EntreContos

Detox Literário.

Espero que Deus tenha visto algo de bom em mim (Davi Mayer)

dragonage

Decidir ir sozinho no meio do nada pode não ter sido uma sábia decisão. Mas dane-se decisões razoáveis, dane-se minha existência, dane-se a polícia corrupta, e dane-se principalmente ao assassino serial Moloch. Porque Moloch? Moloch, conforme o texto bíblico, sacrificava crianças recém-nascidas em um ritual pagão. Preciso dizer mais alguma coisa?

Ele é a razão de eu estar nesta floresta, às 23:35 da noite, num frio do diabo, cercado pela escuridão mais cerrada que a morte. Mas não tem problema. Minhas investigações estão corretas, melhor dizendo, minha fonte. Seguindo por esta trilha abandonada, vou chegar num antigo convento, desativado há muitos anos.

Meus passos ecoam, assim como meus batimentos cardíacos. Puxo um cigarro para me acalentar nesta noite de inverno. Olho para o céu e uma chuva parece está para chegar.

Depois de meia hora caminhando, e muitos cigarros tragados depois, alcanço o covento, que mais parece um casarão abandonado daqueles filmes de terror antigo. Puxo minha glock.40 debaixo do meu sobretudo e apago o último cigarro abaixo da minha bota. Agacho-me e corro para o lado da primeira janela em formato de seta, com vidros quebrados e manchados de anos de poeira. Espio, e me deparo com mais escuridão. Escuto um som ao longe que parece ser de uma cantoria melodiosa e ritualística. Noto que no chão tem duas portinholas que se abrem para fora, provavelmente levando para o porão. Aproximo e me agacho. Uma corrente nova e um cadeado também novo selam a passagem. Alguém vem usando o lugar e tem preocupação com segurança.

Circulei pelo casarão, de uma distância segura. As próximas entradas são à frente, e os fundos. Decido ir pelos fundos. Tento virar a maçaneta, mas está emperrada. Empurro-a, mas nem se move. Nunca tive um temperamento calmo e passivo, nem mesmo paciente. Por isso levanto o pé e golpeio a madeira, que caiu para trás com estrondo.

Dane-se a sutileza!

Levanto minha glock.40 e a lanterna. O facho de luz ilumina o interior da primeira sala que encontro. Entro com cautela, iluminando os principais cantos. Era o refeitório. Estantes, louças, uma pia com teias e aranhas do tamanho de minha mão, se moviam rapidamente pelas paredes e pelo chão. Do outro lado do refeitório, um candelabro. Vou até lá e examino. Tocos de velas ainda quente, e no chão, fósforos riscados.

– Encontrou alguma coisa?

Olhei sobre o ombro e vi um ser parte homem e parte bode.

O ser não usava vestes, e seus pelos crespos e longos escondiam o seu membro sexual. Possuía apenas três dedos, nas mãos e nos pés, com unhas tão negras quanto a noite. A cabeça era em formato triangular e lembrava a de um bode. A boca não possuía lábios, apenas uma linha desgostosa e ossuda, o nariz era apenas dois furos rentes à face, e seus olhos negros, como os de um boi, úmidos e nervosos. Um par de chifre curvo saia das têmporas, tornando suas feições ainda mais demoníacas.

– Nada. – respondi. – espero que sua dica tenha valido a pena, ou então ficarei muito puto! Molhei minhas botas e acabei com meus cigarros.

– A visão mostrou este lugar. O serviçal ainda está ativo… E nestes arredores.

Levantei-me pouco satisfeito de servir a este monstro. Volto a investigar o convento. Passei por um corredor, com muitos quartos vazios, camas mofadas e objetos sem valor, espalhados. Entrei no maior quarto da casa. Parecia ser da madre, a mandachuva das freiras. Vários papéis espalhados, muitas aranhas fugindo para os esconderijos, fronhas outrora brancas, agora com manchas pretas. Havia fotos. Apanho uma delas e vi uma imagem amarelada pelo tempo, de uma moça jovem e bonita. Loira, vestida como uma freira, sobrancelha bem aparada, sorriso perfeito. Ela possuía um sinal na bochecha esquerda, algo que não abonava sua beleza, aliás, tornava-a mais única. Passei o facho de luz mais uma vez pelo quarto, mas nada me atraiu. Começei a me irritar. Esta busca parecia infrutífera, mas o demônio nunca errou antes nas suas dicas.

Um grito ecoou entre as paredes. Virei-me apressadamente para a porta do quarto e vi em pé, envolto em sombras e mistério, o ser com cabeça de bode. Ele me olhou de volta, sinistro e metódico.

– O que é isso? – perguntei, referindo-me ao grito.

– Acho melhor ver. Pode ser o que procuramos.

Os gritos continuaram a se propagar pelo casarão. Cada vez mais horrendos, ecoando, misturando com o som de minhas botas. O cone de luz balançava de um canto a outro da minha lanterna. Cheguei a uma escada que descia ao porão. Pensei por um segundo e continuei, agora descendo para debaixo do imóvel. Lá embaixo, velas espalhavam-se pela parede enegrecida de fuligem. Tinha uma fornalha antiga do outro lado da sala, aceso em chamas, como dentes vermelhos e amarelos lambendo o teto. Deitada no meio do piso, uma velha encarquilhada, só pele e ossos. Os cabelos brancos e desajeitados rareavam no topo da cabeça. Usava um trapo preto puído, coberto por manchas de golfadas de vômito e sangue. Seus braços e pernas eram finos, e veias saltavam na pele cadavérica e enrugada. Os dedos eram finos como garras, e as unhas amareladas das mãos arranhavam o chão, enquanto aquele corpo frágil sofria, se contorcendo numa dor horrenda que parecia furar meu cérebro, a cada grito hediondo que escutava daquela velha.

Desliguei a lanterna e a guardei. Tentei me aproximar dela, mas a mão da criatura segurou meu ombro.

– Não se aproxime. Ela está em possessão.

– Então faça alguma coisa.

– Sabe que neste plano não tenho forças. – o ser olhou para a mulher, em mais um rompante de grito. – diga drogsmantick.

Inspirei profundamente e disse a palavra. Senti algo queimar o meu estômago, mas logo passou. Da mesma maneira que começou os gritos, cessou, de repente. O silêncio invadiu o espaço ao redor, comprimindo-me.

Aproximei-me da velha, seu corpo trêmulo. Do fundo de sua garganta, um gemido agudo e lamentoso. Apesar de ser um assassino, um monstro frio e muitas vezes cruel, compadeci-me dela. Virei-a de barriga para cima, leve como um graveto, e vi seu rosto seco e enrugado. Olhos fundos sobre os olhos semicerrados, em que pude ver o globo ocular branco. Notei o sinal na bochecha esquerda dela, parecia ser a mulher da foto, mas em estado cadavérico.

– Ei… – chamei-a. – você está bem? Acorde!

A velha abriu lentamente os olhos, de um azul profundo e escuro. Ela falou algo, e pude entrever os dentes amarelados e tortos. Não entendi.

– Não entendi o que disse. O que está fazendo aqui?

– Alimento… Alimento…

Saquei uma barra de chocolate, abri e dei a ela. A velha arrancou da minha mão a barra, e jogou contra a parede.

– Alimento… Alimento… – voltou a repetir, de forma insolente.

Puto, pois não conseguia entender o que a maldita me dizia, cingi as sobrancelhas com raiva. Ela apontou para a fornalha, foi então que notei uma tulha de ossos brancos e pequenos encostados nela. Deitei-a no chão, e notei que a mulher sorria como uma louca. Os olhos bem abertos, iluminados por alguma loucura que só ela conseguia ver e entender.

– Alimento… – tornou a dizer a mulher, entre sorrisos e espasmos.

Ainda ajoelhado olhei para o monstro, este olhava desejoso para os restos mortais na fornalha, os dedos fechados sobre a palma peluda.

– Será que é isso que procura? – perguntei me levantando, deixando a louca sorrindo e se embolando no chão, de felicidade.

– Sim… Acredito que sim! – respondeu a criatura, e pude ver uma baba escorrer da sua boca ossuda e molhar o cabelo do peito.

Aproximei-me da fornalha e vi os pequenos ossos. Tinha crânios, fêmur, caixas torácicas, e outros. Tão pequenos que pareciam brinquedos de criança. Na verdade, mexendo em um crânio com a ponta da minha bota, percebi se tratar de um recém-nascido. Engoli em seco, e percebi o monstro se aproximar por trás de mim.

– Estas são minhas oferendas. – murmurou a criatura, e senti que babava cada vez mais. – traga para mim os corações delas!

A que ponto eu desci? Não sei, apenas sei que sobrevivo cada dia ao lado desse monstro, fazendo o que ele me manda. Agachei-me e espalhei os ossos, procurando pelos malditos corações, mas não encontrei nada. Tentei olhar por entre as chamas, mas vi apenas alguns ossos chamuscados.

– Não parece ter nada. – murmurei cauteloso, já prevendo a cólera do monstro.

– O que? – ele questionou baixinho, olhando para todos os lados, com os olhos vidrados. – como é possível?

A mulher ria mais alto agora, e me olhava com olhos desvairados.

– Alimento! – ela cacarejou. – alimento!

– Será que esta velha…? – falei comigo mesmo.

– Ela não pode ter feito isso comigo. – ele se virou para ela, a cabeça um pouco baixa e ameaçadora, como um touro prestes a atacar. – eu sou o deus dela, e ela minha serva. Era para ter roubado todos os bebes, sacrificá-los para o meu bel prazer e ter guardado os corações. Meu alimento! – ele levantou o tom de voz. – meu ALIMENTO!

– Alimento! – repetiu a mulher, olhar petrificado no vazio e um sorriso débil nos lábios rachados.

Ela tinha comido todos os corações, e entendi o porquê de sua loucura. Ela como freira, e acabar o ciclo do demônio sobre a sua vida. A agonia que sentia, em comer a comida que não pertencia a ela, a dor, a loucura de servir a um monstro. A transmutação de sua loucura a fez ser o monstro a quem servia contra a sua vontade. O que será que a prendia a ele?

– Você não sabe o que te aguarda… – ele rosnou para a velha. Com a ponta dos dedos, cortou o ar e abriu um portal no vazio. O portal era feito de chamas, e gritos infernais saiam dele, e preenchiam a sala no mais completo tormento. De longe, ainda vi mãos, rostos fundos e decrépitos, um túnel como um interior de uma garganta, descendo para um poço de larva fervente, vermelho, brilhava e iluminava as paredes.

A velha começou a chorar. Ela não podia ver o que seu senhor fazia, mas sentia a tortura que a aguardava. Senti pena. Não pensei duas vezes, mirei a arma para a cabeça dela e deflagrei dois tiros. O chão ficou uma mancha de cinza e vermelho fuligem, do cérebro e sangue, respectivamente.

Não pensei na gravidade do que eu fiz. Apenas agi por impulso. Terá sido um impulso bom? Será que estava me encaminhando de volta para o caminho da humanidade? Esperava que sim.

O portal se fechou. Estava apenas eu e a criatura de pé, ela de costas para mim.

– Por que fez isso? – ela perguntou, entre dentes, contendo a ira.

– Ela não servia para nada mesmo… – respondi casualmente, como se a morte dela não fosse nada demais. – achei que matá-la seria o melh… o pior para ela.

– Seu maldito! – ele se virou e esbravejou, com os punhos cerrados em minha direção. Controlei-me para não molhar as calças de tanto medo dos olhos negros e carregados de ódio da criatura. – quem segura sua coleira sou eu! Eu mando, e você obedece! Por um acaso não quer mais sua vida de volta? Quer ir para o inferno e dançar nu para os pedófilos que levei para lá? Seu verme!

Ele se aproximou, e pude sentir seu bafo de enxofre e de esgoto.

– Fui claro? – ele perguntou me olhando com seus olhos que quase se juntavam na sua cara de bode.

– Sim. – respondi, e uma lágrima caiu dos meus olhos marejados.

– Assim está melhor. Vamos embora daqui, encontrar os outros servos que se rebelaram.

Num piscar de olhos ele sumiu, deixando-me sozinho com o cadáver da velha, a fornalha em chamas e o meu medo que fazia minhas pernas bambear. Segurei-me para não cair de joelhos.

Encaminhei-me para a escada e observei à velha. Pensei em sua coragem e força para se livrar do domínio do demônio. No tormento que ela deve ter sofrido, ela que tinha sido tão pura, forçada por um demônio a matar bebes… ela que recebeu o nome dos jornais de serial killer Moloch, àquele a quem ela era seu brinquedo para fazer suas maldades.

Ah, dane-se tudo!

Espero que Deus tenha visto algo de bom em mim.

Ergui a arma, coloquei-a dentro da minha boca, e apertei o gatilho.

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22 comentários em “Espero que Deus tenha visto algo de bom em mim (Davi Mayer)

  1. Bia Machado
    12 de julho de 2014

    Gosto de contos de terror, mas esse não me cativou, mas achei o final bom, pra mim foi o melhor do conto. Na minha opinião, ok? Já foram feitos vários apontamentos com os quais concordo, dá pra aproveitar muita coisa aqui. É isso, continue escrevendo!

  2. tamarapadilha
    11 de julho de 2014

    Não gosto de contos com magia, como eu já comentei em vários aqui no desafio, mas esse me chamou bastante atenção por ser bem escrito e criativo. Só queria entender melhor quem é o bicho, seja lá o que for que mandava em tudo ali. Boa sorte

  3. Cristiane
    5 de julho de 2014

    Gostei do final, a frase que também é o título do texto ficou bem contextualizada. O texto em si não me cativou, questão de gosto pessoal. Prefiro personagens mais densos.
    Quanto a escrita o que me incomodou um pouco foram apenas alguns tempos verbais controversos.
    Abraços e boa sorte no desafio!

  4. Swylmar Ferreira
    3 de julho de 2014

    Eu achei a narrativa interessante, a velha freira era uma sociopata devoradora de criancinhas e o coisa ruim foi enganado duas vezes. Terror é um de meus gêneros favoritos e quando o conto é bem escrito facilita ler até o fim.
    Boa sorte!

  5. Thata Pereira
    1 de julho de 2014

    De todos os deslises o que mais me incomodou foi o tempo verbal. Mas se fomos levar em consideração a história eu gostei. Criei uma voz super sinistra para o demônio na minha cabeça e isso me empolgou haha’

    Reescreva a história levando em consideração as observações do pessoal, ajudará bastante, principalmente quando for revisar seus próximos contos.

    Boa sorte!!

  6. rubemcabral
    27 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: humor negro, clichês bem explorados, algum horror. A temática e a personagem principal lembram um tanto o Constantine, série de HQ que eu gosto muito.

    Pontos fracos: a revisão foi bem descuidada, principalmente qto à concordância (número, gênero). O conto parece que foi desenvolvido sem algum planejamento em mente, seguindo um curso meio irregular e sem desenvolver a trama a contento. O suicídio no final ficou fraco pela falta de empatia com o narrador ou melhor conhecimento de suas motivações.

    Sugestões de melhoria: revisão, revisão, retraçar o enredo e permitir um melhor desenvolvimento da personagem principal.

    Conclusão: o conto resultou irregular.

  7. Brian Oliveira Lancaster
    24 de junho de 2014

    Terror não é meu forte, ainda mais “seco”. Gostaria de ressaltar dois pontos: o final tem o impacto pretendido, e narrar em primeira pessoa realmente tem um efeito muito mais denso neste tipo de conto.

  8. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Desculpe, mas não consegui ler até o final; sinto que a prosa precisa ser muito refinada ainda. Lamento.

  9. Anorkinda Neide
    16 de junho de 2014

    Bem, as correções que precisam ser feitas, já foram apontadas.
    Vou dizer que a história tem uma ideia original, onde o coisa-ruim precisa usar o personagem pra fazer as coisas pra ele e também o chifrudo não conseguir dar um fim à freira e ao proprio protagonista… é uma abordagem diferente dos poderes do capiroto. hehehe
    Gostei disso.

    Abração

  10. Edivana
    15 de junho de 2014

    Bem, o texto agradou de um lado, e desagradou de outro. Até gostei da atuação do demônio, mas achei forçada a simpatia da personagem para com a velha. Não que eu seja muito experiente com demônios e seus gostos, mas acho que a velha iria para o inferno de qualquer forma, ela comeu o coração de muitas criancinhas para ser perdoada e alcançar o céu, então a raiva do Diabo foi meio injustificada sobre o tiro. Gostei do final, mas do começo, não. Enfim, boa sorte!

  11. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2014

    Gostei do enredo, adooooro quando não poupam as criancinhas haaha’. No entanto, a narrativa não me encheu os olhos. Bem como penso que poderia ter sido narrado em terceira pessoa, ficou estranho no último parágrafo quando ele puxou o gatilho… e contou isso. Slá. Boa sorte 😉

  12. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Não me agradou apesar do gênero ser o meu favorito: terror.
    Não me fisgou, mas é um bom conto que carece de um maior cuidado.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  13. Jefferson Reis
    8 de junho de 2014

    Os clichês foram mencionados.
    Os erros de tempo verbal também.
    A sintaxe confusa e o desfecho que não combina com o narrador-protagonista.

    Isso é coisa de amador e diminui com a prática.
    Não desista da escrita, escreva sempre. E leia muito, muito, muito.
    Releia, compare, encontre as partes de maior efeito em obras de escritores reconhecidos, especule.
    Corrija seus escritos, engavete-os por algumas semanas e trabalhe novamente neles.
    E dê alguma atenção para a Gramática Normativa. Ela não é “chata”, é muito legal, na verdade.

    Lendo sua narrativa, senti que você será um bom contista, pois sabe prender a atenção do leitor.

    *******************
    Gosto muito de contos de terror, narrativas obscuras e macabras. Quando o desafio acabar e as identidades dos autores forem reveladas, podemos conversar sobre isso, o que acha? Você conhece Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e Robert W. Chambers? Eles escreveram contos muito bons.

    • dragonage
      8 de junho de 2014

      Com certeza cara. Só não achei o conto “amador”, como falado no seu comentário… KKKKKKKKKKKKKKK mas enfim… aceito-o de bom grado.

      Não gosto muito de responder comentários, mas o seu é outra exceção… (está tendo muitas exceções esse conto, hein?).

      A verdade é que quando escrevi este conto ainda não tinha nada formado em minha mente. Quis começar com um clichê (a vida já é um clichê! Você nunca vai conseguir se livrar disso!) e deixei a história seguir por si mesma. Como já narrei jogos de RPG na hora, sem planejamento, deixando a história se desenrolar, tornando-a até mesmo misteriosa para mim. Algo que amo, pois os personagens não se tornam mais meus, não sei como irá acabar a história, e isso pode ser bom ou ruim. Para mim, ao menos, nunca é ruim, pois me deixa satisfeito.

      No decorrer do texto deixei muitas “pistas” da personalidade do narrador. Ele estava meio puto com a vida, e agia por impulso. Quantas pessoas não fazem besteiras agindo por impulso? A palavra já diz tudo: não pensam nas consequências e se tornam imprudentes, violentas, e estupidas.

      Minha intenção era deixar muitas lacunas. Deixar a mente do leitor divagar mesmo, quem era o cara? Por que estava ali? Qual o objetivo da criatura? Por que a freira fez o que fez? Com que propósito? Já li contos em que o autor deixa isso nas entrelinhas e fiquei tão instigado em montar meu próprio cenário que não me incomodei de algumas perguntas ficarem sem respostas… mas como neste conto está quase uma unanimidade referente a essa característica, vou diminuir mais isso nos meus próximos contos.

      ****

      Já li Allan Poe, e os outros só de ouvir falar. Sei que o Lovecraft é um mestre do terror, e de uma escrita muito rebuscada, o que gosto muito.

      Podemos nos falar sim, com certeza. Trocar experiencias e contos para análise um do outro… Aproveitando, estou escrevendo um conto que mistura cenas de ação, suspense e terror, que irá participar de um desafio da editora buriti (SERES MITOLÓGICOS), e estou querendo uma segunda opinião mais critica, nua e fria. O conto é para ser enviado até o dia 10/06/2014… Será que você se disponibilizaria a dar uma olhada nele?

      Grato desde já e obrigado pelo feedback acima.

  14. mariasantino1
    7 de junho de 2014

    Entendi não 😦 Achei que faltou clareza, os pronomes ele/ ela se repetem ao longo da narrativa e acabaram por me deixar confusa. Gosto muito de contos de terror, mas esse não me agradou, sobretudo, por ser “lugar comum e confuso”
    .
    Desejo sorte. Abraços.

  15. Claudia Roberta Angst
    7 de junho de 2014

    Na boa, “comeÇei a me irritar” ????? O Word não sublinhou em vermelho? Já viu alguma palavra que ostente ÇE ou ÇI ? Pois é, “non ecziste” como diria Padre Quevedo. Tirando isso e as outras falhas já apontadas pelo colega, percebe-se que o autor teve realmente a intenção de nos proporcionar um conto instigante, nos moldes de uma narrativa macabra. Sem poupar as criancinhas…:(
    Quanto aos clichês, estes não me incomodaram. Afinal, a vida é um enorme clichê. Boa sorte!

  16. Fabio Baptista
    7 de junho de 2014

    Olha, a história é até interessante, apesar de não ser bem clara quanto às motivações dos personagens. Tem um ar meio “Constantine” (apesar do protagonista ser o oposto do John) que eu gosto muito. O autor consegue prender a atenção e isso é um grande mérito, mas no final fica a impressão que a trama não tem muito pé nem cabeça (questão da motivação… o que exatamente cada um estava fazendo ali? Por exemplo – por que o cara era um servo de Moloch? Por que os servos se rebelaram? Por que o Moloch não resolvia a parada sozinho?).

    Somado à essa falta de clareza em alguns pontos, temos a questão da escrita, que peca em muitos momentos (na minha opinião):

    – Decidir ir sozinho no meio do nada pode não ter sido uma sábia decisão. >>> A primeira frase é o cartão de visita do conto. Já começamos com uma repetição decidir/decisão numa frase que soa meio esquisita. Sugestão: “Vir sozinho para o meio do nada provavelmente não foi uma decisão muito sábia…”

    – Porque Moloch? >>> Por que Moloch?

    – às 23:35 da noite >>> redundância (23 só pode ser da noite)

    – e uma chuva parece está para chegar >>> e parece que uma chuva está para chegar

    – Encontrou alguma coisa? >>> Acho que seria melhor colocar algo do tipo ” – uma voz diabólica soou às minhas costas” complementando a fala, para situar melhor o leitor. (de preferência trocando “diabólica” por alguma figura de linguagem que não estou conseguindo imaginar agora).

    – par de chifre curvo >>> par de chifres curvos

    – Volto a investigar o convento. Passei por um corredor >>> variação de tempo verbal (Volto – presente / Passei – pretérito) conforme apontado em outro comentário.

    – Desliguei a lanterna e a guardei >>> cacofonia “aguardei”

    – Saquei uma barra de chocolate, abri e dei a ela >>> acho até que o cara estava agindo de maneira séria, mas pareceu uma brincadeira, quebrando um pouco o clima.

    – todos os bebes >>> bebês

    – Ela tinha >>> cacofonia

    – Ela como freira, e acabar o ciclo do demônio sobre a sua vida >>> ?????

    – “O chão ficou uma mancha de cinza e vermelho fuligem, do cérebro e sangue, respectivamente.” >>> algumas coisa podem/devem ser deixadas para o leitor deduzir… não precisa deixar tudo explicadinho, nos míiiiiinimos detalhes.

    Enfim… é uma leitura agradável, mas os problemas na construção do texto acabaram se destacando demais.

    Abraço.

    • dragonage
      7 de junho de 2014

      Não costumo responder comentários, mas vou abrir uma exceção a este. ;).

      Concordo em tudo o que você falou, exceto na parte das motivações. Quanto a elas, decidi deixar o mais sutil possível, tipow de uma frase ou uma simples palavra, que resuma bem o que o levou àquele lugar. O conto foi curto propositalmente, e muitos erros apontados se devem à revisão, infelizmente, por mais que o autor leia e releia, é praticamente impossível evitá-los. Já tinha lido umas 5 vezes e passava pelos erros ditos por todos aqui e não os notava… enfim… é como eu digo no trabalho, quem faz não pode ser o mesmo que revisa. 🙂 Mas muito grato pelo comentário. Contribuiu muito. Abraços.

  17. Eduardo Selga
    7 de junho de 2014

    Clichês, clichês e mais clichês. Literatura não se faz apenas fazendo-se uso deles do mesmo modo que são usados na maioria das vezes, porque, embora parâmetros existam e não se deva ignorá-los sem que exista uma função estética nisso, não se pode ficar escravo de fórmulas narrativas desgastadas. Não se pode escrever um conto de terror tendo os filmes de Hollywood ou os best seller do gênero como padrão inalterável.

    Casa abandonada, floresta, investigador (ou coisa parecida) viciado em cigarro, diabo com cara de bode, velha encarquilhada como uma bruxa, possessão, palavra sagrada, ossos humanos, oferenda, portal, coração de criança como alimento da entidade maligna, enxofre.

    Além disso, a narrativa fica muito prejudicada por causa dos tempos verbais misturados, passado e presente. A estória aconteceu ou ela acontece?

    Assim que o diabo aparece no enredo o narrador-personagem, que não demonstra nenhuma surpresa com a presença dele, o descreve em detalhes. Por que faz isso, se já o conhece anteriormente, conforme fica demonstrado adiante? Descreve para si? Certamente é para informar o leitor, mas soa muito artificial, pois o narrador não conta a estória explicitamente para um leitor ou ouvinte. Não estou dizendo que a descrição não é necessária, apenas que é preciso FINGIR QUE NÃO SE TRATA DE FICÇÃO.

    O final me pareceu muito forçado, pois o comportamento do protagonista não demonstra um grau de conflito consigo mesmo tão grande que o faça optar pelo suicídio.

    Erros de concordância:
    “Mas dane-se decisões razoáveis” (DANEM-SE)
    “[…] e dane-se principalmente ao assassino serial Moloch. (DANE-SE O)

    Palavras mal usadas:
    “Noto que no chão tem duas portinholas que se abrem para fora, provavelmente levando para o porão.” (NO CHÃO HÁ)
    “A boca não possuía lábios, apenas uma linha desgostosa e ossuda […]” (o que é uma “linha desgostosa”?)
    “Ela possuía um sinal na bochecha esquerda, algo que não abonava sua beleza, aliás, tornava-a mais única”. (DESABONAVA )

    Cacófatos:
    “Desliguei a lanterna e a guardei.” (E A GUARDEI = E AGUARDEI)
    “Ela tinha comido todos os corações, […]” (ELA TINHA = É LATINHA)

  18. Rafael Magiolino
    7 de junho de 2014

    Achei a ideia do conto, mas senti que faltou a algo. As descrições iniciais foram muito boas, consegui imaginar perfeitamente o local. O ambiente macabro que você conseguiu criar foi bem executada, merecendo muitos créditos.

    Entretanto, não consegui entender muito bem do que se tratou todo o contexto. Achei meio confuso, como se tivesse sido escrito às pressas. Acredito que se você manter o enredo com algumas mudanças e detalhar melhor, um grande material surgirá.

    Abraços!

  19. Davi Mayer
    6 de junho de 2014

    Conto bom. Um problema que notei foram os verbos. No começo ficou no tempo presente, depois no passado (o que eu acho mais interessante). Poderia ter tentado deixar todos em um único tempo, mas o problema da revisão feito por apenas um (acho) deve ter passado despercebido. No mais, instigou a leitura até o fim.

    Parabéns.

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Publicado às 6 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .
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