EntreContos

Literatura que desafia.

Kuru (Jowilton Amaral)

kuru

Quando Camila invadiu pela primeira vez a casa abandonada e descobriu a biblioteca em ruínas, ela teve a impressão de estar caminhando por dentro da cabeça de seu avô, um lugar cheio de sabedoria esquecida, assim como a mente em degeneração de seu querido velhinho. Foi essa a descrição que ela me deu da sensação que sentiu ao descobrir meu esconderijo.

Nos conhecemos há setenta anos. A linda menina de olhos de esmeralda e cabelos cor de azeviche, criada pelos avós, após a morte dos pais, faleceu a poucos dias. Posso afirma-lhes que a minha alma também se foi, junto com a dela, embora eu ainda esteja vivo. Penso mesmo que eu estou sem alma desde que a conheci. Ela era dona de tudo que me pertencia.

O tio Jair, era assim que eu o chamava, já me parecia bem velho há sete décadas atrás. No entanto, ele tinha cinquenta anos quando assumiu os cuidados de sua neta. Aos sessenta começou a manifestar os primeiros sinais de esquecimento, que logo foram diagnosticados como sintomas de Alzheimer.

A primeira vez que ele, tio Jair, levou Camila a minha casa, ela tinha nove anos de idade e eu oito. O avô da menina era motorista do meu pai, trabalhava para a família desde os seus dezoito anos. Os olhos esverdeados da garotinha de cabelos pretos lisos e de sorriso intrigante, de quem está zombando da gente, foram minha perdição. Camila era tão bonita que sua presença fazia meu peito doer. Doer de um vazio estranho e um frio inexplicável, que começava no abdômen e terminava na garganta, criando uma espécie de inchaço na goela que não deixavam as palavras escaparem da minha boca. Ao seu lado eu não conseguia me manifestar, não ao meu favor, eu só a admirava e concordava, como uma vaquinha de presépio, balançando a cabeça em eterna confirmação. Ela descobriu seu poder sobre mim imediatamente e sempre o usava em momentos convenientes a ela.

— Guto, aquele menino não quer devolver minha boneca. — Ela falava com um jeitinho irresistível. E lá ia eu atrás do garoto, ou garotos, as vezes maiores do que eu, reivindicar o brinquedo, o doce, o livro, os beijos roubados. Invariavelmente eu me dava muito mal. Nunca fui de briga ou de confusões, fui um menino esperto, inteligente, que gostava de brincar e praticar jogos esportivos, no entanto, o que realmente me confortava era a leitura. Ler e descobrir mundos me completava, preenchia o vazio da indiferença de Camila por meus sentimentos. Por conta disso, eu fugia para a biblioteca da casa abandonada que meu pai comprara para reformar, que ficava no terreno ao lado da minha residência.

Numa destas fugas, Camila me seguiu. E depois da sua descoberta começamos a frequentar o lugar juntos, todos os dias, durante quase três anos. A biblioteca foi o último cômodo a ser restaurado durante a obra. A meu pedido, muitas coisas originais não foram mudadas, como o posicionamento dos móveis, o piso, alguns tapetes, a disposição das estantes com livros. E o mais importante, a poltrona verde oliva, que eu tanto estimava, não foi jogada fora, sequer foi retirada de onde estava. Seu couro foi trocado por outro novinho, da mesma cor original, e o serviço fora feito em um dia, lá mesmo, no hall da livraria, sob a minha ferrenha fiscalização. Esquisitices de menino rico, assim disseram.

Mesmo dividindo meu lugar secreto e mágico com minha amiga, ela nunca soube do labirinto de galerias que corria por debaixo do chão da construção desprezada.

O prédio de arquitetura oitocentista fora a sede de uma empresa governamental durante os primeiros anos do século vinte. Havia sido desocupada a vinte anos. A empresa havia sido privatizada e a sede mudara para outro ponto da cidade. Apenas documentos importantes foram retirados de dentro do imóvel. O casarão ficou mobiliado e com a biblioteca recheada de todos os tipos de livros durante todos aqueles anos. Hoje ele ainda existe, no mesmíssimo lugar, toda reformada e aos meus cuidados. Foi lá, no período em que nossos dedos corriam pelas fileiras de livros a procura de mistérios, amores, fantasia, medos, a serem desbravados através das letras, que eu a beijei pela primeira vez, na seção C, sob os olhos de toda a família Arcádio Buendía.

— O que você fez, Guto? Nunca mais repita isto, ouviu bem!? — Ela disse num misto de indignação e divertimento.

O que mais me confundia e atraia em Camila era exatamente sua dubiedade. Eu nunca sabia se ela estava com raiva ou gostando das minhas atitudes. Na realidade, ela brincava comigo e com meus sentimentos de uma forma bastante cruel e parecia sentir um prazer imenso com isso.

Nunca nos relacionamos seriamente. Mesmo com minhas insistentes e apaixonadas tentativas de convencê-la a namorar comigo, sobretudo na adolescência, Camila nunca me olhou como alguém digno do seu amor. Aliás, em todos estes anos de convivência só conheci duas pessoas que tiveram o privilégio de se sentirem verdadeiramente amados por minha amiga: O tio Jair e o Pedro. O avô e o primeiro namorado, respectivamente. Ambos mortos, há muito tempo.

Todos os abraços mais apertados, os sorrisos sinceros e os beijos com amor foram reservados a estas duas pessoas. Eu não conseguia me controlar quando via Camila sorrindo tão sinceramente quando estava ao lado de seu avô. Sei que parece doentio, talvez fosse realmente, o certo é que a sua felicidade e regozijo na presença daquele velho deixava-me furioso. Depois veio o Pedro, e tudo piorou.

Não sei até o hoje se eu amava aquela menina ou o que eu sentia era patológico. Nunca senti nada parecido por qualquer outra pessoa, por isso, não tenho modelos de comparação. Meus sentimentos pelos outros indivíduos de minhas relações, aí incluídos meus familiares mais próximos, pai, mãe, irmãos, era como uma garoazinha de sentimentos se confrontados com a tempestade de emoções que me envolvia quando o assunto era a neta do meu motorista. Se o amor é uma febre que deixa o corpo mole e faz ossos doerem, então sim, eu amei a Camila.

Não só de mim Camila ganhou carinho especial, meus pais ficaram encantados com a bonequinha. Numa família basicamente feminina, eu, meu pai e meus dois irmãos, a presença feminina trazia leveza e frescor a casa. Minha mãe praticamente a adotou também. Estudamos no mesmo colégio e na mesma turma até o fim do ensino médio.

Meus ciúmes com o pai/avô de Camila haviam diminuídos após o agravamento da doença no cérebro. Ele já não reconhecia ninguém e meu pai o internou na melhor casa de saúde da cidade. Camila passava as tardes por lá e eu aproveitava sua ausência para visitar a biblioteca, que nesta época nada parecia com a devastação de outrora. Tudo corria razoavelmente bem em nossa relação. Eu continuava fazendo tudo que ela queria e ela continuava a me rejeitar, no entanto, de uma forma menos perversa que na infância. O que me deixava cheio de esperança. Como se eu estivesse quebrando uma barreira em seu coração e pudesse a qualquer instante conseguir fazer com que ela me amasse. Ela estava com dezessete anos quando Pedro entrou na nossa história. Um baixinho entroncado, meio marrento, que jogava futebol de salão pelo nosso colégio. O pior de tudo, é que eu mesmo fui o culpado pelo encontro deles. Levei Camila para assistir uma partida em que ele estava jogando. Ele fez três gols e foi o responsável direto pela vitória do nosso time escolar. Minha amiga ficou impressionada e quis conhece-lo pessoalmente. Fiz as apresentações. Nunca fui de jogar bola, eu competia pela equipe de xadrez, mas, reconhecia todo o talento do caga-baixinho metido a galã que conquistou minha menina. A conexão entre eles foi imediata, e os meus dias tornaram-se insuportáveis.

Dois meses depois do primeiro encontro eles estavam namorando. Camila dividia seu dia entre o colégio, as visitas ao seu avô e o namoro com o Pedro. Fui colocado para escanteio e vivia enfurnada na biblioteca, cercado de livros sobre Alzheimer. Havia em mim a determinada intenção em descobrir um modo de combater a evolução da doença e desta forma conseguir de uma vez por todas a atenção exclusiva de minha amada. Eu queria ornar-me um herói, talvez assim ela se entregaria ao meu amor. Obviamente não descobri nada que pudesse curar seu Jair, no entanto, lendo sobre doenças degenerativas do cérebro, descobri um apontamento bem interessante sobre uma aldeia em Papua Nova Guiné. Fiz pesquisas e descobri um livro chamado Kuru, e depois das descobertas que fiz com esse livro minha vida mudou.

Eu não conseguia mais dormir direito, sendo assombrado pela presença do namorado de minha amiga nos meus sonhos. Neles, nos sonhos, ele sempre aparecia no momento em que eu estava quase para conseguir um algo mais com Camila. Aparecia e a roubava de mim, levando-a em seus braços para dentro de sua casa, e assim que a porta se fechava, gemidos de prazer gritados por Camila podiam ser ouvidos em alto e bom som. Nesta hora eu acordava angustiado e o sono desaparecia por completo.

Comecei a passar as noites em claro, perambulando pelas galerias subterrâneas da biblioteca, feito um zumbi. Pensando em Camila, em Pedro, e no que havia lido no bizarro livro Kuru. Até que certa noite tive a ideia de encerrar de vez aquela situação desconfortável. Deixei passar alguns dias e liguei para Pedro, dizendo-lhe que o aniversário de Camila se aproximava e que eu queria comemorar seu aniversário de dezoito anos em grande estilo. Ele disse que eles haviam decidido não comemorar. Seu Jair estava muito mal e ela não estava empolgada para festas. Afirmei que por isto mesmo uma festa seria o ideal para que ela se animasse um pouco e esquecesse, por uns instantes que fosse, o sofrimento de seu avô. Ele acabou aceitando a proposta e combinamos de nos encontrar na tarde do domingo, na casa ao lado da minha, onde ficava a empresa de arquitetura de meu pai.

— O casarão antigo, do lado da minha casa, você sabe onde é minha casa, não sabe?

— Sei sim. — Ele respondeu.

No domingo, por volta das duas da tarde eu o fiz entrar no casarão e o levei para a biblioteca. Antes certifiquei-me que ninguém o havia visto entrar. A empresa estava fechada e meus pais haviam viajado para o litoral.

— Você não falou com Camila sobre nosso encontro, hein Pedro?

— Claro que não, né meu camarada, tá pensando que eu sou otário. A festa não será surpresa? — Ele falou cheio de marra.

Ficamos conversando trivialidades por algum tempo, mostrei toda a biblioteca a ele, dizendo, com certa ênfase, que eu e a namorada dele passamos bons momentos juntos ali, quando a biblioteca ainda não havia sido restaurada. Ele pouco ligou para as minhas insinuações, o que me deixou com mais raiva ainda. Estava claro para ele que eu não era nenhuma ameaça ao seu namoro. Para Pedro eu não passava de um irmão mais novo de Camila, por quem ela sentia certo carinho fraterno e nada mais.

— Quero te mostrar um lugar daqui da biblioteca que ninguém conhece, nem mesmo Camila. É o meu lugar secreto, onde passo a maior parte das horas do dia. — Ele não se mostrou impressionado com o que eu disse, mas, isto durou pouco. Levantei-me da poltrona verde oliva em que me encontrava sentado e a arrastei, puxando para trás com todo cuidado e com certa dificuldade em virtude do tapete sob os pés do móvel atrapalhar o movimento. Afastei todo o tapete e com a ajuda de um pé de cabra que ficava encostada na estante dos livros de terror, desloquei uma grande pedra do velho piso de mármore que compunha o chão do cômodo. E de súbito a expressão de Pedro modificou-se. De curioso para espantado. Diante de seus olhos surgiu um alçapão feito em metal dourado. Seus olhos brilharam.

— Porra, velho. Que viagem é essa aí?

— Aqui é a porta para corredores subterrâneos que circulam por todo este quarteirão. Cara, é sensacional.

Agachei-me e abri a tampa ao rés do chão. Uma luz mortiça surgiu.

— Eu não vou entrar aí nem a pau. — Pedro resmungou.

— Ah, deixa de ser medroso. Não tem nada de mais aí em baixo. São apenas galerias, estão todas iluminadas, e repletas de estantes com livros raros. Um verdadeiro tesouro em livros. Coleções bem antigas mesmo. Não tem o que temer, lhe garanto.

Ele desceu e eu fui atrás dele levando a alavanca metálica.

Andamos por todos os corredores, ele estava de boca aberta com o lugar, realmente fascinado. Quem não ficaria.

— Tem um livro especial que eu quero que você veja. — Fui até uma estante e peguei um pequeno livro preto, encapado em couro, com letras garrafais em vermelho escrito KURU. Ele o segurou com diligência.

— Kuru, que diabo é isso?

— Só vai saber lendo.

Ele começou a folhear com atenção, a cada página seu rosto se transformava, até que jogou longe o exemplar com indignação e certa repugnância no gesto.

— Porra, velho. Que coisa mais nojenta, esses tais de Fore comiam o cérebro dos seus parentes mortos, caralho…

A pancada atingiu a face direita, veloz, inesperada, zunindo, dolorosamente. Seus pensamentos pareceram derreter feito manteiga em pão quente. Uma queimação correu pelo seu rosto na forma de líquido vermelho. O som surdo de seu corpo encontrando o piso de cimento foi a última coisa que ouviu nesta vida.

Arrastei seu corpo desacordado para uma sala mais larga e desferi várias pancadas em seu crânio, com o pé de cabra, até que ossos rachassem. Retirei seu cérebro com minhas mãos eu o comi cru, em grandes dentadas. Senti-me poderoso, era como se Pedro fizesse parte de mim, como se depois de comer seus pensamentos eu pudesse fazer com que Camila se apaixonasse por mim, como ela se apaixonou por ele. Nunca encontraram seus restos mortais, já que foram queimados por mim sob a biblioteca, e eu nunca fui suspeito de nada. Camila ficou inconsolável por muito tempo, até que conheceu o Arthur.

Pedro foi o primeiro dos outros cinco pretendentes de Camila que eu matei e devorei. Com o passar dos anos tornei-me mais sofisticado e fiz de minhas vítimas verdadeiros banquetes gourmets. A tremedeira ocasionada pela doença Kuru, advinda de um agente infeccioso chamado príon, que aparecia nos nativos Fore, por eles comerem carne humana, só foi se manifestar em meu organismo quando eu já havia passado dos sessenta anos, contudo, consegui controla-la temporariamente com medicações para o Parkinson.

No entanto, meus dias neste mundo não fazem mais sentido algum. Camila morreu dormindo, serena, a alguns dias atrás. Viveu sob meus cuidados nos últimos dez anos. Ela nunca foi minha de fato, minhas perversões culinárias não surtiram o efeito que eu esperava, no entanto, ela também não foi de mais ninguém.

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31 comentários em “Kuru (Jowilton Amaral)

  1. André Lima dos Santos
    3 de janeiro de 2016

    O conto é bem divertido, mas possui muitos erros ortográficos. Não achei que a ideia está muito adequada ao tema do desafio.
    Há muitas passagens exageradas, mas o final é bom. Me surpreendeu.
    Fora os erros ortográficos, a leitura é bastante envolvente. Parabéns! Isso demonstra sua habilidade com as palavras.

    Boa sorte!

  2. vitormcleite
    2 de janeiro de 2016

    o inicio tranquilo desagua naqueles jantares gourmet, sublinhando o choque na leitura. Independentemente dos gostos pessoais, foi bom ler, embora me pareça que podias aumentar ainda mais o suspense se o autor não falasse tanto de si e talvez dando mais importância às iguarias, ou seja, deixando mais espaço para falar nas refeições, mas é só uma opinião. muitos parabéns pela dieta, desculpa, pelo texto apresentado. boa sorte no desafio
    muito bom:
    Se o amor é uma febre que deixa o corpo mole e faz ossos doerem, então sim, eu amei a Camila.

  3. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    A cena inicial lembrou-me ós “pássaros feridos”, de Colleen Mccullough. O fato de Camila não querer nada com o Guto lembrou-me, infelizmente, do Nessahan Alita (rsrs…). O conto é interessante, muito intertextualizado, cheguei a pensar em Barris de Amontillado. O final achei fantástico, pelo amor de Deus, Montresor!

  4. Thiago Lee
    2 de janeiro de 2016

    Como muitos já falaram aqui, o conto começou bem arrastado. Tive que me esforçar para seguir até o final. Você acabava “contando”muito e “mostrando” menos, o que diminui a imersão do leitor.
    Mas o final me pegou de surpresa. Foi bem impactante. Pena que a surpresa não foi mais prazerosa devido à leitura mais arrastada no início.
    De qualquer maneira, o final deu toda uma cor ao protagonista. Gostei.
    Boa sorte no desafio!

  5. Lucas Rezende
    2 de janeiro de 2016

    Vish, que doideira.
    Adorei o conto, cara maquiavélico e vingativo. Louco e apaixonado. Um personagem perturbado de verdade. Gosto de personagens assim e a história explorou bem essa personalidade.
    Parabéns pelo conto.
    Boa sorte!

  6. Bia Machado
    2 de janeiro de 2016

    O conto estava interessante, apesar de um tanto arrastado, até o momento do Guto e do Pedro na biblioteca e aquela cena que não condiz com o que eu estava lendo. Não estou reclamando, apenas acho que a coisa se deu de forma meio que não muito elaborada, feita às pressas. Vários erros de concordância verbal, coisinhas faltando, mas achei interessante a premissa e acho que ficaria melhor se tudo se fizesse com base no terror psicológico. Boa sorte!

  7. G. S. Willy
    1 de janeiro de 2016

    O conto é bem escrito, de uma maneira calma e serena, atípico para alguém que cometeu todas essas atrocidades. Imagine alguém que fez tudo isso por amor narrando essa história. Teria muito mais emoção nas palavras, uma mistura de devoção e loucura. O(a) autor(a) poderia pontuar por todo o texto algumas linhas de pensamento dele falando com ele mesmo sobre o que fez, mas sem nunca deixar claro o que era. Isso iria criar uma curiosidade crescente no leitor, muito bem correspondida no final. Do modo como está, parece que o personagem narra tudo sobre um ponto de vista longe dos fatos. Enfim, falta emoção, falta entrar na cabeça do personagem, falta o leitor sentir curiosidade pelo fim logo na primeira frase.

    “Numa família basicamente feminina”, não seria masculina?

    E outro ponto seria os diálogos. Os de Pedro estão ótimos, mas os de Guto são muito formais, ‘escritos’, difícil pensar que alguém fale tão perfeitamente assim.

  8. Davenir Viganon
    30 de dezembro de 2015

    O inicio foi lento e o final rápido demais. Mas gostei da ideia do conto. Poderia rolar uma pista no inicio de que algo macabro estaria por vir, talvez o incio se tornasse mais atraente. O balanço geral do conto é positivo.

  9. Antonio Stegues Batista
    29 de dezembro de 2015

    Os erros já foram apontadas; como o cara pode ver os pensamentos do outro derretendo feito manteiga? Achei a introdução, o preâmbulo, longo demais. O amor doentio do protagonista ficou legal. O cara comia o cérebro dos namorados da Camila com esperança de adquirir o charme deles e fazer com que a garota gostasse dele, com certeza não foi uma boa ideia.

  10. Daniel Reis
    29 de dezembro de 2015

    Um bom conto, com premissa forte e motivação esboçada para o protagonista. Pena que os outros personagens sejam rascunhados, sem aprofundamento nas suas motivações. A temática é bem interessante e surpreende, exceto no final, que já aparece no começo– é aquele tipo de história “como as coisas chegaram a esse ponto”.

    Um pequeno lapso: “Numa família basicamente feminina, eu, meu pai e meus dois irmãos…” – deveria ser “masculina”, certo?

    Trechos esquisitos: “Seus pensamentos pareceram derreter feito manteiga em pão quente. Uma queimação correu pelo seu rosto na forma de líquido vermelho. O som surdo de seu corpo encontrando o piso de cimento foi a última coisa que ouviu nesta vida.” – além do uso do pronome possessivo, dúbio e várias vezes, o leitor pode-se perguntar como o narrador (a história na primeira pessoa) conseguiu entrar na cabeça da vítima para saber o que ele sentiu/ouviu.

    “Nunca encontraram seus restos mortais, já que foram queimados por mim sob a biblioteca, e eu nunca fui suspeito de nada.” Um corpo queimado faz muita fumaça e o cheiro de cabelo queimado é horrível e fica empesteando o ambiente. Ao que me parece, altamente improvável não ter sido percebido por ninguém.

    Destaque positivo: “Se o amor é uma febre que deixa o corpo mole e faz ossos doerem, então sim, eu amei a Camila.”

  11. Fil Felix
    29 de dezembro de 2015

    Achei legal o requinte do conto, trazendo aspectos clássicos do horror como a mansão com uma galeria subterrânea, o amor não correspondido, a cultura bizarra de um povo que inspira o protagonista. Apesar de um tema já bem explorado, o texto está bem narrado e desenvolvido, me lembrou de Hannibal.

    Concordo com alguns comentários, talvez se o conto terminasse na primeira pancada e deixa-se no ar que era só o começo, daria margem pro leitor imaginar o que poderia vir depois. Com a explicação que ele continuou a matar, acaba perdendo um pouco disso. Daria um bom piloto de um série desse serial killer.

  12. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2015

    Então, a princípio o conto estava arrastado com aquela narraçao que conta e não mostra ao leitor os fatos… mas depois pegou um ritmo legal até com a friedzone e depois mudou totalmente com o terror.
    Acho que este enredo é daqueles q melhor seria se feito num conto menor, menos descrições e mais ‘vamos ao que interessa’, paixão, galeria de livros antiguíssimos e assassinatos. Ficaria legal. Eu acho.
    sem a parte intimista, sabe…
    Bem, é isso, boa sorte ae!
    Abraço

  13. Leonardo Jardim
    27 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): é redonda, bem fechadinha, mas o clímax não foi muito forte. Já tinha intuído que ele mataria Pedro e não fiquei muito apreensivo com isso. O último parágrafo também é meio morno. Enfim, a história é boa, mas a execução podia ter sido mais focada no terror e suspense, como por exemplo deixar a morte e o fato dele comer o cérebro apenas para a última frase.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): é boa, narrativa bastante fluida e apenas alguns errinhos bobos de revisão (anotei alguns abaixo). Como tenho dito durante todo o desafio, reservo algumas estrelas, porém, para textos que se arriscam mais com figuras de liguagem elaboradas.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca está no centro da trama.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a parte em que ele vira canibal é boa e criativa, embora o texto possua alguns elementos de história adolescente e ciúmes.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é bom, como já disse, e gostei de grande parte dele. O clímax e o final diminuiriam um pouco o impacto que uma história dessas poderia ter.

    💬 Trecho de destaque: “Doer de um vazio estranho e um frio inexplicável, que começava no abdômen e terminava na garganta, criando uma espécie de inchaço na goela que não deixavam as palavras escaparem da minha boca.”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ Não sei até *o* hoje se eu amava aquela menina ou o que eu sentia era patológico
    ◾ quis *conhece-lo* (conhecê-lo) pessoalmente
    Eu queria *ornar-me* (tornar-me) um herói

  14. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Achei bastante “interessante”(para não dizer bizarro) esta questão da doença Kuru, que acometeu o garoto quando velho. Gostei do conto como um todo, uma mescla de romance platônico inicialmente e uma consequente materialização de um canibal psicopático na vida de Guto, a própria perda de seu verdadeiro amor pela louca obsessão. A única coisa que eu mudaria seria o final, que a meu ver é brusco demais perante o desenvolvimento lento da história do personagem. Boa sorte!

  15. Catarina Cunha
    24 de dezembro de 2015

    Pô, sacanagem, o TÍTULO entregou a melhor surpresa do conto; isso não se faz. FLUXO no início muito lento e entediante, quase prejudicando a TRAMA bem articulada. O PERSONAGEM principal é desenvolvido com uma técnica interessante, sua loucura vai evoluindo aos poucos junto com a frustração implícita, pena a gente já saber o motivo desde o título. O FINAL é legal, mas explica demais, como se o leitor não conseguisse entender.

  16. Neusa Maria Fontolan
    22 de dezembro de 2015

    No começo pensei que fosse um senhor narrando sobre sua vida com a esposa amada. O conto foi surpreendendo, gradativamente, do inicio ao final.
    Muito bom!
    Parabéns e boa sorte.

  17. Pedro Luna
    21 de dezembro de 2015

    Enxerguei nesse conto alguns toques de Záfon. O amor juvenil, o inferno de ser colocado para escanteio pela garota, friendzone marota e cenários misteriosos como essa biblioteca. Por isso, a primeira parte soou perfeita. Deu até dó do guri quando o tal Pedro entrou na trama. No entanto, acho que a segunda parte ficou a desejar, talvez pelo limite de palavras. Eu diria que essa é uma história que ficaria muito, mas muito melhor se fosse desenvolvida em muito mais palavras. Digo isso porque o texto começa a fazer uma curva quando o rapaz diz que vai pesquisar sobre como combater a doença. Esse é o ponto de mudança na história, onde ele fala que pesquisou arduamente na biblioteca e encontrou o tal livro Kuru.

    O problema, pelo menos para mim, é a parada que existe após isso. O livro é deixado de lado, em nome de um suspense que vai ser criado quando Pedro é chamado para a biblioteca. Assim, não dá para o leitor adivinhar o que irá acontecer, já que o conteúdo do livro é posto em segredo (O que é até um ponto positivo). A cena da morte choca, antes disso o livro ressurge rapidamente, e as explicações sobre ele ficam vagas demais. Se o tal livro é importante para a trama e até nomeia o conto, creio que ele devia ter uma participação melhor na história. A explicação no final, da doença, ficou apressada, como se fosse para justificar para o leitor. Então eu gostaria de ter lido sobre o livro não em forma de explicação, mas sim com ele atuante na história, talvez por meio de diálogos. Não sei se fui claro. : /

    Alguns não irão gostar da brutalidade no fim, pois ela destoa um pouco do restante, mas não vi problemas. Espero não ter sido um chato nas palavras, pois gostei do conto.

  18. Leandro B.
    19 de dezembro de 2015

    Oi, Guto.
    Acho que o conto estaria muito melhor caso tivesse terminado com antecedência. É um tiro no escuro, mas acredito que você não teve tanto tempo para fazer a revisão, certo?

    Acho que esse foi um dos pontos fracos da história (e pontos fracos sempre podem ser eliminados). A leitura acabou perdendo um pouquinho do ritmo comigo pelas concordâncias.

    O outro ponto que não gostei muito foi a quebra visual (ou narrativa, não sei o termo), de uma história que se desenvolvia por um viés de terror psicológico para uma violência mais crua (o cérebro, o pé de quebra). Não que essas ações não devam acontecer, mas acho que ficaria melhor se narrados de forma mais suave e intelectual, como o personagem se diz ser. Em alguns outros momentos, essa quebra também acontece, o que faz o suspense vacilar um pouco, como se o tom se perdesse às vezes, mas é essa cena “final” que mais me incomodou.

    Agora, o grande mérito da história está na construção da narrativa, o que é um tremendo mérito. Não houve pressa no desenvolvimento (exceto, talvez, pelo final.. limite de palavras?) e as pequenas menções aqui e ali permitiram um desenvolvimento natural da história (a parte subterrânea da biblioteca é mencionada muito antes, por exemplo), o que fortalece bastante a leitura.

    Particularmente, não gostei do primeiro parágrafo. Achei-o confuso. A história melhora muito no decorrer do texto e não achei o parágrafo tão bom quanto o restante do conto.

    É isso, amigo. Achei um bom conto. Parabens e boa sorte!

  19. Gustavo Castro Araujo
    17 de dezembro de 2015

    Estou dividido quanto a este conto. Por intuição, me vejo forçado a dizer que o autor começou a escrever com certa ideia na cabeça e que, lá pela metade, viu que não era exatamente aquilo que tinha imaginado; como resultado, adotou rumo diverso, trocando o azimute da sensibilidade para o terror.

    Mas, por outro lado, é possível que esta tenha sido a intenção desde o princípio. Neste caso, o conto se aproximaria do roteiro de “O Talentoso Ripley”, em que um sujeito meio atrapalhado, até mesmo engraçado, termina, de modo surpreendente, assassinando seu melhor amigo para tomar-lhe o lugar.

    Em todo caso, aqui não tive pistas de que Guto iria de fato eliminar seu(s) concorrente(s). O conto vinha numa toada bastante intimista, retratando o que ocorre com 9 entre 10 adolescentes. Achei que caminharia para esse lado, numa espécie de amor platônico até o fim da vida. Mas, como a literatura também é ferramenta de vazão às aspirações mais atrozes, eis que o autor confere a Guto o dom da sociopatia, com traços de Hannibal Lecter e Jeffrey Dahmer. Sim, eu disse antes que 9 entre 10 adolescentes passam por desilusões amorosas por cair na “friend zone”; a maioria se recupera bem disso, alguns em maior outros em menor tempo; mas é inegável que muitos devem cogitar, ao menos em devaneio, algo parecido para se livrar da concorrência, rs

    Dito dessa forma, o conto poderá agradar a audiência que passa por essa fase da vida, tão assustadora quanto traumática. A quem dela já se recuperou, porém, o conto surge como um momento de boa diversão, quem sabe até nostálgico.

    Enfim, o conto me agradou porque resultou numa leitura divertida, pouco usual e, por que não dizer, surpreendente. Um bom trabalho, em suma. Parabéns!

  20. Simoni Dário
    17 de dezembro de 2015

    Eu estava gostando do começo do texto enquanto criei (o autor criou) expectativas de um romance tranquilo e belo se desenvolvendo. Quando a história partiu pro lado psicopata do protagonista, me assustei e desencantei. Você narra bem, prende a atenção, mas o desenrolar do conto não curti muito. Gosto pessoal. Inegável, porém, seu talento.
    Bom desafio!

  21. Claudia Roberta Angst
    17 de dezembro de 2015

    Ainda bem que os lapsos de ortografia e de revisão já foram apontados. Não me deterei nisso,portanto. São apenas detalhes insignificantes, dirão alguns, mas sempre atrapalham minha leitura.
    Senti como se o autor tivesse criado o conto em dois momentos. Primeiro, todo envolvido com os sentimentos do menino em relação à Camila, suas frustrações e desejos camuflados (como os veios subterrâneos da biblioteca). Depois, o autor resolveu nos levar para uma viagem bem estranha. Na sua mente? O narrador tornou-se um zumbi psicopata, comedor de cérebros dos rivais. O tom poético da primeira metade destoou do desenvolvimento. Fiquei esperando pela descoberta da cura do Mal de Alzheimer, através do livro Kuru.
    Não lhe falta imaginação e criatividade, autor. Então trabalhe isso, mas sem querer devorar todas as ideias de uma vez.
    Boa sorte!

  22. phillipklem
    17 de dezembro de 2015

    Bom dia.
    Sua escrita não é má.
    Você escreve de forma clara e direta, com total domínio sobre as palavras. Durante o texto pude encontrar vários erros de digitação, o que não faz de você um mal escritor, mas diz que o texto precisa de uma revisão mais detalhada.
    A história é boa, mesmo que o final, pessoalmente falando, tenha destoado bastante do restante da narrativa.
    Você soube retratar bem a obsessão de Guto por Camila.
    Juro que eu não conseguia imaginar o Guto capaz de fazer algo assim. A apresentação do personagem foi doce e servil. Parecia alguém bom, não um Hannibal Lecter da vida.
    Entendi que o livro o influenciou, apesar de achar que esse surto psicótico tenha sido brando demais. Talvez se você construísse melhor o impulso assassino crescendo em Guto, as ações do personagem ficassem mais credíveis.
    No geral, você tem um ótimo talento em mãos, continue escrevendo.
    Meus parabéns.

  23. Fabio Baptista
    16 de dezembro de 2015

    Gostei do retrato do amor doentio, do ciúme e das situações “Friendzone” (quem nunca passou por essa merda que atire a primeira pedra! kkkkk).

    Eu estava curtindo até entrar na parte “gore”. Ali deu uma desandada, em parte por entrar num estilo que não curto muito (gosto pessoal) em parte por caminhar para um final apressado.

    Acho que ficaria melhor seguir na linha do suspense – imaginei algo tipo aquele conto da pata do macaco, mas com o tal do livro.

    Apontamentos:

    – seu(s) / sua(s)
    >>> tem algumas frases em que poderia ser suprimido, ou substituído por artigos
    >>> Exemplo: o sofrimento de seu avô / o sofrimento do avô
    >>> na minha opinião fica melhor, mas é só gosto pessoal

    – faleceu a poucos dias
    – desocupada a vinte anos
    – a alguns dias atrás
    >>> há

    – há sete décadas atrás
    – a alguns dias atrás
    >>> redundância: há / atrás

    – ela tinha
    >>> cacofonia

    – as vezes maiores do que eu
    >>> às vezes

    – Hoje ele ainda existe, no mesmíssimo lugar, toda reformada
    >>> ele / toda reformada

    – haviam diminuídos
    >>> havia diminuído

    – conhece-lo
    >>> conhecê-lo

    – caga-baixinho
    >>> ????

    – queria ornar-me um herói
    >>> tornar-me

    Abraço!

  24. Rogério Germani
    13 de dezembro de 2015

    Olá, Guto!

    O uso da biblioteca como cenário de um conhecimento jorrado das profundezas ficou apropriado para os distúrbios psíquicos do personagem principal. Este tom macabro fugiu do lugar comum. Também o canibalismo, como forma de afugentar os rivais e absorver-lhes a essência, fez de Guto a própria biblioteca em decadência buscando resgatar a atenção exclusiva de Camila.

    Encontrei alguns erros gramaticais que, acredito, não foram notados no momento de revisão. Como, desta vez, irei apenas me embasar na emoção e brilhantismo da trama na criação ao redor do tema sugerido, seu conto foi muito bem apreciado, cannibal gourmet.

    Boa sorte!

  25. Piscies
    11 de dezembro de 2015

    (NOTA: eu escrevo meus comentários antes de ler os outros, então me desculpe se fui repetitivo).

    Macabro ein. Um certo tom de creepypasta… gosto de histórias assim. Não esperava uma história como esta neste certame. Quando Guto matou o muleque e devorou seu cérebro, fiquei de olhos arregalados. Me pegou de surpresa!

    A narrativa deixa um pouco a desejar por focar muito no “contar” e não no “mostrar”. É uma forma válida de narrar um conto, mas neste caso achei que deixou o texto muito superficial. Muitas coisas acontecem em duas ou três palavras e não dá tempo de sentir o que o personagem passou. De qualquer forma, não sei se vou focar a avaliação muito neste quesito: ter um limite de palavras pode fazer com que tomemos algumas decisões difíceis sobre o nosso conto para criá-lo de forma compacta, o que pode ter sido o caso.

    Guto foi muito bem trabalhado, mas Camila, por incrivel que pareça, não tem a mesma atenção. Ela é um dos personagens principais, mas está sempre muito distante da narrativa, como alguém inalcançável e dificil de imaginar. De certa forma, gostei disso por demonstrar como ela era inacessível a Guto. Por outro lado, não consegui enxergar o vínculo de amizade que os dois certamente tinham e desenvolveram com o passar dos anos.

    Por fim, em uma das cenas finais, Guto (que é o narrador) narra em detalhes tudo o que Pedro sente… como? Seria melhor narrar o que Guto viu do que narrar o que Pedro sentiu.

    Algumas sugestões de melhoria:

    “…faleceu a poucos dias…” – Aqui, o verbo haver no presente do indicativo (há) deve ser usado para denotar o tempo passado. O artigo “a” em frases como esta é usado para denotar o tempo por vir, o que não combina com a frase. Então, corrigindo: “…faleceu há poucos dias…”

    “…levou Camila a minha casa…” – precisa de crase no “a”, não?

    “…desocupada a vinte anos…” – Novamente, aqui o “há” deve entrar no lugar do “a”.

    “Numa família basicamente feminina, eu, meu pai e meus dois irmãos, a presença feminina trazia leveza e frescor a casa.” – Não seria numa família basicamente masculina?

    “…e vivia enfurnada…” – enfurnadO

  26. Daniel I. Dutra
    11 de dezembro de 2015

    No geral o conto é muito bom.

    Eu faria a seguinte sugestão: contos com um tom mais intimista costumam funcionar melhor quando o autor escreve a história como se fosse um documento (uma carta, um diário, etc). Lovecraft costumava dizer que histórias de horror funcionam bem melhor quando o autor a escreve como se estivesse narrando um fato real. Daí o motivo de apresentar a história como se fosse uma carta, diário, etc. Dá um ar maior de “isto realmente aconteceu” a narrativa.

    Não estou dizendo que o conto está ruim do jeito que está. Estou dizendo que, ao meu ver, esse tipo de artifício poderia acrescentar um “sabor” extra a narrativa.

  27. Cleber Duarte de Lara
    11 de dezembro de 2015

    CRITICA:
    Como cheguei atrasado, todos os erros que fui pegando na leitura já foram devidamente apontados, e mais, inclusive. Como uma curiosidade mais do que como uma crítica, senti uma influência fortíssima da obra do Rubem Fonseca e de outras estórias como Hannibal, etc. Como se fossem textos retirados de series de Tv policiais super-produzidas. Não chega a ser um ponto fraco, mas parece um tanto americanizado.

    PONTOS POSITIVOS:
    Realmente, gostei demais! Empregou magistralmente os elementos de um bom conto, desenvolvendo o suspense e utilizado os elementos sinergisticamente para construir o efeito obtido como impacto final.
    É o tipo de estilo com potencial para se tornar comercial, por que é bom, de modo geral. Não é apelativo no mal sentido, apela para a violência mas vai além do terror pelo terror, suscitando elucubrações de ordem psicológica e intrigando.
    Como última observação, nota-se o domínio dos detalhes, a pesquisa relativa ao tema médico, arquitetura, referências históricas, etc.
    Definitivamente, um tipo de leitura que me agrada imensamente!
    Parabéns!

  28. Evie Dutra
    10 de dezembro de 2015

    Uau, este conto me surpreendeu. Começou de forma tão tranquila.. depois veio o relato da infância e da juventude dos dois. O amor não correspondido do protagonista foi me envolvendo e me fazendo criar empatia por ele. Eu não estava esperando o final macabro e, isso me agradou bastante.
    Gostei da sua escrita. Achei as frases bem construídas e o suspense muito bem elaborado.
    Encontrei alguns errinhos:
    ” Numa família basicamente feminina, eu, meu pai e meus dois irmãos, a presença feminina trazia leveza e frescor a casa. ”

    “Fui colocado para escanteio e vivia enfurnada na biblioteca, cercado de livros sobre Alzheimer.”

    Nada grave, apenas falta de atenção. Nada que tenha comprometido a qualidade do conto.
    Me agradou a forma como você utilizou a biblioteca no seu conto, apesar de preferir analogias indiretas com a imagem.. mas isso é só a minha preferência.
    Resumindo… adorei o seu conto 🙂

  29. Eduardo Selga
    10 de dezembro de 2015

    Quando se escreve um texto em prosa literária todo autor, conscientemente ou não, precisa tomar uma decisão: fixar-se no evento narrado ou na performance formal. Ambos os movimentos são perfeitamente legítimos, uma vez bem executados, e não são necessariamente apartados um do outro. Assim, não é razoável afirmar que determinado conto é esteticamente ruim pelo fato de o autor ter optado pela primeira ferramenta ou pela segunda, pois nesse caso podemos esbarrar no perigoso terreno do gosto pessoal, que não é parâmetro para uma boa análise crítica. A questão é: tendo sido usada uma ou outra ferramenta, ela foi bem usada?

    O presente conto, muito evidentemente, opta pela ênfase no evento, o que, ressalto, não é meu sabor preferido dessa fruta chamada literatura em prosa. No entanto, há que se dizer, a ferramenta foi bem utilizada e meu gosto pessoal, assim espero, exercerá influência mínima nas palavras que seguem.

    O narrador lança uma informação inicial, aparentemente ingênua, que no decorrer da narrativa é meio que deixada de lado, ou melhor, a ênfase sobre ela reduz muito, para ser recuperada no final de modo surpreendente e até um pouco assustador. Refiro-me à figura do avô da personagem e sua “mente em degeneração”. O narrador garante que o idoso sofria de Alzheimer, uma degenerescência, mas se observarmos bem, ele, o narrador-personagem, é um degenerado. Não por uma patologia neurológica, e sim psíquica. E aí surge a dúvida: não seriam ambos, avô e protagonista, persona diferentes de um mesmo personagem? Ou ainda: talvez o personagem-narrador não tenha falado a verdade para nós os outros, indefesos leitores, talvez ele nos tenha narrado criando outra persona para ele, além de si próprio. Não no intuito de iludir (afinal ele confessa o crime), e sim porque talvez exista nele uma duplicidade de caráter. Vejamos: o avô tinha Alzheimer que se manifestou com cerca de sessenta anos, enquanto o protagonista adquiriu “um agente infeccioso chamado príon”, que se manifestou pouco após a mesma idade; ambos cuidaram de Camila por dez anos; o comportamento protetor do protagonista, reivindicando “o brinquedo, o doce, os beijos roubados” para a personagem é mais adequado a um avô do que a outrem, que não na família.

    A pouca sanidade mental do protagonista — o que reforça minha hipótese — fica bem evidente na frieza com que narra o homicídio seguido de canibalismo, como também informa que fizera o mesmo com outros tantos. E chega a ser irônico, nas últimas linhas, ele denominar seu hábito homicida de “perversões culinárias”.

    Todo o primeiro parágrafo, além de apresentar uma bela comparação entre a biblioteca em ruínas e a “mente em degeneração de seu querido velhinho”, trás uma pista bem razoável do que estamos a dizer. Ao entrar na biblioteca, Camila entra na psique em ruínas do protagonista. Não por acaso o ambiente é o refúgio dele, onde descobre segredos textuais e passagens secretas, ambos elementos que lhe servem de ferramentas homicidas. A biblioteca é, metaforicamente, o personagem-narrador.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    10 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Curioso. Começa devagar e vai engrenando a medida que lemos as descrições e pensamentos. O objetivo do personagem está bem presente, com uma leveza nostálgica que logo se transforma em algo mórbido.
    U: Bem escrito, flui muito bem por entre as descrições e diálogos. Notei apenas detalhes pequenos, como falta de acento em “às vezes, conhecê-lo” e um “tornar-me” sem o “t”, nada que afete a experiência geral.
    L: O desenvolvimento tranquilo foi muito bom para obter o choque na parte final, apesar de achar algumas partes um tanto exageradas (desacordar o outro funciona, mas abrir “sua mente” a pancadas e depois queimar, embaixo de prédio com madeira, acho que resultaria em um incêndio grandioso, seguindo a lógica). Claro que isso é apenas uma opinião pessoal. No entanto, a imagem bizarra chama a atenção e o conceito do personagem psicótico manso, funciona muito bem.
    A: A biblioteca é bastante funcional nesse enredo e tem uma função específica de
    engrenar o texto, o que foi o ponto alto.

  31. JULIANA CALAFANGE
    9 de dezembro de 2015

    Gostei muito da história, instigante, criativa. A princípio não vi muita relação com a biblioteca, parece q ela está aí como poderia não estar. Talvez vc pudesse dar mais destaque à biblioteca no conto, falar mais dessa biblioteca subterrânea e do livro Kuru. Fora isso, o texto precisa de revisão, tem muitos erros de digitação. Mas, parabéns! Gostei bastante de ter lido!

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .