EntreContos

Detox Literário.

Essas pessoas na sala de jantar (Filho da Cota)

Parado há mais de noventa e sete segundos, ou noventa e oito, talvez noventa e nove, só observando aquelas pessoas a tomar café da manhã na pequena mesa da sala de jantar. Como se a casa fosse delas. Enquanto isso, Dona Cota lavava a louça. Três lugares, ocupados por Clarice, Cezão e Carol, em quem concentro minha raiva. Porra, Carol, você sai da cama, me deixa sozinho e vem ficar olhando pra a cara deles, sem dizer nada?

É impressão minha, essa garota não pode ter piscado pro Cezão. E se fosse mesmo só impressão, aquele fedorento estaria agora com cara de bobo, babando na minha gata? É impressão minha, deve ser impressão, só isso, uma impressão. Impressão é uma palavra bonita, por isso gosto de repeti-la tanto. Gosto de palavras com M antes de P e com SS, ainda mais se tiverem A-O-TIL no final. Por isso impressão é tão perfeita. Deixando minha impressão de lado, surge uma grande dúvida: ninfetas gostosas flertam com caras fedorentos, sem banho há semanas? Nojo. Ele ia ver uma coisa.

Sai, Cezão. Vem cá, Dona Cota. Larga essa louça e vem aqui, agora. 

E a querida Dona Cota vem, a mulher a cuidar de mim desde não sei quando, sempre a primeira a me acudir quando me machucava. Alma boa, segunda mãe. Um dia perguntei aos meus pais se era adotado, pois parecia. Cheguei a dizer durante um almoço de Natal, a família toda reunida na casa da minha bisa, por qual motivo meus pais não tinham trazido a Dona Cota. Quem ia me contar as histórias mais interessantes, entre uma garfada e outra, pra me distrair e assim não sentir o gosto intragável das ervilhas, cenouras e quiabos? 

Merda, mãe, até parece que sou filho da Dona Cota, não da senhora! E com essas palavras gritadas em meio a um monte de gente ganhei uns bons tapas. Pelo palavrão e por ter revelado minha preferência por Dona Cota. A verdade realmente dói. Depois de um tempo me acostumei com os tapas, virou rotina.

De novo peço pro Cezão sair do lugar dele. Da primeira vez fui grosso, agora mando vazar, afinal ele praticamente tinha comido sozinho os pães todos do cesto, o estômago devia estar cheio até a tampa. Dona Cota se senta no lugar dele, meio sem jeito. Não está acostumada a esse tratamento. Reparo uma coisa, o tempo não passou pra ela. Também não passou pra minha mãe, de qualquer forma aqui não cabe essa comparação (outra palavra terminada em A-O-TIL e com M antes de P, perfeição seria se tivesse SS no lugar do cê-cedilha), porque minha primeira mãe que se tornou a segunda morreu cedo. 

Come a torrada, Dona Cota, come. Passa essa geleia, a senhora tem direito, foi a senhora mesmo quem fez. Geleia de jabuticaba, onde encontra essas coisas? É, eu sei, a senhora faz pra mim porque eu adoro jabuticaba. Aposto que a velhinha é capaz de saber quantas delas eu chupava a cada subida na jabuticabeira da casa da vizinha, bolinhas graúdas, doces, um mel escorrendo, as cascas indo pro chão, fazendo um tapete e Dona Cota lá, sentada em um banquinho, só observando. Olha a dor de barriga, Caio. Tá, Dona Cota, qualquer coisa depois a senhora faz um chá, não faz?

Clarice, alheia ao flerte e ao fedor do Cezão, uma das sobrancelhas erguidas, como pode ser sensual desse jeito, meu deus do céu, lendo compenetrada o jornal? O síndico faz questão de colocá-lo por baixo da porta do apê toda manhã. Aquele velho sem-vergonha. Quase bodas de ouro com a esposa e ainda se engraçando com qualquer uma. 

Corrigindo, Clarice não é qualquer uma, preciso me retratar, foi só uma expressão muito ouvida em casa, mamãe sempre a usava quando meu pai chegava tarde, pois o marido só podia estar com uma qualquer mesmo. Clarice Cunha Centurião Carneiro é uma grã-fina, socialite e apesar disso muito sozinha, muito carente, ninguém consegue preencher seu vazio existencial, reclama. Carente de conversa e, segundo ela, não queria saber de sexo. Sou assexuada, Caio, o sexo não me interessa. Um dia me revelou o motivo de ter se separado dos quatro maridos: prefere a leitura. Platão, Shakespeare, Sade. Espera aí, Clarice, Sade? E a conversa sobre a assexualidade? Quis me convencer, o Sade era só um fetiche, jurou. E até tentou, várias vezes, com homens e mulheres, porém não conseguiu. Não tem interesse. Nem com você mesma, Clarice? Nem, Caio. Nem com um brinquedinho? Sério, Caio, com nada. O livro é melhor. 

Antes da pandemia conversávamos sobre tudo na Internet, entre uma reunião e outra do trabalho. A gente trabalhava na mesma revista, Clarice em Paris, eu na Liberdade. Eu escrevendo sobre política, ela sobre variedades. Aos desejosos de saber tudo a respeito da sociedade europeia, lá estava a repórter, noticiando e comentando com seu natural ar de superioridade, tão natural a ponto de ser simpático, como era possível? Era natural, sim, porém não era esse o seu motivo de trabalhar na revista. O dono era o ex-marido. Clarice pediu pra ele escolher: ou a deixava ser correspondente na França, ou o faria pagar o olho da cara de pensão, mesmo que não precisasse.

Com o conhecimento que tenho em direito de família, o que você acha, Caio? Natural eu ganhar fácil a ação. Na verdade Clarice não disse “natural”, na verdade gosto dessa palavra também. Natural eu incluir a palavra natural quando achar melhor. Porque sou natural, nos pensamentos e nas ações. É, isso também me soa natural. 

Foi natural convidar a Clarice pra ficar aqui no apê, o tempo desejado por ela, durante a pandemia. Afinal, como me desculpar por ter cometido aquele ato impensado? Na verdade foi pensado, sim, embora não por muito tempo. Bem, uma vez quis muito fazer um jogo erótico com ela. De longe mesmo. Eu não tinha culpa do meu tesão naquele capital cultural todo da colega de trabalho. Clarice, deixa, vai, só uma vez. Você nem precisa olhar e pode desligar o microfone. Termino rapidinho. Você lê um livro enquanto isso, vou achar sex. Não vejo graça na palavra sex. Vou achar natural, fica melhor. E mais excitante. Natural e excitante, excitante e natural. Natural e natural.

Sem essa, Caio. Estou dizendo não. Se tem coragem de fazer isso, depois arque com as consequências. Ah, é? Acha que não tenho coragem, é, Clarice? Toma aqui o meu Sade, bem enorme pra você. Shakespeare tinha um maior? Platão? Duvido! Duvido! Duvido!

Clarice não precisou fazer nada mais, bastou me ignorar. E eu me ferrei sozinho, pois pensei ter desligado a câmera para os outros. Pensei errado. Todos foram testemunhas do meu assédio. Nada justifica. 

Aceitei a demissão. Seria bom. Ficaria o tempo todo no meu apartamento. Estaria só comigo mesmo, nem mesmo acessaria as redes sociais, nada de renovar a tevê a cabo. A paz durou oito dias e quinze horas. Eles vieram aos poucos. Primeiro a Clarice, ao aceitar meu convite, do qual eu nem me lembrava mais, com a minha promessa: nada aconteceria entre nós. Sinto vergonha das minhas desculpinhas esfarrapadas. A Clarice na verdade tem dó de mim, deve ser isso. 

Nem se eu quiser andar nua aqui você vai me assediar? Pode andar nuazinha, querida, vou fazer de conta que é minha irmã, ou uma prima mais velha. Também não exagera, Caio, você é filho único. Só peço mais uma coisa: não me interrompa quando eu estiver lendo. Tá bom, Clarice. E a gente conversa só quando eu não estiver lendo. Sim, só quando não estiver lendo. E só quem quebra as regras sou eu. Tá, Clarice.

Como não fui mais à academia, Carol veio para malharmos juntos todo dia. Emoção indescritível, depois de meses flertando com ela, olhares de relance entre um aparelho e outro. Uma única vez nos falamos, coincidência acontecer isso em um dia de pouco movimento naquele lugar chato, cheio de marombado? Éramos quase sempre só nós dois ali. E eu passei a malhar só naquele horário, das seis às sete da manhã. Coincidência. Coincidências não existem. Adoro essa palavra, coincidência. Paroxítona terminada em ditongo crescente. Tudo o que a minha professora da quarta série tentou me ensinar um dia agora eu sabia. Você aprendeu, Caio, que bom, imagino Tia Luiza me parabenizando. Obrigado, Tia. Apesar disso, não a convidaria pra ficar aqui, não. Parecia meio louca.

Dona Cota ainda vinha me visitar de vez em quando pra limpar o apartamento. Com a idade dela, fazendo parte do grupo de risco, era melhor que não ficasse indo e voltando. Com a desculpa de até hoje eu precisar de alguém pra cozinhar, é claro que foi uma baita vantagem ela ficar. Quem sabe assim consigo descobrir seu nome, de uma vez por todas. Dona Cota me lembra a Irene do Bandeira, mesmo não sendo preta. Sim, eu vejo Dona Cota, com toda a sua humildade na fila da entrada do céu, alguns lugares atrás da Irene, perguntando pra São Pedro se tinha permissão pra atravessar aqueles portões enormes. Minha velha era dessas, tudo pedia licença. Dá licença, seu São Pedro? Entra, dona Cota, não precisa pedir licença. Agradecida, bondoso São Pedro. E logo se oferece pra lavar o prato e os talheres do velho barbudo da mesma forma como lavava a louça de ontem, enquanto aqueles três ocupavam as três cadeiras da pequena mesa da sala de jantar, tomando café da manhã às dez e quarenta e um. Ainda bem, ao menos uma vez na vida o Cezão me obedeceu, aleluia. Preciso comprar mais uma cadeira. Pra mim. O Cezão senta em qualquer lugar.

Bom que a Dona Cota finalmente aceitou meu pedido de tomar café com a gente. Ao mesmo tempo consegui acabar com a palhaçada do Cezão com a Carol e ser justo com a querida velhinha. Na casa dos meus pais nem isso deixavam a coitada fazer. Minha primeira mãe aprovou o que fiz com a minha segunda mãe, que antes era a primeira. Jurei pra Dona Cota, mamãe não sentiu dor. Não fique preocupada, mãezinha, você vai morrer dormindo. Vão dizer que foi por causa da sua tristeza. O papai também vai acreditar nisso e vai ficar aliviado, ninguém mais pra ficar gritando no ouvido dele. É só pra Dona Cota ter um lugar nessa mesa, porque sempre fica ali, parada do meu lado. Por que você nunca deixou minha outra mãe comer junto com a gente? Mãe, eu pedi tantas vezes… Sabe, você se foi e ninguém sente a sua falta e, todo mundo supõe, foi você quem quis. E tem a Dona Cota lá. Que agora não está mais lá, agora está aqui e eu juro, não deixarei que volte pra casa do papai. Ele não vai sentir falta e vai ficar aliviado. Tem sempre uma qualquer pra cuidar dele.

O Cezão continua morando na casa dos meus pais, mesmo agora o imóvel sendo só do meu pai. Mesmo quando a minha primeira, aliás, a minha segunda mãe morreu e todo mundo pensou ter sido natural, e talvez seja por isso o meu gosto por essa palavra. Natural. Morte natural, morte natural, morte natural… Tão nova, né? Coitada. Fazendo as contas aqui, eu tinha quase trinta, então na verdade já não era tão nova, não, eu me embanano com o calendário. Impressão minha. Impressão. Com M antes de P, SS e A-O-TIL. Já disse que acho essa palavra perfeita?

Então, até hoje o Cezão mora lá. Só encontro o escroto quando visito o meu pai. Encontrava, infelizmente, porque agora ele está entocado aqui e continua me chamando de moleque, não respeita a barba que tenho na cara. Já falei pra ir embora. Ele não vai. É bem o jeito dele, quando quer se faz de surdo.

Desde que me conheço por gente pergunto pro velho quem é esse cara esquisito vivendo lá com a gente, na maior folga. É meu tio, pai? É meu primo? Por que ele é feio assim? Por que está sempre sujo? 

Um dia ele me chamou ei, menino, ei… Eu? Você mesmo, menino. O-o q-que foi, t-tio? Faz favor de me chamar pelo nome. E eu não sou seu tio, moleque. Só me respeita, só isso. Meu nome é Cezão. Cezão é apelido, não é? Eu gosto, tem A-O-TIL. Cala a boca, moleque. É Cezão, meu nome é esse e não te interessa.

Ao menos ele não me seguia até a escola. E por isso eu gostava de lá. E depois ficava a tarde toda na rua. E a mãe gritava entra, guri, vai tomar banho e jantar. Teu pai já tá esperando. Do Cezão também não falava uma palavra. Nem dez, nem mil. Nunca, nunca, nunca… Nunca é advérbio de negação e de tempo. No caso da minha mãe, eram as duas coisas. Talvez tivesse raiva daquele cara. Eu também tinha e o meu medo era maior. Muito maior. Cezão estava ali, no meu quarto, me olhando, sempre quando eu queria dormir. Era ele quem me acordava. Levanta, moleque, tua mãe já te chamou um monte de vezes. T-tá, Cezão.

É. Ele sempre me acorda. E continua me acordando até hoje, não sei como conseguiu as cópias das chaves. Já troquei muitas vezes, perdi a conta, esse safado deve ser falsificador. E de repente essa cena dele me acordando agora há pouco vem de novo na minha cabeça. Será que esse merda foi lá e viu eu e Carol na cama? Ficou observando a gente? A Carol tem a mania de colocar a perna por cima da minha, dormir nua em pelo. Sem se cobrir. O Cezão se aproveitou disso, certeza. 

E se a Carol estava fazendo caras e bocas agora pro safado, terá percebido o que eu pensei? Certeza, percebeu, sim. Ah, então agora vocês dois têm um segredinho, é? Quer saber? Cansei de vocês dois. Faz sentido, Carol e Cezão se comunicando assim, só no olhar? Devia fazer isso comigo, né, Carol? A faca de pão tem uma ponta boa, serve para mais coisas além de cortar pão. Vou dar um jeito nesse Cezão e é agora. Só não posso atrapalhar a leitura da Clarice, faltam poucas páginas pra terminar o livro, e nem a Dona Cota, deixa a velhinha comendo torradinha emplastada de geleia, uma após outra, aquele semblante de paz. Não quero atrapalhar. Dona Clarice e Cota podem ficar tranquilas, vai ser rápido. Clarice e Dona Cota, é tanto nervoso, troco até os nomes.

Do sofá, Cezão continuava trocando olhares com a Carolzinha. A biscatinha agora colocava a língua no lábio superior, passando-a de um lado ao outro, aquele olhar de vadia. Aproveito a língua dela, tão ao meu alcance. Olha, Cezão, olha o que eu faço com isso aqui. Quer um beijo de língua da Carolzinha, quer? Toma aqui, engole a língua dela, mastiga bem. Que tal um peito? Aceita o outro também? Ah, não quer mais saber da garota, só por estar toda fatiada agora? Faz alguma coisa, homem, diz qualquer coisa. Se cortarem seu dedo, faz o quê? Grita? E se alguém passar a faca na sua jugular, assim? Esse seu sangue jorrando, tingindo tudo de vermelho, visão idílica, você não tem ideia, indescritível. O seu sangue misturando com o da Carol, olha, finalmente ficaram juntos, eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva. Espera, deixa eu achar a boca da Carol em algum lugar por aqui…

 

Doutor? Ah, então o senhor veio, já não era sem tempo. Pode deixar, eu mesmo limpo todo esse sangue. Já estou acostumado. O da mamãe estava mais viscoso. Ainda tem algumas manchas no carpete, até hoje, não sei o motivo. Mamãe morreu de tristeza, dormindo. Não sentiu dor. Se o senhor tirar essas coisas de mim prometo limpar bem melhor. Prometo, vou me comportar. Sempre fui um bom menino, não, não, não fui. Ainda sou, verbo no presente do indicativo. Se o senhor puder falar com a Clarice e a Dona Cota, elas vão confirmar. Eu fiz as pazes com a Clarice, pois já me perdoou, só preciso não atrapalhar a leitura dela. O senhor lê Platão também? Não me diga que lê Sade? Prefiro Platão a esses dois aí, Platão tem A-O-TIL. Ainda sou uma criança, a Tia Luiza me ensina de vez em quando. Por causa dela, amo e odeio morfologia. Devia ter matado essa mulher, isso sim. O nome não começava com C, só isso já era motivo. E se parecia com a minha mãe, a primeira. Segundo motivo. O meu pai trepou com a Tia Luiza. Terceiro motivo. Eu soube, era uma qualquer, sanguinária das palavras. Quarto, quinto e sexto motivos.

Eu assumo a morte desses dois. Não tenho coragem de culpar nem a Clarice e nem a Dona Cota. Dois a mais, dois a menos, não farão diferença. O doutor pensa que eu não sei, é? Nunca vou sair daqui, nunca. Pelo menos tenho as duas pra passar o tempo. Agora a minha querida Dona Cota senta com a gente pra comer. Ainda sem jeito, mas logo se acostuma. E um dia a Clarice vai voltar a falar comigo. Estou esperando. Só falta isso pra ser feliz de novo. Um arrependimento? Fazer aquilo com a Carol. Bastava o Cezão, aquele fedorento. O sangue na parede deixei. Gosto daquelas manchas. Tem um pouco da Carol ali. Se passar um verniz por cima, ficam perfeitas. Veja só, Doutor, finalmente criei algo artístico. Tenho talento pra isso, não tenho? Fiz Jornalismo, meu pai me obrigou. Também me obrigou a tomar remédio, mas descobri como não engolir a pílula maldita. Finalmente livre.

Doutor, cansei, só mais duas perguntas: o meu pai vem me visitar hoje? Ele vem sozinho, ou com a minha segunda mãe? Ah, sim… não é dia de visita… Dona Cota, não precisa fazer a lasanha. 

40 comentários em “Essas pessoas na sala de jantar (Filho da Cota)

  1. Andre Brizola
    25 de novembro de 2020

    Olá, Filho da Cota.

    Conto em que Caio enumera não só os motivos pelo qual convive com os outros personagens, mas também sua fixação por algumas palavras, suas relações sociais/sexuais, suas tendências assassinas e sua preferência por Dona Cota.

    Bom, há loucura, com absoluta certeza. Caio, narrador do conto, demonstra diversos tipos de perturbações, incluindo aí a parte sociopata que o leva aos assassinatos e sua consequente internação. O conto, em primeira pessoa, nos coloca frente à frente com todas essas perturbações. E eu até gosto desse tipo de artifício literário, mas, quando se trata de um louco narrando, acho que o limite entre o interessante e o dispersante é muito tênue.

    Há um enredo bem interessante aqui, que é a relação de Caio com suas “mães”. No ponto de vista do narrador somos levados a crer naquilo que ele nos conta, e essa dúvida, essa falta de esclarecimentos, é legal. Nos faz buscar a explicação entre as coisas que ele nos diz. O problema é que isso fica enterrado em diversas outras coisas acontecendo na cabeça do narrador, como as proibições de Clarice, as explicações do gosto por determinadas palavras, o asco gritante por Cesão. Eu sei que isso compõe o personagem e enriquece suas neuras e perturbações, mas acabou também por causar muitas distrações.

    Trata-se de um bom conto. Bem redigido, bem situado dentro do tema do desafio. Mas, no geral, achei bastante cansativo. Perdão por isso.

    É isso, boa sorte no desafio!

    • Alter ego do Caio
      26 de novembro de 2020

      Olá, Andre, tudo bem? Te agradeço muito pela leitura e comentário. Compreendo perfeitamente seu ponto de vista, mas conhecendo o Caio como conheço, ele não conseguiria narrar de outra forma. Boa sorte pra nós. 🤪

  2. Alter ego do Caio
    25 de novembro de 2020

    Querida Ana Maria. Eu e Caio achamos você muito simpática. Seu comentário trouxe grande felicidade a nós. O Caio não consegue demonstrar a felicidade, mas por dentro eu sei que ele está até pensando em pedir que seja sua terceira mãe. Só uma mãe o presentearia com palavras tão belas. Principalmente “compressão” e “descompressão”, ai, que delícia!

  3. Alguém
    24 de novembro de 2020

    Olá, Autor.
    Resumo: Caio, preso num hospício ou na prisão, fala com o leitor como se o fizesse com o médico, relatando de forma bastante louca o uma quantidade de pessoas que supostamente assassinou, não se chega a ter a certeza do que seja verdade ou apenas imaginação delirante.
    Comentário: Nem sei por onde começar. A fluidez da sua narrativa é impressionante e perfeitamente natural – para um louco. Que mergulho, hein?
    Deve ter sido difícil escrever este conto, imagino. Ele faz sentido, brinca com as palavras, tem uma técnica fabulosa, mas no fim o leitor não sabe dizer o que sucedeu ou não, o que é delírio ou realidade, se Caio matou ou não matou fosse quem fosse. A bem dizer, o leitor nem sabe se gostou ou não do conto, mas sabe que você maneja a arte narrativa e as palavras com extrema competência.
    Com a paixão gramatical que Caio exprime, as melhores palavras que encontrei para o ajudar em simultâneo na melhoria da loucura (pois essa não tem cura) e também aplacar a sua sede por palavras com certas características foram as seguintes, que lhe aconselho vivamente enquanto exercício: compressão, descompressão, compressão, descompressão, compressão, descompressão…
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Ana Maria Monteiro
      25 de novembro de 2020

      Alguém sou eu, tal como apareço na foto, Ana Maria Monteiro. Desculpe o engano.

      • Alter ego do Caio
        25 de novembro de 2020

        Querida Ana Maria. Eu e Caio achamos você muito simpática. Seu comentário trouxe grande felicidade a nós. O Caio não consegue demonstrar a felicidade, mas por dentro eu sei que ele está até pensando em pedir que seja sua terceira mãe. Só uma mãe o presentearia com palavras tão belas. Principalmente “compressão” e “descompressão”, ai, que delícia!

        (Eu respondi fora do comentário da Querida Ana, por isso postei de novo aqui. Se puderem apagar o outro, eu e Caio agradecemos.)

  4. jeff. (@JeeffLemos)
    23 de novembro de 2020

    Resumo: os devaneios de um personagem que aparenta ser extremamente perigoso e lunático.

    Olá, caro autor.
    Olha, você escreve bem, mas a falta de um norte para o seu conto me deixou perdidaço. Fiquei tentando encontrar a linearidade, um ponto de ancoragem pra entender onde estava e para onde ia a história, mas falhei miseravelmente. Por isso, parece que é um conto bem escrito até, mas que se perde em si e fica dando voltas e mais voltas. Por esse motivo, acabei me cansando na leitura em algum ponto, porque ela parecia não levar a lugar algum. Dito isto, não tenho muito mais a acrescentar. Seu personagem tem uma loucura palpável, mas se perde dentro da própria história e deixa o leitor sem rumo.
    De qualquer forma, parabéns pelo texto e boa sorte!

    • Alter ego do Caio
      24 de novembro de 2020

      Olá, Jeff. Jeff, Jeff… Eu juro que tentei por ordem na bagunça dos pensamentos do Caio, mas depois de um tempo eu desisti. Depois que vai passando o efeito do remédio, volta tudo de novo, do jeito que era, a maior confusão. Agradeço pela leitura e comentário.

  5. Fabio Monteiro
    23 de novembro de 2020

    Resumo: Personagem psicótico divaga sobre suas alucinações. Tem um fetiche por palavras e certas classes gramaticais. No seu ímpeto esconde uma personalidade bastante perigosa.
    Não sei se lidamos aqui com um psicótico comum. Me parece que o personagem é meio sádico, desprovido de certas emoções (exceto a obsessão).
    Não sei se lidamos com um assassino ou um louco qualquer.
    Creio que fosse essa a intenção do autor(a)
    Todo assassino tem um pé na insanidade. As vezes, os dois. Esse aqui me confunde.
    É nítida a sua personalidade perigosa. O que ele faz é criar uma atmosfera de confusão transformando seu transtorno numa barreira de defesa. Sinto que ele esta no controle do que sente, usando isso como um recurso.
    O TOC, a sua obsessão por palavras cria curvas que nos levam a pensar que ele é um compulsivo qualquer.
    Suas manias revelam traços de uma dupla personalidade.
    O desejo sexual incontrolável também é uma marca perigosa. De pervertido a assassino ou simplesmente um insano qualquer.
    Sobre o texto em si.
    Confuso, confuso…mega confuso. Sem linearidade.
    Boa Sorte autor(a)

    • Alter ego do Caio
      23 de novembro de 2020

      Olá, Fabio, com o seu comentário de repente me bateu um medo do Caio… Nem vou chamá-lo pra ler, vai que ele não entende. Mas muito grato por seu comentário.

  6. Giselle F. Bohn
    23 de novembro de 2020

    Caio, doido de pedra, discorre sobre acontecimentos que talvez sejam delírios homicidas, talvez sejam lembranças reais. Quem sabe? Eu não sei.
    O conto é legal e envolvente. O narrador em primeira pessoa soa muito verossímil, os outros personagens são igualmente bem construídos, a trama toda bem fechada e sem buracos – perdão pelo trocadilho! Tecnicamente muito bem escrito também, logo, nada que tire pontos neste quesito.
    Mas – lá vem o “mas”! – essas narrativas de louco são um pouco cansativas, na minha opinião. Fica sempre aquela coisa de “isso é real?”, “será que isso aconteceu mesmo ou ele está viajando?”. Acho que seria um conto excelente se não fosse pelo excesso de textos na mesma pegada que já apareceram neste desafio…
    Mas – outro “mas”! – o conto tem seus méritos, e eles são inegáveis: a história em si, a maneira fluida como ela é descrita, os personagens secundários, as subtramas, enfim, é realmente muito bom! Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Alter ego do Caio
      23 de novembro de 2020

      Querida Giselle, tenho uma prima com o seu nome. Era para se chamar Cibele, então seria perfeita, aquele C no início que faz toda a diferença.
      Quanto ao primeiro “mas”: que pena que o Caio chegou tarde em sua vida… Mas dê uma chance a ele, sei lá, a loucura dele tem algo de diferente. Pense bem sobre o seu voto, o Caio é aquele que nunca vai trair seus ideais. E nem a Clarice. A Carol foi um momento de loucura, com perdão do trocadilho. Quanto ao segundo “mas”, que bom! Sinta-se convidada para vir aqui em casa, mas para jantar, o café da manhã e o almoço estou evitando, tô fazendo jejum intermitente. E a Dona Cota tá fazendo só comida low carb, pra baixar meus picos de insulina. Quem sabe a Clarice conversa com você. Você é simpática. É, ela é legal e bonita. Você acha, Caio? Acho. Olha a foto. Parece a minha primeira mãe, que virou segunda. Sério, Caio? Serião, repare bem. Até o corte de cabelo. Mas a minha primeira mãe que virou segunda não sorria desse jeito. Mas a Dona Cota também não sorri. No máximo um risonho bem fraquinho, um projeto de riso, como se usasse só metade da bica, sabe como? Sabe? Sabe? Tá, Caio, chega, vamos embora. Tchau, Giselle. Fala tchau pra ela também, Caio. Tchau, Ciselle. Não é Ciselle, é Giselle. Para de querer enfiar letra C no nome dos outros. Tá, tá bom. Mas eu gostei de Cisel… Chega, Caio! Tá bom, parei!!!

    • Alter ego do Caio
      23 de novembro de 2020

      Eita, bica não, boca. Esse corretor consegue ser mais doido que eu.

  7. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Texto tecnicamente perfeito e impactante, narra a história um homem com um distúrbio psicológico que faz com que assassine a namorada. Pelo menos, foi esta a leitura que fiz do texto. Na ânsia de retratar a loucura, o autor deixou-o bastante confuso. O retrato do desiquilíbrio da personagem deveria ter sido mais equilibrado, embora o sentido seja perfeitamente perceptível – não consigo, por exemplo, discernir quantas pessoas foram mortas.
    Fez-me lembrar o filme American Psycho. Caso não tenha visto, recomendo vivamente.

    • Alter ego do Caio
      23 de novembro de 2020

      Olá, Jorge, já vi e li Psicopata Americano e outros do tipo… Mas minha composição vem da realidade. Tenho bons (?) exemplos de que um Caio pode ser bem real e ter pessoas com ele na sala de jantar… Agradeço pelo comentário.

  8. opedropaulo
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: Caio contempla um jantar em sua própria cabeça enquanto rememora fatos de sua vida. No fim, acaba assassinando alguns dos convidados mais inconvenientes.

    COMENTÁRIO: Essa narração tem dois lados, um positivo, que é consolidar a personalidade do personagem, com suas preferências, anseios e defeitos; e outro negativo, em que a natureza acelerada e desconexa de seus pensamentos dá em uma leitura que para mim foi enfadonha, quando o personagem se desvia do tal jantar para rememorar fatos cuja influência por vezes não tem a mínima relação com o que está se passando, o mesmo sendo feito com os parágrafos voltados a explicar sua preferência por certas palavras. É consistente com a narração personagem, mas um pouco tormentoso. Outro detalhe é que tem se repetido nos contos o limiar da realidade e do que está na mente do personagem, de modo que assim que o conto abre com o protagonista diante de algumas pessoas na mesa de jantar, eu imaginei logo de cara que não seriam pessoas reais. A previsão se confirmou no final, mas o que eu não previ foi o fato da conclusão do conto ter retomado os fragmentos de estória real que “vazavam” no louco monólogo de Caio, aí contando uma estória de sua(s) mãe(s), seu pai, etc. Entretanto, eu já havia me cansado e o final articulado em “tudo se passou na cabeça dele” não me atingiu.

    Boa sorte.

    • Alter ego do Caio
      21 de novembro de 2020

      Oi, Opedropaulo, que nome diferente, tudo grudadinho assim. Olha, agradeço pelo comentário e pelos apontamentos. Só acho melhor não mostrar para o Caio, vai que ele te confunde com o Cezão… Até qualquer hora e sorte pra você também.

  9. Fheluany Nogueira
    20 de novembro de 2020

    Protagonista, em monólogo, discorre sobre passado, presente e futuro imaginando uma série de conhecidos em sua sala de jantar.

    Difícil separar, na narrativa, os fatos reais e os delírios. Difícil afirmar que houve os assassinatos. A confusão mental do personagem-narrador ficou bem retratada, assim. Um conto com muitas possibilidades de interpretação e um título sugestivo.

    Gostei bastante das cenas com mãe primeira e segunda, da forma ousada como se desmistifica o papel de mãe. Leitura interessante, fluida; texto bem escrito.

    Sorte. Um abraço.

    • Alter ego do Caio
      21 de novembro de 2020

      Querida Fheluany, o Caio está dormindo no momento, mas assim que ele acordar eu mostro o seu comentário pra ele, sim? Agradeço em nome dele, ele fica feliz quando gostam das duas mães dele. Grande beijo.

  10. Elisa Ribeiro
    19 de novembro de 2020

    Sujeito com problemas mentais narra lembranças reais e imaginárias e interage com pessoas inexistentes. Pelo menos foi isso que entendi.
    O que mais me chamou a atenção foi a sua capacidade de narrar em primeira pessoa de forma tão verossímil e ao mesmo tempo tão legível o delírio desse seu personagem. Realmente um trabalho incrível. O enredo e a narrativa, a despeito de todas as loucuras e digressões do personagem, escorregaram de forma fluida e sem entraves de compreensão.
    O que gostei: a história da segunda mãe e a mania de gramática do personagem. Contribuiu demais para o efeito de verossimilhança na loucura do sujeito, grande sacada, muito bem executada.
    O que não gostei: entendo que a verborragia faz parte da loucura do sujeito, mas alguns trechos, por exemplo, detalhes sobre a Clarice, poderiam ser enxugados.
    Parabéns pelo excelente trabalho.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

    • Alter ego do Caio
      20 de novembro de 2020

      Querida, querida Elisa, agradeço o gentil comentário, entendo sobre me delongar em algumas partes, mas é que é difícil dosar esses sentimentos. Eu realmente não sei o que foi com a Clarice, se era um teste, vai saber? Aliás, Caio, você não acha a Elisa muito parecida com a Clarice? Hein? Parecida? É, pensando bem, parece mesmo, teriam sido separadas pelo nascimento? Ah, já está exagerando, Caio. Tô não, só podem ser gêmeas! Ei, Elisa, você gosta de Shakespeare? Sade? PlatÃO???????

  11. Amanda Gomez
    18 de novembro de 2020

    Resumo📝 Um homem relatando seus delírios (ou lembranças) ele está internado em um manicômio.

    Gostei 😃👍 Achei bem particular a forma como o autor resolveu nos contar essa história, a estrutura da narrativa soa confusa, mas, é intencional e por ser em primeira pessoa faz todo o sentido. Gostei bastante da leitura, as paranoias, os personagens são incríveis, pensar em como eles chegaram até ali naquela sala de jantar é muito interessante. Daí vem a questão de não sabermos se é um delírio ou não, uma mulher que foi assediada ia passar a quarentena com o assediador? Quem é Cesão fedorento? e Carol? namorada… ? não sabemos e isso é a melhor parte, tentar desvendar. Não sendo um delírio ou sendo o conto continua impressionantemente bem montado, narrada e pensando. As histórias que eles vai soltando aos poucos, as mães, ele ter matado a mãe, a presença calada da segunda que se tornou primeira. Carol com sua peculiaridade, assexuada, algo que se tornou um fetiche pra ele. Enfim, um conto cheio de complexidades e camadas e você pode ficar o dia todo tentando analisar essas nuances sem achar chato. Ótimo conto, parabéns!

    Não gostei 😐👎 Ironicamente, a confusão. Apenas na segunda leitura eu conseguir entender o texto e ficar impressionada com ele, quem estiver com pressa, ler só uma vez ou ler muito superficialmente e se deixar levar pela confusão e pronto, não vai sacar o que o autor pretendia. Isso é negativo, pois foi arriscado. Mas tbm não, enfim…rs

    O conto em um emoji : 🥴🔪👵🏿🧔👩‍🦱👩

    • Alter ego do Caio
      18 de novembro de 2020

      Querida Amanda, você é muito fofa, você não acha, Caio? Acho. Só faltou o nome começar com C. Então o que eu gostei em você foi o seu comentário, o que não gostei foi seu nome. Que bom que você leu a segunda vez, hehe, sim, foi um risco, mas foi bom arriscar, fazer algo diferente do que faço de vez em quando. E o que pode ser mais arriscado do que viver num apê com o Caio? Clarice que o diga. Dureza, hein. Ainda bem que não moro lá. Ele me passou tudo numa visita que fiz pra ele, lá na Enfermaria Psiquiátrica do presídio… Escrevi do jeito que falou, com a ajuda de um gravador. Ainda bem que o cara nem lembra mais disso. Disso o quê? O que o quê? Esse cara aí, quem é? Nada, não, Caio, você não conhece. Quem disse? Quem disse o quê? Quem disse que eu não conheço? Ah, tá bom, Caio, vamos embora que é melhor, deixa a Amanda sossegada, tchau, Amanda. Tchau, Amanda. Eu também falei tchau. Tá, Caio.

  12. Leda Spenassatto
    17 de novembro de 2020

    Resumo :
    Um solteirão relata seus desvaneios de uma forma tão contundente que seus assassinatos se tornam quase reais.
    Comentário:
    Caio é uma pessoa quase “normal”, seus desvaneios são quase ou tão, reais quanto o imaginando de pessoas “normais”. Ele se descrevendo me fez viajar para momentos de raiva, quando a imaginação se liberta transbordando os desejos de vingança que habitam meu cérebro.
    Gostei muito do Caio, que foi capaz de retratar divinamente com ao auxílio das letrinhas, suas mais profundas frustrações.
    Conto perfeito, loucura perfeita.
    Adorreeiii!

    • Alter ego do Caio
      18 de novembro de 2020

      Oi, Leda, lindo o seu nome, mas o seu sobrenome é perfeição, com esse SS tão sonoro. Caio, ela gostou de você. De mim? Quem? A Leda, rapaz, presta atenção! Ah, sim… Ela é bonita, né, bem branquinha, sem cabelo… Ô, Caio, você não tá tomando remédio direito, tá ficando pior, essa não é a foto da Leda. Ah, não? Ah, será que não é a Clarice, usando máscara? Eu aposto que é! Não viaja, Caio! Chega, chega, diz tchau pra Leda senão daqui a pouco ela muda o conceito que teve de você. Tá bom, tchau Leda. Tchau.

  13. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de novembro de 2020

    quando eu disse “Amei até o título, que foi o que mais chamou a minha atenção” quis dizer que foi, dos titulos do desafio, o que mais chamou a minha atenção. Não que seja o que mais chamou a minha atenção no seu texto… acho que vc entendeu. Tô mais louca que o Caio.

  14. Fernanda Caleffi Barbetta
    12 de novembro de 2020

    Resumo
    Homem com problemas mentais imagina pessoas em sua casa e seus assassinatos.

    Comentário
    Seu conto é excelente, maravilhoso. Amei tudo nele, não mudaria nada.. na verdade só mudaria o único deslize de revisão que encontrei: “olhando pra (para) a cara deles”. Amei até o título, que foi o que mais chamou a minha atenção. O pseudônimo foi outra sacada muito inteligente.
    Pena que não fui eu que escrevi. Texto inteligente, enredo coerente, personagem muito bem desenvolvido. Trama excelente e envolvente. A sacada das palavras que ele gostava, a forma como ele enxerga o tempo, tudo nos leva à sua mente doentia. Adorei a história da primeira e segunda mães. Genial.
    No início fiquei meio confusa com os diálogos sem pontuação, mas ao final fez todo o sentido por estar tudo na cabeça dele, totalmente coerente com a sua narração. Tudo está como deveria ser. Tudo no lugar certo, bem pensado.
    Não sei se ele realmente cometeu os assassinatops ou se estava tudo na cabeça dele…
    Curiosa para saber quem escreveu esta maravilha. Ganhou uma fã. Parabéns e tomara que ganhe (Segundo lugar, lógico kkk).

    • Alter ego do Caio
      12 de novembro de 2020

      Querida Fernanda, você seria perfeita caso se chamasse Claudia, ou Catarina, ou Cecília. Agradeço seu gentil comentário e o apontamento do meu deslize na revisão. Já vou arrumar. Você foi a que melhor compreendeu essa loucura do Caio. Ele está aqui do meu lado, procurando palavras perfeitas no seu comentário. Bom que ele se distrai, porque até o dia da revelação tem tempo e com essa pandemia está difícil distrair esse homem. A Clarice ainda não quer conversa com ele. Cá entre nós, pra mim ela não vai falar mais com o Caio é nunca. O Caio é grudento. Quem? Eu? O quê? Você disse que sou grudento. Eu falei isso? Falou. Não, isso é coisa da sua cabeça. Quer dizer, da minha cabeç… Ah, deixa pra lá. Fala tchau pra Fernanda. Ela é muito gentil. Tchau, Fernanda.

  15. Bianca Cidreira Cammarota
    10 de novembro de 2020

    Relato de um insano sobre sua vida e as mortes que provocou.

    O discurso tem moldes confusos e difusos próprios de um insano, mas é possível discernir, em meio aos seus delírios, a história do protagonista. O autor ousou em colocar a voz narrativa nesse estilo, obtendo sucesso, na minha opinião. Alguns pontos ficam obscuros, como quem exatamente é o Cezão, mas creio que assim se fez propositadamente.

    É angustiante a leitura, pois é passível imergirmos na loucura de Caio. Sua infância é mostrada sem maiores laços familiares; porém uma patologia mental nesse nível, na minha opinião, não é provável de ter causado a enfermidade, mas talvez não ter dado oportunidade ao protagonista de controlá-la.

    O mundo do Caio é só dele. Existe afetividade, mas é uma afetividade funcional nas figuras de D. Cota (sua segunda mãe, devotada desde sua infância) e Clarice, uma figura feminina que atrai o protagonista e que, por ser frígida ou assexuada, torna-a a mulher perfeita a ele, pois nunca causará alguma ameaça a Caio em sua sexualidade.

    A descrição dos assassinatos foi de uma competência ímpar, a morte totalmente sem empatia.

    Parabéns, autor! Seu conto é corajoso, ousado e bem construído na proposta que se baseia.

    • Alter ego do Caio
      11 de novembro de 2020

      Olá, querida leitora, agradeço por gostar da minha loucura. Ela foi feita especialmente para você, hehhehehehehehhehehehehhe. Mas não venha morar comigo, já tem gente demais na minha casa. E eu preciso ler os contos com tranquilidade. Venha me visitar. Avise antes. Mande foto para o meu e-mail, adicione um currículo. Quero saber de suas leituras.

  16. Thiago de Castro
    9 de novembro de 2020

    Resumo: Assassino relata sua trajetória até o hospício/prisão. Transitando entre traumas de infância, relações afetivas/sexuais, problemas de classe e obsessão gramatical, acompanhamos Caio numa narrativa de violência e sociopatia.

    Comentário: Narração confusa na primeira pessoa, com muitos nomes e divagações gramaticais do protagonista, mas que, no decorrer do conto, vão se encaixando dentro da lógica própria de contar do personagem. É uma história de assassinato contada de forma singular, por quem cometeu uma série de crimes que lhe confinaram num hospício ou prisão. Primeiro a mãe, depois a namorada e um personagem estranho que transita na família, talvez um irmão que nasceu fora do casamento, como o texto sugere, mas propositalmente não esclarece. O protagonista, apesar do destacável cretinismo, narra com naturalidade e humor os absurdos de sua trajetória, regado de psicopatia. As repetições e manias são traços marcantes que se repetem ao longo do texto, provavelmente algo comum em pessoas que sofrem algum tipo de distúrbio, o que traz credibilidade para Caio.

    A cena do assassinato de Carol e Cezão é bem feita, uma violência crua e irreversível, sem nenhuma empatia, como deve ser para quem se enquadra em algum grau de psicopatia. O personagem, aparentemente de classe abastada, ganha esses traços na ausência de afeto dos pais e no apego as outras figuras da casa. O fato das pessoas terem nomes semelhantes também podem revelar alguma construção fantasiosa de Caio na sua forma de relatar os fatos, o que é curioso também pois deixa uma ponta de mistério sobre os acontecimentos.

    Em síntese, achei Caio o personagem mais desprezível dos que li até agora, além de medíocre, o que o torna um ótimo antagonista (posso colocar dessa maneira?) para guiar um conto sobre loucura.

    Muito bom!

    Boa sorte no desafio.

    • Alter ego do Caio
      11 de novembro de 2020

      E aí, Thiago, beleza? Agradeço por seu comentário, muito bacana ler as considerações de alguém tão atento a respeito do.meu texto. Curioso, acreditei que seria fácil de identificar qual é a loucura do Caio e pelo visto me dei mal, hehehe. Mas tudo bem, corri um risco e não me arrependo. Foi bom escrever um texto em um estilo fora da minha zona de conforto.

  17. Anderson Do Prado Silva
    8 de novembro de 2020

    Resumo:

    Homem narra sua sanha assassina.

    Comentário:

    Filho da Cota, infelizmente, seu conto não conseguiu prender a minha atenção. A longa narrativa em primeira pessoa não me conquistou. A profusão de personagens, com pouco tempo para que eu pudesse me afeiçoar a eles, me deixou confuso. A própria condição do seu protagonista, um louco, tornou a narrativa dispersa, tangenciando fatos e divagando sobre gramática.

    De regra, ofende minha sensibilidade termos como “porra”, “ninfetas gostosas”, “tesão” etc. Este ponto, inclusive, tem sido um dificultador para minhas leituras durante o desafio, pois, em alguns textos, há profusão de calão e outras formas de expressar a crueza do mundo, da vida e da linguagem de algumas pessoas.

    Embora o conto, em si, não tenha me atraído, não posso negar que o retrato da mente caótica do louco ficou perfeitamente refletido no texto, que é caótico: não por ser mal escrito, e, sim, porque retratou com precisão a mente de seu personagem.

    Também fiquei muito impressionado, Filho da Cota, com o seu domínio da língua, que ficou evidente não só nas “divagações gramaticais” do seu louco, mas também na “limpeza” e “precisão” desse seu texto – pra mim, soou como o mais bem revisado do desafio inteiro.

    Parabén pelo texto e boa sorte no desafio!

    • Alter ego do Caio
      8 de novembro de 2020

      E aí, Anderson, tudo certinho? Cara, valeu muito pelo comentário, é, eu sei que tem muita gente nessa história, e se eu te disser que tinha até mais? Se eu não desse um freio no Caio, imagina a cena: Caio, tira esses quatro aí, deixa só os outros. Mas por quê? Caio, isso é um conto, menos é mais. Não quero. Tira, deixa eles pra outro conto. Tá bom, tá bom, já tirei… Ufa, que bom que passei no seu crivo gramatical, mas cá entre nós: tem um errinho ali. Foi puro descuido, mas tem. Devem haver outros. Mal posso esperar para acabar o desafio, assim conto do making off e o porquê desse povo todo. Na verdade, eles existem. Não com esse nome e em outra situação, mas eu realmente convivo com algumas pessoas na sala de jantar… Valeu, moço!

      Ah, é, sobre os palavrões, eu também não costumo usar, mas o Caio usa. Longe da Dona Cota, é claro. Então deixei como ele escreveu mesmo.

  18. Angelo Rodrigues
    8 de novembro de 2020

    Resumo:
    Caio, o nosso protagonista, descreve um longo solilóquio falando de seus desacertos com a realidade.

    Comentário:
    Conto interessante. Está bem construído. Passa a ideia de um longo diálogo interior, quando Caio revisita seu alter ego (?) Cesão, amigas e pais, mortos ou vivo. Tem também a tia da escola.

    Um passeio pelo tempo, onde, presente, passado e futuro se misturam num delírio acerca das relações de Caio com pessoas – reais ou imaginárias – que o cercam.

    Difícil construir a loucura na voz da primeira pessoa. Do eu. Basicamente pelo fato de que, se a escrita exige lucidez, ela não se deve apresentar na lógica e na temporalidade dos acontecimentos de um louco. Se o texto é bom, narrado em primeira pessoa pelo louco/doente/desconectado, como foi possível manter a lucidez dos relatos?

    Acho que esse é o grande problema das narrativas sobre loucura. Prefiro que ela se dê, ou em retrospecto, ou na voz de um narrador impessoal com suficiente distanciamento crítico da loucura que narra.

    Um louco narrando ordenadamente a sua própria desordem conspira contra a própria desordem em que vive. Uma espécie de axioma. Acho que a solução para isso está em tirar das mãos do louco a narrativa, mesmo que ela se dê em pensamentos.

    Sei que muito já se fez dessa forma, assim se escreveu, mas, confesso, isso sempre me deixou desconfortável. Doido contando com lucidez a sua própria história sempre me soou estranho.

    Não tira o mérito do conto, que flui bem, mas me fica isso. Essa impossibilidade que pode ser contornada mudando-se a voz do narrador.

    Boa sorte no desafio.

    • Alter ego do Caio
      8 de novembro de 2020

      Oi, Angelo, tudo bem contigo? Olha, concordo com o que você disse a respeito da narração e considero ter sido esse o meu maior desafio. Foi o que me motivou a participar, aliás. Porque convivo com uma pessoa que sofre da mesma coisa que o Caio (apesar da pessoa não ser psicótica, para meu alívio) e sei que há um comportamento quase lúcido, se a pessoa estiver medicada e outro quase que incontrolável se não estiver, se deixar de tomar seu remédio. E no caso de homens que sofrem desse mal até a idade influencia nos sintomas. Mas depois conversamos mais sobre isso, caso queira. Valeu o comentário!

  19. Lara
    8 de novembro de 2020

    Resumo : O protagonista tem um gosto por gramática. Parece apaixonada por uma colega de trabalho que virou colega de casa. O protagonista parece ter delírios e percebemos que pode ter tido a ilusão de matar a amada e um amigo seu que parece imaginário. No final é revelado que está internado em uma clínica psiquiátrica e se dirige ao psiquiatra.
    Comentário : O conto é bem legal. Mas admito que tive dificuldade para perceber o que era real e o que era delírio. O protagonista me pareceu uma pessoa singular e sua paixão por Carol se mostrou muito instigante, principalmente pelo fato de ela se denominar assexuada.

    • Alter ego do Caio
      8 de novembro de 2020

      E aí, Lara, beleza? O conto se passa na mente dele, louco que é, compreendo que é meio complicado saber o que é real e o que não é. Eu não devia ter deixado que ele escrevesse a história, mas pronto, já até enviou. Ah, a assexuada é a Clarice. Cá entre nós, pra mim o Caio gosta é da Clarice.

      • Anna
        12 de novembro de 2020

        Resumo : O conto retrata Caio, um homem com vários problemas em sua mente. Não se consegue saber ao certo se ele realmente matou alguns familiares e amigos ou se ele imaginou. Talvez toda a história seja fruto de uma imaginação grande.No final se sabe que ele está internado em uma clínica psiquiátrica.
        Comentário : Se Caio for realmente um assassino espero que ele não mate ninguém na clínica. O fato de Clarisse ser assexuada dá um tempero de sensualidade ao conto, Clarisse é o impossível e Caio se enche de vontades. Achei surreal ele ter sido demitido por mostrar o pênis para a colega de trabalho dentro do ambiente profissional. O conto me fez lembrar das teorias de Freud, nas quais muitos males são causados por frustração sexual, talvez Caio tivesse acalmado seu espírito assassino se Clarisse tivesse sido mais fácil de se domar.

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Informação

Publicado em 8 de novembro de 2020 por em Loucura.