EntreContos

Detox Literário.

Sociedade dos Escritores Mortos (Thiago Mendonça)

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Capa de couro. Bordas douradas. Cerca de cem páginas. Será que finalmente encontrei?

O Pequeno Príncipe – leio o título em voz baixa. Um clássico, mas não é o que busco.

Atiro o livro para longe.

– Ora, mas que sacrilégio! – O sotaque de meu velho amigo Shakespeare é inconfundível. – Esta não é uma maneira adequada de tratar uma obra de arte. Francamente, Fausto.

Interrompo minha busca. Apoio a mão na velha mesa de carvalho e me levanto. Meus joelhos rangem feito dobradiças enferrujadas, resultado de anos sem me exercitar – há livros demais a serem lidos.

– Decidistes ignorar-me outra vez, Fausto? – Shakespeare exibe uma expressão severa sob seu farto bigode.

– Não, William, não estou te ignorando. Só quero encontrar minha cópia de A Metamorfose. Por um acaso a viu por aí?

– O livro deve ter desaparecido, juntamente com teus modos. – Shakespeare nega com a cabeça e afunda em sua poltrona. – Não sei porque ainda lês estas sandices, meu caro Fausto. Quem diria, uma história sobre baratas. Subversivo, para dizer o mínimo.

Respiro fundo. Dramaturgos do século XVI não são fáceis de se lidar.

– Kafka não é do seu tempo, William, apenas isso. Se você…

– Meu caro Fausto, não dê ouvidos a esse poeta antiquado, a época dele já se foi. Por que não lê outro livro?

Dou meia-volta. A figura indistinta de Tolstói surge à minha frente. Sua mão direita estendida me oferece um exemplar de A Divina Comédia. A mão esquerda afaga a espessa barba, com a delicadeza de quem acaricia um gato.

– Muito obrigado, Leon. Este deve servir – aceito o livro. Faço questão de olhar de soslaio a Shakespeare, que grunhe feito porco e me fita com reprovação.

Atravesso o quarto, desviando das dezenas de livros espalhados pelo chão como quem evita molhar os sapatos num piso encharcado. Sento-me no sofá e uma fina camada de poeira se levanta. Seguro o livro diante de mim e deslizo a mão por sua capa rugosa.

Conheço cada uma daquelas imperfeições – a minúscula dobra da borda superior, o rasgo transversal na lombada, que separa o Divina do Comédia. Cada livro de minha humilde biblioteca me pertence e a eles eu também pertenço. Não há uma palavra sequer que eu não tenha lido, relido e lido novamente. Sou capaz de recitar Dom Quixote de trás pra frente, sem titubear.

– Kafka não vem hoje?

Dessa vez é Fitzgerald quem me interrompe. Ouço o tilintar dos cubos de gelo em seu copo de uísque, antes mesmo de fitá-lo.

– Você bem sabe que ele não aparece quando pretendo ler uma de suas obras. Falando nisso, não acha que já bebeu demais por hoje, Scott?

Fitzgerald me acusa com o dedo indicador e gagueja, procurando uma resposta satisfatória para minha afronta. O líquido amadeirado em seu copo oscila no ritmo de sua cólera.

– Olha só, Fausto, não venha me dar sermões. Por que você não… não arruma essa bagunça? É impressão minha ou meu Grande Gatsby está soterrado debaixo daquela pilha de fascículos de Os Miseráveis?

– Eu te avisei, Fausto. Devias ter dado ouvidos…

– Não se intrometa, William. – Volto minha atenção a Fitzgerald. – De que adianta, Scott? Nada disso é real. Amanhã, quando eu acordar, todos os livros estarão de volta nas prateleiras, como numa droga de livraria. – Abaixo-me e pego o primeiro livro que encontro. Cem Anos de Solidão. Um calafrio atravessa a minha espinha. – Não importa se eu destruir um livro qualquer, amanhã aparecerá um igual.

Rasgo uma folha aleatória e me arrependo imediatamente. Minha alma parece se despedaçar junto com o papel. Em minha mãos, a página quarenta e dois. Mesmo sem lê-la, minha memória me recorda seu conteúdo.

“Estavam ligados até a morte por um vínculo mais sólido que o amor.”

Meu trecho favorito.

Caio de joelhos e apóio as mãos no assoalho. Minhas costas ardem. Minha cabeça lateja. Minhas pernas doem. Meu coração martela descompassado em meu peito.

Não aguento mais essa vida.

– Não te aflijas, Fausto.

Austen surge diante de mim. A lâmpada no teto ilumina os cachos escuros que escapam de sua boina azulada.

– Não sei se consigo aguentar por muito mais tempo, Jane. – Enxugo meus olhos marejados com as costas da mão. – Todo dia é a mesma coisa.

Austen se aproxima e afaga meus cabelos, permitindo-me inspirar seu perfume adocicado, que flutua pelo ar à minha volta e acalma meus nervos.

– Não tenha medo de mostrar seus sentimentos. Você tem a nós. – Ela aponta os outros com a mão. Shakespeare, Tolstói e Fitzgerald devolvem meu olhar com cumplicidade. – Isso não é o bastante?

Olho ao redor. Minha vida nos últimos anos se resume a este quarto. Nada além de livros desordenados, prateleiras reviradas e móveis tombados. Amanhã tudo estará em seu lugar de origem e minha rotina recomeçará.

– Falando em rotina… – Tolstói aponta para o teto.

Uma luz avermelhada invade o recinto e ofusca minha visão. Cubro os olhos com o antebraço.

– TRINTA SEGUNDOS PARA A ABERTURA. TODOS EM SEUS DEVIDOS POSTOS.

A voz reverbera pelo quarto, fazendo os livros e cacos de vidro se moverem pelo chão.

– Acho melhor irmos embora – diz Shakespeare.

– Que diferença faz? Ninguém nos vê mesmo. – Fitzgerald bebe o último gole de seu uísque e atira o copo através da sala. Mais vidro quebrado. – Que venham! Pelo menos assim me divirto.

– VINTE SEGUNDOS.

Austen me segura pelas axilas, me carrega até o sofá e põe A Divina Comédia ao meu lado.

– Viva para ler mais um dia, Fausto. Estamos sempre ao seu lado.

– DEZ SEGUNDOS.

Não é qualquer um que ignora um sorriso de Jane Austen.

Seguro o livro, faço minha melhor pose de leitor – pernas cruzadas, olhar compenetrado – e começo a ler.

“Quando eu me encontrava na metade do caminho de nossa vida, me vi perdido em uma selva escura, e minha vida não mais seguia o caminho certo.”

Então a cortina se abre.

Do outro lado do vidro, os visitantes do museu transitam pelo corredor. Um idoso corcunda. Um casal apaixonado. Uma mulher de meia-idade. Uma mãe acompanhada de seu filho.

Esses últimos se demoram. O garoto admira cada centímetro de minha cela, passando os olhos através da anarquia que causei no quarto. Imagino o quão excitante deve ser para ele, acostumado a viver num mundo de ordem e controle.

– Olha, mãe, ele está mesmo lendo um livro. – A criança golpeia o vidro com empolgação. – Que idiotice!

Uma veia pulsa em minha têmpora.

– Tenha mais respeito, filho! – A mãe puxa a orelha do garoto. – Hoje em dia, nós sabemos que ler é uma prática ultrapassada, mas antigamente as pessoas não tinham mais o que fazer.

– Quer dizer que não existiam centrais virtuais de entretenimento?

A mãe faz que não.

– Nem jogos de ultra-realidade?

Outra negativa.

– Nem mesmo televisão? – O garoto encosta o rosto no vidro e arregala os olhos, incrédulo

– Não, filho, nada disso. Vamos embora.

Ele dá uma última olhada em mim, como se eu fosse um animal exótico de circo.

– Crianças hoje em dia… – Shakespeare dá uma risada de deboche. – Este aí merece uma correção.

– Cala a boca, William, tente não estragar tudo de novo – falo entre os dentes, sem desfazer minha pose de leitura.

– Olha, mãe! Ele fala sozinho, ficou biruta de tanto ler.

Minha visão fica turva e perco o controle.

Quando recobro a consciência, estou apoiado no vidro. Aos meus pés, A Divina Comédia. O garoto, caído no chão, me encara atônito através da vitrine, como se eu fosse quebrar a proteção e atacá-lo. Sua mãe me fita com igual incredulidade.

Então vem o choque.

Uma carga elétrica atravessa meu corpo e eu caio ao solo, sem reação. Meus braços se contorcem e me encolho, encostado na parede. Gostaria de dizer que isso foi tudo, porém sinto um líquido úmido e morno escorrer por minhas pernas.

As cortinas se fecham. Mãe e filho desaparecem do outro lado do vidro. Do outro lado da liberdade.

– FAUSTO, ESTA É A TERCEIRA VEZ QUE QUEBRA O PROTOCOLO ESTE MÊS. QUE ISTO NÃO SE REPITA.

Recomeço a chorar. Quero minha vida de volta. Meu único crime foi ler um livro não-autorizado em público. Agora estou destinado a lê-los por toda a eternidade. Ao inferno com todas as pessoas e suas formas fúteis de entretenimento! Ao inferno com todos!

– Não se desespere, Fausto.

Abro os olhos com dificuldade, ignorando o ardor em minhas pálpebras. Fitzgerald afaga meu ombro com um sorriso encorajador nos lábios.

– Você tem a nós, lembra? – Desta vez é Tolstói quem me reconforta.

– Enquanto estivermos aqui, não há lugar que não poderás conhecer ou sonhos que não poderás fantasiar. – Shakespeare me faz uma reverência, como se eu fosse alguém a ser respeitado.

Por fim, Austen me envolve num abraço maternal e me beija a testa.

– Pois o conhecimento é tudo que tens. – Sorri. – E no fim das contas, o que te define.

As luzes se apagam, mas não antes de eu avistar A Metamorfose jogado no canto do quarto. Abro um sorriso e caio no sono.

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32 comentários em “Sociedade dos Escritores Mortos (Thiago Mendonça)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ Sociedade dos Escritores Mortos (Oscar Dickens)

    ஒ Físico: Oscar escreve muito bem. Tem certo brilhantismo em sua narrativa, que é simples e elegante ao mesmo tempo. Uma bela contradição, não acha? Seu estilo é bem definido e belo. Além disso, o autor também sabe conduzir a estória e deixar o texto organizado e bonito na sua estética. Para finalizar, uma salva de palmas! CLAP, CLAP, CLAP!

    ண Intelecto: Utilizar personalidades históricas e reais, definindo-as, é um pouco pretensioso demais. O autor deve acertar no ponto para não ficar algo forçado ou medíocre. Não vi nada demais nesse conto, em relação a isso. Mas isso não estraga o texto, não por completo, pelo menos. Oscar conseguiu desenvolver uma estória divertida, ao menos. Falhou no final, deixando algumas pontas soltas, mas nada que uma reescrita não resolva!

    ஜ Alma: A biblioteca é apenas o cenário, o ambiente utilizado pelos personagens. Mas ela não tem muita importância. O foco fica por completo em cima de Fausto e seus companheiros. E de suas angustias. Está bem ambientado, pelo menos, o que acaba encaixando, em partes, o texto ao tema do desafio. O autor é muito talentoso quando se trata do desenvolvimento técnico, mas talvez precisa melhorar sua habilidade criativa. Já tem imaginação, agora precisa saber aplicá-la de forma adequada.

    ஆ Egocentrismo: Gostei da leitura, não muito da estória e dos personagens, então fiquei um pouco dividido. Não há uma mensagem no conto, é apenas entretenimento. E para um texto desse tipo me agradar por completo ele precisa ser muito bom.

  2. Jowilton Amaral da Costa
    2 de janeiro de 2016

    Gostei. Achei bastante criativo, os diálogos com os escritores ficaram muito bons sequer imaginei como seria o desfecho e fui pego de surpresa. Imaginei que fosse um sonho. Boa sorte.

  3. Pedro Luna
    2 de janeiro de 2016

    Confesso que eu esperava um desfecho completamente diferente, e fui surpreendido. A punição do cidadão foi cruel..rs. Mais um universo onde o livro era passado. Gostei mais do final, com essas revelações, do que da dinâmica dos autores, que confesso achar meio batido. Fiquei realmente a pensar na sina do personagem, sendo forçado a ler para os outros verem. Bem louco.

  4. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Oi, Oscar.

    Eu gostei da escrita e achei a ideia interessante, embora me falte conhecimento de cada autor mencionado para poder apreciar o texto em plenitude. Mas talvez o mais importante não sejam os escritores em si, mas o que conseguimos identificar no passado e em nós mesmos (que escrevemos, profissional ou amadoramente), como os egos atingidos na história.

    Eu fiquei um pouco confuso com o final. Inteligência artificial, robôs, pessoas? Isso, contudo, não me incomodou muito, afinal, o que eu gostei no conto foi a dinâmica entre os autores.

    Infelizmente essa mesma dinâmica acabou se empalidecendo do meio para o fim. A revelação final (que, novamente, não entendi muito bem) foi ganhando importância e começou a ser construída, o que implicou em um abandono ou passagem para o segundo plano da dinâmica mencionada.

    De todo modo, achei a narrativa boa e o conto agradável.

  5. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    Gostei do começo e do meio, embora ache que algumas passagens poderiam ter sido mais bem elaboradas, para não parecerem tão rápidas, mas o final me decepcionou um pouco, por conta de ter ficado em dúvida sobre o que aconteceu realmente. Era um museu, então? Não sei, essa finalização poderia ter sido melhor, mais elaborada. Era um leitor condenado? Aí já me animou mais essa versão, mas seria preciso “clarear” mais para mim, quem sabe em uma segunda leitura? De qualquer forma, parabéns!

  6. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    Gostei da ideia da reunião de vários autores, já vi um conto de Bradbury que funciona assim. Realmente os detalhes foram muito interessantes, tipo Scott já ter bebido muito, Kafka não vir hoje… Toda a conversa dos escritores é muito pertinente, e revela um grande conhecimento literário por parte do autor. Inclusive o fato de o castigo ser aplicado a Fausto ( e não a Goethe). Leitura muito prazerosa, parabéns.

  7. Phillip Klem
    30 de dezembro de 2015

    Boa noite.
    Adorei ver todos esses grandes nomes juntos. Sua ideia foi muito boa e o tom bem humorado contribuiu para uma leitura divertida e leve.
    O final, confesso, me desiludiu um pouco. Esperava algo maior que uma exposição de museu e fiquei com um gosto de “Uma noite no museu” na boca.
    Mas no geral foi um conto muito bom, sem grandes erros e com muito bom humor.
    Meus parabéns.

  8. Cleber Duarte de Lara
    30 de dezembro de 2015

    Síntese critica construtiva:
    A princípio bastante promissor, pois trata-se uma oportunidades para observar personagens literárias conversando entre si, a expectativas a respeito da trama são em seguida frustradas. O tom geral Kafikiano (kafikaesco, sei lá rs) muito interessante é prejudicado em certa medida por conta de uma certa artificialidade por parte dos personagens escritores, a meu ver. Um possível explicação para tal seria o fato de que eram todos meros delírios de uma mente oprimida e levada às raias da loucura. Ainda assim, isso não explicaria a limitação tão extrema de sua movimentação e reversão completa ao estado inicial diariamente na bibioteca. Talvez desenvolvendo-se mais esses detahes “admininistrativos” e a relação entre a visão externa e a interna à mente do personagem, o texto ficaria com um tom mais impactante e próximo ao do grande escritor “ausente” na dita “sociedade” de mortos.

  9. G. S. Willy
    30 de dezembro de 2015

    O conto começou de forma interessante, mostrando fantasmas, assim entendi, de antigos e clássicos escritores, mas depois quando entrou a parte do museu, minha atenção na leitura se desviou, me lembrou uma noite no museu. Até antes de abrir a cortina pensei se seria algum experimento ou algo do tipo, mas depois fica claro que é um tipo de punição por ter lido um livro não-autorizado, mas se livro é coisa muito antiga, como que tem autorizados ou não? e que tipo de punição é essa? parece mais que ele seja um funcionário de um museu do que um tipo de presidiário.

    Enfim, o título do conto também não parece condizer muito, ‘sociedade’? e também fiquei esperando alguma explicação para as visões dos escritores, e como todos falam uma mesma língua entendível para o protagonista, mas essa última observação é uma crítica ranzinza minha.

  10. Evie Dutra
    29 de dezembro de 2015

    Tanto o título quanto a história de seu conto me fizeram relacioná-los com filmes. Não sei se as analogias foram intencionais.. mas não gostei muito disso..
    A sua escrita é boa. Achei poucos erros.. nada que comprometesse a história.
    Na minha opinião, você poderia ter escrito de forma um pouco mais clara e detalhada.. senti falta de uma informação mais “mastigada” rs. É só minha opinião.. sei que não dá pra agradar a todos, não é? hehe
    enfim.. parabéns pelo conto.

  11. Anorkinda Neide
    29 de dezembro de 2015

    Oi!
    Estava gostando bastante de ir encontrando os escritores mortos conversando, brevemente, é verdade… mas ali, presentes… Quando revelou-se a vitrine do museu, frustrei, esperava algo mais nonsense…
    Mas, tudo bem… pensando no que foi oferecido, o cara preso, condenado a ler infinitamente… como um sonho virando pesadelo, pois quem não quer viver só para ler? mas se isso fosse concedido seria um castigo, pois não? rsrs
    .
    Agora não entendi, ele era um boneco de cera? Pq ele tinha q ficar estático durante a visitação? Não era como um reality show, né?
    Enfim, falta algum ajuste pro texto ficar redondinho…
    Abração

  12. Lucas Rezende
    29 de dezembro de 2015

    Gostei do texto. A subjetividade se os autores são fantasmas ou fruto da imaginação de Fausto deu um bom ar ao texto.
    Só achei que as referências ficaram mesmo jogadas ao vento, no mais, uma boa história. Parabéns.
    Boa sorte!

  13. JULIANA CALAFANGE
    28 de dezembro de 2015

    gostei muito do conto, a forma como vc escreve nos leva aos poucos a mergulhar cada vez mais no enredo. Muito criativo, mesmo não sendo a primeira vez q escritores ganham vida após a morte. Fausto é um personagem instigante, nos remete ao personagem de Goethe. Mas em alguns momentos achei q era um vigia do museu. Depois achei q era um museu de cera de escritores mortos. Depois voltei a pensar no Fausto de Goethe. Enfim, um conto instigante, bem ambientado, bem escrito. Parabéns!

  14. Davenir Viganon
    28 de dezembro de 2015

    A leitura ficou arrastada para mim. As coisas demoram para acontecer e quando aconteceram não me causaram impacto. Não consegui gostar na história.

  15. Simoni Dário
    28 de dezembro de 2015

    “Uma Noite no Museu”, inevitável a comparação. Apesar de belo, bem escrito e bem narrado o texto não fluiu muito comigo. Interessante de fato colocar todos os autores fantasmas juntos, ao menos eu entendi que eram fantasmas, mas tanta referência cansou um pouco a leitura, Do enredo não gostei muito, mas reconheço o brilhante talento do autor com a narrativa impecável.
    Bom desafio!

  16. Antonio Stegues Batista
    28 de dezembro de 2015

    As frases são bem construídas. Bons diálogos. O enredo vai se revelando aos poucos. Fausto, lembra Fausto de Goethe, já que o protagonista está pagando por um erro, uma situação que, para ele, é como penar no inferno. O tema como sendo uma imagem, leva a criação de textos participantes onde inevitavelmente há certos pontos semelhantes o que não deve atrapalhar o julgamento. Achei uma boa estória.

  17. Fil Felix
    27 de dezembro de 2015

    Num outro conto, os personagens que ganham vida. Nesse, os autores. Uma visão bastante interessante, um zoológico literário, que mescla o surreal com o caricato, não há intenção de ser algo verossímil, o que é bom e já nos encarrega de acreditar nos “absurdos” que ocorrem.

    Também gostei do texto não dar maiores informações, ficar nesse campo da imaginação. A caracterização dos personagens tambem são boas, só achei um pouco fora da curva o diálogo com a criança. Essa coisa de que, no futuro, vão estranhar o hábito de ler. Talvez nem pela ideia em si, mas aqui no desafio foi usado a exaustão.

  18. Piscies
    27 de dezembro de 2015

    Poxa, gostei bastante deste texto.

    A agonia do escritor aprisionado tendo, como única companhia, os livros que deixaram consigo. Sua solidão tão vasta que ele cria, para si, seus próprios amigos imaginários baseados nos autores que tanto ama ler.

    O conto é ao mesmo tempo uma ficção distópica assustadora e uma poesia maravilhosa; um ode à literatura e os livros, como muitos outros textos do desafio. Gostei da criatividade, da técnica e da pegada do texto.

    Parabéns autor!

  19. Andre Luiz
    25 de dezembro de 2015

    Eu achei o plot principal muito interessante, principalmente a criatividade para nomeação dos personagens. Achei muito bacana a introdução de livros clássicos e marcantes no meio da trama, porém não consegui encontrar muita realidade nas partes finais da trama. Acredito que seja porque você não descreveu melhor o cenário “de exposição/museu” onde os personagens se encontram, quase como se a primeira parte do conto(antes da abertura das cortinas) e a segunda parte(após a abertura) acontecessem em cenários diferentes.

    Apesar destas dúvidas, o conto foi cativante e o início foi muito bem formulado. Boa sorte no desafio!

  20. Daniel Reis
    23 de dezembro de 2015

    Uma noite na biblioteca/museu/zoológico, em (quase) boa companhia. A premissa da história, interessante a princípio, a meu ver poderia ter rendido um outro caminho, diferente da ficção científica, algo mais filosófico, um debate entre escritores. Se bem que Sartre, que não foi convidado, concordaria que “o inferno são os outros (escritores)”. Destaque para a frase/conceito: “Não importa se eu destruir um livro qualquer, amanhã aparecerá um igual.”

  21. Leonardo Jardim
    21 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): não entendi completamente a ambientação. Entendi que ele estava sendo punido por ler num mundo futurístico. O que eu não entendi foi como tudo volta ao normal e como ele sobrevive ali. Os escritores parecem ser frutos de sua mente perturbada, mas quem é de fato Fausto? Senti falta disso na trama. Fora isso, gostei bastante da vida dele e seus diálogos com grandes autores.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, narra bem, ótimas descrições de cenas vívidas, algumas comparações interessantes, mas faltando ainda um maior trabalho linguístico pras cinco estrelas.

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca não me pareceu tão destruída como na foto, mas achei bem válida a interpretação.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): autores ganhando vida (assim como personagens) já foi visto até mesmo neste desafio, mas a forma abordada aqui revelou doses de novidade por causa da exposição macabra dele, como em um museu.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei bastante dos diálogos e solidarizei com a dor do protagonista, mas creio que aprovaria mais se as dúvidas que levantei em “Trama” tivessem sido sanadas.

    💬 Trecho de destaque: “Rasgo uma folha aleatória e me arrependo imediatamente. Minha alma parece se despedaçar junto com o papel. Em minha mãos, a página quarenta e dois. Mesmo sem lê-la, minha memória me recorda seu conteúdo.”

  22. Claudia Roberta Angst
    20 de dezembro de 2015

    Olha, comecei a ler meio de má vontade. Mais um conto sobre uma biblioteca enfadonha, caindo aos pedaços, mas… Não, começou um diálogo atrás do outro, com personagens conhecidos, amiguinhos autores clássicos. Todo mundo aqui já sabe que adoro diálogos Nos contos dos outros, claro.
    A leitura é bem ágil, o ritmo é perfeito, sem entraves ou detalhes desnecessários. Claro que me lembrei logo do filme “Uma Noite no Museu”. Não tem como não relacionar o texto ao filme. Ficou divertido.
    Fiquei pensando qual seria a do Fausto, já que não era um dos autores famosos. Pensei no Fausto de Goethe, mas ele não me pareceu assim tão familiar. O final do conto revela que era somente um leitor ávido, condenado a ser uma atração. Não ficou tão claro assim o crime cometido. A conclusão foi um tanto repentina, mas no geral, gostei do seu trabalho.
    Boa sorte!

  23. Rogério Germani
    20 de dezembro de 2015

    Olá, Oscar!

    Uma noite no museu só com escritores mortos? Gostei.

    O cenário e os possíveis assuntos tratados pelos personagens foram bem trabalhados, manteve-se uma personalidade distinta na apresentação de cada autor e, de fato, fez com que a biblioteca que se desfigura diariamente se tornasse a cela de um condenado a ler por toda a eternidade.

    Boa sorte!

  24. Neusa Maria Fontolan
    20 de dezembro de 2015

    No começo achei que a história era sobre os fantasmas dos escritores que estavam presos ali. Só no final entendi que era mesmo uma cela, uma prisão para um condenado.
    No geral achei um bom conto. Parabéns e boa sorte.

  25. Catarina Cunha
    19 de dezembro de 2015

    O TÍTULO estragou uma boa surpresa. Ficaria mais gostoso descobrir aos poucos que estão mortos. O FLUXO é lento e os diálogos superficiais. A TRAMA remete à UMA NOITE NO MUSEU, só que com menos intensidade. Os PERSONAGENS ficaram apenas retratados e o FINAL, com a mensagem “nem tudo está perdido” ficou interessante.

  26. Eduardo Selga
    18 de dezembro de 2015

    O trocadilho é um recurso de construção textual que se baseia na similaridade sonora entre palavras de uma frase, de modo a produzir sentido inusitado. É perfeitamente legítimo, como qualquer recurso de construção de texto em prosa, ainda que torçam o nariz, desde que o autor meça bem pesos e medidas, sem o que torna-se-á excessivo ou inoportuno.

    Sim, mas e daí? O(a) autor(a) usou o trocadilho? Não, mas usou um recurso que por analogia o lembra: a utilização de autores consagrados da literatura mundial como personagens, mas não como elementos essenciais da narrativa, e sim como produtores de um sentido baseado no fato de serem representações de escritores. Nãos são personagens de fato. Se os autores usados fossem substituídos por outros de perfis semelhantes, o resultado seria o mesmo. Ou seja, o importante não é Jane Austen ou Shakespeare, e sim uma entidade que ocupe o papel deles. Não são personagens, e sim funções. Voltando à analogia com o trocadilho, é como se fora uma troca silábica entre palavras a produzir sentido.

    Entretanto, nessa “manipulação silábica” o sinal de alerta foi acesso a tempo, talvez desde a concepção do texto: não apenas de autores consagrados são feitos personagens. Também temos o personagem Fausto, de Goethe, numa posição inusitada na espécie de circo ou museu que é a ambientação do conto: leitor que serve de encenação para um público absolutamente não familiarizado com a leitura em livro.

    Na economia do texto, pareceram-me um tanto desnecessárias as cenas anteriores à central, Fausto “visitado” no museu e sua reação explosiva. Quero crer que o ponto fulcral (a expressão é muito feia, eu sei) deveria ser o foco da narração dese o início. Poderia ter rendido belos momentos. Ainda que os escritores surgissem no enredo, deveriam estar em posição secundária, com menos luz.

  27. Daniel I. Dutra
    14 de dezembro de 2015

    Achei a trama leve e divertida. É despretensiosa e o autor a conduz com leveza. Em suma, gostei.

    Ri particularmente do desdém com que Tolstoi lança em Shakespeare. Para quem não sabe, Tolstoi odiava a obra de Shakespeare e o considerava um charlatão, inclusive escreveu um ensaio destruindo Rei Lear dizendo que era uma das coisas mais ridículas que já leu na vida.

    Não sei se o autor está ciente disso ou foi apenas uma coincidência. Se foi coincidência, ele mirou no que viu e acertou no que não viu.

  28. André Lima dos Santos
    12 de dezembro de 2015

    Olá autor, tudo bem?

    Achei a idéia do conto bem interessante, mas não curti muito a execução. Além de ser narrado no presente (Coisa que eu não gosto, mas por ser questão pessoal, não vou entrar no mérito), o texto passa a impressão de ser corrido, mecânico, travado. Justamente por frases curtas e minimalistas do tipo: “pego um copo d’água. Sento na poltrona”. Acho que poderia ter um capricho maior na narrativa, utilizando uma frases mais bem construídas.

    O final não me agradou muito também, acho que poderia ser melhor trabalhado, assim como os diálogos dos personagens ilustres.

    Pelo fato da idéia ser boa, vou classificar seu conto como mediano para atribuir uma nota. Abraços!

  29. Gustavo Castro Araujo
    12 de dezembro de 2015

    Achei bacana a ideia de reunir diversos escritores clássicos num conto. O enredo em si, com um “condenado” a ler pela eternidade também demonstra boa dose de criatividade. O problema é que falta substância ao conto. A narrativa se desenrola sem grandes sobressaltos, com os escritores famosos conversando entre si, aludindo a clichês intermináveis. Apesar de curto, o texto ficou arrastado e, por favor me perdoe, um tanto chato. Creio que com mais tempo e com o devido aproveitamento do limite, teria sido possível criar uma história em que a participação deles fosse realmente decisiva.

    De positivo dá para citar, além da já mencionada criatividade, o esmero na condução da trama e no uso da gramática, o que não é pouco.

    De todo modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    11 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Atmosfera instigante, com clima de ‘Uma Noite no Museu’, mas voltado para algo mais clássico.
    U: Leitura flui tranquilamente, mesmo através das palavras rebuscadas dos personagens descritos. Ponto positivo. Está bem escrito e exibe uma leveza incomum.
    L: No começo fiquei um tanto perdido, e achei que se tratavam de fantasmas conversando com o protagonista. A solução apresentada faz sentido, um passado remoto desconhecido para a nova geração (estamos quase nisso, aliás). No entanto, a história demonstra mais o cotidiano em si do que algo mais persuasivo. Entenda, gostei do mote principal e da busca pelo livro perdido, mas faltou algo à mais para completar a conexão.
    A: Neste caso o foco virou mais para a essência em si, do que a imagem propriamente dita. Como está sendo bem comum nesse desafio, é o que estou levando em conta. O clima de museu com certeza é a melhor parte.

  31. Fabio Baptista
    9 de dezembro de 2015

    Olá,

    A escrita é boa: sem metáforas, frases mais elaboradas ou outros atrativos, mas clara o suficiente para não fazer o texto “enroscar” em nenhum momento. Com tantos ilustres personagens em cena, porém, acho que faltou ousadia aqui nesse quesito… poderia ter arriscado algo no sentido de frases que lembrassem os autores, não apenas simples referências às obras.

    A trama não foi das melhores. Meio “Toy Story”, meio “uma noite no museu”, acabou indo para um lado mais sombrio, pois, pelo que entendi, era um ser humano mesmo quem estava ali servindo de peça de museu e não um boneco como parecia a princípio. De qualquer forma, na minha opinião as coisas não ficaram bem amarradas e as muitas referências foram apenas jogadas ao vento, sem muito propósito.

    Infelizmente não gostei.

    Abraço.

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .