EntreContos

Literatura que desafia.

Vento que Passa (Fabio Baptista)

vento_que_passa

“O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer.
Não há nada de novo debaixo do sol.”
Eclesiastes 1:9

I

As penas do jovem velociraptor menearam ao ritmo do vento quente trazido pelos últimos suspiros do Cretáceo. Era sua primeira caçada, a primeira vez que comeria carne fresca e viva, não as sobras podres relegadas aos filhotes. Andou cuidadosamente pela mata até encontrar uma clareira. Um dinossauro quase de seu tamanho bebia a água salobra remanescente da chuva que caiu como se quisesse rasgar as entranhas da Terra na última noite. Observou por entre as folhas, durante alguns instantes. Seu coração bombeando sangue quente e adrenalina, o instinto não dando margem à hesitação. Saltou próximo ao réptil atarracado, deixando os dentes à mostra enquanto emitia um ruído estridente e gorgolejante que reverberou pela floresta.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Primeira Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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49 comentários em “Vento que Passa (Fabio Baptista)

  1. Pingback: [Livro] Até o Fim do Universo – FABIO BAPTISTA

  2. ganhar mais curtidas
    11 de abril de 2014

    Blog muito bom!

  3. Pétrya Bischoff
    5 de abril de 2014

    Gostei de todas as partes do conto, em especial da menina grávida. Não entendi ao certo se o “positivo” do pai era um filho fora dp casamento ou HIV. De qualquer maneira, gostei.
    Ah, gostei, também, de o bebê ter sido esquecido no carro. Não gosto de “não-me-toques” com crianças nos contos 🙂

  4. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    Com certeza o autor sabe o que está fazendo. A escrita é primorosa e a leitura agradável. Não sei se faço justiça ao empata-lo com outros textos que possuem uma história única e concentrada, mas está acima da media. Parabéns.

  5. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Leitura leve e agradável, embora tenha gelado meu coração na hora do bebê esquecido dentro do carro, isso me dá desespero só de pensar. Gostei de ter começado com os dinos e abordado vários dramas pessoais, como verdadeiros finais para muitas pessoas, mas achei que no fim do conto, eles estivessem costurados de alguma forma, voltar para o avô não sei se foi a melhor solução. Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Alexandre Santangelo
    5 de abril de 2014

    Texto de muito boa qualidade. O autor prende do inicio ao fim. A narrativa fui naturalmente. Parabéns!

  7. Marcelo Porto
    4 de abril de 2014

    Um bom exercício de escrita essa miscelânea agrupada pelo inexorável fim.
    Uma boa solução num momento em que a inspiração voa. Em vez de fazer um conto sobre o fim do mundo, porque não escrever tudo o que tá na mente e os unir numa coletânea derradeira?
    Muito bom. Parabéns!

  8. Wilson Coelho
    4 de abril de 2014

    Gostei muito dos dinos, do pai com HIV e da filha grávida, assim como do pobre que esqueceu o filho no carro. A história da colisão das estrelas já foi meio sem graça, ainda que houvessem causado um fim de mundo de alguma civilização.
    A soma dos minicontos foi bem legal!

  9. Hugo Cântara
    1 de abril de 2014

    Confesso que, quando vi o conto dividido em personagens e fins do mundo diferentes, de imediato pensei que a minha leitura seria dispersa e desinteressante. Enganei-me, pois as capacidades e técnicas de escrita do autor apelaram às minhas emoções, e o conto terminou tão rápido como começou.
    Pessoalmente, começaria com o avô e não com os dinossauros, mas compreendo a opção de escala temporal assumida pelo escritor.

    Sem dúvida um dos melhores que li até agora.
    Parabéns e Boa sorte!

