EntreContos

Detox Literário.

Janelas Abertas (Anorkinda Neide)

janelas abertas

Tarde nublada, um vento leve e morno viaja pelo jardim, movimenta as folhas de um arbusto. Pressentindo-o, uma borboleta levanta vôo em busca de paragens mais seguras. A brisa encontra a fresta de uma janela semi-aberta e entra… Louis está sentado à frente de sua escrivaninha, trabalhando. Quando sente a mornidão lhe atingindo as costas, não acha aquilo bom. Levanta-se e fecha o vidro da janela, reparando o tempo lá fora que prenuncia chuva, temporal.

Charlotte vem pelo corredor em direção à porta de saída, apressada e diz:

– Não vou a pé até a Biblioteca da faculdade buscar uns livros de que preciso com urgência, porque acho que a chuva vai chegar logo. Vou pegar o carro da mamãe, volto rapidinho, tio Louis!

– Se não me engano, sua mãe deixou as chaves na cozinha, vou pegar pra você.

O homem voltou com as chaves e eles conversam brevemente sobre a irmã deste, mãe de Charlotte ter viajado sem o carro.

– De repente, foi melhor. – Disse a moça. – Ela vem de ônibus de manhãzinha e não precisa se preocupar com o estado da estrada, porque a coisa vai ficar feia… Olha o vento forte e gelado que está soprando!

Charlotte abriu a porta e uma lufada entrou por ela com força. Louis lembrou-se do vento morno que sentira e que ainda mantinha suas costas aquecidas, não gostou disso. Nadine, sua irmã sempre insistia que as janelas deveriam ficar fechadas em dia de vento.

Se deteve à porta observando a sobrinha correr até a garagem, abri-la num gesto seguro mas delicado, feminino…

“Quando esta menina ganhou curvas e sensualidade se eu nunca percebi?”

Louis não gostou deste pensamento e entrou abruptamente, voltando a sua escrivaninha. O trabalho não o captou, começou a rabiscar. Ficou um bom tempo absorto, sem pensamentos, desenhando. Quando a tempestade começou, a janela bateu e então ele despertou daquela modorra. Lembrou-se de fechar as outras janelas da casa.

Mas antes de levantar-se, Louis olhou para os rabiscos que estivera fazendo. Eram desenhos de mulheres nuas, alguns apenas detalhavam seus genitais. Aquela visão o excitava mais do que a estranheza de ter desenhado aquilo sem perceber. Sentiu-se agitado.

O barulho do carro com Charlotte voltando, fez com ele fosse até a janela e ficou a observar enquanto ela corria da garagem para a casa, encharcada pela chuva torrencial que caía. Ela ria quando entrou e balançou a cabeça, os cabelos soltando água por todo lado.

– Deixei os livros no carro. Que chuva fria, estou congelada.

Louis olhou instintivamente para os seios da moça que denunciavam que realmente ela estava com frio, debaixo da blusa molhada. Não conseguindo mais raciocinar, o homem avançou em direção à sobrinha, com olhos de  um desejo avassalador e um calor estranho tomou conta de todo seu ser.

Charlotte ainda conseguiu se afastar e perguntou:

– O que é isso, tio? Está maluco?

E foi andando de costas na tentativa de fugir daquela insanidade. Mas Louis e segurou pelos braços e foi conduzindo a moça até seu quarto. Ela olhou para a janela aberta, o homem seguiu seu olhar e sorriu e gargalhou enquanto o vento enregelante invadia o cômodo.

Louis estava louco, fissurado. Usou, abusou e maltratou a moça por toda a noite. Ela tentou escapar e gritar por horas, mas depois calou.

Ao aproximar-se o amanhecer, Louis, saciado e extenuado, sentiu o calor lhe abandonar e o vento gélido daquela manhã de outono, que entrava pela janela do quarto lhe trouxe à razão.  O tio viu sua sobrinha, completamente machucada, trêmula e com os olhos vazios, nua, encolhida na cama. Num átimo de pensamento adivinhou o que acontecera embora de nada lembrasse. Olhou para a janela aberta e para as cortinas a balançarem loucamente. Correu até elas, arrancou-as, pulou para fora da casa e pôs-se a correr.

Nadine, de volta da viagem, ao aproximar-se de casa, percebeu a estranha movimentação em sua rua. Apressou-se a perguntar por sua filha, entrou em casa correndo, ao chegar ao quarto de seu irmão, viu Charlotte, já abrigada por cobertores, que os policiais haviam providenciado, mas seu olhar continuava perdido, mirando o nada e assim permaneceu por toda sua longa vida.

Olhando pela janela aberta, Nadine ainda viu um corpo enforcado balançando na árvore do jardim.

……………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Possessão”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

Anúncios

49 comentários em “Janelas Abertas (Anorkinda Neide)

  1. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Não gostei.

    Não era esse tipo de possessão que eu esperava ler quando vi o tema. Caramba, que tragédia…… odeio histórias de estupro!
    Mas o texto está muito bem escrito, parabens!!!

  2. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Fiquei tão incomodada com os trechos do estilo “e eles conversam brevemente”. Acho que você oscilou muito entre presente e passado nos verbos e isso não ficou bom. Mas o tema é ótimo. Pena que foi um conto muito rápido, mas tem um potencial grande se tiver as devidas correções.

  3. André Lima
    28 de abril de 2015

    Um bom conto. O que me frustrou bastante é que o conto começa muito detalhista, descrevendo muito bem as cenas, mas depois isso se perde.
    Acho que com 2000 palavras de limite dava para desenvolver um pouco mais o conto.

    O final é bom. Para mim o conto foi mediano.

  4. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Apesar de clichê, o enredo prende a atenção. Talvez o tom sobrenatural e a origem desconhecida do “vento morno” tenham salvado a narrativa dos pontos negativos. Em se tratando de escrita e forma, penso ser melhor não misturar tempos verbais, como aconteceu aqui: os dois primeiros parágrafos apresentam o presente do indicativo, enquanto o restante do conto foi escrito com o pretérito perfeito. Eu deixaria tudo no presente, já que a narrativa é curta e não aproveita as 2000 palavras (as palavras que sobraram poderiam ter sido usadas para melhor aprofundamento das personagens, para deixá-las mais humanas). Também achei algumas construções muito simples, como se o(a) autor(a) estivesse com receio ou preguiça de escrever: “Louis estava louco, fissurado. Usou, abusou e maltratou a moça por toda a noite. Ela tentou escapar e gritar por horas, mas depois calou.”

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! Adequou-se bem ao tema, mas talvez tenha fica muito sucinto. O limite de palavras era curto, mas caberia justificar um pouco o que estava acontecendo. Do modo como construiu, pareceu apenas uma cena, forte, sem dúvidas, mas sem razão nem precedentes. De todo modo, parabéns e boa sorte.

  6. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    O estilo é poético, melancólico e simbólico, como o de Tchekhov e, principalmente, Raymond Carver. Você é capaz de evocar facilmente as imagens, como as eróticas e as trágicas. A Janela Aberta, o tempo todo, parece um olho que acompanha toda a trama, às vezes censurando, às vezes simplesmente deixando o vento entrar, como nos filmes de terror. Uma imagem muito bonita, que pode ser até usada em filmes, parabéns.

    • Anorkinda Neide
      29 de abril de 2015

      Menino, seus comentários sempre confortantes! Muito obrigada, foi sentir uma brisa amiga, ler tuas palavras!! 🙂

  7. mkalves
    27 de abril de 2015

    Narrativa eficiente. Simples assim. Poderia comentar que falta um pouco de veracidade no sumário do abuso em si. A possessão tendo sido interrompida em menor tempo talvez causasse maior impacto, mas isso não impediu o efeito do conto.

  8. Cácia Leal
    27 de abril de 2015

    Como assim, ele pulou da janela, pôs-se a correr e quando foi que ele se enforcou?
    O conto achei meio morno e não muito atrativo. Não gostei muito da trama e somente mais ao final essa obsessão foi mais bem demonstrada. Encontrei alguns erros de português e acredito que o texto merecia uma releitura mais crítica do próprio autor.

    Suas notas:

    Gramática: 7
    Criatividade: 8
    adequação ao tema: 8
    utilização do limite: 10
    emoção: 5
    enredo: 3

  9. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Um conto rápido e fatal. Pena que o limite imposto não foi respeitado (e, de fato, creio que nem se faça necessário). Mas, para ser justo com os demais, tal crime não sairá impune… 😉
    Parabéns!
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

    • Anorkinda Neide
      29 de abril de 2015

      hehehe é imposto o limite máximo, mas se o autor quiser escrever 500 palavrinhas, por exemplo, ele póoode.
      Mas claro que eu sei, que o texto pede desenvolvimento e cabe desenvolvimento no limite máximo que me deram,mas continuo incapaz… quem sabe depois de mais alguns anos participando aqui, eu consiga…^^

      Abração

      • Ricardo Gnecco Falco
        2 de maio de 2015

        Até parece, Anorkinda! 😛 Se tem coisa que NINGUÉM aqui é… É incapaz!
        E você sabe muito bem disso! 😉
        Eu também curto (MUITO!) contos curtos. 1000 palavras pra mim já dá pra fazer uma verdadeira orgia com a história (e penso que essa característica que temos em comum é oriunda da prática da escrita, e leitura, de Poesia), mas este Desafio teve como característica fazer-nos sair, exatamente, de nossa zona de conforto. Por isso… Meu comentário nada misericordioso. (rs!)
        Mas, como também já havia dito, penso que seu conto não necessite de alongamento algum; já está pronto e totalmente completo. 😉
        Foi um pontinho tirado só pela preguiça, mesmo… rs! Pois sei que, se quisesse, conseguiria — sim! — escrever um história dentro do limite imposto. E com a mesma “altura” (qualidade) deste ótimo “anãozinho” aqui! 🙂
        Abração,
        Paz e Bem!

  10. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Não gostei, não me cativou o texto, o enredo é simples demais e não tem relevância, por ser mais do mesmo. Acho que pedia mais detalhes para ser mais envolvente, para angustiar o leitor, para passar uma emoção maior a quem lê. Da forma como foi escrito ficou muito “normal”…

    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 1/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 6

  11. Rodrigues
    26 de abril de 2015

    Minha nossa, que desgraceira. Mas não foi uma desgraceira boa (??), é, não gostei de como o texto foi estruturado e os personagens foram pouco desenvolvidos. Aonde aí há tempo para sentirmos, ou pena da menina ou ódio do abusador? Não sei, o limite de palavras ainda deixaria o autor criar mais, observar e descrever mais, mas está tudo muito abrupto, sem sentimento, mecânico. Não gostei.

  12. Pedro Luna
    25 de abril de 2015

    O ventinho foi o belzebu chegando? rs. Curto mas objetivo. Achei legal. A força maligna chegou, possuiu e foi embora atrás de outra vítima.

    • Anorkinda Neide
      29 de abril de 2015

      Isso, Luna..isso ae.
      Eu sei que não desenvolvi nada, apenas tive a ideia e deveria decantá-la pra colocar um recheio, mas… ainda não foi dessa vez!
      Que bom que vc pegou o espírito da coisa, acho q vc é um bom leitor de poesia 🙂

      Abração

  13. vitor leite
    25 de abril de 2015

    muitos parabéns para quem desenvolveu este texto, muito bom. não me vou alongar em comentários pois tenho que ir fechar a janela, só deixo os meus parabéns.

  14. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (2/5) achei simples. Um homem é possuído e violenta a própria sobrinha. Faltou mais alguma coisa para dar corpo à trama, a origem do espírito ou um background do tio…

    ✍ Técnica: (3/5) tem umas metáforas legais e umas imagens bonitas, principalmente o início poético. Mas é crua em outros momentos e com alguns erros citados abaixo.

    ➵ Tema: (2/2) possessão (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) percebi uma tentativa de mudar a interpretação básica de possessão, mas não achei muito criativo.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) pelos motivos já expostos, não gostei muito do texto 😦

    Problemas que encontrei:
    ● voltando *à* sua escrivaninha (*ao* seu móvel)
    ● *suas* genitais
    ● Mas Louis *a* segurou pelos braços
    ● abrigada por cobertores, *não precisa dessa vírgula* que os policiais haviam providenciado

  15. Swylmar Ferreira
    23 de abril de 2015

    O texto atende muito bem ao tema e está dentro do limite estipulado.
    Bem escrito, apresenta linguagem objetiva. A trama é muito boa, apesar de não apresentar muitos detalhes. Gostei da ideia colocada pelo autor(a), neste curto conto. Apresenta um final rápido e surpreendente.
    Parabéns Abusivo.

  16. Fil Felix
    21 de abril de 2015

    O conto está parecendo um resumo de um outro conto. Tudo ocorre muito rápido, com muitas informações. Pensei que o tema fosse “estupro” ou algo assim, mas ao saber que foi “possessão”, deixa ele ainda mais resumo. Não há muitas explicações.

    A história não está ruim. Um tio possuído acaba abusando de sua sobrinha, acabando por se suicidar e a deixando em estado de choque pro resto da vida. Mas não houve sentimento, tudo passou sem tocar o leitor. Acho que poderia melhorar esta parte.

  17. Pétrya Bischoff
    21 de abril de 2015

    Bueno, uma estória com potencial enorme que foi absolutamente podada pelo autor, pois havia limite para desenvolver. Houve pressa na escrita, sem descrições ou narrativa aprofundada. E nos primeiros parágrafos a palavra “janela” repetiu várias vezes e me incomodou um pouco. Boa sorte.

  18. Jowilton Amaral da Costa
    19 de abril de 2015

    Acho que o conto deveria ter sido mais trabalhado, ao meu ver, claro. Havia muito espaço pra isso. O texto não tem nem mil palavras e poderia ter duas mil. A possessão do Loius foi muito abrupta, com pouco ou quase nenhum suspense. Acho que por isso o conto ficou a dever. Boa sorte.

  19. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de abril de 2015

    O primeiro parágrafo até lembrou “Vidas cruzadas” de Érico Veríssimo que vai te levando como se flutuasse do jardim e suas vistas, passando pela janela até a escrivaninha do tio, depois, sabendo dos nomes dos personagens, deixei de flutuar e fiquei me perguntando por quê o uso de nomes estrangeiros se isso pode ser aqui no Brasil também, terra natal do desafio. Mas ao me deparar com o tema e com o limite de palavras, dei-me conta que o assunto abordado não é fácil de trabalhar, mesmo dentro desse tema que dá possibilidades de tentativa de explicação para uma coisa desenfreada e estúpida como essa. O que quero dizer é que não tenho direito de exigir nada de você se eu mesmo não conseguiria abordar esse assunto de forma melhor. Aliás, nem tentaria…

  20. Felipe Moreira
    18 de abril de 2015

    Então, a ideia é muito boa, embora não seja original. Achei que os eventos aconteceram rápido demais. Eu sei da limitação do texto, mas Louis sequer se prendeu num questionamento moral. Ele convivia com a sobrinha todos esses anos e num inervalo de algumas horas foi para a admiração física até o estupro seguido de morte.
    O conto poderia ser melhor elaborado se Louis ganhasse mais profundidade, uma narrativa que explicasse essa obsessão há um tempo. E assim culminando finalmente no crime. Claro que essas coisas acontecem na realidade, às vezes num só estalo, inexplicavelmente, mas Louis não convenceu, sabe? A velocidade com que as coisas aconteceram deixaram de lado as emoções, como se estivesse adiantando um filme até o final sem antes acompanhar a real história.

    Agora, o final, tão curto numa frase de quinze palavras, foi avassalador. Causou um real impacto que eu esperava ao longo da trama enquanto Louis refletia sozinho no quarto até a chegada de Charlotte.

    De todo modo, é um bom trabalho. Parabéns e boa sorte no desafio.

  21. Virginia Ossovski
    17 de abril de 2015

    Um conto forte, rápido e certeiro, o final dá até arrepios de pena da pobre moça. O tema da possessão ficou meio vago pra mim, mas com uma segunda leitura me arrisco a dizer que o vento teve alguma culpa nessa história. Em poucas palavras o autor conseguiu transmitir muita coisa. Parabéns e boa sorte !

    • Anorkinda Neide
      29 de abril de 2015

      Isso Virginia!!
      Sabe depois que o texto vem pro site, eu enxergo coisas que eu não vi ao escrever.
      Então percebi que o lance do vento não ficou claro, ficou repetitivo e aparentemente sem sentido. Mas só vi isso depois que a vaca foi pro brejo.

      Vou começar a colocar meus textos como rascunho em meu blog, pra poder enxergá-lo melhor antes de postar aqui. Decisão para 2015…rsrsrs

      Abração

  22. Sidney Muniz
    16 de abril de 2015

    Uma abordagem diferente para o tema. Não gostei muito dessa abordagem, mas confesso que fiquei nostálgico quando li, pois me remeteu a acontecimentos de minha cidade, “tios e sobrinhas” há algumas laranjas podres por aqui, mas esses não foram possuídos, só possuíram mesmo, e de maneira muito indevida.

    Gostei muito do começo do conto, mas talvez pelo limite de palavras o autor(a) não tenha conseguido o efeito que desejava, comigo, o leitor em questão. E talvez a culpa seja minha, mesmo.

    No mais não há muitos equívocos quanto a linguá, nota-se o talento do escritor(a), pois é evidente.

    o que posso fazer é desejar sorte no desafio e sucesso sempre!

  23. Tiago Volpato
    16 de abril de 2015

    Sensacional. Você soube desenvolver bem o texto e trabalhou o tema com maestria. Parabéns!

  24. simoni dário
    15 de abril de 2015

    O texto está bem escrito porém,carece de um argumento mais forte que justifique a Possessão. Uma lufada na janela e tudo acontece, parece muito fácil. Não é um texto muito criativo apesar de ter causado impacto no final, mas no geral, não gostei. Boa sorte!

  25. rsollberg
    15 de abril de 2015

    Muito original. Uma ideia pouco usual para o tema possessão, mas que a meu ver funcionou.

    Como ponto positivo, destaco o estilo lacônico. Acho sempre interessante preencher alguns espaços, tentando entender, por exemplo, a ideia do vento e a sua ligação com a possessão. Algumas descrições visuais foram bem conduzidas e criaram um ambiente legal.

    Penso que faltou profundidade aos personagens, não deu tempo de criar empatia ou simpatia. Nesse sentido, a trama ficou prejudicada, pois praticamente não houve impacto, o que penso ser importantíssimo nessa espécie de suspense/terror. Os nomes estrangeiros, apesar da história aparentemente ser universal, normalmente afastam o leitor. Sinceramente, não vejo qualquer problema quando os nomes são complementos de uma cultura, mas nesse caso, não há isso. Isso normalmente está atrelado aos leitores mais jovens que consomem sobremaneira literatura estrangeira e por isso possuem dificuldade de usar nomes “nacionais”.
    Divagando rapidamente
    Louis – Anne Rice (Entrevista com o vampiro)
    Nadine – S. King (Stand – a dança da morte)
    Charlotte – Goethe (os sofrimentos do jovem werther) ???

    No português logo de inicio temos uma alternância de tempo verbal – presente para o passado.Paralelismo – “A brisa vem”, “Charlote fecha” – “o homem voltou” – o homem volta, ou “a brisa veio”, “Charlotte fechou” etc.

    De qualquer modo, é um conto muito criativo que precisa apenas de maior maturação. Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. mariasantino1
    12 de abril de 2015

    Oi, autor(a)

    Não vou dar voltas, está tudo muito apressado e acho que foi essa sua pressa que contribuiu que o texto não brilhasse em momento algum. Há misturas de tempo verbal, os diálogo não é nada naturais e você tenta dar o toque sobrenatural usando o vento, mas tudo ficou muito raso. Se ler e não se sente dó ou raiva. É quase como ler uma notícia policial. Havia espaço para caracterizar os personagens, mas sua pressa foi mesmo fatal. Sinto muito!

    Média: Por não construir os personagens, não criar clima algo, nem de terror, nem de suspense ou drama, por não descrever os sentimentos e por todos os motivos acima mencionados, a nota para esse conto será: 3 (três)

  27. rubemcabral
    10 de abril de 2015

    Não gostei muito. O princípio foi bem desenvolvido, mas do meio para o final tudo correu apressado em demasia.

    Enfim, como o limite de 2000 palavras não foi completamente usado, penso que seria possível desenvolver melhor as personagens e causar mais empatia.

  28. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Eita! Foi possuído assim! Num estalar de dedos? Essa deve ser a desculpa de muitos estupradores.

  29. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tranquilidade?

    Sobre a técnica.
    Foi boa, mas achei que faltou algo. Nesse caso, o mais seria mais. Poderia ter incrementado mais o texto, trabalhado melhor nessa possessão. Do jeito que está não ficou ruim, mas tenho o pressentimento de que poderia ser melhor, de verdade.

    Sobre o enredo.
    Seguindo a linha da técnica, foi bom, mas poderia ter tido um pouco mais. Essa parte da possessão poderia ter sido melhor trabalhada, e o ato, tanto do tio possesso quanto de sua “redenção”, mereciam um pouco mais de espaço. é uma boa história, mas merecia mais.

    Sobre o tema.
    Foi explorado de uma forma diferente. Foi bom por não pegar direto no terror, que é o que costuma ser com esse tema.

    Nota.
    Técnica: 7,0
    Enredo: 7,0
    Tema: 7,0

    De qualquer forma, está de parabéns!
    Boa sorte!

  30. Andre Luiz
    5 de abril de 2015

    Nossa! Gostei bastante do suspense que você criou em seu conto, principalmente da forma como você criou o cenário de chuva e das janelas abertas que trouxeram uma brisa quente, quase como que um agouro de morte, que possuíram Louis com ferocidade. Gostei também da forma como ele foi retratado, uma espécie de possessão demoníaca que gerou uma ambiguidade gostosa de se ler, e o final que para mim, foi o ápice do conto. Parabéns!

  31. José Leonardo
    4 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Creio que, dentre os sentidos da palavra “possessão”, a sugestão de tema referia-se ao complemento “demoníaca”, algo a ver com o espírito. O que se viu aqui assemelha-se mais a surto psicótico, digamos, diante de um desejo irrefreável que propriamente possessão (salvo no sentido da perda total de posse do juízo/consciência moral que nos levará a ceder a “impulsos primitivos”).

    Penso que poderia haver mais desenvolvimento (o limite de palavras permitia); o argumento que ocasionou o abuso não é verossímil. Voltando ao tema: quem tomou “posse”?

    Em síntese, o enredo corre superficialmente, “atropelando” a situação que culminaria no produto da “possessão” e desaguando num desfecho meio conflitante: depois do grande abuso, ele ADIVINHOU o que acontecera mesmo sem LEMBRAR e, depois, cometeu suicídio. Diante desse quadro, como se sustenta o tema da possessão, que é (num dos sentidos) uma “invasão espiritual” ou “alheamento mental” — será o sentido do tema, no texto? —, ou seja, sem qualquer consciência por parte do possuído? Se Louis adivinhara seu crime, como a possessão se encaixa aí?

    Abraços e boa sorte neste certame.

  32. Gilson Raimundo
    4 de abril de 2015

    Um bom texto limitado talvez pelas 2000 palavras, o uso constante de nomes estrangeiros enfraquece um pouco o desejo da leitura, a ambiguidade de nomes como Louis me faz lembrar de Lois Lane ou Thelma e Louise, fica a sensação de que o nacional não presta.

  33. Claudia Roberta Angst
    3 de abril de 2015

    Ui! Possessão de um desejo incestuoso e covarde. Conto bem escrito, narrativa muito bem conduzida prendendo a atenção do leitor.O autor não se estendeu para criar o clima de tensão e terror. Parabéns, cumpriu bem a missão de desenvolver o tema sugerido. O vento seria o portador dos maus pensamentos?
    Ou apenas o catalisador das forças obscuras latentes no tio?Triste, mas verossímil. Gostei bastante.
    Boa sorte!

  34. Eduardo Selga
    3 de abril de 2015

    O(a) autor(a) fez um uso interessante da palavra-tema, aproveitando a plurissignificação nela contida. ‘Possessão” tanto pode remeter, dentre outras possibilidades, ao domínio demoníaco quanto ao ato de possuir sexualmente alguém, e no conto ambos os significados foram aproveitados -o sexual de modo evidente e o demoníaco nem tanto, pois o comportamento do personagem e seu esquecimento não necessariamente se referem a uma entidade externa ao personagem (pode ser ele mesmo liberando sua fera interior), mas é essa penumbra que torna interessante o aproveitamento do tema.

    O “calor estranho” que o personagem sente e a gargalhada por ele dada dentro do quarto, podem ser interpretadas como manifestações por assim dizer demoníacas, mas o que desencadeia o comportamento dele são os desenhos eróticos e a presença da sobrinha. E aí fica a pergunta: é o do desejo sexual em níveis altíssimos (a animalidade do sexo expondo a fera) ou é um demônio que se aproveita do desejo sexual, se aproxima e o possui? Em minha opinião isso não está muito claro, mas essa falta de nitidez ao contrário de gerar confusão, dá uma face interessante à narrativa.

    O que para mim determina que estamos a falar de uma entidade é que em se tratando de um homem casado é necessário um nível de desejo gigantesco para que a razão fique obliterada e a animalidade se manifeste e, pelo que entendi, a esposa do personagem não está afastada dele a tanto tempo assim. E mesmo se tivesse, sempre há solução para isso (a traição, esse exercício disfarçado da poligamia, cumpre um papel fundamental nesse sentido no meio social).

    A depender da leitura feita, o conto também é positivo no sentido de provocar no leitor a reflexão sobre o poder excessivo que é dado ao ato sexual (o prazer acima de tudo e a todo o custo) na sociedade contemporânea, chegando ao ponto da despersonalização ou a soltura, num mundo supostamente civilizado, da fera.

    Outra reflexão importante está no modo como é representada a mulher jovem: fornecedora de prazer ao homem, como uma presa “destinada” a saciar o apetite do predador. É uma representação bastante comum, como são comuns na ficção brasileira e ocidental, as representações femininas que demonstram subalternidade, mesmo em autores que, uma vez jovens, suposta e estereotipicamente, são mais arejados quanto a valores sociais, éticos e morais.

    GRAMATICALIDADES

    Em “Pressentindo-o, uma borboleta levanta vôo […]” o correto é VOO, por causa da reforma ortográfica.

    Em “O homem voltou com as chaves e eles conversam brevemente sobre a irmã deste, mãe de Charlotte ter viajado sem o carro” há uma mistura temporal que não se justifica. VOLTOU é pretérito perfeito e CONVERSAM é presente. Duas ações representadas em tempos diferentes, quando, pelo contexto, eles se deram em apenas um.

    Em “Nadine, sua irmã sempre insistia que as janelas deveriam ficar fechadas em dia de vento” há uma situação de aposto, o que significa que após a palavra IRMÃ deveria haver uma vírgula.

    Em “Se deteve à porta observando a sobrinha correr até […]” o pronome oblíquo SE não poderia iniciar a frase. Deveria ser DETEVE-SE.

    Em “Mas Louis e segurou pelos braços e […]” há um erro de digitação e de correção (A SEGUROU).

    Em “[…] e um calor estranho tomou conta de todo seu ser” ocorre um clichê oracional, ou seja, uma frase muito cansada, que precisaria ter sido evitada por já ter perdido a força de tanto repetida. Refiro-ma TOMOU CONTA DE […] SEU SER.

    • Anorkinda Neide
      29 de abril de 2015

      Bem, na gramaticalidade, vou pensar depois.. agora tô deveras emocionada…rsrsrs

      Você foi quem sugeriu o tema e sério, que pensei que odiaria tudo aqui…!!
      Como falei noutra resposta, percebi que o mote ‘vento demoníaco possuidor de corpos desavisados’ não ficou claro e ainda ficou exposto de forma repetitiva e mal feita, a bem da verdade.
      Mas gostei de suas interpretações, pq como poetisa, acredito que o objetivo principal da poesia é gerar várias interpretações nos leitores… não escrevi um poema mas alcancei este objetivo, isto me deixa muitíssimo feliz!! 🙂

      Ah.. quanto ao homem casado..não..ele era solteiro e morava com a irmã e a sobrinha.

      Obrigada pela leitura! Mesmo!
      Abração

      • Anorkinda Neide
        29 de abril de 2015

        Analisando a gramática agora, só agradeço, viu…?
        o voo.. é culpa do Word, odeio ele…tenho q ficar corrigindo o q ele corrige, esse me escapou. Desconfio q até nas vírgulas ele se intromete. eu escrevo poemas no bloco de notas pra ter liberdade…hehehe mas os contos não dá… acho q vou começar a escrever direto no blog de forma escondida…não tô ainda adaptada a escrever contos,nem neste quesito..hehehe

        o ‘Deteve-se’ foi um erro bárbaro… não poderia ter deixado passar…:P

        é verdade, a última frase a q te referes.. é inclusive verso de uma música do Só pra contrariar…kkkk
        Obrigada pela dedicação no comentário.

  35. Alan Machado de Almeida
    3 de abril de 2015

    Muito bom esse conto, ao que entendi levando a palavra possessão não ao sentido sobrenatural de demônios ou qualquer coisa do tipo. Achei criativo e de fácil leitura.

  36. Fabio Baptista
    2 de abril de 2015

    Olha, confesso que não estava gostando muito, devido ao jeito de escrever. Estava um pouco confuso, sem trechos que saltassem aos olhos para compensar.

    A técnica, num nível médio na minha opinião, manteve-se até o final.

    Porém o enredo acabou sendo diferencial e elevou o patamar do conto. Gostei da concisão e da abordagem direta do tema.

    O final também ficou muito bom.

    NOTA: 7

  37. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    Uma história triste, mas boa. Gostei do conto, tem uma estrutura interessante e deixa um certo mistério no ar com o lance da janela. Muito bom.

  38. Rafael Magiolino
    2 de abril de 2015

    A ideia foi muito boa, assim como seu final. Mas o texto foi muito pouco desenvolvido, acredito que mal utilizando metade do limite imposto de palavras. O autor poderia ter dedicado seu tempo em explicar a razão que levou o homem a enlouquecer, assim como poderia ter inserido uma boa dose de terror a mais na parte sobre o abuso.

    Acredito que se em algum momento do futuro desejar reescrevê-lo, desenvolvendo-o mais, tem tudo para sair um ótimo material.

    Abraço e boa sorte!

  39. Brian Oliveira Lancaster
    2 de abril de 2015

    E: Podia ter se estendido mais, mas captou bem o sentido. Nota 8.

    G: Um texto bem diferenciado sobre o tema, curto e rápido. Faz todo o sentido ao se ler as frases finais. Ganha pontos pela criatividade e abordagem inusitada do tema, fugindo um pouco dos estereótipos deste tipo de gênero. Nota 8.

    U: O texto começa no tempo presente e pega uma curva para o passado após alguns parágrafos. Não chegou a incomodar tanto, pois a transição foi suave. Mas algumas palavras e pronomes careciam de revisão. Nota 7.

    A: Talvez coubesse um pouco mais de história, mesmo assim, atingiu o objetivo. Nota 7.

    Média: 7.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 1 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .