EntreContos

Detox Literário.

Meia dúzia (Frida Khaos)

 – Considere feito.

Uma pausa quase dramática. O arfar da respiração entrecortada, os dedos tamborilando em superfície áspera e nodosa.

– Aguardo o pagamento para prosseguir.

Um acordo. Negócio acertado em poucas palavras, o de praxe com poucas alterações.

Decidiu que seria aquela noite a ideal, a mais escura.  Lua minguante quase nova, céu liso de estrelas.

Esperou o momento certo para se esgueirar pelos fundos do casarão. Subiu as escadas, escolhendo um lugar onde pudesse ficar antes de entrar em ação.

Acertou o primeiro com o sorriso apagado em duas doses de uísque. Um corte profundo na região dos últimos recônditos. Deixou o quarto, carregando o silêncio nos olhos e o punhal escondido rente ao corpo.

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge…

O segundo pareceu menos inclinado a sucumbir a qualquer argumento, mas isso não o livrou do hall dos escolhidos. Cortou-lhe a jugular com precisão cirúrgica, aproveitando-se da penumbra.

…para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem…

O terceiro e o quarto vieram juntos ao seu encontro, talvez aguardando por uma resposta que não viria. Usou as duas mãos com destreza para estripar um e outro. Nem um único som emitido dessa vez. Era, sem dúvida, o trabalho de um excelente profissional.

… tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam…

O quinto era o escolhido, o único de fato condenado, predestinado a entrar na lista de execuções. Aquele cuja a morte justificaria o acréscimo significativo na conta bancária.

Não podia demorar. Seria arriscado demais, por isso, infiltrou-se no corredor que dava para o camarim improvisado. O constante ir e vir de prostitutas e clientes tornava sua presença quase ausência.

… e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Bateu na porta de forma ritmada. Aguardou permissão.

– Entre.

Vestiu-se de breu, tanto o corpo quanto a alma, e entrou. Sorriu ao ver o homem distraído com o próprio desprazer. Lá estava ele, Moacyr Lemos, cantor decadente, que não tardaria a ser esquecido até mesmo pelos jornais sensacionalistas. Os motivos da sua condenação pouco importavam.

– Até que enfim…Quem é você?

Ele nada mais disse, calou-se em desengano. Nada mais ouviu. O voo da lâmina rasgando pescoço e peito amordaçou seus sentidos.

– Ei, quem deixou você entrar aqui?

Virou-se em direção à voz feminina, de agudo impreciso. O pavor estampado nos olhos repuxados por plásticas sucessivas. Dadinha, a velha cafetina do maior templo de libertinagem daquela cidadela cuspida no mapa, reconheceu de imediato o olhar da morte.

– Acesso irrestrito, minha cara.

Em segundos, a lâmina afiada tingia-se de outro sangue. Um vermelho viscoso, escurecido pela verdadeira decadência. Antes de ir, limpou o aço no tecido esvoaçante de sua última vítima. Aleatória personagem a amarrar as pontas, fadada a completar a soma exata de mortes.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão…

Seis. Um algarismo par que trazia harmonia ao caos.  Não era o seu número da sorte, mas passara a honrá-lo a partir de uma tragédia, a chacina presenciada por seus olhos ainda inocentes. Da família de sete, seis foram silenciados para sempre. Somente uma criança havia conseguido escapar, talvez por milagre, talvez para tecer um destino igualmente ceifador.  

Não se lembrava de quando havia estipulado aquela regra para si, mas a obedecia rigorosamente como parte do trabalho.  Nunca se dispunha a acertar apenas o alvo definido no acordo. Levava mais cinco no encalço do condenado ao inferno.  

Interessava-se em encontrar outros significados para o número escolhido, talvez como uma forma de justificar o injustificável. E na sua busca, deparara-se com vertentes de simbologia que lhe trouxeram, se não paz, algum conhecimento a mais. E conhecimento era carga que se levava de um lugar a outro sem pesar.

As seis pontas da estrela de Davi, dois triângulos contrapostos e entrelaçados, a junção da natureza feminina com a masculina.

No sexto dia, diziam os conhecedores da Palavra, Deus havia criado o homem. Seis era, portanto, o número da criação. E da maldição, já que seis demônios dividiam o reino dos desastres.

E indo mais longe, deu-se conta de que quando repetido o seis triplicava-se como praga: 666, o número da besta. Meia dúzia de almas desenganadas, fazendo jus ao que planejava.

Se era para apostar alto que fosse contando com a boa fortuna associada ao número máximo nas faces dos dados.

A fixação pelo seis também se mostrou uma forma eficaz de despistar a polícia, misturando evidências de um crime e outro. Ao mesmo tempo, deixava a marca de uma sinistra assinatura. A estratégia funcionara bem até então, pois sua identidade mantinha-se desconhecida, e já corria pela região a lenda do terrível “assassino das seis mortes”.

Mais tarde, no beco imundo atrás de outro bar, recebia o pagamento final. Sorria ao se deixar ver por aquele que juraria nunca ter conhecido. Sabia que interessava menos ao mandante do crime reconhecer a mão assassina do que à polícia. Era coisa de se esquecer o quanto antes e seguir em frente.  

–  Agora trate de sumir.

Apagou o cigarro com a ponta do sapato ainda com certo lustro. Trabalho feito, tudo mais era deletado.

– Eu nunca estive aqui.

E desaparecia com as mãos molhadas, de sangue e dinheiro vivo. Nada lhe dava mais prazer do que o roçar das notas na palma da mão.

Pensou em destinar parte da verba para um orfanato qualquer. Crianças abandonadas sempre lhe faziam pensar na injustiça do mundo. Um tributo à própria infância, passada em uma instituição destinada aos órfãos. Faria isso também em honra do nome da mãe, simpatizante da causa espírita, que repetia como um mantra: “Fora da caridade, não há salvação.” Já o pai, açougueiro, frustrado por não ter seguido carreira como doutor, remendava: “Fora da lei, não há argumentação.”

Levara muito tempo para compreender o que aquelas palavras, repetidas quase que diariamente, significavam. E ainda lhe causava espanto ter recolhido aqueles dizeres na memória por tantos anos.

Depois de pouco mais de duas semanas, teria outro paradeiro e o mesmo destino. Era fácil encontrar novos clientes quando a fama já se alastrava nas sombras da criminalidade. Havia sempre um modo da morte se fazer anunciar.

Desta vez, deixaria o punhal descansando na bainha. Lançaria mão de um método mais sutil, talvez um veneno raro, requinte que dedicava a mortes em datas especiais. Seria sacrilégio usar armas de fogo, ou até mesmo as chamadas brancas, para dar cabo de vidas em dia santo.

Envenenamento parecia ser a melhor escolha, embora, encontrar seis modos de acobertar os sinais de morte encomendada fosse ainda mais difícil. Gostava de desafios, da impessoalidade do perfeccionismo. 

Local acertado com o destino, lá estaria com o mesmo sorriso. Nada em si lembrava ameaça ou perigo mortal. E talvez por isso, tivesse tanto sucesso em suas empreitadas ao vestir os paramentos de carrasco.

– Saúde!

– À nossa!

Brindou de forma convincente e até honesta. Então, deu um gole e se levantou dizendo ir ao banheiro. Piscou ao mesmo tempo que deslizava a língua sobre o lábio inferior. Podia sentir o sal da borda do copo. Sorriu e deu as costas.

…facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar

Um após o outro, os obstáculos da noite foram vencidos. Até desperdiçar a última gota mortal com quem não merecia viver e nem mesmo morrer. O policial que fazia a ronda era conhecido por gostar de espancar rapazes que não seguiam o padrão imposto pelos ditos cidadãos de bem.

– Ei, você! Não vai tomar o seu drinque?

Por um instante julgou que o brutamonte houvesse reconhecido seu modus operandi, mas logo se acalmou e desfez qualquer engano. Não mentiria.

– Já cheguei à minha cota por hoje, amigo.

…cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

O corpo tombou, em pesado e eterno sono, nos minutos seguintes.

Estou feliz porque eu também sou da sua companhia.

Seis acertos, conta fechada. Deixou-se sugar pela noite, sem deixar rastro.

A série de mortes, organizadas em sextas partes, repetiu-se nas cidades vizinhas. Seis, sempre.  Nem cinco, nem sete. Era o preciosismo daquele detalhe que mantinha aceso o interesse pela carreira escolhida.

Faca, veneno, estrangulamento, arma de fogo. Em noites sem luar, para que São Jorge, sem enxergar o passo mal dado, ainda ostentasse a espada em sua defesa. Seria mais leal ao dragão ou ao cavaleiro destemido?

Um dia, de repente, quase do nada, cansou. Talvez não tenha sido uma decisão tão repentina assim. Tinha lá seus motivos que segredava até da própria sombra. Calou em si qualquer ambição de posterioridade.

Teria uma última chance de exercitar o peculiar talento, e depois renunciaria a tudo, mesmo que demônios lhe atentassem com mais uma dúzia e meia de vultuosas recompensas.

Seria uma boa hora de se aposentar, mantendo-se com dignidade. Poderia, então, usufruir do descanso merecido após anos de dedicação ao ofício. O desfecho de uma bem sucedida trajetória seria o seu coroamento. Sabia que era importante perceber o momento certo de sair de cena.

Talvez com o tempo encontrasse uma outra missão, dedicar-se aos menos favorecidos, aos esquecidos, aos deixados à margem da sociedade. Pensou em fundar uma instituição de caridade que levaria o próprio nome, ou faria uma homenagem ao santo dos seus dias e noites: São Jorge. Decidiria isso mais tarde.

Distribuiu as ferramentas de trabalho sobre a mesa e as admirou por longos minutos. Sentiria falta de tudo aquilo, da adrenalina a disparar pelas veias, determinando destinos que ignorava?  

Escolheu vestimenta e arma como se preparasse para uma ocasião de gala. Que fosse especial como toda despedida deveria ser. Data marcada no calendário, circulada em vermelho. Noite de sexta-feira, perfeita para a exposição de todos os vícios.

Seguiu o rumo pelas ruas, até alcançar o local selecionado para o açoite derradeiro. Sentiu um estranho temor por estar ali, como se outros também temessem por si.

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge…

O primeiro foi ao chão sem estardalhaço, escondido entre vigas da área restrita pela reforma em andamento. Nem mesmo os funcionários circulavam por ali. O som vomitado pelos autofalantes mimetizou o baque do já cadáver. Admirou a cena criada sem olhos de luto.

O segundo ainda sorriu antes de mergulhar na escuridão do próprio sangue. Se não fosse trágico, poderia ser até poético o desfazer da vida daquele um que, na verdade, era o dois.

…para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem…

O alvo número três quase se livrou, tão desatento estava e como bêbado contava com a proteção dos deuses e santos.  Levou a esperança e qualquer outra boa intenção aos céus dos inocentes. Ou os loucos e bêbados se encontrariam no inferno?

… tendo mãos não me peguem…

Já sentindo a exaustão dominar seus sentidos, atirou na quarta vítima, deixando o corpo desmanchando-se em sangue no chão frio do banheiro. Esbarrou em um homem baixo e franzino que entrava.  E logo em seguida, voltava ao salão aguardando que fosse disparado o alarme sobre o hediondo acontecimento.

Ainda sonhando com a cada vez mais distante aposentadoria, com a destreza de sempre, mirou e acertou a vítima número cinco. O tiro ecoou no salão e o gosto de sangue se espalhou pela boca como alerta.

Todos se voltaram para onde parecia vir o disparo.

… tendo olhos não me vejam…

Ela nem tentou fugir.

Escrevera até ali a própria lenda. Assassina de aluguel, temida e renomada. Fora da lei, fora do mitigado destino de mulher. Era justo que finalizasse aquela arenga a seu gosto.

– Chamem a polícia!

E por um momento, um interminável lapso de tempo, as mãos tremeram. Lamentou pelo pagamento ainda por receber. A última aposta fora muito alta, afinal.

… e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Ainda se viu refletida no espelho embaçado do bar, antes de engatilhar a pequena pistola. A sexta e última bala.

… não alcançarão …

Rezou baixo como quem recita versos. Entre o jorro miúdo das palavras, sorria sem sentir culpa alguma.

sem ao meu corpo chegar…sem o meu corpo amarrar.

Mirou a própria cabeça e disparou. 

6 comentários em “Meia dúzia (Frida Khaos)

  1. Angelo Rodrigues
    15 de setembro de 2021

    8 – Meia Dúzia

    Conto sobre uma matadora de aluguel.
    Interessante a abordagem, embora curiosa a forma de contar a história.
    Quando o autor intercala as ações da assassina com linhas da oração a São Jorge, confunde-me a quem pertence tal voz. Narrador ou narrada? Trata-se de uma interferência do narrador com sua onipresença ou modo e estilo de levar a história adiante, com referências a uma internalidade da personagem?
    Não vi tal interrelação. Não digo que isso foi mal, não, mas digo que não compreendi, salvo o objetivo, me pareceu, de correlacionar a personagem à sua crença, no clichê de que bandidos se escoram na crença de São Jorge os protegerá dos males do mundo, corpo fechado, essas coisas…
    Creio que vem parecendo difícil aos autores dissociar a criação autônoma da farta gama de clichês disponíveis ao tema Foras da Lei. Seja pela via do cinema, livros e tal, ou pela facilidade de se lançar mão de significativos conceitos preexistentes e, por consequências, de fáceis objetivos.
    Refiro-me particularmente à ideia do número da Besta, o tal 666, pau pra toda obra quando se deseja lascar algo trágico no texto. O tal 666 tem origem no Apocalipse (13:18), onde é dito “Aqui é preciso decifrar. Aquele que tem sabedoria calcule o número da Besta, pois o número representa o nome de um ser humano. Seu número é seiscentos e sessenta e seis!” (Bíblia King James – Fiel 1611).
    Corrompido através dos séculos, essa ideia ganhou força demoníaca, quando parece a quem entende que 666 é apenas a soma dos caracteres do nome de Nero César no alfabeto hebraico, com 200+60+100+50+6+200+50=666. Por óbvio, um cara que foi o cão para os cristãos de primeiros anos.
    Retomando.
    O conto segue bem escrito, dizendo o que pretende dizer, não sem antes terminar com o suicídio da protagonistas, completando a sua Obra em Seis.
    Um texto legal de ler, embora o autor, acredito, se tenha deixado levar por uma série de facilidades redacionais, lançando mão de aproximações que adensam o texto, embora não constituam novidade na condução da história.
    Boa sorte no desafio.

  2. Emanuel Maurin
    15 de setembro de 2021

    O conto está bem escrito e bem estruturado. O matador vai matando numa sequencia contada, vi muito poucas imagem nas matanças. O narrador em certa parte fala que foi trabalho de profissional, tenho que acreditar ou não no narrador, pois sem ver a cena não posso analisar por mim mesmo se o trabalho fora amador ou profissional. No mais, achei narrativa fluida e gostei do desfecho.

  3. Andre Brizola
    15 de setembro de 2021

    Olá, Frida!

    Eu fico assustado com a frequência com que o suicídio aparece retratado em contos aqui no EC. Não sei qual é o apelo que acaba fazendo com que o tema seja abordado mas, eu, sinceramente, não consigo enxergá-lo. E, sinceramente, não costumo gostar de contos com tal tema. No caso aqui o suicídio não é o que faz o enredo, e sim mera ferramenta de narração. Mas, mesmo assim, acho que se trata de um artifício que raramente é bem retratado.

    Seu conto é muito bem escrito. A trama montada em cima da personagem, que é um misto de assassina de aluguel e serial killer, é bastante interessante e consegue manter o alto nível da narração nos três momentos, ou assassinatos, do texto (mas se tivessem sido seis momentos teria sido o máximo, hein?). Também gostei das inserções da oração a São Jorge, que é algo dispensável, mas que traz cor à escuridão da vida criminosa da personagem e acrescenta conflito (que poderia ter sido melhor explorado), uma vez que adiciona certo grau de religiosidade à personagem (digo conflito porque, na teoria, a religiosidade seria contrária à sua “profissão”).

    Comentário feito sobre o enredo, acrescento aqui uma crítica à lógica do texto. Imagino que um profissional contratado para eliminar alguém teria, como uma de suas principais características, o sigilo, o que não é o caso aqui, já que seu modus operandi gera até certo reconhecimento como o assassino das seis mortes. Mas vamos assumir que isso não seja problema para a personagem. Entretanto, acredito que isso seria, sim, problema para os contratantes. Afinal, ela atrai para si uma atenção que é prejudicial para quem a contratou. Uma única morte, que poderia ser tratada como caso isolado, de repente chama a atenção de um monte de gente por ser mais um caso do serial killer, e isso seria investigado. Enfim, essas considerações que estou fazendo aqui são pensamentos que me surgiram durante a leitura e que não tiveram tratamento dentro do texto. E penso que vão de encontro à construção da personagem. Mas não são problemas do conto, de fato.

    No geral é um texto agradável de ler, até o momento do suicídio. Costuma-se dizer que o suicídio, a desistência, é o caminho fácil. Que o difícil é viver e enfrentar o que vem pela frente. O suicídio no final do texto me pareceu algo assim, um final fácil. Entendo a opção do autor, mas, pra mim, é a grande falha do conto.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  4. thiagocastrosouza
    14 de setembro de 2021

    Meia Dúzia, seu conto tem uma construção muito interessante da personagem principal. Embora, mais uma vez no desafio, eu me depare com outro conto onde há mais contar do que mostrar quando se trata das características psíquicas e emocionais dos personagens, você intercalou bem os momentos de ação dessa hitgirl com a oração de São Jorge, o que já o diferencia dos demais, pelo menos no estilo e formato.

    Há um misticismo na personagem e obsessão pelo número 6 que geram momentos de muita curiosidade e expectativa sobre seu próximo trabalho. Entretanto, quando se trata de relatar o passado da assassina, ficou confuso o fato dela ter crescido em um orfanato e logo depois citar a influência dos pais, cujas profissões e credos influenciam diretamente na atividade que a filha exerce na vida adulta. Claro, não há problema nenhum deles terem morrido e, só depois, ela ter ido para o orfanato, mas o fato disso não estar no texto gera esse estranhamento pelas informações um pouco desconexas.

    Embora a protagonista quase não encontre impeditivos para realizar seu trabalho, o final fatalista é coerente com a personagem; sua sina está dada desde o início, e só por suas próprias mãos pode ser executada.

    Boa sorte!

  5. Antonio Stegues Batista
    13 de setembro de 2021

    A história de um matador de aluguel, com uma personalidade desajustada, por isso, criminoso. Já li outras histórias de assassinos que buscam “fechar o corpo”, ou seja, escapar da morte, ou de ser preso pela polícia através de encantamentos, rezando para algum santo protetor, ou mesmo, espíritos malévolos. As referências a São Jorge, a meu ver, seriam dispensáveis, mas como fazem parte da crença do bandido, é válido. A escrita é boa, embora palavras em algumas frases não combinem, algumas conclusões meio nebulosas, por exemplo: “…tornava sua presença quase ausência. ” E um sentido figurado estranho: “ Admirou a cena criada sem olhos de luto”.
    Revelar no final, que o assassino é uma mulher, pra mim não fez diferença, não foi nenhuma surpresa. E ela se suicidar no fim, me pareceu que tudo foi inútil, tornando-se contraditória a sua crença de corpo fechado. Mas o conto é assim e deve ser respeitado como ele é.

  6. Luciana Merley
    9 de setembro de 2021

    Meia dúzia (Frida Khaos)

    Um cruel ceifador de vidas aleatórias que se preocupa com as vítimas de homofobia e os alijados sociais.

    Coesão – O conflito é bem claro: um matador de aluguel levando a cabo seu serviço e suicidando no final, num fechamento clássico, digno de um roteirista de “Seven: os 7 crimes capitais”. Considerei o texto coeso, com tensão presente e poucas divagações. Caso o autor optasse por narrar apenas uma das empreitadas, aprofundando-se nas entrelinhas da personalidade e trazendo a história e outros crimes apenas como um complemento, penso que o conto teria ficado ainda mais coeso e com um subtexto mais rico. Essa questão quase profética do número 6 foi uma sacada bem legal, inclusive reproduzindo elementos de extremismo religioso.

    Ritmo – É bom. Misterioso. A linguagem é direta e passa o clima com eficiência.

    Impacto – Gosto de histórias que descrevem mentes criminosas. Assisti a quase tudo que foi criado sobre isso e ouvi muitos causos de matador quando mais jovem. Essa dicotomia, ou seja, a presença de sentimentos e intenções tão distintas numa mesma pessoa, é algo verossímil e porque não dizer, da vida real. Mas, sinceramente, deu uma preguiça nessas partes em que você tenta introduzir dilemas sociais e justas indignações por preconceito na personalidade dele. Isso sim, soou bem forçado. Há um moralismo implícito aí, e pior, às avessas, pois, o texto parece tentar nos convencer de que um sujeito abjeto, cruel, demoníaco (porque não dizer) seria mais palatável que um verme preconceituoso. Acho que esses dilemas da personalidade dele, incluindo o passado de sofrimento poderiam ser melhor trabalhados no sentido de não tentar vitimizá-lo. Desculpe se estou inferindo coisas acerca do seu personagem, mas é o que o texto me mostrou.

    No geral, gostei e desejo sucesso. Um abraço.

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Informação

Publicado em 8 de setembro de 2021 por em Foras da Lei.