EntreContos

Detox Literário.

Tengu (André Luiz)

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BAIRRO DA LIBERDADE

-SÃO PAULO-

O maior reduto de japoneses fora da terra do sol nascente

-Pai, para onde as pessoas vão depois que morrem? – Chikako, meu filho, chorava muito a morte do avô.

Chovia naquele dia e o céu da capital estava melancólico. Meu sogro – imigrante japonês – o senhor Tojiro Otanawa, falecera aos 97 anos. Minha esposa, apesar de muito ligada ao pai, recebeu a morte de uma maneira tipicamente oriental, mais suave. Os japoneses acreditam na reencarnação, assim, morrer é uma dádiva, mais um ciclo rumo à eternidade.

-Pai? Pai? – Chikako puxou-me pela blusa, fazendo-me acordar do momento de devaneio. – Quando uma pessoa morre, pra onde ela vai? – Abriu os olhinhos, esperando por minha resposta.

Pensei bastante antes de responder.

-Há uma continuidade na existência, filho. – Sentamos em um banco fora do templo. Minha esposa permanecia no local do velório, uma salinha à direita da entrada principal, de onde vinha um aroma de canela. – Nascemos predestinados a algo, como uma missão na vida, e quando nossa missão nessa vida se cumpre, é hora de partir.

-Para onde? – O garoto estava com as pálpebras inferiores inchadas. A morte não era tão natural para ele como parecia para nós; além do mais, era demasiadamente apegado ao avô. Seus cabelos negros e lisos estavam molhados de chuva; um chumaço deles lhe caía sobre a testa.

-Ele ficará no mundo espiritual até encontrar a iluminação e poder reencarnar. Aí sim poderá voltar à Terra em uma nova missão de paz.

-E a gente vai poder ver ele? – Os olhos de Chikako brilharam na sombra em que estávamos. Os meus encheram-se de lágrimas, mas permaneci firme.

-Acredito que poderemos senti-lo, filho. – Peguei suas mãozinhas e conduzi-as até seu peito; o coraçãozinho batendo lá dentro. – Bem aqui. – Dei um leve aperto, fazendo-o sentir seus batimentos ritmados.

Chikako abaixou o olhar e focou-o em suas mãos, como se estivesse realmente refletindo sobre os preceitos xintoístas imersos em nossa realidade. Fazia força para deglutir tudo aquilo com a mente, e lágrimas caíram em sua roupa.

-Carlos. – Senti as mãos de minha esposa tocarem meu ombro. Sua voz estava distante, contida, indicando a dor no âmago de sua alma. Sentia saudade, não tristeza. – É chegada a hora de partir.

Entramos todos novamente no templo, onde um dos monges realizava uma singela oração de despedida. A sala aromatizada entorpeceu-me lentamente quando me aproximei, convidando-nos a nos conectar à natureza ao nosso redor. O cheiro de chuva era latente e se mesclava ao aroma de canela.

Um sino esperava para ser tocado. Senhor Tojiro repousava dentro do caixão fechado. Não era comum em cerimônias fúnebres a família presenciar o ente querido no momento da morte (acredita-se que a vida, nosso legado, é mais importante naquele momento).  “A morte é mais leve que uma pluma. A responsabilidade de viver é tão pesada quanto uma montanha.”

Os três filhos de Tojiro, devidamente trajando quimonos negros como as cinzas do monte Fuji, carregavam o corpo franzino do pai com pesar até uma saleta no fim do templo. Entraram na câmara de cremação e depositaram o caixão em cima de uma tabuleta. Deixaram o local à luz da chama que ardia lá dentro.

Ao final de dez minutos, um monge retornou à pira e retirou as utilizando uma pequena pá, e colocou-as em uma urna, que foi entregue à minha esposa.

Feito isso, deixamos lentamente o templo e voltamos ao nosso apartamento em Guarulhos, a alguns bons minutos de distância.  Como o sol encoberto já se punha no horizonte e a noite se preparava para reinar, pus Chikako na cama e deitei ao lado de minha esposa, confortando-a com um carinho nos cabelos lisos até ambos adormecerem.

***

Amanheceu sem ao menos uma nuvem no céu. Já havia me levantado quando Sarah, minha preciosa esposa, chegou à cozinha e entregou-me um rolo de pergaminho enrolado e seguro em suas mãos.

-Para você. – Saudou-me com um sorriso cativante despontando na face angular. Brincou com meu cabelo curto à altura dos ombros, acariciando-me, amorosa como sempre foi. Feito isso, voltou-se à minha face e beijou-me nos lábios. Virou-se e voltou por onde entrara, enroscando mechas de seu cabelo liso, um sinal de nervosismo (Os anos de casado nos fazem notar singularidades na pessoa amada).

Abri o mais rápido que pude o rolo de pergaminho, porém com cautela, pois era fino e delicado. Lá dentro, uma mensagem escrita à mão, com letras marcantes e bem trabalhadas da escrita japonesa, um haicai.

サニー朝

天狗が座って待っている

“Manhã de sol

poesia

O Tengu aguarda sentado”

O que dizer daquele haicai? Sabe-se que este tipo de poesia oriental é incompleta, mas o que completar acerca disso?

Voltei a atenção para Sarah, mas ela não estava mais na cozinha. Larguei o café-da-manhã e dirigi-me à sala de estar. Vasculhei os quartos, banheiros, salas, armários e até mesmo o lado de fora. Fui à garagem. Nada. Sarah havia sumido, e levara Chikako e o carro com ela.

Junto, levou para bem longe minhas respostas.

***

O bairro da Liberdade, onde rotineiramente trabalhava com meu pai em seu armazém oriental, estava quieto, silencioso, inexpressivo. Parecia que o tempo tivesse desacelerado alguns frames naquele momento, como se tudo que tudo o que eu vivia não se passasse de memórias. O haicai ainda me perseguia, e o sumiço de Sarah também. Fui até o trabalho de metrô naquele dia, pensativo, cogitando hipóteses para tudo que acontecia comigo. Será que Sarah foi ao trabalho e levou Chikako para a escola? Não era essa a rotina, mas às vezes ela quis fugir dela. Agarrei-me a esta hipótese e tentei esquecer dos incidentes.

A lojinha de meu pai, Mieko Tashida, era simplória; vendia-se de tudo um pouco que lembrasse a cultura japonesa, como se fosse um pedacinho de Tóquio encravado na maior cidade brasileira. O velho estava atrás do balcão atendendo a primeira cliente do dia. Dei uma pequena volta na prateleira de temperinhos especiais e saudei-o em japonês com um olá:

Kon’nichiwa!

Ele respondeu-me com um bom dia simples e profundo, respirando pesadamente e movendo-se tão devagar que parecia que sua vivacidade japonesa havia desaparecido.

Yoi tsuitachi!

Não costumávamos nos abraçar (ainda não havíamos adquirido a receptividade amorosa brasileira). Apenas nos saudamos, depois, demos um aperto de mãos.

-Filho, uma garota passou por aqui mais cedo. Hoshi o nome dela. Pediu que te entregasse isto. – Esticou as mãos com mais um bendito pergaminho enrolado dentro delas.

Arigatô. –Agradeci em tom de questionamento. Queria mesmo receber aquilo? Abrir aquele papel estranho mesmo depois do episódio em casa?

 Peguei o celular e entrei no menu discagem rápida. Sarah. Disquei e esperei ansiosamente pela voz de minha esposa. Mas foi outra voz que me comunicou: O celular encontra-se fora de área.

-Abra. – Sugeriu educadamente. – Sinto que hoje a sorte está a seu favor.

Retirei um laço rosa que fechava o pergaminho e desenrolei-o. Dentro, uma mensagem, novamente em escrita japonesa.

入れ墨心とインクの千枚は永遠の生命の兆候である。天狗、悪霊。それを避けるため…それが取る?

“Mil pedaços de um coração tatuado a nanquim são sinais da vida eterna. Tengu, espírito do mal. Evitá-lo… é preciso?”

Tengu. Aquela palavra me perseguia.

-Ah, e ela deseja te encontrar no bosque japonês do bairro. Com urgência. – Hesitei em me mover. – Vá! – O senhor Mieko me apressou. – Vá, filho!

Meu pai era sábio, e os conhecimentos dos anciãos merecem sempre respeito. Segui o rumo do bosque japonês e, em pouco tempo, passava pelo portão do lugar deserto.

***

As cerejeiras plantadas no bosque floresciam grandiosas, e pintavam o piso de um rosa marcante, cor de rubi, transmitindo-me ao mesmo tempo vivacidade e serenidade. Era o que eu precisava para começar a esquecer do haicai e da mensagem que incineravam meus pensamentos, fazendo-os queimar como madeira velha.

O bosque japonês era um parque público projetado para ser um pedacinho do Japão e trazer boas recordações para os imigrantes no Brasil; porém, o que se via ali era esquecimento. Havia um pequeno lago repleto de carpas coloridas, nadando lentamente e fazendo ondas harmônicas na água semitransparente. Ao seu lado, um jardim milimetricamente ornamentado, onde se podia visualizar desenhos na areia marrom similares às ondas na água, um trabalho de mestre dos monges que viviam no templo da região.

Sobre um dos braços do pequeno lago havia uma ponte de madeira, de um vermelho desbotado. Nas bordas da ponte, elementos da cultura japonesa, símbolos mitológicos entalhados: Gueixas em suas danças esplendorosas, abanando os leques em posição de sedução, gracejando o corpo timidamente e deixando apenas os olhos marcantes penetrarem nos meus; hipnotizando-os. Os entalhes pareciam se mover devagar, como se fossem animações em câmera lenta.

Samurais lendários e suas armaduras também estavam ali, portando catanas afiadíssimas e honrosas, protegidos dos pés a cabeça pelo metal brilhante, um aço forjado artesanalmente. Ninjas, dragões, Raijus, demônios de água, Yuki-onna, Oni, Kitsune e muitos outros elementos do folclore nipon.

Contudo, o que mais chamava a atenção era o gigantesco entalhe bem ao centro, um ser humanoide, com corpo vermelho cor de sangue, a coluna arqueada e um gigantesco cocuruto nas costas, pelo qual saíam duas imensas asas negras; um nariz vermelho e pontudo projetado tal qual o do Pinóquio, uma espada samurai embainhada na cintura e os pelos corporais em tons pratas. As inscrições deixavam tudo muito claro, abaixo do entalhe e totalmente legíveis:

天狗、森林悪魔

A tradução veio em minha mente aos trancos e barrancos, lutando para ser percebida, porém afastada pelos meus pensamentos vidrados em Sarah e em Chikako. As palavras do belo e bom português desceram por meu hipotálamo, percorreram o sinuoso caminho do sistema nervoso e entraram em um ambiente naquele momento inóspito, subiram pela língua rapidamente e chegaram à ponta, despencando no abismo da realidade na forma de um pensamento alto:

“Tengu, o demônio da floresta”

Senti um arrepio subir-me a espinha, escalando lentamente meu dorso até alojar-se na cabeça, fazendo-a latejar e desequilibrando minhas emoções. Tudo à minha volta ficou embaçado como se eu fosse um míope, por isso apertei os olhos para focalizar a imagem do jardim, do lago, da ponte… Contudo, tudo se dissolveu em cinza, as cores que antes abrilhantavam as flores de cerejeira de tons rosa, as carpas alaranjadas, a ponte rubra e de entalhes maravilhosamente pintados; meu corpo alvo pela falta de sol, meu coração vermelho pelo amor pela família. Tudo, tudo mesmo até onde a visão podia alcançar perdeu a cor e o brilho, tendo suas cores sugadas por um vórtex cor de leite – a mescla de todas as outras cores, o puro branco. A vida desacelerara… segundos viraram minutos… minutos viraram horas… as horas transmutaram-se em dias… e eu permaneci ali parado tentando me mover.

A única coisa que se movia com velocidade era espantavelmente o entalhe do demônio Tengu. A figura pulava de um lado para o outro, batendo as asas, porém mantinha uma expressão inexpressiva, de boca fechada e séria e olhos gigantes encarando-me com terror. Então, o riacho leitoso de cores que fluía pelo ambiente dirigiu-se ao local do entalhe, passando por mim bem perto da nuca; trazendo consigo um calor intenso e que incomodava. Em uma explosão de cores, o corpo entalhado do Tengu foi aos poucos sendo colorido parte por parte, e o demônio na madeira da ponte foi ficando encorpado, até que parou subitamente e fez um líquido negro escorrer pela ponte e descer por debaixo de meus pés.

Ainda observando o piche gosmento escorrendo, senti um bafo quente em minha nuca, além de um intenso barulho de respiração ressonar em meus ouvidos.

Yōkoso… – Uma fala multivocal contatou-me em um japonês arcaico pouco usado atualmente. Do pouco que depreendi, soube que não era boa coisa. Yōkoso, o que era aquilo mesmo? Eu precisava traduzir. A fala prosseguiu: – teikyō. – O quê raios queriam me dizer?

Foi então que minha mente voltou-se ao passado oriental de minha família, onde pude me lembrar dos cinco anos que vivi na terra do sol nascente antes de me mudar para o Brasil atrás de meu avô e uma vida melhor. As palavras passaram a fazer sentido para mim… cada vez mais sentido… BEM VINDA, OFERENDA!

Gelei dos pés à cabeça.

Permaneci estagnado por muito tempo (Se bem que poderiam ter sido alguns segundos ou dias, eu nunca poderia saber… a realidade havia se deslocado), e com muito custo, movi-me alguns centímetros em direção ao meu bolso, apalpando-o em busca dos pergaminhos. Nada. Levantei um pouco meu olhar e certifiquei-me de que ainda possuía controle sobre minha visão. Curiosamente, percebi que esta mudança de frames na existência afetou apenas meu exterior. Meus olhos ainda eram ágeis, e meu coração batia ainda no ritmo normal – ou melhor, mais acelerado do que deveria.

A voz voltou a soprar terror em meu âmago, fazendo-me compreender o que dizia parte do segundo pergaminho: “Mil pedaços de um coração tatuado a nanquim”. O negro da tinta invadira meu coração; era a visão das trevas que inundaram meu ser.

O som da brisa da floresta emergiu em meus ouvidos, mesmo estando ainda paradas as árvores do bosque. Lá embaixo, no lago, as carpas praticamente estavam estáticas na água, balançando de forma muito lenta suas nadadeiras. Por um mísero segundo, divaguei, até ser acordado pelo Tengu voando em minha frente, descendo como um anjo da morte e abrindo suas asas negras em câmera lenta; soltando penas pretas como piche enquanto descia. À medida que se soltavam, desfaziam-se em cinzas e caiam em migalhas na água do lago. A partir daí, a adrenalina aumentou, e meus batimentos passaram para um estado de extrema euforia. Desci o olhar e vi a água ficando turva.

As carpas boiaram de barriga para cima.

Feito isso, o demônio aproximou-se de mim com aquelas mãos humanoides encravadas de escamas tênues. Parecia recitar uma prece íntima, compenetrado no que fazia. (Há coisas que perturbam o espírito, e a imagem daquele ser era uma delas.) Seu nariz gigantesco e rubro era como um dedo apontado para minha face estarrecida – um dedo apavorante e intimidador. Sua pele tinha a textura da madeira da árvore sangue de dragão, escura e carmesim. Um aroma e acre invadiu meus sentidos.

Watashi wa yume no tengu no ōkuidesu – Eu sou o grande Tengu devorador de sonhos. Sua boca não se movia para falar, pois ele se comunicava por telepatia, entrando em minha mente como uma praga que corroía meus pensamentos. Tentei me desvencilhar daquilo, fugir, mas senti-me acuado e pressionado por mãos invisíveis, claramente um truque daquele demônio. – Tatakau tame ni hitsuyō wa arimasen. Anata ga kanzen ni seigyo shimasu. – Não precisa lutar. Controlo você totalmente.

Então pode me deixar sair. Mesmo que não pudesse combater aquele ser, não hesitei em tentar. Instintivamente, exerci uma força exorbitante, mas o único músculo que realmente continuava a se mover era o coração, batendo solitário e negro em meu peito. O que posso fazer por você? Que quer de mim?

O Tengu continuava a fitar-me com seus enormes olhos cor de ouro. Batia graciosamente as asas, apesar daquele corpanzil cheio de pelos.

Watashi wa nanimoshitakunai…– Não quero nada… Parou por um instante, sem retirar seus olhos dos meus. Não pude deixar de reparar nas penas negras que insistentemente caíam e se desfaziam. Aquele japonês antigo estava ficando confuso demais para mim, enervando-se em mim como cisticercos e deixando-me com dor de cabeça. O Tengu estava em minha cabeça. E eu não sabia como tirá-lo dali. – Karera no wakawakashī yume ga, nanimonai. – Novamente senti calafrios percorrendo minha coluna. Nada além de seus sonhos juvenis.

Uma lágrima de tristeza caiu de meus olhos, em câmera lenta. Com o olhar, acompanhei meus sonhos se esvaindo junto a ela, tudo acontecendo diante de mim e sem que eu pudesse fazer nada. O Tengu era um demônio imortal, pelo visto, e eu, um reles humano. Involuntariamente minhas pálpebras foram se cansando mais e mais, fechando-se, calmas como olhos de ressaca. O mundo se derretia como uma calda expessa, desfazendo-se até não restar nada mais do que o Tengu inundando meu ser.

Lembrei-me de Sarah e Chikako, e pude desejar estar uma última vez ao lado deles. Eles eram meus reais sonhos. E isso aquele monstro mitológico não tomaria de mim. As mãos negras foram avançando, e o ser abriu sua bocarra – o cosmos inteiro parecia caber ali dentro. Havia estrelas tilintando, sonhos de pessoas de todo o mundo engolidos pela sua fome. Sonhos perdidos na existência e que nunca se concretizariam. E, lentamente, vi a escuridão me engolindo, e eu, aproximando-me cada vez mais das constelações; até que uma hora, enfim, o mundo se transformou em uma estampa lisa e sem cor. Era chegada a hora das trevas reinarem.

***

Tudo ficou claro outra vez. As sombras haviam desparecido. Vi dois olhinhos puxados encarando-me com felicidade. O nariz fino e delicado e face alva e lisa denunciaram a alma madura que se escondia por detrás daquele corpo.

Contudo, o dom da fala havia desaparecido de minha boca. Estava mudo. Por isso mesmo fiquei tentado a esboçar qualquer reação. O garoto me aninhava no colo, e eu sentia que a vida voltava ao meu corpo. Meu cosmos se reduzira tal qual um sonho engarrafado, e esperava concluir minha missão de rever Sarah e meu filho Chikako. O garotinho pôs-me no chão e eu desatei a andar destrambelhado pela grama macia, que, por sinal, estava bem mais alta.

Uma dama de fisionomia oriental apareceu à porta, gritando pelo garoto. Eu não entendi muita coisa, apenas uma palavra:

Tojiro.

Era um nome, e não me era estranho…

Tojiro… Tojiro… Tojiro! Sabia que aquela face não era desconhecida! Naquele momento entendi o completo sentido da vida.

34 comentários em “Tengu (André Luiz)

  1. Andre Luiz
    12 de janeiro de 2015

    Primeiramente, agradeço os comentaristas que gastaram bons minutos de seu tempo para estar neste concurso e participar do processo de julgamento. Em segundo lugar, quero dizer que todos os comentários são válidos, e absorvi tudo com muita convicção de que a intenção é a melhor de todas. Além do mais porque estou aqui neste certame no meio de grandes escritores, cronistas e principalmente contistas, que abrilhantam ainda mais a coisa toda.

    Sendo assim, vamos lá dar algumas explicações.

    A ideia do conto surgiu pelo meu gosto pessoal pela cultura oriental. Adoro animes, mangás e o universo nippon com todas as letras. Não, não me sinto colonizado apenas gosto daquele povo de olhinhos orientais. Inegável é o fato de que os japoneses fazem parte de nossa história e muito mais ainda da formação do povo brasileiro, com toda esta miscigenação cultural que temos em nosso país. Assim, juntei meu gosto pela cultura oriental e meu afeito pela história do Brasil em um só tema, buscando trazer para nossa realidade algo que veio de lá da terra do sol nascente.
    Feito isso, comecei a pesquisar. E MUITO! Li e reli diversos artigos sobre cultura oriental, mergulhei no assunto, desde vídeos no Youtube, documentários completos sobre o Xintoísmo e o Budismo, sobre a comunidade japonesa no Brasil e sobre as crenças nippon que estão aí há séculos.
    Descobri o Tengu por acaso, enquanto lia sobre mosteiros xintoístas encravados em ilhas praticamente desertas no arquipélago japonês. Inicialmente, achei a criatura fascinante, e me senti desafiado a tentar algo mais com ela. Foi realmente um desafio.
    Assisti ao filme 47 Ronin para entender mais sobre o que era um “Tengu”, e também acabei assistindo a algum anime (que no momento não lembro do nome) que também me ajudou com isto. A ambientação é mesclada, com a maior parte do texto no Brasil e outra também no Japão, que vou explicar posteriormente. Para fazê-la, uma ajudinha do Google Maps e também de documentários foi essencial. É surpreendente o que se pode aprender com toda essa pesquisa.
    Ainda não contente, pesquisei técnicas de diálogo e de escrita, dicas de escritores profissionais e tudo mais para assimilar ainda mais técnica narrativa em meu texto, que pelo que vi, chegou aonde eu queria: Ao ponto de incomodar.

    Enrolações à parte, vamos ao conto em si.

    A trama fluiu em minha mente como um rio que segue por um caminho, às vezes calma demais, outras devastadoramente arrasadora. Tive de condensar ideias cerca de dez vezes, no mínimo, seguindo conselhos de amigos como o Sidney Muniz, Maria Santino, Eduardo Selga e (aquele que, desta vez não ousou comentar no EntreContos) o saudoso José Geraldo Gouveia. Escrevi primeiramente a parte do encontro do Tengu com o Carlos, de forma que comecei pelo clímax(que na verdade, até eu mesmo não considerei como um clímax propriamente dito, meu caro Fil) e depois dele passei para uma introdução. Rabisquei, rabisquei e rabisquei até que encontrei uma forma sutil de ligar todos os fatos: O UNIVERSO DOS SONHOS.
    Após certa pesquisa, vi que podemos sonhar apenas com pessoas que já conhecemos ao menos de vista, ou seja, é impossível sonhar com rostos desconhecidos. Sendo assim, acrescentei uma das vertentes do demônio Tengu à história. Aquela de ser “Devorador de sonhos”. Sim, em uma pesquisa, vi que a lenda do demônio Tengu é a de que ele invadia sonhos de pessoas com pensamentos indelicados – ou então indevidos, e devorava seus sonhos, suas perspectivas de vida e tudo mais. ÓBVIO que exagerei propositalmente por se tratar de um conto, e o Tengu realmente “matou” o personagem principal enquanto ele sonhava.

    Pode até parecer pretensão, mas o que amarra o primeiro e o terceiro parágrafo de forma muito concisa é o fato de ambos tratarem do assunto morte e vida pós-morte; reencarnação. Pela pesquisa extensa, vi que o Xintoísmo é sim uma crença na reencarnação e decidi que a introdução de meu texto seria pautada nisto. Assim, acredito eu, que deixei uma linha tênue ligando estes dois fragmentos.

    Vi, pelos comentários, que acabei causando sensações diversas nos leitores. Maria Santino sentiu-se melancólica, incomodada; Leonardo ficou angustiado; alguns gostaram do final aberto(que na verdade não é tão aberto assim), outros o detestaram; mas a maioria ficou confusa. Então, esclarecerei o que pretendi com o conto.

    Inicialmente, tudo é uma cena de um velório, com Carlos Tashida, sua esposa, Sarah e seu filho Chikako em um templo para despedir-se do senhor Tojiro. Até aí, ok, mas o garoto está interessado em saber mais sobre a morte, pois ainda é novo e não entende muito sobre isto – principalmente sobre reencarnação. Carlos está disposto a ensiná-lo enquanto Sarah acompanha a cerimônia familiar. Logo, o garoto nos faz refletir sobre preceitos religiosos Xintoístas, mas incomoda(no bom sentido) todos nós, pois ninguém realmente sabe o que acontece depois da vida. Além do mais, é aí que introduzo a questão crucial da reencarnação. Talvez tenha soado sublime demais, mas está presente.

    Na segunda parte, tento deixar mais ocultas as falas e o ritmo do texto, às vezes chato mesmo de se ler, na intenção de tornar tudo mais viscoso, como se a realidade tivesse sido derretida e lentamente escorresse pelo inconsciente. Carlos Tashida está SONHANDO, e é no mundo dos sonhos que (quase) tudo é possível. Confesso que fui um pouco prolixo, mas acredito que era isto que eu queria, tornar tudo muito melancólico, lento, cinza e chato; tendo em vista que o texto era em primeira pessoa e eu quis transpassar isto. E pelo jeito, consegui o que eu queria: Incomodar.

    A terceira parte é sim uma reencarnação, onde Carlos volta como um animal de estimação (uma das teorias da cultura japonesa) e reencontra-se com toda a sua família em um diferente momento da história da humanidade. Sim, o garotinho é o senhor Tojiro, a mãe dele é Sarah e o animal é Carlos. Não necessariamente Chikako precisa reencarnar junto às mesmas pessoas de vidas passadas, mas é o que está nas crenças, então, a abertura do final fica por aí: Carlos realmente reencontra TODOS que queria reencontrar? Ele vê novamente Chikako? Nunca se sabe…

    Agradeço mais uma vez a todos que apontaram errinhos que passaram em uma das cinco revisões que fiz(inclusive usando a técnica de deixar “de molho” o texto e revisar de tempos em tempos), e finalizo agradecendo em especial os amigos Douglas Moreira e Jéssica Stewart que me ajudaram muito, mesmo sem saber quem eu era realmente.

    Finalizo esta “pequena” nota com um adendo: Acredito, meus caros, que as críticas são essenciais, e deixo em especial um recado para aqueles que acharam todos nós aqui muito “carrascos” ou “severos”, porém, é fundamental assimilar críticas tornando-as construtivas. Gostei muito de escrever por aqui. E que venham mais e mais concursos!

    • Andre Luiz
      12 de janeiro de 2015

      E lembrem-se: No mundo dos sonhos tudo é possível. “Tudo flutua” como balões de hélio vermelhos.

  2. Pétrya Bischoff
    11 de janeiro de 2015

    Cara, finalmente um conto com influências orientais que não li a contragosto. A escrita é lindíssima, beirando à poesia em muitos trechos. A narrativa é suave e as descrições são ótimas. A estória prendeu-me verdadeiramente. Adorei essa criatura que devora essências, só não entendi exatamente a ligação das coisas todas, desde a morte do velho, o sumiço da mulher do guri, e a morte do próprio cara. Sei o que aconteceu mas não consegui ligar tudo, slá. De qualquer maneira, não prejudicou minha leitura. Parabéns e boa sorte.

  3. Miguel Bernardi
    11 de janeiro de 2015

    O conto me agradou, um dos que mais gostei. Li a grande maioria dos textos já faz algum tempo, e só estou comentando a maioria agora, pois não gosto muito de comentar. Sempre me sinto mal apontando erros… mas, bem: não tenho erro algum para apontar nesta obra, e isso me deixou muito feliz!

    A revisão foi precisa, a escrita é fluida. A trama é incrivelmente bem contada e interessante, e, veja só: mais um conto de cultura japonesa! Este não foi o meu preferido, mas fica em segundo lugar.

    Um grande abraço, e boa sorte no desafio, Carlos Tashida.

  4. Fil Felix
    11 de janeiro de 2015

    Esquema do comentário + nota: 50% Estética/ Tema e 50% Questões Pessoais

    = ESTÉTICA/ TEMA = 4/5

    Super bem escrito e desenvolvido, percebe-se o trabalho de pesquisa (ou o autor já manja dos paranauê kkk), principalmente com as frases em japonês. Ótima ambientação da Liberdade, só achei um pouco extenso e com frases em japonês em excesso.

    = PESSOAL = 3/5

    Gostei do conto, mas achei um pouco sem clímax. Mesmo quando o Tengu ganha vida, não há muita adrenalina. Não peguei a saída da esposa e do filho, nem do final. Entendi que morreu e nasceu de novo, mas não consegui fazer as ligações.

  5. Swylmar Ferreira
    11 de janeiro de 2015

    Carlos Tachida, muito bom seu conto.

    A escrita é impecável. A estrutura é clássica, objetiva, onde apresenta parte do folclore oriental e um de seus personagens – Tengu. Mostra boa criatividade e trama imaginativa.
    Parabéns!

  6. Marcellus
    11 de janeiro de 2015

    O conto não me prendeu, mas reconheço que o fechamento foi muito bom. Quanto a isso, o autor está de parabéns!

    Algumas coisas incomodaram um pouco, como as frases em japonês (e suas respectivas traduções). Como não leio japonês (e, imagino, a maioria dos leitores também não), tornou-se algo cansativo, sem propósito. Uma vez, tudo bem, mas a partir dali já era possível entender que falavam em outra língua mas o protagonista entendia.

    Enfim, de qualquer forma, parabéns e boa sorte no desafio!

  7. Sidney Muniz
    11 de janeiro de 2015

    O autor escreve muito bem, mas achei que o conto precisa de algo a mais. A estética é ótima, personagens bem construídos, entretanto não me senti atraído pela trama num todo.

    Espero que consiga me fisgar na próxima, pois percebe-se muito talento por aqui.

    Parabéns e boa sorte!

  8. rsollberg
    9 de janeiro de 2015

    Mais um conto que se sobressai pelo evidente trabalho de pesquisa.

    A técnica é invejável, todavia, a trama não conseguiu me envolver por inteiro. Penso que o final ficou muito confuso.

    Achei muito bacana a ideia de fazer referência ao ótimo conto ““Mil pedaços de um coração tatuado a nanquim”, do Desafio Música.
    O texto certamente trouxe coisas novas que farão parte de futuras pesquisas e, quem sabe, futuros interesses. Muito obrigado pro isso.

    Parabéns e boa sorte!

  9. JC Lemos
    6 de janeiro de 2015

    Sobre a técnica.
    Inegavelmente boa. Acho que teve um certo excesso depois do meio, mas até lá estava perfeita. A inserção da cultura oriental também foi boa, e os trechos em japonês ficaram coerentes, já que era uma história de brasileiros.

    Sobre o enredo.
    Assim com a parte técnica, gostei até a metade do conto, depois tiveram partes com descrições belíssimas e outras cansativas. Mas não entendi muito bem o final. Ele voltou no tempo? Depois tentarei ler de novo para ver se entendo.

    Parabéns pelo trabalho, mostrou grande conhecimento do que contava.
    Boa sorte no desafio!

  10. bellatrizfernandes
    6 de janeiro de 2015

    O conto é bom, não dá para negar, e o conhecimento do autor sobre o tema também é extenso. Gostei bastante.
    Porém, – sempre tem um porém – acho que houve muito que poderia ter sido retirado, muita descrição excessiva. É de estilo, eu sei, mas cansa. O fim também foi bem confuso. Saí sem entender quase nada 😐
    Parabéns e boa sorte!

  11. Laís Helena
    6 de janeiro de 2015

    O conto foi muito bem escrito, com exceção de alguns poucos erros que escaparam à revisão e de algumas frases entre parênteses que pareceram desnecessárias. A ambientação foi muito bem feita e a mitologia bem utilizada; nota-se que o autor tem grande conhecimento da cultura oriental. As descrições, tanto de ambientes como de ações, foram ótimas. Fui capaz de me imergir na sua história.
    Mas tiveram alguns problemas. Como muitos, achei o final um pouco confuso. Entendi que foi uma tentativa de deixá-lo em aberto, mas algumas coisas ficaram mal amarradas (como o sumiço da esposa e do filho e o envolvimento do pai). Assim, em vez de deixar aquele ar de suspense, fazendo com que o leitor imaginasse um ou mais desfechos, deixou apenas confusão, sem que o leitor saiba exatamente o que pensar da história.
    Outra coisa que achei estranha foi a escolha de nomes para o protagonista e sua esposa. Os pais de ambos, assim como o filho, têm nomes japoneses, mas os dois não. Primeiro imaginei que Carlos fosse descendente de japoneses nascido no Brasil, mas depois é mencionado que ele nasceu no Japão e viveu lá até os 5 anos. Creio que, no caso, um nome japonês caberia melhor, tanto para o protagonista quanto para a esposa.

  12. Ana Paula Lemes de Souza
    5 de janeiro de 2015

    Olá autor! Sem sombras de dúvidas, esse texto é impecável no sentido técnica. Gostei muito das descrições, dos cenários, dos haikais, da poesia que flui durante todo o conto. Parabéns! Você é um dos escritores mais talentosos no quesito escrita desse desafio.
    Contudo, embora a técnica surpreenda, a trama não me convenceu e não me cativou. Infelizmente, nem um pouquinho. Mas isso é questão pessoal.
    Além da questão do final confuso, com a reencarnação ou volta ao passado do sogro Tojiro, não fica clara qual a ligação do Tengu com o personagem principal. O Tengu queria vingá-lo? Vingá-lo do que: de uma possível arrogância? Por que a esposa e o pai dele o estimulam a encontrar a criatura? Há algum tipo de manipulação no sonho do personagem? O texto se inicia com a celebração fúnebre do sogro e termina com uma cena do passado (ou uma cena do futuro) do sogro na infância (ou renascido em outra vida com o mesmo nome). E o mais estranho é que o sogro está com o menino que é o personagem principal no colo (???).
    Gostaria realmente de obter algumas explicações sobre o conto, pois fiquei muito curiosa pelas explicações do autor.
    Ah, antes que me esqueça: a palavras “expessa” está grafada de forma incorreta. O correto é “espessa”, com “s”.
    Parabéns e boa sorte.

  13. piscies
    3 de janeiro de 2015

    TRAMA 4/5

    Gostei do clima tenso que foi desenvolvido durante o conto, primeiro devagar, então ficando cada vez mais presente. A trama é muito boa mas, como muitos disseram, não entendi. Reli o conto mas fiquei com um grande ponto de interrogação na cabeça.

    De qualquer forma, valeu a leitura pelas cenas dignas de filmes de terror e o nervosismo elas causam.

    NOTA: O bosque no qual se passa o final do conto é narrado como “esquecido” (“…porém, o que se via ali era esquecimento”), mas em seguida sua descrição é impecável, dando a entender que, na verdade, o lugar está em constante manutenção.

    TÉCNICA 4/5

    O escritor é muito bom. Alguns parágrafos do texto são verdadeiros poemas. As descrições estão excelentes. Só não dei nota máxima aqui por que o texto carece de revisão. Identifiquei diversas falhas bobas, já indicadas em outros comentários.

    Boa sorte no desafio!

  14. rubemcabral
    2 de janeiro de 2015

    Um bom conto, com boas e inspiradas descrições. Contudo, achei muito estranha a condução da trama, os manuscritos e tudo mais. A conclusão, apontando para uma reencarnação do personagem foi interessante.

  15. williansmarc
    1 de janeiro de 2015

    Olá, autor(a). Primeiro, segue abaixo os meus critérios:

    Trama: Qualidade da narrativa em si.
    Ortografia/Revisão: Erros de português, falhas de digitação, etc.
    Técnica: Habilidade de escrita do autor(a), ou seja, capacidade de fazer bons diálogos, descrições, cenários, etc.
    Impacto: Efeito surpresa ao fim do texto.
    Inovação: Capacidade de sair do clichê e fazer algo novo.

    A Nota Geral será atribuída através da média dessas cinco notas.

    Segue abaixo as notas para o conto exposto:
    Trama: 7
    Ortografia/Revisão: 9
    Técnica: 9
    Impacto: 7
    Inovação: 7

    Minha opinião: Gostei principalmente do começo e das belas descrições, é inegável que o autor(a) tem uma ótima técnica. Contudo, acho que muitas vezes ouve certo exagero/empolgação e algumas partes do texto ficaram muito lentas e tediosas. Também gostei das partes escritas em japonês, isso ajuda muito na ambientação.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  16. Eduardo Matias dos Santos
    1 de janeiro de 2015

    Entrecontos infestado de Nihonjin. Mesmo com muitos contos abordando a mesma mitologia, não creio que ficou batido. Tashida, seu conto é bom, um pouco “travado”, mas uma boa história. Boa sorte

  17. Lucas Rezende
    29 de dezembro de 2014

    O conto está bem escrito.
    Acho que o autor se empolgou nas descrições, em algumas partes a leitura fica tediosa.
    Apesar de algumas perguntas terem ficado no ar e de tudo acontecer lento demais, gostei da trama. Também comecei o conto pensando “mais um conto japonês” (Detalhe, adoro mangás).
    O final aberto agrada e confundo (doido né?).
    Boa sorte!!!

  18. Anorkinda Neide
    27 de dezembro de 2014

    Li este faz um tempinho.. anotei aqui no caderno: Anime em câmera lenta
    Achei muito demorada cada descrição, embora as imagens surgidas sejam belissimas.
    Mas o que desencantou realmente foi eu não ter entendido a trama 😦

    Gostaria tanto de sacar aquele final ali com o sogro gurizinho… ahhh frustei pela minha falta de sagacidade..ehehhe

    Abração

  19. daniel vianna
    25 de dezembro de 2014

    Não entendi, mas senti a história. Pra mim foi de um efeito meio noir. No final das contas, gostei do resultado. A leitura foi uma viagem multidimensional. Parabéns.

  20. Gustavo de Andrade
    23 de dezembro de 2014

    Confuso! Li duas vezes. Minhas anotações:

    “Virou-se e voltou por onde entrara, enroscando mechas de seu cabelo liso, um sinal de nervosismo (Os anos de casado nos fazem notar singularidades na pessoa amada).” — sim! Talvez fosse melhor deixar isso pra leitora/pro leitor concluir.
    “-Carlos. É chegada a hora de partir.” — achei meio solene demais, uma frase que não imagino alguém construindo, de fato.
    “Junto, levou para bem longe minhas respostas.” — talvez sem esse trecho ficaria mais no suspense, deixando os motivos serem construídos na mente de quem lê. Com essa adição, quebrou o momento de “NOSSA PQ ELES FORAM EMBORA”
    E, putz, talvez eu tenha sacado na prática como alguns parênteses são infelizes e quebram um tanto o ritmo do texto. Senti isso bem nesse texto: ao invés de deixar a pessoa que lê completar as lacunas na cabeça, entrega a conclusão entre parênteses. Exemplo mais explícito, acho, foi “Não costumávamos nos abraçar (ainda não havíamos adquirido a receptividade amorosa brasileira)”

    Rosa cor de rubi?

    Parece que construiu o “suspense” pelo pergaminho/a esposa e o filho de uma forma meio artificial, forçada. Não dá pra sentir, de fato, a tensão. Quando o pai apressa ele, por exemplo, fica muito estranho, inautêntico ao personagem. Quando o Tengu toma vida (e consequentemente tudo que houve depois), também, não me captou… talvez por conta da quebra de naturalidade que houve antes.

    Boa escrita!

  21. Claudia Roberta Angst
    22 de dezembro de 2014

    “Mil pedaços de um coração tatuado a nanquim” me lembrou algo…kkk. Aí fiquei pensando: será que existe isso na tradição japonesa ou foi uma jogadinha para amolecer os mil pedaços de pedra de um certo colega?
    Não sou muito ligada à cultura oriental, mas reconheço que o conto é bom. O final aberto conquistou minha aprovação.Gostei da imagem criada mantendo um certo suspense sobre o futuro do protagonista. O leitor cria o destino que quiser.Boa sorte!

  22. Fabio Baptista
    22 de dezembro de 2014

    ======== TÉCNICA

    Muito boa.

    Particularmente prefiro o estilo utilizado no texto “Nove Caudas”, mas aqui também a narrativa foi quase perfeita dentro da proposta.

    – retornou à pira e retirou as utilizando
    >>> retirou-as

    – porém mantinha uma expressão inexpressiva
    >>> Como já apontado pela Maria, isso ficou estranho.

    – Um aroma e acre invadiu
    >>> sobrou um “e”

    ======== TRAMA

    Olha, confesso que no começo me bateu uma certa decepção, tipo: “putz… mais um conto japonês…”.

    Mas a boa técnica foi me fisgando, até aparecer a frase “O Tengu aguarda sentado”. Essa simples sentença me fez ser tomado por um sentimento perturbador, tipo aquele que ficamos ao assistir “O Chamado”.

    Mas o que me gelou a alma mesmo foi ler “Mil pedaços de um coração tatuado a nanquim”!!!
    kkkkkkkkkkkkkkk

    Meu… fiquei deveras curioso para descobrir quem é o autor! Tenho minhas suspeitas, mas o estilo não bate muito com quem estou pensando 😀

    Enfim… o decorrer do conto mantém o clima “estranho”, mas, também conforme apontado pelos colegas, peca em deixar pontas soltas demais: quem ofereceu Carlos ao Tengu? O pai? A esposa? Eram cúmplices? Também foram vítimas?

    O final é igualmente aberto, solto… mas gostei. Lembrou bastante “A Origem”.

    ======== SUGESTÕES

    – Deixar mais claro o porquê dos acontecimentos. Se alguma pista ficou perdida nas entrelinhas, não consegui captar (e pelo que vi não fui o único).

    ======== AVALIAÇÃO

    Técnica: *****
    Trama: ***
    Impacto: ****

  23. Tiago Volpato
    16 de dezembro de 2014

    Gostei. É um conto muito bem escrito. Concordo o comentário da Ledi, o meio do texto me pareceu cansativo, talvez uma edição nessa parte, sei lá. Mas não tira o brilho do conto. Parabéns!

  24. Andre Luiz
    16 de dezembro de 2014

    Mais um de cultura oriental, hein? Ainda bem que sou super fã do Japão e tudo mais! Vamos lá: Eu gostei das passagens do encontro do narrador com o Tengu. Senti junto com ele, vivi suas aflições e gostei bastante daquela “fuga de cores” no meio de tudo. (Posso até estar enganado, mas, como li que o Tengu é um “devorador de sonhos” e o senhor Mieko estava “movendo-se tão devagar que parecia que sua vivacidade japonesa havia desaparecido”, sugeri que a segunda parte do texto não se passava de um sonho). Também me confundi um pouco na parte final, mas depois de ler o comentário da Sônia Rodrigues, eu percebi que a parte inicial é uma introdução à final. Sim, pelo que pareceu, o Carlos Tashida tentou explicar a crença da reencarnação no início para, no fim, fazer uma cena em que o narrador tenha morrido e tals. Eu também gostei do reencontro de Carlos com o senhor Tojiro, reforçando assim a tese da “reencarnação”. Além do mais, garanto que a ” dama de fisionomia oriental” pode ser Sarah. Contudo, o que mais me amarrei assim foi a este suspense: Ele reencarnou ou não? Ele reencontrou Sarah? E onde foi parar o Chikako? Carlos morreu mesmo? São essas e outras coisas que me fizeram gostar muito do conto. Parabéns e sucesso no concurso!

  25. Sonia Rodrigues
    15 de dezembro de 2014

    A temática oriental, desenvolvida com uma linguagem poética e delicada, ficou muito boa. Há poucos erros de português. A técnica do conto é quase boa.
    Falhou, na minha opinião, porque não fica esclarecido porque ele foi exposto ao Tengu.
    O final está nebuloso – a mim pareceu que o narrador morreu também, e reencarnou em um cachorro, e como ele não reconhece o garotinho que o pega no colo, fiquei pensando que se tratava de seu neto também chamado Tojiro.
    Enfim, parece que houve duas mortes – a do aô, Tojiro e a do filho, na sequência, ou me perdi na trama.
    Eu particularmente não acho bom escrever em primeira pessoa quando o personagem morreu, a não ser que já confesse logo no primeiro parágrafo que é “um autor defunto” como faz Machado em Brás Cubas.
    Realmente gostei da poesia latente em sua linguagem.

  26. Brian Oliveira Lancaster
    15 de dezembro de 2014

    Cultural oriental em peso nesse desafio. Apreciei bastante a criatividade e a forma como foi contada. O final ficou um tanto confuso para mim, mas entendi que é uma espécie de viagem cósmica interior como o final de odisseia no espaço. Tirando algumas revisões (certas construções não soaram bem e algumas perto do final ficaram com rimas), gostei do contexto como um todo. É um texto mais sentimental, um pouquinho forçado em certas partes, mas atingiu o objetivo.

  27. Ledi Spenassatto
    15 de dezembro de 2014

    Gostei mais do início e do final do conto. A mediação ficou meio cansativa
    e recorrente. Entretanto, o final é bem criativo, gosto muito de contos com inúmeras vertentes, como é o caso.
    Alguns parágrafos precisam de correção, como por exemplo, esse abaixo.
    Ao final de dez minutos, um monge retornou à pira e retirou as utilizando uma pequena pá, e colocou-as em uma urna, que foi entregue à minha esposa.
    Dá para subtender, que foram as cinzas do morto que foram entregues. Porém,
    ainda assim, ficou muito vago.
    Bom desafio!

  28. Leonardo Jardim
    15 de dezembro de 2014

    Mais um conto de cultura japonesa! Não sou profundo conhecedor, mas gosto muito. Na verdade, adoro conhecer qualquer folclore ou mitologia diferente da nossa. Não conhecia os tengus e achei bem legal.

    A narrativa é muito boa e minha imersão foi total. Senti desespero, solidão e angústia. As imagens narradas pelo conto (o vórtex consumindo as cores, por exemplo) foram muito bonitas e minha mente foi totalmente capaz de imaginá-las.

    O problema do conto é que o final ficou confuso. Como pude reparar nos outros comentários, acho que ninguém entendeu o que aconteceu quando o narrador acordou no final e viu seu sogro ainda criança (eu incluído). Ficou estranho, principalmente, porque a esposa e pai dele estimularam-no a ir encontrar o tengu. Ficaram muitas pontas soltas.

    De qualquer forma, tens muito talento. Parabéns e boa sorte!

  29. Virginia Ossovsky
    15 de dezembro de 2014

    Gostei do tema oriental, e a criatura fantástica me pareceu super original e diferente. O conto é muito bem escrito, parece que o autor domina até o japonês, adorei os provérbios e os haikais em kanji. Acho que não consegui captar o sentido completo do conto, quando o narrador parece ter virado o avô Tojiro criança… Ou a mulher que ele encontra no final era a própria esposa, e ele morreu e depois reencarnou? Pareceu que a mulher dele e o pai queriam que ele encontrasse o Tengu, mas não entendi por quê, já que Carlos era meio novo pra morrer. Isso me deu um nó na cabeça, rsrs. Muito boa história. Parabéns e boa sorte!

  30. Jowilton Amaral da Costa
    15 de dezembro de 2014

    Gostei. Achei um bom suspense, com passagens muito tensas, principalmente as do encontro do personagem com o Demônio Tengu. Tive uma forte impressão que a mulher dele e o pai sabiam que ele deveria se encontrar com a criatura, só não consegui entender o porquê deles saberem. O autor demonstra conhecer do riscado. Fiquei meio boiando no final. Ele morreu e encontrou o sogro criança lá no além? Pareceu-me isso. Boa sorte.

  31. mariasantino1
    14 de dezembro de 2014

    Olá, autor!

    Se for a mesma pessoa, e se minha interpretação para o fechamento desse conto não estiver furada, penso que uma novelinha com esses contos dariam pano pra manga. Poderíamos ter esse conto como uma parte intitulada — “A CAMINHO DO INFERNO” e aquele outro conto seria a parte “LETARGIA”. Acho que seria uma boa e caberia muito mais coisas ainda (eu gostaria de ler 😉 ).

    Então… curti, e digo que você sabe repassar sentimentos de melancolia. Eu me senti melancólica ao ler. Não sei se serei mal interpretada (espero que não, pois falo no melhor sentido possível), mas esse conto me incomodou demais, demais mesmo. É como esconder algo nas letras que pode pular em você a qualquer minuto. Me senti meio que perseguida, tensa, ao mesmo tempo que espreitei o personagem. A técnica é boa e se era o propósito de fazer o leitor sofrer, padecer o mesmo padecimento do personagem, funcionou (ao menos comigo). A parte do encontro com o demônio narigudo do devil que tinge de nanquim o universo do personagem é bacana, com boas imagens. Como disse, não sei se a minha interpretação para o fim bateu na trave, mas eu queria muito que o fechamento do conto fosse outro, porque a trama enche de ânsias (expectativas). Não sei se “o sentido da vida”, foi só o lance da reencarnação do vovô, ou se Sarah e o filho entraram pelo cano, mas minha interpretação para o conto foi que a oferenda era o viço do personagem ( e espero que seja isso 😀 )

    Não há erros, mas se me permite um humilde pitaco e uma observação boba, diria para usar travessão e não hífen para iniciar um diálogo e dar um espaço para a letra não ficar coladinha (há um atalho ALT+0151. — Eu uso dois (ou três) hifens seguidos e se transforma em um travessão “mágica” rs). Achei estranha essas construções “confortando-a com um carinho nos cabelos lisos até ambos adormecerem” – até ambos adormecermos, não ficaria melhor?

    “porém mantinha uma expressão inexpressiva, de boca fechada e séria e olhos gigantes encarando-me com terror.” — Pode ser erro meu, pelo meu pouco conhecimento, mas para mim inexpressivo é sem expressão e se ele olhava com terror a expressão era de terror.

    • mariasantino1
      14 de dezembro de 2014

      Ah, tecnologia que me maltrata.

      Faltou o: Parabéns pelo conto. Boa Sorte no Desafio. Abraço!

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Publicado às 14 de dezembro de 2014 por em Criaturas Fantásticas e marcado .
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