EntreContos

Detox Literário.

É só o Fim (Claudia Roberta Agst)

saindo do abismo

Se o chão abriu sob os seus pés
E a segurança, sumiu da faixa
Se as peças estão todas soltas
E nada mais encaixa

Oh, crianças! Isso é só o fim
Isso é só o fim

(CAMISA DE VÊNUS)

 

Abriu os olhos com preguiça de ser. O alarme do celular continuava a soar no seu ritmo irritante e repetitivo. Com certo esforço, Emília apertou a tecla central e fez cessar o despertar. Olhou em volta tentando redefinir sua respiração. Uma sombra projetava-se na parede lateral desenhando formas inusitadas. Não estava ali no dia anterior, ela tinha certeza disso.

Levantou-se e ao inspirar mais profundamente percebeu que o ar parecia diferente. Como se chumbo corresse infiltrado nas moléculas.  Calçou os chinelos e sentiu que o piso estava um pouco inclinado para a direita. Andou poucos passos até chegar ao quarto dos filhos. Ambos dormiam em total ausência de culpa. Olhou para as duas camas cheias do melhor de si, mergulhada em interrogações.

− Hora de acordar, Isa.

Puxou as cobertas revelando o corpo adolescente da filha. Suas curvas haviam se multiplicado generosamente nos últimos meses. Tentou desviar seus pensamentos, mas o arredondar do colo de Isabella e a protuberância de seus seios traziam à tona a mesma desconfiança das semanas anteriores. Por mais que Isabella fosse muito jovem, seu corpo exalava ameaça de evidente continuidade. Emília teria de conversar com ela, fosse para se certificar do que intuía, fosse para se livrar de mais um fantasma que rondava o cenário familiar.

− Já vou levantar. Só mais cinco minutos, só…

Emília deixou a filha espreguiçando-se feito uma gata embolada nos lençóis amassados. Quase de forma automática, virou-se para a cama do filho inclinando-se para tocá-lo. Uma enorme tatuagem cobria ombro e braço. O esquerdo, como se fosse mesmo uma marca sinistra. Por alguns segundos, ela prestou atenção ao desenho formado por linhas um tanto grosseiras. Não tinha certeza se aquilo era uma caveira ou algum motivo tribal.

− Pedro, acorda, filho.

O rapaz remexeu-se entre resmungos. Moveu levemente a cabeça sacudindo o cabelo loiro encaracolado. Quase um anjo nesses momentos. Não importava se os cachos dourados fossem produto de muito sol e parafina. Era quase impossível desviar os olhos do rapaz. Maria Emília entendia bem aquelas meninas que insistiam com chamadas de celular, mensagens de voz e de corpo.

− Não vou pra escola hoje, mãe.

Emília limitou-se a inspirar e expirar em silêncio. Beijou a testa do filho atrasando seus lábios na pele bronzeada.

− Tudo bem.

− Tudo bem?

− Tudo bem. – repetiu sem quase emoção.

− Como assim tudo bem, mãe? Eu disse que não vou pra escola hoje.

− Tudo bem.

Pedro levantou-se por instinto, assustado com a reação da mãe. Deveria estar doente ou algo assim para não dar sermão ou gritar. Emília deixou o quarto devagar, sem pressa de se explicar.

A cozinha parecia mais quente do que o resto do apartamento. A pia cheia de louça despertou sua atenção doméstica. Pôs-se a lavar os pratos com certa agitação. De repente, parou, fechou a torneira e largou pratos e talheres ensaboados dentro da cuba. Nada daquilo tinha mesmo sentido.

Resolveu tomar uma enorme xícara de café antes de encarar a rotina que viria. Ou melhor, a ausência de rotina que a aguardava. Descartou o adoçante e serviu-se de duas colheres cheias de açúcar. Não valia a pena pensar em dieta agora. Olhou para a rachadura que atravessava os ladrilhos sobre o fogão. Aumentara dois ou três centímetros só naquela noite. Aquilo não era bom. Nada bom.

Arrastou-se até o quarto, descalça e descabelada. Olhou-se no espelho e permitiu-se um elogio. Para um último dia, estava ótima. Colocou um belo vestido florido, desses de estrear primaveras, mas totalmente inadequado para o trabalho. O decote era invasor demais e o caimento lhe deixava jovem e convidativa. Calçou sandálias leves e prendeu os cabelos de forma improvisada permitindo que cachos acobreados caíssem como raios, emoldurando seu rosto.

Saiu de casa sem fazer alarde. Não se despediu dos filhos. Tinha medo de um adeus definitivo, um corte sem volta. Torceu para dar tempo de revê-los. Só mais uma vez.

Atravessou a rua distraída com os próprios pensamentos. De repente, escutou um estrondo e viu algo cair ao seu lado na calçada. Um grande bloco de matéria semelhante a uma rocha. Não havia fagulhas ou brasas, só a pesada massa concreta e uma chuva de fragmentos empoeirados. Emília apressou o passo evitando as pessoas que começavam a gritar e falar coisas sem nexo. Não conferiu o que de fato acontecia, pois já o sabia decor. O som de sirenes logo se fez ouvir, ecoando pelas ruas vizinhas, em pavor crescente.

Chegou ao escritório pontual como sempre. Percebeu os olhares dos colegas quando entrou passando pelos cubículos que formavam um estranho labirinto. Um desfile de montanhas de papéis e expressões caricatas. Estranhou estarem todos ali. Não parecia ser nada coerente. Sem titubear, dirigiu-se calmamente à sala do chefe. A secretária, Doralice, simulou algo como espanto e aborrecimento, mas não conseguiu impedi-la de entrar.

Seu chefe ostentava a postura que mais lhe convinha: com as pernas esticadas, pés cruzados sobre o tampo da mesa. A cena não era sequer apropriada para uma comédia. Faltava-lhe o mínimo de graça para escapar do simples ridículo. Pego de surpresa, deixou cair pernas e papéis sem se importar em piorar ainda mais o quadro.

− Bom dia, Dona Maria Emília, o que temos para hoje?

− Não temos nada. Só vim comunicar que estou caindo fora.

Marcos olhou para a funcionária do mês com incredulidade. Não parecia a mesma pessoa, tão cordata e responsável. Aquelas palavras não eram dela, não podiam ser. Fora abduzida, com certeza.

− Está se demitindo?

− Acho que hoje é um dia espetacularmente bom para isso.

− Mas por quê?

− Porque você é um estúpido que pensa ser o máximo e não percebe que todos aqui te acham um rinoceronte gordo e ridículo.

Dado o recado, Emília virou-se e saiu da sala com um suspiro de alívio. Algumas pessoas fingindo passar por ali por acaso, olharam espantadas para aquela mulher enlouquecida. Por fim, alguém dissera o que eles tanto queriam ter vomitado há tempos.

Ao chegar à outra extremidade do corredor, Emília avistou Rogério, que não parava de ajeitar os óculos como um tique nervoso. Não havia como não notá-lo, tão lindo e perfeito no meio de tanta mediocridade. Sem pensar, ela foi ao seu encontro, aproximando-se mais do que o suficiente. O rapaz era alto, mais alto quando visto de tão perto. Ela estava próxima demais para simular qualquer distração. Puxou-o pelo colarinho como se estivessem em uma propaganda sensual de perfume e o beijou. Na boca. Atônito, Rogério nada disse. Estava mais espantado com a sua falta de reação do que com a onda de ohs dos colegas.

Batom borrado, curiosidade saciada, Emília tomou o elevador sozinha, já que os que todos os outros que ali aguardavam, de repente, optaram pelas escadas. Fugiam como se ela portasse a mais contagiante das moléstias. Sentiu-se bem, confortável na sua atitude de amazona em ataque de fúria. Imagens de Michael Douglas com seu bastão de beisebol em punho sob uma chuva de hambúrgueres surgiram em sua mente. Quase gargalhou enquanto observava os números decrescendo no visor do elevador.

Quando as portas se abriram, Emília sentiu um leve estremecer e a pressão cair. Tonta, quase sem ar, sentou-se no sofá da recepção do prédio. Um jovem advogado que gaguejava cada vez que falava com ela, apressou-se a acudi-la. Pegou suas mãos geladas e por um momento, Emília pensou que fosse tomar-lhe o pulso para se certificar de que estava viva.

− Está tudo bem, D. Emília? – desta vez, ele não gaguejara.

− Foi só um mal-estar. Já está passando, obrigada.

Sua voz mal saía empurrada pela sensação de sufocamento. O moço solícito, depois de alguns minutos de hesitação, deixou Emília recuperando fôlego e dignidade. Saiu apressado, decerto para alguma audiência inadiável.

Ela levantou-se com vagar e imprecisão, sentindo as pernas bambearem e o mundo um pouco mais escuro do que o habitual. Alcançou a saída sem despertar novos olhares de comiseração. Respirava um pouco melhor agora que superava o ataque de ansiedade. Até para se estrear um epílogo era preciso ter calma e sobriedade.

Tomou um taxi no ponto da rua de trás e decidiu que só havia uma coisa a fazer para se salvar. Deu ao motorista o endereço e suspirou conformada. Nada faria a situação melhorar de verdade. Notou alguns pontos de engarrafamento enquanto o taxi seguia o seu trajeto. Pequenos grupos humanos e outros tantos de carros. Não era sempre assim àquela hora do dia. O taxista falou algo sobre as ondas de calor e as manifestações que tomavam conta da cidade. Emília sacudiu a cabeça tentando desviar das imagens pesadas que se formavam em sua mente.

Desceu do taxi e entrou na luxuosa loja com passos altivos e sorriso tímido. Nunca estivera ali antes. Não era lugar para ela, pensara um dia. Não naquele momento em que se permitia extravagâncias. A vendedora, impecavelmente penteada e maquiada, saudou-a com desdém. Talvez fosse a roupa, o jeito despretensioso dos cachos caídos sobre seu rosto, mas Emília não parecia se encaixar naquele cenário frio e requintado.

Depois de muito olhar e trocar informações com a quase monossilábica vendedora, Emília experimentou dois conjuntos de lingerie cuja sofisticação atingia absurdos dígitos na etiqueta. Preferiu o que lhe caia de forma pecaminosa: vinho fechado, rendas e seda macias. Um tesouro. Se fosse para morrer, que a encontrassem maravilhosa, pensou. Mas quem haveria de ter o privilégio de um último espetáculo? Resolveu levar os dois conjuntos e um outro branco que lhe lembrou de tempos mais ingênuos quando sua filha era ainda uma criança. Franziu a testa e tratou de desfazer o quadro que se formava em sua mente como futuro imediato: o fim.

Com uma pequena sacola vermelha enfeitada por um laço prateado, Emília despediu-se da vendedora que agora parecia mais simpática e feliz. Comissão, esse era o segredo daquela felicidade instantânea. Tola menina, onde descontaria o cheque? No inferno, no balcão das vaidades?

Outro taxi, outro trajeto e Emília chegou à praia. Perto de sua casa, mas longe do burburinho que parecia crescer com o passar das horas. Tirou sandálias e pisou na areia que se revelava macia e morna. O mar escurecido por nuvens pesadas no horizonte, mostrava uma placidez inquietante. O silêncio da natureza antes do caos, concluiu Emília.

Após quase uma hora de contemplação do que não se movia nem crescia, Emília decidiu abandonar a praia, sem deixar de observar o sol camuflado pelas nuvens que o tornavam esfumaçado e quase ausente. Os poucos raios recortavam o céu como riscos alaranjados que aos poucos exibiam porções de coloração sanguínea. Ela pensou ouvir um roçar de areia e rochas, talvez trovões, mas nada viu se mover. O vento soprava em ciclos, ora forte, ora delicada brisa. O silêncio dominava cena e consciência.

Voltou para casa devagar, sem pressa de se aproximar de qualquer destino. Ao dobrar a esquina, avistou o prédio onde se instalava um prestigiado restaurante. Homens vestidos com macacões cinzentos revezavam-se em marretadas e carregavam grandes blocos de concreto em carrinhos de mão.

− Imagina só o perigo! Tinha gente passando por aqui logo cedo e o mundo vindo abaixo.

− Prédio tombado, mas velho, né, amiga? Uma hora isso ia acontecer mesmo.

Emília escutou o diálogo descartando uma informação ou outra. Filtrou as imagens do que lhe parecera destruição sem volta. Da marquise, pouco sobrara. Do caos, ainda se via promessa e impaciente avanço.

Em casa, experimentou o vazio de planos. Os filhos desaparecidos, em outros endereços teciam amanhãs desconhecidos. Sentiu falta do cheiro e do ruído, da respiração acelerada da juventude.

Trancou-se no quarto. Parede lisa, sem sombras ou assombros. Deixou-se cair na cama ainda por arrumar. A tarde aproximava-se do fim. Emília experimentava os últimos compassos, dissonantes expectativas. Um último acorde já se anunciava. Fechou e abriu os olhos, buscando a meditativa atitude que ensaiara para aquele momento. Ah, nada mudara. O dia na sombra do acaso se escondera.

Diante do continuar das horas que teimavam em existir, Emília refletiu sobre o que ainda não alcançara entendimento. Desempregada e com uma filha adolescente grávida. Um filho lindo, mas com forte tendência à vagabundagem e um péssimo gosto para tatuagens. As contas acumuladas que não tardariam a chegar. Atravessando a coluna das decisões tomadas e arranhando reputação, o futuro parecia acenar com ironia. Emília levantou-se agoniada, sufocada pelo final da tarde. Fechou janela e cortina. Com certeza, era o fim do mundo.

36 comentários em “É só o Fim (Claudia Roberta Agst)

  1. Claudia Roberta Angst
    7 de abril de 2014

    Agradeço a todos pelos comentários e votos. 🙂

  2. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    Leitura fácil e com ótimo ritmo. Não tenho muito a acrescentar aos outros comentários.

  3. fernandoabreude88
    1 de abril de 2014

    Típico conto Kinder Ovo com surpresa no final. Não gosto. Não estou nem aí se é literatura fantástica ou não, só é um tipo de abordagem que acho ruim, me lembra uma propaganda com uma “sacada” no final, é isso.

  4. Wilson Coelho
    31 de março de 2014

    Pra começar: que ilustração mais incrível! Casou muito bem com o texto.

    Muito bom o conto: personagem principal bem desenvolvida e escrita de qualidade. Pra mim só pegou um pouco o anticlímax do fim, pois eu esperava um fim de mundo de verdade ou alguma solução mais radical para os dramas da Emília.

  5. Gustavo Araujo
    28 de março de 2014

    Já falei isso em alguns textos, mas não me importo em repetir aqui: é muito, muito bom ler algo bem escrito, que flui, que nos leva por mares desconhecidos sem percalços gramaticais. Um texto bem escrito – mesmo que não se refira à nossa temática favorita – é sempre prazeroso.

    Neste caso, essa facilidade toda quanto à leitura me levou a gostar bastante do que foi escrito. O enredo é simples – uma mulher cansada da vida, dos filhos, da casa, do emprego, que resolve “chutar o balde” – e por isso de fácil compreensão. Não fica claro como isso terminará – acredito que final aberto tenha sido proposital – mas isso me deixou um pouco frustrado. Culpa do meu vício como leitor em esperar uma apoteose, um clímax. Neste caso, não veio – ou se veio, ficou subentendido. Emília matou-se? Ou tudo o que fez foi só um desabafo? Senti falta dessas respostas.

    De todo modo, um conto acima da média. Parabéns e boa sorte.

  6. Eduardo B.
    24 de março de 2014

    Parabenizo a autora pela escrita fantástica em sua simplicidade. Menos é mais.

    No entanto, não achei o conto tão extraordinário quanto alguns colegas do site. A leitura flui sem problemas, o final metafórico se encaixa no tema proposto, mas o texto em si não me causou o impacto esperado. Tudo soou muito previsível e pouco memorável.

    De qualquer forma, parabéns. Tem grandes chances de chegar ao pódio.

  7. Hugo Cântara
    22 de março de 2014

    Outra perspectiva do fim do mundo. Achei que o conto poderia ser mais curto, pois prolongou-se em certos momentos com pormenores desnecessários . Mas o conto fluiu bem e conseguiu cativar o leitor. Parabéns e boa sorte!

  8. Vívian Ferreira
    19 de março de 2014

    Um bom conto, com ritmo. No início imaginei que a protagonista quisesse tirar a própria vida, mas foi um bom desfecho. Particularmente esperava algo mais acontecer, talvez que só ela soubesse pois parecia ter alguns pensamentos premonitórios. Mas parabéns pela ideia.

  9. Felipe França
    18 de março de 2014

    O autor conseguiu transformar o fim do mundo “físico” em outra coisa totalmente diferente (não irei prolongar para não dar spoiler) A trama flui facilmente, e a personagem transborda personalidade. Não sei o porquê cargas d´água, mas logo no começo do texto pensei em uma família carioca. Muito bem ambientado e construido. Parabéns pelo o conto.

  10. Ricardo Gnecco Falco
    17 de março de 2014

    Não sei o que Emília tem em mente, mas é fato que produziu um texto belíssimo e tocante, mesmo que “levemente” melancólico (a melancolia chega a despencar do céu aqui, em forma de blocos de concreto). Só espero que ela não abuse das pílulas na cabeceira daquele quarto escuro e aproveite cada vez mais seus passeios repletos de vida à beira da praia.
    Bom conto, escrito com a melhor das tintas: os sentimentos.
    Parabéns!
    🙂

    Paz e Bem!

  11. bellatrizfernandes
    16 de março de 2014

    O ritmo foi gostoso. A personagem, fácil de se identificar. Ela é o tipo de pessoa que faz as coisas certas mas acaba se encontrando nos caminhos errados.
    Um fim do mundo particular: Adorei!

  12. Marcellus
    14 de março de 2014

    Gostei muito do conto. É bem escrito, tem um bom ritmo. Não é o fim do mundo literal que se esperava e, principalmente por isso, ganha o leitor no final.

    Parabéns à autora!

  13. Brian Oliveira Lancaster
    14 de março de 2014

    Genial e poético, apesar do tema ficar subentendido. Mas como já li vários que fizeram isso, talvez para fugir dos clichês… Essa parte “Até para se estrear um epílogo era preciso ter calma e sobriedade” foi o açúcar do chá!

  14. Marcelo Porto
    14 de março de 2014

    Que conto!!

    Uma viagem de quem sabe nos levar junto. Li o conto inteiro desconfiando do final, que mesmo sendo o que eu esperava, me surpreendeu, tal o talento da autora.

    Um fim do mundo pessoal e intransferível, como muitos que vemos diariamente nos jornais da vida. Excelente narrativa e protagonista muito bem construída.

    A disputa tá ficando acirrada!

  15. Fabio Baptista
    13 de março de 2014

    Muito bom.

    Um fim do mundo particular, muito bem conduzido, transmitindo as aflições da personagem sem embaralhar a cabeça do leitor. Estava pensando em algo nessa linha para o meu conto, agora terei que buscar um “plano B” 😀

    Meu preferido até aqui (estou lendo na ordem, ainda tem alguns pela frente), parabéns.

    Abraço.

  16. Rodrigo Arcadia
    13 de março de 2014

    Bom conto, não há nada surpreende, mas o simples, acaba deixando o texto tão bom. E o final vai na outra linha que o leitor imaginava. legal, ter pensado nisso.
    Abraço!

  17. Thata Pereira
    12 de março de 2014

    Eu gostei da ousadia do(a) autor(a), do modo como abordou o tema, mas diferente dos meus outros colegas eu já esperava por um final do tipo. E, na verdade, isso não me incomoda (pela minha louca paixão por Spoiler rs’).

    Foi mesmo um conto muito tranquilo de ler, mas duas coisinhas me desagradaram:

    Não sei se sua intensão foi causar impacto na parte do pedido de demissão por conta das expressões usadas, mas não gostei muito dos diálogos dessa parte.
    A outra é mais um problema pessoal, porque acho que não é considerado erro. Travei quando li “mais profundamente”, no segundo parágrafo. Não sei, mas os advérbios terminados em “mente”, na minha visão, já dão intensidade suficiente. Acompanhá-los com “mais”, soa feio. 😦

    Boa sorte!!

  18. Felipe Moreira
    9 de março de 2014

    Emília de fato mexeu comigo. A sua forma de narrar trouxe a projeção perfeita da personagem e suas aflições. Acho que na praia eu já desconfiava desse final metafórico, que a meu ver, caiu muito bem. Fiz questão de colocar a música pra tocar durante a leitura. Boa escolha! =D

    Parabéns e boa sorte.

  19. Bia Machado
    9 de março de 2014

    Gostei muito da narrativa, muito bem cuidada, pensada e executada. O final não foi o esperado, mas acredito que tenha sido essa a intenção, e foi bom justamente por causa disso, por fugir do que se estava esperando, porque com a parte do bloco achei que fosse acontecer algo até o final, assim como na parte da praia, também, em que fiquei esperando a protagonista cometer algum ato insano, rs. Parabéns por sua escrita, muito bonita!

  20. Paula Mello
    8 de março de 2014

    De inicio o conto me cativou , mas no decorrer do texto ficava esperando outros acontecimentos que me surpreendesse. Infelizmente isso não aconteceu e o final foi simples.
    Mas não posso deixar de apreciar a narrativa do texto, o autor(a) conseguiu passar cada sentimento, descreveu as cenas tao bem que o leitor consegue vizualiza lás.

    Parabéns e Boa sorte!

  21. Thales Soares
    8 de março de 2014

    A escrita do texto é fantástica. Dá a sensação que estamos dentro da história, ao lado da personagem. O enredo, porém, não foi nada fantástico. Um dia como na vida de uma mulher. Claro, nesse dia em particular ela resolveu extravasar.

    Não é o meu tipo de história. Mas está muitíssimo bem feita! Parabéns.

    • Thales Soares
      8 de março de 2014

      Um dia comum*
      (puxa, como faz falta um botão de editar comentários…)

  22. Anorkinda Neide
    7 de março de 2014

    Um texto muito bem escrito, a leitura me pegou, estava gostando muito.. rsrsrs
    mas eu esperava algo grandioso acontecer e nada…

    Sim, eu esperava pelo fantástico, ou algo de fantástico no sentido maravilhoso!
    Não gostei da forma que terminou, ela parecia tão certa, o que a levou a ter tanta certeza do fim do mundo? a musica do Camisa? rsrsrs

    ao ler o titulo ja comecei a cantá-la, quando a vi como referencia, gostei demais, foi bom relembrar 🙂

    ahh a imagem tb, ajudou a me despertar expectativas fantasticas… snifsss

    enfim, boa sorte!
    abração

  23. Pétrya Bischoff
    7 de março de 2014

    Gostei da escolha das palavras, da narrativa. Uma “pegadinha” no bloco que desmoronou do céu; somente uma marquise 😉 Foi um bom conto, com um final meio “cômico se não trágico”, gostei mesmo. Parabéns e boa sorte ^^

    • Pétrya Bischoff
      7 de março de 2014

      Ah!, e eu amo essa música 😉

  24. Eduardo Selga
    7 de março de 2014

    Não sou dos consideram que o conto precisa esclarecer absolutamente tudo do enredo. Afinal, literatura também é feita de subentendidos e não-ditos. Talvez até principalmente. Mas é preciso que o leitor perceba que a entrelinha é uma intenção autoral. Quando o autor não consegue transmitir isso adequadamente (o que depende também do leitor), aí sim temos uma falha na estrutura textual.

    Não é o caso deste conto. Muito embora o narrador não explicite com todas as letras onde está o fim do mundo, isso não faz diferença, pois ele está lá: é o mundo da protagonista, do modo como está organizado, que está chegando ao fim. O que de fato importa no conto é a demonstração de que o caos de um acontecimento como esse é algo natural e que, portanto, não demanda sobressaltos. O comportamento da protagonista mostra isso.

    Também mostra algo interessante: o quanto o comportamento pode mudar, o quanto as máscaras e padrões sociais podem cair, quando o indivíduo está diante da certeza absoluta de que a morte é questão de pouquíssimo tempo, e tem com ela uma relação tranquila. Não é, no conto, um recurso original (Aliás, essa busca desesperada pelo novo é algo alienante e pode prejudicar o texto ficcional, mas isso é outra coisa): É um mote bem antigo e muito usado na ficção, mas foi bem utilizado.

    Na verdade, é um outro mundo que se abrirá para a protagonista, como a saída do casulo, e disso ela tem consciência. O fato de, no final, ela fechar janelas e cortinas é uma metáfora disso. Não à toa se permite “loucuras” e o humor ácido e divertido em relação ao seu superior hierárquico.

    Como o futuro é tecido no presente, e não é uma obra individual, o(a) autor(a) faz uma bela referência a João Cabral de Melo Neto e ao poema “Tecendo a Manhã” quando diz: “Os filhos desaparecidos, em outros endereços teciam amanhãs desconhecidos.”

    Meus sinceros parabéns.

  25. Felipe Rodriguez
    7 de março de 2014

    Gostei da abordagem do conto, mas execução não foi do meu gosto. Quando se tem uma ideia bacana destas, normalmente nos vêm à mente o desfecho do conto, atrapalhando na execução. Não sei se é o caso, mas me parece. Não gostei de algumas construções, adorei outras, indicaria enxugar mais o texto. O final é o ponto alto.

  26. Claudia Roberta Angst
    7 de março de 2014

    Achei que o rumo do conto fugiu do esperado, o que pode ser bom. Boa escrita, metáforas bem encaixadas nas descrições feitas. A leitura flui fácil sem cansar. Boa sorte!

  27. adriane dias bueno
    7 de março de 2014

    Gostei muito do estilo, das metáforas e da descrição dos sentimentos, embora como um colega disse, um fim metafórico não seja de meu gosto. Mas muito bom mesmo. Parabéns e sucesso.

  28. Jefferson Lemos
    7 de março de 2014

    Um texto cuja a força provém das descrições. Durante a narração, isso foi muito bem aproveitado. Eu, particularmente, gostei bastante, e consegui sentir o que lia.

    No entanto, não gostei muito do rumo que tomou. Talvez pelo o que tenha lido, esperava realmente um fim, e não o fim figurado. Mas no meu caso, foi apenas questão de gosto.

    E em relação ao que o colega abaixo disse, não vejo problema nenhum neste seu fim de mundo. No regulamento não estava limitado ao fim do mundo literal, e por mais que o Entre Contos tenha com base a Literatura Fantástica, os desafios eu vejo como algo a parte. Até mesmo os contos postados aqui, pelos autores fixos, nem sempre são de literatura Fantástica.

    Enfim, achei um texto forte pela parte descritiva, mas que não me agradou muito no enredo.
    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

  29. rubemcabral
    7 de março de 2014

    Que conto ótimo! Bem escrito, climático, personagem bem desenhada. De erros só vi um “decor” (de cor).

    Talvez nem todos gostem do fim de mundo metafórico, mas eu achei muito bom.

  30. Abelardo
    7 de março de 2014

    O autor, ou como acredito, a autora, deste conto trabalhou bem o aflorar de sentimentos da personagem principal. Deu a ela um dia especial, longe do cotidiano, mostrando aspectos de Emília que decerto eram desconhecidos daqueles que a cercam. Mas fica nisso.
    A história não apresenta nenhum aspecto que possa classificá-la como sendo um texto pertencente ao gênero Fantástico, não é um texto de Terror, nem Fantasia, muito menos Ficção Científica. Ou seja, no meu entender é um bom texto, mas totalmente desfocado daquilo que acredito eu deve permear a filosofia do site. Pelo que entendo, e se estiver enganado me desculpem, a filosofia do site é dedicada a Literatura do Fantástico, e o texto em questão foge completamente disso, Sendo assim, só nos resta agradecer pela participação, pela generosidade de postar seu texto para que possamos ler e analisar, mas estando totalmente fora daquilo que é a filosofia do site não resta dúvidas que é um texto que deve ser desclassificado pelo fato de não pertencer a nenhum gênero do fantástico.

    • rubemcabral
      7 de março de 2014

      Oi, Abelardo. Então, você tem razão quanto à predominância do gênero fantástico no blog, porém a gente prefere deixar as coisas mais livres, sem forçar a necessidade de se encaixar literatura num molde. Achar se se adequa ou não ao tema fica sempre a cargo do leitor; o blog não desclassifica ninguém em função disso.

      Por exemplo, no desafio “Noir” houve vários textos de temática fantástica, mas o conto que acabou por ficar em primeiro lugar não tinha nada de fantástico. Quem leu gostou mais daquele texto e pronto. O leitor é sempre o comandante-em-chefe.

      O blog só desclassificaria algum participante por plágio ou algo do tipo. Quanto à adesão ao tema do desafio, como disse, a decisão fica sempre com quem lê.

      • Ricardo Gnecco Falco
        10 de março de 2014

        Discordo, Rubão… Aquele seu conto é sim, simplesmente, FANTÁSTICO! 😉

        #fãassumido!

      • Abelardo Domene Pedroga
        17 de março de 2014

        Ricardo, respeito as regras do blog, mas permita-me discordar. Se entrei no blog foi, principalmente, por acreditar que o mesmo se dedica apenas a literatura Fantástica, sou fã inveterado de FC e FANTASIA CLÁSSICA (estilo Tolkien e quetais). Então, na minha modesta e insignificante opinião, o escrito – LITERATURA FANTÁSTICA – que tem logo abaixo do nome do Blog deveria ser retirado para não confundir autores que porventura tenham preferência igual a minha. Quanto aos textos, sou honesto em afirmar que alguns eu não publicaria, haja vista fugirem totalmente do FANTÁSTICO, mas essa é apenas a minha opinião. Continuarei a ler os textos, emitir minhas opiniões e eventualmente postar algo de minha autoria, e respeitarei as regras do blog. Apenas não concordo com esse tipo de postura. Grato pela orientação e espero o próximo desafio para tentar escrever algo e postar. Um grande abraço.

        Abelardo.    “FS, indo onde um grupo de escritores de FC & Fantasia jamais ousou chegar. SINGRANDO O UNIVERSO DESCONHECIDO RUMO À MAIS DISTANTE DAS GALÁXIAS, ULTRAPASSANDO OS LIMITES DE NOSSA DIMENSÃO, ENFRENTADO DESAFIOS NOVOS E INIMAGINÁVEIS. FS, O INFINITO É FÁCIL DE ALCANÇAR, O ALÉM A META ALMEJADA”.

        Abelardo Domene Pedroga FÁBRICA DOS SONHOS – VENHA CONSTRUIR SEUS SONHOS CONOSCO http://br.groups.yahoo.com/group/fabrica_dos_sonhos

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Publicado às 7 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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