simples, mas escondido dentro da complexa forma. Não me agradou em cheio.

    ”Estou pendurado na parede. Após tantos disparos e explosões aqui dentro, fiquei torto, quase caindo da moldura. Alguém talvez dissesse, se alguém houvesse, olha só que absurda a posição do patrono da biblioteca mundial, mas o incômodo do corpo inclinado e da força muscular que preciso fazer para sustentar o equilíbrio e não cair no chão cheio de cacos me atrapalham muito mais do que um possível desrespeito evidenciado pela postura em que deixaram meu corpo. ”

    Essa parte me soou incrível. Mas não sei bem porquê..kk

  4. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Bem, devo admitir que fiquei e estou um pouco perdido com o texto.

    Ao longo da leitura formei algumas belas imagens, e até me senti feliz quando achei que montava de forma coerente o que o autor propunha (o que agora me soa um pouco bobo de minha parte), mas sinto que deixei muita coisa passar.

    Infelizmente o prazo me impede de reler o texto por mais vezes. Creio que cometi o erro já apresentado na história

    “No entanto, leem famélicos, e por isso assimilam o texto de modo equivocado, às pressas, muito apreensivos em absorver quantidades.”

    No que diz respeito às imagens que montei, à curiosidade que o trabalho me provocou, enxergo completamente os méritos do autor. Há histórias, às vezes, confusas demais aparentam querer se esconder na confusão, como se nada houvesse além de construções estranhas. Aqui não. Percebesse que o conto foi trabalhado com esforço.

    Enfim, gostei do estranhamento que causou, mas estaria mentindo se dissesse que o entendi por completo.

  5. Piscies
    2 de janeiro de 2016

    Assim como muitos, conforme li nos comentários, tive que reler o conto para capturar sua essência. Admito que ainda estou longe de capturá-la, na verdade. O autor tem o dom das palavras. Diferente do que muitos acham, eu considero esta escrita muito bela, poética e reflexiva. Gosto de separar um tempo para ler com muita atenção, sem distrações, escritas como essa e sorver tudo o que há de sorver dela.

    A ideia de personagem é incrível. Um quadro! Narrando, além de um mundo destruído, a repetição da história, como o próprio personagem tantas vezes faz menção (inclusive, com relógio digital). Afinal, não foi por uma espécie de limpeza étnica que a primeira Biblioteca de Alexandria foi destruída?

    A repetição da história é nossa inimiga. O tempo passa e notamos estar no mesmo lugar. A narrativa do personagem-quadro é bela e critica muito este ponto. Fala de “autores mortos”, que por vezes eu enxergava como pessoas que ali se escondiam, por vezes pelos autores dos próprios livros ali presentes e agora queimados.

    A tentativa de “reconstruir o ser humano” através da leitura e a demonstração de que a ação é parcialmente inútil – reconstruindo apenas algo fosco – foi muito pertinente. Por fim, gostei do conto e entendo que ainda tenho que relê-lo algumas vezes para captar sua essência.

    Parabéns autor!!

  6. Phillip Klem
    2 de janeiro de 2016

    Boa noite.
    Para ser sincero, não consegui gostar do conto.
    Reconheço que o autor escreve extremamente bem e tem um domínio impressionante sobre as palavras. Mas o estilo do conto não casa nada com o meu gosto pessoal.
    Achei uma leitura muito arrastada e pouco interessante, apesar de ser adornada com belíssimas frases.
    O final me deixou com um gostinho de “ok then”.
    Confesso que quase dormi no meio da leitura.
    Sinto muito. Sei que é impossível agradar a todos. Você recebeu comentários muito melhores e mais positivos que o meu. Concentre-se neles e esqueça esse aqui.
    Boa sorte.

  7. Evie Dutra
    2 de janeiro de 2016

    Sua escrita é tão complexa que, para mim, se tornou difícil me concentrar e acompanhar.
    Interessante a jogada do quadro da parede mas, devido a escrita, não agradei muito do conto,
    Boa sorte.

  8. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    É um conto como poucos são capazes de escrever, talvez simplesmente porque não tenham vontade de escrever tal coisa, afoitos que estão com enredos mirabolantes, esquecem-se do envolvimento direto com o texto, pura e simplesmente. Ao menos foi o que aconteceu aqui, comigo. Me envolvi com as palavras, com as cenas surgidas, com o desenvolvimento do texto e nem pensei em trama nenhuma. Parabéns!

  9. Wilson Barros Júnior
    1 de janeiro de 2016

    Pareceu-me um dos poemas do grande Gôngora, daqueles em que se destaca a fascinação barroca por nervos e ossos. Por sinal que essa fascinação eu vi recentemente em Gullar ao reler a “Luta Corporal”. As questões a se discutir aí, embora sejam profundas, parece-me que fogem ao escopo do desafio. Discutir se é conto, a qual escola pertence, seria bem-vindo em uma roda literária, mas aqui é de como algo atinge o público que se trata. Na verdade eu gostei, gosto de literatura. Gosto também do Entrecontos, um microcosmo no universo de leitores com que um dia poderemos nos defrontar. De qualquer modo, parabenizo ao leitor por sua extrema habilidade literária.
    Bom, mas já que o Selga falou em arte, cabe uma reflexão sobre o que é arte. O que dizer da especulação, de quadros que são vendidos por milhões de dólares? E os quadros de Mondrian, será que valem tanto assim?

  10. G. S. Willy
    29 de dezembro de 2015

    O conto é bem poético, recheado de metáforas, narrado por um quadro, pelo o que entendi. É uma pena que ele diga muito sem dizer nada. Há uma enorme história por trás, clara, mas todas as perguntas ficam sem respostas, são jogadas ao vento, sem uma concisão de fatos, de narrativa. É um belo texto com belas palavras, o que me pareceu que faltou foi uma linha para seguir.

  11. Eduardo Selga
    28 de dezembro de 2015

    SIM, MAS E DAÍ?

    Há muitos aspectos sobres os quais gostaria de comentar sobre este conto lido e relido, mas isso é impossível. Tentarei concentrar-me no que me pareceu essencial, e fazendo muito mais perguntas do que qualquer outra coisa.

    Quando um contista conta um conto ele precisa contar uma estória? Ou seja, é preciso sempre haver linearidade, trama verossímil, personagens bem “visíveis”? Ou o conto pode ser mais do que a fabulação, da qual tanto se enamora o pensamento racionalista, pode se dar ao luxo de não dizer do modo como a grande maioria dos leitores espera? Narrar ficção é dizer tim-tim por tim-tim? Não é tarefa de quem escreve puxar o confortável tapete do leitor e de sua cartilha de interpretação por vezes surrada que limita profundamente a percepção do texto, e deixá-lo sozinho em um escuro cheio do bicho papão das interrogações?

    Um quadro pode ser composto a partir de várias estéticas, como o realismo, o cubismo, o expressionismo, dentre outras. Pequemos a obra “Abaporu”, de Tarsila do Amaral e tentemos responder: o que é aquilo no centro da tela? Um homem, uma mulher, ou nem é um ser humano? Segundo determinado tipo de percepção, nada, exceto a estranheza, foi comunicado esteticamente pelo quadro porque a figura central não é á primeira vista identificável. Se nada foi comunicado, não é arte, há quem diga. Nem é quadro. Então é o quê?

    No mesmo caminho, por analogia, se o leitor não consegue perceber a mensagem e os meandros de um texto literário, esse texto não é literário? Ou literatura boa mesmo é aquela que nos leva às lágrimas óbvias, nos faz rir obviedades, esfregar as mãos de tanta expectativa por um desfecho que quase sempre intuímos qual seja por causa da fórmula narrativa? Quantos leitores aprovariam o universo ficcional e vocabular de Guimarães Rosa? Poucos, sempre.

    Se um conto não conta no sentido tradicional ele não conta enquanto conto?

    São questões que volta e meia coloco aqui, e que o presente texto de certa maneira traduz. Felizmente ele não está focado no óbvio, na lógica do “era uma vez…”. Ele se concentra na palavra enquanto tal de modo a produzir efeito de sentido, não na palavra a partir dos sentidos já dados socialmente. É como um poema, no qual a palavra e o ritmo são muito mais importantes do que o enredo para produzirem imagens. E é nítida a preocupação com o ritmo nesse conto, com a sonoridade. Quadros pintados por meio de palavras. Por isso a “chave de ouro” que não houve me parece desnecessária, dado que o texto se propõe a ser uma espécie de melodia, não uma trama do jeito tradicional. Ao fim e ao cabo fica a ideia de conto inconcluso, algo em suspensão. Mas é preciso concluir? Sim, diz a cartilha.

    Também me parece claro o traço insólito, no enredo em si, no narrador (um quadro), nos personagens reconstruindo seus autores. Aí talvez tenhamos um problema. É grande a miríade de situações insólitas, com muitas intercomunicações entre si, como se fora uma ampla malha viária levando a diversos caminhos diferentes, como uma sequência de flashes, e isso pode causar um desnorteamento no leitor. Afinal, o(a) autor(a) quis dizer isso ou aquilo? Ou ele(a) quis dizer isso a quilo?

    Disse “talvez” porque me parece uma falsa questão essa insistência em captar o que o(a) autor (a) “quis dizer”, donde deriva a ideia de que existe apenas um caminho interpretativo possível. Ele (a) querendo ou não dizer ou que quer que seja, se o leitor interpreta com base no texto lido e em seu conhecimento de mundo, se o leitor não enxerga fantasmas, essa interpretação é válida. O(a) autor(a) abriu mais de uma vereda? Se forem áridas em demasia, escolhe-se apenas uma.

    Parece-me que o pode incomodar neste conto é o incômodo que ele pode causar. Porque é um texto que apresenta uma dinâmica lenta, ruminante, anti-contemporânea, em que a trama insólita me parece pretexto para um exercício de estética textual, não de fabulação.

  12. Jowilton Amaral da Costa
    27 de dezembro de 2015

    A narrativa foi talhada com maestria, esculpindo um texto primoroso. Apesar do rebuscamento técnico, a leitura flui sem nenhum entrave, e instiga a continuação da leitura. Textos escritos desta forma, muitas vezes me cansam, não foi o caso deste conto. Contudo, contos como este devem ser lidos com calma, paciência e tempo, para que possamos tentar decifrar todas as camadas que estão por trás da construção das frases, das ideias que o autor quer nos mostrar. Numa leitura mais rápida, ficamos sempre com a impressão de que gostamos, mas, será que entendemos? Talvez não seja pra ser entendido, só mesmo para ser apreciado. É insólito, fantástico, sobrenatural e fodamente bem escrito. Parabéns.

  13. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2015

    Puxa, que texto bonito!
    Gostei deveras do começo, onde pensei que iria em clima de prosa poética forever, meio que decepcionei quando surgiram fatos gerando uma trama. Considero que houve uma trama, sim. Pois há o quadro/patrono narrando seu entorno e considerando sobre isto.
    Achei lindas as participações dos autores e dos personagens, numa distopia nonsense, se posso dizer assim, essa originalidade me conquistou.
    E mais as frases lindas e profundas, realmente pede por releituras, para se extrair tudo do que este texto proporciona.
    Parabéns!

  14. Thiago Lee
    26 de dezembro de 2015

    Antes de tudo, devo admitir que não me apetece a escrita um tanto contemplativa como a sua, mas é apenas um gosto pessoal.
    Dito isso, fiz um esforço para acompanhar o texto e não me arrependi. TIve que reler alguns trechos, sim, mas ficou evidente para mim seu domínio da língua portuguesa e da arte da escrita. Com um pouco de esforço, consegui visualizar as imagens que você passou para o leitor. Um conto competente, de acordo com o que foi proposto pelo autor.
    Boa sorte!

  15. Fil Felix
    20 de dezembro de 2015

    Como já falaram por aqui, o autor consegue manipular e brincar com as palavras. Daqueles que erram, propositadamente, e que não passa uma imagem ruim, pelo contrário, reforça sua qualidade como escritor. Mesmo com alguns errinhos captados, não atrapalha essa visão.

    As imagens criadas são belíssimas. Não há uma trama com começo, meio e fim, algo a ser “contado”. São devaneios de uma pintura, suas observações quanto aos livros esparramados, aos personagens órfãos e atentados à leitura. Há uma subtrama muito boa, principalmente quando critica a forma como se lê. E que, por ironia do destino (ou não), pode funcionar até mesmo aos leitores deste conto. Temos que concordar que a linguagem rebuscada em demasia é arriscada, nem todos tem a paciência (pois exige uma atenção maior, uma melhor absorção das palavras e ideias) e que isso pode atrapalhar em maior ou menor grau.

    Volto a elogiar as passagens bem inspiradas. O início, em particular, é muito bonito. Toda a descrição da germinação é incrível, além de trazer um regionalismo com o Carcará (“pega, mata e come”, como já cantava Bethânia). Talvez tenha sido extenso demais, cansativo. Uma leitura pra ser degustada aos poucos, que na correria do desafio acaba se perdendo.

  16. Neusa Maria Fontolan
    20 de dezembro de 2015

    Tenho dificuldades em ler a verdadeira literatura, pois sou leiga, ignorante, uma tapada mesmo. Então leio histórias que eu possa entender. Aqui neste conto, apesar de ser uma obra literária (até eu posso ver isso) consegui seguir a história e gostar. Espero que com meu comentário pobre você tenha entendido.
    Gostei de ver uma imagem ser o narrador. Também gostei muito do trecho “Os que adquiriram humanidade,ou pelo menos não a perderam, recolhem os pedaços dos autores, seus pais ou não, tentam em conjunto modelar algo semelhante ao Homem”
    Parabéns.

  17. Rogério Germani
    19 de dezembro de 2015

    Olá, Snohetta!

    Interessante notar que seu conto é justamente o oposto de um mini conto também escrito para o concurso de final de ano: no miniconto, descontando a parte que cabe à imaginação do leitor, faltam palavras; em seu texto, a extensão do enredo prejudica a leitura ao pecar pela falta primordial da trama sucinta.
    Usarei uma frase do seu texto para finalizar o comentário sobre os textos que focam exclusivamente nas divagações/filosofia e deixem de exibir uma história consistente para brindar o leitor:

    “O que sabem fazer é inventar mundos sem consistência tentando esconder o evidente: a única palavra autorizada é a d’Ele!”

    Boa sorte!

  18. Gustavo Castro Araujo
    18 de dezembro de 2015

    Este é um conto para ser apreciado aos poucos, como uma caixa de presentes que tem outra caixa de presentes dentro dela, que tem outra caixa de presentes, que tem outra caixa… Quanto mais se aprofunda a leitura, mais interessante se torna. Noto que o autor faz uso corrente de figuras de linguagem, preferindo a conotação à denotação. E é aí que se concentra a rica criatividade.

    Este conto surge como uma derivação do conhecido costume nazista de incendiar livros, quando histórias, romances, novelas, autores e personagens eram sacrificados, execrados e desmoralizados em praça pública por não se adequarem à ideologia então vigente na Alemanha.

    Algo semelhante ocorre aqui. Numa realidade pós-apocalíptica, ou pós-terceira guerra mundial, nada restou. Todos morreram e mesmo a biblioteca em que se passa a narrativa dá seus últimos suspiros. O que vemos é o narrador – que não sabemos exatamente quem é, ou o que é, mas isso não importa muito – contando, em tom confessional, o assalto que se faz aos últimos repositórios, aos derradeiros traços de humanidade que ainda se sustentam. Para tanto, esse narrador apela às suas próprias memórias, mesclando impressões pessoais com resignação ante à destruição completa.

    Impotentes, somos nada mais do que testemunhas dessa destruição cada vez mais covarde. Nesse aspecto, acerta em cheio o autor ao personificar as obras, ao dar-lhes alma não apenas no sentido figurado, mas quase real. Não só as pessoas assassinadas pelos combates, fora da biblioteca, estão irremediavelmente mortas; mas também os autores dos livros e, para nossa surpresa, até mesmo os personagens que tombam em fuga, em meio ao caos da metralha e da loucura dos soldados invasores – algo que é representado com fidelidade no parágrafo em que inexiste pontuação.

    Por fim, o aniquilamento completo conduz à repetição da história. Assim como a Biblioteca de Alexandria original, também esta foi reduzida a escombros, com a decorrente hecatombe de conhecimento. Por certo – e aqui há uma mensagem otimista – haverá de renascer das cinzas. Essa impressão é reforçada pelo pseudônimo escolhido pelo autor: Snohetta é o nome da empresa de engenharia que reconstruiu o World Trade Center. Pode não ter sido intencional, mas é inegável a relação com esse ciclo de destruição e reconstrução.

  19. JULIANA CALAFANGE
    18 de dezembro de 2015

    Achei seu conto belíssimo! Ao contrário de outros colegas aqui, eu não me perdi um minuto sequer. Pelo contrário, fiquei lá, presa naquela biblioteca em ruínas, pendurada junto com o patrono na parede e pude sentir sua dor dele ao falar dos amigos mortos, de Garcia Lorca a Sóter, e achei isso uma experiência incrível! Gosto da sutil ironia com que vc descreve os acontecimentos. Como aspirante a escritora, ficarei muito feliz quando conseguir envolver um leitor desse jeito num conto meu. Simplesmente genial! Fortíssimo candidato ao 1° lugar! Parabéns!!!

  20. Daniel Reis
    17 de dezembro de 2015

    Um texto complexo, o mais experimental que enfrentei até aqui (estou seguindo a ordem de postagem). Trabalha bastante com os elementos gráficos inseridos ao longo da narrativa e com a escolha sempre das palavras menos usuais e surpreendentes. O que senti foi uma dificuldade em seguir o fio da meada. Sinceramente, não me atrai esse tipo de discurso, tenho até um certo medo dele, parece quando você tenta conversar com alguém que está alucinando e não sabe se o que ele diz faz algum sentido, se é uma grande verdade eterna ou só um delírio momentâneo.

  21. Lucas Rezende de Paula
    17 de dezembro de 2015

    O conto não está no meu gosto pessoal, mas sei reconhecer que é uma obra muito bem feita. As reflexões do narrador conduzem o conto perfeitamente.
    No começo me deu preguiça quando percebi a natureza do conto e da técnica, porém consegui chegar ao final sem me cansar.
    Destaco a personificação dos livros como ponto positivo, já tem muito dito pelos colegas.
    Como só posso fazer comentários que não gostei por gosto pessoal, paro por aqui. Mas entenda que é um conto muito bom, só não sou o público alvo.
    Boa sorte.

  22. Leonardo Jardim
    17 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐▫▫▫▫): o texto é um devaneio de alguma coisa pendurada na parede (um quadro ou uma escultura), com passagens muito interessantes, mas não chega a possuir uma trama. Pelo menos não identifiquei nenhuma.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): a técnica empregada é, sem dúvidas, muito apurada. O autor sabe o que está fazendo e brinca com o português, comendo palavras e vírgulas intencionalmente sem alterar o sentido das frases. Só não dou cinco estrelas nesse quesito, pois o texto peca um pouco pela prolixidade e eu considero isso um defeito.

    🎯 Tema (⭐⭐): o ambiente do texto é uma biblioteca em ruínas.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): o texto é muito criativo, seja pela forma ou mesmo pelas imagens e devaneios apresentados. As frases soltas, sem tentar encaixar numa trama (só fiz isso na segunda leitura), trazem alguns tesouros que precisam de esforço para serem desenterrados.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é travado e de difícil compreensão. Por isso e por não possuir um clímax, não senti muito a emoção passada. Algumas frases, porém, como já disse, me fizeram parar a leitura e refletir por um tempo.

    💬 Trecho de destaque: “No entanto, leem famélicos, e por isso assimilam o texto de modo equivocado, às pressas, muito apreensivos em absorver quantidades” (eu)

  23. André Lima dos Santos
    16 de dezembro de 2015

    A habilidade com as palavras, do autor, é evidente.

    Mas vou ser o “chato de plantão”, haha.

    A rebuscada fez o conto se tornar prolixo e cansativo. Quando se assume um estilo desse, dev-se ter em conta que a atenção do leitor vai sair da idéia (da história) para dar sentido às trilhões de palavras complicadas que são lançadas. Perde-se muito da essência do conto nessa mudança de atenção.

    Lendo novamente, consegui perceber um pouco mais da história em si. A idéia é bem mediana. Não sei se o autor utilizou a rebuscada como um recurso para abafar a idéia não muito boa.

    A verdade é que o autor é um escritor de mão cheia. Tem muita habilidade mesmo! Mas literatura é expressão. E eu tive a impressão de que o texto expressa palavras, mas não idéias.

    Abraços! Desculpe por dar uma de chatão hahah

  24. Simoni Dário
    16 de dezembro de 2015

    O que me frustra nesse tipo de texto é a sensação de que perdi tempo escrevendo e participando do desafio. Claro que o importante é participar, mas eu já podia comentar o conto só lendo o primeiro parágrafo. É bom demais, sabe!
    Brincadeiras à parte, fico honrada e constrangida de comentar um texto impecável desses. Dizer o que? Parabéns e boa sorte? Muito pouco …minhas muitas palmas autor…é o que consigo por hora!
    Bom desafio!

  25. Brian Oliveira Lancaster
    16 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Uma atmosfera bem densa, complexa de entender, mas recheada de significados.
    U: A dança das palavras dá um ar poético diferenciado e não sei se compreendi algumas delas. A estética é bem diferente, por isso não sei dizer se faltaram conectivos em algumas partes, ou faz parte do estilo. No geral, é uma leitura reflexiva, não diria tão suave, mas imponente.
    L: A digressão é o ponto alto do texto, no entanto, deve-se ler com atenção para entender o que se passa e compreender os deslocamentos de eventos. Confesso que, mesmo acostumado à essas coisas, tive de me esforçar bastante para compreender o todo. Não é um texto fácil, mas consegue ser grandioso mesmo assim. A parte em que o narrador conversa com o leitor leva a entender que
    o sobrevivente somos “nós”, os de fora, inomináveis.
    A: A essência está bem presente, do início ao fim, envolvendo as metáforas e o próprio cenário descrito.

    • Brian Oliveira Lancaster
      16 de dezembro de 2015

      Depois de ler os comentários abaixo, notei que muitos julgam esse texto como FC. Em minha opinião pessoal de leitor do gênero, considero o “todo” apenas como um cenário jogado no futuro e nada mais, sem tirar o brilho do enredo, claro – o famoso (confuso e polêmico) pano de fundo. Lembrem-se que, para um antepassado nosso, celular e internet seriam “o futuro”. Seria FC? Para eles, talvez.

  26. Rubem Cabral
    15 de dezembro de 2015

    Clap, clap, clap! Maravilha de escrita: poética, experimental, rica!

    É curioso notar que o narrador carrega o conto nas costas, pois há pouca história, mas suas reflexões são tão interessantes e melancólicas, que não senti falta, seja de enredo, seja de clímax.

    Creio que o autor seja Português.

    Trecho de destaque:

    “Os escritores imploraram nos deixem em paz já não podemos interferir no mundo que vocês roubaram de nós todos com este monte de lixo impresso que divulga um saber não abençoado podem sim quanta bobagem combatente a ficção não muda uma realidade de imediato é claro que nós sabemos disso o problema está depois do instante está em disseminar a existência da possibilidade de um hipotético mundo melhor sem a presença do divino mas isso é inseparável do ser humano combatente não será o ficcional ou a falta dele que o fará sonhar mais ou menos

    — Ora bolas! Tu hablas… e hablas… falas palabras… Sábias falsas falas. Hablas hábil, palavrório canoro, word — aquele palavrão chique — e mais word… Silencie tudo! Palavras… O que sabem fazer é inventar mundos sem consistência tentando esconder o evidente: a única palavra autorizada é a d’Ele!”

    Parabéns.

  27. Evandro Furtado
    15 de dezembro de 2015

    Olá, seguem as considerações:

    Fluídez – 4/10 – o texto foi bem travado em vários momentos. Cheio de metáforas, a narrativa me pareceu algo em segundo plano. Tanto que, no clímax, quando você deu destaque a história em si, o texto ganhou força;
    Estilo – 6/10 – você fez uma coisa inteligente: justificou seu estilo de escrita no próprio texto. Várias vezes você fala sobre o texto mais lento, cadenciado, justamente seu estilo. Eu, particularmente, não gosto muito desse estilo truncado, mas sei admitir a qualidade. Gostei também da inserção de imagens em alguns momentos. Se eu pudesse sugerir algo: narre mais com menos figuras de linguagem, he he, seu talento pode proporcionar textos perfeitos;
    Verossimilhança – 6/10 – o caráter que adotou prejudicou a visão das imagens promovidas. O texto ficou etéreo demais, por mais que os momentos transcendentais sejam os que mais se destacam;
    Efeito Catártico – 8/10 – aqui seu texto se destacou, revelando seu talento. A imagem são muito fortes e belas e levantam ponderações fantásticas. Afinal, autores podem construir personagens, mas personagens podem construir autores? A imagem dos escritores jogados ao chão é incrível e poderia ser trabalhada com mais profundidade. Senti que o final também poderia ser melhor, caso remetesse aos pontos fortes do texto. Reforço minhas considerações anteriores. Por favor, considere, e siga nos agraciando com sua arte.

  28. Davenir Viganon
    15 de dezembro de 2015

    Foi de difícil leitura para mim. Fiquei esperando pra ver o que acontecia, mas isso é não cabe num conto que não estava preocupado com as regras do tempo. Terei de ler mais vezes para pegar a sutileza, mas o tempo pressiona os leitores deste desafio e não quero deixar ninguém na mão. O balanço que faço deste conto é positivo. Um abraço!

  29. Claudia Roberta Angst
    15 de dezembro de 2015

    Olá, autor, já fomos apresentados? Vem sempre aqui?
    Então, confesso que desviei do seu conto algumas vezes antes de, enfim, encará-lo. Algo me dizia que seria preciso o dobro da minha atenção habitual. E estava certa.
    Percebi logo que houve preocupação tanto com a forma gráfica quanto com a estilística. A elegância das palavras pode parecer um pouco esnobe, coisa de elite intelectual, mas claro que isso seria uma visão preconceituosa. As frases são todas muito bem elaboradas, trabalhadas com paciência para que se encaixem na narrativa sem destoarem entre si.
    Tentei fazer uma “a leitura fosse paulatina, sem esganação” como o narrador sugeriu, mas não sou dessas criaturas centradas e pacientes. Por isso li tudo aos pedaços para só depois juntar ideias e impressões.
    Logo no começo, as palavras me lembraram de um dos meus livros preferidos – “O menino do dedo verde.” Talvez tenha sido pela semelhança dos nomes Tisto (menino do livro) e Tiziu (o pássaro mencionado pelo bisavô), mas principalmente pela imagem do brotar e ramificar como na passagem “(…) nasceria alguma flor pelos interiores de mim. E cresceria. E, após percorrer longo caminho por minhas veias e carnes, teria fugido nariz e orelhas afora, escalado as paredes arruinadas desta biblioteca.”
    Os pássaros fictícios, a que o narrador se refere mais de uma vez, são para mim as ideias encontradas nos livros, ou aquelas que nascem na imaginação do leitor.
    ” (…) o homem carregava no olhar pássaros feridos de tentar romper as grades da gaiola” – as ideias do homem estavam feridas incapazes de romper a censura, uma inspiração privada de se expressar. Tá, eu viajei, mas você, autor, fez isso comigo, agora aguente.
    Fiquei curiosa em relação ao tal autor renegado, aquele parasita de quem nem o nome se deve falar. Pode ser um desses autores sem talento, mas com sucesso comercial, ou quem sabe, algum de nós.
    Há muitas referências a obras famosas, clássicas e seus autores.Afinal,trata-se de uma biblioteca grande e farta de volumes.Até um patrono tem.
    O final foi ainda mais belo, soltando-se a poesia nas últimas palavras. Gostei especialmente de “o tempo está aos pulos, sinto pela náusea”. E novamente surgem os pássaros, que ainda vejo como ideias na imaginação de cada leitor.
    Enfim, o conto está muito bem escrito. É longo e se arrasta porque assim tem que ser o seu tom melancólico. Não é leitura que agrade a todos,mas ninguém ousará dizer que não fez um ótimo trabalho. Boa sorte!

  30. Cleber Duarte de Lara
    14 de dezembro de 2015

    CRITICA
    O texto cansou-me, deixei e depois voltei pra ler depois um texto, não queria ser injusto. Ainda bem fiz isto, pois a releitura me deu uma visão muito mais rica do texto. Ainda assim, sinto que é texto pra poucos, e isso pode ser um elogio ou um “defeito” dependendo do propósito em mente ao escreve-lo. Um trecho inteiro mesmo me soou como uma tentativa de afugentar o leitor simples, e pareceu-me muito pedante numa primeira leitura, não sendo reabilitado totalmente na segunda:
    “Os escritores imploraram nos deixem em paz já não podemos interferir no mundo que vocês roubaram de nós todos com este monte de lixo impresso que divulga um saber não abençoado podem sim quanta bobagem combatente a ficção não muda uma realidade de imediato é claro que nós sabemos disso o problema está depois do instante está em disseminar a existência da possibilidade de um hipotético mundo melhor sem a presença do divino mas isso é inseparável do ser humano combatente não será o ficcional ou a falta dele que o fará sonhar mais ou menos

    — Ora bolas! Tu hablas… e hablas… falas palabras… Sábias falsas falas. Hablas hábil, palavrório canoro, word — aquele palavrão chique — e mais word… Silencie tudo! Palavras… O que sabem fazer é inventar mundos sem consistência tentando esconder o evidente: a única palavra autorizada é a d’Ele!”

    Sem virgula nem pontuação alguma na primeira parte, cheio de travessões, reticências e exclamações na segunda, e uma glamourização excessiva de vocábulos relativamente corriqueiros na língua inglesa e espanhola, pareceu um espasmo criativo nascido a partir de uma bebedeira e guardado protegido de qualquer possibilidade de revisão. Eu tenho algumas laudas assim, enterradas nos porões de arquivos esquecidos. Pra não ser completamente injusto, tenho que salientar que em meio a estes surtos geralmente há jóias delicadas, frases transcendentes que poderiam servir de tábua de salvação no caos do naufrágio verbarrágico. Um trecho particularmente significativo: “a ficção não muda uma realidade de imediato é claro que nós sabemos disso o problema está depois do instante está em disseminar a existência da possibilidade de um hipotético mundo melhor sem a presença do divino mas isso é inseparável do ser humano combatente não será o ficcional ou a falta dele que o fará sonhar mais ou menos”.
    O que termina por deixar o texto difícil pode ser sua aposta mais arriscada a se mostrar recompensadora no seu devido tempo. Mas aos medianos como eu, o texto parece um tanto chato e menos atrativo do que outros que possuem trama e enredo pra problematizar as coisas, ao invés de uma fabulação genérica contada do alto altar do NADA. Parece-me muito mais difícil tornar-me íntimo do etéreo, talvez a falta de meus próprios cabelos brancos faça me procurar um ferimento em um corpo mais “real” e um sangue derramado que faça mais falta que um simulacro deste composto de tinta.

    PONTOS POSITIVOS:
    Li duas vezes e na segunda fluiu bem melhor. É este tipo de texto, que te ensina a importância da ruminação, a não espantar o pássaro arisco do entendimento com precipitações.
    “Fui desenhado a bico de pena, o que me empresta certa melancolia.”
    De fato, há momentos onde se quer cortar os pulsos lendo o conto. Foi comentado que deveria ser o narrador similar ao bibliotecário computadorizado de “A maquina do tempo”, mas trata-se de um quadro comum do nomeado Patrono da Biblioteca Mundial, um quadro emoldurado com detalhes folhados a ouro e pendurado em um prego comum na parede. Trata-se de mais um entre os inúmeros fantasmas que rodam o deserto.
    É interessante que como ficção cientifica deixa a desejar, mas como fábula pessimista (possui mesmo um tom machadiano, de Brás Cubas a projetar do além do além túmulo sua desaprovação por tudo que já viveu) é perfeita a estória.
    Acho que alguns textos aqui tem sido erroneamente tomados como fracassos de verossimilhança sob a pecha de serem pouco realistas, quando a pretensão pode ter sido a de serem mesmo fábulas.
    Achei o texto em si um primor literário, independente da intenção, uma crônica distópica muito aguda.
    Boa sorte ao autor (a).

  31. Andre Luiz
    13 de dezembro de 2015

    Não posso negar que você escreve muito bem, porém não consegui gostar deste conto em sua totalidade. O tema escolhido foi de muito bom gosto, bem como a questão de o narrador(pelo que depreendi) ser o próprio livro dentro da biblioteca de Alexandria. Mas achei a narração um pouco arrastada, demorou para chegar ao clímax, quando a introdução do conto é curta e não precisa de tanto. Enfim, acho que é questão de gosto. Boa sorte!

  32. Daniel I. Dutra
    13 de dezembro de 2015

    Esse conto, além de lembrar o já citado filme “A Máquina do Tempo” de 2002, que aliás, foi o tema da minha dissertação de mestrado e virou livro (ver link), também me lembrou um conto do “Crônicas Marcianas” do Ray Bradbury que segue uma ideia mais ou menos parecida.

    Achei muito bem escrito e o final, apesar de não ser perfeito (também fiquei com uma sensação de “Tá? E daí?), casa bem com o resto da história. Para ficar mais claro, outros finais melhores poderiam ser pensados, mas este não chega a ser insatisfatório.

  33. Antonio Stegues Batista
    12 de dezembro de 2015

    Ao ler o título, achei que se tratava da biblioteca de Alexandria, da antiguidade, mas não, essa é a de uma época posterior, reconstruída e destruída por uma guerra, nuclear, suponho. Me lembrei do filme A Máquina do Tempo, de 2002, quando Alexander Hartlegen chega a 2030 e vai visitar uma biblioteca. O bibliotecário era uma imagem humana virtual. Nesse conto suponho que os personagens da estória, baseado na História, também são gerados por um computador no subsolo do prédio destruído. Conto muito bem narrado. O estilo de criar uma frase faltando palavra sem comprometer o sentido ficou legal.

  34. catarinacunha2015
    11 de dezembro de 2015

    TÍTULO data e nomeia o espaço e tempo. Se não o fizesse daria mais emoção. O FLUXO é extremamente encantador e me seduziu o estilo da narrativa envolvente. Frases exóticas com estilo único. A ponto de eu quase não perceber a ausência de TRAMA. O PERSONAGEM principal, o narrador, possui personalidade sólida e bem construída. Quanto ao FINAL, assim como a trama, me deixou com a sensação de “tá, e daí?”. Mas com esta qualidade de escrita você pode ousar, embora correndo o risco de ficar chato.

  35. Fabio Baptista
    10 de dezembro de 2015

    Li esse conto três vezes.

    Na primeira (incompleta), estava sonolento… e antes do final acabei por cair no sono, com o celular à mão.
    Na segunda, agora desperto, percebi a competência do autor, apesar de não casar 100% com meu gosto pessoal. Notei as diversas camadas do texto e concluí que não conseguiria pegar tudo de uma vez.

    Agora, na terceira, consegui assimilar melhor a beleza desse conto. Como o próprio autor esfrega na cara durante o texto: “No entanto, leem famélicos, e por isso assimilam o texto de modo equivocado, às pressas, muito apreensivos em absorver quantidades”, essa leitura não é para ser feita às pressas (nenhuma é! Mas esse tipo em especial…), tampouco com os olhos pesados pelo cansaço do dia a dia.

    Numa leitura apressada, frases de rara beleza (talvez até genialidade) podem passar batido:

    – “Assim mesmo?! Por acaso a vida são dores, é cova jamais fechada, aberta à bala?”
    – “Mas é uma desmedida a quantidade de almas que perderam o endereço do Céu e do Inferno”

    Os exemplos são inúmeros…

    – Gritei parassem com aquilo
    >>> demoro a me adaptar com esse estilo que “come” algumas palavras. Ainda vou me arriscar a escrever algo assim. Quando bem empregado (tipo aqui), fica bem legal.

    – há vários dias atrás
    >>> redundância há/atrás

    – Tostói
    >>> Faltou o L ali no meio

    – a mesma selvageria do estuprador
    >>> só uma sugestão: trocar esse “selvageria” por “sanha”.

    Para justificar a nota (que será alta, mas não máxima): o final, sem clímax ou anticlímax, não me agradou em nenhuma das leituras.

    A imagem do jornal ficou bem bacana.

    No balanço geral, muito bom. Melhor entre os (poucos, é verdade) que li até aqui, candidato ao pódio, acredito eu. Parabéns!

    Abraço!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .