EntreContos

Detox Literário.

Mundo Paralelo (Vitor Leite)

As pernas esticadas debaixo da mesa, os pés na areia, olhos fechados e face voltada para o céu. Ouço, mais uma vez, que a inspiração não cai do céu. Sim, já sei, mas tens que concordar comigo que “ciberpunk” não existe, ou melhor, não é para mim… nem sei o que é isso!… A minha mulher atirava gargalhadas ao ar.

– Quero escrever sobre isso, mas não como temática ficcional de um futuro longínquo, quero mostrar esse mundo como sendo hoje!

Ela responde, entrecortando com gargalhadas, …toda esta luz é muito semelhante… faz mesmo lembrar esse ambiente fantasmagórico… ui… e aqueles corpos na praia fazem mesmo lembrar esse universo do cibe-lá-essa-coisa!… só esta minha alegria é quase o mesmo… isso não é o teu mundo, não é deste mundo!

– Mas não conheces alguém que me possa ajudar… dar umas dicas… que seja a minha fonte de informação… sei lá!

– Não leves isso a sério, esse mundo não existe! – respondeu, deixando-me liquefeito, sem força para bater nas letras. Melhor, com vontade de bater em muitas letras, principalmente nos cês nos is nos bês nos és nos erres…. Depois de um silêncio ainda ouço um “isso não é para ti…”. Enfio-me em mim tentando ficar deitado na cadeira. Os óculos afastavam-me dali, levavam-me, embora para uma curta distância, um pequeno afastamento… Eram escuros mas não o suficiente para me transportarem para esse mundo do ciberpunk. Talvez o Frank te possa ajudar, recebo pelos ouvidos como se fosse um murro no estômago ou uma chicotada em costas nuas.

– Desculpa? Como dizes?

Tiro as mãos dos bolsos e suplico que me dê o número do Frank, já que será o único salvador…

– Liga do meu!

– Não porque depois vais cobrar… – respondo

– Muito bem, só digo isto uma vez: nove um dois dois zero sete…

– Espera, espera aí, é um dois ou dois dois?

– Hum!?… um dois…

– Dois uns?

– Ai!… Não aguento essas parvoíces…! Vê tu! e agora o que vais fazer?

– Ligar! Dizer quem sou e explicar o que quero e… aguardar a resposta dele.

Marquei os números e nem esperei pela resposta, e nem me apresentei pois ele soube quem falava, pelo sotaque, pelo tom da voz, ou como dizem, pela cor da voz. Cumprimentos apresentados e trocados, e sim está tudo bem com a minha mulher… e, fui directo ao assunto, mas comecei a ficar pequenino com as respostas que chegavam, que me violavam os ouvidos. Ainda troquei do esquerdo para o direito, mas o mal estar aumentava, provocando uma enorme vontade de desligar, de reclamar de… sei lá o quê! Desligo como se fosse o comando da televisão quando no futebol perdemos ou quando o politico nos mexe nos bolsos e nada podemos fazer.

– Ninguém se chama Frank, depois do Frankenstein ninguém se chama Frank, só mesmo este!

– Vem aí o fim do mundo?

– Não sabe de nada… ora…

O discurso é interrompido pelo som do telefone, na ânsia de ouvir rápido boas notícias nem um segundo se ouviu aquele som estridente. Sim … ah!… Frank… Ok… sim, lembro… sim… boa ideia… hum!… sim… não tens que pedir desculpa… agradeço muitíssimo, um abraço.

– Problema resolvido? Perguntou ela.

– Nem perto disso… o teu amigo não sabe de nada… mas a filha lembrou-se do vídeo de uma cantora islandesa, transformada em robot… lembras-te?

– ?!

– Era uma face branca e o resto do corpo uma máquina… metálica…

– Puf… só não percebo a importância disso para o desenvolvimento do teu texto!?…

Quem nada tenta agarrar-se ao que pode, por isso não vou parar… eu lembro-me de a ver, lá essa cantora, toda desmontada… era uma cara com uma estrutura metálica articulada… tenho que falar com ela para perceber esse mundo…

Não me vais dizer que acreditas nisso! Foi um vídeo…Não a deixei continuar, disse que sabia que ela esteve doente, desapareceu e voltou a aparecer naquela figura, mas que era tudo imagem… Será? Perguntei a mim. Será que não era verdade e tudo o que fizeram serviu para todos pensarem que era montagem?! O que é isso da verdade?

Olha mulher, nós temos a mania que conhecemos sempre alguém, que conhece quem nós queremos abordar. Neste momento tens que me ajudar a chegar a alguém que conheça a cantora na Islândia…

– Já agora!… e porque não a ela diretamente? Isso é a loucura completa… Esqueceste novamente a medicação? Olha este sol!…. Esquece essa cena de nome esquisito…

– Não! a sério… Frank!… desculpa outra vez, preciso de algum contacto na Islândia para falar…

Ouço um: estava aqui a falar disso e pensei naquele escritor que esteve lá…

(Eu com um sorriso enorme).

– Isso! És um santo!… número e tudo! Está bem, espero vinte minutos e ligo, assim dá tempo para explicares… Só não te beijo porque estás longe! Temos que nos encontrar, mas agora não posso perder mais tempo… abraço!

Estou a viver na loucura completa, atirou a minha mulher do outro lado da mesa, e continuou, não acredito que isto esteja a acontecer… até estou com medo de acordar no meio de uma noite escura… sem este ar… sem gente normal à minha volta… já nada é real…

Silêncio.

Se o tempo tivesse um ritmo constante, teriam passado os vinte minutos, mas não, naquele momento parecia que o tempo tinha parado… tudo parado como o silêncio. Aqueles vinte minutos eram uma tarde inteira, com noite e manhã incluídas… até o sol estava parado, como um eclipse total. A qualquer momento veríamos a invasão do cinzento, da não realidade, da não existência. Na ponta dos dedos dança o cigarro, dança por esse ar acima, acabando quando dá lugar a outro. Como as pessoas, os cigarros desaparecem em fumo, levitam em direção a lado-nenhum.

Está na hora. Coragem sussurro dentro de mim.

– Mãe?!

– Quando muito PAI! Mas que eu saiba não tenho filhos!

– Desculpe… sou amigo do…

– AH! Já sei! Pensei que fosse para…

– Não… olha… eu… se quiser posso ligar mais tarde…

– Não! Foi uma confusão, uma defesa… podemos falar já! O nosso amigo Frank já me descreveu a sua história…

– Como esteve na Islândia… e… mantém alguns elos com aquela ilha…

– Sim, é verdade, mas… eu não tenho o número de telefone da cantora, mas conheço alguém que mora na mesma rua…

– É eles são tão pouquinhos que eu imaginei isso…

– Pouquinhos?!… eles cabem todos num estádio de futebol!… põe o pé na rua e conseguem falar todos uns com os outros… é quase assim… Olhe, eu vou falar com os meus amigos na Islândia, via net, e depois envio uma resposta para o mail do Frank e vocês entendem-se… certo?

– De acordo… ótimo… nem sei como agradecer… nem o que dizer…

– Mas, em troca tenho um pedido, como imagina eu só costumo falar nos meus livros, por isso, caso eu viva na sua história, peço-lhe para ter algum cuidado com a tonalidade da voz que me der… sempre quis ter uma voz colorida… mas não consigo…

– Também não serei eu a conseguir isso…

A conversa continuou, consegue não consegue, mais cor menos cor… mas para a minha história, quanto menos cor melhor, por isso, o resto da conversa fica em segredo. Mas agora pensando bem: ele não consegue pôr no papel a sua voz e deseja que eu recorra a palavras cheias, com substância, com… mas, para isso era necessário que eu soubesse escrever! Só sei bater nas letras ainda tenho muito que aprender com o que fica entre as letras. Não é nada fácil… agora… pôr uma voz colorida?!

Agora vamos fazer como nas histórias da televisão, e avançamos dez dias, já depois de receber o mail somente com um contacto de telefone.

– Góoan daginn…

– Good morning! – interrompo qualquer tentativa de continuação de emissão daqueles sons estranhos, e, ainda fiz um pequeno compasso de espera com a esperança de ouvir algum som mais comum… mas, não! E, em inglês, pedi para falar com a cantora, mas percebi que ela não estava, só passado dois dias… Não vou transcrever a conversa em inglês, eu sem saber falar, e, a senhora do outro lado, ainda sabia menos… foi divertido! Passados dois dias volto a ligar, repete-se a conversa animada com aquela senhora… Se fosse uma conversa em português, ouvíamos um grito a chamar a cantora, mas, na Islândia só os cantores é que gritam. Passados vinte segundos estava à conversa com ela… rápido… uma vantagem da pequenez da ilha… a nossa conversa ficará em segredo, os famosos gostam sempre dessas coisas, de modo a manterem-se acima de nós, os normais.

Neste momento será relevante resumir a conversa telefónica a uma tremenda deceção, ela sempre tinha estado bem de saúde, as imagens não eram reais, mas ela não podia adiantar grande coisa sobre esse vídeo, pois só tinha posto a voz, e só viu a montagem final, nem participou em nenhuma filmagem… por isso, era tudo irreal… Não podia acreditar! Acabada a chamada começo a fazer sons bem piores que as músicas dela, ou melhor, eram as músicas dela com letra em bom português, com muitos merda! p*ta que pariu… fo+a-se e sei lá mais o quê… Em vez do ciberpunk cheguei ao desespero… DESESPERO COMPLETO!

Mordo os meus lábios, talvez para não gritar. Pego nos óculos escuros de cima da mesa, pouso-os no nariz e nas orelhas, a mão direita penteia rapidamente as sobrancelhas do olho direito, inspiro e quando parece que estou cheio de ar ainda consigo inspirar outro tanto. Expiro enquanto ponho as mãos nos bolsos e me deito na cadeira, enterrando, ainda mais, os pés na areia quente.

Aquele filtro da realidade leva-me sempre para longe.

Dia trinta do mês dois, no ano dois mil e qualquer coisa, é noite, há iluminação no pavimento transformando tudo numa imagem fantasmagórica, negro noite, reflexos metálicos, sons motorizados. Não vejo ninguém. Ao longe, o mar pastoso, de cor escura e espuma amarela, parece querer apanhar as gaivotas. Elas não fugiam nem grasnavam. Tinham um ar pesado, a levantar voo pareciam velhos aviões e não as naves que são. O barulho que elas faziam resultava da sua capa, uma espécie de penas metálicas que raspam umas nas outras e atiram um som metálico para o nosso ouvido… raaamprrr… raaamprrr. Não faziam eco aqui dentro, o som entrava e repetia umas três vezes, sem qualquer eco. Procuro esconder as reações. Os óculos evidentemente ajudam. As tremuras, os sorrisos e a pele de galinha são mais difíceis de esconder. Hoje é assim, principalmente em público temos de preservar a nossa privacidade. Cada vez mais. Somos vigiados constantemente por essa polícia, gentalha que em nada contribui para a nossa vida. Temos que ser amorfos, sem cor, sem voz própria… acaba por ser uma adaptação relativamente fácil, assumimos uma forma igual a tantas outras e somos iguais a todos em tudo. Somos fachada! Sem que ninguém saiba.

Nem sempre foi assim.

Dizem que em tempos havia livros de papel onde a subverssão era transmitida entre todos os interessados. Apesar de a informação ser física, sabiam o que escondiam e de quem. Agora, tudo é virtual e não sabemos de quem nos esconder… Os constantes controlos de anti-virus por onde passamos servem para manter um conhecimento pormenorizado sobre a nossa vida. Quando se liam livros, os humanos tinham a capacidade para guardar na sua cabeça tudo o que lhes interessava. Agora, não lemos livros, vivemos os livros. Mas para quê? Se não podemos ler o que quisermos! Pomos chip, tiramos chip vivemos a história que nos deixam viver, mas não podemos fazer uma escolha… Sentimentos não existem, pomos peça tiramos peça, não sentimos dor… mas não temos a nossa escolha.

Gostaria de ver o sol… nos óculos aparecem mil imagens de sol… Gostaria de ler poesia e logo me aparecem frases de primavera, arvores que crescem e desejos plenamente cumpridos. Gostaria de viver… e logo tenho um polícia a perguntar se está tudo bem se é preciso ajuda.

Acabo a bebida do meu copo, uma pasta tipo óleo conhecida por KW28, parece que substituiu a cerveja, mas não tem gás nem álcool. Mantém o sabor da cerveja e é servida em copo, sempre. Isso de beber pela garrafa é coisa do passado, agora só existe KW28, em copo. Já agora porque será que no futuro todas as coisas têm um nome esquisito? Não sei se é um nome suficientemente esquisito, pelo menos não é tão estranho quanto o sabor. Horrível. A cerveja feita em casa é mil vezes preferível, mas tem que ser produzida às escondidas, de modo clandestino, porque não cumpre a regra WY379 nem a norma 17-hZ3-062 e a lista podia continuar. Eis o futuro onde os nomes são esquisitos e os sabores são sensabores.

Levanto-me e decido dirigir-me para o underground, procurar os perfeitos imperfeitos, gente que vive à parte. Não há guerras entre esses mundos, talvez seja uma cedência do controlo, vendo o que se passa por lá conseguem dominar muito melhor a vida por aqui. Estava uma chuva pequenina, quase se podia agarrar o ar, moldá-lo, um perfeito chorinho que parecia não molhar. A rua estava triste, sem ninguém, talvez nas sombras e atrás das janelas houvesse alguma respiração, mas à vista, nada. As janelas estão sempre sozinhas, sós e pacíficas, procuram não interferir, ao contrário das varandas que invadem o espaço, intervêm. As pessoas deviam ser como essas varandas e não se limitarem a viver umas frases atiradas por alguém diariamente na net, quase sem sentido, ou melhor, fora de qualquer significado.

Frio.

Encostado na parede do bar, sinto o corpo a envelhecer como se fosse uma gelatina no frigorífico. Via o fumo dos cigarros à mistura com o vapor solto pelas bocas. Frio e escuro. Sinto um bafo quente no pescoço acompanhado por uma voz quente: em silêncio dá um passo atrás, boca fechada e olhos também. Silêncio e vem para trás. Não te vires!… assim, como se não acontecesse nada… vamos… isso! Agora, mãos atrás das costas! Com alguma atenção percebo que são várias as vozes que me controlam. Calma, calma, respondo, sou homem, só faço uma coisa de cada vez… Calma… mas já não consegui dizer mais nada, já estava vendado e despido de todos os chips da nuca e dos pulsos.

Ouço abrir uma porta, pousar algo, imagino que sejam os meus chips e o bater de porta. Agora, sim, és um homem, ouço junto do meu ouvido. Já tinha ouvido falar nesta vida paralela ao underground, embora acreditasse tratar-se de um mito. Dizia-se que a invasão dos subterrâneos tinha começado com um protesto por falta de acontecimentos, contra o excesso de rigor. A perfeição nunca foi o caminho, já deviam saber. A manifestação acabou com uma invasão do metro, parece que comandada por um tal de Sotnoc-ertne, ninguém sabe bem como pronunciar isso, simplesmente Soutonoquertne, com sotaque inglês So-tknow-airtnai ou de um modo mais lento Sotenoquertene. Talvez seja uma personagem imaginária, daquelas que existem dentro de nós e que conseguimos ver em todo o lado. Talvez sejamos nós virados do avesso, ao contrário, numa qualquer língua, num dialecto perdido… Talvez sejamos nós em frente de um espelho. A procurar o nosso eu, não um eu qualquer, mas o verdadeiro nesse espelho. O mais seguro é não ser mesmo nada. Nada.

Aqui vivemos à maneira antiga, deixamos as tecnologias de controlo à porta e vivemos os velhos modos de escrita. A escrita livre. Sem condições nem controlos. Permanecia de olhos vendados, a andar não sei por onde, e registava na memória o que ouvia. O frio que sentia reforçava o negro. Eu, que adoro ouvir com os olhos, de desenhar os traços dos lábios enquanto atiram palavras, importantes ou sem qualquer sentido, poesia ou bulas de medicamentos, palavras cheias ou listas de compras, e agora chegam-me sons que não sei como são feitos, qual a matéria daquelas palavras. Podem ser palavras com corpos esculturais ou ocas, simples merdas atiradas ao ar que sujam onde caem. Eu, que gosto de ser um surdo momentâneo e ver as bocas a fabricar palavras encontro-me vendado, como se estivesse a viver um silêncio ruidoso, à procura de saídas deste labirinto. Por aqui, talvez não se procurem saídas, talvez se pretenda viver estes caminhos completamente desconhecidos, mitológicos… tentando chegar a um paraíso.

Este é novo, ouço, nunca foi visto por aqui, … (sussurro impercetível) … tínhamos parado algures, com um cheiro a mofo ainda mais forte, era mofo misturado com amoníaco, e, sentia algum frio. Um frio que provocava alguns arrepios, embora talvez seja um frio psicológico, havendo fortes possibilidades de resultar do facto de me sentir observado. Imaginava-me no meio da sala rodeado de gente, como se fosse um escravo à venda ou um homem prestes a ser alvejado.

Tiraram os óculos? Respondo que não uso. Ouço gargalhadas à minha volta. Neste mundo os óculos não são para ver melhor… chamamos óculos aos chips que te controlam o que vês, o que ouves… controlam-te a vida com aquela merda.

O discurso continuou a sublinhar o bom e o mau dos chips. Podíamos ler livros atrás de livros sem desfolhar páginas, a bem dizer era um disco externo ligado ao cérebro. A ideia inicial era fantástica, mas por trás do ramo de flores estão os espinhos. Eles, seguramente, já tinham tudo previsto, com as coisas boas vêm as más, sempre bem camufladas, bem embrulhadas, bem caladas… e, em silêncio, envolvem-nos como amantes de sangue quente e derretidos, deixamos de ver o que nos rodeia.

Falavam agora do conteúdo dos meus chips, já sabiam o que tinha em mim, onde ia, o que fazia… estava cada vez mais nu, ali rodeado não sei por quem, sem ver onde estava. Sentia-me um velho a precisar de colo. Era estranho ouvir a minha vida, parecia estar a ver-me na televisão, mas às escuras. Estava a passar por uma qualquer cerimónia de inicialização, era um ritual qualquer. De repente, estava envolto num silêncio aterrador.

(…)

Se ninguém se opõe que fique o silêncio. Esta frase ecoou, lêncio… êncio… cio. Ainda hoje a ouço. De seguida, como uma explosão começou uma festa em meu redor. Tiraram-me a venda e fiquei com os braços soltos. O espaço era negro, muito negro, ou talvez os meus olhos não estivessem habituados àquele ambiente, quase perdi o equilíbrio. Abri mais os olhos o mais que pude com a cabeça voltada para baixo, não era suficiente, e abri a boca, como um peixe fora de água, engoli o máximo de ar possível, mas os olhos viam tudo negro. A luz aparecia e escondia-se atrás dos corpos que se moviam à minha frente como árvores articuladas pelo vento. Os corpos, transformados numa massa, como um cardume, rodavam em torno de mim, faziam-me rodar sobre mim. Era uma dança. A luz, semelhante a flash de fotógrafos, o som de passos arrastados, a respiração, o toque dos corpos… o cheiro de gente, a minha cabeça começava a pesar para trás, tinha que fazer algum esforço para me manter na vertical, e, havia sempre um toque para a esquerda, e logo de seguida, um para a direita, e para a frente e para trás. Sem dar por mim estava num carrossel de corpos, sentia pele na minha pele, agarravam-se cabelos à minha boca, corpos suados a roçar no meu suor… e, sentia gotas de suor a correr pelas minhas costas. Estava numa dança africana, num qualquer ritual, em que a música era produzida pelos pés a bater no chão e pelo roçar de braços.

Sempre gostei de sentir o vento na cara, mesmo uma simples aragem serve para me tranquilizar, para me levar, para me arrumar ideias. Sinto o movimento dos corpos a passar por mim, sinto o ar a passar e começo a ver tudo mais nítido à minha volta.

Vejo corpos, partes de corpos, pele, uma curva, um sinal, uma tatuagem, uma marca…, desde pequeno que consigo fotografar com os olhos, mas só essas partes interessantes o todo sempre me foi insignificante. Como no ciberpunk, interessa seguramente o que se vê, sejam umas pernas infinitas, ou um sorriso, um olhar, uns seios a fugir da roupa, outros seios a entrar nos nossos olhos, um corpo que nos solicita o olhar ou na verdade somos nós que pretendemos lançar-lhe o nosso olhar. Sempre bocados do corpo, e, os outros elementos até podem ser elementos metálicos, podem nem existir. Olho à minha volto e consigo isolar bocados da paisagem em momentos diferentes. Só isso. Não havia corpos interessantes nem esculturais, somente aquela massa orgíaca, num espaço secreto. Começava a ficar cansado e zonzo, mesmo com dificuldade de me manter na vertical. O chão começava a ficar revestido com corpos amontoados, torcidos e retorcidos. Se não estivesse no presente, podia pensar ter sido arrastado para o extermínio dos judeus… mas aos meus pés os corpos, estes corpos, continuavam em movimento.

Queria sair dali, precisava de saber como. Queria tanto ter para onde ir, podia ser um lar dentro de mim. Gostava de me conseguir ocupar e saber que não seria vigiado. Mas isto é poesia. A poesia é difícil como a vida. Podia continuar a descrever o que se passava ali, mas seria como ler com os olhos de outro, ou como ter o chip a definir-nos a realidade dentro da nossa cabeça. Seria viver com o corpo de outro ou a vida de outro ou…

Estava no bar do hospital, olhava à minha volta e parecia ser o único ainda em pé. Corpos incompletos, cortes expostos deixando bem visível estruturas e mecanismos, rótulas e tubos… O verdadeiro futuro presente, andamos na praia e queremos provar aquele corpo por causa do ombro ou da perna, e ali acontecia o mesmo, antes de olhar para o teto via um seio, um olhar, uma cor de pele e apetecia saber qual o sabor. Ali estava eu, em pé, a olhar para o teto negro, como se fosse um céu sem qualquer estrela. Tudo tão estranho. Uma vontade de deixar o corpo falar… Não de me misturar naquela amalgama de pele, de sentidos e desejos. Não. Era uma vontade de mexer os dedos, bater em letras, não para escrever mas simplesmente para ouvir a música resultante. Era impossível escrever o que quer que fosse naquela velocidade, muito menos pensar no espaço entre letras, medir os silêncios, não era portanto escrita, seria um pianista a teclar em letras, isso, era música não mais que isso. Parecia tudo tão real. Conseguia ouvir aquela música e suspiros, respirações lentas e fortes tudo misturado, como um espetáculo ao vivo, e, via corpos desmembrados, torcidos e retorcidos. Repentinamente um braço agarra-me.

Acordo com um bater de asas de um qualquer pássaro, ou seria uma corrida de criança em direção à areia? Ou uma simples brisa de vento?

Tiro os óculos como se fosse o fim de um eclipse qualquer, de um eclipse da vida. Suspiro ao ver o mar ao fundo, inspiro como se conseguisse agarrar aquele cheiro de uma só vez. Passo a mão na cabeça e havia chip. À minha volta corpos esculturais, deitados sob o sol… aquelas pernas… mais à direita, os ombros que se prolongam… fecho os olhos e suspiro. Sinto vontade de voltar àquele lado escuro tão próximo daqui, mas sempre tive dificuldade em viver os mesmos sonhos depois de sair.

Sim é uma brisa de vento, não sei se a mesma, mas sinto uma leve brisa que me faz sorrir. Ouço a mulher a dirigir-se a mim: «Ciberquê? Onde desencantaste tal coisa?» Encolho os ombros, pego nos óculos, pouso-os nas orelhas e no nariz. À minha volta ninguém, consigo ouvir o eco da minha respiração, e, negro, escuridão absoluta… nem o meu corpo vejo. Tento mexer os braços e não consigo tocar em nada, passo pelo meu corpo como se não existisse. Sinto na face a passagem do ar resultante do meu movimento.

…………………………………………………………….

Este texto foi baseado no tema “Cyberpunk”, sujeito ao limite máximo de 4000 palavras.

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44 comentários em “Mundo Paralelo (Vitor Leite)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Preciso ressaltar o uso das reticências! Acredito que elas foram exageradas. Gosto desses três pontinhos, mas o uso constante tirou um pouco o charme do texto. O tema eu não conheço de forma tão aprofundada. Não consegui me prender. As reflexões que você fez dentro do texto ficaram boas.

    • vitor leite
      29 de abril de 2015

      obrigado Tamara e vou ter atenção com as reticências, de facto é um vicio meu! também não gostei do tema, mas tentei escrever.

  2. André Lima
    28 de abril de 2015

    O texto, para mim, foi extremamente cansativo. Faltou uma melhor revisão do autor também. O uso de reticências excessivo e, a frase seguinte sendo iniciada por letra minúscula, só mostrou a falta de atenção e a pressa de se postar o texto.

    A história é até interessante, mas não curti a forma que foi contada.

    • vitor leite
      29 de abril de 2015

      só posso pedir desculpa André. a intenção era as reticencias terem uma continuidade na conversa, não interromperem a frase, percebes? mas já vi que não funcionou.

  3. Wilson Barros Júnior
    28 de abril de 2015

    Um conto sobre a escrita de um conto é chamado metaconto. è uma técnica literária pouco usada, mas de um efeito muito bom. O texto é também carregado de humor, a discussão entre o marido e a mulher. O autor quer significar que já estamos em um futuro cyberpunk. De qualquer forma, é interessante a busca de inspiração pelo escritor. Finalmente temos o “Efeito Matrix”, o cyberpunck propriamente dito, e o lamento pela perda do mundo real, que é bastante bem escrito. a explicação final descerra o mistério do conto. Uma boa abordagem da distopia cyberpunk.

    • vitor leite
      29 de abril de 2015

      muito obrigado, você foi dos poucos que percebeu a minha intenção! e o português de Portugal parece que não foi obstáculo para ti! um abraço

  4. Cácia Leal
    28 de abril de 2015

    O conto parece escrito em português de Portugal. Vc é de lá?
    No início da trama, achei que a história iria se desenrolar para um lado, mas ela toou outro rumo, que acabou me desmotivando na leitura. Achei bastante confusa a trama e me perdi diversas vezes. No fim, acabei não gostando muito.
    Encontrei alguns errinhos de português, seja o conto escrito no português “brasileiro” ou não.

    Notas:

    Gramática: 7
    Criatividade: 7
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 6
    enredo: 6

    • vitor leite
      29 de abril de 2015

      sou de cá, e estou cá, no Porto, conheces? desculpa não ter saído bem, mas… fica para a próxima! agora também me parece uma história confusa, tenho que repensar a escrita da próxima.

  5. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá, Felizardo! Acho que não estou acostumado com o estilo e com o tema, pois todo o clima de pessoas misturadas com máquinas me pareceu meio estranho. Ainda não tenho certeza se entendi o que se passou, fiquei perdido no metatexto. Foi uma boa experiência, no entanto, obrigado por me apresentar este estilo. Parabéns e boa sorte!

    • vitor leite
      29 de abril de 2015

      obrigado Wender, espero continuar a procura de novos modos de escrita pq escrever sempre igual não se descobre nada.

  6. mkalves
    27 de abril de 2015

    Gosto do português de Portugal. Sempre me encanta um bocado. Fui entrando pelo texto com gosto até a cena do telefonema, que é tão vaga que me deixou a mesma sensação incómoda do protagonista. Que diabos Frank diria para desgostar tanto assim nosso inquieto curioso sobre cyberpunk? Mas fui seguindo e mesmo com o desfecho sem graça da cantora islandesa, deu ganas de seguir. Fiquei encantada com o trecho do protagonista vendado, porque mesmo antes da menção ao labirinto, pensei em Borges, na agonia que pode ser sido sua cegueira. Depois foi muita reviravolta para minha ignorância em cyberpunk e confesso ter ficado um pouco confusa. As imagens que o texto evocou para mim, entretanto, valeram bem a leitura!

  7. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Não gostei muito, não conseguiu me cativar e foi complicado chegar até o final. Não sei se dá para dizer que é cyberpunk, acho que ficou meio apagado o tema, apesar de a parte cyberpuk ter ficado bacana. E acho, só acho, que este conto é d’além mar, rs. O espaço era de 4000 palavras, e deve ter chegado perto disso, mas… acho que podia ter terminado antes, ter sido encurtado, enxugado bem… Dê uma boa revisada no conto depois, ok?

    Emoção: 1/2
    Enredo: 1/2
    Criatividade: 1/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 6

  8. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Não sei o que foi que o autor bebeu nessa praia, mas o conto ficou “no grau”! 😉
    O Sergio Ferrari iria adorar ler isso aqui! 🙂
    Bem, o começo pareceu-me apenas uma desculpa para o autor dizer ao leitor que não sabia do que se tratava o tema e tal… Mas, depois de um longo lenga-lenga, surge como que por mágica todo um (insano) universo Cyberpunk. Surpreendeu-me esta trajetória tomada “às cegas” pelo confesso desconhecedor do assunto, o autor.
    Comecei a ficar fã da história lá pelo momento em que, no tal universo paralelo (aliás, caberia muito bem dentro deste tema também), é contada uma história sobre a liberdade da escrita. Louca e sem aprisionamentos verbo-gramaticais. Sem regras. Nem limites.
    Imediatamente, minha mente remete o formato à Hilda Hilst; e seu estilo todo particular de escrita. Contudo, a existência de acentuações leva esta rápida suposição embora.
    A volta para a praia foi bem sacada pelo autor, criando um “pseudo-nexo” na trama e a fechando de forma circular, dentro dos padrões aceitos por uma sociedade não cyberpunk. 😉
    Parabéns pela obra! Boa sorte!
    🙂
    Paz e Bem!

  9. Pedro Luna
    25 de abril de 2015

    Pô, que o autor me desculpe, mas não gostei. Achei o início bem confuso, com diálogos que na minha opinião não foram bem escritos e isso prejudicou todo o resto para mim. : /

  10. Fil Felix
    25 de abril de 2015

    Achei a linguagem estranha no início, mas depois percebi que se trata de pt-pt. Não sou chegado nesse estilo, em que o narrador começa a questionar-se sobre a temática pega, criando uma metalinguagem (todo desafio vejo algo nessa pegada).

    O início foi interessante, essa ligação com a Bjork, mas a partir do meio até chegar no fim, entrou num turbilhão de acontecimentos que não consegui absorver muito, achei confuso. Um Matrix feat. País das Maravilhas, mas sem uma liga pra deixar mais consistente.

  11. Eduardo Selga
    25 de abril de 2015

    Acredito que tenha faltado ao conto uma coesão melhor entre suas partes, de modo que o conjunto ficasse mais harmônico. Sinto-o como porções mais ou menos isoladas e sem um clímax.

    Aqui um detalhe: não acho que um conto precise necessariamente vir num crescendo até atingir o clímax, como se fora um orgasmo, desde que ele, a partir de o início, já mostre um “núcleo atômico”, que não precisa ser exatamente a trama: a própria linguagem pode fazer esse papel, de modo que o interesse do texto fique por conta não do enredo e sim da construção dele via linguagem. Muitos contos excelente têm um enredo pífio, mas o modo como foram elaborados faz toda a diferença.

    No entanto, a linguagem usada no texto não apresenta nenhum colorido especial. Logo, a trama precisaria ser melhor trabalhada de modo a, inclusive, não desperdiçar algumas interessantes imagens futuristas narradas, como os corpos desconjuntados.

    E o(a) autor(a) parece ter potencial para lapidar sua linguagem, tirando um pouco o peso que dá à ação e sendo mais sutil, afinal narrar é mais deixar nas entrelinhas do que explicitar tudo. Nesse trecho abaixo, por exemplo, percebe-se esse trabalho, um modo diferente de conceber uma situação bastante simples. Este trecho foi bastante valorizado pelo uso da prosopopeia, algumas das quais destaco em caixa alta.

    “A RUA ESTAVA TRISTE, sem ninguém, talvez nas sombras e atrás das janelas houvesse alguma respiração, mas à vista, nada. AS JANELAS ESTÃO SEMPRE SOZINHAS, SÓS E PACÍFICAS, procuram não interferir, ao contrário das varandas que invadem o espaço, intervêm. As pessoas deviam ser como essas varandas e não se limitarem a viver umas frases atiradas por alguém diariamente na net, quase sem sentido, ou melhor, fora de qualquer significado”.

    GRAMATICALIDADES

    A construção abaixo achei bem estranha, talvez seja comum em território lusitano (acredito que o autor seja português).

    “Quem nada tenta agarrar-se ao que pode, por isso não vou parar…”. Parece estar faltando palavra para fazer sentido pleno.

    Nesta há um erro de concordância:

    “cortes expostos deixando bem visível estruturas e mecanismos, rótulas e tubos…”. O correto seria VISÍVEIS.

    • Jefferson Reis
      30 de abril de 2015

      “Quem nada tenta agarrar-se ao que pode, por isso não vou parar…”.
      Parece-me que o “nada” se trata de um verbo.

  12. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (2/5) não gosto de muita metalinguagem, principalmente da forma como foi usada, citando o desafio. O conto demora a entrar no cyberpunk e, quando entra, acaba rápido. No restante do texto, o autor foi um pouco prolixo, como se tivesse decidido utilizar todas as 4000 palavras disponíveis.

    ✍ Técnica: (3/5) o texto constrói umas imagens bonitas, tem umas reflexões interessantes e umas metáforas legais, mas o fato de não usar aspas ou outra marcação para separar os pensamentos e falas em voz agora das inserções do narrador (ver abaixo), deixa o texto confuso e, consequentemente, cansativo.

    ➵ Tema: (1/2) fui eu quem sugeriu esse tema com esse limite. E, por isso mesmo, estava esperando mais cyberpunk e menos metalinguagem. Escolhi esse tema justamente para tirar alguns autores da zona de conforto, mas é um subgênero bem difundido (como é também o steampunk, vaporpunk, space opera, etc.). Queria ter visto mais.

    ☀ Criatividade: (1/3) não achei muito criativo.

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) confesso que tive dificuldade de ler todo o texto. Até chegar o cyberpunk, parava toda vez sem conseguir continuar. Depois que começou, foi mais rápido e gostei. Pena que foi pouco.

    As falas em voz alta do narrador ou de outras pessoas deveriam vir destacadas entre aspas e/ou itálico. Encontrei as seguintes:
    ● Sim, já sei, mas tens que concordar comigo que “ciberpunk” não existe, ou melhor, não é para mim
    ● Talvez o Frank te possa ajudar
    ● Sim … ah!… Frank… Ok… sim, lembro… sim… boa ideia… hum!… sim… não tens que pedir desculpa… agradeço muitíssimo, um abraço.
    ● Não me vais dizer que acreditas nisso! Foi um vídeo…
    ● Estou a viver na loucura completa … não acredito que isto esteja a acontecer… até estou com medo de acordar no meio de uma noite escura… sem este ar… sem gente normal à minha volta… já nada é real…
    ● Não te vires!… assim, como se não acontecesse nada… vamos… isso!
    ● Calma, calma, …, sou homem, só faço uma coisa de cada vez… Calma…
    ● Agora, sim, és um homem
    ● Aqui vivemos à maneira antiga, deixamos as tecnologias de controlo à porta e vivemos os velhos modos de escrita. A escrita livre. Sem condições nem controlos
    ● Este é novo, …, nunca foi visto por aqui
    ● Tiraram os óculos?
    ● Neste mundo os óculos não são para ver melhor… chamamos óculos aos chips que te controlam o que vês, o que ouves… controlam-te a vida com aquela merda.
    ● Se ninguém se opõe que fique o silêncio

    Outros problemas que encontrei:
    ● Problema resolvido? *travessão* Perguntou ela
    ● deceção (decepção)

  13. Rodrigues
    23 de abril de 2015

    Não gostei, essas divagações iniciais que não chegam a lugar nenhum foram demais para mim. Achava que o intuito era encontrar uma história, ou fazer do “encontrar a história” o próprio conto no universo cyberpunk, mas a temática não se solidifica, não é criada, fica flutuando como mero fantoche em meio a mais divagações e pensamentos fragmentados.

  14. Swylmar Ferreira
    23 de abril de 2015

    O texto atende ao tema e está dentro do limite estipulado.
    O conto está bem escrito, poucos erros perceptíveis. A linguagem usada pelo autor (lusitano, parece) é objetiva e a trama é linear.
    É uma viagem este conto, bem interessante a visão do autor sobre o tema.
    A conclusão, não entendi. Mas trata-se de um estilo diferenciado.
    Boa sorte.

  15. Pétrya Bischoff
    21 de abril de 2015

    Eita! Acredito que pela confusão inicial com a temática, eu mesma poderia ter escrito esse conto. Mas enfim, a confusão me parece tanto proposital como inevitável, sinto que o autor realmente não sabia exatamente como escrever, mas saiu-se bem. Toda aquela primeira parte introdutória me pôs em seu lugar, ao passo que os diálogos já eram meio surtados… ligações para pessoas desconhecias ou inexistentes?! Pois bem hahaha. E quando entra em toda a viagem do conto em si, há muita coisa imaterial descrita de maneira viva, com êxito. A escrita, propriamente dita, carrega uns v´cios estranhos, mas interessantes. A estória é meio confusa, mas tem seu mérito, e eu gostei. Parabéns e boa sorte.

  16. Jowilton Amaral da Costa
    20 de abril de 2015

    Bom conto. Uma narrativa bem peculiar, as vezes poética, que de quando em quando parece travar a leitura fazendo a estória fluir muito lentamente, o que me incomodou um pouco, da mesma forma que a quantidade incontável de reticências, também me afligiu. Fiquei um tanto na dúvida sobre a adequação ao tema, o importante mesmo é que viajei legal lendo o texto. Boa sorte.

  17. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de abril de 2015

    Foi muito bem num tema difícil como esse! Ainda bem que te deram um espaço razoável. Parece que você é de Portugal ou de outro país com o português diferente do brasileiro e ainda mostra que se esforçou para que entendêssemos bem o que você escreveu. Sobre técnica, adequação ao tema, gramática e coisas assim, para mim tá tudo muito bom (só lembro de um “o” no lugar de um “a”, mas aí é ser chato, para não dizer outra coisa). Meus sinceros parabéns pelos esforços e por ter se saído tão bem nesse tema.

  18. Felipe Moreira
    18 de abril de 2015

    Bacana, um conto bem luso no desafio. Gostei de alguns trechos, passagens até bem filosóficas. Não tinha visto o tema sugerido, decidi ler para compreender sozinho, mas o texto já havia revelado o tema de maneira um pouco sutil. Esperava outra coisa por conta do diálogo inicial. Acho que o título não caberia melhor, pois foi essa a sensação que eu tive ao longe de meia dúzia de parágrafos. Está bem escrito, com um tipo de humor que eu aprecio, mas ele se esticou muito. Não o humor, a trama mesmo. Imagino que ele pudesse ser mais enxugado, dominado pela eloquência do protagonista.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  19. simoni dário
    17 de abril de 2015

    Olha autor, eu sou que nem o personagem do seu conto no quesito “tema Cyberpunk”, “não é pra mim…nem sei o que é isso!…”. Mas enfim, vou tentar comentar um texto complicado como o seu. Acho que você é Português, e a leitura fica, digamos, um pouco diferente, é divertido, irreverente, criativo e… difícil! Não entendi muita coisa, mas dá pra ver que você brinca com as palavras ao mesmo tempo em que sabe o que fazer com elas. E se a inspiraçã veio de algum lugar para o personagem, pelo pouco que entendi, me pareceu que você deu conta do tema. Boa sorte!

  20. Thales Soares
    17 de abril de 2015

    Não gostei nem um pouco.

    O conto está bem escrito. Este mês o pessoal está caprichando bastante na escrita, e todos os contos até agora vem surpreendendo neste aspecto.

    Infelizmente este conto foi uma amarga decepção para mim. Antes de começar a ler, eu desci a janela e li o tema e o limite de palavras. Logo pensei “Yes!!! Um tema que eu adoro!! Vou ler com extremo prazer este!!!”

    Porém, ao ler alguns paragrafos, pude perceber que o autor ou autora não gostou do tema que recebeu. Um tema tão maravilhoso como esse… e a sensação que tive foi que o escritor ficou de pouco caso. Ao meu ver, o autor(a) incorporou a personagem principal, que de inicio se assustou mto com a palavra e nem sabia o que significava cyberpunk. Depois, essa sensação piorou quando a personagem foi apresentada a esse mundo fictício e começou a implicar e a reclamar de todos os aspectos da essência do cyberpunk, inclusive da cerveja. Abandonei a leitura depois de ter passado um pouco da metade, pois a ideia apresentada aqui não me agradou.

    Eu, como um extremo fã do tema proposto para este conto, acredito que o autor optou por uma das piores abordagens possiveis para apoiar a história. Uma pena, pois um tema tão bom quanto este acabou sendo desperdiçado.

  21. Virginia Ossovski
    14 de abril de 2015

    Olá… então, achei o conto um pouco cansativo. Não sei, acho que a história se arrastou um pouco, não consegui me convencer muito. Achei meio forçada a adequação ao tema. De qualquer forma, boa sorte.

  22. rsollberg
    13 de abril de 2015

    Achei a abordagem bem interessante.
    Não conheço muito cyberpunk, mas acho que sobrou Cyber e faltou um tantinho de punk.

    Bem, apesar do impacto inicial do primeiro diálogo, aos poucos fui entrando no texto, apreciando melhor o nosso português original.
    Alguns trechos me agradaram muito:

    “Olha mulher, nós temos a mania que conhecemos sempre alguém, que conhece quem nós queremos abordar” – muito bom!

    “Como as pessoas, os cigarros desaparecem em fumo, levitam em direção a lado-nenhum.” – bela analogia

    “Se fosse uma conversa em português, ouvíamos um grito a chamar a cantora, mas, na Islândia só os cantores é que gritam.” – humor que tanto me agrada.

    Em alguns momentos me perdi no enredo, mas no geral gostei bastante.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  23. Jefferson Reis
    12 de abril de 2015

    Interessante! Será português o autor da narrativa?
    Português ou não, Felizardo falou diretamente a mim, pois o tema que me foi sorteado nesse desafio também me desesperou. Gostei da experiência do personagem escritor, a descoberta do mundo desconhecido e paralelo, sua porta de tão fácil acesso. É quase uma metáfora para a ficção fantástica ou especulativa. A criação de realidades alternativas é intrínseca à humanidade.
    De minha parte, “Mundo Paralelo” receberá boa nota, pois quase não apresenta erros gramaticais, é bem estruturado, as personagens são interessantes, sem contar a criatividade de Felizardo.

  24. Gilson Raimundo
    12 de abril de 2015

    A forma lusitana como descreve este sonho-pesadelo parece poesia. O autor destaca dois momentos específicos na história, um quando se torna o personagem angustiado tentando criar sua obra. Outro numa viagem ao futuro, onde saudosista dramaticamente deseja voltar ao passado. O Entre-contos se tornando uma pessoa também foi legal. Felicidades.

  25. mariasantino1
    11 de abril de 2015

    Bom desafio para você, autor (a)

    O conto começa como não quer nada, e não promete nada mesmo com esse início (se posso sugiro que retire-o, pois ele não acrescenta, só soma palavras e retira, em parte, o tesão da leitura). Depois vem o sonho e então é que tudo fica bom. Fica melancólico, desesperançado, filosófico, insólito, futurista. Os chips na cabeça, a falta do livre arbítrio, o comodismo de se ter tudo em mãos num nível nocivo uma vez que seus sentidos ficam controlados. Quando ele despedra e cai novamente na escuridão dá certo medo, se prende a respiração. Pra mim foi muito apreciável a leitura. Como ponto negativo, só a ausência de travessões nas trocas de diálogos, porque atrapalha, atravanca assimilar melhor, portanto, retirar esse início desenxabido (com todo respeito) melhoraria, iria direto ao ponto.

    Parabéns!

    Média — Perde pelo começo morno, mas ganha pontos no sonho. Por tudo acima mencionado, a nota para esse conto será: 8 (oito).

    Abraço!

  26. Tiago Volpato
    9 de abril de 2015

    Sensacional o texto! A sua ideia pra trabalhar o tema foi genial, gostei muito. Só achei que você se alongou um pouco demais, o limite era 4000 palavras, mas não precisava cumprir tudo. As vezes menos é mais.

  27. rubemcabral
    8 de abril de 2015

    Olá. Apreciei bastante a narração e achei inspiradas as imagens cyberpunks sonhadas, como o mar de óleo e as gaivotas metalizadas.

    Contudo, achei a trama frágil como história. Em especial, a introdução, a metalinguagem do ato de escrever sobre o tema e depois as referências ao próprio blog, desta parte eu não gostei muito, preferiria uma história simplesmente ambientada num universo cyberpunk.

    Um bom conto, que ficou bem fixe, mas que imagino que o(a) autor(a) poderia mais.

  28. Anorkinda Neide
    7 de abril de 2015

    Querido autor(a),
    você não precisava preocupar-se em preencher completamente o limite de palavras, não contei mas acredito que vc preocupou-se com isso.
    O que resultou em muita história desnecessária no seu texto e que não combinou com o que você queria realmente contar, q eu acho, era a passagem no sonho do protagonista, que sim, ficou bom e interessante.
    Mas ao final, já me perdi e não entendi o desfecho não.
    Uma pena, pq eu queria saber mais daqueles acontecimentos poéticos ali na dança coletiva…hehehe

    Um abraço

  29. Jefferson Lemos
    5 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Vejo que pegou meu tema Ciberoquê? Haha

    Sobre a técnica.
    É difícil falar. Parece que o texto foi escrito por duas pessoas. Em certos trechos ele é confuso, e às vezes muito verde. Já em algumas partes, é bem escrito, com belíssimas passagens e devaneios muito bem colocados. No geral, eu não curti muito, pois acho que os momentos mais “verdes” foram em maior quantidade.

    Sobre o enredo.
    Confesso que fiquei um tanto perdido no decorrer da história, e ao final, o que consegui entender, não posso dizer se é realmente o que o autor quis passar. Chegando nos último minutos, o texto melhorou bastante, e esse final ficou muito bom. Mas, mais uma vez, parece que os bons momentos não se sobressaíram tanto.

    Sobre o tema.
    Bem, é um tema muito bom! Tanto que até indiquei, e ainda por cima estou escrevendo algo em cima dele.

    Nota:
    Técnica: 7,0
    Enredo: 6,0
    Tema: 5,0

    De qualquer forma, parabéns pelo texto!
    Boa sorte!

  30. Rafael Magiolino
    4 de abril de 2015

    Gostei da mudança pela qual o texto passa. Se inicia de um jeito casual e descontraído, se tornando na narrativa focada em Cyberpunk.

    Porém, o tema poderia ter sido melhor explorado. Apesar da visão passado pelo autor ter sido muito boa, não deixa de ser um clichê. O mercado já está saturado de enredo a respeito de como os humanos são tratados como máquinas e não sabem mais o que são os livros.

    Entretanto, a escrita me agradou em alguns aspectos e em outros nem tanto.

    Boa sorte e abraço!

  31. Neusa Maria Fontolan
    3 de abril de 2015

    Você foi muito bem. Não desistiu e deu um belo pontapé nesse “cybernãoseiseexisto”
    Parabéns e boa sorte.

  32. Andre Luiz
    3 de abril de 2015

    Olá, caro Felizardo! Gostei do seu texto em partes, pois achei muito confusa a transição entre o diálogo do narrador com a esposa e aquele final em que tudo parece ser um outro mundo, com outros personagens e tudo.Pelo que entendi, isto seria o texto que o autor tanto pena em escrever. Não posso tirar seu mérito no bom vocabulário e na construção de frases, no entanto.

  33. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    Um conto estranho, para dizer o mínimo. A estrutura é confusa, disforme, caótica. Há uma certa lógica que pode ser compreendida com o passar do relato, mas passa a sensação de que algo está sendo forçado. Fora isso, acho que se aproxima pouco do tema. A cena “psicodélica” perto do final tem um pouco do tema, mas me deu a impressão de que saiu “forçada”.

  34. Alan Machado de Almeida
    1 de abril de 2015

    Gostei da metalinguagem de escrever sobre um escritor que fala sobre o tema e não decorrer sobre o tema em si. Mas tem algumas passagens difíceis de ler, porque a escrita está estranha. Não sei, talvez o conto pedisse por uma revisão.

  35. Claudia Roberta Angst
    1 de abril de 2015

    Também não entendo nada sobre esse tal de cyberpunk. Eu tento, mas me perco no meio. Por ser um sub-gênero de ficção científica, o cyberpunk não desperta meu interesse. Ainda bem que não recebi esse tema.
    O autor realmente esforçou-se para dar um novo colorido (uma verdadeira viagem) ao tema, criando uma narrativa que mistura o cyberpunk ao processo criativo de um escritor. Achei interessante o modo como conduziu a trama. O conto está muito bem escrito e merece ser lido mais de uma vez. Boa sorte!

  36. José Leonardo
    1 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Eis outro texto desse certame que facilmente entra na galeria dos melhores que já pude ler no Entrecontos (ou “Sotnoc-ernte” — essa personagem fictícia que nos permite o intercâmbio e o devaneio). Seu conto, autor(a), é absurdamente bem escrito, jamais caindo em lugares-comuns mesmo em detalhes nos quais geralmente usamos palavras-clichês (uma das maiores qualidades de “Mundo Paralelo”, a meu ver: inteligência e criatividade nas descrições que servem como articulações para a ação). Trabalho profissional. Dá vontade de reler e reler esta bem-acabada obra miniaturizada em conto. Os diálogos não deixam nada a dever à qualidade do desenvolvimento; me espanta que num período exíguo uma mente criativa tenha tecido tamanha beleza e desconfio que há um germe de genialidade traçando outras mais).

    Se me permite, faço algumas observações: o tema “cyberpunk”, em si, se viu pouco aqui. Há mais transumanismo, mais jam-session (lembrou-me aquele local da grande dança) do que propriamente o estilo punk cibernético, embora o contraste entre abundância tecnológica e “vida no submundo” esteja presente (ou seja, faltou um tantinho de distopia futurista — ou no presente — e mais cabos, placas etc. — por assim dizer…) Outra questão: a pontuação. Sugiro uma revisão sobretudo quando ao uso da vírgula e colocação de ponto-e-vírgula (mas me perdoe se houver grandes variações sintáticas nos demais países lusófonos; assim, essa sugestão pode ser descartada).

    Estou disposto a abrir mão desses pequenos detalhes “negativos” devido à imensa qualidade do seu texto e dar a nota merecida a ele. Abraços e muitos ecos de “parabéns” pela pequena obra-prima desfrutada pelo humilde leitor que vos escreve.

  37. Brian Oliveira Lancaster
    31 de março de 2015

    E: Analisar textos em outras línguas é bem complicado. Não quero ser injusto, então analisei com base na história em si e contexto. Nota 8.

    G: Foi uma viagem bem psicodélica. Achei algumas passagens confusas, como sugestão, recomendaria separar alguns parágrafos e certos diálogos para melhor entendimento. Consegui captar a essência do conto, apesar de escrito em outra língua. O que achei interessante foram as metáforas e metalinguística utilizadas pelo autor – dá para sentir a agonia do protagonista e isto é um ponto alto. No entanto, precisava de um pouquinho mais de revisão e retirar os excessos de reticências. Opinião minha, claro. Nota 7.

    U: É bem escrito, mas não achei tão fluente. Obviamente temos de levar em conta a língua materna. Mesmo assim, certas passagens poderiam conter maiores descrições, pois o limite permitia. Nota 6.

    A: O tema foi abordado apenas do meio para o final, de forma indireta. Mas gostei da forma utilizada, como uma viagem virtual. Nota 8.

    Média: 7.

  38. Fabio Baptista
    30 de março de 2015

    Olá…

    O começo do conto ficou com um ar de crônica. Achei bastante exagerado o uso das reticências nessa parte (ao longo do texto o recurso ainda é utilizado, mas em menor escala). O estilo “metalinguagem” com o autor às voltas com o tema que desconhece não estava me agradando.

    Daí, quando a história dá uma guinada até o futuro (que confesso não ter entendido muito bem), a coisa melhora. As descrições do mundo de chips e implantes ficou bacana e há trechos engraçados, como a pronúncia do nome do cara que invadiu o metrô, por exemplo, mas não consegui ver uma trama que sustentasse a atenção do leitor além do cenário construído.

    O final também me deixou meio sem saber se entendi direito. Num apanhado geral o conto me soou confuso (e aqui, devo admitir que em partes devido ao português de Portugal).

    Infelizmente não posso dizer que esse estará entre meus favoritos, mas aguardo pelo seu próximo!

    Abraço.

    NOTA: 5

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Publicado às 30 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .