EntreContos

Detox Literário.

A Tragédia de Silvina Maria (Thiago Castro)

Ato I

— Não vá se perder por aí, por essas bandas, veredas, traçando um descaminho, trombando a cada curva com um penhasco ou abismo, flertando com a sorte e a morte, a pouca sorte que lhe resta, ainda que não mereça, do bom Deus, nosso Senhor. Meu filho, você partiu menino, me lembro de ti, farreiro no quintal, tu mais Amâncio no andar calmo das horas, cavalgando cavalo de pau, rabiscando sonhos na terra, atirando pedrinha em guerra inventada, transformando tábua velha em gloriosa nau.  Hoje, retorna encorpado, homem, rosto marcado por agruras da vida, pelo olhar opaco de quem viu a morte, de quem tira a vida. Meu filho, teu semblante me vem com feições de agonia e socorro, teu corpo em meu colo tem o peso de mil almas e o cheiro da tua infância está acobertado com o odor adorado pelos abutres na espreita do bote. 

Meu filho…

— Minha mãe, já é sabido o motivo da minha saída, meu pai finado a contragosto, assassinado a mando de Tuto Lanhoso por razão comezinha. Tu na labuta de assumir-lhe o posto, trabalhava a noite para ganhar o dia, roçava o dia para nos dar o leito a noite. Ainda assim, debaixo do açoite, a cumbuca carecia do ordenado e a cuia de comida. Não adiei partida, Amâncio ficou, penso que amansou minha ausência. Eu tinha sede de sangue, como vingança encarnada abati Tuto Lanhoso, minha alma ao tinhoso entreguei como recompensa. 

Aí desandei, em bandos e arrastões, assolando cidades, currando batalhões, enfrentando a ferro e fogo quem alardeava colhões para bater-se com José Arnaldo, meu nome de batismo, pois a alcunha que me legaram foi a de Matador de Dragões. 

— Filho, te assanhas, tua carne é frágil ao contar façanhas, aos meus olhos tua tosse cresce, o peito range e a garganta arranha. Tua glória narrada sai como um fiapo fraco do corpo magro, teu destino quedou-se macabro, e a vida mesmo te dará cabo por ter entregado os caminhos ao diabo. Ainda há tempo, entretanto, para atender de tua mãe o pranto, descansar no colo do Senhor que a tudo perdoa. Até o mais bronco, de ação atroz, com Deus a sós há de ser desculpado. Não se esqueça, meu pequeno, que do lado de um bandido Cristo foi crucificado. 

— Mãe, teu desespero afugenta o juízo, não há lugar no paraíso para um filho desgarrado, um vil assassino. Tanto faz o jurado, na lei dos homens ou na lei de Deus, ei de ser condenado, pois é grave o pecado, não há outra sentença, não alimente sua crença em perdão infundado. Encontrarei naquelas bandas, nas fronteiras infernais, pistoleiros e justiceiros, todos na condição de iguais, capatazes e bandidos, meretrizes e hereges, desonestos juízes e também quem rege, com ganância e vilania, causando fome e agonia, os distritos desta cercania. 


A vida se vai do meu peito manchado, meu único arrependimento te será confessado, pois só a ti diz respeito e não há outro jeito de fazer o acertado. 

— Filho, espera e descansa, como nos teus dias de criança onde a lei era brincar. Pouco me interessa suas desventuras, tua cura é o remédio para minha dor aplacar. Amâncio saiu a tua procura, logo ele, pacato e de pouca bravura, tomou cavalo e se foi, em breve voltará. Eu, tu mais teu irmão, podemos deixar o passado para trás, refazer a vida em algumas dessas capitais, enfrentar a lonjura, entregar o destino nas mãos do Pai Celestial que sabe o que faz. 

— Mãe te garanto, pesando um tanto, que eu mais Amâncio não nos veremos jamais.

— Filho, há sempre um mistério, mas não sei o critério, nas escolhas do altivo. Ele escreve suas linhas, prepara o caminho, feito pano de linho, nos enlaça e enreda na lida da vida com destreza sagaz.  Assim faz o Deus vivo, espera um filho partir para mandar outro de volta, e sob a escolta dos anjos sei que Amâncio virá em paz. Creio, com fé contumaz, terei meus frutos à mesa, sentados, como naquele abençoado tempo que jaz. 

— Mãe, percebo que padeço, o passado cobra o preço por aquilo que fiz. Não mereço tua piedade ou figurar tuas esperanças, mas vejo a bonança de me encontrar em teus braços no momento derradeiro. A lei mais justa é a do tempo, contra ela não há argumento, o meu já finda e é hora de te anunciar. A morte à galope, alcunhada de Antônio das Mortes, vem no meu rastro para se certificar. 

— Amâncio dará um jeito, falará manso com o delegado, avisará desse esconjurado que quer te caçar. Ainda há tempo de se entregar, pagar a pena na lei dos homens, regenerar a chaga interna, findar tua saga vermelha, resgatar a centelha do menino que há em ti. 

— Mãe, você é pia e pura, de grande virtude para dizer o que diz, mas o homem mau não ri, apesar do absurdo daquilo que escuta sobre esperanças de ser feliz. Antônio foi contratado pelo Estado, tem parte com o delegado e com o oculto. Perito na arte da morte, nela não tem escrúpulos, levará minha cabeça a prêmio, percebo a sentença sem ser arguto, pois desde o primeiro milênio, na origem do mundo, o homem se faz corrupto. 

— Ao menos se teu irmão aqui estivesse, teria meus meninos comigo, espero que logo regresse. Que Deus atenda minha prece! 

— Mãe, ouça, digo que clama à toa. Se tranquiliza o teu coração, trago duas notícias, uma má e outra boa. Aproveito e confesso, enquanto minha voz ecoa com rouquidão, já encontrei Amâncio, meu querido irmão, mas na minha fuga o matei, no jogo atroz da perseguição. 

— Não pode ser verdade, tamanha calamidade! 

— Ele estava junto do bando que me caçava, a arma para mim apontava, quando se deu a fatalidade.

— Delírio de moribundo! Tamanho despeito! A seta das tuas palavras faz furo profundo no meu já ferido peito!

— Não é despeito, pois confesso o real. Antônio das Mortes, Amâncio e mais uns na emboscada estavam mocados, teve tiro trocado, mas só um fatal. Reconheci na debandada, a face apagada, o semblante sofrido, sangue como o meu, ali escorrido. Falou de ti, de suas mazelas, que não queria me atingir, mas foi enganado pelos homens que tentou persuadir. Lhe deram um gibão, um trabuco na mão e passou a me perseguir. Queria me convencer, sem saber, que o intuito verdadeiro era me fazer subir. 

— Ai de mim!

— Sim, minha mãe, a mão que agarras deu cabo de Amâncio, foi essa mão que o sepultou num pé de juazeiro, daquela boca que saiu o meu paradeiro, dela correu a notícia até meus algozes, deles fujo em pé de vento ligeiro, da consequência do crime após o pecado primeiro: matar o próprio irmão. 

— Ai de mim!

— Tamanha é a dor, imagino, o fardo de seu padecer, mas padeço eu também minha mãe, às vésperas de morrer, correndo com sofreguidão, esporando o alazão para teus braços me acolher. Veja, abaixo do colete, o corpo fechado era meu tesouro. Após verter sangue do meu sangue, se tornou mau agouro, trespassado por bala de Antônio das Mortes, deixando um rastro rubro no caminho, procurando teu carinho, perdão e acolhedouro. Me enterre lá atrás, onde por último vivi em paz antes de ser dos homens matadouro, onde olhava o céu e via apenas o azul, não a casa para onde enviaria as almas de minha pontaria, ou onde lhes seria negado ingresso pela vida marginal colada com belzebu.

— Ai de mim!

— A mãe, minha mãe, entendo suas lágrimas de amargura, os frutos do teu ventre a caminho da sepultura, o coração da senhora ameaça secura. Assim é a vida, com destino ou não, minha vista já embaça, de vermelho a roupa empapa, já não sinto calorão.  Peço que me enterre aqui, munido de revólver e bala, para combater no inferno contra as almas que mandei para a vala. 

— Ai de mim!

Digo que lhe amo, fui feliz enquanto infante, já não sigo mais adiante e minha boca agora se cala. 

— Ai de mim!

Ato II

— A morte vem à galope, capa preta e chapéu. No lugar do tridente um rifle nas costas, carregado e apontado para o céu. O rosto é barbado, o cenho fechado, carranca do mal, chega turrão. Atravessa a porteira, me vê na soleira e brami com voz de demônio e trovão. 

— Onde está o Matador de Dragões?  Pois ei de buscá-lo, sua cabeça vale ouro e um bocado de cavalos. Quem clama é Antônio das Mortes, a má sorte em pessoa, a sua será boa se me entregar sem pestanejo o chamado José Arnaldo, filho do sertanejo morto a mando de Tuto Lanhoso. 

— Pois averigua a terra, Antônio das Mortes, que lá repousa meu menino, nem tão fundo cavarás e encontrará a casca sem a alma do defunto. Morreu sem trato fino, confissão ou crucifixo, só com trabuco na mão, te esperando em outro mundo.

— Senhora, só levo embora aqueles que me pagam para matar, em respeito ao seu morto, em breve vou me retirar. Visto preto, como vês, contigo faço par, trago luto por onde passo, só careço de confirmar o rosto do procurado para assim me apartar.

— Duvidas que nessa terra fresca descansa José Arnaldo, fagueiro menino que pari aqui, irmão de Amâncio, também finado?

— Tudo que sei, do céu e da terra, não sei de ouvido, muito menos de livro por doutor escrevido. Meu saber, minha senhora, é de ver com esses olhos e de ser muito vivido. Assim sendo, me entenda, não quero causar contenda, mas para me dar por satisfeito, preciso ver o rosto do seu filho, para mode avisar o delegado eleito, fazer saber o prefeito, que o Matador de Dragões já era, que nesse solo não prospera, mas no inferno nos espera com o revólver no peito.

— A exumação só acontece depois de um bom tempo passado, tendo os vermes já comido o corpo putrefato, mas se quiser, vá em frente, confira o fato, faça o que tem em mente, desenterre meu menino que no ato o verá de corpo quente. Sofrimento igual passei, tenho certeza de que não há, duvido até de Deus, enlutada e amargurada, nada mais me atingirá. Apanhe aquela pá, trabalhe logo e com pressa, a vida de um filho morto não regressa e eu preciso descansar.

— Sim, minha senhora, não faço pouco caso do nosso acordo de paz, penduro o rifle no cavalo, troco ele pela pá. Cavo depressa a terra fofa desse buraco um tanto raso, escavado sob pranto com a fraqueza de seus dedos calejados. Sendo assim, não por acaso, o corpo vem logo a emergir, e eis que aqui está, a cara do procurado, o Matador de Dragões, inofensivo e derrotado, só não entendo o rosto tranquilo e o punho desarmado.

— Pois saiba, Antônio, que tu estás sob minha mira. Meu nome, tão cedo não se esqueça, é Silvina Maria, mãe de José Arnaldo e Amâncio que não tem medo e também atira!

— Demônio!

— Ou anjo, depois me resolvo, com Deus ou com o diabo. Aceito a dupla ira, do revólver do meu filho parte o tiro que a vida lhe tira.

— Demônio!

Sucumbe, Antônio das Mortes, na trilha da inflamada pira. Suja este chão miserável! Enterrarei novamente José Arnaldo, agora em cova funda, com a arma que te feriu presa no cinturão, munida e polida, mas tu descerás apenas com a carcaça imunda, sem rifle ou ferro louvável, só trajando a capa e o chapéu, e será afligido pelo castigo do inferno e do céu. Tomba, morre, desgraçado! Tomo teu alazão, tuas armas, parto sem deixar recado, sozinha, sem o que de mais valia tinha: o amor das minhas crias e o sossego de tê-los do lado.

Parto, viro lenda, cordel cantado, boataria. A mãe de luto que vinga os filhos matando o Dragão da Maldade, verdade que alardeia em toda vila, grande cidade, comunidade e feitoria, assustando autoridade na história registrada como a Tragédia de Silvina Maria.

Ai de mim!

Ai de ti se me encontrar perdido por aí!

21 comentários em “A Tragédia de Silvina Maria (Thiago Castro)

  1. Pingback: Resultados do Desafio “Foras da Lei” | EntreContos

  2. Jowilton Amaral da Costa
    9 de outubro de 2021

    Ambientação: Boa. A linguagem usada conseguiu me situar num Brasil antigo.

    Enredo: Mediano. A trama não foi muito cativante para mim. Não gosto muito de contos rimados. O texto é verdadeiramente um drama, acho que a definição de drama é justamente textos para teatro feitos em diálogos. Não achei que fosse um cordel, foi apenas um texto com rimas. A leitura foi difícil para mim, voltei várias vezes para tentar me conectar a história e mesmo depois de conectado o impacto não foi tão grande

    Técnica: A técnica é boa, mas a leitura entravou um pouco.

    Considerações Gerais: Achei o conto mediano, mas isso aconteceu por gosto pessoal mesmo. A forma como foi construída a história não é o tipo de leitura que eu aprecio ou costumo ler.

  3. Priscila Pereira
    8 de outubro de 2021

    Olá, Matador de dragões!

    Ambientação: apesar de não ter ambientação propriamente dita pelo fato de ser mais uma peça de teatro do que um conto, e também de ser só diálogos, deu pra visualizar bem a cena, o que mostra que você conseguiu ambientar muito bem a história, de qualquer forma.

    Enredo: bem simples. O filho chega moribundo, conta seus pecados para a mãe que o enterra e quando o matador chega, temos um plot twist. Simples, mas muito bem executado.

    Escrita: bem… Se vc acompanha o EM já sabe o que eu acho desse tipo de literatura rimada e parecida com cordel 🤭
    De qualquer forma, é inevitável ver a qualidade da escrita e o seu cuidado ao esmerar cada frase.

    Considerações gerais: Não sei se gostei ou não… Mas isso não importa muito, pois a qualidade é evidente. Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  4. Bruno Raposa
    8 de outubro de 2021

    Olá, Dovahkiin!

    Não resisti, rs.

    Numa vã tentativa de ser mais objetivo, resolvi, para este desafio, pegar emprestado o modelo de comentários do EntreMundos. Então vou dividir meu comentário em ambientação, enredo, escrita e considerações gerais.

    A eles.

    Ambientação: Apesar do conto se desenvolver apenas através de diálogos, a ambientação é construída com bastante eficiência. A atmosfera teatral é definida através das falas, que carregam também um certo ar cordelístico, ainda que não apresentem a estrutura rítmica do cordel. A esse tom regionalista, se juntam a apresentação de alguns objetos e itens de vestuário – como o gibão, por exemplo -, e as referências à obra de Glauber Rocha. Todos esses elementos combinam muito bem para construir o cenário e aclimatar o leitor na proposta da narrativa.

    Deixo apenas um porém: se a intenção do autor ao referenciar os filmes foi a de ajudar o leitor a embarcar nessa proposta, acho uma aposta bastante arriscada. As obras do Glauber, ainda que vistas como clássicos, não estão fortemente impregnadas do imaginário popular. A aparição do Antônio das Mortes não tem a mesma força que teria se fosse um personagem como o Zé Pequeno ou o Capitão Nascimento, para ficar nos exemplos mais óbvios. Não que isso desabone o texto de alguma maneira. Aos meus olhos, até o enriquecem. Apenas aponto uma possível fragilidade desse elemento.

    Enredo: Não chega a ser um grande destaque, e nem me parece que fosse essa a intenção. É um texto em que a forma se sobressai ao conteúdo. Mas tem suas boas cartas na manga: a revelação do assassinato de Amâncio foi uma boa surpresa na minha leitura. De forma geral, a trama se desenvolve da maneira esperada dentro desse tipo de narrativa. O que não é ruim, é um bom encaixe. Considero o enredo bastante satisfatório.

    Escrita: Certamente o ponto alto do conto. Particularmente, gosto dessa atmosfera teatral e das rimas. O texto foi construído com habilidade, domínio narrativo e um bom vocabulário.

    Aponto apenas dois aspectos onde, na minha visão, cabem melhorias. O primeiro é o ritmo, que me pareceu bastante irregular. O início do conto é um bocado arrastado, demora para que a história comece a engrenar. Ficou meio “pesado”, enfadonho. Ali pelo meio as coisas se ajustam. E o final parece até meio apressado. Fica uma impressão de um começo trabalhado com muita cautela, que foi sendo deixada de lado e de repente você pisa no acelerador. Não compromete o texto, mas há um desnível que pode ser corrigido.

    O segundo ponto é sobre as rimas. Nos primeiros parágrafos elas não encaixam muito bem, quase nem as percebi. Tive que reler para realmente notá-las. Além disso, acho que faltou alguma consistência no texto como um todo. As rimas vão aparecendo de forma um tantinho aleatória. Não digo que você deveria seguir uma métrica super fechada, mas seria interessante se elas seguissem uma estrutura mais constante, o que ajudaria no ritmo, na musicalidade que esse tipo de narrativa pede.

    Mas esses apontamentos servem apenas para um possível polimento do texto. No geral, a escrita apresentada é ótima.

    Considerações gerais: É um conto que demora um pouco a engrenar, mas, quando o faz, flui muitíssimo bem. A proposta é ousada e de difícil realização, e você teve bastante êxito. Não é um texto perfeito, tem suas partes cansativas, mas o saldo final é muito positivo. Confesso que tenho um fraco por esse tipo de cenário e de narrativa. Então minha experiência durante a leitura foi muito boa. Até gostaria de ver essa história sendo mais desenvolvida, sem a preocupação com o limite de palavras do desafio.

    Boa sorte no certame e… FUS RO DAH!

    Eu realmente não consigo resistir, rs.

    Abraço.

  5. Kelly Hatanaka
    4 de outubro de 2021

    Oi Matador.

    Seu texto me deixou dividida. Por um lado, eu o achei um tanto cansativo de ler. Porém, por outro lado, sua qualidade é inquestionável e, o resultado, muito bonito.
    Fiquei pensando na razão dessa divisão.

    O texto é bonito, sim. Mas acho que as palavras ficaram na frente da história. E eu acho que a história tem que vir na frente de tudo.

    Talvez, por me lembrar uma peça de teatro, eu gostaria de vê-la encenada, ao invés de lida.

    Talvez.

    No fim das contas é um excelente texto e isso é indiscutível.

    Boa sorte.

  6. Emanuel Maurin
    3 de outubro de 2021

    Oi Matador de Dragões tudo bom.
    “— Não vá se perder por aí, por essas bandas, veredas, traçando um descaminho, trombando a cada curva com um penhasco ou abismo, flertando com a sorte e a morte, a pouca sorte que lhe resta, ainda que não mereça, do bom Deus, nosso Senhor. Meu filho, você partiu menino, me lembro de ti, farreiro no quintal, tu mais Amâncio no andar calmo das horas, cavalgando cavalo de pau, rabiscando sonhos na terra, atirando pedrinha em guerra inventada, transformando tábua velha em gloriosa nau. Hoje, retorna encorpado, homem, rosto marcado por agruras da vida, pelo olhar opaco de quem viu a morte, de quem tira a vida. Meu filho, teu semblante me vem com feições de agonia e socorro, teu corpo em meu colo tem o peso de mil almas e o cheiro da tua infância está acobertado com o odor adorado pelos abutres na espreita do bote.”
    Primeiro: quem conversa desse jeito. EU detesto esse tipo de dialogo, é cansativo e enjoativo. Se caso isso aparecesse na minha frente eu nem lia, li porque está no certame. Se vc quis fazer peça de teatro com atos, perdeu, pois conto é conto e teatro é teatro. E mesmo no teatro isso é cansativo. Se tivesse feito os dialogos através de troca de cartas ou de e-mail, poderia ter ficado um pouco melhor.
    A sua intenção não é clara. Escreve prosa com ar de poesia, poesia sem métrica, métrica sem rima, rima sem calor.
    Talvez inspire-se em grandes épicos da literatura, mas nada consegue senão um texto prolixo, cansativo e um tanto desritmado.
    As rimas, quando as há, soam desagradáveis numa leitura em voz alta, e talvez falte certo polimento, certo arredondamento, no fim das frases e entre elas.
    Vírgula não é enfeite, e, quando usada de forma excessiva, trunca o texto e o destrói. As frases parecem eivadas de asma, o que as torna pouco sãs. Todo autor faz bem em ler em voz alta sua produção, a fim de verificar como soa aos ouvidos alheios. Para além disso, o gravador é um grande amigo do artista das letras! Letra não é apenas texto; letra é também som.
    Por fim: a ortografia está boa. Não há erros de gramática, concordância ou sintaxe, em geral.
    Detestei.

  7. Elisa Ribeiro
    2 de outubro de 2021

    O conto me pareceu nitidamente o resultado da adaptação de um texto dramatúrgico ao gênero narrativo. Sinceramente me sinto dividida ao avaliar as escolhas narrativas do autor. É certo que o enredo ,afetadamente dramático, combina com o gênero dramatúrgico e talvez numa narrativa que não emulasse esse gênero soasse excessivamente antinatural ou inverossímil. Por outro lado, no formato apresentado – apenas diálogos, com falas muito longas e explicativas – o texto também não funcionou muito bem, sobretudo no primeiro ato. Penso que algumas quebras adicionais nas falas de José Arnaldo e da Mãe nesse primeiro ato arejariam o texto, melhorando a experiência de leitura.

    Considero que o destaque do conto é a linguagem. Embora tenha observado algumas rimas forçadas, que poderiam ter sido economizadas nessa versão prosaica do texto (digo versão imaginando que haja um texto original dramatúrgico e em versos), há momentos muito inspirados no texto e a sonoridade, aliterações e assonâncias para além das rimas, encanta.

    Resumindo, é um bom texto, mas eu acho que prefiro a versão original -dramatúrgica – da história, quer ela exista ou não.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  8. opedropaulo
    28 de setembro de 2021

    Adorei a proposta desse conto! Encaminho o meu primeiro elogio à forma como o texto foi trabalhado, com a musicalidade de cordel refletida nos diálogos, que tanto estabelecem o clímax como nos apresentam as personagens e o caráter de cada um. O tema está plenamente refletido no contexto do cangaço, da morte por vingança e pela rivalidade entre matadores, resgatando aqui um personagem famoso de nossa filmografia, incluído com astúcia na trama. Armado o encontro final entre mãe enlutada e caçador inveterado, a tensão está bem estabelecida sem perder de vista o lirismo do primeiro ato. Assim, o arremedo é bem realizado e assinala o conto em sua essência, mantendo a originalidade e a força do texto. Parabéns!

  9. Fabio D'Oliveira
    25 de setembro de 2021

    Buenas, Matador!

    Nesse desafio, irei avaliar três fatores: aparência, essência e considerações pessoais.

    O que ele veste, o que ele comunica e o que eu vejo.

    É uma visão particular, claro, mas procuro ser sincero e objetivo. E o intuito é tentar entender o texto em sua totalidade, mesmo falhando miseravelmente, hahaha.

    Vamos lá!

    APARÊNCIA

    Ousadia!

    Isso é algo que admiro.

    Um conto todo em diálogo e com jeitão de cordel é algo inusitado. É uma leitura cantada, que exige envolvimento por parte do leitor, se não tiver, pode não funcionar. Mas imagino que você saiba disso. Toda ousadia é perigosa: pode dar muito certo ou muito errado.

    Não sei como resolver isso, mas senti uma quebra de ritmo do primeiro para o segundo ato. Isso não é um problema tão grande, mas, para mim, que estava tão envolvido na leitura, foi um pouco desconcertante.

    ESSÊNCIA

    É uma história típica de vingança. Cíclica. Sem inovação. E um pouco entediante. Num dado momento, fiquei esperando por algo que saísse da curva.

    Sim, a forma acaba salvando o conto da total perdição. Porém, quando nos deparamos com a ousadia da forma, esperamos um pouco mais da essência, também.

    Acho que isso é natural.

    CONSIDERAÇÕES PESSOAIS

    Eu gostei da leitura. O problema, para mim, foi a história não ter qualquer encanto. Você acompanha tudo, esperando algo surpreendente, igual a forma do conto, mas acaba se deparando com algo bem simples. Não combina um pouco com a ousadia apresentada inicialmente, sabe? Fiquei com essa sensação.

    De qualquer forma, parabéns pelo ótimo trabalho, Matador!

  10. Marcia Dias
    24 de setembro de 2021

    Faroeste à shakespeareana! Conto instigante e inovador com fôlego do início ao fim em suas rimas, em suas ações. A história do filho fatalmente ferido, retornando para pedir perdão à mãe e contar sobre o fratricídio cometido, é desenvolvida toda em espécie de cordel ou diálogos teatrais, com linguagem poética e emocionante. A reação da mãe sofrida é inesperada e, ainda que a sua vingança tenha sido a catarse no final do conto, sabemos que ali foi decretada a sua morte em vida; sua identidade mudaria, seu coração se fecharia, seu futuro seria o mais incerto e triste de todos. Foi o conto que mais me encantou! As palavras foram muito bem escolhidas e o resultado foi uma beleza só! E adoro coisas belas!

  11. Felipe Lomar
    24 de setembro de 2021

    A história é interessante e tem reviravoltas imprevisíveis. Porém, a escolha do modo da escrita, lembrando os repentes, desencadeou alguns problemas. O texto ficou demasiadamente longo e arrastado, tornando a leitura cansativa. Algumas falas parecem repetidas, e algumas rimas são meio fora de ritmo. Além disso, tem um parágrafo todo terminado em ‘ar’, que é bem fraco. No mais, um texto em verso e dividido em atos força os limites do que seria considerado um conto. Mas acho que talvez esse texto poderia funcionar muito bem como uma performance teatral, se convertido em roteiro. Boa sorte !

  12. Luciana Merley
    24 de setembro de 2021

    A tragédia de Silvina Maria

    Olá.
    Um texto em prosa poética em formato teatral ou ópera de cordel é realmente uma ousadia e tanto aqui para o EC. Agradou-me bastante, pois tenho afinidade e gosto de ler e escrever com rimas e sonoridade.

    Coesão – A tragédia, o ressentimento, a vingança, o luto, a tragédia. Um ciclo de dor e desassossego nessa conversa entre mãe e filho. Gostei bastante do enredo e da forma também. Uma poesia que conta uma história, faz delimitações temporais, apresenta o ambiente e principalmente constrói personagens, logo, é um conto (rsrs). O desfecho, que inteligentemente não fica no final, mas na frase do Antônio das Mortes “só não entendo o rosto tranquilo e o punho desarmado.” é o ponto alto do seu texto e foi muito bem construído.

    Ritmo – É de poesia quase cantada. Muito bom de ler. As construções e rimas dão uma sonoridade bela.

    Impacto – Por tudo o que eu disse, gostei bastante do conto. Parabéns pelo enredo, pela forma, pela linguagem e obrigada por nos presentear com poesia. Leva meu único 10 até aqui.

  13. Jorge Santos
    22 de setembro de 2021

    Olá. Este é mais um conto sobre assassinos passado no século XIX. A linguagem foi adaptada à época e, embora reconheça que está mais elegante do que o que tenho encontrado em outros contos deste desafio, ficou excessivamente complexa. É evidente a adaptação à teatralidade, como é demonstrada pela divisão por atos, e o texto ficou com uma qualidade musical. Estranha-se a inexistência do terceiro ato. Convencionalmente, uma peça, tal como um conto, costuma ter três fases distintas. Introdução, desenvolvimento e conclusão. Neste texto falta o desenvolvimento por um motivo simples: aumentar a força do desfecho. O leitor não sabe se o filho da mãe (em todos os sentidos) morreu ou não. O desenvolvimento fica subentendido por elementos dos 1º e 2º atos, tornando-se desnecessário- mesmo assim, senti falta de assistir ao falecimento. Chamemos-lhe um preciosismo de voyeur, num texto que roça a excelência.

  14. Anderson Prado
    21 de setembro de 2021

    1. o tema do desafio é abordado de maneira adequada: os principais personagens são e lidam com o drama de serem foras da lei;

    2. o enredo é muito bom: ao justiçar a morte do pai, filho comete crimes, envolvendo toda a família no processo;

    3. o domínio da língua e das técnicas de narração é excelente, a ponto do autor propositalmente ignorar regras gramaticais para representar a oralidade regional;

    4. o texto rimado diverte, porém observei que a rima não está presente nos primeiros parágrafos do texto, criando um contraste desconcertante;

    5. no primeiro ato, faltou plantar melhor a ideia de que o Matador de Dragões havia se ferido no tiroteio, pois é desconcertante deparar com ele morto e enterrado no segundo ato;

    6. faltou confiança ao entrecontista: a palavra “escrevido” não precisava ter sido grafada em itálico, pois estava bem evidente que se tratava de um conto voltado à representação fidedigna da oralidade e do regionalismo;

    7. creio que faltou crase em “a noite”;

    8. a falta de travessões gerou alguma confusão em alguns momentos, em especial na última fala da mãe (desfecho do conto).

  15. Angelo Rodrigues
    19 de setembro de 2021

    15 – A Tragédia de Silvina Maria

    Conto que, a rigor, é um longo diálogo entre mãe e filho, contado em atos, como se peça teatral fosse. E não deixou de ser ao ser prosa.
    Conto de rimas internas. Creio que feito originalmente como um longo cordel, onde o filho bandido relata à mãe a sua obra de matador. Aqui, ordenado o cordel para um longo diálogo, ajeitando aqui e ali de modo a transformar uma poesia em prosa.
    Posso estar errado, mas acho que não.
    Uma história interessante com o filho rebelde que, no meio do relato, diz que matou o próprio irmão. Ao final, a mãe que desanda pelas trilhas do próprio filho.
    Mordo a língua e as palavras, mas o conto, interessante como cordel, ao transformar-se em prosa, ficou também um pouco aborrecido de ler. A rima poética tem algo de visual por conta do fim da linha. Quando baralhada na prosa, engolfado pela longa formatação das páginas, sei não, ficou esquisito.
    Boa sorte no desafio.

  16. Wilson Barros
    17 de setembro de 2021

    Muito criativa a ideia de escrever um conto em versos. Eu teria disposto em versos mesmo. Na verdade, o conto aqui é parecido com um peça teatral.
    Existem na literatura muitos contos rimados. Destaque para os de Artur Azevedo, os melhores da literatura brasileira. A literatura de cordel foi praticamente abandonada, depois de dar de comer a centenas de autores, por uma simples questão de moda. Escritores de poemas rimados, porém estão voltando com toda a força. Às vezes as pessoas se esquecem que um dos livros mais vendidos da literatura brasileira é “Eu e outras Poesias”. Inclusive li um conto deste desafio que cita um verso desse livro.
    A história é muito interessante. Já li um conto de Guy de Maupassant parecido, a história de uma mãe que vinga o filho. Aqui é mais intensa, as rimas são muito fortes e ricas. Há frases muito belas.
    “Hoje, retorna encorpado, homem, rosto marcado por agruras da vida, pelo olhar opaco de quem viu a morte, de quem tira a vida. Meu filho, teu semblante me vem com feições de agonia e socorro”
    “como nos teus dias de criança onde a lei era brincar”
    “A morte vem à galope, capa preta e chapéu”
    Um conto muito belo e poético.

  17. misapulhes
    16 de setembro de 2021

    Olá, Matador.

    Resumo: O conto, que usa elementos do teatro (os dois atos, o esquema todo em diálogos) e do cordel (a poesia e o drama nas falas), é, antes de tudo, no meu ver, isso mesmo: um conto. Eu não tenho nenhum problema com a imersão nos outros gêneros citados, porque o que predomina é o fato de se tratar de uma história curta. Lato sensu, um conto é justamente isso. Há flexibilidade na definição. Feita a defesa do gênero, o resumo (agora sim): é a história de um filho que regressa aos braços da mãe para neles morrer, trazendo, além dessa dor, a da confissão de ter tirado a vida do próprio irmão. O protagonismo, que vacila entre filho e mãe, é ao final posto definitivamente nas mãos amáveis desta que, não obstante, empunha a arma do filho para vingá-lo!

    Considerações: Que conto matador! (Que porcaria de trocadilho, né?! Mas como não vão dar notas pros comentários, só pros contos, permiti-me! Haha). Eu simplesmente fiquei encantado. Talvez pelo pouquíssimo contato com a literatura de cordel, soou-me algo novo. Mas pelo não pouco contato com a poesia, soaram-me belíssimas também as construções, as rimas (principalmente as internas), as imagens. Impossível ser mais poético.

    A dramatização nas falas encaixa-se perfeitamente com o gênero tragédia, com o gênero teatro, com o tema da história. Quando o filho disse que não mais encontraria o irmão, soou-me que a história demorou a revelar o que já nos tinha sido indicado: que ele matara o próprio irmão. Mas quando isso se revelou, o autor o fez de modo a acrescentar detalhes que realmente geraram surpresa. De modo que a demora entre a “dica” e essa revelação não foi um erro.

    O final, apesar de poder ser de algum modo previsto conforme o segundo ato se desenrola, também tem o seu impacto, como em geral o gênero conto costuma fazer.

    Talvez um parágrafo ou outro um pouquinho mais curto? Ah, sei lá… é muito subjetivo exigir isso. Eu nem sei se eu realmente trocaria algo. Achei o trabalho formidável. Até agora, o meu preferido, SEM DÚVIDA!

  18. Andre Brizola
    14 de setembro de 2021

    Olá, Matador!

    Imagino o imenso trabalho que você teve na composição desse conto. Se para conseguir um enredo minimamente bem escrito eu já fico todo atrapalhado, só de pensar em fazer algo semelhante ao que você fez aqui já fico cansado. Independentemente do resultado final, o que você construiu é obra de um artista com um comprometimento acima do normal. Parabéns.

    A musicalidade das suas construções surge naturalmente. A leitura vem num ritmo próprio, cadenciado, e é dona de uma melodia que é um refresco dentro do enredo, que é trágico, sofrido, digno das melhores (e piores, também) sagas nordestinas e novelas mexicanas. Para coroar as comparações, cito o disco Gemini, da banda italiana Drakkar, em que dois irmãos gêmeos, separados ainda crianças, se encontram numa batalha e um acaba matando o outro.

    O enredo em si, como já comentei, é dramático e teatral, em que destinos se cruzam de forma inverossímil para criar evento catastrófico atrás de evento catastrófico. Algo um tanto brega, se me permite dizer, sem a intenção de diminuir ou ofender. Por outro lado, algo diferente disso teria afastado o conto da tradição do cordel, então penso que as duas características funcionaram bem juntas.

    Mas há um senão aí, que acho que preciso apontar. Ao contrário dos versos de cordel, o conto acaba se alongando demais e, em determinado momento, a musicalidade acaba perdendo um pouco daquela graça inicial. No Ato II os parágrafos são menores, e isso dá uma aliviada para o leitor, mas é fato que quando chegamos aí, o impacto inicial já diminuiu bastante.

    Resumindo, no geral é muito bem feito e idealizado. O enredo foi perfeito para a proposta textual, mas o conto ficou um tanto cansativo em sua segunda metade.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  19. claudiaangst
    13 de setembro de 2021

    O conto aborda o tema proposto pelo desafio.
    O texto é construído na forma aclamada pela literatura de cordel.
    O ritmo da narrativa é conduzido pela cadência das rimas, como se ao leitor se revelasse uma trama cantada.
    O (A) autor(a) arriscou-se ao apresentar um texto elaborado em forma tão peculiar, pois o enredo se estende e pode se tornar um pouco cansativo em algumas passagens.
    Encontrei duas falhas na revisão:
    A morte vem à galope > A morte vem A galope
    eu de ?
    Pois ei de buscá-lo > Pois HEI de buscá-lo
    O(a) autor(a) revela grande habilidade com o manejo das palavras e criação de diálogos cantados.
    Parabéns pela participação e boa sorte no desafio.

  20. Antonio Stegues Batista
    1 de setembro de 2021

    O conto, na verdade é uma história rimada, narrativa de cordel. O enredo é simples, bandido ferido volta para a casa da mãe, ele morre e a mãe mata quem o perseguia. A história está no tema Fora da Lei, mas o desafio é de contos, não literatura de cordel, poesia nem rimas. Portanto, há uma grande diferença em relação aos outros contos, que não tem rimas, tampouco estrutura de peça de teatro, ou narrativa experimental. É o que eu acho. Se fosse um desafio de narrativa rimada, eu daria uma boa nota.
    Me pareceu que foi inspirado no filme de Glauber Rocha, O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Ficou muito bom.

  21. thiagocastrosouza
    1 de setembro de 2021

    Gostei do conto. Bom trabalho com as rimas e na escolha das palavras, o que dá cadência para o texto. Os diálogos acompridados ganham dinâmica neste formato. Do contrário, seria enfadonho. Há um “quê” de teatral na forma como os personagens conversam entre si, não à toa, creio que separou o texto por atos, como numa peça de Teatro, onde o diálogo dirige a ação dos acontecimentos. Aliado à imagem de um filme do Glauber, onde há, propositalmente, essa forma poética e teatralizada na boca dos narradores, não tive desconforto com esse ponto.

    O tema do desafio está na vida do Matador de Dragões, assim como na sina de sua mãe, Silvina Maria, que, ao final do conto, cai numa vida semelhante aquela que o filho levava, não seguindo os próprios conselhos que a ele dava no começo do conto.

    Boa sorte!

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Informação

Publicado às 30 de agosto de 2021 por em Foras da Lei e marcado .
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