EntreContos

Detox Literário.

Cicatrizes Mal Formatadas (Rafael Sollberg)

Cicatriz

Se até o sol cai no fim de cada dia, não vejo o motivo de tanto alarde ao meu redor. “Ele também se levanta”, diria Hemingway. “Claro”, concordaria em inglês com um sotaque de “professores americanos 24 horas por dia”. Mas ele é o tipo de cara que não pode faltar o trabalho na manhã seguinte. Diferentemente de nós, que estamos acostumados com a penumbra das tavernas espanholas e botequins das ruas escondidas do Rio.

Um braço solitário e solidário me ergue com força, enquanto alguns outros iniciam uma salva de palmas descontraída. Quase não me dou conta, pois um pedaço de algo, que um dia já foi alguém, está preso entre os meus dentes pouco acostumados com invasões. Um vulto estende na minha direção uma lata de cerveja, porém, a visão ainda turva me impede de identificar a alma caridosa que faria corar qualquer Madre Tereza de Calcutá.  Como um policial de quatro anos, tento desenhar o retrato falado daquela pessoa ligando os pontos pretos que formam uma silhueta estilo Picasso em minha mente cheia de curvas. O crânio é de um homo sapiens, sem dúvida. A testa não é protuberante, os olhos não são recuados e, aparentemente, ela sabe das coisas. “Como eu sei que é ela?”, depois de certa idade acredito que desenvolvemos um sentido extra para esse tipo de desafios. “Há controvérsias”, diria o meu primo que não percebe pomos de adão.  Bem, não entendo nada de frenologia, tampouco sou adepto da escola de Lombroso, mas se tivesse que apostar todas as minhas fichas com base nos indícios sombreados, apostaria em: (X) garota legal que não quer roubar órgãos encharcados de álcool. Sonhador como sempre, imagino a Scarlett Johansson de biquíni de lacinho aqui no Arpoador esperando um agradecimento meu.

– Você está bem? – Ela pergunta em português com uma voz que nem de longe lembra a rouquidão do sistema operacional do filme do Spike Jonze.

– Isso é relativo! – Respondo tentando parecer filosoficamente reflexivo-interessante-cult-einsteiniano, apesar de estar coberto por areia grudenta que certamente não levantará acampamento tão cedo do meu corpo.

– Você é amigo do Boca?

– Não, sou amigo de um amigo do trabalho dele. Se bem que segundo as histórias que ouvi no taxi, a minha amizade de terceiro grau parece ser um pouco mais real.

– Eu também sou conhecida de uma conhecida dele.

– Acho que o Boca levou muito a sério esse negócio de um milhão de amigos. – Digo, enquanto tento insistentemente encontrar a linha lépida e inconveniente refugiada na minha boca.

– Babaquara prepotente. – Ela diz pronunciando pausadamente cada sílaba.

– Você é cigana?

– Não – ela sorri – é que na minha carona estavam chamando o cara de “babaquara prepotente”.

– No meu era “coxinha real do camarote”. Um eufemismo para méritocrata hereditário prodigiosamente pródigo, ou não.

Ela ri constrangida; o que a meu ver não serve como risada, tampouco como constrangimento. Uma espécie de falha dupla, que obviamente podemos creditar na conta de nosso atavismo determinante, ou na experiência empírica aprendida nas novelas das oito. Logo em seguida, ajeita de modo charmoso e cruel o brinco na cavidade pouco proporcional de sua orelha de dimensões ordinárias.  Sorrio – salivando com a assimetria – dou uma golada na cerveja gelada e olho para o mar que começa a ganhar contornos reais agora que voltei a ficar ereto. Já consigo ver os cabelos castanhos negros que escorrem pelo ombro pontudo e tatuado de azul – o que parece ser uma mandala – da menina que, de modo inusitado, ainda me ladeia.

Num buraco ao meu lado, vejo um tatuí de cabeça para baixo lutando para retomar o curso normal de sua vida. Pensei que essas criaturinhas, que pegam onda o dia inteiro e se gabam do tamanho de sua genitália, estivessem extintas. Essa trupe de espertinhos nunca foi bem vista em nossa biosfera chata, invejosa e hostil. Ninguém gosta de sabichões! Os Dinossauros, verdes e majestosos, não estão mais ai pra provar isso. Como um dançarino de break, o crustáceo se contorce tentando sobreviver nesse mundo cheio de maldita gravidade. Cogito ajudá-lo, devolver seu chão, porém, isso não me parece muito justo com tudo que ocorre ao nosso redor. Lógico que se ele pudesse falar, viria com aquele papinho de “sinergia”.  Estamos no mesmo Reino, mas isso não nos faz colegas. Ademais, ele não me ouviu reclamar do traiçoeiro e infantil fiapo de comida que não sabe a hora de brincar de pique-pega. “Cada um por si, essa é a regra do jogo, meu bem dotado amigo.”

– Mas então, não somos todos aproveitadores… Pelo menos um pouco? – Pergunta de supetão, lançando um clarão no meu ocaso momentâneo, a graciosa mulher que já apelidei de “minha musa”.

– Um muito! Somos toda aquela massa homogênea antes da fritura.

– Da onde surgiu esse negócio de coxinha?

– China, provavelmente.

– Você não se sente meio culpado?

– Todos os dias da minha vida desde que ganhei a corrida dos meus pares não paridos.

– Não sei se acredito nisso… – Ela duvida, mordiscando o belo lábio inferior.

– Nem eu, mas como não estou querendo abrir uma Igreja, você não precisa crer, nem se penitenciar.

– E pagar dízimo?

– Se você quiser pegar outra cerveja já serve de Indulgência…

– Com vista para a Orla?

– Ok, vou te botar num bom lugar do programa Minha nuvem, minha vida, Dele.

– Combinado! Quando vai ser a entrega das chaves?

– Isso, na verdade, depende de você. Mas, recomendo muita cautela nessa hora. – Respondo mostrando as cicatrizes que riscam a parte posterior dos meus punhos.

– Sem problemas, – a garota aponta para um imenso vestígio de uma incisão vertical entre os seios – ou melhor, mesmos problemas. Comprimidos…

– Menos espalhafatosos do que navalhas. – Disfarço, espremendo os olhos para observar melhor a marca da batalha, que é muito mais sensual do que mil pintinhas da Marylin Monroe ou da Elizabeth Taylor.

– Igualmente não mortais!

– Um Aloha para a nossa incompetência! – Grito ao mesmo tempo em que levo a latinha na direção do copo plástico que ela segura com tensão.

Ela gira nos calcanhares com o vigor de uma rainha de bateria e ajusta a canga presa na cintura com a classe de uma lady londrina. Desfila com as costas nuas até o isopor – que se faz de cofre – e troca algumas palavras com um rapaz que parece ser o segurança patrimonial da carga preciosa. Por tentar sempre enxergar o melhor das pessoas, não acho que o vigilante de latinhas seja um imbecil por usar óculos escuros de noite. Penso apenas que ele incorporou bem o personagem e está respeitando alguma exigência do seu Sindicato, que obviamente tem força até no campo da imaginação. Uma pena que as diretrizes, mesmo nesses casos, não sejam tão coerentes. Adoraria ver o sujeito usando coturno e aquele batcinto de utilidades, com sua fotofobia lunar, correndo atrás de trombadinhas de cerveja em plena praia de Ipanema. Todavia, parafraseando o ex-marido da Luciana Gimenez, “nem sempre conseguimos o quer queremos”.

Demonstrando toda a sua fibra feminina – que queima sutiãs e descobre polônios – ela se curva sobre o recipiente coberto por gelo, mergulha os braços até a altura do cotovelo e resgata dois cadáveres de cerveja mortos há tempos por hipotermia. “Causa mortis: Falência Múltipla de orGrãos”, sibilo baixinho com receio de que alguém escute e me processe por atentado violento ao humor. Chacoalho a cabeça para silenciar meu cérebro envergonhado que está quase pedindo aviso prévio. O pequeno tatu, que parecia ter perdido as esperanças, se agita por completo numa espécie de última investida, como se o meu comentário sem graça tivesse renovado sua energia. Nada que eu já não tenha me acostumado. Na verdade, um resultado esperado; um repelente natural que abrevia muitas conversas. “Um poder ou uma maldição?” perguntaria um roteirista de quadrinhos pouco inspirado. Hoje não. Afinal, a garota continua vindo em minha direção com a promessa – que se não garante um lugar no céu, pelo menos faz reserva em uma parte da minha atenção . Antes de sua chegada, tento cuspir em vão a linha desgraçada de proteína que quer usucapir na marra a fresta apertada que separa meus molares.

– Grato. – Cicio ao receber a oferta, fazendo-me de lorde com severos problemas nas cordas vocais.

– Não por isso.

– Como assim, “não por isso”? Tenho que te agradecer por alguma outra coisa?

– Pela minha companhia, pra começar…

– Touché. – Falo um pouco mais alto, enquanto dobro meu corpo ao acusar uma estocada imaginária. – Você sabia que piratas brindavam para…

– Não, por favor. – Ela interrompe revirando os olhos. – Eu já escutei essa história uma centena de vezes, só hoje foram duas.

– Ok, temos uma piratofôbica aqui no luau.

– Fale baixo, nós estamos numa praia. Não percebe que está colocando a minha vida em risco.

Pela primeira vez na noite – e em muitas noites que mal consigo me lembrar – eu gargalho sem pudor. Sinto as famosas borboletas no estômago – que holywood sempre tentou me empurrar goela abaixo com suas divertidas comédias românticas – mesmo diante da via sacra do tatuí e do meu hóspede bucal inconveniente.

– Leptospirose! – A palavra sai de sua boca perfeita, roubando mais uma vez minha atenção.

– Que bom que você me contou antes do sexo, isso é muito importante pra mim. – Dessa vez, a risada incontida é dela.

Fingindo irritação, furta a latinha da minha mão e esfrega o bocal gelado com uma parte do tecido que cobre seu corpo. Em movimentos circulares, limpa toda a superfície do objeto. “Perita em polimento” deveria estar em destaque no currículo. Delicada nos pontos certos, bruta nos locais mais críticos. Perfeita em todas as perspectivas; close, plano médio e geral. A preocupação tem algo de genuíno, muito mais que uma gentileza de um processo autômato em festas estranhas com gente esquisita. Mais para Gabriela do que para Capitu, menos Daisy, muito mais Lisbeth.

A noite se esvai lentamente, enquanto continuamos nossa conversa sem pauta com diálogos ébrios que não respeitam uma linha. Somos o monólogo do ditador africano em uma sala de conferência da Onu, a fala robotizada dos  vendedores de câmeras encalhadas no estoque e os debates sobre nutrição nos programas matutinos.

– Você não pode simplesmente cortar o sal, seu corpo precisa de iodo!

– Você já percebeu que o homem com o cano gelado na nuca sempre discursa sobre o mal da violência? – Pergunto pensativo, ao mesmo tempo em que admiro a força de vontade do meu frenético companheiro de buraco.

– De qualquer maneira, no final seremos todos zumbis.

– Posso contar uma piada bem escrota?

– Não crie falsas expectativas…

– Sabe a diferença entre uma Pizza e… – hesito, olhando ao redor em busca da patrulha e por via das duvidas…  – Giordano Bruno?

– A muçarela! Giordano Bruno?  – Com um sorriso de canto de boca e as sobrancelhas arqueadas, questiona.

– Eu nasci Judeu.

– E eu com intolerância a lactose.

– Ninguém é perfeito.

– E isso é perfeição.

Desequilibrada e desequilibrada, ela tropeça em uma depressão – que não as nossas – e se precipita em minha direção. Com uma habilidade incompatível com nível de sangue no meu álcool, amparo sua queda com uma graciosidade só vista no Bolshoi.  Ela coloca sua mão esquerda no meu peito e olha diretamente nos meus olhos diminutos. Retiro parte da franja, que cobre seu rosto e… Por algum milagre dos deuses, o pequeno resto de uma refeição perdida no passado, resolve se soltar e, como um bom escoteiro especialista em mapas, encontra sozinho sua estrada esburacada de tijolos amarelos. Free at last, camarada grudento.

Beijo sua boca demoradamente – o prazer é duplamente libertador. Alô e Adeus sem iêiêiê. “La vie en rose”, mais uma vez.

– Que tal um último mergulho?

– Ou primeiro…

Recolho com zelo o tatuí vencedor –  eleito em primeiro turno “mascote do encontro”  – e o asseguro na palma da minha mão, que forma uma espécie de concha. “Mais um dia pra viver”, sussurro entre suspiros, enquanto caminho abraçado rumo à imensidão, sempre finita, do mar.

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Este texto foi baseado no tema “Noite na Praia”, sujeito ao limite máximo de 2015 palavras.

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42 comentários em “Cicatrizes Mal Formatadas (Rafael Sollberg)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    A reflexão sobre o sol ficou interessante. Apostaria que você é carioca, para descrever tão bem uma praia no Rio de janeiro com esse tipo de festa. Isso me lembrou muito a época da Bossa nova, segundo o que conheci sobre ela nas obras que li sobre o tema. Que fiapinho mais incômodo na boca do ser! E acho que ele me incomodou também. Teve muitas menções sobre ele em um texto tão curto. Gostei da menção que você fez a diversos personagens e escritores, que, se eu não estiver em grande delírio você citou a Lisbeth, da trilogia Millenium. Acho que temos certo gosto literário parecido! O fim me chamou mais atenção do que tudo, aquela ida ao mar.

  2. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Não gostei.

    Achei o conto todo… sei lá… muito água com açucar. Foi difícil para eu ler até o final, apesar de estar muito bem escrito. É o tipo oposto de história que eu gosto… eu aprecio coisas com mais ação explosão, bizarrices… e aqui há somente algumas cantadas de um cara que tá tentando pegar uma mina na praia… Tudo bem, é legal quando isso acontece na vida real, e em alguns momentos a história até me entreteve um pouco… mas, ainda assim, não é o meu tipo.

    2015 palavras? Hm… parecem que foram dados 15 palavras de bônus para este conto kkkk

  3. André Lima
    28 de abril de 2015

    Bom, o texto é muito descontraído, o que é legal, mas faltou algum elemento para prender o leitor até o final. Aquele elemento que faz o leitor desejar saber o que acontece no fim.

    A linguagem descontraída e coloquial foi bem utilizada, ao meu ver, o que conta pontos positivos.

    Mas atente-se na hora da revisão!

    Por exemplo, a palavra “meritocrata” não possui acento.

  4. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Conto inusitado, com um personagem-narrador excêntrico, intimamente falando. O fluxo de consciência foi bem empregado por Gemma Teller Morrow. O ambiente diegético vai se fazendo aos poucos para o leitor. Em meu caso, senti como se despertasse de um desmaio: meus sentidos trabalhando lentamente até reconhecer o lugar e meus olhos focalizarem a moça a minha frente. Muito bom! Os diálogos são bastante insanos e as piadas extremamente sem graça, embora eu pense que Morrow tenha decidido assim.

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! Belo conto, belas (infindáveis) referências e ótima técnica, fora o humor na dose certa. Obrigado por nos agraciar com seu texto. Parabéns e boa sorte.

  6. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Seu estilo é cheio de piadas, tipo levar a sério a música de Roberto Carlos ou “roubar órgãos”, o que faz rir, e evidentemente é bom. Além disso, seu conto está repleto de imagens, tipo “lutando para retomar o curso normal”, o que é fundamental no conto literário. Seu conto, portanto, encaixa-se com perfeição na escola moderna, é assim que se escreve hoje em dia. Não há realmente o que acrescentar, continue nesse caminho, e em breve você estará reconhecida nos meios culturais. Parabéns.

  7. mkalves
    27 de abril de 2015

    Rodeios demais para narrar a comédia romântica que o próprio conto quase critica. A linguagem não combina com o monólogo interior de um bêbado que está se apaixonando, mas a história e as cenas se apresentam ao leitor com a clareza necessária.

  8. Cácia Leal
    27 de abril de 2015

    Não gostei do título, a única coisa que tem a ver com o texto é que é tão desconexo como todas as falas do casal (sei que foram criadas propositalmente… rs). De qualquer forma, o conto está muito bem escrito e o autor demonstra um grande conhecimento de mundo e uma excelente criatividade. Parabéns pelo conto!

    Suas notas:

    Gramática: 9
    Criatividade: 10
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 8
    enredo: 8

  9. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Espero que o autor ainda esteja vivo para receber minhas felicitações quando da liberação dos comentários por aqui! 😉
    Lembrou-me o “Castelo de Areia”, numa versão animada(rs!) estilo “Noiva Cadáver”. 🙂
    Parabéns pela obra!
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

  10. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Gostei do conto, valeu a leitura, gostei da forma como desenvolveu, tem a parte romântica, mas também tem o humor, umas boas sacadas… Me lembrou algumas comédias românticas, ou ao menos daria um bom roteiro no estilo…
    Emoção: 1/2
    Enredo: 2/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 9

  11. Fil Felix
    26 de abril de 2015

    Achei o conto um pouco confuso, não associei algumas coisas do início com o meio. O fim ficou legal, com a parte do bichinho e tudo o mais, mas no geral o conto não me saltou os olhos, com o diálogo um pouco arrastado.

    *Não entendi a piada da muçarela kkkk

  12. Rodrigues
    26 de abril de 2015

    No começo não tava achando nada bom, mas quando começa esse diálogo insano que vai ficando cada vez mais surreal e desemboca num mergulho ao mar, o conto meio que “bateu”. Se a intenção foi levar o leitor nessa viagem relaxante, deu muito certo comigo. No mais, achei o tema proposto muito bem aproveitado, nunca imaginaria um conto assim com essa temática. Parabéns ao autor.

  13. Pedro Luna
    25 de abril de 2015

    Interessante diálogo. O autor domina e o deixa instigante. Fosse ruim, seria uma tortura ler, pois é basicamente a força do conto. Gostei.

  14. vitor leite
    25 de abril de 2015

    gostei desta história, bem desenvolvida e que consegue agarrar, embora pense que falta um pouco de cheiro a mar e o som do mar, mas parabéns, gostei de ler. só mais uma coisita, fui eu que atirei esse tema, desculpa se ficou ruim para ti!

  15. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) é um conto de uma longa cena, embora muita coisa seja referenciada, como o passado suicida dos dois. Mas é uma cena muito gostosa de ler. As referências ao tatuí e ao pedaço de comida preso no dente foram os pontos fortes.

    ✍ Técnica: (4/5) texto irônico muito bem escrito, com belas metáforas e um humor na medida pra mim.

    ➵ Tema: (2/2) noite na praia (✔).

    ☀ Criatividade: (3/3) como disse acima, achei muito criativa a saga do tatuí e do pedaço de carne. Mesmo numa história de amor (sempre clichê), você conseguiu elementos muito criativos.

    ☯ Emoção/Impacto: (4/5) achei um texto muito divertido, de um tom irônico prefeito pra mim. Muito gostoso de ler. Parabéns!

    Acho que já reparou nesse problema:
    ● Falência Múltipla de *Órgãos*

    • Leonardo Jardim
      30 de abril de 2015

      Relendo agora, entendi a piada do “orGrãos”, desculpe a mente lenta de um pai sonado.

  16. Swylmar Ferreira
    23 de abril de 2015

    O texto atende ao tema e está dentro do limite estipulado.
    Bem escrito (vi pequenos erros que não prejudicam o texto). A trama é boa, bem condizente com o tema. Conto bacana.

  17. Pétrya Bischoff
    21 de abril de 2015

    Como bem apontou o personagem em alguma passagem, “como comédias românticas”. Gostei de algumas coisas, mas não muitas. Há um jogo de sedução muito clichê, onde são usadas aquelas metáforas meio escrotas… Não sinto que haja uma narrativa propriamente dita, mas um “contar” das coisas que aconteceram na praia. A escrita apresenta palavras rebuscadas, o que, de maneira geral, não combina com o tom despreocupado de um entardecer na praia. Mas enfim, boa sorte.

  18. Eduardo Selga
    20 de abril de 2015

    Apesar de conter alguns equívocos em sua construção, o(a) autor(a) usa uma linguagem interessante por nem sempre ser óbvia, e muitas vezes ser um tanto anárquica e contextual, ou seja, determinadas frases podem não fazer muito sentido em si mesmas, mas quase sempre isso se desfaz se o leitor construir a ligação contextual, exercício ao qual nem todos estão dispostos.

    Essa linguagem lembra muito a usada pela juventude contemporânea, em que existem, deliberadamente, lacunas no discurso que dificilmente são preenchíveis por quem não pertença ao grupo ou não esteja afinando com a geração. Lacunas que não se referem a palavras não ditas, e sim a palavras e expressões ditas de um modo pouco usual a alguns (sem ser gíria), forçando, como disse, o exercício de ligação contextual.

    Talvez por isso algumas coisas eu não tenha entendido.

    Quando o narrador diz “[…] garota legal que não quer roubar órgãos encharcados de álcool”, quais órgãos seriam esses? Roubar tem o sentido de furtar? Estaria se referindo à moça talvez interessada nos órgãos sexuais do personagem (ou seja, na transa), e ele estava bêbado? Tendo a considerar esta possibilidade, mas tenho dúvidas quanto à frase.

    No trecho “Quase não me dou conta, pois um pedaço de algo, que um dia já foi alguém, está preso entre os meus dentes pouco acostumados com invasões”, a palavra ALGUÉM me parece bem inadequada, pois ela sempre é usada para fazer referência a uma pessoa, e pelo contexto não me parece que o personagem tenha mastigado quem quer que fosse.

    Sem abandonar a boca e os dentes do personagem, em “Digo, enquanto tento insistentemente encontrar a linha lépida e inconveniente refugiada na minha boca”, LINHA se refere a um resquício de comida, ficamos sabendo disso no fim, mas é uma palavra inadequada por ser inespecífica.

    GRAMATICALIDADES

    Em “[…] não pode faltar o trabalho na manhã seguinte”, a regência do verbo FALTAR exige, pela norma, que o complemento seja AO TRABALHO.

    O correto é MERITOCRATA e não MÉRITOCRATA.

    Ao redigir o neologismo PIRATOFÔBICA houve um erro: seria PIRATOFÓBICA.

    Falta o ponto de interrogação ao fim do trecho “Fale baixo, nós estamos numa praia. Não percebe que está colocando a minha vida em risco”.

  19. Jowilton Amaral da Costa
    19 de abril de 2015

    Excelente conto. Ótimos diálogos, entrelaçados com reflexões bem engraçadas. O autor demonstra entender do riscado. Boa sorte.

  20. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de abril de 2015

    Muito bem abordado o tema por um cara que tá pra lá de bagdá no luau. Se não fosse um luau, esse personagem seria um desperdício! Você ambientou muito bem o conto, dando total credibilidade a um bêbado chato. Parabéns pela sacada e pelo brilhante trabalho.

  21. Felipe Moreira
    18 de abril de 2015

    Um luau divertido. com direito a uma companhia parecida a Scarlett Johansson. Não pude evitar de ler todo o texto imaginando a própria atriz na praia com ele, nesse flerte, até engraçado. haha
    Gostei da narrativa, principalmente das referências, o que deu uma densidade pro protagonista. Ele soou mais real, mais humano. Algumas personagens são manequins.

    Gostei do texto, afinal. Parabéns e boa sorte.

  22. Virginia Ossovski
    17 de abril de 2015

    Moderno demais para mim… rsrsr me diverti com alguns diálogos mas não consegui gostar muito do conto em geral. Apesar disso, reconheço o talento do autor e sua habilidade na escrita. Parabéns e boa sorte!

  23. Tiago Volpato
    13 de abril de 2015

    Tem algo de interessante no texto, mas achei ele um tanto travado. O conto não flui, parece que as frases foram forçadas uma atrás da outra e achei os diálogos não naturais.

  24. mariasantino1
    12 de abril de 2015

    Oi!

    Não tenho muito o que falar sobre esse texto, e não é por admirar o trabalho do Rafael Sollberg (se eu não estiver enganada), mas é que serei muito repetitiva, uma vez que adoro essa ironia ácida e bonita impressa nos textos dele. Todas as tiradas (incluível essa do Giordano Bruno — que diabólico isso) foram muito bem-vindas, e esse flerte “cabeça” é dá um ritmo é igualmente agradável para narrativa. Gosto da maneira que espalha e depois vem amarrar os personagens.

    Parabéns!

    Média — A nota para esse conto será: 9 (nove)

    Abraço!

  25. rubemcabral
    9 de abril de 2015

    Gostei do texto, divertido, cheio de frases de efeito e reflexões mundanas.
    Achei muita graça dos diálogos afiados, embora pense serem pouco prováveis entre pessoas com altos níveis de sangue no álcool.

    Bom conto!

  26. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    Meio confuso para minha percepção. Talvez outros vejam o que eu não capto. Já até pensei que ele comeu a Scarlett Johansson, e estou falando em alimento mesmo, se bem que, a outra sugestão para comeu também é válida.

  27. Anorkinda Neide
    7 de abril de 2015

    haha
    eu gostei bastante, é um texto engraçado na medida certa, eu acho. Não é exatamente irônico…é engraçado. E ao mesmo tempo, terno.
    O autor(a) fez um belo trabalho aqui, descontraído, pareceu-me que escreveste fluentemente, sem preocupações e angústias…hahah será mesmo?

    Parabens

  28. José Leonardo
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a). A atmosfera me lembrou uma produção do desafio Música cujo cenário era um bar e um ex-casal se encontra — seu conto é tão bom quanto. O apuro ortográfico, a maneira inteligente e versátil de fugir de lugares-comuns e a criatividade na elaboração das sentenças qualificam, a meu ver, “Cicatrizes Mal Formatadas” como um dos mais destacados contos deste certame. O estilo extremamente cativante mistura ironia, lucidez, autodeboche… Os diálogos constituem beleza à parte: troca indireta de informações, nenhum clichê, ainda que confuso às vezes (propositalmente, registre-se: a deliberada falta de sincronia/obviedade entre perguntas e respostas na verdade nos diz muito mais dos personagens).

    A escrita cristalina praticamente me fez rebaixar a importância da ação do enredo. Este tema, na minha opinião, geralmente leva o escritor a carioquices detestáveis (bar — amigo de chope — garota vindo — conversa barata — sedução sem gosto… O leitor até imagina o chiado infinito de “x” e “s” nas palavras — não me levem a mal, não é preconceito linguístico, estou falando de repetições, quase tiques literários). No presente texto, nada disso — pois tudo muito inteligente, um bom argumento e um final que pode enganar: não é tão simples ou corriqueiro, uma vez que contém algo de valiosíssimo para o protagonista.

    Parabéns pelo conto, autor(a). Abraços e boa sorte neste desafio.

  29. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Tudo em cima? Foi golpe baixo seu citar a Scarlett…

    Sobre a técnica.
    Muito boa! Daquelas que a gente sente uma inveja branca, Gostei bastante de como você desenvolveu a história,e da forma diferente que foi aflorando os sentimentos das personagens. A caracterização e a personalidade também foram pontos fortes na trama.

    Sobre o enredo.
    Comum, mas inegavelmente bom. As coisas podem ser as mais comuns possíveis, mas se o autor souber como contar, elas se tornam grandes histórias a serem ouvidas/lidas. Gostei de como o personagem despretensioso vai se envolvendo com a guria, e no final descobre que uma conversa jogada fora resultou em algo bom, Essa química criada entre os dois foi verossímil e até palpável. Ah, Scarlett…

    Sobre o tema.
    Mais um daqueles que achei nada a ver, mas a capacidade do autor não deixou que fosse um texto monótono ou chato. Pelo contrário, transformou em um deleite.

    Nota.
    Técnica: 9,0
    Enredo: 9,0
    Tema: 9,0

    Parabéns pelo ótimo conto!
    Boa sorte!

  30. Alan Machado de Almeida
    5 de abril de 2015

    Agora o texto pareceu separado, não sei se por um problema do site ou do meu pc. De qualquer modo os parágrafos ainda estão muito grandes.

  31. Andre Luiz
    5 de abril de 2015

    Olá, cara(o) Gemma! Seu conto é bastante crítico, pelo que percebi, e recheado de alusões e comparações. Isto para mim é o maior ponto positivo. Todaiva, senti que tudo isso gerou muita confusão ao ler a trama, e você acabou introduzindo algumas comparações onde certamente não era interessante colocá-las e outras onde ficaram deslocadas. Enfim, gostei do enredo central, porém nem tanto da forma como você o narrou.

  32. simoni dário
    5 de abril de 2015

    É um texto que convida a leitura mais pela habilidade do autor do que pela história. Que habilidade invejável (inveja branca…)! É até difícil comentar de tão bem escrito, bem narrado e espetacularmente inteligente. Mas da história mesmo, não gostei tanto. É aquele tipo de texto que de tão certinho e redondinho chega a ser chato. Sem desmerecer, é só opinião, o que não tira as qualidades do autor, que já citei.
    Enfim, gosto pessoal à parte, é um bom conto, sem dúvida.
    Boa sorte!

  33. Gilson Raimundo
    4 de abril de 2015

    O texto passou bem o tema escolhido, o tatuí se tornou um personagem/alegoria marcante no texto cheio de referencias, o fim não foi tão bom assim, apesar do prêmio ao parceiro fiel que ganha a imensidão do mar.

  34. Claudia Roberta Angst
    3 de abril de 2015

    Li o livro The Sun also rises de Hemingway na faculdade. Creio que foi para Literatura Comparada, não lembro agora. Engraçado, é o segundo conto que faz referência a esse livro de Hemingway. Aliás, caro autor, quantas referências no seu texto!
    Não é uma leitura muito fluída, muito menos fácil, mas bastante interessante. Claro que a possibilidade de se perder no meio de tantas informações cresce ao longo da narrativa. Senti um excesso de esforço do autor em mostrar todas as suas qualidades enquanto narrador. Pesou a mão em algumas passagens, mas isso é uma opinião pessoal.
    Quanto à linguagem, não tenho o que criticar. Não encontrei erros à primeira vista. O autor sabe lidar bem com as palavras, trabalhando as frases com propriedade.
    O tema proposto foi desenvolvido, sem dúvida. Só fiquei confusa em alguns pontos porque o nível de informações e referências superou meu raciocínio. Lerei novamente.
    Boa sorte!

  35. Fábio Almeida
    3 de abril de 2015

    Extraordinária a forma como o conto fluí por tantas zonas. E o diálogo… Arrebatador! Humorístico, fiel à cena (alcoólica), e erudito! Parabéns. Gostei imenso. Noite na praia que, sem dúvida, fiquei a invejar =P

    Parabéns ao autor

  36. Fabio Baptista
    2 de abril de 2015

    Olá,

    Sinceramente não sei muito bem o que comentar sobre esse conto.

    Achei alguns trechos (muitos trechos, aliás) absolutamente geniais. Mas acho que faltou um pouco de cimento para unir esses tijolos e deixar com mais cara de história do que de um monte de (ótimas) reflexões jogadas à brisa do mar.

    Mas no geral, gostei muito.

    NOTA: 8

  37. Rafael Magiolino
    2 de abril de 2015

    Achei a escrita tão confusa que não consegui me decidir a respeito do conto. Encarei mais como algo casual, sem um começo nem fim. Além do mais, sem a especificação do tema, não posso avaliar se o texto se encaixou ou não.

    No mais, abraço e boa sorte!

  38. Brian Oliveira Lancaster
    2 de abril de 2015

    E: Impressionante. Nota 10.

    G: Um conto cotidiano com metáforas, poesia e arquitetura diferenciada, fazendo inúmeras referências a musicas e poetas conhecidos. Não é fácil juntar tudo isso e sair um texto coeso. Um evento simples, mas transformado em uma história instigante, com leve lição de moral e bom humor. Nota 9.

    U: Nenhuma palavra ou construção me incomodou. Somente o estilo SPC, síndrome dos parágrafos colados, é que me distrai bastante. Pode ter sido a formatação do blog, na hora de colar, mas ficaria muito melhor com espaços para retomada de fôlego. Nota 7.

    A: Bem, tem tudo a ver com o tema, apesar de bater em um clichê comum de noitada. Nota 7.

    Média: 8

  39. Alan Machado de Almeida
    2 de abril de 2015

    Seu texto está muito bem escrito, mas por que você tomou a decisão de fazer o texto em parágrafo único? Isso cansa muito a leitura. Fico só imaginando o trabalho que você deve ter tido para rever o conto, já que não percebi erros. Tive que parar e voltar umas três vezes para ler sua história.

  40. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    A história é legal, mas a formatação dela não ajuda, deixa meio confusa até. Ficou um estilo meio Jack Kerouac.

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Publicado às 1 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .