EntreContos

Detox Literário.

A chave do Paradiso (Misery White)

Asdrúbal despertou caído no quarto. Dor de cabeça. Olhou para cima, achando o responsável: “maldito batente ”. Tonto, olhou ao redor, tentando situar-se. Pela corrente de ar, deduziu: “o buraco na parede… ainda não consertei essa porra.”

Batidas na porta. Asdrúbal foi atender.

– Fala, Duba! Tudo certo? Que cara é essa?

– É… ressaca…

– Hoje marcamos de ir lá na Paradiso, lembra? O caso do vereador que sumiu…

– Vereador? É… acho que lembro. 

Logo, o detetive Asdrúbal e o sargento Jesus estavam diante da casa noturna da cidade. Uma construção antiga, como a maioria por lá. As portas de madeira eram decoradas por um letreiro neon que àquela hora da manhã estava apagado, nele: Paradiso Club.

O gerente veio recebê-los. Tinha olheiras fundas nos olhos, o caso devia estar tirando-lhe o sono. Pudera, há tempos não havia desaparecimentos ali, mas agora, um vereador da cidade!

A polícia estava batendo cabeça para solucionar o sumiço do político e, mais uma vez, chamou Asdrúbal para auxiliá-la no caso.

Asdrúbal estava com dor de cabeça e não gostava dali. Achava imoral e ilegal a própria existência do estabelecimento, mas dado o dono ser um importante deputado da capital, vistas grossas eram feitas e o negócio prosseguia, próspero.

– Querem falar com as meninas?

– Sim – respondeu o Sargento Jesus.

– Ainda não – corrigiu Asdrúbal – Primeiro quero dar uma olhada pela casa.

Juntos, os três visitaram cada cômodo do estabelecimento. Asdrúbal olhou minuciosamente cada canto até, por último, ser levado ao quarto onde o vereador foi atendido. Ao entrar, algo imediatamente chamou a atenção do detetive. 

O quarto era simples: uma cama e um pequeno banheiro. Mas o que reparou estava no canto oposto da cama: uma junção de três paredes, formando uma quina. Mas não um ângulo comum, havia algo errado ali. O teto descia abruptamente até se juntar às paredes laterais, formando um desenho em Y, meio torto. Definitivamente, um erro de construção.

– Quarto estranho… – observou Jesus.

– Sim… esse é um dos mais esquisitos. A casa é velha… você sabe como são os prédios da cidade.

Asdrúbal conhecia a inusitada arquitetura local. Em seu próprio apartamento, o nível do piso do quarto era mais alto que o da sala, gerando aquele ridículo degrau entre ambos, que o fazia constantemente bater com a cabeça no batente da porta.

– Preciso de um tempo sozinho aqui.

Quando o policial e o gerente saíram, Asdrúbal sentou-se na cama, encarando o estranho ângulo das paredes. 

– Asdrúbal! Tá tudo bem? Você já está há vinte minutos aí.

O detetive pareceu acordar de um transe. A cabeça latejava de dor, estava insuportável. Precisaria deixar o interrogatório dos funcionários para o dia seguinte.   

No outro dia, estava na boate novamente, conduzindo entrevistas com os funcionários. 

Ouvindo todos, conseguiu reconstruir bem o que acontecera na noite do sumiço: O vereador chegou à casa, foi direto à sinuca, como de costume. Jogou, bebeu, flertou com algumas meninas até escolher uma, foram para o quarto estranho, depois disso, ninguém mais o viu.

Na verdade, todos disseram que o viram sair do quarto e ir embora. Os relatos seguiam idênticos até o momento da entrada no quarto. Daí uns diziam que ele saiu uma hora, outros, outra hora. Asdrúbal acreditava na história até o vereador entrar no quarto, a partir dali era uma incógnita. Contudo, ainda interrogaria a testemunha-chave: A moça com quem o vereador teve relações.

– Como se chama?

– Evach.

– Pelo visto, naquela noite o vereador não queria sexo, estava aqui apenas pra jogar e beber. O que o fez mudar de ideia?

– Eu fiz.

– Como?

– Se eu te contasse, tu mudaria de ideia também, detetive.

Asdrúbal engasgou, mas se recompôs, ignorando a provocação.

– Pode me contar como foi a noite?

Evach passou a explicar a mesma história que o detetive já ouvira, mas Asdrúbal mal prestava atenção. Estava mesmerizado pela mulher.

Morena, dotada de olhos negros e profundos, comparáveis somente à cor dos próprios cabelos. Seus lábios se moviam num ritmo hipnótico. O nariz arrebitado, o queixo gracioso… A mulher era perfeita. Asdrúbal não sentia atração por prostitutas, pelo contrário, sentia-se desestimulado ao sequer cogitar pagar por sexo. Mas aquela mulher parecia espantar seu preconceito para longe. E seu juízo.

Quando Evach terminou seu relato, Asdrúbal estava novamente com dor de cabeça. A desejava com tanta força que a ânsia refletia em seu corpo em forma de dor. Ficou de voltar outro dia.

 A noite não lhe foi tranquila. Sonhou que transava com Evach, sendo constantemente espionado pela estranha quina do quarto. Asdrúbal acordou pela manhã envergonhado por ter tido sonhos tão joviais, mas sobressaltado: “Ela com certeza está escondendo algo! Preciso voltar lá”.

De volta à Paradiso, o detetive convocou Evach novamente para interrogatório, desta vez, no famigerado quarto. Estava sentado de frente para a mulher e sobre o ombro dela, podia ver a enigmática quina do quarto. Espreitando-o.

– … E aconteceu algo estranho ou diferente naquela noite?

– Bem… eles sempre agem estranho quando tão comigo.

– O que aconteceu de estranho?

– Bem…. ele ph’nglui mglw’nafh…

– Hã… desculpa, pode repetir?

– Claro. Eu disse que o vereador ph’nglui mglw’nafh, fhtagn.

– Nafh, fhtagn? – perguntou Asdrúbal, curioso.

– Sim, mas depois foi embora.

– Entendo… mas h’ee-l fai throdog uagah?

– Aye, y’ai’ ng’ngah.

Nesse momento, o Sargento Jesus entrou no quarto. 

– O que vocês estão falando? Não entendi nada!

– Eu estava contando pro detetive como foi a noite do vereador.

– Sim – arrematou Asdrúbal, pensativo – não tenho mais perguntas. Vocês podem sair por um instante? Preciso pensar.

Evach e Jesus saíram do quarto, deixando o detetive olhando para a insólita quina da parede. 

O ângulo pintado num pálido amarelo mexia com ele. Aquilo poderia ser a resposta. Contudo, não poderia conduzir suas investigações ali. Precisava reproduzir a construção em local seguro, onde pudesse levar o tempo necessário em ilações e ponderações. Asdrúbal sacou o celular do bolso e ligou a câmera.

De novo em seu quarto, o detetive tinha tudo o que precisava para a investigação. Tirara fotos das paredes e da quina do estranho quarto da boate e depois de imprimi-las, prendera-as pelas paredes, como referência. Ao seu lado, havia placas de gesso, massa e mais uma dúzia de ferramentas necessárias para a construção.

Asdrúbal tinha um brilho no olhar.

– Mãos à obra! 

Agora, o detetive jazia sentado diante de seu trabalho. Finalmente havia consertado o buraco na parede de seu quarto, mas fora além: reproduzira com perfeição o ângulo do quarto da boate. Estava orgulhoso do feito. Custara-lhe apenas algum dinheiro, dois dias e algumas reclamações dos vizinhos, mas estava pronto!

Diante da exótica quina, pôs se a esperar. As respostas viriam.

A noite começava a cair. O detetive ficara imóvel observando ângulo o dia inteiro sem, porém, nada acontecer ou ter qualquer anunciação, algo estava errado. Súbito, a resposta lhe ocorreu: “A cor!” 

Na boate, as paredes tinham uma cor amarelada. Em sua casa, apenas ficara o branco do gesso misturado com o cinzento da argamassa, óbvio que não funcionaria, a cor estava errada!

Assim, saiu para comprar tinta.

Voltou mais de uma hora depois, fora difícil achar alguma loja aberta quase à meia-noite. Mas antes de entrar em casa, se deu conta de algo preocupante.

Se aquela quina, reproduzida como a do quarto da boate fosse alguma espécie de porta ou portal, seja lá o que fosse, que teria levado o vereador, poderia estar ali. Percebeu que construíra em sua própria casa um portal que poderia trazer qualquer pessoa ou ser inimaginável. Ficou ali ruminando as possibilidades.

Ásdrubal resolveu entrar no apartamento. Nenhum sinal de vida. Afastando a cortina, percebeu o sol já raiando, mas não lhe deu atenção; ainda tinha muito trabalho para fazer.

O sargento Jesus estava prestes a bater, mas percebeu a porta aberta e entrou no apartamento.

– Duba? Você Tá aí? 

Nenhuma resposta veio. Jesus avançou pelo apartamento. A porta encostada e o sumiço do colega não eram normais. O apartamento estava morbidamente quieto, e fedia. O colega devia ter relaxado na faxina, tal a paranoia que estava na investigação sobre o vereador. O policial se aproximou do quarto.

– Duba?

Encontrou o detetive sentado no chão, no meio de uma bagunça de ferramentas, latas de tinta e poeira de obra. O colega estava estático, com o olhar cravado numa estranha construção que fizera no quarto. Uma construção que lhe parecia familiar…

– Asdrúbal! Acorda, homem! – Jesus sacudiu os ombros de Asdrúbal, tirando-o do transe.

– Quê? – respondeu ele, sonolento – Suas feições pareciam ossudas, meio desnutridas. Estava deveras mais magro.

– O que aconteceu? Você não entrou em contato… o porteiro lá embaixo disse que da última vez que te viu você estava saindo à noite pra comprar tinta, já tem três dias…  O que está fazendo? 

– Eu estou quase, Jesus… quase! Eu construí a porta, mas por algum motivo, ninguém sai dela… eu fiquei aqui o tempo todo, não tirei o olho, mas nada apareceu…

– Acho que você não está bem Asdrúbal… Tá aí todo mijado, não come, não trabalha… acho que precisa de ajuda. Deixou a porta aberta, sem a chave…

Uma luz brilhou nos olhos de Asdrúbal. 

– É isso! É ISSO!

– Isso o quê, tá louco?

– Você pode construir a porta, mas nada vai abri-la se não tiver uma chave! Preciso da chave! E eu sei onde está! 

– Do que você tá falando, cara?

– Eu preciso da chave, aí vou poder entrar, encontrar o vereador e pôr um fim nesse caso! – Asdrúbal, antes inerte, agora se movia energicamente pelo quarto, indo em direção à porta.

– Espera, aonde você vai?

– Uma porta não abre sem a chave, Jesus. Eu vou resolver esse caso!

Logo, Asdrúbal estava de volta à Paradiso. Não se sentia à vontade, mas tinha uma missão.  A boate já voltara ao funcionamento normal e ele estava no balcão do bar, aguardando-a. E ela apareceu: Evach.

– Detetive? O que faz aqui? Veio me interrogar de novo?

– Quase isso… – o olhar dele era penetrante, ávido – quero que você me faça mudar de ideia.

– Tem certeza? – os olhos negros se estreitaram, perigosos e sedutores – Se você vier, não tem volta…

– Eu quero. Agora. Naquele quarto.

Evach sorriu e inclinou-se sobre ele: – Eu vou fazer você querer voltar sempre!

Evach beijou sua face procurando sua orelha. Asdrúbal sentiu a língua úmida da cortesã invadir seu ouvido, lhe conferindo um prazer inédito.

O tesão aumentou e, se livrando dos últimos pudores, o detetive agarrou firme nas ancas da mulher furiosamente empurrando sua pélvis contra a dela, arrancando-lhe um gemido lascivo. Evach rebolava em cima dele. Asdrúbal fechou os olhos, regojizando-se. Sentiu os dedos dela desbravando os pelos de seu peito mas, quando voltou a olhar, chocou-se. Horríveis tentáculos violáceos serpenteavam pelo seu peito e barriga. O horror se uniu ao prazer criando uma combinação aterradora, e irresistível. Assustado, notou que os tentáculos asquerosos, brotavam dos pulsos dela ao invés das mãos. Dúzias deles.

A visão do detetive começou a desfocar. Sua vista oscilava. Sua mente enfrentava aquele misto de repulsa e deleite, e ele segurou a cintura da mulher, mas a pele, antes suave e bronzeada, agora parecia coberta de escamas, pegajosa ao toque. Suas mãos subiram pelo corpo monstruoso passando por costelas aparentes sob a pele cinzenta, chegando ao primeiro par de seios. Primeiro par, pois logo acima se encontrava um novo par, e acima destes, outro. Três pares de seios rotundos, balançavam ao sabor da dança que perpetravam. 

Asdrúbal piscou, e seus olhos viram novamente a pele bronzeada de Evach, e seu rosto encantador. Mas após nova piscadela, viu uma cara totalmente medonha no lugar. Na cabeça alongada, a boca estava aberta, praticamente uma fenda que dividia o rosto em dois hemisférios, exibindo dentes triangulares e serrilhados. Os olhos eram duas chamas cruéis, revirados pelo gozo. Das costas, brotava um par de enormes peles secas, raiadas de nervos negros.

Ora ele via Evach, angelical e perfeita, ora via Evach, o ser horrendo que praticamente o estuprava. O homem não aguentava mais e, súbito, a mulher- criatura que o cavalgava se contorceu e emitiu um guincho horrendo. 

Uma luz amarelada iluminou as costas do monstro trepado sobre ele. Num rompante de adrenalina, Asdrúbal reuniu todas as forças que tinha para jogar a criatura de lado e olhar para a quina. A luz vinha de lá. Do chão, Evach gritou assustada:

– O que foi isso? Tá maluco?

Asdrúbal não lhe deu atenção nem para notar que a mulher parecia normal novamente, afinal, ele estava certo. Ela era a chave, e agora, a porta estava aberta. 

Nu, o detetive se precipitou para o ângulo que emitia a luminosidade e mergulhou de cabeça, se arriscando a um traumatismo caso atingisse a alvenaria.

Mas não atingiu.

Asdrúbal se viu caindo num abismo cinzento e gelado. Coisas se formavam ao redor, mas não sabia discernir ou nomeá-las.  Despencava por um labirinto de espaço hiperbólico, entrando em curvas que não deveriam existir e caindo em direções incompreensíveis. Viajava através do inimaginável.

Viu um túnel se aproximando. Um imenso túnel em forma de minhoca aparentando quilômetros de extensão.  A boca do túnel agora estava próxima e o homem se preparou para a escuridão total, mas assim que entrou, saiu do outro lado, como se o túnel tivesse apenas alguns centímetros de profundidade, como o batente de uma porta.

Agora, não mais caía, mas progredia adiante. Sentia como se uma mão gentil, mas incisiva, o empurrasse. Flutuava por uma planície negra e estéril.

O céu era vasto, ornado por nuvens cinzentas e em estranhos formatos espirais. Uma única estrela brilhava à distância, amarela e morta. Minúscula e gigantesca. Maléfica.

– Aldebarã…. – As palavras escaparam involuntariamente da boca de Asdrúbal.

Pairava sobre cânions de precipícios profundos e sinistros, onde o próprio escuro no fundo parecia ter propósitos malignos. Ao longe, divisava pináculos e minaretes, que duvidava terem sido criados pelo mero acaso da natureza. Enxergava torres disformes e ângulos impossíveis se formando perto e longe, desafiando sua inteligência e já comprometida sanidade. No horizonte, uma montanha sombria e ciclópica parecia se colocar em seu caminho. 

Foi quando sentiu uma sensação horrorosa de estar sendo observado. Sua existência ali estava errada, possivelmente ofendendo alguma entidade louca e inominável que ali residisse. No horizonte, a montanha revelou torres espiraladas que se erguiam até o céu cróceo. Não era uma montanha, era um castelo, que agora se aproximava, titânico, assomando sobre ele. O castelo era gigantesco, relâmpagos escarlates estalavam acima de seus remotos picos, lhe conferindo um aspecto ameaçador. 

Em meio a seu voo desregrado, Asdrúbal debateu-se no ar e conseguiu virar se, tentando fugir, mas a mão invisível que pressionava suas costas agora empurrou seu peito e o homem continuou a ser conduzido para abominável construção.

O detetive esperneou e gritou, mas sentiu cada vez mais olhos perscrutando-o, e se lembrou de sua missão. Precisava achar o vereador e pôr um fim no caso. 

Tentando dominar o pavor, Asdrúbal se deixou levar e, quando passou por um gigantesco umbral, se viu tragado e caindo num verdadeiro abismo, como se escorregasse pela garganta de um ser colossal. Em sua queda, viu diversas fendas flutuando no espaço, como janelas. Asdrúbal se agarrou a uma delas e olhou lá dentro. 

Ele divisou um quarto de cor amarelada. No centro, sobre uma cama, um monstro cinzento, dotado de asas infernais e tentáculos horríveis se debruçava sobre um homem: O vereador!

Asdrúbal se jogou para dentro do quarto e investiu contra a criatura, derrubando-a de cima do político.

– Que porra é essa? Quem é você?

– Vereador! Rápido, não há tempo de explicar. Eu vim te salvar, vamos embora daqui, agora!

– Me solte, homem, está louco? Não sabe quem eu sou? Me solte!

Com o olhar vidrado, Asdrúbal ergueu o vereador contra sua vontade e o empurrou pela fenda. Antes de pular de volta, ele olhou para Evach, caída num canto com cara de susto e, triunfante, mostrou-lhe o dedo médio. Em seguida mergulhou na fenda.

Porém, o vitorioso detetive não contou com a imprevisibilidade da geometria não-euclidiana e dos ângulos impossíveis que existiam naquela estranha dimensão e, ao atravessar o portal para se juntar ao vereador, ao invés de cair com ele de volta às profundezas do castelo inominável, se viu num lugar assustadoramente diferente.

Asdrúbal se sentou no chão, desnorteado. Olhou ao redor, estranhando o familiar recinto. O desespero bateu. Estava de volta no quarto de seu apartamento.

– Não!! Nããããão!!! 

O homem se levantou e pôs-se a tatear a parede de onde veio, onde estava a recente construção do ângulo. Estava diante da porta, mas novamente sem a chave.

– Não! Não! Não! – Ele correu até o armário onde guardava suas ferramentas e trouxe uma marreta, a qual usou para acertar com força a parede nova, arrebentando a alvenaria.

– Abre! Abre porra! Eu preciso buscar o vereador! Preciso resolver o caso! Preciso resolver o caso! 

Da parede morta não veio resposta e, enfurecido, Asdrúbal marretou até abrir um buraco para fora do prédio. Ao olhar lá fora, o detetive ficou desolado, perdera o portal. 

Mas sua mente ainda continuava afiada: “Eu não tenho a chave… Claro! É só eu voltar à Paradiso e encontrar Evach novamente! Vou lá e salvo o vereador de novo!”

Resoluto, o detetive se virou para sair, mas uma vez mais, não contou com o degrau do quarto e o batente baixo da porta, desta vez, acertando-o violentamente com a testa. Desmaiou imediatamente.

Asdrúbal finalmente acorda, está no chão do quarto. A cabeça lateja. Provavelmente batera de novo no batente. Ele se senta no chão e segura a cabeça tentando aplacar a dor. Sente uma corrente de ar na nuca e vê o buraco na parede. “Tenho que tampar essa porra…”

Uma batida na porta. Trôpego, o detetive vai atender. 

– Fala Duba! Tá tudo bem? Tu tá com uma cara horrível. 

– Tô? Ressaca…

– Tá certo… hoje a gente marcou de ir lá na Paradiso, investigar o sumiço do vereador, lembra?

– Vereador? É… acho que lembro.

19 comentários em “A chave do Paradiso (Misery White)

  1. antoniosbatista
    1 de dezembro de 2020

    Resumo; Detetive precisa encontrar um vereador que sumiu nas dependências de uma boate.

    Comentário/Análise: Achei que o conto está mais para o tema Fantástico, do que Loucura, no verdadeiro sentido, porém, no entanto, mas, o que se passa com Asdrúbal é uma verdadeira loucura. O personagem foi bem ideado, construído. As referências da quina do quarto, um erro (talvez não) arquitetônico, como portal para outra dimensão (tema Fantástico) ficou legal, me lembrou de um conto de Robert A. Heinlen; E Ele Construiu uma Casa Torta.

    Tenho notado que alguns autores optaram por dar nomes estranhos aos seus personagens. Me parece que eles enjoaram de usar certos nomes, tomando-os como comuns demais. Geralmente, usamos nomes de personagens de acordo com a época e o lugar em que ocorre a história, para dar verossimilhança. Mas isso é o autor que decide, é claro, porém, a sonoridade e plasticidade fazem parte da Arte Literária. Boa sorte.

  2. Fernanda Caleffi Barbetta
    1 de dezembro de 2020

    Resumo
    Detetive tenta desvendar o sumiço de um vereador em um prostíbulo e acaba se envolvendo em uma louca viagem fantástica.

    Comentário
    Seu conto é bastante interessante, ágil, criativo.
    As descrições foram bem feitas, assim como a caracterização dos personagens.
    Gostei da ideia do portal estar na parede com ângulos tortos (apesar de eu não ter conseguido visualizar exatamente esta junção de três paredes, mas talvez seja problema meu rsrs).
    Houve uma mistura de policial, FC, um pouco e hot, um pouco de comédia até, além do horror, mas não consegui ver a loucura. Acho que, para um conto, houve muita informação, poderia ser mais enxuto… isso na minha opinião.
    “maldito batente. Tonto, olhou ao redor, tentando situar-se” – aqui, percebi um erro de coerência. Se ele reconhece logo o batente onde sempre bate a cabeça não faz sentido ele olhar ao redor tentando situar-se.
    “Tinha olheiras fundas nos olhos” – desnecessário dizer “nos olhos”
    “no canto oposto da cama” – canto oposto à cama para não dar a entender que é o canto da cama.
    “Estava sentado de frente para a mulher e (vírgula) sobre o ombro dela, podia ver a enigmática quina do quarto.”
    O final que leva ao começo e nos deixa pensando se não foi tudo um delírio enquanto ele estava desmaiado é um pouco frustrante. Depois de tantos acontecimentos, tantas pontas soltas, esperava algo mais inusitado, mais fantástico. Mas é um bom texto e eu gostei de ler. Parabéns.

  3. Paula Giannini
    28 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Após bater a cabeça, detetive delira.
    Minhas Impressões:
    Com ares de conto híbrido, o texto guarda características dos gêneros policial, FC e horror. Um trabalho muito dinâmico e imagético que, durante a leitura, remeteu-me à série Doctor Who, sobretudo na passagem em que surge prostituta de tentáculos violáceos.
    O ponto alto do trabalho é a criatividade, não só no que toca a trama propriamente dita, mas, e sobretudo, na abordagem ao tema proposto no desafio.
    O trabalho é um tipo de literatura de nicho e, ao que me parece, traz referências que aficionados do gênero entenderão. No caso dessa leitura aqui, o aproveitamento deu-se na camada da trama e da construção narrativa propriamente dita.
    Como digo a todos, se minhas impressões erram o alvo, desconsidere-as.
    Desejo sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  4. Andre Brizola
    26 de novembro de 2020

    Olá, Misery.
    Conto que narra a busca do detetive Asdrúbal pelo vereador desaparecido na boate Paradiso. Em suas investigações, ele acaba se deparando com o horror cósmico lovecraftiano e acaba em um ciclo de acontecimentos.
    Ah, Lovecraft, o mestre do horror e da geometria não-euclidiana. Pai dos mitos de Cthulhu e um autor tão pessimista quanto cínico. Sou grande fã de sua literatura e gosto de ir atrás de coisas influenciadas por ele. Tenho inúmeras coletâneas de contos inspirados pela sua obra, e é legal ver que até autores (Neil Gaiman, por exemplo) consagrados enveredam por esse “cosmicismo”. E, como o tema deste desafio, Lovecraft também escreveu muito sobre a loucura. Achei que a ideia de ir por esse caminho foi genial e fico com inveja por não ter pensado nisso.
    O conto está bem redigido e tem um enredo que me agradou de cara, o que sublimou qualquer erro gramatical que pudesse me tirar dos trilhos da leitura, embora eles existam aqui e ali. Acho que o ritmo está adequado, mas acho que poderia ser um pouco mais lento, a fim de deixar a loucura que vai infectando o detetive um pouco mais crível. A ideia do final cíclico foi uma boa sacada para fugir do estereótipo do “ficou louco e foi internado”.
    Um conto muito divertido de ler, sobretudo para quem está familiarizado com a “vertente”. Gostei bastante!
    É isso. Boa sorte no desafio!

  5. Ana Maria Monteiro
    24 de novembro de 2020

    Olá, Autor.
    Resumo: O detetive Asdrúbal, juntamente com o seu subalterno, sargento Jesus, investiga o desaparecimento inexplicável de um vereador, visto pela última vez num prostíbulo de nome “Paradiso Club” na companhia de uma prostituta de nome Evach. Antes de iniciar a investigação ele bate com a cabeça no batente da porta e acorda baralhado; no final sucede o mesmo.
    Comentário: não tenho muito a dizer sobre o conto, que me pareceu mais no domínio do fantástico do que da loucura. Está bem escrito, é imaginativo e o enredo é bom, mas não transmite loucura, nem empatia, é um policial fantástico. Um bom policial fantástico, que nos deixa na dúvida: eu podia ter sonhado isso e acordado a seguir. Pode ser um sonho, pode ser o efeito da pancada, o conceito de circularidade passou, porque não se repetiu dia após dia, apenas no primeiro e no último.
    Creio que teria sido mais bem conseguido se, a cada capítulo, se repetisse um acordar semelhante. Parece-me que esta é uma daquelas histórias que funciona melhor em filme do que em papel – algo que só alguns sabem fazer e você fez.
    Além de criativo e imaginativo, está bem escrito e não há deslizes de revisão, a leitura é simples e fácil. Isso é muito agradável.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Fabio Monteiro
    24 de novembro de 2020

    Resumo: Detetive investiga o desaparecimento de um vereador de sua cidade.

    Se seu texto (caro autor a) fosse um filme, ele seria um de ótima qualidade.
    Tem uns errinhos gramaticais, mas nada que possa comprometer a narrativa de modo geral.

    O personagem é um homem bem interessante, enigmático. Não dá para perceber logo de cara o tipo de transtorno que ele carrega.
    Se o texto não estivesse encaixado na plataforma sobre loucura, eu diria que nem saberia se o cara tem mesmo um transtorno. Poderia ser uma fantasia ou uma ilusão, um sonho….enfim.

    A criação de um portal e a conexão com o ambiente favoreceu bem a narrativa.

    Quanto aos nomes dos personagens.

    Asdrubal? De onde veio colocar este nome?
    Evach?

    Santo Deus…

    De modo geral gostei demais.
    Trocaria esses nomes por outros que me levassem a não pensar em adubo ou vácuo.

    Seja como for…

    Boa Sorte autor(a)

  7. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: um detetive que tenta resolver um caso de desaparecimento e se vê preso numa teia de horrores cósmicos saídos do imaginário lovecraftiano.

    Olá, caro autor.

    Gostei da sua abordagem. Gosto da loucura do horror cósmico de Lovecraft, e aqui você trabalhou isso muito bem. Enquanto lia seu conto eu pensei também em Junji Ito, na mesma atmosfera de um terror estranho que paira sobre as obras dele. O lance da parede foi bem legal, toda essa mistica criada em cima desse “portal”. Gostei também das suas descrições, fez com que a gente realmente entrasse de cabeça no ambiente claustrofóbico do conto. No entanto, apesar de a loucura ser o cerne do horror de lovecraft, esse final me desapontou. De um lado eu gostei do recurso, mas do outro fugiu do tema do desafio. A loucura não parecia uma loucura, mas sim uma eterna alucinação. Isso tirou um pouco do brilho do conto, ao meu ver, e um pouco da minha empolgação também.
    É uma história bem escrita, bem narrada, bem abordada, mas que deixa a desejar no final por conta do recurso utilizado descaracterizar a temática principal do desafio.
    De qualquer forma, parabéns pelo bom trabalho e boa sorte!

  8. Fheluany Nogueira
    21 de novembro de 2020

    Detetive bate com a cabeça no portal de sua casa. Vai ao Paradiso descobrir o sumiço de um vereador. Vive uma série de situações estranhas, com portais, chaves, “o outro lado”, a sensualidade de uma mulher. No desfecho, o leitor descobre que o detetive esteve desmaiado com alucinações desde que batera a cabeça.

    Narrativa bem estruturada; história com trechos divertidos, outros sensuais, outros, ainda repletos de magia ou terror. Apenas, não vi a loucura no texto, como transtorno mental. O detetive, pareceu-me, teve alucinações (sonhos ou pesadelos) enquanto estava desmaiado.

    Afinal, é um texto bem escrito, inteligente e, sobretudo, criativo. Gostei. O final circular foi um ótimo recurso. Sorte. Um abraço.

  9. opedropaulo
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: Em sua investigação do sumiço de um vereador, o detetive Asdrúbal tem certeza de que a chave para o mistério é uma prostituta que pode levá-lo a outras dimensões, onde certamente está o desaparecido. Talvez seja isso, caso ele consiga escapar do ciclo em que está preso.

    COMENTÁRIO: Horror cósmico! É uma abordagem que, surpreendentemente, até o momento só vi nesse conto. É uma escolha acertada, pois a definição recorrente dos horrores presentes nas obras de Lovecraft (do qual só li O Chamado de Cthulhu) é “um conjunto de terrores cuja complexidade é tão grande que a mente humana não consegue compreender e simplesmente olhar para esses absurdos levará uma pessoa a loucura. São terrores vindos de onde triângulos não têm três lados”. Coloquei entre aspas, mas é uma descrição minha que concebi recordando as várias vezes em que já vi o lovecraftiano ser mencionado. Por isso, nesse conto se vê uma abordagem digna de nota, já que é um gênero intrinsecamente ligado à loucura. A narrativa é outro elemento positivo do conto, pois o mistério intriga e nos prende à leitura, levando linha a linha enquanto o protagonista vai ficando cada vez mais fora de si. Ao contrário da Elisa, eu achei a transição para o mundo de absurdos bem de acordo com o que se vinha insinuando, principalmente pelo capricho nas descrições (o que já se apresenta logo quando a mulher se transforma), realmente nos imergindo no grotesco dessa outra dimensão. Por outro lado, é onde o enredo se enfraquece, pois para além do que se espera de um terror lovcraftiano, nada quanto aos personagens ou à situação é realmente inovador ou impactante, apesar de ter havido alguma surpresa com a revelação de que o personagem estaria perdido em um ciclo. O que quero dizer com essa crítica é que a premissa foi acertada, bem como o desenvolvimento, até certo ponto, mas que para além da boa ambientação, a estória não impactou tanto. Li uma clássica estória lovecraftiana, mas havia espaço para ir além, dar o seu próprio tom. Também achei alguns errinhos que escaparam da revisão, mas nada muito.

    Boa sorte.

  10. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, autor. Este seu conto fez-me lembrar de um outro conto que apresentei num desafio. Nele, o detective sem memória tenta resolver o homicídio que ele próprio tinha provocado, mas do qual não tinha recordações. Nesse desafio tirei um honroso ultimo lugar. Desejo-lhe melhor sorte.
    Resumo: detective é acordado por polícia para resolverem o caso do desaparecimento de um vereador. Ele descobre que o vereador caiu num portal interdimensional, tenta salvá-lo mas não consegue, voltando atrás no tempo.
    Achei o seu conto confuso, mas creio ser essa a intenção. O problema é que não consegue gerar a ligação com o leitor. Por outro lado, não há ligação ao tema. A loucura é provocada pela proximidade ao portal, que deforma a realidade. Teria sido interessante, por exemplo, que o caso não passasse de uma trip de LSD e se houvesse uma ligação maior à realidade. A fantasia, neste caso, não ajudou a melhorar o conto.

  11. Elisa Ribeiro
    19 de novembro de 2020

    A história do detetive Asdrúbal às voltas com a investigação do desaparecimento de certo vereador, a prostituta Evach, uma estranha quina na parede do Paradiso Club e uma viagem alucinatória.
    Indo direto ao ponto e sendo muito direta e sincera, li seu conto com imenso prazer até o momento do mergulho de Asdrúbal no “abismo cinzento e gelado”. Nesse ponto me desconectei abruptamente do seu conto, tal como Asdrúbal da realidade, cuja leitura me corria tão divertida e agradável.
    O final circular foi uma boa saída para o conto, embora insuficiente em compensar a frustração dessa leitora aqui ao naufragar no buraco de minhoca delirante da mente do protagonista.
    No mais, você escreve muito bem e seu texto está muito bem revisado.
    O que gostei: Adorei o Asdrubal, a Evach e sua linguagem cuja fonética me soou meio africana (?), a quina na parede, a atmosfera de seu conto, tudo enfim, exceto o que sucedeu no tal buraco.
    O que não gostei: da espécie de quebra de gênero que você operou no seu conto. Eu costumo gostar desse hibridismo, mas é sempre um risco. O problema é que a quebra aqui foi para um gênero de fantasia frenética que em geral me desconecta.
    Parabéns pelo trabalho.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  12. Giselle F. Bohn
    19 de novembro de 2020

    Detetive investiga o sumiço de um vereador em uma casa noturna, e embarca em uma alucinação.
    Cara, que viagem, este conto! Achei interessantíssimo, muito bem escrito, coisa de quem sabe o que está fazendo! As descrições das alucinações são excelentes, e o toque sexy do texto foi a cereja do bolo! Sempre admiro muito quem tem ideias tão criativas assim, em especial fantásticas, porque está aí uma coisa que eu jamais conseguiria fazer! Parabéns! Gostei muito do final à lá Dia da Marmota: tudo começando de novo do mesmo lugar.
    Vi pouquíssimas questões técnicas, que nem acho pertinente apontar, já que não tiraram o prazer da leitura! Em alguns momentos, porém, senti que você poderia ter sido um pouco menos prolixo. Mas – já disse isso antes – isso se deve mais a uma preferência minha como leitora do que por uma falha sua como escritor.
    Resumindo: um conto ótimo! Boa sorte no desafio!

  13. Leda Spenassatto
    16 de novembro de 2020

    Resumo :
    Um investigador doido tenta desvendar o sumiço de um vereador numa casa noturna.

    Comentário:
    Um conto rico em detalhes, com um investigador doido procurando desvendar o sumiço de um vereador.
    Jesus, me pareceu mais uma figura coadjuvante do que um policial. Mesmo sabendo no final do texto que tudo não passou de desvaneios do Asdrubal.

    Aqui você poderia deixar assim
    “Nenhuma resposta veio”
    Nenhum resposta.

    Te desejo muita sorte!

  14. Angelo Rodrigues
    13 de novembro de 2020

    Resumo:
    Detetive bate com a cabeça no portal de sua casa, tem delírios e retorna à normalidade. Tem de achar um vereador perdido em algum lugar.

    Comentário:
    Conto interessante. Um passeio psicodélico por mundos estranhos.
    Este conto, como outro que li há pouco, remete-se à ideia de circularidades. Uma ocorrência, a sua repetição.

    E tudo isso para salvar um vereador. Quem se importa?

    O conto está bem arrumado, bem escrito, com pequenos desacertos – sem importância.

    Sempre fico curioso para saber como a loucura é vista, como é “sentida”. Acredito – este é o último conto que leio – que, como eu imaginava, pouco se sabe sobre a loucura. O que não é um privilégio dos leigos. Pouco sabemos sobre a loucura.

    O conto em leitura transmuta um delírio passageiro em loucura, uma fantasia em loucura. Na literalidade, tudo cabe, inclusive esse modo de pensar.

    Lendo as passagens que fez o Asdrúbal pelos seus caminhos psicodélicos, me veio à mente – quase também um delírio – os filmes experimentais de Norman Mclaren – que chegou a ganhar um Oscar -, com seus desenhos para a National Film Board of Canada. Bem legal.

    É isso. Boa sorte no desafio.

  15. Anna
    12 de novembro de 2020

    Resumo : O protagonista é detetive. Bate a cabeça, desmaia e tem alucinações . No final de maneira muito estranha se descobre que sua alucinação tem uma ponta de verdade e que o vereador realmente sumiu.
    Comentário : Gostei especialmente da parte que a garota de programa Evach se transforma em um monstro durante a relação sexual. Realmente pensei que ele havia enlouquecido e em algumas partes pensei que Evach era realmente uma criatura sobrenatural. O conto me levou a crer que a mulher da vida era responsável pelo vereador ter sumido. Gostei da ideia de construir um portal apenas pintando, foi uma ideia simples que gerou muitas reflexões, qual portal precisamos ou queremos pintar em nossas vidas ? Como seria o mundo se isso fosse possível ? Sucumbir a loucura é melhor do que nos sentir impotentes diante de uma situação ?

  16. Bianca Cidreira Cammarota
    10 de novembro de 2020

    Detetive se envolve em um caso de desaparecimento de um vereador. Suas investigações o levam a um bordel chamado Paradiso e lá encontra Evach, uma prostituta, que pode ser a chave do mistério. No entanto, durante a busca por pistas, o detetive se confronta com uma realidade fantástica.

    Misery, seu conto é muito interessante e as descrições da jornada de Asdrúbal para esse mundo, desde o interlúdio sexual com Evach, é trabalhoso e difícil… e você conseguiu com clareza e maestria. Cheguei a pesquisar inclusive as falas no idioma estrangeiro durante uma das conversas do detetive com Evach.

    Sua imaginação é enorme: o portal em Y, a viagem, o mundo, o retorno. Quanta coisa…! E fez a proeza de deixar todo o enredo compreensível, o que, repito, não é fácil nessas circunstâncias.

    O final cíclico produz uma ansiedade no leitor (pelo menos assim aconteceu comigo), o que é muito bom, pois dá mais irrealidade a um texto fantasioso. Coerência mesmo.

    Parabéns por sua história! Gostei muito!

  17. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Encarregado a descobrir o paradeiro de um vereador que sumiu no prostíbulo da cidade, Asdrúbal se envolve em uma investigação estranha com elementos surreais que vão além de sua compreensão.

    Comentário:

    Conto com elementos detetivescos, de terror e fantasia, onde a loucura está no surreal vivido pelo investigador. Há uma clara influência lovecraftiana (só descobri porque fui pesquisar os diálogos, pois não conheço as obras escritas por ele), no insólito e no universo criado pelo autor . Você transitou bem entre os mundos e criou uma atmosfera intrigante ao longo do conto, o mistério é bom e as cenas de horror, junto com a descrição do fantástico, são bem feitas, limpas. O leitor mais atento percebe os detalhes, no nome dos personagens e nas pistas que você insere. Confesso que quando li Evach e pensei no título, achei que teria uma resposta previsível para os fatos, porém, com a entrada do sobrenatural no diálogo do monstro com o detetive, compreendi os caminhos que o conto percorreria, então me entreguei para a possibilidade da surpresa, que você entregou muito bem! O conto fecha de maneira genial, circular, numa investigação infindável cujo ciclo de terror é vivido Ad Infinitum pelo protagonista.

    Se destaca pela originalidade no certame, apesar de escorar em outras obras da literatura. A escolha dos nomes, marcantes, ora simbólicos ora significantes, torna tudo mais memorável.

    Gostei bastante!

    Boa sorte!

  18. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Detetive bate a cabeça, perde a consciência e alucina.

    Comentário:

    Misery White, no geral, gostei de ter lido o seu texto. Não gosto de fantasia, mas o seu bom domínio da língua e das técnicas de narração cuidaram de despertar e manter o meu interesse.

    Gostei do seu título e, embora isso nada diga respeito ao seu texto, gostei também da imagem ilustrativa. Gostei, ainda, do final cíclico que imprimiu ao desfecho do enredo, embora a opção não seja propriamente inovadora.

    A divisão em capítulos e o bom uso dos diálogos tornaram o seu texto muito fluido. Em alguns poucos momentos, achei o número de capítulos excessivo. Talvez, fosse possível, com conectivos e criatividade, unir alguns capítulos. Ao mesmo tempo, o seu conto possui potencial para ser expandido, transformando-se numa novela.

    O uso de uma “língua estrangeira” (não encontrei, no meu vocabulário, designação melhor) foi feito com muita competência, não tornando o texto chato ou incompreensível (coisas que, na literatura, costumam ocorrer quando o uso é mal feito).

    Em “e[,] sobre o ombro dela”, faltou uma vírgula. Em “observando [o] ângulo”, faltou um artigo. Em “boate[,] fosse”, faltou uma vírgula. Em “Você [t]á aí”, a maiúscula foi indevida. Em “sonolento [-] Suas feições”, o uso do travessão fez parecer uma fala; assim, o melhor seria usar um ponto final. Em “disse que[,] da última vez que te viu[,] você estava”, faltaram duas vírgulas. Em “inclinou-se sobre: – Eu vou”, faltou paragrafação. Em os tentáculos asquerosos[,] brotavam”, a vírgula é indevida. Em “para [a] abominável”, faltou o artigo. Em “em seguida[,] mergulhou”, faltou a vírgula. Em “Abre[,] porra” faltou vírgula. Em “a qual usou”, achei que o “a qual” retirou a “literariedade” do seu texto, deixando-o “acadêmico” ou “técnico”.

    Não teve nada específico em seu texto de que eu não tenha gostado, mas, como registrei antes, fantasia não se inclui entre minhas leituras habituais e, portanto, senti certo estranhamento.

    Parabéns pelo conto, do qual, apesar da fantasia, acabei, dentro do contexto do desafio, gostando, e boa sorte no certame!

  19. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O detetive Asdrúbal precisa investigar o caso de um vereador ter sumido. O vereador some depois de frequentar um bordel. O detetive investiga a bela moça que se deitou com o vereador. Depois o detetive cria uma loucura e pensa que vai achar o vereador pintando um portal e que a chave se encontra na garota de programa Evach.
    Comentário : O conto é muito bom. Os delírios do detetive Asdrúbal são surpreendentes. O conto possui um toque de sensualidade que lhe deixa muito atrativo. Gostei especialmente da personagem Evach, que se mostra totalmente envolvente.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.