EntreContos

Detox Literário.

Entre Irmãos (Jefferson Lemos)

DSC_0236

As colunas de fumaça manchavam o anil do céu. O calor e o mormaço subiam em pequenas ondas e ali e acolá, alguns focos de incêndio ainda queimavam de forma tênue, quase que extintos. Ao lado do que havia sido uma vila, a imagem de algo que fora uma floresta. Galhos enegrecidos e destorcidos, árvores caídas e chamuscadas. Cinzas do que um dia fora verde.

Entre o que parecia ter sido dois robustos e imponentes imbondeiros, algo se moveu na relva seca e morta. A terra cedeu e foi afundando, até revelar uma mão. Negra de nascença, e queimada pelo sol, o que a tornava mais negra ainda. O braço saiu até a altura do cotovelo, até que o outro braço apareceu, puxando uma espécie de alçapão feito de ramos entrelaçados.

O lugar era um esconderijo, que outrora, havia sido uma armadilha para animais. Era apenas um retângulo cortado na terra, com uma profundidade de dois metros. Após aberto, o mormaço quente inundou o lugar. Lentamente, um garoto– quase um homem– se esgueirou para fora. Negro como carvão, alto e de porte robusto, aparentava ser um adolescente. Não chegava há ter quinze anos. Os olhos arregalados e amarelados denotavam certo receio. Desconfiado, ele perscrutava todo o redor. Caminhou por entre os destroços e os mortos, à procura de algum perigo, e só depois de alguns minutos, virou-se e voltou para o buraco. De lá retirou uma criança. Uma menina, tão negra quanto ele. Pequena e magricela. O cabelo fazia menção a um ninho de pássaros. Ele a colocou de pé e ela fitou tudo aquilo a sua frente.

Destroços.

Tudo o que podia ver eram apenas destroços. Mesmo com seus cinco anos de idade, foi acometida pela compreensão que só mesmo aqueles que lutam pela existência, já no auge de sua idade, podem ter. As lágrimas brotaram em seus olhos e ela começou a chorar copiosamente. Ao seu lado, com os olhos marejados e um semblante desolado, seu irmão encarou a destruição por um bom tempo. A fumaça irritava seus olhos e o calor começava a se tornar insuportável. Ele olhou para a irmã, e se agachou, lhe dando um abraço.

– Zaila, olha pra mim – afastou-se dela e a olhou nos olhos – vai ficar tudo bem, eu prometo pra você.

– Cadê… pa… pai e… mamãe? – As palavras saiam sofridas de sua pequena boca, rachada e seca.

– Eles não estão mais aqui.

Zaila chorou ainda mais e seu irmão a abraçou novamente. Suas lágrimas vertiam pelas costas dele, enquanto a apertava em um forte abraço, segurando o choro. O fogo se tornou apenas um resquício, e a única coisa que sobrara era a fumaça e a sensação incômoda.

– Não é seguro aqui – Ele passou os braços por trás das pernas da irmã, e a ergueu no colo. – Precisamos ir embora. O calor espantou os animais e não deve estar seguro mais a frente.

Eles saíram daquele lugar aos pedaços, deixando para trás apenas cinzas e lembranças mortas. Um fantasma daquilo que um dia fora suas vidas.

***

O som dos tambores preenchia o ar enquanto todos dançavam em volta da fogueira. Com o batuque alegre e a dança frenética, eles balançavam seus corpos de um lado para o outro e riam. O céu límpido e estrelado trazia um bom presságio para os próximos cinco dias. O soba sentava-se em sua cadeira alta, e ao seu lado, sua mulher. Eles riam e bebiam enquanto seus dois filhos rodopiavam em volta do fogo.

A menina era nova, tinha por volta de seus cinco anos. Dançava no meio de outras meninas, com aparências muito mais velhas. Ela rodopiava e jogava os braços para cima, pulava, gargalhava e cantava. Aos olhos do pai, aquilo era sinal de que se tornaria uma mulher muito cedo. E seria uma boa mulher. O menino já era quase um homem, tinha quatorze e faria quinze naquele ano. Era alto e forte. Com o rosto pintado, remexia-se virilmente tentando atrair atenção das meninas. Era o orgulho de seu pai.

A noite caia e as faíscas lançadas ao ar, assemelhavam-se a estrelas cadentes. A euforia preenchia o lugar, e o som dos batuques impedia-os de ouvir qualquer som de fora. Por isso, eles não perceberam quando os demônios chegaram.

As criaturas da noite caíram sobre eles como um trovão. Os gritos cortaram o ar e alardearam à noite. O barulho de aço e lanças voando preencheu o ambiente de imediato. A confusão tomou conta do lugar e as pessoas corriam desorientadas de um lado para o outro. Os homens tentaram lutar, mas foram sendo abatidos aos muitos.

O soba correu para perto de sua filha enquanto chamava por seu filho, que ficou parando fazendo menção de que enfrentaria o que estava por vir. Ele correu até o menino e o puxou.

– O que tá fazendo? – perguntou a ele, enquanto segurava a filha nos braços.

– Eu vou lutar meu pai. – seus olhos tentavam demostrar coragem, mas havia ali um medo contido. – Eu sou quase um homem, e um guerreiro deve lutar por sua tribo.

– Você tá ficando maluco. – ele agora o levava para longe da confusão. As pessoas corriam desesperadas para lugar nenhum. O menino olhou para o lado quando um homem correu até uma cabana, e logo em seguida, uma tocha foi jogada no telhado e o fogo se alastrou. –… ouviu o que eu acabei de falar? Se esconde com ela entre as árvores anciãs.

– Mas e o senhor, pai?

– Eu vou lutar. A partir de agora, você é o homem da tribo e vai cuidar sua irmã. Promete pra mim.

– Eu não vou prometer nada. Eu vou lutar junto do senhor. – Seu pai lhe deu um tapa que fez sua cérebro chacoalhar.

– Você vai se esconder com sua irmã e vai ser agora. – ele empurrou os dois em direção às árvores, enquanto a menina chorava inconsolavelmente. Chegando entre as árvores, ele chutou a terra por cima do local e puxou os galhos para cima. Seu filho pulou primeiro, e depois ele colocou a menina. – Filha, vai ficar tudo bem. O pai já volta. – Beijou os dois na testa e fechou o alçapão. Chutou a terra para cobri-lo e sumiu no meio do caos, urrando feito um louco.

Os dois ficaram ali, abraçados e amedrontados. Ela soluçava baixinho enquanto ele fitava o escuro. Ninguém sabia o que o amanhã traria, mas no final, a lua havia mentido. Não havia um bom presságio.

***

Caminharam pelo o que pareceram horas. Saíram dos destroços da vila e da floresta, e adentraram dentro de uma mata densa. O cinza havia ficado para trás, e somente o verde predominava. Pequenos raios de sol quebravam a barreira densa de folhas. Os pequenos feixes lançavam a luz amarelada, que dançava junto com o vento, iluminando-os enquanto caminhavam por uma trilha de vegetação rasteira. Mosquitos zumbiam ao seu redor, e vez ou outra eles os espantavam.

– Zere – Zaila estapeou o pescoço na esperança de matar o inseto. Andava ao lado do irmão, e suas pernas pequenas esforçavam-se ao máximo para acompanhá-lo.

– O que foi? – ele caminhava com mais facilidade. Conhecia cada lugar daquela mata. Caçava ali desde pequeno, e os outros guerreiros o haviam ensinado onde deveria ir, e onde deveria evitar. Em suas costas ele carregava um arco. A corda velha e desgastada trespassava seu peito nu. E em suas mãos, carregava uma lança. O caminho era perigoso, e por isso ele havia revirado os destroços em busca de alguma arma. Encontrou um pedaço de madeira meio enegrecido, forte o suficiente para matar um animal, e um arco de madeira simples com uma flecha.

– Pra onde a gente vai?

– Vamos até Ngola e dizer o que aconteceu.

– Mas e se estiver morto também?

– Fugimos para o mais longe que pudermos. Certamente iremos encontrar abrigo em outra tribo.

– Eu tenho medo.

– Medo de quê?

– De todo mundo morrer. – olhando para o chão, ela caminhava a passos firmes. Já não falava mais como criança, e sabia exatamente o que havia acontecido a seus entes queridos. – Promete pra mim que você vai ficar vivo?

– Eu prometo. – falou, virando-se para ela. Seu coração sentia-se pesaroso. A visão da inocência perdida de sua irmã era como uma flecha atravessando seu coração. Ambos haviam perdido tudo, mas ele já era um homem, ao passo que ela era apenas uma criança. A dor de sentir o pesar de uma criança, junto da dor da própria perda, tornava tudo muito mais difícil de ser suportado. Mas ele era um guerreiro, um soba – sem seu povo– mas ainda sim, era seu dever manter a cabeça erguida.

Cortaram por entre a mata durante uns bons metros, até pararem ao lado de um pé de laranja. Estava carregado e suas frutas exibiam um alaranjado cítrico de aguar a boca. Retiraram alguns frutos, descascaram com os dentes e aproveitaram o azedo e delicioso suco. O vento corria de forma refrescante, e o som dos insetos zumbindo, junto ao canto dos pássaros, formava uma melodia inebriante. O néctar escorria por suas bocas enquanto, por aquele momento de paz e irmandade, eles se permitiram sorrir.

Até o momento em que uma flecha atravessou a perna de Zere.

Foi rápida e sem avisos. Um risco cortando o ar e atingindo com precisão o alvo. Ele olhou para flecha crivada em sua panturrilha, e a compreensão se demorou por alguns segundos. E quando conseguiu sintetizar aquela situação, gritou.

Zaira olhava para o irmão, incapaz de poder ajudar. Ela estava tão concentrada na laranja que tinha nas mãos, que não viu o momento em que a flecha o atingiu. O silêncio repentino que se sucedeu chamou sua atenção. A flecha havia transpassado até a metade, e o sangue já começava a escorrer. Zere estava sentado em uma pedra, e caiu. Ela prostrou-se ao seu lado, e sem saber o que fazer, desatou a chorar.

– Ei, me escuta – ele mantinha a perna imóvel, mas a dor cruciante percorria seu corpo causando-lhe arrepios – você precisa fugir daqui agora. Não deixe que eles te peguem, me ouviu?

– Mas e você? – seus pequenos olhinhos escorriam como uma catarata. Sua cabeça de criança, não estava suportando aquela pressão repentina, e o choro era algo que amenizava, mesmo sendo inútil. – Eles… vão… te pe… gar!

– O que importa agora é você! – ele colocou as mãos levemente no pescoço dela, puxando-a para si. Ficaram ali, testa com testa. Ele chorava agora também, pois no fundo, sabia que tudo aquilo seria em vão. Esconder-se, fugir e tentar encontrar ajuda. Nada disso iria adiantar. Por isso ele chorava, e também chorava por saber que assim como ele, sua irmã não conseguiria escapar. – Eu disse ao pai que te protegeria, não disse? Foge daqui agora, antes que eles cheguem!

Ela se levantou lentamente, e com o choro ainda incontido, fugiu. Mas já era tarde demais… pois eles haviam chegado.

Ela correu por trinta metros, quando das árvores, as criaturas saltaram. Eles tinham aparências grotescas e intimidadoras. Uns tinham rostos pintados, enquanto outros exibiam rostos animalescos. A maioria usava peles de animais. Dois a cercaram pela frente, e mais um por trás. O caminho pelo qual ela seguiu, era uma trilha que só progredia ou retrocedia. Sem ter para onde correr, ela congelou. Os soluços vinham fortes e altos. Os demônios nada falavam. Apenas apontavam suas lanças em direção a ela. O homem que estava atrás caminhou alguns passos para frente. O som do impacto saiu seco quando uma flecha atravessou sua cabeça.

Zere, agora com o arco em mãos, tentava se levantar. As criaturas apressaram-se até Zaila, e a tomaram. Ela gritava e esperneava enquanto era levada, deixando seu irmão para trás, com um grito que era um misto de dor e raiva.

Apoiando-se onde podia e com a seta ainda atravessada na perna, ele se levantou. A ferida latejava e escorria o rubro sem parar. Aos pulos, encaminhou-se para uma pedra mais a frente. Sentou-se nela e apoiou o pé na outra. Ele sabia que a dor que iria sentir, seria suficiente para desmaia-lo, mas também sabia que as chances de uma infecção seriam duas vezes maiores, caso aquilo continuasse ali. Achou um pedaço de madeira jogado ao chão, colocou-o na boca e respirou fundo. Segurou na haste da flecha e se preparou para puxa-la. Quando então, seus braços foram puxados para trás, imobilizando-o. Dois homens o seguravam, e um veio a sua frente.

– Então foi você que matou meu soldado? – o homem era negro piche. Usava um saiote que começava no peito e descia até os pés, preso na cintura por um tipo de cinto feito de tecido. Carregava uma aljava às costas, um arco trespassado pelo corpo, um chicote preso à cintura de um lado e uma faca com cabo de marfim no outro. Nas mãos, levava uma espada grosseira feita de ferro cru. Ele olhava para Zere de forma inquisitiva e com certo desprezo – Fale, seu negro maldito!

Zere estava imóvel. Olhava o homem com toda a raiva possível. Tentava, em vão, se debater, mas não conseguia se soltar do forte aperto dos homens que o seguravam.

– Eu vou te ensinar, seu negro de merda, como eu lidou com animais como você! – pegando o chicote que estava a sua cintura, ele o desenrolou, fazendo um estalido. Puxou-o com força para trás, e desceu-o, como um navalha. O golpe foi preciso e doloroso. O fio corrompeu a pele do rosto, e o sangue escorreu instantaneamente. – Tá vendo, seu negrinho maldito. Tira essa flecha da perna dele e vamos embora. – concluiu ele, enrolando o chicote e dirigindo-se aos outros homens. Um deles tirou uma corda da cintura, e amarrou as mãos de Zere. Deitaram-no ao chão, e enquanto um o segurava, o outro puxou a haste de uma vez só. A dor corrompeu a sanidade e o gritou preencheu o ar, percorrendo por centenas de metros, espantando pássaros de seus galhos. O sangue descia infindavelmente. O homem passou um pano pelo ferimento, amarrou bem apertado e se levantou. Colocou-o de pé, e o fez andar, como se nada tivesse acontecido.

Um grupo de pessoas estava reunido ao lado de um afluente. Alguns homens caminhavam de um lado ao outro, portando armas. Alguns riam e conversavam. Enquanto isso, amontoados em um canto mais afastado da água, outro grupo de pessoas, todos esses presos por grilhões, sentavam-se com olhares mortiços e desolados. Entre eles, uma entre muitas menininhas. Essa tinha um cabelo de ninho e era magricela como um graveto. Outras crianças a observavam, com olhos fundos e questionadores. Por todos os lados se viam adultos, alguns magérrimos e com sinais de desnutrição, a maioria mulheres e idosos, outros já mais fortes. Homens robustos e surrados por todo o corpo. Usavam farrapos de roupas e tinham a marca do chicote pela pele.

Zaila fitava o chão quando os homens chegaram. Eles traziam um garoto consigo. O rapaz mancava e uma atadura vermelha estava envolta em sua perna. Ela percebeu que se tratava de seu irmão, e começou a gritar, chamando por seu nome. Ele, vendo-a, tentou correr em sua direção, mas um choque correu por seu corpo, saindo do ferimento e atravessou até o ultimo fio de cabelo. Ele se atrapalhou com os grilhões que haviam sido postos, unindo suas pernas, e caiu. Os homens riram avidamente enquanto outros o levantavam. A figura que parecia ser o líder se aproximou dele.

– Aquele rato ali é sua irmã? – ele aguardou resposta e só recebeu silêncio. Desenrolou o chicote outra vez e o fez estalar na carne. – Não vai falar comigo não seu negro puto? – o chicote descia rasgando o ar. Os homens que o seguravam deixaram-no cair. Ele ficou lá, deitado e sendo chicoteado por algum tempo.

– Você não vai me responder, mas eu te adianto o que vai acontecer. – agora o homem guardava o chicote, e a sua frente algo que parecia ser um saco com feridas abertas. – Ela é nova demais, vai morrer antes de chegar ao navio. E vai se preparando, você ainda vai apanhar muito nessa sua vida, seu crioulo sujo. – concluiu e caminhou para longe, distribuindo gritos e mandando que todos se ajeitassem.

O crepúsculo já anunciava seu tom rosado quando eles chegaram ao ponto de parada que ficava do outro lado do rio, na fronteira do Reino do Kongo. A fumaça já os deixara há muito tempo, e agora o céu escurecia a sua frente. Eles acomodaram-se como puderam. Estavam um preso ao outro pelos pés, que já mostravam marcas horrendas em função da fricção com os grilhões. Suas mãos também estavam atadas, mas cada um tinha sua própria algema. A fila começava com os homens à frente, mulheres e crianças no meio, e mais uma fila de homens atrás. Zaila estava na parte do meio da fila, enquanto seu irmão se encontrava ao final.

Ao longe, ela conseguia vê-lo. O rubro ainda escorria enquanto ele caminhava os últimos metros. Fitava o chão e tinha um semblante taciturno e perturbado. Sentou-se a beira dos outros e continuou em silêncio. Seus olhos perscrutaram o ambiente, até pararem nos dela. Moveu a boca como dizendo que estava tudo bem e lhe deu um sorriso. Ela retribuiu de forma tristonha, e mais uma vez, começou a chorar. Começou com poucas lágrimas, até as mesmas tornarem-se pequenos soluços, e então, desencadeou um berro que chamou a atenção de todos. Até mesmo de quem não deveria.

– Cala a boca, macaca! – um dos soldados gritou, mas sem efeito. Aproximou-se dela e segurou-a pelo pescoço. – Mandei tú calar sua boca! – ela cuspiu na cara dele, e ele lhe deu um soco que arrancou um dente. As pessoas em volta tentavam se afastar, mas era em vão, pois quando puxavam suas correntes, arrastavam Zaila consigo. Zere se levantou e gritou para o homem.

– Tira as mãos dela, seu maldito! Tira se não te mato! – o soldado caminhou em direção a ele. Segurava um pedaço de madeira em forma de porrete.

– Tú vai fazê o que, hein? – Segurou o porrete com as duas mãos e mirou as pernas de Zere. Ele tentou pular, mas ao meio do caminho, as correntes o seguraram. O pedaço de madeira acertou suas pernas e ele caiu acertando os ombros no chão. O homem o chutou no estômago – Ficá deitado aí, seu merda!

– Quê que tá acontecendo aí? – quem perguntava era o homem do chicote.

– Aquéla macaca não parava de chorá. – falou apontando para Zaila – Fui mandá ela calá a boca e ela cuspiu ni mim. Depois esse criôlo aqui gritou cumigo, eu vim aqui e bati nele.

– Está querendo proteger a sua irmã, né? – perguntou ele, virando-se para Zere. Tomou o porrete da mão do agressor e caminhou em direção à menina. – Tire ela dessas correntes. – As outras pessoas observavam enquanto um soldado tirava os grilhões. Depois de terminado, ele se foi. O homem então a segurou pelas algemas e a arrastou para a beira d’água. Ela chorava e se debatia, xingando e tentando morder.

– Você quer proteger sua irmã, né? – gritou para Zere

– Eu vou te matar! Não… NÃO! –

Por trás dela, o homem balançou o porrete com toda a força e bateu em sua cabeça. O som oco e seco foi audível por todos. Zaila caiu na água já sem vida, enquanto a correnteza carregava seu corpo adiante.

– Tá vendo? – falou ele jogando o porrete no chão – Eu disse que ela não ia sobreviver.

– MALDITO! EU VOU TE MATAR SEU MALDITO! SEU MALDito… – O choro que estava incontido soltou-se todo de uma vez. As pessoas à sua volta também choravam e tinham os olhares complacentes. Mas ele só era capaz de ver uma única coisa. Um corpo descendo o rio. O sangue fazia uma aura vermelha em volta da cabeça. Seus olhos foram perdendo o foco aos poucos, até restar só escuridão.

Acordou assustado, com um soldado batendo-lhe no rosto. Recebeu um pedaço de pão duro e um copo de água. Comeu rapidamente e sorveu a água apreciando cada gota. Sua cabeça dava voltas e mais voltas, e o pesar de seu coração o atrapalhava até a andar.

Caminharam durante mais três dias por entre florestas e campos. As moscas rodeavam os machucados de Zere, que haviam tomado uma coloração roxa. A noite ele ardia em febre, e de dia era ainda pior, por ter que andar. Ele quase morreu durante a viagem, e se deixou levar por isso, mas acabou conseguindo chegar. Crianças, mulheres e idosos, em sua maioria, ficaram pelo caminho. Alguns feridos e outros cansados. Caiam sem aviso e lá mesmo ficavam. Um soldado vinha, tirava os grilhões, jogava o corpo para fora da trilha e juntava a fila novamente. E foi assim, com o número diminuindo aos poucos, que chegaram à cidade costeira.

Havia enormes navios ancorados no porto, e um movimento infindável de pessoas. Outros negros estavam colocados em grandes jaulas, onde ficavam presos uns aos outros por seus grilhões. Homens brancos caminhavam de um lado para o outro, empopados em suas roupas grossas e chamativas. O calor era maçante e ficar dentro daquilo parecia ser um inferno.

O grupo que havia chegado foi alocado dentro de jaulas, menos Zere. Ele despertou a atenção de alguns homens devido ao seu tamanho e porte, e foi levado para ter seus ferimentos tratados. Caso o contrário, não suportaria a viagem. Deixou-se ser lavado e recebeu um emplasto de ervas no ferimento. Dois dias depois, foi liberado. Seus machucados em sua maioria começavam a cicatrizar e ele conseguia manter-se de pé. Andava como um homem morto, não expressava nenhum tipo de sentimento e nem mesmo era capaz de reagir a estímulos externos. Parecia fora do mundo e fora engolido por um silêncio frio e sombrio. Não falava desde o dia em que Zaila havia sido morta, e seus olhos pareciam baços e perdidos.

Foi alocado em uma das jaulas e junto dos outros, permaneceu por lá mais um dia. Até que um grande navio atracou no dia seguinte e um novo grupo chegou. Juntaram todos, uma quantidade enorme, e levaram em direção à caravela. A rampa estava baixa e ao lado dela, o homem de chicote aguardava.

– Entrem seus crioulos! – o chicote assobiava enquanto descia ao chão. O grupo entrou e foi se amontoando no pequeno espaço reservado. Um espaço extremamente pequeno, para um número absurdo de pessoas. O homem viu Zere caminhando entre a multidão, e o chamou. – Já melhorou macaco? Tá me olhando com esses olhos por quê? Quer levar uma chicotada?

O homem levantou o chicote em direção a ele, que andava na fila mais próxima. Quando então, Zere se jogou para cima dele, arrastando todos presos as suas corrente. Os dois caíram e se embolaram no chão. Tentava sufocar o homem com as algemas quando os soldados vieram e o tiraram de cima do homem.

– Então é isso? Já não apanhou o suficiente? – levantou o chicote para bater nele, quando uma mão o segurou.

– Ele é minha propriedade agora, não o quero batendo nele. – O homem, vestia-se de forma pomposa e trazia um negro ao seu lado, este também vestido espalhafatosamente.

– É propriedade dele, e ele não quer que bata. – traduziu para o homem do chicote, que abaixou as mãos e fuzilou Zere com olhar.

Os últimos homens embarcaram e então a rampa subiu.

Naquela mesma noite, Zere estava sentado em um canto, taciturno e perdido. O mais afastado que suas correntes permitiam.

– O que aconteceu? – o homem percebeu o peso que o cercava, e se aproximou.

– Meu mundo acabou.

– Não é a vida que a gente qué, mas é vida. A gente acostuma. – recebeu apenas o silêncio, e um semblante vazio.

O homem o fitou. Tinha olhos velhos e cansados. Depois de um tempo, afastou-se dele e se deitou em um canto.

Acordou no meio da noite, com algo molhado em suas costas. Virou-se encontrou Zere caído ao chão e já sem vida. Embaixo do seu queixo, sobressaia algo feito marfim.

Naquela noite, havia um eclipse lunar, e a lua vermelha chorava seu sangue, por ter quebrado uma promessa.

34 comentários em “Entre Irmãos (Jefferson Lemos)

  1. Jefferson Lemos
    6 de abril de 2014

    Vim aqui para agradecer a todos que se dispuseram a ler e avaliar meu conto. O comentário e opinião de vocês é muito importante, e tenho crescido bastante com isso. Podem ter certeza que suas sugestões e críticas serão levadas em consideração e procurarei melhorar o conto.
    Mais uma vez foi ótimo participar do desafio, e que venha o próximo!

    Parabéns para nós!

  2. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    A mensagem transmitida junto a construção dos personagens são o ponto alto do conto.

  3. fernandoabreude88
    4 de abril de 2014

    Outro que tive que ler 2x, hehe. Achei esse conto bom, talvez seja o que tenha os personagens mais criativos e visíveis em todo esse concurso. Gostei da jornada inicial deles e da atmosfera impiedosa criada ao redor, além do final. A escrita tem um tom rústico, evidenciando a tentativa de quem escreve em formar um mundo à parte para o leitor, tornar o texto uma substância, uma unidade, mesmo. Quanto às falhas em relação ao tempo histórico, não me incomodaram, pois não consegui identificá-las, mas acho legal o pessoal apontar para ajudar. No mais, gostei.

  4. Gustavo Araujo
    1 de abril de 2014

    O maior mérito deste conto é apresentar personagens cativantes. É fácil para o leitor se identificar com seus dramas, com seus sofrimentos, enfim, colocar-se na situação dos mesmos. Para mim isso conta muito em uma história, é o que me conduz, o que me prende. Como fatores a melhorar, caso o autor pretenda revisar o texto, sugiro uma pesquisa mais detalhada sobre os fatos históricos apontados (o comentário do Eduardo Selga fornece uma linha bastante interessante para tanto), além das descrições dos costumes e dos diálogos – realmente, a transcrição fonética ficou muito aquém do resto do texto. Uma razão para tais falhas, imagino, foi o pouco tempo disponível, algo que pode ser mitigado sem um deadline pré-estabelecido. De qualquer forma, quero dizer que gostei, que o drama referente à escravidão dos irmãos funcionou para mim e que o autor, seguramente, tem um bom material nas mãos para trabalhar. Um ótimo texto. Parabéns.

  5. Vívian Ferreira
    1 de abril de 2014

    Gostei do conto. Achei interessante a passagem de tempo inicial, a ideia do fim de mundo deste protagonista e principalmente do final. Fui envolvida pela crescente apreensão e sofrimento dos irmãos. Parabéns ao autor, que já tem belas dicas aqui para uma boa revisão que o deixará ainda melhor.

  6. Wilson Coelho
    31 de março de 2014

    Gostei do enredo, já da escrita nem tanto… Há também os errinhos históricos já bem apontados pelo pessoal, e acho que acertando-os o texto melhora bastante.

    O drama dos irmãos escravizados é bastante comovente.

  7. Felipe Rodriguez
    31 de março de 2014

    O mais legal desse conto é uma certa crueza que o autor conseguiu passar nessa caçada humana cruel, com descrições precisas. O primeiro parágrafo faz você ficar realmente interessado. Acho que depois a trama distancia-se um pouco do leitor, e olha que li esse conto duas vezes e deixei ele se sedimentar na minha cabeça, mas infelizmente não rolou pra mim. Acho que não consegui me convencer do sofrimento dos protagonistas.

  8. mariasantino1
    30 de março de 2014

    Olá! Vi a publicação deste blog na comunidade Mentes Sombrias, pena que cheguei tarde. Bem, eu gostei deste conto. Acho que perder a liberdade é sem sombra de dúvida o fim. Parabéns ao autor que repassou a mensagem. Gostei da trama e descrições. Abraços.

    • EntreContos
      4 de abril de 2014

      Olá, Maria! Não deixe de participar dos próximos desafios 😉

  9. Eduardo Selga
    25 de março de 2014

    Afora cacófato (“uma mão), pleonasmo (“adentrar dentro de uma mata densa”), ausência de algumas vírgulas, construções textuais obscuras -A dor corrompeu a sanidade (?)”-, um fator atua em prejuízo do conto: alguns reinos da África, quando se prestaram ao jogo do colonizador europeu e passaram a escravizar povos inimigos para a escravidão, em nenhum momento tratavam esses adversários de “negro maldito”, “negro de merda”, “negro puto”, crioulo sujo” ou “macaca”, porque para fazerem isso teriam que ser eles, os africanos desses reinos escravizadores, de outra cor que não negra. Então, o uso pejorativo da palavra “negro” inexistia. É uma criação discursiva do branco europeu. Se no conto o sujeito que tanto chicoteia o personagem Zere fosse europeu, não haveria incoerência. Ademais, a palavra “crioulo”, outra criação discursiva, é o vocábulo usado para denegrir quem fosse “misturado”, ou seja, oriundo do europeu e do africano. Logo, carece de todo o sentido um nativo da fronteira do Reino do Kongo (esse dominador era, segundo o texto, “negro piche”) denominar o seu prisioneiro negro de “crioulo”.
    ***
    Talvez para tentar demonstrar alguma diferença cultural entre os povos, o(a) autor(a) escreve a fala do soldado dominador, o que manda a menina calar o choro, com propositais erros ortográficos. Assim: “- AQUÉLA macaca não parava de CHORÁ . -falou apontando para Zaila – Fui MANDÁ ela CALÁ a boca e ela cuspiu NI mim. Depois esse CRIÔLO aqui gritou CUMIGO, eu vim aqui e bati nele”.
    ***
    Nenhum problema em escrever a “escrita fonética”, tentar aproximar na escrita a pronúncia real. Mas por que nas falas do superior desse soldado, o que chicoteia Zere, o procedimento não é o mesmo? Por que com os protagonistas isso também não acontece, se são todos nativos de África? A diferença entre o soldado e seu superior é hierárquica, não cultural. Além disso, o conceito de “falar errado” não existia entre aqueles povos. Foi uma introdução portuguesa para fazer da língua um elemento de dominação.
    ***
    No término do conto há uma cena em que o dominador europeu (deduzo sua origem por causa dos navios e de suas roupas) tem sua fala traduzida ao escravizador negro por meio de outro negro. Entretanto, tanto a fala do europeu quanto a do tradutor estão no mesmo idioma -o português. Se falam a mesma língua, traduzir por quê?

  10. Thales
    25 de março de 2014

    O conto esta bem escrito. Há um ou outro errinho, mas ele esta leve e flui bem. As descricões estão boas e o ritmo tambem agrada.

    Na minha opinião, faltou um pouco mais de ousadia no enredo. Achei que o conto, apesar de bem estruturado, não se preocupa muito em surpreender o leitor. Há a parte em que estouram a cabeça da menina… achei isso muita apelação. Eu adoro cenas chocantes e fortes, mortes horríveis, miólos explodindo, sexo selvagem… mas me sinto bastante desconfortável quando a vítima da atrocidade é uma criança, dá impressão que o autor quer chamar atenção… mas de um jeito muto pouco reomendado.

    O final ficou bacana, fechou bem o texto.
    Boa sorte.

  11. Eduardo B.
    24 de março de 2014

    Um conto forte, bem estruturado, comovente. A narrativa peca por um ou outro errinho, mas nada que desmereça a qualidade do conto. Meus sinceros parabéns!

    Continue escrevendo. Abraço. 😉

  12. Hugo Cântara
    22 de março de 2014

    Gostei da ideia e do enredo criado. Com uma revisão mais aprofundada, penso que o conto poderia ser melhorado, para evitar a repetição de certas palavras e encurtar a descrição (do armamento dos soldados, por exemplo, que se tornou um pouco massivo na minha leitura).
    Mas está aqui um bom conto. Parabéns e boa sorte!

    Hugo Cântara

  13. bellatrizfernandes
    17 de março de 2014

    Outro fim do mundo metafórico…
    É uma história forte e bonita e os personagens, fáceis de se relacionar. O ritmo é bom e o estilo é homogêneo.
    Apesar de não ser exatamente o que se espera do desafio, eu gostei bastante.
    Parabéns e boa sorte!

  14. Thata Pereira
    17 de março de 2014

    Gostei muito do conto. Tive um apresso maior até o momento da flecha na perna de Zere, mas não quer dizer que não gostei do restante. Gosto de história, mas não tenho base suficiente (ainda) para dizer se as características dadas condizem com a verdade da época. A relação dos irmãos é realmente comovente.

    Boa sorte!!

  15. Marcelo Porto
    14 de março de 2014

    Um conto cruento e envolvente.

    Gostei muito da trama, desde o inicio a narrativa me fisgou. Sei que o final é uma escolha do autor e a respeito, o que inclusive está em consonância com a história.
    Mas senti falta de uma vingança à altura.

    Depois de tanto derramamento de sangue, o sangue dos inimigos seria uma catarse mais do que bem vinda.

  16. Fabio Baptista
    14 de março de 2014

    Gostei.

    Sobre a escrita, destaco alguns problemas:

    Repetição de “algo” e “lugar”, logo no começo.

    Repetição de “ele”/”eles”. Em algumas frases essa palavra poderia ser suprimida, exemplo: “Por isso, eles não perceberam”. Tinha um outro “ele” logo abaixo, a frase poderia ficar “Por isso, não perceberam”, evitando o sentimento de repetição.
    O mesmo para “Ele correu até o menino”.
    Um pouco depois temos muitos “ela” e, mais para o final, muitos “Homem”.

    Coisinhas que poderiam ser filtradas em uma revisão mais apurada:
    chegava “há” ter quinze
    “sua” cérebro
    pelo “o” que
    como eu “lidou”
    e o “gritou” preencheu

    Detalhes que impedem a obra de ficar 100%.
    Porém a história é muito boa e bem narrada, chegando a empolgar e emocionar em alguns momentos. No decorrer do texto senti falta de uma boa metáfora para ilustrar as situações. Essa metáfora só veio no final (excelente por sinal).

    No geral, bom texto. Parabéns.

    Abraço.

  17. Rodrigo Arcadia
    13 de março de 2014

    Um bom conto, triste e forte. não gostei muito das falas, mas aí eh uma questão minha. no geral, gostei.
    Abraço!

  18. marcellus
    11 de março de 2014

    Mais um bom conto, forte, pesado.

    Não tenho muito o que acrescentar às críticas dos colegas e deixo aqui meus parabéns ao autor.

    Boa sorte!

  19. Alan Machado de Almeida
    11 de março de 2014

    Conseguiu transformar um tema que tende a fantasia (fim do mundo) em ficção histórica. Ganhou pontos pela originalidade.

  20. Anorkinda Neide
    9 de março de 2014

    Ai, eu li noutra noite e nem reli, para não chorar tudo de novo!
    Muito tocante, a gente embarca nas emoções dos irmãos. afff
    Parabens, por saber tocar as corda certas 🙂

    Apenas gostaria de ver o fim do mundo real, nem q fosse imaginário.. hii confundi? acho q não 😉
    Mas um fim de mundo metaforico não é o que eu queria ver neste desafio, coisa pessoal mesmo.

    De qualquer forma, obrigada pela leitura deste conto!

  21. Pétrya Bischoff
    9 de março de 2014

    Escrita e narrativas boas. Gostei, particularmente, da maneira que a menina foi morta; ou de ela ter sido morta, afinal, às vezes as pessoas ficam muito cheias de tato com as crianças, não gosto disso. Apesar de a ideia de fim de mundo para os escravos ser boa mesmo, não me agrada a ambientação em si, mas é pessoal. Boa sorte 😉

  22. Claudia Roberta Angst
    9 de março de 2014

    Gostei muito da narrativa sensível e do fim metafórico. A linguagem também me agradou. Um fim do mundo provocado pela crueldade humana. Ideia excelente. Alguns errinhos a decepar, mas no geral, tudo flui bem. Boa sorte.

  23. Felipe Moreira
    9 de março de 2014

    Sem dúvidas, foi o conto que eu mais me identifiquei até agora. Fiquei fascinado pela história. Encontrei erros bobos, principalmente ausência de vírgulas quando necessárias. Só que o texto é tão rico que passou despercebido. Adorei em todos os pontos. Tanto me empolguei, que na chegada de Zere ao navio dos brancos, eu imaginei que ele estivesse a caminho do Brasil, pro “Novo Mundo”.

    De todo modo, eu gostei do final triste. Seria um final triste mesmo se ele não morresse. Olha, meus parabéns! \o/

  24. rubemcabral
    9 de março de 2014

    Gostei da história, foi boa a sacada de falar da escravidão e sobre o fim de mundo particular experimentado por essas pessoas.

    A escrita tem em geral boa qualidade, embora eu tenha reparado em algumas palavras “comidas” e uma troca de “a” por “há”.

    No entanto, faltou um pouco de pesquisa para melhorar a ambientação: não existiam laranjeiras na África (sugestão: substitua por uma fruta local, feito a marula, por exemplo) e o uso da expressão “crioulo” me pareceu deslocado tbm, pois o termo não tinha a conotação ofensiva de hoje em dia e era usado para designar mestiços e escravos nascidos na América (os escravos nascidos na África eram “negros ladinos”).

    No todo, um bom conto!

    • Anansi
      9 de março de 2014

      Perdão por esse erro.

      Eu entrei em tantas páginas diferentes, que nem me lembro mais em qual eu vi que existiam laranjas na África. Foi um fruta trazida para a Europa pelo portugueses, então não descarto a possibilidade de que pudesse existir na África. Mas enfim, errei e peço desculpas, ficarei mais esperto para a próxima.

  25. Bia Machado
    9 de março de 2014

    Um fim de mundo com certeza, talvez um dos mais tristes, pois provocado pelo próprio semelhante (?), pensando que é melhor que o que foi dominado… Com relação aos diálogos, achei um pouco fora do tempo por conta dos palavrões, será que usavam naquela época? Acredito que não… E também os opressores e oprimidos falavam a mesma língua? Teve uma parte em que o narrador diz que o cara traduziu pra ele, mas antes disso, quando não havia o tradutor, talvez melhor teria sido não explicitar a fala do opressor, mostrando que os irmãos não conseguiam entendê-lo, talvez ficasse mais adequado e dentro do que esperava. Mas é um texto muito bom. Parabéns pela ideia.

    • Anansi
      9 de março de 2014

      Oi Bia, tudo bem?

      Eu não iria responder nenhum comentário esse mês, mas para esclarecer essa parte para você, tive que vir aqui.

      Com relação ao palavrões. Não creio que eles usassem esses tipos específicos, mas com certeza, existia algum tipo de palavreado sujo para denominar alguém inferior. Com esses tipos de palavrões, minha intenção foi de chegar ao mais próximo de uma situação da época.

      Sobre a mesma língua. O Reino do Kongo foi um reino muito influente do século XIV ao XVI em relação ao tráfico de escravos. E ele tinha outros reinos tributários ao seu redor. Então foquei a história nesse ponto. Claro que levei em conta que, como eram tribos com contato direto, eles deveriam ter conhecimento de línguas iguais, apesar dos dialetos locais.

      Sobre o tradutor. Perceba que o homem espalhafatoso se distingui dos negros que estão por lá, e pelo o que ele falou, mostra ser o dono do navio. E quem eram as pessoas que traficavam os negros naquela época? Então, levei em consideração a forte influência que os colonizadores tiveram naquele reino, até mesmo convertendo-o ao catolicismo. O que leva aos locais a aprenderem a língua deles, pelo menos os mais ricos. E como o sistema da classe alta funcionava da mesma forma de outras sociedades desenvolvidas, usei de que pessoas de alto nascimento poderiam conseguir cargos bons, como tradutor por exemplo.

      E peço desculpas por a frase em outra língua não ter ficado tão explicada, pois eu a mandei em itálico, e acabou por não sair assim na hora que postaram.

      Bom, é isso. Obrigado pela leitura, e boa sorte no desafio!

      P.S.: Obrigado a vocês que leram meu texto, Paula e Adriane!

      • Bia Machado
        9 de março de 2014

        Ok, obrigada pelo retorno, Anansi. 😉

  26. Paula Mello
    8 de março de 2014

    Como disse anteriormente em um comentario “As faces do fim do mundo”, adorei essa face que deu a esse fim do mundo.
    A ideia foi otima e maravilhosamente desenvolvida, o autor(a) conseguiu passar todos os sentimentos existentes no conto de uma maneira pura e cativante.
    Confesso que os dialogos entre os irmaos me ceifaram algumas lagrimas .
    Dialogos com boa sincronia e o ritmo do conto foi o mesmo do inicio ao fim.
    Mas nao posso deixar de ressaltar um ponto negativo que observei, a questão de reler o texto, percebi a ausencia de uma ou duas letras que dariam a continuidade na frase, por esse motivo e sempre bom reler o texto varias vezes.
    Mas fora isso, essa escrita poetica e cativante nos leva a uma incrivel jornada pelo seu conto.

    Parabéns e Boa sorte!

    • Paula Mello
      8 de março de 2014

      So para acrescentar ao meu comentario ( ja que infelizmente nao existe a função editar).

      Adorei essa transição de tempo que fez no texto, começar no presente e no meio da leitura leva o leitor ao passado e novamente o traz para o presente e da continuidade a historia no mesmo ritmo.

  27. adriane dias bueno
    8 de março de 2014

    Fim do mundo para uma tribo. Pode bem lembrar o que aconteceu aqui quando da colonização. Linguagem bonita e poética. Gostei. Sucesso.

  28. Jefferson Lemos
    7 de março de 2014

    Um fim do mundo metafórico… gostei.
    Achei legal a ambientação nessa época, e o modo como foi narrado.
    Gostei dos diálogos também, não os achei fora do tempo em que o conto se passa..

    Enfim, achei um conto bem legal, buscando um fim do mundo menos convencional.

    Parabéns e boa sorte!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 7 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .