EntreContos

Detox Literário.

Filho da Mãe (Mad Dog)

De repente, a mão pesada da inesquecível surra se transformara na palma macia que me acariciou o rosto antes de sair. A última lembrança do pai. Mônica, só me disse, meio sorrindo, que ele estava indo embora por se sentir incapaz de conviver com gente tão excêntrica. Olhei-a intensamente querendo entender aquela palavra nova. Precisei de alguns anos para compreender seu significado. Juntava cacos da cena e reparava que ela estava feliz. Pouco depois daquele inesperado carinho e cantava no quarto: “Não preciso de modelos, não preciso de heróis. Eu tenho meus amigos”. Aquilo era tão esquisito. Ela podia ter tudo, menos amigos. Mãe e solidão eram sinônimas.  

Os homens implicaram com a quantidade de caixas, além das sacolas e as malas. Mônica me deixou em meio às bagagens e sumiu naquele lugar imenso e movimentado. Abraçou-me com toda força o congelante medo. Mais um tempo, que para mim pareceu longo, e retornou com algo na mão que entregou ao motorista. Só então guardaram as tralhas no bagageiro do ônibus. “Vamos passear na casa da vovó”, enfim acomodados, mas ainda estacionados na rodoviária do Tietê, ela me explicou a viagem. A felicidade tinha mudado de pessoa. Cantarolava feliz a música do último desenho da televisão largada no apartamento: “Tem sempre alguém no cosmos ajudando o cavaleiro a vencer”.  

Foi por este tempo que comecei a ver as pessoas em pedaços. Não era com todo mundo e nem sempre que isto ocorria, Mônica, por exemplo, eu sempre vi inteira, toda bela. Da minha poltrona olhava para o motorista lá adiante e ele não tinha braços. O rapaz de óculos redondos na poltrona do outro lado só possuía cabeça e pés. Uma vez, ao fixar o olhar na professora, reparei que ela só tinha o tronco. Nem cabeça, nem pernas, nem nada. Era gorda e tive um inusual acesso de risos com a visão daqueles peitões e barriga flutuando na minha frente. Acho que nem preciso dizer que fui posto para fora da classe.        

“Não bastava a louca da sua mãe nos avacalhar a existência, enchendo-nos de vergonha com seus rolos e confusões e ela chega assim do nada e, pior ainda, trazendo rabo.” Vontade de picar a minha avó em pedacinhos. Ali não era o nosso lugar e eu imaginei a casa ardendo em chamas. Botar fogo em tudo antes da nova partida. As caixas transportadas desde São Paulo continuavam do mesmo jeito quando embarcaram novamente. “Estamos indo para uma cidade linda. Lá nós dois seremos o que nunca fomos: felizes”. Escutava aquelas palavras contemplando embevecido o rosto de Mônica, a mulher mais linda do universo. Que bom que o pai tinha ido embora e que não permanecemos morando com os parentes. Agora, ela era só minha. 

A atração pelo vento é algo que foge do meu controle. Quanto mais forte, maior é o anseio de meter o rosto nele. “Mônica, eu quero entrar num furacão”. Era bem pequeno, incapaz de pronunciar direito as palavras e ela se impressionou com a forma como articulei meu desejo. Sempre dei um jeito de aproveitar o meu companheiro da natureza. Teve um dia de ventania e eu não voltei para a sala depois do recreio. Achei o portão da rua só encostado. Saí correndo, gritando e cantando para o meu amigo. Dizem que tive muita sorte de não ter morrido atropelado. Ao menor sinal da ventania e Mônica saía trancando portas, cerrando janelas e escondendo as chaves.       

Fomos morar em uma casinha azul de dois andares. A primeira do lado esquerdo numa vila antiga em Realengo. Uma tarde, surpreendi-me com o sorriso de Mônica a me falar: “Um amigo do seu pai se encontrará comigo à tarde para me entregar a mesada. Pedirei a ele que providencie sua nova certidão de nascimento. Aí, irei correndo fazer a matrícula na escola aqui de perto. Melhor trocarmos seu nome por enquanto. Como o meu filhinho quer ser chamado, hein?”. A ideia de que teria que frequentar as aulas era angustiante. Ir à escola era ficar longe de casa, distante dela, sem a segurança de ter o amor ao alcance das mãos. Escolhi o nome de Frederico. Fez-me uma reclamação: Acho muito chato você nunca me chamar de mãe”. Optei por permanecer calado. Só lhe sorri com carinho. 

Odiava as escolas, se respeitassem meu jeito de ser e me deixassem quieto… Mas me perseguiam nos recreios, mexendo, rindo e até me batendo. Nas aulas era como se carregasse na testa um imã atraindo a atenção dos professores. Uma noite, Mônica reparou na mancha roxa no meu braço esquerdo e virou onça. Gritou que iríamos juntos à escola e que não procuraria a direção, mas contaria aos cretinos quem era meu pai. Que ele viria para vingar a maldade feita ao filho. Pagariam caro. Até esqueci as dores, mais que do braço, da humilhação sentida. Foi a primeira vez que ela me contou algo sobre o pai. Dormimos e acordei com a ameaça na cabeça. Sentia um misto de orgulho, ódio e medo. Ela agia como se nada fosse diferente. Parti sozinho para o suplício diário.        

Mônica me trazia a compreensão de que o pai era importante e respeitado. Será que nunca sentira a sua falta? Em minha confusão mental me perguntava se aquela recordação teimosa da mão imensa, a me fazer a primeira e última carícia, seria saudade.  Desconhecia as razões da sua partida, bem como também de sua chegada na vida dela. O que experimentei foi a sua frieza, violência e os movimentos da gangorra da fortuna. Lembro-me é das surras, daqueles pés atravessando a sala quase a pisar-me, do estômago sempre a doer, ora empanturrado de chocolate, ora vazio a corroer as próprias paredes. Belos carros, grandes apartamentos, geladeira e despensa abarrotadas e caros brinquedos para me divertir sozinho. De repente, morávamos em algum barracão, comíamos quentinhas, quando havia, e o transporte era de ônibus. Nunca me ensinaram a chamá-lo de pai. Achava que seu nome era Gatão, que era o jeito de Mônica se dirigir a ele. 

Os serviços de psicologia escolar enviavam bilhetes convocando Mônica para reuniões. Olhavam-me esquisito, diziam que eu era o doido da escola. Quando, relutante, atendeu ao chamado, retornou furibunda, brandindo um laudo nas mãos. “Veja os disparates escritos nesse papel. A psicóloga afirma que você é maluco: não sente empatia, despreza regras sociais e normas de convivência, incapaz de sentir culpa pelos erros, mente descaradamente e não constrói relacionamentos. Absurdo isto: a fresca tentando me convencer de que sou mãe de um sociopata.”. Rasgou em mil pedacinhos o relatório. Nas novas escolas mais bilhetes, mas Mônica nem abria os envelopes que eu lhe entregava.        

Minha certidão não continha o nome do pai e só vim a saber como se chamava na adolescência. Fui acordado a porradas. Três homens reviravam tudo, rasgavam sofás e colchões, destruíam travesseiros e almofadas. Fomos amarrados um ao outro enquanto, sussurrando para não despertar os vizinhos, nos agrediam perguntando pelo dinheiro que o filho da puta do Cachorro Doido havia guardado. Mesmo que soubéssemos, de que jeito poderíamos responder se as bocas estavam tampadas pela fita adesiva? Apartamento destruído e a morte em frente. Um deles, a menos de um metro das nossas cabeças, atarraxou à arma o cano grosso do silencioso. Antes de partirem, ameaçaram afirmando nos vigiar e que mesmo que conseguíssemos fugir para nos encontrarmos com o sacana do Paulo, iriam nos buscar nem que fosse nas profundezas do inferno e aí o castigo seria grande: assados feito porcos, até ficarmos esturricados nos pneus dos micro-ondas. 

O dia ia alto quando nos desvencilhamos das fitas. Mônica me mandou ir à rua fingindo que era para comprar pão e observar se os bandidos ainda estavam por lá. Venci o medo. Voltei com a boa notícia e duas mochilas tinham já sido preparadas por Mônica. Saímos depressa e tentando parecer tranquilos, mais uma vez, rumo à rodoviária. Ela escolheu, não imagino seus critérios, novo destino e em pouco tempo embarcamos. Tive vontade de indagar do Paulo, mas me vinham receios de que ela me respondesse que logo ele voltaria para casa. Sentia horror dessa possibilidade, pois que não mais poderia dormir em seus braços.

Grandão, barba já brotando intensa, aparentava mais idade do que meus dezesseis anos. Implorava à Mônica que me deixasse com ela em casa. Prometia estudar através da rede. Afinal, pelo computador aprendia muito mais do que nas aborrecidas aulas. Passados uns meses e a convenci. Estava livre. Não precisaria mais ficar dando bandeira das minhas confusões mentais para professores e alunos e, ao mesmo tempo, ganhava o grande prêmio: podia me dedicar totalmente a ela. Ninguém mais mexia comigo, ou ria do meu jeito. Ao contrário, havia criado meu grupo e nele eu era respeitado. O chefe da gangue.  Levantei que Paulo Cachorro Doido, o grande líder da maior facção criminosa distribuidora de drogas, estava condenado a mais de quinhentos anos em um presídio de segurança máxima.

Quando alcancei a maioridade tinha total domínio dos meandros da rede.  Constatei que a vida é mais interessante na ‘deep web’. Faro para negócios, esperteza e inteligência, alicerçavam meu sucesso.  Identifico-me como facilitador virtual de transações alternativas. Descobri que não existe sapato sem pé. Sempre que alguém queira vender ou comprar algo, ofereço meus préstimos para encontrar e ligar as pontas. Ao contrário da rede comum sobre a qual se tenta ter algum controle, o território da ‘undernet’ é de liberdade plena. Nele não cabem regras. Aliás, há uma só: apagar rastros. Tornei-me conhecido no submundo virtual como Mad Dog. Com a expansão dos negócios e a riqueza em moedas virtuais, passei a ser reverenciado em toda parte.

Um dia me chegou a mensagem do pombo correio da facção de Paulo. Desejava contratar apoio logístico para uma escapada. Não tive dificuldades em sacar que se tratava da fuga de Cachorro Doido. Aceitei o desafio. Só precisava saber a data prevista da ação e onde apanharia a mercadoria, para levá-la, segura, até Beira, em Moçambique.  Passados uns dias, o pombo informou que o produto seria colhido nos arredores de Recife e que a fruta estaria madura em cinco semanas. Vi que dali a dois meses seria carnaval. Enviei mensagem sugerindo que adiassem o projeto e realizassem a transferência durante a festa. Concordaram não só com a data do transporte, mas também com o preço absurdo para realização do negócio.

Reuni gente competente de fora do país e montamos o plano. Um ex-comandante da marinha venezuelana, grande fornecedor de armas, contratou o rebocador de alto mar com tripulação da maior confiança. Navegavam, evitando se aproximar da costa, rumo ao litoral nordestino. Cachorro Doido seria apanhado num subúrbio e levado de helicóptero até o navio a 80 milhas náuticas do Porto. Na semana do carnaval a fuga cinematográfica foi insistente manchete nas televisões e sites de notícias. O Galo da Madrugada desfilava quando a ave voou.  

Mônica não queria acreditar que a deixaria sozinha. O filho que tão raramente saía de casa, que nunca viajava, dizia para ela que fosse forte, que seriam somente dois dias e que era para o nosso bem. Desconfiada de haver mulher envolvida naquela história, fez menção de me perguntar o assunto da estranha viagem no carnaval. Coloquei o indicador em seus lábios e entendeu que eu não iria falar nada. Demonstrando grande preocupação, arrumou-me a pequena bagagem. O carro veio me apanhar na hora acertada e em menos de uma hora o jatinho tinha decolado.  

A última vez que nos encontramos tinha menos de seis anos de idade e naqueles dias me curava da surra tremenda por brincar com a arma apontando-a para o seu peito. Os dois helicópteros levantaram voo praticamente ao mesmo tempo em Natal. Enquanto um rumava na direção de Recife, o meu partia para o mar. Pousei no rebocador com tempo para receber o cão.

Quando chegou pude ver que estava diferente das fotos. Bem gordo e os cabelos ralos e grisalhos. Ainda não era a hora de conversarmos e deixei-o curtir, enfim, a liberdade. Tomou vinho, saboreou whiskies, bebeu cachaça. Foram dias de festa e muita alegria para ele. Só reclamava da falta de mulheres a bordo. Ordenei, passada uma semana, que não lhe servissem bebida. Queria-o lúcido. Esperneou e reclamou da lei seca. Afinal, a Organização pagava caro e exigia tudo do bom e do melhor. Foi nessa hora que lhe falei na nossa língua. Ordenei que se acalmasse, porque no grito, ali em alto mar, ele não conseguiria nada. Questionou-me bastante agressivo: “Quem é você para me falar assim?” Respondi-lhe que amava Mônica e que, por dois motivos ele não poderia seguir viagem conosco. Sacou a armadilha e veio para cima de mim. Dois paquistaneses o agarraram firme, amarrando-o. Vi que não aconteceria a conversa que tinha planejado. O bicho estrebuchava tentando se libertar. Contei-lhe os motivos que impediam sua permanência conosco. “Primeiro que Mônica é só minha e o segundo ponto diz respeito aos socos e tapas no rosto naquele dia em que devia tê-lo matado.” Cachorro Doido, despencava. Sua cara parecia de menino assustado e sozinho diante da gangue rival.   

Tomei o punhal de um chinês e dei um passo adiante. Aquele ventre me convocava. Cravei-o com uma estocada forte no umbigo e arrastei a lâmina para o alto até que a costela freou a subida. Junto com o punhal vieram saltando as vísceras. Cachorro Doido e seus urros foram jogados no oceano. Aguardei o helicóptero e viajamos para uma fazenda próxima à João Pessoa. O piloto tentou conversar, mas me mantive em silêncio. Sorri quando me avisou que iríamos enfrentar vento forte.

19 comentários em “Filho da Mãe (Mad Dog)

  1. Andre Brizola
    26 de novembro de 2020

    Olá, Mad Dog.

    Conto em primeira pessoa em que Frederico relata sua relação com a mãe, seu desenvolvimento em direção à sociopatia, e o desejo de vingança contra o pai, um criminoso condenado.

    Acho que o mérito deste conto é nos mostrar a progressão, o crescimento, da loucura (aqui no caso, a sociopatia) de Frederico. Essa descrição, esse panorama mental do personagem foi muito bem feito e cria o ambiente para o ápice do enredo, o confronto entre ele e o pai criminoso. Aliado a tudo isso, há o provável complexo de Édipo do personagem, que trata a mãe, desde muito cedo, pelo primeiro nome e busca, em todas as situações, uma proximidade sempre muito grande com ela.

    Mas devo dizer que senti uma dificuldade muito grande de me conectar com o texto. Frederico é um personagem difícil de apreciar. Ele não tem o “charme” de outros psicopatas da literatura, cinema ou quadrinhos. Ele não é carismático. Na verdade, ele é bem antipático com toda a arrogância com que narra, embora chegue mesmo a misturar um pouco os focos da narrativa (começamos de forma mais emocional, com as situações com o pai, nos colégios, com a avó, e depois, sem muita conexão, partimos para algo quase cinematográfico, com gangues, helicópteros, assassinato).

    No geral acho que ele funcionaria mais se fosse em direção ao caminho mais agressivo, da vingança e da sociopatia. Da forma como ficou, com esse foco dividido, não me conquistou.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  2. Fheluany Nogueira
    26 de novembro de 2020

    Da perspectiva de adulto, o protagonista narra sua infância sofrida, o relacionamento com a mãe e o abandono do pai, como se justificasse sua atual vida criminosa na deepweb e o assassinato do pai.
    O pseudônimo e o apelido do protagonista fazem referência a um jogo eletrônico: o vigarista Mad Dog e seu bando de assassinos sanguinários tomaram conta da cidade. O conto segue a linha do thriller, caracterizado por uma atmosfera de suspense, visual, ritmo ágil, personagens estereotipados, cenas chocantes.
    Trabalho interessante. Sorte no desafio! Abraço.

  3. Ana Maria Monteiro
    25 de novembro de 2020

    Olá, Autor.
    Resumo: O relato da vida de Frederico desde a infância, em que foi abandonado pelo pai, até à idade adulta, em que acerta as contas, matando-o. Pelo meio, Frederico tem um profundo complexo de Édipo em relação à mãe, uma adolescência atribulada em que as mudanças de residência se sucedem e uma grande ascensão na vida criminosa através dos submundos da deep web.
    Comentário: O conto é estranho, pois os contornos não são definidos. O protagonista afirma que é doido, mas os fragmentados que oferece vêm de terceiros (os colegas que riam, as professoras que reclamam…) mas nada de estranho é relatado além do seu complexo de Édipo exacerbado, isso não é loucura nem justifica as tais reações externas.
    A mãe, sim, parece ser um pouco louca e ter um comportamento errático mas, uma vez mais, pouco ou nada corrobora essa impressão vaga que se tem.
    Também o caráter dos personagens não é claro nem definido, o leitor fica ali no limbo, sem perceber muito bem.
    Frederico torna-se, nas suas próprias palavras, um “facilitador virtual de transações alternativas”, o que pode indicar uma pessoa sem escrúpulos, mas nada que não seja comum em indivíduos mentalmente sãos, que é, aliás, a perceção que se tem dele durante toda a leitura.
    No final mata o pai, é um assassínio por vingança, acontece. Além disso, a primeira e segunda parte do conto são absolutamente distintas, dá ideia que o autor começou a escrever num dia e continuou mais tarde, optando por um caminho diferente do que inicialmente se propusera,
    Sendo a leitura fácil, houve passagens que tive de ler duas vezes para perceber uma ou outra frase, isso indica que o autor deve ser pouco experiente ainda, pois a revisão até nem está má, é sobretudo uma questão de articulação na sequência das palavras.
    Em minha opinião teria resultado melhor se a mãe enlouquecesse com o desgosto e as dificuldades que enfrentou após ser abandonada pelo pai e que Frederico se desenvolvesse tal e qual como desenvolveu e culpando o pai pelo estado da sua adora mãe, acabando por matá-lo como forma de se vingar disso mesmo. Penso que teria sido mais coerente enquanto um todo e também mais adequado ao tema do desafio.
    Continua a ser uma história que denota criatividade e capacidade de desenvolvimento de um escritor que, acredito, seja ainda jovem.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. Fabio Monteiro
    25 de novembro de 2020

    Resumo: Personagem obcecado pela mãe sofre com um transtorno que pode ter sido causado pela ausência do pai. O ódio pelo pai é tanto que ao final ele acaba se vingando pelas dores vivenciadas.

    As bases para a formação do caráter estão no que aprendemos com nossos pais ainda na infância. Por mais doloroso que seja esse aprendizado possa ser, é ele que nos conduz as boas praticas morais.

    O texto mostra um rapaz que tem um apego exagerado pela mãe. Ele a trata como se fosse sua mulher, sua propriedade. É nítido o carinho, mas há uma transferência de sentimentos deturpados e confusos.
    O pai é um mal elemento nos mais variados aspectos.
    A mãe, péssima educadora.

    O ódio do personagem vai crescendo conforme entendemos a narrativa. A vingança lhe parece ser um prato cheio.

    Personagem perigoso com transtornos variados. Em alguns momentos achei que ele fosse um demente. Errei piamente. Demência não é uma de suas características. O personagem é muito esperto para carregar esse tipo de patologia.

    O desenrolar da historia é confuso pelo excesso de informações. Talvez se dividido em capítulos estivesse mais fácil a compreensão.

    O texto é bom. Atinge com excelência o objetivo do tema proposto.

    Eu gosto de me sentir parte do texto de alguma forma e neste não encontrei a combinação perfeita, seja cenário, personagem, contexto ou o clímax da historia. Evidentemente isto é pessoal.

    De toda forma.

    Boa Sorte autor(a)

  5. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: A história de vida de Frederico, um rapaz que cresceu sendo chamado de maluco, e fez sua vida na internet com negócios clandestinos. Tem a oportunidade de encontrar o pai do qual não se lembrava e decide resolver de uma vez por todas os problemas com o pai.

    Olá, caro autor.
    Seu conto e bem escrito, fiz até uma postagem no EC falando que você me fez ouvir pegasus fantasy enquanto lia. Sua história vai se desenvolvendo como um filme, daqueles de ação hollywoodianos, mas achei que ficou um pouco confuso. A loucura, propriamente dita, não existe no conto. Existe uma pessoa com um transtorno de sociopatia, mas a trama em si não tem esse ponto da loucura com objetivo principal. É mais a história de Frederico em busca de resolver sua situação. Mônica também aparece bastante, mas não de forma efetiva pra causar uma conexão.
    No fim, achei que teve muita informação e pouca resolução, e o tema principal do desafio ficou posto de lado.
    De qualquer forma, parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  6. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá autor. Gostei do seu conto, que narra a história de um homem com distúrbios mentais que descobre que é filho de um mafioso e que consegue vingar-se do mesmo pelo facto de os ter abandonado.
    O conto é extremamente visual, parecendo-se demasiado com os muitos filmes e séries de mafiosos. Cai facilmente em estereótipos e não consegue construir uma personagem coerente, que salta de um estado de fragilidade extrema para a libertação de um mafioso de uma prisão de segurança máxima. Isso funcionaria bem num filme de digestão fácil.

  7. opedropaulo
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: Crescendo bem próximo à mãe e sem pai, Frederico eventualmente se troca o “facilitador” Mad Dog, fazendo uma carreira na internet que o leva de encontro ao pai, uma vez o seu carrasco. Então se vinga, enfim.

    COMENTÁRIO: Tive a impressão que o conto não soube exatamente que estória queria contar, pois iniciamos a partir da última memória do rapaz quanto ao seu pai e então acompanhamos o seu crescimento junto à mãe, mesmo momento em que mostra os primeiros sinais de distúrbio e começa a passar por problemas na escola. Como a primeira metade do conto se desenrola nesse meio, introduzindo a mãe e até a avó, bem como a situação escolar, imaginei que o enredo se encaminharia por aí. Entretanto, há uma virada brusca quando o personagem entra na adolescência e a estória assume até um tom de thriller criminal, com deep web, helicópteros, traficantes e fugas, que reconecta o personagem à imagem do seu pai, marginal ao longo do texto e de volta no final, chegado e saído sem causar grandes impressões, o que é ruim, já que sua morte é o que encerra o conto. Quanto à abordagem temática, pareceu-me um detalhe da narrativa mais do que um elemento realmente importante da trama. Acredito que se tivesse focado na infância do personagem ou na adolescência, aí atribuindo mais importância ao pai do personagem, a estória teria se encaminhado melhor. Apesar dessa crítica, é claro que o conto tem pontos positivos, sobretudo no uso da primeira pessoa, apresentando um personagem verossímil, e na escrita ágil, que nos levou a tantos lugares sem dificuldades e mantendo o texto, em maior parte, fluido. Para mim, o principal problema se refere ao enredo.

    Boa sorte.

  8. Fernanda Caleffi Barbetta
    18 de novembro de 2020

    Resumo
    Garoto com problemas mentais, muito apegado à mãe, é abandonado pelo pai traficante e cresce tentando descobrir quem ele era. Passa a atuar no mundo das drogas e da ilegalidade até que encontra seu pai e o mata.

    Comentário
    Seu conto é bom, gostei da ideia, da forma como desenvolveu os personagens, da linguagem utilizada.

    O primeiro parágrafo ficou bem confuso por dois motivos, um deles é o uso equivocado da vírgula em “Mônica, (tirar a vírgula) só me disse, meio sorrindo”, o segundo é o fato de não explicar logo de cara que ele chamava a mãe pelo seu nome. Precisei ler algumas vezes para entender.
    O texto se dividiu em duas partes bastante distintas no que se refere ao enredo e também à técnica. Parece que foi escrito por duas pessoas diferentes. A segunda, por um escritor mais experiente, pois o conto foi melhorando após os primeiros parágrafos. Gostei mais do ritmo da segunda parte também.

    O texto tem ótimas construções, trechos bem pensados. Você utiliza muito bem a linguagem apropriada para este tipo de texto.

    “Até esqueci as dores, mais que do braço, da humilhação sentida.” – muito bom

    “O dia ia alto quando nos desvencilhamos das fitas. Mônica me mandou ir à rua fingindo que era para comprar pão e observar se os bandidos ainda estavam por lá” – um pouco incoerente esta ideia de fingir que vai comprar pão… na minha opinião, claro.

    Encontrei deslizes gramaticais, como:
    “Pouco depois daquele inesperado carinho e (trocar o e por uma vírgula) cantava no quarto”
    “Não era com todo mundo e nem sempre que (tirar o que) isto ocorria, (talvez um ponto final aqui fique melhor) Mônica, por exemplo, eu sempre vi inteira, toda bela.”
    “Cachorro Doido, (tirar a vírgula) despencava”

    Gostei bastante do final. Muito bem escrito, bem descrito, fluido, ágil. Muito boa a ideia do vento e a forma como utilizou isso no finalzinho. Muito boa a sacada. Parabéns.

  9. Elisa Ribeiro
    17 de novembro de 2020

    A história de um psicopata desde o seu abandono pelo pai na infância até a vingança finalmente consumada, passando por sua relação edipiana com a mãe e seu mergulho na deepweb.

    A história é contada pela voz do protagonista já adulto. A princípio o relato soa ligeiramente desconexo, gerando certa tensionamento narrativo, as lacunas impulsionando o interesse do leitor. Quando o personagem chega à adolescência a narrativa fragmentada cede lugar às aventura do jovem contraventor como elemento impulsionador do interesse do leitor.

    A estratégia é boa, mas, embora sutil, me causou certo estranhamento a mudança, digamos, de estilo do narrador. Nada, porém, que comprometa a experiência agradável de leitura que sua narrativa ágil proporcionou.

    O texto me pareceu muito bem revisado.

    Embora a ideia do final, com a retomada do vento e tal, tenha me agradado, ele me soou brusco, Penso que numa revisão caberia arredondar com pelo menos mais um parágrafo esse fecho do conto.

    O que gostei: o enredo cheio de movimento e ação e a agilidade da narrativa.

    O que não gostei: há uma quebra muito marcante no seu texto deixando a sensação de que duas histórias foram contadas: a da infância do personagem até o diagnóstico da psicóloga e do jovem malfeitor que acaba conseguindo se vingar do pai. Como resultado, a coesão do texto resta um pouco prejudicada.

    Parabéns pelo trabalho.

    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  10. Leda Spenassatto
    16 de novembro de 2020

    Resumo :
    A doce vingança de um filho, matar seu pai.

    Resumo:
    Frederico guardou consigo a lembrança das surras sofridas , quando criança. Um pai bandido que agredia mãe e filho.
    Cresceu apegado a sua mãe, desprezando o seu pai. Até o dia que armou um plano infalível, acabar com aquele que foi a razão da sua infelicidade.

    Um conto legal, bem escrito, com apenas um ou dois deslizes na gramática. Mas que passou muito bem a mensagem que você propôs, Filho da Mãe.

    Adorei a sua história! Obrigada por me proporcionar um pouco da loucura que nos permeiam no dia, a dia.

  11. Giselle F. Bohn
    16 de novembro de 2020

    Garoto com infância complicada e obcecado pela mãe torna-se um criminoso, seguindo os passos do pai ausente.
    O conto é bem legal. Gostei do enredo e do ritmo. O que apenas me incomodou mesmo foi que, na minha opinião, houve um certo excesso de informações: a violência, a relação estranhamente obsessiva com a mãe, a vida desregrada, as constantes mudanças, o bullying, a aparição dos inimigos, a entrada no crime através da deep web, a descoberta da vida criminosa do pai, até o desfecho final Tarantinesco. Há material aqui para um novela, mais do que para um conto; acho que um enredo mais enxuto faria a história ganhar dramaticidade. Mas essa é apenas a minha opinião, o que não quer dizer muita coisa…
    Tecnicamente é bom, mas eu sugiro que reveja a questão “vírgula separando sujeito e verbo”, porque esse foi um descuido que aconteceu durante todo o texto, como, por exemplo, aqui: “Mônica, só me disse, …” ; aqui: “Faro para negócios, esperteza e inteligência, alicerçavam meu sucesso.”; e aqui no fim: “Cachorro Doido, despencava.”
    O final foi bem legal. Fechou com chave de ouro! 🙂
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  12. Josemar Ferreira
    14 de novembro de 2020

    Filho da Mãe, a estória de um garoto que deseja e que tem amor pela figura materna, ao passo que repudia a figura paterna. O conto revela a trajetória de alguém com traços de psicopatia, a projeção de um indivíduo que se configura por tantos eposódios adversos, de agressões física e psicológica. A narrativa proporciona um bom fluxo de leitura. Eu achei interessante que Mônica não necessariamente seja a mãe biológica do protagonista. O final do conto parece revelar uma vingança e um conforto ao protagonista após executar o Cachorro Doido, seu pai.

  13. Anna
    12 de novembro de 2020

    Resumo : O protagonista passou por muita coisa ruim durante a infância e adolescência. Acaba por se tornar um criminoso que opera pela deep web. O pai dele também é fora da lei e o protagonista parece sentir amor carnal pela própria mãe.Acaba por matar um pai como forma de vingança pela falta de presença e por o considerar um rival em relação a mãe.
    Comentário : O conto é extremamente pesado, seria interessante caso eu gostasse de contos de conteúdo mais problemático mas eu confesso que o conto me fez refletir sobre quanta dor alguém pode suportar antes de se corromper e perder a própria identidade.

  14. Bianca Cidreira Cammarota
    11 de novembro de 2020

    Relato da vida de um psicopata, desde sua infância inconstante física e emocional (fixação erótica com a mãe e ódio ao pai), chegando à vida adulta como um negociador de negócios obscuros na deep web.

    Complexo de Édipo em sua máxima expressão. O protagonista chamar a mãe pelo nome (Mônica) a coloca em um patamar de objeto erótico viável, mas sem a consumação sexual. O ódio ao pai, nesse caso, parece haver base real nas surras e no distanciamento afetivo. A psicopatia, condição inata, é reforçada pela mãe, que se nega a enxergar a doença, e ainda estimula o exclusivo relacionamento entre ela e seu filho.

    Filho da mãe é um título mais do apropriado, pois abarca vários sentidos. Boa sacada, autor(a)!

    A descrição da infância sob o olhar do protagonista é clara e envolvente, expondo ali os traços psicopáticos de fixação na figura materna, de isolamento, de consciência de sua diferença, de determinação, de falta de empatia e de inteligência.

    O ritmo é ágil, quase cinematográfico – o texto me parece um misto de conto e script. Não se sei em virtude do limite de 3000 palavras, a passagem da infância para a adolescência e construção de seu novo eu na deep web ficou sem maiores detalhes, ou se foi opção do autor. Teria gostado de ver essas etapas mais detalhadas; no entanto, a rapidez nessa passagem não prejudicou a condução do enredo.

    Amor e ódio. Duas fixações, de forças extraordinárias. Na minha opinião, o ódio ao pai permaneceu latente, à espera do desfecho e retribuição, já que, logo que houve a oportunidade de se vingar do pai, o protagonista não hesitou. Interessante que, nesse caso, o ódio se sobrepôs ao amor da mãe, pois o protagonista empreendeu uma jornada arriscada para sua revanche ao pai e poderia não retornar ao seio materno.

    Ótimo texto – seria ótimo em um curta-metragem… pois você conseguiu transpor as imagens das cenas muito nitidamente!

    A morte do pai foi descrita fria e assertivamente, consoante com a personalidade do protagonista. Cena chocante! (muito bem feita!).

    Parabéns, autor(a)! Excelente texto! Domínio do argumento. Penso que você tinha o “filme” pronto em sua mente quando escreveu o roteiro!

  15. Lara
    11 de novembro de 2020

    Resumo : Um garoto passa a infância e adolescência conturbadas por ser filho de um fora da lei. Quando cresce entra no mundo da malandragem virtual e acaba por matar o pai.
    Comentário : O conto é assustador. Fiquei surpresa pelo protagonista ter matado o pai, eu imaginava que iria ser um encontro emocionante e cheio de perdão.

  16. Angelo Rodrigues
    10 de novembro de 2020

    Resumo:
    Menino cresce em um lar conturbado. Cresce, se envolve na deep web, aprende a manusear as malandragens do mundo e acaba matando o pai.
    Comentário:
    Legal o conto. Achei que via Jason Stathan aprontando em navios e coisa e tal.
    Tem um enredo que fala uma língua cinematográfica, que pode ser mais bem trabalhada, uma vez que há passagens que pouco explicam a evolução do garoto: na infância, o mal do garoto é subjetivado; na idade adulta ela é real. Isso criou, no meu entender, uma dicotomia na condução da personalidade confusa do moleque.
    Um misto de complexos: um amor estranho pela mãe, Mônica, um ódio visceral pelo pai; a inadaptabilidade, o silêncio, o medo de ir à rua.
    Digo que o texto adquiriu uma abordagem cinematográfica particularmente pelos cortes, pelas sequências sem muitas explicações, afinal, no cinema, as coisas são como são.
    Um nascido psicopata que se especializa em crimes virtuais, de repente, está pronto para crimes reais. Um cinema.
    Boa sorte no desafio.

  17. Thiago de Castro
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Garoto cresce distante do pai que o maltratava, numa infância e adolescência instável. A consequência desemboca numa terrível e inimaginável vingança.
    Comentário: Conto interessante, parte da premissa que uma infância desestruturada, junto com a falta de percepção para um diagnóstico de loucura pode ter consequências fatais. Há uma série de elementos que se agregam na equação de loucura do pernsonagem: um amor/paixão/ obsessão por Mônica, que se recusa a chamar de mãe; o desentendimento da sua condição;instabilidade financeira; problemas escolares.
    Achei apenas um pouco abrupta a virada violenta do personagen, para não dizer surreal a forma como se tornou um comerciante ilegal na deepweb, mas em tempos de reclusão digital, não duvido de nada. Quando digo que a virada foi abrupta, é no sentido que não vi o personagem praticando atos de psicopatia ou violência na infancia (sei lá, dissecando um gato, por exemplo), então toda sua malícia e vingança me pareceu chocante.
    Mas o texto tem um ritmo bom e o final é marcante, bastante visual.
    Boa soete!

    • Thiago de Castro
      10 de novembro de 2020

      Desculpe os erros, digitei pelo celular e não revisei como deveria.

  18. Anderson Do Prado Silva
    9 de novembro de 2020

    Resumo:

    Garoto sofre violência doméstica e, adulto, se vinga do pai.

    Comentário:

    Achei bons tanto o domínio da língua quanto da narração! Para usar um termo que aparece no texto, o enredo me soou “cinematográfico” e, portanto, bem diferente de tudo o que apareceu no desafio! Senti como se estivesse assistindo a um filme de ação! Adorei o título! Deparei-me com alguns excertos criativos, divertidos e inteligentes!

    Para o texto ficar melhor, faltou, na minha opinião, enxugar um pouco os parágrafos longos, inserindo diálogos. Faltou uma ou outra vírgula aqui e acolá.

    Ah, lembrei de última hora: adorei a cena do estripamento! E gostei do finalzinho com a questão do vento!

    Parabéns pelo texto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.