EntreContos

Detox Literário.

Longa Noite (Maria Santino)

Acauã

Os grãos de areia e poeira caíram na madeira do assoalho quando Maria Quitéria sacudiu a rede para deitar a pequena Rita. A mulher mestiça, quase indígena, tratou de prender o mosqueteiro a rede para evitar as incômodas carapanãs, depois ergueu a saia e se sentou no batente da porta apoiando os pés nos degraus da escada. Trazia nas mãos uma manga espada muito madura a qual bateu na quina da porta por duas vezes seguidas a fim de desprender grande quantidade de sumo do fruto, massageou com os polegares, furou a casca com os dentes e sugou aquele néctar fechando os olhos de prazer. Deitou as vistas, vez por outra no caminho com alguma preocupação, pois já começava a escurecer e o marido, Antônio Félix, ainda não havia retornado da caçada.

O vento frio, prenúncio da cruviana noturna, buliu nas folhas das goiabeiras ao lado dela e depois veio eriçar os pelos de seus braços deixando-a mais preocupada ainda. Joanita, esposa do pescador Chico Pacu, apontou no início da trilha trazendo um pote de água na cabeça, Quitéria pensou em perguntar dela se não havia cruzado com Félix pelas bandas do rio. A mulher descansou o pote sob a sombra da cumeeira, pôs as mãos nas cadeiras espreguiçando o corpo moreno e roliço e depois foi sentar-se junto da outra.

– Dê cá uma, dê. – Indicou com o queixo para manga. Quitéria procurou um fruto bonito no interior do forno do fogão ao lado e entregou a Joanita que prosseguiu. – Vai pra missa amanhã?

– Tô querendo. – Suspirou olhando mais uma vez para a trilha.

– Hum, hum… Quede Félix? – Os olhos curiosos vasculharam rapidamente o interior da casa, Quitéria embalou o punho da rede que rangeu carente de lubrificação.

– Tá no mato. – Respondeu afundando a cabeça nos ombros, percebendo que a outra nada sabia do paradeiro do marido.

– Ah! Mas amanhã é sexta – feira da paixão, matar bicho é pecado, Félix num pode fazer virada hoje não.

Quitéria calou-se, o caroço da manga já estava branco de tanto que ela o havia sugado, atirou-o no terreiro, com cuidado para não acertar nos cães dos vizinhos que brincavam por ali, e disse tristonha:

– Sei não. Tu vê o que ele fala quando nós diz: “Félix, a noite é do mal”.

– “É de Félix também”. – Brincou a outra engrossando a voz.

As mulheres riram alto enquanto a noite cobriu a luz do sol.

 

*******

 

Antônio Félix era assim mesmo, metido a valente com certo sadismo na hora da caça. Chegava em Silves sempre com uma história nova para contar. Se pudesse matava a anta na unha, a onça com um punhal pequeno, e por vezes lamentava a chance perdida de estourar a cabeça de um índio quando este cruzou com ele. Não dava tiro de misericórdia nos animais abatidos e contava a morte de cada caça estufando o peito nas rodadas no terreiro junto dos outros moradores da Vila Silves.

– A desgraçada esturrou alto, eu mirei palm’dentro e amassei. “Páááá!!!!” Ela caiu. Me cheguei pertinho, a bichona se tremia que só vara verde quando o vento passa. O cigarro chiou quando apaguei ele nos olhos da gatona que se estrebuchou cheinha de raiva.

Os moradores que escutavam aquelas narrativas tinham expressões diversas entre dó, raiva e desconfiança, mas ninguém ouvia Félix com indiferença. O homem não se importava com a carne conseguida, doava a grande maioria e por esse motivo era tão querido. Para ele, o que importava era ter alguma estória sádica para contar. Mas naquele dia, nada. Félix andou o tempo todo sem avistar caititu, paca, ou cutia sequer. Ao cair da noite já estava irado desejando abater nem que fosse uma nambu, ou qualquer outro pássaro, por isso os olhos seguiam cravados para o alto das árvores.

Andou bem mais que o habitual e quando começou a sentir os primeiros sopros gelados da noite, desistiu. Parou em uma clareira, puxou uma grossa camiseta de dentro da cangaceira costurada por Quitéria e vestiu sobre a outra. Deu alguns pulos para se aquecer e o tecido ajustar no corpo esguio, pegou a lanterna e agachou-se para colher um punhado de piracuí. Fez da mão uma concha e apanhou no ar a saborosa farinha de peixe, repetiu o ato mais uma vez e depois catou uma castanha e atirou-a na boca empurrado tudo com um gole de água. Pronto. Sabia que não iria sentir fome tão cedo e poderia partir em retirada, mesmo que isso significasse não ter estória nova para contar.

O canto do cricrió deu espaço ao do bacurau, Félix colocou um paieiro nos lábios e seguiu com a espingarda à tira colo. Em dado momento, estranhou vozes distante, pois pelos seus cálculos ainda estava muito longe da Vila. Seguiu para perto da turba e discerniu uma cantoria:

“Penitente pede esmola,

é porque tem precisão:

Vai jejuar quarta e quinta,

sextá – feirá da paixão.”

 

Procurou por todos os lados e não viu vivalma, entretanto, a mata abria espaço para uma trilha cujo fim dava em uma Vila. Estranhou, julgou conhecer a mata com a palma de sua mão. No entorno, ninguém, mas ainda assim o som aumentava cada vez mais perto.

Penitente pede esmola, chefe!” – Ouviu e sentiu um bafo quente diante de si, e num átimo, puxou a arma e disse engrossando a voz cheio de valentia: – Seja alma, Cão caído ou qualquer peste que vem azucrinar a paz de Antônio Félix, ele num tem medo de nada. Passe já!

A cantoria continuou e sem que ele pudesse se defender sentiu encontrões em seu corpo com tanta força capaz de jogá-lo no chão, mas não caiu. Cambaleou lá e cá ouvindo o vento ser cortado pela cinta dos penitentes que flagelavam a si mesmo naquela procissão invisível. O caçador ainda engatilhou a espingarda, mas a cantoria cedeu deixando apenas um cricrilar distante. Não demorou nada para avistar um caboclinho balançando no galho de uma árvore próxima, focou com a lanterna e só conseguiu avistar a bermuda azul e o contorno do curumim que cavalgava montado no galho como em um cavalo. Félix se chegou e parou bem embaixo, mas ao tentar perguntar algo, o garoto se soltou e veio a pancada na cabeça como se alguém lhe desferisse um golpe com um pedaço de madeira.

“Tááááá!”

A dor insuportável o fez cair sentado, mas quando procurou o pequeno, viu somente um gato maracajá escalar a árvore e em seguida ouviu novamente os gritos do caboclo. Félix saltou querendo entender o que havia acontecido e novamente o baque na cabeça. – Ainda que a protegesse com os braços.

“Tááááá!”

Mais uma vez sentiu a dor absurda que o deixou zonzo, xingou de todas as formas que podia, e quando olhou no chão, lá o gato novamente escalava a árvore. Com um estremecimento no corpo não esperou a queda e saiu de perto escutando aqueles gritinhos alegres e o farfalhar das folhas, porém, não escapou de ser atingido mais uma vez. Espumando de ódio, as mãos tocaram o gatilho da espingarda e ele atirou sem fazer mira. Quando abriu os olhos escutou um piado e viu uma pequenina picota com alguns pintinhos correr e se esconder em uma moita. Félix sapateou com as botas, demente de ira tentando esmagar as aves que eram mais rápidas que ele. O susto o fazia sentir-se ridículo, diminuído. Caminhou, aporrinhado, braçadas e braçadas de mata, a boca não parava de xingar até ficar seca. Sentia que a Vila se distanciava cada vez mais. Temia ficar parado e ser envolvido pela cruviana, cujos sopros álgidos são capazes de traspassar qualquer tecido e penetrar os ossos. Porém, por mais que a mente estivesse ciente disso, o cansaço já falava mais alto.

Um mutá armado foi avistado no pé de uma ladeira, e assim que chegou até ele, pôs-se a galgá-lo ágil como um macaco. Bebeu, com sofreguidão, a água do cantil e prosseguiu bodejando enquanto recarregava a arma, estava enfezado com aquela situação, mas assim que lembrou do gosto do tarrabufado de anta que só Maria Quitéria sabia preparar e do cheiro doce de sua filhinha, Ritinha, um sorriso se formou. Pensou nelas abrigadas e aquecidas, e logo o sono amorteceu o seu corpo pregando as suas pálpebras.

 

********

Em casa, Maria Quitéria ainda não havia conseguido dormir, agitava-se na rede fazendo ranger os esteios da casa. A paz dissipava-se quando lembrava a afronta do marido em permanecer caçando no dia santo. Pôs-se em pé e abriu o trinco da janela suportando-a acima da cabeça por algum tempo. O lençol da névoa branca cobria o mundo.

– Ah! Home teimoso!

O peito palpitava apreensivo e ela fazia preces espremendo o escapulário, de olho no caminho:

“Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra…”

­Ritinha chorou e a mulher deu-lhe de mamar desejando o canto do galo para trazer a luz do dia.

*******

Félix acordou sobressaltado, mergulhado no mal estar. A noite ia alta, o tremor do frio era intenso, mas a gastura provinha de um forte cheio do sumo de diversas folhas verdes. Ouviu o que parecia ser o bater de asas e um rumor insistente vindo de várias direções.

Ênh! Ênh! Ênh!” – E um gorgolejar paposo completava – “Cuaar!

“Ênh! Ênh! Ênh! … Cuaar!

Félix catou a arma e focou com a lanterna, mas não viu nada. A raiva de se sentir assustado o impeliu em dizer:

– Quem tá aí? Aparece, diabo!

O incômodo silêncio foi o que teve de resposta, não se ouvia nenhum animal terrestre, ou morcego, e nem o vento ousava mexer com as folhas das árvores. O foco da lanterna vacilou quando ouviu:

“Ei! Você gosta de gente verde?”

O timbre cavernoso, primitivo, fê-lo sentir-se acuado. Atirou a luz para todas as direções, o peito ia a galope.

“Ênh! Ênh! Ênh! … Cuaar!

“Ênh! Ênh! Ênh! … Cuaar!

“Ei! Você gosta de gente verde?”

Pasmou diante da agitação entre as copas das árvores, via contornos desmedidos onde duas grandes cabaças rubras e cintilantes o encaravam da mesma forma hipnótica de uma serpente prestes a dar o bote. Durante toda sua vida, Félix tinha visto diversas criaturas, mas nenhuma delas se comparava a aquela. As tochas de fogo mantinham-se fixas num ser galiforme de garras negras suportando um corpo ornado em penas escuras que se inchavam aumentando as proporções. No papo lustroso como uma bexiga, um líquido pulsava. O aspecto era o de uma gárgula demoníaca, mas o homem não tinha tais referências e apenas imaginava-se diante de uma galinha gigante. Reinou em puxar o gatilho, mas esperou ter certeza. Não deixava de imaginar a fama em abater algo como aquilo. O longo pescoço se aproximou mexendo como um pêndulo. Uma volta na árvore próxima, e mais outra e mais outra, logo aquela cabeça do tamanho de um jacá, estava sobre o caçador que disparou.

“Buuuummm”

O tiro ecoou na mata, atraindo um aranzel de outros sons, o projétil ricocheteou e passou rente a orelha do homem, quase surdo ante aquele tumulto. O ser agitou o corpo e o asco do cheiro se condensou. Descargas de adrenalina mergulharam Félix na ânsia atormentada do terror. Se tivesse uma carapaça, qual tracajá, recolher-se-ia imediatamente, mas estava ali sentindo cada músculo seu vulnerável, pequeno. A coragem se esvaia por completo e ele contorcia os músculos das nádegas a fim de conter o caldo quente que borbulhava raivoso frente à ameaça do bico redondo prestes a investir.

 “Você não gosta de gente verde, chefe?”

Uma forte bicada destruiu o estrado. Arma, lanterna e homem espatifaram-se no chão. Com a boca cheia de terra, Félix observou o ciscar, prenúncio das duras bicadas em sua cabeça. Caiu diversas vezes antes de ganhar o mundo levando embora o que via pela frente. Urtigas lanharam seu rosto junto de cipoadas dolorosas. O desassossego causado por aquelas marteladas o impelia em correr alucinado tossindo comprido ao ter a garganta seca e ardida de frio e pavor. Quando achava que já havia corrido o suficiente, uma bicada em sua cabeça o desnorteava, mas logo apressava o passo e seguia adiante. A besta galinácea o acompanhava sem pressa, e no entorno, o coaxar dos sapos parecia zombar de seu sofrimento. O discurso do homem já era outro, esconjurava e clamava ajuda a todos os santos que conhecia, sentindo o corpo moído e enfermo. O véu do tempo foi rasgado e as horas tornaram-se joguete da noite.

“Ênh! Ênh! Ênh! … Cuaar!

“Ênh! Ênh! Ênh! … Cuaar!

Félix deu-se por vencido e se atirou no chão tapando os ouvidos e recolhendo-se como semente, o cheiro chamava o vômito, mas não havia mais forças. Esperou pelo baque final, que não veio, em seu lugar um farfalhar e pio de diversas aves explodiram junto com despontar dos primeiros feixes de luz entre as copas das árvores. O alívio seria completo, se não fosse as finas bicadas e arranhões. Agitou o corpo a fim de se proteger. Sanhaços, bem-te-vis, rolinhas… Uma aquarela de pássaros investia contra ele retirando-o da mata.

Quando pisou o chão da Vila, divagava entre realidades, pisando lento no terreiro de areia e repetindo frases ininteligíveis. Talvez uma prece, talvez uma sentença gravada em seu subconsciente. Logo as primeiras vozes dirigidas a ele foram ouvidas:

– Eita, que o home vem mais sério que porco mijando!Exclamou um morador acenando antes de tomar um atalho para o rio.

Mas Félix não respondeu, a roupa colada no corpo rescendia àquele cheiro forte de verde. Vinha cambota, trôpego, crepitando em febre com os cães ladrando aos seus pés.

– Fale, coronel! – Brincou o vizinho Chico Pacu, e como o outro não expressou qualquer reação, Chico completou a brincadeira com um sorriso solitário – Diminua a patente e aumente o salário, né não Félix?

Na frente de sua casa as mulheres repartiam uma grande quantidade de mari mari cujo cheiro adocicado ia buscar longe, mas logo elas sentiram o odor nauseabundo que não as incomodou tanto quanto a imagem do homem que se deixou cair sentado apoiando a cabeça em um dos barrotes da casa.

Maria! Acuda aqui! – Gritou Joaninha, aturdida, e prosseguiu levando a mão à boca –Ave Santa, Félix tá lombrado! Isso foi beijo de Cruviana, só pode.

Os moradores se prostraram assustados em roda de Félix, que não dizia nada só arfava em agonia, a cabeça minava sangue. Copos e copos de água foram jogados nele, mas coisa nenhuma o fazia ter qualquer reação. De repente, seus músculos ficaram rijos e ele apontou o dedo trêmulo para as estacas não muito distantes. Logo todos exclamaram assustado um bramido uníssono levando as mãos aos peitos ante um imponente acauã empoleirado. Temiam o seu pio agourento, sentença de morte, mas a ave permaneceu imóvel. Por um punhado incerto de tempo, um vendaval levantou poeira cegando todos ali. Ninguém, exceto Félix, conseguiu ver o acauã rasgar os céus depois de mexer a cabeça rapidamente cá e acolá e esboçar, para ele, o que pareceu ser um sorriso de troça.

56 comentários em “Longa Noite (Maria Santino)

  1. Miguel Bernardi
    11 de janeiro de 2015

    Como comentei em todos os textos até agora, o regionalismo/nacionalismo me agrada muito, e creio que neste conto foi onde esse fator mais me agradou. A atmosfera criada convence, nos traga para dentro dela. Entretanto, alguns termos utilizados fazem com que possa-se perder a totalidade do texto…

    No mais, é muito bem escrito. Um ótimo conto, acima da média.

    Abraço e boa sorte no desafio!

  2. Pétrya Bischoff
    11 de janeiro de 2015

    Buenas, vivente! Penso que o primeiro conto com “regionalidades de interior” que me agrada por si, sem poréns. Gostei da narrativa, sem qualquer exagero. Agradou-me, também, a descrição dos momentos do cara no mato, de como foi perdendo sua autoconfiança ao passo que o medo tomou conta. Gostaria de ter conhecido mais da criatura, acabei não entendo direito sua fisionomia para além de uma ave. Também não entendi se ele morreria dos ferimentos, por alguma picada específica, ou nem morreria… mas enfim, achei bem desenvolvida e envolvente. Parabéns e boa sorte.

  3. Marcellus
    11 de janeiro de 2015

    Escrever com sotaques e referências regionais é uma faca de dois gumes, mas que, neste caso, mais ajudou que prejudicou. Só por isso o conto já estaria entre os meus prediletos.

    Senti falta de um tiquinho mais de exposição da criatura.

    No mais, o autor está de parabéns! Boa sorte no desafio!

  4. Swylmar Ferreira
    11 de janeiro de 2015

    Antônio Félix, muito bom mesmo.
    Uma daquelas histórias antigas e cheias de ensinamentos que ouvíamos nossos avós contar.
    Bem vamos lá. A estrutura objetiva, com personagens bem caracterizados, boa criatividade com enredo imaginativo. A escrita é muito boa.
    Valeu bastante não apenas por sair do trivial, mas por nos apresentar este excelente ‘causo’.
    Parabéns!

  5. Letícia Oliveira
    11 de janeiro de 2015

    A escrita está ótima, apesar de ter uns erros de digitação. Não entendi muito bem algumas partes da história, mas gostei da caracterização do cenário e dos personagens e do regionalismo sem exagero. Bom conto! Parabéns e boa sorte.

  6. Sidney Muniz
    10 de janeiro de 2015

    Eu gostei muito!

    Um bom conto, dentro dos temas e com um quê de quero mais!

    Parabéns e boa sorte!

  7. Fil Felix
    10 de janeiro de 2015

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 4/5

    Conto bem escrito, lotado de regionalismo (alguns peguei, outros não), interessante como trabalha com as palavras sem explicar muito, dá mais naturalidade à obra. Entretanto, achei a leitura um pouco travada as vezes. Em relação ao tema, foi bem aplicado, gostei dessa galinha gigante, só não entendi se era a mesma com os pintinhos o.O

    = PESSOAL = 3/5

    De maneira geral, é um bom conto. Bem desenvolvido, fechadinho, sem grandes problemas. Mas não chegou a me tocar. Não entendi direito o barato da “gente verde”, acho que não peguei a referência kk

  8. rsollberg
    10 de janeiro de 2015

    Fala Felix!!!

    Um conto que inegavelmente prima pela técnica.
    É perceptível o trabalho de pesquisa e consequentemente a ambientação.

    Particularmente acho que o regionalismo quase sempre dá um “charme” ao texto. O que não sei, procuro. Aliás, esse é normalmente um dos objetivos das minhas leituras, aprender e aumentar o vocabulário.

    A trama é interessante, mas o ponto alto são os personagens.

    Parabéns e boa sorte!

  9. Anorkinda Neide
    10 de janeiro de 2015

    Foi o primeiro conto que li e quase q o ultimo a comentar.. hiahua
    Fiz um esquema de comentarios aleatorios este mes 😛

    Bem.. o que dizer? Achei o conto bárbaro..bom mesmo, parabens!
    Amei o final, impactante.
    Gostei do regionalismo que ficou na medida certa, pude ‘ver’ as mulheres perfeitamente, nao senti falta de melhor caracterização do Felix..ele esta descrito nas conversas das mulheres… gostei disso!
    Gostei da criatura tb.. um barato!
    Obrigada por esta leitura!

  10. Lucas Rezende
    9 de janeiro de 2015

    O conto prende bem o leitor. Algumas vezes dei uma travada nos regionalismos, mas nada que mereça importância. A história foi executada muito bem, maldito caboco judiando dos animais. Gostei do fim, se ele tivesse morrido seria pouco pra ele.
    Boa sorte!!!

  11. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    6 de janeiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Boa, com um ótimo vocábulo. Entretanto, se arrasta demais em algumas partes, deixando a leitura cansativa. Mas, cumpriu bem seu dever. Narrou com competência e descreveu as cenas com precisão. Deu para imaginar tudo. Se fosse menos rebuscado, seria melhor. O regionalismo também ficou muito bem empregado, apesar de eu desconhecer quase tudo relacionado à isso no texto.

    Sobre o enredo.
    Não me agradou muito, mas foi mais questão de gosto. Acho que a narrativa que se arrastou em algumas partes acabou contribuindo para isso. Vi que alguém falou sobre trabalhar melhor no desenvolvimento do Félix, e concordo. Queria ter visto mais dele, para poder criar a mínima empatia que fosse. Quanto a criatura, teve pouco enfoque, mas consegui imaginar bem. Remeteu-me ao episódio de natal dos Simpsons onde um Peru ganha vida. Sei lá, imaginei essa ave ai como um avestruz. hahahaha

    Aconselho que diminua um pouco das palavras rebuscadas do texto. Nesse caso, o mais simples seria melhor.

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Fale, chefe! Ah, nem dá mais pra brincar disso 😦

      Agradeço a leitura, comentário, tempo cedido, sugestões (sério)…mas vou ficar só com a revisão mesmo. Sobre questão de gosto, não há o que se discutir e não discuto. Lamento muito que “não pôde criar o MÍNIMO de empatia pelo personagem”, ainda que haja a apresentação dele com as mulheres e narrador. Sobre “Aconselho que diminua um pouco das palavras rebuscadas do texto. Nesse caso, o mais simples seria melhor.”, respeito mais uma vez, mas discordo. Tudo o que está aí foi o que o meu texto quis dizer.

      Novamente, obrigado. Boa Sorte para você também, JC!

  12. Laís Helena
    5 de janeiro de 2015

    O conto é arrastado em algumas partes, mas quando Felix é atacado você soube passar muito bem a emoção do momento. Com exceção de alguns deslizes na revisão e algumas frases longas demais, foi um bom conto. Apesar da linguagem regional, nota-se que a mitologia usada foi bem pesquisada; gostei do agouro de morte ao final.

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Obrigado pelo comentário.

      Boa Sorte para você também, Laís.

  13. Ana Paula Lemes de Souza
    5 de janeiro de 2015

    Parabéns! Gostei bastante da narrativa, da forma com que foi escrito o conto, do regionalismo, do clima de medo do Antonio Félix. Muito bacana mesmo!
    Boa sorte!

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Obrigado pelo comentário. Fico feliz que você tenha apreciado a narrativa, pois para mim, é ela que faz toda a diferença. Vamos conversar um pouco? Sabe aquele livro, Felicidade Clandestina da Clarice Lispector? Pois bem, lá existem contos com tramas aparentemente muito simples como: TENTAÇÃO, CEM ANOS DE PERDÃO e o próprio conto que dá nome ao livro. Veja bem, só uma menina ruiva diante de um cão ruivo, um roubo de rosas ou o empréstimo de um livro –respectivamente–, mas não há quem narre daquela forma cheia de divagações, epifanias…

      Bem, o caminho é longo. Boa Sorte para você também, Ana!

      • Ana Paula Lemes de Souza
        7 de janeiro de 2015

        Olá Antônio Félix, claro que vamos conversar, adoro conversar! Ainda mais se for pra falar de Clarice Lispector e de uma de suas obras maravilhosas, que é Felicidade Clandestina. Inspiro-me bastante nela quando vou escrever e é uma de minhas eternas referências, pois, como ela, procuro sempre escrever com o coração e com alma, acima de técnica ou de conceitos pré-concebidos.

        Inclusive Felicidade Clandestina é interessante, pois Clarice nunca se prendeu a gêneros. Nessa reunião, há uma total migração, muitas vezes pulando entre contos, crônicas e ensaios, algumas vezes até mesmo com caráter auto-biográfico. Isso é mágico! Adoro isso, essa questão de ser simples e diferente ao mesmo tempo, de ter personalidade na hora de escrever, sem medos, fazer diferente de como dizem que tem que ser feito. Essa é a principal beleza de Clarice…

        Sem dúvidas o caminho é longo e árduo, cheio de epifanias pessoais também, mas um dia chegaremos lá.

        Abraço!

  14. Jowilton Amaral da Costa
    4 de janeiro de 2015

    Gostei, Boiei legal em algumas palavras, mas não perdi o fio da meada. O galináceo é um bicho do folclore brasileiro ou foi inventado? Nunca ouvi falar deste bicho, que sem dúvida é bem original, A condução do conto foi muito bem feita, causando ansiedade e certo temor. Se não me engano o nome da tela para proteção contra mosquitos é Mosquiteiro e não Mosqueteiro, mosqueteiro é quem luta usando um mosquete, tipo de espada. Boa sorte.

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Obrigado pelo comentário.

      Sim, há sim uma lenda indígena sobre aves gigantes aqui no nosso país “A LENDA DA GALINHA GRANDE — Nas estradas pouco trafegadas aparece um animal, sob a forma de uma galinha, acompanhado de uma grande ninhada de pintinhos. A galinha e os pintinhos vivem mariscando, e quando avistam ou são avistados por alguém, começam a crescer e acabam atacando o viajante”. Há também relatos de pessoas que avistaram pássaros gigantes http://www.sobrenatural.org/relato/detalhar/3388/passaros_gigante/

      Obrigado pelo toque, pior que eu sei que é mosquiteiro, mas acabei grafando errado.

      Boa Sorte para você também. Jowilton!

  15. bellatrizfernandes
    2 de janeiro de 2015

    Embora eu não curta regionalismo, seu conto tem qualidade inegável! Parabéns!

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Oi, Bella. Quem sabe se você der uma chance, hum? Tem muita coisa boa no nosso Brasil com regionalismos.
      Obrigado pelo comentário.

  16. Eduardo Matias dos Santos
    1 de janeiro de 2015

    Gosto de regionalismo, mesmo quando as palavras são escritas como se fala – o que, se não usado com cuidado, atrapalha a leitura – Entretanto isto não aconteceu com frequência, a leitura foi limpa e bem interessante. Parabéns e boa sorte

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Obrigado pelo comentário.

      Estava ciente dos riscos quanto ao regionalismo, quando submeti o texto. Fico feliz que você apreciou, Eduardo.

      Se está participando, então Boa Sorte pra você também!

  17. williansmarc
    31 de dezembro de 2014

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 8
    Ortografia/Revisão: 8
    Técnica: 8
    Impacto: 7
    Inovação: 8

    Minha opinião: Gosto desse tipo de trama em que o caçador vira a caça e, nesse caso, ficou bem criativa a mistura com criaturas do folclore brasileiro. Em algumas partes achei o texto um pouco arrastado demais, acho que algumas descrições poderiam ser enxugadas para deixar o texto mais ágil.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Quantas notas altas, hein? Obrigado.

      Sabia que muito já foi enxugado? rsrs. Só vou arrumar a revisão, amigo. Para manter a “verve”.

      Boa sorte para você também, Will.

  18. piscies
    29 de dezembro de 2014

    TRAMA 4/5
    Gostei muito da história. Fiquei preso na tela, querendo saber o final a todo custo. Considerei o final um pouquinho anticlimático, mas a história no geral é muito interessante. A caçada foi muito bem descrita, o psique do Antônio foi explorado a fundo, assim como o de Maria.

    TÉCNICA 5/5

    Não tenho nada para falar sobre a escrita do conto, que não elogios. Execução perfeita. Confesso que tive que parar diversas vezes para identificar as palavras desconhecidas, o que quebrou um pouco a fluência da narrativa, mas quem mandou não saber das coisas, não é? rs .

    Excelente conto!

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Olá, Piscies!

      Eu agradeço pelas notas altas e palas palavras. Não entendo muito esse lance de “anticlimático” (acho que também passei batido pelas aulas do telecurso 2000. kkk), mas fico muito feliz que você tenha achado que foi explorado o psique do personagem. Entendo o lance das palavras desconhecidas, mas, acredite, me esforcei um pouco para deixar algumas coisas autoexplicativas.

      Boa sorte para você também.

  19. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014

    Conto fantástico, com certeza. Legal também a sequência paralela (de um lado a ação de Antônio Félix, de outro a calmaria das moças, a despeito da preocupação). Só achei que as cenas de ação foram um tanto prejudicadas pela linguagem e pelas descrições. Estas, no entanto, foram muito úteis na parte inicial, quando pude inclusive me sentir dentro da história. Muito bom.

    • Antônio Félix
      7 de janeiro de 2015

      Obrigado pelo comentário, Daniel!

  20. Antônio Félix
    22 de dezembro de 2014

    Muito prazer, estou aqui pra dizer
    Que canto pra minha aldeia, sou parte da teia
    Da aranha sou par
    E como o rio que me banha e que te manha
    É branco do mesmo trigo
    Eu sou o cio da tribo
    E posso até fecundar

    Meu chibé com carne seca te provoca
    Minha damorida queima e te ensopa
    Teu café na rede, mi capitiana
    Tua tez me cruviana

    Antônio Félix não sabe cantar ansim tão bem não. É canção de Neuber Uchôa, por nome: Cruviana. Mas… Bem que queria ver se o chefe guenta prová a Damorida que Quitéria prepara. Ô, se queria!

    A pessoa que escreveu esse conto esperava com certa ansiedade pelo seu comentário. Muchas Gracias!!!
    Feliz Natal, pro cê!

    • Antônio Félix
      22 de dezembro de 2014

      Resposta para Gustavo de Andrade

  21. Claudia Roberta Angst
    22 de dezembro de 2014

    Não sei se houve excesso de palavras regionais, só achei o conto longo. No entanto, cheguei à conclusão que esta minha aparente má vontade é devido ao fato de não gostar de ler na tela do notebook. O conto está bem desenvolvido, sem pontas soltas e com personagens cativantes. Bom trabalho! Boa sorte.

    • Antônio Félix
      22 de dezembro de 2014

      😦

      • Claudia Roberta Angst
        31 de dezembro de 2014

        Não faça cara feia. A nota será boa!

  22. Gustavo de Andrade
    22 de dezembro de 2014

    Olha… não me importaram as palavras que eu não sabia. Os personagens são amarrados de uma forma tão sutil e proveitosa que eu, sempre que tropeçava em algum lugar no texto, logo me levantava sem dificuldades. Claro, Antônio deveria preocupar-se com o repertório de quem lê, talvez inserindo um apêndice ou índice de referências, mas não foi algo que quebrou o texto.
    Achei muito bom o começo, o diálogo entre as duas, em como conseguiu definir bem a personalidade do protagonista sem esquecer dos que estavam em plano de fundo. O fato dos vizinhos, no final, parecerem meio “meh” também é explicável: de fato, eles não eram muito notáveis na história e não fizeram falta.
    Gostei bastante! Boa sorte!

  23. Fabio Baptista
    19 de dezembro de 2014

    ======== TÉCNICA

    Gostei, empregou bem o regionalismo e deu bom ritmo à narrativa.

    – prender o mosqueteiro a rede
    >>> à

    – a qual
    >>> Eu sempre estranho quando vejo isso em um conto.

    – Tu vê o que ele fala quando nós diz:
    >>> Às vezes o regionalismo gera frases estranhas, como essa aqui por exemplo.

    – vozes distante
    – exclamaram assustado
    >>> concordância

    ======== TRAMA

    É bastante simples, dependendo muito do carisma dos personagens para funcionar.

    Isso até acontece a contento, mas algumas coisas poderiam ser melhor exploradas – o protagonista, principalmente.

    O “embate” com a criatura se dá muito às escuras, talvez ela pudesse aparecer um pouco mais.

    O final cumpre seu papel – faz o leitor terminar a leitura com um sorriso (de satisfação, não de troça).

    ======== SUGESTÕES

    Trabalharia um pouco melhor o Félix antes da caçada. Acho que assim sentiríamos um pouco mais de medo por ele.

    Mostraria mais da criatura fantástica.

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: ****
    Trama: ***
    Impacto: ***

    • Antônio Félix
      20 de dezembro de 2014

      Pois que Maria Quitéria cegue, se eu tiver mentindo. Tu quer ver? Espia!

      A pessoa que escreveu esse conto sente admiração por tu, cabôco bom!

  24. Sonia
    14 de dezembro de 2014

    Tem o mérito de abordar o nosso folclore, e falar de um tema pouco conhecido. O cuidado que se deve ter ao tratar de um tema tão regionalista é não deixar o conto assim meio que “estrangeiro” por excesso de palavras regionais.
    Teve impacto. Passou emoção.

    • Antônio Félix
      19 de dezembro de 2014

      Antônio Félix “capa o gato” e pede auxílio.

      Oi, Sônia! Valew pelo comentário.

      Você acho que o conto ficou estrangueirado?

      Quando o escrevi sabia que estava me arriscando, mas eu gosto de riscos (de verdade). Tentei deixar algumas coisas autoexplicativas como quando falo do vento frio conhecido como Cruviana e noutras passagens, há algumas explicações também. Quando o bico da galinha gigante desfaz o mutá, se fala em estrado, a cangaceira de couro costurada por Quitéria… Entendo que expor um texto aqui é ficar na linha de frente com diversos leitores com bases diferentes e formas de assimilação distintas. Esse é um dos motivos de participar dessa brincadeira (PORRETA!). Agradeço novamente e fico muito satisfeito com seu feedback.

      Falouuuu! Um abraço!

      • Antônio Félix
        19 de dezembro de 2014

        O que é estrangueirado? Leia estrangeirado.

  25. Andre Luiz
    14 de dezembro de 2014

    Este comentário será longo pá burro, então se avexe e põe os pé pra cima que vai cumeçá! Meu fio, seu continho tá pra lá di bão e eu até dirconfio que é alguém ou di Minas ou então lá do norte do Brasir, que tá bem regionar mar sem sê muito. Gostie di algumas passagem como essar:”Trazia nas mãos uma manga espada muito madura a qual bateu na quina da porta por duas vezes seguidas a fim de desprender grande quantidade de sumo do fruto, massageou com os polegares, furou a casca com os dentes e sugou aquele néctar fechando os olhos de prazer.” Fiquei cum tanta vontade qui até chupei uma manga espada por aqui. “Cambaleou lá e cá ouvindo o vento ser cortado pela cinta dos penitentes que flagelavam a si mesmo naquela procissão invisível.” Eu tenho um medin piqueno dessas procissão macabra. “O timbre cavernoso, primitivo, fê-lo sentir-se acuado. Atirou a luz para todas as direções, o peito ia a galope.” Eu vi o peito do Félix galopar de terror, o meu também tava aqui mexendo igual cobra engulino um boi, fazenu força pra pude respirá. “O véu do tempo foi rasgado e as horas tornaram-se joguete da noite.” Bom dimais da conta! “Uma aquarela de pássaros investia contra ele retirando-o da mata.” Igual aquela minina dos anõezinhos kkk I como eu sô minêro, não falu assim marr’achei adequado pru momento, eu até ia convidá o tal do Féliz pá tomá um cafezin e cumê um quejim, marr’u caboclo tá é duro qui nem pau de mesa. Arriégua! Parabéns e sucesso, brincadeiras à parte!

    • Antônio Félix
      19 de dezembro de 2014

      Ah,Ahi! Ih,ih!

      De onde será que Antônio Félix é, hein? Um cafezim caia bem sim, ou uma cuia de açaí com tapioca! Os beiju que Maria Quitéria faz são pai d’égua. Mando minha picota gigante levá pra tu.

      Antônio Félix manda seus cumprimentos.

  26. mariasantino1
    13 de dezembro de 2014

    Ah! Sas tecnologia nos pegando pelo pé 😦

    Gostei que você não quis facilitar para o leitor e deixá-los curioso quanto aos termos (eu gosto disso, não curto muitas explicações mesmo). São diversos os Infortúnios do caçador — os flageladores que derramam sangue de si mesmos para diminuir os pecados = penitentes – Sinceramente, eu morro de medo dessas coisas relacionadas a igrejas, fé e afins. Tudo, tudo me dar medo, imagens sacras, roupas de padres, o próprio padre, água benta… Nem sei se existe nome pra essa fobia. — O curumim da mata que se metamorfoseia em bichos, ou seja o Anhangá, entidade que protege a caça e pode se transformar em qualquer animal, gostei dele não ter se transformado no veadinho, que é o mais comum. —A grande galinha também pode ser uma espécie de anhangá (espirito velho), seus olhos de fogo indicam isso e também as visões e delírios do caçador, típicos de quem esteve frente a frente com um ANHANGÁ.

    Muitas pessoas curtem contos com folclore de fora, seres européios, eu também curto muito e vi alguns ótimos textos neste desafio, mas TAMBÉM acho que aqui também há um folclore muito rico, seres desconhecidos que dão pano pra manga, por isso gostei do texto.

    Olho nas dicas dos amigos 😉 Abraço!

    • Antônio Félix
      20 de dezembro de 2014

      Moleca doida!

      Tem mais coisa aí, mas gostei das tuas palavras.

      Abraço respeitoso.

  27. Virginia Ossovsky
    12 de dezembro de 2014

    Gostei muito, o vocabulário meio diferente se destacou e a história é fascinante, torci pelo Antônio o tempo todo e me preocupei junto com a Maria. Não conhecia algumas palavras, mas foi bom sair da mesmice, me lembrou Guimarães Rosa. É sempre bom estar aprendendo, por mais velha que eu seja kkkkk. Também gostei dos versinhos. Parabéns e boa sorte !

    • Antônio Félix
      12 de dezembro de 2014

      Cabocla faceira!

      Fiquei até o tucupi de metido com tuas palavras. Olhe que já fui nó- cego, mas agora não mais. Então mando um abraço de tamanduá pra tu.

  28. Ledi Spenassatto
    12 de dezembro de 2014

    Tirando uns poucos erros que, naturalmente, sempre nos fogem ao olhar
    você mandou bem o seu recado.
    Gosto muito dessa mistura Natureza/gente e Natureza/animais. hahahahah

    • Antônio Félix
      12 de dezembro de 2014

      A picota tá querendo te conhecê, cunhã. Ela tá no maió licute mais eu. Vô mandá ela cantá pra tu sonhá.

      “Ênh! Ênh! Ênh! … “Cuaar!”

      “Ênh! Ênh! Ênh! … “Cuaar!”

      Antônio Félix manda seus cumprimentos.

      *Cunhã = moça.

  29. Brian Oliveira Lancaster
    12 de dezembro de 2014

    Textos regionalistas costumam ser difíceis de entender, o que não ocorreu aqui. Escrita leve e fluente do autor deu o ótimo tom de lenda da roça. Interessante como o tema se encaixa bem neste estilo literário, talvez pelos antigos sempre contarem histórias de pescador. Não notei erros ou qualquer outra coisa que atrapalhasse a leitura. Gostei.

    • Antônio Félix
      12 de dezembro de 2014

      PutiTanga! Se Antônio Félix inda caçasse como antes, ia chamá o molecote pra matá uma onça, mas agora num mato mais não. Vô nem cum nojo mais pra mata! As ziquezira que tem lá…
      Obrigado pela prosa, chefe!

  30. Rubem Cabral
    12 de dezembro de 2014

    Gostei bastante, achei muito original, é evidente que ou houve pesquisa ou o autor é natural da região amazônica.Nunca havia ouvido falar de tal criatura. Pensei inicialmente que o caapora ia dar as caras.

    Minha única crítica foi quanto à dose do uso de vocábulos pouco usuais. Ficou às vezes difícil de entender e tive que “buscar a ajuda dos universitários” mais de uma vez.

    Achei tbm, que a primeira frase está cheia de rimas que talvez não tenham sido intencionais: “Os grãos de areia e poeira caíram na madeira do assoalho…”

    • Antônio Félix
      12 de dezembro de 2014

      Eita caboclo Pai d’égua!!!

      Tu ficou de bubuia foi? Pois peri lá:

      *cruviana = Vento gélido capaz de congelar os ossos (assim se fala), seria o mesmo que geada. Reza a lenda que a cruviana albergaria uma mulher viúva em seu interior (no olho do furação) que é capaz de congelar a alma daqueles que colocam os olhos nela, ou seja, a pessoa fica quase em estado vegetativo, triste.
      *caititu = porco do mato, ou javali.
      *nambu = é como uma galinha d” angola.
      *cricrió tem um canto como um fiiiiu-fiu.
      *paieiro = cigarro de palha.
      *cangaceira = bolsa estilo carteiro (transpassada), de couro.
      *piracuí = farinha feita de peixe seco no sol (já salgado), tritura-se até as espinha pra ficar mais nutritivo.
      *gato maracajá = seria uma oncinha, ele não cresce muito, mas é maior que gatos domésticos.
      *picota = picote.
      *mutá = estrado de madeira. Serve para ficar longe do chão e esgueirar a caça.
      *tarrabufado = R.O. Resto de Ontem kkk. Resto do almoço com ovo frito tudo junto. No caso a Quitéria fazia com carne de anta.
      *gastura = Asco, nojo.
      *cabaça = cuia, recipiente redondo provindo da casca do fruto homônimo (um lado de um coco pode ser tomado como exemplo de cabaça). É usado para retirar água, beber caldos.
      *Reinou = teve ganas, quis fazer com muita vontade, desejo.
      *tracajá = cágado, espécie de quelônio, quase tartaruga.
      *ganhar o mundo = Irromper, ir embora.
      *cambota= pés tortos, pernas tortas.
      *mari mari = fruto com cheiro doce, rico em gorduras (como o abacate, porém quase sem polpa, casca comestível)
      *barrotes= troncos de madeira.
      *lombrado = delirante, ébrio.
      *acauã = uma espécie de gavião (é o que está na imagem). O nome quer “o devorador de cabeça de serpente”. Segundo a lenda indígena se ele cantar a pessoa morre, é mau agouro, prenuncio de tragédia.

      Ficar de bubuia = boiar.

      Pai d’égua = Porreta, bacana, maneiro, legal.

      Antônio Félix fica feliz que tu tenha gostado.

  31. Leonardo Jardim
    12 de dezembro de 2014

    O clima de desespero do personagem foi bem assimilado e a tensão foi palpável. Devo confessar, porém, que a narrativa (pelo menos no meu caso) acabou ficando um pouco travada pelo excesso de palavras desconhecidas para mim (tive que ir ao Google diversas vezes). Também fiquei um pouco confuso, talvez pelo mesmo motivo, sobre quais criaturas atazanaram o coitado. Além do galo demoníaco e do curumim, parece que teve mais alguma(s) coisa(s) (fantasmas e outros animais), mas não tive certeza qual(is). De qualquer forma, entendi a ideia da natureza se vingando do caçador.

    Na parte técnica, percebi alguns problemas de pontuação:

    – “Se pudesse matava a anta na unha” (vírgula depois de “pudesse”)
    – “Joanita, (…) trazendo um pote de água na cabeça, Quitéria pensou em perguntar (…)” (um ponto no lugar da vírgula depois de “cabeça” ficaria melhor)
    – “Andou bem mais que o habitual e quando começou a sentir (…)” (vírgula depois antes de “quando”)

    Além disso, os diálogos funcionariam melhor com o uso de travessões no início de um novo parágrafo em “– Seja alma, Cão caído (…)” e “Maria! Acuda aqui! – Gritou Joaninha”.

    Afora isso, é uma boa história. Um abraço e boa sorte.

    • Antônio Félix
      12 de dezembro de 2014

      Antônio Félix manda agradecer as palavras do molecote. Demora ainda que na boquinha da noite, vô montá no lombo da picota gigante e mantá ela gemê junto de tu.

      “Ênh! Ênh! Ênh! … “Cuaar!”

      “Ênh! Ênh! Ênh! … “Cuaar!”

      Sempre falei ansim, chefe. Quando nós tá na mata vendo misura se esquece das virgula, dos travessão, das calça…

      Agradicido pelo dedo de prosa 0/

  32. Tiago Volpato
    12 de dezembro de 2014

    Você conseguiu passar o clima de assombração no texto. Muito bem escrito, parabéns!

  33. Maurílio Júnior
    11 de dezembro de 2014

    Muito bom parabéns!!! 😀

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Publicado às 11 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .
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