EntreContos

Detox Literário.

Após o uso, dê a descarga (pressione aqui) (Victor O. de Faria)

colonia_lua

— Mas que sacanagem! Tinha acabado de limpar!

Sujeira e lodo escorreram pelos enormes tubos de esgoto da colônia de mineração. Severino William Adamastor Trento, apelidado de “Swat” por seus colegas, torcia. Aqueles objetos cilíndricos não podiam ser o que ele estava pensando. Como o encararam de volta, exalando uma fumaça que ironicamente era reutilizada, teve certeza.

— Bosta!

Precisava de um tempo. Olhou o relógio. O primeiro ciclo lunar começaria em duas horas, momento em que a luz do astro-rei se espalharia pela superfície do satélite natural – condições ótimas para o turismo. Para ele significava trabalho em dobro, durante um mês. Severino conferiu os níveis aceitáveis, selou a grade de reciclagem, digitou a senha na pilastra e aguardou a despressurização das portas do submundo. Atravessou a íris. Desligou os microfones e resmungou.

— Olha só que legal, Severino… Vão colonizar a Lua! E parece que vão pagar bem! Você tem experiência em mineração, se inscreva! Lá tem maravilhas indescritíveis! Sei… Devia ter escutado minha vó e virado advogado.

Subiu lentamente através de um tubo extenso, agarrando-se às barras de aço que desembocavam na superfície rochosa. Ainda resmungando, baixou o visor contra radiação. Um feixe amarelo o cegou.

— Argh! Bom dia pra você também!

Absorto em pensamentos avistou a deslumbrante e sobrecarregada esfera azul, exalando vida, recobrindo parte do horizonte sem fim. O nascer da Terra era único. Quase compensava o esforço em deixar a colônia limpa e, acima de tudo, autossuficiente.

Distraído, esbarrou nos cordões de segurança. Um resíduo desprendeu-se do solado e flutuou ao nível de seus olhos, interrompendo a contemplação. O canal de áudio emitiu um alerta. Religou a aparelhagem.

— Ei, Swat! Pode ver os níveis de metano? Tem algo errado.

— Tem sim. O tanto que essa gente come.

— Falo sério…  Parece que…

A tela embutida tremeluziu. Ouviu apenas chiados.

— Magnus? Alô, Controle?

Voltou a falar sozinho.

— Tempestade solar… Uma última olhada, e de volta ao calabouço!

Teve um vislumbre do contraste de cores: azul, amarelo e cinza, pintados num quadro escuro e brilhante; obra quase renascentista com toques de Picasso. Percebeu uma névoa estranha sob seus pés. Acostumado ao dia a dia da equipe de limpeza, espalhada por vários tubos e conexões quilométricas, conhecia cada detalhe obscuro de seu serviço. Aquilo era novidade.

De forma cautelosa, digitou a senha (composta de cinco letras fáceis de lembrar, começando com “M”) e aguardou a pressurização, bem como a abertura da íris de titânio. Contrariando o padrão das instalações de Luna-1, era mais fácil sair do que entrar. Afinal, se a cidade ao longe era o sistema digestivo, ali era… Bem, deixa pra lá.

Chutou algo viscoso ao acessar a grade. Ligou o exaustor na velocidade máxima. A névoa se dissipou, revelando uma criatura aterrorizante das profundezas. Paralisou ao perceber dois chifres proeminentes projetados nas sombras. O tom avermelhado o apavorou ainda mais. Quando estava prestes a procurar um rabo, os refletores voltaram ao normal. Aqueles olhos aquosos o encararam, e o monstro quase exibiu um sorriso.

— Um sapo? Controle! Na escuta? Magnus?

Não se moveu. Alguma criança peralta devia ter trazido a criatura escondida. Assim que descobriram, a descartaram, sem dó nem piedade. Sentiu uma bizarra empatia pelo animal vermelho escuro, de olhos esbugalhados. Permaneceu ao seu lado sem reclamar do cheiro ou demonstrar preconceito. Estendeu a mão. O sapo ignorou o gesto.

— Ok, então. Olha esses níveis! O enxofre está altíssimo. Você sabe como funciona a reciclagem?

Esfregou os olhos com as patas dianteiras.

— Vou chamá-lo de Aroldo. Muito bem, Aroldo. Aqui embaixo de nós corre toda a podridão humana. O que eu faço (e de forma eficiente, diga-se de passagem) é ajustar os níveis dos materiais orgânicos de modo que o sistema de reciclagem não sofra entupimentos, entende? Os gases são utilizados na maquinaria em geral, enquanto a matéria aproveitável é recondicionada e transformada em adubo para as hortas hidropônicas. Afinal, ia ser engraçado importarmos vacas espaciais, não concorda?

O rádio voltou a operar na frequência correta.

— Swat? Na escuta?

— Controle? Está tudo sob… Controle. – sorriu em direção ao novo amigo.

— Muito engraçado, Severino. Pensamos que tivesse ocorrido uma falha no sistema.

— E comigo não ficaram preocupados?

— É claro; ninguém mais iria ocupar seu posto.

— Sei. De volta à normalidade, então. Desligo… Como vou te levar pra casa, amiguinho?

Não se deu conta de que, se a criatura conseguia respirar aquela mistura de gases sem sufocar, estava colocando no bolso a solução biológica para seu maior problema. Tampouco questionou a eficiência da alfândega em detectar o animal. Se um laboratório se dispusesse a examiná-lo, poderiam descobrir novas técnicas de filtragem.

Revisou tudo e saiu. Não precisavam “bater o ponto”, como diziam os antigos, pois se algo saísse do controle, não estavam fazendo seu trabalho direito. De forma irônica aquela equipe mantinha Luna-1 limpa e funcional.

Severino se preocupou apenas em manter o segredo. Como morava sozinho, num modulo à parte por exigência da corporação, não se importou em carregá-lo daquela forma. O bolso de ferramentas tinha bastante espaço. Fazia cócegas. Olhou para os lados antes de entrar no tubo principal, que levava à superfície, e prosseguiu disfarçando o sorriso.

A estrutura externa, uma ponte em forma de “T”, construída com materiais plásticos de alta resistência, substituía a vidraçaria padrão. Mesmo assim, avistar o horizonte era privilégio de poucos. A cidade se destacava em meio ao solo arenoso. Severino entrou na primeira bifurcação, à direita. Cumprimentou de longe alguns colegas.

— E aí Swat! Como foi hoje em seu setor?

— Ah, o mesmo de sempre. Vinho, fragrâncias, boa música e guardanapos descartáveis.

O Controle tinha o péssimo hábito de monitorar as conversas. Debaixo de seu bom humor, havia um homem comum, de poucos amigos e sem grandes ambições, com apenas um magnífico cartão postal a cada trinta dias. Abriu a escotilha no final do corredor – facilmente, pois ninguém se atreveria a ir até lá – e entrou.

Uma moradia simples, de formato semelhante à antiga caixinha de fósforos, mas aconchegante. Arranjou uma tigela um pouco maior e olhou os frascos no armário. Água potável era um item raro, valioso naquele local, mas fez questão de despejar dois cilindros enquanto retirava Aroldo do bolso. Colocou-o ali dentro. Em seguida, tomou um banho seco nos jatos de descontaminação.

Aroldo pareceu gostar daquele estranho e denso líquido. Observou as janelas. Através da escuridão era possível identificar as altas torres luminosas de Luna-1, a primeira colônia terrestre bem sucedida, transformada em metrópole pelas grandes corporações. Severino sacudiu o cabelo e jogou o traje desinfetado num outro canto.

— Está vendo aquelas luzes, Aroldo? Lá é o lar dos magnatas, gente de posse. Mal sabem eles que se um dia deixar de fazer meu trabalho, adeus energia e comodidades. Vão ganhar um banheiro entupido e malcheiroso, isso sim… Muito bem. Vou acertar o relógio para despertar em quatro horas… É; eu durmo pouco, fazer o que.

A criatura o ouvia atentamente, como se demonstrasse real empatia pelo novo dono. Severino desligou a bateria solar e aproveitou o último ciclo de escuridão, a noite verdadeira, como costumava dizer. O sono veio rápido. Pelo menos, por uma hora…

Foi o alarme interno que o acordou, e não o relógio. Emitiu um grunhido, que logo se transformou em palavras.

— Ô saco… Se não for um asteroide ou meteoro…

Não completou a frase. O dispositivo de comunicação emitiu luzes enlouquecidas. Agarrou-o sem vontade e autorizou a chamada.

— Fala…

— O alarme de risco biológico disparou!

Sentou na cama, coçou as costas e jogou a cabeça para trás, de olhos fechados.

— Em que setor?

— No seu setor! Acorda, Swat! A cidade foi comprometida!

— Com quem? Já fomos apresentados?

— Você será demitido se continuar assim…

— Tá, vou lá ver.

— Severino. É sério.

Sua expressão mudou. Desligou sem se despedir. Risco biológico? Bocejou… A ideia lhe atingiu como um raio, e ficou pensando que raio de ideia era aquela e como uma ideia poderia se mover através de raios… Onde estava Aroldo? Olhou embaixo do dormitório embutido. Tralhas. Andou até a cozinha e observou a tigela vazia, seca. Seu amigo havia fugido?

— Mas que droga, Aroldo! Na volta vamos conversar sobre lealdade.

Agarrou a roupa desinfetada e meteu os pés pelas mãos, literalmente. Desvirou o macacão e enfiou na cabeça, ainda sonolento. Abriu bem os olhos antes que colocasse a bota nos braços. Encaixou o capacete e vedou o resto do uniforme branco, cor ligeiramente inadequada para o tipo de serviço prestado. Abriu a escotilha.

Severino William Adamastor Trento, o mantenedor da pureza espacial, gingava ao som de uma música imaginária, enquanto se dirigia ao setor de reciclagem. A sociedade dependia dele!

Atravessou tubos e conexões sem problemas. Digitou a senha e aguardou a pressurização, como sempre fazia. Mais uma vez os portões do submundo se abriram perante o comando de um só homem. Ter aquele poder enchia Severino de orgulho. No entanto, ao entrar no compartimento, deparou-se com uma cena incomum: o inferno se transformara em paraíso. Avistou musgo, líquens e água limpa.

Deu um passo para trás, lacrou tudo e digitou a senha novamente. A íris fechou e abriu várias vezes. Não estava louco. Era o mesmo lugar, pois conhecia cada detalhe da estrutura. Deu passos curtos.

— Houston, temos um problema!
— Já disse pra não usar essa frase, Severino. Lembra da tragédia sofrida nos primeiros dias?

— É… Bons tempos. Avisa seu técnico que o alarme quebrou. Você não vai acreditar no que estou vendo.

— Como assim? A cidade está coberta de névoa!

— Ah, safado… Você tá aí!

— Falou com quem, Severino? Achou algo?

Aroldo o encarava de forma indagadora, ainda mais por estar com outro de sua espécie ao seu lado, menor, de tons opacos.

— Quem diria. Você tem família!

— Encontrou o agente biológico? Extermine-o! Imediatamente! Vamos colocar força total nos exaustores da periferia, até que…

Desligou.

— Minha bisavó dizia que onde existiam sapos, a água era limpa. Mas não sabia que vocês eram tão rápidos! Deram um jeito até nos “capitães”!

Pensou no que faria a seguir.

— Você tem cara de fêmea. Vou chamá-la de Clementina.

Ouviu um forte estrondo. Dois membros de sua equipe entraram.

— O que está fazendo, Swat? Não ouviu as ordens? Estamos em contenção!

— Vocês têm a senha mestra?

— É claro que n…

Como estátuas em um museu, congelaram diante do novo cenário.

— Viu só? Foram esses dois aqui!

— Tá maluco, Swat? Não percebe que o controle geral foi invertido? Estamos recebendo água potável, enquanto a cidade… Isso vai ser um desastre… Essas coisas devem ter esbarrado no sistema ao se esgueirarem por aí. Trouxemos um triturador.

— Nem pensar! Aroldo e Clementina são meus!

— Controle? Encontramos os agentes biológicos.

Severino agarrou os dois e correu para o tubo de comunicação interna, lacrando a escotilha.

— Droga! E agora? Magnus, faça a varredura e busque por dois sapos.

— Sapos? Estão de brincadeira, né?

— Acabamos de ver dois.

— Não foi isso o que eu quis dizer. Qualquer animal terrestre, doméstico ou selvagem, está catalogado no computador central. O sistema não deixaria algo solto por aí.

— Então?

— Ignorem, por enquanto. Vou repassar a configuração. Precisa ser revertida.

— Sério? Luna-1 vai sofrer um apagão! De seis horas!

— Eles têm seus módulos de emergência.

Severino trancou-se em casa. Colocou o casal na tigela, dessa vez valendo-se de água não tão pura como da última vez, e aguardou. Observou aquelas criaturas curiosas, de aspecto repulsivo, mas incrivelmente inteligentes. Se em questão de pouco tempo o líquido se tornasse limpo, provariam sua teoria absurda. O relógio sussurrava lentamente os segundos.

Passaram-se dez minutos. Quinze… Vinte… Meia hora. Nada aconteceu.

Olhou a janela por um instante. As centenas de pontos brilhantes foram minguando, um por um, até apagarem-se por completo. Luna-1 estava, oficialmente, na mais pura escuridão, tendo apenas as estrelas como guia.

As luzes da sala piscaram. No teto, o último feixe luminoso se despediu. A luz de emergência, vermelha e efêmera, acendeu. Os bichinhos pulavam, de um lado ao outro. Passou a mão na testa.

Eles estavam certos.

Pensou no que enfrentaria a seguir. Triplicariam sua carga horária.

Suspirou.

— Merda.

Naquele mesmo instante, na grande metrópole, um aviso em neon procurava incutir bons hábitos.

“Por gentileza, lave as mãos (pisque para acionar)”.

— Ah, que maravilha! Água na gravidade terrestre! Se ficasse mais um minuto naquele ônibus espacial, teria enlouquecido. Tudo que preciso agora é de um bom banho.

Cíntia Cronenberg, bióloga da NASA, despiu-se lentamente. Ligou o estranho aparelho e entrou saltitando. Deixou que aquele suave e morno líquido percorresse cada parte de seu corpo. Em seguida, procurou o sabonete em gel. Quando estava prestes a lavar o cabelo, ainda com o corpo ensaboado, as luzes se apagaram e toda a energia cessou. Da pequena escotilha, uma escuridão profunda se fez presente.

Seis horas antes…

Conversava com suas amigas no toalete turístico. O ambiente imitava perfeitamente a arte contemporânea, exibindo esculturas abstratas de rochas lunares – tão peculiar quanto a maleta prateada junto ao seu corpo, que ocasionalmente exalava fumaça, de cor branca.

Vaidosa, aproveitou para verificar os tons de pele, trançou seus longos cabelos escuros e recolocou o capacete. A alfândega se encontrava em campo aberto, a fim de evitar fugas (quem tivesse a ideia genial de sair correndo, se entenderia com as leis da física).

Despediu-se delas, apontando o visor antirradiação. Deu de ombros. Sorriram em resposta. Acenou. Muitas pessoas transitavam, afinal, o esperado ciclo lunar começaria em poucas horas. Aguardou na sala de despressurização, até que o sistema liberasse todas as travas. Para se deslocar bastava prender os cabos nos cordões laterais, suspensos, e acompanhar o movimento das esteiras.

Não era sua primeira vez ali, mas a paisagem parecia diferente. Aproximou-se do guichê e aguardou o sinal verde. Sacudiu os cabelos de um lado ao outro, como visto em propagandas antigas, e saiu. O atendente carimbou a própria mão em vez da pilha de folhas, que já se acumulavam em um canto. Seus olhos claros hipnotizavam.

— Olá! Minha documentação foi enviada mês passado.

— C… Certo. Q… Qual seu nome completo?

— Cíntia Cecília Celeste Cronenberg.

— Só um momento… Infelizmente não há nenhum registro com esse nome.

— Droga, NASA! Quando eu voltar…

— Não entendi.

— Desculpe. O pessoal adora fazer pegadinhas. Procure por “C4”.

— Ah! Agora sim! Aqui diz que sua estadia é de seis meses e traz consigo uma pesquisa… Sou obrigado a verificar o que há na maleta. – apontou.

— É confidencial.

Tremeu o braço. A fumaça branca escapava, lentamente.

— Escute, prezamos pela esterilização dos ambientes lunares. Peço desculpas, mas deve compreender.

— Não posso abrir.

— Olha…

— Você não entendeu. Não posso abrir AQUI.

— O Controle não vai deixar você passar sem uma análise do artefato. Mas, como isso é bem frequente, temos uma área de espera. Se deixar o item comigo, garanto sua passagem.

Pensou no tempo que poderia estar curtindo com suas colegas de trabalho, amigas de infância. Se permanecesse ali, perderia até o happy hour. Cruzou as mãos sobre a maleta.

— Certo… Mas, por favor, não tente abrir sem me avisar.

Ia acrescentar um “pode ser perigoso”, mas só a atrasaria.

— Aqui está seu passaporte. Caramba! Trouxe o Everest aí dentro?

— Precisa ser mantida assim. Obrigada. Com licença.

— Toda.

Largou a maleta congelada perto dos outros itens, com todo o cuidado possível. Coçou a cabeça. A curiosidade era grande. Chamou seu colega de trabalho enquanto ela já se afastava.

— Ei, Cabeça! Vem cá! Sabe o que é isso?

— Não é da nossa conta.

— Não tá nem um pouquinho curioso?

— Ah, saquei… Quer ter assunto com a bonitona, não é?

— Talvez. Só que não podemos abrir, é contra as regras.

— É só usar o scanner, sua anta. Vai ter que fazer isso mesmo! Só passe na frente dos outros.

Colocaram a maleta sobre uma mesa espelhada, grande e desajeitada, mas de fácil configuração. Ao ligarem o aparelho, cinco feixes coloridos formaram um cubo transparente ao redor do artefato, revelando uma imagem holográfica perturbadora. O sistema não conseguiu identificar as formas, mas se assemelhavam a um amontoado de matéria viva. Entreolharam-se.

— Seu interesse romântico tem um gosto estranho pra pets.

— Desliga isso aí! Aviso o chefe?

— Sei lá, cara. Não sei nem se devíamos ter tocado nessa coisa. Vou correndo para a esterilização. Dá um jeito nisso!

Utilizou uma pinça gigante para transportar a maleta até o final do corredor. Quando estava prestes a se desfazer do item, o comandante do posto, sujeito difícil, se aproximou. No desespero correu, esbarrando nos enormes cabos de energia, lançando a maleta longe. Levantou e se aprumou rapidamente.

— Bom dia, comandante.

— Olá. Tudo certo por aqui?

— É… Claro que sim…

Observou a maleta, deslizando lentamente pela esteira de descarte.

— Droga…

— O que foi?

— Nada, senhor.

O objeto prateado foi engolido pelas sombras. Passou por tubos interligados, através de crateras, ar livre e montanhas, até chegar ao seu destino incerto. Ninguém questionou a procedência, afinal, estava na fila de despejo. Devido às inúmeras alterações atmosféricas, a maleta perdeu o lacre.

Em questão de duas horas seu conteúdo se encontrava na área de reciclagem… Pulando…

Agora…

… Era a hora certa para desocupar a moita. Severino recebeu nova chamada. Dessa vez, teve receio. Aquela luz vermelha confundia os sentidos. Respirou fundo e colocou o comunicador no ouvido.

— Torçam por mim! Vou meter o pé na jaca pra salvar vocês! Controle?

— Está muito encrencado, Swat.

— Eu sei.

— Mas… Junto com um “Se” bem grande, precisamos de suas habilidades.

— Que tipo de “Se”?

— Se você resolver essa “pataquada” toda, ainda terá um emprego. Mas seu salário será diminuído.

— Ah, fala sério!

— É isso ou de volta à alfândega.

— Nem pensar! Ficar lidando com toda aquela gente de nariz empinado, e papelada sem fim, ninguém merece. Aliás, papelada que vem parar aqui, entupindo tudo. Se ainda acontecesse alguma coisa por lá, mas é tudo monótono demais.

— Certo, certo. Chega de choramingar. Vai ajudar?

— Tenho uma condição.

— Ih, lá vem.

— Aroldo e Clementina ficam comigo!

— Ô criatura! Não entendeu ainda? ELES são o risco biológico!

— Faço um viveiro.

— Tá, tá. Consigo autorização depois. Mas eles jamais, ouça bem, JAMAIS poderão deixar seu habitat!

— Tranquilo. Se eles escaparem eu chamo a “Swat”.

— Você não tem jeito mesmo.

Vestiu o macacão e se certificou. Os bichinhos ainda estavam ali. Colocou-os num vidro retangular, bem maior, com espaço para terra e água. Ninguém lhe disse que sapo não era tartaruga, então ignorou esse fato.

Novamente, tudo dependia do destemido e sábio homem comum, de mente criativa e inquieta, dotado de um poder que ninguém mais possuía (ou pelo menos achava assim). Severino William Adamastor Trento, o mantenedor da pureza espacial…

… Tropeçou ao escorregar nos musgos. O tombo só não foi maior porque haviam desligado a microgravidade. Sacudiu a roupa, se livrando do lodo, e bateu continência. Os outros apenas menearam as cabeças.

— O que preciso fazer?

— O que sabe melhor. Desentupir.

— Aonde?

— Lá dentro!

Observou a imensa turbina com suas inúmeras pás de aço, de lâminas bem afiadas. Era necessário empurrar a alavanca de fluxo para a esquerda, de forma total.

— Tá de sacanagem!

— É isso ou vai jorrar petróleo na Lua.

— Petróleo?

Demorou alguns segundos, mas entendeu.

— Quero que registrem minha indignação contra os engenheiros dessa joça. Onde já se viu colocar a alavanca de segurança atrás da turbina? Essa gente que faz as coisas sem pensar… Será que não meditam nas consequências de seus atos? Se um dia encontrasse um cara assim, eu não sei o que faria. Talvez…

As turbinas foram desligadas. Pouco a pouco, as pás cessaram o giro mortal.

— Ah, vocês têm a senha mestra. Tinha esquecido.
— Vai lá.

— Espera! Vocês mesmos não podiam ter feito isso?

— Não é nossa função.

Severino resmungou frases inaudíveis e se abaixou. Era bom que seus companheiros fossem assim, pelo menos seu emprego estava garantido. Espantou os pensamentos e engatinhou pelo tubo de ventilação, apertado, escuro e malcheiroso.

Retirou o pequeno aspirador das costas, com dificuldade. Enquanto a máquina fazia seu serviço, deixou sua mente vaguear. Gostava de seu trabalho. Era sujo, complicado e perigoso. Mas sentia-se bem. Sabia que tudo colaborava para o bom funcionamento da colônia terrestre.

Torcera o nariz nos primeiros dias, pois desejava conhecer a metrópole, mas acabou ficando. Não precisava ser um herói para ser importante. Era uma engrenagem especial de um motor muito maior. Com o tempo, fez amizades mais distantes, e aprendeu que nem todos levavam em conta suas limitações. Resolveu ganhá-los com simpatia. Por baixo daquela camada sarcástica, havia uma pessoa solitária.

— A jurupoca vai piar!

— O que você disse aí?

— Achei a rebimboca da parafuseta!

— Hein?

— Vou destravar a alavanca, ora!

— Não podia ter dito isso, desde o início?

— E qual seria a graça?

Digitou a sequência repassada por eles e puxou, com força. A estrutura tremeu. Ouviram um forte estrondo. Severino se apressou. Precisava sair dali o quanto antes. Logo as turbinas voltariam a funcionar.

— Então?

— Vai demorar um pouco, mas…

Levantou os polegares. Luna-1 fora salva pelo seu herói desconhecido, fiel à causa. Enquanto Severino William Adamastor Trento estivesse ali, os magnatas não precisavam se preocupar. Alguém limparia sua sujeira…

Bem longe dali, enquanto Cíntia terminava (e amaldiçoava) seu banho frio, decidindo entre cinco tipos de fragrâncias diferentes, observou que haviam deixado um cartão embaixo de sua porta. As luzes de emergência eram fracas, mas foi possível identificar o logotipo da alfândega. Receosa, enrolou a toalha no corpo e foi até lá. Leu a mensagem projetada…

Severino sentou, acenando para seus colegas que já se distanciavam. Precisava permanecer ali, até que tudo voltasse ao normal. Viu, com certo pesar, a água límpida e transparente assumir tons pastel. Os musgos e líquens murcharam. Só faltava aparecer uma serpente com uma maçã.

— Swat! Estamos recebendo ligações de uma mulher furiosa, dizendo que a alfândega deu um sumiço em sua maleta. Viu algo assim por aí?

— Maleta, não.

— Ela disse que havia “dois itens valiosos” dentro.

— É cientista ou algo assim?

— Bióloga. Sabe o que isso quer dizer.

— Sim, não sou tão burro como vocês imaginam. – bufou. — Diga que Aroldo e Clementina estão bem seguros, no setor de reciclagem, habitat 60-A2-S1-AO-FIM. Se ela quiser, pode vir buscá-los.

Estava cansado. Sabia que os poderosos preferiam manter distância do “mundo inferior”. Se ela tivesse coragem de ir até lá, pelo menos teria uma boa conversa, além de boa companhia, como não tinha há alguns anos. O entusiasmo o levou a aguardar ansiosamente. Magnus o contatou em seguida.

—Bem, ela disse que o mais importante era a maleta… Curioso. Por que alguém traria algo assim pra cá?

—Ela não vem?

—Não. Mas lembre-se que os tais sapos ainda são um risco. Está mesmo disposto a criá-los?

Desligou. Foi até a pilastra e conferiu os níveis, realizando os últimos ajustes… Depois de vinte minutos, estava tudo certo. Em poucas horas a energia chegaria aos capacitores. A grande metrópole, a aurora da humanidade, voltaria a fervilhar.

Podia descansar um pouco. Lacrou o setor, mediante processos mecânicos. Seus bichinhos o esperavam em casa… Perdido em pensamentos, sua caminhada foi quase instantânea. Abriu a escotilha, um pouco triste. Sob a luz vermelha, identificou uma mensagem, deixada por remetente desconhecido. Dizia, em letras grandes: “Cuide bem deles, irei buscá-los.”. O sorriso voltou ao seu rosto.

Esperta. Despistar o Controle tinha sido uma grande jogada. Aquelas criaturinhas realmente possuíam valor. O que elas eram, ou o que significavam para o futuro de Luna-1, não importava. Depois de muito tempo, teria boa companhia. E mais do que isso, feminina. Swat e C4, uma combinação explosiva.

Contemplou as estrelas distantes. A luz do Sol acariciava as montanhas, as altas torres refletiam o prisma e dezenas de veículos espaciais se preparavam para descer no Mare Crisium, cenário belíssimo, de nome sutil. De forma bizarra, fazia parte daquele mundo.

Sentiu um cheiro estranho. Era ele? Precisava de um bom banho, mas não era isso. As luzes voltaram, aos poucos. Com espanto, e respeito repentino pela engenharia genética, observou Aroldo e Clementina exalarem um composto químico invisível, identificado apenas por seu traje… Oxigênio.

—Pelos náufragos de Selene!

Sua rotina nunca mais seria a mesma.

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73 comentários em “Após o uso, dê a descarga (pressione aqui) (Victor O. de Faria)

  1. Fabio D'Oliveira
    5 de novembro de 2015

    ☬ Após o uso, dê a descarga (pressione aqui) – Final
    ☫ Astrobaldo

    ஒ Físico: O texto continua bem escrito. É fantástico como o autor conseguiu polir sua habilidade até esse nível. Desenvolvimento excelente, narrativa natural e domínio da língua portuguesa. O estilo continua raso, sem muitos atrativos, coisa que o autor deverá melhorar caso queira brilhar no futuro. Não quer dizer que dessa forma ele não consiga ter sucesso, ou entrar na literatura universal, mas nunca será único como alguns autores são.

    ண Intelecto: Fiquei com a mesma sensação de quando li a primeira parte. Texto divertido com personagens cativantes. A leitura foi boa. Mas devo falar que o autor realmente não humanizou seus personagens e sua estória. Aconselharia que ele tentasse da próxima vez. Assim, fica meio superficial.

    ஜ Alma: É, realmente, não consegui identificar o tema do desafio nesse conto. Falar sobre o cotidiano é uma coisa, mencionar por cima é outra! O foco da estória está longe de ser o cotidiano do protagonista. O autor poderia ter feito melhor…

    ௰ Egocentrismo: Gostei da leitura e a estória foi muito bem desenvolvida. Personagens cativantes, também. O que me desagradou foi a superficialidade de algumas coisas e até situações inverossímeis. Por que Severino não foi punido de forma rigorosa? Ele colocou em risco toda a colônia! A solução foi simplista demais…

    Ω Final: Texto bem escrito, onde o autor mostrou ter um potencial muito grande para a escrita. Precisa melhorar seu estilo e dar vida aos seus personagens e estórias. Não está dentro do tema, infelizmente.

    ௫ Nota: 7.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço o comentário! Concordo, preciso aprofundar melhor nas emoções, é complicado misturar a fórmula nesse gênero. Quanto ao cotidiano, pode estar um pouco fora, realmente, mas foquei nas situações que somente o personagem principal tinha acesso – se tivesse explicado tudo o que acontecia na cidade, não daria esse tom mais intimista e aí sim estaria completamente fora do tema. Agora, quanto aos níveis de incompetência, é algo bem provável quando não se dá a importância ao serviço ou não desejam realizar o serviço descrito. Óbvio que isso foi para dar o tom mais humorado.

  2. G. S. Willy
    5 de novembro de 2015

    Conto bem escrito, o autor tem grande conhecimento no que fala, e também boa imaginação. Porém alguns pontos me fizeram perder a suspensão da realidade: o personagem principal, bem construído e carismático, comete um erro gravíssimo para sua posição. Entrar sem nenhum tipo de esterilização com duas espécimes em um ambiente controlado. Não é algo que alguém treinado e ciente de sua importância faça. Outro ponto foi a parte da alfândega, mostrando dois funcionários despreparados. Não é qualquer alfândega, é a da lua, onde um erro pode por em risco toda a colônia, sem ter pra onde fugir.

    Outros pontos para a melhoria do texto: muitas vezes ficava difícil saber quem falava cada diálogo. Por vezes tive que reiniciar o diálogo, por não saber quem havia começado a falar, e outras não sabia se tinha mais de duas pessoas na cena, e quem estava falando o quê.

    As cenas também poderiam ter sido melhor trabalhados para mostrar o local em que aconteciam. O personagem se locomove sem que fique claro de onde pra onde, e em alguns momentos eu realmente não sabia onde a cena estava sendo travada.

    Por último, embora o conto seja o cotidiano de uma pessoa numa colônia lunar, não me pareceu encaixar no tema proposto, que é algo mais terreno, pelo meu entender, e o conto está mais para ficção científica.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço as considerações! Sim, é uma mania que tenho de tentar adaptar qualquer coisa para a FC. Complicado, mas insisto nisso apesar de tudo. Quanto ao despreparo, concordo em alguns pontos, mas não em outros. Sempre tem alguém de saco cheio que não faz as coisas direito, ou mesmo falha humana. Quanto ao Severino, fazia parte da personalidade dele não dar atenção devida às coisas.

  3. Pedro Luna
    5 de novembro de 2015

    Dos textos do desafio, esse foi um dos mais diferentes. Um conto de quebra de cotidiano, com o lance dos sapos, e no espaço. Elogio a ousadia. Porém, o texto não me empolgou, tornando a leitura um pouco massante. As pitadas de ironia e humor do protagonista também não ficaram tão bacanas. A escrita é boa, só achei a trama meio desinteressante.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      É complicado para quem não curte FC, mas tenho me esforçado para deixar tudo mais palpável. Quanto à trama desinteressante, é culpa do tema. Agradeço as considerações!

  4. Felipe Moreira
    5 de novembro de 2015

    Quando li a primeira parte, tinhachado bem divertido. Achei a segunda parte tão boa quanto a primeira. Esse texto e o do quilo de tomates são os mais engraçados do desafio. Dei boas risadas. Contudo, o que me chamou atenção nesse sci-fi foi a criatividade do autor. Daria uma peça de sucesso. HAHA

    Parabéns pela criatividade.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Que bom que o fez rir! A intenção, apesar de secundária, era essa. Sabia que iriam surgir muitos textos tristes e melancólicos no caminho.

  5. Bia Machado
    5 de novembro de 2015

    Gostei da narrativa, mas não tanto quanto gostei da primeira parte, ou primeiro conto. As personagens salvaram o conto, digamos, pois sem eles, ou sem a forma como foram construídos seria difícil ir até o final com o mesmo interesse. Senti um clima de Douglas Adams, acho que foi essa a inspiração, rs. Mas parabéns, acho que manteve o ritmo do primeiro conto.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Quantas estrelinhas eu ganhei? Agradeço a crítica. Realmente os personagens ficaram melhores que o restante – tenho que trabalhar na osmose disso tudo.

  6. rsollberg
    5 de novembro de 2015

    Caro (a), Astrobaldo. (9.0)

    Cara, antes de tudo, esse lance do “Swat” é muito bom.
    Como alguns aqui sabem, não sou muito fã de F.C (nem consegui participar desse desafio), mas tenho que confessar que gostei muito do seu conto.

    O título é ótimo, me fez até lembrar do filme “saneamento básico”. Sua escrita é muito ágil e traz um humor leve, divertido. Não sei se já leu, mas tem algo de “Um trabalho Sujo” do C. Moore. Bem bacana.
    Severino, Swat, é um personagem fantástico, sagaz, melancólico, daqueles que não perdem a piada. Sozinho já conseguiria sustentar a história. Na verdade, é um tipo que poderia garantir até um romance… Eu leria, autor.

    Na minha opinião, você soube aproveitar os diálogos para dar o tom da personalidade “aparente” do Severino. Fez isso de modo perspicaz e com humor.

    Quase todas as piadas funcionaram, mesmo as mais escatológicas, que nem sempre são fáceis de arrancar sorrisos.

    Várias frases boas, fora dos diálogos, mantiveram a pegada da história. Destaco essas duas: ”A ideia lhe atingiu como um raio, e ficou pensando que raio de ideia era aquela e como uma ideia poderia se mover através de raios…”
    “Afinal, se a cidade ao longe era o sistema digestivo, ali era…
    Bem, deixa pra lá.”
    Ótimo conto!!!

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Olha só… Grata surpresa esse comentário! Seus textos são completamente opostos ao meu estilo e fico feliz em ter agradado, principalmente na questão do personagem principal. Agradeço a crítica!

  7. Leonardo Jardim
    4 de novembro de 2015

    Após o uso, dê a descarga (pressione aqui) (Astrobaldo) – Primeira Fase

    📜 Trama: (3/5) é divertida, mas a primeira parte é incompleta. Sozinha ela não se sustenta. Funciona, porém, como um chamariz para sentirmos vontade de ler a segunda parte.

    📝 Técnica: (4/5) muito boa, narra sem nenhum problema ou percalço. Daquelas que se não chegam a saltar aos olhos, se faz invisível, dada a imersão na trama que proporciona.

    🎯 Tema: (2/2) cotidiano de um agente sanitário numa colônia lunar.

    💡 Criatividade: (3/3) muito interessante o ambiente criado.

    🎭 Emoção/Impacto: (3/5) o texto diverte, mas não impacta por ser incompleto.

    • Leonardo Jardim
      4 de novembro de 2015

      Após o uso, dê a descarga (pressione aqui) (Astrobaldo) – Segunda Fase

      📜 Trama: teve como mérito completar a história, mas a ironia da primeira parte se destacou mais que da segunda. Senti falta de ver a tal relação entre SWAT e C4 🙂 (0)

      📝 Técnica: manteve o mesmo tom leve e divertido. (0)

      🔧 Gancho/Conexão: é a continuação da mesma história, na verdade uma história dividida em duas. (0)

      🎭 Emoção/Impacto: o que o texto ganhou por ser mais fechado, perdeu por ser menos irônico. No geral, achei a segunda parte no mesmo nível que a primeira, o que está longe de ser um problema. (0)

      ⭐ Nota: 8.5

      • Brian Oliveira Lancaster
        9 de novembro de 2015

        Agradeço o comentário! Sim, tive que explicar algumas coisas e isso modificou um pouco o ritmo. Mas sem isso, haveria muito mais comentários do tipo “confuso”, “sem sentido”. Se eu entrasse na relação dos dois, sairia do contexto cotidiano. Por isso optei por deixar em aberto.

  8. Jefferson Lemos
    28 de outubro de 2015

    Olá, autor (a).
    Gostei da ambientação do conto. Fez com que me lembrasse de Os Próprios Deuses. A colônia Luna é bem semelhante.
    O texto tem alguns momentos legais, com boas descrições e situações engraçadas. Porém, no geral acabou na me chamando muito a atenção. Assim como no conto do Napoleão, senti falta de alguma coisa que me fizesse realmente lembrar da história. Alguma coisa marcante.
    O SWAT é uma boa personagem, mas que parece caricato demais as vezes. Acho que se não tivesse esse pequeno problema, o conto seria melhor para mim.

    A narrativa é limpa, bem estruturada e descreve bem os acontecimentos. As divisões de tempo, no entanto, pareceram um pouco confusas. Deveria ter uma melhor divisão, acho.

    De qualquer forma, o conto é bom e tem uma atmosfera legal.
    Parabéns e boa sorte!

  9. Thata Pereira
    22 de outubro de 2015

    Após a leitura da segunda parte:

    Li o conto duas vezes para poder entender, por não estar acostumada com Fc e porque tudo vai acontecendo muito rápido (rs). Continuei gostando do personagem principal e a relação dele com os sapos me divertiu, mas eu boiei um pouco, não consegui captar o que realmente esses animais significavam ou eram, nem o motivo pelo qual a C4 os levou para lá.

    Gostaria de ter compreendido melhor essa parte, pois gostei do conto.

    Boa sorte!!

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Não tinha como explicar muito, mas deixei subentendido que se tratava de um experimento da Nasa. Como eles expelem oxigênio no final, ficou bem claro para que tipo de estudo serviriam (isso também é sugerido na 1a parte). Agradeço a leitura!

  10. Gustavo Aquino dos Reis
    21 de outubro de 2015

    Astro, você me ganhou na primeira parte.

    Gostei demais.

    Porém, a segunda parte, em termos de enredo, não me cativou tanto.

    A transição tácita de Swat para a Cronenberg (adorei a referência), embora capaz de explicar a origem da confusão, não me caiu bem. Principalmente na quebra temporal do “seis horas antes…”

    Ao contrário da sua escrita que, na minha opinião, denota uma expressão cômica. Isso, tanto na primeira parte quanto na segunda, me arrebatou.

    Parabéns.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Minha ideia era que realmente o texto fosse leve, mas bem humorado. Fui obrigado a explicar algumas coisas, e para isso tive que me valer dos famigerados flashbacks, senão nada faria sentido. Tenho que melhorar em várias partes, concordo, mas agradeço as críticas.

  11. Piscies
    20 de outubro de 2015

    Gostei do tom cômico. Severino tem uma personalidade bastante forte, que adiciona muita luz ao mundo sombrio onde resolveu viver. Ele usa o humor para fugir do stress e da monotonia, assim como muitos já o fazem hoje em dia. Achei algumas coisas forçadas – como, por exemplo, a limpeza instantânea da água do esgoto causada por 2 sapos… mas também sinto que perdi algo aí, então estou com receito de entrar por essa seara. Admito que tive que ler duas vezes o conto inteiro (primeira e segunda parte) para entender todas as nuances que perdi na primeira leitura. É um bom conto de ficção científica!

    Achei as descrições um pouco confusas. Não sei se me farei entender, mas eu me senti como se elas não despertassem o sentimento correto no leitor. Por exemplo, já que Severino trabalha no esgoto, eu deveria sentir asco, nojo e repulsa das coisas que ele vê e cheira. Ao invés disso, a descrição do ambiente está repleta de piadas que acabaram atrapalhando meu entendimento. Por exemplo:

    “Aqueles objetos cilíndricos não podiam ser o que ele estava pensando. Como o encararam de volta, exalando uma fumaça que ironicamente era reutilizada, teve certeza.

    — Bosta!”

    Na verdade eu até sorri depois que entendi o que você quis dizer, mas tive que reler este trecho para entender o cenário da forma correta. Isso se repete algumas vezes durante o texto.

    Também achei que as transições entre os personagens, ao menos no início, ficaram confusas. Por exemplo:

    “— Merda.

    Naquele mesmo instante, na grande metrópole, um aviso em neon procurava incutir bons hábitos.

    “Por gentileza, lave as mãos (pisque para acionar)”.

    — Ah, que maravilha! Água na gravidade terrestre!”

    Para quem lê esse trecho, ambas as falas são do mesmo personagem. O problema é que a primeira fala é de Severino e a segunda fala é de Cíntia, em outro tempo e outro lugar da colônia. Achei bem confuso.

    Também avistei parênteses no meio de um diálogo. Sempre que leio isso, penso: “Como eu falo um parênteses?” rs rs.

    Por fim, achei estranhas as referências às “coisas antigas”. Avistei ao menos três:

    “…de formato semelhante à antiga caixinha de fósforos…
    “Sacudiu os cabelos de um lado ao outro, como visto em propagandas antigas…”
    “Não precisavam “bater o ponto”, como diziam os antigos…”

    Este tipo de referência me soa como metalinguagem. O leitor entende por que, afinal, ele vive esta realidade, mas o personagem raramente faria este tipo de comparação mental, especialmente durante o seu cotidiano. É como se eu fosse trabalhar de manhã pensando: “os ônibus de hoje são diferentes das antigas carroças puxadas a boi. Muito mais rápidos e confortáveis”. Ninguém pensa assim.

    Bem, é isso. Desculpa o comentário enorme. Parece que falei demais sobre “coisas ruins” mas elas são, na verdade e para mim, oportunidades de melhoria. O conto está excelente. Parabéns!

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço os apontamentos! Levarei tudo em conta. E para esclarecer, não foram os sapos que limparam a água, inclusive essa foi a opinião do personagem principal, ocasionando todos os problemas. Foi invertida a alavanca (como mencionado na segunda parte).

      • Piscies
        9 de novembro de 2015

        É, sabia que tinha perdido alguma coisa ali, hahahahahaha. My bad

  12. Fabio Baptista
    19 de outubro de 2015

    O conto manteve o tom divertido com escrita em alto nível, formando uma peça única (quase não é possível dizer onde foi feita a transição) que, acredito eu, será um grande trunfo nesse molde de desafio.

    Como falei no primeiro comentário, todo esse clima espacial não me agrada em cheio, mas como tudo funciona praticamente como um pano de fundo sem entrar em detalhes mais “hard”, a leitura foi bem agradável.

    Parabéns.

    NOTA: 9

  13. Rubem Cabral
    19 de outubro de 2015

    Olá, Astrobaldo.

    Gostei da continuação, que trouxe explicações sobre a natureza dos sapos e manteve o tom divertido. Seriam eles experimentos de um tipo de terraformação biológica? Fiquei curioso.

    Vou subir a minha nota original: nota 8.

    Abraços.

  14. Rogério Germani
    18 de outubro de 2015

    Olá, Astrobaldo!

    Valeu a pena apostar na continuação do seu conto. A trama é divertida, piadas internas bem dosadas, escrita enxuta para que a ação fluísse tranquilamente. O final ficou bacana, dando novos ares para a rotina dos personagens envolvidos.
    Só não lhe dou nota 10 porque o enredo ficou mais focado num momento específico, dando apenas pequenas pinceladas no cotidiano de SWAT.

    Boa sorte!

  15. catarinacunha2015
    18 de outubro de 2015

    Parte II: Não houve subtítulo, o que não era obrigatório, mas poderia melhorar o original. Não deu para ver onde terminava a 1ª e começava a 2ª parte, então mantenho a nota (0,5/2). O TEMA se manteve especial (2/2) e FLUXO ficou menos interessante ainda com diálogos fracos, mas os nomes dos personagens “SWAT” e “C4”são impagáveis, então mantenho (1/2). A TRAMA foi bem costurada (2/2) e deu um FINAL digno, embora esperado (1,5/2). Total 7

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço o comentário! A costura está no subtítulo parecido com o título, onde diz “pisque para acionar”. Era para ser uma metalinguagem. Poucos entenderam.

  16. Claudia Roberta Angst
    17 de outubro de 2015

    O conto começa justificando o título – “(…)sujeira e lodo escorreram pelos enormes tubos de esgoto
    O título, aliás, lembra aquelas plaquinhas encontradas nos banheiros. Achei criativo.
    O protagonista está literalmente lidando com bosta, o que torna o seu cotidiano bastante entupido. E como foi dito no conto por outro personagem – “ninguém mais iria ocupar seu posto” Severino,um verdadeiro herói, sempre pronto a limpar toda a sujeira.
    Acredito que o autor ainda esteja na onda FC do desafio anterior, mas cotidiano é cotidiano, seja lá onde e quando for.
    Gostei do sapinho Aroldo e a namorada Clementina. Deixaram a narrativa mais leve.
    -num modulo – faltou o acento Módulo
    Debaixo de seu bom humor, havia um homem comum, = Não está errado, só não é o usual “atrás de seu bom humor”, o que, no final, funcionou bem.
    É; eu durmo pouco, fazer o que. – Não há necessidade de ponto e vírgula. Faltou o ponto de interrogação e acento no quê.

    — Houston, temos um problema! – o toque de humor encaixou bem.
    A surpresa com o oxigênio no final ficou interessante. Por um momento, pensei que ele estava sentindo cheiro do esgoto.
    Trabalho bem realizado que tornou a leitura interessante e agradável.
    Boa sorte! 🙂

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço os apontamentos! Você foi a ÚNICA que entendeu a brincadeira com o título e a frase seguinte. Chubs pra você!

  17. Fabio D'Oliveira
    17 de outubro de 2015

    ☬ Após o uso, dê a descarga (pressione aqui)
    ☫ Astrobaldo

    ஒ Físico: O texto está incrivelmente bem escrito. O autor poliu sua habilidade muito bem. A narrativa está natural, o que facilita e conquista o leitor. E a estrutura física do texto está bem organizada e bonita. Parabéns por isso! O estilo me pareceu um pouco raso demais, no entanto. Não há nada de especial e pareceu-me um pouco superficial — o que salvou foi o protagonista. Talvez o autor tenha talento para brilhar na área, mas precisará encontrar a autenticidade antes disso.

    ண Intelecto: A estória é muito criativa e nota-se que foi bem planejada. Parabéns! O protagonista realmente cativa, mas não é um personagem profundo. Diverte, apenas isso. Quando se trata de agir como uma pessoa real, não é bem sucedido. Parece desenho animado. O maior e melhor conselho que poderia dar ao autor é que ele se preocupe em escrever com o coração. Ele já tem a mente afiada, agora precisa humanizar sua criação. É isso que separa os artistas verdadeiros dos fanfarrões.

    ஜ Alma: No início, deparamo-nos com o cotidiano do protagonista. No entanto, antes de chegarmos na metade, o foco do conto fica evidente. É a quebra da rotina que manda no texto. Acredito que os textos devem falar sobre o cotidiano e a rotina, não sua quebra. Por isso, não considero que o conto esteja dentro do tema do desafio. O gancho para a continuação ficou muito poderoso, mas o final em aberto deixou um pouco a desejar. Não funciona por si mesmo.

    ௰ Egocentrismo: Gostei da leitura, consegui apreciá-la, mas não gostei do conto por inteiro. O maior problema, ao meu ver, foi a falta de algo maior. É um bom entretenimento, mas apenas isso.

    Ω Final: Texto com uma estrutura física fantástica. O autor é realmente habilidoso. A estória foi bem desenvolvida e com um protagonista cativante. No entanto, não há profundidade em nada, seja no enredo, seja no estilo do texto. Além disso, o foco do conto é a quebra da rotina, uma situação atípica que muda a vida do protagonista. O final em aberto deixa a desejar, mas o gancho poderoso compensa.

  18. Evandro Furtado
    17 de outubro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 10/10 – texto bem escrito, sem problemas;
    História – 10/10 – muito bem desenvolvida tanto na primeira como na segunda parte;
    Personagens – 10/10 – não só bem construídos como também bastante cativantes;
    Entretenimento – 10/10 – texto divertido, com uma narrativa fluida;
    Estética – 7/10 – gostei do tom cômico que você impôs em vários pontos. A utilização do flashback se encaixou muito bem.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço a generosidade nas notas. Pena que não agradei como um todo, preciso trabalhar a junção do cenário e personagens.

  19. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá.

    Adoro ficção científica e acho que você conseguiu retratar bem o cotidiano de um simples funcionário da limpeza que trabalha numa estação lunar.

    Tem bem escrito, sem erros e com um personagem bem bacana. Fiquei muito curioso por uma continuação. Será que Severino vai conseguir salvar os pobres sapos?

    Boa sorte

  20. Gustavo Aquino dos Reis
    28 de setembro de 2015

    Bem escrito, excelentes sacadas e trazendo o cotidiano para a ficção científica.
    humor irônico ajudar a manter os pontos de excelência da narrativa. Gostei deveras do narrador e, devido ao nome, seu cunho nortista.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço a leitura. O nome foi para o pessoal se identificar, mas não pensei em regiões – apenas no inconsciente coletivo.

  21. Thata Pereira
    28 de setembro de 2015

    Todo mundo sabe que não sou fã de FC. Li pelo primeira vez o conto desanimada, ia ser cruel no comentário. Mas já que conheço minha condição de não-fã, resolvi ler de novo.
    Eu adorei o personagem principal, sei lá. Acho que foi o personagem mais bem caracterizado que eu li de todos os contos. E também gostei da história, mas, com certeza, o personagem se destaca mais. Espero que o(a) autor(a) explore ainda mais as características dele na continuação do conto.

    Boa sorte!!

  22. Bia Machado
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 1,5-2 – Gostei. Me lembrou muito a sensação de ler Douglas Adams, um pouquinho menos cômico, digamos, mas bacana do mesmo jeito.

    Enredo: 2-2 – Achei bem construído, com boas sacadas. Uma FC cotidiana, isso é ótimo, ainda mais bem escrita, rs.

    Construção das personagens: 2-2 – Adorei Severino, Aroldo, e até mesmo Clementina. Perdoo Aroldo por ser um sapo, haha. O Severino, apesar do nome bem brasileiro, tem um humor britânico, que me faz até lembrar um tantinho o Monty Python (assim mesmo que escreve?). Eu gostaria de ler mais histórias com Severino e Aroldo.

    Criatividade: 1,5-2 – Sem dúvida, bem criativo. Foi bem escrito dentro do limite, sem economia dos detalhes necessários para entreter o leitor.

    Adequação ao tema proposto: 1-1 – Sim, totalmente. Adorei!

    Gramática: 1-1 – Não vi erros e se eles existirem, a culpa/o mérito foi do autor, que me prendeu a atenção com a história.

    Trecho destacado: “De forma cautelosa, digitou a senha (composta de cinco letras fáceis de lembrar, começando com “M”) e aguardou a pressurização, bem como a abertura da íris de titânio. Contrariando o padrão das instalações de Luna-1, era mais fácil sair do que entrar. Afinal, se a cidade ao longe era o sistema digestivo, ali era… Bem, deixa pra lá.”

  23. Felipe Moreira
    27 de setembro de 2015

    Realmente não esperava que essa história fosse desenrolar uma aventura intensa como essa do Severino. hahaha Gostei do texto, bem divertido e cairia muito bem no desafio anterior. Não me senti tão familiarizado com o tema cotidiano, mas a abertura permite que ele faça parte dessa área.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  24. Anorkinda Neide
    27 de setembro de 2015

    Ahhh..muito bonitinhos,Clementina e Aroldo!
    Bom gancho, quase cara-de-pau.. no sentido de que quase não fechou o conto.mas fecha, se a gente se conforma com um final aberto…hehehe
    Muito boa a ambientação e as piadinhas tb 😛
    Parabéns, ótimo conto.
    Abração

    • Anorkinda Neide
      21 de outubro de 2015

      Gostei bastante da segunda parte tb.. não destoou, não correu, segui a história como um todo. Muito bom!
      Severino é cativante e vc está de parabéns!
      Abração

      • Brian Oliveira Lancaster
        9 de novembro de 2015

        Agradeço a consideração! O mascote veio como inspiração dos seus textos.

  25. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    O título horrível não faz jus ao ótimo conto que temos aqui. Se o objetivo fosse escatologia pura e simples, vá lá, mas não é disso que trata a história. De início, eu poderia dizer que a ambientação no espaço poderia ter sido facilmente trocada por algum lugar em São Paulo ou Rio, já que as agruras de um encanador que encontra amigos improváveis funcionariam em qualquer cenário. Porém, com o desenrolar da narrativa, o clima de isolamento se aperta e o que vemos é um sujeito solitário – ainda que bem humorado – mas que não resiste a se entregar a uma amizade inesperada, mesmo que isso venha a custar a própria sobrevivência da colônia lunar. Isso – quero dizer, essa atmosfera opressiva – só funciona porque o conto se passa num ambiente de ficção científica. É por causa do contexto apresentado que a solidão latente e a carência do protagonista se revelam interessantes e verossímeis. O senão fica por conta de sua ingenuidade, já que mesmo o leitor mais desatento perceberá que o alarme toca por causa dos animais, conclusão óbvia que parece fugir ao simpático Swat.
    A leitura flui muito bem, sem atropelos ou ataques de morte ao português. Do meio para o fim, a trama ganha agilidade, fazendo com que o leitor busque mais informações, culminando com um gancho muito bem elaborado para uma segunda fase. Algo que não vi nos demais contos que li até agora.
    Enfim, um trabalho competente e interessante. Por certo estará na segunda fase. Boa sorte.
    Nota: 8

    • Gustavo Castro Araujo
      2 de novembro de 2015

      Retomando…
      Achei ótima a continuação. Bem fluida, sem sobressaltos. A opção em contar a história sobre como os sapos chegaram ao sistema de esgoto de Luna-1 ficou bem interessante. Cronenberg, aliás, faz um contraponto bacana com Swat. Achei bacana também o fato do autor ter apostado numa levada mais espirituosa ao traçar as desventuras de Severino. Vi essa mesma toada no recente “Perdido em Marte”, sucesso recente com o Matt Damon fazendo piadinhas infames – as melhores que existem –, exatamente como Severino, mesmo com a desgraça à espreita. O bacana aqui, falei antes, foi a inserção dos sapos, o que, na minha opinião, humanizou bastante a história. Sim, os gracejos estão ali, mas no fundo há um contexto dramático, traduzido no dia a dia modorrento de Swat em contraste com a rotina intensa de Cronenberg. Enfim, um ótimo trabalho cuja segunda metade complementou muito bem a ideia inicial.
      Nota final: 8,5

      • Brian Oliveira Lancaster
        9 de novembro de 2015

        Agradeço todas as críticas e elogios. O título era para ser uma brincadeira de metalinguagem, mas poucos entenderam. Clicando ali, leva à primeira frase. Fiz isso também na segunda parte. Não funcionou, infelizmente.

  26. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    UOU!

    Apertem o botão de NÃO ENTRE EM PÂNICO, Douglas Adams acabou de ser encarnado na pele de alguém. Sr. Autor ou Sra. Autora, meus parabéns! Seu conto é muito bem escrito, divertidíssimo, com sacadas geniais, otimamente ambientado. Enfim, eu poderia ficar aqui tecendo elogios, mas vou logo ao que interessa: minha nota será 9 apenas porque considero na conta o nível daqueles contos que dei 10. Mas mesmo assim, receba todos meus parabéns! Estou muito, muito ansioso para ler a continuação deste conto!

    • Pedro Viana
      23 de setembro de 2015

      No fim não me aguentei e usei a permissão de casas decimais para te dar 9,5! 😛 Quero mais contos assim!!!

      • Brian Oliveira Lancaster
        9 de novembro de 2015

        Agradeço a generosidade. Tenho vários pontos a melhorar, mesmo assim.

  27. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    O ambiente de ficção científica dificulta a compreensão do ambiente, apesar de o personagem principal ser uma metáfora fácil de identificar: um faxineiro. Achei que fugiu um pouco do tema, já que colonização da lua não é lá tão cotidiano. Gostei do humor, às vezes ácido, às vezes infantil e do final que me surpreendeu.

    • Brian Oliveira Lancaster
      9 de novembro de 2015

      Agradeço as críticas e sugestões. Quanto à ambientação, é mais questão de costume… manias de quem escreve.

  28. Rogério Germani
    17 de setembro de 2015

    Olá, Astrobaldo!

    Desta vez ninguém pode reclamar da falta de originalidade ! rsrs O cotidiano inusitado na lua ficou divertido, ainda mais com a chegada salvadora dos sapos na colônia. É o tipo de conto que vale a pena aguardar o desfecho na 2ª fase do desafio literário.

    Nota 8

  29. catarinacunha2015
    16 de setembro de 2015

    O TÍTULO não me agradou; o (pressione aqui) tirou o impacto. (0,5/2). Interessantíssimo o TEMA de cotidiano em FC. E pensando bem, uma estação espacial deve ser um cotidiano bem tedioso. (2/2). O FLUXO é simples e me entediou um pouco (1/2). Nada que comprometa a excelente TRAMA (2/2) e o FINAL instigante (2/2). Quero saber mais de Aroldo e Clementina. Total 7,5

  30. Fabio Baptista
    14 de setembro de 2015

    Olá,

    É um bom conto, bem escrito e criativo na ambientação.
    O Swat, nosso protagonista, é carismático a seu modo e acabamos nos apegando a ele (e também aos sapos) durante a leitura.

    Não agradou em cheio meu gosto pessoal, pelo menos essa primeira parte que, creio eu, foi mais uma preparação de terreno e infelizmente não me gerou tanta curiosidade para o que vem a seguir.

    Na revisão só encontrei:

    – fazer o que.
    >>> quê

    NOTA: 8

  31. Lucas Rezende
    14 de setembro de 2015

    Olá,
    A história é meio confusa, os diálogos não estão muito bem demarcados. Mas apesar disso, é interessante. Talvez uma colônia na lua não esteja tão longe assim. Creio que o conto melhoraria com uma demarcação nos diálogos.
    O personagem principal cativa com seu humor e sua situação no emprego que não é dos melhores. Diga-se de passagem que curti demais o Aroldo.
    No final é perceptível que deu merda, mas fiquei sem entender muito bem. Creio que tudo seria esclarecido na segunda parte.
    Não achei que o conto funciona muito bem sozinho, mas consegui me importar com a história. Parabéns.
    Boa sorte!

    Nota: 6,5

  32. Maurem Kayna
    13 de setembro de 2015

    Bem, pode-se dizer que cotidiano é cotidiano em qualquer lugar, mesmo num suposto futuro fora do planeta. Ficção científica (se é que essa é a melhor denominação para o estilo deste conto) não é um tema que me seduza, mas a narrativa funciona bem, tem surpresa e emoção, além de um final que faz juz ao tema proposto. Uma solução criativa.

  33. Rubem Cabral
    12 de setembro de 2015

    Olá, Astrobaldo.

    Bem divertido o seu conto de cotidiano sci-fi. O Swat é um personagem com quem se tem empatia fácil e os sapinhos também.

    A escrita está correta, em linhas gerais. Só achei meio deslocado o “torcia” no primeiro parágrafo e algumas falas não ficaram tão boas. Senti também falta de algumas frases bem sacadas ou metáforas bacanas.

    O mistério sobre como os sapos deram conta da sujeirada do esgoto de forma tão ecológica, imagino que será explicado no próximo capítulo.

    Enredo: 4,5 (0-6)
    Escrita: 3 (0-4)

    Abraços.

  34. Ruh Dias
    12 de setembro de 2015

    Há alguns pequenos erros de pontuação e acentuação (contabilizei quatro) que, embora não gritantes, precisariam ser ajustados. Gostei do tema do conto – colonização da Lua, ficção-científica – mas não tanto do ângulo em que ele foi abordado.

  35. Tiago Volpato
    12 de setembro de 2015

    Vou ser sincero, quando vi o texto de ficção cientifica pensei ‘putz, de novo’, ainda mais depois de um desafio com quinhentos contos (exagero) do tipo, e eu embarquei nele um pouco a contra gosto. Felizmente o seu texto é muito bom, e depois de alguns parágrafos esse meu pensamento foi embora. Gostei bastante. Além de ser bem escrito você criou um enredo bem original, esses sapos parecem ser muito úteis, mas se eles se reproduzirem tão rápido quanto pareceu, vai dar merda!
    Espero que você passe para a próxima fase pois quero muito ler a segunda parte.
    Abraços!

    • Tiago Volpato
      19 de outubro de 2015

      A segunda parte já não me agradou tanto quanto a primeira. Sua escrita continua excelente, agradável de ler e nenhum pouco cansativa, você demonstra ter grande habilidade. Contudo, achei essa segunda parte um pouco deslocada. Certo, temos os mesmos personagens, mas achei que o tema da primeira parte foi pouco explorado. Temos os sapos, mas foi tudo resolvido muito rápido. Os sapos eram um problema e o problema foi”resolvido” muito fácil.
      A história não ficou ruim, só acho que ela ficou um pouco distante do raciocinio que você montou na primeira parte. É claro que eu posso estar errado e falando merda, mas foi o que senti.
      Ainda assim, foi um ótimo texto.
      Abraços.

      • Brian Oliveira Lancaster
        9 de novembro de 2015

        Está certo. Faltou mesmo espaço para maiores explicações. O flashback foi necessário, senão ficaria tudo muito mais confuso. Agradeço as críticas e sugestões!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Trevisan e marcado .