EntreContos

Detox Literário.

Ana Cristina Cesar (Eduardo Selga)

ana21

Vivo a lhe escrever uma carta que, tenho certeza enquanto fumo e desarranjo levemente as ondulações de meu cabelo, nunca chegará a termo ou, quando muito, não tão cedo, prezado leitor — você que agora é também testemunha, mas só de certa maneira —. Algumas palavras foram entregues à vítima. A outra metade, ninguém — você tampouco —­ conhecerá exatamente. É sussurro. Alguma coisa, porém, lhe digo aqui, se quiser ler. Só não me peça lealdade aos fatos, por gentileza. Reproduzir o real sem nenhuma aquarela é para os que não pretendem incomodar o mistério da existência. Se escrevo é porque ensaio uma tentativa de dissolução desse enigma.

Sim, pois a solução, ah… desisti. Não vai entender nunca, ele.

Caminha nas fímbrias agora, depois que leu. A centímetros do precipício, descalço, coração rasgado, autoestima querendo se suicidar, todo ele sangra por dentro uma dor que, sabe, é inumerável. Tudo o mais, novos dias lhe forem concedidos de vida, será pior. Por isso quase pede ao deus, no qual desacredita piamente, as forças necessárias para se arremeter, se arrebentar lá embaixo; que sua mão sem talento se parta em pedaços, vire cascalho e assim se misture às rochas, à correnteza do mínimo rio que, sem maiores pressas… E continua ouvindo a voz, que também é a dele, a cochichar tempestades, fosse ele o mais danado dos diachos: “vem… vem me matar tanto quanto possível…”.

— É possível?!

Se você, leitor, estivesse lá como eu, teria ouvido esse grito dele, vindo dos escuros da alma, saindo pela boca uma pestilência que respinga. Preste atenção, se abeire. Consigo pela palavra fazer você veja ali, descendo a ribanceira como um vômito, aquela mancha escura? É sangue e pus escarrados, porque dentro da boca havia lábios que não os dele. É também dor. Não se abisme, pode entrar, a casa é sua.

Mas o apartamento é morto. Tão logo se deu conta do que fizera, o grito desesperado. Tentou correr de seu universo para outro qualquer, como se existissem fronteiras evidentes entre ambos e pudesse, na correria, ultrapassá-los. Perseguiu-se dentro de si, vencendo cipoais, querendo a saída da mata fechada. Era preciso imediatamente fugir dela. Lerá do que falo, leitor, se você acender a luz. Mais ou menos sólido, o “corpo” dela estará a teus pés.

Ana Cristina Cesar entrou quando noite na Rua Tonelero e no apartamento, horas depois de ter se suicidado. Sentada no silêncio noir das coisas, permaneceu abismo, óculos redondos, pernas cruzadas, como quem esperando. Tão distraidamente. A composição desses elementos resultava imagem clichê, mas era a única que tinha no momento e já não fazia sentido brigar por mais nada, construir outra. Aguardava.

Eu vi. Quando ele chegou, parecia um galeão desgovernado, bordejando à esquerda e à direita no oceano de noite e imenso de sua casa. Chegou lunático, todo dragão repleto de luas que, femininas, faziam- lhe bruxedos na alma. Quis xingar todas as putas que o pariram, na verdade perguntar: onde o porto seguro que todos diziam ser o equilíbrio e o bom senso? Cansara-se sobremaneira da vida. Por isso tentava caminhos novos, outras águas, escrever literatura. Mas, santo Deus, como ele era chinfrim… Parnasiano, aguado, sabia-se um sapo-tanoeiro a cantar musas tão falsas que pareciam usar muletas e dentaduras. Redundante, rimas fáceis, tal qual o mais igual dos fulanos de tal.

Fico a imaginar seu agastamento, leitor exigente que você é, reclamando desta carta que não chega a lugar nenhum. Muito antes, aderna. E você está absolutamente certo. É que, como eu disse no princípio, é um grande rascunho, muitas estradas que não levam, mas caminham, e isso é o mais importante. Não gostou? Oh, lástima… Mas não rasgue as palavras, ainda. É que…

Tão logo se deu conta da inesperada presença da suicida, jogou suas âncoras no meio da sala e já desenhava retumbâncias, exijo explicações, quando ela, seco sorriso no escuro, lhe entregou esta carta que você, leitor, tem diante de si. E o fez movendo apenas os músculos essenciais à tarefa — ainda lhe doíam as dores sentidas no ato da morte, certamente.

­— Toma. Rumina bem as palavras aqui escritas não por mim, que eu mesma já cansei. Uma narradora as escreveu. Não ajuda a esclarecer o enigma da minha morte, mas por outro lado seu despeito pouco se lhe dá com isso. É uma carta cifrada, e nela há uma receitinha de bolo para ser um escritor aplaudido.

— Você morreu! Eu mesmo suicidei você!

— Seu incompetente… Não foram aquelas suas palavras ao telefone, há tempos eu já considerava a ideia. E, de algum modo, a narradora já sabia do meu propósito. Leia com atenção.

Queria acalentar dissimulado para sempre uma enorme delícia mentirosa: a certeza de ter sido o responsável pelo suicídio de Ana, morto de inveja de seu talento, eleita sua inimiga pessoal desde que lera seu primeiro livro. Esse gozo, a sensação de homicida que permanece enigma, ela também havia retirado dele, ao entregar-lhe a carta. É injusto!!! Para ele que não pretendia mais que fazer uns parnasianinhos dentro da fôrma, de repente Ana surge modernosa, transbordando ritmo no texto e ainda se dá ao luxo: “Tantos poemas que perdi”.

Aos pouco foi permitindo o sangue inundar os olhos, saliva tomando todos os espaços da boca porque ódio é varíola raivosa que, se invade, se instala. Ao ver aquele fantasma solidificando-se à sua frente não leu a carta: aos gritos agarrou o pescoço de Ana, mulher impassível. Esbofeteava-a, mordia pedaços da “carne” assombrada.  Poetastro cada vez mais naufragante, ela ria, mordaz.

A mordidas arrancou os lábios dela, sua boca se entupia de matéria purulenta à medida que o corpo fantasma de Ana desabava. Ele se sentia barquinho de papel em poça d’água enquanto Ana, mantra, repetia e repetia:

— Você deve caminhar na lâmina fina do abismo mais próximo, vencendo a vontade

de

atirar-se

nele…  Conseguindo isso, desafiando a morte e causando na vida a necessidade de morrer, eis a fórmula que você tanto fantasia na tentativa de aprimorar seus versos constrangidos.

Leu? Adeusinho.

Copacabana, inverno, 1983.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Enigma”, sujeito ao limite máximo de 1000 palavras.

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42 comentários em “Ana Cristina Cesar (Eduardo Selga)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Adoro, adoro contos em forma de carta, diário, em fim, esse estilo. Esse é curtinho mas ficou muito bom. O alge é quando o moço começa a arrancar pedaços de Ana… Ao menos é o que dá para entender. Conto muito bem escrito, e muito bem adequado as mil palavras. Oh, conheci a famosa Ana cristina tão comentada pelos outros participantes.

  2. Jefferson Reis
    28 de abril de 2015

    Para que uma narrativa me conquiste, por mais íntimo-existencialista que seja, precisa me oferecer dêiticos. Preciso de referências, nomes, lugares, um tempo qualquer. Porque ficção dá e tira, uma areia movediça, nunca certeza, sempre possibilidade. Se o narrador se recusa a me oferecer uma referenciazinha, fico irritado, brigo com ele. Em “Ana Cristina Cesar”, felizmente, as referências vieram a tempo. Cheguei a engrossar com o narrador, é verdade, fechei a cara, balancei a cabeça diante de seu diálogo presunçoso, mas então surgiram eles, ele e ela, a história, o rancor e a inveja. E tudo isso é ficção e não tenho certeza.
    Adorei o conto!

  3. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Flaviano! Acho que o grande enigma do seu conto é que ele não é um conto, mas um poema. Bela maneira de abordar o embate entre o autor e aquilo que ele pensa criar. Parabéns e boa sorte!

  4. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Ana Cristina César, para quem não sabe, foi uma poetisa “noir” da geração mimeógrafo, que suicidou-se em 1983, jogando-se da janela do apartamento de seus pais na Rua Toneleros, Copacacabana. Você inicia com o recurso de “chamada ao leitor”, que depois usará novamente. É um recurso muito interessante e recomendável, que você usa muito bem. Seu conto “baseado em fatos” ficou muito bom e sua versão para o suicídio de Ana Cristina César é muito criativa. Citar os versos da Ana Cristina é uma técnica muito interessante, confesso que já escrevi uma poesia em homenagem à poetisa Rosália Sandoval desse jeito. Termino com os versos da Ana Cristina, que pareciam profetizar seu suicídio:
    Mocidade Independente
    “Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem
    medir as consequências. Por que recusamos ser proféticas? E
    que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra
    cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma
    graça atravessando o estado de São Paulo, de madrugada, por
    você, e furiosa: é agora, nesta contramão.”(Ana Cristina César)

  5. mkalves
    27 de abril de 2015

    Não é coisa para ler com pressa, e adoro isso. Como só pude ler uma vez porque estou atrasadíssima nas leituras, algo me escapou, mas gostei bastante do tom e da proposta deliberadamente tentando confundir o leitor. Me senti de volta às leituras dos tempos da universidade… lá pelos idos finais dos 80 início dos 90.

  6. Cácia Leal
    27 de abril de 2015

    Muito confuso o texto. Linguagem pesada e difícil de compreender. O autor não foi muito criativo ao falar de seu tema. Acho que o conto merece ser mais trabalhado no enredo, em vez de nas palavras rebuscadas. Elas mais confundem, que elucidam. A própria escrita transformou-se no enigma do conto.

    Notas:

    Gramática: 7
    Criatividade: 5
    adequação ao tema: 8
    utilização do limite: 9
    emoção: 3
    enredo: 3

  7. Rodrigues
    27 de abril de 2015

    Achei floreado demais, há frases muito cheias de adjetivos em que não encontrei sentido para a narrativa. Por outro lado, pode-se interpretar essa junção de diversas imagens em frases longas como uma forma de aproximação ao personagem que tenta ser escritor. Uma inserção da própria dificuldade que o personagem tinha em escrever nas linhas do próprio conto? Mesmo assim, não achei interessante. O final também me pareceu bastante misterioso, mas nada impactante. Diferentemente de outros contos que já li por aqui, de narrativas que se sobrepõe numa multiplicidade que se completa, neste texto não consegui encontrar tal substância, parece-me um emaranhado de memórias tentando criar uma narrativa, mas sem sucesso.

  8. Pedro Luna
    25 de abril de 2015

    Cara, eu sou um jumento para esse tipo de conto. Não saco quase nada. Bem escrito, mas não posso criticar porque não entendi a ideia por trás. No entanto, ganha pontos comigo por ser uma construção difícil, mas não cansativa e nem chata. Desculpe autor, no momento é o máximo que posso fazer.

  9. vitor leite
    25 de abril de 2015

    história enigmática que nos agarra até ao fim, não consegui para de ler até saber o final, muitos parabéns

  10. Pétrya Bischoff
    25 de abril de 2015

    Pois bem, meu registro desse texto dá-se em dois momentos. Minha primeira impressão foi de uma escrita belíssima (até o fim) mas uma narrativa muito confusa, até a cena da entrada dela no apartamento, não estive entendendo nada. A passagem que dialoga com o leitor em “Fico a imaginar seu agastamento, leitor exigente que você é, reclamando desta carta que não chega a lugar nenhum. (…)”, me fez rir e concordar, pois só pensava que havia muito potencial na escrita, onde a narrativa não ajudava. Quando nesses diálogos ou monólogos entre ela e seu suicida (?), gostei muito e aos poucos fui entendendo que ele era outro, e causa de seu suicídio. Terminei a leitura e, de ímpeto, pesquisei Ana Cristina César, que não conhecia, e entendi todo o conto, contado (ou deduzido) de uma história real. Aqui apresenta-se o segundo momento de minhas impressões, ainda acho a primeira parte do texto muito confusa, mas li alguns fragmentos dessa poetisa e entendi que o autor tentou dialogar com isso. Gostei da ideia do conto de maneira geral, e minhas ressalvas são para a confusão inicial (que também pode-se justificar pela recém morte dela, slá). Parabéns e boa sorte.

  11. Swylmar Ferreira
    24 de abril de 2015

    O texto atende ao tema e está dentro do limite estipulado para o conto.
    Bem escrito,mas a linguagem não objetiva atrapalha por exemplo no trecho (Tudo o mais, novos dias lhe forem concedidos de vida, será pior), a trama também é de difícil entendimento.Reconheço a dificuldade do tema e do limite. De qualquer modo desejo boa sorte.

  12. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (2/5) boiei bonito. Gosto de textos assim, mas confesso que não tenho muito tempo pra ler e reler várias vezes. Entendi muito pouco do texto, pra ser sincero. Adoro enigmas, mas odeio não conseguir solucioná-los 😦

    ✍ Técnica: (5/5) não entendi nada, mas não posso deixar de elogiar o texto: muito poético, bonito e bem escrito. Merece a nota máxima nesse quesito.

    ➵ Tema: (1/2) o texto fala que ele próprio é um enigma, mas, como fui incompetente em decifrá-lo, não posso afirmar que realmente existe.

    ☀ Criatividade: (2/3) a forma como apresentou o enigma (o próprio texto) foi muito criativa.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) embora tenha apreciado muito a poética do conto, fiquei frustrado por não compreendê-lo e não resolver o enigma proposto. Espero que alguém descubra, pois ficaria muito triste de vê-lo sem solução.

  13. Fil Felix
    21 de abril de 2015

    Se o intuito foi criar um enigma, onde o leitor precisa ficar procurando peças pra entender o todo, parabéns kkkkk Mas, infelizmente, não curti. Achei confuso, muitas partes não peguei se foram erros propositais ou não (visando o tema proposto). Muitas mudanças foram abruptas, não sabia quando era o narrador, quando era a carta, outras narrativas. Talvez se fosse um pouquinho mais claro, o entendimento se daria melhor.

  14. Thales Soares
    21 de abril de 2015

    Não gostei.

    Sinceramente, não consegui entender nada. Acada linha eu ficava mais confuso. Não consegui compreender onde do conto o tema foi aplicado. Sera que todo o conto é um enigma que precisa ser desvendado para o leitor compreender. A propósito, esse tema é um tema incrível, eu esperava uma leitura bem mais empolgante, ainda mais depois de ver tantas pessoas elogiando o conto la no facebook. Mas comigo não rolou… Eu não consegui me identificar com a obra. Mas tenho certeza que foi escrito por alguem muito habilidoso.

  15. Ricardo Gnecco Falco
    21 de abril de 2015

    Gostei. Tem mistério, personalidade e, claro, ‘enigma’. Lembrei de minhas guerras com certa personagem de um Romance escrito quando mal tinha formado barba no rosto; que queria porque queria decidir o rumo de minha (minha?) história. Além de não me deixar “suicidá-la”, ainda quis empurrar para o ‘abismo eterno’ a protagonista da trama. E pior que conseguiu tudo isso e mais um pouco…
    Bem, pelo menos serviu para eu resolver ficar um (bom) (ótimo) tempo escrevendo (só) narrativas curtas. Contos.
    E, por falar em Conto, este aqui está ótimo. Tem até brincadeiras dimensionais na própria escrita. Claro que a Poesia me amolece os sentidos… Mas… Gostei, ora bolas! 🙂
    O que será que houve em 1983…? 😛
    Parabéns e boa sorte!
    😉
    Paz e Bem!

  16. Jowilton Amaral da Costa
    19 de abril de 2015

    É um bom texto. De uma ironia fina, ao meu ver. Mesmo sem conseguir decifrar o enigma, eu gostei muito da viagem que fiz ao lê-lo. Boa sorte.

  17. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    19 de abril de 2015

    E o enigma continua um enigma: qual o enigma? Só encontrei um “s” faltando num plural, sem muita importância; de resto a técnica está nos conformes da boa escrita, sem precisar aprimorar versos constrangidos. O que se precisava, sem constrangimento, é mostrar um enigma mais acessível como enigma, já que a essência do fenômeno enigma é não vir com a solução no kit.

  18. Felipe Moreira
    19 de abril de 2015

    Um texto curto, visceral que aborda o que há de enigma na vida. Algumas partes me pareceram confusas sobre Ana e a relação com o narrador. Talvez eu tenha tirado a impressão errada do texto, ou apenas diferente do que ele pretendia passar sobre o enigma. Eu li um conto que entrelaçou os mundos físico e filosófico. Uma carta que se fez explicar o suicídio através de uma ficção.
    Eu gostei do texto, mas me peguei nessa sensação de não ter compreendido e estar ruminando uma ideia estúpida da real mensagem que você pretendia passar.
    O texto tem boas descrições do ambiente, o apartamento, o tom noir que denota não só o humor, mas a carga de energia da história.

    De todo modo, parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  19. Virginia Ossovski
    17 de abril de 2015

    Que enigma, hein? Eu juro que não entendi nada, vou só me recolher à minha insignificância porque acho que esse conto não é pra mim. Li duas vezes, acho que tem alguma coisa que me escapou… Parabéns ao autor, boa sorte no desafio !

  20. Tiago Volpato
    17 de abril de 2015

    Não gostei muito. Achei o estilo confuso, parece que você só jogou palavras após palavras pra montar o texto. Mas aí cheguei no final e vi o tema. Realmente, combinou muito bem. Fico um pouco envergonhado por não ter gostado 😦

  21. simoni dário
    16 de abril de 2015

    Um texto que é um completo Enigma, de tão bom, difícil comentar. Não é fácil escrever assim, você transborda confiança na sua escrita, ao contrário do personagem. Eis um conto diferente na “fórmula” e que me agradou bastante. Parabéns!

  22. Sidney Muniz
    16 de abril de 2015

    Bom, é notável!

    Adorei o conto e a ideia genial do autor(a) para com a aplicação do tema.

    O conto começa realmente meio enigmático, tipo assim, o que ele, ela ou eles querem com isso? Fiquei meio perdido no começo, completamente no meio, e me reencontrei no fim.

    Não vi muita coisa quanto a língua pátria, o que vi foi tão irrisório que nem me atrevi a apontar, então só me resta torcer pelo autor(a) e dizer que o mesmo(a) já é uma vencedora por escrever/criar/suicidar personagens e interagir tão bem com o leitor através de um tema tão instigante num limite tão curto de palavras.

    Parabéns e boa sorte!

    Nota dez esse conto!

  23. rsollberg
    15 de abril de 2015

    Um ótimo conto!
    Mistura história e ficção. Tem algo de autobiográfico, mesclando referências literárias e fatos notórios.

    O texto é conduzido com bastante segurança, as frases são construídas com extremo zelo como: “A composição desses elementos resultava imagem clichê, mas era a única que tinha no momento e já não fazia sentido brigar por mais nada, construir outra.” e “Redundante, rimas fáceis, tal qual o mais igual dos fulanos de tal.”

    Ótimas analogias como: “Ele se sentia barquinho de papel em poça d’água.”
    Bem, é uma espécie de releitura ficcional para um evento trágico (também ousei fazer algo nesse estilo no desafio músicas), a morte da poetisa.

    Tudo permanece um enigma, e como todo bom enigma é essencial que permaneça assim. Tentei fazer algumas !ligações” entre os personagens, tentei trazer o Caio, destrinchar a tal receita de bolo… c´est la vie!!!

    Parabéns autor, um texto para ser apreciado.
    Boa sorte no desafio.

  24. mariasantino1
    12 de abril de 2015

    Olá!

    Esse texto gerou conversas ali no grupo do FB, eu fiquei curiosa para lê-lo, mas contive esse impulso e segui lendo na ordem (exceto o conto de 19 mil palavras). Bem, Ana, vamos ao significado que dei ao texto, mas já adianto que virei correndo assim que o desafio terminar para ver as demais teorias, pois inda agora, não sei se estou correta (embora um bom texto seja aquele que se permite várias interpretações).

    Já li que Arthur Conan Doyle sentiu inveja da sua própria criação (o Sherlock Holmes) e decidiu matá-lo, pois o detetive era muito mais popular que seu criador. Nesse sentido, vi que você seguiu também nessa linha, uma vez que Ana é pseudônimo (ou alter ego) do “fazedor” de versos parnasianos. Essa passagem auxilia a ter esse entendimento. –>>>>> “Para ele que não pretendia mais que fazer uns parnasianinhos dentro da fôrma, de repente Ana surge modernosa, transbordando ritmo no texto”… Ou seja, Ana é voz do próprio escritor, é ele mesmo –>>>> E continua ouvindo a voz, que também é a dele, a cochichar tempestades … porque dentro da boca havia lábios que não os dele. —>>>> Nesse sentido, o suicídio só pode ser feito por si mesmo, então ele quis deixar de ser ela (deixar de ser o pseudônimo). A receitinha de bolo no final do texto foi muito bem- vinda. Tentarei segui-la embora já imagine o meu fracasso.

    Parabéns pelo texto tão grande num limite tão curto.

    Média — Por todos os motivos acima mencionados, pela condução, conversa, oferta de reflexão, a nota para esse conto é: 9 (Nove).

    Abraço!

    • mariasantino1
      12 de abril de 2015

      A imagem também mostra a construção de um personagem. Gostei bastante desse conto e das possibilidades de interpretação. Acho que alguns autores conseguem isso mesmo, e depois da primeira liberdade (escrever não sendo a si mesmo — nem sei se isso está correto), vem algumas psiquês, mas a morte, o suicídio de um pseudônimo, um alter ego nunca é completo, acredito mesmo que sempre volta, pois como se livrar do que está em nós?

      Novos parabéns!

      • mariasantino1
        19 de abril de 2015

        Voltei porque gostaria de deixar claro que usei a palavra pseudônimo querendo escrever, na verdade, Heterônimo. Escrever sob pseudônimo é o que fazemos no presente desafio, porque somos nós mesmos com nomes diferentes, enquanto Heterônimo é tentar não ser mais você mesmo. Ana é, na verdade, Heterônimo do fazedor de versos (agora ficou mais claro) 😉

  25. rubemcabral
    10 de abril de 2015

    O conto é bem escrito, mas não compreendi o enigma metalinguístico e, portanto, terminei a leitura frustrado. Há algumas frases bem interessantes e poéticas, contudo.

  26. Neusa Maria Fontolan
    8 de abril de 2015

    No meu entender, “enigma” é o conto todo, não consegui decifrar nada.

  27. Anorkinda Neide
    7 de abril de 2015

    Eu gostei bastante, exceto pela conversa com o leitor, que eu nunca gosto!
    mas a poética do texto está bonita e o final é uma poesia fina, delicada, enigmática, como toda poesia deve ser.
    Parabens

  28. José Leonardo
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Você aproveitou bem o tema; o enigma em particular (sobre o suicídio real de A. C. C.) mais outro (uma espécie de chave para escrever literatura intimista) criaram um grande nó-de-interrogação, uma superestrutura enigmática na minha cabeça. Foram doze leituras atentas, as últimas, quase extenuadas, até que eu chegasse a compreender (será que compreendi?). Do macro ao micro, me vi repentinamente tentando esquadrinhar o texto, tentando dissecá-lo e esmiuçá-lo ao nível sub-âtomico.

    Não conheço a obra de Ana Cristina Cesar; sei que traduziu poemas, entre eles os de confessionais americanos (Sylvia Plath, por exemplo), e que cometeu suicídio (Plath de novo). Tampouco estou a par do contexto motivador da morte dela (Ana), e pensei — ou cheguei a pensar — que um dos personagens fosse um homem envolvido de certa maneira na tragédia (o qual não conheço). Talvez um poeta, mas certamente um rival odioso e invejoso, que se acha o causador do suicídio. Este desconhecido recebe a carta que poderá libertá-lo da mediocridade e abrir sua mente criativa em definitivo. Quanto ao narrador-personagem, observador de tudo e sabedor da situação — é mais difícil de ser identificado. Por isso, dou um palpite para tentar solucionar este mistério (palpite a mim mesmo).

    Ana C. teria disfarçado a própria voz e, digamos, “dualizado” a personalidade? Será ela quem escreve eternamente a carta? Pois o narrador parece citar a si mesmo ora em primeira pessoa, ora em terceira. Assim sendo, (na minha cabeça) Ana Cesar e o narrador-personagem são um só e entregam a carta ao outro escritor (que sabidamente pode ser QUALQUER UM DE NÓS) ou a nós mesmos coletivamente — no status de “leitores”.

    O que “ajuda” a tornar o entendimento caótico é o excesso de orações com sujeito indeterminado (sério, quase abandonei duas vezes devido a isso), além do fato autoevidente do participante deste certame QUERER perpetuar o enigma (não fazer questão de que seja descoberto).

    Agora, sobre o estilo: não é ocasional, mas ele me remete a outra escritora-enigma (como Cesar, Plath, Dickinson etc.) que admiro e me afasto ao mesmo tempo: Clarice Lispector. Quando a leio, é como se buscasse a compreensão fora do texto, como se Clarice desenhasse a chave do mistério nas entrelinhas, ou pior, num papiro ocultado sob o papel manuscrito). Atraiu-me grandemente a poesia, autor(a), atraiu-me o esforço longitudinal (contido na força literária) para eternização do enigma e, sobretudo, abro os olhos para o(a) grande poeta por trás do presente conto.

    Preciso ressaltar que seu texto, autor(a), foi o que mais me fez tropeçar em minhas próprias (e imensas) limitações técnicas (e de teoria literária) enquanto leitor/comentarista: ainda estou em dúvida se realmente entendi cabalmente o mistério de “Ana Cristina Cesar”.

    Abraços e boa sorte neste desafio.

  29. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, Charada! Tudo bem? Vou ter que ler seu conto mais uma vez, acho…

    Sobre a técnica.
    É requintada, bem escrita e principalmente enigmática. Gostei disso, pois captou exatamente a essência do texto.

    Sobre o enredo.
    O que é Aninha, afinal? A inspiração necessária para que ele saia do pieguismo? Uma pessoa real “suicidada” pela inveja? Eu, sinceramente, não sei dizer. Porém, o tom empregado na narrativa conseguiu me conquistar. Gostei de como você trabalhou todo o conjunto. A escrita me lembra a de Musas Marcianas Selvagens.

    Sobre o tema.
    Foi bom ou não foi? Isso aí é um enigma…

    Nota.
    Técnica:?
    Enredo:?
    Tema;?

    Parabéns e boa sorte! 😉

  30. André Lima
    6 de abril de 2015

    Me distraí diversas vezes durante o texto. A ideia é muito boa, você também tem um vocabulário muito interessante, mas ao meu ver faltou um pouco de técnica para prender o leitor.

  31. Bia Machado
    5 de abril de 2015

    Olha, é um enigma mesmo! Li de uma vez só, talvez eu volte e leia com mais calma, mas nessa leitura posso dizer que gostei muito da forma, da estética do conto. É claro que não entendi tudo, acredito que não. Mas eu não ia conseguir deixar de ler até o final, pra ver onde isso ia dar, rs. Mesmo que tenha sido uma incógnita até o final. Algumas construções me causaram estranhamento. E fiquei em dúvida se seriam erros de digitação, ou gramática, ou figuras de linguagem utilizadas. Mas como isso não interferiu na minha leitura, por mais que esteja enigmático o texto, considero-o gramaticalmente bem escrito.

    Parabéns, então! Muitas partes chegam a ser líricas, eu gostei muito disso.

    E indo aos critérios:

    Emoção: 2/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 2/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 9

  32. Andre Luiz
    5 de abril de 2015

    Olá, cara Ana(póstuma) Cristina! Seu conto foi bem misterioso como imaginei ser, e confesso que me surpreendi com a veia poética que você imprimiu em suas construções. Contudo, não sei se é o estilo empregado ou o excesso de sugestão que me fizeram não entender o contexto geral. Em um momento, havia um personagem na praia/à beira de um penhasco, e em outro, estavam no núcleo da Rua Toneleiro(que, por sinal, lembra-me muito bem do atentado à Carlos Lacerda). Daí tiro algumas conclusões: Ou Ana Cristina estava durante o atentado e, por algum motivo qualquer não suportou a pressão – já que tudo sugere que foi um suicídio; ou Ana é uma personificação da própria literatura, em que, ao citar parnasianos e modernistas, poderia soar como uma alusão à “repulsa” com que muitos escritores viram e ainda veem o movimento modernista e sua revolução literária antropofágica. Mesmo assim, muito mistério paira a respeito deste enigma. Espero ter conseguido sacar ao menos um pedaço do enredo… Boa sorte!

    • Andre Luiz
      5 de abril de 2015

      Não me interprete mal, mas acho que fui mais fundo do que na realidade é… Quem sabe depois os leitores não ganhem uma explicação sobre o real mistério envolvendo Ana Cristina César?

  33. Gilson Raimundo
    4 de abril de 2015

    O texto fala direto ao leitor, como é sobre enigma eis que misteriosamente o autor(a) usa de todos os meios tentando convencer o leitor a abandonar a leitura, quase conseguindo. Uma narrativa que usa certa poesia enfadonha com expressões rebuscadas,….mas é um enigma…

  34. Claudia Roberta Angst
    3 de abril de 2015

    Afff… mergulho profundo na prosa poética. Claro que gostei da melodia das suas palavras compondo imagens densas. Claro que também me perdi nesse enigma de significados sem muita lógica. No entanto, gostei dessa perdição toda, desse naufragar de sentidos. Identificação, talvez.
    Não encontrei erros ou lapsos de revisão. Fiquei imaginando,durante a leitura,qual seria o tema abordado. Surpresa! Não era nada daquilo em que tinha pensado.
    Não é um conto de fácil assimilação, embora bem agradável de ser lido. Há mais subjetividade do que qualquer coisa em minha análise. Gostei porque gostei e pronto. Boa sorte!

  35. Alan Machado de Almeida
    2 de abril de 2015

    O conto discorre mais sobre o tema suicídio do que enigma, mas isso não o diminuiu. O final foi surpreendente e bem simples. Gostei

  36. Fabio Baptista
    2 de abril de 2015

    Então… não entendi nada.

    Está bem escrito. Não escrito de um jeito que me agrada, mas bem escrito.

    Infelizmente o enredo me deixou completamente à deriva.

    NOTA: 5

  37. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    Estranho. Tem lá seu sentido aqui e ali, mas há algumas pontas soltas que não parecem se ligar (ou desconheço o sentido delas). Não vi muita coerência…

  38. Rafael Magiolino
    2 de abril de 2015

    Um texto muito parado e repetitivo, mas que, de certo modo, encaixou bem com o tema. Não compreendi de todo a mensagem que o autor tentou transmitir, porém não foi um conto ao todo ruim

    Abraço e boa sorte!

  39. Brian Oliveira Lancaster
    2 de abril de 2015

    E: Complexo como o tema. Nota 8.

    G: Lembro-me de um texto que fiz mais ou menos assim em desafios passados (“Recomeço, Um registro do início do fim”), pois me pareceu que lendo de baixo para cima, parágrafo por parágrafo, faz mais sentido que a construção original. Se tiver algo dentro do texto, não consegui captar. Geralmente os autores de textos assim deixam uma chave para desvendá-lo. Aqui não encontrei essa chave. Muito bem escrito e abusa da metalinguagem. Vou ter de ler de novo – espero sinceramente que realmente tenha um enigma ali e não apenas uma referência. Até o final do desafio essa nota pode mudar. Nota 7.

    U: Nada de relevante. Nota 9.

    A: Completa, pois estou boiando até agora com o mistério da carta, do fantasma e do narrador onisciente. Nota 8.

    Média: 8.

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Publicado às 1 de abril de 2015 por em Multi Temas e marcado .