EntreContos

Detox Literário.

A Biblioteca (Juliana Calafange)

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“A Biblioteca é ilimitada e periódica” (Borges)

 

24 de fevereiro de 2176 d.C. Hoje Lucas completa dezesseis anos. Ele olha a paisagem ao seu redor. Não há nada para comemorar. A humanidade vive num mundo devastado. Já não se sabe há quanto tempo a loucura tomou conta de todos os seres humanos. O sol está começando a se levantar no horizonte e Lucas se lembra de seu pai, contando as histórias do passado pra ele, fazendo gestos muito dramáticos, como se elas estivessem acontecendo naquele momento. Dizia que tudo começou com pequenas epidemias de pânico e ataques de intolerância. Depois as pessoas passaram a agir como animais, selvagens, dominadas apenas pelo ódio. Odiavam tudo e todos. Odiavam a si mesmas. O pai de Lucas dizia que tudo isso foi por causa da fome generalizada, das doenças que vieram junto com ela, da ignorância, da guerra, da incapacidade de dialogar. Daí os homens tornaram-se solitários, perderam a diplomacia e até a palavra passou a ser usada como arma. Medíocres, vociferava o pai de Lucas, de ego supervalorizado e rancor descontrolado, destruíram tudo, incendiaram instituições, explodiram casas, escolas, igrejas, hospitais, bombardearam cidades inteiras ao redor do mundo. Os governos anunciaram uma pandemia de raiva, doença que todos pensavam estar erradicada há tempos. Gastaram todo o dinheiro e energia em suas guerras diárias até terminarem com tudo, até acabar a água, o petróleo, a vegetação, até acabar toda a munição. A tecnologia e a ciência ruíram, junto com a política… Lucas suspira, pensa que a vida era bem melhor quando seu pai ainda estava vivo. Pelo menos no pai ele podia confiar. Hoje os homens não têm mais nada, são todos inimigos, não há ideologia, nem moral, não existe coletividade.

Isso é o que se sabe, ou pelo menos é o que se conta de boca em boca, pelas gerações. Há alguns anos correu um rumor de que alguém estava a tentar gravar em pedra tudo o que lembrava, pra que o conhecimento não se perdesse das civilizações vindouras. Mas pode ser só um boato, como tantos outros, já que hoje tudo é transmitido de forma oral, mais especificamente na base do bate-boca. Os jovens, como Lucas, chegaram a conhecer as máquinas, se alfabetizaram com elas, na época em que ainda havia energia. Mas logo depois tudo apagou, as máquinas pararam de funcionar e, uma vez que o mundo guardava todos os seus tesouros dentro das máquinas, toda a cultura, todos os códigos, toda a memória desapareceu quando houve o Grande Apagão em 2167. A partir desse dia, as pessoas tiveram que se virar por conta própria. Do passado só restam histórias, coisas que os mais velhos contam e ninguém leva muito a sério.

Agora as pessoas vivem em bandos, gangues de peregrinos a explorarem as ruínas do passado, à procura de algo novo, algo que possa nutrir o espírito furioso, saciar a fome e a sede de vingança. Lucas faz parte de uma dessas gangues, formada basicamente por adolescentes como ele. Há muito tempo, já perdeu a conta, vasculha com os parceiros a imensidão de ruínas em que se tornou a Terra. Esse é o mundo em que vive e que ele conhece bem, mas vive se perguntando se tinha mesmo de ser assim. Neste momento esmiúçam a antiga cidade de Cistos. Dizem que foi uma megalópole muito próspera. Deve ser verdade, de tão grande que é, pensa. Dá pra ver ruínas até o horizonte. Armados de paus e pedras, o grupo segue atento, olhos, ouvidos e narizes vigilantes; um grupo inimigo pode aparecer a qualquer instante, vindo de qualquer lugar. Ninguém está seguro. Lucas sente a respiração acelerar enquanto avançam pelas antigas ruas de Cistos. Ele não para de pensar, os sentidos atentos, o coração bate tão forte que dá a impressão de que todos à sua volta podem ouvir. O jovem luta com seus pensamentos que formam várias vozes ao mesmo tempo, dizendo muitas coisas simultaneamente, como se uma multidão ensandecida morasse dentro da sua cabeça. Lucas já devia estar acostumado, mas não. Odeia essa sensação, esse eterno estado de alerta e essas vozes falando na cabeça dele o tempo todo. O pensamento faz muito barulho.

Descendo algumas ruas em zigue-zague, o grupo chega a uma enorme construção que destoa das demais. É enorme e é a única no quarteirão que ainda está relativamente de pé, salvo alguns pedaços faltando no telhado. Uma escadaria leva à entrada do prédio e enormes colunas erguem-se na frente dela. Em cima da grande porta de madeira está escrito BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CISTOS. O que será que significa essa palavra, “bi-bli-o-te-ca”? – Lucas não se lembra de jamais tê-la ouvido. O grupo entra devagar no prédio, cheirando todo o ambiente pra saber se não há inimigos no local. Lá dentro está tudo na penumbra e demora um pouco até os olhos se acostumarem e conseguirem decifrar o cenário. Quando isso finalmente acontece, estão diante de um lugar totalmente novo. Há coisas, possivelmente restos de mobílias antiquíssimas, espalhadas por todos os lados, e as paredes são cobertas por estranhos objetos em forma de paralelepípedos.

Com medo e cuidado, o grupo começa a examinar os inusitados objetos. Primeiro cheiram, depois tocam com a ponta de suas lanças de madeira. Parecem inofensivos. Lucas é o primeiro a criar coragem, pega cautelosamente uma das peças com a mão. Não queima, não morde, está morto, diz aos colegas. Alívio geral. Todos então avançam, cada um pega um objeto pra si. Lucas percebe que o objeto se abre em folhas. Parece que há algo escrito nelas. Será algum código? Será alguma receita mágica? Será uma maldição? Fecha o objeto com medo. Mas logo em seguida não resiste à curiosidade e o abre novamente. Parece estar em nossa língua, constata ele. Começa a ler os escritos. O restante do grupo, timidamente, faz o mesmo. Aos poucos o silêncio toma conta da sala, todos estão concentrados em suas leituras. A princípio isso o preocupa. Mas logo percebe que o silêncio é bom. Pela primeira vez a mente de Lucas não faz barulho, as vozes cessaram. Só uma voz permanece, só a voz que lê, só a voz que acompanha a história contida naquelas antigas palavras. É maravilhoso, Lucas nunca teve uma sensação assim, nem mesmo quando seu pai lhe contava aqueles velhos e sombrios contos. A história que lê agora o leva para outro lugar, um lugar diferente, onde tudo é colorido. Com rios e pássaros fascinantes. Também há flores, muitas flores, e campos cultivados! Nesse lugar as pessoas se amam ao invés de se odiar, um lugar onde coisas incríveis acontecem. Um sentimento totalmente novo invade a mente do rapaz. Ele não consegue explicar o que é, mas é uma sensação muito boa, um prazer inigualável, jamais experimentado.

Empolgado, Lucas pega outro objeto e começa a ler. E outro, e mais outro. Dezenas de universos diferentes se desdobram na sua frente, a cada folha decifrada. De repente ele compreende que aqueles objetos são na verdade portais mágicos para outros mundos, mundos magníficos. Olha à sua volta. Todos estão vidrados, compenetrados na leitura das folhas dos seus paralelepípedos. Tão concentrados que nem percebem um grupo inimigo que se aproxima e entra na Biblioteca.

O novo grupo se surpreende por não ser percebido pelos adolescentes. Mesmo assim, empunham suas armas, também feitas de paus e de pedras. O líder do grupo, um homenzarrão enorme, bate com sua lança fortemente no chão, despertando os adolescentes de seus devaneios, trazendo-os de volta de seus mundos mágicos para a inexorável realidade. Lucas e seu bando se assustam ao perceberem os inimigos armados e ficam sem reação, uma vez que suas próprias armas estão espalhadas pelo chão da grande sala e eles só têm por perto uma montanha de paralelepípedos mágicos. Os inimigos apontam suas lanças para o bando desarmado, antevendo fácil vitória. Então Lucas mostra o objeto que estava lendo, abre-o e exibe suas folhas. O grandalhão adversário hesita, curioso… Aquilo é realmente algo novo.

Lucas coloca o objeto no chão e empurra-o em direção ao líder inimigo, que o cheira com cautela e faz um sinal para o grupo. Um deles se aproxima, abaixa-se, pega o objeto com cuidado, sente seu peso, cheira-o e descobre suas folhas. O resto da gangue se amontoa em volta pra ver o que é. O homem se levanta e mostra o objeto ao seu líder, os dois põem-se a examinar as páginas, muito intrigados, as sobrancelhas franzidas. Os demais se aglomeram para olhar sobre os ombros dos primeiros. Em segundos estão todos tão entretidos que esquecem-se dos jovens oponentes, que por sua vez observam a cena sem nada fazer. Lucas está apreensivo, assim como seus parceiros, pois querem ver a reação do líder inimigo ao ler o que está escrito nas folhas. Querem saber se ele também pode atravessar o portal.

O silêncio ocupa toda a sala, só se ouve o som das folhas do paralelepípedo sendo viradas uma a uma. Em pouco tempo, o inacreditável acontece: os dois grupos parecem um só, encontram-se todos desarmados, tranquilos, cada um viajando em seu portal mágico, espalhados pelo chão da Biblioteca. Esse é um momento realmente histórico. Faz quase cem anos que dois grupos inimigos não se sentam juntos para uma atividade comum…

Lucas observa a cena e dá um leve sorriso, mesmo sem perceber. Está imaginando o que pode acontecer daqui pra frente. Talvez outros grupos venham e descubram a beleza por trás dos portais mágicos. Lucas gostaria de compartilhar esse pensamento com o bando, mas estão todos tão ocupados em ler… Talvez no futuro outras pessoas possam vir até aqui, se encontrar na Biblioteca e atravessar juntos os portais pra esses mundos maravilhosos. Seria um grande ponto de encontro para grupos de todos os cantos do planeta. E as pessoas poderiam também conversar sobre os portais que atravessaram, dividir uns com os outros aquelas imagens e sensações: o cheiro doce da água dos rios, o som do vento batendo nas folhas das árvores, a beleza dos animais… Talvez eu seja um doido, pensa Lucas. Mas talvez um dia Cistos volte a ser uma grande cidade, só por causa da Biblioteca… E o que significa essa palavra “biblioteca” afinal? Seu pai dizia que no passado havia grandes templos, que eram locais onde as pessoas se conectavam com Deus. O garoto sempre achou que era maluquice do velho. Mas quem sabe fosse verdade? Talvez o nome desses templos fosse Biblioteca, pensa ele. Será? Lucas sorri novamente. Dessa vez se dá conta disso. Pega um paralelepípedo mágico e atravessa o portal.

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43 comentários em “A Biblioteca (Juliana Calafange)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de janeiro de 2016

    ௫ A Biblioteca (Daniel Malik)

    ஒ Físico: Daniel escreve com maestria. É fácil mensurar a habilidade dele por causa do tempo verbal do conto. Ele conduz a estória naturalmente. Ele domina tudo. E faz com que a voz do narrador ressoe na mente do leitor. Tenho apenas uma coisa para oferecer: CLAP, CLAP, CLAP!

    ண Intelecto: Não me pareceu uma estória qualquer. Lembrou-me uma fábula. E uma das mais bonitas. A mensagem está embutida, as pessoas irão resistir, como sempre resistem, mas Daniel fez um belo trabalho. A única falha do autor foi na hora de desenvolver a relação Personagens X Coisas do Mundo Antigo. Ele justifica num trecho bem pequeno a alfabetização dos adolescentes da geração de Lucas. Mas parece que aquilo foi inserido de forma forçada. O autor deve desenvolver isso melhor. Como eles sabiam ler e não sabiam o que eram livros? Inverosímel, entendem? Daniel precisa resolver esse problema.

    ஜ Alma: A biblioteca não tem tanta importância quanto a leitura, mas não fica muito em segundo plano. O autor começou a perder o foco e retornou na comparação Biblioteca X Templos Religiosos. Ele também revelou ser um escritor bem talentoso, mas que precisa tomar mais cuidado no desenvolvimento da estória. Precisa a aprender a lapidar seus textos e consertar as pontas soltas.

    ஆ Egocentrismo: Amei o conto. Ele fala muito em tão pouco… E a escrita é deliciosa. Porém, o texto não está perfeito. Tenho uma tendência a gostar de estórias que tenham um significado.

  2. rsollberg
    4 de janeiro de 2016

    A Biblioteca (Daniel Malik)

    Um texto bem escrito, com uma linguagem simples e direta. Creio apenas que o nome “lucas” poderia ser suprimido algumas vezes. Especialmente no último parágrafo O texto é todo escrito no presente, o que é bem próximo da linguagem audiovisual e, a meu ver, muito mais difícil de passar emoção, tendo em vista o foco maior na ação.

    A ideia é muito bacana e traz essa coisa mágica, que foi bem misturada com essa distopia mais sombria. Minhas outras impressões esbarram bastante na questão de gosto e por isso acho que são dispensáveis para o autor. Um bom conto.

    Parabéns e boa sorte!

  3. Rubem Cabral
    2 de janeiro de 2016

    Olá, Daniel.

    Então, achei o conto, como um todo, irregular. Está bem escrito, porém peca por só descrever sem quase “mostrar”. Achei também que o cenário desolador chegou muito cedo, que a ignorância e selvageria aconteceram rápido demais, inclusive porque o “apagão” que o conto descreve ocorreu há relativamente pouco tempo.

    Gostei, contudo, da boa analogia entre templos e bibliotecas. O final, esperançoso, é bonito e idealista.

    Abraços.

  4. Piscies
    2 de janeiro de 2016

    Este desafio está uma real homenagem à leitura!

    O autor escreve muito bem, sem sombras de dúvidas. Não vi erros. A leitura flui muito bem – por vezes, rápida demais para o meu gosto, mas isto é pessoal. Os cenários são bem descritos, Lucas é bem trabalhado.

    Só não gostei do tempo perdido explicando como o mundo “acabou”. Não parece relevante para o enredo. No fim, é um conto que trata de um mundo pós-apocalíptico onde as pessoas reencontram os livro pela primeira vez e descobrem seu poder “mágico”. Não é necessário explicar o fim do mundo anterior: esta explicação não tem peso no enredo (mesmo que aqui tenha um peso mínimo para explicar o ódio instalado na sociedade… ainda acho descartável).

    Os livros aqui são vistos de forma ingênua, mas válida. Eu argumentaria que muitas pessoas enxergariam poder nos livros, querendo tomá-los para si, talvez matando as pessoas para que as impedissem de ler. O filme “O livro de Eli” fala bem sobre isso. Mas, é claro, o conto é uma visão válida do autor, e uma visão bem interessante.

    Gostei do conto. Foi uma boa leitura. Parabéns!

  5. Leandro B.
    2 de janeiro de 2016

    Oi, Daniel.

    Em linhas gerais, achei a sua escrita muito competente, mas a narrativa pareceu muito distante. Tive a impressão de que há explicações e apontamentos demais nos parágrafos e, ao mesmo tempo, falta certa percepção de Lucas sobre o seu próprio mundo, de forma convincente.

    Das vezes em que temos uma impressão do personagem ela é (ou pareceu para mim) distante, com uma exposição similar ao que foi feito com o contexto.

    Sobre a história em si, o ponto que achei mais interessante foi a referência a confiança que temos na tecnologia. Pelo o que entendi chegamos ao ponto de simplesmente passar para o banco virtual o nosso conhecimento e, quando essa tecnologia vai para o saco, perdemos a ligação com o nosso saber mais ancestral. Existe, claro, certo exagero em uma sociedade alfabetizada ter um choque com uma sequência de páginas, mas nao acredito que isso seja importante.

    Enfim, o resultado final não me agradou por conta dessa distância e da exposição que considerei um pouco fria, mas o potencial do texto e do autor é bem claro.

    Boa sorte, camarada.

  6. Phillip Klem
    2 de janeiro de 2016

    Boa noite.
    Gostei demais do seu conto. Sem dúvidas foi um dos mais criativos e interessantes que eu li até agora. Você tem uma escrita fácil e leve, muito prazerosa de se ler.
    gostei muito da ambientação. Confesso que, no começo, quando percebi que seria mais um conto pós-apocalíptico, eu torci a cara. Mas seu conto me ganhou e me deixou bem ansioso para ver onde tudo aquilo iria chegar.
    Sua narrativa foi uma carta de amor aos livros e ao poder que a literatura tem de promover a paz.
    Ler seu conto fez calar todas as vozes que falavam em minha cabeça, exceto aquela que lia.
    Meus parabéns.

  7. Evie Dutra
    2 de janeiro de 2016

    Que conto surpreendente!
    Quando comecei a ler, não esperava que fosse tão bom. Achei o conto extremamente criativo, principalmente o final.
    A impressão que tive foi que a sua escrita ainda precisa ser amadurecida. Não encontrei problemas gramaticais nem frases mal formadas mas, creio que dando uma revisada, o conto pode brilhar ainda mais.
    A forma como você terminou seu conto está perfeita! Gosto de finais assim, que me deixam surpreendida.
    Parabéns 🙂

  8. Bia Machado
    1 de janeiro de 2016

    O começo estava interessante, mas conforme fui lendo não consegui ser envolvida nas situações. Talvez pela narração? Provavelmente. Senti falta de uma elaboração maior, de diálogos, coisas que me aproximassem mais das personagens. E acho que você tem competência pra produzir isso. 😉

  9. Wilson Barros Júnior
    31 de dezembro de 2015

    Bom, é evidente que o autor escreve bem, tem muito talento nas descrições e narrações. Como muitos já falaram, faltam diálogos. A questão dos diálogos eu penso da seguinte forma: não são, evidentemente, obrigatórios. Existem contos excelentes, como a própria “Biblioteca de Babel”, que não contêm diálogos. O caso é que normalmente são as conversas que dão o caráter de ficção ao conto e despertam o interesse do leitor. Se não forem usados, alguma outra técnica tem que ser usada nesse sentido. No conto de Borges, o que substitui os diálogos é a imaginação precisa e científica. E aí temos o que considero o principal problema do conto presente. Em minha opinião, o conto apresentou uma história que já foi demais explorada. Assim, o que tenho a sugerir ao leitor é que ele elabore mais seus “enredos”, criando, inventando e deixando a mente fluir através de situações inéditas, impensadas e originais. E claro, vale também o conselho já repetido de acrescentar diálogos. Você tem estilo, basta trabalhar mais as tramas, boa sorte.

    • Daniel Malik
      1 de janeiro de 2016

      Caros colegas, quero agradecer por todos os comentários que recebi. É a primeira vez q participo de um desafio por aqui e gostei muito da experiência! Tudo que foi dito sobre o q escrevi, sejam as críticas positivas ou negativas, me serão muito úteis pra reescrever este conto e para escrever os próximos! Desde cedo na vida aprendi que quem se fecha para as críticas não evolui, não anda pra frente. Compreendo que é muito difícil a gente botar um “filho” no mundo e depois as pessoas ficarem dizendo que ele é feio. Mas assim é a vida e assim também é a arte! Muito obrigado mais uma vez! E parabéns também a todos vocês!

  10. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2015

    Bom, aqui é o caso onde o autor quis passar A MENSAGEM, mas para muitos, a forma como quis passar irá incomodar. Acredite, apanharei nesse desafio pelo mesmo motivo, mas não posso mentir e dizer que por causa disso gostei do conto.

    A cena do primeiro grupo encontrando os livros foi interessante, mas quando o segundo aparece, e rola aquela confraternização, ficou forçado demais. A biblioteca como o lugar onde se encontra Deus, mencionado, ficou como uma ideia bacana, mas em uma execução meio irreal e parada.

    Também gostaria que o início do texto focasse mais no personagem para explicar a situação, mas sem aquela pontada de livro de história que ficou. Acredito sim que ficaria uma história melhor se fossem criados personagens, diálogos e outra cena que não a do conflito na biblioteca, que no fim das contas nem existiu. Mas tem a questão do número de palavras e… enfim. Acho que tem potencial, mas para mim não funcionou bem.

  11. G. S. Willy
    29 de dezembro de 2015

    O conto realmente é muito interessante, com uma linguagem simples e fácil de acompanhar. Acredito que com mais um pouco de técnica o(a) autor(a) pode alcançar grandes lugares. O leitor precisa sentir tanto quanto o personagem, a fome, a dor, o medo, a sujeira embaixo das unhas. Esse conto passa bem acima disso, sem se aprofundar no ambiente criado.

    Único momento que me deixou um pouco frustrado foi o fato deles serem capazes de ler os livros. Entendi que eles tiveram educação em algum momento, mas se eles não conhecem palavras tão simples quanto livro e biblioteca, como poderiam ler com clareza um obra completa? Mas isso é uma crítica ranzinza, talvez sanada de uma forma em que os personagens se ajudassem a ler uma obra e em alguns dias eles estivessem lendo cada um por si.

  12. Jowilton Amaral da Costa
    28 de dezembro de 2015

    A narrativa e fluente e sem entraves. A ambientação é boa, a trama não é tanto. Tem passagens bem legais, como a imaginação de que as igrejas de antigamente fossem as bibliotecas, gostei bastante disso. No entanto, para mim, faltou algo, não sei disse direito o que seria. talvez um impacto maior no final, uma emoção a mais. Não me empolgou muito. Boa sorte.

  13. Thiago Lee
    27 de dezembro de 2015

    O conto é competente e bem escrito. O tema utilizaado é pertinente.
    Entretanto, é bastante clichê e a história percorre sem grandes surpresas, tudo muito utópico. Quando da chegada do segundo grupo, imagina-se que algo mais grave irá acontecer, mas não é o que acontece.
    De qualquer maneira, parabéns e boa sorte!

  14. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2015

    Ah que bonito!
    (novamente, nao pude ler os demais comentarios, lerei depois)
    .
    Apesar de curto e pedir por desenvolvimento, amei a história, o templo, os paralelepípedos mágicos…
    .
    Você deve pegar este texto e ampliar a historia no sentido de fazer diálogos ou acrescentar uma profundidade ao protagonista para que o sintamos mais, como no final, onde ele sorri com suas observações… isso humaniza e leva o leitor a conhecer melhor o personagem.
    (Sei lá, do doida de sono, mas reitero que amei este conto)
    Boa sorte ae
    Abraço

    • Daniel Malik
      27 de dezembro de 2015

      Obrigado pelo comentário. Certamente vou desenvolver mais o texto, com a ajuda das ótimas críticas que os colegas têm postado aqui. Abraço!

  15. André Lima dos Santos
    26 de dezembro de 2015

    Olá autor!

    O conto está bem escrito (Percebi pouquíssimos erros de português) e o fluxo é bem leve, tranquilo. Isso já te faz ganhar alguns pontos nos meus critérios de avaliação.

    Quanto à história, achei um pouco clichê. Percebi um furo também. Ora, se os grupos foram alfabetizados, aprenderam a ler e escrever, por qual motivo se espantam com livros? De onde eles tiram material para aprender a ler? Não seria de registros já escritos??

    Ademais, se já sabiam ler e escrever, por qual motivo não se expressavam artisticamente utilizando as letras? Sei que viraram sociedades primitivas, mas essa expressão é tão antiga quanto a humanidade.

    Esses pontos negativos tiraram o conto de um patamar bom, em minha opinião.

    Boa sorte no desafio.

  16. Fil Felix
    22 de dezembro de 2015

    A imagem que o conto passa é bem interessante, esse futuro apocalíptico, onde todos se tornam escravos da tecnologia e, uma vez extinta, ninguém sabe o que fazer sem ela. Chega a ser um pouco inacreditável que as pessoas não saibam o que são livros, mas saberem ler. Porém, se observar hoje, tem adolescentes que não sabem o que são os filmes em VHS…. Talvez não seja tão difícil assim de acreditar. Será que os ebooks vão realmente dominar tudo?

    Outro ponto que gostei, que também faz parte dessa imagem criada, é de como a humanidade começa a ser recuperada através dos livros. Só o conhecimento salva, só através dele conseguiríamos, talvez, uma melhor humanidade.

    Mas achei a narrativa um pouco simples, sem grandes passagens. Os humanos, também, ficaram estranhos. Tem momentos que parecem O Planeta dos Macacos, bem primitivos, cheirando as coisas, que não consegui associar bem com o fato de lerem. De não entender a palavra Biblioteca, mas mesmo assim entender os demais livros. Ficou um pouco forçado.

  17. JULIANA CALAFANGE
    22 de dezembro de 2015

    Gosto de histórias malucas e não vejo problema com a distopia do conto. Na literatura, o mundo pode vir a ser qualquer coisa, não é essa verossimilhança q importa, e sim a verossimilhança dentro da história. Nesse sentido, fiquei imaginando que um dia as pessoas só conheceriam o que se publica em redes sociais, textos com poucos caracteres. Então talvez eles não soubessem mesmo o q é uma biblioteca. Eles conseguiriam ler, pq foram alfabetizados pelas máquinas, como vc explica, mas talvez, como outros colegas já disseram, eles não tivessem fluidez pra ler livros inteiros e compreende-los totalmente. Talvez vc devesse ter trabalhado melhor nisso, gerando pelo menos alguma dificuldade inicial pra eles. Também concordo com o pessoal q falou sobre o show, don’t tell. Vc podia ter trabalhado mais nisso. O texto é fluido e nota-se q vc se preocupou com a revisão. parabéns!

  18. Daniel Reis
    21 de dezembro de 2015

    Gostei da narrativa, bem ágil e com um clímax/anticlímax interessante. Mas esses mundos futuros, sempre piores do que atual, não me convencem muito – acredito que uma regressão assim é bastante improvável. Quanto aos pontos que me deixaram com interrogação, como leitor, é como esses rapazes, vivendo em estado beligerante há mais de 100 anos, há muitos anos sem acesso a informação (desde o apagão) e com dificuldades até para interpretar o nome do prédio, conseguiram ler com fluência esses livros e viajar nas histórias? Inclusive, o mundo colorido que eles encontram na leitura já não existe há tempos, como eles conseguiriam formar essas imagens? Só comentando…

  19. Neusa Maria Fontolan
    20 de dezembro de 2015

    De primeira eu torci o nariz. Como é que ele sabia ler? Então me lembrei de uma frase la no começo do conto e fui buscar. “Os jovens, como Lucas, chegaram a conhecer as máquinas, se alfabetizaram com elas, na época em que ainda havia energia”. Acho que você trabalhou pouco aqui, devia ter deixado mais claro. Mas, de um modo geral eu gostei do conto. Parabéns e boa sorte.

  20. Rogério Germani
    20 de dezembro de 2015

    Olá, Daniel!

    A utilização dos livros como catarse de um mundo pós apocalíptico é um alento para as futuras gerações. Ainda mais se, no futuro, o hábito de leitura for mantido, sem, é claro, a caricatura poética utilizada para representar as gangues em seu texto: não saber o que significa a palavra biblioteca e, na sequência, ler um livro atrás do outro forçou a barra…rsrs

    Boa sorte!

  21. Lucas Rezende de Paula
    18 de dezembro de 2015

    Os parágrafos grandes me deram uma cansada, mas nada grave.
    Queria dizer que você quase acertou no conto, já vi mais de um comentário falando sobre verossimilhança então não vou bater na mesma tecla.
    O fim foi muito legal, mas o desenrolar da história não me fez acreditar que aquilo seria possível.
    Sugiro trabalhar no começo e mudar algumas coisas para que esse final seja crível.
    Boa sorte.

  22. Claudia Roberta Angst
    18 de dezembro de 2015

    O título não poderia ser mais claro e adequado ao certame.
    O começo do conto até que prendeu minha atenção com a caracterização do momento do narrador.O que não entendi direito foi a humanidade regredir tanto após o apocalipse. Perde-se tudo? Aí fiquei com as imagens do filme Planeta dos Macacos. E os livros surgem como a descoberta do fogo, encantam e assustam ao mesmo tempo. Há uma idealização da leitura como elemento mágico que transporta o leitor para um outro mundo, longe do caos. Gostei desta ideia,mas acho que o autor exagerou um pouquinho na dose.
    Não encontrei erros de gramática ou lapsos de revisão. O autor parece dominar bem as palavras.
    Por não ter diálogos, o conto deveria ser um pouco mais conciso para evitar o “ralentar” ( diminuição do ritmo) da leitura. Não se pode negar que o conto está muito bem escrito.
    Parabéns para o jovem Lucas que aniversaria nessa distopia louca.
    Boa sorte!

  23. Leonardo Jardim
    17 de dezembro de 2015

    Caro autor, seguem minhas impressões de cada aspecto do conto antes de ler os demais comentários:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): é simples, mas é interessante. Essa ideia de livros serem portais para outros mundos é recorrente, mas foi bem aplicada aqui. Achei algumas coisas estranhas, como o fato deles saberem ler, mas nunca terem lido livros (nem digitais) e chamar os livros de paralelepípedos me incomodou bastante. Na primeira vez aceitei, mas depois me irritou, pois além da palavra ser grande e feia, nem acho parecidos. Enfim, tive que relevar algumas coisas para gostar da história.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): não cheguei a reparar em nenhum defeito, embora a narração seja simples e direta. Acho que poderia apenas arriscar mais utilizando alguns recursos linguísticos, como umas metáforas bem trabalhadas, por exemplo. Além disso, no início, antes da biblioteca, o texto conta muito e mostra pouco (o famoso “show, don’t tell” que alguém já deve te comentado abaixo).

    🎯 Tema (⭐⭐): a biblioteca em ruínas faz parte do coração da história.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): esse mote de livros como portais é meio batido.

    🎭 Emoção/Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto termina conforme esperado, sem nenhuma reviravolta. Isso tirou um pouco da emoção e o impacto final ficou reduzido.

    💬 Trecho de destaque: “O pensamento faz muito barulho.”

    • Daniel Malik
      18 de dezembro de 2015

      Obrigado pelo comentário, Leonardo. Levarei todos em consideração.

  24. Simoni Dário
    16 de dezembro de 2015

    Gostei bastante do final do conto com a comparação de Biblioteca com Templos de Adoração. O cenário apocalíptico construído pelas mãos do próprio homem foi bem descrito. Senti uma ponta de tristeza na frase onde Lucas pergunta-se o significado da palavra Biblioteca. Nossa, será possível? Com o pensamento de 2015 pra 2016 ainda não consigo assimilar! Foi bom sentir a esperança que toma conta de Lucas no último parágrafo, e o pensamento dele a partir do que poderia acontecer com outros grupos se forem atrás da beleza dos portais mágicos. Aliás, foi esse toque de magia que me cativou no texto.
    Gostei do conto.
    Bom desafio!

  25. Antonio Stegues Batista
    16 de dezembro de 2015

    As guerras acabaram com a civilização. O Homem volta à Idade da Pedra:”Há alguns anos correu o rumor de que alguém estava a tentar gravar em pedra tudo o que lembrava.” Acho estranho não haver outro meio, pois o indivíduo continuava inteligente. “Os jovens, como Lucas, chegaram a conhecer as máquinas (computadores) e se alfabetizaram com elas.” Eles sabiam ler, é impossível que não tivesse sobrado outra coisa para lerem,(e aprenderem e reinventarem) além daqueles livros na biblioteca, que serviu apenas para recordar os “bons tempos”.
    Um conto bem escrito, mas o enredo ficou na média.

  26. Brian Oliveira Lancaster
    16 de dezembro de 2015

    MULA (Motivação, Unidade, Leitura, Adequação)

    M: Uma abordagem pós-apocalíptica, mas com um narrador bem diferenciado. A história é leve e cria conexões, lembrando vagamente o filme 2001 (principalmente no meio).
    U: Está bem escrito e as palavras fluem naturalmente. O tempo presente deu um tom de repórter descrevendo o que estava acontecendo ao mundo, mas talvez fosse essa a intenção do autor.
    L: Uma história com camadas profundas e reflexivas, com um tom acertado em seu contexto. Não sou muito fã do tempo presente, mas a mensagem que o texto consegue transmitir capta bem a essência literária, embutida no inconsciente coletivo.
    A: Apesar do cenário destrutivo ser bastante utilizando por aqui, este consegue fugir um pouco do lugar comum, por aplicar uma camada estilo a série ‘Revolution’, onde toda a forma de energia cessou e a humanidade volta à era do cavalo e afins. Essa atmosfera intimista cativa.

    • Daniel Malik
      18 de dezembro de 2015

      Obrigado pelos comentários! Eu gostei muito dessa sua “MULA”!

  27. Davenir Viganon
    15 de dezembro de 2015

    Gosto de contos de distopia e este me agradou. Os adolescentes vivendo em bandos, me lembrou “O Senhor das moscas” e assim como o título da obra de William Golding, o seu poderia ter sido mais criativo. Acho que já deram a dica do “Show dont tell”. Vi que teve a atenção de justificar o fato de Lucas saber ler, sem saber o que é um livro quando viu um em sua frente, por ter sido alfabetizado por máquinas, legal. Isso poderia ter sido mostrado num diálogo que poderia vir acompanhado das emoções do personagem, permitindo que captemos melhor as emoções dele, para viajarmos com ele nessa descoberta. No mais eu curti a história, que se mostrou bem positiva, que não é comum em distopias. O balanço deste conto é positivo.

  28. Eduardo Selga
    15 de dezembro de 2015

    De um lado, o conto é corriqueiro em sua abordagem do livro: é aquele objeto que em nossa contemporaneidade é cercado de certa aura mística, que é mostrado por certo discurso como sendo, em si mesmo, a solução de toda a ignorância e atraso intelectual dos indivíduos, sem levar em consideração que muitos livros trabalham em prol de uma estagnação da subjetividade e do poético ao repetirem os mesmo esterótipos sociais que já foram repetidos à náusea. E a apresentação do livro por esse viés é explícita, como em “de repente ele compreende que aqueles objetos são na verdade portais mágicos para outros mundos, mundos magníficos”.

    De outro lado, o apodrecimento do tecido social posto em 2176 é uma projeção ampliada e distópica do estado em que se encontra hoje a sociedade humana, em função do capitalismo (mas, é claro, alivia-se a responsabilidade, culpabilizando a “maldade humana” por tudo). Nesse sentido, no conto o ser humano é mostrado como uma criatura animalizada, frequentemente usando o olfato para identificar objetos, pessoas, entender o mundo e situar-se nele. Não existe o que chamamos hoje de sociedade, e sim bandos em estado de selvageria, que desconhecem a história e a cultura escrita.

    Nesse cenário cabe, então, uma pergunta: o livro mostrado como “portal mágico” é ainda um clichê? Ou numa sociedade completamente desagregada o papel escrito, sem levar em consideração seu conteúdo, pode mesmo ser uma ponte de salvação, uma reentrada no que consideramos mundo civilizado?

    Eis um ponto alto este conto: mostra como a questão dos clichês pode ser relativa. É um clichê em relação ao uso pelo autor, mas o efeito dele no âmbito da história difere do comum, na medida em que não é o enlevo pequeno-burguês que acha lindo-maravilhoso tudo o que sai de seu mundo imediato mas não apresenta nenhum perigo a ele. No conto em questão, o mundo imediato é de tal maneira destruidor que o enlevo não tem esse caráter pequeno-burguês.

    Entretanto, vejo alguma incoerência. Em uma sociedade brutalizada a extremos (e basta olharmos para nosso umbigo verde-amarelo) não me parece razoável que indivíduos tenham de imediato tanto encantamento pelos desconhecido, principalmente quando a informação oral é a regra.

    “[..] um homenzarrão enorme” é pleonasmo.

  29. Evandro Furtado
    15 de dezembro de 2015

    Olá, seguem as considerações:

    Fluídez – 10/10 – balanço certo, texto preciso, coeso. A narrativa se dá no compasso correto, sem extrapolar ou atrasar;
    Estilo – 8/10 – há alguns probleminhas, não vou negar. Acho que em alguns momentos você pode dar uma incrementada no vocabulário, na construção das frases. Mas isso vem com o tempo;
    Verossimilhança – 10/10 – a construção do texto foi bem dada, personagens precisos, belas referências a Mad Max;
    Efeito Catártico – 8/10 – você pegou uma ideia extremamente clichê, mas conseguiu trabalhar ela de forma diferenciada. Já ouvi a ideia de livros como portais milhares de vezes, da forma que você trouxe aqui, no entanto, sei lá, ficou realmente bacana, tocante. Parabéns.

  30. Cleber Duarte de Lara
    14 de dezembro de 2015

    CRITICA
    Há pontos que poderia melhorar, isso é indiscutível. A técnica aprimorada nos aproxima mais do sentimentos e experiencias dos personagens. Há pontos onde há um certo exagero (a leitura voraz e seguida e muitos e muitos exemplares seguidos, etc), todos estes ponto foram bem apontados pelos comentários anteriores, não vou “chover no molhado”.

    PONTOS POSITIVOS
    É interessante notar que nossa visão dos textos pode ser influenciada, não só pelos demais comentários como pelos demais textos. A influência pode ser positiva, ou não. No acumulado, acredito que haja mais ganho e maior aprendizado do que o contrário.
    Em outros textos, apressei-me buscando um tom realista e verossímil cem por cento mas em dado momento “caiu a ficha”. E se minha crítica de “isto está mais pra fábula que pra ficção científica” estiver sendo direcionada pra uma propositada fábula. O autor terá atingido sua intenção de contar uma estória com certa moral simples e eu seguirei achando que ele foi um fracasso, apenas por ter utilizado a régua errada para medir seus méritos.

    Alguns pontos aqui me inclinaram para esta mudança de viés:

    -“Dizia que tudo começou com pequenas epidemias de pânico e ataques de intolerância. Depois as pessoas passaram a agir como animais, selvagens, dominadas apenas pelo ódio. ” >==> Parece uma indireta bastante direta aos tempos recentes, e soa como deixa para construir a famigerada “moral da estória” ao longo do texto.

    -” O jovem luta com seus pensamentos que formam várias vozes ao mesmo tempo, dizendo muitas coisas simultaneamente, como se uma multidão ensandecida morasse dentro da sua cabeça. Lucas já devia estar acostumado, mas não. Odeia essa sensação, esse eterno estado de alerta e essas vozes falando na cabeça dele o tempo todo. O pensamento faz muito barulho.” >==> Aqui há uma indicação de que as forças que geraram a ruína da sociedade está presente no cerno dos indivíduos, e há outro trecho em que é dito que a coletividade a noção de comunidade expandida, para além dos bandos neolíticos, se extinguira.

    Mais para o final a solução apresentada é o efeito do conhecimento retomando seu lugar como algo valoroso. Minha versão de uma moral possível destilada do conto: SE A HUMANIDADE VALORIZAR AGORA O CONHECIMENTO, NÃO IRÁ PRECISAR REDESCOBRIR SEU VALOR PARA SALVAR-SE DAS CONSEQUÊNCIAS DE TÊ-LO IGNORADO.

    CRITICA – segunda parte.
    Dito o que acima foi posto, e supondo tratar-se de uma fábula, o conto peca em um sentido diverso, e diria mesmo oposto ao inicialmente criticado. O teria faltado nesse caso seria assumir sua identidade de fábula, ser menos específico em alguns pontos e assim aumentar o tom místico de certos elementos. Por exemplo, a Biblioteca, é especificada, a cidade, etc. SEMPRE esteve lá tal cidade, tal biblioteca, e sua magia não surtiu efeito no sentido de prevenir a loucura beligerante filha da ignorância, nem foi salvadora em centenas de anos após o cataclismo, a não ser de repente agora, sem mais nem menos…
    Por que não uma biblioteca perdida pelas eras? Inacessível como uma Atlântida ou Eldorado? Guardada para momentos cruciais como esse na história? Faria mais sentido, daria uma cor de fábula mais autentico, creio. Poderia mesmo ter colocado o mote, definido de modo explicito como Esopo ou La Fontaine mesmo: Moral da história: xxxxxxxxxx

    • Cleber Duarte de Lara
      14 de dezembro de 2015

      Eivado de erros de digitação meu comentário, kkk agora já foi, espero que se aproveite a essência apesar da forma.

      • Daniel Malik
        18 de dezembro de 2015

        Cleber, o seu comentário e o de muitos outros aqui só me inspiram. Todas as críticas são bem vindas, mas as críticas construtivas, e a sua é uma delas, com muita certeza vão me ajudar nos próximos contos. Só tenho a agradecer. Abraço e boa sorte pra você!

  31. Andre Luiz
    14 de dezembro de 2015

    O conto como um todo é muito belo e assustador ao mesmo tempo, quando mostra a humanidade praticamente destruída e regredindo aos tempos neandertais, porém ainda guardando resquícios de sua racionalidade tão característica. Acredito que a narrativa poderia ser melhor explorada neste sentido, visto que, a meu ver, o conto poderia muito bem ser aproveitado como um “esqueleto” para uma narrativa intimista sobre a relação de seres humanos “desumanizados” com os restos da sociedade em que vivemos atualmente e algumas inovações de um futuro próximo. Uma sugestão: Construa melhor o personagem Lucas, de forma que ele possa sim refletir sobre o que seriam aqueles portais mágicos, aquele templo denominado Biblioteca; faça-o se assustar com a quantidade de artefatos mágicos na biblioteca, com que se estranhe perante aqueles códigos, que não os entenda, que tente buscar no âmago de sua mente uma maneira de decifrá-los, e principalmente, faça-o evoluir ao decorrer do conto, tanto como personagem como ser humano. Reinvente Darwin a partir de sua própria realidade, e muito boa sorte!

  32. Fabio Baptista
    12 de dezembro de 2015

    Não gostei.

    A escrita está boa, acima da média até, gramaticalmente perfeita e com bastante clareza e fluidez. Isso garantirá a maior parte da nota.

    A trama, porém, já começa batida pelo título, como observou a Catarina: óbvio demais, genérico. Depois vem a distopia e não demora muito para que aconteça a ode ao “poder mágico” dos livros. O Daniel apontou o show/tell, mas eu vou mais na linha do Gustavo – o que acabou com o conto aqui foi a verossimilhança. Pô, num futuro com a humanidade embrutecida, que, apesar de não detalhado, imagina-se que estava vivendo á base da “lei do mais forte”, um grupo rival ficar sem ação diante de um livro não me desceu pela goela.

    Imaginei os inimigos reunidos em volta da fogueira, lendo uns para os outros e assando marshmallows. Sei lá… não encaro a leitura dessa forma, tem livro que é chato pra caralho. Tico Santa Cruz por si só poderia desencadear uma guerra! kkkkk. Tem livro que é foda (no melhor sentido da palavra), mas que exige tempo e introspecção, não é algo que dá pra fazer confraternização.

    O final foi bom, sim, mas não chegou a “salvar”.

    Enfim… bem escrito, mas a trama não me agradou.

    Abraço!

  33. Catarina Cunha
    12 de dezembro de 2015

    Óbvio, não quis correr riscos ou não se preocupou em escolher um TÍTULO criativo. O FLUXO é bom, mas acho que o estilo poderia ser amadurecido. Adorei a construção “montanha de paralelepípedos mágicos”. A TRAMA é ousada e envolvente com PERSONAGENS bizarros, algo como neandertais pós-históricos. Kkkk. A comparação de uma biblioteca com um templo religioso deu um temperinho ao FINAL feliz insosso.

  34. Joao Renha
    10 de dezembro de 2015

    Contos são ficção e, portanto não têm que ser críveis. Quem disse isso? Ficção é exagero, retrata a realidade, mas não é a realidade. É a realidade ampliada, distorcida e revista pela imaginação do autor. Eles têm que ser bem escritos. Na maioria dos contos de Rubem Fonseca, que eu considero o maior escritor brasileiro de contos ainda vivo, não há essa preocupação com a verossimilhança. A impressão que se tem é a de que o autor procura contar uma historia apenas, acredite se você quiser. Voce comprou o livro porque quis, ninguém te obrigou a isso. O próprio Rubem Fonseca, que não gosta de dar entrevistas, já disse mais de um milhão de vezes: tudo que eu tenho a dizer está escrito nos meus livros.
    Então, como já anunciei, não vou discutir se há ou não verossimilhança no seu conto. Isso é um detalhe a parte que não me interessa. Prefiro discutir a estruturação do texto. Como você estrutura este texto? Muito bem. Com frases curtas, períodos simples, compostos por palavras coloquiais. O texto flui bem e isso, é claro, ajuda na narrativa. Há uma certa violência latente na sua historia e uma certa preocupação em debater ou questionar problemas relacionados a moral. Há sim, eu vejo dessa forma, originalidade na historia. Veja que você discute, ambienta seu conto, não no presente, mas num futuro próximo. Voce consegue enxergar o mundo de 2176 – que visão a sua ! A homenagem que você prestar á biblioteca, aos livros, denominando-a de templo, é muito relevante e me sensibilizou. Parabéns, amigo. Você escreve muitíssimo bem. Um abraço.

  35. Daniel I. Dutra
    10 de dezembro de 2015

    É o velho problema do “show, don´t tell” que já mencionei no outro comentário.

    Embora concorde com alguns apontamentos do Gustavo Araújo sobre a inverossimilhança, achei este o menor dos problemas. Até aceitaria certas licenças poéticas (ex: não saberem o que um livro) se a estrutura narrativa fosse melhor.

    Explico: o me desagradou mesmo, e geralmente é criticado tanto por leitores quanto pela crítica é o “infodumping”. Ou seja, começar a história explicando cada detalhe do contexto em que se passa, coisas do tipo “a história se passa no ano tal. Morreram não sei quantos por causa da guerra, falta comida, gasolina, etc”.

    Como o Orson Scott Card, não faz sentido o narrador ficar explicando tudo porque, para ele, aquela realidade é o seu dia a dia. O segredo seria narrar como se o leitor já estivesse a par dos acontecimentos, e durante a ação, jogar “pistas” ( ex:um personagem mexendo na lata de lixo de uma cidade destruída em busca de comida, isso diz muito mais, e com menos palavra, do que ficar explicando o contexto).

  36. Gustavo Castro Araujo
    9 de dezembro de 2015

    O início do conto elevou bastante minhas expectativas. Gosto de enredos distópicos, contextos em que a humanidade regride, cenários de demolição e degradação. Cheguei a pensar que o autor tinha esse texto guardado para um eventual desafio sobre distopia e que mesmo num certame como o atual, achou por bem fazer as adaptações necessárias. Na verdade, essa impressão se desfez com o desenvolvimento. Deu para perceber que o conto foi, de fato, elaborado para este desafio.

    Bom, quanto à parte gramatical achei bem escrito, de leitura fácil apesar dos parágrafos longos. Não há erros de ortografia ou concordância, o que torna o encadeamento das ideias fácil de seguir.

    O que pegou foi o mérito. Não consegui comprar a história, infelizmente. Achei por demais inverossímil, mesmo no contexto de fantasia que permeia a narrativa. Não dá para imaginar um grupo de jovens do pós-apocalipse entrando em uma biblioteca — inclusive lendo a placa — e não saber o que é um livro. Desculpe, mas ficou muito forçado. O que se segue é ainda mais difícil de engolir: mesmo nunca tendo visto um livro, mal sabendo ler, Lucas devora exemplares atrás de exemplares. É um leitor ávido.

    Nessa toada, o momento em que o grupo rival chega à biblioteca e passa pela mesma revelação do grupo de Lucas, inaugurando uma era de paz devido à iluminação, ficou muito clichê. Jeitão de “moral da história”.

    Para não dizerem que só joguei pedra, vou falar que achei bem sacada a ideia de “templos do saber” tomarem o lugar de igrejas. Quisera eu que isso ocorresse hoje.

    Enfim, bem escrito, um final que se salva aos 45 do segundo tempo, mas no geral um conto fraco.

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Publicado às 9 de dezembro de 2015 por em Imagem e marcado .