EntreContos

Literatura que desafia.

Clube dos Amigos de Outubro (Fabio Baptista)

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Tudo começou com um floco de neve.

Voltávamos da escola, pelo caminho que era mais pasto de cabra do que rua, conversando sobre figurinhas, futebol, bolinhas de gude e assuntos da mais alta seriedade e importância afins, em meio a tantas risadas que nem percebemos as nuvens tomando conta do céu. Um vento frio arrepiou a penugem que brotava em nossos braços e lançou sobre nós um manto de silêncio. Como se estivesse tudo ensaiado, voltamos a atenção para cima, com sincronia olímpica, e então nós vimos: descendo ao sabor da brisa, dançando a valsa que só as crianças e os anjos podem escutar, singrando pelo oceano feito da matéria-prima dos sonhos e ancorando em cada uma de nossas memórias, ali estava ele – o primeiro cristal de uma nevasca completamente inesperada para Outubro. Nós acompanhamos, hipnotizados, aquela trajetória tão imprecisa quanto mágica, por uma eternidade condensada em alguns segundos, até que o floco resolveu pousar no rosto do meu amigo, que convergiu o olhar e ficou vesgo sem querer, para fixar o pontinho gelado na extremidade do nariz. Não aguentei e comecei a rir daquela cena. Ele percebeu, desfez a cara de bobo e riu também. Quando as gargalhadas cessaram, nossos olhares se imiscuíram.

E, nesse momento, tive certeza que nos amaríamos para sempre.

Eu não sabia o que nos aguardava num futuro distante ou sequer o que nos aguardava dali a cinco minutos, não tinha a menor noção do abismo infinito que “para sempre” queria dizer e nem mesmo possuía qualquer consciência do significado da palavra “amor”. Mas fui inundado pela convicção que só acomete os simplórios e os inocentes. E eu soube. Simplesmente soube. “Jamil…”, comecei a falar, quase sem me dar conta. Teria economizado alguns dos anos banhados em incerteza que sucederam esse dia, caso conseguisse completar a frase.

Mas daí, Samira apareceu e estragou tudo.

— Estão fazendo o que aí, olhando pra cima e rindo que nem uns palhaços? – ela perguntou, ciente que estava atrapalhando alguma coisa.

— Estamos… estamos vendo a neve cair, Samira. – Jamil apressou-se a responder, apontando o dedo para os outros flocos, que desciam feito um esquadrão de diminutos paraquedas brancos em nossa direção.

— Olhando a nevezinha cair, é? Ui, ui, ui, que meigo! – ela fez gestos de desdém, com as mãos espalmadas à altura dos ombros.

— Na verdade, a gente tava esperando pra ver quem seria a menina mais retardada a passar por aqui. Parabéns, você ganhou! – falei em tom de brincadeira, encarando-a.

— Ai… ai… – Samira contorceu o semblante em dor, levando as mãos ao coração como se tivesse acabado de ser baleada. – Essa doeu, Altair! Eu até me renderia… se você não fosse tão lerdo! – num bote ela tomou o caderno que eu segurava e saiu correndo, gargalhando.

Corri atrás dela, bradando as ameaças infundadas que as crianças lançam umas às outras: “quando eu te pegar, você vai ver!”, sem fazer a menor ideia do que de fato ela veria caso a alcançasse. Jamil não tardou a me ultrapassar com suas passadas de dromedário magro – ele sempre foi mais rápido que eu. E Samira, sempre mais rápida e mais esperta que nós dois juntos. Ela esquivou-se por becos e vielas, deslocando-se com naturalidade pelo chão que já começava a ficar enlameado por causa da neve. Jamil levou um escorregão. Acelerei para tentar ajudá-lo e escorreguei também. A gargalhada ficava cada vez mais distante e nós, cada vez mais molhados. O ar já queimava ao entrar no meu peito quando notei aonde ela ia.

Não consegui disfarçar o medo, ao ver Samira parada à porta da casa amaldiçoada.

— E aí, seus tontos, estão com medo? – ela acenou com o meu caderno.

— Brincadeira boba, Samira! Já perdeu a graça. Vamos embora, vamos… – Jamil tentou apelar ao bom senso.

— Essa casa está cheia de Djinns e Efreetis! – repeti as histórias que o povo contava e eu fingia não acreditar, mas naquela hora percebi que acreditava. – E eles gostam de comer carne de idiotas! – provoquei, sem saber que apenas agravava minha situação.

— Ah, então é melhor você não vir mesmo, Altair! – ela entrou e bateu a porta. Depois apareceu na janela e completou: – vem logo, seus frangotes, senão o Efreeti da pneumonia vai aí fora pegar vocês! Tem uma coisa que quero mostrar…

Encarei Jamil e ele concordou com meu olhar, que dizia: “bom, se uma menina foi, vai ficar feio a gente não ir…”. Então nós fomos. Com um medo que desonraria as gerações de antepassados dos nossos pais até Ismael, mas fomos. Ao cruzar a porta, Samira saltou detrás de uma cortina para nos receber com um grito pavoroso e… bom… e ainda bem que eu havia ido ao banheiro lá na escola. Ela zombou de nós até quase ficar sem ar, depois subiu as escadas de madeira, secando as lágrimas trazidas pela doce alegria da maldade. No segundo andar, estava o que Samira queria mostrar: uma sala caindo aos pedaços, carregada com o cheiro acre de poeira e coisas velhas, com uma poltroninha ao centro e um sofá num dos cantos (ambos certamente dominados por uma horda de ácaros de contingente inimaginável) e ladeada por muitas prateleiras, todas apinhadas por livros e mais livros.

Samira acendeu velas e também uma lamparina que trazia na mochila, mostrando intimidade com o ambiente. Puxou um dos incontáveis volumes que nos rodeavam, atirou-se à poltrona e abriu-o numa página qualquer, mas ficou nos observando em vez de ler. Jamil caminhou lentamente e examinou os livros, deslizando os dedos por eles como se procurasse um título específico. Eu fiquei espirrando igual um condenado.

— E aí? – Samira perguntou, tentando não mostrar ansiedade.

— Esse lugar é mais feio que a sua cara, Samira! – Jamil respondeu.

— Como você é tonto, Jamil! – ela retrucou. – Não está vendo quantos livros tem nesse lugar?

— Livros são chatos e não servem pra nada além de apoiar mesas e estantes pensas, Samira. São inúteis. Inúteis! – falei com desprezo sincero, já contorcendo o rosto para mais um espirro.

— Você não sabe nada, Jon Snow! – Samira afirmou, sorrindo. Só fui entender o que aquilo queria dizer depois de muitos anos.

— Jon-o-quê?

— Deixa pra lá. Sentem aí, seus cabeças-de-kebab-podre, que eu vou contar uma história pra vocês.

Obedecemos. Samira sempre exerceu, e sempre haveria de exercer, uma influência quase mágica sobre nós. No sofá apertado, meu braço roçou no de Jamil e senti um calafrio nascer nos calcanhares e subir todo corpo até morrer nos pelos da nuca. Samira cerrou os olhos para mim, como se dissesse: “sim, eu percebi”. Depois ela iniciou a narrativa da história de um homem que ficou obcecado em matar uma baleia gigante. As palavras saiam com tanta vivacidade que parecia que ela própria havia passado uma temporada entre os marinheiros, aprendendo tudo sobre navios, peixes e o mar. O vento e a chuva, que castigavam o mundo lá fora, ajudaram a construir o clima perfeito para aquele enredo e, de determinado ponto em diante, senti que não estava mais numa biblioteca mofada, mas num baleeiro, cavalgando as ondas de arpão em punho, à caça do terrível cachalote branco. Posso viver mais um milhão de anos que jamais esquecerei aquele dia.

— Então, gostaram? – Samira questionou, triunfante, ao final da história, que nos deixou num estado vegetativo de tristeza e perplexidade.

— Hum… é… mais ou menos… – não queria dar o braço a torcer, mas a minha cara e a dificuldade de articular uma simples frase revelavam o que as palavras tentavam esconder.

— Sei… – ela sorriu com cinismo, pois sabia que podia ler minha alma e, o que lhe dava ainda mais prazer: sabia que eu sabia que ela sabia. – Pois, tendo gostado ou não, o nosso clube está devidamente fundado.

— Clube?

— Sim! Seremos a “Sociedade dos Poetas Mortos” e nos reuni…

— Samira… – Jamil saíra do transe causado pela história – não somos poetas, tampouco estamos mortos. Ou seja: esse é o nome mais idiota que eu já vi!

— Fala um nome melhor, sabichão – ela desafiou, visivelmente contrariada.

— “Clube dos Amigos de Outubro”… – Jamil afirmou, como se já tivesse pensado nisso há tempos.

— Que ridículo! – Samira se indignou.

— Ora, estamos formando um clube em Outubro e… somos amigos! – ele defendeu a ideia.

— Eu acho que faz sentido. Gostei! Dois votos a um – dei meu apoio, só pra ver a cara da Samira, mas na verdade eu também tinha achado tosco. Nunca contei isso pro Jamil.

— Tá, que seja! – ela bufou. – Nos reuniremos aqui duas vezes por semana. Agora vamos embora, aproveitar que a chuva parou.

— Samira, você é mais retardada do que pensei, se acha mesmo que vamos voltar aqui algum dia… – afirmei em escárnio, com a certeza que jamais colocaria os pés ali novamente.

Desnecessário dizer que no dia seguinte estávamos lá de novo.

***

Por pressão de Samira, acabei lendo Moby Dick. Não vi nada além de um amontoado de descrições enfadonhas sobre coisas que não me importavam, que em nada lembravam o relato cheio de vida realizado com a cumplicidade da nevasca de Outubro. Foi assim com praticamente todos os outros livros, de modo que sempre preferia a versão das histórias contadas por ela, que, apesar de jamais ter confessado, adorava fazer as honras de Sherazade. Mas nem só de literatura viveu o Clube dos Amigos de Outubro. Também ouvimos música, brincamos de evocar os espíritos dos mortos com copos e compassos (felizmente sem sucesso), conversamos sobre coisas da vida, sobre comidas preferidas, sobre sonhos e pesadelos, falamos de amizade, ficamos em silêncio como só amigos podem ficar, levantamos teorias sobre os antigos donos daquela casa e o porquê do teto e das paredes terem se deteriorado tanto. Chegamos à conclusão de que talvez o destino de todas as coisas e de todos os sentimentos fosse o inexorável desgaste causado pelo tempo.

Fizemos, falamos e pensamos tudo isso.

E também fumamos haxixe.

Samira trazia (ela nunca nos disse de onde, pois éramos “idiotas demais para usar sozinhos”) aquele pó marrom e nós fumávamos a tarde toda. Nessas oportunidades, víamos os Djinns que diziam habitar a casa, saindo de suas lâmpadas encantadas para aprisionar a alma dos incautos. E também dragões, javalis voadores, fadas, nasnas, leões falantes. Víamos os Efreetis envoltos em labaredas de fogo e os anjos que Alá enviava para combatê-los. Uma ou duas vezes, posso jurar que vi até o profeta.

Para que tudo ficasse perfeito, faltava apenas que eu recuperasse a coragem que tive naquela tarde de neve e dissesse a Jamil o que sentia por ele. E o que, de alguma forma, também tinha certeza que ele sentia por mim. Apesar dessa certeza, o medo me dominava, me soprava aos ouvidos que aquele amor era errado, que a reciprocidade existia apenas na minha cabeça e que eu arruinaria a minha vida e a de todos à minha volta se ousasse revelar o que se passava em meu coração. Isso me fez desistir, me fez gritar e chorar com a cabeça enfiada no travesseiro, sufocado pela covardia, um sem número de vezes. Um dia, porém, Samira resolveu o problema.

Jamil estava dançando no meio da biblioteca, do jeito engraçado, que fazia parecer que os ossos eram de borracha, que só ele sabia dançar. Às gargalhadas, Samira e eu acompanhávamos a performance, largados ao sofá, entupidos de haxixe até o último neurônio. De súbito ela se levantou, me arrastando junto, e adiantou algumas faixas no mp3. Enquanto Brian May tocava seus acordes, nós três ficamos abraçados, dançando em círculos – tão suave, tão cadenciado, tão… perfeito. Então ela me beijou. E depois beijou Jamil. “Viu? Amigos também podem beijar”, ela falou, sorrindo num amálgama de malícia e inocência. Daí nos segurou pela nuca e empurrou minha boca para a boca de Jamil. Não precisou forçar muito. Na verdade, não precisou forçar nada.

Os beijos (e também as coisas que costumam vir em seguida) foram constantes depois daquela ocasião. Samira tinha consciência que nem Jamil e nem eu poderíamos desejá-la com o mesmo ímpeto que desejávamos um ao outro, mas isso não a entristecia. “No final, tudo é amor”, dizia. Às vezes ela nos deixava a sós, às vezes ficava lendo e nos observando, às vezes se juntava a nós. Nessas ocasiões, nós a recebíamos como nossa rainha e desafiávamos as leis da física ao juntar três corpos num sofá tão pequeno. No final, tudo era amor. Foram dias bons. Foram os melhores dias da minha vida. De um jeito ou de outro eles acabariam, pois, mais cedo ou mais tarde, tudo se desgasta, todas as histórias acabam.

Infelizmente, a nossa acabou da pior maneira possível.

***

Numa tarde particularmente escaldante, ouvimos gritos vindos de longe. Samira interrompeu a história que contava e foi à janela, curiosa. “Ei, seus cabeções… vão ficar aí? Vamos até lá ver o que está acontecendo, pode ser que alguém precise de ajuda!”, ela decretou, já correndo escadas abaixo. Se pudesse voltar o tempo, seguiria os instintos que me afloraram na alma e a teria segurado, a teria amarrado com cordas se fosse preciso (provavelmente seria). Mas eu a segui. E Jamil veio comigo, como sempre fazia. Rapidamente chegamos ao centro do vilarejo e quando percebemos o que estava acontecendo, já era tarde demais. A sombra maligna que se avolumava no oeste e gerava pavor velado nas conversas dos adultos, o mal travestido de fé – que aos nossos ouvidos soava apenas como as histórias de Djinns e Efreetis que as mães contam para manter os filhos da linha e do qual nos julgávamos protegidos em nosso refúgio de livros e amor – havia chegado, devastador e sem qualquer aviso, como um terremoto, um furacão ou outro desastre que só faz trazer dor e morte e desespero e desgraça.

Trouxeram metralhadoras, facões e caminhonetes, com caçambas semelhantes a jaulas presas às carrocerias. Aleatoriamente, eles decapitavam e mutilavam mulheres idosas e homens de todas as idades. A sobrevivência dependia tão somente da sorte. Ou, como concluí depois, do azar. Tentávamos correr, mas eles nos cercavam. No meio do turbilhão de semblantes ensanguentados e amedrontados, perdi Samira de vista.

— Altair, eles estão levando ela embora! – Jamil me puxou pelo braço, chorando, com toda tristeza do mundo estampada no rosto.

Nós avançamos contra a multidão que tentava a todo custo se afastar dos invasores, abrindo caminho até a rua apenas para ver Samira sendo levada numa das caminhonetes, junto com outras mulheres e crianças. Nós vimos as mãos dela esticadas para fora da grade, implorando por uma ajuda que jamais viria. Vimos seus olhos de animal selvagem capturado. Vimos seu medo. E não pudemos fazer absolutamente nada.

No rastro de poeira dos caminhões, um vizinho meu estava ajoelhado, prestes a ter a cabeça separada do corpo. Porém, antes que o facão pudesse fazer seu “trabalho”, ele me viu, e, num último ato, talvez para tentar desviar a atenção do algoz ou tão somente para arrastar mais alguém para o inferno consigo, apontou na minha direção e gritou: “veja, aquele ali é um desses afeminados!”. Instintivamente, recuei um passo. E, com isso, Jamil ficou na linha de visão dos invasores. Eles o agarraram e o atiraram numa das jaulas, com uma rapidez que não deu margem a qualquer reação. Eu gritei o nome do meu amado, mas isso não o trouxe de volta. Tive o ímpeto de tomar uma daquelas metralhadoras e revidar, mas alguma coisa bateu forte na minha cabeça e meu mundo apagou, antes que qualquer plano heroico-suicida tivesse oportunidade de ser colocado em prática.

Acordei em meio à poeira, ao sangue, aos corpos e pedaços de corpos, que se espalhavam por onde quer que se olhasse. A noite estava gelada e silenciosa, com um cheiro de ferrugem, tripas e carniça que ficou impregnado na alma e voltaria para me atormentar todos os dias em meus pesadelos. Em estado de choque e com a nuca latejando, caminhei por aquela desolação despropositada. Vi a cabeça decapitada do meu vizinho. Primeiro, o amaldiçoei. Depois, senti inveja. Dele e de todos os outros que perderam a vida e não teriam que lidar com as consequências daquele dia terrível.

***

Muito tempo se passou depois disso. Muito mais tempo que eu gostaria que tivesse passado. Às vezes, penso que a morte me esqueceu, ou que talvez esteja fazendo um jogo sádico comigo. Ou talvez a morte tenha medo dos Efreetis que dizem habitar essa casa amaldiçoada, onde passo a maior parte do tempo, remoendo lembranças de dias melhores. Li todos os livros e, quando encontrar Samira novamente, direi que eu estava certo e ela errada, que todos eles são de fato inúteis – nenhuma das histórias fez os anos retrocederem, nenhuma das histórias os trouxe de volta para mim. Por vezes pensei em cortar os pulsos e forçar um ponto final de uma vez. Principalmente quando ouvi os rumores sobre o destino reservado às mulheres e aos “afeminados” capturados. Imaginei Samira sendo vendida como escrava, sendo violentada e espancada dia e noite pelos soldados. Imaginei Jamil sendo apedrejado, atirado de um prédio, ou vagando pelo deserto com o “orifício corrompido pelo mal” lacrado por um tubo de cola.

Só continuei pela esperança boba de que um dia eles retornariam. De que um dia eles subissem essas escadas, sorrindo como se nada tivesse acontecido e então nós poderíamos dançar abraçados de novo. E poderíamos nos beijar de novo. Meu querido Jamil. Minha doce Samira. Eu amo e sinto falta de vocês.

Em todos os meus dias, em todas as minhas horas.

Em todos os Outubros da minha vida.

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38 comentários em “Clube dos Amigos de Outubro (Fabio Baptista)

  1. Jef Lemos
    7 de janeiro de 2016

    Não poderia esperar menos do Homem de Preto!

    Uma história belíssima, tão fluída quanto um riacho que corre inexoravelmente através do tempo. O título, sem sombra de dúvidas, é a cereja do bolo.
    Essa reunião de outubro me lembra Gaiman, e a qualidade aqui é a mesma de lá.

    Parabéns pela vitória merecida!

  2. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ Clube dos Amigos de Outubro (Altair)

    ஒ Físico: Esse é um texto belíssimo. Seja na narrativa excepcional, seja na estética, seja no desenvolvimento. Tudo tão natural. Tudo tão real. Só tenho uma coisa para o autor: CLAP, CLAP, CLAP, CLAP!

    ண Intelecto: Altair demonstra com facilidade como se deve construir uma boa estória. Os personagens possuem vida própria e deixa eles conduzirem o enredo. Ele precisa introduzir apenas alguns elementos. E o texto ganha vida própria. O conto cativa, de verdade.

    ஜ Alma: O conto se encaixa no tema de forma perfeita. A biblioteca ganha tanta importância que ela é quase um personagem da estória. É o local do Clube dos Amigos de Outubro. O autor tem muito talento nessa área. A única orientação que posso dar para ele é que procure escrever novelas ou romances, pois sua escrita e capacidade está bem mais voltada para isso.

    ஆ Egocentrismo: Amei o texto. Ele é completo, real e natural. E trás uma estória emocionante. Mostra para nós como a amizade é importante. E como ficamos quando a perdemos de forma traumática. Solitários. Lindo, lindo! CLAP, CLAP!

  3. rsollberg
    4 de janeiro de 2016

    Clube dos Amigos de Outubro (Altair)

    Gostei muito da pegada desse conto. Rápido, bem escrito. Apesar de conter uma trama universal, penso que o Autor foi feliz na escolha do lugar. Os personagens foram muito bem desenvolvidos. Achei legal o uso de algumas referências.

    Sempre fico na dúvida com esse negócio de “afeminados” ou “efeminados” algum professor de plantão para dar uma ajuda?

    Voltando… Esse é um texto onde praticamente todos os elementos foram bem utilizados, até o final mais triste casou bem com a estória. Os diálogos foram bem aproveitados, com uma pitada interessante de humor, como no caso da “sociedade dos poetas mortos”, rs.

    Um ótimo conto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. André Lima dos Santos
    2 de janeiro de 2016

    Também me lembrou muito “O Caçador de Pipas”. O conto está muito bem escrito e você conseguiu dar vida aos personagens em poucas palavras. Me senti ligado emocionalmente aos personagens. Pra mim, isso é um desafio e tanto para um contista.

    Meus parabéns. Tenho certeza que o conto estará entre os primeiros colocados.

  5. Evie Dutra
    2 de janeiro de 2016

    Mais um conto que me surpreendeu! Amei a inocência das crianças retratada no início do conto. Você soube descrever tudo muito bem. Sua escrita é cativante!
    O tema foi bem original e, apesar de um pouco pesado (para mim), foi interessante ler algo fora do comum neste desafio.
    Confesso que, como já foi dito em um dos comentários, a única parte que não agradei foi em relação aos “momentos sexuais” dos personagens. Foi como um balde de água fria na inocência das crianças que riam e se divertiam, enquanto contemplavam flocos de neve. Porém, independente de meu gosto pessoal, seu conto está fantástico. Parabéns.

  6. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Achei que não ia gostar muito do conto pelo início (segundo parágrafo). Estava achando que havia um excesso de metáforas e figuras de linguagem no geral. Não sei exatamente o que aconteceu, mas depois dos primeiros diálogos (que me soaram um pouco caricatos), fiquei amarrado à história.

    Gostei muito da narrativa, da criatividade, do cenário fora do lugar comum (Era o Libano? Ou não há uma localidade exata?). O islamismo apresentando personagens doces e humanos. Adorei o desenvolvimento de Samira e me envolvi com o seu final trágico. A dinâmica de amor entre os amigos e até o título do conto me pegaram. Não acredito que estou tão emocionado com a história rs

    “Por pressão de Samira, acabei lendo Moby Dick”

    O “primeiro” livro que Samira faz o amigo ler é Moby Dick? rs Que amiga cruel rs.

    Olha, meus parabens, Altair. Gostei muito.

  7. Piscies
    2 de janeiro de 2016

    Uma história comovente, narrando a realidade de um mundo que, para muitos, não existe fora dos noticiários da TV e filmes hollywoodianos. E também, é claro, a realidade das pessoas que optam por ter uma sexualidade “diferente da dos demais”.

    A biblioteca aqui é cenário principal, longe da trama mas, ao mesmo tempo, sempre presente. Jamil, Altair e Samira foram muito bem trabalhados. Personagens com personalidade, o autor fazendo com que o leitor crie ligações fortes com eles, o que ajuda a sentirmos a dor da perda conforme o conto vai chegando ao seu fim.

    O autor escreve muito bem. Não vi problemas na técnica, nem na trama, na verdade. Foi um excelente conto, de excelente leitura. Conforme Alan Poe costumava falar, prendeu a minha atenção e me fez sonhar pelo curto tempo livre que tinha.

    Parabéns!!

  8. Phillip Klem
    2 de janeiro de 2016

    Boa tarde.
    Gostei muito do seu conto, principalmente pela sua escrita. Você escreve de maneira sensível e delicada, mesmo quando a tragédia chega e vemos o sangue e a morte.
    Seus personagens são verossímeis e cativantes. Impossível não nos apegarmos pela inocência infantil que os permeia.
    O único ponto negativo, na minha opinião, foi a introdução da sexualidade entre os personagens. Tirou um pouco da beleza da inocência que tanto encantava neles. O amor, neste caso, poderia ter sido tratado de forma mais romântica, mais condizente com o estilo do texto. Mas isso é questão de gosto pessoal.
    Resumindo, um ótimo conto de um ótimo autor.
    Meus parabéns e boa sorte.

  9. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Adorei a amizade e as personagens, Samira é uma linda e os garotos não mereciam o que aconteceu, apesar de retratar nada mais que a realidade, infelizmente. Só alguns detalhes que me incomodaram: o nome Altair, é próprio do local? Quero crer que o autor verificou isso, mas eu fiquei na dúvida. Também por achar que a história se passa em algum lugar tipo Irã, Iraque, Afeganistão, “aqueles lados de lá”, ficou meio estranho citar Guerra dos Tronos… Achei que a insinuação do que aconteceu além dos beijos foi desnecessária, tirou um pouco da doçura daquela cena, pelo menos pra mim, claro, enquanto leitora. E sobre o livro que a Samira pegou pra ler também, o Moby Dick, pelo que entendi leu em um dia? Como? Só se for uma adaptação como várias, como uma das que li, por exemplo, e agora tenho aqui o integral que ainda me dá um medo, rs…. Do meio para o final achei que correu um pouco. E claro, o texto é seu, mas me entristeceu o final, me lembrou que a ficção é tão dolorosa quanto a realidade, mesma coisa que senti ao ler os romances do Hosseini e assistir a alguns filmes da Índia e do Irã, rs. Mas parabéns por mais uma história bem escrita!

  10. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    O conto me lembra o estilo alegre e com um toque de profunda nostalgia de Ray Bradbury, tipo os “frutos dourados do sol”, até mesmo pelo título, que se assemelha à “bruxa de outubro”. É um estilo muito rico, puro e delicioso. Esse é o valor do conto, creio que por isso agradou a todos, parabéns.

  11. Eduardo Selga
    29 de dezembro de 2015

    TOM ZÉ

    O cantor e compositor Tom Zé tem uma composição, “Senhor Cidadão”, que pergunta a quem pretende apenas divertir-se ouvindo um passatempo qualquer à guisa de música: “[…] com quantos quilos de medo se faz uma tradição / […] com quantas mortes no peito se faz a seriedade?”

    Inicio o comentário com essa lembrança, pois vou ater-me muito mais ao conteúdo humanístico da narrativa do que a ela mesma, até pelo fato de estar, em minha opinião, impecável em termos de forma e de uso dos instrumentos narrativos. Inclusive, nesse sentido, talvez o mais bem acabado de todos os participantes. E com isso não teço elogio ao fato de ser curto ou de conter poucas imagens. Não. É que a forma escolhida se adéqua à dureza do enredo, ao coração arrancado do peito do protagonista quando ainda brotava. Condenado protagonista, entretanto, a sobreviver, a arrastar-se num mundo embrutecido, num mundo decapitado.

    Jamil e Altair rompem com determinada tradição, com a chamada seriedade. Eles e Samira mereceriam ter ouvido Tom Zé antes de morrer. Sim, não nos enganemos, os três são mortos ao fim, mesmo que incertamente, como Samira, mesmo que metaforicamente, como o protagonista.

    E aqui entra uma questão muito interessante. Quando chegamos ao ponto final da narrativa percebemos que mesmo não sendo executado “fisicamente”, o protagonista é punido por sentir algo contrário à normatividade social, ao terminar com uma solidão incômoda, a certeza de mundo abortado antes de ter tido chance. Uma solidão estética, é claro, porém solidão. É lindo isolamento do sujeito, que em literatura se reveste de uma aura de beleza, bem como os sofrimentos de um modo geral. Curioso observar isso: no real empírico a dor tem um peso diferente do ficcional, como se neste houvesse uma espécie de santificação.

    Com isso quero dizer que o(a) autor(a) repete o discurso da “tradição” e da “seriedade”, com a punição ao infrator. Observamos esse mesmo esquema narrativo em outras situações, em outras plataformas narrativas, como a mulher pobre que ascende socialmente: sabemos que ao fim ela descerá, de algum modo; a princesa pode até temporariamente estar feia, mas ao fim a beleza virá. É certo.

    Certo para quem?

    Digo isso para demonstrar o quanto nós, narradores, somos prisioneiros de narrativas muito maiores do que a imaginada por nossa criatividade. São narrativas sociais, algumas delas arquetípicas. Inescapáveis, quase.

    O papel da personagem feminina merece destaque. Ao mesmo tempo em que demonstra aos dois que percebera a afinidade entre eles, em tom de zombaria (“olhando a nevezinha cair, é? Ui, ui, ui, que meigo!”), Samira se coloca e se desloca entre os dois, estabelecendo a “liga”, fazendo o papel de cupido. Ou seja, a garota estimula o desabrochar do feminino que existe latente nos garotos. É como se, com o aval de alguém do sexo feminino, a feminilidade se sentisse à vontade, passando a fazer parte do clube. Ao mesmo tempo, no comportamento de Samira há qualquer coisa de masculino, na expansividade, no gosto em constranger o outro. Ou será que isso é apenas infantilidade?

    Não estamos diante de uma narrativa, apenas: é uma feliz orquestração de símbolos.

  12. Pedro Luna
    29 de dezembro de 2015

    Bom, eu achei perfeito.

    O texto flui bem demais, não cansando o leitor em momento algum. Quem escreveu conseguiu criar uma relação crível e bacana entre os três personagens. Os inúmeros xingamentos dão força aos diálogos, pois é assim mesmo, principalmente entre amizade de meninos e meninas, sempre desdenhando uns dos outros. Samira, mais sábia, era a capitão do bando.

    No final, o conto conseguiu sim me revoltar, apesar de eu ser meio coração de gelo. Fico a pensar nesses momentos em que tudo está em paz e em questão de horas, a vida muda, às vezes para um longo e penoso inferno. As cenas fortes podem destoar do clima juvenil, mas dane-se. Você retratou algo possível, de forma verdadeira. Deu a luz e depois trouxe a escuridão. A vida é assim, principalmente em algumas culturas. A paz e a guerra, o amor e o ódio, andam juntos.

    Muito bom. De sugestão, só tirar o Jon Snow ali e na parte que Samira põe os garotos para se beijar, retirar o trecho que insinua que eles foram além dos beijos. Me soou desnecessário essa informação, que vai contra uma certa pureza que havia ali e que depois seria brutalmente quebrada.

    PARABÉNS.

  13. G. S. Willy
    28 de dezembro de 2015

    Conto magistralmente escrito, no tempo e profundidade perfeito, os personagens são reais e o leitor está com eles o tempo todo. Com toques sutis deu para se entender bem onde se estava, quem eram os algozes e de onde pertenciam.

    O conto no meu ponto de vista está ótimo mas tenho duas ressalvas, a primeira é a dúvida de como Samira leu Guerra dos Tronos. Foi o único ponto onde me fez sair do mundo que tinha entrado, simplesmente por ser um livro novo (mundialmente falando). E um lugar assim no oriente médio, suscetível a ataques não me parece ser muito aberto ao mercado americano. Mas enfim, por eu ter parado para pensar nisso tudo que me tirou do transe da história. O segundo ponto é sobre os diálogos. Acredito que o(a) autor(a) poderia te-los melhor trabalhado. Não que estejam ruins, mas estão muito escritos, pouco ‘falados’. Mas nada que estrague a leitura.

    Parabéns.

  14. Thiago Lee
    25 de dezembro de 2015

    O conto está muito bem escrito, e começa de forma fenomenal. Vamos sendo guiados por uma narração bastante fluida e interessante. A relação entre os protagonistas também convence.
    Da metade pro final, entretanto, algumas descrições corridas e atropeladas acabam por deixar o conto mais confuso, mas ainda assim competente.
    Parabéns!

  15. Gustavo Castro Araujo
    21 de dezembro de 2015

    Este conto tem uma premissa que me atrai muito: a amizade sincera, aquela em que nada se cobra, nascida apenas na infância e que se consolida num contexto dramático – aqui, a chegada de um exército invasor.

    Afora os nomes dos personagens e das menções às entidades sobrenaturais, não temos pista sobre o país em que se desenvolve a trama, apenas a região. De todo modo, é o suficiente para considerar que a maneira dos personagens se expressarem não condiz muito com aquela utilizada nessa parte do mundo. Nesse aspecto, penso que na falta de uma pesquisa de campo (quem tem tempo para isso?), teria sido melhor deixar os diálogos mais limpos, ao contrário do uso de expressões tipicamente ocidentais.

    Quanto à narrativa como um todo, dá para dizer que a primeira parte é excelente, muito superior à segunda. De fato, a construção da amizade ou, para usar um parâmetro facilmente reconhecível, a fundação do “Clube de Amigos…” foi executada de forma competente, cândida e bastante sensível.

    Também o amor inicialmente platônico de Altair por Jamil, sob as bênçãos de Samira, foi abordado de modo inteligente e fugindo de estereótipos, facilmente cativando o leitor. A menção aos livros também ficou bacana, embora, no futuro, talvez fosse interessante trocar a referência a Moby Dick – que é um livro difícil – por outro, mais palatável ao gosto infanto juvenil. Entendo que a intenção do autor foi mencionar uma obra facilmente reconhecível, mas isso pode ser remediado numa revisão futura.

    O conto perde um pouco o fôlego quando da invasão pelo Taliban/Russos/Americanos. Isso porque tudo acontece rápido demais. Os assassinatos, os expurgos, as execuções em massa. Além disso, o trecho em que Jamil é “denunciado” ficou muito teatral, forçado. O sujeito prestes a ser decapitado tem tempo de chamar a atenção de seus executores e, do nada, identificar o menino como homossexual. E os captores o prendem e deixam Altair solto… Hum… não ficou bom… Numa situação dessas, todo mundo seria assassinado. Como disse em outro conto aqui do desafio, a ficção, ao contrário da realidade, precisa fazer sentido.

    De qualquer forma, o conto é ótimo e prende a atenção, vez que se passa em um ambiente que, embora distante, nos parece extremamente familiar, face às inúmeras notícias que dele temos, seja por filmes, livros ou jornais.

    No frigir dos ovos, um ótimo trabalho que, não tenho dúvidas, estará entre os melhores do certame.

    Parabéns e obrigado!

  16. Rogério Germani
    19 de dezembro de 2015

    Olá, Altair!

    Este transcorrer de inocente amizade para trio amoroso- ainda que Samira não participe de todos os atos apaixonados- foi bem desenvolvido. Confesso que gostei mais da primeira parte, na fase das descobertas e alegrias da inocência.

    A realidade retratada na fase adulta dos personagens mantém a pegada, mas fica previsível com a chegada dos fiéis extremistas.

    Boa sorte!

  17. Rubem Cabral
    18 de dezembro de 2015

    Olá, Altair.

    Bem bacana o conto, certamente inspirado nas obras do Khaled Hosseini. O densenvolvimento dos personagens, em especial o narrador e a Samira, foi muito bom e a trama é ótima até quase o final, quando a presumível chegada do Taliban meio que cortou o conto de forma bem crua.
    Gostei do perigoso amor juvenil dos meninos e da tolerância/cumplicidade da amiga deles. Lembrei-me que havia tbm um tanto de homossexualidade no Caçador de Pipas, embora de forma muito mais negativa (estupro e escravidão sexual).

    (A citação ao Jon Snow me pareceu anacrônica, embora o conto não defina exatamente “quandos” e “ondes”).

    Muito bom conto.

  18. Brian Oliveira Lancaster
    17 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: História carregada de sentimentos, com clima bem distinto, mas que se adapta à qualquer imaginação. Um cotidiano que começa como filme de sessão da tarde e termina com relatos de guerra.
    U: A escrita flui bem e os diálogos soam naturais (adequados à cada idade). Não há muitos floreios, mas nem precisava.
    L: O texto engana ao começar por uma história simples, que depois se torna bem
    mais complexa, abordando temas sensíveis de forma leve. Engana no bom sentido, pois cria empatia ao leitor e aumenta o suspense conforme o passar de eventos, até seu final inesperado, mas sem transmitir um choque tão grande, preparando o terreno para o que estava por vir. Não sou fã de textos mais diretos, mas você consegue fazer aqui de forma tranquila, fácil de absorver.
    A: A essência da biblioteca faz parte da história e realmente é utilizada como um cenário onde ocorrem as transformações. Excelente.

  19. Fil Felix
    17 de dezembro de 2015

    Como um colega comentou, difícil encontrar pontos negativos em seu conto! Está muito bem escrito, se desenvolvendo de maneira harmoniosa e envolvente e, acima de tudo, traz uma carga emotiva muito grande. No final do dia, caímos na velha questão de gosto, uns gostam mais de histórias dramáticas e realistas, enquanto outros das mais surreais.

    Até a metade do conto pensei estar lendo algo da Coleção Vagalume, uma aventura adolescente muito boa e que prende nossa atenção. Todas as nuances do descobrimento, da paixão proibida, da amizade, do clube. Tudo feito com bastante esmero e respeito. A leitura de Moby Dick na biblioteca mostra a magia dos livros, em como eles conseguem nos transportar para lugares totalmente novos. E é bom retomar essa magia da leitura, principalmente em crianças/ adolescentes.

    O que entra em confronto com a última parte. A realidade batendo à porta. Os livros são mágicos, mas não podem curar certas cicatrizes. Mesmo com um final pesado, há ternura nele. A paixão que prevalece através dos anos, tanto pelo Jamil quanto por Samira. Mas que não é paixão, e sim amor.

    Como comentei no início, sou do time que prefere o surreal, mas gostei muito deste conto. Desde a escolha do nome, passando pelo texto em si até o pseudônimo. Falando nele, por ser o mesmo nome do personagem, fica na entrelinha uma possibilidade de autobiografia (com a devida liberdade poética, claro). Talvez de um amor perdido de infância? Sempre que algum conto nos leva pra outros lugares, outros pensamentos e questionamentos, que não morre apenas na história, já merece um ponto a mais.

  20. Fabio Baptista
    16 de dezembro de 2015

    Gostei!

    Escrita muito fluída (mesmo naquele comecinho mais poético que me fez torcer um pouco o nariz, por gosto pessoal) que narra os eventos com clareza e consegue transmitir muito bem os sentimentos.

    Gostei muito do Altair como personagem e narrador, mas na minha opinião quem rouba mesmo a cena é Samira. Isso me fez ficar um pouco decepcionado quando ela foi raptada, “sumindo” da história, sem tempo nem de uma última fala (não estou sugerindo nada “hollywoodiano” kkkkk… mas só ficou meio repentino). Jamil é o que menos se destaca dos três, mas a parte da dança concedeu a ele certo carisma e fechou bem o trio.

    O final é muito bom, apesar de concordar com a Claudia: aquele detalhamento sobre o (possível) destino dos prisioneiros deu uma destoada do restante da narrativa e talvez ficasse melhor se fosse omitido.

    – futebol, bolinhas de gude e assuntos da mais alta seriedade e importância afins
    >>> numa primeira batida de olho me pareceu erro de concordância. Analisando melhor fiquei na dúvida… mas acho que seria melhor mudar, de qualquer forma.

    – contam para manter os filhos da linha
    >>> na linha

    Ótimo conto, parabéns!

    Abraço!

  21. Simoni Dário
    16 de dezembro de 2015

    O texto remete ao livro “O Caçador de Pipas”. Não fiquei empolgada com o início do conto, mas ele foi me atraindo à medida em que os personagens e o cenário foram sendo descritos. Não é meu estilo de história, mas reconheço que o envolvimento dos amigos é tocante. A parte final foi a que mais gostei. O autor é competente, pois apesar de fugir ao meu gosto pessoal, conseguiu atiçar minha curiosidade até o fim.
    Bom desafio!

  22. Anorkinda Neide
    16 de dezembro de 2015

    Poxa vida, gostei tanto tanto!! Sabe pq? Pq despertou sensações, acho que todas as sensações que o autor desejou despertar, foram despertadas… 🙂
    .
    Claro que chorei no final, mas nao se vanglorie muito pq eu ando sensível como uma manteiga no verão. Sei lá, me deu um sentimento bom de aperto no peito qd Jamil deu o nome do Clube dos amigos de outubro… por isso q digo, despertou varios pontos sensiveis por aqui nesta leitora insana… hehehe
    .
    Obrigada por isto!
    .
    Achei a primeira metade com alguns problemas de concordância verbal, sugiro uma revisãozinha.
    Boa sorte e um forte abraço!

  23. Lucas Rezende de Paula
    16 de dezembro de 2015

    Muito bom, aí está um forte candidato ao título.
    O conto foi muito bem conduzido, a ambientação vaga deu um tom interessante para tudo. O triângulo amoroso dos amigos é tratado com tanta inocência e simplicidade, ficou super natural. Parabéns.
    O desfecho triste me deu uma “bad”. Não tenho muito mais o que comentar. Ficou muito bom o conto.
    Boa sorte.

  24. JULIANA CALAFANGE
    14 de dezembro de 2015

    Difícil encontrar algo negativo pra falar do seu conto. É muito bem escrito, a trama é envolvente, emocionante. A leveza com q vc descreve a relação dos 3 amigos em contraste com a brutalidade do terror que vem em seguida provocam uma reviravolta no estômago do leitor. Pelo menos no meu. O tema é muito relevante, parabéns pelo conto, forte concorrente ao título!

  25. Arthur Dias.
    14 de dezembro de 2015

    Conto muito bom e muito bem escrito, A história começa bem envolvente, gerando uma curiosidade muito grande ao leitor. Mas eu senti uma quebra de ritmo e até mesmo uma mudança de estilo ao decorrer do texto. Os personagens se modificam um pouco (Acho que não foi intencional).
    Mas o final é bom (Embora previsível como já falaram), a temática é boa e a técnica do autor é excelente.

    Conto muito bom mesmo! Desejo boa sorte na competição.

  26. Jowilton Amaral da Costa
    13 de dezembro de 2015

    Conto muito bom. A história nos envolve, muito devido a narrativa bem feita. É triste e carrega uma beleza poética em algumas frases. Achei que ficaria desconfortável com a homossexualidade dos personagens masculinos, no entanto, nem fiquei tanto, kkkkkk. Os personagens são bons e os diálogos não me incomodaram. Só um adendo ao uso do haxixe pelo trio, há controvérsias sobre o poder alucinógeno desta substância, mesmo tendo um teor de thc maior que a maconha, acho, que não daria para ver tanta coisa como eles viram quando estavam sob o efeito da substância. Mas, isso é só um detalhe, e também acho que criança nenhuma gostaria de ler Mobi Dick, concordo com o Althair, páginas e páginas de enfado.infindável até finalmente encontrar a baleia. Boa sorte.

  27. Claudia Roberta Angst
    13 de dezembro de 2015

    Gostei muito do título, soa bem. A imagem também é linda e refrescou minha mente, contrastando com o calorão que está fazendo por aqui.
    Então, a primeira impressão foi muito boa. Li e reli algumas passagens há alguns dias, mas só hoje resolvi comentar.
    Não sei ainda bem por que razão o seu conto me fez lembrar de “A Brincadeira” de Tchekhov. Talvez o clima, a atração entre os meninos, embora neste conto revelada e concretizada. Não sei bem o porquê. No final,tudo era amor.
    A leitura fluiu naturalmente, envolvendo e prendendo a atenção. Trama muito bem desenvolvida, com passagens muito bonitas.
    Apenas um trecho do seu conto travou minha leitura – o detalhamento do que o narrador imaginava ser o destino reservado às mulheres e aos “afeminados” capturados. Cortou um pouco a onda poética da narrativa. Mas claro que pode ser só frescura da minha parte mesmo.
    O final triste, misturando as descobertas e lembranças da adolescência com a crueldade humana, deixou um rastro melancólico. E isso foi bom, impactante.
    Enfim, gostei bastante do seu conto. Boa sorte!

  28. Daniel I. Dutra
    13 de dezembro de 2015

    Gostei do conto.

    Minha única crítica é quanto a personagem da menina. Ela pareceu um tanto caricata no começo, algo saído dos gibis da turma da Mônica.

    São crianças. Mas o problema é que soam crianças um tanto genéricas e muito “Sessão da Tarde”(situação um tanto batida a da casa assombrada), principalmente os diálogos da menina.

    Para ficar mais claro, senti falta de um pouco mais de personalidade nos personagens. Ficou meio estereotipado.

  29. Daniel Reis
    12 de dezembro de 2015

    Premissa e desenvolvimento bons, com um final inevitável, bittersweet. Sugiro somente trabalhar mais o aspecto diálogo, que é tão difícil, de forma a que se torne um impulso na história ou na construção das personagens do que uma reprodução de falas convencionais e citações a outras obras culturais e/ou referenciais.

  30. Cleber Duarte de Lara
    12 de dezembro de 2015

    CRÍTICA:
    Complicou meu lado, hein! hahaha
    Pra não passar em branco a parte critica, poderia dizer que tive que parar e buscar num dicionário a palavra “Imiscuir”, que descobri ser adequadíssima ao feeling do momento, aliás. Mas isso não chega a ser um problema muito grande pra mim, que gosto de ampliar o vocabulário quando dá. Deu uma travadinha apenas, que foi mais do que compensada pela fluidez e imersão posteriores.
    Um ponto que me pareceu inverossímil foi a leitura do Moby Dick inteiro de uma só vez! Quantas horas ficaram na casa? Os pais não deram falta das crianças? Mas pelo bem da estória, podemos assumir que mesmo sem ficar explicitado a leitura se deu em uma versão adaptada para o infanto-juvenil, ou aconteceu em mais de um dia apesar de não ter sido focado esse detalhe. Coisa fácil de arranjar-se, todavia.

    PONTOS POSITIVOS:

    Sinceramente, fiquei com uma bruta inveja desse conto! Mostra tudo que precisa, conta coisas quando precisa acelerar e encher os dias de forma hábil, volta a mostrar de perto os momentos de tensão! A linguagem é fina, mas sem perder a precisão, é sofisticada e ainda assim simples. Beira a perfeição, na minha opinião!
    A trama é envolvente, o enredo é coeso e não cai na monotonia, variando entre a delicadeza e a violência de modo convincente.
    Parabéns!

  31. Davenir Viganon
    11 de dezembro de 2015

    Muito bonito e ao mesmo tempo triste. A leitura veio fácil, até nas partes mais fortes e violentas. Espero melhorar para fazer um conto bom que nem o seu.

    Apesar de não deixar claro onde se passa o conto. Eu arrisco que seja em meio a Revolução Iraniana, onde muitas dessas atrocidades aconteceram em um país onde em partes do ano neva e havia um modo de vida ocidentalizado o suficiente para o cenário. Mas isso é o de menos. O importante é a emoção que passaste no conto.

    Parabéns!

  32. Andre Luiz
    11 de dezembro de 2015

    Achei o conto muito semelhante aos fantásticos livros de Khaled Hosseini(O silêncio das montanhas, O caçador de Pipas e A cidade do Sol) e confesso que a trama árabe me envolve de tamanha forma como se um Djinn se apoderasse de mim e me transportasse ao mundo destes personagens envolventes. Seu conto possui uma delicadeza ao tratar de três temas bastante relevantes, como a homossexualidade, a questão da intolerância de gênero e também o terrorismo como interpretação errônea da fé. Resumindo, você soube compor três assuntos muito complicados em um texto que emociona e deixa sequelas na alma. Eu acho que é exatamente por isso que gosto tanto de “O caçador de pipas”, porque o livro mexe na alma, na forma como vemos o mundo, e você conseguiu fazer isto comigo também. Apenas senti falta de mais passagens envolvendo a imagem do concurso. Boa sorte!

  33. Leonardo Jardim
    11 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫): bonita, triste e bem desenvolvida. O final fecha bem com o início e com o meio. No início não ficou claro pra mim a localização do texto, acho que o autor poderia investir mais um pouco nisso. Quando vi que eram muçulmanos, previ que os terroristas seriam os responsáveis pelos problemas que o narrador citou no início. Aliás, essas antecipações feitas pelo narrador funcionaram bem para manter a atenção.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): boa, descreve e narra com facilidade e apresenta ótimas imagens, como no trecho que destaquei abaixo.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca está presente no centro da narrativa.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a parte da biblioteca é bastante criativa e a amizade colorida dos três também. A parte dos terroristas podia trazer mais novidades além dos estereótipos.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): como já disse, o texto é bonito, triste e emociona.

    💬 Trecho de destaque: “e então nós vimos: descendo ao sabor da brisa, dançando a valsa que só as crianças e os anjos podem escutar, singrando pelo oceano feito da matéria-prima dos sonhos e ancorando em cada uma de nossas memórias, ali estava ele – o primeiro cristal de uma nevasca completamente inesperada para Outubro”

  34. Evandro Furtado
    11 de dezembro de 2015

    Olá autor, seguem as considerações:

    Fluidez – 10/10 – em um momento, lá no começo, a trama se tornou monótona e a coisa ficou meio perdida. Então você veio com tudo, um tanque de guerra atravessando o milharal, e destrui tudo, cara.
    Estilo – 10/10 – uma narrativa em primeira pessoa sob a perspectiva do passado que combinou muito bem com o sentimento de nostalgia evocado pelo personagem-narrador;
    Verossimilhança – 10/10 – o texto passa essa sensação de história real, evocando referência que reforçam essa ideia;
    Efeito Catártico – 10/10 – esse é um daqueles contos que funcionam com um soco no estômago – como diz minha professora de literaturas africanas. É muito denso, cria no leitor uma empatia com os personagens pra fechar com esse impacto final. Resumindo, a coisa começa como Turma da Mônica e termina como The Imitation Game.

  35. Neusa Maria Fontolan
    11 de dezembro de 2015

    Amei esse conto. Boa historia e fácil de entender. Lembrou-me um filme que assisti a muitos anos atrás, não me lembro o nome do filme, mas gostaria de assisti-lo novamente. Boa sorte no desafio.

  36. Antonio Stegues Batista
    10 de dezembro de 2015

    A estoria (ficção) deve se passar em algum pais do oriente médio, tudo indica que sim. Não sei qual pais do hemisfério norte que cai neve em Outubro. De qualquer maneira o Clube dos Amigos de Outubro é um bom conto, bem escrito, com uma abordagem nova e válida. Gostei da estoria. Já li algo parecido só não lembro qual autor. Walt Whitman?

    • Davenir Viganon
      11 de dezembro de 2015

      Eu pensei nisso e chutaria que o conto se passa no Irã, em meio a revolução iraniana.

  37. catarinacunha2015
    10 de dezembro de 2015

    Gracinha de TÍTULO. Dá uma falsa dimensão inocente ao conto; caiu bem. FLUXO de estilo simples, mas competente que cresce junto com a TRAMA dando personalidade sólida aos PERSONAGENS. Uma inocente história de amor eterno com FINAL amargo; levemente sabrinesco.

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .