EntreContos

Detox Literário.

Névoa (Eileen Myles)

Acordo cedo, mesmo quando não durmo. A manhã é a deusa que afugenta os pesadelos.

Ergo-me do canto em que me encolhi, inquieta, com medo de passar algum homem. Acordo com medo de todos os homens do mundo. Homens são meu pesadelo quando sonho.

Suspiro, e instintivamente passo as mãos no cabelo, para arrumá-lo. Embora saiba que faz tempo que isso não importa. Pouca coisa ainda importa.

Viver na rua é tão ruim que já cheguei a pensar em voltar para casa.

Lá é pior. Tem meu pai, bêbado, tentando me estuprar. Minha mãe repete que eu não presto nem pra morrer. Um estupro mais violento ainda. Minhas irmãs me negam qualquer coisa, um pedaço de bolo, de pão, um sorriso. Mas me pedem dinheiro.

Começo a sentir a névoa baixar sobre minha cabeça. Cada dia ela desce mais um pouco. Um dia ele descerá completamente.

Encolho-me de novo no canto e acendo um baseado. Meio arrependida, morrendo de medo de passar alguém.

Meu Deus, que ruim ser mulher. Não dá para arrumar um emprego, não dá pra pedir dinheiro. Não dá pra fumar um baseado em paz. Se aparece alguém? Quando é um homem fumando, viram a cara, se for mulher, tudo pode acontecer.

Semana passada, tentei vigiar carro, no estacionamento do Banco do Brasil.

– Posso ficar olhando? – Perguntei.

– Claro – disse o dono do veículo.

Quando ele voltou, entrou e baixou o vidro. Aproximei-me. O homem enfiou a mão por baixo da minha saia e apertou. Tive tanto medo que corri até o outro lado da rua sem parar, deixando-o com a metade da minha calcinha na mão.

Se alguém me pega de jeito… Larissa ficou com um cara que a engravidou. Só sobrou pra ela. Alguém pode imaginar o que é morar na rua, grávida?

Ser mulher é péssimo. Que vontade de ser homem.

O baseado repõe meus nervos no lugar. Ou foi a fome. Não comi nada ontem, o dia inteiro.

Tenho vontade de rir. E agora, nossa senhora da brenfa? Onde tem comida?

Vou passar em casa. Não acredito que me neguem um pedaço de pão.

A porta está aberta e eu entro.  Mayra e Mayara, filhas das minhas duas irmãs, perambulam por lá. Me mostram a língua. Meu pai não está em casa. Trabalha em um bar da vizinhança, o dia inteiro, e ganha menos que salário mínimo.

Na cozinha, encontro pães quentes, exalando um cheiro irresistível. Roubo dois, um para mim e outro para Larissa. Minha mãe me pega no flagra:

– Bota isso aí, não é pra ti não!

– Mãe, que é isso, são só dois pães!

– Devolve logo!

Não dá pra devolver, a fome é maior que eu. Saio correndo pela porta:

– Odeio vocês! – Consigo segurar o choro.

– Volta aqui com isso, vadia!

Passo pela vizinha, que veio espiar, e me olha com cara de nojo. Minha mãe hesita na porta e entra novamente, de vergonha.

Pouco depois, encontro Larissa na quebrada. Estendo-lhe silenciosamente um pão. Sentamos no vazio e comemos devagar.

– Vou tirar o filho – ela me confidencia.

– Ah tá.

– Conheço uns caras na Palhinha que vendem o remédio.

– Vendem, não dão – lembro.

– Vou dar um jeito de arrumar o dinheiro. Faço qualquer negócio. Melhor que andar com um filho por aí depois.

Aperto sua mão, concordando silenciosamente. Larissa foi a única coisa boa que já aconteceu em 14 anos de vida, 14 anos de sofrimento. Por que não podemos viver juntas, em uma ilha deserta, com bastante fruta? As lágrimas fluem de novo, incômodas, inúteis. Larissa me acalma:

– Calma, bebê, vai dar tudo certo, você vai ver.

– Se eu fosse rica – ela continua, sonhadora –, a gente ia criar esse bebê juntas.

Ou se eu fosse homem, não posso deixar de pensar, com um nó na garganta. Ou se nossas famílias não nos odiassem, por gostarmos uma da outra.

Vamos até a Palhinha procurar Citotec. O mais barato que achamos é 800 reais, a cartela com quatro comprimidos. Fossem oitocentos mil, um bilhão, tudo inalcançável.

– Vamos conseguir alguém que nos ajude – Larissa conclui.

– Ninguém vai ajudar a gente sem antes comer a gente – filosofo.

– A gente não, eu. Que adianta uma perder um filho e a outra ganhar um?

Sorrio lugubremente. Que vida, meu Deus.

Os dias se passam. Em alguns há comida, em outros não. A névoa recobre cada vez mais minha mente, inexorável. Não vejo minha mãe desde o dia em que ela me perseguiu pelos pães. Melhor assim.

Duas vezes vi Larissa nos últimos dias. Dormimos juntas, abraçadas. Faz três dias que não a vejo.

Resolvo dormir ao ar livre. Não na praia, muito perigoso. No mato mesmo, como um bicho.

Enrolo um fino, a última maconha que Larissa me deu. Volto à vida, ávida. Igual o mato, que aceita a seiva que os vermes rejeitam.

Vida que me extermina, vida mortal. Vivo ao compasso das centenas de mortes que dançam comigo.

Ouço um barulho e me alarmo. Pode ser um estuprador, um assassino. Não é nenhuma das duas coisas. É Larissa. Respiro aliviada. Está pálida e parece fraca.

– Tomei o Citotec – ela consegue sorrir.

Ela dorme com a cabeça no meu colo. Passo a noite acordada.

Pela manhã ela está mais pálida e trêmula. Decido levá-la à UPA.

Ela vai apoiada em mim, e levamos uma eternidade.  No caminho todos riem de nós duas.

Na UPA não nos deixam entrar. Mandam esperar do lado de fora que vão nos chamar quando der.

Passamos o dia lá. Anoitece. Larissa está cada vez mais fraca, dormitando no meu colo.

– Eles vão nos atender? – Ela pergunta.

– Está quase – eu respondo.

As enfermeiras passam e nos olham, indiferentes.

Amanhece novamente. Larissa no meu colo.

A névoa me recobre totalmente.

***

Depois da morte de Larissa, a imprensa faz barulho. A UPA abre investigação. Os funcionários dizem que haviam nos chamado e Larissa não quis ser atendida. A história se desvanece.

Passo um mês inteiro apática. Praticamente não como. Penso nas minhas opções. Não tenho opção. A névoa me diz o que tenho que fazer: decido ser homem.

Chega uma viatura. Cinco policiais me levam para a delegacia. Lá fazem um BO e sou encaminhada para a Fundação da Criança e do Adolescente.

O prédio é tão bonito que fico feliz, penso que finalmente vou ser bem tratada. Sou levada a uma sala com ar condicionado, mesas de vidro, computadores, quadros, música ambiente, bebedouro de inox, cafeteira, sanduicheira, forno elétrico e forno de micro-ondas. A diretora vai aparecer no final da tarde.

Um homem de uns 30 anos, muito simpático, me recebe. Depois de alguns minutos me convida para ir à lanchonete do prédio. Morta de fome, aceito.

A lanchonete é muito bonita, toda em mármore. Ele pede um hambúrguer e uma coca para mim. Como com avidez, enquanto noto que ele não tira os olhos dos meus seios, mal cobertos pela blusinha pequena demais para mim.

Uma mulher vem chamar-nos, aflita, avisando que a diretora já chegou. Nós três vamos às pressas para a sala. A diretora está furiosa, passa uma descompostura nele, enquanto me olha ironicamente. Finalmente ela me manda para o alojamento dos menores.

Uma mulher gorda me conduz até o alojamento, e abre uma porta de ferro. Entro hesitante em uma sala escura, que tem um mau cheiro pavoroso. A mulher tranca a porta novamente e vai embora. Meninas de uns doze anos perambulam por lá. Há uma da minha idade, sentada no chão, que carrega um bebê de poucos meses, magro e imundo. Ela se levanta e se aproxima.

– Olá. Sou Lídia e esse é meu filho Pietro.

– Olá – digo.

– Bem-vinda ao inferno.

– É tão ruim assim?

– Pior.

– A comida é boa…

– O que você comeu?

– Hambúrguer.

Lídia ri, perversamente.

– Isso é para os funcionários.

Então pergunta, curiosa:

– Quem deu pra você?

– Um homem que trabalha aqui.

Ela sacode a cabeça.

– Ele quer comer você. Tome muito cuidado.

Sentamos no chão. As horas passam. Não há nada para fazer ali, trancadas.

Depois de muito tempo, chega alguém com uma marmita para cada. Farinha estragada e ossos. Apenas roo os ossos, sei que a farinha iria me adoecer.

De noite estamos dormindo quando a porta se abre bruscamente. Homens com caibros, cassetetes e chicotes nos espancam sem dó. Lídia tenta proteger Pietro, mas mesmo assim ele apanha também. O bebê chora horrivelmente.

Depois nos jogam água gelada. Fico sabendo depois que é para diminuir os hematomas.

(Estou completamente envolvida pela névoa, o que me faz bem.)

Pela manhã recebemos um pão duríssimo, que comemos, loucas de fome. Sinto-me meio febril. Na sala há uma torneira e bebo água.

Antes do “almoço” somos obrigadas a formar fila e atravessar um “corredor polonês”.  Apanhamos seguidamente de cinto, cassetetes, ripas, cabos de vassoura, correias e porretes. Dessa vez, pelo menos, Pietro não é obrigado a ir. Depois, o mesmo banho de água fria.

O almoço são mais ossos, dessa vez de galinha.

De noite somos acordadas novamente com outra surra. Na confusão, três me levam para fora antes de trancar a porta.

Dois me imobilizam no escuro, e um deles, que reconheço facilmente como o funcionário que me deu o hambúrguer, me estupra feito um louco.

Depois é a vez dos outros dois. Não resisto, sei que não adianta. “Sou filha da névoa, sou filha da névoa”, repito para mim sem parar.

Depois de uma semana apanhando sou levada ao juiz. Ele diz que, infelizmente, não posso ficar lá, porque eu não fiz nada. Manda chamar meus pais para me buscar.

Finalmente eles chegam, com evidente má-vontade. O juiz passa um sermão em todo mundo e depois nos libera.

No meio do caminho, antes que eles comecem a reclamar, digo “Tchau” e sigo meu rumo.

Na Fundação Lídia me deu um contato. Bruninho Capela, ligado ao traficante Sandro Barão.

E é pra lá que eu vou. Pelo menos pra isso serviu minha temporada na Fundação da Criança e do Adolescente.

Capela me olha desconfiado, mas quando explico que sou amiga de Lídia da Fundação, fica tranquilo.

Em breve estou fazendo pequenos furtos. Entrego tudo pra Bruninho, mas ele me protege e tenho o que comer. Engordo quatro quilos. A maconha rola legalize e todo mundo me respeita. Ando vestida de homem. Sou homem agora.

Um dia Bruninho me dá uma arma, um Taurus cano 2 de cinco tiros, e me ensina a usar. Assaltamos uma loja de conveniências. Moleza.

– É uma guerra de foras da lei – ele me explica. Bandidos de um lado e de outro.

Bandidos que estupram a filha, bandidos que deixam crianças morrer na fila do hospital sem atendimento. Bandidos que espancam e estupram crianças. Do outro lado, bandidos traficantes e assaltantes.

Um dia tenho a alegria de encontrar o homem que enfiou a mão em mim, por baixo da saia, no estacionamento do Banco do Brasil.

– Olá! – Digo. – Lembra-se de mim?

– Claro, linda!

– Dê-me sua mão, amor.

Ele estende o braço, sorrindo. Bato usando toda a força com o Taurus nos seus dedos, e sinto quando pelo menos dois se quebram. Aponto a arma para sua cabeça.

– Por favor, não – ele chora alto, de dor e de medo. – Tenho três filhos pequenos!

Engatilho a arma. Ele desmaia. Não atiro, o castigo seria desproporcional.

Esse foi o primeiro. A névoa se espalha pelo meu corpo, e rio.

Finalmente sou alguém!

6 comentários em “Névoa (Eileen Myles)

  1. Elisa Ribeiro
    20 de setembro de 2021

    A trajetória de uma menina desde seu abandono pela família até sua adesão ao mundo do crime.

    A sua escrita de períodos e parágrafos curtos flui com bom ritmo e sem entraves . O problema do seu conto é que a combinação do enredo de certa forma previsível com a narrativa linear deixam transparecer demais a mão do autor por traz do texto. Disso decorre uma espécie de artificialismo com um efeito não muito positivo de impedir a imersão e o envolvimento do leitor na história contada.

    Enquanto lia fiquei imaginando que talvez uma narrativa não linear, que criasse alguma suspensão na forma de narrar, iniciando a trama pela morte de Larissa por exemplo, fizesse seu texto funcionar melhor. A ver.

    O ponto alto do seu conto para mim foi a forma como vc o finalizou, retomando uma cena do início e mostrando uma versão nada óbvia da protagonista.

    Parabéns pela participação. Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  2. Angelo Rodrigues
    19 de setembro de 2021

    19 – Névoa

    Conto sobre uma história de abandono. Uma menina não querida por sua família, suas ligações externas, suas tristezas e sua conversão em homem, que tanto desejava.
    Um conto fundado na desesperança, um tanto excessivo e estereotipado. Cru este relato, que mais representa o arquétipo do que a possível realidade.
    Não é um texto difícil de ler, embora difícil de viver seu espírito. Há desgraça demais, o que transfere ao leitor um sentido de repulsa. Talvez fosse esse o objetivo, imagino.
    Creio que o autor tenha trabalhado com todos os arquétipos que pode para construir a sua história, da família desajustada aos centros de acolhimento de menores, passando pela bandidagem falsamente acolhedora.
    Somos todos faras da lei.
    Boa sorte no desafio.

  3. Wilson Barros
    17 de setembro de 2021

    A trajetória de muitas crianças no caminho do crime. É como o efeito borboleta, um pequeno desajuste, no caso ela gostar de meninas, vai levando a uma roda viva de transgressões e desastres. O conto incomoda um pouco, mas é assim que funciona esse país, dividido em dois Brasis, um dos quais realmente combate o tempo todo com o outro, e ambos têm seus lados escuros. O estilo “hemingway” de frases curtas me agradou. Conto bem nítido e verdadeiro.

  4. Marcia Dias
    16 de setembro de 2021

    Infelizmente, essa é uma história conhecida: uma adolescente maltratada, lutando para sobreviver nas ruas, em orfanatos, até ser “resgatada” por um traficante que lhe oferece uma vida melhor. Ela ganha uma arma e passa a assaltar, a ter o que comer e também recupera sua autoestima perdida. Não vi problemas no conto, mas também não vi realces. Gostei da forma que o(a) escritor(a) desenvolveu a identidade da menina, que desde o início se sentia fragilizada e queria ser homem e, no fim, alcança seu objetivo, troca suas roupas por peças masculinas e seu medo, por atitudes confiantes. Não vi a “névoa” como um elemento importante na história, a ponto de virar o título. Não houve trama para ela, a verdinha, rs. Ou eu chapei?! Rs

  5. Andre Brizola
    15 de setembro de 2021

    Olá, Eileen!

    Conto que aborda o caminho de uma garota de quatorze anos, que vai do desespero familiar ao mundo dos crimes. Um retrato válido dos problemas sociais que envolvem o pobre, o desamparado, e de como o ambiente o coloca numa ou outra realidade. Há quem dirá que a personagem “sempre teve” outra opção. Mas a verdade é que, sem o aparato apropriado, a pessoa terá que escolher, e o ideal é que nunca existisse outra opção para uma garota de quatorze anos que não fosse estudar. Não há meritocracia nessa situação.

    O texto, no geral, está tecnicamente bem escrito, necessitando uma ou outra correção aqui e ali para deixar tudo bem ajustado (“Igual o mato”, que pede crase, por exemplo, mas há outros pequenos detalhes assim). Gosto do ritmo proposto, e acho que chegamos ao final facilmente, sem trechos “travados”.

    Como já disse antes, achei que o texto demonstra muito bem um compêndio de situações sociais que colocam a personagem frente a diversos problemas já enraizados numa cultura de estupro, numa sociedade machista, no desenvolvimento inexistente do sistema correcional, nas drogas, na vida das ruas, etc. Mas, em determinado momento, acho que uma linha imaginária foi ultrapassada, e o que era um retrato vívido transformou-se num dramalhão em que tudo tem que dar errado para a personagem. E acho que a partir de “no caminho todos riem de nós duas” tudo começou a ficar caricato e exagerado. O equilíbrio do conto foi quebrado.

    O final, com a personagem sendo abraçada por um novo sistema, em que o crime é um meio de vida, é algo esperado, já que foram tantas e tantas agruras que não parecia existir outro caminho. Temos indícios que há a possibilidade de um anti-heroísmo no futuro da personagem, mas não chegamos a ter confirmação, de fato.

    Acho que é um conto interessante, mas algo desequilibrado. Não cabe a mim dizer o que poderia ser arrumado, ou o que deveria entrar ou sair de seu texto, para corrigir esse equilíbrio. Penso que você contou o que pretendia, e há mérito nisso. Mas eu tentaria me apegar a mais características da garota que sofre as situações, e não às situações de fato.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  6. thiagocastrosouza
    14 de setembro de 2021

    Conto com tom seco, direto e quase letárgico, tudo em harmonia com a psique de uma personagem que não parece existir, mas apenas transitar pelo mundo. Só se percebe como alguém quando empoderada de violência e vingança. Gostei do conto no geral, da escolha da autora em utilizar frases curtas e ir tocando o drama assim, de uma maneira muito direta, mas sempre em acordo com o estado de brisa (enevoada) da narradora. Há certo exagero, em algumas passagens, na forma como o drama é contado, mas se tratando de Brasil, é possível pensar que muitas das situações aqui descritas tenham acontecido realmente nessas instituições. Meu problema é mais na primeira parte, com a protagonista retornando em casa para apanhar alguns pães. De todas as investidas que a protagonista passou, essa foi a mais despropositada dentro do texto.

    De qualquer forma, o conto tem estilo e coerência na sua maneira de contar. A personagem desenvolve-se ao longo da trama, transformando-se em outra coisa se compararmos seus estado no primeiro parágrafo com o último, o que evidencia o trabalho de quem escreveu a história.

    Boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 10 de setembro de 2021 por em Foras da Lei.