EntreContos

Literatura que desafia.

A biblioteca (Rogério Germani)

Assim que a escuridão evaporou de seus olhos, a princesa Mayar vociferou seu medo na face do céu zombador:

Libaaxyo jinniyo!

Somente a atrocidade voraz dos demônios felinos justificaria o ardor do silêncio queimando a planície. Nenhum sinal do povo Digil, nada de balidos que reavivassem a esperança daqueles que temem o encontro com os leões devoradores de homens. O Reino de Riyooda, naquele momento era pasto para os pesadelos rugirem.

Mesmo sendo descendente de Arawello- lendária rainha- Mayar não possuía outra defesa senão o seu canto jiido para as ocasiões de perigo; uma canção que, segundo os antigos xamãs somalis, adormecia até as ondas em fúria quando o Oceano Índico confrontava os córneos da mãe África. Não fosse a presença de um camelo blaterando assustado na erma vegetação, a princesa seria o refrão de uma melodia tão mística quanto a aparição de Halakavuma trazendo mensagens ao mundo.

Subitamente sons de folhas crepitando na mesma velocidade de antílopes em fuga fizeram com que Mayar parasse seu trinar solitário. O desconhecido avançava e vinha do sul reivindicar seu lugar nos destroços do Reino de Ryiooda.

– Nenhum demônio com juba irá dizimar a honra do povo Digil!

Mayar sabia que o poder das palavras era mais forte que as lanças e flechas atiradas em fantasmas. A frase surgiu efeito em seu âmago: um contagiante tambor ritmado em seu peito conduziu com destreza o corpo jovem da princesa sobre o camelo; uma nova luz libertou seus olhos para uma coragem digna dos grandes caçadores. A realeza também tem seus dias de fúria.

Habituado a seguir estrelas e sonhos de seus nômades ex-proprietários, o dromedário acatou os comandos de Mayar e tomou os rumos do sul. Em determinado momento, após um avanço considerável sobre a terra empalidecida, o animal estancou como se estivesse sendo travado pelos próprios três reis magos. Mais que depressa, a guerreira somali abandonou seu trono improvisado entre as corcovas e saltou no chão a tempo de recolher seu isocholo e recolocá-lo em sua cabeça. Um gesto desaprovado pelo camelo que abriu um sorriso malicioso com seus diastemas amarelados.

Antes mesmo da princesa se recompor por completa- seu baati amarrotado a incomodava ainda- um grunhido rasgou a harmonia da dupla viajante.

– Que Nidar me dê forças!- sentenciou diante da horripilante fera que começou a atacar o seu transporte de quatro patas.

Os mais sanguinolentos leões seriam preferíveis como inimigos ao monstro que investia seu apetite insano sobre o indefeso camelo. A criatura horripilante possuía peças bucais do tipo mastigadoras capazes de reduzir a pó qualquer área que tivesse feições de alimento para aquela fome inenarrável. Sobre o que parecia ser a cabeça da besta, um par de antenas longas e filiformes, além de minúsculos olhos compostos muito separados e atentos a qualquer movimento. O corpo longo e achatado era coberto de escamas e cerdas, ideal para os lépidos movimentos gerados por seis robustos membros e os três apêndices que saiam de seu abdômen.

Ainda incrédula com a visão infernal que os sábios jamais saberiam descrever, Mayar iniciou a retaliação imaginada para enfrentar os possíveis leões que silenciaram o clã Digil. A primeira nota cantada enraiveceu mais ainda o monstro que, sem demoras fazia desaparecer as patas do camelo. Em mais uma tentativa de gorjeio, o dromedário desapareceu. Avaliando o real perigo e a ineficácia der seus dons artísticos, a princesa, já acatando os conselhos de seus antepassados longevos, deu início ao plano mais apropriado ao momento. Feito um guepardo em pleno combate, abocanhou sua liberdade e correu sem olhar para o algoz de seu reino.

Nem o colorido isocholo caído longe de sua dona obteve compaixão do monstro famélico. Para quem semeia terror na terra, o arco-íris e o breu possuem o mesmo sabor.

flechinhas

Adamastor tinha 29 anos e uma pilha de livros que o faziam parecer o homem mais sábio de Mogadíscio. Fora o hábito de leituras escondidas adquirido na infância que o transformaram num pensador capaz de construir sua própria biblioteca, seu porto seguro num país sem leis devastado por constantes guerras civis e altas taxas de mortalidade infantil e analfabetismo. Dentro de seu castelo, o amante de literatura mantinha os pensamentos e a alma livres. Nem mesmo os tonéis radioativos jogados nas praias da Somália perturbavam seu deleite. Entre seus inúmeros livros de diversificada cultura, Adamastor erigiu sua muralha de conhecimento e sonhava, talvez num futuro muito próximo, libertar seus patrícios somalis da opressão estrangeira, da pesca predatória praticada pelos europeus e japoneses em toda a costa marítima africana e, principalmente, da extrema violência trazida pelas forças islâmicas como doutrina de purificação.

O que para muitos não passa de devaneios, para Adamastor era bússola vital. De tanto pesquisar escrituras sagradas e místicos pergaminhos barganhados nas enormes feiras de quinquilharias ao ar livre, o bibliotecário armazenava em seus domínios um volumoso arsenal de magia. Num desses livros de encantamentos xamânicos, uma página brilhava mais forte na alma de Adamastor. Seu olhar em transe compactuou as primeiras palavras proferidas por sua boca ávida por poderes surreais, suas mãos traziam o agitar das águas do Mar Vermelho, a respiração ofegante ditava o ritmo de cada verso pronunciado. Dar vida aos espíritos dos guerreiros Zulus adormecidos nos livros ao seu redor seria um bálsamo, uma nova estrela resgatando o sorriso de sua pátria abandonada pelo mundo.

Exausto, porém esperançoso, Adamastor aguardou sentado em seu sofá próximo à mesa de leitura os primeiros cantos africanos brotarem de dentro dos livros. Não teve de admirar o resultado de seu milagre. Uma serpente de sangue começou a tatuar a realidade da Somália sobre o pequeno móvel de estudo. O gigante Adamastor tombou para sempre com uma bala perdida na nuca.

flechinhas

Acalmando a sombra que agora habitava seu peito, Mayar observou uma fresta iluminada a poucos metros de seus pés inchados de tanto correr. A lembrança da extinção do Reino de Riyooda a faz apressar os passos em direção à luz. ““ Do outro lado, o monstro me deixará em paz!””, a princesa se apegou ao solfejo de um pensamento bom. Ainda cansada, saiu pela abertura translúcida, tentando enterrar de vez os pesadelos recentes.

Fora de suas raízes, a perplexidade de um novo mundo a assusta. Enormes colunas de diferenciados tamanhos e volumes, postos lado a lado, exibem uma muralha colorida que encantam os olhares quase infantis de Mayar. Cada pilastra, em seu meio, carrega escrito na vertical o nome de um reino. A princesa emociona-se ao deparar com o nome Reino de Riyooda, na língua somali, apresentado em alto relevo na lateral da morada do povo Digil.

– Dê-me sabedoria, Ayaanle, para compreender este novo mundo em meus olhos ruminantes!

– Também levei um tempo para absorver os gritos desta realidade.

Mayar salta para trás e fica em posição defensiva, observando um homem barbudo mascando uma erva fétida.

– Desculpe-me pelos modos… Não queria assustá-la. – apressou em desanuviar a tensão dono da voz desconhecida. – Sou Abdi! Um pirata que também perdeu seu reino pelo ataque de bestiais traças. Quer mastigar uma folha de qat?

A mão estendida do corsário segurando a planta alucinógena ficou tesa no ar, quase tão imóvel quanto um galho ressequido de baobá em época de estiagem. A atenção de Mayar estava voltada para a recente lembrança do maior inimigo que o clã Digil enfrentou.

– Quer dizer que o nome de criatura devoradora dos meus mais nobres ancestrais é Traça? É este o som sinistro que me atormentará pelo resto da minha existência?

– Sim. -responde o corsário fazendo uma pose de quem acaba de abrir o sétimo selo.

Depois, completou a sentença final.

– Num dos meus passeios noturnos pela grande estrada de madeira que contorna os nossos reinos ouvi, quase solene, os brados aflitos do gigante guardador dos mundos praguejando contra as traças que surrupiavam seus tesouros.

A princesa aumentou a carga de curiosidade:

– Guardador de mundos? Isto soa como blasfêmia aos ouvidos de uma princesa como eu! – depois, dirigindo um olhar perscrutante ao pirata senhor das respostas necessárias, decretou nova ordem. – Explique-se melhor, senhor Abdi!

– Expanda seus horizontes, princesa!- ironizou o corsário. – O mundo não se resume ao seu reino! Basta uma busca minuciosa no trajeto do vento para descobrir novos locais para pousar os perdidos pensamentos!

Mesmo sentindo-se ofendida pelo estranho, Mayar moveu lentamente primeiro o pescoço e depois, impressionada com a paisagem desfraldada em sua nova realidade, acelerou o processo para ficar de frente com o colossal mistério desmascarado. Além da grande muralha colorida onde se encontrava seu reino, havia um universo diversificado de pilastras, demarcado com nomes das mais variadas línguas, também enfileiradas para qualquer local que a vista se aprumasse. A princesa riu da pequenez de sua própria existência perante a magia daquele lugar. As muralhas dos novos reinos eram encobertas por materiais distintos: couro, papel, plástico e até tecidos retirados, provavelmente, de puídos baatis. Seus olhos só se fecharam quando, aterrorizada, a princesa percebeu dois perigos iminentes: um abismo separando a ordenação das muralhas portadoras dos reinos e uma enorme criatura, numa posição muito mais abaixo de onde ela e o senhor Abdi estavam, que julgou estar dormindo devido ao modo como os braços apoiavam a cabeçorra sobre uma planície da cor do fogo.

– Este é o guardador dos mundos que eu mencionei. – confessou o corsário. – Ás vezes, em minhas aventuras marítimas, sentia a presença deste gigante sondando minha embarcação através das densas nuvens. Lembro-me, inclusive de ter o ouvido rindo quando minhas bebedeiras manchavam minha reputação de homem destemido em toda a extensão do Oceano Índico.

– Poupe-me de suas bravatas, marujo!- foi a vez de Mayar desfilar sarcasmo. – Se este gigante é tão poderoso como você diz talvez ele possa dar fim às demoníacas traças ou, nos presentar com outro reino livre de inimigos!

Abdi gargalhou o suficiente para o eco de suas risadas imitarem os trovões que, de vez em quando, anunciavam os meses chuvosos que abafavam o pranto na costa africana.

– Apenas palavras não são suficientes para tamanha quimera! Será preciso muita coragem, princesa, para chegarmos até o guardador de mundos! Se quisermos chegar até a imensa planície da cor do fogo, teremos que voar sobre o imenso buraco que nos separa dos seus sonhos.

– Sou a princesa Mayar, líder do clã Digil! Coragem eu tenho de sobra! – retalhou a guerreira somali. – Só não domino a técnica dos pássaros.

O pirata esboçou um sorriso comedido desta vez.

– Isto é fácil de resolver… Sou um exímio pirata confeccionador de velas mais velozes que o ataque de tubarões.

Depois, quase num segredo raspando os dentes cerrados, sibilou:

– Mas, como não tenho material apropriado por aqui, terei que improvisar… Se a princesa verificar, próximo aos portões de seu reino existe um amontoado de folhas de baobá que sobreviveram ao ataque das traças. Traga duas folhas grandes para mim.

Mesmo indignada por estar recebendo ordens de um reles pirata, Mayar não retrucou. Não era tempo para retaliações; sua sobrevivência em um novo mundo dependia da ajuda do senhor Abdi.

Aqui estão!- disse Mayar, jogando as compridas e curvadas folhagens nos pés do artesão. – Faça sua parte do trabalho agora!

– Merci, madame!- agradeceu o corsário com sua vasta cultura adquirida em garrafas de champanhe roubadas.

Na sequência, de modo prático, ele pegou umas das folhas pelas extremidades e, com os braços abertos em cruz, iniciou o curso básico de voo.

– Tudo o que você tem que fazer, princesa, é segurar a sua folha esticada com a parte mais reluzente sobre a sua cabeça, correr atrás de mim e saltar sem pensar muito… Apenas sentir o vento e deixar os tambores de seu peito lhe guiar até o guardador de mundos.

Mayar não acreditava no que estava ouvindo:

– Dá para você repetir o procedimento de sua insanidade?

A princesa não obteve resposta. Após uma curta corrida o corsário havia saltado. Já estava voando feito um pássaro em busca de raro banquete marítimo.

A princesa acabou acatando os ensinamentos. Fechou os olhos na hora do salto.

– Guie-me, Ayaanle! Nem que seja mais uma única vez, preciso beijar o chão sagrado da mãe África.

flechinhas

Na terra onde reina o silêncio dos inúmeros mortos e da fertilidade improvável, as milícias islâmicas desfilam suas armas. Tudo é alvo na sitiada cidade de Mogadíscio. Os combatentes radicais atiram primeiro, mascam folhas de qat e cospem sobre o corpo e a honra dos defuntos que cruzam seus caminhos.

Nos bairros mais nobres, as grandes casas abandonadas servem de labirinto para as almas somalis brincarem contando as marcas de disparos que tatuam as paredes.

Moradores tradicionais, mesmo escondidos nos escombros dos prédios destruídos, aguardam o dia de uma força mística que, de vez, plantar a paz nos céus da Somália. Antes de morrer, Adamastor pertencia ao mesmo grupo destes sonhadores. Agora, seu espírito apenas reza para que as bazucas não destruam sua biblioteca. Morrer duas vezes é uma tortura que nem o Alcorão pode perdoar…

flechinhas

Sempre sorridente Abdi divertia-se contemplando a total falta de habilidade da princesa Mayar para aterrissar na planície cor de fogo.

– Meu papagaio voa melhor que isto, princesa! Ha!Ha!Ha!

Desvencilhando-se de uma enorme poça rubra e viscosa, Mayar rebate o gracejo.

– Se ele voa tão bem assim, marujo, porque ele não está aqui, vivo conosco?

Abdi sabia o momento de se calar. Não ousou desafiar a mulher que, já longe da poça e, sem mais necessitar da ajuda da folha de baobá, prostrou-se para um ósculo solo imaginado sagrado por ela.

Coçando a barba com as unhas para controlar seu ímpeto de fazer chiste com tudo, o corsário pode observar um pavio lançando um doce aroma no ambiente.

– Que perfume é este? – indagou Mayar, já em pé e pronta para novas descobertas.

– Essência de Olíbano. Uma das mais conhecidas resinas usadas em fumaça de limpeza. – e, antes que Mayar questionasse seus conhecimentos, continuou- Aprendi isto quando uma carga de incensos foi salva pelo meu bando antes de ser exportada para o oriente.

Como a princesa estava em silêncio, prestando, de verdade, atenção aos novos saberes, o professor seguiu ministrando sua aula:

– No passado, a resina de Olíbano também serviu para embalsamar os corpos dos faraós. Com seu poder místico, além de proteger a alma, o Olíbano permite que quem o utiliza desenvolva a clarividência. Pelo visto, o guardador de mundos estava tentando purificar seus pensamentos.

– O guardador de mundos!- gritou Mayar como quem acaba de sair de um transe.

– Eu sei… Temos que achá-lo. – resmungou Abdi ao perceber que não seria mais o centro das atenções.

– Não precisamos mais procurá-lo. Ele está atrás de nós… Morto!- declarou Mayar colocando as mãos embaixo das narinas da gigante criatura que já não respirava.

Antes mesmo de a dupla lamuriar a falta de sorte, um estrondo ensurdecedor foi ouvido ao longe. Na sequência, tremores cadenciados fizeram a terra e tudo o que havia em cima mudar de lugar. Nuvens carregadas de poeiras esbranquiçadas começaram a romper dos céus, as muralhas coloridas repletas de reinos carcomidos ruíram em cadência, objetos gigantes tombavam desgovernados. Mayar e Abdi só não presenciaram o final da catástrofe sísmica porque também despencaram de uma altura inimaginável aos seus minúsculos olhos.

A última coisa que viram foi o corpo do gigante guardador de mundos ganhando a forma de um pesadelo assim que se projetou sobre suas frágeis vidas.

Naquele momento, como se prestassem homenagem a uma grande guerreira, todos os reinos saíram de seus locais de origem e vieram beijar o chão coberto por ervas aromatizantes, sangue e estilhaços de uma guerra que parece não ter fim.

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44 comentários em “A biblioteca (Rogério Germani)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ A biblioteca (Ugaaso Mogadíscio)

    ஒ Físico: Ugaaso escreve de forma maravilhosa. Tem um estilo poético, mas não tem um ponto de equilíbrio bem definido com a simplicidade. O texto, por vezes, acaba se tornando chato, remetendo a narrativa ao prolixo. Isso é algo que Ugaaso deve corrigir se quiser brilhar na literatura. Ele tem talento, agora precisa refinar suas habilidades para abranger todos os públicos.

    ண Intelecto: Ugaaso mostra que também tem uma grande potência criativa. O enrendo é tão grandioso, que fica difícil o leitor não se apaixonar pelo mundo. O maior problema é que o estilo um tanto prolixo acaba dando um ar de superficialidade para os personagens. Não parecem reais, diga-se de passagem. São arquétipos. E dos mais simples. A ideia também pede mais. Da forma como terminou, o leitor se sente um pouco perdido. Foi tudo tão brusco…

    ஜ Alma: A biblioteca não tem muita força nesse conto, mas é essencial para o entendimento de tudo. Acredito que os floreios em demasia acabou prejudicando a qualidade final do texto. Ugaaso deve encontrar a harmonia das letras.

    ஆ Egocentrismo: Gostei da estória, super criativa, mas a narrativa ficou cansativa demais, chata, de verdade. Tive que retornar algumas vezes para reler alguns trechos, pois a grande quantidade de floreios me levava embora da leitura.

  2. Rogério Germani
    3 de janeiro de 2016

    Venho agradecer a todos por compartilharem seus pontos de vista a respeito do meu texto e, assim, permitir que eu também possa evoluir quanto contista.

    Dito isto, algumas notas sobre A biblioteca:

    A ideia de repassar um pouco da cultura somali neste desafio, através da mistura de um mundo fantasioso com a triste realidade da Somália, surgiu no último dia para entregar os contos – isto talvez justifique a falta de tempo para revisar o texto antes de enviá-lo- quando eu voltava de ônibus para casa e vi um vídeo sobre uma jovem somali, Ugaaso Abukar Boocow, mostrando que existem outras coisas além da fome e pirataria que a mídia nos empurra como única informação sobre seu país.

    A tessitura do meu conto, pelo que ficou explicitado nos comentários dos colegas escritores, pecou por eu ter apresentado um turbilhão de novas imagens e palavras da cultura somali, um mundo novo que causa estranheza ao primeiro olhar acostumado com a ficção ocidental digerida no dia a dia. Confesso que tinha feito um glossário para facilitar o entendimento sobre os termos somalis e, infelizmente, achei desnecessário postá-lo pensando que, assim como eu faço lendo textos de outros autores que demonstram novos vocábulos, os colegas também fizessem uma rápida pesquisa na internet para descortinarem o novo “reino”.

    Quanto ao título “simplório”, destoando da criatividade apresentada no decorrer do conto,seu uso foi proposital. Assim como a Somália e sua cultura passam despercebidas pelo olhar ocidental, A biblioteca remete a esta mesma invisibilidade em meio a tantos nomes pomposos, justamente para causar este “choque” quando se descobre num país “comum” uma vida fantástica embaixo da humilde camada.

    O estilo repleto de “floreios” nas partes onde é narrada a fábula da princesa Mayar e Abid- personagens de livros que ganharam vida através de um encantamento xamânico feito pelo bibliotecário Adamastor minutos antes deste morrer- foi escolhido para contrastar com a dureza da realidade somali, reproduzida friamente, quase num tom jornalístico para retratar o isolamento e a busca constante de Adamastor por algo mágico, em sua biblioteca, para conseguir libertar seu país das agruras que assolam o continente africano.

    Novamente, meus sinceros agradecimentos a quem acompanhou as aventuras somalis em meu conto.

    Como último comentário, para quem deseja atingir um público mais amplo e, consequentemente, melhor colocação em certames literários, algumas impressões/dicas que colhi nos últimos desafios da Entrecontos:

    1- Revise, revise e revise sempre seu texto antes de encaminhá-lo para o certame.
    Erros ortográficos e pontuação confusa ( falta ou excesso de pontos, vírgulas etc…) dificultando o entendimento instantâneo da mensagem do conto.

    2- Crie um conto crível que, de fato, emocione. Ganha-se muitos leitores quando estes fazem a leitura com os olhos e o coração.

    3- Dê vida aos personagens criados. Faça-os agirem de acordo com a personalidade apresentada em cada um. Ganhe a empatia dos leitores com a verossimilhança existente em cada atitude gerada.

    4- Ao utilizar diálogos, exponha as falas de forma condizente ao momento e perfil do personagem que está falando. Quem, por exemplo, levaria a sério uma menina comum, com três anos de idade, palestrando sobre o procedimento de como produzir uma bomba nuclear para acabar com o bicho-papão?

    5- Ao arriscar-se em novos estilos literários, mantenha o foco na concisão. Não são todos que apreciam adjetivos ou diferentes significados às palavras utilizadas. Particularmente, abuso da poeticidade das palavras por não conseguir enxergar o mundo sem o amparo da poesia, mesmo sabendo que não irei agradar a todos…rsrssrs

    6- Entre a divagação e ação, fique sempre com o meio termo. Tenho notado que somente a reflexão do personagem não sustenta um texto, tampouco as tramas hollywoodianas, se não houver exposição de algo que nos faça pensar, conseguem enfeitiçar os olhos do leitor. É quase bíblico mas, de fato, o que nos salva ( escritores) é a união da palavra com a atitude. rsrs

    Ótimo 2016 a todos e muita criatividade para os contos que, certamente nascerão das mentes brilhantes que fazem da literatura o seu reino.

    Sawabona!

    • Leonardo Jardim
      3 de janeiro de 2016

      Gostei muito das dicas, Rogério. Acho que é isso mesmo. Também aprendi isso nesse ano que passou.

      Só ficou faltando uma: se você resolver quebrar uma dessas regras, prepare-se para perder pontos. O conto deve agradar alguns e desagradar outros. Saiba extrair o melhor de casa comentário.

      • Rogério Germani
        3 de janeiro de 2016

        Outra dica de última hora, para quem quiser fazer um upgrade na pontuação, é tecer uma trama envolvente com um final arrebatador. Mesmo que o estilo esteja impecável, sem um grand finale, o texto fica com a sensação de “Ah! que pena… a estoria estava tão boa…” rsrsrs

    • Eduardo Selga
      3 de janeiro de 2016

      Rogério, permita-me um adendo, talvez antipático: como quase tudo em literatura é relativo, não leve essas dicas a ferro e fogo, por favor. Tudo o que você disse é muito útil, mas não pode ser considerado regra inalienável.

      • Rogério Germani
        3 de janeiro de 2016

        Com certeza, Eduardo!

        Isto só é válido para rankings…rsrs

        No momento da escrita, nunca apego-me em regras ou estilos que agradem o amplo público. Levo sempre em conta a mensagem que o próprio texto quer transmitir, busco manter minha originalidade em prol daquilo que acredito ser o correto no momento de criação. Mesmo que eu continuar sendo um dos últimos, sou fiel ao meu estilo literário…srrs
        Apenas no momento de revisão que verifico uma coisa outra, dependendo do público-alvo que irá analisar meu conto.

        Grato pelo comentário!

    • Anorkinda Neide
      3 de janeiro de 2016

      não conseguir enxergar o mundo sem o amparo da poesia
      .
      este é Rogério!
      Que bacana saber que este conto é teu.. ao narrar o momento do surgimento da ideia, pude ver-te, homem-poesia…
      Admirável tua veia!
      Parabens e obrigada por estar aqui conosco! 🙂
      abraço de ano novo

      • Rogério Germani
        3 de janeiro de 2016

        Eu é quem devo agradecer o seu convite e amizade para compartilhar meus rabiscos neste reino de autores-leitores talentosos!

        E que que venha março para intensas emoções poéticas em Sampa! rsrs
        Bjos n’alma!

  3. André Lima dos Santos
    3 de janeiro de 2016

    Gostei muito do cenário do conto. Um conto foi ambientado em Salé, agora esse na África… Esse desafio fugiu dos clichês nesse aspecto, hehe.
    A mistura de realidade e fantasia é meu ponto fraco, o conto me ganhou com isso.
    Mas acho que o fluxo poderia ser melhor. Em muitos momentos o conto ficou confuso. Tive que reler várias partes.
    Por fim, foi um bom conto. Abraços!

  4. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    O conto é bom, não é minha linha de leitura preferida. É bem criativo e ambientação é muito bem feita. Alguns nomes me incomodaram um pouco, travou a leitura, mas, só um pouco. Estava indo tudo bem até aprincesa e o pirata chegarem ao gigante, e eu entender, se é que entendi, que eles eram criaturas minúsculas, e o gigante pessoas normais. É isso? O gigante era bibliotecário que morreu com um tiro das milícias Islâmicas, não é? Acabei ficando confuso, contudo, lendo alguns comentários, acho que entendi. Boa sorte.

  5. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    Ao final, eu achei esse conto a cara de alguns tipos de contos de fadas, ou histórias antigas, que eu lia em um livro para crianças. Os personagens vivos e tal, aventura. O porém é que o conto foi feito de uma forma um pouco pesada, o que deixa tudo meio confuso e cansativo. Outro ponto positivo foi a mescla das cenas, criando um mistério que só não deixou tudo mais legal porque, confesso, ficou cansativo.

    ” Do outro lado, o monstro me deixará em paz!”, gostei dessa parte.

  6. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    Uma maravilhosa e bem conduzida fantasia histórica, com direito à nomenclatura nórdica nas selva africanas. O estilo “Brumas de Avalon” e “Lyonesse” misturado às minas de Alan Quatermain resultou em um efeito sensacional. Muito divertido e educativo, parabéns.

  7. G. S. Willy
    2 de janeiro de 2016

    O conto é bem escrito, descritivo, os personagens são bem apresentados e suas falas foram bem pensadas. O que mais prejudicou o texto no início foi a grande quantidade de palavras desconhecidas. Parecia que o(a) autor(a) só queria mostrar seus conhecimentos enfiando essas palavras em qualquer contexto, para impressionar o leitor. Por fim, a ideia do conto é ótima, e sua história foi bem contada, senti apenas falta de um final surpreendente, condizente com o restante do conto.

  8. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    O conto é bonito, floreado, é tal qual uma fábula, foi a sensação que tive ao ler, apesar de não procurar coisas do tipo para ler eu gostei, mas acho que enredos como esse pedem maior desenvolvimento, um espaço maior para os detalhes de um novo mundo apresentado ao leitor (sim, tem África, somalis, mas para nós, aqui, a coisa funciona como um novo mundo, por tantas coisas incomuns e ainda mais por tanta informação que há no texto). Mas parabéns por sua escrita e criatividade.

  9. Simoni Dário
    31 de dezembro de 2015

    Não captei a história na primeira leitura e nem posso dizer que foi uma narrativa fluída (claro que na releitura fluiu melhor). Fiquei com a sensação de um enredo chato de primeira, mas depois, a partir do meio pro final conectei com a história e me diverti. Ares de Toy Story, mas não consegui evitar de ver a miniatura do Jack Sparrow no pirata,kkk. Você criou um conto interessante, a escrita é limpa, apesar de não fluída como comentei. O autor tem talento e esmero. Parabéns!
    Bom desafio

  10. Phillip Klem
    30 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Confesso que precisei ler os comentários para compreender completamente o conto. Não que sua ideia não esteja expressa de forma clara, mas sua escrita tem tantos floreios e enfeites que simplesmente não conseguiu prender minha atenção. Os regionalismos e palavras específicas do idioma da princesa contribuíram ainda mais para isso.
    Alguns termos como “Olhos ruminantes” não fizeram sentido algum.
    Não me leve a mal. Você é um ótimo escritor e sua ideia foi brilhante, muito criativa mesmo.
    Meus parabéns pela criatividade e boa sorte.

  11. Cleber Duarte de Lara
    30 de dezembro de 2015

    Síntese critica construtiva:
    A mitologia, sendo o arquétipo de toda narrativa significativa é muitas vezes diluída em personagens e estorietas mal contadas e direcionadas ao sempre renovado público jovem (vide Percy Jacson e Fúria de Titans). Mais raramente, porém, boas referencias mitológicas podem cai bem. Gostei bastante do uso da fertilíssima e bela mitologia africana, injustamente desconhecida, no seu texto. O tom forte e visceral intrínseco a essa cultura permeia ambos os universos apresentados na estória. Só faço a ressalva de que o excesso de elementos sem uma explicação logo no ínicio dá uma rasteira no leitor e isso pode prejudicar a qualidade da atenção necessária ao prosseguimento da leitura.

  12. Evie Dutra
    29 de dezembro de 2015

    Olá, boa noite.
    Confesso que seu conto foi confuso para mim. Eu leio no trabalho, num ambiente extremamente barulhento e, por esse motivo, é bem difícil me concentrar. Após ler os comentários, consegui entender melhor o seu conto hihi. Não estou dizendo que a culpa foi sua. O meu ambiente de leitura que não é nada favorável.
    Bom, em relação ao seu conto, achei o nome pouco original.. você foi tão criativo com a história mas faltou um pouco dessa criatividade em relação ao título.
    Achei demais a jogada das traças como os monstros. Jogada de mestre.
    Não gostei muito da sua escrita. Você tem poucos erros.. mas achei um pouco floreada demais.. isso também atrapalhou na minha concentração.
    Enfim.. parabéns pelo conto e principalmente pela criatividade.

  13. JULIANA CALAFANGE
    29 de dezembro de 2015

    gostei muito do conto. no início, confesse q não entendi bem a história, fiquei procurando a biblioteca. Mas qdo entra a 2a parte, e vemos o “bibliotecário” sendo morto por uma bala, me animei. E na 3a parte, quando voltamos à fábula, tudo ficou claro e eu pensei: Q legal! Enfim, tem alguns errinhos q uma revisão resolveria. No mais, só tenho a elogiar, pela maneira como vc revela a história, pela criatividade, pela ambientação na África. Parabéns!

  14. Thiago Lee
    29 de dezembro de 2015

    Depois de matutar um pouco e ler alguns dos comentários aquim percebi que preciso ler o conto novamente.
    Confesso que fiquei um pouco confuso com a excessividade de termos e referências. De qualquer maneira, me agradou a ambientação africana e o humor aplicao no conto.
    Assim que relê-lo, aplicarei minha nota 🙂

  15. Lucas Rezende
    29 de dezembro de 2015

    Gostei muito da ambientação em solo africano, todos queremos escrever sobre a Europa ou América. O conto foi bem claro com a proposta fantástica desde o começo, e apesar de eu amar universos fantásticos, esse não me pegou. Me pareceu um pouco sessão da tarde. O autor é talentoso e a trama foi bem construída, mas não me arrebatou.
    Boa sorte!

  16. Eduardo Selga
    28 de dezembro de 2015

    SEM FANTASMINHAS CAMARADAS

    Conto pouco iluminado, que faz o leitor buscar o interruptor, eis aí um tipo de texto que me alegra sobremaneira, uma vez que toda escuridão é reveladora. Vejo aqui no site uma preocupação excessiva com a solaridade, numa suposição de que o bom é necessariamente o visível das coisas, aquele imediato que “pega o leitor”, que faz com que ele “compre a estória”. O texto literário que foge ao tratamento sintático-semântico normal, não como uma filigrana e sim como instrumento de produção de sentido, este texto precisa ser valorizado se, evidentemente, para além desse recurso, houver literariedade. Lembro a propósito um trecho de um documento recentemente divulgado pela Academia Brasileira de Letras, no qual é dito que “[…] as obras literárias oferecem uma possibilidade ímpar para diversificar experiências, compreender o outro, confrontar pontos de vista e alargar o horizonte de ideias, bem como refletir sobre valores e reforçar o humanismo e o pensamento crítico […]”.

    Diversificar, compreender, confrontar, alargar, refletir, reforçar. E o mundo se fez e se faz verbo.

    Felizmente este conto esquece um pouco o sol e abraça a lua, as nuvens, e o faz de modo muito hábil; felizmente não é uma narrativa anoréxica, com medo de que os adjetivos, sempre tão calóricos, causem uma barriguinha deselegante no corpitcho da forma textual. A adjetivação, nalgumas vezes abundante, não é do tipo reiterativa, ou seja, sinonímica (belo seguido de lindo, por exemplo): os adjetivos lá estão para produzirem sentido, não estão gratuitamente. Não são um apêndice do substantivo, uma bengala a sustentar fragilidades, cereja de bolo confeitado.

    Felizmente este conto esquece o mundo que se autoproclama civilizado, as paisagens da Europa, que aprendemos a julgar tão fofas, tão lindas, tão inspiradoras… Esquece o glamour sintilante, a sensualidade sibilante do feminino à la Marilyn e opta por uma personagem feminina com a altivez normalmente atribuída ao masculino, pela sociedade ocidental.

    Mas principalmente deixa de beber nas águas de certo pseudofantástico, essa magia de segundo grau muito preocupada com os mesmos fantasminhas camaradas de sempre, as mesmas casas mal assombradas, os mesmos espantos previsíveis. Narrativa inserida no discurso do insólito, o cenário é o desglamouroso continente africano, normalmente associado ao feio, ao sujo, ao inculto, ao campo negativo do discurso, enfim. É um insólito que tenta, com algumas falhas relativamente à história (ciência que estuda o passado), aproveitar as culturas somali e zulu. Mas o cenário não é a África “concreta”, histórica, e sim a narrada nos livros de uma biblioteca, e também a África mitológica (sim, o mitos não são apenas greco-romanos). E o monstro não é o dragão previsível, não é o robô descontrolado, e sim a traça que, no universo interior do livro por ela atacado, parece aos olhos da personagem desse mesmo livro um monstro.

    Não é fantástico?

    Falei antes do tratamento sintático-semântico, vou tentar mostrar alguns exemplos disso.

    Uma tendência muito comum na narrativa insólita é o uso da prosa poética, pois a névoa da imagem carregada de poesia ajuda muito na produção de estranhamento e até de deslocamento da subjetividade do leitor.

    Pois bem. Este conto não usa a prosa poética, mas usa a poeticidade das palavras. Vai além da denotação, ressignifica a palavra. Em “acalmando a sombra que agora habitava seu peito, Mayar observou uma fresta iluminada a poucos metros de seus pés inchados de tanto correr”, a sombra que habitava o peito da personagem não pode ser a mesma do fenômeno físico, por óbvio. A palavra, então, ultrapassa-se. Passa a ter o valor próximo a medo, mas não é exatamente medo, poi se fosse, a melhor palavra para designar é de fato “medo”. Significa o quê, então? Cabe ao leitor, na esperança de que ele saiba ler.

  17. Davenir Viganon
    28 de dezembro de 2015

    Já li muitos contos bacanas nestes desafios, mas nenhum que me prendesse e instigasse do início ao fim como este. Questão de gosto influenciou. A ambientação na África me atrai bastante, os personagens e a mistura de real e fantasia (lembrou o Labirinto de Fauno), a condução da história. De crítica apenas a escolha do nome que ficou insosso. Tirando isso foi uma experiência maravilhosa ler teu conto. Obrigado por isso. Um Abraço!

  18. Antonio Stegues Batista
    28 de dezembro de 2015

    Aqui também uma certa semelhança de enredo quanto a personagem interagindo no mundo real, porém, a estória (ficção) tem elementos de história (realidade), muito bem descritas. Uma boa narrativa, mas não gostei de algumas frases que soram estranhas, exemplo: “abocanhou sua liberdade”- “o arco-íris e o breu possuem o mesmo sabor”- “olhos ruminantes”- etc. Aqui os sentidos são diferentes e não combinam.

  19. Fil Felix
    27 de dezembro de 2015

    O mundo imaginário dos livros se encontrando com a violencia do mundo real, gostei de como deu vida aos personagens e os fizeram entrar em contato com esse “gigante”. Me senti quase que num Toy Story, com direito a saltos de paraquedas de papel e tudo mais. Uma fábula bonita, ao mesmo tempo catastrófica e triste.

    O início ficou um pouco confuso, muitas referencias às origens da princesa, que acabaram confundindo mais do que facilitando, principalmente o excesso de adjetivos e termos locais, tornando a leitura cansativa. Mas a história em si é muito ba!

  20. Leandro B.
    26 de dezembro de 2015

    Oi, Ugaaso.

    Achei muito interessante o referencial africano. Confesso que fiquei bastante perdido no início do texto, e, conforme a narrativa seguiu, me envolvi mais na leitura, o que acredito ser o ritmo ideal.

    Gostei da interação entre o pirata e a princesa, embora o final trágico de ambos tenha me feito desejar que essa dinâmica tivesse sido mais longa. Mas acho que isso não teria sido muito condizente com a tonalidade triste do final da história.

    Gostei, também, do embate entre a aventura do conto de fadas e a crueza do universo real. Acho que foi muito competente estabelecendo ou deixando claro esse paralelo.

    Não tenho muito o que dizer do estilo. Achei as imagens bonitas e criativas. O POV do macro universo que os personagens encontraram ao fugir de suas histórias também ficou bem interessante.

    Apenas o início, mesmo, me pareceu cansativo demais, com um universo muito grande de referências em um espaço curto demais para que me acostumasse aos poucos. Mas isso, creio, é besteira.

    No fim, achei o conto triste, de uma forma boa.
    Parabens.

  21. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Somente consegui entender o conto após ler alguns comentários aqui embaixo e confesso: O conto é muito bom, porém somente fez sentido para mim após saber a opinião de outros que “entenderam a sacada”. Saindo das chatices pessoais, digo que achei boa a ideia, o”plot” principal, de que as traças consomem os mundos ficcionais, e realmente foi surpreendente perceber isso. Infelizmente não consegui me conectar à história como eu sei que poderia. Boa sorte no desafio!

  22. Piscies
    25 de dezembro de 2015

    Gostei muito deste conto!!

    Que ideia fantástica! Fiquei até com inveja, rs. Achei genial a forma que as traças acabam com os reinos fantásticos que estão nos livros. O autor também conseguiu casar bem o fantástico com a realidade inóspita do nosso mundo – algo, inclusive, bem mais assustador do que a criatura com a bocarra que ataca o reino de Mayar.

    A ligação entre a morte dos reinos fantasiosos e a morte do bibliotecário nas mãos de um povo genocida é incrível. Cheguei a ficar arrepiado. Só achei que a presença de traças não tem muito a ver com a história, visto que Adamastor parecia zelar tanto por seus livros. No meio do conto, achei que Mayar e o pirata estavam saindo de livros que estavam abandonados há muitos anos, por causa da morte do seu livreiro com uma bala perdida, não tendo mais ninguém para cuidar os livros. Esta descoberta – a de que estavam sozinhos agora, sem um livreiro para cuidar de seus mundos – me soava muito melhor do que o final que o autor decidiu impor sobre a história.

    De qualquer forma, a técnica está incrível! Alguns errinhos aqui e ali mas que de nada tiraram a minha fascinação com o conto. Parabéns!

  23. Daniel I. Dutra
    24 de dezembro de 2015

    A minha primeira impressão: o conto é exageramente pomposo. Com algumas passagens carregadas de adjetivos e uma ação caricata.

    Estava achando a leitura um saco, confesso, até chegar no final onde toda a minha percepção mudou.

    É arriscado especular sobre as intenções do autor, mas neste caso eu arriscaria dizer que o autor “escreveu mau” de propósito. Explico: ele teria feito algo cheio de maneirismos típicos de literatura de ação e aventura justamente para emular o clima dessas leituras despretensiosas voltadas para o público infanto-juvenil que encontramos nas bibliotecas, o que casa com o seu final.

    Em suma, se eu estiver certo, é prova de que escrever “errado” é escrever “certo”. Robert A. Heinlein fez algo parecido uma vez em “The Number of the Beast”.

    • Piscies
      25 de dezembro de 2015

      Ah, sobre os nomes:

      Interessante o nome escolhido pelo autor. Nos leva a conhecer Ugaaso, uma mulher somali que eu nunca tinha ouvido falar antes e que tem ótimas coisas a mostrar para nós.

      Quanto ao “Isocholo”, acho que o autor trocou o I pelo O. Isso por que o google me encontrou um “Isicholo” que acho que é justamente o que o autor queria falar.

      O google images retorna boas imagens de “Baatis” se você buscar por “Baati somali”.

      Gostei!! Me adicionou bastante!

  24. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    Já no começo, a curiosidade me levou ao Google pesquisar palavras, desde o pseudônimo até a frase de abertura. Também aprendi o tal do “blaterando” e “olíbano”, mas fiquei na dúvida com “isocholo” e “baati”, que parecem ser coisas diferentes do que o texto faz crer. Em seguida ao longo da leitura, fui me desinteressando não só da linguagem quanto da temática, num efeito “Sessão da Tarde”, em que o filme de pirata (ou de outro universo extravagante) está passando e você só presta atenção de rabo de olho, tentando não dormir. A linguagem, em alguns trechos empolada, também não ajudou, como p. ex: “A criatura horripilante possuía peças bucais do tipo mastigadoras capazes de reduzir a pó qualquer área que tivesse feições de alimento para aquela fome inenarrável.” Desculpe, acho que esse texto não feito para mim. Abraço pro Adamastor.

    • Piscies
      25 de dezembro de 2015

      Daniel, eu achei Isicholo no google… que acho que é o que o autor queria falar. Acho que ele trocou o “i” pelo “o”. Mas Baati no google é uma comida estranha, hahahaha.

    • Piscies
      25 de dezembro de 2015

      Ah eu encontrei os Baati. É só escrever no google “Baati somali”.

  25. Leonardo Jardim
    22 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o início é bastante confuso, me senti jogado no meio de um grande romance. Só do meio pro final que a ficha caiu e finalmente entendi que ele eram realmente personagens de um livro fugindo de uma traça real. A história é boa, embora careça de maiores informações para funcionar melhor. O personagem Adamastor, por exemplo, poderia ter sido melhor desenvolvido e a quantidade de informações introduzidas do mundo de Mayar poderia ser reduzida para diminuir a confusão.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, cheia de ótimas metáforas, vocabulário rico, mas um pouco travada pelo excesso de palavras estranhas e adjetivos. Não fosse por isso, mereceria as cinco estrelas.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca sendo destruída é o ponto chave da história.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): a parte criativa está no mundo criado, mas o fato de personagens saltarem das páginas de livros já foi abordado até mesmo neste desafio.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto está bem escrito e a sacada da história é boa, mas o texto não me agradou muito. Os personagens não me cativaram e fiquei boiando bastante por um tempo. Os motivos acho que já foram expostos. O final porém, funcionou.

    💬 Trecho de destaque: “Para quem semeia terror na terra, o arco-íris e o breu possuem o mesmo sabor.”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ aguardam o dia de uma força mística que, de vez, *plantar* (plantará) a paz nos céus da Somália

  26. Neusa Maria Fontolan
    21 de dezembro de 2015

    Gostei, me pareceu estar lendo um conto de fadas e eu adoro. Pena que nesse o final não foi felizes para sempre.
    Parabéns e boa sorte.

  27. Claudia Roberta Angst
    20 de dezembro de 2015

    Sem dúvida, um conto bem escrito e muito criativo.
    No começo, achei que ia cair em uma ficção científica ou algo assim. Não é minha preferência.
    O tom épico da narração sobre um reino em uma estante cansou-me um pouco. No entanto, isso ocorreu devido a uma questão de gosto mesmo.
    O autor sabe lidar bem com as palavras, às vezes capricha demais nos adjetivos,mas consegue transmitir o que deseja.
    Reli algumas passagens até conseguir compreender a trama. Não foi uma leitura fácil para mim, confesso. Impossível negar o talento do autor e seu cuidado e pesquisa nos mínimos detalhes
    Boa sorte!

  28. Rogério Germani
    20 de dezembro de 2015

    Olá, Ugaaso!

    A minha análise de seu conto será de alguém que escolhe um livro pelo conteúdo, não pela capa. Vamos a ela:

    Como disseram anteriormente, o texto traz à tona algumas peculiaridades do continente africano, quase desconhecido do público habituado a ler enredos comumente europeus ou gerados made in usa. E isto é bom, já que traz novas informações para quem só consome o que a mídia oferece.

    A criação fantasiosa de um mini universo dentro da biblioteca, com direito a batalhas e personagens bem construídos, ficou interessante.

    Como disse em outros textos, os erros de revisão não irão interferir muito em minha avaliação, desde que não alterem o sentido da mensagem proposta pela imagem do desafio. No seu texto, a criatividade driblou os deslizes gramaticais, já que conseguiu sair do lugar comum.

    Boa sorte!

  29. Catarina Cunha
    19 de dezembro de 2015

    O TÍTULO não diz nada, com um vocabulário como o seu poderia ter feito melhor. O FLUXO é chato, se não fosse o desafio e o estilo de vocabulário extremamente criativo, eu não conseguiria terminar de ler. A TRAMA só disperta curiosidade depois da metade do conto desnecessariamente longo. Então começa a crescer e dar corpo aos PERSONAGENS, até chegar num FINAL encantador.

  30. Anorkinda Neide
    16 de dezembro de 2015

    Achei super legal, depois que comecei a entender o ambiente onde se passava o conto, na verdade, com a chegada do pirata…
    Pois a primeira parte, eu tentei ler três vezes e abandonava a leitura, tudo muito novo pra mim e eu não conseguia concatenar as informações daquele universo doido da rainha e tal…
    .
    Achei o texto ótimo, organizado e limpo. Apesar da simpatia pelos personagens dos livros saírem voando para encontrar o Guardador de mundos, achei frustrante, eles não terem tido aventura nenhuma a bordo da mesa cor de fogo (aliás achei estranha esta cor… deve-se ao fato de estar ensanguentada?)
    Frustrei tb com o destino súbito de Adamastor, logo qd eu começava a simpatizar com ele.
    .
    Mas em termos de contar uma história no espaço de um conto, vc foi muito criativo(a), instigando o leitor. Gostei.
    Abração

  31. Gustavo Castro Araujo
    14 de dezembro de 2015

    Primeiramente, há que se louvar a ideia do autor em ambientar sua história — ou pelo menos o início dela — na África. Vê-se muitas narrativas nos EUA e mesmo na Europa, além dos tradicionais enredos orientais. Mas, na África é difícil encontrar.

    No primeiro ato, notei uma confusão entre camelo e dromedário. O autor os utiliza como sinônimos, mas trata-se de animais diferentes (duas corcovas e uma corcova, lembra?).

    No segundo ato, quando se fala de Adamastor, notei duas incongruências. A primeira diz respeito aos Zulus. Esse povo exerceu forte influência no sul da África e não na Somália; portanto, numa eventual revisão, sugiro ao autor substituir a referência. Outra questão é a frase “Não teve de admirar o resultado de seu milagre “. Creio que faltou a palavra “tempo” entre “teve” e “de”.

    O conto demonstra excelente vocabulário, um rico trabalho de pesquisa (ainda que com alguns equívocos) e muito esmero na hora de escrever. Em termos simples, dá para ver que o autor “caprichou” e isso merece palmas.

    Em termos pessoais, devo confessar que esse tipo de narrativa épica ou com traços mitológicos, ainda que indiretos, não me atrai tanto. Há sempre – e aqui não é diferente – uma preocupação exacerbada em tornar tudo grandioso, o que se denota pelo uso frequente de adjetivos – o que se vê em especial no primeiro ato.

    Por outro lado, esse tipo de narrativa exige de quem escreve um bom domínio do fluxo, dos personagens e, não raro, da geografia e das denominações imaginadas. É o que ocorre aqui, eis que se pode perceber nitidamente as engrenagens da criatividade.

    Nesse aspecto, dá para dizer que a parte que mais gostei no conto foi a amizade entre Mayar e Abdi. Bem construída, com um amor latente, enquanto juntos partem em busca do Guardador de Livros — notei aqui uma alusão ao Mágico de Oz, mas não estou certo se essa influência foi proposital.

    Na verdade, levei algum tempo até perceber que o universo de Mayar e Abdi era uma estante de livros. Quando finalmente me dei conta, tudo ficou mais claro: as pilastras, os nomes dos reinos, os abismos… Abandonados na biblioteca de Adamastor, ele, o Guardador de Livros. Boa sacada. Só não curti muito o nome “Adamastor” para um somali, especialmente por conta das colonizações britânica e italiana por que o país passou.

    Enfim, um bom conto, tendendo a ótimo. Parabéns.

  32. Fabio Baptista
    12 de dezembro de 2015

    Gostei!

    No começo, com todas as citações de nomes e lugares do “outro mundo”, confesso que fiquei com a sensação que seria entediante, mas quando as peças começaram a se encaixar no quebra-cabeças, até a escrita parece ter melhorado, fluindo melhor e com construções de frases mais elaboradas.

    Acredito que poderia ter cortado alguns adjetivos, principalmente nas interações com os monstros no começo. Ia comentar sobre os pontos no lugar dos travessões, mas vi seu comentário antes rsrs.

    Não me conquistou em cheio, mas foi legal e criativo.

    Alguns apontamentos:

    – Subitamente sons de folhas crepitando
    – Se este gigante é tão poderoso como você diz talvez ele possa
    >>> Às vezes é legal colocar uma vírgula nessas situações:
    >>> Subitamente, sons de folhas crepitando
    >>> Se este gigante é tão poderoso como você diz, talvez ele possa
    >>> Não é uma regra (eu acho :D) e eu mesmo não costumo colocar sempre (para dar mais dinâmica à frase), mas em alguns lugares a pausa deixa melhor. Aqui são exemplos.

    – A frase surgiu efeito em seu âmago
    >>> surtiu

    – princesa se recompor por completa
    >>> completo

    – me dê forças!- sentenciou
    >>> faltou espaço entre a exclamação e o travessão (é preciosismo, eu sei… jamais descontarei nota por causa de algo desse tipo, que fique claro, mas tenho que apontar).

    – ineficácia der seus dons
    >>> sobrou um “r”

    – Para quem semeia terror na terra, o arco-íris e o breu possuem o mesmo sabor
    >>> gostei

    – A princesa emociona-se ao deparar
    >>> ao se deparar
    >>> Seria melhor: “a princesa se emocionou”, para não misturar os tempos verbais

    – apressou em desanuviar a tensão dono da voz desconhecida
    >>> “o” dono (…)

    – Ás vezes
    >>> às vezes

    Abraço!

  33. Ugaaso Mogadíscio
    10 de dezembro de 2015

    Saudações, Brian!

    Feliz em saber que a mensagem de meu clã foi bem recebida!

    Quanto aos pontos, esclareço para você e para os próximos leitores que aqui navegarem: isto é ação de um vírus chinês – maldito Baidu!- que, além de colocar pontos no lugar onde deveriam existir travessões, retirou todas as imagens que intercalavam as divisões das duas histórias…

    Só espero que esta ação de pirataria não atrapalhe a compreensão do enredo fora do solo africano.

    Sawabona.

    • EntreContos
      14 de dezembro de 2015

      O problema é a interpretação que o editor de textos do WP faz dos arquivos .doc. Por vezes, entende que travessões equivalem a identações. Tampouco reconhecem imagens de forma automática. De todo modo, já fizemos as correções necessárias. Boa sorte ao autor!

  34. Brian Oliveira Lancaster
    10 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Altamente criativo. A metalinguagem e a história dentro da história foram o ponto alto. Confesso que comecei com uma expressão de “mais, hein?”. Depois saquei o que estava acontecendo.
    U: Escrita leve e fluente, com algumas palavras diferenciadas e floreios acertados,
    dando vida à outra cultura, fantástica. Só não entendi muito bem a função dos pontos na parte mais para o final.
    L: Uma fábula dentro de outra. Conceitos abordando de forma abrangente a mistura de contos. Gostei da sensação ao estilo Ghibli (Arietty – O Mundo dos Pequeninos).
    A: Adequar a imagem à uma simples limpeza de estante, uma guerra para os personagens, fugiu do lugar comum. Ponto alto.

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .