EntreContos

Detox Literário.

Amor de Verdade (Wilson Barros Júnior)

Se o amor verdadeiro pode ou não ser comprado eu não posso dizer com certeza, mas sei que o amor é muito diferente entre os ricos e os pobres. Os ricos dominam a vontade dos pobres por intermédio do dinheiro, e se dominam a vontade, podem dominar qualquer sentimento. Assim, mesmo que o amor não possa ser comprado, pode ser induzido diretamente usando o dinheiro. Os ricos admiram-se de ainda existirem cabarés, porque quando os ricos querem pegar mulheres, vão para a praia e oferecem peixe frito, cerveja à vontade e perguntam às garotas se elas não querem andar de Land Rover, e poucas mulheres resistem a uma cantada dessas. Mas os pobres não têm Land Rover, vão para a praia com o dinheiro conferido e têm medo de convidar alguém para uma cerveja, que puxa outra, e o dinheiro acabar não dando. E pensando bem qual mulher, a não ser a nossa mesmo, vai querer ir à praia com a gente, em pé no ônibus lotado e carregando uma marmita de farofa? Os ricos, é claro, não pensam nessas coisas, porque não gostam de pensar, mas eu garanto: o pobre tem que ir é ao cabaré mais barato mesmo, porque já sabe que o preço é aquele mesmo e as mulheres são as mesmas e fazem as mesmas coisas, nunca reclamando ou tendo idéias. Por isso ficou, entre nós, pedreiros e serventes de pedreiros, uma tradição: quando acaba a obra, vamos beber cachaça, que é muito mais barata que cerveja, em qualquer cabaré da cidade, e se agarrar com a primeira piranha que aparecer.

Na reforma da Escola Municipal de Paranapedra, no Tocantins, entre pedreiros e serventes, éramos sete. O serviço tinha durado três meses e era nosso último dia em Paranapedra. Dr. Cabral, o dono da construtora, tinha vindo pessoalmente fazer o pagamento, e parecia satisfeito, porque após um discurso de agradecimento, deixara uma gratificação para a gente “tomar cerveja” de noite. Pela manhã, o caminhão da firma ia levar a peãozada de volta para Palmas. De noite nosso destino já era certo, tínhamos combinado ir para o Bar Milagres e ficar por lá até o caminhão passar. Já tínhamos avisado Dona Milagres que dessa vez, já que era a última, iríamos todos juntos. E ela, é claro, sabia que é costume o empreiteiro pagar um extra aos pedreiros no final da obra, e ia deixar as putas de sobreaviso.

Às sete horas nós sete já estávamos banhados, e agora nos perfumávamos e vestíamo-nos. Um colocava a camisa para dentro da calça, outro abotoava o cinto, outro calçava o sapato, outro se penteava, cada qual mais satisfeito, e de repente a mulher de Joaquim entrou no alojamento.

Por um momento não soubemos o que pensar, aturdidos. Como ela tinha ido parar em Paranapedra? Das Neves, lembrei-me imediatamente do nome dela, era uma morena meio gordinha e sem um ou dois dentes, mas, com todo respeito, ainda dava para o gasto. Procurei Joaquim com os olhos, e ele parecia a madona da imobilidade. Após uma eternidade de expectativa, Joaquim falou: “Mas o que você está fazendo aqui?” E ela: “Eu vim com Dona Janice, que me pediu para fazer uma galinha caipira, e eu disse para ela não se preocupar que vou voltar com vocês amanhã.” Dona Janice era mulher do Dr. Cabral e eles tinham um sítio em Paranapedra onde passavam os feriados. Então Joaquim disse “Mas, mesmo assim, nós só vamos amanhã, agora vamos sair e tomar umas.” Ela, logicamente, respondeu “E eu vou com vocês.” Reparamos que ela, na medida do possível, tinha se arrumado, feito um rabo-de-cavalo com seu cabelo comprido e liso, e vestido uma blusa muito colorida que faz sonhar os homens.

A situação era delicada. Das Neves ia para onde, para o puteiro com a gente? Impossível. Ao mesmo tempo, não podíamos dizer que ela não podia sair com a gente naquele dia, nem por que não podia. Então não tinha jeito: em vez de sete, iriam seis para o cabaré da Milagres, e Joaquim ia com a mulher comer um cachorro quente, ou um churrasquinho e depois dormir. É triste, mas são coisas da vida. Joaquim, porém, parecia não se conformar com o inevitável e falou. “Então, pronto, se é isso, você também vai.” Terminamos de nos arrumar e saímos do barracão, pensando em que ia dar essa história.

Entramos na Rua da Lata, em direção ao cabaré, os sete peões e a morena Das Neves, com o perdão da frase infame. Das Neves falava não sei o quê com o Ronaldo e Joaquim aproveitou e veio falar baixo comigo. “Escute, Rubão, vai ser o seguinte. Vocês vão na frente. Eu vou deixar um dinheiro com Das Neves e depois despistá-la. Quando ela não nos olhar mais, ela vai voltar para a casa de Dona Janice. Amanhã eu explico que a perdi de vista, e o dinheiro vai ajudar a passar a raiva.” Impressionante como o desejo cega as pessoas. Só pela cabeça de alguém fascinado pelas putas da Dona Milagres ia passar que uma coisa assim fosse dar certo. Antes que eu pudesse objetar alguma coisa, Das Neves veio na nossa direção, animada que dava pena ter casado com um sem vergonha desses, e Joaquim me falou, alto: “Rubão, vocês vão para o bar onde a gente sempre vai, que eu vou resolver um negócio com Das Neves e depois encontro vocês lá.” Disse e entrou em um bar onde vendiam cachorro quente, enquanto nós seguíamos em frente até o cabaré da Milagres.

Quando chegamos ao cabaré notamos um ar de festa. Até o terraço tinha sido varrido, e Capilé, o porteiro, tinha tomado banho e vestido sua outra roupa. Só faltava uma placa “Bem-vindos, Otários!”. Parecia realmente que Milagres estava a fim do nosso dinheiro. Enquanto entrávamos, Capilé falou “Boa noite, cavalheiros”, com uma risadinha debochada, e ficou segurando a porta encardida. Não foi surpresa quando notamos que o chão, pela primeira vez em meses, tinha sido varrido e até uma lâmpada eternamente queimada tinha sido trocada. Bastou a gente pisar lá dentro que uma penca de mulheres veio para cima de nós, nos cumprimentando aos beijinhos e abraços carinhosos. É, aquelas putas realmente estavam apaixonadas por nós.

Sentamo-nos e elas começaram a pedição do uísque que a gente sabia que era chá, mas esse era o lucro da casa, já que o cachê das mulheres era combinado depois com elas. O sistema comercial de Dona Milagres era bastante democrático e aquelas putinhas eram relativamente baratas. A gente também pediu uma garrafa de cachaça de verdade, que ela vendia pelo triplo do preço, mas não fazia muita diferença porque mesmo assim a cachaça continua barata. A música era música de cabaré, horrível, mas em compensação bastante alta, e uns queijinhos e salaminhos proporcionavam um clima especial de festa. Durante todo o tempo as mulheres sentavam-se no colo dos seus homens, acariciando-nos, fazendo-nos sentir verdadeiramente amados. Em certo momento, Pedro Palito me sussurrou: “Ei, Joaquim vem ou não vem, se demorarmos muito essa porcaria de chá vai levar o dinheiro todo”, mas mal ele falou isso, Joaquim surgiu, triunfante, na porta.

Joaquim entrou arrastando uma cadeira, feliz, e depois de encaixá-la na mesa, ao meu lado, sentou-se. “E aí, Rubão, pensou que eu não dava conta?” Cara, que viagem, onde Joaquim tinha enfiado a esposa. Bom, não era da minha conta. Uma prostituta desgarrada sentou-se conosco e mais chá de uísque foi requisitado. Em pouco tempo nos esquecemos dos problemas de Joaquim.

Já estava na hora de pagar Dona Milagres e cada um levar sua namorada para onde quer que fosse. A minha própria tinha ido mandar fazer a conta, estava demorando, eu estava me sentindo solitário, olhei ao redor e vi que entravam alguns rapazes. Estes sim, dava para ver que eram educados e não gente como nós. Dava para ver de longe, também, que tinham grana. Abraçada com um deles entrou uma prostituta parecida com Das Neves, usando também rabo-de-cavalo. Imediatamente comecei a fantasiar, um dia eu podia pegar aquela, seria como transar com a mulher de Joaquim. O cara que estava com ela acariciou seus cabelos, seu pescoço e suas costas, puxou-a e deu-lhe um beijo daqueles de cinema, com movimentos desconhecido de qualquer pedreiro. Ela hesitou um pouco, não devia estar acostumada com essas coisas, mas foi relaxando nos braços dele e colando-se cada vez mais. Joaquim beijava sua amiga, mesmo assim, eu sacudi-o, rindo, mostrando a mulher que parecia com Das Neves, como era engraçado.

Mas quando ele olhou deu um pulo da cadeira, que caiu, e todos olharam, e a mulher que eu pensava que parecia com Das Neves era Das Neves mesmo. Joaquim atirou-se na direção do casal como um rinoceronte enlouquecido. Após dois ou três segundos de surpresa todo mundo se levantou e foi atrás, para evitar que ele matasse o rapaz que beijava sua esposa e fosse parar na cadeia. Mas, é como eu digo, a cada dia tiram mais dos pobres, e até a capacidade que tínhamos de ganhar as brigas, até isso, acabou, depois que inventaram as academias e o tal de muai tai. O novo homem da Das Neves dominou o antigo com um golpe no pescoço e literalmente jogou-o de volta para nós. Então todo mundo partiu para a porrada até Dona Milagres vir de lá de dentro ameaçando aos berros com a polícia, e a briga foi afinando, mesmo porque Das Neves tinha passado para o nosso lado e socorria o marido meio sufocado no chão.

Como ela explicou depois, a história era simples: Depois que Joaquim a abandonara no outro bar ela suspeitara para onde nós tínhamos vindo e viera atrás. Na porta, Capilé informou-lhe rudemente que como ela não era prostituta da casa só poderia entrar acompanhada. Nesse momento surgira Alex, o rapaz educado e bem vestido, perfumado, que como soubemos depois, era filho de um fazendeiro da região, e ela lhe pedira timidamente para botá-la para dentro, explicando que não era prostituta e só queria encontrar o marido. O rapaz fingira acreditar no que parecia ser um conto de carochinha, mas depois, lá dentro, passou-lhe a mão daquela forma. E ela era direita, sim, mas não era feita de ferro, e dera no que dera.

Na verdade, a história teve um final feliz. Alex, um cavalheiro realmente, pagou as cadeiras quebradas, apertou a mão de Joaquim, pedindo desculpas, e deixou dinheiro que dava para comprar três grades de cerveja para a nossa viagem.

No outro dia, muito cedo, fomos embora de Paranapedra, e no meio do caminho paramos para tomar cerveja e almoçar com o dinheiro do Alex. Das Neves ia abraçada com o marido, que ostentava um ar feliz, quase que de orgulho, uma bela cara de corno. O que comprova tudo que eu sempre digo sobre o amor, sobre os pobres e sobre os ricos. Fosse um de nós que tivesse dado em cima da sua mulher, Joaquim passaria o resto da vida com raiva. Mas como ela tinha se agarrado com um bacana, ele não ligava mais, porque sabe da influência que o dinheiro tem sobre o coração das pessoas. Se ela tivesse beijado um pobre coitado com eu, seria uma traição, mas como foi o Alex, era como se tivesse acontecido em outro plano de existência, como se ela tivesse sido seduzida por um anjo.

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Este texto foi baseado no tema “Amor”, sujeito ao limite máximo de 2000 palavras.

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38 comentários em “Amor de Verdade (Wilson Barros Júnior)

  1. Tamara padilha
    28 de abril de 2015

    Aaaa. Juro que foi engraçado o final. E eu tenho que concordar. De certa maneira tudo o que o autor disse sobre muitos serem criticados enquanto são pobres e o rico fazer o mesmo e se dar bem. Não esperava esse desfeche, mas gostei muito. A única coisa que eu tiraria seria a espécie de introdução que teve antes de ele começar a relatar que era o último dia da obra. Muito bom.

  2. Thales Soares
    28 de abril de 2015

    Hm… esse conto realmente não é do meu tipo.

    Reconheço que o autor é habilidoso, escreve bem e sabe fazer histórias. Mas o tema deste conto é aquele tipo de tema que eu penso “blagh……”. Antes de começar a ler, eu estava esperançoso de que o autor, talvez, tivesse fugido do tema e feito algo mais ousado. Mas isso não ocorreu… foi uma história bem água com açucar, do jeito que eu temia.

    Tenho certeza que outras pessoas gostarão… mas a mim não agradou…

  3. Wender Lemes
    28 de abril de 2015

    Olá! Que visão do amor, em? Não concordo com o argumento rico/pobre tão definido, mas a sua técnica é boa e a trama também foi legal. Parabéns e boa sorte!

  4. mkalves
    27 de abril de 2015

    Se o narrador é um pedreiro, jamais diria “vestíamo-nos”. Parece um detalhe bobo, mas é o tipo de coisa que quebra o vínculo com a história. A partir dele já não é possível mergulhar desarmadamente no texto. Um causo que poderia ser mais impactante com outro estilo de linguagem.

  5. Cácia Leal
    27 de abril de 2015

    A história não me atraiu, achei a trama pouco trabalhada e uma linguagem bastante simples. Também encontrei alguns errinhos de português e acho que o conto mereceria uma revisão.

    Notas:

    Gramática: 8
    Criatividade: 6
    adequação ao tema: 10
    utilização do limite: 10
    emoção: 3
    enredo: 5

  6. Ricardo Gnecco Falco
    27 de abril de 2015

    Muito, muito, muito engraçada esta história de amor! 😀 Mesmo com um “Q” rodriguiano, achei bastante criativa e desafiadora, diante de um tema tão batido quanto esta palavrinha mágica que o nomeia. O autor escolheu o caminho do mote(l) para dar leveza ao pesado, risadas ao tenso e o resultado inesperado trouxe o brilho e o colorido (como o da camisa de Das Neves) para esta história.
    Parabéns!
    🙂

  7. Bia Machado
    27 de abril de 2015

    Bacana, ficou bem no estilo de causo! Me diverti lendo, foi uma leitura rápida, sem ficar parando pra matutar muito. Gosto quando isso acontece. Só acho que ficou um pouco fora do tema, tem amor, mas acho que não era bem isso o que a pessoa que sugeriu quis dizer.
    Emoção: 1/2
    Enredo: 2/2
    Criatividade: 2/2
    Adequação ao tema proposto: 1/2
    Gramática: 1/1
    Utilização do limite: 1/1
    Total: 8

  8. Rodrigues
    26 de abril de 2015

    Gostei, o texto é bem leve e lembra muito uma crônica, exceto pelo tamanho. Achei interessantes as divagações ingênuas sobre os ricos e os pobres, meio filosofia de bar, aumentando a credibilidade do narrador. A história é muito intensa e engraçada e estes personagens são hilários. Obviamente que da pra arrumar uma coisa ou outra, diminuir frases, deixando a leitura mais fluida, mas, no geral, achei bom.

  9. Pedro Luna
    25 de abril de 2015

    Kk… o clima de lição de moral não atrapalhou. Na verdade, achei uma história bem divertida sobre as comédias que acontecem entre pessoas que se amam. Conto bem real e engraçado. Curti.

  10. Fil Felix
    25 de abril de 2015

    Não curti muito o conto, achei algumas partes bem apelativas. Sem querer ser politicamente correto (e entendendo que é a visão do “pedreiro”), achei meio estereotipado, além de “putas”, “piranhas” e cia. A analogia do rico e do pobre é até interessante, mas acho que foi ofuscada por conta dessa estética usada.

    O final ficou muito explicado, entregou o bolo pro leitor. Acredito que seria mais interessante se mostrasse como o Joaquim enganou a mulher e como ela chegou no Alex, ao invés de explicar no final.

  11. vitor leite
    25 de abril de 2015

    este texto está bem escrito e apresenta uma boa trama, mas não gosto do início onde apresenta um conjunto de ideias formatadas e a história só serve para ilustrar essas ideias, falta o contraditório, não?

  12. Leonardo Jardim
    24 de abril de 2015

    ♒ Trama: (3/5) é simples, mas divertida. O tom de causo e a verossimilhança fazem com que pareça que estamos ouvindo mesmo a história da boca de Rubão.

    ✍ Técnica: (2/5) achei simples. Tudo bem que era contada por um pedreiro, mas não teve nenhum “erro” que fosse justificado por isso. Não vi nenhum erro grave, mas as estrutura do texto e as frases estavam muito cruas. Talvez, se focasse mais no linguajar do pedreiro, ficasse mais interessante (mas não tenho certeza).

    ➵ Tema: (1/2) o conto tem amor, mas não é sobre amor. Por isso, vale um ponto, mas não dois.

    ☀ Criatividade: (2/3) é uma história criativa, embora não muito.

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) achei a história divertida e li o texto todo numa tacada só.

    Problemas que encontrei:
    ● Depois que Joaquim a abandonara no outro bar *vírgula* ela suspeitara para onde nós tínhamos vindo
    ● De noite *vírgula* nosso destino já era certo

  13. Swylmar Ferreira
    23 de abril de 2015

    O texto atende perfeitamente ao tema e está dentro do limite estipulado.
    Bem escrito, linguagem objetiva, trama linear boa cronologia.
    É um conto interessante!
    O ponto de vista deve gerar discussões. Vamos ver.
    Parabéns!

  14. Pétrya Bischoff
    21 de abril de 2015

    Cara, que conto gostoso de ler! A princípio achei a escrita fraca, havia alguns problemas de pontuação, mas a narrativa envolveu e a estória foi crescendo. O final justificou todas as suposições iniciais, além de ter sido uma leitura engraçada. Parabéns e boa sorte.

  15. Jowilton Amaral da Costa
    19 de abril de 2015

    hahahahaha, bom conto. É um conto simples, mais foi bem executado. Dei boas gargalhadas com as situações apresentadas. E o Joaquim, hein? Um corno feliz. kkkkkk

  16. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    18 de abril de 2015

    Sinto muito! Você devia ter escolhido outra abordagem para o amor ou até poderia ser a mesma, mas com uma voz narrativa de mais credibilidade para o personagem. Parecia até um “dotô” letrado falando e não um “peão”. Poderia até ser e hoje em dia, se procurar até que a gente acha bastante “peão” que se comunica como “dotô”, mas não acreditei que fosse esse o caso. Já a abordagem do tema foi interessante e, com certeza, até geraria debate. Nem sempre o mundo das ideias é compreendido pelo modo de expressá-lo. Eu gostei do assunto.

  17. Felipe Moreira
    18 de abril de 2015

    Curioso como o texto foi se modificando no início. Começou quase como um protesto político e afunilou-se para um depoimento sobre uma noite que serviu para que o protagonista determinasse, à sua maneira, subjetividade do amor. Nesse ponto achei interessante. Algumas partes bem engraçadas também. Esse texto foi de uma leitura agradável. Eu tive certa resistência com esse tipo de narrativa sem quebras de linha como Saramago, mas agora estou bem habituado, e no seu caso, até que caiu bem com o contexto.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  18. Virginia
    17 de abril de 2015

    Morri agora ! Kkkk muito divertido, isso não se faz, vou ter um ataque de riso aqui! Adorei o conto, muito “reflexivo”, parabéns ao autor ! A parte que ele fala que tiraram dos pobres até o direito de ganhar as brigas kkkk. Achei o conto massa, perfeito, boa sorte !

  19. rsollberg
    15 de abril de 2015

    Mais um conto no estilo famigerado causo!
    Gostei, é original e divertido.

    O universo foi muito bem construído, consegui me imaginar no meio dessa trupe.
    O narrador tem um estilo underdog que sempre me agrada muito. A trama em si é simples, mas o texto é ágil e bastante hilário.
    Algumas analogias foram bem engraçadas como “parecia a madona da imobilidade”

    “morena Das Neves, com o perdão da frase infame”- perdoado autor, soube dialogar com o leitor com leveza!!!

    “Só faltava uma placa “Bem-vindos, Otários!”” – ótima sacada.

    Também destaco esse trecho divertidíssimo, no melhor estilo “ó céus, ó vida”: “Mas, é como eu digo, a cada dia tiram mais dos pobres, e até a capacidade que tínhamos de ganhar as brigas, até isso, acabou, depois que inventaram as academias e o tal de muai tai.” – Muito bom.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Jefferson Reis
    12 de abril de 2015

    A filosofia sobre amor apresentada pelo conto não me agradou. O autor soube conduzir a narrativa e a criar certo suspense, mas, pessoalmente, não é uma estória que tenha me marcado de alguma forma. Sendo assim, minha nota será baseada na gramática normativa, na adequação ao tema e na criatividade.

  21. mariasantino1
    12 de abril de 2015

    Olá!

    Li e reli o seu texto, e ainda temo parecer imersa nessa LESEIRA BARÉ de riso, pois a comicidade oferecida não me permitiu ficar imune.

    Textos feitos só para se achar graça, sem qualquer reflexão ou reflexão barata não me chamam a atenção, pelo contrário, me despertam a raiva e me fazem querer cobrar do autor pelo tempo perdido na leitura. É por isso que prefiro LER os irônicos/políticos, pois adoro o humor refinado mesclado à critica social (tem que oferecer algo), e pela ousadia e oferta de reflexão oferecida por você, o texto me ganhou.
    Alguns termos usados podem incitar a revolta em alguns mais politicamente corretos. Pobres, ricos é algo muito relativo, pois às vezes ser menos favorecido não significa ter pouco caráter facilmente subvertido pelo dinheiro, nesse sentido eu usaria detentores do dinheiro, “aqueles que tem grana” e menos favorecidos, ao invés de “pobre”, ou justificaria o uso dessas palavras “rico e pobre”, mas entendo perfeitamente o que você quis repassar, e diria também para tomar mais cuidado em não generalizar (os ricos não gostam de pensar, é um exemplo). Há repetições, cacofonias em seu texto, mas a simplicidade e certa inocência narrativa o mantêm retilíneo até o final fechando de forma muito boa.
    Não gosto quando se usam esteriótipos para edificar qualquer personagem (todo pedreiro é burro, mau caráter, todo politico é corrupto e ladrão, por exemplo), mas como dito antes, pela condução, me vi até torcendo para que os caras se dessem bem (e isso é mérito, fazer torcer pelo anti- herói, como torcemos pelo rapaz do Laranja Mecânica — claro que é só uma comparação distante).

    Média: A nota para esse conto será: 8 (oito)

    Abraço!

  22. Gilson Raimundo
    12 de abril de 2015

    Olha que já tive uma Land Rover e nem assim minha mulher me permitiu arrumar outra mulher. Muito bem humorado o conto que mais se parece um causo, feliz do autor que transformou uma traição num motivo de orgulho que facilmente seria enaltecido pelo finado Reginaldo Rossi. Felicidades.

  23. Tiago Volpato
    10 de abril de 2015

    Gostei do enredo, mas não gostei muito de como o texto foi construído. Uma dica que eu li uma vez e agora repasso é “Mostre, não conte”. Praticamente o conto inteiro você só disse o que aconteceu e o que acontecia, seria muito mais interessante para o leitor ler tudo acontecendo. A forma como foram apresentadas as coisas não me interessou muito e no final eu pouco me importei com o que aconteceu. Bem, essa é minha opinião.

  24. rubemcabral
    9 de abril de 2015

    Um conto divertido, com certa visão cínica sobre as relações amorosas.

    Achei que a prosa do Rubão variou um tanto; às vezes está certinha demais ou usando expressões/construções pouco usuais. Talvez fosse interessante rever então alguns usos muito corretos da norma culta ou palavras que normalmente não sairiam da boca de um operário.

    Bom conto!

  25. Anorkinda Neide
    7 de abril de 2015

    hehehe gostei desta reflexão sobre o amor entre ricos e pobres.
    O autor(a) gosta de contar causos, eu acho. 🙂
    E aprofundou um deles com esta reflexão já citada. Eu gostei, é uma leitura agradável.

    Quanto ao texto em seu formato, eu acho que vc poderia ter feito parágrafos menores, ter separado os diálogos com travessões…dando mais vida e leveza à narrativa.

    Boa sorte ae em sua estrada literária.
    Abração

  26. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2015

    Olá, autor(a)! Beleza? No final, ele teve o que mereceu…

    Sobre a técnica.
    Eu gostei. Não que tenha sido algo que me enchesse os olhos, como em outros textos do desafio, mas ficou longe de ser ruim. É linear, descreve bem e conseguiu desenvolver a história com bons elementos, sem se alongar.

    Sobre o enredo.
    A trama da história também não é ruim, mas o final quebrou um pouco o clima. Eu não sei dizer o que eu esperava, mas posso dizer que esperava algo diferente. Questão de gosto mesmo. Os amigos ficaram bem caracterizados, e o cenário também ficou na mesma linha.

    Sobre o tema.
    Bom, amor é muito subjetivo, e há varias formas de amar. Principalmente de amar o dinheiro, e acho que essa foi a mensagem do conto. Não tem a ver com Joaquim amar Das Neves ou vice e versa, tem a ver com o que o dinheiro pode comprar. Pensando desse jeito, foi uma boa sacada. Gostei.

    Nota:
    Técnica: 7,0
    Enredo: 6,0
    Tema: 8,0

    Parabéns e boa sorte!

  27. Andre Luiz
    5 de abril de 2015

    Olá, cara Folha de chão! Gostei do seu enredo, da forma como Rubão foi construído, a questão do dinheiro e da manipulação que você consegue passar, além de que consegui imaginar perfeitamente a cena de Das Neves entrando com aquele sujeito rico (Alex) e traindo o marido… Bem teatral mesmo… Contudo, sinto que há muito em que se melhorar na narração. Você é capaz de abusar mais nos diálogos e nas descrições, bem como inovar um pouco mais nos cenários e nas analogias, algo que eu senti um pouco de falta na história. Dava para ter descrito mais o molejo de Das Neves, a sensação de raiva de Joaquim e tudo mais, visto que a meu ver foi tudo narrado muito rápido e embolado.

  28. José Leonardo
    4 de abril de 2015

    Olá, autor(a). Seu texto é bem acessível, não intrincado, o que possibilita fluidez na leitura. No entanto, vi pouca força literária e o ritmo da narrativa no terço final é meio atropelado, apressado, não permitindo o pleno desenvolvimento do clímax e de seu entorno. A crítica social (como pano de fundo — felizmente não sendo espinha dorsal do conto) ficou inexpressiva feito um gancho mal utilizado. O título soa até irônico — sem definirmos se era o que o(a) autor(a) pretendia.

    Noutro certame do EC, quando comentei que um determinado texto era “sem sal”, a autora do aludido replicou que nem todo conto precisa ser agitado, movimentado e/ou dramático — que há enredos sem necessidade de clímax, tornando-se simples retratos cotidianos imediatos, representações de “momentos parados” ou, como ela mesma definiu, “textos para vegetarianos”. Concordo com isso por fazer parte da liberdade criativa e ciente de que o alto nível do CONTAR consegue se sobrepor à importância DO QUE É CONTADO.

    A meu ver, “Amor de verdade” é mais um texto para “vegetarianos” (ainda que eu não concorde com essa nomenclatura). Bom. Quando leitor, porém, sou bem carnívoro quando não consigo perceber uma escrita tão sobressalente que diminua a importância do enredo. Abraços e boa sorte neste desafio.

  29. Neusa Maria Fontolan
    3 de abril de 2015

    Dei boas risadas com este. O pior que, apesar de hilário deixou-me com uma ponta de tristeza, porque não deixa de ser uma verdade.

  30. Marquidones Filho
    2 de abril de 2015

    Que forma de se abordar o tema! Não estou criticando, é uma forma diferente, impactante até, mas muito bem elaborada. Conto muito bom, me rendeu surpresas e risadas. Parabéns!

  31. Eduardo Selga
    1 de abril de 2015

    Para efeito do que vou argumentar a seguir é preciso lembrar aqui os seguintes conceitos da Sociolinguística, e peço ao (à) autor(a) a especial gentileza de não confundir isso com alguma tentativa arrogante de demonstrar eruditismo ou coisa parecida.

    Norma padrão: o conjunto de regras estabelecidas na gramática normativa.
    Norma culta: é a variedade socialmente prestigiada, derivada da padrão, supostamente “correta”.
    Norma popular: é a variedade socialmente estigmatizada, derivada da padrão.

    Isso posto, os usuários da norma culta se concentram entre os mais escolarizados; a popular, por consequência, é usada pelos menos escolarizados.

    Essa introdução eu a fiz porque o narrador do conto é um pedreiro, que desde o início se coloca como economicamente pobre. Logo, é de se supor que sua linguagem seja a norma popular, na qual há, por exemplo, muitas gírias, o uso de “a gente” em lugar de “nós”, a habitual inobservância de algumas regências verbais. Assim sendo, o discurso do narrador está incoerente, e até anacrônico porque ao mesmo tempo em que ele usa “Na porta, Capilé informou-LHE […]” (o pronome enclítico é um desconhecido na norma popular) e “Já TÍNHAMOS avisado Dona Milagres que dessa vez, já que era a última, IRÍAMOS todos juntos” (na norma popular a primeira pessoa do plural muito raramente é usada em verbos no pretérito imperfeito e no futuro do pretérito), o narrador usa “Cara, QUE VIAGEM, onde Joaquim tinha ENFIADO a esposa”, frase na qual há uma expressão gíria e o verbo “enfiar” no particípio passado significando “ter colocado”, dois usos muito comuns na norma popular.

    Faltou, portanto, ao construir o narrador-personagem, dar-lhe coerência linguística. Mas aqui talvez haja um problema: a aura que a literatura carrega de portadora de uma linguagem “pura” pode nos induzir a acreditar que escrever “errado” é um pecado estético. Não é, se o personagem e o enredo pedirem isso. Além disso, o autor pode imaginar que a reprodução completa da norma popular dará ao conto um tom de “texto falado”, ao invés de escrito. Mas é uma escolha estética que é preciso ser feita, afinal um pedreiro precisa parecer um pedreiro.

    É claro que existem pedreiros e profissionais outros que, embora exerçam atividades socialmente desconsideradas, falam e escrevem dentro da norma culta (não a padrão, pois essa só existe na escrita, em todos os níveis sociais), mas não é a regra. Logo, se o narrador-personagem faz parte da exceção isso precisaria estar exposto.

    O conto apresenta uma narração fluida, o que é muito coerente com a narrativa oral típica das classes socialmente desprestigiadas, caracterizada pela objetividade. Além disso, a representação do feminino é bem machista, portanto, não foge ao esterótipo que acompanha a enorme quantidade das representações da mulher na literatura. Podemos ver isso pelo trecho “[…] era uma morena meio gordinha e sem um ou dois dentes, mas, com todo respeito, AINDA DAVA PARA O GASTO, em que a personagem é tratada como objeto, visão, aliás, muito recorrente na sociedade brasileira, em todos os níveis sociais.

    Outra demonstração desse machismo está no final do conto, que é bem interessante, pois mostra bem a valoração positiva, o prestígio que uma sociedade capitalista dá ao dinheiro e à materialidade. Ao perceber sua esposa cobiçada por “um bacana” (um bom exemplo de norma popular), Joaquim sentiu o seu “patrimônio” valorizado e, por conseguinte, ele próprio, já que “senhor e proprietário” de Das Neves.

    Não saberia dizer em que nível esse comportamento se manifesta de modo relevante no mundo real empírico, se explicitamente como no caso do personagem ou implicitamente por meio do silêncio das vistas grossas. De todo modo, funcionou como recurso narrativo, tirando algum peso, certo ar de tese que se instalou no início do conto e que não se dissolveu totalmente no seu desenrolar.

    GRAMATICALIDADES

    Em “[…] nunca reclamando ou tendo idéias” a palavra é IDEIAS, sem acento agudo.

  32. simoni dário
    1 de abril de 2015

    Divertido. Achei que viria um romance água com açúcar, mas o Joaquim, a Das Neves e o Alex acabaram com tudo. Bem feito pro Joaquim, e o final feliz que em muitos romances acaba com “e viveram felizes para sempre”, acabou em pizza, ou melhor, em cerveja. A Milagres era a fada madrinha dos anões, digo,peões. Texto com bom desenvolvimento. Gostei do que você fez aí com essa miscelânea. Parabéns!

  33. Brian Oliveira Lancaster
    1 de abril de 2015

    E: Incrivelmente bem humorado e envolvente. Nota 9.

    G: Textos cotidianos possuem a tendência de serem mornos, oque não aconteceu aqui. Desde o início dos devaneios até o final da história narrada, o personagem principal e seu amigo cativam. Sarcasmos e ironias bem pontuados. Divertido e com uma “lição de vida” embutida. Nota 9.

    U: Tenho problemas com a Síndrome dos Parágrafos Colados, mas aqui não chegou a atrapalhar. Está bem escrito e de maneira fluente. Nota 9.

    A: Inusitado, uma bela tragicomédia. Nota 9.

    Média: 9.

  34. Rafael Magiolino
    1 de abril de 2015

    Bom, vamos lá.

    Logo no início identifiquei dois problemas que me fizeram perder parte da atenção no texto: o parágrafo longo e a repetição de palavras. Esta segunda que, por sinal, estende-se ao longo de toda a escrita.

    Não consegui ser captado pela ideia central, uma vez que notei um enredo fraco, com personagens pouco identificados e um desenrolar sem emoção, muito fraco. Acredito que com o tema recebido, você poderia ter feito algo muito melhor.

    Abraço e boas sorte!

  35. Claudia Roberta Angst
    1 de abril de 2015

    Interessante como desenvolveu o tema “Amor”, com uma crítica social de fundo, de frente e de lado…rs. Gostei da narrativa bem costurada, com elementos críveis. A leitura flui fácil sem cansar o leitor com rodeios desnecessários. Por algumas frases ou toques de ironia, pensei ter reconhecido a autoria, mas creio que foi alarme falso.
    (…) vamos beber cachaça, que é muito mais barata que cerveja, em qualquer cabaré da cidade, e se agarrar (…) – erro de concordância > vamos/ se agarrar
    Enfim, apreciei a leitura do conto. Boa sorte!

  36. Alan Machado de Almeida
    1 de abril de 2015

    Acho que quem pediu pelo tema Amor na pesquisa esperava por algo romântico, mas o autor desse conto nos trouxe algo bem pessimista, quebrando assim o esperado. O conto já me despertou interesse no primeiro paragrafo com sua ideia capitalista do amor. Parabéns.

  37. André Lima
    1 de abril de 2015

    Bom, vamos lá…
    Esse foi o conto mais original até então!
    Inicialmente eu achei que seria um tempo perdido, pois o texto se mostrava mal escrito. Mas o conto foi me envolvendo de tal maneira que acabou sendo a experiência mais divertida de todos os contos até aqui! Há alguns erros gramaticais, como a falta de pontos de interrogações e vírgulas, há também um erro de digitação (É sempre bom frisar que o autor deve ficar muito atento e sem pressa de enviar o texto), mas foi realmente divertido!

    A linguagem informal, a forma como tudo foi narrado… Eu consigo esquecer esses erros gramaticais, pois gostei bastante do conto. Parabéns!

  38. Fabio Baptista
    31 de março de 2015

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Meu, muito bom!

    Dei muitas gargalhadas aqui. Gostei bastante de quase tudo: da escrita despojada, das piadas, do “foda-se” ao politicamente correto, do enredo.

    Só não curti muito esse final. Achei que foi um corte muito seco, com uma frase sem muito efeito.

    No apanhado geral, porém, ótimo conto! Parabéns.

    NOTA: 8

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Informação

Publicado às 31 de março de 2015 por em Multi Temas e marcado .