EntreContos

Literatura que desafia.

A Fórmula (Victor O. de Faria)

I – Tudo é precioso para aquele que foi

Tempus fugit… Sim. O tempo voa e escorre pelas mãos de uma criança, cuja ampulheta quebrada já não satisfaz o desejo mórbido de admirar o desconhecido, velho sábio que insiste em cavalgar na direção contrária, arrancando o que nos resta de fôlego. Estamos presos a essa constante desde o momento em que fomos escolhidos, vencedores numa corrida biológica injusta, disputando vorazmente um lugar no espaço e por consequência, no contínuo. Este que, apesar de seu incontestável título, possui brechas escondidas nos recantos mal iluminados de sua existência.

Contrariando as verdades universais, impostas pelos homens, devo admitir, percorri o caminho mais doloroso desde o “ser ou não ser”. Revelo-te agora um pecado cometido por mim, em detalhes, enquanto buscava respostas mais profundas sobre o sentido da vida e o que há lá fora – esse microcosmo que insistimos em engrandecer, com a única finalidade de inflar nossos egos e nos levar a pensamentos ingênuos, como se tivéssemos controle sobre tudo.

Metáforas. Acompanham-me desde o dia em que a delicadeza dos poderosos se transformou em um tornado, levando consigo parte de minhas pesquisas, minha privacidade, meus livros e a esperança de um futuro melhor. Um acervo literário abandonado e deixado à sua própria sorte, por causa de uma simples ambição. E de uma fórmula…

Liana Saecula… Ou Cipó das Eras. Guarde bem esse nome.

Pois bem, estava em meu laboratório naquela manhã chuvosa e cinzenta, de uma quinta-feira detestável – assim como todas as outras – e decidi reavaliar o resultado de uma série de experiências sem sentido, daquelas em que buscamos respostas para perguntas ainda não formuladas. Com o salário disponível, cedido gentilmente pela instituição pública, além de planejar a carreira nada promissora dos mais jovens, devia entretê-los com reações químicas e shows de mágica.

Por descuido, provavelmente intuição, misturei infusões florais ao mesmo composto químico utilizado nas entranhas dos geradores de buracos negros, ou melhor, aceleradores de partículas; líquido vital que percorria suas veias rompantes e neurônicas. Assim como a maçã de Isaac Newton abriu-lhe um universo de possibilidades, dentre eles, o nosso, aquela mistura trouxe o acaso, o desvio escondido e inacessível da estrada do infinito, a rachadura por baixo da restauração da pintura cósmica.

O que fiz? Talvez pergunte. A natureza humana é transitória, inconsistente, livre somente em palavras jogadas ao vento, presa à corrente de tradições e conceitos. Quem teria coragem de subverter o status quo? Lembra-se do que fizeram ao pobre Galileu por insinuar que o mundo estava errado como o conhecíamos? Escondi a fórmula, como se demonstra óbvio pelo meu cuidado ao escolher as palavras deste relato que está em suas mãos e, creio, esteja seguro.

Antes de prosseguir, tenha plena certeza de estar lendo isso em local apropriado. Distante de curiosos e instituições governamentais, bem como charlatões que, ao contrário de muitas autarquias, estão sempre disponíveis, aguardando os desprevenidos e, sobretudo, incautos.

Pense. O que faria se pudesse desacelerar o tempo além do nível atômico? Expandi-lo como novelo de lã e costurar pontos irregulares do tecido, para que o cachecol colorido não se transformasse em uma gravata sóbria e uniforme? Aquele nome ainda está guardado em sua memória? Não repita! E nem volte para olhá-lo! Apenas compreenda a essência da responsabilidade que esse conhecimento envolve.

Esconder o frasco não foi difícil. Recorri à mãe de toda a imperfeição. Paguei o salário de um mês pelo conjunto quebrado e ardilosamente espatifado pela mentira. Aquela descoberta valia milhões… Não me julgue ambicioso demais, pois foi o primeiro pensamento de uma sociedade consumista a me atingir. Quando os interesses científicos sufocaram os prazeres mortais, a maçã caiu sobre meus ombros, cortada em oito pedaços e servida numa bandeja de prata.

Foi em casa, no desconforto de meu lar, que o inusitado me perturbou tal qual os relâmpagos lá fora. A junção de vários fatores, mais o cansaço e apatia, colaboraram para a situação apresentada a seguir.

Bebi o conteúdo. A fraca percepção, acompanhada pela perda temporária dos óculos – os malditos estavam pendurados na televisão – selou meu destino. Tornei-me nuvem, forma efêmera e vil. Naquele momento não vislumbrei apenas estrelas e galáxias, me desloquei por todos os pontos da infinita malha temporal. No meio da experiência onírica, interpretada como alucinação, encontrei a resposta para uma única pergunta, entre milhares que percorriam o inconsciente coletivo.

Qual seria o primeiro pensamento de um viajante do tempo? Matar Hitler? Alterar o descobrimento do Brasil, colocando a Eurásia na jogada? Quanta ingenuidade! Uma pedra jogada no oceano não cria maremotos.  Além de jamais conseguir chegar perto destes líderes, bastava um tiro e tudo se encerraria com o fechar de cortinas, sem aplausos. Não. Revisitei o único lugar realmente importante. Sem controle sobre minhas emoções, pensamentos obscuros de um período distante, guardados a sete chaves, voltaram à tona. Um passado onde meu coração, carregado de incertezas, ficara aprisionado.

 

II – Por muito tempo

O quanto durou a transição? Difícil dizer, mas, como cientista, compreendi que seu efeito logo chegaria ao fim. O que ocorreu, de fato, quando me vi cercado por vultos indistintos, tendas coloridas e uma atordoante mistura de vozes. Não sentia minhas pernas. Deitei no primeiro banco à vista. A tontura se dissipou aos poucos, revelando o grande, mágico e desajeitado letreiro neon, não visto por mim há muito tempo. “O Magnífico Circo Aurora”. De todos os lugares, mundos, sistemas e épocas, os átomos de meu ser tinham de escolher ali. Mas havia um grande motivo por trás das peripécias cósmicas, entendido somente hoje, enquanto escrevia estas memórias para você, sem reservas. Chegarei lá.

Ainda trôpego, esbarrando em várias pessoas pelo caminho, avistei a grande abertura convidativa da maior tenda do festival. Ouvi aplausos, crianças sorrindo e uma contagiante sensação nostálgica. Senti-me jovem, com vinte e poucos anos. Foi ao olhar para cima, desviando das estruturas de forma acidental, que a vi pela primeira vez. Leve, ágil, bela, curvilínea. Ensaiando o balé dos ares sem qualquer preocupação com seus longos e alaranjados cachos. Parecia ter asas. Sim, ela voava. Como um beija-flor em câmera lenta ao som de Beethoven, acompanhando cada nota, cada salto, cada acorde. Naquele momento percebi que um guarda me cutucava, solicitando o ticket exclusivo do aclamado show de trapézio musical.

Sem qualquer documento disponível, tive de entregar meu relógio. Uma antiguidade, mas de valor inestimável. Sem cerimônias, cedeu-me a quantidade necessária para uma semana e deixou-me, sorrindo. Entrei e sentei ali mesmo, no chão da arena, ao lado de arquibancadas lotadas. Por alguns minutos esqueci completamente o que havia acontecido. E ignorava a ideia de que poderia voltar a qualquer momento, afinal, a fórmula fora descoberta por acidente.

Por mais que desejássemos um momento infinito, os “filhotes de Einstein” sempre nos entregavam relatividade, e horas se passavam em minutos, enquanto minutos se transformavam em horas. Teria coragem de, pelo menos, falar com ela? Não. Dormiria em um canto escuro, faminto e sem raciocinar corretamente. A viagem causava sérias readaptações neurais.

Foi ao fechar as portas da praça central que notaram. Havia um homem caído, desnorteado e com frio, mas bem vestido. Gentil como era, a donzela de Shakespeare se aproximou. Perguntou-me o que fazia ali. Lembranças de épocas futuras, como a invasão à minha biblioteca e até a escrita desta carta, surgiram e desapareceram, de forma instantânea. Tive de improvisar. Amnésia foi a melhor desculpa. Ela se condescendeu. Mencionou uma vaga disponível na manutenção, pois o rapaz responsável havia ganhado uma bolsa de estudos e não voltaria tão cedo. Aceitei sem pensar. Aqueles olhos azuis, céus de primavera, hipnotizavam.

Mais tarde, ao observar minha solidão naquele lugar anacrônico, finalmente percebi a transgressão cometida. Mas o que era apenas um dia? Meus alunos ficariam felizes ao serem dispensados mais cedo. Aliás, quanto tempo duraria a transição? Adormeci, com a sensação de deslocamento característica de quem se deita em uma cama que não é sua. Mas, no meu caso, o deslocamento era de pelo menos vinte anos!

Acordei quando os cachorros espantaram os pombos intrometidos, ladrões inescrupulosos de comida alheia, buscando coexistência. A forte luz solar banhava os pátios internos, trazendo calor, aconchego e um novo dia. Encontrei roupas usadas no armário de meu novo emprego. Não importava o serviço, contanto que a visse novamente. Seu sorriso contagiante e graciosidade conquistavam a todos. Agradeci pela oportunidade, assim que ela passou por mim e me presenteou com um caloroso “bom dia”…

Sei que estou me alongando nos acontecimentos, mas você precisa compreender os detalhes envolvidos. O final deste relato trará as respostas que você tanto procura. Agora preciso continuar, antes que me esqueça, novamente, de algum pormenor.

Naquela mesma manhã conversamos sobre coisas triviais, de forma breve, apesar de visualizar apenas lábios se mexendo. Por sorte ela jamais perguntava se eu estava ouvindo. Mas quem se importaria com a roupa espalhafatosa escolhida pelo pierrô, quando a razão de toda a existência estava à sua frente? Seus cabelos cacheados balançavam ao som da brisa matinal. Não podia mais perder tempo, a duração da fórmula era incerta. Criei coragem e a convidei para sair. Com seus colegas de circo, é claro, pois precisava me enturmar.

Foi uma das noites mais agradáveis de minha ínfima existência. Jamais seria esquecida. A amizade floresceu. Todos no bar riam de minha falta de atenção a pequenos detalhes e se surpreendiam quando demonstrava inata intuição, prevendo diversos eventos futuros sem importância… No entanto, há uma teoria conhecida no meio acadêmico que, em suma, demonstra uma falha nessas previsões: cada vez que olhamos para o futuro, procurando respostas para eventos presentes, a linha percorrida deixa de existir, pois já sabemos o que vai acontecer. Ou seja, nunca estamos, estivemos ou estaremos no controle dessa força movida a explosões solares.

Para minha surpresa, saímos mais vezes. Com amigos. Mas isso bastava. Sentia falta de companhia agradável há muitos anos. Os melhores dias de minha vida. Vivia no circo, ganhava um salário condizente e nutria a falsa esperança de que ela me notasse de “outra forma”. Foram muitos saltos, voos, acrobacias e danças calculadas ao som contemplativo de violinos.

Incontáveis saltos…

No penúltimo dia de minha estadia senti o corpo inteiro formigar. Estava no banheiro quando a instabilidade tornou minhas mãos transparentes por alguns segundos. Olhei-me no espelho e recordei-me plenamente quem eu era. O que estava fazendo? A amizade se aprofundava a cada dia, mas o que esperava acontecer? Se ela se interessasse por mim, não haveria desculpa no mundo que explicasse meu sumiço repentino, como fumaça de uma vela apagada por dedos úmidos.

Precisava contar-lhe a verdade. Ela acreditaria?

Sua última apresentação se daria na Quinta. Irônico. Comprei roupas novas, uma caixa de chocolates e flores de fragrância suave. Escondi no armário os representantes de minha rebeldia. Recebi a maior parte do público sob a tenda principal, desviando os olhares do mesmo guarda ranzinza que não largava dos meus calcanhares. Ela estava atrasada.

Enquanto os palhaços tentavam arrancar risadas dos adultos com piadas infames, pois as crianças já estavam no clima, procurei por ela nas entranhas dos bastidores. Chegara correndo pelos fundos. Sua maquiadora estava enlouquecida. Como podia interrompê-la naquele momento? Meu relógio interno produzia um tique-taque fantasmagórico, sugando-me para o interior do vórtice de lógica e razão, esmagando cada sentimento com badaladas de sinos de ouro. Minha mão esquerda tornou-se translúcida. Não podia esperar mais. Retirei o pacote completo e fui até ela.

Como sempre, muito gentil. Mas, para meu espanto, seus olhos brilhantes tornaram-se opacos. Minha transferência já havia começado? Seu sorriso se transformou em um traço inexpressivo. Estava na hora? Dizem que o universo conspira a nosso favor. Ledo engano. Ele conspira em favor próprio, e de vez em quando, raramente, somos agraciados com uma carona em seus objetivos.

Lamentou não ter informado antes, disse ofegante, em meio à troca de figurino. Já estava namorando… O guarda que insistia em me vigiar. A caixa caiu, espalhando desejos e realidade, pedidos de desculpas e um enorme pedaço interno de mim, já sem forma. Disse que sentia muito, solicitando que a ajudasse uma vez mais, pois confiava em minhas habilidades.

Para quem já estava desaparecendo, aqueles elogios eram plumas carregadas pelo vento. Segui adiante, procurando não pensar no que faria a seguir; minha mente ainda se encontrava em nebulosas tramas atemporais. Revisar as estruturas e segurar as cordas era fácil para um professor-cientista. Confesso que me deixei levar pelas emoções. Não posso culpar a fórmula por essa paixão platônica.

As dores voltaram com força total. Ela subiu na estrutura, sem olhar para trás. Eu também. Quando o beija-flor abriu suas asas para, mais uma vez, saudar a beleza da criação e encantar a todos com sua exuberância, meus braços desapareceram. A corda se soltou… E o beija-flor, livre como era, foi de encontro ao Criador…

 

III – Privado de tudo

 Os óculos ainda estavam sobre a televisão quando me materializei no ponto zero. O vendaval derrubou as taças de cristal, ressoando um lamento pueril.  Paredes racharam. Não conseguia me movimentar, pois estava em choque. E, como você já deve saber, levou um bom tempo para as conexões neurais se refazerem.

É complicado relembrar essas coisas… Mas é necessário.

Quando retomei o controle, cai de joelhos e chorei amargamente. Os vizinhos quase chamaram a polícia. O que havia na mesa, na escrivaninha, no quarto, no escritório e na sala de estar foram vítimas de uma raiva espalhada aos quatro ventos… Nem mesmo as pesquisas promissoras foram poupadas.

A vida não é justa. Dizem que, sem o passado, não há futuro. O passado existe para nos ensinar a trilhar o caminho correto. Mas quando somos responsáveis por adventos futuros, qual é a linha de pensamento a seguir? Existe mesmo uma trilha?

Depois desse dia, tranquei-me na biblioteca – devastada pelo deslocamento de matéria e invadida ocasionalmente por interesseiros. Passei a viver lá dentro, durante meses. Teria de descobrir, novamente, que espécie de fórmula mágica havia produzido naquela tarde chuvosa. Se pudesse voltar uma vez mais, faria tudo diferente. E salvaria a pobre alma angelical de seu destino trágico, arquitetado pela mente inescrupulosa de um cientista sem rumo, desgostoso da vida. Sim. A culpa foi minha!

E este é o ponto de ruptura. Acho que é o momento certo de contar-lhe meu pecado escuso pelas areias do tempo.

Houve uma segunda tentativa. Consegui, estudando a fundo a natureza selvagem dos tentáculos de Chronos, estender por mais tempo minha estadia naquele ponto fixo no tempo e espaço, sem perceber os efeitos colaterais. Consertaria meus erros, se as forças desconhecidas do universo permitissem. Como minha presença, por si só, constituía uma anomalia – a pedra jogada no oceano – alterei o curso dos catastróficos eventos descritos, não permitindo que ela morresse.

Somente muito tempo depois descobriria que os jornais haviam noticiado o falecimento de uma famosa trapezista, do então falido Magnífico Circo Aurora, por falha na manutenção. Ou seja, o mundo perderia seus encantos mais uma vez, com ou sem minha “ajuda”.

Então, na noite seguinte, agora no presente, não alterei somente o passado, como também o futuro. Terceira tentativa.

No meio da praça, longe da tenda central, havia uma máquina curiosa, de aspecto robótico e bizarro, controlada por um palhaço eletrônico saído de um filme de terror. Dizia, em letras gigantes: “Saiba seu futuro com o Mestre da adivinhação.” Sorri. Dei-lhe a última nota amassada, encontrada no bolso, e apertei o botão. Após uma série de cliques e música de fazer inveja ao fantasma da ópera, a enorme cabine cuspiu o bilhete. O que dizia meu futuro? O plástico dourado, ornamentado com toda a espécie de florais, trazia apenas uma palavra.

“Não”.

Rasguei-o na mesma hora.

Sob a luz pálida de uma lua minguante, sob o aroma de orquídeas dos campos verdejantes, o beija-flor agradeceu seu anjo da guarda, deitando-se nos braços ambíguos do livre-arbítrio. Por motivos óbvios, deixei que meu concorrente levasse a fama. Não existiam mais mistérios, perguntas sem respostas ou sentidos implícitos. Pela primeira vez entendi o conceito do infinito: uma entrega sem reservas ao círculo de outrem.

Por cálculos imprecisos, desapareci por completo na manhã seguinte. Jamais saberei o que ela pensou naquele instante, apesar de compreender os eventos futuros… O “não” ressoava em minha mente, como um eco atravessando túneis. Túneis do tempo. Nunca mais consegui voltar.

Por ter salvo aquela vida, que pouco afetou a linha histórica, exceto a minha, pude vislumbrar um futuro menos doloroso e cheio de esperança. Não para mim, mas para você. Por isso, registrei a fórmula escrita nos livros indexados, dentro da biblioteca mencionada anteriormente, a qual vivi e emprestei parte de minha vida.

Não sei como lhe parecerá o que vou dizer, mas o composto, mesmo que não funcione, lhe trará uma fortuna incalculável. Não é isso o que todos os homens desejam, afinal? Há incontáveis forças atrás de seu uso. No entanto, só confio em você!  Creio que, a esta altura, já tenha entendido o real motivo. Efeitos colaterais. Não viverei muito tempo. E “eles” voltarão. Tempus fugit… Lembra-se?

Penso, ingenuamente, que isso irá compensar tudo o que lhe causei. Controlar destinos não cai bem em currículos. Mas, devo dizer… Você dará uma ótima engenheira química! Não quero que me perdoe. Só peço-lhe um pequeno favor, antes de partir. Haverá um encaixe circular em meu caixão.

Diga-me, “filha”… Seu pai ainda possui aquele relógio que lhe dei?

Anúncios

48 comentários em “A Fórmula (Victor O. de Faria)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ A Fórmula (Friedrich)

    ஒ Físico: Friedrich escreve com excelência, demonstrando grande domínio sobre a língua portuguesa em seus diversos aspectos. O maior problema é que há muitos floreios na narrativa, impedindo com que ela flua de forma natural. Diria que o estilo do autor é puxado para o prolixo. É necessário ler o conto com paciência. E falo para o personagem. Você está errado. Muitas coisas que você escreveu nesse relato são inúteis… Não precisavam ser ditos.

    ண Intelecto: A estória é intrigante. Mais uma viagem do tempo. Juntando isso com uma narrativa excelente a partir do ponto de vista de um bom cientista, temos um conto de qualidade. A grande quantidade de floreios da narrativa, porém, impede que o leitor se aproxime verdadeiramente do personagem e de suas angústias.

    ஜ Alma: Não é possível visualizar a biblioteca. As descrições são poucas e rasas. Ela existe, mas está no plano de fundo. Parece que o autor colocou ela no texto apenas para se encaixar no tema do desafio. Mas isso não é o bastante. Por outro lado, Friedrich tem talento para a escrita, mas precisa encontrar o ponto de equilíbrio da narrativa.

    ஆ Egocentrismo: Adorei a estória, muito complexa, e consegui sentir a melancolia do personagem. Mas a leitura foi difícil para mim. O texto em pareceu bem prolixo, então tive que ler tudo com muita calma e paciência. O resultado disso é que a leitura acabou sendo cansativa. Há exemplos de textos complexos e bem escritos que não causam esse efeito. Isso indica que o autor errou em alguma coisa.

  2. rsollberg
    4 de janeiro de 2016

    A Fórmula (Friedrich)

    Acho que esse é um daqueles contos “ame ou odeie”.
    Particularmente, gosto muito deste estilo de narrativa, essa conversa com o leitor a medida que vai avançando a estória. Certa vez, li a coletânea dos contos do Poe, lançada pela editora Tordesilhas, e fiquei tão fascinado, que fiquei uns seis meses tentando escrever nesse estilo. Não foi um fracasso retumbante, mas muito longe de qualquer sucesso, rs. Dito isso, acho que esse tipo até que funcionou bem aqui, porém, creio que o autor poderia ter diminuído um pouquinho o uso de adjetivos. Nem tanto Poe, nem tanto King (que já disse que se pudesse não usava nenhum, rs)

    Viagem no tempo é sempre bacana e, quase sempre, cheia de furos. Todavia, quando leio algo do tipo, tento sempre me libertar de algumas amarras cientificas e aproveitar a jornada. O lance do artigo cientifico detonando a teoria do Jurassic Park! Chato! Aqui eu fiz isso e gostei do resultado.

    Adoro esse tipo de passagem: “Acordei quando os cachorros espantaram os pombos intrometidos, ladrões inescrupulosos de comida alheia, buscando coexistência”

    Meu único “porém” vai para a presença da biblioteca no conto, penso que ela ficou deixada de lado, podia ter sido um tantinho melhor explorada. Mesmo assim, minha impressão ficou mais para o amor do que para o ódio, kkkkkk.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  3. Brian Oliveira Lancaster
    3 de janeiro de 2016

    Agradeço as críticas e sugestões! Respondi alguns questionamentos nas próprias perguntas dos colegas. Só queria deixar um adendo: os capítulos 1, 2 e 3, formam uma frase famosa de Friedrich Nietzsche: “Tudo é precioso para aquele que foi…Por muito tempo…Privado de tudo”.

  4. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Este conto foi um dos primeiros que eu li. Fiquei enrolando pra comentar só pra tentar despistar a concorrência, hahahaha. O estilo escolhido não me incomodou. Costumo, de vez em quando, escrever assim. Tem que se ter cuidado para que não fique chato, o que não ocorreu neste conto. Você soube muito bem usar a narrativa a seu favor e favor da história. Gostei do conto. Boa sorte.

  5. André Lima dos Santos
    2 de janeiro de 2016

    Ao contrário de alguns companheiros, eu curto bastante o estilo de escrita e linguagem presentes nesse conto. A história é boa, o fluxo emperra algumas vezes, mas o final compensou, em minha opinião.

    Acho que foi o único conto do desafio que não apresentou erros de digitação; gramática e ortografia. Ótimo trabalho de revisão.

  6. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Oi, Friedrich.

    Acho que é a primeira vez que leio algo que poderia ser FC com uma pegada bem poética. Isso foi interessante, mas como um resultado final, o conto não me agradou.

    Acho que o aspecto poético está um pouco exagerado. Ficou claro que o autor tem um excelente vocabulário e pode fazer ótimas construções, mas essa fórmula (ham?, ham?) foi repetida tantas vezes que acabou tornando a leitura bastante cansativa para mim.

    Claro, isso pode se dar pelo fato de eu simplesmente não ter o costume de ler textos muito poéticos, mas realmente acho que houve um exagero aqui.

    No que diz respeito à história em si… às vezes fico na dúvida se a história quer realmente ser “levada a sério” ou não; se busca de fato um compromisso com a verossimilhança. Claro, isso não é uma obrigação, mas fico um pouco perdido em cenários em tons de cinza sobre o assunto. É um meio termo estranho e foi o que senti aqui. Dito isso, achei levemente engraçado e um pouco sem sentido a fórmula descer goela abaixo do nosso herói.

    Não sei se já li algo do autor, mas se não, gostaria de um dia esbarrar com uma obra um pouco mais simples (embora ache meio tosco dizer isso, afinal, o seu estilo é seu estilo e, como disse, talvez a coisa não tenha funcionado para mim por deficiência nesse tipo de leitura)

    Boa sorte!

  7. Piscies
    2 de janeiro de 2016

    Um conto muito bem escrito, cheio de referências a diversas obras sobre a viagem do tempo, desde filmes como “quero ser grande” até o conto “Todos vocês, zumbis”.

    A história é interessantíssima. Uma trama complexa, muito bem planejada e colocada em forma de conto no espaço fornecido. A competência do autor para criar tramas deste estirpe é invejável. O problema foi que a escrita muito rebuscada atrapalhou o entendimento da trama um tanto confusa. Foi necessária uma releitura do conto para pescar a maioria das ideias passadas, e sinto que ainda preciso de mais uma leitura para entender todas as nuances.

    De qualquer forma, é um conto muito bom. A biblioteca aqui quase não faz parte da história. É um plano de fundo de um momento específico do conto, longe – muito longe – do enredo principal. Mas está lá.

    Gosto muito de histórias sobre viagens no tempo. Parabéns pela criatividade e pelas referências esplêndidas!

  8. Phillip Klem
    2 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Dá pra ver que o autor escreve bem. Mas, para mim, o texto não funcionou. Ficou bastante confuso e foi difícil me concentra na leitura.
    O estilo que você empregou tornou tudo uma sopa de palavras desconexas e, por vezes, sem sentido claro.
    Tive que reler vários trechos e, mesmo assim fiquei em compreender alguns. Vários detalhes da trama ficaram perdidos entre frases exageradas e metáforas que só ficaram claras para o autor.
    Enfim, você até teve uma boa ideia, pois a história do conto, apesar de batida, é bem interessante, mas não soube tirar essa ideia da cabeça e pô-la no papel de forma que os leitures as compreendessem por completo.
    Boa sorte.

  9. Evie Dutra
    2 de janeiro de 2016

    Foi bem difícil me concentrar na leitura deste conto. A sua escrita é tão cheia de floreios que tive de reler parágrafos para compreender. Por várias vezes percebi que estava pensando em alguma outra coisa enquanto lia seu conto.
    Particularmente, não gosto de contos assim, que exigem um esforço muito grande para não perder a concentração.
    A ideia foi bastante criativa. Foi um tema diferente e combinou com a imagem proposta no desafio.
    Boa sorte.

  10. Rubem Cabral
    2 de janeiro de 2016

    Olá, Friedrich.

    Gostei do tom nostálgico do texto, das descrições românticas e do mistério. Senti, contudo, falta de diálogos que cedessem mais agilidade ao texto e personalidade às personagens.

    Um bom conto, muito bem escrito. Mesmo o tema bem exaurido de viagem no tempo não chegou a atrapalhar.

    Abraços.

  11. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Não há dúvidas de que escreve bem. Mas acho que passou um pouco da conta, abusou da técnica e teve momentos em que eu tive que voltar e recomeçar… é um tema que adoro, ponto positivo para isso, mas acho que o tema do desafio ficou meio apagado, perdido em meio a outras coisas…. Sugiro que corte algumas partes que talvez não sejam tão necessárias, enxugar mesmo, mas se quiser que fique longo, que desenvolva mais, e de uma forma que resolva as partes que ficaram meio enfadonhas…

  12. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    O estilo do autor, cheio de metáforas, torna fácil adivinhar de quem é o conto… O enredo assemelha-se à “Casa da Praia” de Daphne du Maurier, onde o autor volta no tempo através da ingestão de um líquido alucinógeno, ou o famoso conto de Matheson que virou filme (“Em Algum Lugar do Passado”). Como disse, esse estilo assim, imaginativo, denso e original torna a leitura uma grande aventura. Parabéns, mais uma vez, um conto perfeito, meu caro.

  13. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2015

    Para mim, o ponto alto do conto foi a frase no final. É o peão do filme A Origem, aquele momento que deixa o leitor ou completamente perdido ou maravilhado, e que faz voltar ao texto e tentar entender melhor. Parabéns por fechar o conto de forma bacana.

    Mas quanto ao restante, não foi do meu total agrado. Não sou o tipo de público dessa forma de escrever, mas até que dessa vez foi satisfatório. O estilo relato foi muito bem escolhido também. No entanto, a trama poderia ter sido mais enxuta e direto ao ponto. O que entendi é que o cidadão voltou ao passado e causou a morte da moça, é isso? Depois voltou e consertou? Boiei no final. Talvez ficasse melhor como filme, e não como conto.

    Menção para a escrita. O autor tem domínio.

  14. Eduardo Selga
    29 de dezembro de 2015

    ENTRE O ENXUTO E O DERRAMADO: UM LIMITE DIFÍCIL

    Viagem no tempo é um tema muito gasto, bem como experimentos científicos dos quais surgem efeitos colaterais. Em função disso, sobretudo, e também por causa de outro aspecto que a seguir comentarei, meus olhos estavam enviesados para esta narrativa. Desde o início até dado ponto vinha à minha mente o primeiro parágrafo da crônica “Salteadores da Tessália”, de Machado de Assis, que afirma “tudo isto cansa, tudo isto exaure”. Entretanto, novamente, a linguagem fazendo a diferença. Aliás, literatura é isso, dentre outras tantas coisas: a demonstração da diferença que faz a palavra e o ritmo dela quando bem colocados esteticamente.

    No conto, a carga de lirismo sem exageros (haverá açúcar mais açucarado do que o melodrama?) consegue, assim entendo, aliviar parte da carga dos citados clichês narrativos. E o faz tendo por cenário o universo circense, que sempre enseja narrativas intimistas. Poderia ter sido mais um ninho do clichê, mas o(a) autor(a) conseguiu escapar dele ao mesclar ao circo eventos de ficção científica, como por exemplo o desaparecimento dos braços do protagonista.

    A outra questão é certo desequilíbrio no trato linguístico. O primeiro parágrafo, e nalgumas outras passagens, há uma grande exuberância textual, o que não é, por si só, defeito, pois há construções estéticas que se valem desse paradigma, perigosamente próximo ao exagero, como o neobarroco. Conseguir trafegar nesse limite é, contudo, delicioso. O que acredito tenha sido negativo foi a oscilação, pois em muitos outros pontos o narrador abandona o tom inicial e assume ares mais objetivos, sem haver motivação estética para tal. Acredito que se houvesse uma uniformidade no trato linguístico o resultado teria sido melhor. Sem abrir mão do artesanato com as palavras, sem abandonar as construções imagéticas. Talvez diminuir sua intensidade, de modo que fosse possível distribuí-la por todo o texto, reduzindo, inclusive, ainda mais o peso dos clichês inicialmente citados.

  15. G. S. Willy
    28 de dezembro de 2015

    O conto não prendeu a minha atenção, pelo contrário, tive que parar e me concentrar várias vezes para continuar. A escrita é ótima, bem desenvolvida, mas o uso de palavras por vezes faz a frase ficar sem sentido ou com sentido incerto. Não dá para saber o que realmente está acontecendo em vários trechos. E no final fiquei realmente sem entender, quem era a filha, como o relógio chegaria nela, sendo que ele deu ao guarda, enfim, fiquei perdido e confuso, talvez numa releitura eu entenda melhor.

    O que me pergunto é onde se encaixa nisso tudo o tema proposto? uma biblioteca é mencionada e só. Acho que o(a) autor(a) falhou nesse ponto.

    Como leitor, não fiquei envolvido com o personagem, que não apresentou profundidade alguma, apenas a curiosidade me atiçou para saber onde a biblioteca seria inserida no conto, o que não ocorreu. Contos de viagem no tempo já estão batidos e raramente trazem algo de novo, como o caso.

    Acho que o(a) autor(a) tem grande potencial, porém precisa revisar melhor o texto para tirar a ‘gordura’ e deixá-lo mais palatável.

  16. Anorkinda Neide
    26 de dezembro de 2015

    Não tive tempo de ler os comentários dos colegas, mas voltarei para ler, pq adoro!
    .
    Gostei bastante da história, gosto de viagens no tempo embora me confunda, quem não se confunde?
    Teu texto é bonito, difícil mas não incompreensível. Embora possa dar uma dosada e simplificar um pouco né? Nos primeiros parágrafos, alguma coisa me escapou da ciência e filosofia descritas ali.
    Mas o enredo entendi e gostei… e dae na frase final deu aquele nó gostoso… a menina era filha dele e do Seu guarda ao mesmo tempo? Ou foi só maneira de falar, chamá-la de filha? Bem.. lerei novamente qd voltar pra ler os comentários.
    .
    Parabéns pelo trabalho aqui, tb vou pensar sobre a biblioteca que acho que apareceu pouco por aqui.
    Abraço

  17. Thiago Lee
    26 de dezembro de 2015

    Fantástico!
    Amei o início e toda sua construção da trama. Sua narrativa, apesar de rebuscada, é eficaz e apresenta a estória ao leitor de forma sensacional.
    Confesso que tive que voltar e reler alguns trechos, para entender alguns pontos, devido ao cunho mais “poético” e por vezes contemplativo do texto.
    Boa sorte no desafio!

  18. Rogério Germani
    19 de dezembro de 2015

    Olá, Friedrich!

    Baseado em opiniões que recebi em contos anteriores, aqui na Entrecontos mesmo, o excesso de adjetivos e explicações aplicados na trama não é saudável ao olhar de muitos. Lembro-me que quase fui taxado de pedante por ter utilizado palavras “rebuscadas”…srrs. Desde então, tento livrar-me deste vício…srsrs

    Agora, o que mais senti falta em seu conto foi um aprofundamento no tema imagem biblioteca. A mesma só aparece neste trecho:

    “Depois desse dia, tranquei-me na biblioteca – devastada pelo deslocamento de matéria e invadida ocasionalmente por interesseiros.”

    Se fosse um teste do Enem, algum revisor de redação diria que seu texto saiu “levemente” do tema proposto.

    Boa sorte!

  19. Fil Felix
    19 de dezembro de 2015

    Um conto muito bem escrito, com passagens inspiradoras (como a morte da moça) e belas construções. Gostei dessa mistura de ficção científica com o arcaico, quase que uma alquimia. E interessante ver como juntou tudo isso com a viagem no tempo, usando o circo como pano de fundo. Adoro o clima circense, me identifiquei de imediato e não foi difícil imaginar todo o cenário. O formato de confissão, criando mistérios e paixões avassaladoras também foram bem conduzidos.

    Pontos positivos que certamente são levados em consideração, pois realmente é um bom conto! Porém, como alguns colegas já comentaram, senti que alguma coisa ficou fora do ar. Aquela sensação de que o conto se arrastou um pouco, pois a linguagem mais densa e carregada nas metáforas travam um pouco. Poderia ter sido mais rápida. Apesar de haver a biblioteca, o conto é muito mais sobre circo que, ao meu ver, sobre a imagem.

  20. Neusa Maria Fontolan
    19 de dezembro de 2015

    Não vi dificuldades em entender como a moça morreu, os braços dele sumiram bem no momento em que ela voava, enquanto ele segurava as cordas de segurança, pra mim está claro. Nem vi dificuldades em entender como ela sobreviveu, ele voltou ao passado com mais tempo, anulando assim o que aconteceu antes. O que me fez parar de ler e voltar com um bom tempo depois foi ler que ele bebeu a formula magica e se materializou com roupas e o relógio, “bebeu”, não foi um portal, nem luzes, fumaça ou qualquer outra coisa que se possa usar em uma história dessas. Na minha opinião eu acho que se bebeu da formula, esta agiria somente em seu corpo, não em suas roupas e relógio.
    Mas, enfim, o conto é ótimo. Meus parabéns e boa sorte.

    • Cleber Duarte de Lara
      19 de dezembro de 2015

      É vdd! Havia estranhado uma beberagem fazer alguém voltar no tempo, mas passou batido esse detalhe das roupas e tudo o mais hahaha

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Agradeço a leitura! Você captou bem o contexto! O caso da materialização é um ponto em que não havia pensado. Vou anotar aqui e rever os conceitos. Quanto aos absurdos, todas as máquinas do tempo são absurdas, sem exceção. No filme A Casa do Lago, a máquina é uma caixa de correio!

  21. Brian Oliveira Lancaster
    17 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: O clima mais pé no chão, na devida medida, aliado aos traços de FC, trazem uma ambientação única, agradando em cheio quem curte a temática.
    U: Gostaria de escrever assim, trazendo inúmeros significados em cada frase aparentemente simples, criando a tão sonhada união entre FC e sentimentos, que é tão raro hoje em dia. No entanto, talvez pela trama exigida, algumas partes soaram um pouquinho exageradas. No geral, está bem escrito, não diria que flui tão bem, mas um olhar atento consegue encontrar as camadas interiores.
    L: A divisão foi bem acertada, pois estabelece três tempos distintos, formando uma frase, pelo que entendi. O conto lembra um pouco aquelas histórias antigas, onde o mais importante era a motivação e não o “como”. Pílulas mágicas e descobertas absurdas faziam parte da sci-fi pulp da era dourada. A revelação final dá o que pensar… Seria dele ou do segurança? Curti como um todo.
    A: A biblioteca faz parte do dia a dia do protagonista, mais ainda depois dos acontecimentos, pois ele se tranca lá dentro. Mas ficou um tanto vago sua utilização; apenas o fato de ter sido revirada constantemente atrás da fórmula.

  22. Fabio Baptista
    16 de dezembro de 2015

    Vou repetir uma história que já contei aqui: certa vez um colega comentou no meu conto: “autor, você escreve bem. Bem até demais!”. Ele se referia a certos exageros que eu havia cometido no conto em questão – muitos adjetivos, muitas passagens elaboradas, etc., que andaram, andaram e não saíram do lugar.

    Acho que o mesmo vale aqui. É notável que o autor domina as técnicas e sabe trabalhar com as palavras, mas o resultado ficou exagerado. Sendo bem sincero (estou cheio de dedos pra falar depois daquela resposta da “Patrícia”, mas vamos lá)… todo esse malabarismo literário resultou num conto… chato.

    Alguns trechos são extremamente inspirados, como por exemplo: “Dizem que o universo conspira a nosso favor. Ledo engano. Ele conspira em favor próprio, e de vez em quando, raramente, somos agraciados com uma carona em seus objetivos.”. Mas o excesso, a busca constante pela construção diferenciada (que soou quase pedante algumas vezes), resultou numa leitura arrastada, pouco clara, onde a trama se perdeu em meio ao virtuosismo. Muitas frases belas que não deram liga para formar um conjunto.

    Comparando com outro conto do certame: Alexandria – ali houve o mesmo sentimento de confusão em relação ao que estava ocorrendo e a escrita não foi das mais fáceis, porém ficou a sensação de “vou ler de novo pra tentar entender melhor!”. Aqui, infelizmente, ficou a sensação “tomara que termine logo”.

    Desculpe, sei que não são palavras agradáveis, mas é essa a minha impressão sincera sobre o texto. Espero gostar mais dos próximos, ou que outras pessoas gostem desse e eu seja voto vencido na minha chatice 😀

    – cai de joelhos e chorei
    >>> caí

    Abraço!

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      É, tentei ser mais “monóculo”; não deu muito certo. Queria dar um ar poético, mas exagerei. Aprendi a lição.

  23. Simoni Dário
    16 de dezembro de 2015

    Bravo! A competência do autor quase não dá margem a comentários. Muito bom mesmo! São muitas passagens excelentes que não dá nem pra citar, porque o texto todo é feito de ótimas construções frasais, que só podem ter saído de uma mente brilhante.
    Nada mais. Perfeito! Parabéns!
    Bom desafio!

  24. Lucas Rezende de Paula
    16 de dezembro de 2015

    Não creio ser o público deste conto, ainda é muito pra mim. Quem sabe futuramente.
    A habilidade com as palavras que o autor tem é inegável, me senti um analfabeto com o meu conto, hahaha.
    A trama eu consegui enxergar (mais ou menos eu acho) e achei bem interessante, viagens no tempo são sempre um prato cheio para qualquer pessoa. A descoberta no destinatário da carta também foi bem interessante, deu aquela sensação de “puuutz… que doidera”
    Não consigo comentar mais sobre o conto, apesar de um pouco confuso eu gostei do que compreendi.
    Boa sorte.

  25. Davenir Viganon
    14 de dezembro de 2015

    Confesso, não peguei bem o conto, mas o que eu (acho que) entendi, eu gostei. A escrita como se fosse uma carta. A aflição do personagem foi convincente. Se fosse um livro eu largaria antes de terminar e tentaria pegar depois de me tornar mais experiente na leitura, porque o assunto é interessante.

  26. JULIANA CALAFANGE
    14 de dezembro de 2015

    Você escreve muito bem e tem notável habilidade com a escolha das palavras. Mas também achei muito prolixo e cansativo, com excesso de adjetivos. Isso, claro, é questão de gosto, portanto não é uma crítica ao seu estilo. Gostei da sua ideia, mas preferiria que fosse desenvolvida de forma mais concisa. Também acho q vc fugiu do tema Biblioteca, dá a sensação de que a incluiu por acaso, só pra adaptar ao desafio. Mas isso não seria problema, se o tema não fosse pré-definido. Concordo com o colega que disse que essa não seria a carta de um cientista, por dar muita ênfase ao lado “humano” e não “científico” nas descrições. Mas efetivamente, há uma surpresa no final, quando desvendamos o destinatário da carta. Parabéns!

  27. Claudia Roberta Angst
    13 de dezembro de 2015

    Acho que o autor estava muito animado para escrever sobre outros temas, como o circo. Encaixou a biblioteca no contexto e mandou ver na viagem fantástica. O problema foi se estender demais, enredar por caminhos muito densos, com adjetivos e descrições demais.
    O ritmo da leitura arrasta-se com a quantidade de palavras sem sinalização de uma pausa, mas sem dúvida alguma, o conto está muito bem escrito. Não há como negar a habilidade do autor com as palavras.
    Tive de voltar para ler algumas passagens, pois me perdi um pouco no seu labirinto de ideias. Talvez tenha sido muita criatividade para o meu cérebro.
    Pena eu não ter conseguido mergulhar na sua trama, fiquei apenas no raso, com preguiça de dar umas braçadas.
    Boa sorte!

  28. Andre Luiz
    13 de dezembro de 2015

    Para mim, talvez pela escolha da forma narrativa, ou pela escolha do tempo histórico e pelo excesso de adjetivos, eu não consegui absorver a melhor impressão e o real enredo que o texto poderia trazer. Vejo que os comentaristas aqui embaixo se dividem quanto a isso, mas, por opinião própria e gosto pessoal, não consigo gostar de um texto prolixo. Eu, inclusive, praticamente desisti de dois livros do aclamado Stephen King por não suportar mais sua prolixidade. Enfim, são opiniões próprias.

    Contudo, tenho de salientar que você sim tem um conhecimento muito interessante sobre a língua portuguesa como um todo, e consegue brincar com as palavras com convicção do que está fazendo. Reiterando Daniel Reis, o conto tem vários aspectos para ser bom, mas não me cativou. Boa sorte!

  29. Daniel I. Dutra
    13 de dezembro de 2015

    Gostei do conto.

    Sobre o estilo prolixo e carregado de adjetivos, não vejo isso como um defeito. Encaro mais como uma forma de expressar, por meio da própria linguagem, a complexidade da trama.

    Não considero adjetivos e prolixidade como ruim em si. Em algumas histórias, como essa, por exemplo, funciona bem.

    Outro autor usa bem esses recursos é o H.P. Lovecraft. Aliás, o conto lembra em alguns momento o estilo dele.

  30. Leonardo Jardim
    12 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): como toda história de viagem no tempo, essa é bastante complexa. Aliada à prolixidade do narrador e ao vocabulário rebuscado, a história ficou um pouco obscura. Mas, na parte que entendi, achei bem legal. Fiquei com algumas dúvidas com relação à história, como por exemplo o motivo da morte da trapezista (ele sabotou as cordas ou elas arrebentaram por descuido dele?). Boiei ainda mais na parte que ele conseguiu evitar a morte dela. O texto diz como ou deixa em aberto? E os paradoxos? Como ele conseguiu ir tantas vezes ao mesmo ponto do tempo e uma versão sua não influenciar a outra? Enfim, muitas dúvidas 🙂

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa. Percebe-se que o autor sabe escolher bem as palavras. Mas, achei a narração um pouco exagerada e prolixa. Isso atrapalhou um pouco a condução da história.

    🎯 Tema (⭐▫): a biblioteca é apenas uma passagem rápida no texto. Não é parte da trama.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto é criativo, mas bebe de fontes de outras histórias de viagens do tempo.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): na parte do texto em que me apeguei à trama (a primeira visita dele ao passado), eu gostei bastante. A morte dela e as outras visitas me deixaram boiando. O fim é bem louco e interessante, mas o impacto é diluído pela falta de compreensão plena.

    💬 Trecho de destaque: “O tempo voa e escorre pelas mãos de uma criança, cuja ampulheta quebrada já não satisfaz o desejo mórbido de admirar o desconhecido, velho sábio que insiste em cavalgar na direção contrária, arrancando o que nos resta de fôlego.”

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Agradeço as críticas! Respondendo as perguntas:
      – motivo da morte da trapezista: ela morre de qualquer forma (conforme lido no jornal depois), mas com o advento do viajante, ele causa a morte na primeira vez, pois seus braços desaparecem enquanto segurava as cordas. O caso do paradoxo, para falar a verdade, nem pensei nesse fato, ficou subentendido que ele não encontra consigo mesmo. Ele apenas adia o inevitável, até que ela tenha uma filha com seu namorado, o guarda. Mas então, ele passa a vigiar seus passos (da filha do cara), conforme demonstra a carta no final. Sim, a filha é do guarda (na terceira vez menciona que ele deixou a fama de salvador para seu concorrente), por isso coloquei “filha” entre aspas no final. Confuso? sim, eu sei. Viagens no tempo são assim.

  31. Daniel Reis
    12 de dezembro de 2015

    Com ecos de Hermann Hesse, a narrativa me pareceu uma pintura com pinceladas rápidas e intensas, em uma grande quantidade de cores, que em alguns trechos acaba sendo apagada para o autor colocar mais uma camada de cores. Confesso, me cansou um pouco, mas é mais questão de gosto do que de pôr defeito.

  32. Antonio Stegues Batista
    11 de dezembro de 2015

    Muitos adjetivos desnecessário. Algumas ideias eu não consegui entender. Acho que algumas coisas ficaram apenas explícitas na visão do autor. Nos primeiros parágrafos, o autor leva o leitor a dar muitas voltas para chegar a um ponto, onde a linha reta seria o melhor caminho. Algumas coisas ficaram mal explicadas. É muita teoria de ideias para uma estória simples sobre viagem no tempo e o drama do protagonista confuso com a própria existência.

  33. Evandro Furtado
    11 de dezembro de 2015

    Olá caro autor, seguem minhas considerações:

    Fluidez – 6/10 – senti o início bem travado, depois a coisa andou um pouco melhor. Ainda assim tive que voltar várias vezes no texto porque havia perdido partes interessantes;
    Estilo – 6/10 – houve um momento em que a narrativa assumiu um estilo parecido ao daquelas histórias policiais contadas no rádio na década de sessenta. Infelizmente, em alguns momentos você optou por utilizar técnicas que não permitiram criar uma coesão entre as partes e a coisa toda ficou um pouco travada;
    Verossimilhança – 8/10 – plausível, apesar de você ignorar o paradoxo temporal algumas vezes. Nada demais;
    Efeito catártico – 4/10 – tive que voltar no texto pra pegar o gancho do final, e mesmo assim ainda tô aqui tentando criar uma explicação. Acho que, pelo menos na parte em que você havia dado o gancho, deixasse a coisa um pouco mais simples, pra frase final dar mais efeito. Mas é um conto bacana.

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Ela é filha do guarda. Na terceira vez o viajante diz que deixou a fama para seu concorrente. Mas, como o viajante se sente culpado, deixou a fórmula para essa filha que não é sua. A mãe morre de qualquer forma.

  34. catarinacunha2015
    11 de dezembro de 2015

    TÍTULO adequado, já que não revela o “segredo” de imediato, gerou suspense. O FLUXO tende à prosa poética, mas a introdução de diversas explicações científicas travou minha leitura e quebrou o ritmo.
    A TRAMA de quebra-cabeça é interessante, mas não entendi como a trapezista foi salva… ela foi salva?: “Por ter salvo aquela vida, …” Gosto da quantidade de tramas criadas, mas não para um conto e sim três porque se abriu muitas portas e janelas que ficaram batendo no caminho. (você mesmo dividiu em 3 partes). Acho que daria um romance ou 3 contos interligados. O questionamento existencial com o espaço x tempo foi a cereja do bolo que comi com prazer.
    Os PERSONAGENS estão bem construídos e há emoção sincera em suas ações. A volta do segurança do circo e o relógio deu um FINAL a se pensar.

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Infelizmente, ela morre de qualquer forma. O jornal deixa isso claro. Ele apenas atrasa essa morte, dando a oportunidade dela ter uma filha com o guarda (como ele se sente culpado, passa a cuidar dela à distância, senão ele não saberia que ela daria uma ótima engenheira química – sim, essa parte não ficou muito clara). Preciso rever.

  35. Cleber Duarte de Lara
    11 de dezembro de 2015

    CRITICA
    Estilo: Seu estilo procura ser poético, mas acaba sendo adjetivo demais e destoa da pretensão realista ou de ficção científica que você que você quis dar à estória durante seu desenvolvimento. A união de objetivos poéticos e polissêmicos uma trama que se se pretenda intrincada e verossímil, minimamente, soa pedante e difícil. Uma junção ousada assim exige a habilidade e a experiência de um Poe, de um Augusto dos Anjos ou mesmo de um Borges.
    Resumindo, por enquanto tal ambição nos é querer dar um passo além da perna, apesar do talento que possamos ter.
    Alguns exemplos de elementos mau empregados nesse contexto:

    1) Citações latinas:
    – a) “Tempus fugit…” => Entendo que tenha pretendido dar um tom de erudição científica, mas que se utiliza de citação em relatos? Ou em cartas? Juristas e não físicos/químicos/botânicos como parece ser o caso (sim, botânicos podem usar mas apenas no contexto taxonômico, como empregado com o cipó mais a frente). Desculpe, mas parece mais a carta do Michel Temer do que a de um grande cientista. Se quis ir para a veia do fantástico e sugerir que se tratava de um alquimista, isso também não fica claro em momento algum.
    – b) “Liana Saecula… Ou Cipó das Eras. Guarde bem esse nome.” => O leitor guarda o nome pra nada, a importância posterior da citação da espécie é nula, apenas serve pra confundir, na prática.

    2) Antíteses despropositadas:
    – a) “a delicadeza dos poderosos” => Em um soneto, faria sentido, em um conto em que tais poderosos representam um conspiração e uma força persecutória que destrói o laboratório do narrador, não, apenas deixa ambíguo.

    – b) “respostas para perguntas ainda não formuladas” => A série dos experimentos todos é sem sentido para o cientista, e este não possui nenhum projeto de pesquisa claro, passando seu tempo fazendo truques de “mágica” e reagindo o estoque químico para estudantes sem nada de promissor… E ainda com verba pública? Que vem de modo “gentil”? É muito relativismo pra um ambiente que se pretende “científico” ao ponto de possuir um acelerador de partículas.

    – c) “no desconforto de meu lar”=> Tudo lhe é atroz, a quinta feira é desagradável, como todas as outras, tudo oprime como se fosse o romântico jovem Werther, esses espasmos ultra-românticos são despropositados e não parecem possuir nenhuma boa justificativa estética dado o conjunto da narrativa.

    3) Perguntas retóricas que trava o texto e são supérfluas ao leitor:

    “O que fiz? Talvez pergunte.”;”Teria coragem de, pelo menos, falar com ela? Não.”.
    No segundo caso, apenas poderia ter dito que não teria coragem de falar, há mais perguntas espalhadas pelo texto que o deixam cansativo assim.

    4) Pontos sem sentido:

    – a => “Metáforas. Acompanham-me “. => As metáforas sofrem a ação de acompanhar, mas estão em outro período.

    – b => “Pense. O que faria se… “. Mesma desconexão entre os períodos sem justificativa.

    Enredo/trama: Pensei mesmo em reler, mas não creio que entenderia melhor como a menina poderia ser filha da trapezista, ou qualquer outra revelação semelhante pretendida no final. Há falta de originalidade ao voltar e não conseguir salvar a moça, a obra de H.G. Wells (principalmente após a versão cinematográfica) vem à mente de qualquer um quando o assunto é viajem no tempo.
    Um ponto que precisaria ser reescrito é o da descoberta da fórmula, que, sem ofensa, parece mais a criação das meninas superpoderosas do que uma técnica para se viajar no tempo.

    Deixo a análise relativa a outros pontos aos colegas, espero ter ajudado caso for rever e cozer as pontas soltas.

    PONTOS POSITIVOS

    A estória em si pode ser bem aproveitada, a ideia de um viajante no tempo, com amnésia, prestes a desaparecer enquanto procura tornar-se de fato visível à amada trapezista é uma imagem poderosa. Em uma narrativa mais longa, com mais tempo de pesquisa pode dar um bom livro. Mas isso exige esforço e reescrita árdua. Enfim, pra terminar digo que tamanho projeto, tão ambicioso, é sinal de uma coragem ímpar! rsrs
    Boa sorte!

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Agradeço as críticas! Quanto a verba ser cedida gentilmente, era sarcasmo. Devia ter colocado entre aspas. Quanto à criação da fórmula, me apeguei aos filmes antigos e revistas pulp – não há explicações sobre como acontecem. Há muitos filmes recentes, como Efeito Borboleta, que também se utilizam de artefatos sem sentido para viagens no tempo (consciência!). Todas as máquinas do tempo são absurdas, pois não existem. Quando à sua amargura, acho que o texto deixa bem claro – ele é um cara que perdeu/matou seu interesse romântico, depois entende que não há conserto e ainda cuida da filha do outro à distância (ele já sentia isso no início da carta, viagem no tempo, lembra?).

  36. Gustavo Castro Araujo
    10 de dezembro de 2015

    Excelente conto. Habilidade no uso das palavras, na demonstração das ideias e na instigação do leitor. Argumentos fortes, parágrafos bem construídos e, apesar de certo rebuscamento, uma narrativa fluida a respeito do amor.

    De fato é um texto muito bom. Misturado à ideia de viagem no tempo, tendo como pano de fundo a lona de um circo, agrada em cheio. A maneira como o narrador descobre a fórmula, suas tentativas de reescrever o passado, sua frustração e resignação, enfim, torna o leitor atento seu cúmplice, o que é reforçado pelos momentos em que se dirige diretamente à platéia.

    Em certos momentos, lembrei-me da premissa de “Novembro de 1963” o recente romance de Stephen King que um professor volta no tempo com a intenção de salvar John Kennedy de ser assassinado. Nessa obra, o autor americano defende a ideia de que mesmo pequenos gestos que alterem o passado podem repercutir de forma relevante no futuro. Nisso se diferencia deste conto. Em outro aspecto, porém, se aproxima, quando diz que o tempo, entendido como entidade, de tudo faz para manter a história como ela é, exigindo daquele que pretende alterá-la, esforços redobrados.

    Esse jogo “efeito borboleta X maremoto” é bem explorado neste conto, fazendo o leitor pensar. É esse, aliás, o maior mérito da obra. Imagino, porém, que haverá quem considere o texto enfadonho e mesmo pretensioso, já que não se trata de uma leitura pasteurizada, de rápido consumo. Ao contrário, exige atenção. Para aqueles que compreendem essa demanda, o prêmio é farto, uma história fantástica.

    Parabéns.

    • Cleber Duarte de Lara
      11 de dezembro de 2015

      kkkk, acho fizemos comentários simultâneos e complementares. Focando um na forma e outro no potencial da estória, Gustavo.
      Mas concordo contigo, exige atenção do leitor. Além de muita imaginação! rsrs

    • Brian Oliveira Lancaster
      3 de janeiro de 2016

      Agradeço a generosidade, mas acho que exagerei um pouquinho.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .