EntreContos

Literatura que desafia.

O Cão de Guarda (Lucas Rezende)

Entreolhavam-se esperando que alguém dissesse algo, mas o silêncio havia se tornado um manto que cobria e imobilizava todos. O experimento havia saído do controle e fugiu, as perguntas que estavam no ar assombravam e inquietavam as mentes, apesar de não terem sido externadas. A mulher de pé ao centro do laboratório era visivelmente a mais nervosa, frequentemente colocava as mãos no rosto e as deslizava pelo cabelo castanho antes preso em um coque no alto da cabeça.

Após muito andar e olhar para todos, ela rompeu o véu que se criou e apontou o dedo para um homem negro de cabelo grisalho e óculos sentado e debruçado sobre o teclado em frente a três monitores. O responsabilizou pelo acidente e disse ter confirmado a sua incompetência de macaco. O acusado por sua vez protestou dizendo que sua capacidade em nada é afetada pela cor de sua pele, que o projeto não tinha erros e que provavelmente foi um erro de hardware.

A mulher que gritava injúrias racistas ao homem sentado se virou para sua compatriota de pé no fundo do laboratório e a questionou sobre o que poderia ter dado errado. Ela por sua vez não soube responder, não conseguia. Estava em choque porque era jovem e brilhante, nunca havia experimentado o fracasso até aquele momento.

Minutos depois, passado o susto, os três ainda discutiam exaltados, tentando descobrir de quem era a falha. Indagavam os vários assistentes que cada um tinha, checando se tudo foi executado de maneira perfeita. Não conseguiam encontrar o erro, era possível fosse um erro de projeto, de software, de hardware, ou simplesmente as coisas nunca funcionariam como eles desejaram e planejaram.

Quando chegaram ao veredito de que era necessário encontrar o robô para estuda-lo e conseguir saber dizer com certeza o que não estava de acordo, com isso, dúvidas mais apavorantes se formaram na atmosfera já densa em que se digladiavam o orgulho de cada um. O que ele vai fazer agora? Ele vai fazer o que foi construído para fazer? Era possível que sim, neste caso era vital que ele fosse encontrado e desligado. Em casos extremos, até mesmo destruído.

Menos nervosos, decidiram dividirem-se em três grupos, cada um com sua equipe, e vasculhar as instalações em busca do robô. Dessa forma, não levariam mais que meia hora para cobrir todos os lugares possíveis.

 

●●

O laboratório no interior da Rússia ficava completamente isolado, a cidade mais próxima ficava a cem quilômetros aproximadamente. O patrocínio era feito por pessoas e grupos extremamente ambiciosos e alheios aos métodos ortodoxos de conquistarem o que desejavam. O serviço era sedutor com seus sete dígitos na folha de pagamento, o que compensava as duras exigências de sigilo.

O projeto, um robô autônomo baseado no projeto de inteligência artificial do indiano Karan Naveen. O homem negro de quase cinquenta anos era uma referência mundial no assunto e foi recrutado por quantias estratosféricas antes que pudesse ser cogitado para o prêmio Nobel.

Karan era um homem calmo e meticuloso, não era o mais rápido, mas era o melhor. Era responsável por toda a parte da programação da máquina, bem como de um inibidor de livre arbítrio para que o robô não saísse da linha. E foi esse inibidor que teoricamente falhou e causou o incidente.

A ideia era construir um robô capaz de proteger alguém ou gentilmente apagar a existência de algum desafeto, como algum líder mundial com ideias e valores diferentes. A parte eletrônica e de comando era a responsabilidade da engenheira tida como jovem prodígio, Sabine Pivtsaev.

Filha de mãe francesa e nascida na Rússia, Sabine superou sua beleza e conseguiu destacar-se por sua genialidade. Tornou-se arrogante e julgava ser a prova de erros. Foi recrutada diretamente pela líder da equipe e partidária dos cabeças que pagavam as contas, Petrova Ivanov.

Petrova era de longe a mais dotada de mais conhecimento de seu trio, tinha domínio das áreas de trabalho de seus companheiros, mas não as dominava completamente. Por outro lado, embora fosse um fantasma, era o maior referencial em músculos pneumáticos da eurásia. Projetou e desenvolveu toda a parte mecânica do projeto, a perícia da doutora era evidente na força que o robô tinha, ele poderia facilmente desmembrar um ser humano com as mãos.

Um quarto membro iniciou o projeto, um químico especializado em venenos, Antony Beardly. O americano, após de gerar todo o banco de dados sobre suas pesquisas, jugou ser muito importante e começou a fazer exigências. Um dia acidentalmente ele caiu doze vezes com o peito em uma faca.

A arma era perfeita para assassinatos e atentados, solta próxima ao alvo, sua blindagem garantiria que chegasse ao desafortunado com integridade suficiente para eliminá-lo. Como guarda costas seria vestido com roupas normais e um busto de cera para disfarçar sua aparência.

Apesar da equipe extremamente competente e multidisciplinar, o projeto mostrou-se não ser tão simples.

 

●●

Petrova já havia procurado na sala das cobaias, vários cães que serviam como alvos para as fases iniciais do projeto, e na oficina mecânica, onde usinou as peças do robô. Quando estava para chegar à cozinha com dois de seus assistentes, encontrou um rastro de sangue que ia em direção da ala dos alojamentos e das bibliotecas.

A situação agora havia mudado, alguém tinha se ferido e o robô provou-se perigoso. Hesitou por alguns instantes antes de entrar na cozinha. Tinha plena consciência de que caso ele ainda estivesse lá, sua vida correria perigo. Não conseguiria fugir também se fosse perseguida, se não estivesse aterrorizada teria achado cômica a situação irônica que estava. Pediu aos assistentes que fossem chamar Karan e Sabine. Eles não se demoraram, iriam até o Cabo da Boa Esperança chamar alguém caso fosse preciso, qualquer coisa para sair daquele lugar.

Petrova aproximou-se da porta entreaberta com cautela, as batidas de seu coração pareciam tambores perante o silêncio mórbido do corredor. Centímetros antes de tocar a porta, ouviu gemidos dentro da cozinha. Não conseguiu mais suprimir o som da respiração ofegante, espiou pela fresta da porta e viu um braço esticado em cima de uma poça de sangue. Recuou rapidamente e assumiu que pela quantidade de sangue no chão a pessoa estava morta.

Congelada encostada na parede ao lado da porta, tentou recorrer ao seu poderoso raciocínio lógico, algo que se mostrava uma tarefa difícil no estado em que se encontrava. O gemido que ouviu era da pessoa morrendo ou de alguém mais dentro da cozinha? Essa pessoa poderia dar informações sobre o que aconteceu. Seu dilema se resolveu quando ouviu alguém chorando.

Entrou com rapidez e a cena que se revelou apertou seu coração e fez sua espinha gelar. A pessoa no chão estava realmente morta, sua traqueia foi arrancada grotescamente. O choro era do rapaz que era seu assistente, um jovem de aproximadamente vinte anos. Lembrou que ele cuidava da compra dos materiais que ela solicitava. Não era um jovem brilhante, mas era competente.

Não se lembrava do nome do rapaz, mas tentou fazê-lo falar, sem sucesso. Ele apresentava um hematoma na têmpora direita e estava sentado perto de um armário abraçando as pernas. Não conseguia articular frases para dizer o que aconteceu. A única coisa que conseguiu dizer, Petrova deduziu ser era algo que o robô havia dito, e, naquele momento de pânico, a mente desesperada do jovem distorceu o que havia ouvido. Ela precisa comer.

Ouviu sons de passos cada vez mais perto, em poucos segundos Sabine e Karan chegaram. A moça virou o rosto imediatamente mediante o que viu, enquanto o jovem senhor não aguentou e devolveu o almoço.

 

●●

Karan estava decidido, iria embora. Não se importava se viriam atrás dele depois, estava disposto a devolver o dinheiro que recebeu. Disse que já estava velho demais para empreendimentos de alto risco, iria voltar para Inglaterra onde dava aula em uma conceituada universidade. Deu as costas para o grupo dentro da cozinha e saiu dizendo que queimassem seus pertences.

Assim que deixou a cozinha, Sabine o condenou dizendo que ele fez a sujeira e se recusou a limpar. Por mais que concordasse com ela, Petrova não conseguia condená-lo por sua atitude. Afinal de contas, alguém morreu por um possível erro dele. Tentava imaginar a sensação e sentiu-se horrível. Isso reforçava sua crença de que pessoas como ele deviam mesmo é se ocupar da retirada do lixo e limpeza das ruas. Serviços braçais em geral. Contudo, a exigência dele no projeto era uma ordem vinda de cima.

A prepotência de Sabine a fazia crer que poderiam resolver o problema com facilidade, o que alguns anos mais tarde se mostraria mentira. Petrova sabia que uma inteligência artificial confusa e agindo pelos próprios impulsos era mais perigosa que um serial killer psicopata com uma arma. Visando a continuação do projeto, decidiu abandonar o local e teve de se valer de sua autoridade para fazer sua compatriota abandonar o local também. Os pormenores dos motivos do incidente e suas consequências eram os menores de seus problemas naquela hora.

 

●●

Após ter se oferecido para ficar para trás e destruir os registros do projeto, a chefe da equipe estava sozinha em frente à cozinha. Sabine deixou o local não muito satisfeita da ordem que recebeu e os assistentes desapareceram mais rápido que ninjas.

Olhando o rastro no chão começou a cogitar o que seria. Talvez um outro corpo, já que não teve contato com os assistentes de Karan, poderia ser um deles. Pensou que o rapaz poderia não estar delirando e o robô tivesse sequestrado uma pessoa e estivesse seguindo seu protocolo de proteção. Mais questionamentos brotavam em sua mente e a empurravam corredor adentro, a induziam a seguir o rastro.

Sentindo-se uma mocinha tola de filmes de terror, começou a dar passos lentos seguindo o sangue. Um passo depois do outro, estava pronta para sair em disparada na direção oposta ao menor sinal de perigo. No fim do corredor, ele virava um T. As marcas seguiam pela esquerda, na direção das bibliotecas.

Apoiando na parede do lado oposto das portas, deu dois passos para trás quando ouviu um ruído vindo da segunda porta adiante. Pensou em voltar, sabia que o robô estava lá apesar de o rastro acabar um pouco antes da entrada da biblioteca pessoal de Karan. Ainda assim estava compelida a continuar. Ainda lentamente prosseguiu agora cruzando o corredor e se aproximando da porta, pode ouvir de dentro da biblioteca assobios provenientes dos alívios dos músculos pneumáticos. Sua tensão estava no pico, suas mãos suavam e suas pernas não transmitiam firmeza.

Ao lado da porta, seu coração disparou, empurrou a mesma delicadamente e espiou o interior. A biblioteca estava um caos, livros no chão, destroços e o forro do teto estava igualmente acabado. Não conseguiu ver o robô, mas pode descobrir a origem do rastro no corredor. Um saco de batatas cheio de mantimentos estava com o fundo sujo de sangue. Afinal poderia haver alguém ali, talvez estivesse certa de ir lá checar.

Entrou em silêncio e viu do lado oposto da abertura da porta o robô sentado de costas para ela e realmente ele tinha pegado a comida para alimentar alguém, nesse caso um dos cães que eram usados de cobaias. Uma cachorrinha vira-lata bege que abanava o rabo se deliciando com uma linguiça calabresa. O robô notou a presença de Petrova e virou-se e falou com voz de estática:

– O que quer aqui? Veio levá-la? Não posso deixar. Tentaram me impedir de protegê-la, fiz o necessário para que não me atrapalhassem.

A doutora ficou perplexa com a personalidade do monstro que temiam. Assemelhava-se a uma criança. Uma criança extremamente poderosa e sem moral ou compaixão. Curiosamente a máquina desenvolveu um laço de protetor com a cadelinha. Havia matado uma pessoa. Petrova imaginou que os assistentes tentaram desligar o robô ou conduzi-lo de volta e ele os julgou uma ameaça e atacou.

Ela disse que não queria levar a cadela e tentou sair, sem sucesso. O robô levantou-se, o projeto mostrava-se impecável, ao menos sua parte externa. As placas blindadas e polidas protegiam os músculos pneumático que davam movimento à máquina. Ele andava perfeitamente, articulava os dedos e gesticulava com maestria. Ele caminhou em direção a doutora e disse não acreditar nela, colocou a mão em seu queixo e a ameaçou.

Petrova ajoelhou-se e lembrou-se do que seu assistente traumatizado dizia, viu a cadela comendo e juntou as peças:

– Por favor, não! Eu vim ajudar. Vim ajudar a cuidar dela. Ela precisa de proteção.

O robô pareceu convencido, deu as costas para a porta e disse para ela entrar.

A chefe do projeto estava presa à sua criação, não poderia sair viva daquele lugar. Sua sobrevivência estava condicionada enquanto ajudasse a tratar da cachorrinha e concordasse que ela precisa comer.

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34 comentários em “O Cão de Guarda (Lucas Rezende)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ O Cão de Guarda (Admiral Bulldog)

    ஒ Físico: Admiral tem um belo futuro pela frente. Nota-se facilmente que ele é um iniciante na arte da escrita. Mas já escreve muito bem! Sua narrativa está em desenvolvimento, não tendo muitos atrativos. Ele precisa escolher um caminho para seguir e se focar nisso. Assim, poderá desenvolver seu estilo de forma segura e concisa. Ele deve procurar entender a técnica “Mostrar, Não Contar” e encontrar sua aplicação de forma equilibrada. Escrever e ler muito também é essencial.

    ண Intelecto: O autor é criativo, sendo que ele possui mais afinidade com estórias de ação. Não encontramos nenhuma profundidade na estória, ou alguma mensagem atemporal. É apenas entretenimento. Isso não é ruim, mas o texto precisa ser impecável para ser algo útil. Admiral precisa aprender a desenvolver seus personagens com um toque de realidade. Ler é uma boa opção nesse caso. Oriento que ele preste atenção nisso, por enquanto, pois um personagem pode salvar uma estória ruim. Já o contrário não acontece.

    ஜ Alma: A biblioteca é apenas um cenário. Aparece pouco. E não tem nenhuma importância para o enredo. Ao meu ver, o autor a inseriu apenas para dizer que se inspirou nela. Que pena… Mas o autor tem um grande potencial. Só precisa desenvolvê-lo!

    ஆ Egocentrismo: Estaria mentindo profundamente se dissesse que gostei do conto. Não gostei nem um pouco, na verdade. É uma estória rasa, superficial, assim como o robô, que precisaria de um desenvolvimento muito maior. E dependendo da situação, nem assim ficaria bom. É que a ideia é ultrapassada. Uma coisa que Admiral precisa entender é que algumas ideias não podem ser aproveitadas. Entre cem ideias, apenas uma é de ouro.

  2. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    O conto é razoável, dá para perceber que o autor ainda esta iniciando na arte da escrita. Gosto mais de narrativas em primeira pessoa, gosto pessoal mesmo, neste caso talvez caísse melhor, para que passasse um pouco mais de emoção. O suspense até que foi conseguido, contudo, o final foi meio decepcionante. Boa sorte.

  3. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    O conto me lembrou o filme ALIEN, na pegada de FC e na busca pela criatura dentro de um lugar. Para mim, o conto não trouxe o tema. Na verdade, gostei que o autor soube escrever as cenas, tanto que para mim me pareceu um filme. No entanto, a trama não se sustenta junto ao tema e para mim tem personagens demais, focando alguns trechos em momentos meio deslocados. Outro ponto interessante foi o robô se afeiçoar a cadela

  4. Wilson Barros Júnior
    2 de janeiro de 2016

    Mais um conto de ficção científica. Interessante o efeito futurístico que a foto da binlioteca causou, como se os livros estivessem fadados à extinção. Lembrar-se do conto “O Robô Perdido” de Asimov é inevitável. Cair acidentalmente doze vezes em uma faca é ótimo. o conto é baseado no complexo de frankenstein, tema que tem gerado tantos filmes que nem dá para citar. mary Shelley foi uma visionária. Aqui o suspense e o terror são a atmosfera predominante. O autor não deixa nada a dever aos roteiristas de Hollyood.

  5. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Gosto muito de FC e o conto tem um enredo bem interessante, mas que é preciso desenvolver melhor. Se está começando, o negócio é praticar, escrever, escrever, e ler, ler muito, não tem outra fórmula. Parabéns pela criatividade, e espero que continue escrevendo e se aprimorando.

  6. Simoni Dário
    1 de janeiro de 2016

    Você tem criatividade, a ideia é boa, tem potencial para histórias maiores. Gostei do enredo, faltou ritmo pra prender a atenção, mas com o tempo e com seu talento com certeza os próximos serão impactantes.
    Bom desafio!

  7. G. S. Willy
    1 de janeiro de 2016

    Ao fim do conto, fica claro que o(a) autor(a) ainda tem muito caminho ainda para percorrer. Alguns pontos importantes para ajudar nessa caminhada: Mostre, não conte. Talvez até já tenha ouvido falar disso. A parte contando a personalidade dos três cientistas e sua histórica ficou bem monótona, como um artigo num jornal. Um leitor não precisa saber que tal pessoa é assim ou assado, o escritor que precisa mostrar isso, com ações, com diálogos que mostrem isso. Outro ponto é a descrição em excesso. Deixe coisas para o leitor criar, descreva apenas o necessário para se entender a cena, e saiba que a leitura é atemporal. As coisa não precisam acontecer como num filme, sequenciais, a cada segundo que se passa lendo sendo o mesmo dentro da narrativa, não, pode-se parar e dar uma maior margem aos fatos, às emoções, aos pensamentos dos personagens.

    Enfim, acredito que já tem muito material para ser trabalhado, ser desenvolvido, e principalmente, ser colocado em prática para os próximos contos e desafios.

  8. Cleber Duarte de Lara
    30 de dezembro de 2015

    Síntese critica construtiva:
    Olá, autor! Bem vindo ao clube dos iniciantes! rsrs
    Estou certo de que tens a plena consciência de que em nosso caso é mais importante produzir textos que podem ser considerados medianos comparados às obras primas maduras do que deixar de aprender. Claro, cada indivíduo com sua idiossincrasia, mas em termos gerais a competitividade estrita vale menos aqui do a oportunidade de sentir o alcance do que estamos escrevendo e as possíveis estratégias para minimizar erros e potencializar acertos.
    Dito isto, seu texto é de uma leitura fácil, quase emulando a clareza magistral do Asimov. O que creio que pode ter faltado é realmente um desenvolvimento da “tese” ou dos objetivos filosóficos do texto, podemos falar também de “efeito” que o conto em geral busca como um elemento que o unifica de certo modo. Do jeito que está parece um pedaço em uma estória maior, onde coisas podem definir-se. Mas esses detalhes se arranjam naturalmente conforme vamos adquirindo mais “maturidade” nas letras. Assim espero, também no meu caso.rs

  9. Philip Klem
    30 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Seu conto tem uma premissa interessante e uma narrativa coerente. Senti-me assistindo à um filme.
    Você teve uma ideia muito boa, porém pecou um pouco em desenvolvê-la.
    Os personagens ficaram muito superficiais e pouco desenvolvidos.
    Gostei muito do robô, mas acho que ele foi pouco explorado.
    Pude encontrar diversos erros de digitação, gramática e construção de frases, o que atrapalhou um pouco o fluxo de leitura.
    No geral, você tem um grande potencial como escritor, mas precisa de um pouco de aperfeiçoamento. É para isso, afinal, que serve o Entrecontos.
    Meus parabéns e não pare de escrever.

  10. JULIANA CALAFANGE
    29 de dezembro de 2015

    A sua ideia é muito boa. O contraste entre uma máquina assassina e uma cadelinha indefesa é bastante instigante para uma história. Mas concordo com todos os comentários dos colegas. O que vc precisa é desenvolver mais os personagens (através de diálogos ou não) e em especial o robô, q é o centro da trama. O conto tem sim uma pegada muito cinematográfica, o q não seria um problema se estivesse bem escrito e desenvolvido. Mesmo que fosse a sinopse de um roteiro para um filme precisaria ser melhor trabalhada, caso contrário não ia conseguir nenhum investidor. Uma dica: tudo q não for importante pra história q vc está contando deve ser retirado. Por exemplo, a questão do racismo de Petrova. Se o racismo dela não faz diferença alguma na história do robô e da cadela, então não precisava estar lá. Isso acontece com vários outros detalhes desnecessários no seu conto. Com isso vc perdeu “espaço” para uso palavras q podiam ter contribuído mais pra contar a sua história. Outra coisa muito importante: o desafio era sobre a imagem de uma biblioteca. Então tinha que ser parte relevante no texto e isso não aconteceu. Esse exercício de escrever a partir de uma imagem é um ótimo exercício pra quem está começando a escrever. Coisas incríveis podem sair de uma simples imagem e sugiro q vc se desafie com exercícios assim, pra desenvolver a sua escrita. Além de imagens, vc pode escolher uma música, uma matéria de jornal, uma cor, enfim, é divertido, experimente! Outra coisa, sempre procure escrever dando atenção às palavras que utiliza. O português é um idioma riquíssimo em palavras, belas palavras, e vc não precisa ficar repetindo palavras ou expressões ao longo do texto, experimente sempre procurar sinônimos para dizer as mesmas coisas, com palavras diferentes. É tb um exercício que aprimora o vocabulário. E sempre revise seus textos, mostre para os seus amigos, os outros muitas vezes enxergam erros que o autor não viu, até por já ter lido e relido tantas vezes. De qualquer forma, eu o parabenizo pelo esforço e pela proposta, eu pessoalmente adoro animais e faria a mesma coisa q o robô do seu conto fez! Boa sorte!

  11. Thiago Lee
    29 de dezembro de 2015

    Concordo com o que o Gustavo disse abaixo. Para quem já está “calejado” de participar de desafios, fica claro que o autor(a) está dando seis primeiros passos na escrita.
    Mas isso não é uma crítica, pois todos começamos de algum lugar. Tomemos isso como um aprendizado necessário.
    Para alguém que está começando, o conto é bem competente e nos mostra personagens interessantes e um punhado de ação. Ao meu ver, onde o conto peca é no desenvolvimento dos personagens. O autor(a), apesar de incluir conceitos interessantes, não desenvolve-os de maneira que tenhamos uma ligação emocional forte com os personagens.
    Desejo ao autor(a) sucesso e parabéns!

  12. Anorkinda Neide
    29 de dezembro de 2015

    Oi!
    Não gosto muito de FC e particularmente odeio os robôs…rsrs Mas vamos lá, tudo em nome do desafio…
    Até que ficou bonitinho o apego do robô pela cadelinha… Gostaria de ver esse envolvimento mais detalhado, ficaria meigo… 😛
    .
    Realmente parece que vc começou várias ideias ou vários trechos, que necessitam de um desenvolvimento, mas vc foi pulando, talvez pelo limite de palavras.
    Desenvolva a situação de racismo, ou retire-a, está sobrando…
    Crie diálogos entre os cientistas, mostre quem morreu na cozinha, para que nos importamos com esta morte…Acho que o rapaz traumatizado poderia atuar mais nas cenas após o ataque pra dar mais dramaticidade… hehe
    .
    Enfim, pitacos pra ver esta historia bem redondinha, ok?
    Um abraço

  13. Davenir Viganon
    28 de dezembro de 2015

    Eu gosto muito de ficção científica e este conto me agradou bastante. A história do início até o final ficou bacana. Os personagens também, mas senti muito a falta de mais diálogos para me afeiçoar a eles. Fora isso, muito bom. Parabéns!

  14. Antonio Stegues Batista
    28 de dezembro de 2015

    Algumas referências são boas outras, não, assim como algumas frases estão perfeitas, outras não. Há um suspense no decorrer da narrativa que prende o leitor.Não entendi a parte em que o homem cai sobre a faca. Esse robô, com certeza não foi construído com as três leis da robótica, mas nesse caso houve um problema no seu banco de dados. Porém achei absurda a escolha do robô, matar um ser humano para proteger uma cachorrinha, a não ser que foi direcionado para isso!

  15. Fil Felix
    27 de dezembro de 2015

    Bom, a biblioteca ficou parecendo um mero acessório, pra não fugir do tema. Ainda achei um pouco forçado a ideia de ter uma biblioteca num centro de pesquisa avançado como esse, podia ser algo mais digital. Fora isso, o conto está bem narrado e segue um desenvolvimento quase que hollywoodiano.

    Gosto de histórias com robôs e sua inteligência artificial, interessante como defendeu a cachorra, podia ter explorado melhor o diálogo no final, pra entrarmos em sua “mente”, criando uma refelexao e fugindo da açao pela açao, pois tudo foi muito mostrado pro leitor, muito explicado, sem dar margem pra um questionamento maior, sempre presente em histórias com robôs.

  16. Evie Dutra
    26 de dezembro de 2015

    Olá, boa noite.
    Lendo seu conto, percebi que você é bastante criativo e, provavelmente, já assistiu muitos filmes de ficção hehe.
    Tem alguns aspectos que, melhorados, vão tornar seu conto melhor. Encontrei alguns erros relacionados ao uso da vírgula, algumas frases com palavras a mais:
    – “após de gerar todo o banco de dados sobre suas pesquisas” e “Petrova era de longe a mais dotada de mais conhecimento de seu trio”.
    Frases com palavras faltando:
    – “era possível fosse um erro de projeto”
    E também frases que não fizeram muito sentido:
    – “Um dia acidentalmente ele caiu doze vezes com o peito em uma faca”.
    Apesar dos erros, gostei bastante da frase “as batidas de seu coração pareciam tambores perante o silêncio mórbido do corredor”.
    Acho que você precisa ler mais para aperfeiçoar sua escrita. Mas não desanime! Afinal, erros são necessários em todo aprendizado. Continue desenvolvendo seu talento 😉

  17. Leandro B.
    26 de dezembro de 2015

    Oi, Bulldog.

    Existem méritos e algumas deficiência na narrativa.

    Logo de cara, não esperava encontrar uma história com teor de FC, construída em torno de um robô (esperava algo mítico pelo título, não tecnológico), a surpresa foi bem vinda e deu um ar novo ao desafio pelo o que venho acompanhando até agora.

    Existem alguns deslizes no texto, especialmente no que diz respeito à interação e a construção dos principais cientistas. Da pra ver que você elaborou um bom pano de fundo para cada um, já esperando que essa história prévia de cada personagem levasse a uma interatividade interessante entre todos. Mas essa dinâmica foi falha, na minha opinião.

    Se tivesse que chutar o motivo, diria que ficou preocupado demais com a movimentação da história e não permitiu que os diálogos e os pensamentos de cada personagem ganhassem palavras. Por exemplo, a relação racial que você levantou no início ficou um pouco superficial. Você apontou o preconceito ali e seguiu em frente, deixando para lá, para que se iniciasse a busca pelo guardião. Mais a frente, você retoma a questão, mas a abandona com a mesma facilidade.

    Acho que faltou um pouco de calma, aqui (ou seria espaço?). Você tem três personagens com um background que poderia ser bem retomado, mas não é. Ao invés disso, a ação é privilegiada um pouco demais, o que lança o conto para frente de maneira rápida, quando queremos, na verdade, saber um pouco mais sobre os cientistas (eu, pelo menos). Aqui tenho duas sugestões: diminua os personagens, ou, aumente o conto sem medo (prefiro a segunda).

    Além disso, algumas partes soaram didáticas demais. Você pode deixar o leitor juntar algumas peças. Por exemplo:

    “Não conseguia articular frases para dizer o que aconteceu. A única coisa que conseguiu dizer, Petrova deduziu ser era algo que o robô havia dito, e, naquele momento de pânico, a mente desesperada do jovem distorceu o que havia ouvido. Ela precisa comer.”

    É isso, camarada. Parabens pelo texto e boa sorte no desafio.

  18. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Gostei da ficção científica introduzida no contexto do conto, onde muitos pensaram em lembranças, destruição e decadência, você conseguiu encaixar tecnologia e planos mirabolantes de cientistas malucos. O que talvez tenha me incomodado foi a forma narrativa, como muitos comentaram, mais parecida com um roteiro do que tudo. Senti falta, assim, de descrições mais detalhadas sobre os cenários, talvez em partes, talvez dentro de diálogos dos personagens; e por falar em diálogos, senti muita falta deles, em momentos que senti que precisavam muito de explicações, diálogos. Se seus personagens não se comunicam diretamente entre si, deveria haver outra forma de discernirmos sua conduta, sua personalidade, talvez por gestos ou olhares, algo que não senti presente neste conto. Boa sorte!

  19. Piscies
    25 de dezembro de 2015

    A história me lembra muito Elfen Lied, um desenho japonês bastante sanguinário. A pegada de ficção científica e a premissa do enredo me agradaram bastante, mas achei que a execução do conto está bastante falha.

    A história está muito corrida. Este é um conto que pede mais do que apenas 2900 palavras. O autor precisa de mais espaço para trabalhar Petrova, Karan e Sabine. Diante da falta de espaço, o autor recorreu ao CONTAR muito mais do que ao MOSTRAR. O que o leitor vê é uma série de descrições de personalidades e poucas ações que corroboram os fatos narrados. Simplesmente não há tempo de criarmos nenhum tipo de ligação com os personagens principais, visto que os três são fortes e pedem, cada um, seu espaço próprio.

    As cenas fortes são narradas em poucas palavras, o que impede que o leitor absorva a atmosfera de medo ou desespero que cerca boa parte do conto. Minha impressão é que se o autor tivesse liberdade para escrever sem limites, veríamos algo muito melhor.

    A biblioteca aqui só aparece como um local físico comum. Os livros só são mencionados como objetos. Não há interação com eles, muito menos com a biblioteca. Achei o uso do tema do desafio bem fraco, apesar de estar presente.

    A técnica precisa melhorar bastante, mas percebe-se que o autor escreve com paixão. O estilo é cinematográfico e fluente, tentando manter a ação e as imagens em constante fluxo aos olhos da mente do leitor. Me parece que o escritor é um diamante cru que precisa ser lapidado.

  20. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    O começo me fez imaginar aquela brincadeira coletiva de contar histórias à noite, sentados em um círculo, com uma lanterna apontada para o queixo, de baixo para cima. No desenrolar, uma história de detetive/espionagem/ação bastante convencional. O recurso de apresentar os personagens com itálico lembrou uma sinopse de roteiro. A biblioteca aparece de soslaio (parece que estou sendo infectado pelo estilo de outros contos do desafio rsrs) e aparentemente não combina com a imagem proposta. Por fim, chama a atenção uma coisinha ou outra de acentuação/digitação, incluindo crases. Mas, no geral, não comprometem. P.S. Cães cobaias para fazer robôs? Sei não…

  21. Leonardo Jardim
    22 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): é interessante, mas tem um ponto que me incomodou bastante: os personagens são descritos em detalhes, mas alguns deles não dizem a que vieram, como o Karan, que foge logo no início e a Sabine. Quando personagens são descritos, eles devem ter importância na trama e as características citadas de cada um deveriam ser aproveitadas, ou não precisariam ter sido detalhadas. A parte do racismo também é introduzido e pouco explorado de fato. Num conto, em geral, nada deve sobrar, tudo deve ter um sentido para a trama. Além disso, pouca coisa é realmente explicada, como o porquê do robô ganhar vida e porque ele cismou com o cachorro. Afora isso, o clima de tensão e terror foi bem desenvolvido.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): achei um pouco crua. Embora arriscasse algumas metáforas, elas não se sobressaíram no texto. Encontrei alguns problemas de revisão e isso travou as leitura algumas vezes.

    🎯 Tema (⭐▫): a biblioteca é um mero cenário no conto, que poderia ter ocorrido em qualquer outro lugar sem modificar a trama.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): robôs que ganham personalidade própria recheiam as diversas histórias que lemos por aí.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto me trouxe alguns momentos de tensão, mas não agradou por inteiro. Se arrastou um pouco no início e frustrou com a resolução, excluindo dois personagens logo de cara. O final, com a prisão das protagonista ao estranho desejo do robô por alimentar a cadela deu umas luz ao final. Se tivesse sido melhor desenvolvido, teria sido um bom final.

    💬 Trecho de destaque: “Um dia acidentalmente ele caiu doze vezes com o peito em uma faca.”

    🔎 Problemas que encontrei:
    ◾ *mais* dotada de *mais* conhecimento de seu trio (excluir um dos “mais”)
    ◾ *eurásia* (Eurásia)
    ◾ após *de* gerar todo o banco de dados 
    ◾ Congelada *vírgula* encostada na parede ao lado da porta
    ◾ *pode* (pôde) ouvir de dentro da biblioteca assobios provenientes dos alívios dos músculos pneumáticos
    ◾ mas *pode* (pôde) descobrir a origem do rastro no corredor
    ◾ protegiam os músculos *pneumático* (pneumáticos)

  22. catarinacunha2015
    22 de dezembro de 2015

    TÍTULO, como já falei aqui antes em outros contos, estragou metade da surpresa. O FLUXO é rápido e o estilo tem uma boa pegada para descrever ação, mas como isto não é um roteiro… A TRAMA ficou com pontas soltas e pecou por abrir várias portas desnecessariamente abandonando-as em seguida. Exemplo: quem matou o americano? Por quê? Qual a importância disso para a trama? Os PERSONAGENS carecem de personalidade e/ou justificativa para suas ações, exemplo: Karan era calmo e meticuloso, um dia surta e chuta o pau da barraca. Não vemos qual foi o estopim. FINAL explicativo desnecessário. Parece uma sinopse de promissor roteiro de um filme de ação.

  23. Neusa Maria Fontolan
    21 de dezembro de 2015

    Quem diria… O robô funcionava perfeitamente.
    Achei um bom conto.
    Parabéns e boa sorte.

  24. Claudia Roberta Angst
    20 de dezembro de 2015

    Então, autor, como vai?
    Não comentarei sobre os lapsos da sua revisão, certamente, já foram apontados e você saberá saná-los.
    Quando li sobre robô, já pensei – ih, ficção científica?
    Foi um pouco difícil focar minha atenção no conto, pois senti falta de um pouco mais de ritmo e algo que prendesse meu interesse. Acredito que isso aconteceu mais devido a uma questão de gosto pessoal do que da qualidade do seu texto.
    O final não ficou ruim, mas ficou parecendo ser o penúltimo parágrafo antes do desfecho. Faltou uma frase que fechasse o ciclo ou que escancarasse um final em aberto. Faltou algo, entende?
    Continue escrevendo e experimentando novas possibilidades. O caminho é esse mesmo.
    Boa sorte!

  25. Rogério Germani
    20 de dezembro de 2015

    Olá, Admiral Bulldog!

    Não irei questionar ou apontar este ou aquele deslize ortográfico em seu texto.
    Para isto, basta revisão e os problemas são sanados. Cabe aqui uma “piada” para exemplificar:

    Assim que entra num ônibus, um homem alcoolizado recebe insultos de uma mulher que estava sentada num dos primeiros bancos do veículo:
    – Nossa que fedor de cachaça! Saí daqui seu bêbado! Olha como você está andando cambaleando!
    E o alcoólatra responde:
    – Estou bêbado mesmo. Mas, amanhã a ressaca me cura. E a senhora que é feia que nem o cão chupando manga?…

    Agora, voltando ao seu conto, o que ficou pendente foi a não abordagem do tema biblioteca sugerido para este desafio; os holofotes ficaram exclusivamente voltados para o experimento científico.

    Boa sorte !

  26. André Lima dos Santos
    16 de dezembro de 2015

    O conto possui muitos erros de revisão. Alguns acentos faltando, errinhos de concordância… É preciso revisar MUITO antes de enviar/publicar um texto. Obviamente vez ou outra alguma coisa vai passar, mas não a quantidade absurda que foi nesse conto.

    Como alguns colegas já falaram alguns pontos negativos, não quero ser repetitivo, nem mesmo desanimador. Vou comentar alguns pontos positivos.

    Primeiro de tudo, tenho que te elogiar pela boa construção dos personagens. É realmente difícil dar muita vida e individualidade aos personagens em um conto, pelo evidente limite de palavras.

    Você tem um estilo de escrita que, independentemente de agradar a A ou B, é SEU. Originalidade é tudo.

    Ler muito e escrever mais ainda. Já repeti isso aqui nesse desafio. Aí que está o segredo para se aperfeiçoar cada vez mais.

    Boa sorte no desafio e boas leituras!

    Abraços.

  27. Daniel I. Dutra
    14 de dezembro de 2015

    Concordo que em primeira pessoa provavelmente funcionaria, mas acho que o problema foi outro: poucos diálogos.

    Escrever uma história em terceira pessoa, com poucos ou nenhum diálogo, é, na minha opinião, uma das mais ingratas tarefas que existem. Poucos autores como Clark Ashton Smith e Lord Dunsany conseguem fazer e se sair bem.

    Nunca parei para pesquisar ou pensar a respeito do por quê, mas arriscando uma explicação diria que o motivo é que narrativas em terceira pessoa sem ou com poucos diálogos tendem a nos envolver menos (o diálogo seria um meio de envolver o leitor, pois aproxima o personagem dele).

    Mas sobre o conto em si, achei a premissa boa, embora a execução não tenha sido das melhores.

  28. Fabio Baptista
    13 de dezembro de 2015

    Infelizmente não gostei.

    Achei a escrita boa: simples e quase sem erros gramaticais. Colocaria algumas vírgulas aqui e ali, mas aí já é mais questão de gosto que de erro.

    A história, no entanto, não me prendeu em nenhum momento. Não vejo nem tanto problema na linearidade, falta de reviravolta e coisas do tipo (embora goste desses recursos quando bem aplicados), mas simplesmente não consegui entrar no suspense que o conto precisava para funcionar. Talvez uma narrativa em 1º pessoa caísse melhor aqui.

    O final, como comentado pelo Gustavo, deixa aquela coisa de “ok, mas… e agora?”. E a figura da biblioteca, realmente acaba passando batido.

    – após de gerar todo
    >>> sobrou um “de”

    – jugou
    >>> julgou

    – julgava ser a prova de erros
    >>> à prova

    Abraço!

  29. Gustavo Castro Araujo
    12 de dezembro de 2015

    Tenho a impressão de que o autor deste conto é alguém que dá os primeiros passos na escrita. Não necessariamente jovem, mas uma pessoa cujo estilo ainda está em formação. Digo isso porque a trama, embora interessante, precisa ser lapidada. Os personagens têm alguma substância — são bem descritos, têm qualidades e defeitos — mas no geral agem como se estivessem num filme de Hollywood.

    Na verdade, há muito o que rever. É frequente o uso de palavras repetidas ou com significado equivocado. Erros de gramática e digitação também pipocam, revelando um pouco de pressa em enviar o texto. Cito um exemplo: “Tornou-se arrogante e julgava ser a prova de erros.” A falta da crase faz com que a personagem se constitua em prova de erros, e não imune a eles.

    A biblioteca que dá razão ao presente desafio foi citada no texto apenas para cumprir tabela. A menção ou a ambientação foram totalmente irrelevantes para o desenrolar da história. Dá para imaginar que o texto estava pronto há algum tempo e o autor resolveu aproveitá-lo — inserindo uma biblioteca — e assim poder participar do certame. Nada contra, afinal eu mesmo já adaptei contos para desafios por aqui, mas o fato é que a biblioteca, aqui neste conto, foi mencionada a marteladas.

    O final não ficou bacana. Digo isso porque durante todo o desenvolvimento os cientistas estão perseguindo o robô, seguindo um rastro de sangue, para encontrá-lo na biblioteca segurando um cachorrinho. Fim.

    Fiquei me perguntando “tá, e daí?” Não houve reviravolta, não houve emoção. Tudo bem, mostrar um cachorro pode até ser considerado como surpresa, mas, de minha parte, esperava mais. Pareceu-me um capítulo de uma história maior.

    De todo modo, a leitura fluiu bem. Voltando ao início, creio que se o autor continuar praticando, saberá em pouco tempo como limar os excessos. Só o fato de entender a importância de conferir substância aos personagens demonstra que está no caminho correto. Minha sugestão é que ouse mais e que se desvencilhe dos clichês hollywoodianos.

    • Admiral Bulldog
      15 de dezembro de 2015

      Gustavo,
      Verdade, estou começando ainda. Agora, tenho duas perguntas.
      Primeiro, desculpem minha ignorância, mas, o que seria em palavras simples um estilo na escrita. Vejo sempre isso nos comentários e tudo mais e não consigo entender muito bem, nem identificar o estilo que pareço desenvolver ou algo do tipo.
      Segundo, também não é a primeira vez que vejo esse comentário em algum conto meu de clichês de cinema. Se não for pedir demais, você poderia dar um exemplo disso no conto e mostrar de forma que não ocupe muito seu tempo como mudar esse mesmo trecho?
      Obrigado a todos pelas impressões.

      • Gustavo Castro Araujo
        15 de dezembro de 2015

        Bem, creio que “estilo na escrita” significa inserir aspectos pessoais na narrativa, isto é, dar à história algo seu, escrever de um modo que as pessoas associem a escrita à sua pessoa. Vou citar um exemplo para facilitar: o conto “Zona Sul”, vencedor do desafio Cotidiano”. Trata-se de um texto concebido com a cara do autor, alguém que aproveitou as experiências de vida e as traduziu numa forma de narrar bastante criativa, nova, só dele. No fundo, é essa singularidade que todos procuramos — soar diferentes num mundo de clichês, em que todo mundo parece escrever igual. Alguns chegam lá mais rápido; outros são mais lentos, mas o fato é que só a prática leva a esse resultado.

        Quanto aos clichês de cinema, posso imaginar que isso se deve ao fato de você ser um cinéfilo de mão cheia. Não me entenda mal, também adoro filmes, mas a verdade é que somos muito influenciados por aquilo que vemos e gostamos. O resultado é que acabamos por passar para a escrita esse estilo. Veja o caso do seu conto aqui. Daria um ótimo roteiro de ação, já que conta com suspense e com uma criatura desconhecida, revelando uma pequena surpresa no fim. No entanto, apesar de provavelmente funcionar bem na telona, não surte o mesmo efeito na escrita, pelo menos para mim. Pessoalmente, prefiro digressões mais profundas, mergulhos em mentes perturbadas, filosofia em vez de correria que, às vezes, produz emoções tão fortes quanto um bom filme de ação. O excelente livro de FC “Solaris” é um ótimo exemplo disso. De todo modo, como eu disse no comentário original, você acertou, ao meu ver, quando deu aos seus personagens relativa substância, defeitos e qualidades. Queria que você tivesse aprofundado isso, mas, ao contrário de meus desejos, você optou pela ação e pelo suspense. É mais cinematográfico, concordo, mas numa experiência literária, não funciona tão bem. Minha impressão, pelo menos. Claro, haverá quem goste desse estilo — e talvez a maioria goste — mas não podia deixar de passar a você minhas impressões.

        Juntando uma ponta na outra, creio que o seu estilo precisa ser definido nesse contexto. Que público você deseja atingir? Aquele que prefere psicologia ou ação? É possível juntar os dois? Creio que sim, mas é difícil nos limites de um conto. Enfim, é só a prática que irá levá-lo a essa definição. Se posso fazer uma sugestão, é que você amplie seu universo de leituras, leia coisas diferentes, entre em contato com assuntos que, á primeira vista, não te apetecem. Isso vai te ajudar a escolher o caminho a ser seguido.

        Abraços!

  30. Brian Oliveira Lancaster
    10 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Um cenário bem diferente, um laboratório, foge dos padrões e por isso mesmo se torna criativo. O que empurra o enredo é o desejo de encontrar a criatura, e isso estimula o suspense embutido.
    U: Nota-se que o escritor está começando a aderir a um estilo próprio, e, apesar
    de algumas passagens bem inspiradas, ainda precisa de um pouquinho mais de lapidação. No entanto, a ideia e a criatividade estão bem presentes, tentando se desvencilhar de conceitos padrões.
    L: A história acontece sem maiores problemas, mas achei certas partes corridas demais. Sei que é complicado aderir ao limite imposto, mas certas cenas poderiam ser suprimidas para focar melhor nos sentimentos dos personagens. A criatura poderia aparecer mais vezes e causar medo ou pânico sem dizer qualquer palavra. Você está no caminho certo, espero que entenda que curti os conceitos apresentados, estas são apenas sugestões para melhorar suas habilidades que estão claramente aflorando.
    A: Infelizmente, a essência da imagem ficou em segundo plano. A parte física está ali, culminando com o final abrupto. Entendi o que você quis transmitir, mas não sei se se encaixa tão bem no restante apresentado.

    • Eduardo Selga
      25 de dezembro de 2015

      Literatura não é relato, não pode se concentrar na fabulação, apenas. No conto há um excesso de narração explicativa e de descrição, de modo que se abrem poucos espaços para o exercício da subjetividade do leitor. É preciso que esse elemento do fenômeno literário, o leitor, construa a estória no decorrer da narrativa. O autor, se não deve ser prisioneiro do leitor ou morrer de preocupação se o receptor do texto vai gostar ou não, o autor não pode deixar de fora o leitor como partícipe de sua narrativa. Cenários mentais precisam ser criados por quem lê, e isso se faz pesando menos a mão ao descrever, ao esmiuçar.

      Isso não significa que o texto tenha que se inserir em uma das vertentes do discurso do insólito (fantástico ou realismo mágico, por exemplo) ou na complexa prosa do Surrealismo. Absolutamente. É possível e necessário fazer isso em um texto de caráter realístico e mimético como este, que pretende mostrar como seria uma futura realidade, considerada factível hoje em função do estágio em que chegou o desenvolvimento tecnológico.

      Diminuir a quantidade de personagens, por exemplo, talvez seja um dos caminhos para se atingir essa redução descritivista, considerando que o(a) autor(a) me parece bastante preso à ideia de que ser preciso é preciso, sugerir não é preciso.

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .