EntreContos

Detox Literário.

O Salto (Marco Piscies)

Apenas por vivenciar a morte, um entende a vida.

— Desconhecido

 

O vento corria livre pela lateral do penhasco; atingia a pedra, dobrava as folhas, ajudava as aves a manterem-se no ar. Descia a montanha e corria pela superfície da baía, ou subia e encontrava uma plataforma muito próxima ao topo, na pedra onde sentava uma mulher, então decidia dar a volta e refazer o caminho pelo qual viera. Os cabelos da mulher, mesmo presos, açoitavam seu rosto. Ela, os olhos fixos em nada em particular, ignorava a dança da natureza ao redor.

— Aline – a voz de Márcio veio aliada ao som de pedra e grama esmigalhadas sob seus pés – desistiu?

— Não.

A resposta soou arrastada. Márcio aprumou-se e olhou para trás, onde os amigos já entravam no clima para o salto. Alguns iniciavam o antigo ritual de rezas e pedidos aos santos de praxe.

— Geral tá pronto. Quer dizer, quase. Quer ajuda com o equipamento?

Aline dirigiu os olhos para o único wingsuit largado em um canto, à sombra de uma árvore no final da trilha que haviam levado quatro horas para percorrer. Então, como se ignorasse a pergunta de Márcio, falou, meio para si mesma, meio esperando uma resposta.

— O que você acha que aconteceu com ela?

Era uma pergunta cujo contexto vinha de meses atrás, mas que ainda afligia a todos eles. Márcio deixou escapar um suspiro triste. Sentou-se ao lado da amiga, o equipamento de base jumping atrapalhando os movimentos.

— É difícil, eu sei. Você não precisa pular hoje, se não estiver bem. Desce com a Maria e o Matheus.

— Você não respondeu a minha pergunta.

Outro suspiro. 

— Você sabe que sou espírita.

— E?

— Eu acho que sua irmã era uma excelente pessoa, que só fez o bem enquanto viveu, e que agora está esperando para o momento de voltar e viver uma nova vida ainda melhor. Ela está em paz, e não está sofrendo.

O vento foi a única coisa que uivou em resposta. Aline fitava o chão pedregoso, a expressão entre a aflição e a indecisão.

— Isso não está ajudando, está? – Márcio perguntou, massageando gentilmente o ombro da amiga.

— O quê?

— O base jumping. Costumava te ajudar a esquecer das coisas.

— Sempre ajudou, eu acho. Mas agora é diferente.

Havia dois motivos para que tudo estivesse diferente: um, o óbvio, era que sua irmã não estava mais lá. Aline e Andressa eram uma só; haviam nascido juntas e, por isso, andavam quase sempre juntas. Gostavam das mesmas coisas, tinham as mesmas feições e, vez ou outra, até o mesmo namorado. Descobriram o base jumping juntas e, agora, Vanessa não estava mais lá para segurar sua mão quando saltassem rumo ao abismo.

Então havia o segundo motivo.

— Fazer isso aqui é gatilho? Traz muitas memórias?

— Não. Quer dizer, traz memórias sim, mas eu gosto disso. Dessinha vive aqui agora, sabe? Na minha mente.

— Quer falar sobre isso?

Aline olhou para trás. Os amigos conversavam, todos prontos, esperando com a máxima educação que ela decidisse logo se pularia com eles ou não. Ela queria conversar. As palavras vieram à garganta – lutaram para sair – mas Aline as engoliu. Márcio era seu melhor amigo, mas ele jamais entenderia o que ela tinha para falar. Ensaiara aquele discurso mil vezes diante do espelho; as palavras nunca encontraram os ouvidos de ninguém senão os dela:

Quando Andressa morreu em meus braços, eu senti algo que nunca senti antes. Foi como se eu pudesse enxergar cada parte dela voltando ao todo; como se cada partícula dela fosse reutilizada no mundo, e eu a visse fugir de mim, para sempre, fora daqui; muito longe daqui. Eu ainda sinto isso hoje; ainda vejo o que forma as coisas; vejo o fluxo das coisas, entendo mais do que deveria entender e sei de coisas que posso fazer, mas que não quero acreditar ser capaz.

Ele diria algo sobre espíritos, reencarnação e iluminação, e ela fingiria aceitar por ser educada e por estar vivendo uma mentira há muito tempo. Por isso, apesar de o discurso percorrer cada fibra de seu corpo até sua língua, a resposta que ela articulou foi outra:

— Não quero falar, não. Hoje vou agir.

Ela se levantou, e as conversas entre os amigos cessaram. Alguns mantiveram olhares solidários em sua direção; outros voltaram aos seus últimos preparativos, tentando passar uma sensação de rotina para que ela não se sentisse o centro das atenções. Aline tentou manter a naturalidade andando até seu equipamento, então alterou a direção em um rompante e correu até a beirada do precipício. Ouviu gritos; ouviu seu nome em bocas desesperadas. Então, saltou, os braços abertos, as pernas juntas, como fizera dezenas de vezes.

Antes, base jumping era uma fuga. Os minutos que permanecia no ar eram minutos de mente vazia e foco total. As preocupações do mundo se desfaziam; só havia ela e a natureza, o instinto de sobrevivência e a injeção de adrenalina. Desde a morte de sua irmã, porém, base jumping era senão mais um daqueles momentos estranhos onde ela via tudo sob uma lente diferente. Ela via a natureza; não só a experienciava. Enxergava cada nuance, cada ângulo, como viu sua irmã se desfazer em partículas cujo significado fugia de seu entendimento. A natureza, em retribuição, sugeria cursos de ação impossíveis. Ela não falou com o terapeuta; não falou com Márcio, nem com seus pais. Não estava louca, sabia daquilo, e aquela era a prova.

Enquanto sentia o corpo cair e o ar fazer sua roupa drapejar contra a pele, Aline ouviu outro grito atrás dela, e soube que Márcio vinha em seu encalço. Ele alteraria o ângulo do próprio corpo e cruzaria o ar em sua direção em uma tentativa de resgatá-la; mas o peso dos dois provavelmente seria a sentença de morte de ambos. Antes que isso acontecesse, ela fez o que sua mente nunca quis acreditar, e o que a natureza que agora enxergava sugeria que fizesse: focou seus pensamentos no voo, viu as partículas do ar e as de seu próprio corpo – eram como pequenas letras pertencentes a um idioma antigo demais para que entendesse – e começou a voar.

Era impossível e ela sabia disso. Aline voou de braços abertos e, agora seguindo para frente a uma velocidade estonteante, fechou os olhos diante da ventania. Não precisava abri-los: via tudo agora, mesmo de olhos fechados. As partículas – o código – estavam por todo lugar. Era um sentimento único, mas não novo: sentia como se já estivesse lá, em seus sonhos, em uma parte inalcançável de sua mente.

Márcio demorou para alcançá-la. Quando o fez, fitou-a em perplexidade.

— COMO??

Ela riu, ainda de olhos fechados, e ambos voaram juntos; ela pela primeira vez, ele sem entender se via um milagre ou se enlouquecia.

Como tudo o que existia, porém, o voo terminou em uma planície próxima à praia. Pousaram ao som das ondas do mar e do vento uivante. Aline gritou, saltitou e abriu os olhos com um sorriso de criança.

— Você viu isso, Márcio? Você viu?

Márcio não estava lá. Em seu lugar havia um homem robusto, de terno e gravata e sapatos sociais; uma antítese ao cenário. Não tinha olhos; antes, óculos escuros que pareciam parte dele mesmo. Na orelha direita, um aparelho de comunicação cuspia informações em seu ouvido. Quando Aline o avistou, soube de apenas uma coisa: tinha que correr.

Ela correu o máximo que seus músculos permitiam e ainda mais. Enquanto corria lembrou-se que sabia voar, então alçou voo. Antes de se afastar muito do chão, porém, sentiu a mão do homem evolver-lhe o tornozelo. Aline não teve tempo para ponderar como ele a havia alcançado. O homem jogou-a ao chão com violência. O impacto seria fatal, mas agora ela via o código e entendia muito do que antes era invisível. Seu corpo, apesar de ter aberto uma cratera, pouco se machucara. O homem já quase a alcançava novamente quando ela saltou mais rápida do que antes e voou para longe dali.

Seguiu-se uma perseguição aérea – o homem de terno também sabia voar, apesar da indumentária desafiar as leis da física: não drapejavam, não se sujavam. O homem a seguia como uma estátua endurecida e sem expressão, singrando as nuvens com a mesma facilidade que uma águia. O sentimento de vislumbre e alegria que o voo trouxera minutos atrás deu lugar à desesperança e ao desespero. Por mais que tentasse, o homem não saía de seu encalço; na verdade, conforme sobrevoavam prédios e avenidas, ele se aproximava cada vez mais. Até que, em um momento de distração, quando ela olhava para trás, outro como ele surgiu adiante, segurou-a pelos braços e jogou-a novamente ao chão. Aline despencou sobre o teto de um prédio comercial. Surpresa e cansada, a dor agora era real. Sentiu ossos quebrarem, tendões romperem, e um ou dois dentes saltarem para fora da boca.

Em um segundo ambos os homens de terno estavam sobre ela, um deles erguendo-a pelo pescoço. Ali, tão perto do rosto simétrico e irreal, ela pôde ouvir as informações que fluíam pelo ponto no seu ouvido. Eram de um idioma irreconhecível. Um deles – o que a segurava – falou, mas quando abriu a boca não havia hálito.

— Resolva o resto das coisas, eu cuido dela.

O outro anuiu e, ajeitando o paletó, retirou-se do lugar pela saída de emergências; os passos calmos, como que em um dia rotineiro. A mão ao redor do pescoço de Aline se fechou e ela perdeu o ar. Era o fim.

Até que o homem não estava mais lá e ela caiu de joelhos, a mão massageando a garganta e a boca sugando o ar perdido de volta aos pulmões. Ao lado uma batalha acontecia. Alguém a havia salvado. Seu herói vestia sobretudo preto e os óculos escuros em seu rosto eram diferentes de seu algoz: eram como um acessório, não como parte integrante de seu corpo. O homem de terno tentava atingi-lo com socos e pontapés mais rápidos do que alguém era capaz de enxergar, mas seu salvador desviava de cada ataque como se soubesse das coisas antes que elas ocorressem. Com uma calma sobrenatural, aparou os golpes, quebrou-lhe os braços e derrubou-o ao chão, finalizando o trabalho girando seu pescoço até alcançar um estalido mortal. O corpo do homem de terno se contorceu, tornou-se um borrão e, no segundo seguinte, lá estava Márcio, caído aos pés de seu salvador, inerte.

Aline tentou gritar pelo amigo, mas tudo o que conseguiu fazer foi balbuciar algo inaudível. Tentou se levantar, mas os ossos quebrados não a permitiram. O homem de sobretudo andou até ela e estendeu-lhe a mão. 

— Este não é seu amigo. Seu amigo está em outro lugar, aprisionado, escravizado sem nem mesmo saber; sem nem mesmo poder lutar. 

A mão permaneceu e ela não a segurou. Olhava-o confusa; indecisa. De perto, ele não era tão diferente assim do homem que a atacara.

— Meu nome é Neo. Eu vou te mostrar a verdade. Você já vê parte dela; acordou sem ajuda. Olhe com atenção. Você sabe que pode confiar em mim.

Ela sabia, pois os códigos que via nele eram diferentes e, mesmo que não entendesse os símbolos, sentiu que era de confiança. Segurou sua mão e ele a levou embora sobre os ombros; embora para muito longe, fora dali. Para um mundo destruído onde a morte de sua irmã, apesar de ainda irreversível, ganhou um significado muito diferente. Para um mundo onde Márcio, seus pais e bilhões de outros esperavam serem resgatados.

Aline encontrou o que havia perdido, e lutaria por isso até o fim.

17 comentários em “O Salto (Marco Piscies)

  1. Andreas Chamorro
    12 de setembro de 2020

    Aline é adepta do basejumping, porém no salto retratado no texto a protagonista percebe que consegue voar de forma sobre humana, no pouso percebe estar sendo perseguida por dois homens de terno, na fuga acaba sendo derrubada, no fim lhé é revelado estar numa matrix.

    Olá, Israel! Parabéns pelo conto: bem fazia tempo que não entrava em contato com Matrix, o que foi nostálgico visto eu ter assistido esses filmes quando criança. Gostei muito da história pessoal da protagonista, o fato dela usar o basejump como escape para seu drama, inclusive a cena do salto em si fora muito bem feita, senti a adrenalina, o vento, a queda, junto da personagem. Uma unica coisa que foi difícil de visualizar para mim fora a repentina capacidade de voar que a personagem adquire, mas acredito que o leitor fã da franquia isso não fora problema. Outras cena que me impactou foi a descrição do acidente, os membros feridos, causou-me aflição e isso é bom! Sobre a parte gramatical: não encontrei erros, apenas uma troca de nomes: a irmã Andressa fora chamada de Vanessa num momento, fora isso está ótimo. Boa sorte!

  2. Letícia Oliveira
    12 de setembro de 2020

    Resumo: Aline está com amigos num penhasco, todos praticam base jumping juntos mas, desta vez, Aline está hesitante pois sua irmã, que praticava o esporte com ela, faleceu e desde então ela não pulava. Num ímpeto, ela pula sem o equipamento e descobre que tem o poder de voar, porque seu mundo não é real, é uma simulação. Então ela começa a ser perseguida por agentes de controle e recebe ajuda de Neo, personagem principal da franquia famosa de filmes, Matrix.
    Comentário: Aleatório. Estava acompanhando a história até a personagem pular e pensei que ela estava cometendo suicídio mas então ela começa a voar e ver o código das coisas… Não vi nexo, conexão, acho que talvez o início da história deveria ter alguma relação com o final, o que eu não percebi nesse conto. Do nada uma coisa vira outra, sem nenhum foreshadowing, sem preparação, sem um arco que faça sentido ou passe alguma mensagem.

  3. Daniel Reis
    11 de setembro de 2020

    15. O Salto (Israel Trindade)
    Original: Matrix
    Resumo: Aline vai saltar de wingsuit e a morte da irmã ronda a sua decisão. Márcio, o instrutor, a acompanha no salto do nada, e descobrimos que a realidade em que estão é uma Matrix, com o encontro do homem de terno e de Neo, que revela que aquela realidade não é a real. Aline resolve resgatar todos os que estão prisioneiros.

    Comentário: A história é bem escrita e a transição do mundo normal para o mundo especial ficou bem interessante. A adequação do universo da Matrix, com Neo sendo o mentor da heroína, foi satisfatório. Apenas que o conto termina justamente no ponto onde o leitor curioso, como eu, gostaria de saber mais. O que ela fez? Salvou os prisioneiros? A conferir no próximo capítulo.

  4. Rubem Cabral
    11 de setembro de 2020

    Olá, Trindade.

    Resumo da história: Aline perdeu a irmã, Andressa. Certo dia, ao praticar base jumping juntamente com Márcio, seu melhor amigo, ela salta sem o cabo, numa tentativa aparente de suicídio. Márcio salta para salvá-la, mas Aline consegue algo impossível: enxergar os elementos que compõem a realidade e manipulá-la, voando. Aline descobre-se então perseguida por homens de terno também capazes de voar, sendo finalmente capturada. Quando estava próxima de ser executada pelos agentes, ela foi salva por um homem de sobretudo: Neo. Neo conta a Aline sobre o que estava ocorrendo e ambos partem juntos, voando.

    Análise do conto:

    a. criatividade. 4/5 – bom uso de personagens com nomes brasileiros e um cenário muito diferente do original de Matrix, “despistando” o fanfic em boa parte do início da história.
    b. personagens. 4/5 – Aline é bem desenvolvida.
    c. escrita. 4/5 – Boa escrita: clara e sem erros.
    d. adequação ao tema. 5/5 – é uma fanfic de Matrix.
    e. enredo. 4/5 – a história tem um bom começo com a depressão da moça e sua tentativa de suicídio, mas os agentes e Neo entraram talvez muito rapidamente, assim como tudo se resolveu com muita rapidez. Considerando o espaço disponível, esperava um pouco mais,

    Boa sorte no desafio e abraços!

  5. Rsollberg
    10 de setembro de 2020

    O Salto (Israel Trindade)

    Fala, Israel

    Resumo: Uma garota em luto decide agir. Em meio esse despertar repentino algo absolutamente inesperado acontece. Seu mundo, apenas uma ilusão.

    Inicialmente cumpre ressaltar que o conto respeita o tema do desafio e tem sua adequação em razão das referências de Matrix. Não é, no entanto, a obra mais robusta nesse quesito. Se o autor não falasse em Neo, jamais iria conseguiria fazer a ligação, confesso.
    Ao ler o texto fiquei com a sensação de que são duas histórias bem diferentes que se fundem, suas pegadas são bem opostas. Cadência X frenesi, sensações/drama X ações/adrenalina. A primeira parte é construída com um apelo emotivo bem desenvolvido, uma linguagem mais elaborada, recheada de sinestesia e reminiscências. Diria que é a melhor das partes. Contudo, no segundo ato temos uma mudança brusca de direção, que nem chega a ser um grande plotwist, e ao final temos uma revelação com um fortíssimo “deus surgido da máquina”, de sobretudo e óculos escuros” que não causou muita surpresa em mim, em razão da desconexão entre as duas partes. Sem contar que toda a ação ficou muito corrida.

    No começo, achei que seria uma fanfic dos “caçadores de emoção” tendo em vista toda a atmosfera criada. Achei até que o autor fosse trazer alguma coisa do “voo da galinha” do Leonardo Boff. Ou Thomas Hobbes com sua máxima “Estou prestes a iniciar minha última viagem, um salto terrível no escuro”. Quando dei de cara com Matrix fiquei um pouco chocado! Acho que essa é uma grande virtude deste desafio, ser levado por caminhos menos óbvios.
    No quesito personagens, penso que Aline foi bem desenvolvida e, desta maneira, conseguimos criar certa conexão com a protagonista. Penso que o ponto alto da história foi o pulo, especialmente quando foi criada e preparada uma atmosfera toda em volta do esporte. Nesse sentido temos um choque, antes da salvação.

    Na parte técnica não tenho nenhum apontamento para fazer. O texto está bem escrito, tem bastante ritmo e fluidez.

    Como gosto pessoal, adorei o primeiro parágrafo. Na realidade, curti muito o primeiro momento e toda sua carga dramática. A mudança brusca para ação frenética, saindo do drama e indo para aventura, me deixou um pouco confuso. Enfim, apenas uma questão de perspectiva.

    Parabéns e boa sorte!

  6. Fernanda Caleffi Barbetta
    10 de setembro de 2020

    Resumo
    Aline vai com os amigos pular de base jumping, coisa que costumava fazer com sua irmã Andressa, que havia acabado de morrer. Triste pela morte da irmã, ela decide saltar sem os equipamentos e consegue voar. Ao chegar à praia, é atacada por homens de terno e Neo, dizendo que a ensinará a enxergar o que ela já estava conseguindo ver.

    Comentário
    Seu texto me surpreendeu no meio quando enfim consegui entender de qual ficção ele havia surgido. Muito bom. Não sei se alguém que não assistiu a Matrix entenderá completamente seu conto, mas como fã, gostei bastante. Parabéns.
    Tecnicamente bem escrito, interessante, gostoso de ler. Não encontrei erros gramaticais.
    Apesar de ter gostado de descobrir o original apenas alguns parágrafos depois do início da leitura, quando ela fala sobre o que sentiu quando a irmã morreu em seus braços, acho que faltou mergulhar um pouco mais no original já que praticamente metade do conto poderia ser referente a qualquer obra, sem ter diretamente nada ligado ao enredo de Matrix. Mas essa é só a minha percepção.
    O conto ganha realmente o quê de Matrix quando aparecem os homens de terno e Neo. Você conseguiu me transportar para dentro do filme, com cenas muito bem narradas e bastante próximas do que ocorre no original. O desfecho inclusive lembra bem o final do primeiro filme da franquia, que é o melhor deles. Parabéns. O texto é muito bom. Gostei.

  7. Paulo Luís Ferreira
    9 de setembro de 2020

    Por gentileza, Israel Trindade, desconsidere o comentário abaixo, me enganei, troquei os comentários com outro conto. Minhas desculpas pelo lapso.

    Resumo: Jovem numa plataforma de saltos de ultraleve? Rememora irmã morta em um provável voo. Resolve saltar, quando se encontra com seres alheios ao costume, com um homem de terno e gravata que atenta contra sua vida.

    Gramática: Um texto correto sem problemas gramaticais aparentes.

    Comentário Crítico: Um conto muito bem narrado. Enredo simples, mas muito bem desenvolvido. Embora um tanto difícil de identificar a qual Fanfic se propõe homenagear. Fincando meu comentário um tanto deficiente, pois que, me resta apenas congratular o autor (a) pela qualidade do conto em si. Que o tive em conta como muito bom.

  8. Paulo Luís Ferreira
    9 de setembro de 2020

    Resumo: Jovem “vítima” do boto sedutor vive as desventuras de esconder sua gravidez. Espelhado em Cobra Norato do Raul Bopp? Foi o máximo que consegui decifrar do FanFic espelhado.

    Gramática: Alguns descuidos na digitação, uma crase desnecessária, e um trema que não é mais usado; (amoleto amuleto) – além de alguns parágrafos um tanto longo, prejudicando a fluidez da narrativa. Mas nada que uma revisão mais atenta não resolva.

    Comentário Crítico: É um conto de linguagem singela, até onírica. Espelhado no folclore brasileiro de Raul Bopp? Embora, em alguns momentos da narrativa aconteça certo desnorteio, com o linguajar mais próximo do coloquial. Abandonando o enredo lúdico em detrimento de expressões explicativas. Outro dado que atrapalhou o enredo é que a princípio o ambiente parece corresponder a uma aldeia ribeirinha, haja vista a citação do Boto, (o que vem a dá um quê do folclore amazônico), mas depois as situações passam à beira mar com alusão a sereias e etc. (Mesmo que o título faça alusão à sereia, mas que não dá sustentação ao enredo. E o autor(a) introduz muitos conceitos próprios, não tendo nada a ver com a narrativa em si. O enredo, fica mais preso em contar os modos de ser dos personagens do que um enredo com meio, começo e fim. Mas um trabalho que se sobressai pelo gostinho lúdico que propõe.

  9. Jorge Santos
    9 de setembro de 2020

    Finalmente um texto cuja compreensão não me remete para uma pesquisa na Wikipédia. Este conto é baseado no universo do Matrix, para mim uma das revelações mais poderosas dos últimos tempos. Nele, uma praticante de base jumping tem uma revelação durante um salto: ela começa a ver o código do próprio Matrix sem qualquer tipo de ajuda. Tem um combate com um Agente e depois, bastante ferida, é ajudada por Neo, juntando-se à sua causa pela liberdade de todos os que estão presos ao Matrix.
    Ainda me lembro de quando assisti ao filme no cinema. Foi um daqueles filmes que eu não podia sequer pensar em não ir. As condições em que o fiz foram tremendas e reprováveis. Temia a pena que o filme não valesse a pena, mas valeu. Ao ler o seu texto recordei esse tempo. Tem elementos bastante fortes, que me fizeram recordar de um outro filme, Constantine, onde uma mulher polícia com poderes de médium investiga o suicídio da sua própria irmã que se tinha atirado do alto de um edifício. Fiquei sem saber se a coincidência foi propositada. Por outro lado, não fiquei convencido com o facto dela ter conseguido ver o código sem ajuda. Tinha de haver algum motivo muito forte para isso, mas não o encontrei no texto.
    Em termos de fluidez do texto não encontrei grandes problemas.

  10. Fheluany Nogueira
    6 de setembro de 2020

    Aline sente o vento, à beira do penhasco. É questionada por Márcio e conversam sobre a gêmea dela que morrera. De repente, para espanto de todos que estavam na base jumping, ela salta no precipício. Márcio tenta resgatá-la, ela voa. Pousaram na praia e ela comemora seu feito. Porém, no lugar de seu amigo, está um homem de terno que a persegue, mesmo quando voa. Outro homem a derruba, é aprisionada e quase sufocada. Surge um salvador que luta com os homens. Este era Márcio e, depois, não era. A moça vai com ele para um mundo diferente, onde pessoas esperavam ser salvas. Assim, ela ”encontrou o que havia perdido, e lutaria por isso até o fim”.

    No texto há uma abordagem sobre consciência, cuja expansão dirige-se a um mundo melhor, na medida em que se contata com a realidade, sem intermédio de violência, encorajando a trabalhar com a turbulência da mente e emoções como a melhor maneira de dissipar a confusão e a dor, em vez de ficar preso ao drama de quem fez algo a quem. Essa é a mensagem em ”O salto – um novo caminho para enfrentar as dificuldades inevitáveis”, da monja budista Pema Chödrön, que acredito ser a referência para o fanfic. O livro é considerado por muitos como de auto ajuda.
    Aline e Márcio se libertaram de antigos hábitos e também de amar, de fugir e se dedicaram a outras pessoas.

    O SALTO é, assim, uma metáfora dos anseios, já que nela temos um microcosmo da existência, de como superar a dor, as perdas. Gostei da narrativa, revelando uma autora ou autor talentoso e o final de esperança contrasta com o início do texto.

    A escrita é boa e retrata bem a visão e o interior da protagonista com uma alegoria bem utilizada, em tom de surrealismo ou realismo fantástico.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio. Abraço.

  11. angst447
    5 de setembro de 2020

    RESUMO
    Aline hesita antes de participar de um jumping. Indaga-se sobre o que aconteceu com a irmã. Tinham descoberto o base jumping juntas e, agora, Andressa não está mais lá com ela. Márcio, que é espírita, diz que Andressa por ter sido uma excelente pessoa, estava em paz, sem sofrer. Aline salta e voa de braços abertos a uma velocidade estonteante. Márcio consegue alcançá-la e voam juntos. Ela abre os olhos e se depara com outro cenário e um homem de terno, que parece sermuito pouco amistoso. Segue-se uma perseguição aérea – o homem de terno também sabe voar. Alguém a salva e ela consegue ver códigos nele. Seu nome é Neo e diz que vai mostrar a verdade da qual Aline já vê uma parte. Ele a leva para um mundo onde Márcio, seus pais e bilhões de outros esperam serem resgatados.

    AVALIAÇÃO

    Suponho que seja uma fanfic de Matrix. Deduzo isso pelo nome Neo, mas eu realmente não sei dizer porque nunca assisti ao filme em questão. Pensei também em Homens de Preto.Realidades paralelas, uma realidade artificial? Enfim, o(a) autor(a) construiu uma narrativa cativante, mudando o cenário e dando aos personagens uma carga emocional que também cria uma teia de suspense.
    O conto está bem escrito, o ritmo fica entre calmo (reflexões de Aline) e veloz (salto e perseguição). O início é mais lento, mas aos poucos a leitura vai se tornando mais fluída.
    O final parece abrir a possibilidade de um novo começo, uma nova luta, em outro mundo, talvez o real, talvez o outro lado da vida. Afinal, Aline pode ter se suicidado e assim alcançado o pós morte. Depois me explica direito. Mas gosto de pensar que há várias interpretações para esse desfecho que você escolheu.

    Boa sorte no desafio e que você seja protegido(a) em cada salto que der.

  12. Marcio Caldas
    5 de setembro de 2020

    Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar o cuidado e a leveza da primeira metade do conto, porém limitado por erros de revisão, a ponto da irmã da protagonista se chamar Andressa e Vanessa, dependendo do parágrafo, o que contribui para uma possível confusão do leitor.

    Confesso que já me sentia anestesiado pela primeira parte do texto. Ansioso em saber para onde a história seguiria e o baque de se deparar com o universo de matrix foi enorme. Talvez, essa tenha sido a ideia do contista. E se foi, valeu.

    Entretanto, a segunda metade não traz a mesma qualidade da primeira. A trama fica parecendo apenas a descrição dos combates do filme. Antes, o leitor se sentia na pele da protagonista. Depois, o leitor se sente assistindo a um filme de ação, como se tivesse sido excluído da história em algum ponto, talvez, no voo de Aline.

    Desta forma, pela falta de revisão e de equilíbrio entre as duas metades do conto… Nota: 3

  13. Thiago Amaral
    5 de setembro de 2020

    Aline pula de um penhasco e surpreende o amigo ao revelar que possui o poder de voar. Logo, os agentes Smith aparecem para capturá-la, mas Neo aparece e a salva, recrutando-a como rebelde da Matrix.

    Oi!

    Achei o conto bem escrito, simples de entender. Contudo, não gostei tanto porque prefiro os que tem mais significado, algo a dizer. O seu é mais entretenimento, ao meu ver. Esse foi seu estilo, e isso é questão de gosto. Fica a seu critério se concorda comigo ou não, de qualquer forma.

    Apenas uma coisa me incomodou: logo no primeiro parágrafo, o cabelo açoitando o rosto da moça. Meio exagerada essa figura de linguagem, hein haha

  14. pedropaulosd
    27 de agosto de 2020

    RESUMO: Erro na Matrix.

    COMENTÁRIO: Tem sido recorrente no desafio a leitura de contos em que o universo homenageado demora a se fazer presente e geralmente me pega de surpresa, num clique, um momento em que eu digo aaaaah. Esse foi um desses e experimentei a mesma diversão de outros ao perceber do que se tratava. A apresentação dos personagens realmente nos blinda à percepção de que tudo aquilo poderia não ser real e, pela boa construção do dilema que perturba a protagonista, tudo parece bem real e seu voo pode ser verdadeiro ou mesmo uma epifania. Com uma expectativa indeterminada, a revelação tem seu impacto e ainda há o prazer de pouco a pouco ir percebendo do que se trata, a primeira dica já maciça, um homem de terno imparável. Minha crítica vai para o que acontece depois daí, pois uma vez que se compreende o que está rolando, falta uma guinada a algo original, e o acordar de Aline até o seu encontro com Neo sucede numa forma parecida com a do filme, sem necessariamente nos trazer um desfecho arrebatador. Ou seja, a força da revelação não continua até o final, em que temos, pelo contrário, um recomeço, um tão semelhante aos filmes que não traz o entusiasmo de algo novo.

    Boa sorte!

  15. Anderson Do Prado Silva
    27 de agosto de 2020

    Resumo:

    Jovem salta de um abismo e, ao fazê-lo, consegue superar a ilusão da Matrix.

    Avaliação:

    (Autor, não leia o presente comentário como crítica literária, pois se trata apenas de uma justificativa para a nota que irei atribuir ao texto.)

    Caralho! Que foda! Conto tecnicamente correto, super veloz e dinâmico! Adorei ver Neo e a Matrix no desafio! Gostei muito, muito, muito!

    O autor é muito talentoso! Torço para que não limite seu talento à literatura de entretenimento!

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

  16. Fabio Baptista
    27 de agosto de 2020

    RESUMO:
    Durante salto de base jump, Aline “desperta” da Matrix e descobre que consegue voar.
    É perseguida por agentes “Smith” e salva pelo próprio Neo.

    COMENTÁRIO:
    Conto bem escrito, totalmente adequado ao tema.
    Fez a fanfic do jeito que eu acho mais legal, como um spin-off onde os personagens principais não são os principais da saga, mas interagem com eles em algum momento.
    Até perceber a referência o conto não tinha me fisgado, mas depois ficou bem divertido. A cena de batalha e perseguição é bem executada e a frase de efeito final fechou bem o conto.

    NOTA: 4

  17. britoroque
    24 de agosto de 2020

    Conto bom, bem escrito e dentro do tema. Acho que poderia ter menos diálogos, mas tudo bem.

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Publicado às 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 1 e marcado .