    Hugo Cântara

  10. fernandoabreude88
    1 de abril de 2014

    Aqui nota-se que o tom das histórias não é divergente. Da boca assassina dos dinossauros às histórias mais tranquilas, se é que são tranquilas, uma esfera límpida parece querer organizar todo o caos. Leve, tranquilo de ler, o conto tem um frescor que ainda não vi nesse desafio. Entre meus 10 com certeza estará e é um dos que vou lembrar bastante.

    • Salomão
      4 de abril de 2014

      Olá, Fernando!
      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Cara, realmente muito feliz por você ter visto a ordem no caos. Foi essa a minha intenção… montar um todo ordenado, composto de diversas peças caóticas entre si. .
      Saudações,
      Salomão.
      “Apliquei meu espírito a um estudo atencioso e à sábia observação de tudo que se passa debaixo dos céus: Deus impôs aos homens esta ocupação ingrata.”
      1:13

  11. Thata Pereira
    31 de março de 2014

    Que bacana que alguém falou sobre os dinossauros e sobre o dilúvio. Eu havia cogitado fazer isso, mas na falta de tempo acabei escrevendo outro conto no qual eu não precisasse fazer tanta pesquisa. Cheguei a ler sobre o dinossauros e baseado naquilo que eu li encontrei algumas contradições, mas quem disse que os estudos que eu li que são os verdadeiros, né?
    O conto é muitíssimo bem escrito, fiquei apaixonada na narrativa. As histórias diferentes não me incomodaram, apesar que no da filha grávida eu precisei reler para entender (meu cérebro tentando evitar que eu entenda essas histórias… rsrs’). A parte do pai com o filho no carro foi perturbadora e eu precisei respirar para seguir com a leitura.
    Eu só estranhei quando a história voltou no avó com o neto, pois como todos os temas eram diferentes, eu esperava por outro “fim do mundo”. Até porque o conto segue uma “linha do tempo” e a volta no dilúvio me deu a entender que todas essas coisas estavam acontecendo ao mesmo tempo, meio que em uma dimensão paralela. Não que não esteja bom, o final foi muito emocionante.
    Boa Sorte!!

    • Salomão
      4 de abril de 2014

      Boa tarde, Thata!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Na verdade, ao escrever imaginei tudo acontecendo na mesma dimensão. A ordem cronológica seria a seguinte:
      65 milhões de anos atrás: Dinossauros
      20 anos atrás: Colisão das estrelas
      Dias atuais: Avô/neto, filha grávida/pai doente, bebê no carro, moça na praia, adolescentes na biblioteca
      A intenção foi narrar diferentes histórias que estivessem se passando no mundo enquanto o resultado da colisão das estrelas, os raios gama, estivessem vindo em nossa direção.
      20 anos-luz é uma distância em que teoricamente os tais raios gama ainda seriam letais (eles vão perdendo a intensidade e se dissolvendo, conforme percorrem o espaço… ia mencionar isso no conto, mas achei que perderia um pouco o impacto :D).
      Mas é claro, a estrutura do texto deixou margens para que cada um interpretasse à sua maneira.
      Mais uma vez agradeço.
      Saudações,
      Salomão.
      “Todas as coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de ouvir.”
      1:8

  12. Marcellus
    31 de março de 2014

    Repare no elogio: lembrei-me de “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan. A meu ver, cada trecho conta um “fim do mundo” para alguma personagem, o que foi muito interessante. Só tenho que destacar que a gravidez da menina e a reação do pai formaram a parte mais perturbadora..

    Um ótimo conto. Parabéns ao autor!

    • Salomão
      4 de abril de 2014

      Olá, Marcellus!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Fui procurar “A Visita Cruel do Tempo”… tudo bem que as resenhas do skoob não são lá muito confiáveis, mas pelu que vi parece ser um livro muito interessante. Fico extremamente feliz com o elogio!
      Saudações,
      Salomão.
      “Eu disse comigo mesmo: Eis que amontoei e acumulei mais sabedoria que todos os que me precederam em Jerusalém. Porque meu espírito estudou muito a sabedoria e a ciência,
      e apliquei o meu espírito ao discernimento da sabedoria, da loucura e da tolice. Mas cheguei à conclusão de que isso é também vento que passa.”
      1:16-17

  13. Gustavo Araujo
    28 de março de 2014

    Também não sou do tipo que aprecia histórias presas por um fio tão tênue (no caso, o fim do mundo). Porém, a qualidade da escrita fez com que minha leitura fluísse de maneira fácil e prazerosa. Eu gostei muito de todos os fragmentos, mesmo daqueles que tratam de aspectos que não me são muito familiares – o dos dinossauros, por exemplo.

    Os trechos que retratam dramas pessoais ficaram muito bons, especialmente o que se refere ao pai que esquece o filho no carro – extremamente perturbador, ainda mais para quem é pai e volta e meia se vê encarregado de deixar os filhos na escola. A da garota grávida também ficou excelente, mas estou até agora me perguntando qual seria, afinal, o segredo do pai dela… O trecho do avô com o neto é igualmente cândido e oportuno, revelando a sensibilidade do autor ao retratar esse tipo de relação sem parecer piegas.

    Enfim, embora o esquema do conto não reflita a estrutura que mais me apetece, tenho que dizer que gostei muito da leitura, especialmente porque consegui me entreter bastante com o que foi apresentado. Alta qualidade, pode apostar.

    Parabéns e boa sorte.

    “Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu.”
    3:1

    • Salomão
      4 de abril de 2014

      Olá, Gustavo!
      Muito obrigado pelas suas palavras. Fico realmente contente que tenha gostado do conto e apreciado a escrita.
      Esse lance de esquecer o nenê no carro é algo que me apavora desde a primeira notícia que vi a respeito do tema. Só de imaginar a agonia que um pai deve sentir ao se dar conta da m* que fez… minha alma já se encolhe.
      O segredo do pai da menina grávida era ter pulado a cerca, contraído HIV e (provavelmente) passado para mulher. Que deve ser outra coisa difícil de se encarar.
      Agradeço novamente!
      Saudações,
      Salomão.
      “Amontoei prata e ouro, riquezas de reis e de províncias. Procurei cantores e cantoras, e o que faz as delícias dos filhos dos homens: mulheres e mais mulheres.”
      2:8

  14. Eduardo B.
    27 de março de 2014

    Hum, não me fisgou. Eu não curto muito esse lance de várias histórias que se fundem em uma única, sabe? Hehe.

    Contudo, está muitíssimo bem escrito. Parabéns!

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Boa tarde, Eduardo!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Uma pena que o conto não tenha conseguido te fisgar, mas fico feliz que tenha considerado o texto bem escrito.
      Saudações,
      Salomão.
      “Pus-me então a considerar todas as opressões que se exercem debaixo do sol. Eis aqui as lágrimas dos oprimidos e não há ninguém para consolá-los. Seus opressores fazem-lhes violência e não há ninguém para os consolar.”
      4:1

  15. Rodrigo Arcadia
    24 de março de 2014

    Então, gostei de alguns fragmentos dos outros nem tanto. Mas gostei muito do fechamento, com o avô e o neto. Em geral, o resultado foi mais do que positivo.
    Abraço!

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Boa tarde, Rodrigo!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Fico contente que o balanço geral tenha sido positivo para você, principalmente o desfecho, para acabar o conto com uma boa impressão.
      Muito obrigado!
      Saudações,
      Salomão.
      “Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça.”
      3:16

  16. Bia Machado
    23 de março de 2014

    Acho que carregou um pouco nos adjetivos. Não que eles não possam ser usados, mas o que não podem é se destacar no texto, assim como qualquer outro recurso. Bem, eu não gostei de todas as histórias, se fossem apenas as histórias do pai que foi trabalhar, da menina grávida e do avô com o neto, essas pra mim foram as que valeram a pena, mas infelizmente não achei que foram tão bem aproveitadas.

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Olá, Bia!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Tentarei pegar mais leve com os adjetivos em outras oportunidades. Agradeceria muito se você pudesse destacar no texto um ou dois pontos onde identificou que eles se destacaram, para eu ter uma melhor noção de onde posso atuar.
      Sobre as histórias, realmente seria difícil agradar gregos e troianos. E acho que consegui a façanha de DESAGRADAR gregos e troianos no mesmo conto! kkkkkk
      Pena que você não tenha gostado, mas agradeço novamente sua atenção.
      Saudações,
      Salomão.
      “Do riso eu disse: Loucura! e da alegria: Para que serve?”
      2:2

      • Bia Machado
        5 de abril de 2014

        Olá! Agora que vi a resposta. Olha, hoje não senti tanto o peso dos adjetivos, hein? Acho que no dia eu devia estar cheia deles, pode ser que tenha feito uma revisão na época e tenha ficado saturada da coisa, hahaah. Cada vez mais acredito que há o tempo certo para cada leitura e hoje apreciei seu conto bem mais do que naquele dia. =)

  17. Eduardo Selga
    22 de março de 2014

    Existe uma unidade que amarra os fragmentos: a destruição pelo asteroide (o fim do mundo para os dinossauros) e a destruição da Terra no último trecho. Entremeando, diversos dramas humanos simples, do cotidiano, sem nenhuma grandiloquência dramática ou teatralidade, felizmente.

    Mas está algo insosso, apesar da qualidade da construção textual. Acredito que se os “microenredos” estivessem atados mais umbilicalmente à ideia de destruição do todo, ao invés do particular, talvez funcionasse melhor.

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Olá, Eduardo!
      Agradeço a leitura e o comentário.
      Aliás, gostaria de parabenizá-lo pelos seus comentários (que sempre leio com a voz mental do Claudio Carsughi :D)… não concordei com você em muitos dos contos aqui do desafio, mas em todos li com interesse a sua opinião, sempre muito bem exposta, com embasamento.
      Confesso que estava com um pouco de receio do que você iria comentar aqui 😀
      Fico feliz que tenha apreciado a construção do texto.
      Sobre a sugestão para deixar o texto um pouco mais palatável, minha criatividade limitada não conseguiu elaborar nenhum tipo de amarração das histórias com o todo. Na verdade, o ponto que quis tocar aqui foi a completa falta de relação dos eventos mundanos com os eventos cósmicos, ou, em outra palavras, nossa impotência perante asteróides, radiação, etc., coisas totalmente fora de nosso controle. As formigas no começo representavam mais ou menos isso, em uma outra escala.
      Agradeço novamente!
      Saudações,
      Salomão.
      “Tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;”
      3:2

  18. Alexandre Horta
    21 de março de 2014

    Gostei do seu texto. Fiquei meio desapontado quando percebi que seriam várias mini histórias juntas, mas você conseguiu passar muita coisa com elas. No conto III eu entendi que o Décio estava doente, não pensei exatamente em HIV, mas não me passou pela cabeça uma amante grávida. O conto IV é aterrorizante.

    Alguns exageros com adjetivos e imagens, mas nada que não possa ser trabalhado. Parabéns pelo conto.

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Olá, Alexandre!

      Agradeço a leitura e o comentário.
      Acho que essa coisa de vários contos acabou desanimando muita gente 😦
      Fico feliz que você tenha captado as coisas que eu quis dizer.

      Vou tentar maneirar nos adjetivos na próxima oportunidade, todo mundo tá reclamando! kkkkk

      Mais uma vez agradeço.

      Saudações,

      Salomão.

      “Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e que aumenta a ciência, aumenta a dor.”
      1:18

  19. Abelardo
    21 de março de 2014

    Não gosto deste estilo. Diversos minis que no geral tentam formar um texto maior. Aqui achei que o autor não conseguiu esse intento. De positivo o primeiro texto, do Velociraptor do qual gostei, o resto não me atraiu. Só encontrei alguma adequação ao tema proposto neste primeiro texto, o resto a meu ver não se adequa. É isso.

    • Salomão
      21 de março de 2014

      Olá, Abelardo!

      Muito origado pela leitura e pelo comentário!

      Uma pena que não tenha gostado das diversas histórias paralelas que ocorriam enquanto um descomunal vagalhão de energia deslocava-se, inexorável, em nossa direção.

      Também não costumo gostar muito de histórias fragmentadas, mas dessa vez resolvi arriscar, já ciente que diminuiria o grau de aceitação do conto em virtude disso.

      Obrigado novamente!

      Saudações,

      Salomão.

      “Tudo que meus olhos desejaram, não lhes recusei; não privei meu coração de nenhuma alegria. Meu coração encontrava sua alegria no meu trabalho;
      este é o fruto que dele tirei.

      Mas, quando me pus a considerar todas as obras de minhas mãos e o trabalho ao qual me tinha dado para fazê-las, eis: tudo é vaidade e vento que passa;
      não há nada de proveitoso debaixo do sol.”

      2:10;2:11

  20. Felipe Moreira
    21 de março de 2014

    Gostei bastante e acharia tremendamente injusto dizer que a primeira parte foi a minha preferida. Muitos aspectos positivos, sobretudo a narrativa deliciosa. Parabéns por ter abordado algo recorrente na sociedade, em que pais esquecem seus filhos no carro por uma série de razões. E geralmente, terminam em tragédia. Fiquei agoniado ao ler essa parte, sufocado mesmo.

    Só um ponto. No primeiro capítulo(que foi sensacional), o texto indica que o jovem velociraptor morre em consequência direta do asteroide. Na verdade, como você narrou, ele estava distante demais do impacto pra ter morrido tão pouco tempo depois. Temos registros de que várias espécies de até grande porte sobreviveram por uns 30 mil anos após a colisão. E talvez, se não fosse pela sucessão de erupções vulcânicas na Índia, dinossauros não teriam sido todos extintos.

    No geral, um belíssimo conto. Está de parabéns mesmo! Boa sorte.

    Abraço.

    • Salomão
      21 de março de 2014

      Olá, Felipe!

      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Fico muito feliz que minha escrita tenha te agradado.

      Fiquei particularmente satisfeito com o trecho do carro, pois acredito que consegui transmitir a agonia da situação, fazendo com que o leitor completasse os três pontinhos finais na mente, montando o resto da história.

      Havia tentado o mesmo na história anterior (do jantar em família), mas acho que sem muito sucesso.

      Sobre os dinossauros, você está correto. A teoria mais aceita sobre a extinção é essa que você apresentou e, embora eu tenha sérias dúvidas sobre alguns pontos, foi a que utilizei no conto.

      Realmente o velociraptor não morreu de imediato. Mas o impacto do meteoro lançou toneladas de poeira na atmosfera e, como você bem mencionou, estimulou a atividade vulcânica (que já era frequente), enchendo ainda mais o ar de fumaça, fuligem e outras coisas que tapavam a luz solar. Foi a essa grande nuvem negra (sempre imagino aquela nuvem do Matrix :D), que me referenciei quando disse “viu a luz do sol pela última vez”.

      Sinceramente não faço a menor ideia de quanto tempo a tal nuvem, que foi a real responsável pela extinção em massa, levou para percorrer o caminho do México (local da colisão) até a Asia (onde o velociraptor e o protoceratops estavam lutando) kkkkkk
      Não achei nenhum lugar falando a respeito, mas tirei uma licença poética querendo dizer que ela chegou rápido e que na manhã seguinte o Sol não estaria mais lá. Claro, tudo floreado numa grande alegoria para o fim do mundo dos dinos.

      Mais uma vez agradeço!

      Saudações,

      Salomão.

      “Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa.”

      • Anorkinda Neide
        21 de março de 2014

        Olá… eu acho q todos fecharam a historia do pai à mesa.. ele havia engravidado a amante 😉
        mas é q o impacto do bebê foi muito maior! por isso foi comentado!

  21. Anorkinda Neide
    20 de março de 2014

    Muito bom conto com um lindo fechamento! Parabens!

    • Salomão
      21 de março de 2014

      Boa tarde, Anorkinda!

      Muito obrigado pela leitura e pelo feedback!

      Sobre a história da família, que você respondeu no comentário do Felipe:

      Mostrei esse conto para 4 pessoas. Duas interpretaram da mesma maneira que você. Uma levantou várias hipóteses – entre elas a que eu pensei enquanto escrevia e essa que você imaginou.

      A última não entendeu… e depois de eu dar uma dica conseguiu captar a ideia que eu queria passar.

      Então, das 5 pessoas que me deram retorno sobre esse texto, 3 interpretaram que a amante do Décio estava grávida. E outras duas captaram a ideia “original” com um certo empurrãozinho.

      A estatística mostra que eu não tive a competência necessária para transmitir a ideia, como consegui fazer no conto do bebê. Ou que talvez as pessoas sejam mais otimistas que eu kkkkkkk

      O que quis dizer ali era que o marido estava com HIV…

      Vou mudar um pouco a narrativa para tentar deixar isso mais implícito e talvez consiga um impacto maior. E também trocar a parte de “enfiar uma rodela laranja na boca”. Todo mundo ficou me falando “falta um ‘de’ ali!!!”. Mas não era uma rodela DE laranja, era uma rodela da cor laranja (cenoura)! E agora, pensando bem… reconheço que não foi uma das frases mais felizes que escrevi… kkkkkk

      Agradeço novamente!

      Saudações,

      Salomão.

      “Com efeito, que resta ao homem de todo o seu labor, de todas as azáfamas a que se entregou debaixo do sol?

      Todos os seus dias são apenas dores, seus trabalhos apenas tristezas; mesmo durante a noite ele não goza de descanso.

      Isto é ainda vaidade e vento que passa.”

      2:22;2:23

      • Anorkinda Neide
        22 de março de 2014

        hummm.. HIV positivo, nunca eu ia pensar nisso.. hehehe

        Obrigada pela atenção!

  22. Claudia Roberta Angst
    20 de março de 2014

    E mais uma criancinha não foi poupada. 😦 E olha que foi a parte da leitura em que eu estava mais envolvida e o mundo acabou. Não pode haver pior apocalipse do que este. Gostei do conjunto de fins, pois não cansam o leitor. Acredito que o autor teve tantas ideias para o fim do mundo que resolveu nos brindar com algumas amostras. Bom contos, ou bons contos, não sei…rs. Boa sorte!

    • Claudia Roberta Angst
      20 de março de 2014

      Bom conto ou bons contos…rs. Até já estou me embolando com singular ou plural de narrativas

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Boa tarde, Claudia!

      Agradeço a leitura e o comentário.

      Na realidade, desde que vi a chamada do desafio já sabia como meu mundo iria acabar – com raios gama! 😀
      Fiquei impressionado com esse tema depois de assistir uma capítulo da série “O Universo” da History Channel. A possibilidade de uma massa colossal de energia estar se deslocando silenciosamente em nossa direção nesse exato momento ficou impregnada na minha cabeça.

      Estararíamos aqui, seguindo nossa rotina e de repente, do nada… “bum”… acabou.

      A partir daí surgiram várias ideias para histórias que estariam ocorrendo por aqui antes do fim. Sempre ligadas a um fim do mundo metafórico (ou real, no sentido de morte, no caso do conto 4).

      Fico feliz que você tenha gostado do(s) conto(s)!

      Muito obrigado.

      Saudações,

      Salomão.

      “Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade.”
      3:19

  23. Felipe Rodriguez
    20 de março de 2014

    Gostei do conto. O problema é que eu achei a primeira parte tão boa que fiquei frustrado pelo conto não continuar na época dos dinossauros. No quinto segmento achei que deu uma caída, mas a partir do sexto – o momento de humor do conto – segue-se até o final com o mesmo entusiasmo do começo. Boa escrita!

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Olá, Felipe!

      Agradeço a leitura e o comentário.
      O conto dos dinos gerou opiniões conflitantes. Fico feliz que você tenha gostado, foi uma das partes que mais me diverti escrevendo.

      A parte 5 também não é a minha favorita, mas tinha que ser colocada para amarrar algumas pontas e principalmente para mostrar os raios gama chegando à Terra.

      Que bom que você gostou! Agradeço mais uma vez.

      Saudações,

      Salomão.

      “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”
      3:1

  24. Fabio Baptista
    20 de março de 2014

    Gostei do resultado.

    Não sei se, diferente da matemática, a ordem dos fatores alteraria o produto. Talvez começar com a parte do avô, para que os extremos do conto fechassem o mesmo arco, jogando a parte dos dinossauros mais para o meio.

    Ou mesmo eliminar a parte dos dinossauros, que aparentemente só estava ali para justificar a citação inicial do Eclesiastes.

    Gramaticalmente, encontrei um “por quê”, que não tenho certeza se está certo (essa regra de por quê, porque e por que sempre me confunde) – “pra quê seguir com tanto sofrimento”. Desculpe se tiver levantado essa lebre de graça.

    Existem repetições de palavras ao longo do texto, mas nota-se que são propositais. Mesmo assim, provavelmente o texto ganharia força ficando um pouco mais enxuto das repetições, figuras de linguagem e adjetivos (bem destacados no primeiro comentário) .

    Os mini-contos que compõem essa história valorizam e aplicam a concisão pregada pelo mestre homenageado na parte 5. Ponto positivo.

    A parte 4 é de gelar a alma. Muito bom.

    Bom, acredito que o autor tenha se “arriscado” em termos de classificação para o pódio optando por essa coleção de histórias aleatórias (e ele tenta justificar isso através da Nádenka Petrovna, falando sobre tudo estar interligado), mas na minha opinião, independente da votação, foi um bom trabalho. Um texto que busca e, em alguns pontos encontra, o que considero fundamental na literatura – despertar emoções no leitor.

    Abraço.

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Boa tarde, Fabio

      Agradeço a leitura e o comentário.
      Sobre a regra do porque… às vezes ela me pega de surpresa também, assim como a do onde / aonde kkkkk

      Também não sei se a ordem dos fatores alteraria o produto. E vou tentar dar uma limada em alguns adjetivos e figuras de linguagem.

      Obrigado mais uma vez.

      Saudações,

      Salomão.

      “Também se tornou odioso para mim todo o trabalho que produzi debaixo do sol, porque devo deixá-lo àquele que virá depois de mim.
      E quem sabe se ele será sábio ou insensato? Contudo, é ele que disporá de todo o fruto dos meus trabalhos que debaixo do sol me custaram trabalho e sabedoria.
      Também isso é vaidade.”
      2:18-19

  25. rubemcabral
    20 de março de 2014

    Para mim a soma de fins de mundo foi bastante positiva, em especial pela qualidade da escrita. Certamente alguns apocalipses são piores ou mais doloridos. O do homem que esqueceu do bebê no carro, por exemplo, foi um dos mais horríveis.

    Ainda que eu prefira contos como unidades compostas de um único enredo e com X personagens, me agradei do atrevimento de tentar costuras esses diferentes fins.

    Bom conto! Apreciado!

    • Salomão
      27 de março de 2014

      Boa tarde, Rubem!

      Agradeço a leitura e o comentário.
      Uma das intenções do conto era mostrar diversas facetas do apocalipse… e a do conto 4 certamente é a mais terrível que consegui imaginar.

      Contente por você ter apreciado a história, a despeito da preferência por contos “únicos” (que também é a minha e acho que da maioria).

      Muito obrigado.

      Saudações,

      Salomão.

      “Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.”
      1:2

  26. Jefferson Lemos
    20 de março de 2014

    Demais!
    Esses muitos fins foram descritos de forma magnífica. A escrita tão rica e bem trabalhada é um colírio para os olhos. haha

    No começo, falando sobre dinossauros, achei que fosse uma certa pessoa, mas depois com essa pegada que me lembrou um pouco “Cloud Atlas”, deixei o pensamento de lado.

    O autor soube trabalhar muito bem com coisas distintas, e a quarta parte foi a que mais me deu um “baque”. Coitada da criança…

    Só tenho a parabenizar o autor pelo ótimo trabalho – que aliás, eu tenho uma leve impressão de quem seja – e desejar-lhe boa sorte!

    • Salomão
      25 de março de 2014

      Olá, Jefferson,

      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário! Embora seja só vaidade e vento que passa, é muito bom quando vemos que alguém gostou do nosso texto! 😀

      Não assisti Cloud Atlas, é bom?

      Na verdade me inspirei um pouco no filme “A árvore da vida”, que achei sensacional, mas que muitas pessoas abandonaram a sessão na metade kkkkkkkkk.

      Saudações,

      Salomão.

      “Por isso louvei a alegria, porque não há nada de melhor para o
      homem do que comer, beber e se divertir; possa isto
      acompanhá-lo no seu trabalho, ao longo dos dias que Deus lhe outorgar
      debaixo do sol.”
      8:15

  27. Maurem Kayna
    20 de março de 2014

     Ainda bem que não cedi à tentação de ir fazendo anotações a cada trecho lido, pois o efeito ao se chegar ao final muda algumas percepções anteriores e isso é bom. Há qualquer coisa de emocionante sem ser piegas ou apocalíptico no trecho escolhido para encerrar o conto. Mas vamos aos trechos.O trecho inicial me incomodou pelo excesso de adjetivos, pela atribuição de sensações humanas aos dinossauros e pelo ritmo das frases (mesmo sem ler em voz alta, me concentro no “som” das palavras enquanto leio). Esse trecho quase me fez perder a vontade de ir adiante. Então veio o avô e o menino olhando formigas e comecei a me interessar.Quando o foco mudou novamente, achei que seria uma coletânea de situações isoladas que não conseguiria um efeito de unidade, e essa sensação persistiu até chegar ao cara que esquece o filho… a lembrança de uma situação real sobre a qual já havia refletido muito disparou uma reação emocional que me fez regressar ao desejo de prosseguir no texto. A descrição do cataclisma peca nos mesmos pontos do fragmento dos dinossauros. A linguagem é um pouco empolada, excessiva. Não me conquistou. E eis que vem o fecho, que sacode um pouco, faz temer e, no meu caso, ao mesmo tempo agradecer que o mundo (ou o indivíduo) guarde sempre essa possibilidade de passar com qualquer vento. 

    • Salomão
      25 de março de 2014

      Olá, Maurem,

      Pelo jeito o trecho dos dinossauros ficou ao estilo “ame ou odeie!” kkkk
      Agradeço pela leitura e gostaria de dizer que fiquei muito feliz (sério mesmo, não é discurso padrão) com o seu comentário.
      Estava ansioso para ver o que as pessoas iriam falar e logo de cara veio essa sua análise, que me assustou um pouco (dizendo que quase desistiu do texto na primeira parte kkkk), me confirmou que os trechos teriam altos e baixos de acordo com cada leitor, mas mostrou que, no final, acabou captando bastante do que eu tentei passar.

      Acho que tudo aqui foi meio que um tipo de agradecimento pela dádiva da vida, tão bela e efêmera quanto o vento que passa.

      Saudações,

      Salomão.

      “Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste.”
      1:4

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Publicado às 20 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .