EntreContos

Literatura que desafia.

Cabelos de Ferrugem (André Luiz)

campo de flores, garota

– – – – X

“Não quero adultos nem chatos.

Quero-os metade infância e outra metade velhice!

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;

e velhos, para que nunca tenham pressa.”

Oscar Wilde

 

De alguma forma, ela conseguiu respirar debaixo de toda aquela poeira misturada ao ar que entrava por seus pulmões. Seus olhos lacrimejaram enquanto uma lufada fria passou por seus cabelos assim que fechou a porta atrás de si. Era um local praticamente ermo, povoado apenas pelos velhos livros nas prateleiras que pareciam repousar eternamente à espera de algum leitor. O ruído dos passos esmagando as folhas de papel, enquanto ela caminhava, reverberava por cada uma das paredes e frestas do ambiente. Era uma sala ligeiramente grande, porém muitas das prateleiras estavam nuas, sem nada guardado além da poeira.

Helen sentiu-se entrando num cenário pós-apocalíptico, como se quase todo o mundo e tudo que estivesse nele tivesse desmoronado, e somente restara ela e sua imaginação fértil.

Pegou um dos livros jogados no chão, atraída pela capa dourada e uma armação antiga aparentemente costurada à mão. Limpou-o superficialmente e abriu-o, vislumbrando-se com a caligrafia bordada e com o cuidado na diagramação manual e rústica.

O vento nos meus cabelos e a chuva que vinha vindo eram tão bons quanto ficar lá a tarde toda olhando para o céu e vendo desenhos nas nuvens.

Senti uma mão quente encostar em meus ombros que me fez arrepiar dos pés à cabeça.

Não hesitei em parar de balançar e me virar. Era um menino, de olhos azuis da cor do mar, abrindo um sorriso para mim e os braços em busca de um abraço.

-Lindos os seus cabelos de fogo. Combinam com essa rosa, não acha?

Eu já tinha focado no cheiro da planta, nem agradeci o presente. Sempre que eu encontrava uma daquelas no meio do caminho, não importava onde fosse, eu tinha de parar para absorver aquele aroma inesquecível.

Nem percebi quando o garoto foi embora, tamanha admiração eu estava pelo seu presente. Meu coração parecia querer saltar pelo peito, e eu sentia minhas bochechas quentes e a boca seca.”

 

Helen sentiu-se imersa naquela história, tanto que não notou a incompletude do livro. Faltavam tantas páginas que a lombada do manuscrito estava desgastada, como se todas elas tivessem sido arrancadas bruscamente e de uma vez só.

Sentiu-se vazia por dentro, de certa forma que ela mesma não sabia explicar. Ansiosamente buscou pelos manuscritos, por uma continuação deles. Imaginou que estariam junto à pilha de outras centenas de páginas amareladas e empoeiradas, algumas pisoteadas e outras rasgadas; todas marcadas pela ação do tempo e de alguém que tivesse passado pela sala.

Helen então decide explorar algumas minúscias no ambiente que lhe chamaram a atenção. A janela quebrada, a cortina que balançava com a fria brisa que vinha do lado de fora e um pequeno e rústico baú de madeira eram além de apenas decoração do que um dia fora uma espécie de biblioteca, e que pareciam interligados, como se fossem partes importantes de um quebra-cabeças.

Aproximou-se do baú e delicadamente passou os dedos pela fechadura, tateando as irregularidades da madeira e do metal enferrujado. Pôs ambas as mãos sobre a tampa e fez força para abrir.

Um estalo e um rangido precederam uma onda de poeira que Helen respirou e quase ficou sem ar, imersa no cheiro de velhice que impregnou suas roupas e seus cabelos. Assim que a poeira baixou, pôde perceber o valioso conteúdo que aquela arca guardava. Centenas, talvez milhares de fotografias e retratos em tons de sépia, preto e branco, e uma pequena quantidade deles coloridos.

Helen abaixou-se e encheu as mãos em concha com um punhado de fotos, e despejou-os em cima de algumas velhas páginas numa mesinha ao lado de uma poltrona listrada. A fina camada de poeira parecia tomar conta de tudo por ali. Ela pegou algumas das fotografias e retirou o pó acumulado com um sopro.

Subitamente, um cheiro de rosas invadiu o ambiente.

Em uma das pequenas imagens Polaroid, uma garotinha brincando em meio a um jardim repleto de flores. Apesar do tom preto e branco da fotografia e da ação do tempo, Helen pôde identificar, pela diferença na iluminação e nos contrastes, os cabelos claros da garota, imaginou-a balançando para frente e para trás, com as madeixas esvoaçantes na leve brisa do fim de tarde veraneio.

Noutra fotografia, em tom de sépia, um rosto estava desfocado, pelo que lembrava manchas de lágrimas que caíram sobre o papel fotográfico. Era um homem, de calças boca-de-sino listradas, e corpo quase esquelético, a julgar pela cintura estreita e o dorso retilíneo. Pôde jurar que reconhecia aquele cenário onde o homem estava, sozinho, à frente de uma cômoda antiga de mogno e um espelho afixado, uma penteadeira. Em cima do móvel, uma boneca de porcelana, de olhar triste e sombrio, ressaltando a melancolia que invadia lentamente os pensamentos de Helen.

A brisa tornou-se constante e mais presente, balançando as cortinas e levantando poeira. O olhar triste da mulher desviou-se das fotos para o horizonte perdido por detrás dos panos, e ela dirigiu-se à janela, atraída pelo frescor do aroma de rosas que insistia em entupir suas narinas.

A enxaqueca parecia querer invadir sua mente e controlá-la por completo, brotando entre seus pensamentos como uma erva daninha que cresce em um jardim.

O sol que iluminava o ambiente tornou-se soberano assim que Helen abriu as cortinas, ofuscando-a. Lentamente suas pupilas se contraíram e revelaram uma garota a passear por um roseiral avermelhado, com caminhos por entre os campos de flores e um garoto a observá-la.

Novamente os cabelos vermelhos balançando ao vento.

Algumas nuvens bloquearam os raios solares e trovões ribombaram ao longe. Raios cortaram o céu anunciando uma tempestade violenta por vir. Helen quis alertar o menino e a garotinha sobre o perigo da exposição em campo aberto, porém não conseguiu emitir som algum.

O barulho da tempestade tornava-se cada vez mais presente, e a brisa leve e suave tornou-se uma poderosa ventania que balançava as flores e ondulava todo o roseiral. Helen não desistiu de tentar alertá-los, porém a menina não se cansava de correr por entre as estradinhas, e o menino persistia parado, segurando o chapéu de palha, com um sorriso discreto no rosto, observando o lacinho azul preso em uma das mechas ruivas, prestes a se soltar.

Um clarão percorreu o céu, desabando em direção à terra, sucedido por um trovão ensurdecedor. Helen foi atingida pela onda de energia, e caiu de costas no chão, batendo com a cabeça e vendo o mundo ao seu redor pintar-se de negro.

 

Sentiu os pulsos cardíacos aumentarem paulatinamente, reverberando por seu interior como se nada mais houvesse ali além de um vermelho e velho coração. O cheiro de rosas desapareceu, e a enxaqueca pareceu tê-la abandonado por algum tempo. Tentou abrir os olhos, porém sentiu as pálpebras unidas como mãe e filha, inseparáveis. Tentou novamente, mas sentiu que a cada tentativa elas se tornavam mais juntas.

Chegou um momento que ela simplesmente parou de tentar.

Lentamente as batidas de seu coração foram se estabilizando, reduzindo o ritmo, tornando-se marcadas e cada vez mais pausadas.

Seus pensamentos flutuaram e misturaram realidade à imaginação, até não serem mais separáveis um do outro. Então, ela voltou à biblioteca destruída.

 

Abriu os olhos, levantou-se, ainda tonta, e percebeu que a tempestade havia passado. Do lado de fora da janela, a garota estava abraçada ao garoto; ele lhe entregava uma rosa com carinho. Helen pôde notar o rosto rubro da garota, quase da cor enferrujada de seus cabelos. Ambos viraram-se e fixaram sus olhares ao dela, convidativos.

A garota estendeu-lhe a mão e subitamente Helen estava do lado de fora, entre as flores, rodeada por elas até a linha do horizonte. Em meio a tentativas falhas de enxergar o local onde estava antes, perdeu-se no meio daquele mundo de rosas. O garoto aproximou-se dela, com o mesmo sorriso discreto no rosto e olhos azuis como águas-marinhas raríssimas, dizendo, com uma voz reconfortante:

-Aqui não há dor nem sofrimento. Apenas o perfume das rosas.

Helen sorriu, esquecendo-se das rugas e dos cabelos brancos, das dores nas costas e na cabeça. Sentiu-se rejuvenecida como uma garotinha, com vontade de correr para todo o sempre por aqueles campos avermelhados.

O garoto ficou a observá-la, o olhar perdido por debaixo do chapéu de palha. Então, ela começou a passear por entre os campos de rosas e nunca mais se esqueceu do perfume que invadia tudo.

Estava absurdamente feliz.

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32 comentários em “Cabelos de Ferrugem (André Luiz)

  1. André Lima dos Santos
    3 de janeiro de 2016

    O conto tem alguns erros de português. É sempre importante revisar antes de enviar o texto.
    A trama não me prendeu. Achei as questões emocionais meio desconexas. Tem algumas passagens bonitas, mas nada que tenha me emocionado.
    Mas é evidente a habilidade de escrita do autor.

    Boa sorte no desafio!

  2. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    Sem dúvidas bonito, mas não enxerguei uma trama que pudesse acompanhar e buscar sentimentos. Percebi um misto de realidade e fantasia com a biblioteca como pilar entre as duas realidades. No entanto, a personagem Helen, não se mostrou interessante o bastante para valer a pena acompanhá-la. A escrita é muito boa.

  3. vitormcleite
    2 de janeiro de 2016

    pareceu-me que faltou drama ou algo que nos faça saltar, a história é muito bem contada, mas falta algo que nos estremeça, percebes? As folhas arrancadas quase tiveram essa força, mas não chegou… no entanto desejo-te as maiores felicidades

  4. Cleber Duarte de Lara
    2 de janeiro de 2016

    Síntese Crítico-construtiva
    “A janela quebrada, a cortina que balançava com a fria brisa que vinha do lado de fora e um pequeno e rústico baú de madeira eram além de apenas decoração do que um dia fora uma espécie de biblioteca, e que pareciam interligados, como se fossem partes importantes de um quebra-cabeças.” Cito este trecho como um exemplo em que o autor “comeu” algumas palavras e deu um nó na leitura. Com escrita sem dúvida belíssima, com imagens muito luminosas e criativas mesmo, como um conto deixa a desejar por não ser linear, nem sugerir nenhuma trama acontecendo. Creio que a pressa pode ter sido decisivo na falta de uma maior ligação temporal ou construção de enredo, como experiencia o conto em si permanece agradável, e extremamente poético.

  5. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    Gostei da epígrafe de Oscar Wilde, um autor de poemas quase desconhecidos, com exceção de “To My Wife”. Sua escrita é habilidosa e o enredo parece circular, mais uma vez, ao estilo de “Algum lugar do Passado”. Aqui a Biblioteca parece ter sido substituída por um buraco de minhoca, um “interestelar” com um toque de “os outros”. Um conto bem surreal, que deve sser lido com cuidado e imaginação.

  6. Thiago Lee
    2 de janeiro de 2016

    Concordo com o que alguns leitores disseram abaixo: o conto foi abstyrato demais para mim, pessoalmente. Consegui me deleitar com a escrita belíssima do autor(a), mas não houve nada mais que me atraísse no conto.
    De qualquer maneira, fica evidente o domínio do autor(a) na arte da escrita.
    Boa sorte!

  7. Lucas Rezende
    2 de janeiro de 2016

    Muito bonito, confesso que fiquei meio perdido no sentido e na trama em geral. O talento é inegável, mas acho que o texto poderia ser um pouco mais claro, na minha opinião de ser com intelecto inferior.
    O texto é bem prazeroso de ler com lindas construções.
    Boa sorte!

  8. Bia Machado
    2 de janeiro de 2016

    Um conto bonito, que usa construções melancólicas, românticas, doces, suaves… E apesar dessa suavidade, é bem forte nos significados. Gostei das imagens que o conto criou pra mim. No final, entendi o sentido real disso tudo. Quanto a inadequações, não me atrapalharam, a não ser algumas repetições demais em um parágrafo, mas o que quer que haja, já devem ter apontado. Gostei, parabéns.

  9. G. S. Willy
    1 de janeiro de 2016

    O conto trás alguns problemas que o fazem perder a força. Em nenhum momento estabeleceu-se que Helen era uma pessoa idosa, apenas no último parágrafo. Entendi que ela morreu ao final, na biblioteca, e que suas visões eram do paraíso, ou algo assim. Porém achei muita coincidência ela pegar justamente aquele livro, naquele trecho, e abri o baú, e entre tantas fotos ver a mesma coisa. Enfim, ficou tudo muito superficial, embora a tentativa do(a) autor(a) em criar um clima melancólico seja louvável.

    A história em sia ficou confusa, com mudanças de tempo verbal aqui e ali e de pontos de vista. Não posso dizer que entendi completamente o texto, justamente por esses problemas. Talvez com alguma revisão, repensando alguns aspectos da narrativa torne o conto uma obra a ser lida e relida.

  10. Antonio Stegues Batista
    30 de dezembro de 2015

    As frases estão correta, porém algumas palavras não combinam, uma diferente com o mesmo sentido, revelaria a beleza real da frase. É difícil criar uma mulher como protagonista de um conto , sendo homem o autor. O homem pensa como homem, não tem a sensibilidade feminina. Por isso, a protagonista dessa estoria não expôs seus reais sentimentos, o que eu li foi descrições de objetos criando uma atmosfera melancólica.

  11. Davenir Viganon
    30 de dezembro de 2015

    Eu achei tudo muito bonito, mas não consegui captar muita coisa para além da estética. Não o tipo de uma leitura que faz minha cabeça, confesso.

  12. Daniel Reis
    29 de dezembro de 2015

    Boa narrativa, demonstrando domínio da técnica. Sinceramente, não consegui me ligar na história, achei um tanto etérea e sinestésica, mas isso não desmerece o trabalho. Uma coisinha ou outra para revisão, como “minúscias”, que não comprometem o todo. Não foi o meu texto preferido, mas tem méritos inegáveis. Boa sorte!

  13. Fil Felix
    29 de dezembro de 2015

    Eu estava mais para os campos avermelhados de papoulas da Dorothy, viajei e viajei, mas não cheguei à lugar nenhum. O conto traz belíssimas imagens, gosto da situação presente/ passado, a escrita também é ótima, mas não consegui me conectar à história. Uma falha aqui do leitor, mas que não desmerece o conto.

  14. JULIANA CALAFANGE
    28 de dezembro de 2015

    Sinceramente, achei muito descritivo e um pouco cansativo, por isso mesmo. A história é singela, a mensagem é bela, mas e de difícil compreensão. Talvez se atendo menos a descrições e focando nas informações relevantes para a trama, ficasse mais fácil. Também senti falta de saber quem era afinal de contas essa protagonista Helen, q idade tinha, qual a história dela. Também fiquei confusa com a frase do 3o parágrafo: “Limpou-o superficialmente e abriu-o, vislumbrando-se com a caligrafia bordada e com o cuidado na diagramação manual e rústica.” Não entendi o verbo vislumbrar nessa frase. Será q vc quis dizer ‘deslumbrando-se’ ou estava falando de alguma lembrança do passado de Helen? Boa sorte!

  15. Leonardo Jardim
    28 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): é bastante interessante, fiquei totalmente preso tentando entender o que se passava. No fim, fiquei com a impressão de estarem todos mortos, mas senti falta de mais informações sobre Helen e a biblioteca. Quem era ela? O que ela foi fazer na biblioteca? O que era a biblioteca? O que aconteceu com ela? Ainda não li os demais comentários e posso ter perdido alguma coisa, mas fiquei com esses lapsos ao final do texto. É uma história muito bonita, mas acho que revelar um pouco mais em poucas linhas não faria mal nenhum.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, com narração bastaste fluida, mesmo utilizando-se de uma prosa quase poética. Como já disse, minha imersão foi completa. Só peguei um verbo que escapou para a presente (abaixo) e se teve outra coisa, deixei passar por estar preso à narrativa.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca foi descrita como na foto.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): achei a proposta de entrar na história, da forma como foi feita, muito criativa, assim como a biblioteca quase metafórica.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei muito do texto mas fiquei um pouco confuso com as pontas soltas deixadas, como já disse acima.

    💬 Trecho de destaque: “Tentou abrir os olhos, porém sentiu as pálpebras unidas como mãe e filha, inseparáveis.”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ Helen então *decide* (decidiu) explorar algumas

  16. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Seu conto é de uma delicadeza incrível, fazendo com que o leitor adentre na história de tal forma que deu para sentir as emoções de Helen à flor da pele. Ao que tudo indica, ela estava recordando situações de seu passado, em um ambiente destruído e repleto de poeira. Segundo alguns comentários aqui embaixo depreendi que a biblioteca poderia mesmo ser a própria mente de Helen, destruída por causa de lembranças que se perderam no tempo ou algo assim. O garoto de olhos azuis claramente é uma paixão de infância, inicialmente platônica, evidenciado pela passagem “Meu coração parecia querer saltar pelo peito, e eu sentia minhas bochechas quentes e a boca seca.”, o que entendi como sendo uma sensação de alguém apaixonado. Boa sorte no desafio!

  17. Catarina Cunha
    24 de dezembro de 2015

    O TÍTULO reforça as cores dominantes do conto. A delicadeza do FLUXO faz da TRAMA singular uma viagem entre o passado e o presente mantendo a PERSONAGEM integra, como você entregou com ao citar Oscar Wilde desnecessariamente. FINAL fechou com uma frase estática e completíssima.

  18. Neusa Maria Fontolan
    19 de dezembro de 2015

    Um conto lindo, fácil de ler. No começo Helen ficou confusa, mas aceitou e se foi de uma forma muito bonita. Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. Anorkinda Neide
    18 de dezembro de 2015

    Olha, eu pensei no Pequeno princípe, sendo o garoto que distribuía rosas… não sei…
    Mas achei lindinha a história vi como sendo os momentos finais da senhorinha que um dia foi a menininha de cabelos vermelhos… ahh quero ter um fim assim, bem lúdico 🙂
    Parabéns pela meiguice do texto.
    Abraço

  20. Simoni Dário
    17 de dezembro de 2015

    O texto é belo, porém foi de difícil compreensão, ao menos pra mim. Li umas 4 vezes pelo menos até tentar pegar a ideia do enredo e acho que ainda não peguei bem. Entendi que a morte está presente, e várias fases da vida da protagonista são lembradas próximas a passagem?? Não sei bem, mas a beleza está ali, em cada linha, e isso percebe-se logo de início, independente do entendimento ou não do enredo. Bom conto.
    Bom desafio!

  21. Phillip Klem
    17 de dezembro de 2015

    Seu conto é muito interessante.
    Gostei bastante da sua escrita e da sua construção de cenários.
    Você escreve de maneira leve, fácil de ler. Usa floreios, mas sem exagerar, o que é bom.
    Seus cenários são amplos, atemporais, quase etéreos.
    Mesmo a biblioteca pareceu-me bem maior que a mostrada na imagem tema do desafio.
    Sua personagem principal é um pouco rasa. Não consegui me conectar com ela e conhecê-la, mesmo que um pouquinho. Apenas bem no final fiquei sabendo que ela era um pouco mais idosa do que eu havia imaginado.
    Senti também falta de um sentido na história. Não que seja obrigatório, é claro. É mais uma questão pessoal. Gosto de histórias com um sentido.
    Enfim. Um bom conto, muito bom de se ler, graças à sua escrita primorosa.
    Meus parabéns e boa sorte.

  22. Fabio Baptista
    17 de dezembro de 2015

    Eu queria gostar desse conto, pois está muito bem escrito, mas não consegui me conectar.
    Dificilmente um conto me segura somente pela escrita… eu também preciso me ligar à trama e aqui não aconteceu.

    Não que não exista uma trama ou ela seja incompreensível (pelo menos a intelectos mais limitados como o meu) como infelizmente ocorreu num dos contos do certame. Mas tudo o que acontece me pareceu apenas uma boa desculpa para o(a) autor(a) pintar quadros na imaginação do leitor. Quadros que, apesar de belos, não seguraram minha atenção por muito tempo.

    – uma mão
    >>> cacofonia

    – Helen então decide explorar
    >>> até então o texto vinha no passado

    – garota/garoto/garotinha
    >>> Nos últimos parágrafos houve repetição excessiva

    Bem escrito, mas faltou algo para prender a curiosidade.

    Abraço!

  23. Gustavo Castro Araujo
    16 de dezembro de 2015

    A escrita casa muito bem com a proposta. Pretende o autor retratar o onírico, o mágico, o impossível e para tanto utiliza muito bem a prosa poética. A chegada de Helen à biblioteca mantém os pés no chão, mas a partir do momento em que ela encontra as fotografias passa-se à fantasia. Não fica bem claro – intenção do autor, lógico – se as imagens que se formam na mente da protagonista são, de fato, lembranças suas. Achei excelente manter essa porta aberta, pois o contrário significaria entregar tudo de bandeja. Claro que dá para suspeitar, mas entre a suspeita e a confirmação há um abismo enorme, por maior que sejam as evidências.

    O momento em que Helen tomba por conta da tempestade se mostra, por um lado, um tanto exagerado; mas, por outro representa bem essa ruptura com a realidade, o mergulho no mundo dos sonhos e, provavelmente, de sua morte. A meu ver é disso exatamente que o conto trata – e com muita delicadeza: da passagem à situação que todos nós um dia experimentaremos.
    Contudo, apesar do desenvolvimento cativante, há pontos a melhorar. Sei que posso parecer um tanto antipático, mas para um conto destes é indispensável mostrar os defeitos.

    Algumas frases poderiam ser melhor construídas. Tome-se como exemplo:
    “O vento nos meus cabelos e a chuva que vinha vindo eram tão bons quanto”
    Esse ‘vinha vindo’ não ficou legal. “A chuva que vinha” bastaria para deixar a ideia clara.

    Outra: “abrindo um sorriso para mim e os braços em busca de um abraço.”
    Braços e abraço na mesma frase, pertinho um do outro… Se fosse um poema, ficaria ótimo. Mas nesta frase creio que o melhor seria “as mãos em busca de um abraço”.

    “Minúscias” é na verdade “minúcias”.

    No parágrafo “Helen então decide explorar algumas minúscias no ambiente que lhe chamaram a atenção. A janela quebrada, a cortina que balançava com a fria brisa que vinha do lado de fora e um pequeno e rústico baú de madeira eram além de apenas decoração do que um dia fora uma espécie de biblioteca, e que pareciam interligados, como se fossem partes importantes de um quebra-cabeças.” há um erro de paralelismo verbal; o melhor seria mudar para “Helen decidiu explorar…”

    A Frase “O sol que iluminava o ambiente tornou-se soberano assim que Helen abriu as cortinas, ofuscando-a.” ficou meio estranha. Quem ou o quê o sol ofuscou? Talvez ficasse melhor: “O sol tornou-se soberano assim que Helen abriu as cortinas, cegando-a por um instante.”

    “Tentou abrir os olhos, porém sentiu as pálpebras unidas como mãe e filha, inseparáveis.” Por favor, não mexa nesta frase. É a mais bonita do texto.

    Na frase “Seus pensamentos flutuaram e misturaram realidade à imaginação,” também há um erro de paralelismo. Ou você utiliza “Seus pensamentos flutuaram e misturaram realidade e imaginação”, ou “Seus pensamentos flutuaram e misturaram a realidade à imaginação”.

    Enfim, apesar dos apontamentos pouco simpáticos logo acima, quero dizer que no geral o conto me agradou bastante, conforme falei no início. Foi uma ótima leitura. Parabéns!

  24. Claudia Roberta Angst
    16 de dezembro de 2015

    Engraçado, mas assim que li “cheiro de rosas” pensei em morte, em velório. Acho que era algo que os antigos diziam, que ao sentir cheiro de rosas sem ter flores por perto era indício de morte. Não sei, mas aqui no conto tudo se encaixou. Assim como as velhas fotos que traziam lembranças quase apagadas de uma meninice feliz.
    O conto desenvolve-se em prosa poética, com lindas imagens e mais contemplação do que ação.
    A biblioteca seria uma mistura de sonho, de abrigo de lembranças, as memórias de toda uma vida.
    Interpretei o final como a morte da protagonista e depois sua passagem para o que seria o seu paraíso, onde não há dor nem sofrimento, somente o perfume das rosas.
    Boa sorte!

  25. Piscies
    14 de dezembro de 2015

    Belíssimo!

    A metáfora aqui é sublime. Uma passagem. O fim de uma história. O “depois” que todos sonham… que todos esperam… e uma biblioteca estar no centro de isso tudo é uma ideia sensacional. Cada vez que penso neste conto, fico mais admirado. Uma biblioteca com histórias infinitas, muitas acabadas antes de terminar. Poético.

    Existe tanto significado aqui que fiquei até um pouco confuso: mas foi uma confusão boa, daquelas que te fazem refletir. Por vezes, vi a mulher como a garota ruiva, lendo sobre sua própria história cuja inocência teve um fim abrupto. A cor dos cabelos aqui denota o tempo: os cabelos vermelhos e vivos da criança e os cabelos grisalhos da mulher. O aroma tem o tom de memória. Por vezes, sinto ter entendido uma ou outra coisa de forma diferente do que o autor quis dizer mas, em parte, gosto deste tipo de conto.

    Parabéns!!!

    Notei uma ou duas falhas muito pequenas na escrita mas até esqueci, de tão bobas que eram. Li o conto duas vezes, pura e simplesmente por querer experimentar tudo de novo. Novamente, parabéns!

  26. Rogério Germani
    13 de dezembro de 2015

    Olá, Guimarães Rosa!

    Pelo visto, o autor(a) é fã de love story!
    Seu conto lembrou a narrativa da Rose, do filme Titanic, com direito aos olhos azuis e tudo…rsrs
    Sua escrita é elegante, com belas passagens. Destaco esta:

    “Tentou abrir os olhos, porém sentiu as pálpebras unidas como mãe e filha, inseparáveis.”

    A imagem da biblioteca destruída e, principalmente, o motivo dela assim estar ficou bem retratado nas memórias de Helen.

    Boa sorte!

  27. Leandro B.
    12 de dezembro de 2015

    Oi, Guimarães.
    Eu gostei do conto, embora não tenha certeza de tudo o que aconteceu.

    Até chegar ao final, imaginava que a personagem era uma menina que estava viajando no meio da biblioteca devastada. No meio disso tudo, o conto parecia se direcionar para um quebra-cabeça. “O conto trata de uma criança viajando na fantasia da literatura”, imaginei.

    Ao final do texto, contudo, me pareceu que uma idosa estava perdida na mesma biblioteca e, pior, nas lembranças… a foto que ela reconheceu, a melancolia que lhe invadia, o persistente cheiro das flores, o casal la fora (outra alusão a sua infância?)… e essa reviravolta tornou a coisa um pouco mais… melancólica, talvez até um pouco macabra para mim (o que é estranho, pois reconheço a beleza do conto, especialmente na luta da personagem para se reencontrar). Também deu mais profundidade à história.

    Claro que a leitura pode estar completamente equivocada. É até provável rs

    gostei muito da escrita. Achei leve, poética e sem exageros. Só não gostei de uma parte, logo no início:
    “Helen sentiu-se entrando num cenário pós-apocalíptico”.

    Particularmente, não gosto quando um sentimento ou uma cena é descrita fazendo referência a algo já categorizado no cinema ou na literatura. Na maior parte das vezes, parece um atalho para o que o autor quer demonstrar… acho que pode ser mais exagero da minha parte, mas realmente me incomoda.

    Enfim, o conto apresenta qualidade e segurança de gente que já escreve há bastante tempo.

    Parabéns pela história

  28. Jowilton Amaral da Costa
    10 de dezembro de 2015

    Um bonito conto, e muito bem escrito. A narrativa é fluida e poética, ao meu ver. O ar melancólico se estende por todo o texto. No início imaginei que a Helen fosse uma criança, mas, depois de sua morte, que foi mostrada de uma forma interessante, percebi que não era. Boa sorte.

  29. Evie Dutra
    10 de dezembro de 2015

    Achei o conto bem interessante… Gostei principalmente da sua escrita. Foi bem leve e bem conduzida. Confesso que me perdi um pouco no final.. fiquei confusa quanto a identidade dos personagens.. afinal, quem é a menina ruiva? E quanto ao menino de olhos azuis? Peço desculpas mas, não consegui captar.
    Alguns trechos me fazem interpretar o conto como algo relacionado à morte, como no trecho em que Helen não consegue abrir os olhos, o término da tempestade e, alguns parágrafos depois, a fala do menino : “Aqui não há dor nem sofrimento. Apenas o perfume das rosas.” Mas, quando cheguei no final do conto, não me senti esclarecida.
    Enfim… achei que foi um bom conto. Me manteve curiosa até ao final. E a sua escrita realmente me cativou :). Parabéns.

  30. Eduardo Selga
    9 de dezembro de 2015

    Uma das qualidades que reputo fundamental em um conto é a polissemia, ou seja, a pluralidade de significados de um mesmo enunciado. A presente narrativa apresenta essa característica, ao desenvolver-se em uma ambientação meio onírica, meio mágica. Um dos recursos de que o(a) autor(a) lança mão é uma arquitetura textual um tanto sinestésica, mesclando sensações olfativas, visuais e táteis. Não falo do uso estrito da sinestesia enquanto figura de linguagem, e sim do uso de imagens que demandam as citadas sensações. Para exemplificar o que tento dizer, reproduzo abaixo o seguinte trecho:

    “Helen abaixou-se e encheu as mãos em concha com um punhado de fotos, e despejou-os em cima de algumas velhas páginas numa mesinha ao lado de uma poltrona listrada. A fina camada de poeira parecia tomar conta de tudo por ali. Ela pegou algumas das fotografias e retirou o pó acumulado com um sopro”.

    As expressões “encheu as mãos em concha” e “despejou-os” podem sugerir uma substância líquida, não obstante tratar-se de fotos. Logo a seguir, temos pó e poeira. Em um mesmo parágrafo, em uma mesma ação, o metaforicamente líquido e o explicitamente sólido nem tão sólido assim que se manifesta pelo tato e visão.

    Na natureza, o líquido e o sólido, em proporções adequadas, formam uma substância intermediária, argilosa e fértil. como fértil é esse conto, aliás. Todo ele parece uma grande alegoria da morte, tido pelo senso comum como oposto à fertilidade. Será mesmo?

    A entrada da mulher na biblioteca sugere a escuridão e o isolamento de uma sepultura, ou o suposto caminho que os espíritos percorrem após a morte. Mas não é uma impressão que chegue ao leitor facilmente na primeira leitura: é no contexto, após o término da narrativa, que é possível enxergar melhor essa alegoria. Nesse sentido, o cheiro de rosas adquire dupla possibilidade de interpretação, ambas válidas: são as flores que acompanham a morte no cemitério; são as flores do jardim do Éden. E aqui encontramos outro ponto interessante do conto: a utilização do elemento mitológico, na medida em que o entendimento de que existe um paraíso possível post mortem faz parte da mitologia e da narrativa cristãs. Não uso mito aqui, portanto, no sentido de mentira, de embuste, e sim de narrativa.

    Voltando à ideia do amálgama água-terra, em determinada parte do conto parece haver uma mescla de duas personagens: a mulher e a menina. Até esse ponto, Helen é predominante; após ele, nem tanto. Eis o trecho:

    “Um clarão percorreu o céu, desabando em direção à terra, sucedido por um trovão ensurdecedor. Helen foi atingida pela onda de energia, e caiu de costas no chão, batendo com a cabeça e vendo o mundo ao seu redor pintar-se de negro”.

    Helen observava as crianças pela janela, com receio de elas serem atingida pela tempestade. O raio cai no roseiral após a menina se distanciar bastante do menino. “Helen foi atingida pela onda de energia, e caiu de costas no chão”, sugerindo o desfalecimento. De quem? Será mesmo da mulher Helen? Não será possível entender que a menina observada a partir da janela é atingida pelo raio e que essa menina é na verdade a infância de Helen? Sob essa interpretação, encontramos outro mito: o que sustenta que o espírito após a morte revisita seu passado

    Essa segunda possibilidade de interpretação é reforçada na porção final do conto. O garoto, que anteriormente ficara parado observando a menina se afastar, faz o mesmo em relação a Helen:

    “O garoto ficou a observá-la, o olhar perdido por debaixo do chapéu de palha. Então, ela começou a passear por entre os campos de rosas e nunca mais se esqueceu do perfume que invadia tudo”. A menina e a mulher são, pois, uma mesma personagem. Um amálgama. Argila. Material do que, diz a mitologia cristã, o homem foi criado. Ou seja, tudo se interliga nesta narrativa, e isso ocorre porque o(a) autor(a) domina perfeitamente a camada simbólica da palavra.

  31. Daniel I. Dutra
    9 de dezembro de 2015

    Vou confessar que estou tendo uma certa dificuldade de avaliar alguns contos porque alguns autores optaram por um caminho mais de prosa poética do que conto, ou seja, o “plot” é minimalista, e todo o esforço vai na estilística mesmo.

    Se fosse um concurso de prosa poética, não haveria problema. Mas como a proposta é escrever um conto, senti uma falta de uma contextualização melhor. O leitor é jogado na história sem maiores explicações. Não que isso seja um defeito, apenas, na minha opinião, é mais adequado para uma prosa poética.

    Mas no geral gostei. Minha única crítica é quanto a escolha do nome da personagem. Porque “Helen” no lugar de Helena? Não compreendo essa mania de usar nomes americanizados.

  32. Brian Oliveira Lancaster
    9 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Contexto interessante. O cenário é bem presente (lembrou-me História Sem Fim) e quase salta aos olhos toda a construção. O ritmo de (quase) conto de fadas cativa, além dos elementos ‘vintage’. A curiosidade de alguém por um lugar abandonado, cheio de histórias, nos aproxima da personagem descrita.
    U: Notei apenas um “sus” em vez de “seus”. A escrita é leve, sem grandes floreios, mas competente na transmissão de ideias e fatos.
    L: Achei a troca de pontos de vista um tanto confusa. Foi possível entender que a menina se perdeu “dentro” dos livros e imagens, mas isso não foi feito de forma muito suave.
    A: A imagem está aí, em essência e de forma física, ponto algo, mesmo que no final a biblioteca volte a ficar vazia, pelo que entendi. Afinal, a protagonista foi transportada para outro mundo.

E Então? O que achou?

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .