EntreContos

Detox Literário.

1888 (Firmina)

Aqui é a porra do senhor de engenho

Eu sou tudo,

Sou a morte, o diabo, o capeta

A careta que te assombra quando fecha o olho

“Corra”, de Djonga (recorte)

 

Fora e dentro do sobrado, todos observaram com atenção a chegada do senhor Zacarias. Apressado e casmurro, ele deixou o cavalo para os cuidados do preto Simeão e avançou a passos largos até a residência. Entrou pela porta da cozinha, onde encontrou a esposa, Dona Helena, sentada à mesa com o menino Bernardinho. Ela supervisionava a leitura do menino enquanto a mucama Justina atentava a uma panela no fogareiro de barro. O senhor ordenou que os negros saíssem. A mucama argumentou que a panela precisava de atenção, mas ele estava resoluto, então ela saiu junto do menino, Dona Helena assistindo à cena com ansiedade. O marido lhe entregou um papel marcado pelas letras do telégrafo. 

13 de maio confirmado. Olhou para o marido com apreensão enquanto ele andava cá e lá do pequeno recinto, xingando a princesa, o Imperador e os malditos abolicionistas. Esperou que se acalmasse e perguntou o que fariam. Ele repousou o queixo sobre o peito, ficou assim por um momento, o rosto meio escondido pelo chapéu. Respondeu.

— Não conto pra eles.

— Eles quem?

— Os pretos, ora! Vou queimar essa carta e acabou.

— Estás maluco, Zacarias? Absurdo!

O rosto dele ruborizou, sua voz mudou de tom, ainda que restrita na altura de um sussurro.

— E como esperas que sobrevivamos? Os preços estão flutuando, não ganho quase nada vendendo arrobas! Não temos que cumprir com o desaforo de fazer um contrato com eles. Não… tu não percas a cabeça, se silenciarmos ficará tudo bem. Ou não queres seu vestido novo? Suas joias para usar na assembleia paroquial?

Aquilo a deixara calada. Havia muito tempo que o apoquentava pela miséria de suas vestes, pelos sapatos já gastos, por nunca mais terem feito um sarauzinho… 

— E o que pretendes fazer sobre João? 

O crioulo João era o mais novo de seus três escravos, mas já era um homem. Era rápido e esperto, então era muito comum que o mandassem cumprir tarefas na cidade, onde às vezes ficava até a manhã seguinte. O que seus senhores não sabiam era que seu escravo aproveitava o tempo de sobra para prestar serviços como taipeiro, carapina, quitandeiro e no que mais viesse. Mais importante, visitava seu amor, Iolanda, a forra com a qual prometera se casar. De serviço em serviço, juntava o pecúlio e logo, logo compraria a própria liberdade! Seus dois parceiros de cativeiro achavam graça, mas lhe deram confiança no dia em que apareceu na roça com um par de sapatos de couro. “Para usar quando me libertar!” Dissera a eles.

Pouco depois da conversa entre senhor Zacarias e Dona Helena, o crioulo João chegou na casa, vindo do eito na roça. Vinha sorrindo, jovial de sempre, já à espera de algum serviço na cidade. Nos últimos dias seu senhor mandara que ficasse, tempo o bastante para guardar saudades de Iolanda. Senhor e escravo se encontraram a meio caminho do sobrado.

— Um criado seu, meu senhor.

— Bom dia, João. Tenho notícias para dar. De agora em diante, teu trabalho será somente na roça. Se eu tiver pendência na cidade, vou eu mesmo.

Tão perplexo que João ficou, não omitiu sua surpresa. Zacarias também deixou de sorrir, estranhando o choque do seu escravo, que era sempre tão animado. Ainda assim, não mudou de postura, deixando uma mão dentro do bolso do paletó velho, querendo parecer senhorial. O crioulo João recuperou a voz.

— Ora, meu senhor, por quê?

— Fica feio, não achas? Ter um preto agindo em meu nome? Não! Eu mesmo faço isso.

— Que feio que nada, senhor. Me desculpe, mas estás falando asneiras! Todo mundo gosta de mim lá, eu faço seu serviço direitinho, já me conhecem.

— E achas que não me conhecem, crioulo?

— Não, senhor, é claro que conhecem. Ajo em seu nome.

— Então por que discutes?

Atrás dos dois, o preto Simeão observava com cautela, olhando principalmente para o seu parceiro de eito. Simeão era o mais velho não só dos escravos, mas daquela roça, tendo pertencido ao pai e ao irmão do senhor Zacarias. O seu próprio pai e seu avô haviam sido escravos e, desde antes deles, uma história vinha sendo contada, sobre os negros de minas, que eram metidos nas cavernas escuras e úmidas de Minas Gerais. O que o pai contava a Simeão era uma história de morte, a qual ouvira do seu avô. Escravo não vive muito, meu filho, então o importante é viver para Deus, porque no Reino dos Céus há liberdade. Mas Simeão pretendia sobreviver. Topava os sessenta anos e já havia décadas que era membro da Irmandade Negra da região. Quando morresse, seu funeral contaria com dezenas de rezas e pelo menos alguns padres. Simeão pretendia sobreviver para que, ao chegar aos portões de São Pedro, o santo o acolhesse e lhe dissesse: “és digno, meu filho, vá entrando”. Por isso, cravou um olhar duro em João, que o percebeu.

— Estás certo, meu senhor, desculpe a insolência.

O senhor Zacarias não percebeu que os dois escravos se olhavam, então repuxou as abas do paletó e sorriu, convencido de que sua autoridade o servira. Naquela noite, a esposa voltou a irritá-lo, tocando no assunto dos cativos. Mandou que se calasse, pois era ele o senhor e “dona” era só título. Ela o obedeceu, mas, mesmo assim, ele não voltou a dormir. Nunca maltratara nenhum dos seus negros. Os repreendera, sim, mas nunca lhes metera porradas ou os constrangera. Porque sou um bom senhor, eles não têm o que reclamar. Sim, era isso. E, afinal, se não os tivesse, como é que sustentaria aquela roça?

Havia muito tempo que Zacarias vinha tomando prejuízo. Pensava em vender seus escravos quando as notícias mais absurdas sobre abolição começaram a chegar. Bebera até cair no dia em que viu o primeiro jornal listando os libertadores de escravos. Mas o que o adoecera não foi a lista em si, e sim um nome que nela encontrou. Cerqueira Pestana. Morador daquela freguesia, Cerqueira era, até então, um roceiro senhor de escravos como ele, exceto que era mais elegante, mais inteligente e, sobretudo, mais rico. Festa na cidade? Era na casa de Cerqueira, o único daqueles sertões que tinha um piano e que sabia tocá-lo. Dona Helena também admirava o piano do sujeito. Quando ela soube da libertação que Cerqueira deu aos seus, elogiou-o, ao que seu marido ralhou.

— Andas lendo muitos folhetins, mulher!

. Zacarias não conseguia dormir. Levantou-se, andou pelas sombras do quarto e se sentou à escrivaninha, pensando no que faria. Não tirava o piano de Cerqueira da cabeça, as melodias invadiam seus pensamentos, impediam que pensasse. Então teve uma ideia: compraria o seu próprio piano e aprenderia a tocá-lo! Mas precisaria praticar. Por isso, imaginou as teclas sobre a mesa e começou a dedilhá-las animadamente, cantarolando uma melodiazinha enquanto se agitava no banco. Dona Helena, que apenas fingia dormir, o observou. Sentiu pena. Ela já sabia que o marido era um senhor decadente. Se tirassem o senhorio, sobraria apenas a decadência.

***

Os dias seguiram não muito diferentes dos anteriores, exceto que agora Zacarias acompanhava seus escravos à roça, olhando-os do alto do cavalo enquanto cantarolava sua musiquinha pegajosa. Terminada a labuta, insistia que seus três escravos se enfileirassem no pátio do sobrado, explicando que essa novidade era a “revista”. Os escravos a conheciam, mas apenas nas grandes fazendas baronesas, de centenas de cativos. Só após revistá-los, permitia que se recolhessem. À noite, ele mal dormia. Sentava-se à mesa e inspirava novas cantorias mal ritmadas e dançadas à cadeira. Às vezes, amanhecia sentado ali. Certa noite, entretanto, julgou encontrar o que o tirava o sono.

Havia pego o crioulo João tentando sair. O escravo argumentara que não fugia, que apenas ia à cidade para resolver uma obrigação.

— Tuas únicas obrigações são as minhas, moleque! Sabias que havia algo de errado. Me desrespeitaste naquele dia!

Não importava o quanto o rapaz suplicasse, o senhor Zacarias já se decidira sobre o que faria. Ninguém o enganaria. Afinal, ele era o senhor. Toda aquela algazarra acordara todos da casa, até mesmo o cão Solano López, um vira-lata de pelo caramelo que caçava preás pelas terras do sobrado.

Os escravos e o menino Bernardinho também estavam de pé. Se as cicatrizes em suas costas diziam algo a Simeão, era que um dia pode mudar tudo para um escravo. Aquela noite seria mais uma de mudanças drásticas na vida do preto Simeão. Não apanhou. Dessa vez, esteve do outro lado do açoite.

— Vamos, Simeão. Pegue!

Aquela roça já tivera o seu feitor, o mesmo que marcara suas costas. Mas eram outros tempos e os escravos que agora viviam ali eram todos da mesma espécie. Por isso, e por uma vaga noção de que os castigos físicos eram proibidos por lei, Simeão não ergueu a mão para pegar o açoite. Zacarias deu um passo em sua direção.

— Pegue ou faço o menino açoitar os dois.

Pegou o azorrague e se virou para João, cujas costas, nuas, lisas, estavam tão suadas que captavam o brilho do luar. Não tinham tronco, então a mucama Justina tratou de segurar o rapaz pelas mãos, enquanto tentava consolá-lo do que estava prestes a acontecer. O cão Solano López começou a latir, dando pulinhos ao redor dos dois. O menino Bernardinho os olhava. Velho e garoto trocaram olhares e Simeão distinguiu a confusão nos olhos ingênuos do jovenzinho. Jamais se esqueceria disso. Também não se esqueceria do grito de João quando o couro do chicote abriu o primeiro rasgo em suas costas. Pareceu-lhe por um momento que seu senhor hesitava, mas Zacarias ordenou que repetisse, Simeão obedeceu.

O crioulo João só tornou a acordar em sua choupana, sob os cuidados de Justina. Quando Simeão chegou, virou o rosto, negando-se a olhá-lo. Simeão primeiro se desculpou, depois o repreendeu, pisando duro no chão enquanto tentava convencê-lo de que havia sido imprudente. Ignorado, deixou a choupana e foi para o sobrado, até o seu quarto, no térreo. Lá, Bernardinho brincava com o cão. 

— Pai… por que o senhor machucou o João?

Abriu a boca para respondê-lo, mas desatou a chorar. Menino e cão foram consolá-lo e assim ficaram os três, juntos, enquanto o velho soluçava.

***

A mucama Justina temera que o senhor não a permitisse ir lavar as roupas. Ainda que trabalhasse duro às esfregadelas, era um momento de diversão, em que se esquecia da roça e se aliviava do calor no frescor das águas. Fazia a lavagem na beira do rio e costumava levar o seu filho. Enquanto esfregava, vigiava Bernardinho, que nadava e morria de rir vendo os peixinhos. Naquele dia, entretanto, o senhor Zacarias decidira que ela iria só. Porque acha que só assim hei de voltar.

Sozinha, nem pôde aproveitar aquele momento, saudosa que estava das risadas de seu menino. Empenhava-se em esfregar para voltar logo quando percebeu que não estava só de verdade. Havia outra mulher no rio. Nua, essa negra boiava a poucos metros de Justina, absorta no céu. Foi só o susto da escrava que a despertou de seu transe. 

Rindo, a mulher se desculpou e se levantou.

— Desculpe, minha velha, não te vi aqui! Vejo que lavas sangue. É daqueles dias?

— Eu não tenho aqueles dias já faz algum tempo, minha filha, isso aqui é sangue de escravo!

Justina desabou. Contou-lhe do ocorrido enquanto a mulher ouvia, cada vez mais barbarizada. Parecia que queria lhe dizer algo, mas esperou até que acabasse o seu relato.

— Que canalha!

— Sim…

— Ele está mentindo para vocês, mulher…

Foi a vez da mulher de contar uma história. 13 de maio, missas celebradoras, negros da Corte dando vivas à princesa… a escravidão acabara e eles eram os últimos a saber. A mucama Justina não pôde acreditar. De volta em casa, Bernardinho até perguntou se estava tudo bem, mas aproveitou que o menino passava por mais uma de suas lições de leitura com Dona Helena e disse para que se concentrasse.

Foi quando Zacarias chegou e pediu um refresco. Vinha da roça, onde deixara os seus dois escravos — o velho e o ferido — trabalhando. Tratou de servi-lo e, enquanto ia derramando o suco em seu copo, foi falando.

— Meu senhor Zacarias…

— Fale, minha negra.

— Já conversamos sobre isso antes, mas… eu quero saber se o senhor já se decidiu sobre aquilo que falamos… do Bernardinho. Virado o mês, ele completa oito aninhos no mundo.

A perplexidade no rosto do homem confirmou o que descobrira no rio. Oito anos antes, Justina engravidara de um forro que conhecera na cidade e fez promessa de alforriá-la. Descobriu depois que era um preto fugido e que tinha sido pego. Desesperada, foi acolhida por Simeão. Os dois eram como irmãos, mas Simeão concordou em assumir a paternidade e se casaram na igreja, Zacarias e Helena de padrinhos do filho que viria, Bernardinho. O menino era a maior alegria dela. E é livre. De acordo com a lei, ele é livre! Um rábula chamado Luiz explicara a ela que Zacarias devia cuidar dele até os oito anos e, depois disso, decidiria se o entregava à tutela do Império ou se cuidava dele até os vinte e um. Simeão tinha colegas na Corte que poderiam olhar o rapaz de perto. E ele estaria longe dessa roça, dessa loucura… de uma vez por todas.

Desde janeiro, Justina tentava convencer o seu senhor de libertar o menino e, em todas essas ocasiões, Zacarias prometera que pensaria no caso, irritadiço. Naquela vez, foi diferente. O senhor esmurrou a mesa com tanta força que o copo com a sua bebida virou, derramando sobre o papel que o menino lia.

— Ora, sua preta ingrata! Não sabes que o menino adora viver aqui? Já perguntou a ele?

Sobressaltada, a mucama não soube como reagir. Ficou petrificada quando Zacarias alcançou o menino, içando-o pelas axilas. Devagar, ele colocou Bernardinho contra a parede.

— Diz para o teu padrinho, Bernardo. Não gostas de viver aqui?

O menino titubeou, tentando não tremer enquanto o homem o segurava pelos dois braços. Nascera livre, mas nascera negro. Já era crescido o bastante para saber a diferença.

— Eu amo morar aqui, senhor!

Para Zacarias, o menino ainda soava inseguro. Não o teria soltado se Dona Helena não tivesse pego em seu braço. Os dois se olharam, Helena ordenou que o deixasse. Zacarias o soltou e se virou para a mãe do garoto, ficando bem próximo dela.

— Estás vendo, mulher? O garoto gosta daqui.

À noite, Justina contou do seu dia ao marido, incluindo aí a conversa no rio e o confronto na cozinha. Quando acabou, Bernardinho interviu.

— Mamãe, vosmecê falou “13 de maio”?

Ela assentiu e o menino tirou um papel da algibeira. Leu na cadência dos iniciantes:

— Treze de… mai-ô. Con-firmaaado. A tia Helena falou que eu devia mostrar isso e dizer que estão livres. Tem uma lei áurea que a princesa assinou que diz isso. — O garoto sorriu, parecia um anjo. — Papai, mamãe, estão livres!

Simeão ouvira tudo em silêncio, ocupando-se de preparar o seu cachimbo. Deu um trago, que deixou escapar pelos lábios em anéis de fumaça. Abanou a cabeça.

— É mesmo?

***

Na tarde seguinte, os negros trabalharam como em todos os dias, exceto que, ao fim do serviço, negaram-se a se enfileirar para a revista. Aporrinhado, Zacarias quis saber que besteira era aquela. João tomou a vez para respondê-lo.

— Não te sirvo, moleque, porque és mentiroso e canalha!

Zacarias se adiantou para surrá-lo, mas se deteve ao perceber que enfrentaria oposição. Pela primeira vez em sua vida, um negro seu o opunha. Os primeiros dois passos em recuo foram inseguros, mas então deu uma corridinha até o sobrado, de onde voltou com espingarda em uma mão e azorrague na outra. Largou o açoite aos pés de Simeão e apontou a espingarda para João, que estava perto de Justina. Ordenou que ela o segurasse e mandou Simeão se preparar. O negro mais velho pegou o açoite, mas para além disso só disse uma coisa. Para ele, também um ato inédito.

— Não.

— Não?

— Não.

Zacarias gargalhou para o alto. Terminou sem fôlego, seu rosto mais careta do que sorriso. Apontou a espingarda em direção ao velho Simeão. Justina impediu Bernardinho de correr até o pai, João gritou.

— Tua rixa é comigo, covarde!

Mas Zacarias só tinha olhos para Simeão.

— Me contrarias, negro?

— Se me farás cadáver, serás o cadáver de um homem livre!

— Simeão… cuidado — alertou João. 

O velho sorriu.

— São Pedro me acolherá, rapaz, não há problema.

Os homens não entenderam, ele não se importou. Zacarias tornou a berrar, o rosto vermelho, os olhos injetados.

— Eu sou o seu senhor. Obedeça!

— Não!

O disparo foi parar longe, nas matas fechadas que contornavam o sobrado. Helena se agarrou ao marido por trás, desequilibrando-o. O homem se desvencilhou dela com facilidade, foi o açoite que o levou ao chão. As três correias o acertaram primeiro no rosto. Simeão continuou a flagelá-lo enquanto o homem caído tentava se proteger debilmente. Helena pegara a espingarda que caíra. Simeão só parou quando João o deteve pelo pulso. O velho e o jovem trocaram olhares, firmando ali múltiplas reconciliações.

Os negros já tinham arrumado suas coisas em trouxas, João calçara seus sapatos. Quando se reuniram fora do sobrado, o cachorro Solano López os acompanhava. O cão gostava muito do menino Bernardinho, o acompanhava convicto de que encontrariam um mundo cheio de preás. Zacarias e Helena ainda estavam no pátio, ela sentada e ele aninhado em seu colo, cobrindo as feridas enquanto choramingava “sou o senhor, sou o senhor”. Quando passaram por eles, tiveram a impressão de que Zacarias começara a cantarolar sua musiquinha irritante, um piano só em sua cabeça enevoada.

Fora dos limites da roça, os quatro deram as mãos. Simeão, Justina, Bernardinho e João, juntos, o cão Solano López aos pés. Eram livres. Pela primeira vez, Simeão se pegou pensando menos em como seria a sua morte e mais em como seria viver. Realmente viver.

23 comentários em “1888 (Firmina)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    27 de novembro de 2020

    RESUMO: Zacarias é senhor de três escravos, mas está em decadência. Quando ouve da lei áurea, resolve não libertar seus escravos e os mantém longe do contato com o mundo fora de sua roça, para que nao descubram que são livres. Eles descobrem mesmo assim, há um conflito e, enfim, os escravos saem livres.

    É um conto bom pra caramba. Muito bem escrito, daqueles que dá até orgulho de ler. Infelizmente não tem nada a ver com o tema do desafio. Há uma levíssima sugestão de loucura quando Zacarias resolve cantarolar suas canções com um piano imaginário, mas nem de longe isso adequa o conto ao tema. É uma pena por quê o conto é bonito demais.
    Ignorando a parte do tema, seu conto é muito bem pensado, incrivelmente bem trabalhado para este limite de palavras. É um conto complexo, com seis personagens, mas de alguma forma você conseguiu trabalhar todos eles muito bem, e estabelecer uma ligação entre leitor e escravos, além de trabalhar bem a personalidade deles, incluindo o vilão Zacarias. João é um personagem adorável, Simeão e Justina são também muito amáveis. Zacarias tem um temperamento e personalidade próprios e muito bem trabalhados. Até Helena tem seu momento de brilho. Até Bernardinho tem lá seu desenvolvimento! Além disso, a ambientação é muito boa, com detalhes que dão vida ao cenário. Há conflito, há uma construção de suspense, há um clímax e uma conclusão. Seu conto é praticamente uma aula de como escrever contos.

    É um dos melhores contos que li ultimamente. Infelizmente eu acho a não-adequação ao tema algo muito sério nos desafios do Entrecontos (se fosse algo leve, qualquer um poderia pegar um conto engavetado e enviar para um desafio com tema qualquer e ter grandes chances de ganhar). É um critério pessoal. Tem gente que tira no máximo meio ponto de um conto por falta de adequação. Eu tiro mais. Mais saiba que seu conto é sublime!

  2. Paula Giannini
    25 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo: No momento da abolição dos escravos, a resistência dos senhores de engenho.
    Minhas Impressões:
    Com ares de clássico, o conto agrada ao trazer uma história dinâmica de contexto histórico. E, é justamente neste contexto, a premissa do conto, que se encontra a loucura tema do desafio. A loucura social e humana, a de um ser humano achar normal escravizar e torturar o outro apenas por suas diferenças mais superficiais, a a cor da pele, ou, mais que isso, pela comodidade do poder. Este período de nossa história é triste e vergonhoso, e, ao contrário do que alguns defendem, acho necessária a abordagem do tema para que ele não se apague da memória. É algo que aconteceu e que deve ser lembrado para que jamais se repita.
    O ponto alto do conto, para esta leitora aqui, reside em seu final. Um desfecho de efeito, é certo, mas que, ´para além de seu impacto dramático, leva o leitor à reflexão. Que vida seria a daqueles recém libertos?
    Interessante notar também, que neste conto a abolição é abordada como algo por que os escravos tiveram que lutar. Assim, o(a) autor(a) não traz personagens passivos aguardando a assinatura de uma lei, não, mais que isso, a luta pela liberdade, assim como está no texto, é extremamente verossímil e, mais uma vez, leva o leitor à reflexão.
    Como digo a todos, se minhas impressões não estiverem de acordo com sua obra, desconsidere-as.
    Desejo sucesso no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  3. antoniosbatista
    24 de novembro de 2020

    Resumo; Senhor de engenho, fazendeiro Zacarias, se considera o rei do lugar. Quando descobre que a escravidão seria abolida, ele esconde o fato dos escravos com a intensão de não lhes dar a liberdade. Ao descobrirem, os escravos se revoltam.
    Comentário: !888, foi o ano da Abolição da Escravatura, assinada pela Princesa Isabel, no mês de maio. Gostei da história, o texto é bem escrito, as referências sobre a época estão de acordo, os personagens estão bem caracterizados, cada um com sua personalidade, em destaque Zacarias e sua soberba. Achei que o final seria mais dramático, com alguma tragédia, porém ficou bom mesmo assim, Boa sorte.

    • antoniosbatista
      24 de novembro de 2020

      corrigindo; 1888

  4. Claudia Roberta Angst
    23 de novembro de 2020

    RESUMO
    Senhor de engenho decadente tenta esconder dos seus escravos a proclamação da lei Áurea. Um dia, uma das escravas descobre a verdade e esclarece os outros que se unem, enfrentam o senhor e vão embora libertos.

    AVALIAÇÃO
    O conto prende bastante a atenção com o seu enredo bem conduzido e personagens construídas com precisão.
    Devido À habilidade do(a) autor(a) com as palavras e descrições de cena enxutas sem volteios, a leitura flui de maneira contínua e fácil.
    A loucura seria encarnada pelo senhor de engenho? O tema ficou em segundo plano, mas ainda está presente.
    Boa sorte e que a noite não te açoite.

  5. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Firmina.
    Conto sobre senhor de engenho brasileiro que, em um rompante de malignidade e mesquinhez, decide esconder de seus escravos a abolição da escravatura. Esses, quando descobrem a situação do país, vingam-se.
    Antes de tudo devo dizer que gostei do conto. Acho que a ambientação e o contexto histórico foram extremamente bem definidos, e a contextualização é perfeita. A relação entre o senhor e os escravos, embora seja razoavelmente pacífica, no início, adquire contornos mais agressivos conforme o conto se desenrola. E em nenhum momento questiono se tudo é verossímil ou não, pois é tudo estabelecido de forma tão segura que é fácil de aceitar. Mérito da narrativa, que conquista a nossa confiança.
    Acho que no geral o enredo é muito bem arrumado, mas há um porém. Senti falta de maior aproximação ao tema do desafio. Ele aparece em duas circunstâncias, na música ao piano que o senhor de engenho ouve dentro de sua cabeça (muito superficial para encarar como tema do conto), e na situação realmente absurda de um senhor de engenho negar a liberdade (naquele ponto garantida por lei) a seus escravos. Essa segunda opção pode ser encarada como uma loucura, em sentido figurado. Mesmo assim, se comparada com outros contos do desafio, a aproximação é muito frágil.
    É um bom conto e que brilharia imensamente num desafio com outro tema. Como loucura acho que ficou a desejar. Compensa isso, entretanto, com ótimo desenvolvimento narrativo, boa ambientação e contexto histórico apurado.
    É isso. Boa sorte no desafio.

  6. Elisa Ribeiro
    21 de novembro de 2020

    Para não perder seus privilégios senhor de engenho esconde de seus escravos a abolição da escravatura.
    Um argumento interessante e singular no desafio. O problema é que na minha percepção o tema da loucura foi abordado apenas de forma figurada se considerarmos como louco o comportamento negacionista do senhor de engenho.
    O enredo é interessante e bem desenvolvido, os personagens igualmente me pareceram bem trabalhados e as boas descrições contribuíram para a imersão na história. Acompanhei a narrativa com interesse e o texto me pareceu bem revisado.
    O que gostei: da ambientação em um período marcante da história brasileira.
    O que não gostei: algumas falas dos pretos soaram impertinentes e um pouco incompatíveis com a situação de escravizados. Nada muito grave, mas cabe uma reflexão e talvez um ajuste.
    Finalizo dizendo que foi uma leitura bem agradável.
    Desejo sorte. Um abraço.

  7. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Gostei bastante do seu conto, que me fez transportar na história. Enquanto português, não é possível sentir qualquer tipo de orgulho do facto do meu povo ter promovido a escravatura. Este texto fala de um homem que tem escravos e que esconde deles a Lei Áurea, sancionada a 13 de Março de 1888. Neste aspecto, já tinha havido outras duas leis, uma que libertava os filhos nascidos de escravos (a Lei do Ventre Livre) e outra que libertava escravos com mais de sessenta anos. Gostei da forma como foi contada, embora o final seja previsível. Na época, a transição não foi pacífica e as motivações estão aqui bem retratadas. O grande problema é que as pessoas, passados quase duzentos anos, ainda se sentem escravas de uma vida que perdeu muito da sua humanidade. Quando nem tempo temos para passar com a família e somos muitas vezes obrigados a executar tarefas que não queremos fazer por salários de miséria, fico a pensar se a situação mudou assim tanto.

  8. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Senhor de engenho esconde dos seus escravos a abolição. Seu comportamento antes ameno piora e se torna violento pra evitar perder-los.

    Gostei 😃👍 Gostei da ambientação, é um conto muito bom, bem escrito e com personagem críveis. Achei criativa a ideia de usar esse tema aliado a loucura do homem. Me pergunto quantos homens iguais a eles usaram a ignorância dos escravos para perpetuar essa condição infeliz até o fim. As histórias paralelas funcionaram bem, fiquei com pena do João, tão acostumado e feliz no seu mundinho se vendo em uma situação nova capaz de lhe tirar o sorriso do rosto. A conclusão foi interessante, os momentos de tensão funcionaram bem. Gostei de demonstrar como o senhor enchergava a si, como um ” homem bom” por nunca tratar os negros como muitos outros. Eles realmente acreditavam nisso, né? Parabéns pelo trabalho.

    Não gostei 😐👎 Tem pontos inverossimeis na escrita, a voz do escravo e do senhor se assemelham, tudo bem que João é mais esperto e deve ter aprendido algumas coisas, ainda assim soou estranha a linguagem. O final promete um final feliz que sabemos que não existiu…bem não existe até hoje. A loucura do homem foi apenas um pequeno detalhe…pequeno mesmo. Os ” cortes” de cenas não favoreceram a fluidez da escrita. As vezes eu não sabia quem estava falando, a cena da descoberta, lá no rio ficou bem confusa pra mim. Li apenas uma vez então posso ter perdido algumas coisas. No mais, um conto que se destaca de certa forma no certame.

    O conto em um emoji : 😠🧾⛓️🔗👵🏿👩🏾‍🦱🙋🏾‍♀️🙋🏿‍♂️

  9. Fernanda Caleffi Barbetta
    19 de novembro de 2020

    Resumo
    Recusando-se a cumprir a lei Áurea, senhor de engenho faz o que pode para que seus escravos não saibam da abolição. Quando descobrem, vingam-se dele.

    Comentário
    Seu texto é bom, traz dados históricos interessantes, tem um enredo bem desenvolvido, personagens bem trabalhados. As descrições foram muito boas, fazendo com que eu visualizasse toda a história com facilidade.
    Sugiro que trabalhe melhor aos diálogos. Neste que coloco abaixo, por exemplo, as respostas não pareceram se encaixar muito bem com as perguntas, pareceram desconexas … não fluíram naturalmente:
    — Que feio que nada, senhor. Me desculpe, mas estás falando asneiras! Todo mundo gosta de mim lá, eu faço seu serviço direitinho, já me conhecem.
    — E achas que não me conhecem, crioulo?
    — Não, senhor, é claro que conhecem. Ajo em seu nome.
    — Então por que discutes?

    Cito também que não me pareceu verossímil que um escravo falasse assim com seu senhor: “Me desculpe, mas estás falando asneiras!” Mais à frente, “desculpe a insolência” tb me soou estranho.

    todos da mesma espécie – que espécie?

    “Naquele dia, entretanto, o senhor Zacarias decidira que ela iria só. Porque acha que só assim hei de voltar.” – gostei da ideia de colocar alguns pensamentos no meio do texto em itálico, como este que acabo de citar. Nos aproxima dos personagens. Inclusive sugiro que use mais, pois foram poucos os casos encontrados.

  10. Ana Maria Monteiro
    18 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Após o 13 de maio que marcou a abolição da escravatura, Zacarias, que tinha três escravos, decidiu esconder deles essa informação e mantê-los na condição anterior, contra a vontade da sua mulher. Após algum tempo, eles tomam conhecimento do sucedido, revoltam-se e acabam por dar uma tareia no patrão, tendo em seguida partido em liberdade, rumo a um futuro que agora lhes pertencia.

    Comentário: Tive de procurar o significado de muitas palavras que desconhecia e a forma de escrever, bastante rebuscada, não ajudou. Não cheguei a ter a exata noção do que seja forra e forro, mas acabei por ter uma noção. Outra coisa que atrapalhou muito a minha leitura foi o tratamento misturado, por tu e por você, na mesma frase e tanto por parte do patrão quanto dos escravos, não me parece natural.

    Ainda que a história que faz pano de fundo ao conto tenha muito o que contar e refletir, o conto não caminhou com desenvoltura, não fluiu e isto tanto por conta da minha dificuldade de entendimento, quanto da própria estrutura narrativa e gramatical.

    É uma boa história, ainda assim, mas o seu principal mérito é o de retratar uma triste realidade, felizmente ultrapassada há muito. No entanto, não encontrei dados que atendam ao desafio, não existe qualquer manifestação direta ou indireta de loucura.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: O senhor Zacarias e a Dona Helena guardam um segredo e, com isso, roubam a liberdade de seus escravizados, antes assegurados, agora ilegalmente. Mas mentira tem perna curta.
    COMENTÁRIO: Fiquei muito feliz em ver um conto (destaca-se: bem) ambientado no Brasil dos oitocentos, ainda mais tendo selecionado um tema do qual não se pode escapar ao retratar essa época: a escravidão. As múltiplas tramas se conciliam bem no espaço limitado do texto, com a opção clara de dar voz a cada personagem presente, uns mais do que outros. Por outro lado, esvazia-se a abordagem temática, que fica mais na sugestão. Outro ponto positivo são as referências. Reparei nesse conto pela primeira vez quando Thiago mencionou o pseudônimo no grupo e, não fosse pelo mesmo Thiago, confesso, envergonhadamente, que não teria percebido a menção a Luiz Gama. Enfim, é um bom conto, que deve um pouco no tema, mas que conta uma boa estória.
    Boa sorte.

  12. Jefferson Lemos
    16 de novembro de 2020

    Resumo: a história de um grupo de escravos que não recebe a notícia de sua alforria, então a trama se desenvolve mostrando como o poder pode corromper uma pessoa.
    Olá, caro autor.
    Você sabe o que faz, não é? Conto excelente, bem escrito, com descrições precisas e uma trama envolvente, vai levando a gente através da história (aqui, me refiro ao conceito histórico também) e nos dando pequenos vislumbres da tristeza que permeava os homens de correntes, negros escravos privados de sua liberdade. Quando o conto começou citando Djonga eu imaginei que não tinha como ser ruim.
    Uma técnica muito boa, refinada, tramas dentro de tramas, personagens bem desenvolvidos e com personalidades bem próprias. Um trabalho invejável, eu fico extasiado lendo isso pela qualidade e triste pelo massacre à minha obra. Ahahhahahaha
    Muito bom, de verdade. Parabéns e boa sorte!

  13. Fheluany Nogueira
    15 de novembro de 2020

    Dono de escravos tenta esconder deles a Lei Áurea. Descoberta a mentira, os negros o enfrentam e saem do local.

    Premissa com crítica à escravatura, deixando entrever vários pontos da questão. Texto sensível, ambientação cuidada, bom ritmo. Estrutura, linguajar convencionais, adequados ao conteúdo de época.

    Poucos deslizes de pontuação ou gramaticais e repetição próxima de palavras não prejudicam a fluidez textual. Apenas não vi foco na loucura; o comportamento de cada um dos personagens pode ser considerado normal dentro das situações apresentadas.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio! Um abraço.

  14. Fabio Monteiro
    14 de novembro de 2020

    Resumo: 13 de maio e a abolição da escravidão.

    Me senti assistindo um filme antigo de escravos. O senhor, como sempre, um homem tirano e cheio de maldades. Recusou-se veementemente a aceitar que os negros não mais fossem seus escravos.

    Eu acredito que o autor(a) buscou trazer no personagem de Zacarias um comportamento narcisista, controlador, de posse, poder. Essas também são características de um transtorno de comportamento. O ser é incapaz de aceitar opiniões contrarias as suas. O mundo deve girar em torno do seu umbigo.

    A forma como a narrativa vai se desenvolvendo é agradável. Os termos e referencias usadas são verdadeiras perolas na leitura. É um texto grande mas da para acompanhar muito bem, sem desvios na trajetória de interpretação.

    Boa Sorte autor(a).

  15. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : Um senhor de engenho completamente pretencioso tem a “genial” ideia de esconder de seus escravos o fim da escravidão.Como é de se esperar os escravos descobrem a farsa e o senhor de engenho leva uma boa surra.
    Comentário : O conto é genial.Mostra como o ser humano pode ser egoísta e pretencioso.O senhor de engenho acha mais importante sua vida financeira do que cumprir a lei e admitir que todos os homens são iguais.

  16. Thiago de Castro
    8 de novembro de 2020

    Senhor de engenho se torna insano e paranoico a partir do momento que decide ocultar de seus escravos o 13 de Maio.

    Bom texto e enredo, com temática contemporânea e necessária. Há, em todo conto, um evidente trabalho de pesquisa a serviço da narrativa. Você trouxe , além do 13 de maio, aspectos legais sobrea escravidão (os abusos e castigos físicos passaram a ser proibidos nas décadas finais do Império, sendo inclusives considerados condenáveis. Há um livro do Sidney Chalhoub, chamado Visões da Liberdade, com uma série de relatos à respeito), e uma referência à Luís Gama.

    Quanto a abordagem, há uma crítica na figura medíocre de Zacarias, um decadente senhor de escravos com desejos de ascensão num modelo econômico em franca ruína. Nesse ponto a loucura se manifesta como uma sandice de pequeno poder que, felizmente, é vingada com êxito pelo autor.

    Me lembrei de Cumbe, do Marcelo D’Salete.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

  17. Leda Spenassatto
    8 de novembro de 2020

    Resumo:
    Zacarias um dono de escravos falido tenta esconder deles a Lei Áurea de 13 de maio de 1888.

    Quase uma aula de história.
    Só identifiquei um quezinho ortográfico. Se tem outros , passou batido, tão gostoso e próximo da história real, da barbárie que foi a escravidão. Dói em mim até hoje!

    Obrigada pela leitura de tão belo texto. Gostei, amei!

  18. Lara
    7 de novembro de 2020

    Resumo : A escravidão é abolida mas um senhor esconde essa verdade de seus escravos. Mas os escravos acabam descobrindo a verdade e indo embora.
    Comentário : O senhor de engenho possui a loucura de se achar superior a outro ser humano. O conto ilustra bem como uma pessoa egocêntrica só pensa em si mesma e em ter poder.

  19. Giselle F. Bohn
    7 de novembro de 2020

    Senhor de escravos decide por não acatar a nova lei que abolia a escravidão. O conto narra os fatos que cercam essa decisão.
    Amei este conto! Boa narrativa, ambientação perfeita, personagens carismáticos, excelentes diálogos, e uma eficaz construção do suspense. Muito bom mesmo. Parabéns! Você é já um autor ou uma autora e tanto!
    Há necessidade de uma boa revisão; em especial, sugiro que olhe novamente a diferença no uso dos pronomes “o”, “a”, “lhe” e afins. Em vários momentos foram trocados, como aqui: “Certa noite, entretanto, julgou encontrar o que o tirava o sono.”
    Uma coisa que me causou estranhamento foi esta frase: “Mas eram outros tempos e os escravos que agora viviam ali eram todos da mesma espécie.” Não entendi o que você quis dizer com “espécie”. Talvez algo como “irmandade”, mas achei ruim a escolha da palavra.
    Este conto tem várias subtramas e me pareceu material para um romance ou uma novela. Se for o caso, vá em frente, porque o material promete! Boa sorte no desafio!

    • Bianca Cidreira Cammarota
      8 de novembro de 2020

      O conto faz um recorte ficcional dos últimos dias da escravidão no Brasil, onde há a perspectiva da relação senhor e escravo nos olhares e vidas de vários personagens

      Firmina, antes de mais nada, devo dizer que estou encantada com seu texto!

      Tenho formação em História e percebi que você é da área ou simpatizante da mesma ou ainda de alguma disciplina irmã. É patente a pesquisa que fez sobre essa época. A Irmandade entre os negros era um espaço de identificação e força entre eles, principalmente quanto à questão da morte, ou melhor “a boa morte” , à vida após. A decadência da casta senhorial, presa às antigas premissas também é lindamente exposta em Zacarias. Gostei que vc o tenha colocado humano – ele não é um vilão prosaico. É um homem daquela época, resistindo às mudanças. Avesso ao que ele considerava maus tratos ( nunca deu porrada e expôs ao constrangimento, segundo a visão dele), considerava-se um bom homem. A escravidão para ele era natural. Em contraponto, há o Cerqueira, com visões progressistas, o qual Zacarias tinha admiração e, ouso dizer, inveja. Há a relação de Bernardinho com os senhores, há tanto… tanto o que falar de bom!

      Nossa, tenho que me poupar aqui nos comentários…rs . Caso contrário, será um livro. E poderia dissertar sobre cada linda personagem criada aqui, sua história, sua relação com as demais… Todas tiveram seu momento de protagonismo, compondo uma ária.

      O enredo é maravilhoso, o entrelaçamento entre as personagens é incrível e o conjunto fantástico!

      Apenas duas observações:

      1 – A questão da loucura ficou bem sublinear. Deu a impressão, pelo menos para mim, que é o conjunto da questão, ou seja, a escravidão em si, talvez um pouco mais demonstrada em Zacarias por sua postura.

      2 – Alguns erros de vírgula, de sintaxe, mas nada, absolutamente nada que tire uma centelha do brilho de sua obra!

      Adorei seu conto! Parabéns! Estou ansiosa para saber sua identidade e poder falar contigo sem o anonimato.

  20. Anderson Do Prado Silva
    7 de novembro de 2020

    Resumo:

    Após de abolição da escravidão, senhor de engenho tenta manter seus escravos ainda sob cativeiro.

    Comentário:

    Para mim, este se revelou o conto mais difícil de atribuir uma nota. Assim, optei por fazer uma atribuição provisória, ser um dos primeiros a comentar e, depois, voltar aqui para reler o texto e conhecer os demais comentários e, assim, me decidir por uma nota definitiva.

    É um texto muito bom, com excelente domínio do léxico e das técnicas de narração. A crítica social, colocada de maneira elegante e perspicaz, também me fascinou. Não gosto de epígrafes, pois, sobretudo no contexto de um desafio literário, elas sempre ficam me parecendo uma tentativa de se apropriar de qualidades e méritos alheios; no entanto, aqui, o autor foi muito feliz na escolha da epígrafe, fugindo de obviedades e abrindo espaço para um artista fantástico como o Djonga; além disso, epígrafe e enredo casam perfeitamente, tornando-se indissociáveis.

    Agora, o ponto que me incomodou e tornou tão difícil a tarefa de atribuir uma nota: o tema do desafio ficou muito disperso. O autor ousou, certamente, ao optar por tangenciar o tema. Eu o encontrei em dois momentos: o primeiro, na frase “E ele estaria longe dessa roça, dessa loucura… de uma vez por todas.”. Assim, a loucura seria o regime escravagista e seus consectários. Depois, deparei-me com a loucura na figura do senhor de engenho e “sua musiquinha irritante, um piano só em sua cabeça enevoada”. É isso, eis a loucura. Foi suficiente? Olha, nessa minha primeira leitura, achei a abordagem muito tangencial (principalmente quando faço uma análise comparativa com outros contos aqui do desafio). O texto é bom, bonito, comovente, angustiante, com ótimo enredo e tantas outras qualidades, mas focou em questões paralelas à loucura. Seria um nota máxima se o tema do desafio fosse, por exemplo, consciência negra, mas, sendo o tema loucura, este conto me deixou, enquanto avaliador, e dentro de uma análise comparativa, numa situação extremamente difícil. O que fazer: premiar as demais qualidades do texto ou punir o tangenciamento do tema? Ainda não me decidi. Precisarei refletir.

    Apesar do domínio do léxico ser bom, achei a prosa um pouco conservadora. Faltou, em termos de linguagem, na minha opinião, um pouco de ousadia. A estrutura do texto também é bastante conservadora. Por outro lado, o autor foi extremamente ousado na escolha do enredo (com os temas escravidão e abolição), tudo ambientado dois séculos atrás.

    No primeiro parágrafo, a palavra “menino” aparece duas vezes em locais muito próximos. A trecho “andava cá e lá do pequenos recinto” me soou esquisito (não seria “de cá para lá no”?). Depois de “respondeu” deveria haver “:” e, não, “.”. Achei que “logo, logo” atravancou a leitura. Faltou vírgula depois de “Nos últimos dias” e de “Então”. “Dissera eles” deveria ter inicial minúscula e ser antecedido por travessão. “Asneiras” soou pouco crível na boca de um escravo se dirigindo ao seu senhor. Igualmente pouco crível soou “Não te sirvo, moleque, porque és mentiroso e canalha!”.

    Achei a frase “Sentiu pena. Ela já sabia que o marido era um senhor decadente. Se tirassem o senhorio, sobraria apenas a decadência.” genial!

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio!

  21. Angelo Rodrigues
    7 de novembro de 2020

    Resumo:
    Conto que fala da relação entre senhor de escravos e suas propriedades. Zacarias, o senhor de alguns, nega libertar seus escravas e acaba sendo confrontado por eles.

    Comentários:
    Conto até certo ponto intrigante. Li-o em busca de que, em algum ponto, veria a loucura emergir. Ela não veio. Talvez porque a loucura estivesse em todo o conto, imerso no seu próprio enredo: a escravidão. A loucura do domínio de “raça” sobre “raça”, que tem o estranho dom de perdurar.

    O autor trabalhou bem – até onde posso saber – a ideia da relação entre escravos e seus donos. Não tenho leitura suficiente para fazer uma avaliação mais profunda da funcionalidade das relações nas fazendas onde havia escravos. E creio que tudo aquilo que por lá se passou, por justa vergonha e pouco pudor, ficou submerso, tornou-se oral, e quase se perde como tudo se perde entre nós, particularizada a verdade acerca de tantos fatos escabrosos e vergonhosos.

    O conto, de alguma forma, nos faz lembrar do que houve, do quanto foi desumano, e por quanto tempo durou – e tão recente…

    Uma história que se alterna entre amor, medo, trapaça, dor, prisão e liberdade. Embora a leitura não seja nem um pouco difícil, achei que poderia haver algo mais central ligado à loucura. Nesse quesito, acredito, o conto ficou devendo.

    Mesmo assim, um bom conto.

    Boa sorte no desafio.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado em 7 de novembro de 2020 por em Loucura.